Seminário sobre a Incorruptibilidade e o Cumprimento da Lei Em comemoração do décimo aniversário do trabalho contra a corrupção, o Comissariado contra a Corrupção de Macau, em 13 de Setembro, na Macau Tower Convention and Entertainment Centre, organizou o Seminário sobre a “Incorruptibilidade e o Cumprimento da Lei”. Participaram neste seminário especialistas de quatro locais dos dois lados do estreito e agentes da justiça no âmbito correspondente, que exploraram em conjunto e fizeram um intercâmbio sobre as medidas e estratégias da política contra a corrupção. A cerimónia de abertura foi presidida conjuntamente pelo Dr. Edmund Ho, Chefe do Executivo da RAEM, Dr. Li Yongwu, Subdirector do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na RAEM, Dr. Cheong U, Comissário contra a Corrupção, Dr. Sam Hou Fai, Presidente do Tribunal de Última Instância da RAEM, Dr. Lau Cheok Va, Vice-presidente da Assembleia Legislativa da RAEM, Dra. Florinda Chan, Secretária para a Administração e Justiça, Dr. Ho Chio Meng, Procurador do Ministério Público da RAEM, Dr. Lee Siu-Kwong, Comissário da Independent Commission Against Corruption de Hong Kong, e Dr. Yu Guoqing, Delegado do Procurador da Procuradoria Popular Suprema da RPC. O Dr. Cheong U, Comissário contra a Corrupção, proferiu o discurso de abertura. Os convidados presidiram as cerimónias do lançamento da publicação e do selo comemorativos dos “10 anos em prol da Honestidade e Transparência”. A sessão de manhã foi presidida pelo Dr. Luo Weijian, Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Macau. O primeiro orador, o Dr. Yu Guoqing, Delegado do Procurador da Procuradoria Popular Suprema da RPC, abordou o tema “As Características e Prevenção da Corrupção Activa e Passiva da Actualidade”. Segundo o mesmo, depois da reforma de abertura do nosso país, os órgãos da procuradoria têm tido êxito na concretização do princípio de luta contra a corrupção. No entanto, com a evolução da reforma e a adesão do nosso país à OMC, surgiram novas formas e características de corrupção e criminalidade funcional. Por exemplo, a corrupção relacionada com as empresas estaduais agravou-se; nos crimes do âmbito financeiro passaram a envolver gestores; conluio com as sociedades secretas. Perante as novas tendências, o orador entende que se deve estabelecer, como estratégia fundamental contra a corrupção, um sistema de defesa que reúna simultaneamente a educação, o combate e a prevenção. Em seguida, o Dr. Lee Siu-Kwong, Comissário da Independent Commission Against Corruption de Hong Kong, apresentou as experiências positivas que Hong Kong obteve na formação duma equipa de funcionários públicos incorruptos. Nos anos 60 e 70 a corrupção era frequente em Hong Kong e quase fazia parte da vida dos cidadãos. Devido aos prejuízos provocados pela corrupção e às queixas da população, o Governo da altura criou a Independent Commission Against Corruption, que tem tido muito êxito na rectificação da situação. Isto deve-se ao facto da vontade comum do Governo e da população em combater a corrupção. O funcionamento independente da Independent Commission Against Corruption e a política conjunta da aplicação da lei, da prevenção e da educação facilitaram o combate à corrupção e a promoção da honestidade. Além disso, o Governo de Hong Kong também se interessa muito em criar uma equipa de funcionários públicos incorruptos. No futuro, a Independent Commission Against Corruption ainda desempenhará a função de combate à corrupção e continuará a combater os crimes de corrupção através da colaboração com as entidades congéneres doutros locais. Depois do intervalo, o Dr. Chan Seak Hou, Adjunto do Comissário contra a Corrupção de Macau, apresentou o percurso da criação de um ambiente incorrupto na função pública. Segundo o mesmo, antes, existiam realmente casos de corrupção no Governo de Macau. Apesar de a partir dos meados dos anos 80, o Governo começar a contratar pessoal mais jovem com habilitação superior para a função pública, como a corrupção era frequente, algumas das pessoas conformaram-se com a má corrente, outras não. Portanto, não se conseguiu criar um governo incorrupto. Depois da transferência da soberania e do estabelecimento do Comissariado contra a Corrupção, foi estabelecido o princípio de “combater e prevenir a corrupção, elaborar leis, educar”, incutindo a consciência de honestidade nos funcionários públicos. Do mesmo modo, foram resolvidas muitas causas de corrupção. Ao fim de dois anos de trabalho, o Comissariado contra a Corrupção de Macau ganhou a confiança dos cidadãos. No futuro, o Comissariado contra a Corrupção de Macau continuará a seguir o objectivo determinado e colaborar com outros serviços públicos para cultivar o sentido de missão e de responsabilidade dos funcionários públicos; promover a honestidade, a credibilidade e a moralidade da função pública; educar a ideologia conceptual e incentivar a tutela e o apoio pela comunidade, promovendo também a estrutura duma política conjunta de incorruptibilidade da equipa de funcionários públicos com educação moral, jurídica e outros conhecimentos especializados, esperando que se obtenham efeitos de cura tanto paliativa como definitiva. Finalmente, o Dr. Chen Yonglong, Director da Faculdade de Direito da Universidade de Fu Jen de Taiwan, apresentou a comunicação que elaborou conjuntamente com a Dra. Jou Susyan, Directora do Gabinete de Estudos de Delinquência da Universidade de Taipei, o Dr. Wang Shunxian e o Dr. Zhang Yaozhong, mestrandos do mesmo Gabinete, intitulada “A Situação Actual, Causas e Medidas Defensivas da Corrupção em Taiwan”. O orador apresentou primeiro a idade, o grau de habilitação académica e a antiguidade dos funcionários públicos de Taiwan, depois começou a explorar o problema da corrupção em Taiwan, os seus meios e características. Os casos de corrupção geral, segundo o mesmo, são mais frequentes, sendo de intensidade razoável a corrupção com as obras e as eleições, e de menor intensidade a burla praticada pelos agentes de justiça. O orador também falou em pormenor sobre os meios mais usados pelos delinquentes, tendo indicado também quatro características do crime de corrupção: ocultação, incerteza da vítima, alta cifra negra e relação de mútua influência entre a corrupção activa e a corrupção passiva. Fez também uma breve apresentação da história de evolução das instituições de combate à corrupção em Taiwan. No final, o orador considerou que a resolução dos crimes de corrupção depende, por um lado, da instalação dum mecanismo eficaz de tutela, denúncia e inquérito, e por outro lado da reforma na educação e no sistema. Depois, o moderador fez um balanço das comunicações apresentadas e procedeu-se a um debate, apresentando os presentes as suas opiniões sobre questões relacionadas com a corrupção. Da parte da tarde, o seminário foi presidido pela Dra. Jean Au-Yeung, Acting Director of Corruption Prevention Department of Independent Commission Against Corruption of Hong Kong. O primeiro orador foi o Dr. Xu Tianxiang, Procurador Adjunto da Procuradoria Popular da Província de Guangdong, o qual referiu que os órgãos de procuradoria do nosso país são responsáveis pela punição e prevenção do crime praticado no desempenho das funções. A província de Guangdong tem tido muito êxito no combate à corrupção. Na opinião do orador, o trabalho anti-corrupção não se esgota apenas no combate, mas também incide na prevenção radical da corrupção. Além do “combate rigoroso, valorizar a prevenção”, também se deve valorizar a educação das pessoas. Além disso, também deve promover-se a colaboração da sociedade com os órgãos de aplicação das leis para prevenir a origem da corrupção, com vista à construção duma rede preventiva em toda a sociedade. A seguir, o Dr. Luo Weijian, Professor da Universidade de Macau, apresentou a comunicação “O Predomínio do Executivo e a Incorruptibilidade dos Funcionários Públicos”. O orador relacionou o predomínio do executivo com a incorruptibilidade dos funcionários públicos, porque o predomínio do executivo baseia-se numa equipa de funcionários públicos eficiente e incorrupta. Como se cria esta equipa? O orador sugeriu que se começa por quatro aspectos e três sessões. Primeiro, é preciso estabelecer um regime de recrutamento, acesso, disciplina, prémio e castigo; segundo, deve criar-se o mecanismo de administrar conforme a lei; terceiro, criar um mecanismo especializado para a tutela; quarto, criar uma supervisão acerca dos órgãos executivos e dos funcionários públicos pelos cidadãos. Além disso, deve controlar-se radicalmente o aparecimento de actos ilegais de corrupção e de abuso de poderes; tornar mais público e aumentar a transparência dos actos administrativos, aperfeiçoar os diplomas administrativos para que os funcionários públicos actuem conforme a lei, diminuindo a subjectividade dos actos; combater com determinação os actos ilegais de corrupção, criando um governo incorrupto. Depois do intervalo, iniciou-se a última sessão do seminário. O primeiro orador foi o Dr. Xie Guliang, Subdirector dos Serviços de Supervisão da Província de Guangdong, que partilhou com os presentes os esforços e o sucesso alcançado na prevenção contra a corrupção relativa às obras públicas na Província de Guangdong. Após a reforma e abertura da Província de Guangdong, a economia tem-se desenvolvido; as obras públicas e a construção dos projectos de infra-estruturas criaram muitos postos de trabalho e promoveram o desenvolvimento social. No entanto, o início das obras criou oportunidades para a corrupção. Para prevenir e acabar com o fenómeno de corrupção das obras públicas, a Província de Guangdong adoptou uma série de medidas, como a proibição dos funcionários públicos de qualquer categoria interferirem na concessão e administração de obras públicas, reforço da supervisão da execução das leis e o desenvolvimento do mercado da arquitectura, tendo obtido êxito nos últimos anos. Consequentemente, a percentagem de concursos públicos aumentou bastante, o preço das obras diminuiu e a qualidade das obras melhorou, prevenindo-se o fenómeno de corrupção nas obras. A Dra. Tou Wai Fong, Adjunta do Comissário contra a Corrupção de Macau, apresentou em seguida a comunicação intitulada “O Papel do CCAC de Macau no Combate à Corrupção e na Promoção da Integridade e Transparência”. A oradora fez uma comparação entre o Comissariado contra a Corrupção da RAEM e o Alto Comissariado contra a Corrupção e a Ilegalidade Administrativa antes da transferência da soberania relativamente ao papel desempenhado e as atribuições cumpridas. Entende a oradora que o Comissariado contra a Corrupção não é uma mera continuação das funções do anterior, mas uma nova manifestação segundo a Lei Básica. Do ponto de vista das competências, não existe uma grande diferença entre os dois, mas o Governo da RAEM valoriza mais o Comissariado contra a Corrupção, valorização essa que se revela na sua reconstituição estrutural e extensão das funções logo depois da sua constituição e na sua responsabilização perante o Chefe do Executivo, obtendo assim um apoio político forte. Finalmente, o Dr. Wu Yuliang, Director do Departamento de Estudos do Ministério de Supervisão da RPC, apresentou a comunicação “Exercer um Controlo Eficaz e Promover a Honestidade e a Diligência na Administração Pública”. O orador considerou que ao longo dos últimos dez anos da política de incorruptibilidade no nosso país foram obtidos sucessos, incluindo a punição de agentes corruptos e a extinção gradual de fenómenos de corrupção, assegurando o desenvolvimento económico do nosso país e a satisfação da população acerca do trabalho contra a corrupção. Isto depende principalmente do seguimento dos princípios fundamentais do trabalho contra a corrupção, tais como a cura tanto paliativa como definitiva, o reforço da legislação contra a corrupção, a liderança única pelo Governo Central, conjugando também outras medidas, como o reforço da intensidade de punição dos delinquentes de corrupção, da supervisão sobre o governo pela população, da divulgação e da educação, da criação dum regime de responsabilização pela incorruptibilidade e da reunião intensa dos recursos nacionais. Após o debate, deu-se por terminado o seminário.