MOBILIDADE E ACESSIBILIDADE ÀS ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO DE ATIVIDADES DE COMÉRCIO E SERVIÇOS: APONTAMENTOS METODOLÓGICOS A PARTIR DE PRESIDENTE PRUDENTE-SP. Arthur Magon Whitacker Professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Estadual Paulista (UNESP) Presidente Prudente. Membro do Grupo de Pesquisa Produção do Espaço e Redefinições Regionais (GAsPERR) e da Rede de Pesquisadores sobre Cidades Médias (ReCiMe). E-mail: [email protected]; [email protected] Marcos Timóteo Rodrigues de Sousa Pós-Doutorando em Geografia junto ao Departamento de Geografia da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Estadual Paulista (UNESP) Presidente Prudente. Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Membro do Grupo de Pesquisa Produção do Espaço e Redefinições Regionais (GAsPERR). E-mail: [email protected] Palavras-chave: Produção do espaço urbano; centralidade intraurbana; mobilidade; acessibilidade. 1. Introdução O centro da cidade, numa primeira referência, seria considerado a área principal de articulação da estrutura urbana e o nódulo das redes do sistema viário da cidade (SANTOS, 1980, p.181). Seria o setor que possui maior circulação de pessoas, concentrando atividades de comando econômico e se constituindo, muitas vezes, no espaço de maior conteúdo histórico e simbólico. Neste texto nos preocuparemos com duas questões: a mobilidade dos citadinos ao que identificam como o centro da cidade e, por análise deste processo, inferir a acessibilidade desta área central; a possibilidade de delimitação do que viria a ser o centro da cidade a partir do que é compreendido como tal pelos mesmos citadinos. Certamente, um conjunto maior de questões se põe ao tema, porém, estas foram apenas pontuadas ou referenciadas quando consideramos importante para o entendimento das duas questões centrais, que se desdobrarão, mais adiante no texto, em dois objetivos. Nos estudos atinentes à Geografia Urbana e à Geografia do Comércio e da Circulação, a expressão “centro” e suas variantes (área central, área core, Central Business District, para ficarmos em alguns termos) comparecem com grande peso e estiveram presentes em trabalhos de relevância e matizes distintos, que tanto se originaram da, quanto influenciaram a ciência geográfica, dos quais poderíamos citar, a título de exemplo, os denominados manuais de Geografia Urbana (BEAUJEU-GARNIER, 1997; GEORGE, 1983; JOHNSON, 1974), a produção anglo-saxã de viés quantitativo ou sistêmico (BERRY, 1967; HORWOOD e BOYCE, 1954; MURPHY e VANCE, 1954; MURPHY, VANCE e EPSTEIN, 1955), da qual não separaríamos os autores que foram identificados diretamente com a Escola de Chicago, que, em seu denominado segundo período, teve trabalhos com viés semelhante. Dos dois períodos desta Escola, podemos citar: Burgess (1925), Harris e Ullman (1945) e Hoyt (1939). No Brasil, pode-se apontar como obras de referência os trabalhos de Müller (1958), Santos (1959) e Cordeiro (1980). Estas obras tiveram como influência analítica, com diferente intensidade, as correntes acima enunciadas, ao mesmo tempo em que, frente a quadros empíricos diversos, puderam auxiliar na construção de um olhar próprio às cidades brasileiras. No caso dos trabalhos recentes sobre a temática dos centros e da centralidade, com privilégio à escala intraurbana e às cidades médias, são referências importantes os trabalhos de Sposito (1991, 1999a, 1999b e 2001). Esses trabalhos inserem na análise a questão da divisão territorial do trabalho como componente a se considerar, tomando-o como importante condicionante do processo de estruturação e reestruturação da cidade (SPOSITO: 2005; 2007). No estudo da divisão territorial do trabalho e suas transformações na escala da cidade (e da rede urbana, dimensão não privilegiada neste texto), duas frentes, complementares e não excludentes, merecem atenção: a) O entendimento de formas espaciais, decorrentes dos processos de centralização e descentralização, concentração e desconcentração espaciais, que se traduzem em estruturas urbanas monocêntricas ou policêntricas, assumindo configurações diversas, tais como: áreas centrais, complementares ou concorrentes, especializadas socioeconomicamente e/ou funcionalmente. Essas áreas centrais podem ser conceituadas, além do centro tradicional ou principal, em subcentros, centros/áreas ou eixos especializados, shopping centers e espaços destinados a feiras e eventos, fixos ou não; b) A investigação dos processos espaciais que culminam na centralização e descentralização, concentração e desconcentração, tomando-se os fluxos incorrentes ou decorrentes, constituintes ou constituídos das/pelas áreas centrais. Esses processos se traduzem, nesse caso, na centralidade. Assim, a centralidade é expressão da dinâmica de definição/redefinição das áreas centrais. Whitacker (1997; 2003; 2007) distingue centralidade como atributo, conteúdo e qualidade e centro e área central, ou áreas centrais, como formas espaciais deste processo e fenômeno. Esses dois pontos de partida – as formas espaciais e os processos espaciais – e, sobretudo, o estudo da articulação entre eles, permitem-nos compreender o caráter processual da centralidade, em complementação ao centro, expressão territorial da concentração e/ou da centralização. Existe, assim, uma possibilidade de investigação que toma a forma e o processo como elementos indissociáveis, mas analiticamente distinguíveis: centro e centralidade. Com este trabalho, apresentado durante o XIII Seminário Internacional da Red de Investigadores Iberoamericanos (RII), temos dois objetivos fundamentais: contribuir com uma análise sobre as áreas centrais das cidades, com especial ênfase às áreas de concentração de estabelecimentos de comércios e serviços; e comunicar uma metodologia que contribui à fundamentação da aludida análise. No que tange ao primeiro objetivo, desenvolvemos uma leitura das áreas centrais e as discutimos a partir de seus processos, distinguindo centro e centralidade. Esta perspectiva pode ser enfrentada de diversas maneiras e, como veremos, com vários procedimentos metodológicos. Daremos, neste texto, enfoque à análise da mobilidade dos citadinos às áreas de concentração de estabelecimentos de comércios e serviços, áreas estas, via de regra, dotadas de considerável acessibilidade na estrutura urbana. Não foi nossa preocupação neste texto distinguir conceitualmente as formas espaciais atinentes à centralidade, tais como o centro da cidade e outras áreas centrais, mas dar enfoque ao centro principal. Caso essa distinção seja de interesse do leitor, recomendamos a leitura de Sposito (1991; 2001) e Whitacker (1991; 1992; 2012; 2013). Com relação ao segundo objetivo, apresentaremos os resultados de um conjunto de enquetes aplicadas com citadinos e exporemos a metodologia empreendida para este procedimento de investigação. Este instrumento metodológico deve contribuir para a reflexão sobre a delimitação e usos de áreas centrais e traz elementos que possibilitam a análise da mobilidade dos citadinos e da acessibilidade do centro. Compreendemos que sua utilização poderá, também, reforçar nosso entendimento sobre as transformações por que passa o centro das cidades e qualificar o que vimos chamando de Centro Tradicional e Centro Principal (WHITACKER, 2013; WHITACKER, 2012). Importante frisar que este texto expressa um resultado parcelar, e em boa medida exploratório, de uma grande investigação, em curso, que lança mão de um conjunto considerável de técnicas e ações de pesquisa, intitulada “Lógicas Econômicas e Práticas Espaciais Contemporâneas: Cidades Médias e Consumo”, desenvolvida no GAsPERR, Grupo de Pesquisa Produção do Espaço e Redefinições Regionais (Cf. SPOSITO, 2011). Complementarmente, também devemos informar que o recorte espacial é mais amplo do que o aqui apresentado. Presidente Prudente foi tomada como um exemplo, mais que um estudo de caso, pois nosso trabalho, em andamento, compreende seis cidades médias brasileiras: Marília, Presidente Prudente, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, no Estado de São Paulo, e Londrina, no Estado do Paraná. Desse modo, as análises aqui contidas são tributárias de um estudo mais amplo, o que não significa que não possam ser lidas em si, no bojo deste artigo. Sempre que considerarmos importante ao leitor a compreensão de alguma dimensão ou procedimento de pesquisa não retratado diretamente neste artigo, nós o faremos em notas ao longo do texto. 2. A delimitação do centro de Presidente Prudente por meio da análise das enquetes Podemos pensar na delimitação do que se compreende como centro da cidade a partir de um conjunto de procedimentos, desde a identificação das áreas de concentração de atividades compreendidas como centrais, às delimitações provenientes da legislação urbana e à delimitação que corresponde ao que os citadinos reconhecem como centro. Todos estes procedimentos são adotados em nossa pesquisa, mas o foco deste texto recai sobre esta última. A delimitação do centro da cidade, ainda sem uma distinção entre Centro Tradicional e Centro Principal, foi analisada com o uso de enquetes aplicadas nos citadinos que frequentavam tal área. Particularmente, para Presidente Prudente foi possível produzir uma comparação entre dois momentos recentes. O primeiro destes foi em 1991, quando foram inquiridos 492 frequentadores do centro (WHITACKER, 1992), e o segundo foi realizado já no desenvolvimento da pesquisa “Lógicas Econômicas e Práticas espaciais Contemporâneas: Cidades Médias e Consumo”, ao qual este texto se vincula, quando foram realizadas outras 330 enquetes. No primeiro momento, as respostas identificaram como sendo o centro da cidade, respectivamente, pelo volume de respostas: a) um quadrilátero formado pelas quatro vias principais, as Avenidas Brasil, Coronel Marcondes, Manoel Goulart e Washington Luís; b) o Calçadão (denominação local à rua de pedestres que existe no core do centro e que corresponde a um trecho de cinco quadras da Rua Tenente Nicolau Maffei) e suas ruas e áreas próximas; c) o Calçadão, exclusivamente; d) um eixo formado pelo trecho compreendido entre a Catedral de São Sebastião à Avenida Brasil (que reforça tanto a percepção do quadrilátero, quanto o Calçadão e seu entorno); e) a área formada pela Praça 9 de Julho, de fronte à Catedral de São Sebastião; f) outras respostas não mapeáveis (com pequena expressão); g. por fim, um contingente significativo de respondentes com outras respostas mapeáveis mais amplas mas que, porém, incluíam as delimitações anteriores, como se pode observar no Gráfico 1. Gráfico 1. Presidente Prudente. Delimitação do centro pelos citadinos. 1991. Fonte: Whitacker, 1992. Em pesquisa dedicada à análise do centro e da centralidade intraurbana em Presidente Prudente, sobre estes dados, comentamos que: A análise [...] permite-nos [...] afirmar que o centro de Presidente Prudente é identificado prioritariamente pela população com o comércio e é localizado principalmente entre as quatro avenidas [...]. Mas sua centralidade apresenta sinais de mudança [assim como a própria extensão da área central]. Verificamos também tratar-se de um centro com uma carga simbólica de relevância decrescente, pois seus símbolos (Catedral, Prefeitura, Praça 9 de Julho) vão perdendo espaço para outras construções simbólicas quando tomamos como referência a delimitação expandida de centro dada pelos entrevistados fora do quadrilátero central. (WHITACKER, 1997, p. 211). Referíamo-nos à identificação, pelos citadinos, de uma área mais abrangente daquela tradicionalmente identificada como o centro da cidade (o quadrilátero já mencionado) que passara a compreender também os principais eixos que configuraram desdobramentos do centro e as áreas de expansão desta área1, além dos dois shopping centers da cidade, já operantes naquele período. Havia, assim, uma mancha contínua que englobava o que chamamos de centro tradicional e o transcendia, conformando um reforço desta primeira área central, mas demonstrando não propriamente uma desconcentração, mas um espraiamento, ao menos do que era identificado como o centro pelos citadinos. No segundo momento de coleta destas informações, em 2013, notamos uma considerável mudança nesta delimitação, proveniente dos inquiridos, ao analisarmos as respostas dadas às 330 enquetes realizadas. Houve uma identificação muito mais limitada, territorialmente, do que seria o centro de Presidente Prudente, com mais da metade das respostas referindose ao Calçadão, isoladamente, e a esta via e seu entorno imediato, como se pode observar no Gráfico 2. Essa construção foi acompanhada por um aumento significativo dos respondentes que deram respostas não mapeáveis ou que não souberam responder a esta questão. 1 A distinção conceitual entre expansão e desdobramento do centro da cidade pode ser verificada em Whitacker (1991; 1997; 2013). Gráfico 2. Presidente Prudente. Delimitação do Centro pelos citadinos. 2013. Fonte: Pesquisa de campo. Organização: Arthur Magon Whitacker. Esta compreensão ocorre em sentido oposto àquilo que se percebe na paisagem do centro e de sua área de expansão após os anos 1990, período de incremento dos estabelecimentos econômicos identificados como centrais2 e de sua presença mais evidente na mancha descrita anteriormente, além de outras áreas não contíguas ao centro tradicional. Ao procurarmos assentar esta constatação com dados sistematizados do Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos – CNEFE (BATTISTAN & WHITACKER, 2014; RUANO & WHITACKER, 2014)3, para o ano de 2010, conforme apresentamos na Figura 1, observamos esta mesma ampliação da área de maior concentração de atividades de comércio e serviços, que, porém, coincidem com aquelas áreas de expansão e desdobramento do centro, já apontadas nos anos de 1990 (WHITACKER, 1991; WHITACKER, 1997). Este é um dado que nos ajuda a compreender o relevante aumento das respostas não mapeáveis à questão referente à delimitação do centro, bem como a dificuldade de delimitação desta mesma área pelos citadinos, já que aquele conteúdo, identificado pelos usos do solo voltados às atividades de comércios e serviços, atinente ao centro se tornou disperso, ou mais frequente. 2 A identificação de atividades, usos e funções relacionadas aos centros das cidades comparece em um conjunto significativo de obras como, por exemplo: Beaujeu-Garnier (1997); Beaujeu-Garnier & Delobez (1977); Mérenne-Schoumaker (2008); Murphy & Vance (1954); Murphy, Vance & Epstein (1955); Sporck (1964). Além disso, temos nos dedicado à atualização deste referencial (Cf. SANTOS e WHITACKER, 2014). 3 Esse mapeamento vem compondo nossas análises sobre as áreas centrais de um conjunto de cidades brasileiras, já identificadas neste texto. Os procedimentos e resultados deste trabalho, além das duas pesquisas preliminares apontadas, serão objeto de outras publicações. Figura 1. Presidente Prudente. Delimitação da área de maior concentração de estabelecimentos. 2010. Fonte: http://www.censo2010.ibge.gov.br/cnefe/. Acesso em 26 de março de 2013. Organização: Arthur Magon Whitacker. Por outro lado, as delimitações, esboçadas a partir das respostas dos citadinos à enquete do que seria o centro da cidade, restritas ao Calçadão e a esta via e seu entorno imediato nos leva a elaborar a hipótese de que estejamos frente a um processo de centralização (porque não se trata apenas da concentração física de estabelecimentos, mas também de sublimação) de conteúdos simbólicos daquilo que é identificado como central, no caso, o Consumo4, acompanhado de uma desconcentração das formas e dos fixos que dão suporte a este conteúdo por determinadas áreas da cidade, ou, ainda, da banalização destes últimos pelo tecido urbano. Esse procedimento de delimitação a partir das enquetes foi organizado tomando-se como princípio uma ação que denominamos de Tabulação Simples. Trata-se de uma extração de dados a partir das perguntas feitas e da frequência de respostas a elas. Assim, a um inquérito com sete questões, como foi o nosso, as respostas foram totalizadas e se tem um quadro com os porcentuais concernentes a cada questão. Os gráficos e suas análises acima foram produzidos desse modo. Em nossa pesquisa possuímos, como afirmamos, outros instrumentos metodológicos. Um deles se constitui em entrevistas, também realizadas com citadinos. Estas foram realizadas a partir de perfis pré-estabelecidos. A partir destes perfis sopesamos novamente as enquetes que vimos realizando. Um quadro desses perfis pode ser avaliado a seguir. 4 Estamos denominando o Consumo aqui não como o ato de consumir, ou a atividade de consumir, mas como conteúdo manifesto e expresso numa área, o centro da cidade, no caso. Trata-se, assim, de uma representação, mais que de uma ação. PERFIL 1 FAIXA ETÁRIA (anos) 13 a 18 2 18 a 30 Masculino Feminino Indiferente Universitária Não Universitária Indiferente 3 “adultos” Indiferente Distinta Sim 4 “adultos” Indiferente Distinta Sim 5 “adultos” Masculino Feminino Masculino Feminino Feminino Indiferente Distinta “donas de casa” 6 “adultos” Masculino Indiferente Distinta Não inseridos no mercado de trabalho formal 7 “adultos”, com idades distintas Adultos em terceira idade Masculino Não casados, viúvos ou descasados Indiferente Indiferente Indiferente Indiferente Indiferente (se possível uma mulher que é “dona de casa” e não tem mais filhos com ela) 8 GÊNERO CONDIÇÃO CIVIL ESCOLARIDADE Masculino Feminino Indiferente Correspondente à faixa etária Feminino Masculino Feminino INSERÇÃO NO MERCADO DE TRABALHO FORMAL OU INFORMAL Indiferente LOCAL DE RESIDÊNCIA Periferia* Área central ou pericentral Periferia Área central ou pericentral Área central ou pericentral Periferia Área central ou pericentral Periferia Área central ou pericentral Periferia Área central ou pericentral Periferia Área central ou pericentral Periferia * A periferia foi entendida em seu sentido amplo, ou seja, tudo que está longe do centro, não sendo importante o padrão socioeconômico da ocupação. Os perfis “5”, “6” e “7” não foram contemplados por exigirem a formulação de mais perguntas no instrumento de coleta de dados em campo. As enquetes, assim, foram reorganizadas, permitindo que se avaliassem os citadinos numa perspectiva complementar. Isso foi feito utilizando-se uma ferramenta extremamente simples, o “filtro de resultados”, de uma planilha eletrônica. Obtivemos, assim, para cada perfil (Quadro 1, excetuando-se os números 5, 6 e 7) um tipo de resposta, organizada no Quadro 2. Importante ressaltar que, com esse tratamento, passa-se a utilizar a planilha eletrônica como um banco de dados e as possibilidades de cruzamento e construção de novos perfis, ou recortes nestes, dependerá das diretrizes estabelecidas pelo pesquisador. PERFIL 1 4 Delimitação do centro da cidade Predomínio da identificação com o Calçadão. Respostas não mapeáveis identificando o centro da cidade com o consumo. Forte identificação com o Calçadão, porém com significativa presença de respostas que englobam o Quadrilátero Central e as áreas de expansão e/ou desdobramento do centro da cidade. Respostas não mapeáveis identificando o centro da cidade com o comércio. Respostas com menção a símbolos do centro da cidade, como igrejas e praças. Forte identificação com o Quadrilátero Central. Significativa menção a áreas de expansão e/ou desdobramento do centro da cidade. Forte identificação com o Calçadão e com o Quadrilátero central e áreas de expansão do centro da cidade. 5 Não foram feitas questões que permitissem a identificação deste perfil específico. 6 Não foram feitas questões que permitissem a identificação deste perfil específico. 7 Não foram feitas questões que permitissem a identificação deste perfil específico. 8 Predomínio da identificação com o Calçadão, porém com significativa presença de respostas que englobam o Quadrilátero Central e as áreas de expansão. Respostas com menção a símbolos do centro da cidade, como igrejas e praças. 2 3 Compreendemos várias possibilidades de delimitação do centro da cidade. Com o resultado da aplicação deste instrumento de pesquisa, tem-se a possibilidade de se apreender outra dimensão, mapeável, mas composta, sobretudo, pela representação deste espaço pelos citadinos. Ou, ainda, pela identificação, nas respostas mapeáveis, de um conteúdo desta área da cidade, de uma centralidade que se mostra simbólica, ao destacar tanto símbolos, como as praças e igrejas, quanto novos signos, uma vez que se associa o centro da cidade com uma obra, o Calçadão, em quase todos os segmentos descritos. Também se depreende que haja grande identificação do centro da cidade com o plano urbano original, justamente aquele que conforma o denominado Quadrilátero, que coincide com uma área de grande adensamento de estabelecimentos de comércios e serviços e que contém o Calçadão. Por outro lado, a identificação como centro da cidade de uma grande área que guarda coincidência com a mancha mais escura formada pelos dois últimos quantis da legenda da Figura 1 denota a progressiva perda de um conteúdo simbólico que poderia ser identificado com o que denominamos de Centro Tradicional. Por fim, destaca-se que há mais concordância que discrepância entre os perfis. Chama, apenas, a atenção, o fato de que a delimitação do centro não com um marco físico, obra ou área, mas com uma atividade (ou representação dela), o Consumo e o Comércio compareçam com mais peso nos dois segmentos de menor idade (perfis 1 e 2). 3. A acessibilidade do centro tradicional O conceito de acessibilidade não pode ser confundido com o de mobilidade, que é a capacidade de um sujeito deslocar-se, e o uso que esse faz dessa capacidade. Acessibilidade, por outro lado, está geralmente relacionada com a oportunidade que um sujeito tem de participar de uma determinada atividade, alcançando certo destino ou atividade, localizados e expressos na estrutura urbana. Trata-se, assim, do atributo de uma área que se valida pelas práticas, pela mobilidade. Na análise dos transportes urbanos e de sua gestão, a oportunidade de se alcançar um destino é usualmente expressa matematicamente pelo índice de acessibilidade, que a relaciona aos parâmetros como custo e tempo de viagem (SANTANNA, 1995). Portanto, a falta de acesso aos equipamentos urbanos é mais aguda em grupos de alta vulnerabilidade. Posto isso, a acessibilidade depende, também, da forma urbana, ou seja, dos caminhos percorridos pelos citadinos. De acordo com o Relatório do Itrans (ITRANS, 2007), uma dos principais motivos para se estudar os problemas de mobilidade nas cidades é a inclusão social das pessoas que recebem uma renda entre um a três salários mínimos. Eliminar os obstáculos à mobilidade da população de baixa renda é uma forma de melhorar a qualidade de vida destas pessoas. Nesta perspectiva, é interessante pensarmos as populações de baixa renda se inserindo em diversas áreas da cidade, ou seja, o direito de se movimentar por todo o seu território. A imobilidade, ou a baixa mobilidade, da população se deve principalmente à elevação das tarifas e à precarização dos serviços de transporte coletivo. As classes D e E são a parcela mais vulnerável da população, portanto, a melhoria das condições de mobilidade destas pessoas poderá acarretar num maior nível de integração e reprodução social. Assim, a mobilidade e a acessibilidade se combinam na análise das práticas espaciais dos citadinos e na análise da estruturação urbana. Villaça (1978) afirma que a acessibilidade constitui o fator fundamental e determinante do preço da terra e do arranjo dos usos do solo nas cidades, a necessidade de proximidade é a própria razão de ser das cidades. A acessibilidade é a medida da força e extensão das relações geográficas entre moradores e atividades socioeconômicas, determinadas pela distribuição espacial de possíveis destinos, a facilidade de atingi-los, a magnitude, qualidade e caráter das atividades. A acessibilidade pode ser classificada em: acessibilidade potencial, que é a descrição da estrutura espacial que viabiliza a acessibilidade; e acessibilidade realizada, que é o movimento de bens, pessoas ou informações entre as localidades, caracterizada pelo efetivo fluxo entre localidades. As medidas de acessibilidade potencial buscam descrever a estrutura espacial e a possibilidade de acesso das localidades. Com as medidas de acessibilidade realizada se estudam os fluxos e interações espaciais efetivas (HAMBURGER, 2001). A ideia de fluxo envolve o deslocamento de elementos no espaço. Portanto, contém a componente espacial e a componente temporal. A forma corresponde à descrição dos fenômenos, ou seu aspecto em um determinado instante, ela pode ser expressa como a estrutura revelada. Formas semelhantes podem ser originadas de processos distintos. Segundo Hamburger (2001), o conceito de acessibilidade possui diferentes definições, fundamentadas em diferentes teorias. De uma forma geral, é definida como sendo uma medida de esforço para se transpor uma separação físico-territorial, caracterizada pelas oportunidades apresentadas ao indivíduo ou grupo coletivo para que possam exercer suas atividades, tomando parte do sistema de transporte. A acessibilidade torna possível o acesso dos indivíduos aos locais de emprego, lazer, estudo, equipamentos públicos etc., e é função tanto do uso do solo quanto das características do sistema de transporte. A acessibilidade é função de uma série de outros fatores, como período do dia que se referem, objetiva de viagem considerada, entre outros. As medidas de acessibilidade podem ser vistas sob dois aspectos: acessibilidade de lugares – quão facilmente certos locais podem ser alcançados; ou de pessoas – quão facilmente uma pessoa ou grupo de pessoas pode alcançar centros de atividade. O nível individual de acessibilidade dependerá amplamente de onde os centros de atividade estão localizados e da rede de transportes, mas também será afetado pelo horário que os locais iniciam o funcionamento e quanto tempo pode ser despendido na viagem. No caso em estudo, podemos compreender que no início dos anos 1990 a acessibilidade ao centro da cidade estava garantida pelo sistema de transportes coletivos, eminentemente radial, e pelo sistema viário, ancorado nas quatro avenidas principais da cidade que davam contorno ao centro tradicional, as Avenidas Brasil, Coronel Marcondes, Manoel Goulart e Washington Luis (WHITACKER, 1991). Não se pode afirmar, porém, que esta máxima acessibilidade estava acompanhada por um acesso do conjunto da população. Indicativo este de uma mobilidade diferencial. 4. Acessibilidade e Mobilidade Segundo Vasconcellos (2001) a migração, movimento ou mobilidade pendular ocorre quando um indivíduo ou um grupo de pessoas estuda, trabalha ou procura lazer em outra área e retorna continuamente à sua área de residência. Bastante genérico, este entendimento pode levar a confusões terminológicas que, por sua vez, levam à imprecisão conceitual. Tradicionalmente, compreende-se migração como um deslocamento que, além da própria mudança dos sujeitos, implica em que esta mudança compreenda um intervalo de tempo significativo, ou permanente. O deslocamento, por sua vez, é um termo usado ora para retratar as migrações, ora em um sentido mais restrito, adjetivado com o termo pendular. Os deslocamentos pendulares implicam em viagens cotidianas, motivadas por trabalho ou estudo, entre dois pontos, o de partida e o de destino e retorno e, normalmente, são aplicados para retratar tais fluxos na escala de uma aglomeração urbana, embora sejam, também, aplicados à escala intraurbana. Nesta escala, utiliza-se com mais adequação, o termo mobilidade. A mobilidade urbana é uma expressão que se aplica a maior, ou menor, possibilidade de determinados sujeitos sociais se movimentarem pelo espaço urbano, tanto para satisfazer as necessidades de consumo no espaço, quanto à apropriação da cidade, ou para o trabalho, estudo, lazer. Complementa-se à expressão acessibilidade urbana que, por seu turno, é aplicada às diferentes porções da cidade buscadas pelos sujeitos. Esta relação expressa, em boa medida, as distensões existentes entre os subespaços na cidade. Marcadamente, isso ocorre nas realidades urbanas onde os processos de diferenciação socioespacial ocorrem com mais intensidade. Do ponto de vista da análise da estrutura urbana, a acessibilidade distinta de determinadas áreas e a mobilidade diferencial dos sujeitos, assim, pode indicar tanto que os subespaços destinados às atividades da vida e do capital estão cingidos na cidade e que processos de diferenciação socioespacial, segregação socioespacial e fragmentação socioespacial estão em curso. Do ponto de vista da análise mais restrita aos dos sistemas de transporte, a mobilidade é analisada como os movimentos das pessoas dentro das cidades ou entre elas com determinadas finalidades e é indicada pela relação de viagens por habitante em dado período de tempo. É habitualmente considerada para designar os movimentos cotidianos das populações derivados das políticas e ações de alocação das infraestruturas, equipamentos e serviços urbanos de modo desigual, que contribuem para a, tanto quanto decorre da segregação socioespacial, e da não coincidência entre local de residência e os locais de trabalho, estudo e lazer. Nesse sentido, a análise dos deslocamentos populares deve ser considerada tanto na dimensão analítica das lógicas que implicam na estruturação do espaço urbano, quanto nas práticas espaciais que desta decorrem e, ao mesmo tempo, a reconfiguram. É, portanto, uma dimensão a se compreender na produção do espaço urbano, quanto se impõe como uma questão a ser enfrentada nas ações de gestão e do planejamento dos espaços urbanos: A análise dos movimentos pendulares de uma determinada população é um importante contributo para o conhecimento das unidades espaciais envolvidas. Constitui matéria relevante no processo de tomada de decisão, nomeadamente nas políticas de transporte e ambiente, quer a nível regional, quer nacional. Paralelamente são conhecidas as relações entre os padrões de movimento casatrabalho e casa-escola e a qualidade de vida das populações, em que a componente ambiental e as medidas de política com incidência no ordenamento do território assumem especial importância. (INSTITUTO NACIONAL DE ESTATÍSTICA DE PORTUGAL, 2003, p 34) Nesse sentido, de acordo com Cunha (2005), as análises dos movimentos pendulares se fazem necessárias devido ao entendimento da dinâmica intraurbana e intrarregional, nesse sentido a “pendularidade” é extremamente relevante para a compreensão dos processos de espraiamento urbano e redistribuição espacial da população. Este texto não se dedica a análise dos movimentos pendulares, pois não se construíram dados para tal no bojo desta pesquisa até o momento. Neste ponto do estudo, nossa preocupação diz respeito a como se dá a acessibilidade ao centro tradicional de Presidente Prudente5 que se representará, tanto quanto no tópico destinado a sopesar a delimitação do centro, pela análise de enquetes produzidas com frequentadores daquela área da cidade em dois momentos distintos. Como já apresentado, o primeiro destes momentos foi em 1991, quando foram inquiridos 492 frequentadores (WHITACKER, 1992) e o segundo foi realizado já no desenvolvimento da pesquisa Lógicas Econômicas e Práticas espaciais Contemporâneas: Cidades Médias e Consumo, ao qual este texto se vincula, quando, em 2013, foram realizadas outras 330 enquetes. Assim, a acessibilidade ao centro da cidade foi avaliada pelo perfil da população lá pesquisada nestes dois momentos. A acessibilidade, atributo de uma área da cidade, é também uma das características tomadas como basais ao se definir e conceituar uma área central. No caso de Presidente 5 Lembrando que nos propomos, com este texto a apresentar um caso em estudo, e não um estudo de caso, haja vista a pesquisa mais ampla a qual nos vinculamos. Prudente, o sistema viário e o sistema de transportes coletivos contribuem para essa acessibilidade, ao mesmo tempo que, numa dimensão histórica mais ampla, dela decorrem. A análise do conjunto de enquetes, nos dois períodos estabelecidos, pode contribuir, também, para a análise da mobilidade da população, uma vez que as viagens ao centro, motivadas pelo trabalho, pelo estudo, pelo lazer e pelo consumo, retratam o modo como estas foram feitas. Entendemos que se poderá inferir a mobilidade dos citadinos ao se complementar a frequentação do centro, sistematizada pelas enquetes nas áreas centrais e pelas respostas dadas pelos citadinos nos questionários direcionados às famílias e nas entrevistas6. Por fim, a delimitação estabelecida pelos inquiridos do centro da cidade contribui com os dois primeiros, acessibilidade e mobilidade, uma vez que traz a representação7 daquilo que é compreendido como o centro pelos citadinos. A Figura 2 exibe a delimitação da área central e os principais eixos viários de acesso ao centro da cidade. Figura 2: Frequentação do centro tradicional de Presidente Prudente e sua delimitação pelos citadinos. Fonte: MapInfo, 2013. Organização: Marcos Timóteo de Sousa. 4. A frequentação no centro tradicional de Presidente Prudente A lei da mobilidade urbana (Lei n.12.587, de 3/1/12) trata das questões referentes à política nacional de mobilidade. Dentre vários objetivos vale ressaltar o artigo 2o que tem por objetivo contribuir para o acesso universal à cidade, o fomento e a concretização das condições que contribuam para a efetivação dos princípios, objetivos e diretrizes da política 6 Trata-se, como já exposto, de duas outras metodologias desenvolvidas nesta pesquisa e que aqui não são apresentadas. As entrevistas tiveram seus perfis apresentados neste texto e os questionários são instrumentos aplicados em famílias, que, após, sua tabulação, também serão organizados em tabulações simples e complexas, como já definido. 7 Não se trata, neste caso, da representação entendida à luz da Teoria das Representações (MOSCOVICI,2003) , mas de uma representação do espaço, que pode ser sopesada a partir da tríade lefebvriana percebido-concebido-vivido (LEFEBVRE, 1992). de desenvolvimento urbano, por meio do planejamento e da gestão democrática do Sistema Nacional de Mobilidade Urbana (Quadro 3). Transporte Urbano Modo de Transporte Motorizado Transporte Público Coletivo Transporte Público Individual Transporte motorizado privado Conjunto dos modos e serviços de transporte público e privado utilizados para o deslocamento de pessoas e cargas nas cidades integrantes da Política Nacional de Mobilidade Urbana; Modalidades que se utilizam de veículos automotores; Serviço público de transporte de passageiros acessível a toda a população mediante pagamento individualizado, com itinerários e preços fixados pelo poder público; Serviço remunerado de transporte de passageiros aberto ao público, por intermédio de veículos de aluguel, para a realização de viagens individualizadas; Meio motorizado de transporte de passageiros utilizado para a realização de viagens individualizadas por intermédio de veículos particulares; Quadro 3: Definições dos elementos formadores da mobilidade urbana. Fonte: Artigo 4º da Lei de Mobilidade Urbana A definição dos elementos formadores da mobilidade, segundo o Sistema Nacional de Mobilidade Urbana, remete-nos a entender que o uso do modo de transporte é muito importante para designar as diferentes formas de acessar as diferentes áreas da estrutura urbana. As enquetes com os citadinos podem nos dar uma amostra da mobilidade urbana compreendida a cada área central. Por sua vez, as entrevistas com citadinos e os questionários sobre as práticas de consumo das famílias podem contribuir significativamente a um estudo que, de fato, avalie a mobilidade urbana, considerando-se as áreas destinadas ao consumo e as práticas espaciais das famílias pesquisadas. Assim, a análise desenvolvida neste texto ganhará considerável aporte com a exploração daquele instrumento de pesquisa. Os gráficos 5 e 6 representam um resultado no qual se verifica que o maior porcentual de citadinos se desloca ao centro por condução própria (automóveis, motocicletas, nesta ordem, e um porcentual mínimo de bicicletas. Gráfico 5. Presidente Prudente. Frequentação do Centro pelos citadinos por modo de transporte. 2013. Fonte: Pesquisa de campo Organização: Marcos Timóteo Rodrigues de Sousa. Gráfico 6. Presidente Prudente. Frequentação do Centro pelos citadinos por modo de transporte. 1991. Fonte: Whitacker (1992). Organização: Arthur Magon Whitacker. O resultado acima descrito é bastante diverso daquele que se observava em 1991, quando pouco mais de 60 por cento dos citadinos inquiridos de deslocava ao centro por transporte coletivo e, relativamente, apenas cerca de um quarto deles por condução própria. Essa questão poderá ser avaliada em conjunto com dados que descrevam e analisem a taxa de motorização da população, o sistema de transporte público, aliados aos resultados dos questionários sobre as práticas de consumo das famílias, já que trazem informações sobre os deslocamentos e sua frequência. Pudemos, também, avaliar a origem dos deslocamentos para o centro tradicional de Presidente Prudente para 2013. Foi possível verificar que 75,2% dos citadinos inquiridos moram no município de Presidente Prudente, cuja variedade de bairros é muito grande. Todas as áreas do município foram contempladas. O Gráfico 7 é acompanhado de dois quadros, o objetivo é mostrar a quantidade variada de bairros e municípios vizinhos. O Quadro 3 exibe os bairros e distritos, identificando o Centro e o Ana Jacinta como as localidades mais representativas. O Quadro 4 mostra os municípios vizinhos. Pode-se notar que os municípios de Álvares Machado e Presidente Bernardes são os mais notificados. 3,50% 21,30% Bairros e Distritos Cidades Vizinhas 75,20% Gráfico 7. Presidente Prudente. Frequentação do Centro pelos citadinos por local de origem da viagem. 2013. Fonte: Pesquisa de campo. Organização: Arthur Magon Whitacker e Marcos Timóteo Rodrigues de Sousa. Outras Cidades Origem Ana Jacinta Ana Tiezi P 12 1 Augusto de Paula Barco 1 1 Origem Inocoop Jardim Aquinópolis Jardim Augusto de Paula Jardim Aviação P 1 1 Origem Jardim Maracana Jardim Mediterrâneo Jardim Monte Alto P 6 4 1 1 Jardim Morada do Sol Jardim Paulista 5 Jardim Planaltina 4 1 Jardim Planalto 5 1 3 1 5 Origem Ouro Verde Parque Alvorada Parque Cedral P 1 3 Origem Vila Euclides Vila Formosa P 7 3 3 Vila Furquim 4 Parque Girassol Parque dos Pinheiros Parque Furquim Parque Primavera Parque Watal Santa Clara 1 Vila Industrial 1 1 Vila Iti 2 Vila Lessa 3 2 Vila Líder 4 2 4 3 9 2 Vila Luso Vila Marcondes Vila Maristela 3 Vila Nova 4 Bosque 5 Brasil Novo 7 Campus 2 2 Jardim Bela Vista Jardim Bongiovani Jardim Brasil 2 Cecap Central Parque Centro 4 1 Jardim Brasília Jardim Cambuci 6 2 Jardim Primavera Jardim Regina 1 2 21 1 2 1 Jardim Santa Mônica Jardim São Bento 2 Cervante 1 São Judas Tadeu São Lucas Cohab 9 2 Jardim Satélite 1 São Matheus 2 Vila Ocidental 4 Eneida Floresta 2 2 Jardim Campo Belo Jardim Centenário Jardim das Rosas Jardim Eldorado Jardim Everest 6 3 Montalvão Morada do Sol 2 1 Vale do Sol Vila Brasil 3 3 4 2 Humberto Salvador Itapura 3 Jardim Itapura 4 Nova Prudente 1 Vila Comercial 1 Vila Real Vila Santa Helena Vila São Jorge 4 Jardim Jequitibas 3 Novo Bongiovani 3 Vila Dubus 3 Vila Tabajara 1 3 1 P= Pessoas Quadro 3: Presidente Prudente. Frequentação do Centro pelos citadinos por local de origem da viagem. (Bairros, distritos e outros municípios). 2013. Fonte: Pesquisa de campo. Organização: Arthur Magon Whitacker e Marcos Timóteo Rodrigues de Sousa. Origem Alfredo Marcondes Alvares Machado Anhumas P 4 9 Origem Euclides da Cunha Floresta do Sul P 1 Origem Lucélia P 1 Origem Pirapozinho P 4 1 Guará 1 1 Martinópolis 2 7 1 Presidente Bernardes Presidente Epitácio Primavera Iepê 2 1 Regente Feijó Rosana Emilianópolis 1 Indiana 3 Mirante do Paranapanema Paraguaçú Paulista Paulicéia Estrela do Norte 2 Junqueirópolis 2 Piquerobi Caiabu 1 1 1 P 2 1 Origem Santo Anastácio Santo Expedito Taciba 1 Tarabay 1 7 Teodoro Sampaio Outras Cidades 3 1 3 4 11 P= Pessoas Quadro 4: Presidente Prudente. Frequentação do Centro pelos citadinos por local de origem da viagem. (Bairros, distritos e municípios vizinhos). 2013. Fonte: Pesquisa de campo. Organização: Arthur Magon Whitacker e Marcos Timóteo Rodrigues de Sousa. Estes dados, também, poderão ser confrontados com as respostas à frequentação do centro da cidade pelos citadinos presentes nos questionários e servirem de subsídio à análise das entrevistas feitas com estes sujeitos. 5. Considerações Com o projeto de pesquisa “Lógicas Econômicas e Práticas Espaciais Contemporâneas: Cidades Médias e Consumo” estudamos seis cidades médias (Presidente Prudente, São Carlos, Marília, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Londrina) e a questão da mobilidade é uma dentre várias atribuições do grupo. Nesta pesquisa, inquirimos moradores de diferentes bairros e analisamos o acesso ao centro da cidade. As enquetes feitas em épocas distintas serviram para verificar as mudanças na cidade e as transformações na forma do uso do transporte. As enquetes nos revelaram informações a respeito das áreas centrais das seis cidades, o caso apresentado de Presidente Prudente mostra-se um primeiro exercício de exploração e análise de um instrumento de pesquisa, que será estendido às cidades. 6. Referências Bibliográficas BATTISTAM, C. K. WHITACKER, A. M. Possibilidades de mapeamento e produção de cartas funcionais de áreas centrais utilizando a base de dados CNEFE/CNAE: experiências a partir de Marília, São Carlos e São José do Rio Preto – SP. I Seminário Nacional de Integração da Graduação e Pós-Graduação em Geografia. XV Semana de Geografia. X Encontro de Estudantes de Licenciatura dm Geografia. Presidente Prudente: FCT/Unesp, 2014. BEAUJEU-GARNIER, J. O comércio na cidade. In: BEAUJEU-GARNIER, J. Geografia Urbana. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997. p.211-225. 2.ed. BEAUJEU-GARNIER, J. DELOBEZ. A. Géographie du commerce. Paris: Masson, 1977. BERRY, B. J. Geography of Market Centers and Detail Distribution. 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