MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
FACULDADE DE AGRONOMIA ELISEU MACIEL
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE
SEMENTES
Tese
Desempenho de sementes de Vigna unguiculata (L.) Walp.
tratadas com fungicidas, inseticidas e micronutrientes sob
diferentes condições de armazenamento
Lucicléia Mendes de Oliveira
Pelotas, 2013
ii
LUCICLÉIA MENDES DE OLIVEIRA
Desempenho de sementes de Vigna unguiculata (L.) Walp. tratadas
com fungicidas, inseticidas e micronutrientes sob diferentes
condições de armazenamento
Tese apresentada à Faculdade de Agronomia
“Eliseu Maciel” da Universidade Federal de
Pelotas, como exigência parcial do Programa
de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de
Sementes, sob orientação do prof. Luis Osmar
Braga Schuch, para a obtenção do título de
Doutor em Ciências.
Comitê de orientação:
Orientador: Prof. Luis Osmar Braga Schuch Dr.(UFPEL)
Co-orientadora: Prof.(a) Riselane de Lucena Alcântara Bruno Dra(UFPB)
Co-orientador: Prof. Silmar Teichert Peske Dr.(UFPEL)
Pelotas, 2013
Dados de catalogação na fonte:
( Marlene Cravo Castillo – CRB-10/744
)
O48d Oliveira, Lucicléia Mendes de
Desempenho de sementes de Vigna unguiculata(L.) Walp,
tratadas com fungicidas, inseticidas e micronutrientes sob
diferentes condições de armazenamento / Lucicléia Mendes de
Oliveira ; orientador Luis Osmar Braga Schuch; co-orientador
Silmar Teichert Peske - Pelotas,2013.-51f. : il..- Tese (Doutorado )
–Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de
Sementes. Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel. Universidade
Federal de Pelotas. Pelotas, 2013.
1.Feijão-caupi 2.Tratamento de sementes 3.Qualidade
fisiológica I.Schuch, Luis Osmar(orientador) II.Título.
CDD 635.652
iii
LUCICLÉIA MENDES DE OLIVEIRA
Desempenho de sementes de Vigna unguiculata (L.) Walp. tratadas
com fungicidas, inseticidas e micronutrientes sob diferentes
condições de armazenamento
APROVADA em 18 de março de 2013
Banca examinadora:
Prof. Dr Luis Osmar Braga Schuch- UFPel - Presidente
Prof. Silmar Teichert Peske Dr.(UFPEL)
Geri Eduardo Meneghello Dr.(UFPEL)
Wilner Brod Peres Dr.(UFPEL)
Hilton Grimm Dr (IFSUL)
iv
Aos meus queridos pais Maria Lúcia Soares de Oliveira e Ivo José
Mendes de Oliveira.
DEDICO
v
AGRADECIMENTO
Agradeço primeiramente a Deus por ter me dado força, coragem e
ânimo para não desistir nunca mesmo nas maiores dificuldades. Por sua
presença na minha vida e infinita bondade me conduziu a seguir em
frente superando todos os obstáculos e me mantendo sempre de pé.
Ao programa de Pós-graduação em Ciência e Tecnologia de
Sementes da Universidade Federal de Pelotas, por ter proporcionado a
minha qualificação profissional.
Ao Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da
Paraíba, por ter disponibilizado o espaço para a condução do
experimento.
Ao CNPq pela bolsa de doutorado.
Ao professor Luis Osmar Braga Schuch, pela orientação,
ensinamento, paciência e apoio durante o curso.
A
professora
Riselane
de
Lucena
Alcântara
Bruno,
pela
orientação, ensinamentos e amizade.
Agradeço especialmente aos meus pais e ao meu irmão Valdir.
A todos os professores por seus valorosos ensinamentos de
grande importância na minha formação profissional.
Aos amigos e todos aqueles que ajudaram de alguma forma para a
concretização deste de trabalho.
vi
RESUMO
OLIVEIRA, Lucicléia Mendes de. Desempenho de sementes de Vigna unguiculata
(L.) Walp tratadas com fungicidas, inseticidas e micronutrientes sob diferentes
condições de armazenamento. 2013. 51f. Tese (Doutorado) – Programa de Pósgraduação em Ciência e Tecnologia de sementes. Universidade Federal de Pelotas,
Pelotas-RS.
O feijão-caupi é uma fabaceae de origem africana bastante cultivada na região norte
e nordeste do Brasil, onde se destaca como principal fonte proteica para as
populações carentes destas regiões, além de gerar emprego e renda. Para o
estabelecimento da cultura as sementes são tratadas para controlar e prevenir
possíveis ataques de pragas que possam prejudicar a qualidade fisiológica das
sementes, ocasionar doenças e reduzir o estande de plantas. Também é possível
agregar nutrientes as sementes os quais estarão prontamente disponíveis para a
planta em desenvolvimento logo após a germinação. Dessa forma, o objetivo do
presente trabalho foi avaliar o desempenho de sementes de feijão-caupi tratadas
com fungicidas, inseticidas e micronutrientes sob diferentes condições de
armazenamento. Foram realizados os seguintes tratamentos de sementes: 1testemunha (sem tratamento); 2- micronutriente COMOL 118 (composto por cobalto
1% e Molibdênio 8%), 3- inseticida tiametoxam (Cruiser 350FS® - 300 mL 100 kg-1
de sementes), 4- Inseticida e fungicidas: fipronil e piraclostrobina+tiofanato metilico
(Standak® top – 200 mL 100kg-1 de sementes), 5-Imidacloprido+tiodicarbe
(Cropstar® - 300 mL 100 kg-1 de sementes) sendo posteriormente armazenadas em
ambiente natural e câmara de conservação de sementes a 16 °C e 60 % UR. A
avaliação da qualidade fisiológica das sementes foi feita aos 0, 45, 90, 135 e 180
dias de armazenamento através dos testes de germinação e vigor (primeira
contagem de germinação, envelhecimento acelerado, comprimento de plântulas,
emergência e índice de velocidade de emergência). Conclui-se que os produtos
(imidacloprido+tiodicarbe)
e
o
(fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico)
proporcionam efeito estimulante sobre o desempenho das sementes; sementes
revestidas com tiametoxam são menos afetadas pelo armazenamento do que as
sementes não tratadas; e o tratamento com micronutrientes apresenta
comportamento similar às sementes não tratadas sendo que em ambiente natural
prejudica a qualidade fisiológica com o aumento do período de armazenamento.
Palavras-chave: Feijão-caupi. Tratamento de sementes. Qualidade fisiológica
vii
ABSTRACT
OLIVEIRA, Lucicléia Mendes. Performance of Vigna unguiculata (L.) Walp seeds
treated with fungicides, insecticides and micronutrients in different storage
conditions. 2013. 51 pages. Thesis (PhD) – Seed Science and Technology
Program. Federal University of Pelotas, Pelotas-RS.
Cowpea is a leguminous very cultivated in North and Northeast in Brazil. It is a crop
from Africa, but it has good adaptability in these areas. It is important protein source
for poor people of these regions, besides generating employment and income. Seed
treatment is important to control and prevent possible pests and diseases attacks
that could damage physiological seed quality, reduce plant stand and cause
economic damage. It is also possible to apply nutrients via seeds; in this case,
nutrients will be readily available to plants shortly after germination. Therefore, the
objective of this study was to evaluate the performance of cowpea seeds treated with
fungicides, insecticides and micronutrients in different storage conditions. The
experiment was conducted at Seed Analysis Laboratory of the Federal University of
Paraíba, and the seeds were treated as follows: 1-control (no treated), 2micronutrient Comol 118 (composed of 1% cobalt and molybdenum 8%), 3thiamethoxan insecticide (Cruiser 350FS® - 300mL per 100kg of seed-1), 4Insecticide and fungicide: fipronil and pyraclostrobin + thiophanate methyl (Standak®
top-200mL per 100kg of seed-1), 5-Imidacloprid + thiodicarb (Cropstar ® - 300mL- per
100kg of seeds-1). After treated the seeds were stored at natural environment and
preservation chamber. The assessment of physiological seed quality was done at 0,
45, 90, 135 and 180 days of storage and the following tests were performed: seed
germination and seed vigor (first count of germination, accelerated aging, seedling
length, seedling emergence and emergence speed index). It was concluded that the
treatments with (imidacloprid+thiodicarb) and (fipronil+pyraclostrobin+thiophanatemethyl) provide stimulating effect on seed performance; and seed treated with
thiamethoxan are less negatively affected than seed not treated with this product;
treatment with micronutrients show similar behavior to untreated seeds and seed
storage at natural environment negatively affect seed quality as the period of storage
is increased.
Keywords: Cowpea. Seed treatment. Physiological quality.
viii
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 Germinação das sementes de feijão-caupi armazenadas em ambiente
natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos:
T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4-Fipronil +
piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe.............
22
Figura 2 Primeira contagem de germinação de sementes de feijão-caupi
armazenadas em ambiente natural (A) e ambiente controlado (B)
durante 180 dias. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam;
T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico;
T5Imidacloprido+tiodicarbe...........................................................................
25
Figura 3 Envelhecimento acelerado de sementes de feijão-caupi armazenadas
em ambiente natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias.
Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico;
T5Imidacloprido+tiodicarbe...........................................................................
27
Figura 4
Figura 5
Figura 6
Comprimento de plântulas de feijão-caupi armazenadas em ambiente
natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos:
T1-Testemunha;
T2-Micronutrientes;
T3-Tiametoxam;
T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico;
T5Imidacloprido+tiodicarbe..........................................................................
31
Emergência de plântulas de feijão-caupi armazenadas em ambiente
natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos:
T1-Testemunha;
T2-Micronutrientes;
T3-Tiametoxam;
T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico;
T5Imidacloprido+tiodicarbe.........................................................................
33
Índice de velocidade de emergência (IVE) de plântulas de feijão-caupi
armazenadas em ambiente natural (A) e ambiente controlado (B)
durante 180 dias. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam;
T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico;
T5Imidacloprido+tiodicarbe........................................................................
38
ix
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 Germinação das sementes de feijão-caupi tratadas com inseticidas,
fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante
180 dias, em dois ambientes. A1- Ambiente natural, A2- Ambiente
controlado. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam;
T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico;
T5Imidacloprido+tiodicarbe............................................................................
24
Tabela 2 Primeira contagem de germinação das sementes de feijão-caupi tratadas
com inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha,
armazenadas durante 180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente
natural, A2-Ambiente controlado. Tratamentos: T1-Testemunha; T2Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe.......................................................
27
Tabela 3 Envelhecimento acelerado de sementes de feijão-caupi tratadas com
inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas
durante 180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente
controlado. Tratamentos: T1-Testemunha: T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam;
T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico;
T5Imidacloprido+tiodicarbe............................................................................
28
Tabela 4 Comprimento de plântulas de feijão-caupi tratadas com inseticidas,
fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante
180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente
controlado. Tratamentos: T1-Testemunha: T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam;
T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico;
T5Imidacloprido+tiodicarbe............................................................................
32
Tabela 5 Emergência de plântulas de feijão-caupi tratadas com inseticidas,
fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante
180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente
controlado. Tratamentos: T1-Testemunha: T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam;
T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico;
T5Imidacloprido+tiodicarbe............................................................................
34
Tabela 6 Índice de velocidade de emergência (IVE) de plântulas de feijão-caupi
tratadas com inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha,
armazenadas durante 180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente
natural, A2-Ambiente controlado. Tratamentos: T1-Testemunha; T2Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe......................................................
38
x
SUMÁRIO
RESUMO.................................................................................................... vi
ABSTRACT................................................................................................ vii
LISTA DE FIGURAS.................................................................................. vii
LISTA DE TABELAS.................................................................................
ix
1
INTRODUÇÃO...........................................................................................
01
2
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA...................................................................... 03
2.1
A cultura do feijão-caupi.........................................................................
2.2
Importância do tratamento de sementes como protetores e
nutrientes..................................................................................................
2.3
Efeitos
de
produtos
químicos
no
controle
03
05
de
pragas........................................................................................................ 07
2.4
Alterações
fisiológicas
nas
sementes
e/ou
morfológicas
proporcionadas por produtos químicos................................................
09
2.5
Interações do tratamento de sementes com o armazenamento.........
14
3
MATERIAL e MÉTODOS........................................................................... 18
4
RESULTADOS e DISCUSSÃO.................................................................
20
5
CONCLUSÕES..........................................................................................
41
6
REFERÊNCIAS.......................................................................................... 42
1
1 INTRODUÇÃO
O feijão-caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp.) é uma fabaceae com origem da
África que vem sendo bastante cultivada na região norte e nordeste do Brasil como
alimento básico das populações carentes dessas regiões e com vias de expansão
na região centro-oeste do país. Essa cultura é uma fonte rica em proteínas, sendo
consumida na forma de grão verde e seco, vagem verde e farinha servindo de
alimento tanto para o homem quanto para os animais.
A produtividade média do feijão-caupi ainda é baixa devido ao uso de
cultivares tradicionais, pouco uso de insumos agrícolas, ausência de adubação ou
forma inadequada de nutrição. Contudo, em algumas regiões do país a produção do
feijão-caupi tem melhorado devido ao maior uso de tecnologias, cultivares com
maior potencial produtivo, resistente a pragas e doenças.
O tratamento de sementes é uma prática que vem sendo largamente utilizada
pelos produtores rurais, pois através dessa tecnologia é possível agregar produtos
as sementes que podem protegê-las contra pragas presentes na própria semente e
no solo. Além disso, podem ser adicionados nutrientes escassos no solo que a
planta irá precisar durante o seu desenvolvimento. Essa medida juntamente com
outras práticas agrícolas pode proteger a lavoura, garantir a fitossanidade das
plantas e aumentar a produtividade.
Alguns
inseticidas
vêm
sendo
objeto
de
estudo
constante
pelos
pesquisadores, como exemplo, o tiametoxam que desempenha sua função no
controle de pragas e há registros que o mesmo possui ação de bioativador
incrementando características como a germinação, emergência, comprimento de
plântulas, melhora o desempenho das plântulas em situações de estresse, aumento
dos níveis totais de proteínas e enzima nas plantas, aumento da expressão do vigor,
acúmulo de fitomassa, área foliar, alta taxa fotossintética e raízes mais profundas.
O inseticida fipronil também promove alterações fisiológicas nas plantas, pode
aumentar a tolerância das plantas aos estresses bióticos e abióticos atuando nos
canais de cloro, agindo na regulação dos estômatos e consequentemente
influenciando no controle do estresse hídrico. Também há relatos que esse
ingrediente ativo pode proporcionar aumento do crescimento de raiz e parte aérea
de plantas.
2
A nutrição mineral balanceada é de suma importância para a planta obter
melhor performance em termos de produção, tomando como base o efeito benéfico
dos nutrientes para a planta micronutrientes importantes para a cultura do feijão
podem ser incorporados nas sementes como exemplo, o cobalto e o molibdênio,
essenciais na atividade do rizóbio para a fixação do nitrogênio atmosférico pois a
baixa disponibilidade deles pode comprometer o funcionamento da leg-hemoglobina
e da redutase de nitrato. Dada à importância destes nutrientes, os mesmos foram
agregados às sementes de feijão-caupi e armazenados.
O uso de fungicidas e inseticidas no tratamento de sementes é uma prática
utilizada
rotineiramente
como
controle
de
pragas
iniciais,
enquanto
os
micronutrientes podem ser revestidos às sementes como alternativa para suprir
possíveis deficiências. Nesse sentido, o tratamento de sementes esta sendo feito
por algumas empresas produtoras de sementes o que justifica a importância de
pesquisar a influência desses ingredientes sobre a qualidade fisiológica das
sementes. Dessa forma, o objetivo do presente trabalho foi avaliar o desempenho
das sementes de feijão-caupi tratadas com fungicidas, inseticidas e micronutrientes
sob diferentes condições de armazenamento.
3
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 A cultura do feijão-caupi
O feijão-caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp.) é uma planta herbácea,
autógama, cuja região de origem situa-se na parte oeste e central da África. Dentre
as espécies cultivadas é uma das mais adaptadas, versátil e nutritiva, servindo como
componente essencial dos sistemas de produção nas regiões secas dos trópicos,
cobrindo parte da Ásia, Estados Unidos, Oriente Médio e Américas Central e do Sul
(SINGH et al., 2002).
Na América do sul esta fabaceae é bastante cultivada no Brasil,
predominantemente nas regiões norte e nordeste onde apresenta boa capacidade
de adaptação aos diferentes tipos de solo. Destaca-se como principal fonte proteica
para as populações carentes destas regiões, além de gerar emprego e renda
(MELO, 1999). Difundido também em outras regiões do País, como hortaliça, para
produção de grãos verdes e vagens, além disso, suas folhas e ramos servem de
forragem para os animais (LEITE et al., 1999).
A espécie é uma excelente fonte de proteínas (23 a 25%), apresenta todos os
aminoácidos essenciais, carboidratos (62%), vitaminas e minerais, possui fibras
dietéticas, baixa quantidade de gordura (teor de óleo de 2%, em média),
constituindo-se como alimento básico. Apresenta ciclo curto, baixa exigência hídrica
e rusticidade para se desenvolver em solos de baixa fertilidade e, por meio da
simbiose com bactérias do gênero Rhizobium, tem a habilidade para fixar nitrogênio
do ar (ANDRADE JÚNIOR et al., 2003).
Pode ser cultivado em diferentes regiões do Brasil, principalmente, em locais
com baixa latitude. Tolera temperaturas de 18 a 34°C, sendo que valores fora dessa
faixa torna o desenvolvimento insatisfatório com predominância do desenvolvimento
da parte vegetativa em detrimento da produção de grãos (OLIVEIRA JÚNIOR et al.,
2002). Além disso, o acúmulo térmico pode influenciar na duração do ciclo da cultura
ou nos estágios fenológicos de uma determinada cultivar (MEDEIROS et al., 2000).
Os principais produtores de feijão-caupi são os pequenos agricultores e
agricultores familiares na forma de feijão verde o que representando para eles uma
fonte complementar da renda. Realizam o plantio, principalmente em regime de
4
sequeiro
ou
em
áreas
de
vazante,
sendo
a
comercialização
realizada,
preferencialmente, em feiras livres vendido na forma de vagem ou debulhado
(ANDRADE, 2010).
Quanto à produtividade de sementes dessa cultura no Brasil a mesma varia
conforme o sistema de produção, sendo de 500 a 700 kg ha-1 em sistema de
sequeiro e de 1000 a 1300 kg ha -1 no irrigado (BNB, 2006). A baixa produtividade
dessa espécie no nordeste, especialmente, em algumas regiões da Paraíba esta
relacionada aos seguintes fatores: plantio de cultivares tradicionais, emprego de
sementes de baixa qualidade, falta de adubação ou forma inadequada de nutrição
empregada pelos agricultores (SANTOS et al., 2007).
Na região meio-norte do Brasil, que compreendem os estados do Piauí e do
Maranhão, a baixa produtividade do feijão-caupi também esta relacionada ao menor
uso de insumos agrícolas. Por outro, o fato desta espécie se beneficiar do nitrogênio
proveniente da fixação biológica torna-se necessário sua otimização por meio do uso
da inoculação com cepas de rizóbios adaptadas a região. Atualmente existem
algumas cepas regulamentadas e recomendadas pelo ministério da agricultura,
pecuária e abastecimento como BR 3262, BR 3267, UFLA 03-84 (BR 3302) e INPA
03-11b (BR3301), as quais tem proporcionado rendimento de grão semelhante ou
superior à adubação nitrogenada de 50 kg.ha -1 de N com produtividade variando de
1.369 a 1.953 kg.ha-1 (ALMEIDA et al., 2010).
A melhor performance em termos de produção desta espécie pode ser obtida
com a adoção de algumas práticas, entre elas destacam-se: preparo do solo, a
escolha da cultivar, hábito de crescimento, potencial de produção da planta,
fertilidade do solo, época de plantio e condições climáticas, as quais respondem
pelas altas produtividades da cultura (OLIVEIRA et al., 1996). Também é importante
levar em consideração a densidade e o arranjo de plantas, porque a competição em
intensidade elevada nos estádios iniciais do desenvolvimento da cultura pode
favorecer o surgimento de plantas improdutivas, causar diminuição do estande final
e, consequentemente o rendimento de grãos (BEZERRA et al., 2008).
Tradicionalmente o feijão-caupi estava voltado para agricultores com baixa
adoção tecnológica, mas nos últimos anos vem despertando o interesse daqueles
que praticam a agricultura empresarial, cuja lavoura é totalmente mecanizada.
Nesse sentido, a cultura começou a fazer parte de sistema de exploração de maior
5
expressão na economia regional, destacando o cultivo na região de cerrado no sul
do Piauí e do Maranhão, em sequeiro, e no oeste da Bahia, em pivô central. Para
esse novo sistema de produção tem aumentado à procura de cultivares que
apresente características diferenciadas daquelas tradicionais, ou seja, cultivares
com arquitetura de plantas mais modernas, porte mais compacto, mais ereto,
resistência ao acamamento e maturação das vagens mais uniforme, estando todas
essas características aliadas ao grau de aceitação dos grãos no mercado para
facilitar a comercialização (FREIRE FILHO et al., 2005).
Vale destacar também outros atributos das novas cultivares de feijão-caupi
para atender as necessidades dos sistemas de produção tecnificados que são alto
potencial de rendimento, resistência a pragas e doenças, qualidade dos grãos, bem
como as características do porte e da arquitetura adequados ao maior adensamento
e à mecanização da cultura, inclusive da colheita (BEZERRA et al., 2008).
2.2 Importância do tratamento de sementes com protetores e nutrientes
O tratamento de sementes é importante para controlar e prevenir possíveis
ataques de microrganismos, insetos e nematóides que possam prejudicar a
qualidade fisiológica das sementes, ocasionar doenças, reduzir o estande inicial e
final de plantas e consequentemente acarretar prejuízos econômicos na produção
de grãos. Também por meio dessa técnica é possível agregar nutrientes as
sementes
os
quais
estarão
prontamente
disponíveis
para
a
planta
em
desenvolvimento logo após a germinação.
Quanto à tomada de decisão com relação ao tratamento de sementes para
prevenir a ação de patógenos devem ser considerados vários fatores, pois existe a
ameaça de doenças, iniciadas por patógenos de semente ou presentes no solo. Por
isso, é necessário conhecer o potencial da doença no campo e no lote de sementes,
o tipo de patógeno, a forma como se dissemina e período de sobrevivência no
campo. Também é necessário considerar as condições de temperatura e umidade
do solo após o plantio, e se a semente irá germinar rapidamente. Apesar de ser
impossível conhecer e controlar todas as variáveis técnicas e administrativas é
possível evitar perdas econômicas (DHINGRA, 1985).
6
Os fungicidas, além de controlar patógenos importantes transmitidos pelas
sementes asseguram populações adequadas de plantas, quando as condições
edafoclimáticas durante a semeadura são desfavoráveis à germinação e a
emergência de plântulas, deixando as sementes expostas por mais tempo aos
fungos habitantes de solo. No caso da soja, o volume de sementes tratadas com
fungicidas corresponde a 90-95% da área semeada, representado menos de 0,6%
do custo de instalação da lavoura, podendo-se considerar ainda que com o uso
dessa prática associada ao emprego de sementes de alta qualidade o produtor
poderá economizar sementes por reduzir os riscos de ressemeadura (HENNING et
al., 2010).
O uso de inseticidas no tratamento de sementes vem se tornado uma prática
rotineira para evitar possíveis perdas decorrentes de pragas de solo e parte aérea, e
em alguns casos possibilita a redução de aplicações foliares após emergência da
cultura (MENTEN, 2005). No entanto, são escassas as informações sobre o efeito
dos produtos químicos, inseticidas e fungicidas, sobre a germinação e o vigor das
sementes de feijão-caupi.
O tratamento de sementes é uma realidade para aumentar o desempenho
das mesmas especialmente aquelas de alto valor. O processo envolve produtos,
formulações, combinações e equipamentos, sendo usado, sobretudo, para a cultura
da soja cujo objetivo é proteger as sementes e aumentar seu desempenho em
campo quer no seu estabelecimento inicial ou durante o ciclo vegetativo. Caso a
semeadura não seja realizada em condições ideais e as sementes não estejam
protegidas, as chances de ressemeadura são grandes. Sendo assim, o uso de
produtos é indispensável para assegurar a boa emergência de plântulas em campo
protegendo-as contra fungos e insetos de solo (BAUDET e PESKE, 2006).
2.3 Efeitos de produtos químicos no controle de pragas
A ocorrência de pragas destaca-se como fator limitante para diversas culturas
agrícolas prejudicando desde a fase de germinação das sementes, estabelecimento
de plântulas e a produção final. Nesse sentido serão listados algumas culturas e
produtos químicos que vem sendo empregados no controle de pragas.
7
As culturas de milho e sorgo têm em comum o ataque da lagarta-do-cartucho
que vem trazendo prejuízos econômicos na produção. Para tentar solucionar esse
problema produtos químicos via tratamento de sementes e aplicações foliares estão
sendo testados. Foi verificado que o tratamento de sementes com tiametoxam e
carbofuran não foram suficientes para garantir a fitossantidade das plantas,
provavelmente porque 15 dias após a emergência das plântulas reduziu o efeito
residual
dos
inseticidas,
havendo
a
necessidade
de
aplicações
foliares
complementares com lufenuron e lambdacialotrina, apresentando este último uma
menor eficiência (AZEVEDO et al., 2004).
O
uso
da
associação
de
inseticida
piretróide
lambdacialotrina
ao
neonicotinóide tiametoxam (Engeo Pleno) permite um maior espectro de ação e a
atuação em diferentes sítios toxicológicos dos insetos-praga, o que proporciona
novas possibilidades de manejo para importantes pragas do milho que não eram
controladas satisfatoriamente quando se aplicava apenas o tiametoxam. Sendo
assim, a aplicação do tiametoxam via semente juntamente com pulverização foliar
do tiametoxam+lambdacialotrina exerce ação complementar no controle de
percevejo, cigarrinha, tripes e lagarta-do-cartucho (ALBUQUERQUE et al., 2006).
No caso do sorgo há escassez de produtos que apresente seletividade para
essa cultura. No entanto, constatou-se que a mistura de imidacloprido+thiodicarbe
apresenta maior potencial para uso no tratamento das sementes para controlar
pragas de solo durante o desenvolvimento da cultura, havendo a possibilidade de
usar
também outros ingredientes ativo tais como
fipronil,
tiametoxam e
tiametoxam+tiodicarbe (VANIN et al., 2011).
O girassol assim como a maioria das culturas de segunda safra, geralmente
sofre ataque de pragas que aumentaram durante o período da safra. Assim, essa
cultura na fase de plântulas já esta bastante susceptível ao ataque de diferentes
pragas. Entre elas incluem-se vaquinha (Cerotoma arcuatus), lagartas (Anticarsia
gemmatalis e Spodoptera frugiperda) e a mosca-branca (Bemisia tabaci). Como
medidas de controle foram testados diferentes inseticidas via tratamento de
sementes concluindo-se que, a S. frugiperda pode ser controlada com o uso de
tiodicarbe quando se encontra no 2º instar. E os melhores tratamentos no controle
de A. gemmatalis e de C. arcuatus foram tiodicarbe, [tiodicarbe+imidacloprido],
tiametoxam e imidacloprido, além de fipronil apenas para C. arcuatus, enquanto para
8
o controle de B. tabaci nenhum dos tratamentos testado foi eficiente (BUENO et al.,
2010).
A mosca-branca (Bemisia argentifolli Bellows & Perring) tem causado sérios
prejuízos em muitas áreas produtoras de feijão no Brasil. O dano indireto através da
transmissão do vírus do mosaico dourado é um dos fatores limitantes na produção
dessa espécie, podendo causar perdas de até 100%. Ao utilizar o tratamento de
sementes para o controle dessa praga constatou-se que há compatibilidade do uso
de
inseticidas
juntamente
com
fungicidas
e
que
as
combinações
de
tiametoxam+carboxin e tiametoxam+fludioxonil foram os que apresentaram maior
eficiência no controle de fungos incidentes em sementes e da mosca-branca em
plântulas até os onze dias após a emergência (BARROS et al., 2001).
O uso de fungicidas também é de suma importância no controle de patógenos
durante o estabelecimento da cultura e nas diferentes fases fenológicas de espécies
agrícolas, pois além de proteger as sementes dos fungos causadores de doenças,
garante a maior sobrevivência das plântulas e a sanidade das folhas os quais
influenciam diretamente na produtividade da lavoura. A seguir serão exemplificadas
algumas culturas agrícolas, o patógeno que ameaça a espécie vegetal e alguns
produtos que podem ser utilizados para combater essas pragas.
No feijoeiro é verificada baixa produtividade devido ao uso de sementes de
má qualidade e alta susceptibilidade a doenças. Contudo, podridão radicular
causada por diferentes espécies de fungos que habitam o solo é uma das principais
enfermidades provocando grandes perdas de estande e vigor das plântulas. Nesse
sentido, alguns fungicidas são utilizados no tratamento de sementes para baixar ou
destruir o potencial do inóculo tais como: Captan 250 Moly, Captan 750 TS, VitavaxThiram PM, Benlate 500 e Rhodiauram 700 que se mostraram bastante eficientes no
controle de Rhizoctonia solani Kuhn. (OLIVEIRA et al., 1997).
A antracnose do feijoeiro comum, estimulada pelo fungo Colletotrichum
lindemuthianum (Sacc. & Magn.) Scribner, é uma das doenças de maior importância
desta cultura, afetando, em todo o mundo, as cultivares suscetíveis estabelecidas
em localidades com temperaturas moderadas a frias e altas umidade relativa. Além
do uso de sementes de boa qualidade, rotação de cultura, o tratamento de sementes
com os fungicidas HEC 5725 isoladamente ou em mistura com Euparen tem-se
9
mostrado eficientes no controle do patógeno e proporcionado aumentos no estande
de plântulas no campo (COSTA, 2002).
O controle de nematóides pragas durante o estabelecimento de algumas
culturas agrícolas, assim como de insetos e de fungos são preocupações frequentes
dos produtores de sementes e grãos, haja vista que os mesmos podem acarretar
sérios prejuízos e caso não seja feito um manejo adequado, parte ou toda a
produção pode ser comprometida.
Segundo Ribeiro et al. (2012) a cultura do algodão tem a sua produtividade
afetada pela presença de nematóides que danificam a raiz da planta, tendo o
tratamento de sementes se apresentado como maneira complementar no controle
dessa praga quando utilizado diversos produtos ([imidacloprido + tiodicarbe],
[piraclostrobina + tiofanato metílico + fipronil], [abamectina + azoxistrobina +
mefenoxam + fludioxinil + tiametoxan]), destacando o tratamento contendo
[piraclostrobina + tiofanato metílico + fipronil] por ter proporcionado melhor controle
de Pratylenchus brachyurus na ausência de estresse hídrico.
O mesmo autor acredita que o tratamento de sementes de algodão tenha
proporcionado alterações benéficas nas plantas aumentando sua tolerância mesmo
em condições de estresse hídrico, contribuindo para o melhor desenvolvimento
inicial das plântulas devido à supressão na penetração e colonização pelos
nematóides e consequentemente diminuição na reprodução e população final.
Diversos foram os trabalhos que mostraram a viabilidade do tratamento de
sementes no controle das pragas (COSTA, 2002; BUENO et al., 2010; VANIN et al.,
2011). Além de serem seletivos para determinadas espécies, a quantidade de
produto colocado nas sementes é bem inferior em relação às aplicações foliares,
apresentando a vantagem de manter a fitossanidade da lavoura, reduzir os riscos de
contaminação do meio ambiente e os custos de produção.
2.4 Alterações fisiológicas nas sementes e/ou morfológicas proporcionadas
por produtos químicos
Os inseticidas usualmente são empregados para o controle de pragas.
Porém, poucos deles vêm sendo usado no tratamento de sementes por
apresentarem atuação fisiológica nas plantas, com tendência delas estabelecerem
10
crescimento vigoroso e com melhor aproveitamento do seu potencial produtivo. Esse
crescimento é conhecido como efeito fitotônico, o qual é caracterizado pelas
vantagens positivas no crescimento e no desenvolvimento das plantas (CASTRO et
al., 2008).
O tiametoxan (3-(2-cloro-tiazol-5-ilmetil)-5-metil-[1,3,5] oxadiazinan-4-ilidenoN-nitroamina), é um inseticida sistêmico do grupo neonicotinóide, da família
nitroguanidina que tem demonstrado efeito positivo como o aumento da expressão
do vigor, acúmulo de fitomassa, alta taxa fotossintética e raízes mais profundas
(ALMEIDA et al., 2011). É utilizado no controle de pragas iniciais, insetos sugadores
e alguns mastigadores, atuando no receptor nicotínico acetilcolina dos insetos
lesando o sistema nervoso e levando-os à morte (GAZZONI, 2008).
Produtos químicos vêm sendo utilizados no tratamento de sementes como
medida preventiva no controle de pragas iniciais durante o estabelecimento da
cultura, sendo que, alguns podem provocar alterações fisiológicas e/ou morfológicas
na planta. Segundo Soares et al. (2012), estudos vem demonstrando a capacidade
de bioativadores incrementar o potencial fisiológico das sementes, como por
exemplo, o tiametoxam. Essa molécula trouxe novas perspectivas para a agricultura,
tendo sido comprovado que a mesma incrementa a germinação, emergência,
comprimento de plântulas, melhora o desempenho das plântulas em situações de
estresse e também aumenta os níveis totais de proteínas e enzima nas plantas.
Bioativadores são
sustâncias orgânicas complexas
modificadoras do
crescimento capazes de atuar em fatores de transcrição da planta e na expressão
gênica, em proteínas de membrana alterando o transporte iônico e em enzimas
metabólicas capazes de afetar o metabolismo secundário, de modo a melhorar a
nutrição mineral, produzir precursores de hormônios vegetais, levando a síntese
hormonal e a resposta da planta a nutrientes e hormônios. Dois potentes inseticidas
têm demonstrado esse efeito, o tiametoxam e o aldicarb (CASTRO e PEREIRA,
2008).
Para determinar se o tiametoxam se caracteriza como um regulador vegetal
pertencendo ao grupo das giberelinas, auxinas ou citocininas, foram realizados
biotestes, sobre condições controladas de laboratório com plantas-teste de tomateiro
‘Micro-Tom’ e com seus mutantes dgt (diageotrópico) insensível para auxina e brt
(bushy root) auxina/citocinina, de raízes ramificadas. Concluiu-se que o tiametoxam
11
não afetou o desenvolvimento da raiz e da parte aérea das plântulas testadas de
tomateiro, não possuindo atividade hormonal, não atuando, portanto como um
regulador vegetal (CASTRO et al., 2007).
O tiametoxam tem sido utilizado tanto para o tratamento de sementes como
em pulverização foliar, o qual tem mostrado resultados bastante satisfatórios para
diversas culturas agrícolas. A pulverização foliar em cana soca de cana-de-açúcar
proporcionou aumento de área foliar, comprimento de raiz, ampliação da espessura
do córtex da raiz, incremento do diâmetro do cilindro vascular e aumento do número
de metaxilema. O tratamento de sementes de feijão proporcionou aumentos de área
foliar, massa seca de parte aérea e a atividade da enzima nitrato redutase em
folhas, enquanto a pulverização foliar aumentou a atividade da nitrato redutase e a
atividade da fenilalanina amônia-liase em folhas (PEREIRA, 2010).
Ainda segundo Pereira (2010) a aplicação de tiametoxam também
proporcionou resultados positivos na cultura da soja, uma vez que o tratamento das
sementes acarretou aumentos de aérea foliar, massa seca de parte aérea,
comprimento de raiz e elevou os teores foliares de cálcio e magnésio das plantas,
enquanto que a pulverização foliar com tiametoxam reduziu os teores de fósforo e
cálcio nas folhas, mas aumentou os de potássio. No entanto, é válido destacar que
ao utilizar doses de tiametoxam no tratamento de sementes e pulverização foliar o
autor concluiu que doses menores (100 ml p.c por 100 kg de sementes) podem
contribuir com o aumento dos parâmetros avaliados, enquanto doses maiores (200
ml p.c por 100 kg de sementes) pode não mostrar efeito ou causar fitotoxidez.
Além do tratamento de sementes protegerem as plantas durante seu
estabelecimento no campo, há evidências que promove maior vigor e gera maior
produção. Em pesquisa com trigo primavera, constatou-se que o tiametoxam
desempenha o papel de um regulador de crescimento, diferindo de outros autores,
alterando a fisiologia da planta e mostrando potencial para aumentar a produção,
pois o uso deste inseticida no tratamento das sementes incrementou o número de
perfilhos férteis gerando aumento no índice de colheita. Apesar de não haver
diferença no comprimento de raiz, alterações bioquímicas ocorrem favorecendo o
surgimento de gemas adventícias, promovendo melhor absorção de água e
nutrientes pela planta e proporcionando maior vigor nas fases iniciais do crescimento
(MACEDO e CASTRO, 2011).
12
Vários autores afirmam que o tiametoxam acelera a germinação das
sementes, além de apresentar melhor estande, emergência e arranque inicial
(CASTRO et al. 2008; CLAVIJO, 2008; ALMEIDA et al., 2011). O tiametoxam exerce
efeito sobre sementes com baixo vigor, fato observado por Soares et al. (2012) ao
avaliar diferentes lotes de sementes de arroz através do teste de primeira contagem
de germinação constatando que as sementes de baixo vigor tratadas com esse
produto tiveram aumentos percentuais de 11 pontos, havendo também incremento
no comprimento de raiz, não ocorrendo efeito para os lotes de alto vigor para a
geminação.
Avaliando o desempenho fisiológico de sementes de arroz tratadas com
tiametoxam sob diferentes doses, Almeida et al. (2011) observaram efeito positivo
da aplicação do ingrediente químico para todas as variáveis analisadas (geminação,
primeira contagem, envelhecimento acelerado e comprimento de plântulas) quando
comparadas com as sementes não tratadas, sendo detectado efeito fitotóxico ao
utilizar doses elevadas. Esse produto age como um potencializador, permitindo a
expressão do potencial germinativo das sementes, acelerando o crescimento das
raízes e aumentando a absorção de nutrientes pela planta.
As plantas sob condições de campo são normalmente expostas a vários
fatores de estresses que podem reduzir sua capacidade de expressar e atingir todo
seu potencial genético de produtividade. Plantas tratadas com tiametoxam são mais
tolerantes a esses fatores de estresse, podendo responder melhor as condições
adversas e, consequentemente, podem se desenvolver mais vigorosamente em
condições subótimas, permitindo melhores chances de atingir seu potencial genético
de produtividade (ALMEIDA et al., 2011).
A utilização dos inseticidas tiametoxam e fipronil em tratamento de sementes
de milho aumentou o acúmulo de fitomassa seca de raiz, caule e folha,
demonstrando que, em condições de estresse por aumento da profundidade de
semeadura, esses ingredientes ativos proporcionaram maior desenvolvimento das
plântulas de milho, sendo que o fipronil proporcionou maior crescimento radicular
(SILVA et al., 2009). Além do efeito fisiológico mencionado, o fipronil é um inseticida
que age no ácido gama-aminobutírico (GABA-A), inibindo a entrada de íons Cl - no
neurônio e, consequentemente, impede a sinapse entre as células neurais dos
13
insetos acarretando em sua morte, segundo Hainzl et al. (1998) citado por SILVA et
al. (2009).
Há alguns relatos do efeito fisiológico do fipronil nas plantas como o aumento
do desenvolvimento da raiz e parte aérea, e de acordo com Kwak et al. (2001) e
Klein et al. (2004), produtos que atuam em canais de íons, como é o caso do fipronil
(canais de cloro) estão associados com o aumento da tolerância de plantas aos
estresses bióticos e abióticos, pois esses íons agem na regulação estomática e,
consequentemente, na regulação do déficit hídrico. Resultados de pesquisa
comprovam a maior altura de plantas de milho com uso do fipronil no tratamento de
sementes (CECCON et al., 2004).
O uso dos inseticidas sistêmicos tiametoxam, imidacloprido e aldicarb no
tratamento de sementes promove a formação de raízes mais finas de soja, o que
caracteriza o efeito tônico, facilitando a absorção de nutrientes de pouca mobilidade
no solo como o fósforo. Além disso, esses produtos não proporcionam maior
crescimento de raiz, porém o aldicarb prejudica a germinação e o vigor (CASTRO et
al., 2008).
Diversos produtos químicos vêm sendo empregados no tratamento de
sementes, especialmente na cultura da soja. O standak® top é uma mistura pronta
contendo o inseticida fipronil do grupo pirazol, e os fungicidas piraclostrobina do
grupo das estrubilurinas e metil tiofanato do grupo dos benzimidazois, seletivo para
a cultura da soja, que quando utilizado em tratamento de sementes protege as
plântulas contra o ataque de pragas, e fungos de sementes no período inicial de
desenvolvimento da cultura. O cropstar® é um inseticida utilizado no controle de
pragas sugadoras, mastigadoras (lagartas) e nematóides cujos princípios ativos são
o imidacloprido + tiodicarbe. E o cruiser® é um inseticida sistêmico do grupo
neonicotinóide, cujo princípio ativo é o tiametoxam utilizado no controle de pragas
iniciais, insetos sugadores e alguns mastigadores sendo recomendado para diversas
culturas agrícolas tais como: algodão, amendoim, arroz, feijão, milho, soja e trigo.
Resultados contraditórios são observados entre os autores com relação ao
efeito dos produtos inseticidas sobre a qualidade fisiológica de sementes. Alguns
relatam que o uso do tiametoxam traz benefícios (SOARES et al., 2012; ALMEIDA et
al., 2011, PEREIRA, 2010) enquanto outros afirmam que não afeta ou causa toxidez
14
podendo causar redução no estande inicial de plantas (CASTRO et al., 2008;
PEREIRA et al.,2010).
Vários tipos de produtos químicos vêm sendo utilizados no tratamento de
sementes, especialmente na cultura da soja. Uma pesquisa foi realizada visando
avaliar a qualidade fisiológica de sementes após tratadas com diferentes inseticidas,
onde foi constatado que os tratamentos com tiametoxam, fipronil e imidacloprido não
afetaram negativamente a qualidade das sementes nem o desenvolvimento inicial
das plantas, porém os inseticidas [imidacloprido + tiodicarbe] prejudicaram a
germinação e o vigor das sementes de soja (DAN et al., 2012a). Por outro lado, são
escassas as informações sobre o efeito desses produtos sobre a qualidade das
sementes de feijão, em especial, o Vigna unguiculata.
2.5 Interações do tratamento de sementes com o armazenamento
O armazenamento adequado das sementes deve ser realizado tão logo
quanto possível para preservar a sua qualidade desde a colheita até a semeadura
na safra seguinte, passando a ser responsabilidade do homem a conservação das
mesmas. Contudo, o armazenamento das sementes inicia-se algum tempo antes
que seja realizada a colheita, ou seja, a partir do momento em que elas atingem o
ponto de maturidade fisiológica. Nesse estádio, porém, ainda apresentam alta
umidade e por isso devem permanecer mais tempo no campo até que possam ser
colhidas. Dessa forma, o principal objetivo do armazenamento é a manutenção da
qualidade fisiológica das sementes reduzindo ao mínimo a deterioração (BAUDET e
VILLELA, 2012).
Os problemas de armazenamento de produtos agrícolas constituem objeto de
pesquisa permanente visando ao máximo prolongar a qualidade destes produtos.
Segundo diversos pesquisadores, o prejuízo anual que a economia das nações sofre
em consequência das perdas de pós-colheita é muito grande, devido a fatores como
ataque de insetos, fungos e roedores. Além disso, as sementes podem perder sua
capacidade de germinar e produzir planta vigorosa e sadia (BRAGANTINI, 2005).
A longevidade das sementes é influenciada por características físicas,
fisiológicas e sanitárias e pelas condições de armazenagem, sobretudo teor de água
da semente e temperatura do ambiente. Dependendo da qualidade inicial das
15
sementes e das condições de armazenamento, poderá ocorrer preservação da
qualidade fisiológica ou intensificar o processo de deterioração das mesmas. A
redução do teor de água das sementes e da temperatura do ambiente, associado ao
tratamento químico tende a prolongar a longevidade das mesmas. No entanto, a
combinação de alto teor de água e temperatura elevada são condições favoráveis
para a proliferação de fungos e infestação de insetos, ocasionando redução do vigor
e consequentemente a perda de viabilidade (CARVALHO e NAKAGAWA, 2012;
FERREIRA e BORGHETTI, 2004).
As culturas agrícolas destinadas à produção de alimentos estão sujeitas a
ataque de pragas e doenças. Nesse sentido alguns autores vêm realizando
pesquisas no sentido de aplicar produtos químicos como fungicidas e/ou inseticidas
nas sementes antes de realizar a semeadura com vistas a proteger as sementes, e
as plântulas delas originadas, ou analisar o efeito desses produtos sobre a qualidade
das sementes armazenadas.
Na impossibilidade do armazenamento de sementes comerciais de feijão, e
de outras espécies, em ambiente controlado ou em regiões que apresentem
condições climáticas favoráveis, a adoção de medidas que possam contribuir para a
melhor conservação é importante. Uma delas seria o emprego de fungicidas com a
finalidade de prevenir ou impedir a associação de microrganismos às sementes
durante o período de armazenamento e oferecer proteção à emergência e
desenvolvimento inicial das plântulas no campo. No entanto, os benefícios da
aplicação de fungicidas antes do armazenamento de lotes de sementes de feijão
dependem da qualidade fisiológica e sanidade das mesmas, do produto utilizado e
período durante o qual permanecem armazenadas (NOVEMBRE e MARCOS
FILHO, 1991).
O tratamento de sementes é uma prática cada vez mais utilizada para
diferentes culturas, e à medida que aumenta o valor da semente e a importância de
proteger e/ou melhorar seu desempenho surgem no mercado novos produtos com
diferentes finalidades, entre elas proteção como os fungicidas e inseticidas e
nutrição como os micronutriente, tendo em vista a melhoria do aspecto fisiológico e
econômico. Porém, o uso desses produtos para posterior armazenamento das
sementes nem sempre traz benefícios à qualidade fisiológica e muitas vezes podem
16
se tornar tóxico dependendo do tipo, dose e período de tempo em que ficam
estocadas (AVELAR et al., 2011).
Outro agravante a ser considerado com relação ao tratamento de sementes,
são as condições de armazenamento que nem sempre são ideais, ficando as
sementes expostas às condições naturais de armazém sob altas temperaturas e
umidade relativa às quais podem comprometer seu desempenho fisiológico (DAN et
al., 2011).
Essa prática de tratamento vem sendo adotada para diversas culturas,
especialmente a soja. Ao testar o efeito de inseticidas sobre a qualidade fisiológica
de suas sementes durante o armazenamento pode-se constatar que fipronil,
tiametoxam, imidacloprido e [imidacloprido + thiodicarbe] estabeleceu, ainda, níveis
de vigor acima de 80% durante o período de 45 dias. No entanto com o
prolongamento do armazenamento a qualidade da semente reduziu, sendo mais
viável tratá-las antes da semeadura (DAN et al., 2010).
O armazenamento por 30 dias de sementes de sorgo com inseticidas
influenciou negativamente a germinação, mas trouxe efeitos benéficos na
emergência de plântulas principalmente com o uso dos inseticidas fipronil e a
mistura tiametoxam + fipronil, sendo que, o acephate causou maior fitotoxidade às
plântulas (VANIN et al., 2011).
Barros et al. (2005) ao pesquisar o efeito do armazenamento na
compatibilidade de fungicidas e inseticidas no tratamento de sementes de feijão
comum puderam observar que houve compatibilidade entre os produtos químicos
testados e as sementes podiam permanecer armazenadas por até 120 dias antes da
semeadura sem causar prejuízos a germinação. A maior compatibilidade entre os
produtos foram importantes no controle da lagarta elasmo e dos fungos de
armazenamento.
O tratamento das sementes de girassol com inseticidas tiodicarbe, [tiodicarbe
+ imidacloprido], tiametoxan, imidacloprido e fipronil foram eficazes no controle de
algumas pragas, com exceção do produto azaractina. Contudo, ao avaliar a
qualidade fisiológica das sementes durante o armazenamento notou-se que em
algum período eles influenciaram o índice de velocidade de emergência, mas não
prejudicaram a germinação nem tampouco a emergência de plântulas até quatro
meses após tratadas (BUENO et al., 2010).
17
O uso de fungicidas no tratamento de sementes é importante para protegê-las
das condições adversas de campo durante o estabelecimento da planta, bem como
da infestação e infecção por fungos de armazenamento. Ao estudar o efeito dos
produtos thiabendazole + thiram e carbendazin + thiram sobre a qualidade fisiológica
das sementes de soja antes e após seis meses de armazenamento constatou-se
que os mesmos melhoraram o desempenho das sementes e a qualidade sanitária
(PEREIRA et al., 2011).
Nas sementes de feijão-caupi é comum ocorrer o ataque de insetos durante o
armazenamento, fator este que vem a prejudicar a sua qualidade física e fisiológica
e quando se trata de grão tornasse inviável para o consumo. Para manter e
preservar as características das sementes algumas medidas podem ser tomadas
como a aplicação de produtos previamente a semeadura, ou antes do
armazenamento, protegendo respectivamente das pragas de campo e de armazém.
Segundo Almeida et al. (2009) extrato de pimenta pode ser utilizado no controle da
infestação por insetos sem prejudicar a qualidade fisiológica.
O uso de produtos naturais para o tratamento de sementes de feijão-caupi no
estado da Paraíba é um prática comum utilizada por alguns agricultores devido à
facilidade de acesso e a dificuldade de adquirir produtos químicos. Além disso, caso
as sementes não sejam utilizadas para a semeadura pode ser utilizada para o
consumo humano ou animal. Nesse sentido, pesquisas têm sido realizadas usando
produtos naturais e químicos para investigar o efeito protetor sobre a qualidade
fisiológica e longevidade das sementes. Felismino et al. (1999) ao tratar as
sementes de feijão-caupi e comum com captan, malathion, óleo de dendê e extrato
de aroeira, aplicados puros e misturados e acondicionados em embalagens
(metálica e sacos) e armazenado em ambiente não controlado, constataram que os
tratamentos compostos por captan juntamente com óleo de dendê ou extrato de
aroeira reduziu a incidência de fungos nas sementes e proporcionou maior
germinação e vigor.
18
3 MATERIAL e MÉTODOS
O experimento foi conduzido no Laboratório de Análise de Sementes da
Universidade Federal da Paraíba/UFPB, no Centro de Ciências Agrárias no
município de Areia, Paraíba. Foram utilizadas sementes de feijão-caupi (Vigna
unguiculata (L.) Walp.), da cultivar BRS Cauamé safra 2011/2012 colhidas em
setembro de 2011. Foram realizados os seguintes tratamentos de sementes: 1testemunha (sem tratamento); 2- Micronutriente COMOL 118 (composto por cobalto
1% e Molibdênio 8%, sendo utilizado 300 mL 100kg-1 de sementes), 3- inseticida
tiametoxam (Cruiser 350FS® - 300mL 100kg-1 de sementes), 4- Inseticida e
fungicidas: fipronil e piraclostrobina+tiofanato metílico (Standak® top - 200mL 100kg1
de sementes), 5-Imidacloprido+tiodicarbe (Cropstar® - 300mL 100kg-1 de
sementes). Para que a calda total (produto + água) atingisse o volume máximo de
600 mL 100 kg-1 de sementes foi adicionado água. O recobrimento das sementes foi
feito manualmente, o qual consistiu em colocar 1,8 ml de calda no fundo de saco
plástico transparente, espalhar, adicionar 300g de sementes e em seguida agitá-las
até obter uma distribuição uniforme, essa técnica foi realizada sucessivas vezes até
se obter 3kg de sementes para cada tratamento.
Após o tratamento, parte das sementes foi submetida à avaliação da
qualidade fisiológica inicial e a outra parte foi dividida em amostras de 300g e
acondicionada em embalagem plástica com espessura de 0,125 mm e armazenadas
em ambiente natural (não controlado) cuja temperatura média foi de 27°C e umidade
relativa de 63% e em câmara de conservação de sementes sob temperatura de
16°C e 60% UR para serem avaliadas aos 45, 90, 135 e 180 dias, sendo que as
mesmas ficaram armazenadas desde março a agosto de 2012. Foi determinado o
teor de água das sementes inicialmente e a cada período de armazenamento e para
a avaliação da qualidade fisiológica das sementes realizou-se o teste de germinação
e vigor (primeira contagem de germinação, envelhecimento acelerado, comprimento
de plântulas, emergência e índice de velocidade de emergência), como descrito a
seguir:
O teor de água foi determinado pelo método da estufa a 105 ± 3°C durante
24 horas, efetuando-se quatro repetições de 10 g por tratamento conforme descrito
nas regras para análise de sementes (BRASIL, 2009);
19
Teste padrão de germinação foi realizado utilizando-se 200 sementes por
tratamento, semeadas em papel Germitest e umedecido com água destilada
equivalente a três vezes o peso do papel seco, sendo posteriormente mantidas em
germinador regulado a 25 °C. As contagens foram feitas aos cinco e oito dias após a
semeadura conforme prescreve Brasil (2009).
Primeira contagem de germinação - foi conduzido juntamente com o teste
de germinação sendo a contagem realizada aos cinco dias após a semeadura.
Envelhecimento acelerado - amostras de 200 sementes foram distribuídas
sobre tela suspensa no interior de caixa plástica tipo gerbox, contendo 40 mL de
água destilada, que foram em seguida mantidas em incubadora tipo BOD, regulada
a 42°C, durante 48 horas (DUTRA e TEÓFILO, 2007). Decorrido o período de
exposição, as sementes foram colocadas para germinar conforme descrito na
metodologia para o teste de germinação, sendo a contagem realizada aos cinco dias
após a semeadura.
Comprimento de plântulas - foram empregadas 20 sementes por repetição
que foram semeadas no papel germitest pré-umedecido, sobre uma linha traçada no
terço superior, no sentido longitudinal conforme prescreve Nakagawa (1999). Aos
cinco dias após a semeadura as plântulas normais foram medidas desde a ponta da
raiz até a inserção dos cotilédones, sendo os resultados expressos em cm.
Teste de emergência foram utilizadas 100 sementes distribuídas em quatro
repetições de 25 sementes, semeadas em areia lavada utilizando a profundidade de
semeadura de 3 cm. A contagem final foi realizada aos 12 dias após a semeadura
quando houve a estabilização das plântulas, sendo os resultados expressos em
porcentagem.
O índice de velocidade de emergência foi realizado juntamente com o teste
de emergência com contagem diária das plântulas emergidas e calculado através da
fórmula proposta por Maguire (1962).
Delineamento experimental
O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado em
esquema fatorial 2 x 5 x 5 (2 ambientes de armazenamento, 5 tratamentos de
sementes e 5 períodos de armazenamento) com quatro repetições. Os dados foram
submetidos à análise de variância, sendo os efeitos dos tratamentos avaliados pelo
teste F. Para a avaliação do fator período de armazenamento foi realizada a análise
20
de regressão polinomial. Nas épocas de 0, 90 e 180 dias de armazenamento
avaliaram-se os efeitos dos tratamentos dentro de cada período e tipo de
armazenamento, utilizando-se o teste de Duncan, ao nível de 5% de probabilidade.
4 RESULTADOS e DISCUSSÃO
A análise da variância indicou que houve interação significativa para os
tratamentos e períodos de armazenamento para todas as variáveis analisadas
(anexo).
A determinação do teor de água das sementes mostrou que houve um
pequeno acréscimo na umidade inicial das sementes de 11,2 durante o período de
armazenamento para 0,3 pontos percentuais. Este aumento pode ser explicado pelo
equilíbrio higroscópico das sementes que é de 12% para sementes armazenadas a
60% de umidade relativa e 25°C, condições essas similares às utilizadas nesse
estudo.
As sementes tratadas com os diferentes produtos praticamente não
apresentaram diferenças com relação ao valor do teor de água durante o
armazenamento, sendo importante destacar que para obter melhor conservação da
qualidade das sementes é desejável que o teor de água das sementes seja igual ou
inferior a 12%. Pois segundo Baudet e Villela (2012) há uma estreita relação entre o
teor de água das sementes com o potencial de armazenamento, sendo que para
cada diminuição de 1% no teor de água das sementes implica na duplicação do
potencial de armazenamento.
O potencial de armazenamento das sementes pode ser influenciado por
vários fatores, desde a fase de produção no campo, procedimentos de colheita e
processamento, no entanto, todo investimento empregado nessas etapas pode ser
desperdiçado se não forem utilizadas práticas adequadas de armazenamento que
proporcionem melhores condições de preservá-las. Nesse sentido, é importante
reduzir o teor de água das sementes porque irá minimizar a atividade respiratória,
reduzir o consumo das reservas e consequentemente irá conservá-las por mais
tempo, principalmente, se mantidas em ambiente com controle de temperatura e
umidade relativa do ar (MENEZES e VILLELA, 2009).
21
Logo após o tratamento das sementes, anteriormente ao armazenamento
(Tabela 1), verificou-se que os tratamentos T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico) e T5 (imidacloprido+tiodicarbe) apresentaram efeito estimulante sobre a
germinação das sementes de feijão-caupi, o mesmo não acontece para os
tratamentos T2 (micronutrientes) e T3 (tiametoxam) que apresentam comportamento
semelhante à testemunha (T1).
A germinação das sementes de feijão-caupi sofreu influencia dos tratamentos
antes e após armazenamento, discordando do observado em girassol no qual os
produtos não interferiram na germinação antes do armazenamento, e também aos
30 dias do início do armazenamento, com exceção do tratamento com
(imidacloprido+tiodicarbe) que reduziu o potencial de germinação e índice de
velocidade de emergência, devido ao efeito tóxico deste produto sobre a qualidade
fisiológica das sementes (DAN et al., 2012b).
Conforme observado na figura 1A, verifica-se que a germinação das
sementes
tratadas
com
T2
(micronutrientes),
T3
(tiametoxam)
e
T4
(fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) não sofreram influência do tempo de
armazenamento quando mantidas em ambiente natural. Por outro lado, as sementes
não tratadas (T1) e tratadas com os produtos de T5 (imidacloprido+tiodicarbe) foram
responsáveis por redução de 10 e 9% respectivamente na viabilidade das sementes
com o tempo de armazenamento com valores mais reduzidos observados na
testemunha ao longo dos períodos de avaliação sendo explicado pelos coeficientes
de determinação da linha de tendência que foram superiores a 80.
Segundo Dan et al. (2011) em soja o comportamento foi semelhante ao feijãocaupi para o tratamento tiametoxam-T4, o qual também não foram influenciado pelo
tempo de armazenamento. Diferente do observado no presente estudo, as sementes
não tratadas de soja não foram afetadas pelo tempo de armazenamento e os
produtos (imidacloprido+tiodicarbe) causaram prejuízo a germinação.
22
100
AMBIENTE NATURAL (A)
GERMINAÇÃO (%)
90
80
T1
yT1= -0,044x + 89
R² = 0,86
70
T2
T3
yT2= ns
yT5= -0,05x + 93
R² = 0,83
yT3= ns
60
T4
T5
yT4= ns
50
0
100
45
90
TEMPO (dias)
135
180
AMBIENTE CONTROLADO (B)
GERMINAÇÃO (%)
90
80
T1
yT1= -0,046x + 88,8
R² = 0,92
70
yT2= -0,044x + 87,78
R² = 0,75
60
yT3= -0,049x + 89,9
R² = 0,97
T2
T3
yT4= -0,113x + 94,9
R² = 0,98
T4
T5
yT5= -0,087x + 95,6
R² = 0,89
50
0
45
90
TEMPO (dias)
135
180
Figura 1. Germinação de sementes de feijão-caupi armazenadas em ambiente
natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos: T1Testemunha;
T2-Micronutrientes;
T3-Tiametoxam;
T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe.
No ambiente controlado (Figura 1B) observa-se que todos os tratamentos
demonstraram uma tendência de redução, apresentando, no entanto, porcentagem
de germinação ainda superior a 80% ao longo de todo o período de armazenamento.
Exceção ocorreu apenas para o tratamento com (fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico)-T4 que demonstrou redução mais acentuada, atingindo valor de
23
germinação de 74% aos 180 dias, confirmando maior efeito desse produto sobre a
germinação em função do período de armazenamento.
Ainda no ambiente controlado (Figura 1B) podemos observar que os
tratamentos T1 (testemunha), T2 (micronutrientes) e T3 (tiametoxam) apresentaram
comportamento similar de redução ao longo do período de armazenamento. Sendo
que o T5 (imidacloprido+tiodicarbe) sofreu redução mais acentuada de qualidade
perdendo 2,6 pontos percentuais por mês. Mesmo assim, este produto proporciona
efeito benéfico sobre a germinação das sementes até os 135 dias de
armazenamento ainda com porcentagem de germinação de 84%, demonstrando, em
geral, resultado superior à testemunha.
Na tabela 1 verifica-se valores inferiores para o potencial de germinação nos
tratamentos T1 (testemunha) e T3 (tiametoxam) aos 180 dias, quando mantidos em
ambiente natural. Vale ressaltar que esses dois tratamentos são estatisticamente
semelhantes em todos os períodos de armazenamento, nos dois ambientes. Em um
tipo de milho híbrido observou-se que o tratamento com tiametoxam também afetou
a viabilidade das sementes ao longo do armazenamento nos dois ambientes. Além
disso, causou prejuízo a germinação já que as sementes tratadas apresentavam
resultados inferiores àquelas sem tratamento (TONIN, 2008). Em feijão-caupi, em
nenhum momento o tiametoxam apresentou resultados inferiores as não tratadas.
Tabela 1. Germinação das sementes de feijão-caupi tratadas com inseticidas,
fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante 180
dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente controlado.
Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe.
TRAT
1
2
3
4
5
CV (%)
0
A1, A2
88 C
89 C
90 BC
94 AB
95 A
Períodos de armazenamento
90
A1
A1
85 Ba
85 Aba
88 Aba
81 Bb
89 Aba
86 Aba
92 Aa
86 ABb
89 Aba
87 Aa
3,9
(dias)
A1
79 Ba
87 Aa
79 Ba
85 Aa
85 Aa
180
A2
81 Aa
80 Ab
82 Aa
73 Bb
78 Ab
Médias seguidas das mesmas letras maiúsculas na coluna e minúsculas na linha não diferem entre si
(Duncan 5%).
24
Avaliando ainda o vigor das sementes por meio do teste de primeira
contagem de germinação (Figura 2A) observa-se que quando mantidas em ambiente
natural ocorre a tendência de redução linear para todos os tratamentos com o
prolongamento
do
armazenamento,
exceto
para
o
T4
(fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico), sendo essa redução de 22,6 pontos
percentuais para T1 (testemunha) e 5,4 para T2 (micronutrientes). O T4
(fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) reduz o vigor até os 90 dias e depois se
mantém praticamente inalterado até os 180 dias. Também se pode observar que
nesse ambiente todos os tratamentos (Tabela 2) foram melhores que a testemunha
aos 180 dias.
Logo após tratadas, as sementes (Tabela 2) contendo os produtos T4
(fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico)
e
T5
(imidacloprido+tiodicarbe)
apresentam vigor, avaliado pela primeira contagem de germinação, superior ao T2
(micronutrientes), não diferindo, no entanto, de T1 (testemunha) e T3 (tiametoxam).
Portanto, nesse momento os tratamentos não favoreceram nem prejudicaram o vigor
das sementes.
No ambiente controlado (Figura 2B) também se observa redução do vigor
com o prolongamento do armazenamento para os tratamentos T1 (testemunha), T3
(tiametoxam) e T5 (imidacloprido+tiodicarbe), sendo mais expressiva essa redução
no T5 com 28,4 pontos percentuais e menos acentuado no T3 com 15,6. No
tratamento T2 (micronutrientes) há redução do vigor até os 135 dias, mantendo-se a
qualidade
a
partir
daí
até
os
180
dias.
O
tratamento
T4
(fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) se destaca por afetar mais intensamente
a qualidade fisiológica das sementes após 90 dias de armazenamento indicando que
algum desses ingredientes ativos possa ter causado efeito fitotóxico sobre as
sementes, a partir desse momento sob condições controladas.
É válido destacar que até os 45 dias de armazenamento os tratamentos
mantém o vigor das sementes acima de 80%, exceção feita apenas para T1
(testemunha) e T2 (micronutrientes) no ambiente controlado (Figura 2B). Dessa
forma, supõe-se que os tratamentos com ingredientes ativos protetores (inseticidas e
fungicidas) beneficiaram a qualidade fisiológica das sementes neste período, em
ambiente controlado. Nos demais períodos de armazenamento aos 90, 135 e 180
25
dias o T3 (tiametoxam) proporcionou um maior vigor de sementes em relação a
testemunha, o que ocorreu também com o T5 (imidacloprido+tiodicarbe).
PRIMEIRA CONTAGEM (%)
100
AMBIENTE NATURAL (A)
80
yT1= -0,127x + 89
R² = 0,97
60
T1
T2
yT2= -0,03x + 84,5
R² = 0,90
40
20
T3
yT4= 0,0006x² - 0,19x + 91,3
R² = 0,97
T4
T5
yT3= -0,079x + 87,4
R² = 0,79
yT5= -0,082x + 91,7
R² = 0,94
0
0
PRIMEIRA CONTAGEM (%)
100
45
90
TEMPO (dias)
135
180
AMBIENTE CONTROLADO (B)
80
60
yT1= -0,133x + 86,3
R² = 0,98
yT2= 0,0007x² - 0,207x + 83,8
R² = 0,97
40
20
yT3= -0,087x + 88,7
R² = 0,97
T1
T2
T3
T4
yT4 = -0,0008x² - 0,09x + 92,3
R² = 0,99
T5
yT5= -0,158x + 95,6
R² = 0,86
0
0
45
90
TEMPO (dias)
135
180
FIGURA 2. Primeira contagem de germinação das sementes de feijão-caupi
armazenadas em ambiente natural (A) e ambiente controlado (B)
durante 180 dias. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam;
T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico;
T5Imidacloprido+tiodicarbe.
26
O teste baseia-se no princípio de que as amostras que apresentarem a maior
porcentagem de plântulas normais na primeira contagem de germinação são as
mais vigorosas, indiretamente avaliando a velocidade de germinação (BRASIL,
2009). Portanto, à medida que reduz a agilidade de resposta das sementes para
iniciar a germinação infere-se que apresenta menor possibilidade de expressar seu
potencial fisiológico, de originar plântulas normais, fortes e sobreviverem às
condições desfavoráveis de campo.
Tabela 2. Primeira contagem de germinação das sementes de feijão-caupi tratadas
com inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha,
armazenadas durante 180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural,
A2-Ambiente
controlado.
Tratamentos:
T1-Testemunha;
T2Micronutrientes; T3-Tiametoxam;
T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe.
TRAT
1
2
3
4
5
CV (%)
0
A1, A2
88 AB
85 B
88 AB
92 A
92 A
Períodos de armazenamento (dias)
90
A1
A1
A1
80 Ba
73 Bb
66 Ca
83 ABa
72 Bb
79 Aa
79 Ba
82 Aa
71 BCa
80 Ba
75 Ba
77 ABa
87 Aa
82 Aa
78 Aa
5,5
180
A2
62 Ba
69 Ab
72 Aa
47 Cb
62 Bb
Médias seguidas das mesmas letras maiúsculas na coluna e minúsculas na linha não diferem entre si
(Duncan 5%).
Observando
a
porcentagem de
germinação
das sementes após o
envelhecimento acelerado verifica-se que antes do armazenamento (Tabela 3) os
tratamentos T2 (micronutrientes) e T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico)
apresentaram qualidade superior a T1 (testemunha), sendo que o T3 (tiametoxam)
mostrou-se inferior a testemunha e aos demais tratamentos. Diferindo dos
resultados obtidos por Almeida et al. (2009), pois ao tratar sementes de cenoura
com tiametoxam constatou-se que o produto gerava incrementos variando de 2 a 11
pontos percentuais.
Durante o armazenamento em ambiente natural (Figura 3A) pode-se notar
que T1 (testemunha) e T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) apresentaram
comportamento semelhante de redução linear, com o segundo tratamento
apresentando comportamento superior ao longo do período. O tratamento T2
27
(micronutrientes) diminuiu intensamente até em torno de 120 dias 22,9 pontos
percentuais, e a partir daí o comportamento é mantido até o final. O T3 (tiametoxam)
tende a aumentar a qualidade das sementes em 4,9 pontos percentuais até os 90
dias, decrescendo a partir daí, enquanto o T5 (imidacloprido+tiodicarbe) não foi
afetado pelo armazenamento.
ENVELHECIMENTO (%)
100
AMBIENTE NATURAL (A)
80
60
T1
yT1= -0,137x + 82,6
R² = 0,86
T2
40
yT2= 0,002x² - 0,431x + 88,13
R² = 0,97
T3
yT4= -0,132x + 89,1
R² = 0,86
T4
T5
20
yT3= -0,0006x² + 0,109x + 72,7
R² = 0,95
yT5= ns
0
0
45
ENVELHECIMENTO (%)
100
90
TEMPO (dias)
135
180
AMBIENTE CONTROLADO (B)
80
60
yT1= -0,048x + 81,6
R² = 0,87
40
yT2= -0,087x + 85
R² = 0,77
20
T1
yT4= 0,001x² - 0,271x + 88,08
R² = 0,84
T2
T3
T4
yT5= -0,078x + 82,7
R² = 0,92
T5
yT3= ns
0
0
45
90
TEMPO (dias)
135
180
Figura 3. Envelhecimento acelerado de sementes de feijão-caupi armazenadas em
ambiente natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias.
Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe.
28
Como pode ser observado o tiametoxam inicialmente causou efeito negativo
sobre a qualidade das sementes logo após a aplicação, sendo que no decorrer de
três meses de armazenamento ele expressou o seu efeito estimulante, nesse
momento os resultados do presente estudo vão de acordo com o afirmado por
Almeida et al. (2009) sobre o efeito desse produto proporcionando melhor expressão
do potencial fisiológico das sementes.
Pode-se constatar que até os 90 dias de armazenamento em ambiente
natural o T3 (tiametoxam) proporcionou elevação no desempenho das sementes,
caracterizando um efeito benéfico, já que elevou a capacidade das sementes
germinarem após terem sofrido estresse de alta temperatura e umidade relativa por
intermédio do teste de envelhecimento acelerado (Figura 3A). Aos 135 dias (Tabela
3) nota-se que os tratamentos com inseticidas e fungicidas conferiram efeito
benéfico sobre a qualidade fisiológica das sementes diferentemente do tratamento
T2 (micronutrientes), o qual apresentou resultado semelhante ao T1 (testemunha).
Nos estudos realizados com sementes de soja também se verificou que os
tratamentos testemunha e micronutrientes interferiram na qualidade das sementes
durante o armazenamento para o teste de envelhecimento acelerado, fato não
evidenciado para o teste de germinação, primeira contagem e para o comprimento
de plântulas (AVELAR et al., 2011).
Tabela 3. Envelhecimento acelerado de sementes de feijão-caupi tratadas com
inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas
durante 180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente
controlado. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam;
T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato+metílico;
T5Imidacloprido+tiodicarbe.
TRAT
1
2
3
4
5
CV (%)
0
A1, A2
82 C
89 AB
73 D
90 A
84 BC
Períodos de armazenamento (dias)
90
A1
A1
A1
65 Cb
78 Aa
60 Db
65 Cb
77 Aa
66 Ba
78 Aa
77 Aa
71 Aa
74 ABa
73 Aa
63 BCb
71 Ba
74 Aa
54 Db
5,7
180
A2
72 Aa
71 Aa
75 Aa
73 Aa
71 Aa
Médias seguidas das mesmas letras maiúsculas na coluna e minúsculas na linha não diferem entre si
(Duncan 5%).
29
Pode-se observar que a variação de comportamento no ambiente controlado
(Figura 3B) foi menos acentuada que no ambiente natural (Figura 3A), como
esperado devido às condições de baixa temperatura e umidade relativa do ar.
Notou-se que os tratamentos T1 (testemunha), T2 (micronutrientes) e T5
(imidacloprido+tiodicarbe)
proporcionaram reduções lineares semelhantes.
O
tratamento T4 teve a tendência de reduzir de forma mais acentuada com 16,3
pontos percentuais até os 90 dias, estabilizando posteriormente. O T3 não sofreu
efeito do tempo de armazenamento. De uma maneira geral, no ambiente controlado
(Tabela 3) não ocorreram diferenças entre os tratamentos nos diversos períodos de
armazenamento, para o vigor de sementes avaliado pelo teste de envelhecimento
acelerado.
É natural que as sementes percam vigor com o aumento do tempo de
armazenamento, sendo que o tratamento das mesmas com produtos químicos pode
acelerar ou retardar essa redução no vigor, dependendo do produto utilizado e da
espécie considerada e das condições de armazenamento. No entanto, segundo
Carvalho e Nakagawa (2012), as melhores condições para a manutenção da
qualidade da semente são aquelas de baixa umidade relativa do ar e temperatura,
pelo fato de manterem a semente em baixa atividade metabólica.
Logo após o tratamento das sementes, no tempo zero, (Tabela 4) os produtos
não afetaram o comprimento de plântulas comparativamente ao tratamento T1
(testemunha), embora o T5 (imidacloprido+tiodicarbe) tenha proporcionado plântulas
maiores que o T3 (tiametoxam). Sementes de arroz tratadas com tiametoxam
tiveram desempenho superior de comprimento de plântulas em relação à
testemunha não tratada (ALMEIDA et al., 2011). Em trabalho com sementes de soja
os resultados foram semelhantes ao presente estudo com relação ao tiametoxam,
no entanto, com sete dias de armazenamento notou-se que o produto químico
[imidacloprido+tiodicarbe] foi responsável por reduções de 0,185 cm por dia no
comprimento de plântulas (DAN et al., 2011).
Em outro trabalho com soja foi constatado aumento no comprimento de raiz e
parte aérea, no qual as raízes se apresentaram mais delgadas e longas
caracterizando o efeito fitotônio influenciando positivamente na melhor absorção de
nutrientes pela planta. Tal fato ocorreu quando estes parâmetros foram analisados
logo após as sementes serem tratadas com os ingredientes químicos tiametoxam e
30
imidacloprido (CASTRO et al., 2008). Esse efeito não foi verificado em feijão-caupi
logo após as sementes serem tratadas já que o comprimento das plântulas não foi
afetado pelos produtos.
Ao avaliar o vigor das sementes armazenadas em ambiente natural por meio
do teste de comprimento de plântulas (Figura 4A) verifica-se que sementes tratadas
com T2 (micronutrientes), T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) e T5
(imidacloprido+tiodicarbe) proporcionaram redução no crescimento ao longo do
período de armazenamento, enquanto os demais tratamentos não foram afetados.
Em sementes de soja, também foi observado que o tratamento com tiametoxam não
provocou efeito durante o período de armazenamento, não interferindo no
comprimento das plântulas (DAN et al., 2011).
Na figura 4A observa-se que o tratamento T2 (micronutrientes) logo após o
armazenamento das sementes foi o que mais interferiu negativamente no
desenvolvimento das plântulas com uma queda mais acentuada de qualidade no
período inicial de armazenamento. Inicialmente o T5 (imidacloprido+tiodicarbe)
proporciona desenvolvimento superior aos demais tratamentos, apresentando valor
de 21,28 cm, mas à medida que as sementes envelhecem o produto interfere
reduzindo 5,04 cm no crescimento das plântulas até o período de 180 dias de
armazenamento. O T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) reduz a qualidade
fisiológica em 2,07 cm até os 90 dias, mas depois praticamente não ocorre variação.
No ambiente controlado (Figura 4B) também nota-se redução do vigor das
sementes com o aumento dos períodos de avaliação, com exceção do T5
(imidacloprido+tiodicarbe) que não sofreu influencia do armazenamento. Os
produtos do tratamento T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) proporcionam
uma redução centuada de qualidade de 3,6 cm até 90 dias, estabilizando a partir
desse momento. E ao final de 180 dias os tratamentos que menos preservaram a
qualidade fisiológica das sementes foram respectivamente, T3 (tiametoxam) e T1
(testemunha),
embora
não
diferindo
(fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico).
de
T2
(micronutrientes)
e
T4
31
25
AMBIENTE NATURAL (A)
COMPRIMENTO (cm)
20
15
T1
yT1= ns
10
yT2= 0,0003x² - 0,066x + 19,5
R² = 0,96
yT4= 0,0001x² - 0,032x + 18,9
R² = 0,89
T2
yT5= -0,028x + 21,28
R² = 0,94
T4
T3
T5
5
yT3= ns
0
0
25
45
90
TEMPO (dias)
135
180
AMBIENTE CONTROLADO (B)
COMPRIMENTO (cm)
20
15
T1
yT1= -0,019x + 19,75
R² = 0,99
10
yT2= -0,017x + 19,63
R² = 0.99
5
T2
yT4= 0,0002x² - 0,058x + 18,9
R² = 0,93
T3
T4
yT5= ns
T5
yT3= -0,016x + 18,31
R² = 0,93
0
0
45
90
TEMPO (dias)
135
180
Figura 4. Comprimento de plântulas de feijão-caupi armazenadas em ambiente
natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos: T1Testemunha;
T2-Micronutrientes;
T3-Tiametoxam;
T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe.
Apesar de não ter ocorrido alteração muito acentuada do comprimento de
plântulas ao longo do período de armazenamento, evidenciou-se redução do vigor
nos testes de primeira contagem de germinação (Figura 2) envelhecimento
acelerado (Figura 3), emergência (Figura 5) e índice de velocidade de emergência
de plântulas (Figura 6). Portanto é válido destacar que independente dos
32
tratamentos agregados às sementes, estas tendem a perder o vigor, pois o processo
de deterioração natural é inevitável e irreversível.
É válido destacar que os ingredientes químicos de inseticidas e fungicidas
tenderam a manter a qualidade das sementes quando comparado com a
testemunha (T1). Inclusive nos testes de primeira contagem de germinação e
envelhecimento
acelerado,
em
diversos
períodos
de
armazenamento
proporcionaram efeito benéfico sendo superiores a testemunha. No teste de
envelhecimento acelerado o T3 (tiametoxam) proporcionou efeito envigorante às
sementes até os 90 dias de armazenamento, no ambiente natural. O tratamento T2
(micronutrientes) mostrou-se semelhante às sementes não tratadas (T1), não
beneficiando nem prejudicando seu comportamento, exceção feita apenas aos 90 e
135 dias de armazenamento nos testes de emergência e IVE no ambiente natural
nos quais foi evidenciado efeito prejudicial desse tratamento.
Segundo Zimmer (2012) os sinais da deterioração das sementes aparecem à
medida que o armazenamento avança e se manifesta com a redução do
crescimento das plântulas, percentagem de germinação, emergência, aumento no
número de plântulas anormais, entre outros fatores, demonstrando redução do vigor.
Tabela 4. Comprimento de plântulas de feijão-caupi tratadas com inseticidas,
fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante 180
dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente controlado.
Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe.
TRAT
1
2
3
4
5
CV (%)
0
A1, A2
19,9 AB
19,5 AB
18,0 B
18,8 AB
20,7 A
Períodos de armazenamento (dias)
90
A1
A1
A1
16,4 Aa
17,9 Aa
17,6 Aa
16,4 Aa
18,2 Aa
17,7 Aa
17,4 Aa
16,9 ABa
16,9 Aa
17,3 Aa
15,4 Ba
17,9 Aa
18,8 Aa
18,8 Aa
16,0 Ab
9,6
180
A2
16,2 Ba
16,5 ABa
15,2 Ba
17,1 ABa
18,9 Aa
Médias seguidas das mesmas letras maiúsculas na coluna e minúsculas na linha não diferem entre si
(Duncan 5%).
O teste de emergência de plântulas evidencia novamente que a qualidade
fisiológica
das
sementes
foi
significativamente
afetada
pelo
tempo
de
armazenamento. No ambiente natural (Figura 5A) verifica-se redução linear da
33
porcentagem de emergência de plântulas, exceção feita apenas para o tratamento
T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) que não sofreu influencia do
armazenamento. Nesse teste, se sobressaem os tratamentos T2 (micronutrientes),
T3 (tiametoxam) e T1 (testemunha) respectivamente, por mais afetarem a qualidade
das sementes.
100
AMBIENTE NATURAL (A)
EMERGÊNCIA (%)
80
60
T1
yT1= -0,262x + 99,7
R² = 0,93
40
20
T2
T3
yT2 = -0,3x + 96,4
R² = 0,77
yT4= ns
yT3= -0,300x + 99,7
R² = 0,95
yT5= -0,198x + 95,9
R² = 0,97
T4
T5
0
0
45
90
TEMPO (dias)
135
180
AMBIENTE CONTROLADO (B)
100
EMERGÊNCIA (%)
80
60
yT1= -0,001x² + 0,072x + 97,8
R² = 0,99
yT4= ns
40
yT2= -0,001x² + 0,042x + 96,9
R² = 0,98
20
yT3= -0,002x² + 0,159x + 94,6
R² = 0,80
y T5= -0,037x + 98
R² = 0,72
T1
T2
T3
T4
T5
0
0
45
90
TEMPO (dias)
135
180
Figura 5. Emergência de plântulas de feijão-caupi armazenadas em ambiente
natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos: T1Testemunha;
T2-Micronutrientes;
T3-Tiametoxam;
T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe.
34
No
ambiente
controlado
(Figura
5B)
foram
os
tratamentos
T2
(micronutrientes), T1 (testemunha) e T3 (tiametoxam) que afetaram mais
intensamente a emergência das plântulas após os 90 dias de armazenamento,
respectivamente. Por outro lado, o T5 (imidacloprido+tiodicrbe) apresentou pouco
efeito sobre a capacidade de emergência das plântulas permanecendo praticamente
inalterado durante todo o armazenamento sob condições controladas. De forma
semelhante
ao
que
ocorreu
no
ambiente
natural,
o
tratamento
T4
(fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) também não foi influenciado pelo tempo
de armazenamento no ambiente controlado.
De acordo com os dados apresentados na tabela 5, a emergência de
plântulas não foi afetada pelos diversos tratamentos, logo após o tratamento das
sementes. A partir dos 90 dias o tratamento T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico) mostrou superioridade em relação aos demais tratamentos no ambiente
natural até os 180 dias. Observa-se que até os 90 dias de armazenamento
praticamente não há diferença entre os tratamentos para as sementes estocadas em
ambiente controlado.
Tabela 5. Emergência de plântulas de feijão-caupi tratadas com inseticidas,
fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante 180
dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente controlado.
Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe.
TRAT
1
2
3
4
5
CV (%)
Períodos de armazenamento (dias)
90
A1
A1
A1
71 Bb
96 Aa
56 BCb
54 Cb
90 Ba
53 CDb
70 Bb
94 ABa
49 Db
98 Aa
94 ABa
92 Aa
74 Bb
97 Aa
60 Bb
4,5
0
A1, A2
98 A
97 A
97 A
95 A
97 A
180
A2
70 Ba
69 Ba
71 Ba
92 Aa
91 Aa
Médias seguidas das mesmas letras maiúsculas na coluna e minúsculas na linha não diferem entre si
(Duncan 5%).
Ainda
na
tabela
5
(fipronil+piraclostrobina+tiofanato
verifica-se
metílico)
que
e
T5
os
tratamentos
T4
(imidacloprido+tiodicarde)
apresentaram comportamento superior aos 180 dias no ambiente controlado e nessa
mesma época de avaliação constata-se que o T4 foi o tratamento que melhor
35
preservou a qualidade das sementes nos dois ambientes. Verifica-se que em
ambiente natural foi o que, em geral, mais afetou o vigor das sementes (Figura 5A)
em função da não ocorrência de controle de temperatura nem UR do ar.
O teste de emergência apresenta sua importância na avaliação da qualidade
fisiológica de sementes tratadas, pois este teste possibilita a lixiviação dos produtos
revestidos nas sementes, o que já não acontece utilizando o papel como substrato
no qual o produto fica ao redor da semente, além disso, pode causar fitotoxidez.
Também é válido salientar que o teste de emergência é um dos melhores para
avaliar o vigor das sementes tendo em vista que os resultados são mais
correlacionados com as condições de campo.
Diferentemente do observado nesse estudo, o [imidacloprido+tiodicarbe] bem
como outros inseticidas utilizados no tratamento de sementes de sorgo, avaliados
até os 30 dias de armazenamento sob condições naturais, não afetou o vigor das
mesmas e apresentou resultados de emergência semelhante às sementes não
tratadas (VANIN et al., 2011).
Segundo relatos de Bueno et al. (2010) sementes de girassol tratadas com a
formulação [imidacloprido+tiodicarbe] também não prejudicaram a porcentagem de
emergência das plântulas durante o período de avaliação de 4 meses,
comportamento este distinto do observado nesse estudo.
Utilizando diferentes testes para avaliar a qualidade fisiológica das sementes
de feijão-caupi observou-se que ao final do armazenamento houve declínio no vigor
para todos os tratamentos testados e independentemente do ambiente, sendo o
declínio de qualidade mais expressivo para a porcentagem e o índice de velocidade
de emergência de plântulas (Figura 5A e 6A) de forma mais intensa com a evolução
do armazenamento para o ambiente natural.
Em milho foi observada alta qualidade fisiológica das sementes após um ano
de armazenamento, apesar de ter iniciado uma pequena redução aos seis meses.
Segundo Nunes (2008) a manutenção de altíssima qualidade de sementes de milho
tratadas com tiametoxam explica-se devido às condições adequadas de temperatura
e umidade nas quais permaneceu armazenada, a boa seletividade do produto
utilizado e também em função das características da espécie, morfologia e
composição química, os quais condicionam naturalmente alto potencial de
armazenamento para umas e baixo para outras espécies.
36
Para o índice de velocidade de emergência constata-se que antes do
armazenamento (Tabela 6), logo após o tratamento ocorreu diferença dos
tratamentos em relação ao T1 (testemunha), destacando qualidade superior de T4
(fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico). Observa-se também que o T4 apresenta,
em geral, índice superior ao T5 em todos os períodos de armazenamento.
Para o ambiente natural (Figura 6A) pode-se observar que o índice de
velocidade
de
emergência
das plântulas
reduz
significativamente
com o
prolongamento do armazenamento, sendo as reduções mais intensas de 2,4 e 2,6
respectivamente para os tratamentos T3 (tiametoxam) e T2 (micronutrientes)
estabilizando esse comportamento a partir dos 135 dias. A testemunha inicialmente
cai lentamente, mas a partir dos 90 dias passa a reduzir intensamente. Os
tratamentos
T4
(fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico)
e
T5
(imidacloprido+tiodicarbe) são responsáveis pelas menores reduções de qualidade,
quando comparado com os demais tratamentos, sendo que T5 causa redução de 2,9
pontos ao final de 180 dias de armazenamento.
O índice de velocidade de emergência de plântulas de girassol também sofreu
influência do tratamento de sementes reduzindo o vigor independente do inseticida
utilizado aos 4 meses de armazenamento, mas aos 30 dias o tiametoxam destacouse por ser o produto que mais afetou esse parâmetro de qualidade (BUENO et al.,
2010).
No ambiente controlado também ocorreu redução do vigor só que de uma
maneira menos acentuada que no ambiente natural. Através da figura 6B é possível
observar que em torno de 110 dias de armazenamentos todos os tratamentos
apresentaram comportamento semelhante. Os tratamentos T1 (testemunha), T2
(micronutrientes) e T5 (imidacloprido+tiodicarbe) reduziram intensamente de forma
linear o índice de velocidade de emergência ao longo de todo o período, enquanto
T3 (tiametoxam) e T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) apenas 1,6 e 1,7
pontos até os 90 dias, sendo que a partir desse momento o comportamento
estabilizou.
No ambiente controlado (Figura 6B) ocorreu menor alteração do vigor das
sementes tendo em vista que as condições controladas preservam melhor as
características fisiológicas das sementes, uma vez que não há oscilação do teor de
água, o metabolismo é reduzido, há menor taxa de respiração e consequente
37
redução da intensidade de deterioração, proporcionando a conservação das
sementes por mais tempo.
7
AMBIENTE NATURAL (A)
yT1= -8E-005x² - 0,013x + 6,49
R² = 0,90
6
4
T1
IVE
5
yT3 = 0,0002x² - 0,059x + 6,76
R² = 0,87
T2
3
T3
yT2= 0,0001x² - 0,044x + 6,75
R² = 0,92
2
T4
T5
yT4= 4,82E-005x² - 0,0207x + 6,64
R² = 0,99
1
yT5= -0,016x + 5,81
R² = 0,93
0
0
7
45
90
TEMPO (dias)
135
180
AMBIENTE CONTROLADO (B)
6
5
T1
y T1= -0,015x + 6,32
R² = 0,96
IVE
4
T2
3
2
y T3= 9,7E-005x² - 0,026x + 6,24
R² = 0,83
1
T3
y T4= 0,0001x² - 0,028x + 6,53
R² = 0,92
yT2= -0,017x + 6,29
R² = 0,98
T4
T5
y T5= -0,012x + 5,91
R² = 0,91
0
0
45
90
TEMPO (dias)
135
180
Figura 6. Índice de velocidade de emergência (IVE) de plântulas de feijão-caupi
armazenadas em ambiente natural (A) e ambiente controlado (B) durante
180 dias. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam;
T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico;
T5Imidacloprido+tiodicarbe.
38
No período inicial de armazenamento (Tabela 6) não foi detectado diferenças
significativas entre os tratamentos em relação ao T1 (testemunha) para o índice de
velocidade de emergência. Resultado semelhantes foram observados por Grisi et al.
(2009) em sementes de girassol logo após o tratamento com tiametoxam e
(fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico).
Esse
comportamento
também
foi
verificado em sementes de soja até os sete dias de armazenamento para o
tiametoxam e o (fipronil+piraclostrobina+tiofanato+metílico), enquanto que o
tratamento com (imidacloprido+tiodicarbe) provocou redução do IVE (DAN et al.,
2011). Inseticidas como o tiametoxam podem auxiliar na rota metabólica da pentose
fosfato, favorecendo a hidrólise de reservas e aumentando a disponibilidade de
energia para o processo de germinação e emergência da plântula (HORII et al.,
2007), fato não evidenciado em feijão-caupi neste estudo.
Tabela 6. Índice de velocidade de emergência (IVE) de plântulas de feijão-caupi
tratadas com inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha,
armazenadas durante 180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural,
A2-Ambiente
controlado.
Tratamentos:
T1-Testemunha;
T2Micronutrientes; T3-Tiametoxam;
T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe.
TRAT
1
2
3
4
5
CV (%)
0
A1, A2
6,0 AB
6,3 AB
6,4 AB
6,7 A
5,7 B
Períodos de armazenamento (dias)
90
A1
A1
A1
4,4 Bb
5,1 Aa
1,8 Db
2,0 Db
4,4 Aa
2,0 CDb
3,1 Cb
4,9 Aa
2,7 BCb
5,2 Aa
4,9 Aa
4,5 Aa
3,9 Ba
4,4 Aa
3,1 Ba
10,9
180
A2
3,5 Ba
3,4 Ba
4,6 Aa
4,7 Aa
3,7 Ba
Médias seguidas das mesmas letras maiúsculas na coluna e minúsculas na linha não diferem entre si
(Duncan 5%).
Em sementes de girassol o produto (imidacloprido+tiodicarbe) apresentou
efeito negativo sobre o IVE retardando o arranque inicial das plântulas e reduzindo a
porcentagem delas emergidas aos 30 dias de armazenamento (DAN et al. 2012b),
comportamento também observado em feijão-caupi neste estudo até 45 dias de
armazenamento em ambiente natural (Figura 6A) quando comparado coma
testemunha. Aos 180 dias de armazenamento, porém, esse produto proporcionou
índice de velocidade de emergência superior à testemunha nesse ambiente.
39
Ainda no ambiente natural (Tabela 6) observa-se que aos 90 dias de
armazenamento
os
tratamentos
T2
(micronutrientes)
e
T3
(tiametoxam)
apresentaram IVE menor que o T1 (testemunha), enquanto aos 180 dias o
tiametoxam apresentou IVE superior à testemunha.
Diferentemente do observado por outros autores (CASTRO et al. 2008;
CLAVIJO, 2008; ALMEIDA et al., 2009; ALMEIDA et al., 2011), o inseticida
tiametoxam não proporcionou incrementos na porcentagem de germinação e vigor
das sementes de feijão-caupi logo após o tratamento das sementes, por outro lado,
nesse estudo foi constatado efeito estimulante do tiametoxam apenas para os testes
de primeira contagem de germinação e envelhecimento acelerado em ambiente
natural a partir dos 90 dias.
Em pesquisa com sementes de cenoura verificou-se que tanto em condições
de ausência ou presença de estresse hídrico o tiametoxam proporcionou acréscimos
na porcentagem de germinação e vigor em todos os lotes avaliados quando
comparados com as sementes não tratadas. Demonstrou ser de grande importância
para essa cultura, pois o produto agiu como um potencializador, permitindo a
expressão do poder germinativo das sementes, acelerando o crescimento das raízes
e aumentando a absorção de nutrientes pela planta (ALMEIDA et al., 2009).
No presente estudo com sementes de feijão-caupi não foi constatado efeito
estimulante do tiametoxam para as variáveis analisadas no período inicial de
armazenamento.
Por
outro
lado,
com
o
prolongamento
do
período
de
armazenamento, ele apresentou, em alguns casos, efeitos benéficos como pode ser
observado nos testes de vigor (primeira contagem de germinação e envelhecimento
acelerado) em ambiente natural, e IVE aos 180 dias de armazenamento.
O tiamentoxan é considerado um potencializador do poder germinativo das
sementes. No entanto a resposta pode variar em função da espécie, cultivar,
qualidade fisiológica inicial, dose do produto e tempo de armazenamento segundo
relatos da literatura. Para algumas culturas proporciona efeitos positivos alterando
características fisiológicas e morfológicas, enquanto em outras se mostra indiferente,
restando apenas a sua função de controle de pragas iniciais durante o
estabelecimento de plantas no campo.
Quando avaliado o efeito do (imidacloprido+tiodicarbe) sobre a qualidade
fisiológica das sementes logo após a sua aplicação, verificou-se que não afetou o
40
vigor e trouxe benefício a viabilidade já que elevou a porcentagem de germinação
das sementes em relação a testemunha, bem como elevou os valores de
envelhecimento acelerado. Durante o armazenamento esse produto manteve a
qualidade das sementes semelhante às não tratadas e em alguns casos
proporcionou efeito benéfico elevando a qualidade, conforme observado nos testes
de germinação, envelhecimento acelerado e primeira contagem de germinação, no
qual manteve porcentagens superiores a 80% até os 90 dias de armazenamento.
Os produtos [fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico] logo após utilizado no
tratamentos das sementes também não prejudicou a qualidade das sementes, e
assim como o [imidacloprido+tiodicarbe] beneficiou a viabilidade das sementes
gerando incrementos sobre a porcentagem de germinação. Com o prolongamento
do armazenamento apresentou resultados semelhantes à testemunha ou superior
mantendo a qualidade de forma geral até os 90 dias nos dois ambientes, no entanto,
no ambiente controlado em períodos superiores a esse prejudicou a qualidade
fisiológica quando avaliados pelos testes de primeira contagem de germinação e
germinação.
Sementes tratadas com micronutrientes também não tiveram efeitos
prejudiciais logo após a aplicação dos produtos, em relação à testemunha, inclusive
demonstrando um favorecimento no potencial fisiológico, quando avaliado pelo
envelhecimento acelerado. Com relação ao período de armazenamento, constata-se
que esses produtos não afetaram o potencial fisiológico em ambiente controlado. Em
ambiente natural, no entanto, foi constatado efeito prejudicial sobre a qualidade das
sementes nos testes de emergência e IVE, aos 90 e 135 dias de armazenamento.
Constatou-se que os ingredientes ativos inseticidas e fungicidas tenderam,
em geral, a manutenção da qualidade fisiológica das sementes em níveis
semelhantes aos das sementes não tratadas, ou a proporcionar a preservação da
qualidade dessas sementes ao longo do período de armazenamento, não se
verificando efeitos prejudiciais desses produtos na qualidade fisiológica.
41
5 CONCLUSÕES
Os produtos (imidacloprido+tiodicarbe) e o (fipronil+piraclostrobina+tiofanato
metílico) proporcionam efeito estimulante sobre o desempenho das sementes.
Sementes
revestidas
com
tiametoxam
são
menos
afetadas
pelo
armazenamento do que as sementes não tratadas.
O tratamento com micronutrientes apresenta comportamento similar às
sementes não tratadas sendo que em ambiente natural prejudica a qualidade
fisiológica com o aumento do período de armazenamento.
42
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51
ANEXO
Tabela 7 – Resumo da análise de variância da determinação do teor de água e
testes de qualidade fisiológica de sementes de feijão-caupi tratadas com inseticidas,
fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante 180 dias, em
dois ambientes.
Quadrado Médio
F.V
GL
TA
G
PCG
EA
TRATAMENTOS (T)
4
1.1426** 82.12**
PERIODO (P)
4
0.8277** 564.97** 2482**
1424.2** 41.353** 4984.8** 60.179**
AMBIENTE (A)
1
1.3778** 167.45** 1008**
744.98** 0.7345
TXP
16
0.1102*
AXP
4
0.3114** 97.145** 213.54** 142.22** 3.558ns
1150.4** 5.6864**
TXA
4
0.0771ns
31.595** 141.24** 116.21** 4.9242ns
637.6**
TXAXP
16
0.119**
25.514ns
84.952** 67.958** 3.6592ns
165.66** 0.7601**
REPETIÇÃO
3
0.0703ns
6.5783ns
14.458ns
3.8733ns
12.741ns
4.685ns
0.4718ns
RESÍDUO
147
0.067
11.378
19.173
14.887
2.9191
15.039
0.2606
294.79** 93.35**
CP
EM
IVE
20.541** 1430.7** 6.337**
ns
ns
25.033** 85.452** 161.22** 3.92
8359.2** 18.313**
378.72** 2.0571**
2.3327**
CV (%)
2.29
3.91
5.54
5.17
9.61
4.58
10.91
FV - Fontes de variação; TA - Teor de água (%); G - germinação (%); PCG – Primeira contagem de germinação
(%); Envelhecimento acelerado (%); Comprimento de plântulas (cm); Emergência (%); IVE - Índice de
velocidade de emergência (%). CV - Coeficiente de variação. ns, **, * respectivamente, não significativo e
significativo a 1% e 5% de probabilidade.
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ministério da educação universidade federal de - Guaiaca