MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS FACULDADE DE AGRONOMIA ELISEU MACIEL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SEMENTES Tese Desempenho de sementes de Vigna unguiculata (L.) Walp. tratadas com fungicidas, inseticidas e micronutrientes sob diferentes condições de armazenamento Lucicléia Mendes de Oliveira Pelotas, 2013 ii LUCICLÉIA MENDES DE OLIVEIRA Desempenho de sementes de Vigna unguiculata (L.) Walp. tratadas com fungicidas, inseticidas e micronutrientes sob diferentes condições de armazenamento Tese apresentada à Faculdade de Agronomia “Eliseu Maciel” da Universidade Federal de Pelotas, como exigência parcial do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Sementes, sob orientação do prof. Luis Osmar Braga Schuch, para a obtenção do título de Doutor em Ciências. Comitê de orientação: Orientador: Prof. Luis Osmar Braga Schuch Dr.(UFPEL) Co-orientadora: Prof.(a) Riselane de Lucena Alcântara Bruno Dra(UFPB) Co-orientador: Prof. Silmar Teichert Peske Dr.(UFPEL) Pelotas, 2013 Dados de catalogação na fonte: ( Marlene Cravo Castillo – CRB-10/744 ) O48d Oliveira, Lucicléia Mendes de Desempenho de sementes de Vigna unguiculata(L.) Walp, tratadas com fungicidas, inseticidas e micronutrientes sob diferentes condições de armazenamento / Lucicléia Mendes de Oliveira ; orientador Luis Osmar Braga Schuch; co-orientador Silmar Teichert Peske - Pelotas,2013.-51f. : il..- Tese (Doutorado ) –Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Sementes. Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel. Universidade Federal de Pelotas. Pelotas, 2013. 1.Feijão-caupi 2.Tratamento de sementes 3.Qualidade fisiológica I.Schuch, Luis Osmar(orientador) II.Título. CDD 635.652 iii LUCICLÉIA MENDES DE OLIVEIRA Desempenho de sementes de Vigna unguiculata (L.) Walp. tratadas com fungicidas, inseticidas e micronutrientes sob diferentes condições de armazenamento APROVADA em 18 de março de 2013 Banca examinadora: Prof. Dr Luis Osmar Braga Schuch- UFPel - Presidente Prof. Silmar Teichert Peske Dr.(UFPEL) Geri Eduardo Meneghello Dr.(UFPEL) Wilner Brod Peres Dr.(UFPEL) Hilton Grimm Dr (IFSUL) iv Aos meus queridos pais Maria Lúcia Soares de Oliveira e Ivo José Mendes de Oliveira. DEDICO v AGRADECIMENTO Agradeço primeiramente a Deus por ter me dado força, coragem e ânimo para não desistir nunca mesmo nas maiores dificuldades. Por sua presença na minha vida e infinita bondade me conduziu a seguir em frente superando todos os obstáculos e me mantendo sempre de pé. Ao programa de Pós-graduação em Ciência e Tecnologia de Sementes da Universidade Federal de Pelotas, por ter proporcionado a minha qualificação profissional. Ao Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba, por ter disponibilizado o espaço para a condução do experimento. Ao CNPq pela bolsa de doutorado. Ao professor Luis Osmar Braga Schuch, pela orientação, ensinamento, paciência e apoio durante o curso. A professora Riselane de Lucena Alcântara Bruno, pela orientação, ensinamentos e amizade. Agradeço especialmente aos meus pais e ao meu irmão Valdir. A todos os professores por seus valorosos ensinamentos de grande importância na minha formação profissional. Aos amigos e todos aqueles que ajudaram de alguma forma para a concretização deste de trabalho. vi RESUMO OLIVEIRA, Lucicléia Mendes de. Desempenho de sementes de Vigna unguiculata (L.) Walp tratadas com fungicidas, inseticidas e micronutrientes sob diferentes condições de armazenamento. 2013. 51f. Tese (Doutorado) – Programa de Pósgraduação em Ciência e Tecnologia de sementes. Universidade Federal de Pelotas, Pelotas-RS. O feijão-caupi é uma fabaceae de origem africana bastante cultivada na região norte e nordeste do Brasil, onde se destaca como principal fonte proteica para as populações carentes destas regiões, além de gerar emprego e renda. Para o estabelecimento da cultura as sementes são tratadas para controlar e prevenir possíveis ataques de pragas que possam prejudicar a qualidade fisiológica das sementes, ocasionar doenças e reduzir o estande de plantas. Também é possível agregar nutrientes as sementes os quais estarão prontamente disponíveis para a planta em desenvolvimento logo após a germinação. Dessa forma, o objetivo do presente trabalho foi avaliar o desempenho de sementes de feijão-caupi tratadas com fungicidas, inseticidas e micronutrientes sob diferentes condições de armazenamento. Foram realizados os seguintes tratamentos de sementes: 1testemunha (sem tratamento); 2- micronutriente COMOL 118 (composto por cobalto 1% e Molibdênio 8%), 3- inseticida tiametoxam (Cruiser 350FS® - 300 mL 100 kg-1 de sementes), 4- Inseticida e fungicidas: fipronil e piraclostrobina+tiofanato metilico (Standak® top – 200 mL 100kg-1 de sementes), 5-Imidacloprido+tiodicarbe (Cropstar® - 300 mL 100 kg-1 de sementes) sendo posteriormente armazenadas em ambiente natural e câmara de conservação de sementes a 16 °C e 60 % UR. A avaliação da qualidade fisiológica das sementes foi feita aos 0, 45, 90, 135 e 180 dias de armazenamento através dos testes de germinação e vigor (primeira contagem de germinação, envelhecimento acelerado, comprimento de plântulas, emergência e índice de velocidade de emergência). Conclui-se que os produtos (imidacloprido+tiodicarbe) e o (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) proporcionam efeito estimulante sobre o desempenho das sementes; sementes revestidas com tiametoxam são menos afetadas pelo armazenamento do que as sementes não tratadas; e o tratamento com micronutrientes apresenta comportamento similar às sementes não tratadas sendo que em ambiente natural prejudica a qualidade fisiológica com o aumento do período de armazenamento. Palavras-chave: Feijão-caupi. Tratamento de sementes. Qualidade fisiológica vii ABSTRACT OLIVEIRA, Lucicléia Mendes. Performance of Vigna unguiculata (L.) Walp seeds treated with fungicides, insecticides and micronutrients in different storage conditions. 2013. 51 pages. Thesis (PhD) – Seed Science and Technology Program. Federal University of Pelotas, Pelotas-RS. Cowpea is a leguminous very cultivated in North and Northeast in Brazil. It is a crop from Africa, but it has good adaptability in these areas. It is important protein source for poor people of these regions, besides generating employment and income. Seed treatment is important to control and prevent possible pests and diseases attacks that could damage physiological seed quality, reduce plant stand and cause economic damage. It is also possible to apply nutrients via seeds; in this case, nutrients will be readily available to plants shortly after germination. Therefore, the objective of this study was to evaluate the performance of cowpea seeds treated with fungicides, insecticides and micronutrients in different storage conditions. The experiment was conducted at Seed Analysis Laboratory of the Federal University of Paraíba, and the seeds were treated as follows: 1-control (no treated), 2micronutrient Comol 118 (composed of 1% cobalt and molybdenum 8%), 3thiamethoxan insecticide (Cruiser 350FS® - 300mL per 100kg of seed-1), 4Insecticide and fungicide: fipronil and pyraclostrobin + thiophanate methyl (Standak® top-200mL per 100kg of seed-1), 5-Imidacloprid + thiodicarb (Cropstar ® - 300mL- per 100kg of seeds-1). After treated the seeds were stored at natural environment and preservation chamber. The assessment of physiological seed quality was done at 0, 45, 90, 135 and 180 days of storage and the following tests were performed: seed germination and seed vigor (first count of germination, accelerated aging, seedling length, seedling emergence and emergence speed index). It was concluded that the treatments with (imidacloprid+thiodicarb) and (fipronil+pyraclostrobin+thiophanatemethyl) provide stimulating effect on seed performance; and seed treated with thiamethoxan are less negatively affected than seed not treated with this product; treatment with micronutrients show similar behavior to untreated seeds and seed storage at natural environment negatively affect seed quality as the period of storage is increased. Keywords: Cowpea. Seed treatment. Physiological quality. viii LISTA DE FIGURAS Figura 1 Germinação das sementes de feijão-caupi armazenadas em ambiente natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4-Fipronil + piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe............. 22 Figura 2 Primeira contagem de germinação de sementes de feijão-caupi armazenadas em ambiente natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam; T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5Imidacloprido+tiodicarbe........................................................................... 25 Figura 3 Envelhecimento acelerado de sementes de feijão-caupi armazenadas em ambiente natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5Imidacloprido+tiodicarbe........................................................................... 27 Figura 4 Figura 5 Figura 6 Comprimento de plântulas de feijão-caupi armazenadas em ambiente natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5Imidacloprido+tiodicarbe.......................................................................... 31 Emergência de plântulas de feijão-caupi armazenadas em ambiente natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5Imidacloprido+tiodicarbe......................................................................... 33 Índice de velocidade de emergência (IVE) de plântulas de feijão-caupi armazenadas em ambiente natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam; T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5Imidacloprido+tiodicarbe........................................................................ 38 ix LISTA DE TABELAS Tabela 1 Germinação das sementes de feijão-caupi tratadas com inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante 180 dias, em dois ambientes. A1- Ambiente natural, A2- Ambiente controlado. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam; T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5Imidacloprido+tiodicarbe............................................................................ 24 Tabela 2 Primeira contagem de germinação das sementes de feijão-caupi tratadas com inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante 180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente controlado. Tratamentos: T1-Testemunha; T2Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe....................................................... 27 Tabela 3 Envelhecimento acelerado de sementes de feijão-caupi tratadas com inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante 180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente controlado. Tratamentos: T1-Testemunha: T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam; T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5Imidacloprido+tiodicarbe............................................................................ 28 Tabela 4 Comprimento de plântulas de feijão-caupi tratadas com inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante 180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente controlado. Tratamentos: T1-Testemunha: T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam; T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5Imidacloprido+tiodicarbe............................................................................ 32 Tabela 5 Emergência de plântulas de feijão-caupi tratadas com inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante 180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente controlado. Tratamentos: T1-Testemunha: T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam; T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5Imidacloprido+tiodicarbe............................................................................ 34 Tabela 6 Índice de velocidade de emergência (IVE) de plântulas de feijão-caupi tratadas com inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante 180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente controlado. Tratamentos: T1-Testemunha; T2Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe...................................................... 38 x SUMÁRIO RESUMO.................................................................................................... vi ABSTRACT................................................................................................ vii LISTA DE FIGURAS.................................................................................. vii LISTA DE TABELAS................................................................................. ix 1 INTRODUÇÃO........................................................................................... 01 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA...................................................................... 03 2.1 A cultura do feijão-caupi......................................................................... 2.2 Importância do tratamento de sementes como protetores e nutrientes.................................................................................................. 2.3 Efeitos de produtos químicos no controle 03 05 de pragas........................................................................................................ 07 2.4 Alterações fisiológicas nas sementes e/ou morfológicas proporcionadas por produtos químicos................................................ 09 2.5 Interações do tratamento de sementes com o armazenamento......... 14 3 MATERIAL e MÉTODOS........................................................................... 18 4 RESULTADOS e DISCUSSÃO................................................................. 20 5 CONCLUSÕES.......................................................................................... 41 6 REFERÊNCIAS.......................................................................................... 42 1 1 INTRODUÇÃO O feijão-caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp.) é uma fabaceae com origem da África que vem sendo bastante cultivada na região norte e nordeste do Brasil como alimento básico das populações carentes dessas regiões e com vias de expansão na região centro-oeste do país. Essa cultura é uma fonte rica em proteínas, sendo consumida na forma de grão verde e seco, vagem verde e farinha servindo de alimento tanto para o homem quanto para os animais. A produtividade média do feijão-caupi ainda é baixa devido ao uso de cultivares tradicionais, pouco uso de insumos agrícolas, ausência de adubação ou forma inadequada de nutrição. Contudo, em algumas regiões do país a produção do feijão-caupi tem melhorado devido ao maior uso de tecnologias, cultivares com maior potencial produtivo, resistente a pragas e doenças. O tratamento de sementes é uma prática que vem sendo largamente utilizada pelos produtores rurais, pois através dessa tecnologia é possível agregar produtos as sementes que podem protegê-las contra pragas presentes na própria semente e no solo. Além disso, podem ser adicionados nutrientes escassos no solo que a planta irá precisar durante o seu desenvolvimento. Essa medida juntamente com outras práticas agrícolas pode proteger a lavoura, garantir a fitossanidade das plantas e aumentar a produtividade. Alguns inseticidas vêm sendo objeto de estudo constante pelos pesquisadores, como exemplo, o tiametoxam que desempenha sua função no controle de pragas e há registros que o mesmo possui ação de bioativador incrementando características como a germinação, emergência, comprimento de plântulas, melhora o desempenho das plântulas em situações de estresse, aumento dos níveis totais de proteínas e enzima nas plantas, aumento da expressão do vigor, acúmulo de fitomassa, área foliar, alta taxa fotossintética e raízes mais profundas. O inseticida fipronil também promove alterações fisiológicas nas plantas, pode aumentar a tolerância das plantas aos estresses bióticos e abióticos atuando nos canais de cloro, agindo na regulação dos estômatos e consequentemente influenciando no controle do estresse hídrico. Também há relatos que esse ingrediente ativo pode proporcionar aumento do crescimento de raiz e parte aérea de plantas. 2 A nutrição mineral balanceada é de suma importância para a planta obter melhor performance em termos de produção, tomando como base o efeito benéfico dos nutrientes para a planta micronutrientes importantes para a cultura do feijão podem ser incorporados nas sementes como exemplo, o cobalto e o molibdênio, essenciais na atividade do rizóbio para a fixação do nitrogênio atmosférico pois a baixa disponibilidade deles pode comprometer o funcionamento da leg-hemoglobina e da redutase de nitrato. Dada à importância destes nutrientes, os mesmos foram agregados às sementes de feijão-caupi e armazenados. O uso de fungicidas e inseticidas no tratamento de sementes é uma prática utilizada rotineiramente como controle de pragas iniciais, enquanto os micronutrientes podem ser revestidos às sementes como alternativa para suprir possíveis deficiências. Nesse sentido, o tratamento de sementes esta sendo feito por algumas empresas produtoras de sementes o que justifica a importância de pesquisar a influência desses ingredientes sobre a qualidade fisiológica das sementes. Dessa forma, o objetivo do presente trabalho foi avaliar o desempenho das sementes de feijão-caupi tratadas com fungicidas, inseticidas e micronutrientes sob diferentes condições de armazenamento. 3 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 A cultura do feijão-caupi O feijão-caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp.) é uma planta herbácea, autógama, cuja região de origem situa-se na parte oeste e central da África. Dentre as espécies cultivadas é uma das mais adaptadas, versátil e nutritiva, servindo como componente essencial dos sistemas de produção nas regiões secas dos trópicos, cobrindo parte da Ásia, Estados Unidos, Oriente Médio e Américas Central e do Sul (SINGH et al., 2002). Na América do sul esta fabaceae é bastante cultivada no Brasil, predominantemente nas regiões norte e nordeste onde apresenta boa capacidade de adaptação aos diferentes tipos de solo. Destaca-se como principal fonte proteica para as populações carentes destas regiões, além de gerar emprego e renda (MELO, 1999). Difundido também em outras regiões do País, como hortaliça, para produção de grãos verdes e vagens, além disso, suas folhas e ramos servem de forragem para os animais (LEITE et al., 1999). A espécie é uma excelente fonte de proteínas (23 a 25%), apresenta todos os aminoácidos essenciais, carboidratos (62%), vitaminas e minerais, possui fibras dietéticas, baixa quantidade de gordura (teor de óleo de 2%, em média), constituindo-se como alimento básico. Apresenta ciclo curto, baixa exigência hídrica e rusticidade para se desenvolver em solos de baixa fertilidade e, por meio da simbiose com bactérias do gênero Rhizobium, tem a habilidade para fixar nitrogênio do ar (ANDRADE JÚNIOR et al., 2003). Pode ser cultivado em diferentes regiões do Brasil, principalmente, em locais com baixa latitude. Tolera temperaturas de 18 a 34°C, sendo que valores fora dessa faixa torna o desenvolvimento insatisfatório com predominância do desenvolvimento da parte vegetativa em detrimento da produção de grãos (OLIVEIRA JÚNIOR et al., 2002). Além disso, o acúmulo térmico pode influenciar na duração do ciclo da cultura ou nos estágios fenológicos de uma determinada cultivar (MEDEIROS et al., 2000). Os principais produtores de feijão-caupi são os pequenos agricultores e agricultores familiares na forma de feijão verde o que representando para eles uma fonte complementar da renda. Realizam o plantio, principalmente em regime de 4 sequeiro ou em áreas de vazante, sendo a comercialização realizada, preferencialmente, em feiras livres vendido na forma de vagem ou debulhado (ANDRADE, 2010). Quanto à produtividade de sementes dessa cultura no Brasil a mesma varia conforme o sistema de produção, sendo de 500 a 700 kg ha-1 em sistema de sequeiro e de 1000 a 1300 kg ha -1 no irrigado (BNB, 2006). A baixa produtividade dessa espécie no nordeste, especialmente, em algumas regiões da Paraíba esta relacionada aos seguintes fatores: plantio de cultivares tradicionais, emprego de sementes de baixa qualidade, falta de adubação ou forma inadequada de nutrição empregada pelos agricultores (SANTOS et al., 2007). Na região meio-norte do Brasil, que compreendem os estados do Piauí e do Maranhão, a baixa produtividade do feijão-caupi também esta relacionada ao menor uso de insumos agrícolas. Por outro, o fato desta espécie se beneficiar do nitrogênio proveniente da fixação biológica torna-se necessário sua otimização por meio do uso da inoculação com cepas de rizóbios adaptadas a região. Atualmente existem algumas cepas regulamentadas e recomendadas pelo ministério da agricultura, pecuária e abastecimento como BR 3262, BR 3267, UFLA 03-84 (BR 3302) e INPA 03-11b (BR3301), as quais tem proporcionado rendimento de grão semelhante ou superior à adubação nitrogenada de 50 kg.ha -1 de N com produtividade variando de 1.369 a 1.953 kg.ha-1 (ALMEIDA et al., 2010). A melhor performance em termos de produção desta espécie pode ser obtida com a adoção de algumas práticas, entre elas destacam-se: preparo do solo, a escolha da cultivar, hábito de crescimento, potencial de produção da planta, fertilidade do solo, época de plantio e condições climáticas, as quais respondem pelas altas produtividades da cultura (OLIVEIRA et al., 1996). Também é importante levar em consideração a densidade e o arranjo de plantas, porque a competição em intensidade elevada nos estádios iniciais do desenvolvimento da cultura pode favorecer o surgimento de plantas improdutivas, causar diminuição do estande final e, consequentemente o rendimento de grãos (BEZERRA et al., 2008). Tradicionalmente o feijão-caupi estava voltado para agricultores com baixa adoção tecnológica, mas nos últimos anos vem despertando o interesse daqueles que praticam a agricultura empresarial, cuja lavoura é totalmente mecanizada. Nesse sentido, a cultura começou a fazer parte de sistema de exploração de maior 5 expressão na economia regional, destacando o cultivo na região de cerrado no sul do Piauí e do Maranhão, em sequeiro, e no oeste da Bahia, em pivô central. Para esse novo sistema de produção tem aumentado à procura de cultivares que apresente características diferenciadas daquelas tradicionais, ou seja, cultivares com arquitetura de plantas mais modernas, porte mais compacto, mais ereto, resistência ao acamamento e maturação das vagens mais uniforme, estando todas essas características aliadas ao grau de aceitação dos grãos no mercado para facilitar a comercialização (FREIRE FILHO et al., 2005). Vale destacar também outros atributos das novas cultivares de feijão-caupi para atender as necessidades dos sistemas de produção tecnificados que são alto potencial de rendimento, resistência a pragas e doenças, qualidade dos grãos, bem como as características do porte e da arquitetura adequados ao maior adensamento e à mecanização da cultura, inclusive da colheita (BEZERRA et al., 2008). 2.2 Importância do tratamento de sementes com protetores e nutrientes O tratamento de sementes é importante para controlar e prevenir possíveis ataques de microrganismos, insetos e nematóides que possam prejudicar a qualidade fisiológica das sementes, ocasionar doenças, reduzir o estande inicial e final de plantas e consequentemente acarretar prejuízos econômicos na produção de grãos. Também por meio dessa técnica é possível agregar nutrientes as sementes os quais estarão prontamente disponíveis para a planta em desenvolvimento logo após a germinação. Quanto à tomada de decisão com relação ao tratamento de sementes para prevenir a ação de patógenos devem ser considerados vários fatores, pois existe a ameaça de doenças, iniciadas por patógenos de semente ou presentes no solo. Por isso, é necessário conhecer o potencial da doença no campo e no lote de sementes, o tipo de patógeno, a forma como se dissemina e período de sobrevivência no campo. Também é necessário considerar as condições de temperatura e umidade do solo após o plantio, e se a semente irá germinar rapidamente. Apesar de ser impossível conhecer e controlar todas as variáveis técnicas e administrativas é possível evitar perdas econômicas (DHINGRA, 1985). 6 Os fungicidas, além de controlar patógenos importantes transmitidos pelas sementes asseguram populações adequadas de plantas, quando as condições edafoclimáticas durante a semeadura são desfavoráveis à germinação e a emergência de plântulas, deixando as sementes expostas por mais tempo aos fungos habitantes de solo. No caso da soja, o volume de sementes tratadas com fungicidas corresponde a 90-95% da área semeada, representado menos de 0,6% do custo de instalação da lavoura, podendo-se considerar ainda que com o uso dessa prática associada ao emprego de sementes de alta qualidade o produtor poderá economizar sementes por reduzir os riscos de ressemeadura (HENNING et al., 2010). O uso de inseticidas no tratamento de sementes vem se tornado uma prática rotineira para evitar possíveis perdas decorrentes de pragas de solo e parte aérea, e em alguns casos possibilita a redução de aplicações foliares após emergência da cultura (MENTEN, 2005). No entanto, são escassas as informações sobre o efeito dos produtos químicos, inseticidas e fungicidas, sobre a germinação e o vigor das sementes de feijão-caupi. O tratamento de sementes é uma realidade para aumentar o desempenho das mesmas especialmente aquelas de alto valor. O processo envolve produtos, formulações, combinações e equipamentos, sendo usado, sobretudo, para a cultura da soja cujo objetivo é proteger as sementes e aumentar seu desempenho em campo quer no seu estabelecimento inicial ou durante o ciclo vegetativo. Caso a semeadura não seja realizada em condições ideais e as sementes não estejam protegidas, as chances de ressemeadura são grandes. Sendo assim, o uso de produtos é indispensável para assegurar a boa emergência de plântulas em campo protegendo-as contra fungos e insetos de solo (BAUDET e PESKE, 2006). 2.3 Efeitos de produtos químicos no controle de pragas A ocorrência de pragas destaca-se como fator limitante para diversas culturas agrícolas prejudicando desde a fase de germinação das sementes, estabelecimento de plântulas e a produção final. Nesse sentido serão listados algumas culturas e produtos químicos que vem sendo empregados no controle de pragas. 7 As culturas de milho e sorgo têm em comum o ataque da lagarta-do-cartucho que vem trazendo prejuízos econômicos na produção. Para tentar solucionar esse problema produtos químicos via tratamento de sementes e aplicações foliares estão sendo testados. Foi verificado que o tratamento de sementes com tiametoxam e carbofuran não foram suficientes para garantir a fitossantidade das plantas, provavelmente porque 15 dias após a emergência das plântulas reduziu o efeito residual dos inseticidas, havendo a necessidade de aplicações foliares complementares com lufenuron e lambdacialotrina, apresentando este último uma menor eficiência (AZEVEDO et al., 2004). O uso da associação de inseticida piretróide lambdacialotrina ao neonicotinóide tiametoxam (Engeo Pleno) permite um maior espectro de ação e a atuação em diferentes sítios toxicológicos dos insetos-praga, o que proporciona novas possibilidades de manejo para importantes pragas do milho que não eram controladas satisfatoriamente quando se aplicava apenas o tiametoxam. Sendo assim, a aplicação do tiametoxam via semente juntamente com pulverização foliar do tiametoxam+lambdacialotrina exerce ação complementar no controle de percevejo, cigarrinha, tripes e lagarta-do-cartucho (ALBUQUERQUE et al., 2006). No caso do sorgo há escassez de produtos que apresente seletividade para essa cultura. No entanto, constatou-se que a mistura de imidacloprido+thiodicarbe apresenta maior potencial para uso no tratamento das sementes para controlar pragas de solo durante o desenvolvimento da cultura, havendo a possibilidade de usar também outros ingredientes ativo tais como fipronil, tiametoxam e tiametoxam+tiodicarbe (VANIN et al., 2011). O girassol assim como a maioria das culturas de segunda safra, geralmente sofre ataque de pragas que aumentaram durante o período da safra. Assim, essa cultura na fase de plântulas já esta bastante susceptível ao ataque de diferentes pragas. Entre elas incluem-se vaquinha (Cerotoma arcuatus), lagartas (Anticarsia gemmatalis e Spodoptera frugiperda) e a mosca-branca (Bemisia tabaci). Como medidas de controle foram testados diferentes inseticidas via tratamento de sementes concluindo-se que, a S. frugiperda pode ser controlada com o uso de tiodicarbe quando se encontra no 2º instar. E os melhores tratamentos no controle de A. gemmatalis e de C. arcuatus foram tiodicarbe, [tiodicarbe+imidacloprido], tiametoxam e imidacloprido, além de fipronil apenas para C. arcuatus, enquanto para 8 o controle de B. tabaci nenhum dos tratamentos testado foi eficiente (BUENO et al., 2010). A mosca-branca (Bemisia argentifolli Bellows & Perring) tem causado sérios prejuízos em muitas áreas produtoras de feijão no Brasil. O dano indireto através da transmissão do vírus do mosaico dourado é um dos fatores limitantes na produção dessa espécie, podendo causar perdas de até 100%. Ao utilizar o tratamento de sementes para o controle dessa praga constatou-se que há compatibilidade do uso de inseticidas juntamente com fungicidas e que as combinações de tiametoxam+carboxin e tiametoxam+fludioxonil foram os que apresentaram maior eficiência no controle de fungos incidentes em sementes e da mosca-branca em plântulas até os onze dias após a emergência (BARROS et al., 2001). O uso de fungicidas também é de suma importância no controle de patógenos durante o estabelecimento da cultura e nas diferentes fases fenológicas de espécies agrícolas, pois além de proteger as sementes dos fungos causadores de doenças, garante a maior sobrevivência das plântulas e a sanidade das folhas os quais influenciam diretamente na produtividade da lavoura. A seguir serão exemplificadas algumas culturas agrícolas, o patógeno que ameaça a espécie vegetal e alguns produtos que podem ser utilizados para combater essas pragas. No feijoeiro é verificada baixa produtividade devido ao uso de sementes de má qualidade e alta susceptibilidade a doenças. Contudo, podridão radicular causada por diferentes espécies de fungos que habitam o solo é uma das principais enfermidades provocando grandes perdas de estande e vigor das plântulas. Nesse sentido, alguns fungicidas são utilizados no tratamento de sementes para baixar ou destruir o potencial do inóculo tais como: Captan 250 Moly, Captan 750 TS, VitavaxThiram PM, Benlate 500 e Rhodiauram 700 que se mostraram bastante eficientes no controle de Rhizoctonia solani Kuhn. (OLIVEIRA et al., 1997). A antracnose do feijoeiro comum, estimulada pelo fungo Colletotrichum lindemuthianum (Sacc. & Magn.) Scribner, é uma das doenças de maior importância desta cultura, afetando, em todo o mundo, as cultivares suscetíveis estabelecidas em localidades com temperaturas moderadas a frias e altas umidade relativa. Além do uso de sementes de boa qualidade, rotação de cultura, o tratamento de sementes com os fungicidas HEC 5725 isoladamente ou em mistura com Euparen tem-se 9 mostrado eficientes no controle do patógeno e proporcionado aumentos no estande de plântulas no campo (COSTA, 2002). O controle de nematóides pragas durante o estabelecimento de algumas culturas agrícolas, assim como de insetos e de fungos são preocupações frequentes dos produtores de sementes e grãos, haja vista que os mesmos podem acarretar sérios prejuízos e caso não seja feito um manejo adequado, parte ou toda a produção pode ser comprometida. Segundo Ribeiro et al. (2012) a cultura do algodão tem a sua produtividade afetada pela presença de nematóides que danificam a raiz da planta, tendo o tratamento de sementes se apresentado como maneira complementar no controle dessa praga quando utilizado diversos produtos ([imidacloprido + tiodicarbe], [piraclostrobina + tiofanato metílico + fipronil], [abamectina + azoxistrobina + mefenoxam + fludioxinil + tiametoxan]), destacando o tratamento contendo [piraclostrobina + tiofanato metílico + fipronil] por ter proporcionado melhor controle de Pratylenchus brachyurus na ausência de estresse hídrico. O mesmo autor acredita que o tratamento de sementes de algodão tenha proporcionado alterações benéficas nas plantas aumentando sua tolerância mesmo em condições de estresse hídrico, contribuindo para o melhor desenvolvimento inicial das plântulas devido à supressão na penetração e colonização pelos nematóides e consequentemente diminuição na reprodução e população final. Diversos foram os trabalhos que mostraram a viabilidade do tratamento de sementes no controle das pragas (COSTA, 2002; BUENO et al., 2010; VANIN et al., 2011). Além de serem seletivos para determinadas espécies, a quantidade de produto colocado nas sementes é bem inferior em relação às aplicações foliares, apresentando a vantagem de manter a fitossanidade da lavoura, reduzir os riscos de contaminação do meio ambiente e os custos de produção. 2.4 Alterações fisiológicas nas sementes e/ou morfológicas proporcionadas por produtos químicos Os inseticidas usualmente são empregados para o controle de pragas. Porém, poucos deles vêm sendo usado no tratamento de sementes por apresentarem atuação fisiológica nas plantas, com tendência delas estabelecerem 10 crescimento vigoroso e com melhor aproveitamento do seu potencial produtivo. Esse crescimento é conhecido como efeito fitotônico, o qual é caracterizado pelas vantagens positivas no crescimento e no desenvolvimento das plantas (CASTRO et al., 2008). O tiametoxan (3-(2-cloro-tiazol-5-ilmetil)-5-metil-[1,3,5] oxadiazinan-4-ilidenoN-nitroamina), é um inseticida sistêmico do grupo neonicotinóide, da família nitroguanidina que tem demonstrado efeito positivo como o aumento da expressão do vigor, acúmulo de fitomassa, alta taxa fotossintética e raízes mais profundas (ALMEIDA et al., 2011). É utilizado no controle de pragas iniciais, insetos sugadores e alguns mastigadores, atuando no receptor nicotínico acetilcolina dos insetos lesando o sistema nervoso e levando-os à morte (GAZZONI, 2008). Produtos químicos vêm sendo utilizados no tratamento de sementes como medida preventiva no controle de pragas iniciais durante o estabelecimento da cultura, sendo que, alguns podem provocar alterações fisiológicas e/ou morfológicas na planta. Segundo Soares et al. (2012), estudos vem demonstrando a capacidade de bioativadores incrementar o potencial fisiológico das sementes, como por exemplo, o tiametoxam. Essa molécula trouxe novas perspectivas para a agricultura, tendo sido comprovado que a mesma incrementa a germinação, emergência, comprimento de plântulas, melhora o desempenho das plântulas em situações de estresse e também aumenta os níveis totais de proteínas e enzima nas plantas. Bioativadores são sustâncias orgânicas complexas modificadoras do crescimento capazes de atuar em fatores de transcrição da planta e na expressão gênica, em proteínas de membrana alterando o transporte iônico e em enzimas metabólicas capazes de afetar o metabolismo secundário, de modo a melhorar a nutrição mineral, produzir precursores de hormônios vegetais, levando a síntese hormonal e a resposta da planta a nutrientes e hormônios. Dois potentes inseticidas têm demonstrado esse efeito, o tiametoxam e o aldicarb (CASTRO e PEREIRA, 2008). Para determinar se o tiametoxam se caracteriza como um regulador vegetal pertencendo ao grupo das giberelinas, auxinas ou citocininas, foram realizados biotestes, sobre condições controladas de laboratório com plantas-teste de tomateiro ‘Micro-Tom’ e com seus mutantes dgt (diageotrópico) insensível para auxina e brt (bushy root) auxina/citocinina, de raízes ramificadas. Concluiu-se que o tiametoxam 11 não afetou o desenvolvimento da raiz e da parte aérea das plântulas testadas de tomateiro, não possuindo atividade hormonal, não atuando, portanto como um regulador vegetal (CASTRO et al., 2007). O tiametoxam tem sido utilizado tanto para o tratamento de sementes como em pulverização foliar, o qual tem mostrado resultados bastante satisfatórios para diversas culturas agrícolas. A pulverização foliar em cana soca de cana-de-açúcar proporcionou aumento de área foliar, comprimento de raiz, ampliação da espessura do córtex da raiz, incremento do diâmetro do cilindro vascular e aumento do número de metaxilema. O tratamento de sementes de feijão proporcionou aumentos de área foliar, massa seca de parte aérea e a atividade da enzima nitrato redutase em folhas, enquanto a pulverização foliar aumentou a atividade da nitrato redutase e a atividade da fenilalanina amônia-liase em folhas (PEREIRA, 2010). Ainda segundo Pereira (2010) a aplicação de tiametoxam também proporcionou resultados positivos na cultura da soja, uma vez que o tratamento das sementes acarretou aumentos de aérea foliar, massa seca de parte aérea, comprimento de raiz e elevou os teores foliares de cálcio e magnésio das plantas, enquanto que a pulverização foliar com tiametoxam reduziu os teores de fósforo e cálcio nas folhas, mas aumentou os de potássio. No entanto, é válido destacar que ao utilizar doses de tiametoxam no tratamento de sementes e pulverização foliar o autor concluiu que doses menores (100 ml p.c por 100 kg de sementes) podem contribuir com o aumento dos parâmetros avaliados, enquanto doses maiores (200 ml p.c por 100 kg de sementes) pode não mostrar efeito ou causar fitotoxidez. Além do tratamento de sementes protegerem as plantas durante seu estabelecimento no campo, há evidências que promove maior vigor e gera maior produção. Em pesquisa com trigo primavera, constatou-se que o tiametoxam desempenha o papel de um regulador de crescimento, diferindo de outros autores, alterando a fisiologia da planta e mostrando potencial para aumentar a produção, pois o uso deste inseticida no tratamento das sementes incrementou o número de perfilhos férteis gerando aumento no índice de colheita. Apesar de não haver diferença no comprimento de raiz, alterações bioquímicas ocorrem favorecendo o surgimento de gemas adventícias, promovendo melhor absorção de água e nutrientes pela planta e proporcionando maior vigor nas fases iniciais do crescimento (MACEDO e CASTRO, 2011). 12 Vários autores afirmam que o tiametoxam acelera a germinação das sementes, além de apresentar melhor estande, emergência e arranque inicial (CASTRO et al. 2008; CLAVIJO, 2008; ALMEIDA et al., 2011). O tiametoxam exerce efeito sobre sementes com baixo vigor, fato observado por Soares et al. (2012) ao avaliar diferentes lotes de sementes de arroz através do teste de primeira contagem de germinação constatando que as sementes de baixo vigor tratadas com esse produto tiveram aumentos percentuais de 11 pontos, havendo também incremento no comprimento de raiz, não ocorrendo efeito para os lotes de alto vigor para a geminação. Avaliando o desempenho fisiológico de sementes de arroz tratadas com tiametoxam sob diferentes doses, Almeida et al. (2011) observaram efeito positivo da aplicação do ingrediente químico para todas as variáveis analisadas (geminação, primeira contagem, envelhecimento acelerado e comprimento de plântulas) quando comparadas com as sementes não tratadas, sendo detectado efeito fitotóxico ao utilizar doses elevadas. Esse produto age como um potencializador, permitindo a expressão do potencial germinativo das sementes, acelerando o crescimento das raízes e aumentando a absorção de nutrientes pela planta. As plantas sob condições de campo são normalmente expostas a vários fatores de estresses que podem reduzir sua capacidade de expressar e atingir todo seu potencial genético de produtividade. Plantas tratadas com tiametoxam são mais tolerantes a esses fatores de estresse, podendo responder melhor as condições adversas e, consequentemente, podem se desenvolver mais vigorosamente em condições subótimas, permitindo melhores chances de atingir seu potencial genético de produtividade (ALMEIDA et al., 2011). A utilização dos inseticidas tiametoxam e fipronil em tratamento de sementes de milho aumentou o acúmulo de fitomassa seca de raiz, caule e folha, demonstrando que, em condições de estresse por aumento da profundidade de semeadura, esses ingredientes ativos proporcionaram maior desenvolvimento das plântulas de milho, sendo que o fipronil proporcionou maior crescimento radicular (SILVA et al., 2009). Além do efeito fisiológico mencionado, o fipronil é um inseticida que age no ácido gama-aminobutírico (GABA-A), inibindo a entrada de íons Cl - no neurônio e, consequentemente, impede a sinapse entre as células neurais dos 13 insetos acarretando em sua morte, segundo Hainzl et al. (1998) citado por SILVA et al. (2009). Há alguns relatos do efeito fisiológico do fipronil nas plantas como o aumento do desenvolvimento da raiz e parte aérea, e de acordo com Kwak et al. (2001) e Klein et al. (2004), produtos que atuam em canais de íons, como é o caso do fipronil (canais de cloro) estão associados com o aumento da tolerância de plantas aos estresses bióticos e abióticos, pois esses íons agem na regulação estomática e, consequentemente, na regulação do déficit hídrico. Resultados de pesquisa comprovam a maior altura de plantas de milho com uso do fipronil no tratamento de sementes (CECCON et al., 2004). O uso dos inseticidas sistêmicos tiametoxam, imidacloprido e aldicarb no tratamento de sementes promove a formação de raízes mais finas de soja, o que caracteriza o efeito tônico, facilitando a absorção de nutrientes de pouca mobilidade no solo como o fósforo. Além disso, esses produtos não proporcionam maior crescimento de raiz, porém o aldicarb prejudica a germinação e o vigor (CASTRO et al., 2008). Diversos produtos químicos vêm sendo empregados no tratamento de sementes, especialmente na cultura da soja. O standak® top é uma mistura pronta contendo o inseticida fipronil do grupo pirazol, e os fungicidas piraclostrobina do grupo das estrubilurinas e metil tiofanato do grupo dos benzimidazois, seletivo para a cultura da soja, que quando utilizado em tratamento de sementes protege as plântulas contra o ataque de pragas, e fungos de sementes no período inicial de desenvolvimento da cultura. O cropstar® é um inseticida utilizado no controle de pragas sugadoras, mastigadoras (lagartas) e nematóides cujos princípios ativos são o imidacloprido + tiodicarbe. E o cruiser® é um inseticida sistêmico do grupo neonicotinóide, cujo princípio ativo é o tiametoxam utilizado no controle de pragas iniciais, insetos sugadores e alguns mastigadores sendo recomendado para diversas culturas agrícolas tais como: algodão, amendoim, arroz, feijão, milho, soja e trigo. Resultados contraditórios são observados entre os autores com relação ao efeito dos produtos inseticidas sobre a qualidade fisiológica de sementes. Alguns relatam que o uso do tiametoxam traz benefícios (SOARES et al., 2012; ALMEIDA et al., 2011, PEREIRA, 2010) enquanto outros afirmam que não afeta ou causa toxidez 14 podendo causar redução no estande inicial de plantas (CASTRO et al., 2008; PEREIRA et al.,2010). Vários tipos de produtos químicos vêm sendo utilizados no tratamento de sementes, especialmente na cultura da soja. Uma pesquisa foi realizada visando avaliar a qualidade fisiológica de sementes após tratadas com diferentes inseticidas, onde foi constatado que os tratamentos com tiametoxam, fipronil e imidacloprido não afetaram negativamente a qualidade das sementes nem o desenvolvimento inicial das plantas, porém os inseticidas [imidacloprido + tiodicarbe] prejudicaram a germinação e o vigor das sementes de soja (DAN et al., 2012a). Por outro lado, são escassas as informações sobre o efeito desses produtos sobre a qualidade das sementes de feijão, em especial, o Vigna unguiculata. 2.5 Interações do tratamento de sementes com o armazenamento O armazenamento adequado das sementes deve ser realizado tão logo quanto possível para preservar a sua qualidade desde a colheita até a semeadura na safra seguinte, passando a ser responsabilidade do homem a conservação das mesmas. Contudo, o armazenamento das sementes inicia-se algum tempo antes que seja realizada a colheita, ou seja, a partir do momento em que elas atingem o ponto de maturidade fisiológica. Nesse estádio, porém, ainda apresentam alta umidade e por isso devem permanecer mais tempo no campo até que possam ser colhidas. Dessa forma, o principal objetivo do armazenamento é a manutenção da qualidade fisiológica das sementes reduzindo ao mínimo a deterioração (BAUDET e VILLELA, 2012). Os problemas de armazenamento de produtos agrícolas constituem objeto de pesquisa permanente visando ao máximo prolongar a qualidade destes produtos. Segundo diversos pesquisadores, o prejuízo anual que a economia das nações sofre em consequência das perdas de pós-colheita é muito grande, devido a fatores como ataque de insetos, fungos e roedores. Além disso, as sementes podem perder sua capacidade de germinar e produzir planta vigorosa e sadia (BRAGANTINI, 2005). A longevidade das sementes é influenciada por características físicas, fisiológicas e sanitárias e pelas condições de armazenagem, sobretudo teor de água da semente e temperatura do ambiente. Dependendo da qualidade inicial das 15 sementes e das condições de armazenamento, poderá ocorrer preservação da qualidade fisiológica ou intensificar o processo de deterioração das mesmas. A redução do teor de água das sementes e da temperatura do ambiente, associado ao tratamento químico tende a prolongar a longevidade das mesmas. No entanto, a combinação de alto teor de água e temperatura elevada são condições favoráveis para a proliferação de fungos e infestação de insetos, ocasionando redução do vigor e consequentemente a perda de viabilidade (CARVALHO e NAKAGAWA, 2012; FERREIRA e BORGHETTI, 2004). As culturas agrícolas destinadas à produção de alimentos estão sujeitas a ataque de pragas e doenças. Nesse sentido alguns autores vêm realizando pesquisas no sentido de aplicar produtos químicos como fungicidas e/ou inseticidas nas sementes antes de realizar a semeadura com vistas a proteger as sementes, e as plântulas delas originadas, ou analisar o efeito desses produtos sobre a qualidade das sementes armazenadas. Na impossibilidade do armazenamento de sementes comerciais de feijão, e de outras espécies, em ambiente controlado ou em regiões que apresentem condições climáticas favoráveis, a adoção de medidas que possam contribuir para a melhor conservação é importante. Uma delas seria o emprego de fungicidas com a finalidade de prevenir ou impedir a associação de microrganismos às sementes durante o período de armazenamento e oferecer proteção à emergência e desenvolvimento inicial das plântulas no campo. No entanto, os benefícios da aplicação de fungicidas antes do armazenamento de lotes de sementes de feijão dependem da qualidade fisiológica e sanidade das mesmas, do produto utilizado e período durante o qual permanecem armazenadas (NOVEMBRE e MARCOS FILHO, 1991). O tratamento de sementes é uma prática cada vez mais utilizada para diferentes culturas, e à medida que aumenta o valor da semente e a importância de proteger e/ou melhorar seu desempenho surgem no mercado novos produtos com diferentes finalidades, entre elas proteção como os fungicidas e inseticidas e nutrição como os micronutriente, tendo em vista a melhoria do aspecto fisiológico e econômico. Porém, o uso desses produtos para posterior armazenamento das sementes nem sempre traz benefícios à qualidade fisiológica e muitas vezes podem 16 se tornar tóxico dependendo do tipo, dose e período de tempo em que ficam estocadas (AVELAR et al., 2011). Outro agravante a ser considerado com relação ao tratamento de sementes, são as condições de armazenamento que nem sempre são ideais, ficando as sementes expostas às condições naturais de armazém sob altas temperaturas e umidade relativa às quais podem comprometer seu desempenho fisiológico (DAN et al., 2011). Essa prática de tratamento vem sendo adotada para diversas culturas, especialmente a soja. Ao testar o efeito de inseticidas sobre a qualidade fisiológica de suas sementes durante o armazenamento pode-se constatar que fipronil, tiametoxam, imidacloprido e [imidacloprido + thiodicarbe] estabeleceu, ainda, níveis de vigor acima de 80% durante o período de 45 dias. No entanto com o prolongamento do armazenamento a qualidade da semente reduziu, sendo mais viável tratá-las antes da semeadura (DAN et al., 2010). O armazenamento por 30 dias de sementes de sorgo com inseticidas influenciou negativamente a germinação, mas trouxe efeitos benéficos na emergência de plântulas principalmente com o uso dos inseticidas fipronil e a mistura tiametoxam + fipronil, sendo que, o acephate causou maior fitotoxidade às plântulas (VANIN et al., 2011). Barros et al. (2005) ao pesquisar o efeito do armazenamento na compatibilidade de fungicidas e inseticidas no tratamento de sementes de feijão comum puderam observar que houve compatibilidade entre os produtos químicos testados e as sementes podiam permanecer armazenadas por até 120 dias antes da semeadura sem causar prejuízos a germinação. A maior compatibilidade entre os produtos foram importantes no controle da lagarta elasmo e dos fungos de armazenamento. O tratamento das sementes de girassol com inseticidas tiodicarbe, [tiodicarbe + imidacloprido], tiametoxan, imidacloprido e fipronil foram eficazes no controle de algumas pragas, com exceção do produto azaractina. Contudo, ao avaliar a qualidade fisiológica das sementes durante o armazenamento notou-se que em algum período eles influenciaram o índice de velocidade de emergência, mas não prejudicaram a germinação nem tampouco a emergência de plântulas até quatro meses após tratadas (BUENO et al., 2010). 17 O uso de fungicidas no tratamento de sementes é importante para protegê-las das condições adversas de campo durante o estabelecimento da planta, bem como da infestação e infecção por fungos de armazenamento. Ao estudar o efeito dos produtos thiabendazole + thiram e carbendazin + thiram sobre a qualidade fisiológica das sementes de soja antes e após seis meses de armazenamento constatou-se que os mesmos melhoraram o desempenho das sementes e a qualidade sanitária (PEREIRA et al., 2011). Nas sementes de feijão-caupi é comum ocorrer o ataque de insetos durante o armazenamento, fator este que vem a prejudicar a sua qualidade física e fisiológica e quando se trata de grão tornasse inviável para o consumo. Para manter e preservar as características das sementes algumas medidas podem ser tomadas como a aplicação de produtos previamente a semeadura, ou antes do armazenamento, protegendo respectivamente das pragas de campo e de armazém. Segundo Almeida et al. (2009) extrato de pimenta pode ser utilizado no controle da infestação por insetos sem prejudicar a qualidade fisiológica. O uso de produtos naturais para o tratamento de sementes de feijão-caupi no estado da Paraíba é um prática comum utilizada por alguns agricultores devido à facilidade de acesso e a dificuldade de adquirir produtos químicos. Além disso, caso as sementes não sejam utilizadas para a semeadura pode ser utilizada para o consumo humano ou animal. Nesse sentido, pesquisas têm sido realizadas usando produtos naturais e químicos para investigar o efeito protetor sobre a qualidade fisiológica e longevidade das sementes. Felismino et al. (1999) ao tratar as sementes de feijão-caupi e comum com captan, malathion, óleo de dendê e extrato de aroeira, aplicados puros e misturados e acondicionados em embalagens (metálica e sacos) e armazenado em ambiente não controlado, constataram que os tratamentos compostos por captan juntamente com óleo de dendê ou extrato de aroeira reduziu a incidência de fungos nas sementes e proporcionou maior germinação e vigor. 18 3 MATERIAL e MÉTODOS O experimento foi conduzido no Laboratório de Análise de Sementes da Universidade Federal da Paraíba/UFPB, no Centro de Ciências Agrárias no município de Areia, Paraíba. Foram utilizadas sementes de feijão-caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp.), da cultivar BRS Cauamé safra 2011/2012 colhidas em setembro de 2011. Foram realizados os seguintes tratamentos de sementes: 1testemunha (sem tratamento); 2- Micronutriente COMOL 118 (composto por cobalto 1% e Molibdênio 8%, sendo utilizado 300 mL 100kg-1 de sementes), 3- inseticida tiametoxam (Cruiser 350FS® - 300mL 100kg-1 de sementes), 4- Inseticida e fungicidas: fipronil e piraclostrobina+tiofanato metílico (Standak® top - 200mL 100kg1 de sementes), 5-Imidacloprido+tiodicarbe (Cropstar® - 300mL 100kg-1 de sementes). Para que a calda total (produto + água) atingisse o volume máximo de 600 mL 100 kg-1 de sementes foi adicionado água. O recobrimento das sementes foi feito manualmente, o qual consistiu em colocar 1,8 ml de calda no fundo de saco plástico transparente, espalhar, adicionar 300g de sementes e em seguida agitá-las até obter uma distribuição uniforme, essa técnica foi realizada sucessivas vezes até se obter 3kg de sementes para cada tratamento. Após o tratamento, parte das sementes foi submetida à avaliação da qualidade fisiológica inicial e a outra parte foi dividida em amostras de 300g e acondicionada em embalagem plástica com espessura de 0,125 mm e armazenadas em ambiente natural (não controlado) cuja temperatura média foi de 27°C e umidade relativa de 63% e em câmara de conservação de sementes sob temperatura de 16°C e 60% UR para serem avaliadas aos 45, 90, 135 e 180 dias, sendo que as mesmas ficaram armazenadas desde março a agosto de 2012. Foi determinado o teor de água das sementes inicialmente e a cada período de armazenamento e para a avaliação da qualidade fisiológica das sementes realizou-se o teste de germinação e vigor (primeira contagem de germinação, envelhecimento acelerado, comprimento de plântulas, emergência e índice de velocidade de emergência), como descrito a seguir: O teor de água foi determinado pelo método da estufa a 105 ± 3°C durante 24 horas, efetuando-se quatro repetições de 10 g por tratamento conforme descrito nas regras para análise de sementes (BRASIL, 2009); 19 Teste padrão de germinação foi realizado utilizando-se 200 sementes por tratamento, semeadas em papel Germitest e umedecido com água destilada equivalente a três vezes o peso do papel seco, sendo posteriormente mantidas em germinador regulado a 25 °C. As contagens foram feitas aos cinco e oito dias após a semeadura conforme prescreve Brasil (2009). Primeira contagem de germinação - foi conduzido juntamente com o teste de germinação sendo a contagem realizada aos cinco dias após a semeadura. Envelhecimento acelerado - amostras de 200 sementes foram distribuídas sobre tela suspensa no interior de caixa plástica tipo gerbox, contendo 40 mL de água destilada, que foram em seguida mantidas em incubadora tipo BOD, regulada a 42°C, durante 48 horas (DUTRA e TEÓFILO, 2007). Decorrido o período de exposição, as sementes foram colocadas para germinar conforme descrito na metodologia para o teste de germinação, sendo a contagem realizada aos cinco dias após a semeadura. Comprimento de plântulas - foram empregadas 20 sementes por repetição que foram semeadas no papel germitest pré-umedecido, sobre uma linha traçada no terço superior, no sentido longitudinal conforme prescreve Nakagawa (1999). Aos cinco dias após a semeadura as plântulas normais foram medidas desde a ponta da raiz até a inserção dos cotilédones, sendo os resultados expressos em cm. Teste de emergência foram utilizadas 100 sementes distribuídas em quatro repetições de 25 sementes, semeadas em areia lavada utilizando a profundidade de semeadura de 3 cm. A contagem final foi realizada aos 12 dias após a semeadura quando houve a estabilização das plântulas, sendo os resultados expressos em porcentagem. O índice de velocidade de emergência foi realizado juntamente com o teste de emergência com contagem diária das plântulas emergidas e calculado através da fórmula proposta por Maguire (1962). Delineamento experimental O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado em esquema fatorial 2 x 5 x 5 (2 ambientes de armazenamento, 5 tratamentos de sementes e 5 períodos de armazenamento) com quatro repetições. Os dados foram submetidos à análise de variância, sendo os efeitos dos tratamentos avaliados pelo teste F. Para a avaliação do fator período de armazenamento foi realizada a análise 20 de regressão polinomial. Nas épocas de 0, 90 e 180 dias de armazenamento avaliaram-se os efeitos dos tratamentos dentro de cada período e tipo de armazenamento, utilizando-se o teste de Duncan, ao nível de 5% de probabilidade. 4 RESULTADOS e DISCUSSÃO A análise da variância indicou que houve interação significativa para os tratamentos e períodos de armazenamento para todas as variáveis analisadas (anexo). A determinação do teor de água das sementes mostrou que houve um pequeno acréscimo na umidade inicial das sementes de 11,2 durante o período de armazenamento para 0,3 pontos percentuais. Este aumento pode ser explicado pelo equilíbrio higroscópico das sementes que é de 12% para sementes armazenadas a 60% de umidade relativa e 25°C, condições essas similares às utilizadas nesse estudo. As sementes tratadas com os diferentes produtos praticamente não apresentaram diferenças com relação ao valor do teor de água durante o armazenamento, sendo importante destacar que para obter melhor conservação da qualidade das sementes é desejável que o teor de água das sementes seja igual ou inferior a 12%. Pois segundo Baudet e Villela (2012) há uma estreita relação entre o teor de água das sementes com o potencial de armazenamento, sendo que para cada diminuição de 1% no teor de água das sementes implica na duplicação do potencial de armazenamento. O potencial de armazenamento das sementes pode ser influenciado por vários fatores, desde a fase de produção no campo, procedimentos de colheita e processamento, no entanto, todo investimento empregado nessas etapas pode ser desperdiçado se não forem utilizadas práticas adequadas de armazenamento que proporcionem melhores condições de preservá-las. Nesse sentido, é importante reduzir o teor de água das sementes porque irá minimizar a atividade respiratória, reduzir o consumo das reservas e consequentemente irá conservá-las por mais tempo, principalmente, se mantidas em ambiente com controle de temperatura e umidade relativa do ar (MENEZES e VILLELA, 2009). 21 Logo após o tratamento das sementes, anteriormente ao armazenamento (Tabela 1), verificou-se que os tratamentos T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) e T5 (imidacloprido+tiodicarbe) apresentaram efeito estimulante sobre a germinação das sementes de feijão-caupi, o mesmo não acontece para os tratamentos T2 (micronutrientes) e T3 (tiametoxam) que apresentam comportamento semelhante à testemunha (T1). A germinação das sementes de feijão-caupi sofreu influencia dos tratamentos antes e após armazenamento, discordando do observado em girassol no qual os produtos não interferiram na germinação antes do armazenamento, e também aos 30 dias do início do armazenamento, com exceção do tratamento com (imidacloprido+tiodicarbe) que reduziu o potencial de germinação e índice de velocidade de emergência, devido ao efeito tóxico deste produto sobre a qualidade fisiológica das sementes (DAN et al., 2012b). Conforme observado na figura 1A, verifica-se que a germinação das sementes tratadas com T2 (micronutrientes), T3 (tiametoxam) e T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) não sofreram influência do tempo de armazenamento quando mantidas em ambiente natural. Por outro lado, as sementes não tratadas (T1) e tratadas com os produtos de T5 (imidacloprido+tiodicarbe) foram responsáveis por redução de 10 e 9% respectivamente na viabilidade das sementes com o tempo de armazenamento com valores mais reduzidos observados na testemunha ao longo dos períodos de avaliação sendo explicado pelos coeficientes de determinação da linha de tendência que foram superiores a 80. Segundo Dan et al. (2011) em soja o comportamento foi semelhante ao feijãocaupi para o tratamento tiametoxam-T4, o qual também não foram influenciado pelo tempo de armazenamento. Diferente do observado no presente estudo, as sementes não tratadas de soja não foram afetadas pelo tempo de armazenamento e os produtos (imidacloprido+tiodicarbe) causaram prejuízo a germinação. 22 100 AMBIENTE NATURAL (A) GERMINAÇÃO (%) 90 80 T1 yT1= -0,044x + 89 R² = 0,86 70 T2 T3 yT2= ns yT5= -0,05x + 93 R² = 0,83 yT3= ns 60 T4 T5 yT4= ns 50 0 100 45 90 TEMPO (dias) 135 180 AMBIENTE CONTROLADO (B) GERMINAÇÃO (%) 90 80 T1 yT1= -0,046x + 88,8 R² = 0,92 70 yT2= -0,044x + 87,78 R² = 0,75 60 yT3= -0,049x + 89,9 R² = 0,97 T2 T3 yT4= -0,113x + 94,9 R² = 0,98 T4 T5 yT5= -0,087x + 95,6 R² = 0,89 50 0 45 90 TEMPO (dias) 135 180 Figura 1. Germinação de sementes de feijão-caupi armazenadas em ambiente natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos: T1Testemunha; T2-Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe. No ambiente controlado (Figura 1B) observa-se que todos os tratamentos demonstraram uma tendência de redução, apresentando, no entanto, porcentagem de germinação ainda superior a 80% ao longo de todo o período de armazenamento. Exceção ocorreu apenas para o tratamento com (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico)-T4 que demonstrou redução mais acentuada, atingindo valor de 23 germinação de 74% aos 180 dias, confirmando maior efeito desse produto sobre a germinação em função do período de armazenamento. Ainda no ambiente controlado (Figura 1B) podemos observar que os tratamentos T1 (testemunha), T2 (micronutrientes) e T3 (tiametoxam) apresentaram comportamento similar de redução ao longo do período de armazenamento. Sendo que o T5 (imidacloprido+tiodicarbe) sofreu redução mais acentuada de qualidade perdendo 2,6 pontos percentuais por mês. Mesmo assim, este produto proporciona efeito benéfico sobre a germinação das sementes até os 135 dias de armazenamento ainda com porcentagem de germinação de 84%, demonstrando, em geral, resultado superior à testemunha. Na tabela 1 verifica-se valores inferiores para o potencial de germinação nos tratamentos T1 (testemunha) e T3 (tiametoxam) aos 180 dias, quando mantidos em ambiente natural. Vale ressaltar que esses dois tratamentos são estatisticamente semelhantes em todos os períodos de armazenamento, nos dois ambientes. Em um tipo de milho híbrido observou-se que o tratamento com tiametoxam também afetou a viabilidade das sementes ao longo do armazenamento nos dois ambientes. Além disso, causou prejuízo a germinação já que as sementes tratadas apresentavam resultados inferiores àquelas sem tratamento (TONIN, 2008). Em feijão-caupi, em nenhum momento o tiametoxam apresentou resultados inferiores as não tratadas. Tabela 1. Germinação das sementes de feijão-caupi tratadas com inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante 180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente controlado. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe. TRAT 1 2 3 4 5 CV (%) 0 A1, A2 88 C 89 C 90 BC 94 AB 95 A Períodos de armazenamento 90 A1 A1 85 Ba 85 Aba 88 Aba 81 Bb 89 Aba 86 Aba 92 Aa 86 ABb 89 Aba 87 Aa 3,9 (dias) A1 79 Ba 87 Aa 79 Ba 85 Aa 85 Aa 180 A2 81 Aa 80 Ab 82 Aa 73 Bb 78 Ab Médias seguidas das mesmas letras maiúsculas na coluna e minúsculas na linha não diferem entre si (Duncan 5%). 24 Avaliando ainda o vigor das sementes por meio do teste de primeira contagem de germinação (Figura 2A) observa-se que quando mantidas em ambiente natural ocorre a tendência de redução linear para todos os tratamentos com o prolongamento do armazenamento, exceto para o T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico), sendo essa redução de 22,6 pontos percentuais para T1 (testemunha) e 5,4 para T2 (micronutrientes). O T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) reduz o vigor até os 90 dias e depois se mantém praticamente inalterado até os 180 dias. Também se pode observar que nesse ambiente todos os tratamentos (Tabela 2) foram melhores que a testemunha aos 180 dias. Logo após tratadas, as sementes (Tabela 2) contendo os produtos T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) e T5 (imidacloprido+tiodicarbe) apresentam vigor, avaliado pela primeira contagem de germinação, superior ao T2 (micronutrientes), não diferindo, no entanto, de T1 (testemunha) e T3 (tiametoxam). Portanto, nesse momento os tratamentos não favoreceram nem prejudicaram o vigor das sementes. No ambiente controlado (Figura 2B) também se observa redução do vigor com o prolongamento do armazenamento para os tratamentos T1 (testemunha), T3 (tiametoxam) e T5 (imidacloprido+tiodicarbe), sendo mais expressiva essa redução no T5 com 28,4 pontos percentuais e menos acentuado no T3 com 15,6. No tratamento T2 (micronutrientes) há redução do vigor até os 135 dias, mantendo-se a qualidade a partir daí até os 180 dias. O tratamento T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) se destaca por afetar mais intensamente a qualidade fisiológica das sementes após 90 dias de armazenamento indicando que algum desses ingredientes ativos possa ter causado efeito fitotóxico sobre as sementes, a partir desse momento sob condições controladas. É válido destacar que até os 45 dias de armazenamento os tratamentos mantém o vigor das sementes acima de 80%, exceção feita apenas para T1 (testemunha) e T2 (micronutrientes) no ambiente controlado (Figura 2B). Dessa forma, supõe-se que os tratamentos com ingredientes ativos protetores (inseticidas e fungicidas) beneficiaram a qualidade fisiológica das sementes neste período, em ambiente controlado. Nos demais períodos de armazenamento aos 90, 135 e 180 25 dias o T3 (tiametoxam) proporcionou um maior vigor de sementes em relação a testemunha, o que ocorreu também com o T5 (imidacloprido+tiodicarbe). PRIMEIRA CONTAGEM (%) 100 AMBIENTE NATURAL (A) 80 yT1= -0,127x + 89 R² = 0,97 60 T1 T2 yT2= -0,03x + 84,5 R² = 0,90 40 20 T3 yT4= 0,0006x² - 0,19x + 91,3 R² = 0,97 T4 T5 yT3= -0,079x + 87,4 R² = 0,79 yT5= -0,082x + 91,7 R² = 0,94 0 0 PRIMEIRA CONTAGEM (%) 100 45 90 TEMPO (dias) 135 180 AMBIENTE CONTROLADO (B) 80 60 yT1= -0,133x + 86,3 R² = 0,98 yT2= 0,0007x² - 0,207x + 83,8 R² = 0,97 40 20 yT3= -0,087x + 88,7 R² = 0,97 T1 T2 T3 T4 yT4 = -0,0008x² - 0,09x + 92,3 R² = 0,99 T5 yT5= -0,158x + 95,6 R² = 0,86 0 0 45 90 TEMPO (dias) 135 180 FIGURA 2. Primeira contagem de germinação das sementes de feijão-caupi armazenadas em ambiente natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam; T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5Imidacloprido+tiodicarbe. 26 O teste baseia-se no princípio de que as amostras que apresentarem a maior porcentagem de plântulas normais na primeira contagem de germinação são as mais vigorosas, indiretamente avaliando a velocidade de germinação (BRASIL, 2009). Portanto, à medida que reduz a agilidade de resposta das sementes para iniciar a germinação infere-se que apresenta menor possibilidade de expressar seu potencial fisiológico, de originar plântulas normais, fortes e sobreviverem às condições desfavoráveis de campo. Tabela 2. Primeira contagem de germinação das sementes de feijão-caupi tratadas com inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante 180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente controlado. Tratamentos: T1-Testemunha; T2Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe. TRAT 1 2 3 4 5 CV (%) 0 A1, A2 88 AB 85 B 88 AB 92 A 92 A Períodos de armazenamento (dias) 90 A1 A1 A1 80 Ba 73 Bb 66 Ca 83 ABa 72 Bb 79 Aa 79 Ba 82 Aa 71 BCa 80 Ba 75 Ba 77 ABa 87 Aa 82 Aa 78 Aa 5,5 180 A2 62 Ba 69 Ab 72 Aa 47 Cb 62 Bb Médias seguidas das mesmas letras maiúsculas na coluna e minúsculas na linha não diferem entre si (Duncan 5%). Observando a porcentagem de germinação das sementes após o envelhecimento acelerado verifica-se que antes do armazenamento (Tabela 3) os tratamentos T2 (micronutrientes) e T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) apresentaram qualidade superior a T1 (testemunha), sendo que o T3 (tiametoxam) mostrou-se inferior a testemunha e aos demais tratamentos. Diferindo dos resultados obtidos por Almeida et al. (2009), pois ao tratar sementes de cenoura com tiametoxam constatou-se que o produto gerava incrementos variando de 2 a 11 pontos percentuais. Durante o armazenamento em ambiente natural (Figura 3A) pode-se notar que T1 (testemunha) e T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) apresentaram comportamento semelhante de redução linear, com o segundo tratamento apresentando comportamento superior ao longo do período. O tratamento T2 27 (micronutrientes) diminuiu intensamente até em torno de 120 dias 22,9 pontos percentuais, e a partir daí o comportamento é mantido até o final. O T3 (tiametoxam) tende a aumentar a qualidade das sementes em 4,9 pontos percentuais até os 90 dias, decrescendo a partir daí, enquanto o T5 (imidacloprido+tiodicarbe) não foi afetado pelo armazenamento. ENVELHECIMENTO (%) 100 AMBIENTE NATURAL (A) 80 60 T1 yT1= -0,137x + 82,6 R² = 0,86 T2 40 yT2= 0,002x² - 0,431x + 88,13 R² = 0,97 T3 yT4= -0,132x + 89,1 R² = 0,86 T4 T5 20 yT3= -0,0006x² + 0,109x + 72,7 R² = 0,95 yT5= ns 0 0 45 ENVELHECIMENTO (%) 100 90 TEMPO (dias) 135 180 AMBIENTE CONTROLADO (B) 80 60 yT1= -0,048x + 81,6 R² = 0,87 40 yT2= -0,087x + 85 R² = 0,77 20 T1 yT4= 0,001x² - 0,271x + 88,08 R² = 0,84 T2 T3 T4 yT5= -0,078x + 82,7 R² = 0,92 T5 yT3= ns 0 0 45 90 TEMPO (dias) 135 180 Figura 3. Envelhecimento acelerado de sementes de feijão-caupi armazenadas em ambiente natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe. 28 Como pode ser observado o tiametoxam inicialmente causou efeito negativo sobre a qualidade das sementes logo após a aplicação, sendo que no decorrer de três meses de armazenamento ele expressou o seu efeito estimulante, nesse momento os resultados do presente estudo vão de acordo com o afirmado por Almeida et al. (2009) sobre o efeito desse produto proporcionando melhor expressão do potencial fisiológico das sementes. Pode-se constatar que até os 90 dias de armazenamento em ambiente natural o T3 (tiametoxam) proporcionou elevação no desempenho das sementes, caracterizando um efeito benéfico, já que elevou a capacidade das sementes germinarem após terem sofrido estresse de alta temperatura e umidade relativa por intermédio do teste de envelhecimento acelerado (Figura 3A). Aos 135 dias (Tabela 3) nota-se que os tratamentos com inseticidas e fungicidas conferiram efeito benéfico sobre a qualidade fisiológica das sementes diferentemente do tratamento T2 (micronutrientes), o qual apresentou resultado semelhante ao T1 (testemunha). Nos estudos realizados com sementes de soja também se verificou que os tratamentos testemunha e micronutrientes interferiram na qualidade das sementes durante o armazenamento para o teste de envelhecimento acelerado, fato não evidenciado para o teste de germinação, primeira contagem e para o comprimento de plântulas (AVELAR et al., 2011). Tabela 3. Envelhecimento acelerado de sementes de feijão-caupi tratadas com inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante 180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente controlado. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam; T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato+metílico; T5Imidacloprido+tiodicarbe. TRAT 1 2 3 4 5 CV (%) 0 A1, A2 82 C 89 AB 73 D 90 A 84 BC Períodos de armazenamento (dias) 90 A1 A1 A1 65 Cb 78 Aa 60 Db 65 Cb 77 Aa 66 Ba 78 Aa 77 Aa 71 Aa 74 ABa 73 Aa 63 BCb 71 Ba 74 Aa 54 Db 5,7 180 A2 72 Aa 71 Aa 75 Aa 73 Aa 71 Aa Médias seguidas das mesmas letras maiúsculas na coluna e minúsculas na linha não diferem entre si (Duncan 5%). 29 Pode-se observar que a variação de comportamento no ambiente controlado (Figura 3B) foi menos acentuada que no ambiente natural (Figura 3A), como esperado devido às condições de baixa temperatura e umidade relativa do ar. Notou-se que os tratamentos T1 (testemunha), T2 (micronutrientes) e T5 (imidacloprido+tiodicarbe) proporcionaram reduções lineares semelhantes. O tratamento T4 teve a tendência de reduzir de forma mais acentuada com 16,3 pontos percentuais até os 90 dias, estabilizando posteriormente. O T3 não sofreu efeito do tempo de armazenamento. De uma maneira geral, no ambiente controlado (Tabela 3) não ocorreram diferenças entre os tratamentos nos diversos períodos de armazenamento, para o vigor de sementes avaliado pelo teste de envelhecimento acelerado. É natural que as sementes percam vigor com o aumento do tempo de armazenamento, sendo que o tratamento das mesmas com produtos químicos pode acelerar ou retardar essa redução no vigor, dependendo do produto utilizado e da espécie considerada e das condições de armazenamento. No entanto, segundo Carvalho e Nakagawa (2012), as melhores condições para a manutenção da qualidade da semente são aquelas de baixa umidade relativa do ar e temperatura, pelo fato de manterem a semente em baixa atividade metabólica. Logo após o tratamento das sementes, no tempo zero, (Tabela 4) os produtos não afetaram o comprimento de plântulas comparativamente ao tratamento T1 (testemunha), embora o T5 (imidacloprido+tiodicarbe) tenha proporcionado plântulas maiores que o T3 (tiametoxam). Sementes de arroz tratadas com tiametoxam tiveram desempenho superior de comprimento de plântulas em relação à testemunha não tratada (ALMEIDA et al., 2011). Em trabalho com sementes de soja os resultados foram semelhantes ao presente estudo com relação ao tiametoxam, no entanto, com sete dias de armazenamento notou-se que o produto químico [imidacloprido+tiodicarbe] foi responsável por reduções de 0,185 cm por dia no comprimento de plântulas (DAN et al., 2011). Em outro trabalho com soja foi constatado aumento no comprimento de raiz e parte aérea, no qual as raízes se apresentaram mais delgadas e longas caracterizando o efeito fitotônio influenciando positivamente na melhor absorção de nutrientes pela planta. Tal fato ocorreu quando estes parâmetros foram analisados logo após as sementes serem tratadas com os ingredientes químicos tiametoxam e 30 imidacloprido (CASTRO et al., 2008). Esse efeito não foi verificado em feijão-caupi logo após as sementes serem tratadas já que o comprimento das plântulas não foi afetado pelos produtos. Ao avaliar o vigor das sementes armazenadas em ambiente natural por meio do teste de comprimento de plântulas (Figura 4A) verifica-se que sementes tratadas com T2 (micronutrientes), T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) e T5 (imidacloprido+tiodicarbe) proporcionaram redução no crescimento ao longo do período de armazenamento, enquanto os demais tratamentos não foram afetados. Em sementes de soja, também foi observado que o tratamento com tiametoxam não provocou efeito durante o período de armazenamento, não interferindo no comprimento das plântulas (DAN et al., 2011). Na figura 4A observa-se que o tratamento T2 (micronutrientes) logo após o armazenamento das sementes foi o que mais interferiu negativamente no desenvolvimento das plântulas com uma queda mais acentuada de qualidade no período inicial de armazenamento. Inicialmente o T5 (imidacloprido+tiodicarbe) proporciona desenvolvimento superior aos demais tratamentos, apresentando valor de 21,28 cm, mas à medida que as sementes envelhecem o produto interfere reduzindo 5,04 cm no crescimento das plântulas até o período de 180 dias de armazenamento. O T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) reduz a qualidade fisiológica em 2,07 cm até os 90 dias, mas depois praticamente não ocorre variação. No ambiente controlado (Figura 4B) também nota-se redução do vigor das sementes com o aumento dos períodos de avaliação, com exceção do T5 (imidacloprido+tiodicarbe) que não sofreu influencia do armazenamento. Os produtos do tratamento T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) proporcionam uma redução centuada de qualidade de 3,6 cm até 90 dias, estabilizando a partir desse momento. E ao final de 180 dias os tratamentos que menos preservaram a qualidade fisiológica das sementes foram respectivamente, T3 (tiametoxam) e T1 (testemunha), embora não diferindo (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico). de T2 (micronutrientes) e T4 31 25 AMBIENTE NATURAL (A) COMPRIMENTO (cm) 20 15 T1 yT1= ns 10 yT2= 0,0003x² - 0,066x + 19,5 R² = 0,96 yT4= 0,0001x² - 0,032x + 18,9 R² = 0,89 T2 yT5= -0,028x + 21,28 R² = 0,94 T4 T3 T5 5 yT3= ns 0 0 25 45 90 TEMPO (dias) 135 180 AMBIENTE CONTROLADO (B) COMPRIMENTO (cm) 20 15 T1 yT1= -0,019x + 19,75 R² = 0,99 10 yT2= -0,017x + 19,63 R² = 0.99 5 T2 yT4= 0,0002x² - 0,058x + 18,9 R² = 0,93 T3 T4 yT5= ns T5 yT3= -0,016x + 18,31 R² = 0,93 0 0 45 90 TEMPO (dias) 135 180 Figura 4. Comprimento de plântulas de feijão-caupi armazenadas em ambiente natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos: T1Testemunha; T2-Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe. Apesar de não ter ocorrido alteração muito acentuada do comprimento de plântulas ao longo do período de armazenamento, evidenciou-se redução do vigor nos testes de primeira contagem de germinação (Figura 2) envelhecimento acelerado (Figura 3), emergência (Figura 5) e índice de velocidade de emergência de plântulas (Figura 6). Portanto é válido destacar que independente dos 32 tratamentos agregados às sementes, estas tendem a perder o vigor, pois o processo de deterioração natural é inevitável e irreversível. É válido destacar que os ingredientes químicos de inseticidas e fungicidas tenderam a manter a qualidade das sementes quando comparado com a testemunha (T1). Inclusive nos testes de primeira contagem de germinação e envelhecimento acelerado, em diversos períodos de armazenamento proporcionaram efeito benéfico sendo superiores a testemunha. No teste de envelhecimento acelerado o T3 (tiametoxam) proporcionou efeito envigorante às sementes até os 90 dias de armazenamento, no ambiente natural. O tratamento T2 (micronutrientes) mostrou-se semelhante às sementes não tratadas (T1), não beneficiando nem prejudicando seu comportamento, exceção feita apenas aos 90 e 135 dias de armazenamento nos testes de emergência e IVE no ambiente natural nos quais foi evidenciado efeito prejudicial desse tratamento. Segundo Zimmer (2012) os sinais da deterioração das sementes aparecem à medida que o armazenamento avança e se manifesta com a redução do crescimento das plântulas, percentagem de germinação, emergência, aumento no número de plântulas anormais, entre outros fatores, demonstrando redução do vigor. Tabela 4. Comprimento de plântulas de feijão-caupi tratadas com inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante 180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente controlado. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe. TRAT 1 2 3 4 5 CV (%) 0 A1, A2 19,9 AB 19,5 AB 18,0 B 18,8 AB 20,7 A Períodos de armazenamento (dias) 90 A1 A1 A1 16,4 Aa 17,9 Aa 17,6 Aa 16,4 Aa 18,2 Aa 17,7 Aa 17,4 Aa 16,9 ABa 16,9 Aa 17,3 Aa 15,4 Ba 17,9 Aa 18,8 Aa 18,8 Aa 16,0 Ab 9,6 180 A2 16,2 Ba 16,5 ABa 15,2 Ba 17,1 ABa 18,9 Aa Médias seguidas das mesmas letras maiúsculas na coluna e minúsculas na linha não diferem entre si (Duncan 5%). O teste de emergência de plântulas evidencia novamente que a qualidade fisiológica das sementes foi significativamente afetada pelo tempo de armazenamento. No ambiente natural (Figura 5A) verifica-se redução linear da 33 porcentagem de emergência de plântulas, exceção feita apenas para o tratamento T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) que não sofreu influencia do armazenamento. Nesse teste, se sobressaem os tratamentos T2 (micronutrientes), T3 (tiametoxam) e T1 (testemunha) respectivamente, por mais afetarem a qualidade das sementes. 100 AMBIENTE NATURAL (A) EMERGÊNCIA (%) 80 60 T1 yT1= -0,262x + 99,7 R² = 0,93 40 20 T2 T3 yT2 = -0,3x + 96,4 R² = 0,77 yT4= ns yT3= -0,300x + 99,7 R² = 0,95 yT5= -0,198x + 95,9 R² = 0,97 T4 T5 0 0 45 90 TEMPO (dias) 135 180 AMBIENTE CONTROLADO (B) 100 EMERGÊNCIA (%) 80 60 yT1= -0,001x² + 0,072x + 97,8 R² = 0,99 yT4= ns 40 yT2= -0,001x² + 0,042x + 96,9 R² = 0,98 20 yT3= -0,002x² + 0,159x + 94,6 R² = 0,80 y T5= -0,037x + 98 R² = 0,72 T1 T2 T3 T4 T5 0 0 45 90 TEMPO (dias) 135 180 Figura 5. Emergência de plântulas de feijão-caupi armazenadas em ambiente natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos: T1Testemunha; T2-Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe. 34 No ambiente controlado (Figura 5B) foram os tratamentos T2 (micronutrientes), T1 (testemunha) e T3 (tiametoxam) que afetaram mais intensamente a emergência das plântulas após os 90 dias de armazenamento, respectivamente. Por outro lado, o T5 (imidacloprido+tiodicrbe) apresentou pouco efeito sobre a capacidade de emergência das plântulas permanecendo praticamente inalterado durante todo o armazenamento sob condições controladas. De forma semelhante ao que ocorreu no ambiente natural, o tratamento T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) também não foi influenciado pelo tempo de armazenamento no ambiente controlado. De acordo com os dados apresentados na tabela 5, a emergência de plântulas não foi afetada pelos diversos tratamentos, logo após o tratamento das sementes. A partir dos 90 dias o tratamento T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) mostrou superioridade em relação aos demais tratamentos no ambiente natural até os 180 dias. Observa-se que até os 90 dias de armazenamento praticamente não há diferença entre os tratamentos para as sementes estocadas em ambiente controlado. Tabela 5. Emergência de plântulas de feijão-caupi tratadas com inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante 180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente controlado. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe. TRAT 1 2 3 4 5 CV (%) Períodos de armazenamento (dias) 90 A1 A1 A1 71 Bb 96 Aa 56 BCb 54 Cb 90 Ba 53 CDb 70 Bb 94 ABa 49 Db 98 Aa 94 ABa 92 Aa 74 Bb 97 Aa 60 Bb 4,5 0 A1, A2 98 A 97 A 97 A 95 A 97 A 180 A2 70 Ba 69 Ba 71 Ba 92 Aa 91 Aa Médias seguidas das mesmas letras maiúsculas na coluna e minúsculas na linha não diferem entre si (Duncan 5%). Ainda na tabela 5 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato verifica-se metílico) que e T5 os tratamentos T4 (imidacloprido+tiodicarde) apresentaram comportamento superior aos 180 dias no ambiente controlado e nessa mesma época de avaliação constata-se que o T4 foi o tratamento que melhor 35 preservou a qualidade das sementes nos dois ambientes. Verifica-se que em ambiente natural foi o que, em geral, mais afetou o vigor das sementes (Figura 5A) em função da não ocorrência de controle de temperatura nem UR do ar. O teste de emergência apresenta sua importância na avaliação da qualidade fisiológica de sementes tratadas, pois este teste possibilita a lixiviação dos produtos revestidos nas sementes, o que já não acontece utilizando o papel como substrato no qual o produto fica ao redor da semente, além disso, pode causar fitotoxidez. Também é válido salientar que o teste de emergência é um dos melhores para avaliar o vigor das sementes tendo em vista que os resultados são mais correlacionados com as condições de campo. Diferentemente do observado nesse estudo, o [imidacloprido+tiodicarbe] bem como outros inseticidas utilizados no tratamento de sementes de sorgo, avaliados até os 30 dias de armazenamento sob condições naturais, não afetou o vigor das mesmas e apresentou resultados de emergência semelhante às sementes não tratadas (VANIN et al., 2011). Segundo relatos de Bueno et al. (2010) sementes de girassol tratadas com a formulação [imidacloprido+tiodicarbe] também não prejudicaram a porcentagem de emergência das plântulas durante o período de avaliação de 4 meses, comportamento este distinto do observado nesse estudo. Utilizando diferentes testes para avaliar a qualidade fisiológica das sementes de feijão-caupi observou-se que ao final do armazenamento houve declínio no vigor para todos os tratamentos testados e independentemente do ambiente, sendo o declínio de qualidade mais expressivo para a porcentagem e o índice de velocidade de emergência de plântulas (Figura 5A e 6A) de forma mais intensa com a evolução do armazenamento para o ambiente natural. Em milho foi observada alta qualidade fisiológica das sementes após um ano de armazenamento, apesar de ter iniciado uma pequena redução aos seis meses. Segundo Nunes (2008) a manutenção de altíssima qualidade de sementes de milho tratadas com tiametoxam explica-se devido às condições adequadas de temperatura e umidade nas quais permaneceu armazenada, a boa seletividade do produto utilizado e também em função das características da espécie, morfologia e composição química, os quais condicionam naturalmente alto potencial de armazenamento para umas e baixo para outras espécies. 36 Para o índice de velocidade de emergência constata-se que antes do armazenamento (Tabela 6), logo após o tratamento ocorreu diferença dos tratamentos em relação ao T1 (testemunha), destacando qualidade superior de T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico). Observa-se também que o T4 apresenta, em geral, índice superior ao T5 em todos os períodos de armazenamento. Para o ambiente natural (Figura 6A) pode-se observar que o índice de velocidade de emergência das plântulas reduz significativamente com o prolongamento do armazenamento, sendo as reduções mais intensas de 2,4 e 2,6 respectivamente para os tratamentos T3 (tiametoxam) e T2 (micronutrientes) estabilizando esse comportamento a partir dos 135 dias. A testemunha inicialmente cai lentamente, mas a partir dos 90 dias passa a reduzir intensamente. Os tratamentos T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) e T5 (imidacloprido+tiodicarbe) são responsáveis pelas menores reduções de qualidade, quando comparado com os demais tratamentos, sendo que T5 causa redução de 2,9 pontos ao final de 180 dias de armazenamento. O índice de velocidade de emergência de plântulas de girassol também sofreu influência do tratamento de sementes reduzindo o vigor independente do inseticida utilizado aos 4 meses de armazenamento, mas aos 30 dias o tiametoxam destacouse por ser o produto que mais afetou esse parâmetro de qualidade (BUENO et al., 2010). No ambiente controlado também ocorreu redução do vigor só que de uma maneira menos acentuada que no ambiente natural. Através da figura 6B é possível observar que em torno de 110 dias de armazenamentos todos os tratamentos apresentaram comportamento semelhante. Os tratamentos T1 (testemunha), T2 (micronutrientes) e T5 (imidacloprido+tiodicarbe) reduziram intensamente de forma linear o índice de velocidade de emergência ao longo de todo o período, enquanto T3 (tiametoxam) e T4 (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) apenas 1,6 e 1,7 pontos até os 90 dias, sendo que a partir desse momento o comportamento estabilizou. No ambiente controlado (Figura 6B) ocorreu menor alteração do vigor das sementes tendo em vista que as condições controladas preservam melhor as características fisiológicas das sementes, uma vez que não há oscilação do teor de água, o metabolismo é reduzido, há menor taxa de respiração e consequente 37 redução da intensidade de deterioração, proporcionando a conservação das sementes por mais tempo. 7 AMBIENTE NATURAL (A) yT1= -8E-005x² - 0,013x + 6,49 R² = 0,90 6 4 T1 IVE 5 yT3 = 0,0002x² - 0,059x + 6,76 R² = 0,87 T2 3 T3 yT2= 0,0001x² - 0,044x + 6,75 R² = 0,92 2 T4 T5 yT4= 4,82E-005x² - 0,0207x + 6,64 R² = 0,99 1 yT5= -0,016x + 5,81 R² = 0,93 0 0 7 45 90 TEMPO (dias) 135 180 AMBIENTE CONTROLADO (B) 6 5 T1 y T1= -0,015x + 6,32 R² = 0,96 IVE 4 T2 3 2 y T3= 9,7E-005x² - 0,026x + 6,24 R² = 0,83 1 T3 y T4= 0,0001x² - 0,028x + 6,53 R² = 0,92 yT2= -0,017x + 6,29 R² = 0,98 T4 T5 y T5= -0,012x + 5,91 R² = 0,91 0 0 45 90 TEMPO (dias) 135 180 Figura 6. Índice de velocidade de emergência (IVE) de plântulas de feijão-caupi armazenadas em ambiente natural (A) e ambiente controlado (B) durante 180 dias. Tratamentos: T1-Testemunha; T2-Micronutrientes; T3Tiametoxam; T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5Imidacloprido+tiodicarbe. 38 No período inicial de armazenamento (Tabela 6) não foi detectado diferenças significativas entre os tratamentos em relação ao T1 (testemunha) para o índice de velocidade de emergência. Resultado semelhantes foram observados por Grisi et al. (2009) em sementes de girassol logo após o tratamento com tiametoxam e (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico). Esse comportamento também foi verificado em sementes de soja até os sete dias de armazenamento para o tiametoxam e o (fipronil+piraclostrobina+tiofanato+metílico), enquanto que o tratamento com (imidacloprido+tiodicarbe) provocou redução do IVE (DAN et al., 2011). Inseticidas como o tiametoxam podem auxiliar na rota metabólica da pentose fosfato, favorecendo a hidrólise de reservas e aumentando a disponibilidade de energia para o processo de germinação e emergência da plântula (HORII et al., 2007), fato não evidenciado em feijão-caupi neste estudo. Tabela 6. Índice de velocidade de emergência (IVE) de plântulas de feijão-caupi tratadas com inseticidas, fungicidas, micronutrientes e uma testemunha, armazenadas durante 180 dias, em dois ambientes. A1-Ambiente natural, A2-Ambiente controlado. Tratamentos: T1-Testemunha; T2Micronutrientes; T3-Tiametoxam; T4-Fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico; T5-Imidacloprido+tiodicarbe. TRAT 1 2 3 4 5 CV (%) 0 A1, A2 6,0 AB 6,3 AB 6,4 AB 6,7 A 5,7 B Períodos de armazenamento (dias) 90 A1 A1 A1 4,4 Bb 5,1 Aa 1,8 Db 2,0 Db 4,4 Aa 2,0 CDb 3,1 Cb 4,9 Aa 2,7 BCb 5,2 Aa 4,9 Aa 4,5 Aa 3,9 Ba 4,4 Aa 3,1 Ba 10,9 180 A2 3,5 Ba 3,4 Ba 4,6 Aa 4,7 Aa 3,7 Ba Médias seguidas das mesmas letras maiúsculas na coluna e minúsculas na linha não diferem entre si (Duncan 5%). Em sementes de girassol o produto (imidacloprido+tiodicarbe) apresentou efeito negativo sobre o IVE retardando o arranque inicial das plântulas e reduzindo a porcentagem delas emergidas aos 30 dias de armazenamento (DAN et al. 2012b), comportamento também observado em feijão-caupi neste estudo até 45 dias de armazenamento em ambiente natural (Figura 6A) quando comparado coma testemunha. Aos 180 dias de armazenamento, porém, esse produto proporcionou índice de velocidade de emergência superior à testemunha nesse ambiente. 39 Ainda no ambiente natural (Tabela 6) observa-se que aos 90 dias de armazenamento os tratamentos T2 (micronutrientes) e T3 (tiametoxam) apresentaram IVE menor que o T1 (testemunha), enquanto aos 180 dias o tiametoxam apresentou IVE superior à testemunha. Diferentemente do observado por outros autores (CASTRO et al. 2008; CLAVIJO, 2008; ALMEIDA et al., 2009; ALMEIDA et al., 2011), o inseticida tiametoxam não proporcionou incrementos na porcentagem de germinação e vigor das sementes de feijão-caupi logo após o tratamento das sementes, por outro lado, nesse estudo foi constatado efeito estimulante do tiametoxam apenas para os testes de primeira contagem de germinação e envelhecimento acelerado em ambiente natural a partir dos 90 dias. Em pesquisa com sementes de cenoura verificou-se que tanto em condições de ausência ou presença de estresse hídrico o tiametoxam proporcionou acréscimos na porcentagem de germinação e vigor em todos os lotes avaliados quando comparados com as sementes não tratadas. Demonstrou ser de grande importância para essa cultura, pois o produto agiu como um potencializador, permitindo a expressão do poder germinativo das sementes, acelerando o crescimento das raízes e aumentando a absorção de nutrientes pela planta (ALMEIDA et al., 2009). No presente estudo com sementes de feijão-caupi não foi constatado efeito estimulante do tiametoxam para as variáveis analisadas no período inicial de armazenamento. Por outro lado, com o prolongamento do período de armazenamento, ele apresentou, em alguns casos, efeitos benéficos como pode ser observado nos testes de vigor (primeira contagem de germinação e envelhecimento acelerado) em ambiente natural, e IVE aos 180 dias de armazenamento. O tiamentoxan é considerado um potencializador do poder germinativo das sementes. No entanto a resposta pode variar em função da espécie, cultivar, qualidade fisiológica inicial, dose do produto e tempo de armazenamento segundo relatos da literatura. Para algumas culturas proporciona efeitos positivos alterando características fisiológicas e morfológicas, enquanto em outras se mostra indiferente, restando apenas a sua função de controle de pragas iniciais durante o estabelecimento de plantas no campo. Quando avaliado o efeito do (imidacloprido+tiodicarbe) sobre a qualidade fisiológica das sementes logo após a sua aplicação, verificou-se que não afetou o 40 vigor e trouxe benefício a viabilidade já que elevou a porcentagem de germinação das sementes em relação a testemunha, bem como elevou os valores de envelhecimento acelerado. Durante o armazenamento esse produto manteve a qualidade das sementes semelhante às não tratadas e em alguns casos proporcionou efeito benéfico elevando a qualidade, conforme observado nos testes de germinação, envelhecimento acelerado e primeira contagem de germinação, no qual manteve porcentagens superiores a 80% até os 90 dias de armazenamento. Os produtos [fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico] logo após utilizado no tratamentos das sementes também não prejudicou a qualidade das sementes, e assim como o [imidacloprido+tiodicarbe] beneficiou a viabilidade das sementes gerando incrementos sobre a porcentagem de germinação. Com o prolongamento do armazenamento apresentou resultados semelhantes à testemunha ou superior mantendo a qualidade de forma geral até os 90 dias nos dois ambientes, no entanto, no ambiente controlado em períodos superiores a esse prejudicou a qualidade fisiológica quando avaliados pelos testes de primeira contagem de germinação e germinação. Sementes tratadas com micronutrientes também não tiveram efeitos prejudiciais logo após a aplicação dos produtos, em relação à testemunha, inclusive demonstrando um favorecimento no potencial fisiológico, quando avaliado pelo envelhecimento acelerado. Com relação ao período de armazenamento, constata-se que esses produtos não afetaram o potencial fisiológico em ambiente controlado. Em ambiente natural, no entanto, foi constatado efeito prejudicial sobre a qualidade das sementes nos testes de emergência e IVE, aos 90 e 135 dias de armazenamento. Constatou-se que os ingredientes ativos inseticidas e fungicidas tenderam, em geral, a manutenção da qualidade fisiológica das sementes em níveis semelhantes aos das sementes não tratadas, ou a proporcionar a preservação da qualidade dessas sementes ao longo do período de armazenamento, não se verificando efeitos prejudiciais desses produtos na qualidade fisiológica. 41 5 CONCLUSÕES Os produtos (imidacloprido+tiodicarbe) e o (fipronil+piraclostrobina+tiofanato metílico) proporcionam efeito estimulante sobre o desempenho das sementes. Sementes revestidas com tiametoxam são menos afetadas pelo armazenamento do que as sementes não tratadas. O tratamento com micronutrientes apresenta comportamento similar às sementes não tratadas sendo que em ambiente natural prejudica a qualidade fisiológica com o aumento do período de armazenamento. 42 6 REFERÊNCIAS ALBUQUERQUE, F. A.; BORGES, L. M.; IACONO, T. O.; CRUBELATI, N. C. S.; SINGER, A. 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Quadrado Médio F.V GL TA G PCG EA TRATAMENTOS (T) 4 1.1426** 82.12** PERIODO (P) 4 0.8277** 564.97** 2482** 1424.2** 41.353** 4984.8** 60.179** AMBIENTE (A) 1 1.3778** 167.45** 1008** 744.98** 0.7345 TXP 16 0.1102* AXP 4 0.3114** 97.145** 213.54** 142.22** 3.558ns 1150.4** 5.6864** TXA 4 0.0771ns 31.595** 141.24** 116.21** 4.9242ns 637.6** TXAXP 16 0.119** 25.514ns 84.952** 67.958** 3.6592ns 165.66** 0.7601** REPETIÇÃO 3 0.0703ns 6.5783ns 14.458ns 3.8733ns 12.741ns 4.685ns 0.4718ns RESÍDUO 147 0.067 11.378 19.173 14.887 2.9191 15.039 0.2606 294.79** 93.35** CP EM IVE 20.541** 1430.7** 6.337** ns ns 25.033** 85.452** 161.22** 3.92 8359.2** 18.313** 378.72** 2.0571** 2.3327** CV (%) 2.29 3.91 5.54 5.17 9.61 4.58 10.91 FV - Fontes de variação; TA - Teor de água (%); G - germinação (%); PCG – Primeira contagem de germinação (%); Envelhecimento acelerado (%); Comprimento de plântulas (cm); Emergência (%); IVE - Índice de velocidade de emergência (%). CV - Coeficiente de variação. ns, **, * respectivamente, não significativo e significativo a 1% e 5% de probabilidade.