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22 Janeiro de 2015 | 09h57 - Actualizado em 22 Janeiro de 2015 | 09h57
Cabo Verde: Advogados cabo-verdianos, de Portugal e Macau defendem
mobilidade na CPLP
Cidade da Praia - Advogados de Cabo Verde, Portugal e Macau defenderam quinta-feira, na Cidade da Praia, uma maior mobilidade na Comunidade
de Países de Língua Portuguesa (CPLP), como forma a aproveitar todas as potencialidades e especificidades de cada país.
BANDEIRAS DOS PAÍSES MEMBROS DA COMUNIDADE DE PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA (CPLP)
FOTO: ANGOP
A ideia foi defendida por Arnaldo Silva, da sociedade e associados com o mesmo nome, Duarte
Athayde, da Abreu Advogados, e por Álvaro Rodrigues, sócio da C&C Advogados de Macau,
que falavam à imprensa durante uma conferência para firmar a parceria tripartida e
transaccional entre os três escritórios de advocacia.
"Eu sempre defendi e continuo a sustentar que não há razão para colegas nossos, no espaço
lusófono, não exercessem a profissão de advogado no respectivo espaço, desde que de uma
forma regulamentada", afirmou Arnaldo Silva, recordando que, quando era Bastonário de
Advogados de Cabo Verde, firmou um acordo de cooperação com a ordem portuguesa,
permitindo que os advogados lusos pratiquem determinados actos, desde que acompanhados
por colegas locais.
"Mais vale ter uma abertura regulamentada do que estar a criar testa-de-ferro, como aconteceu
e está a acontecer em Cabo Verde. Há escritórios estrangeiros em Cabo Verde que contratam
chave na mão de advogados nacionais. Mas esta não é a via. A via tem de ser transparente,
como estamos a fazer, em que cada escritório tem a sua autonomia, independência e
estabelece um projecto de cooperação no quadro da lei cabo-verdiana", defendeu Arnaldo
Silva.
A mesma ideia foi defendida por Duarte Athayde, da Abreu Advogados, entendendo que os
países do espaço lusófono "têm tudo a ganhar" em partilhar as experiências e conhecimentos,
constituir equipas pluridisciplinares e conseguir, assim, prestar melhor serviço aos clientes.
"Achamos que a mobilidade de advogados entre países que falam a língua portuguesa e que
têm em comum a mesma base do sistema jurídico vai ajudar na melhoria da prestação de
serviços", defendeu Athayde, considerando que, apesar de serem países com sistemas
políticos diferentes, o direito encontrou sinergias para o ensino.
"Não é uma realidade que esteja para acontecer para já, mas isso acabará por acontecer. Os
países ainda têm as suas próprias realidades, alguns têm um mercado jurídico muito fechado,
restrito apenas àqueles que são advogados inscritos nas suas ordens, residentes e nacionais",
indicou, avançando que se tem conseguido arranjar formas para trabalhar sem mudar as
regras.
Por sua vez, Álvaro Rodrigues, sócio e um dos directores da C&C Advogados de Macau, disse
que a parceria com advogados cabo-verdianos e portugueses, firmado em Junho do ano
passado, vai dar "muitos frutos", à semelhança do que já acontece em outras áreas.
A conferência contou com a presença do antigo presidente da comissão política Nacional do
PSD, conselheiro do Estado português e consultor na Abreu Advogados Luís Marques Mendes,
que considerou que esta é uma oportunidade para aprofundar, reforçar e desenvolver ainda
mais as relações entre Cabo Verde, Portugal e os outros países da CPLP.
"Naquilo que está bem não se deve mexer e, portando, o que foi feito até aqui é positivo e deve
ser aprofundado, mas a vida não é estática, é dinâmica, pelo que devemos caminhar para
novas relações, novas parceiras e novas formas de cooperação", defendeu Marques Mendes.
A parceria entre a Arnaldo Silva & Associados (Cabo Verde), Abreu Advogados (Portugal) e a
C&C Advogados (Macau) pretende prestar assessoria e consultoria jurídica aos clientes nos
três países, mas também realizar conferências, troca de experiência profissional, formação,
intercâmbio e, através de Macau, chegar ao mercado chinês.
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