EDITORIAL
CHEGA!
Há 15 anos, o Movimento Pé Vermelho
Mãos Limpas lutou contra a corrupção
em Londrina. Mesmo enfrentando
poderosas
forças
contrárias,
a
sociedade civil conseguiu vencer o
esquema de desvios instalado na cidade.
Agora, chegou o momento de lutar pelo
Brasil. Com assombro e indignação,
vemos que o sistema de corrupção
montado numa empresa pública local
foi reproduzido em grande escala
na maior empresa pública nacional.
Na Sercomtel, desviavam milhões.
Na Petrobras, desviam bilhões. E
alguns dos nomes envolvidos com o
Petrolão foram justamente aqueles
que Londrina rejeitou no passado.
Não ficamos calados ontem, não
ficaremos calados hoje. Vamos
denunciar com todo vigor as forças que
transformaram o Brasil na república
da corrupção, do custo de vida e da
incompetência.
Independentemente
do partido ou do grupo político
envolvido,
as
instituições
da
sociedade civil exigem um fim na
escalada de desvios, aumentos de
custos e má gestão administrativa.
Os cidadãos de bem devem esquecer
as diferenças e unir vontades para
mudar o Brasil. Vamos juntos plantar
a semente de uma árvore que amanhã
vai gerar os frutos do trabalho, da lei
e da moralidade. Chega de corrupção!
Chega de incompetência! Chega de
impunidade!
Valter Luiz Orsi
Presidente da ACIL
DIRETORIA DA ACIL – GESTÃO 2014/2016
Fundada em 5 de junho de 1937
Rua Minas Gerais 297 – 1º andar
Ed. Palácio do Comércio
Londrina (PR) – CEP 86010-905
Telefone (43) 3374-3000
Fax (43) 3374-3060
E-mail [email protected]
Valter Luiz Orsi
Presidente
Rogerio Pena Chineze
Vice-Presidente
Fabricio Massi Salla
Diretor Secretário
Alexandra de Paula Yusiasu
dos Santos
2º Diretor Secretário
Rodolfo Tramontini Zanluchi
Diretor Financeiro
Angelo Pamplona da Costa
2º Diretor Financeiro
Fernando Mauricio de Moraes
Diretor Comercial
Marcus Vinicius Gimenes
Diretor Industrial
Marcia Regina Vieira Mocelin
Manfrin
Diretor de Serviços
Claudio Sergio Tedeschi
Diretor de Comércio Internacional
Luigi Carrer Filho
Diretor de Produtos
Mercado em Foco é uma publicação da Associação Comercial e Industrial de Londrina. Distribuição gratuita.
Correspondências, inclusive reclamações e sugestões de reportagens, devem ser enviadas à sede da Associação ou
pelo e-mail [email protected]
Adelino Favoretto Junior
Diretor Institucional
CONSELHO DELIBERATIVO
Ary Sudan
Carlos Alberto Dorotheu
Mascarenhas
Eduardo Yoshimura Ajita
Flávio Montenegro Balan
George Hiraiwa
Herson Rodrigues Figueiredo Jr.
Paulo Briguet
Coordenação
Vinicius Bersi
Edição
Josoé de Carvalho
Fotografia
Thiago Mazzei
Projeto gráfico
José Augusto Rapcham
Katsumi Sergio Otaguiri
Luiz Carlos I. Adati
Nivaldo Benvenho
Oswaldo Pitol
Paulo Fernando Ozelame
Wilson Geraldo Cavina
CONSELHO FISCAL
Diego Rigon Menão
Superintendente
Claudia Motta Pechin
Gerente Comercial
Barbara Della Libera
Analista de Marketing
Juliana Mastelini
Kalinka Amorim
Loriane Comeli
Michelle Aligleri
Muriel Amaral
Colaboradores
Cristiane Oya
Felipe Brandão
Fernanda Bressan
Impressão
Midiograf
Tiragem
8 mil exemplares
Titulares
Adoniro Prieto Mathias
Marcus Vinicius Bossa
Grassano
Rafael de Giovanni Netto
Suplentes
Carlos Alberto de Souza
Faria
Rafael Lopes
Rogério Silvano da Silva
Agenda março e abril 2015
ATENDIMENTO E VENDAS
FINANÇAS
Análise de Crédito
Sivaldo Dal Ry
02 e 03 de março
19h às 23h
• Crédito como instrumento de vendas
• Elementos de uma política de crédito
• Normas de crédito
• Garantias
Não associados: R$ 157,00
Associados e estudantes: R$ 81,00
Intensivo em importação passo a
passo – 2ª Edição
Rodrigo Giraldelli
03 e 04 de março
19h às 23h
• Órgãos intervenientes do comércio
exterior: Receita Federal, bancos,
ANVISA e outros
• Habilitação para se tornar importador:
RADAR
• Custos e impostos na importação
• Riscos e cuidados que devem ser
tomados no processo de importação
Não associados: R$ 250,00
Associados e estudantes: R$ 200,00
Abordagem comercial com foco nos
resultados financeiros
Junior Souza
09 e 10 de março
19h às 23h
• Como se preparar para o mercado no
ano de 2015 – transformar a “crise” em
oportunidade
• A diferença entre ser vendedor e
consultor – entendendo o portfólio e o
perfil do cliente
• O que e como oferecer para o cliente
– estratégias e técnicas avançadas em
vendas
• Construindo um relacionamento e
criando vínculos
Não associados: R$ 157,00
Associados e estudantes: R$ 81,00
Qualidade de serviços em recepção e
secretaria
Silvana Oliveira
16 e 17 de março
19h às 23h
• Desenvolvimento pessoal e profissional
• Perfil e postura profissional
• Atendimento telefônico
• Espírito de equipe
• Superação no atendimento aos clientes
• Técnicas de recepção e atendimento
Não associados: R$ 157,00
Associados e estudantes: R$ 81,00
MARKETING
R
E
G
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O
N
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N
O
R
T
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GESTÃO DE RH
Negociação e vendas
Sidney Kayamori
18 de março
08h às 12h e das 14h às 18h
• As vendas no mercado globalizado
• Estratégias da fidelização
• A negociação nas vendas
• O reforço positivo do pós venda
Não associados: R$ 157,00
Associados e estudantes: R$ 81,00
PALESTRA: Venda valor e não preço
Natasha Bacchi
19 de março
19h às 21h
• Como convencer o cliente do valor
• Como provar que sua solução vale mais
do que as dos concorrentes
• As etapas da venda de valor
• Convença o cliente a pagar mais
Não associados: R$ 70,00
Associados e estudantes: R$ 37,00
PALESTRA: Oportunidades online
para sua empresa
Sheila Dal Ry
24 de março
19h às 21h
• Cenário da internet no Brasil
• Comportamento consumidor Paraná
• Oportunidades de vendas e
relacionamento online
Não associados: R$ 70,00
Associados e estudantes: R$ 37,00
Passo a passo para criar sua loja
virtual
Sheila Dal Ry
30 e 31 de março
19h às 23h
• Perfil do analista de loja virtual
• Panorama e tendências do varejo online
• Processo e passo a passo para montar
sua loja virtual
• Qual é a melhor plataforma?
• Estratégias de marketing para lojas
virtuais
• Cases de sucesso
Não associados: R$ 157,00
Associados e estudantes: R$ 81,00
PALESTRA: Atendimento é TUDO
Regina Nakayama
23 de abril
19h às 21h
• Atitudes que fazem a diferença no
atendimento ao cliente e na conversão
em vendas
Saiba mais:
3374.3000
[email protected] ou
3374.3082 com Mariana Reche:
[email protected]
WEB
DIVERSOS
• Orientações para melhorar a
performance do profissional em
atendimento e vendas
• Compreendendo e conhecendo as fases
do ciclo de vendas
Não associados: R$ 70,00
Associados e estudantes: R$ 37,00
Comunicação eficaz:
O sucesso da liderança
Gislene Isquierdo
27 e 28 de abril
19h às 23h
• Como gerar engajamento e motivação
• O processo de comunicação
interpessoal
• Validação e checagem da informação
• O perfil do líder de sucesso e suas
estratégias
Não associados: R$ 157,00
Associados e estudantes: R$ 81,00
Analista Financeiro:
Formação e atualização
Thiago Terzoni
27, 28 e 29 de abril
19h às 23h
•
•
•
•
•
•
Contabilidade financeira
Finanças corporativas
Gestão de custos
Classificação de custos
Matemática financeira
Funções do profissional na área
financeira
• Demonstrações financeiras
Não associados: R$ 250,00
Associados e estudantes: R$ 200,00
ABRASEL NORTE DO PARANÁ
CURSO DE BOAS PRÁTICAS E
HIGIENIZAÇÃO NAS MANIPULAÇÕES
DE ALIMENTOS
24, 25 e 26 de Março e 28, 29 e 30 de Abril
13h30 às 17h30
Local: Blue Tree Premium
Av. Juscelino Kubtischek, 1356
Informações: 3327 0202
Não associados: R$100,00
Associados ACIL: R$70,00
Associação Comercial e Industrial de Londrina
Rua Minas Gerais, 297, 1º andar, Londrina, PR
Av. Saul Elkind, 1820 | Regional Norte
www.acil.com.br
ÍNDICE
EMPREENDEDORISMO DIGITAL
O cliente a um clique de distância ......................................
GOVERNO
10
6
Conseguir benefícios previdenciários
está mais difícil ..................................................................
22
ARTIGO
25
Londrina: passado, presente e futuro .................................
ECONOMIA
Apertem os cintos: os impostos subiram
14
ENTREVISTA
30
CARTAS DA GRATIDÃO
32
“O Brasil não pode continuar como está” ..........................
Prezado Empresário ...........................................................
FINANÇAS
Poupança: um mau negócio
em tempos de inflação
18
PERFIL
36
VIVA BEM
38
Adoçando Londrina ............................................................
Um hobby para chamar de seu ............................................
EMPRESAS
Um brinde ao sucesso
26
COLUNA DA ACIL
Tapete vermelho para o empreendedor .............................
Associação Comercial e Industrial de Londrina
41
EMPREENDEDORISMO
Elas à frente
5
ECONOMIA
Por Cristiane Oya
Entre os meses de dezembro e
janeiro, os governos estadual e
federal anunciaram uma série
de aumentos de preços e de
impostos que certamente irão
impactar todo o setor produtivo
e, consequentemente, o bolso
dos contribuintes. Em alguns casos, como no do
combustível, esses reajustes
ainda se sobrepõem. Em âmbito
federal, o aumento nas alíquotas
de PIS/Cofins e a Contribuição
de Intervenção no Domínio
Econômico (Cide) sobre o
O economista Marcos
combustível, que representa
Rambalducci destaca o aumento
da produtividade e da eficiência
um aumento de R$ 0,22 sobre o
para driblar a crise: “Onde temos
litro da gasolina e de R$ 0,15 no
crise, temos uma oportunidade.
valor do diesel na refinaria. No
Este tem que ser o foco do
Paraná, a alta do Imposto sobre
nosso empresário”
Circulação de Mercadorias e
Serviços (ICMS) do álcool e da gasolina, que passou de 28% para 29%. Mas os aumentos não param por aí. Desde primeiro de dezembro,
rodar nas estradas do Paraná ficou em média 4,8% mais caro com
a alta do pedágio, e a alíquota para o cálculo do Imposto Sobre a
Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) subiu de 2,5% para
3,5%, que deve provocar um aumento de 40% no valor do imposto a
ser pago. A energia elétrica também está mais cara. Em janeiro, devido
à adoção das bandeiras tarifárias, a conta de luz sofreu um acréscimo
de R$ 3 a cada 100 kwh consumidos. Para o setor produtivo ainda pesam outras medidas econômicas
anunciadas pelo governo federal que são a reversão da desoneração
do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que volta a ser de 3%;
a equiparação de atacadistas e industriais do setor de cosméticos para
efeito de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI),
e a elevação da alíquota de PIS/Cofins de 9,25% para 11,75% sobre a
importação. Em âmbito estadual, foi reajustada a alíquota do Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de 12% para até 25%
sobre uma lista de cerca de 95 mil itens de consumo popular como
alimentos, medicamentos, produtos de limpeza e higiene, aparelhos
eletrônicos, vestuário e material escolar. “Essas medidas do combustível serão as mais impactantes porque todo
o processo produtivo está calcado em cima. Atinge não só o cidadão
comum como o empresário e essa situação se agrava ainda mais com
algumas outras medidas de saneamento econômico do governo
federal que aumentam a tributação direta e indireta e retiram a renda
do trabalhador. Tudo aquilo que retira o poder de compra do cidadão
acaba impactando, reduz a demanda”, analisa o consultor econômico
da ACIL, Marcos Rambalducci.
Segundo o economista, o governo precisa sinalizar que está tomando
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março e abril de 2015 | www.acil.com.br
as rédeas da economia. “A
pretensão do governo é sinalizar
que a inflação ficará dentro dos
limites, o que é por excelência
recessivo. Para fazer com que a
demanda caia tem que ser pela
retirada do poder de compra
do povo, para deixar de existir
pressão sobre os preços. O
que o governo está fazendo
é provocando o processo
recessivo no intuito de controlar
a inflação, como o aumento da
taxa Selic”, aponta. Na avaliação do economista
e professor da Universidade
Estadual de Londrina (UEL)
Para o economista e professor da
Azenil Staviski, as medidas
UEL, Azenil Staviski, as medidas
anunciadas pelo governo federal
anunciadas pelo governo federal
são “a correção de um caminho
são “a correção de um caminho
equivocado” mas podem não
equivocado”. “As reduções
alcançar o efeito desejado sem o
aplicadas à energia elétrica,
corte dos gastos públicos
à não colocação do repasse
periódico e paulatino dos combustíveis, retirando a capacidade de se
financiar. Agora, de uma única vez, o governo volta atrás, mas durante
quatro anos ou mais foi aplicada uma política que agora precisa ser
remodelada. É preciso fazer a correção de um erro.”
Para o presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina
(Sindecon), Ronaldo Antunes da Silva, as medidas “são uma forma
de os dois governos ajustarem as contas porque gastam demais”. “No
curto prazo é muito restritiva. Agora, se os governos federal e estadual
conseguirem ajustar as contas e gastar de forma mais prudente, no
médio prazo, tende a ser bom.” Apesar do otimismo, Silva acredita que
no final das contas, quem mais vai sofrer os reflexos das altas será o
trabalhador. “O cenário hoje é ruim, de muita dificuldade para quem
está na ponta que é o trabalhador. O empresário terá muita dificuldade
de manter a empresa aberta e competitiva, e o trabalhador pode pagar
com a única coisa que tem, que é a força de trabalho.”
Staviski alerta que, sem o corte dos gastos públicos, o aumento da
arrecadação pretendida com a majoração dos impostos pode não
surtir o efeito desejado. “Acho que o governo está procurando o
caminho mais fácil que é onerar o setor produtivo e o cidadão que
com sua renda consome. Toda vez que onera o consumo e o setor
produtivo, está criando um efeito anti-crescimento, inibindo a
produção, o consumo”, afirma. “Ao fazer isso, o governo pensa
em reequilíbrio das finanças públicas mas, ao mesmo tempo, vai
causar recessão. Se compensa de um lado e perde de outro, não
sei se terá algum resultado positivo. Diante disso, ao meu ver, é
uma política equivocada, muito fácil em um momento que teria
que reeducar o gasto público, diminuir a despesa improdutiva”,
conclui.
Staviski vai além e projeta que o aumentos de preços pode anular a
política monetária adotada pelo governo federal. “O governo tem
Associação Comercial e Industrial de Londrina
7
que combater a inflação, mas
o aumento de preços pode
anular a política monetária do
governo, que é a de aumentar
a taxa básica de juros, que
é para abaixar a demanda
efetiva da economia para ver
se desaquece os preços. Mas,
por outro lado, aumentando
os preços, a política fiscal
anula a política monetária de
combate a inflação.” Como as previsões mais
otimistas aguardam somente
para 2016 os eventuais “O empresário terá muita dificuldade
reflexos
positivos
dos
de manter a empresa aberta e
competitiva, e o trabalhador pode
pacotes governamentais, os
pagar com a única coisa que tem,
economistas ouvidos pela
que é a força de trabalho”, avalia o
Mercado em Foco foram
presidente do Sindecon, Ronaldo
unânimes em apontar a
Antunes da Silva
criatividade do empresariado
como uma poderosa arma para driblar a crise.
“Alguma empresa, algum setor pode identificar uma possibilidade
de negócio ou se estruturar de forma mais forte, enquanto as outras
serão levadas pela crise. Para tentar sobreviver o empresário tem
que exercer a sua criatividade na gestão”, aposta o presidente do
Sindecon. Rambalducci concorda. “Onde temos crise, temos uma
oportunidade. Este tem que ser o foco do nosso empresário. Se
o poder de compra das pessoas está diminuindo, é possível que
esteja migrando para produtos mais baratos. É preciso diminuir
custos para aumentar o lucro diante da quantidade que vou
vender. É a percepção de mercado, de quem está consumindo.
Não pode deixar de investir no aumento da produtividade, fazer
mais com menos. O aumento da produtividade, da eficiência é
tônica em momentos de crise”, sintetiza.
Empresariado ainda avalia
impactos das medidas
Entre os empresários, os reflexos do aumento de custos provocado
pelo alta dos preços da energia elétrica e dos combustíveis, somado
à elevação da carga tributária em diversos setores, ainda são uma
incógnita. Como as medidas econômicas do governo federal foram anunciadas
entre dezembro e janeiro, o impacto nas finanças das empresas ainda
não foi esmiuçado por alguns empresários. É o caso da Transportadora Falcão, com sede em Londrina, e que
vai amargar aumentos em tributos e custeio impostos tanto pelo
governo estadual – como a alta da alíquota do IPVA, de 2,5% para
3,5% – quanto pelo governo federal, como a alteração do PIS e da
Cide sobre os combustíveis, que provocará um aumento conjugado
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março e abril de 2015 | www.acil.com.br
Confira as principais
medidas econômicas do
governo federal...
• Aumento nas alíquotas de PIS/Cofins e na Cide
- Contribuição de Intervenção no Domínio
Econômico sobre o combustível, o que deve
gerar um aumento de 22 centavos sobre o litro
da gasolina e de 15 centavos para o valor do
diesel na refinaria;
Marcos Vinícius Gimenes: “A pergunta que fica é se
(essas medidas) vão dar resultado ou não”
das duas alíquotas de R$ 0,22 centavos no litro da gasolina e de R$
0,15 do diesel nas refinarias.
“Como parte da equipe ainda está de férias, não tivemos reuniões para
verificar (os impactos) no nosso ramo de atividade, mas com certeza
essas medidas vão impactar”, observa um dos sócios da transportadora,
Milton Batista de Castro.
O empresário reconhece que o setor foi beneficiado com desonerações
fiscais nos últimos anos, mas teme que agora a conta fique ainda mais
cara. “Tivemos algumas desonerações de impostos lá atrás, mas com
esses aumentos não sei se vai zerar o que foi no passado ou se vai
acrescentar mais ainda. Nosso setor é muito sacrificado”, reclama. “Ainda não foi feito esse cálculo porque é complicado, são muitas
variáveis. Geralmente o pessoal faz a ‘conta de padeiro’, ou seja, subiu
10% o custo, vou subir o preço. Mas o empresário tem que fazer outra
análise considerando a crise que está aí. Ele não consegue repassar
para o preço e vai ter que absorver. Se já estava difícil antes, vai ficar
mais difícil ainda”, prevê o presidente do Sindicato dos Contabilistas
de Londrina (Sincolon), Geraldo Sapateiro. Para o diretor da Autopeças MGL Mecânica de Precisão, Marcos
Vinícius Gimenes, que também é diretor industrial da ACIL, os
pacotaços estadual e federal diminuem a competitividade das
empresas e colocam em risco os empregos. Gimenes ainda coloca em xeque o resultados dessas medidas. “A
gestão do ajuste fiscal para colocar a economia nos eixos é necessária,
porém, mais uma vez, quem está pagando a conta é a sociedade.
Os governos não estão melhorando a eficiência das máquinas
públicas e os gastos governamentais. A pergunta que fica é se (essas
medidas) vão dar resultado ou não”, questiona. “Já estamos com
redução de consumo em diversas atividades industriais. As vendas
caíram em função da desconfiança no cenário econômico. Menos
venda com mais custos é letal para a continuidade dos negócios. O
caminho passa por ganho de competitividade, da produtividade,
enxugamento de gastos. A ACIL tem feito inúmeros treinamentos
para capacitar o empresariado local para melhorar o negócio e, em
âmbito institucional, tem pressionado o governo para que melhorem
a eficiência pública”, observa.
Associação Comercial e Industrial de Londrina
• Reversão da desoneração do Imposto sobre
Operações Financeiras (IOF), que volta a ser de
3% para pessoas físicas;
• Equiparação de atacadistas e industriais do
setor de cosméticos para efeito de incidência do
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);
• Elevação da alíquota de PIS/Cofins de 9,25%
para 11,75% sobre a importação; • Aplicação do sistema de cobrança diferenciado
pela Aneel nas contas de luz, que em
janeiro aumentou a conta em R$ 3 a cada 100
kwh consumidos.
... e do governo estadual: • Aumento de 12% para até 25% a alíquota
de ICMS sobre uma lista de cerca de 95 mil
itens de consumo popular, como alimentos,
medicamentos, produtos de higiene e limpeza,
aparelhos eletrônicos, artigos de vestuário,
material escolar, objetos plásticos, e outros;
• Majoração do Imposto Sobre a Propriedade de
Veículos Automotores (IPVA) em 40% a partir
do valor atual, e reduzindo o valor do desconto
para pagamento adiantado de 10% para 3%;
• Aumento em um ponto porcentual o ICMS do
álcool e da gasolina, que passará de 28% para
29%;
• Aumento médio de 4,88% no pedágio nas
estradas paranaenses.
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EMPREENDEDORISMO
DIGITAL
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março e abril de 2015 | www.acil.com.br
IDEAL É FAZER COM QUE O CLIENTE SE SINTA UM AMIGO ATRAVÉS DAS REDES SOCIAIS
Por Michelle Aligleri
Mais de 70% dos brasileiros que têm
acesso à internet usam as redes sociais.
Pesquisas realizadas em 2014 pelas
empresas de mercado comScore e
Shareablee mostram que a população
da América Latina é a que apresenta
maior média global de uso de redes
sociais em computadores e laptops,
com 8,13 horas mensais por pessoa.
Não bastasse este dado, os brasileiros
superam a média mundial de tempo
médio em redes sociais. Por aqui
as sessões giram em torno de 18,5
minutos, enquanto no restante do
mundo as pessoas geralmente gastam
12,5 minutos por acesso. A pesquisa
mostra ainda que o Brasil é o segundo
país onde as pessoas gastam mais
tempo nas redes sociais, ficando atrás
apenas dos Estados Unidos.
Mais do que números, as pesquisas
mostram que os brasileiros estão
adaptados e vivem uma vida online
muito intensa. As redes sociais
completaram dez anos em 2014 e já
ocupam um espaço grande na vida dos
brasileiros, especialmente entre os mais
jovens com idade entre 15 e 34 anos.
O acesso fácil a smartphones, tablets
e notebooks facilita o relacionamento
online, seja ele pessoal ou profissional.
De olho neste filão, muitas empresas
aproveitam a rede social para divulgar
produtos, fazer promoções e se
aproximar do cliente.
Falando a língua que os clientes gostam
de ouvir, a Papel de Papel Jardim há
dois anos é ativa nas redes sociais. Com
perfis no Facebook e no Instagram, a
empresa encontrou uma forma de
mostrar as promoções, atrair novos
clientes e manter um relacionamento
próximo daqueles que já conhecem
a loja. Com quase 20 mil seguidores
no Facebook, há quase dois anos a
empresa decidiu investir e passou a ver
a rede social como mídia. “Fizemos
alguns cursos de capacitação nesta
área e buscamos o acompanhamento
de uma empresa especializada em
redes sociais. Eles nos ajudaram a
Associação Comercial e Industrial de Londrina
Ana Paula Amâncio, gerente da Papel de Papel Jardim, e Flávia Pires Brandão,
sócia-diretora da loja que apostou nas redes sociais para atrair clientes.
definir o tamanho das imagens que
seriam postadas, a frequência de
publicações, a quantidade de texto e
outros detalhes”, explica a publicitária
e gerente da loja, Ana Paula Amâncio.
Ela afirma que esta é a mídia que recebe
maior investimento da empresa ao
longo do ano, outros tipos de mídias só
são utilizados em datas comemorativas
e épocas interessantes para o público
da loja, como a volta às aulas, por
exemplo.
Como
a
empresa
comercializa
um produto muito especializado,
direcionado
para
estudantes
e
profissionais
de
arquitetura
e
urbanismo e para pessoas que fazem
artesanato com papel, Ana Paula
afirma que é a própria equipe da loja
quem administra as redes sociais.
“Para vender nosso produto é preciso
conhecer de perto as características
dele e dos nossos clientes. Buscamos
sempre uma linguagem informal
e direta, a mesma linguagem que
utilizamos na loja física e no contato
face a face”, comenta.
A publicitária garante que o Facebook
permite estreitar o relacionamento da
empresa com os compradores, mas
tem dois pontos negativos. O primeiro,
segundo ela, é o fato de muitos clientes
ficarem aguardando as publicações
promocionais para irem até a loja e o
segundo ponto negativo para ela tem
a ver com o gerenciamento de crises.
“A partir do momento em que você
cria o perfil da sua empresa na internet
ela está exposta e pode receber elogios
ou críticas que serão vistos por todos.
É preciso saber contornar este tipo de
situação para que a empresa não fique
com uma imagem negativa perante os
demais seguidores”, ressalta.
Com o passar dos anos as redes
sociais foram se aprimorando e se
especializaram na “arte” de alcançar
o público exato para cada publicação.
Isso significa que para atingir pessoas
de determinada região e com um perfil
pré-estabelecido as empresas pagam.
Na Papel de Papel, por exemplo, há
um orçamento mensal utilizado para
impulsionar postagens e alcançar
exatamente quem tem interesse no
produto que está sendo anunciado. O
mesmo acontece com a loja Móveis
Brasília, que utiliza uma ferramenta
do Facebook para direcionar suas
publicações e fazer com que a
informação chegue exatamente a quem
se interessa pelo assunto.
O diretor operacional da loja Móveis
Brasília, Wilsonei Mattos,
explica
11
que a empresa não participa das redes
sociais apenas com ofertas. “Mandamos
mensagens diversas, informativos do
setor, a ideia é fazer com que o cliente
se sinta amigo”, comenta. Conforme ele,
o ponto mais importante de manter um
perfil empresarial nas redes sociais é a
moderação. “Se todos os dias eu mandar
uma oferta eu posso cansar o seguidor.
Quando eu tenho uma promoção eu
mando direcionada aos clientes que
se interessam por aquele produto”,
explica. Além do perfil no Facebook a
Móveis Brasília possui conta no Twitter,
Instagram e os critérios levados em
conta na hora de fazer uma publicação
são sempre os mesmos.
Mattos acredita em todas as redes
sociais
como
ferramentas
que
podem contribuir para melhorar o
relacionamento com o cliente. “O
próprio WhatsApp é muito legal.
Usamos para facilitar o contato com um
cliente específico, enviar uma foto mais
rápida do produto que ele deseja... O
mais importante é usar a mídia online
de forma ponderada”, complementa.
Para ele, manter um seguidor é difícil,
por isso é preciso prezar pelo respeito
aos limites do cliente. “Estamos há 38
anos no mercado e nas redes sociais
nós conseguimos fortalecer a imagem
da empresa”, conclui.
MAIS DO QUE USUÁRIOS,
PROFISSIONAIS EM POTENCIAL
Apesar de muito usadas para promover
as empresas, as redes sociais possuem
um papel bem maior dentro das
organizações.
Muitos
empresários
aproveitam os dados disponibilizados
pelos usuários para definir contratações.
Em várias instituições equipes de
Recursos Humanos analisam o perfil dos
candidatos a vagas na empresa antes de
decidir quem será contratado. Por este
motivo, da mesma forma que as empresas
devem seguir um “código de ética” na
rede para não importunar os clientes,
os demais usuários também deveriam
se policiar, e pensar duas vezes antes
de compartilhar determinadas fotos,
comentários e links. A orientação é da
administradora de empresas e consultora
de Marketing, Sheila Dal-Ry Issa.
De acordo com ela, as pessoas não
podem se esquecer que a rede social
é uma vitrine e que todas as ações
realizadas no perfil podem ser vistas por
muita gente. “Antes de postar alguma
coisa, a pessoa deve pensar se sentirá
vergonha se alguém da família, o chefe
ou um amigo ver”, comenta. Ela defende
que as redes sociais sejam usadas pelas
pessoas para mostrar suas habilidades.
O envolvimento em questões polêmicas,
especialmente as que possam ofender
outras pessoas, não é recomendado.
12
A consultora lembra que a exposição
negativa pode fechar as portas de um
emprego. “Os usuários devem encarar a
rede social como um currículo e colocar
lá informações e fotos que agregam
valor à sua vida pessoal e profissional.
Muitas empresas fazem análise de perfil
antes de contratar. A rede social é uma
aliada e deve ser usada com bom senso”,
complementa.
Para a empresária Tanila Mariele Dalmut
as redes sociais se tornaram aliadas na
hora de contratar um funcionário. Dona
de uma revista voltada para noivas, ela
afirma que faz uma avaliação prévia
dos candidatos a partir das informações
postadas por eles nas redes. “Fazemos
uma rápida análise do perfil da pessoa
para identificar se ela tem interesses
semelhantes aos nossos. Uma pessoa
que reclama muito da vida na internet,
por exemplo, não combina com o nosso
produto e a nossa política de trabalho”,
comenta. Conforme ela, o perfil do
candidato na rede social é avaliado
antes mesmo da entrevista. “Já vamos
mais preparados para a conversa. De
dezembro a janeiro nós contratamos
quatro pessoas e em todas as situações
levamos em conta o comportamento
dos candidatos nas redes sociais”,
complementa.
Sheila Dal-Ry Issa, consultora:
“Os usuários devem encarar a
rede social como um currículo e
colocar lá informações e fotos que
agregam valor à sua vida pessoal e
profissional. Muitas empresas fazem
análise de perfil antes de contratar.
A rede social é uma aliada e deve ser
usada com bom senso”
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PATROCÍNIO
FINANÇAS
A boa e velha caderneta de poupança, sinônimo de segurança e
rentabilidade, continua segura, mas já não goza mais do status
de rentável, especialmente entre empresários e investidores com
maiores volumes de recursos. Em 2014, o Brasil registrou um dos
mais baixos volumes de aplicações na caderneta de poupança, criada
há 154 anos, no reinado de Dom Pedro II.
“Com a inflação de 7%, em termos de rentabilidade, a poupança
não é interessante”, afirma o professor de Economia e Finanças da
Universidade Estadual de Londrina (UEL), Azenil Staviski. Os
investimentos na caderneta de poupança são remunerados a taxa de
0,5% ao mês, mais a TR (taxa referencial) que gira em torno de 0,1%.
“No cenário atual, a poupança basicamente está repondo o poder
de compra da moeda”, completa o professor, acrescentando que
médias e grandes empresas não mais depositam suas economias em
poupança. “Os grandes empresários, que fazem uma gestão eficiente
de caixa, normalmente preferem outras aplicações de curto prazo
que tenham taxas mais atrativas.”
Por ser completamente livre de tributos e não ter valor mínimo a ser
depositado, a poupança ainda é largamente utilizada por pessoas
físicas, com baixo volume de recursos – os pequenos poupadores.
“Neste caso, continua sendo o investimento adequado”, aconselha
14
“
... entre as aplicações
mais seguras estão os
títulos expedidos pelo
governo federal para
rolar a dívida pública...
“
Por Loriane Comeli
Azenil Staviski,
professor de Economia
Staviski. “O cidadão tem que pensar o seguinte: não é quanto eu
ganho aplicando, mas quanto deixo de pagar juros quando eu
consigo poupar para utilizar este recurso lá na frente”.
Criada pelo decreto 2.723, de 12 de janeiro de 1861, a caderneta
de poupança tinha como função original “receber, a juro de 6%, as
pequenas economias das classes menos abastadas, e de assegurar,
sob garantia do Governo Imperial, a fiel restituição do que pertencer
a cada contribuinte”. As retiradas poderiam ser feitas a cada oito
dias. Ao longo dos anos sofreu modificações, mas, a essência é a
mesma. “É um patrimônio social brasileiro. Um presente para o
pequeno poupador. Incentiva os cidadãos a poupar e é a principal
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“COM A INFLAÇÃO EM 7%, POUPANÇA NÃO É INTERESSANTE”
Otávio
Monteiro,
sócioadministrador
da Horus
Investimentos:
“Risque a
poupança
da lista de
possibilidades”
fonte de financiamento para habitação, saneamento, etc”, afirma o
economista.
O sócio-administrador da Horus Investimentos, Otávio Monteiro,
tem um conselho afiado para quem quer ganhar dinheiro com
aplicações financeiras, especialmente no meio empresarial. “Risque
a poupança da lista de possibilidades”. Para Monteiro, existe vasto
preconceito quanto a outras aplicações, especialmente, quanto ao
risco, e um desconhecimento generalizado acerca de investimentos
mais rentáveis.
“Eu atribuo esse preconceito ao público mais velho, que é muito
ressabiado com relação aos investimentos, principalmente em
Associação Comercial e Industrial de Londrina
razão do histórico econômico brasileiro: bancos quebrando,
troca de moedas e o evento do confisco (no governo de Fernando
Collor de Mello). Aquilo deixou muita gente desconfiada. Mas
isso já faz 25 anos. As pessoas deixam de ganhar dinheiro por
preconceito”, enfatiza.
O consultor, que atua no setor há 21 anos, também cita a falta de
profissionalismo dos empresários para fazer o dinheiro render.
“Há casos de empresários cuja empresa vale R$ 50 milhões, com
aplicações financeiras de R$ 30 milhões. A aplicação vale quase
tanto quanto a empresa e ele não tem profissionalismo nenhum
para gerir isso”, comenta. “O dinheiro fica nas mãos do gerente do
banco, que tem interesse divergente do empresário”.
R$ 5 trilhões
em títulos
Hoje, estão no mercado uma série de possíveis investimentos
tão seguros quanto a poupança, porém, bem mais rentáveis,
explicam Staviski e Monteiro. “Aplicações até R$ 250 mil
são totalmente garantidas”, diz o consultor, referindo-se a
títulos privados como o CDB, LCI e LCA, amparados pelo
Fundo Garantidor de Crédito (FGC), entidade formada por
15
“
“
A poupança é um
patrimônio social
brasileiro. Um presente
para o pequeno
poupador
Azenil Staviski
geral, são isentas de IOF após 30 dias de aplicação.
Staviski explica que entre as aplicações mais seguras estão os
títulos expedidos pelo governo federal para rolar a dívida
pública. São os títulos do Tesouro Nacional. Há vários deles,
como a LTN (Letras do Tesouro Nacional), NTN (Notas do
Tesouro Nacional) e LFT (Letras Financeiras do Tesouro).
Alguns (LTN e NTN da série F) têm rendimento prefixado, ou
seja, a taxa é determinada no momento da compra. Os outros
são pós-fixados: o valor do título é corrigido por um indexador
definido (LFT, pela Selic; NCN da série C, pelo IGP-M; NTN da
série B pelo IPCA). Os títulos podem ser ainda de curto, médio
ou longo prazo.
Incidência de Imposto de Renda sobre aplicações financeiras
Percentual descontado sobre o rendimento
Prazo do título
22,5%
Até 180 dias
20%
De 181 a 360 dias
17,5%
De 361 a 720 dias
15%
Acima de 720 dias
* Poupança, LCI e LCA são isentas
todos os bancos privados, cujo objetivo é dar estabilidade aos
investidores do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
A LCI (Letra de Crédito Imobiliário), cujos recursos arrecadados
pelos bancos se destinam ao financiamento do setor imobiliário,
e a LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), direcionada ao
setor agrícola, são isentos de impostos, assim como a poupança.
“É um incentivo governamental”, explica o professor da UEL.
Já sobre quaisquer outros títulos públicos ou privados incide
Imposto de Renda. A alíquota varia entre 15% e 22,5% sobre
o rendimento, conforme o prazo da aplicação. Quanto menor
o prazo, maior o índice. As aplicações financeiras, de maneira
16
Metas
“Num cenário de inflação alta, como o atual, os mais
indicados sãos pós-fixados”, aconselha o economista. Porém,
destaca que o melhor investimento deve ser moldado no perfil
do investidor, levando-se em conta, por exemplo, o volume
de recursos, a sensibilidade ao risco e o prazo para retorno.
“A melhor aplicação financeira é aquela moldada para você.
Quanto você tem, qual tempo que pretende deixar aplicado,
qual seu grau de sensibilidade ao risco”, discorre Staviski.
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“O MÍNIMO QUE ACEITO GANHAR É TAXA LIVRE DE RISCO”
Trata-se da meta atuarial. “De acordo com os planos de cada
investidor, o consultor traça a meta atuarial”, resume Monteiro.
“Há diferentes tipos de tomadores no mercado e, por isso, uma
gama tão grande de títulos”, completa.
Em novembro de 2014, o Banco Central divulgou que circulam
no mercado aproximadamente R$ 5 trilhões em títulos públicos
e privados, o que corresponde a 98% do PIB brasileiro. Mais de
60% são títulos públicos. O estoque aplicado em poupança é
de R$ 670 bilhões, o que corresponde a 14% do total.
Com todo esse volume de papéis circulando, o consultor
enfatiza que, mesmo para o pequeno empresário ou para
o capital de giro, há investimentos adequados, bem mais
risco. “Agora, quando são quantias volumosas, o mercado
não te impõe um pênalti. A rentabilidade é bem maior”.
Por isso, são comuns as aplicações por meio dos fundos de
investimento. “É um condomínio de investidores que ganha
escala e obtém resultados melhores”, explica.
Risco total
Ao lado dos títulos públicos e privados, que são investimentos
de renda fixa, há, ainda, os investimentos de renda variável,
que podem ser extremamente lucrativos, porém, envolvem
PRINCIPAIS TÍTULOS
TÍTULOS PRIVADOS
Renda fixa
• CDB (Certificado de Depósito Bancário)
• LCI (Letra de Crédito Imobiliário)
• LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)
• Debêntures – título expedido por companhias para
investimentos ou pagar dívidas
• Letras de Câmbio – expedidas por instituições financeiras
não bancárias para captar recursos no mercado
Renda variável
• Ações – parte de empresas (sociedades anônimas)
negociados na Bolsa de Valores
vantajosos que a poupança. “O mínimo que aceito ganhar com
uma aplicação é taxa livre de risco”.
Essa taxa livre de risco, calculada diariamente a partir dos
empréstimos feitos entre bancos, os CDI (Certificado de
Depósito Interbancário), está em pouco mais de 12% e é sempre
muito próxima da Selic, a taxa oficial de juros (12,25%), usada
para medir os juros dos títulos públicos.
Monteiro explica que ganhar dinheiro no mercado de
aplicações é mais fácil quando se tem grandes quantias de
dinheiro. Quem investe, por exemplo, R$ 500 em um CDB
dificilmente conseguirá auferir integralmente a taxa livre de
Associação Comercial e Industrial de Londrina
TÍTULOS PÚBLICOS
• LTN (Letras do Tesouro Nacional)
• NTN-F (Notas do Tesouro Nacional – Série F)
• NTN-B Principal (Notas do Tesouro Nacional – Série B –
Principal)
• NTN-B (Notas do Tesouro Nacional – Série B)
• LFT (Letras Financeiras do Tesouro)
• NTN-C (Nota do Tesouro Nacional - Série C)
*Desde 2002, o governo tentou popularizar a venda de títulos públicos
pela internet, o Tesouro Direto. O site também oferece cursos online com
instruções básicas sobre como investir. Pessoas físicas podem fazer
aplicações de sua própria casa.
“risco total”. Trata-se do mercado de ações, negociadas por
meio da Bolsa de Valores. As ações são cotas de sociedades
anônimas e a lucratividade reside em comprá-las por baixo
valor e revendê-las quando a empresa estiver em plena
lucratividade.
“É risco total e, normalmente, o investidor precisa de
auxílio profissional para isso. Pode-se ganhar muito. Mas,
também, pode-se perder muito”, diz Staviski. “Por exemplo,
quem comprou ações da Petrobras, não vai recuperar (o
investimento) tão cedo. Se não venderam, têm que esperar.
Um dia, talvez, esses preços voltem”.
17
EMPRESAS
Por Kalinka Amorim
Já faz algum tempo que o mundo
corporativo vem discutindo novos
modelos de gestão de pessoas. E é
fato que as empresas que investem em
gestão estratégica têm colhido bons
frutos. Valorizar o capital humano,
apostar no crescimento profissional
do colaborador, gerar um ambiente
saudável para se trabalhar, incentivar
o espírito de equipe, dar liberdade
para o colaborador expor suas ideias,
desenvolver lideranças motivadoras e
inspiradoras que se importam em dar
e receber feedback, entre tantos outros
fatores praticados é o que a GolSat, o
Sicoob Norte Paraná e Apetit Serviço
de Alimentação têm feito. Essas
empresas londrinenses são destaques
dentre as 25 melhores do Paraná
para se trabalhar, de acordo com
levantamento do Instituto Great Place
to Work (GPTW).
18
Tecnologia
transformadora
A GolSat, empresa de telemetria, alcançou
o 8º lugar no ranking das 25 melhores
empresas para se trabalhar no Paraná.
As soluções práticas desenvolvidas por
especialistas em gestão de frotas leves,
além de deixar seus clientes satisfeitos,
no âmbito econômico, ambiental e
social traz orgulho para sua equipe de 65
colaboradores.
O segredo para tanto sucesso, de
acordo com o gerente de Recursos
Humanos Carlos Tudisco, é a sinergia
entre colaboradores, líderes e diretores
que acreditam e seguem a diretriz da
empresa que é gerar uma economia de
combustível, limitar os riscos e reduzir
a poluição, sempre melhorando
a segurança dos condutores. “Os
colaboradores entendem o que a
empresa quer e onde almeja chegar.
A diretoria tem uma forma de
Golsat: “O resultado surpreendeu. Foi
um presente para todos que trabalham
aqui. É importante trabalhar numa
empresa certificada pelo GPTW”,
garante Carlos Tudisco
comunicação muito dinâmica com o
pessoal. Isso elimina algumas barreiras
hierárquicas. Não há muita formalidade
para os processos e esse é um fator que
acho relevante”, explica. De acordo com
ele, qualquer funcionário tem acesso
ao alto escalão da empresa podendo
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Liberdade e União
expor suas ideias. “Isso, jamais, é visto
como passar por cima do outro, muito
pelo contrário, gostamos de saber o
que os colaboradores pensam. Afinal,
são eles que estão em contato direto
com o cliente”, complementa.
Participar do levantamento realizado
pelo Instituto Great Place to Work
(GPTW), conforme Tudisco foi a
iniciativa tomada para entender
como seus funcionários olhavam a
empresa. “É uma forma muito isenta
de entender o que os colaboradores
pensam a respeito da instituição na
qual trabalham. Percebemos que
teríamos condições de concorrer
e ganhar uma boa colocação nesse
prêmio, que é uma certificação
reconhecida internacionalmente e
muito rigorosa com relação ao sigilo”,
afirma. “O resultado surpreendeu. Foi
um presente para todos que trabalham
aqui. É importante trabalhar numa
empresa certificada pelo GPTW”,
garante.
Associação Comercial e Industrial de Londrina
Administrador por formação, Márcio
Pereira, 32, atua na empresa há dois anos
como Supervisor de Relacionamento.
União, para ele, é uma das características
que mantém seu entusiasmo e a paixão
pelo trabalho. “A empresa proporciona
um sentimento de equipe. É como se
fosse uma extensão da casa da gente,
uma família”, afirma. “Sempre recebemos
apoio dos colegas, tanto nos assuntos
profissionais como também nos pessoais
e essa sensação de estar sempre junto para
tudo é muito boa”, declara.
Outro fator pontuado por Pereira, que
faz com que a GolSat se destaque entre
as Melhores Empresas para se Trabalhar
no Paraná, é a liberdade que a empresa
concede aos colaboradores. “Nós temos
nossas atividades e cada função mostra
claramente o que deve ser realizado. Eles
direcionam e você realiza de acordo com
seu perfil profissional. Não há imposição.
Isso gera um crescimento pessoal e
profissional e traz muita segurança, isso
cria em nós o desejo de sempre querer
fazer o melhor”, afirma. “A gente acredita
tanto no que faz, trabalhamos tanto em
conjunto, que se tornou natural esse
espírito de equipe”, corrobora a analista
de projetos, Luciana Mantovani Tejo.
Para ela, o que chama a atenção além do
espírito de equipe é a chance de fazer
uma carreira na empresa. “Todo mundo
é muito valorizado e quando surge uma
vaga para uma hierarquia maior, o líder
direto analisa e a chance de se fazer
carreira e subir de cargo na empresa é
muito grande. A empresa trabalha muito
em direcionar os funcionários de acordo
com o seu potencial. Isso dá uma chance
enorme para se desenvolver e crescer
profissionalmente”.
Além desse clima benéfico, o
colaborador da GolSat também conta
com os seguintes benefícios: Assistência
Médica e odontológica, bolsa de
estudos, vale alimentação, ginástica
laboral,
treinamentos
periódicos,
confraternizações em datas especiais.
Além de ter um incentivo para uma
alimentação mais saudável com a
disponibilização de frutas frescas no
período da manhã e da tarde.
Humanização,
respeito e
valorização à
pessoa
No Sicoob Norte do Paraná a surpresa
também tomou conta da equipe. É a
primeira vez que a instituição participa
do GPTW e garante o 17º lugar de Melhor
Empresa para se Trabalhar no Paraná.
Para o diretor presidente Wilson
Cavina, um conjunto de ações gerou
esse resultado. Proximidade entre
líderes e liderados, clima agradável de
trabalho, discurso coerente com a prática,
feedbacks constantes, planos de cargos e
salários, plano de saúde e odontológico,
auxílio combustível, auxílio telefonia,
cartão farmácia, treinamentos, bolsa de
estudos.
Mas o que cativa mesmo os funcionários,
na opinião dele, é a forma diferenciada
de tratamento que é dispensada aos
colaboradores. “Realmente consideramos
o colaborador como fator importante
no nosso negócio. Humanizamos as
formas de trabalho prezando sempre
a comunicação assertiva. Antes de ser
mão de obra importante, são pessoas e
merecem ser tratadas com tal. Sem eles o
Sicoob não existiria”, garante. “
Datas como o dia do aniversário, da
formatura, da descoberta da gravidez,
do nascimento do primeiro filho, o
primeiro aniversário de casamento, todas
são comemoradas. “Fazemos questão de
entregar uma lembrancinha e isso faz
muita diferença na vida do funcionário,
consequentemente,
o
desempenho
melhora”, assegura a gerente de Recursos
Humanos do Sicoob Norte Paraná,
Milena Campreguer.
Além de todos esses detalhes que
cativam os funcionários, um programa
diferenciado de licença maternidade
estendido chama a atenção. A funcionária
19
surpresa e muito feliz! São pequenos detalhes
que fazem a diferença”, diz.
Carmen pretende seguir carreira no Sicoob e
vem se preparando para isso. Atualmente ela
faz um curso de MBA em Gestão, custeado
pela empresa. “Comecei como estagiária, fui
assistente e hoje sou gestora, mas em breve
pretendo chegar à diretoria”.
Sicoob: “Humanizamos as formas de
trabalho prezando sempre a comunicação
assertiva. Antes de ser mão de obra
importante, são pessoas e merecem ser
tratadas com tal. Sem eles a Sicoob não
existiria”, afirma Wilson Cavina
goza o que é de direito por lei, os quatro
meses. Sai de férias e depois retorna
gradativamente até o bebê completar
um ano de idade. “Além de não ser uma
separação traumática, identificamos
que a colaboradora rende muito mais,
num curto período de quatro horas ela
consegue entregar mais resultados do
que permanecendo o tempo integral de
trabalho”, afirma Milena. “O ganho, a
dedicação e a fidelidade que temos com
esse projeto é muito grande”, complementa
Cavina.
Matutino ou vespertino, a
escolha do período a ser trabalhado é
feita pela colaboradora e o tempo integral
de sete horas de trabalho só volta a ser
praticado a partir do momento que a
criança completa um ano.
Detalhes que
fazem a diferença
Há sete anos, Carmen Paiva Gouvea, 34 anos,
debutou no Sicoob como estagiária. Hoje
ocupa o cargo de gestora do departamento
de crédito e está feliz da vida por trabalhar
numa empresa certificada pelo GPTW. “Amo
a cooperativa e o que faço. A valorização
humana aqui é muito boa. Não conheço
uma empresa que valorize o lado humano do
funcionário como o Sicoob valoriza”, afirma.
Ela conta que uma das primeiras coisas que
chamou muito a sua atenção foi ter ganhado
um presente no dia da formatura. “Não
tinha comentado nada com ninguém. Eles
descobriram e me presentearam. Fiquei
20
RH Estratégico
Há quatro anos consecutivos a empresa
Apetit Serviços de Alimentação figura
no ranking das melhores empresas
para se trabalhar. Com mais de 1,6 mil
colaboradores e escritórios espalhados
em 12 estados brasileiros, o cuidado com
as pessoas é o segredo que mantém a
Apetit em destaque, explica a gerente de
Estratégia, Pamela Manfrin. “É por meio
delas que crescemos e nos desenvolvemos.
Dessa forma, nada melhor do que o
alinhamento entre a cultura e a gestão,
o discurso e a prática. Pensando assim,
investimos constantemente na capacitação
para que os colaboradores estejam
realmente engajados com a estratégia
organizacional e estejam aptos a trabalhar
a favor dela”, diz
Alinhamento, foco, determinação, conforme
ela, são palavras constantes no vocabulário
de quem trabalha na empresa. “Nada
disso seria possível sem uma equipe forte e
estruturada, e é nesse aspecto que a atuação
do RH estratégico faz a diferença”, afirma.
“São dezenas de práticas formalizadas para
ouvir, falar, cuidar, compartilhar, contratar,
agradecer, desenvolver, inspirar e celebrar,
todas essas formam o que chamamos de
Universo Apetit”, complementa.
Para ela, o que motiva os colaboradores é a
oportunidade de crescimento encontrada na
empresa. “Esse é um grande diferencial para
quem trabalha conosco. A empresa cresce
em média 30% ao ano e, isso, gera muitas
oportunidades de promoções”. Pamela
acredita que o reconhecimento motiva a
busca por resultados. “Nossa equipe de RH e
toda a liderança é muito comprometida com
as etapas de recrutamento e seleção, com o
perfil dos colaboradores e seus objetivos
pessoais. Queremos profissionais que se
sintam felizes conosco. Alinhamento entre
Apetit: “Queremos profissionais que se
sintam felizes conosco. Alinhamento entre
expectativas do colaborador e a realidade da
empresa é fundamental para o sucesso de
ambas as partes”, opina Pâmela Manfrin.
expectativas do colaborador e a realidade
da empresa é fundamental para o sucesso de
ambas as partes”, opina.
Plano de Saúde, Plano odontológico,
Uniforme, Alimentação - café da manhã,
almoço e frutas à tarde-, Universidade
Corporativa, Convênio Educação, Vale
transporte, Cartão Alimentação, Programa
de qualidade de vida com massagem,
Ginástica laboral, Palestras, Participação nos
Lucros e Resultados – PLR, entre muitos
outros são os benefícios oferecidos pela
Apetit.
Liderança
Inspiradora
Para o consultor empresarial Wellington
Moreira, da Caput Consultoria, uma boa
empresa para se trabalhar precisa ter
lideranças inspiradoras que compartilhem
informações. “ Uma empresa pode até
ter uma boa política, mas se essa política
não for o que os trabalhadores querem,
não basta. O segredo é entender o que os
trabalhadores querem e isso se descobre
conversando com as pessoas. Por isso a
importância de um líder aberto ao diálogo”.
Além de lideranças inspiradoras, a empresa,
na opinião de Moreira, deve ter boa política
de remuneração, proporcionar perspectiva
de futuro, aprendizado contínuo e espírito
colaborativo.
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POLÍTICA
CONSEGUIR BENEFÍCIOS
PREVIDENCIÁRIOS ESTÁ MAIS DIFÍCIL
Previdência exige mais dos empregados e onera empresas
Por Muriel Amaral
Uma das propostas de governo para a gestão da presidente Dilma
Roussef para o segundo mandato de 2015 foi de, segundo ela,
não mexer com os direitos trabalhistas nem que a vaca tossisse.
A proeza aconteceu; e parece que a vaca tossiu e foi ouvida
apenas no Planalto. O brasileiro mal teve tempo de pular as sete
ondinhas na virada do ano e renovar os votos de prosperidade
para 2015 que no apagar de luzes do ano passado o governo
federal lançou por meio de uma medida provisória (MP) ações
que vão interferir de modo significativo no recebimento de
benefícios da Previdência Social como, por exemplo, o segurodesemprego, pensão por morte, auxílio-doença, seguro defeso
(seguro-desemprego destinado a pescadores artesanais) e abono
salarial. Segundo o Planalto, se as medidas forem aprovadas no
Congresso, a União economizará R$ 18 bilhões.
Algumas das ações propostas pela presidente certamente se
tornarão mais um entrave na vida dos trabalhadores, como é o
caso do recebimento do seguro-desemprego. Vigente no Brasil
desde 1986, esse benefício era ofertado ao trabalhador demitido
que comprove registro em carteira com o prazo de pelo menos
seis meses de atuação. Caso seja aprovada a MP, o trabalhador que
for dispensando do serviço terá direito ao seguro-desemprego
apenas quando completar no mínimo 18 meses de registro. Este
22
Valter Orsi,
presidente da
ACIL: “Mais uma
vez, as empresas
são lesadas por
medidas do
governo. Seria
muito mais
interessante um
diálogo mais
amistoso entre
trabalhadores,
empresários e
poder público”
março e abril de 2015 | www.acil.com.br
período é para a primeira solicitação do benefício. Em outras
situações em que o empregado for demitido o prazo também se
altera: 12 meses para a segunda solicitação e seis meses para a
terceira solicitação. Essa ação pode prejudicar principalmente
os mais jovens que costumam permanecer menos tempo nos
empregos até conseguirem a estabilidade profissional.
Para o presidente da ACIL, Valter Orsi, o período de permanência
em atividade para solicitar o seguro-desemprego vai na contramão
de políticas dos benefícios para o trabalhador. “O governo deveria
prezar pelo trabalhador que está em uma situação vulnerável.
Com o seguro-desemprego, o cidadão poderia ter um pouco
mais de confiança e segurança para buscar outras oportunidades”,
afirma. Na opinião dele, a mudança pode afetar, inclusive, o lado
emocional do colaborador. Mesmo enquanto estiver empregado,
poderá haver uma tensão se o profissional for demitido antes do
tempo mínimo de permanência no emprego. “Além do incômodo
de levar a vida sem nenhuma segurança no tempo em que ficar
desempregado”, avalia.
Quem fica em maus lençóis também são os pescadores artesanais
e outros profissionais que lidam com o pescado, nos períodos em
que a pesca é proibida. Até então, quem comprovasse o registro
de pescador com carteira assinada e contribuísse ao menos uma
vez à Previdência poderia solicitar o benefício quando a pesca
fosse vetada. Aprovada a nova medida, haverá a necessidade de
Associação Comercial e Industrial de Londrina
comprovação de pelo menos três anos de atuação como pescador
e um ano de contribuição. E aquele que receber qualquer outro
benefício pela Previdência como aposentadoria e auxílio-doença,
não terá direito ao seguro defeso.
As regras também mudam para quem receberia o abono-salarial.
O benefício de um salário mínimo é destinado a quem exerceu
uma atividade remunerada de até dois salários mínimos durante
um mês. Com as mudanças propostas, haverá a exigência do
período de carência de seis meses ininterruptos para solicitar o
benefício e o pagamento será proporcional ao tempo de serviço.
Os pensionistas também terão seus vencimentos alterados. No
caso de viuvez, o cônjuge recebia o benefício integral ou até o
teto de R$ 4.390,00. Além de lidar com o luto, o cônjuge vai ter
que se equilibrar com o orçamento familiar. Quando entrar em
vigência essa MP, os pensionistas deverão apertar os cintos, pois
o benefício atingirá o valor integral apenas se o casal tiver filhos,
caso contrário, o limite é de 50% do valor integral. Para cada filho,
o índice aumenta 10%, quando os filhos completarem 21 anos ou
terminarem os estudos esse percentual acaba. Por exemplo, se o
cônjuge tem dois filhos, a pensão será de 70% do valor integral,
quando os filhos completarem 21 anos ou terminarem os estudos,
o cônjuge receberá 50% do valor.
As mudanças para os pensionistas não acabam por aí. Para
solicitar o benefício, a parte requerente deve ter ao menos dois
23
anos de casamento ou união estável e dois anos de contribuição à
Previdência. Além disso, não haverá pensão vitalícia para todos
os casos. Passará a entrar em vigor o fator previdenciário que
estabelece o período que o beneficiário poderá receber a pensão:
abaixo de 21 anos, o pensionista recebe o benefício por três anos;
entre 22 e 32 anos, o benefício vigora por seis anos; e entre 32 e
43 anos, o pensionista receberá por 15 anos. As regras da medida
também atingem os servidores públicos que se aposentaram com
70% do valor do benefício.
Os empresários e contratantes também sofrerão quando as
mudanças da MP saírem do papel. Um ponto que vai pesar
no bolso e na produtividade das empresas é o afastamento por
doença. A Previdência só assumirá o pagamento do auxíliodoença do empregado quando o período de afastamento for
maior que 30 dias, e não mais de 15 dias. O primeiro mês da
licença do profissional será pago pelo contratante e não mais pela
Previdência Social. “Mais uma vez, as empresas são lesadas por
medidas do governo”, analisa Orsi. Outra mudança será feita no
valor do benefício. Os cálculos que definiam o valor do auxíliodoença eram realizados com base nos 80 maiores salários de
contribuição do trabalhador, mas a partir deste mês a referência
passa a ser os 12 últimos salários. “Seria muito mais interessante
um diálogo mais amistoso entre trabalhadores, empresários e
poder público”, completa Orsi.
Mudanças
BENEFÍCIO
COMO ERA
COMO PASSA A SER
Seguro-desemprego
Com seis meses de contribuição, o
trabalhador demitido tem direito ao
benefício
Terá direito o trabalhador demitido
com pelo menos 18 meses de
contribuição
Abono-salarial
Destinado ao trabalhador que exerceu
alguma atividade, por um mês e
que tenha recebido até dois salários
mínimos.
Para receber terá que exercer ao
menos seis de atividade registrada em
carteira e o cálculo será referente ao
período realizado.
Pensão por morte
Tem direito à pensão o viúvo (a)
independente da faixa etária ou tempo
de contribuição.
Requerente precisa ter tido pelo
menos dois anos de casamento ou
relação estável. O valor do benefício
varia de acordo com a idade do
cônjuge.
Auxílio-doença
A empresa arca com 15 dias de
afastamento e o benefício é de 91%
do salário do trabalhador, limitado ao
teto do INSS.
O período passa a ser de 30 dias do
profissional afastado e o cálculo é
realizado com base nas últimas 12
contribuições.
ARTIGO
Por Fábio Cavazotti
No momento em que comemora 80 anos,
Londrina mais uma vez mostra porquê é
uma cidade especial. Após uma década
de notícias ruins em diversos segmentos,
que chegaram a arranhar a autoestima
de uma população acostumada a ousar
e liderar, a virada de 2014 para 2015
trouxe novidades bastante positivas sobre
nosso desenvolvimento. Nos últimos
anos, vínhamos nos acostumando a dar
uma ênfase muito grande aos nossos
problemas. Hoje, o que a prudência nos
pede é que, sem descuidar daquilo que
merece ganhar novos rumos, também
saibamos valorizar as conquistas que, a
duras penas, vimos construindo neste
ambiente um bocado pessimista.
Exemplos? O principal deles foi a
divulgação, há dois meses, do resultado
dos PIBs municipais pelo IBGE. O último
levantamento disponível mostrou um
desempenho espetacular da economia
londrinense: em 2012, a cidade cravou
um crescimento de 19%, simplesmente
o maior registrado entre as cidades do
Sul do país. Naquele ano, Londrina teve
um prefeito cassado e outro preso, o que
confere ainda maior destaque à resiliência
e vigor das forças produtivas locais.
Naquele ano, o crescimento do PIB fez
Londrina avançar 10 posições no ranking
nacional, passando do 55º para o 45º
lugar.
Associação Comercial e Industrial de Londrina
Também recentemente, o Ministério da
Educação divulgou um levantamento
sobre a qualidade de ensino superior
que classificou a UEL como a melhor
universidade paranaense e 22ª do país. A
UTFPR, que tem campus aqui, ficou em
segundo lugar no estado e em 25º no país.
Ainda no campo do ensino superior, um
levantamento realizado por uma grande
universidade local mostrou que o PIB
universitário de Londrina ultrapassa R$
1 bilhão e que quase 10% da população
(algo como 50 mil pessoas!) é composta
por alunos, professores e servidores
de universidades. Poucas cidades têm
números tão positivos no ensino de
terceiro grau – e, para 2015, a previsão é
de instalação de uma nova universidade
em Londrina.
Na área de serviços, com as duas
inaugurações previstas para este
ano, Londrina passará a contar com
seis grandes shoppings – quase 20%
dos shoppings do Paraná. Um deles,
inaugurado há dois anos e que pertence
a uma grande rede com operações em
todo o país, registrou neste período o
maior crescimento entre as dezenas de
empreendimentos de mesma bandeira.
A construção civil, apesar das dificuldades
dos últimos anos, continua entregando
novos edifícios e condomínios a cada
mês – e a Gleba Palhano, em que pese os
problemas que a falta de planejamento
urbano tem gerado, é uma das regiões de
mais rápida transformação do sul do país.
Na área industrial, em que notadamente
Londrina apresenta crescimento menor
que de outras cidades, nichos como da
Tecnologia da Informação mostram que a
massa crítica e a qualificação profissional
são aliados indispensáveis para abertura
de novas oportunidades. O coroamento
deste processo deve vir também este
ano, com a inauguração de um Instituto
de Inovação e Tecnologia do Senai, um
empreendimento de formação de mão de
obra em TI com raros similares no país.
Todas estas transformações e conquistas
vieram – e talvez isso seja o mais
importante! – dentro de um ambiente
democrático que valoriza a cidadania
e a cultura e que homenageia alguns
dos legados mais importantes de nossa
história.
Londrina, como a maioria das cidades
brasileiras, continua com muitos
problemas, sim, e não é o caso de escondêlos. Porém, ao acolher de forma generosa
as nossas conquistas, conseguiremos
ajudar a construir o ambiente necessário
para consertar aquilo que precisa de
reparo, e para avançar ainda mais naquilo
que tem dado certo.
Que venham os próximos 80 anos;
Londrina tem a cara do futuro!
Fábio Cavazotti é jornalista e vicepresidente do Observatório da Gestão
Pública em Londrina.
25
EMPREENDEDORISMO
ELAS À FRENTE
52% dos novos empreendimentos no Brasil são
comandados por mulheres. Enxergar no negócio uma
oportunidade e uma possibilidade de conciliar casa e
trabalho é o que motiva a maioria delas
26
março e abril de 2015 | www.acil.com.br
Por Juliana Mastelini
As mulheres sempre participaram da
vida econômica do país. Seja saindo de
suas casas para trabalhar ou trabalhando
em casa, dando suporte para que os
maridos pudessem acumular capital
financeiro para a família. Hoje, elas
lideram a maioria dos novos negócios:
52% dos empreendimentos com menos
de três anos e meio são comandados
por mulheres, aponta a GEM (Global
Entrepreneurship Monitor), pesquisa
anual sobre empreendedorismo. 66%
delas abrem um negócio porque viram
uma oportunidade. “Ou seja, elas têm
um olhar empreendedor e enxergaram
ali uma possibilidade, não que
necessariamente faltava emprego no
mercado de trabalho e elas precisaram
abrir um negócio para se virar”, explica
a consultora do Sebrae Liciana Pedroso.
Para Liciana, a mulher vê no
empreendimento uma possibilidade
de conciliar trabalho e vida pessoal,
com mais flexibilidade para a atenção
aos filhos e à família. “A maioria delas
acaba trabalhando ainda mais no
empreendimento do que trabalhava
antes, mas tem mais flexibilidade e
assim pode conciliar essas questões”,
explica Liciana.
A Temp’s, temperos desidratados, da
empresária Vaniza Goulart Costa,
nasceu da possibilidade de conciliar
família e trabalho. Quando viajou
com a família para a Argentina em
2013, uma pergunta já ocupava o
pensamento de Vaniza: “O que eu vou
fazer da vida?” E foi na mala que ela
trouxe a resposta: temperos.
Vaniza é pedagoga, trabalhou por
cinco anos na área, mas teve que deixar
o emprego para cuidar dos filhos:
cinco no total. Na visita à Argentina
conheceu os temperos desidratados
vendidos nas feirinhas de rua do país.
Achou aquilo uma boa ideia e uma
oportunidade para trabalhar aqui.
De volta ao Brasil, foi pesquisar onde
poderia comprar os temperos para
embalar em porções menores e vender.
“Falei com meu marido, que, mesmo
Associação Comercial e Industrial de Londrina
meio desacreditado, investiu na ideia.
Então eu compro os produtos prontos
e embalo num recipiente próprio para
a dona de casa. São potes práticos que
facilitam muito a rotina de casa”, conta
Vaniza.
Desde o momento em que decidiu
montar o negócio, a empresária
busca se atualizar, estudar e começou
até a dar mais valor aos programas
de culinária da TV. “Antes eu nem
ligava para esses programas, mas
agora assisto porque eles usam todos
esses temperos desidratados que eu
trabalho e sempre dão dicas de como
usar. São coisas que eu nem conhecia
antes.” Dessa forma, além de vender,
Vaniza presta uma assessoria aos
clientes e mostra as qualidades do seu
produto, baseada na sua experiência
em casa. “Eu costumo dizer que o
pacotinho não fala com você, então eu
procuro sempre estudar pra conversar
e explicar para as pessoas. E elas se
interessam muito em aprender, saber
como dá pra usar. As próprias clientes
compartilham as suas experiências”,
conta Vaniza.
A busca por informações é uma das
peculiaridades das mulheres apontadas
pela consultora do Sebrae. “Além de
terem maior grau de escolaridade, elas
buscam mais informações do que os
homens quando estão empreendendo.
Assim, quando um cliente chega, por
exemplo, elas são mais detalhistas,
estão mais atentas e podem dar um
suporte melhor”, explica.
Vaniza montou o seu negócio em casa,
empacotando os temperos e vendendo
para as amigas. E seu público foi
aumentando. “Uma foi indicando para
a outra e agora tenho clientes que não
ficam sem os temperos. No final do
ano passado, meus temperos foram
levados para diversos estados do país.”
Hoje, com menos de dois anos de
negócio, a empresária se prepara para
se estabelecer num local próprio onde
futuramente será sua loja. “Dentro de
20 dias o local estará pronto, só falta
a vigilância liberar para mudarmos”,
conclui.
Liciana Pedroso, consultora
do Sebrae: “A maioria delas
acaba trabalhando ainda mais
no empreendimento do que
trabalhava antes, mas tem
mais flexibilidade e assim pode
conciliar família e trabalho”
Vaniza Goulart Costa,
proprietária da Temp’s –
Temperos Desidratados: “Eu
costumo dizer que o pacotinho
não fala com você, então eu
procuro sempre estudar pra
conversar e explicar para as
pessoas os meus produtos”.
27
Um universo de colaboração
Segundo a consultora do Sebrae, comparadas aos homens,
as mulheres tem mais sensibilidade, estão dispostas a ouvir e
refletir mais as decisões que tem que tomar. Ao contrário dos
homens, que costumam ser mais práticos. “Cada característica
funciona para certas coisas. Não que um seja melhor que o
outro, mas se complementam”, afirma.
O comércio é a área de maior concentração das mulheres. Para
a consultora do Sebrae, isso se deve a questões culturais. “A
ideia que se tem da indústria, por exemplo, é que é uma coisa
mais pesada, os serviços também. Mas já está havendo uma
quebra de paradigma, as mudanças acontecem aos poucos”,
completa.
Liciana lembra que as mulheres sempre trabalharam, mas
não eram reconhecidas. Chegou um momento em que elas
começaram a assumir outras responsabilidades. “Houve uma
ruptura e elas decidiram trabalhar para ganhar dinheiro, se
viram empreendedoras. É uma história de conquistas que
dependem de mudanças culturais. Sem essas mudanças o
mundo não se sustentaria. Sempre depois de um momento de
rupturas as coisas vão se ajeitando”.
Esse universo de conquistas da mulher ainda está em processo.
Tanto que o número de mulheres à frente ou como executivas
de grandes empresas ainda é baixo. “É uma escalada, as
empresas que são grandes hoje, um dia foram pequenas. As
mulheres são maioria na chefia de novos empreendimentos
que um dia também serão grandes. Mas como executivas, as
mulheres ainda são minoria. É uma questão cultural que aos
poucos vai mudando. Hoje as mulheres disputam o mesmo
espaço com os homens e convivem com eles num ambiente de
cooperação. Já avançamos muito, mas ainda vai um período
para suprir o tempo de desigualdade”, completa Liciana.
A patinação
como negócio
“Trabalho, trabalho, trabalho”. Esse é o segredo dos 25 anos
da escola Dancing Patinação, da empresária Juliana Bicalho.
Há 43 anos no esporte, Juliana é pioneira na patinação em
Londrina. Trabalhava como professora de patinação em São
Paulo quando o namorado mudou-se para Londrina, no final
da década de 80.
Ela concordou em acompanhá-lo, mas com a ideia de trazer
a patinação pra cá. Juliana, então, apresentou projeto a três
clubes de Londrina e um deles a chamou para que começasse
a dar aulas. Um espetáculo de patinação inaugurou a escola
em 1989 no Clube Canadá. “Com seis anos em Londrina, a
escola já contava com 200 alunos. Aí tivemos a oportunidade
28
A proprietária da Dancing Patinação, empresária Juliana Bicalho,
é pioneira na patinação em Londrina. Trouxe o esporte para cá e
encontrou na cidade um campo propício para o trabalho.
de montar uma escola própria na avenida Santos Dumont,
onde ficamos por 19 anos. E há oito meses estamos em um
local novo na avenida Harry Prochet”, conta Juliana.
O maior desafio que a empresária enfrentou foi implantar a
cultura da patinação em Londrina. Mas ela também encontrou
na cidade um campo propício para o trabalho, tanto que depois
do espetáculo de inauguração e na abertura da escola, já havia
30 crianças matriculadas. A partir daí, trabalho e dedicação
foram essenciais. “Tem que ter persistência para superar as
dificuldades e transformá-las em oportunidades, saber lidar
com problemas e ser organizado. E não se acomodar. Em vez
disso, buscar fazer o melhor sempre. O empresário é uma
multifunção, que faz de tudo um pouco e conhece de várias
áreas. Mas é essencial se cercar de bons profissionais e boas
empresas que o auxiliem”, explica.
Para Juliana, a característica principal da pessoa
empreendedora é que ela não depende de fatores externos
para fazer algo. “O empreendedor tem um inconformismo
intrínseco positivo que o leva sempre a fazer melhor. Ele
não fica muito tempo no mesmo patamar. Sempre busca se
aprimorar, criar. Tem gente que gosta de segurança, saber que
vai fazer sempre a mesma coisa todo dia. Já o empreendedor
gosta de aprimorar, de criar”, conclui Juliana.
Oportunidade de empreender
Foi a oportunidade que fez com que Maria do Rocio Lázaro
Rodrigues abrisse a Dhermus Farmácia de Manipulação em
1994. Depois de se formar na graduação em Farmácia, Maria
trabalhou um ano em um laboratório de bioquímica, mas
seu sonho era ter uma farmácia. Foi então que, junto com
uma sócia, teve a possibilidade. “Na época não tinha tantas
farmácias de manipulação como tem hoje. Era uma coisa
nova. A farmácia era um sonho que eu sempre tive e a minha
sócia, que ficou comigo apenas seis meses, foi alguém que deu
coragem.”
março e abril de 2015 | www.acil.com.br
CME ATUA NA DEFESA SOCIAL, CULTURAL E ECONÔMICA DA MULHER
tem mais cuidado com os produtos. Na verdade nem aparece
homem procurando emprego na farmácia. Acho que por ser
tudo rosa, acaba assustando um pouco”, explica Maria do
Rocio.
Segundo a empresária, para manter-se no mercado há tanto
tempo é preciso muito trabalho e acreditar no sonho. “Além
de estar sempre se atualizando, se modernizando e buscando
informações”, conclui.
A Dhermus Farmácia de Manipulação tem 16 funcionárias e nenhum
homem. A proprietária Maria do Rocio Lázaro Rodrigues explica que elas
são mais cuidadosas no trato com os medicamentos e com as entregas.
A farmácia começou bem pequena e nela trabalhavam
apenas as duas sócias. Hoje, o estabelecimento conta com
16 funcionárias e trabalha com manipulação de produtos
para animais e humanos e com revenda de medicamentos
e produtos de nutrição com foco na qualidade de vida.
“Todas as funcionárias são mulheres, até as entregadoras.
Na manipulação de remédios geralmente é mulher que
trabalha mesmo. Elas são mais focadas e mais delicadas na
manipulação. E eu vejo as entregadoras saindo com a moto,
Conselho da Mulher
Empresária da ACIL
Com 30 anos de existência, o Conselho da Mulher Empresária
(CME) da ACIL traz o olhar feminino para a associação. Para
2015, o conselho planeja ações que estimulem e contribuam
com o empreendedorismo feminino em Londrina. O conselho
busca aproximar as mulheres empresárias e debater assuntos
de interesse delas e, assim, renovar conhecimentos, fomentar o
associativismo e atuar na defesa social, cultural e econômica da
mulher. “Oferecemos cursos, capacitações, debates que visam
fortalecer e integrar as mulheres empreendedoras, envolvendo-as
nas ações da ACIL”, explica a presidente do CME/ACIL, Marisol
Chiesa.
ENTREVISTA
Por Paulo Briguet
“A insatisfação é o primeiro passo para o
progresso de um homem ou de uma nação”,
disse o escritor irlandês Oscar Wilde. Se
é assim, o Brasil está no caminho para a
mudança. Nestes três primeiros meses
de governo, a presidente Dilma Rousseff
conseguiu fazer um dos piores inícios
de mandato da história da humanidade,
colocando a maioria do País contra seu
partido, o PT. Por toda a parte, cresce a
insatisfação e, mais que isso, a indignação
contra o governo federal e sua montanha
de escândalos e incompetências. Uma
das vozes mais críticas da oposição ao PT
vem do Rio Grande do Sul: é a do escritor
Percival Puggina, colunista do jornal Zero
Hora e autor dos livros “Crônicas Contra
o Totalitarismo”, “Cuba – A Tragédia da
Utopia” e “Pombas e Gaviões”. Aos 70 anos,
Puggina defende uma união dos homens
de bem e uma oposição intransigente
ao Partido dos Trabalhadores, “pois o
que convém ao PT não convém ao País”.
Segundo ele, essa frente política deve atuar
no plano das instituições e dentro das
normas constitucionais. “O importante
é que o Brasil não pode – não pode! –
continuar como está.” A seguir, leia a
entrevista que Percival Puggina concedeu
à Mercado em Foco:
No “Livro Negro do Comunismo”, JeanLouis Margolin define o Camboja de 1975
como “o país do crime desconcertante”.
Quarenta anos depois, estamos vivendo
no “país do roubo desconcertante”?
Com efeito, o petismo, e nele os petralhas,
promoveram um formidável update na
criminalidade nacional, em especial no
avanço sobre os recursos públicos para fins
privados. Mais do que da “privatização”,
trata-se, aqui, da apropriação privada
desses meios financeiros.
Diante das notícias do petrolão e outros
escândalos nacionais, a militância petista
sempre aponta os casos supostamente
semelhantes ocorridos em governos do
PSDB. Qual é a diferença ontológica
entre esses dois níveis de escândalos?
30
março e abril de 2015 | www.acil.com.br
PARTICIPAÇÃO DO EMPRESARIADO SERÁ FUNDAMENTAL NAS MANIFESTAÇÕES POR VIR
no Brasil, atraiu pelo bolso, via BNDES,
a banda podre da economia brasileira.
Julgo urgente que micros, pequenos e
médios empresários se levantem contra
essa orgia de recursos financeiros a
juros privilegiados, canalizados para
as maiores empresas do país, gerando,
como consequência das facilidades
e abusos, o caos econômico em que
estamos ingressando.
É a um tempo embaraçoso e esclarecedor,
ver-se o petismo descer de seu velho
pedestal, e apelar para essa linha de
argumentação, que não diz coisa alguma
sem mencionar o FHC e o PSDB. A
corrupção começou com os R$ 3 mil de
Maurício Marinho e dos R$ 50 mil de Luis
Paulo Cunha, para os milhões do Mensalão
e para os bilhões do Petrolão.
De que maneiras os empresários e
entidades de classes podem se organizar
e se manifestar contra o atual estado
de coisas no Brasil? Quais seriam as
estratégias para evitar que movimentos
políticos sejam aparelhados pelo PT
e por “agentes provocadores” como o
black blocs?
A participação do empresariado brasileiro
será essencial às mobilizações por vir.
Os empresários devem estimular a
presença de seus funcionários e estar,
eles mesmo, presentes nas manifestações
de rua. Pessoalmente eu estou longe de
fazer o tipo militante de passeata, mas,
nas mobilizações de dezembro, até em
caminhão de som subi para discursar.
Pude perceber na reação das pessoas o
quanto isso foi significativo para elas.
Queiramos ou não, somos parte sadia da
elite brasileira. E é sobre nós que recai a
maior responsabilidade neste momento.
Todo movimento eficaz da sociedade
civil pressupõe bandeiras de fácil
compreensão e uma identidade
simbólica simples. Por exemplo: Diretas
Já e a cor amarela. Ao mesmo tempo,
exemplos como a Revolução de Veludo
Associação Comercial e Industrial de Londrina
na Tchecoslováquia notabilizaram-se
por provocar imensas transformações
sociais sem quebrar uma só janela. Quais
são os motes e os símbolos que podemos
utilizar em um movimento da sociedade
no Brasil atual?
Eu pensaria numa arte com nascer do sol,
significando “alvorada”, ou uma versão
pictórica do galo chanteclair, ou ainda um
lenço verde e amarelo para pescoço.
Hoje estamos assistindo ao governo
venezuelano invadir uma rede de
supermercado em nome da “guerra
econômica” contra as elites. O
empresariado parece não ter dado conta
da gravidade da situação. Como fazer
com que eles acordem para a situação
real do País?
Ao longo dos últimos 20 anos, tornei-me
um especialista em questões cubanas.
Meu interesse pelo país foi derivado
da dedicação da esquerda brasileira
em geral e do petismo em particular
à tarefa de glamourizar a revolução
cubana e cantar méritos que descobri
serem absolutamente fajutos. Dezenas
de debates mais tarde, surgiu o chavismo
na Venezuela e recebeu as mesmas
reverências. Tem sido muito fácil apontar
a disinformation construída em torno
dessas duas desastrosas experiências
comunistas na América Latina. Será
mais difícil fazer isso no Brasil acima
de Brasília, onde o eleitorado foi
capturado nas malhas da dependência
do Estado mediante renúncia à própria
consciência moral. Ademais, o petismo,
O PT quer conduzir o Brasil para uma
situação semelhante à da Argentina e
da Venezuela ou pensa em adotar um
autoritarismo inspirado nos modelos
russo e chinês?
Eu estou convencido de que o PT coloca
o poder como fim e não como meio.
Portanto, o petismo, deixado livre, leve
e solto, tanto poderá evoluir para um
peronismo com Lula, quanto para alguma
forma de organização do Estado com viés
totalitário ou autoritário.
Muitos empresários e intelectuais,
mesmo aqueles alinhados com a oposição,
agem como se o PT e as legendas da linha
auxiliar – PSOL e congêneres – fossem
partidos semelhantes a todos os outros, e
que portanto devem receber tratamento
igual e ser medidos pela mesma régua
da democracia. O que o sr. teria a dizer
sobre essa opinião tão disseminada?
Isso é um equívoco. Todos esses
partidos já cometeram crimes contra
a ordem pública, apoiam movimentos
e organizações terroristas, nada fazem
contra o tráfico de drogas, unem-se à
escória do planeta, aplaudem nações
inimigas da democracia, querem
desarmar a população, gostariam de
controlar a mídia, odeiam o Ocidente,
festejaram o ataque de 11 de setembro
de 2001, unem-se a qualquer um que se
apresente como adversário dos EUA, e
por aí vai. São partidos que deveriam
ser banidos. E o PT, se não o for, ao fim
e ao cabo das investigações em curso, em
alguns anos retornará para “reescrever
a história”, transformando bandidos em
heróis e heróis em bandidos. Ou não?
31
CARTAS DA
GRATIDÃO
PREZADO
EMPRESÁRIO...
Jovens beneficiados pelo Programa Bom Aluno agradecem por
carta aos empresários mantenedores do projeto. Depoimentos
revelam a importância do apoio à educação – e mostram que
fazer o bem não tem preço
Surpresa na formatura
Quando Nilson Douglas Castilho recebeu a notícia de que seria beneficiado pelo Bom Aluno, o
entusiasmo misturou-se com a preocupação. Por ser de origem humilde e ter estudado apenas em
escolas públicas, Nilson temia sofrer discriminação por parte dos colegas no Colégio Marista, onde
passou a estudar no Secundário. “Meu sonho era ser professor”, conta ele, em carta ao empresário
Estefano Boiko Junior, diretor da Brasil Sul.
Mas logo nos primeiros dias Nilson sentiu-se acolhido no Marista. Ali ele não encontrou apenas colegas,
funcionários e professores; ganhou amigos.
Pouco antes de se formar no “terceirão”, Nilson passou por um drama familiar. O pai sofreu um acidente
e acabou tendo que amputar uma das pernas. Com as despesas do tratamento médico, a família não
pôde arcar com as despesas da formatura de Nilson. Qual não foi a sua surpresa quando soube que os
colegas de classe e professores se haviam cotizado para garantir sua participação na festa!
“Por conta da oportunidade dada pelo Bom Aluno, tive a chance de fazer grandes amizades que duram
até hoje”, diz Nilson Castilho em sua carta de agradecimento. “Tenho consciência de que tudo que
conquistei até hoje só foi possível porque procurei aperfeiçoamento constante, algo que o Bom Aluno
sempre cultivou em mim.”
32
março e abril de 2015 | www.acil.com.br
Por Paulo Briguet
“Se eu puder salvar um coração,/ minha
vida não terá sido em vão./ Se eu puder
acalmar um sofredor,/ ou aliviar uma
dor,/ ou ajudar um passarinho/ a voltar
para o seu ninho,/ minha vida não terá
sido em vão.”
Quando a poetisa americana Emily
Dickinson (1830-1886) escreveu essas
palavras, tinha em mente o valor dos
pequenos gestos para a vida das pessoas.
Mesmo para aqueles que dedicam a vida
a produzir riquezas e gerar trabalho,
estender a mão a alguém que precisa
de ajuda pode ser motivo de imensas
alegrias. Um exemplo está no Projeto
Bom Aluno, que desde o ano 2000
apoia famílias carentes e estudantes
de escolas públicas que se destacam
nos estudos, acompanhando-os até a
formação superior. Centenas de alunos
já foram beneficiados pelo programa e
se tornaram profissionais competentes
em diversos ramos de atividade.
Na sociedade contemporânea, o hábito
de escrever cartas está quase esquecido.
O e-mail e as mensagens por celular
substituíram
as
correspondências
tradicionais.
Mas
alguns
jovens
beneficiados pelo Programa Bom Aluno
de Londrina escreveram cartas para os
empresários mantenedores do projeto – e
o resultado são pequenas e emocionantes
histórias da gratidão humana.
Efeito generosidade
Natália Mamede Morais mora no bairro Maria Celina, região dos Cinco Conjuntos. Seu pai, Gessiel, é técnico
em enfermagem. Sua mãe, Katia, é costureira. Durante a infância, ao observar o trabalho do pai, ela alimentou o
sonho de ser médica. “Queria com isso ajudar as pessoas e fazer o mundo melhor de alguma forma.”
A realidade, no entanto, era difícil. “Sempre estudei em escola pública, onde o ensino não era suficiente para
que eu conseguisse entrar no curso que escolhi.” Um dia, Natália recebeu a ligação informando que ela havia
ingressado no Programa Bom Aluno. “Essa notícia mudou o rumo da minha vida. Imediatamente avisei meus
pais, tremendo e chorando, e eles explodiram de alegria, assim como eu”, conta Natália em sua carta ao empresário
Cármine D’Olivo, da Superlife. Hoje Natália cursa o 2º ano do Ensino Médio no Colégio Universitário. “Aqui
tenho ótimos professores, um material excelente e um apoio inigualável, tudo isso graças ao Programa Bom Aluno
e a pessoas como o senhor”, escreve Natália ao seu apoiador. Ela garante que não esquecerá esse apoio quando
realizar o sonho de se tornar médica: “Generosidade gera generosidade e eu espero um dia também ajudar
pessoas e famílias a realizar sonhos.”
Associação Comercial e Industrial de Londrina
33
A construção do lar
Sonhando grande
Mateus Ferreira do Nascimento inicia sua carta ao
empresário Alexandre Fabian, da Plaenge, com o coração
cheio de gratidão. “Através deste programa, pude alçar
voos cada vez mais altos.” Bolsista no Colégio Interativa,
Mateus tem se dedicado a um tema apaixonante: a iniciação
científica.
Com o apoio do Bom Aluno, Mateus pôde fazer pesquisas
sobre casas e materiais de construção ecológicos.
“Desenvolvemos um tijolo aditivado com fibra do caule das
bananeiras e apresentamos o projeto na Febrace, a maior
feira de ciências e engenharias do país, realizada no campus
da USP”, orgulha-se Mateus.
Em 2014, Mateus concluiu o terceiro ano do Ensino
Médio, não sem antes obter o segundo lugar em um
concurso nacional de web jogos. Prestou vestibular para
Publicidade na Faculdade Pitágoras e Relações Públicas na
UEL. Passou em primeiro lugar nos dois cursos. “Como
pode ver, o Instituto Bom Aluno mudou minha vida por
completo”, diz Mateus a Fabian. “Pretendo me tornar um
grande publicitário para que um dia eu possa, da mesma
maneira que o senhor tem feito, mudar a história de outros
estudantes através deste projeto”.
Coisas maravilhosas
A rede da gratidão chegou até Leila Pereira aos 13 anos de
idade, quando ela estudava numa escola rural em Tamarana.
Conforme ela relata ao empresário Valter Orsi em sua carta de
agradecimento, o Programa Bom Aluno significou para ela uma
transformação de vida. “Quero que saiba que a sua atitude de
me ajudar na educação me fez uma pessoa melhor.”
Hoje, aos 27 anos, Leila Pereira é psicóloga formada pela UEL,
com pós-graduação em gestão de recursos humanos. Atua
como analista de recursos humanos sênior da empresa Bemis
(ex-Dixie Toga), multinacional do setor de embalagens. A Valter
Orsi, ela declara: “Desejo que coisas maravilhosas aconteçam em
sua vida”.
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“Hoje posso ajudar em casa com as contas e já planejo em breve
construir uma casa para meus pais”, escreve o engenheiro civil
Denis Nader Gonçalves, 24 anos, em carta ao empresário Daniel
Milanez.
Formado pela UEL, Denis hoje trabalha numa empresa de
projetos estruturais e pode retribuir aos pais todo apoio que eles
lhe deram durante o período de estudos. A casa própria, que
antes era apenas um sonho distante, agora está bem perto de
virar realidade. Denis conta: “O Instituto Bom Aluno sempre
me orientou a priorizar os estudos, o que eu nem sempre
compreendia, pois, em vista das dificuldades que meus pais
enfrentavam, eu sempre quis trabalhar para ajudá-los. Mas meus
pais também me incentivaram a estudar e não deixaram que
os problemas em casa atrapalhassem meus estudos, haveria o
momento certo para trabalhar.”
Agora, para o menino que virou engenheiro, é hora de colher
os bons frutos de tanta persistência. “Obrigado, Daniel, por sua
ajuda. Este país se torna um lugar melhor com atitudes como a
sua.”
Leitora premiada
Gislaine de Souza Amaro Oliveira conheceu o programa aos 11
anos, quando estudava no Colégio Estadual Érico Veríssimo, em
Cambé. Assim que começou a receber aulas de reforço, Gislaine tinha
dificuldade em leitura de livros, mas conseguiu transformar esse
hábito em algo fundamental para sua vida – a ponto de ganhar um
prêmio como a maior frequentadora da biblioteca de sua escola.
Depois de ganhar uma bolsa de estudos e concluir o Ensino Médio
no Colégio Marista, Gislaine foi aprovada no vestibular da UEL e hoje
cursa o terceiro ano de Arquitetura e Urbanismo. Em carta enviada
ao empresário Ary Sudan, um dos coordenadores do Instituto Bom
Aluno, Gislaine diz: “Além de uma educação de excelência, o Bom
Aluno me possibilitou ganhar amigos que sei que terei por toda a
vida.” Para Sudan, da empresa Rondopar, o testemunho de jovens
como Gislaine é uma das maiores gratificações na vida de um
empresário que se preocupa com a comunidade em que vive.
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Bom Aluno: 100%
de aprovação
Nilson Castilho
agradece a Estefano
Boiko Jr: “Agora eu
realizei meu sonho:
sou um professor”
Reencontro
Na semana passada, Nilson Castilho voltou a se encontrar com o
empresário Estefano Boiko Júnior, da empresa Brasil Sul. Foi levar-lhe
pessoalmente a carta de agradecimento pelo apoio ao Programa Bom
Aluno. Nilson agora realizou seu sonho: é professor. Trabalha no mesmo
Colégio Marista que tão bem o acolheu. E escreve ao empresário: “Hoje
tenho consciência da minha missão enquanto educador, porque o Bom
Aluno foi um modelo que podemos fazer para mudar a vida de alguém:
investir na Educação”.
Os participantes do Projeto Bom Aluno tiveram
um desempenho brilhante nos concursos
vestibulares deste ano. Segundo o empresário
Ary Sudan, presidente do Instituto Bom Aluno
de Londrina, os 14 estudantes locais do PBA que
prestaram vestibular foram aprovados e devem
iniciar as aulas nas universidades em 2015. Dois
passaram em Medicina, dois em Engenharia, e
os demais em Arquitetura, Enfermagem, Direito,
Administração, Matemática, Biblioteconomia,
Relações Públicas, Psicologia, Nutrição e
Comunicação Social. A maioria deles obteve os
primeiros lugares nos concursos. Além dos 14
aprovados, também prestaram vestibular como
“treineiros” mais quatro alunos, todos aprovados.
Um deles teve nota superior ao primeiro colocado
no vestibular! (P. B.)
PERFIL
ADOÇANDO LONDRINA
Emílio Baccaro é o nome por trás da loja
de doces mais tradicional da cidade
Por Felipe Brandão
Doce é sinônimo de festa, de alegria. E assim tem sido para
os londrinenses ao longo dos últimos 30 anos por poderem
contar com a “Esquina Doce”. Fundada em 1980, a loja Baccaro
conquistou gerações de consumidores através do varejo de
guloseimas de qualidade a preço de atacado. A história desse belo
empreendimento começa muitos anos atrás na figura de Emílio
Baccaro, comerciante nato que emprestou seu sobrenome a uma
das marcas mais tradicionais do comércio da cidade.
Emílio Baccaro Neto nasceu em 23 de setembro de 1950, na
cidade de Bocaina, interior de São Paulo. Em 1966, mudouse com a família para Ibiporã, onde conheceu Margarete, com
quem se casou em 1974 e a quem permaneceria unido durante
toda a vida. A chegada em Londrina se deu no ano seguinte,
para trabalhar com tios que eram representantes locais das balas
Ailiram, fabricadas em Marília (SP).
A criação da Baccaro se deu em fevereiro de 1980, em uma
sociedade de Emílio com seu tio Bruno Baccaro, ainda voltada
apenas para o atacado. A sede escolhida localizava-se na Avenida
Duque de Caxias, esquina com a Avenida Bandeirantes, onde
permaneceu até o final de 2013. Esse ponto estratégico conferiu
à loja o slogan de “Esquina Doce”, hoje facilmente associado à
marca.
Em 1982, Bruno deixou o empreendimento e Margarete, até
então professora, entrou em seu lugar para auxiliar o marido. “Eu
não tinha nada a ver com o comércio, mas, diante da necessidade,
fui trabalhar junto com o Emílio. A partir daí, o foco passou a ser
o comércio varejista, no sistema de autosserviço com vendedores
especializados. Passamos também a oferecer cursos de culinária,
voltados para o ramo dos doces, o que também teve uma grande
repercussão e atraiu um grande público”, relembra.
Para Margarete, o segredo do sucesso das lojas Baccaro foi dispor
de um atendimento diferenciado na venda de bons produtos,
isso sem falar, é claro, nos preços. “Comprávamos diretamente
das indústrias para poder vender a um valor acessível. Nossa
preocupação não era com uma grande margem de lucro, mas sim
em vender bastante para manter o preço bom. Isso fez o nome
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ficar conhecido.”
Em dado momento, a família se viu diante de um impasse. A
professora universitária Thaís Baccaro, filha do casal e única
herdeira do negócio, desejava seguir o exemplo da mãe e
enveredar pela carreira acadêmica. Foi quando se falou pela
primeira vez em venda. A decisão, segundo contam Margarete
e Taís, não foi fácil. “Depois de muito pensar, decidimos que a
empresa não poderia morrer e optamos por passá-la adiante. Foi
um ano de negociação, com várias pessoas interessadas, até que
encontramos a proposta ideal, de alguém disposto a continuar
o negócio dentro da proposta original.” A sede da loja foi
transferida para a Mato Grosso, ainda sob a gestão da família,
e um mês depois, em dezembro de 2013, a venda foi realizada.
ESPÍRITO DE AVENTURA
Em janeiro de 2014, Emílio foi diagnosticado com tumor no
cérebro, para consternação da família e dos amigos, que o
acompanharam até seu falecimento, em outubro do mesmo ano.
Segundo Thaís, seu pai possuía um círculo de amizades bastante
amplo, vínculos esses que foram fortalecidos em boa parte por
conta de uma paixão particular do senhor Baccaro: os esportes a
motor. Ele era um aficionado por modalidades como o motocross,
rallys e enduros – competição de resistência em motocicletas em
terrenos acidentados – e foi, inclusive, membro da organização
do Rally dos Sertões, evento de que participou por 14 anos.
“Ele tinha inúmeros troféus de competição de motocross e jipe
de que tinha participado. Chegou um momento em que tivemos
que fazer uma seleção, privilegiando só os três primeiros lugares,
e jogamos os demais fora para não acumular tanto. Com os que
restaram, fizemos um painel, que ele mesmo construiu após a
cirurgia, com toda a dificuldade que ele estava”, narra Thaís. Para
ela, os vínculos afetivos que ele formou nos esportes e na vida
profissional foram de fundamental importância durante os dez
meses de tratamento da doença. “A Baccaro passou a ser, além
da questão do doce, um ponto de encontro dos amantes de jipe.
Tanto é que costumávamos brincar que, além de doceiro, ele
Associação Comercial e Industrial de Londrina
Margaret e Thaís Baccaro: “O legado dele foi a
honestidade, a integridade”
prestava consultoria gratuita na área de jipes, até mesmo para
pessoas desconhecidas.”
Uma das pessoas que se aproximaram de Emílio por meio dos esportes
foi o também comerciante João Batista Barros Neto, 61 anos. Os dois
foram grandes amigos durante mais de 40 anos e percorreram juntos
eventos esportivos em todo o Brasil. João Batista fala com orgulho
dessa época: “Éramos parceiros em tudo. Conhecemos as trilhas
do país inteiro, participamos do 1º Motoclube de Londrina, do Jeep
Clube da cidade. Mas nosso forte mesmo era trilha, mato, cachoeira,
essas coisas todas. Chegamos a estar entre os 10 primeiros colocados
em nível nacional nessas competições.”
Marcos Rogério Norberto, 46 anos, representante comercial da
Penacchi Distribuição, faz questão de valorizar a humanidade do
comerciante. Marcos trabalhou como fornecedor da loja Baccaro
durante vários anos e também desenvolveu uma boa amizade
com Emílio. “Ele tinha respeito profundo por cada funcionário,
vendedor, representante com quem trabalhava. Fazia questão
de atender pessoalmente a clientela sempre que podia, mesmo
contando com outras pessoas para isso. O cliente tinha que ser
bem atendido, disso ele não abria mão.” Thaís Baccaro destaca
também o clima familiar que havia entre os funcionários da
loja. “Era como uma extensão da nossa própria família. Tanto é
verdade que, em mais de 30 anos, a empresa jamais teve sequer
uma causa trabalhista.”
Para Margarete e Taís, a grande lição deixada por Emílio foi saber
crescer profissionalmente sem deixar de lado a vida pessoal. “Com
meu pai aprendi que é possível conciliar uma carreira profissional
de sucesso com qualidade de vida no campo pessoal. Ele viveu e
viveu muito bem”, diz a filha, orgulhosa. “O Emílio era mesmo
um comerciante nato, gostava de conversar, de ser gentil, e tinha
mesmo o comércio no sangue, como toda a família dele. Porém,
mais do que seu talento comercial, sua honestidade e integridade
são seu maior legado”, destaca Margarete.
João Batista afirma ter aprendido muito com Emílio, como pessoa
e também como profissional, já que os dois compartilhavam o
mesmo ramo de atuação. “O Emílio era um exímio comerciante.
Ele chegou ao ápice daquilo que ele propôs pra sua carreira, com
um crescimento e um profissionalismo tremendo. Deixou pra
mim muitas histórias e um carinho imensurável. Eu tive a honra
de conhecer o Emílio, a verdade é essa.”
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VIVA BEM
UM HOBBY PARA
CHAMAR DE SEU
Manter uma atividade prazerosa ao menos uma vez por semana
é garantia de viver longe do cansaço e da tristeza
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MOMENTO DE PRODUZIR VINHO É UMA VERDADEIRA FESTA EM FAMÍLIA
Por Fernanda Bressan
Você tem um momento para chamar de
seu? Aquela pausa diária - ou semanal
- feita pelo simples fato de dar prazer?
Manter um hobby faz parte das ações
que podemos desempenhar para viver
bem, feliz e longe do estresse. Ele ajuda a
quebrar o ciclo casa/trabalho/casa e nos
torna mais leves.
Quem é adepto desse momento é o
engenheiro Gustavo Berti. Atualmente,
ele se dedica ao kart. “Vou uma vez por
semana, no mínimo”, enfatiza. O que
começou com uma brincadeira entre
amigos no fim de 2013 se tornou uma
atividade levada a sério. Gustavo participa
de competições na cidade e é diretor da
Associação dos Kartistas da Região de
Londrina (AKRL). “Comecei no indoor
e depois comprei um kart e fui para o
kartódromo. Faço como treino mesmo,
participo de competições, tenho pira de
competir. Sempre gostei de motor, já fiz
rally. Se tem motor, seja em terra ou no ar,
eu estou dentro”, brinca.
Desde criança, Gustavo sempre buscou
atividades que dão prazer e desestressam.
“Já voei de aeromodelo, depois de
ultraleve, joguei tênis. Sempre tive uma
atividade”, pontua. Hoje o Kart preenche
parte do tempo livre. “Quando estou
pilotando, me desligo de tudo, até porque
tem que ter uma concentração absurda, o
kart chega a 120 quilômetros por hora e
está a 2 dedos do chão, qualquer milésimo
de segundo que se perde você bate, roda”,
afirma. Se ele passa dois finais de semana
sem pilotar, já sente o baque: “Começo a
ficar chato”, diz.
E ele não é o único com esse hobby.
O engenheiro conta que há quase 200
associados na AKRL e que as competições
na cidade têm entre 70 e 80 kartistas. “Só
perdemos para São Paulo em número”,
cita. Com esse volume, além de pilotar eles
colhem o benefício de novas amizades.
“Saímos do nosso ciclo, aqui tem pessoas
diferentes, empresários, agrônomos,
mecânicos”, exemplifica.
Com tanta distração, o difícil é controlar
a hora. “É uma briga coletiva das
mulheres com os maridos. Perdemos a
Associação Comercial e Industrial de Londrina
Bruno Bressan e o parapente: “É uma válvula de escape
para descarregar do estresse da semana”
hora mesmo. Um treino tem no mínimo
duas horas, tem que chegar, preparar o
kart, fazer manutenção, vai para a pista,
dá umas cinco voltas, depois retorna
para ajustes...”, conta. E, claro, depois de
suar pilotando, vem a velha e boa amiga
cerveja com amigos.
Quem também gosta de sentir o vento
bater no rosto é o empresário Bruno
Fedato Bressan, proprietário da Webee.
Há cinco anos ele decola de parapente
e sente a sensação da liberdade e do
momento para não pensar em mais nada.
“Cresci olhando para o céu admirando
avião, passarinhos, e por influência
de primos descobri o parapente. Tudo
relacionado a voo me encanta”, declara.
O início teve muita ralação. “Comecei
com o curso teórico em Londrina,
depois teve saltos pequenos, até que veio
o batismo em Ribeirão Claro, a mais de
200 metros de altura”, recorda. Depois
que tirou o pé do chão, o parapente se
tornou seu hobby. Tanto que ele precisou
se adaptar para manter a paixão. Casado,
empresário e com três filhas, Bruno não
consegue decolar sempre. “Em função
da distância para as rampas, a mais
perto fica em Ortigueira, estou voando
no motorizado que dá para fazer em
qualquer área de descampado. Assim
consigo passar o fim de semana com a
família e voar no fim do dia”, diz.
Quando está no ar, a cabeça se
liberta de todo e qualquer problema,
aborrecimento, frustração. “Sou eu e o
equipamento, até porque tem que estar
concentrado no voo, tem a adrenalina,
não vem nenhum problema à cabeça”,
garante. A atividade é realmente
desestressante. “É uma válvula de escape
para descarregar do estresse da semana.
Nos reunimos entre amigos que praticam
o esporte, fugimos do ambiente do dia a
dia e ainda temos história para contar!”,
brinca o empresário.
Por falta de um, o advogado e contador
Jair Ancioto tem dois hobbies: moto
e vinho. O primeiro o acompanha
rotineiramente. O outro, é quase um
ritual anual. Há 23 anos ele produz
a bebida junto com o pai. “A história
começa ainda na infância. Morávamos
em sítio e meu pai quebrou a perna e
precisou ficar 60 dias sem trabalhar
com o mato precisando carpir. Em
cidade pequena é assim, quando se fica
doente leva primeiro ao padre, depois na
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Gustavo Berti: “Quando estou pilotando,
me desligo de tudo”
farmácia e depois ao médico. Levamos
ele ao Padre Rossi e ele disse: ‘você não
precisa de remédio, tome uma taça de
vinho no almoço e outra no jantar!’, ele
assim o fez e até hoje não fica doente”,
brinca Jair.
Tempos depois, a família se mudou para
Cambé e posteriormente Londrina. No
início, compravam vinho em uma adega,
até que ela fechou e a bebida precisava
vir da Capital. “Pensei: preciso aprender
a fazer. Foi quando o professor Alcides
Carvalho me ensinou, isso em 1991, e de
lá para cá fazemos a bebida uma vez por
ano”, afirma Jair Ancioto.
Esses momentos são uma verdadeira
festa em família. “Buscamos a uva no
Rio Grande do Sul. Depois amassamos,
deixamos fermentar na casca e depois
tira a casca. A terceira etapa é engarrafar
o vinho quando já está pronto. Esse
ano trouxemos 70 caixas de uva, que
dá mais ou menos 400 litros de vinho”,
contabiliza. A festa começa no fim de
janeiro com a aquisição da uva. A família
amassa a fruta e espera até mais ou
menos maio para poder ter a bebida no
ponto para consumo. “Fazemos festa nas
três etapas, esse é um hobby meu e do
meu pai”, diz.
Já a moto é algo particular que ele pilota
desde 2005. “É um vício”, sentencia. As
viagens são feitas sozinhas ou em grupo.
Jair Ancioto participa do Carpe Diem,
grupo de motoqueiro com mais de mil
membros no Brasil. No ano passado eles
foram para o Costão do Santinho em
Santa Catarina. Esse ano o grupo pegou
a estrada novamente para Ribeirão Preto.
Quando não tem essas viagens, Jair sai
por aí para pilotar sua Harley Davidson
de 1.700 cilindradas. “É o meu hobby,
se estou muito estressado, saio para a
estrada e é um alívio”, conta. Ele alerta
ser importante ter respeito pela estrada.
“Não sou de alta velocidade e se estou
cansado, paro, tomo uma água, descanso.
Quando saio de moto não tenho hora
para chegar, é uma viagem diferenciada”,
pontua.
A sensação é de total liberdade. “É
alegria mesmo, endorfina. Parece que
Há 23 anos, o advogado e contador Jair
Ancioto produz vinho junto com o pai
muda o astral. Não tem como pensar em
outra coisa, só na estrada”, atesta. Para
ele, ser harleyro é um estilo de vida. Até
o vestuário muda. “Tem a bandana, a
roupa própria, podemos sentar no chão.
É uma forma de se despojar de tudo, de
esquecer que é advogado e contador”,
enfatiza.
Para esse ano ele planeja uma viagem
para fora do país: Estados Unidos ou
Argentina. “Vou ver se faço a Rota 66 esse
ano”, almeja. As viagens servem ainda
para fazer novas amizades e conhecer
lugares diferentes.
O prazer é justamente o que move
alguém a ter um hobby. Seja correr, jogar
tênis, cantar, meditar ou até mesmo pular
de paraquedas! A diversidade é grande, é
só escolher o que te traz paz e alegria e
tentar encaixar na agenda semanal. Viva
a vida!
Serviço:
Para mais informações sobre kart em
Londrina, acesse:
www.kartlondrina.com.br
COLUNA DA ACIL
Tapete vermelho
para o empreendedor
A Sala do Empreendedor de Londrina é um
sucesso. Prova disso é o aumento exponencial no
número de microempreendedores individuais
registrados nos últimos anos. Para se ter uma
ideia, em 2003 Londrina teve 243 novo MEIs; no
ano passado, este número foi de 2.901. Com o
aumento da procura na Sala do Empreendedor,
fez-se necessária uma revitalização do espaço
físico instalado no prédio da Prefeitura. A
Sala do Empreendedor vai agora ganhar mais
espaço e instalações modernas e adequadas para
estender o tapete vermelho ao empreendedor
londrinense. A revitalização da sala se tornou
possível graças a uma parceria entre os diversos
órgãos mantenedores do serviço: ACIL, Codel,
Sebrae, Secretaria Municipal da Fazenda, Sescap,
Sincolon, Sincoval e Fomento Paraná. O projeto
arquitetônico é assinado por Tatiana Medina, do
Sebrae. A expectativa é de que a nova sala fique
pronta em abril.
Associação Comercial e Industrial de Londrina
Representantes de várias instituições e entidades
discutem a revitalização da sala do empreendedor
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NOVOS
ASSOCIADOS
SERVIÇOS
ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE
Antecon
Rua Santa Catarina, 50
INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO
ELÉTRICA
JR Sat Comércio e Serviços
Avenida Juscelino Kubitschek, 1977
ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE
M3 Prestadora de Serviços Administrativos
Rua Senador Souza Naves, 380
CLÍNICA DE DERMATOLOGIA
Sílvia Santilli Dermatologia
Rua Paes Leme, 1186
IMOBILIÁRIAS E CORRETORAS
AWF Negócios Imobiliários
Rua Arcindo Sardo, 425
ASSOCIAÇÃO DE DEFESA DOS DIREITOS
SOCIAIS
Instituto CDI
Avenida Santos Dumont, 839
COMÉRCIO
CONSULTORIA E ASSESSORIA EM
IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO
AT Consultoria
Avenida Garibaldi Deliberador, 325
TRANSPORTADORA
IAF de Paula Transportes
Rua Ruy Virmond Carnascialli, 110
COBRANÇA
Sul Real Assessoria e Serviços
Rua Quintino Bocaiuva, 180
AGÊNCIAS DE TURISMO E CÂMBIO
Agora Agência de Viagens
Rua Espírito Santo, 1163
IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO
Fox Import
Rua José Roque Salton, 165
REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS
Marques e Santos Representações
Comerciais
Rua Sidrack Silva, 116
TINTAS
Maritaca Tintas
Rua Roberto Conceição, 25
COM/SERVIÇOS
RESTAURANTE
Churrascaria Chimarrão
Avenida Tiradentes, 3165
INDUSTRIA/COMÉRCIO
ARTIGOS INFANTIS
Mundo de Pandora
Avenida Maringá, 1818
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