PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM EDUCAÇÃO EM ENFERMAGEM NA REGIÃO SUL DO BRASIL: UM ESTUDO MULTICÊNTRICO1 Bruna Pedroso Canever2 Vânia Marli Schubert Backes3 Marta Lenise do Prado4 Kenya Schimidt Reibnitz5 Maria do Horto Fontoura Cartana6 Alacoque Erdmann7 Carmen Elizabeth Kalinowski8 Fabiane Ferraz9 Mônica Motta Lino10 Karen Abe11 Vívian Costa Fermo12 Daiana Kloch12 A educação em enfermagem tem evoluído através dos tempos, passando de uma educação menos diretiva para uma posição mais reflexiva. Assim, buscase sair do modelo de atenção assentado no paradigma biomédico com uma alta orientação técnico-mecanicista em direção ao paradigma holísticodisciplinar, o qual possibilita formar indivíduos com habilidades e competências para a inserção em diferentes setores da saúde, para participação no desenvolvimento da sociedade brasileira e para estimular o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo, fortalecendo a profissão e o 1 Trabalho derivado do Projeto de Pesquisa “A Produção Investigativa de Educação em Enfermagem no Brasil: o estado da arte”. Recebe financiamento do CNPq (Edital Universal-2007) e PIBIC/CNPq/UFSC. 2 Ac. Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Membro do Grupo de Pesquisa em Educação em Enfermagem e Saúde (EDEN/PEN/UFSC). Bolsista PIBIC/CNPq/UFSC. End.: Rua Victor Konder, 54/303 – Centro – Florianópolis/SC. Cep: 88015-400. E-mail: [email protected]. 3 Dra. em Enfermagem. Docente do Dpto. Enfermagem da UFSC. Vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (PEN/UFSC). Líder do Grupo de Pesquisa EDEN/PEN/UFSC. Diretora de Educação da ABEn – Seção Santa Catarina. E-mail: [email protected] . 4 Dra. em Enfermagem. Docente do Dpto. Enfermagem da UFSC. Coordenadora do PEN/UFSC. Vicelíder do Grupo de Pesquisa EDEN/PEN/UFSC. Pesquisadora CNPq. 5 Dra. em Enfermagem. Docente do Dpto. Enfermagem da UFSC. Vice-Coordenadora do Centro de Ciências da Saúde da UFSC. Membro do Grupo de Pesquisa EDEN/PEN/UFSC. 6 Dra. em Enfermagem. Docente do Dpto. Enfermagem da UFSC. Coordenadora do Curso de Graduação em Enfermagem da UFSC. Membro do Grupo de Pesquisa EDEN/PEN/UFSC. 7 Dra. em Enfermagem. Docente do Dpto. Enfermagem da UFSC. Representante do Curso de Enfermagem na CAPES. Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Administração de Enfermagem e Saúde. Pesquisadora CNPq. 8 MSc. Enfermagem. Docente do Dpto. Enfermagem da Universidade Federal do Paraná. Ex-Diretora de Educação da ABEn – Seção Paraná. 9 MSc. Enfermagem. Doutoranda PEN/UFSC. Membro do Grupo de Pesquisa EDEN/PEN/UFSC. Bolsista CNPq. 10 Enfermeira. Mestranda PEN/UFSC. Membro do Grupo de Pesquisa EDEN/PEN/UFSC. Bolsista CNPq. 11 Ac. Enfermagem da UFSC. Membro do Grupo de Pesquisa EDEN/PEN/UFSC. Bolsista BIC/CNPq. 12 Ac. Enfermagem da UFSC. Membro do Grupo de Pesquisa EDEN/PEN/UFSC. desenvolvimento investigativo na Enfermagem (BRAGA, 1999). A Enfermagem tem contribuído com a produção de conhecimento científico por meio da área da pesquisa e com o desenvolvimento de Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu. Para a administração da produção de conhecimentos em Enfermagem e consolidação de sua base científica, os pesquisadores constituíram Grupos de Pesquisas (GP) para auxiliar o processo de desenvolvimento científico. O conceito de Grupo de Pesquisa, adotado pelo Diretório de Grupos do CNPq, diz que se trata de um grupo de pesquisadores, estudantes e pessoal de apoio técnico que está organizado em torno à execução de linhas de pesquisa, segundo uma regra hierárquica fundada na experiência e na competência técnico-científica. Esse conjunto de pessoas utiliza, em comum, facilidades e instalações físicas. Como se vê, a(s) linha(s) de pesquisa subordina(m)-se ao grupo, e não o contrário. Portanto, trata-se de um conjunto de indivíduos com experiência e liderança no terreno científico ou tecnológico, que compartilham discussões e produções organizadas a partir de linhas de pesquisa. A linha de pesquisa representa temas aglutinadores de estudos científicos que se fundamentam em tradição investigativa, de onde se originam projetos cujos resultados guardam afinidades entre si. Já projeto de pesquisa é a investigação com início e final definidos, fundamentada em objetivos específicos, visando a obtenção de resultados, de causa e efeito ou colocação de fatos novos em evidência (CNPq, 2007). Um estudo realizado por Prado e Gelbcke (2000), acerca da produção do conhecimento em Enfermagem na América-Latina, aponta que as linhas de pesquisa, políticas e práticas na área de Educação e Enfermagem, é a que apresenta o maior número de investigações. Seguida pela linha de produção em saúde e trabalho em Enfermagem, identificando poucos estudos sobre a formação de recursos humanos, avaliação educacional, caracterização da população estudantil, docente e política educacional em Enfermagem. O estudo revelou uma tendência de investigações nos aspectos organizacionais e históricos do trabalho da Enfermagem com significativa ênfase na gestão e inexpressiva investigação da área de Educação. Diferentes organismos como a FEPPEN (Federação Panamericana de Profissionais de Enfermagem), procuram impulsionar a elaboração de projetos relacionados ao aprofundamento do conhecimento em Enfermagem e uma das linhas de pesquisa fomentadas é sobre processos de formação dos recursos humanos na Enfermagem. Igualmente, a ALADEFE (Associação Latinoamericana de Faculdades de Enfermagem), na VII Conferência Ibero-americana de Educação em Enfermagem (2003), organizou um Simpósio sobre Linhas de Pesquisa de Educação em Enfermagem, para ser desenvolvido de maneira cooperativa, com a intencionalidade de investigar e atender de modo sistemático e contextualizado as problemáticas mais significativas em matéria de Educação em Enfermagem (ANAIS, 2003). Estes aspectos são evidências e testemunhos que sinalizam a urgência de avançar na exploração da temática no âmbito latino-americano. Frente a essa realidade, o Grupo de Pesquisa em Educação em Enfermagem e Saúde, do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, da Universidade Federal de Santa Catarina (EDEN/PEN/UFSC), engajou-se ao estudo multicêntrico da Faculdade de Enfermagem da Universidade Nacional da Colômbia, em um projeto de pesquisa cujo propósito é evidenciar o estado da arte da produção investigativa em educação em enfermagem na América Latina. Deste macro-projeto, derivou o projeto de pesquisa aprovado pelo Edital Universal 2007 – CNPq, intitulado “A Produção Investigativa de Educação em Enfermagem no Brasil: o estado da arte”, com o objetivo reconhecer o estado da arte aportada pelos Grupos de Pesquisa de Educação em Enfermagem na última década (1995-2006) no Brasil, sendo que no presente trabalho, será apresentado à realidade da Região Sul do Brasil. Pretende-se com este estudo contribuir na construção de critérios e recomendações que sirvam para criar, fortalecer, ampliar ou redimensionar as linhas e grupos de pesquisa, assim como, fomentar políticas indutoras na área da Educação em Enfermagem na América Latina. A metodologia se apresenta como uma pesquisa do tipo documental, descritiva exploratória, de natureza qualitativa. Neste momento será apresentado o estado da arte dos GP em Educação em Enfermagem da Região Sul do Brasil na última década (1995-2006), a partir dos dados coletados no censo de 2006 do Diretório de Grupos CNPq. Visto tratar-se de uma pesquisa documental, o estudo não foi submetido ao Comitê de Ética com Seres Humanos, no entanto, cabe ressaltar que os pesquisadores seguem todos os preceitos éticos necessários para a análise dos dados da pesquisa. Como resultados a Região Sul do Brasil, apresenta 75 grupos de pesquisa em Enfermagem, distribuídos em 24 Instituições de Ensino Superior Públicas e Privadas. Destes 44 possuem, entre outras Linhas de Pesquisa, a Linha de Educação e Enfermagem, sendo que 18 estão estruturados como Grupos de Pesquisa na área de Educação e Enfermagem, apresentando a palavra “educação” no nome do grupo. Todos os grupos pesquisa estão ligados a uma Instituição de Ensino Superior (IES) Pública ou Privada. Entre as 24 IES, 07 possuem Programa de Pós-Graduação Stricto Senso reconhecidos pela CAPES, sendo todas de caráter público federal ou estadual. Reportando-se especificamente aos Grupos de Educação e Enfermagem 10 se encontram em IES Públicas (Estaduais ou Federais), e 08 em IES Privadas. Entre os 44 grupos que apresentam a Linha de Pesquisa de Educação e Enfermagem, 25 são de IES Públicas Estaduais ou Federais, enquanto 19 apresentam-se nas IES Privadas. Em relação ao número de pesquisadores e estudantes, a área de Enfermagem da Região Sul comporta um número total de 682 pesquisadores e 503 estudantes (graduandos, mestrandos e doutorandos). Os dados indicam que os GP em Educação e Enfermagem estão situados junto as IES. Provavelmente isto se deva a cultura do nosso país, em que na maioria das vezes, os centros de pesquisa encontram-se vinculados a IES fortalecendo o tri-pé ensino, pesquisa e extensão, visto que os pesquisadores são, na sua grande maioria, docentes e discentes de pós-graduações. Com o presente estudo pretende-se sensibilizar os gestores e órgãos de fomento à pesquisa para um substancial incremento nos investimentos na área de enfermagem e maior articulação de pesquisadores no âmbito latino-americano. PALAVRAS-CHAVE: Grupos de Pesquisa; Educação em Enfermagem; Enfermagem ÁREA TEMÁTICA: Formação e Capacitação Referências: BRAGA, A. N. Reflexões sobre a superação do conhecimento fragmentado nos cursos de graduação. In: Pedagogia Universitária: conhecimento. Ética e política no ensino superior. Org. Denise Leite. Porto Alegre. Ed.Universidade/UFRGS. 1999. PRADO, M. L.; GELBECKE, F. L. Producción de conocimiento de enfermería en Latinoamérica: el estado de la arte. Reunión Internacional de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, 2000. VII Conferencia Ibero Americana de Educación en Enfermería (MEMÓRIAS), Octubre, Colômbia, 2003. VII Colóquio Panamericano de Investigación em Enfermería (MEMORIAS), Bogotá, D.C. Octubre, 2000. CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO – Censo 2006 – Disponível em: www.cnpq.br . Acesso em: 13 dezembro 2007.