Prova Parcial – Ciência Política Aluno: Luís Felipe Fachini Turma: AE1 Professora: Silvia Ingrid Lang 1. "Será que existe algum 'poder' que só dependa de quem o exerce e nem um pouco daqueles sobre os quais é exercido? A obediência é sempre uma coisa imposta, mesmo que não pareça? " Ribeiro , João Ubaldo –Política . Quem manda, por que manda, como manda. Rio de Janeiro, Nova Fronteira , 1986, p.30 R: Ao ler essa questão o primeiro fato que me veio à cabeça sobre um poder em que só dependa de quem o exerce foram os governos autoritários, considerando que esses políticos delegam de acordo com seus interesses. No entanto, ao refletir de maneira mais profunda percebi que o “poder” não tem lógica caso seja exercido sem haver uma dependência entre comandante e comandando. Em governos autoritários, isso ocorre, como uma maneira de se estabelecer a ordem e que os indivíduos/Estado convivam em “harmonia”, apesar do caráter autoritário e não porque seus governantes desejam governar de acordo com seus interesses, o que não deixa de ser uma verdade. Uma maneira de provar isso pode ser por meio de atitudes encontradas em nosso cotidiano, que mostram que o poder /uma organização política surgem, praticamente, de modo natural, por exemplo: um grupo de garotos que estão jogando futebol e um deles decide organizar o time com base na qualidade de cada um, posicionando um no gol, outro no meio-campo e assim por diante. Isso pode parecer que são apenas crianças jogando bola e se organizando, no entanto, o garoto que organizou o time estava exercendo poder, nesse caso, o ideológico, pois tinha capacidade/conhecimento de que o time iria melhor se agisse daquela maneira. Meu ponto, a partir desse exemplo, é mostrar que exercer o poder sobre os outros é algo que surge naturalmente e que tem como objetivo organizar melhor um grupo e isso só ocorrerá quando se houver uma situação coletiva. 1 Prova Parcial – Ciência Política Aluno: Luís Felipe Fachini Turma: AE1 Professora: Silvia Ingrid Lang Há três tipos de como obter poder que são: ideologicamente, politicamente e economicamente. O poder econômico é exercido, a partir do momento em que um indivíduo possui bens escassos o que torna os seus comandados dependentes dele para que possam produzir/trabalhar. O poder ideológico é exercido a partir do maior conhecimento que um indivíduo possui, desde que, seja transmitido para a população, e os comandados passam a aceitar a superioridade do mandante. E o poder político é exercido, a partir do monopólio da força, no qual, o mandante tem posse dos armamentos e o comandado fica coagido a obedecer ao mandante. Porém, fica a seguinte pergunta: Como os governos autoritários que acabam por abusarem do poder que detêm não sofrem retaliações, como eles conseguem manter essa obediência? Acredito que isso aconteça, pois vem caminhando como algo ético e cultural, ou seja, a criança nasce e é posto na cabeça dela que ela deverá respeitar o governante, assim como, os comandantes na maioria das vezes exercem um poder político, possuindo monopólio da força. Dessa maneira, acredito que a obediência acaba sendo imposta na criação das pessoas, como sendo o certo ser submisso ao governante e muito arriscado desrespeitar o governante. Por outro lado, a partir do momento que o indivíduo consegue se dissociar dessa “lavagem cerebral” sofrida durante a infância e conseguir um grupo de pessoas que compartilham do mesmo ideal, eles serão capazes de resistir ao poder imposto e lutar pelo que acreditam ser correto. Podemos ter como exemplo, as ditaduras no Oriente Médio e África que atualmente estão abaladas, pois suas populações saíram da posição de concordarem com os comandantes e passaram a ver que estavam sofrendo muitos abusos e o fator principal que permitiu o insurgimento desse movimento foi a internet, pois permitiu dissipar certos ideais. 2 Prova Parcial – Ciência Política Aluno: Luís Felipe Fachini Turma: AE1 Professora: Silvia Ingrid Lang 2. Uma das regras da democracia preconiza que os eleitores devem ser livres para votar segundo sua própria opinião. Através de quais mecanismos esta regra é concretizada (garantida)? R: A garantia da liberdade do eleitor para votar segundo sua própria opinião é garantida pela Constituição no Artigo 14 que considera: “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos...”. Por meio do voto secreto foi possível por um fim nos currais eleitorais que existiam no começo da democracia Brasileira, no qual grandes fazendeiros obrigavam seus “funcionários” a votarem em certos candidatos. Já o voto direto tem como objetivo garantir que o voto do eleitor seja para o candidato votado permitindo, dessa maneira, que o eleitor escolha o seu candidato e não o partido seja o responsável por escolher o candidato. Portanto, pela Constituição os fatores que garantem a liberdade do eleitor votar segundo sua própria opinião são o direito ao voto secreto e direto. 3 Prova Parcial – Ciência Política Aluno: Luís Felipe Fachini Turma: AE1 Professora: Silvia Ingrid Lang 3. Muitas vezes afirma-se que o voto do cidadão paulista vale menos do que o voto dos demais eleitores brasileiros. Qual é o fundamento desta afirmação? Este fato é indiferente para o regime democrático? R: Na votação para cargos majoritários (presidente da República, governadores e senadores), o voto de cada brasileiro tem exatamente o mesmo peso e poder de decisão. O mesmo, contudo, não ocorre na votação proporcional para deputados federais. No Brasil, atualmente, existem 513 vagas para Deputados Federais, e essas deveriam ser preenchidas de acordo com a proporção populacional de cada Estado. O que acontece, por outro lado, é que essa proporção não é respeitada em função de existir um piso e um teto para o número de Deputados Federais eleitos por Estado, sendo o piso de oito e o teto de 70. Para clarificar a situação usarei como exemplo as eleições de 2002: o Estado de São Paulo possuía 24.263.612 de eleitores e uma bancada de 70 deputados federais, ou seja, um parlamentar para cada 346.623 eleitores. Enquanto que, o Amapá possuía 250.077 eleitores e oito deputados federais, ou seja, relação de um para 31.259. A partir dessa análise, provamos que a afirmação feita pelo enunciado é verdadeira, pois o Estado de São Paulo fica sub-representado nesse sistema proporcional de eleição quando se há a existência de um piso e de um teto no número de Deputados Federais eleitos. Com toda a certeza, não se trata de um fato indiferente para o regime democrático, digo isso, pois, a democracia começa a se afastar de sua essência à medida que o poder de legislar torna-se mais concentrado. Ou seja, os eleitores de estados sub-representados passam a desacreditar e a desvalorizar a política, tornando-se indiferentes em relação aos seus votos, pois estão sendo prejudicados, 4 Prova Parcial – Ciência Política Aluno: Luís Felipe Fachini Turma: AE1 Professora: Silvia Ingrid Lang assim como, a sub-representação é um dos vários problemas inerentes na política atual que criam repugno e caso não surja uma solução para isso, a situação tende a piorar cada vez mais, podendo chegar ao ponto em que a democracia entre em crise. 5 Prova Parcial – Ciência Política Aluno: Luís Felipe Fachini Turma: AE1 Professora: Silvia Ingrid Lang 4. Nas ultimas eleições para deputado federal em São Paulo o candidato eleito com menor número de votos foi Salvador Zimbaldi do PDT que recebeu 42.743 votos (0,2% do total de votos válidos); e o candidato não eleito com maior número de votos foi Vanderlei Macris do PSDB que obteve 111.531 votos (0,52% do total de votos válidos). Como se explica esta situação? R: A situação acima é característica de um sistema eleitoral proporcional, nesse sistema, são eleitos os vereadores e os deputados estaduais e federais. Por esse tipo, o total de votos válidos (votos de legenda + votos nominais) em todo o Estado é dividido pelo número de vagas que estão sendo disputadas. Esse resultado é o quociente eleitoral, ou o número de votos correspondentes a cada cadeira. Quando dividirmos o total de votos de um partido pelo quociente eleitoral, chegamos ao quociente partidário, que é o número de vagas que ele obteve. Se o quociente partidário der 6,5, por exemplo, significa que aquele partido elegeu seis de seus candidatos, obviamente, os mais votados. Caso sobrem cadeiras disponíveis, uma nova conta é feita a partir das frações de cada partido até que todas as cadeiras sejam distribuídas. O sistema proporcional privilegia o partido, e não o candidato. Por isso, é comum ocorrer de candidatos serem eleitos com menos votos que outros que acabam ficando de fora, como mostrado no enunciado da questão. O sistema proporcional também é conhecido pelos candidatos “puxadores de votos”, que costumam ser candidatos populares já conhecidos pela população por terem atuado na mídia, ou em razão de seus discursos polêmicos. Como exemplo mais recente, temos o Tiririca filiado ao PR que conseguiu trazer com ele mais três Deputados. Portanto, acredito que uma maneira de amenizar essas discrepâncias, assim como, colocar um fim aos candidatos “puxadores de votos” seria proibir 6 Prova Parcial – Ciência Política Aluno: Luís Felipe Fachini Turma: AE1 Professora: Silvia Ingrid Lang as coligações nas eleições proporcionais e provavelmente a implantação de um sistema de voto distrital ou quem sabe o voto distrital misto. 7