UNESP UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA FACULDADE DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA - FCT CAMPUS DE PRESIDENTE PRUDENTE CENTRO DE CONVÊNÇÕES PARA A TERCEIRA IDADE EM UM SUPERQUADRA DE BRASÍLIA LIZ TIEMI PENA NAKAHARA Trabalho Final de Graduação apresentado ao Curso de Arquitetura e Urbanismo do Departamento de Planejamento, Urbanismo e Ambiente – FCT (Faculdade de Ciência e Tecnologia), da Universidade Estadual Paulista, para obtenção de bacharelado em Arquitetura e Urbanismo. PRESIDENTE PRUDENTE 2011 LIZ TIEMI PENA NAKAHARA CENTRO DE CONVÊNÇÕES PARA A TERCEIRA IDADE EM UM SUPERQUADRA DE BRASÍLIA Trabalho Final de Graduação apresentado ao Curso de Arquitetura e Urbanismo do Departamento de Planejamento, Urbanismo e Ambiente – FCT (Faculdade de Ciência e Tecnologia), da Universidade Estadual Paulista, para obtenção de bacharelado em Arquitetura e Urbanismo. Orientador: Prof. Dr. Marcos Faccioli Gabriel Co-Orientador: Prof. Dr. César Fabiano Fioriti Presidente Prudente 2011 A minha mãe, Celina! A meu pai, Armando! A minha avó Jenn AGRADECIMENTOS Agradeço a todos que me ajudaram a passar por mais essa etapa da vida e que me auxiliaram na elaboração deste trabalho. Aos professores: Àqueles que, de forma direta ou indiretamente, ajudaram no meu crescimento e fortalecimento para seguir adiante com este trabalho final de graduação. Ao César Fabiano Fioriti e à Marcos Gabriel Faccioli, que aceitaram com carinho e dedicação, a me orientar nessa última etapa de graduação do curso. Aos amigos: Àqueles antigos, que mesmo distantes, dispuseram de tempo, paciência e dedicação para que eu enfrentasse meus medos e conseguisse passar por essa fase que está se encerrando. Em especial a Rebeca, a Tati e ao Lui. Aos amigos que encontrei durante a faculdade, tanto os de curso de arquitetura e urbanismo quantos os de outros, com os quais dividi momentos difíceis e alegres, na maioria deles. Aos amigos da turma do quinteto Bárbara, Taís, Maíra e Elton, sempre juntos enfrentando tudo e todos. A uma amiga em especial, que não se encontra mais neste mundo, Letícia. Da maneira mais difícil, fez com que aprendêssemos a aproveitar todos os minutos da vida, mesmo aqueles momentos mais difíceis, porque é com eles que crescemos. Obrigada mais que especial a vocês por terem feito parte da minha vida. Aos familiares: Meus pais, Armando e Celina, que me ouviram e me apoiaram quando tudo parecia difícil que o medo de não passar por mais essa etapa era muito grande. A minha avó Jenny, que é uma mulher muito batalhadora. Obrigada a todos que fazem parte da minha vida! RESUMO A elaboração de um cento de convivência voltado para o público idoso vem de encontro com a consolidação desta faixa etária no país, que ainda se ressente da falta de locais que se adequem ao seu perfil e às suas variadas necessidades. Pensando nisto, a cidade de Brasília foi escolhida como local para a inserção de tal projeto, visando criar um eixo de ligação com a Universidade de Brasília, que detém a propriedade da última superquadra não edificada na cidade. Nesta, a construção de unidades habitacionais é importante para combater o déficit habitacional bem como minimizar a crescente especulação imobiliária na cidade. Projetar em toda sua unidade se torna um grande desafio, porém essencial para que tanto o Centro de Convivência como as habitações passem a ser utilizadas de maneira eficiente e comprovem a dinâmica da superquadra, no qual espaços públicos e privados entram em consonância e se tornam local de vivência a todos os seus moradores. O centro de convivência se destinará à realização de atividades que ofereçam oportunidades de melhoria à qualidade de vida da terceira idade bem como a realização de extensão universitária que possibilite a viabilização de estudos e atendimento a esta população. Aulas de artes, informática, dança e prática de esportes serão desenvolvidas no local, que busca através dos blocos construtivos e suas cores facilitar a cognição do idoso no espaço. Ainda que voltado a este público, o local é de acesso a todos e não impede que outras faixas etárias participem dos acontecimentos do local. As coberturas, bem como a volumetria de seus prédios buscam de forma sinuosa quebrar a rigidez ortogonal dos prédios residenciais e se diferenciam por atender áreas de diferentes atividades. Conteúdo 1- INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................................................................................ 8 2. A cidade de Brasília ............................................................................................................................................................................................................... 10 2.1 Compreendendo a cidade.............................................................................................................................................................................................. 11 2.2 Superquadras ................................................................................................................................................................................................................... 13 2.3 Regiões Administrativas ................................................................................................................................................................................................ 17 2.4 Brasília em números.......................................................................................................................................................................................................... 18 2.5 Aspectos Climáticos ....................................................................................................................................................................................................... 20 3. O idoso no país......................................................................................................................................................................................................................... 21 3.1. O perfil do idoso no Distrito Federal ................................................................................................................................................................................. 22 4.1.2 Apartamentos para a terceira idade – Roterdã – Países Baixos ........................................................................................................................ 30 4.1.3 Dia centro e residência para idosos – Oeiras, Portugal ....................................................................................................................................... 35 3.2 Estudos de caso............................................................................................................................................................................................................... 38 4.2.1 Unidade de Vizinhança .............................................................................................................................................................................................. 38 4.2.2 SESC 913 sul .............................................................................................................................................................................................................. 43 3.3 Centro de convivência para a terceira idade em superquadra de Brasília(DF) .......................................................................................................51 3.3.1 Premissas .................................................................................................................................................................................................................... 51 3.3.2 Superquadra Norte 207 ............................................................................................................................................................................................. 52 3.3.3 Os estudos feitos ........................................................................................................................................................................................................ 55 3.3.4 Proposta de implantação ........................................................................................................................................................................................... 60 4- Considerações finais......................................................................................................................................................................................................................85 5- Referências Bibliográficas ...................................................................................................................................................................................................... 86 1- INTRODUÇÃO A elaboração de um cento de convivência voltado grande desafio, porém essencial para que tanto o Centro de para o público idoso vem de encontro com a consolidação Convivência como as habitações passem a ser utilizadas de desta faixa etária no país, que ainda se ressente da falta de maneira eficiente e comprovem a dinâmica da superquadra, locais que se adequem ao seu perfil e às suas variadas proposta esta fundamentada desde a concepção da cidade necessidades. Pensando nisto, a cidade de Brasília foi pelo arquiteto e urbanista Lucio Costa. escolhida como local para a inserção de tal projeto, visando É importante ressaltar que para que houvesse criar um eixo de ligação com a Universidade de Brasília, que consonância entre os elementos projetados, estudos prévios detém a propriedade da última superquadra não construída foram na cidade, no qual se destinaria, dentre outras coisas, a um elaboradas por Oscar Niemeyer como componentes da espaço de extensão universitária voltada à pesquisa e ao chamada Unidade de Vizinhança. Composta por quatro atendimento do público frequentador, se utilizando das superquadras, seriam diversas áreas de conhecimento ministradas na universidade. concentrar feitos nas em primeiras sua atividades de superquadras proposta serviços, construídas, capazes comércio e de lazer Conhecida como SQN 207, a área de uso suficientes para que seus moradores pudessem se deslocar predominantemente residencial conta também com espaços minimamente de suas habitações e mantivessem uma estreita voltados a edificações de serviços e institucionais e a ligação com o espaço vivido. Infelizmente, as diretrizes intenção de edificá-la busca combater o déficit habitacional no racionais e certas vezes utópicas de integrar espaços Plano piloto de Brasília bem como a crescente especulação públicos e privados fez com que as superquadras passassem imobiliária. Assim, projetar em toda sua unidade se torna um a ser subutilizadas e mesmo mal vistas pela população. Tornou-se, portanto, decisivo buscar seus aspectos positivos e sanar suas falhas arquitetônicas e urbanísticas, nesta que pode ser considerada a última porção destinada a edifícios residenciais na capital. “O Brasil aparece em toda a sua nostalgia e grandeza. Uma nova civilização se esboça. Herdeiro de todas as culturas, de todas as raças, tem um sabor todo próprio.” Tom Jobim, 1961. 2. A cidade de Brasília Brasília é a capital do país e traduz um antigo desejo formam uma cruz, define as principais vias da cidade e abriga de se criar uma cidade de preceitos modernos e igualitários instituições. de forma ordenada as habitações, comércio e demais que concentrasse as esferas dos poderes administrativos e político federal. Apesar de ser um velho sonho de alguns governantes brasileiros, sua construção foi efetivada somente na década de 1950 no governo do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Fig. 2- Croquis de Lúcio Costa. Fonte: Arquivo Público do Distrito Federal Fig. Fi F ig. ig g. 1 1-- Localização Lo L Loca oca calililiza zaçã za ção çã o do D Distrito istr is trititito tr o Fe Fede Federal. dera de rall.l. ra Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bras%C3%ADlia Localizada no centro-oeste brasileiro (Fig. 1), a concepção do projeto da cidade é do arquiteto Lúcio Costa, que ganhou o concurso que definiria o plano urbanístico do Plano Piloto de Brasília. Seu traçado simples, iniciado pela marcação de dois eixos (o Monumental e o Rodoviário) que A monumentalidade procurava ser a chave maior uma de objetivada por Lucio Costa expressividade “cômoda, eficiente, acolhedora e íntima. E ao 2.1 Compreendendo a cidade mesmo tempo derramada e concisa, bucólica e urbana, lírica e funcional.” Em relação ao sítio, COSTA (1957) afirma que “procurou-se depois a adaptação à topografia local, ao escoamento natural das águas, à melhor orientação, arqueando-se um dos eixos a fim de contê-lo no triângulo eqüilátero que define a área urbanizada.” (Fig. 2) O lago Paranoa (Fig.3) é represado pelas águas do Rio Paranoá e termina por conciliar com o projeto racional do arquiteto abraçando-o, garantindo beleza e amenizando as baixas umidades observadas na região. Fig. 5- Vista para a Esplanada dos Ministérios e Congresso Nacional. Disponível em: www.mochileiro.tur.br No Eixo Monumental (Fig. 4 e 5) se encontram as principais referências do poder político do país, centralizando como a Esplanada dos Ministérios, a Praça dos Três Poderes, a Catedral Metropolitana e a sede do Governo do Distrito Federal. Nessa mesma área e adjacências localizam-se os setores comerciais, bancário e de escritórios. Á direita de Fig. 3- Lago Paranoa de Brasília. Fonte: Carlos Auaide, 2006. Disponível em: http://br.olhares.com/ponte_jk_lago_paranoa_foto538163.html quem segue em direção à Esplanada, estão os setores culturais da cidade: bibliotecas, teatros e museus. Ao longo do Eixo Rodoviário (Fig. 6), conhecido popularmente residenciais como Eixão, compostos pelas localizam-se famosas os setores superquadras residenciais com seus blocos de comércio e serviços. Os espaços de lazer, como clubes esportivos, foram dispostos, ao redor do lago. Nessa região, mais precisamente nas penínsulas, também foram implantadas áreas de moradia, chamadas de região Lago Sul e Lago Norte. (Fig. 7) Fig. 7- Vista aérea do Lago Norte. Autor desconhecido. Fig. 6- Vista aérea do Eixo Rodoviário. Autor desconhecido. Disponível em: http://www.brazilia.jor.br Visando a simplificação e lógica de seus setores, os nomes dos locais foram baseados nos pontos cardeais, com referência na interseção do Eixo Rodoviário com o Monumental. A nomenclatura foi encurtada com siglas como, por exemplo, Comércio Local Norte/Sul e Sudoeste (CLN/ CLS/ CLSW); Setor Comercial Norte/Sul (SCN/ SCS); Setor de Clubes Esportivos Norte/Sul (SCEN/ SCES). Assim se denominam as mais diversas áreas, como Setor de Difusão Cultural Norte, onde se encontra o Teatro Nacional, o Setor Hoteleiro Norte/Sul ( SHN/SHS), o Setor Médico Hospitalar Norte/Sul (SMHN/SMHS) residenciais (SQN/SQS). e também as Superquadras Fig. 8- Mapa de Brasília e faixas residenciais. Autoria Própria. 2.2 Superquadras Dentro dos setores residenciais, as quadras foram numeradas seguindo a mesma intenção. As faixas residenciais hoje em dia são numeradas por centenas e se referem às quadras: 100, 200, 300 e 400, separadas pelo Eixo Rodoviário em quadras de centenas ímpares (100 e 300) e pares (200 e 400). (Fig.8) Já os finais do número da quadra são contados a partir do Eixo Monumental em direção aos eixos norte e sul, tendo-se assim, por exemplo, quadras seqüenciadas como 201, 202, 203, 204, até a 216 quadra final que delimitaria ao fim de oito quilômetros de extensão, tanto a Asa Sul como a Asa Norte. 1 As superquadras (Fig. 9) tem dimensões padronizadas de aproximadamente 250m por 250m e possuem de modo geral, 11 projeções retangulares 12,5m por 85m, não se caracterizando assim como lotes, mas gerando uma concessão “aérea” de um espaço comum público. Está previsto também em suas unidades, espaços para uso Fig.9- Croqui de superquadra em Brasília. Autor:Lucio Costa Disponível em: Arquivo Público do Distrito Federal institucional e de lazer. Apesar de terem sido construídas em diferentes O pilotis foi utilizado como intenção não apenas de proporcionar visibilidade, mas o da permeabilidade, viabilizando a passagem dos transeuntes eventuais – sem inibição ou distinção. O seu uso, portanto, deixa explícita a pretensão de que a cidade décadas e por isso mesmo denotar diferentes intenções e características arquitetônicas, as superquadras residenciais de Brasília procuram manter certa racionalidade construtiva. Mas o que definitivamente prevalece como princípio básico, segundo os ideais de Costa (1957, p.42) e pelas Normas de pertenceria a todos. (LAUANDE, 2006,sem Edificação Uso e Gabarito é o gabarito máximo de seis paginação) pavimentos e pilotis. A elaboração de quadras era feita com urgência e as disposições dos blocos necessitavam ser 1 As faixas 100 e 300 contam com 15 superquadras, de número 2 a 16; a faixa 200 com 16 quadras de 1 a 16 e a faixa 400 cm 14 superquadras de 3 a 16, totalizando-se assim, igualmente, 60 superquadras por asa e 120 ao todo. projetados com urgência para a nova capital - pedido de Niemeyer, então diretor da Divisão de Arquitetura da Novacap: Então ele estabeleceu um esquema de como seriam colocados os blocos, quer dizer, eram 11 blocos, mas pra não fazer uma quadra repetir tudo igual. Então a gente não podia ficar fazendo quadrinha por quadrinha porque o tempo era curto e [...] Vamos criar uma opção, se por acaso alguma entidade do governo, alguém comprar uma quadra inteira e quiser fazer diferente, tudo bem, pode fazer desde que mantenha a mesma taxa de ocupação. (ESTEVES apud MACHADO 2007, p. 70) 2 Fig. 10- Tipologias de projeções. Autor(a): Marília Pacheco Machado, 2007 Como observa Braga (2005, p. 31), as implantações 2 variam de quadra para quadra (Fig. 10), afinal as premissas ESTEVES, N. Depoimento, Programa de Historia Oral, 1989, p. 5 do projeto de Brasília são especialmente urbanísticas. A rigidez de gabaritos ocorre, apesar das superquadras possuírem algumas diferenciações de acordo com a sua faixa. As quadras 100, 200 e 300 (Fig. 11), por exemplo, possuem blocos edificados de pilotis mais seis pavimentos e subsolos, diferentemente das 400 (Fig. 12), que possuem térreo mais três pavimentos, geralmente sobre pilotis. Inicialmente voltada para famílias de menor poder aquisitivo, nestas quadras a garagem e os elevadores não são obrigatórios, fatores que barateiam o custo da moradia e tentam diversificar o perfil socioeconômico dos moradores do Fig. 11- Vista aérea da superquadra SQS 102. Autor:Augusto Areal Disponível em: www.infobrasilia.com.br Plano Piloto. A densidade das quadras é outro fator bastante flexível, pois enquanto algumas quadras sequer possuem todas as suas projeções construídas, outras possuem até 20 blocos residenciais3. As construções também são diferentes, compostas por construções de pequeno e médio porte. Fig. 12- Vista aérea das superquadras 400 sul. Autor: Augusto Areal Disponível em: www.infobrasilia.com.br 3 As quadras residenciais acima de 12 projeções se encontram nas quadras 400. 2.3 Regiões Administrativas comprova o equívoco de chamá-las de “satélites” por não mais dependerem de outra mais desenvolvida. Brasília, 4 Antigamente chamadas de cidades satélites , estas apesar de sua difícil definição, atualmente se refere a RA-I regiões foram criadas para abrigar a crescente população, que inclui o Plano Piloto e o Parque Nacional de Brasília. O que a partir da década de 1980 veio migraram massivamente Plano Piloto por sua vez designa toda a área construída em de diversas partes do país. Sendo centros urbanos tais decorrência deste plano inicial urbanístico desenvolvido por regiões são equivocadamente chamadas de cidades, mas se Lucio Costa. (Fig. 13) tratam de meras divisões administrativas do Distrito Federal, já que a separação em municípios das diferentes Regiões Administrativas do Distrito Federal é vedada pelo Art. 32 da Constituição brasileira. Por esse motivo, no Distrito Federal não há eleições para prefeitos ou vereadores, sendo os administradores de cada região administrativa indicados pelo governador5. Seus moradores geralmente as utilizam como dormitório, deslocando-se diariamente para a região central. Entretanto, o desenvolvimento de algumas regiões administrativas foi tal que sua consolidação se deu em diversos 4 5 aspectos, inclusive no econômico, fato que Decreto nº 19.040, de 18 de fevereiro de 1998 proíbe o termo “cidade satélite” O Distrito Federal tem status diferente dos municípios e dos estados, possuindo características legais e estruturais híbridas, além de ser custeado em parte pelo Governo Federal. Fig. 13- Mapa das regiões administrativas do Distrito Federal. Fonte: Codeplan, 2000 2.4 Brasília em números São Paulo, um dos estados com maior proporção de idosos. (Tab. 1 a 4) A cidade que na metade da década de 1960 possuía no Plano Piloto quase 90 mil habitantes hoje, segundo dados do IBGE6 – 2010 possui, juntamente com o seu entorno mais de 2.570.160 habitantes. Brasília é uma cidade madura, mas de caráter jovem, refletindo o perfil etário de seus habitantes. O Distrito Federal caminha de maneira geral para a tendência de envelhecimento. A região tem apenas 7,68% da população com mais de 60 anos de idade, enquanto no Brasil o crescimento foi mais significativo, passando de 11,1% em 2008 para 11,3% no ano de 2010. As provisões para o futuro se referem justamente ao amadurecimento da população adulta no país, que em 2025 será o sexto país mais velho do mundo com 32 milhões de pessoas acima dos 60 anos. O aumento de idosos em Brasília deve ser mais expressivo nos próximos anos, já que a população que tem entre 25 e 59 anos já representa mais da metade do total de habitantes (50,6%). Esse índice é um pouco menor ao constatado em 6 Vale esclarecer que órgãos oficiais de pesquisa, como o IBGE não distingue Brasília do Distrito Federal para efeitos de contagem e estatística, pois seus dados são sempre elaborados levando-se em conta o município. Como o DF não possui municípios, é considerado um único ente. Tab. 1- Pirâmide etária do Distrito Federal,2010 . Fonte: Dados IBGE Tab. 2- Pirâmide etária brasileira, 2010 . Fonte: Dados IBGE Tab. 4- Pirâmide etária brasileira, previsão para 2050. Fonte: Dados IBGE Segundo dados da CODEPLAN (2004), a renda per capita mensal de Brasília é de 6,8 salários mínimos, com distribuição familiar de renda bruta mensal predominante (53,2 %) para classes acima de 10 salários mínimos. Tais dados confirmam o alto poder aquisitivo do morador da capital federal, que possui o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) do país. (Gráfico 1)(Tabela 5) Tab. 3- Pirâmide etária brasileira, previsão para 2025. Fonte: Dados IBGE Gráfico 1 2.5 Aspectos Climáticos Gráfico.1- Percentual de viagens por modo de transporte, segundo a renda dos usuários. Fonte: Pesquisa de Origem e Destino da Codeplan, 2000 O clima de Brasília se enquadra na classificação Tropical de Altitude7 de caráter quente e seco8, no qual duas estações climáticas são bem definidas durante o ano: uma seca e outra chuvosa. Percebe-se a baixa umidade relativa do ar, que gera radiação direta intensa. A estação predominante é de seca, que vai dos meses de maio a setembro, épocas em que a precipitação pode representar até 2% da média anual. Nos períodos de novembro a janeiro a estação chuvosa predomina, chegando a representar 84% da precipitação anual. A variação pluviométrica anual no Distrito Federal varia entre 1.200 mm e 1.700 mm.9 Nos períodos chuvosos a predominância de ventos vem do quadrante Norte, sendo mais fortes quando de direção NW. A partir do mês de março (Tab. 6) os ventos de direção Leste predominam e com o aumento de estiagem ocorrem ventos de Sul e Sudeste. 7 Tab.5- Veículos registrados, segundo tipos no DF. Fonte: GDF/SSP/DETRAN, jan/2010 8 Classificação climática de Köppen-Geiger (Cwa) Tabela Climática desenvolvida por Marta Adriana Bustos Romero em Princípios Bioclimáticos para o desenho urbano, 2000. 9 Dados SEBRAE,2005 J A N F E V M A R A B R M A I J U N J U L A G O S E T O U T N O V D E Z mobilidade possível e segura. O comportamento saudável e a N W N E E E E E E E E N E N W N W sociedade. O apoio da família é parte integrante de toda esta participação social é não menos importante, valorizando o idoso, melhorando a sua auto- estima e o incluindo na mobilização, pois a participação do idoso em ambiente familiar, bem como de seus familiares em sua vida só Tab. 6- Direção dos ventos predominantes em Brasília. Disponível em: www.iabdf.org.br contribuem para sua valorização e bem estar. Ao surgirem centros de convivências de idosos nas cidades, a terceira idade pode, através de atividades físicas, 3. O idoso no país À medida que o país cresce e obtêm maiores avanços culturais e artísticas, ter oportunidades para o desenvolvimento da criatividade e do relacionamento e na saúde, a expectativa de vida aumenta e com isso o país perceber sua importância social. Assim, auxiliar o idoso no alarga o topo de sua pirâmide etária, ou seja, o país processo de envelhecimento incentiva a sua longevidade envelhece. Envelhecer nas cidades se torna uma grande saudável, superando entraves psicológicos, físicos e sociais, questão a ser discutida a partir do momento em que esta faixa tornando a velhice um tempo de concretização de idéias tende a crescer e o país não se vê munido de preparo para essenciais na vida de muitas pessoas. compreender as necessidades da terceira idade. Segundo levantamento da OMS, a participação dos É neste contexto que as cidades brasileiras precisam idosos em muito se restringe quando não são suficientes as se mobilizar e propor políticas públicas com o propósito de atividades oferecidas e nem próximas ao seu local de oferecer melhores condições de vida à população da terceira residência. Outro fator que contribui para a permanência da idade. Seja nos espaços públicos, nos sistemas de transporte, terceira idade na sociedade é a identificação com os como em condições de moradia, é importante tornar sua programas e sua gratuidade, pois sem esta a utilização de equipamentos, e mesmo a realização de atividades seriam confirma as correntes migratórias geradas pela maior oferta um empecilho aos que acreditassem estar despendendo seu de trabalho na transferência para a capital federal. dinheiro em coisas menos importantes do que, por exemplo, O rendimento familiar dos idosos é alto, predominando em prol de sua família, ou do pagamento de contas. A rendimento superior a 20 salários mínimos (19,2 %), seguido necessidade que há anos atrás era vista como a criação de dos que recebem mais de 5 até 10 salários mínimos (18,7%), espaços para idosos vulneráveis e de autonomia reduzida, e dos que recebem 10 até 20 salários mínimos (15,5%). hoje se traduz em diversos programas que atendam muito O Nepti constatou que, quanto maior a renda da além do sistema de asilamento, como atividades alternativas família, maior o isolamento do idoso. As pessoas idosas de para a grande maioria dos indivíduos desta faixa etária. baixa renda se sentem mais inseridas nas atividades da casa, participam mais das decisões da família, pois muitas vezes elas são os únicos responsáveis pela renda familiar. Desta 3.1. O perfil do idoso no Distrito Federal Segundo o Núcleo de Estudos e Pesquisa da Terceira forma elas não se sentem excluídas, ou rejeitadas, uma vez que é parte importante da manutenção do lar. Já o idoso de Idade (NEPTI, 1998), o idoso do Distrito Federal é, na sua classe alta não é tão requisitado para as tarefas domésticas, maioria, do sexo feminino, de cor branca, católica e pouco devido a presença de funcionários que realizam tais escolarizada. As mulheres idosas são, em maior parte, atividades, e é mais protegido pelos familiares, atitude que o viúvas. Os homens geralmente são casados, vivem com a leva a sentir-se excluído do processo decisório da família, e, mulher ou com, pelo menos, um de seus filhos. A expectativa conseqüentemente, mais sozinho. de vida é de 75,8 anos, nível considerado uma das maiores A própria geografia do espaço urbano da cidade não é do país. Seu o nível de escolaridade é até o ginasial. A favorável à terceira idade, que sofre com a setorização de maioria dos idosos procede da região nordeste, o que serviços e instituições na cidade em locais afastados, característica notável em todo o Distrito Federal. Assim, sair de casa de torna um grande desafio para a terceira idade, que não tem muitas vezes opções próximas à sua casa de atividades e serviços e precisa recorrer a outros meios de locomoção que não necessariamente são satisfatórios. -O projeto sem barreiras arquitetônicas e em planta térrea (Fig. 14). -Referências projetuais Neste ambiente predomina-se o tempo livre no qual os usuários passam alguns ou até mesmo últimos anos de sua Centro Sociosanitário de Santa Rita, Ciutadella Menorca, vida. A intenção é criar um espaço convidativo para aqueles Espanha que queiram ir ou morar neste local. Fig. 14: Centro Sociosanitario de Santa Rita -Ciutadella Menorca, Espanha.Fonte: www.manuelocana.com/ Com o propósito de construir um centro de idosos que não se pareça um hospital, onde diversos corredores enfatizam a sensação de solidão e angústia dos momentos finais da vida, o arquiteto espanhol Manuel Ocaña projeta o Centro Sociosanitário na cidade de Ciutadella de Menorca Fig. 25: Sala de Terapia Ocupacional.Fonte: www.manuelocana.com A acessibilidade é o ponto fundamental do projeto, que desenrola todo o programa em uma planta térrea, garantia de autonomia física, segurança e respeito a intimidade e individualidade de seus usuários, além de facilitar o acesso de visitantes. Foi partindo deste princípio que o espaço de circulação foi pensado, originando uma planta com áreas em formato de ameba, que voltasse todos os 68 apartamentos para um jardim interno (Fig. 16) e um jardim perimetral externo de 4.313 m², que acaba se tornando a fachada da edificação e um convite para os que ali desejem entrar. O jardim interno, de 1542 m² é dividido em três jardins de diferentes cores: amarelo, azul e branco, no qual o paisagismo os configuram através de hortas, árvores e Fig. 16: Jardim interno. Fonte: www.manuelocana.com plantas, criando áreas verdes e espaços de sombra e descanso para se desfrutar. (Fig. 17) A coloração da vegetação tem papel fundamental para auxiliar seus usuários a entender a setorização, de forma a compreender o que há em cada área e aonde ir. (Fig 18) Fig. 17: Jardim interno ao entardecer. Fonte: www.manuelocana.com geriátricos, cabeleireiro e sala de posologia. A segunda planta, de acesso restrito, contem a parte administrativa, de escritórios, descanso e vestiários. Fig. 18- Jardim interno e circulação. Fonte: www.manuelocana.com O bloco de serviço possui pé-direito de 8 metros de altura e formato de rim, com fechamento translúcido que envolve dois volumes cilíndricos de formato elíptico. O cilindro do espaço de reabilitação tem pé-direito duplo e possui piscina coberta, enquanto o que se destina a serviços e administração conta com dois pavimentos além do térreo. No subsolo estão localizadas a lavanderia que recebe iluminação Fig. 19 - Piscina coberta. Fonte: www.manuelocana.com natural do norte e outras instalações. Os maquinários se encontram na outra planta em uma área atrás da lavanderia. Entre o bloco de serviços, os apartamentos e os limites A primeira planta do cilindro de serviços possui cozinha, do edifício, coincidentemente com o limite edificável (segundo consultório médico, escritório de assistente social, banhos o zoneamento, o terreno deve possuir recuo de 10 metros), ocorre o espaço de circulação. (Fig. 20 e 21) Neste, existem serviços móveis, sanitários, unidades móveis de controle e armários. Este dá acesso a todas as habitações. Fig. 21 - Planta baixa dos dormitórios. Sem escala.Fonte: www.manuelocana.com A iluminação natural do espaço-circulação proporciona, juntamente com as aberturas existentes, pequenas clarabóias circulares na cobertura e grandes aberturas no teto em forma de ameba, definindo as áreas do programa. As salas de terapia ocupacional, o espaço de atividades múltiplas e a sala de descanso são áreas marcadas pela presença das Fig. 203 - Planta de áreas verdes. Sem escala. Fonte: www.manuelocana.com clarabóias. O espaço-circulação dá acesso ao jardim exterior por várias portas dispostas no recinto e ao jardim interior por espaços entre os quatro blocos de apartamentos. A forma como o arquiteto procura trazer leveza ao projeto demonstra sua preocupação com a mudança de percepção de um centro de tratamento para idosos e sua ampla circulação beneficia os usuários que de maneira simples são direcionados através de cores aos seus dormitórios ou a qualquer lugar que tencionem ir. A sensação de paz trazida pela grande influência da iluminação natural e cores claras empreendidas através de seus materiais remete a um local diferente aos demais conhecidos e talvez por isso ainda não se torne aconchegante ao conforto como um lar. Os grandes espaços de circulação geram, sobretudo, grandes espaços que se tornam vazios e talvez até ociosos, e não Fig. 22 - Sala de descanso. Fonte: www.manuelocana.com parecem aplacar a sensação de solidão de quem ali permanece, fato também ocorrido por se localizar adjacente à terrenos vazios em uma área mais isolada da cidade. (Fig. 22 e 23) Fig.23 -: Espaço de atividades múltiplas. Fonte: www.manuelocana.com Fig, 44- Suítes para pacientes em convalescença. Fonte: www.manuelocana.com Os extensos jardins interligados pelos acessos da edificação oferecem uma grande área de descanso e a preocupação na escolha de espécies vegetais possui papel determinante para o direcionamento das pessoas. Não fugindo de sua intenção voltada à saúde de seus moradores, o local se diferencia como espaço e centro de tratamento, mas talvez pela permanência definitiva da maioria de seus usuários deva ter características que mais se assemelhem a uma habitação e não à um centro geriátrico. Fig. 55- Foto aérea. Fonte: www.manuelocana.com 3.1.2 Apartamentos para a terceira idade – Roterdã – Países Baixos O envelhecimento crescente da população mundial, e os índices ainda maiores de idosos nos países europeus mostram a preocupação dos governos, de empreendimentos imobiliários e outros serviços de gerar conforto e espaço para a terceira idade na sociedade. Em 2001, o convite para a concorrência de um projeto voltado para a construção de habitações para a terceira idade foi o ponto de partida para o escritório holandês Arons em Gelauff Architecten. O projeto para estabelecer objetivo deste concurso foi um um padrão de qualidade arquitetônica para os próximos projetos no ambicioso plano de re-desenvolvimento do centro de IJsselmonde, um dos subúrbios de Rotterdam nos Países Baixos. (Fig. 26) O design pensado para pessoas a partir de 55 anos foi inspirado na iminente fase de aposentadoria daqueles que vivenciaram a geração hippie. O projeto envolve a negação de seu mercado-alvo, de envelhecimento, com uma proposta divertida e colorida de bloco de apartamentos. A construção é uma configuração de dois blocos de volumetria diferenciada, no qual o maior bloco se prolonga verticalmente por 16 Fig. 26- Vista aérea do edifício em Plussenburgh. Autor: Desconhecido Disponível em: http://www.aronsengelauff.nl/ andares e o menor se estende horizontalmente e se eleva a 11 metros de um espelho d’água. No pequeno espaço da torre é criado um jardim. Os dois blocos consistem em apartamentos com uma ininterrupta extensão de 9,60 metros, permitindo múltiplos pavimentos e futuras adaptações. Um discreto elevador interliga a construção mais antiga com a mais nova, na qual se encontram uma equipe médica, cozinheiros e outros serviços disponíveis. (Fig. 27 ) Fig. 28: Pavimento tipo com plantas das habitações. Sem escala. Autor desconhecido: Disponível em: http://www.aronsengelauff.nl/ Fig. 29: Planta-baixa de áreas se serviço. Sem escala. Disponível em: http://www.aronsengelauff.nl/ Fig. 27: Implantação do edifício. Sem escala. Autor desconhecido: Disponível em: http://www.aronsengelauff.nl/ Fig. 32: Detalhes de pilares em "V". Fonte: http://www.aronsengelauff.nl/ Fig.30 - Planta-baixa de áreas se serviço. Sem escala. Autor: desconhecido. Disponível em: http://www.aronsengelauff.nl/ Fig. 33: Vista externa das varandas. Fonte: http://www.aronsengelauff.nl/ Fig. 31- Perspectiva externa do edifício em Plussenburgh. Autor: Desconhecido Disponível em: http://www.aronsengelauff.nl/ As fachadas das habitações ganham um efeito de qualidade tri-dimensional através das varandas de formato ondulado e seus pilares de concreto em V. (Fig. 31 a 33). As galerias de vidro - conjunto com o vidro de auto-limpeza são suaves, mas muito colorido em mais de 200 tonalidades diferentes. (Fig. 34) Escondido abaixo da construção, um espaço de recreação na água é acessível através do jardim, pavimentado de asfalto para facilitar o deslocamento de cadeiras de roda e automóveis tipo scooter. Um recorrente tema de grama percorre por diversas partes do projeto e se harmoniza com a diagramação triangular de asfalto preto do qual brotam espécies de árvores e gramíneas. Fig. 34 - Variação na tonalidade de vidros. Fonte: http://www.aronsengelauff.nl/ consolidar seu bairro. Voltada para os espaços internos, os 104 apartamentos são igualmente divididos e possuem espaço suficiente para uma vivência confortável e feliz, com banheiros espaçosos e varanda. Serviços para seus moradores completam a obra, que apesar de grande área residencial, não se esquece de área de lazer estacionamento. Fig. 356: Circulação interna. Fonte: http://www.aronsengelauff.nl/ Plussenburgh é a simplificação do que se chama de arquitetura para idosos. Sua arquitetura não cai no clássico enfadonho das construções que procuram manter formas que não desagradem seu público-alvo. (Fig. 36) É justamente pensando em seu público que os arquitetos pensam em sua forma e a transformam em um belo e alegre referencial para a cidade, que se espelha em construções como essa para Fig.36: Detalhe da garagem. Fonte: www.aronsengelauff.nl e 3.1.3 Dia centro e residência para idosos – Oeiras, Portugal divide entre apoio social, de caráter público e autarquia, com 45 residências particulares voltados a munícipes e casais de idosos socialmente isolados. No primeiro andar estão as ações de apoio sociais de residência assistida com 15 apartamentos para idosos que estejam em convalescença ou recuperação, mas que não precisem de cuidados médicos. Neste andar destina-se também ao centro dia e o apoio domiciliário, como local temporário de permanência ou descanso. Fig.37: Fachada externa. Disponível em: http://www.archdaily.com/127840/day-care-and-elderly-residential-centrecvdb-arquitectos/ Localizado no subúrbio de Oeiras entre um bairro residencial e um centro urbano, o projeto desenvolvido pela CVDB voltou-se para um espaço de residência e apoio ao idoso. (Fig. 37 e 38) O edifício construído em 2007 é resultado do aumento de munícipes com mais de 65 anos, que são atualmente parcela significativa da cidade. O local se Fig.38 Fachada externa. Disponível em: http://www.archdaily.com/127840/day-care-and-elderly-residentialcentre-cvdb-arquitectos/ Figura 40: Corte transversal. Disponível em: http://www.archdaily.com/127840/day-care-and-elderly-residential-centrecvdb-arquitectos/Acesso: 23/03/2011 Fig. 39: Planta do pavimento tipo. Disponível em: http://www.archdaily.com/127840/day-care-and-elderly-residential-centrecvdb-arquitectos/ Fig. 41: Corte longitudinal. Disponível em: http://www.archdaily.com/127840/day-care-and-elderly-residential-centrecvdb-arquitectos/ Com habitações de 44 m², (Fig. 39 a 41) seu projeto é simples e funcional, oferecendo espaço e distribuição de cômodos de forma racional e permite que o residente se sinta a vontade. A circulação é feita por elevadores e escadas, que possuem um vazado entre os andares que permite a comunicação entre os andares, trazendo conforto térmico e permitindo que os residentes interajam. (Fig. 42) O piso térreo feito de ardósia preta contrapõe as grandes áreas transparentes que acomodam as residências e os espaços públicos. Na área externa, o jardim particular vira ponto de encontro dos moradores e frequentadores do local, que parece extensão do visual do espaço publico como pode ser também acessado pelo público. Fig. 42: Detalhes da comunicação entre pavimentos . Disponível em: http://www.archdaily.com/127840/day-care-and-elderly-residential-centrecvdb-arquitectos/ 3.2 Estudos de caso 3.2.1 Unidade de Vizinhança Fig. 44- Vista aérea de superquadra em construção. Fonte: Arquivo Público do Distrito Federal, autor indisponível Fig. 43- Croquis e perspectiva da superquadra.Autor Lucio Costa. Fonte: Arquivo Público do Distrito Federal Buscando criar referência para as superquadras na cidade (Fig. 43), Oscar Niemeyer, que dirigia o Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), desenvolveu em 1959 a proposta dos edifícios residenciais das SQS 107 e 108. (Fig. 44) Com as vizinhas 307 e 308, compõem a unidade de vizinhança, sendo estas as que mais se aproximam do conceito original de Unité d’Habitation do arquiteto franco-suíço Le Corbusier. Procurou-se, assim, concentrar neste conjunto de quadras, atividades de serviços, comércio e lazer suficientes para que seus moradores pudessem se deslocar minimamente de suas habitações e mantivessem uma estreita ligação com o espaço vivido. Extensas áreas verdes se comunicam com os blocos de edificações retangulares, procurando setorizar habitações, sem, no entanto excluir os transeuntes dos amplos espaços públicos. As quadras da SQS 107 e 108 possuem, além das 11 edificações projetadas sobre pilotis, cinema, lojas, uma igreja, uma escola parque, uma escola-classe e um jardim de infância em suas adjacências. (Fig. 45 a 47) Fig. 45- Planta da Unidade de vizinhança e indicação de serviços. Com escala gráfica. Disponível em: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/oscar-niemeyersuperquadras-brasilia-08-02-2008. Fig. 46 - -Jardim de infância da 308 sul. Disponível em: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/oscar-niemeyer-superquadrasbrasilia-08-02-2008. Fig. 48- Igreja Nossa Senhora de Fátima 308 sul. Autor:Augusto Areal Disponível em: claudiaveiroarte.blogspot.com Ainda que construído exatamente como previsto, a utópica intenção de integrar espaços públicos e privados e gerar um novo estilo de vida ao morador de Brasília não saiu como planejado. Os espaços bem cuidados das quadras contrastam com o vazio de um lugar que deveria ser a confluência de vivências. (Fig. 48) A individualidade do ser de uma grande cidade se contrapôs ao espaço comum e gerou a subutilização de todo o local. Ninguém se interessa em descer debaixo do prédio para desfrutar a paisagem local, Fig. 47- Escola-parque 308 sul. Autor:Leonardo Finotti Disponível em: http://memorialdjanira.blogspot.com julgam ter coisas mais importantes a fazer e muitos até temem a violência freqüente nas superquadras. O comércio e atividades de lazer não satisfazem mais os moradores, que passaram a se deslocar para outros pontos da cidade, cada vez mais longínquos devido à intensa setorização. Brasília assim se tornou a negativamente célebre cidade que não combina com os pedestres, inclusive constantemente expulsando-os da circulação, negando-lhes a possibilidade de irem e virem como bem quisessem. Hoje em dia tampouco combina com os automóveis, visto que a quantidade excessiva de carros circulando gera um trânsito caótico na cidade. Mesmo para se deslocar até as superquadras é possível demorar tempo o suficiente para fazer as pessoas Fig. 49- Interior da superquadra. Autor:Leonardo Finotti Disponível em: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/oscar-niemeyer-superquadrasbrasilia-08-02-2008.html não voltarem às suas residências senão quando estritamente necessário, pois muito provavelmente chegando a casa, assim como indo para o trabalho, terão dificuldade para encontrar vagas para estacionar. Fato semelhante ocorreu com as instituições públicas de ensino, devido ao alto poder aquisitivo dos habitantes, perdendo espaço para escolas particulares. Fig. 50- Áreas verdes e prédio com pilotis. Autor:Leonardo Finotti Disponível em: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/oscar-niemeyersuperquadras-brasilia-08-02-2008.html Fica claro, portanto, que os moradores de Brasília, seja pelo seu perfil socioeconômico ou pela sua cultura, procura de todas as formas não pertencer ao espaço comum, pois partilhá-lo poderia ser equivocadamente entendido como o compartilhamento de seu espaço habitacional. (Fig. 48 a 50) É da junção de informações acerca da população e da cidade que se torna possível propor intervenções positivas com o propósito de sanar possíveis falhas na estrutura do Fig. 51Caminhos da superquadra 308 sul. Autor:Leonardo Finotti Disponível em: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/oscar-niemeyer-superquadrasbrasilia-08-02-2008.html espaço urbano, de uma sociedade. Pensar em um espaço de convivência para idosos emerge da crescente necessidade de acompanhar o envelhecimento acelerado da população, originando locais que possam ser destinados a este grupo, ao mesmo tempo em que tragam a estes melhora em sua qualidade de vida, com mais confiança e alegria. Levando em consideração a falta de uma organização real e efetiva que envolva a parcela idosa na cidade de Brasília, a elaboração de um projeto de um centro de convivência para a terceira idade procuraria tirar estas pessoas de suas casas, propondo uma nova forma de viver e se relacionar com o ambiente urbano e com as pessoas. Fig. 52- Espelhos d’água na 308 sul. Autor:Leonardo Finotti Disponível em: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/oscar-niemeyersuperquadras-brasilia-08-02-2008.html O local, apesar de voltado para o público da terceira idade, não exclui as demais faixas etárias de freqüentarem o espaço, garantindo uma integração harmônica e incentivando 3.2.2 SESC 913 sul uma convivência sadia. As atividades realizadas poderão ser feitas por todos aqueles que se inscreverem nos cursos oferecidos no centro, inclusive pelos moradores locais. Integrar moradores com freqüentadores no local é uma ótima forma de fazer com que os idosos cultivem novas amizades e obtenham novas experiências, afastando o sentimento de solidão que predomina no perfil do idoso do Distrito Federal. Fig. 53- Fachada do SESC 913 sul. Autor: Liz Nakahara Construído na década de 1970, o edifício do SESC 913 sul (Fig. 53) foi o primeiro dos vários construídos no Distrito Federal. Possui atividades esportivas como natação, hidroginástica e musculação, além de eventos culturais de dança e música, exposições, áreas recreativas, apoio médico e hospedagem. Seu projeto foi concebido pelo arquiteto Tony Malheiros e possui três andares e subsolo.( Fig 54 a 56) Elaborado inicialmente para ser em grande parte uma hospedagem alternativa aos comerciários vindos a cidade, passou por algumas reformas que procuraram adaptá-lo as necessidades de seus freqüentadores. No projeto original, o andar térreo possuía um espaço de entrada próximo a de um hospedaria, com recepção, sala de estar, lanchonete, sanitários e acesso a um salão. Na sobreloja encontra-se a cozinha e refeitório. No mesmo nível da sobreloja, mas através de acesso pela área das piscinas, tem-se três pequenas salas. No último andar concentram-se os apartamentos de hospedagem, com banheiro e varanda em seu interior, e nas demais áreas é possível notar sala de estar Fig. 55-Planta baixa da sobreloja.Sem escala. Arquiteto:Tony Malheiros e lavanderia. Fig 56-Planta baixa do primeiro pavimento.Sem escala. Arquiteto:Tony Malheiros Fig. 54- Planta baixa do térreo. Sem escala Projeto: Tony Malheiros Por conta da baixa demanda de hóspedes, as alterações feitas procuraram oferecer mais atividades como um centro de atividades (Fig. 57) e menos como um hotel. Assim, o número de apartamentos foi reduzido de 25 para 18 e neste espaço foi realocada a parte administrativa. No nível da sobreloja, os espaços hoje são para consultas médicas e na outra parte mantem-se a cozinha e o refeitório. No térreo as adaptações dão-se por conta da readaptação da configuração dos ambientes e não por reformas propriamente ditas. O local onde era a sala de estar da entrada, hoje tornou-se uma espécie de saleta para a espera de Fig. 57-Aula de hidroginástica nas piscinas. Autor: Liz Nakahara atendimento da recepção. No subsolo, o auditório para 204 pessoas é mantido, mas na área destinada à recreação, hoje tem-se uma sala de musculação. (Fig. 58) Fig. 58-Sala de musculação no subsolo. Autor: Liz Nakahara O local é bastante freqüentado por diversas faixas (Fig 60) que são estreitas e parecem gerar grande etárias devido a sua privilegiada localização, próximo de insegurança, mas segundo a gerente da unidade, medidas áreas educacionais e residenciais. Assim, os moradores da acessíveis serão tomadas. O acesso para os andares região conseguem facilmente ir até o local a pé e realizar as também pode ser feito por elevador, que tem capacidade suas atividades, assim como de automóvel. Apesar da máxima de duas pessoas. (Fig. 61) iniciativa pioneira do SESC em realizar trabalhos com a terceira idade, percebe-se que o local sofreu ao longo de sua existência diversas modificações que o fizeram perder sua característica original, assim como tornaram difíceis as adaptações para o crescente público, em especial o idoso. Rampas de acesso (Fig. 59) são observadas na entrada principal e no salão térreo, local onde se realizam a maior parte das atividades para este grupo, como a dança. Ainda assim os que possuem mobilidade reduzida tem dificuldade em acessar a áreas como a musculação, feita por uma estreita e escura escada que também é escorregadia apesar de seu revestimento anti derrapante. Isto porque o acesso aos vestiários se dá por essa escada, o que faz os usuários das piscinas se utilizarem desde espaço. A rampa para este local existe, mas encontra-se fechada, assim como a escada helicoidal que percorre todos os pavimentos. O acesso ao serviço médico também é dificultado pelas escadas de ferro, Fig. 59-Rampas de acesso nas partes internas e externas Fig. 60- Acesso único para as salas médicas da sobreloja. Fonte: Liz Nakahara Fig. 62-Sanitário adaptado A área onde ocorre a realização de danças e atividades para a terceira idade é relativamente grande, mas ao se deparar com o número de freqüentadores o local se torna pequeno e muito quente. (Fig 63) A música, comandada por um empregado do SESC, ecoa pelo local e impede os que não dançam de se comunicar, demonstrando a pouca preocupação acústica na elaboração do espaço. Ainda assim, a grande alegria observada em seus freqüentadores minimiza quaisquer possíveis falhas organizacionais e projetuais, comprovando que muito mais do que viver, os mais vividos Fig. 61-Elevador não consta no projeto original. Fonte: Liz Nakahara querem ter saúde e alegria. (Fig. 64) 3.2.2.1 Questionário socioeconômico Foram aplicados questionários do tipo aberto para 15 frequentadores do SESC com mais de sessenta anos. Os questionários com perguntas sobre o dia a dia das pessoas e sobre o SESC e atividades relacionadas foram o tema principal, que teve como objetivo traçar o perfil dos frequentadores e, consequentemente, o perfil do idoso na cidade. Gráficos 2 a 5 Fig. 63- Grupo dos mais vividos – encontros semanais de dança e atividades Renda mensal (em S.M.) Acima de 20 27% Até 5 40% 75 a 80 7% Faixa etária 60 a 65 13% 6 a 19 33% 71 a 75 40% Fig. 64- Um dos casais que se conheceram nos bailes do SESC. 66 a 70 40% mais de 80 0% Nível de escolaridade percepções e opiniões, o que não impediu de traçar um perfil 1º grau 20% nas respostas que, em diversas ocasiões, eram bastante parecidas. As perguntas objetivas permitiram a criação de Superior 47% gráficos que visualmente informam a predominância de cada 2º grau 33% dado. Região de origem estão no SESC, procuram fazer ginástica ou ficam em casa. Sul 13% Norte/nordes te 20% A grande maioria das pessoas disse que, quando não Isto demonstra a grande preocupação com a prática de Sudeste 47% Centro Oeste 20% A entrevista no SESC foi feita no dia de maior concentração de idosos no local, que é o encontro realizado semanalmente para este grupo, envolvendo atividades em conjunto, em especial a dança. Sozinhos ou em duplas, os frequentadores dançaram no centro do salão, parando em alguns momentos para se sentar. Com a aplicação dos questionários de maneira aberta, foi possível dar abertura aos usuários em relação as suas exercícios, seja por bem estar, como por saúde. Ainda assim, por serem aposentadas, não encontram grandes atividades para realizar. Os entrevistados divergiram quanto à satisfação em relação a atividades para a terceira idade em Brasília, pois grande parte acredita que não há o suficiente para este grupo etário e que deveria haver mais opções de lazer. Eles afirmam que com exceção do SESC não há muito que fazer para se distrair. Em relação ao SESC é unânime a satisfação dos entrevistados, que afirmam ser muito bem tratados no local, espaço onde interagem com amigos e esquecem dos problemas cotidianos. Muitos encontram ali um espaço para paquerar e por isto a concentração de homens para mulheres não chega a ser totalmente desproporcional. Apesar de adorarem o SESC, alguns usuários não concordam com os É importante salientar a surpreendente porcentagem poucos bailes para o grupo e alguns reclamam do estilo de idosos de nível de instrução superior, pois talvez devido ao musical tocado e sua pouca variação. Ainda assim, caráter histórico e cultural do nosso país e das gerações frequentam em sua grande maioria há anos o local, alguns anteriores, o acesso ao ensino superior era bastante restrito e chegando a ir ao clube há mais de 20 anos. Quanto a até menos necessário do que nos dias atuais. Ainda assim, possíveis dificuldades para acessar ou se deslocar no estes se trataram da maioria dos entrevistados. (Foi espaço, quase todos se mostram bastante satisfeitos, alguns, computado como pertencentes a cada nível de estudo entretanto, desejando maior espaço para os bailes, outros aqueles que completaram o grau). Um dos entrevistados falou menor numero de escadas. sobre a mudança, por lei, de seu nível de escolaridade, O perfil etário dos frequentadores é bastante variado, possuindo frequentadores a partir dos 60 anos e não tendo passando a ser considerado como graduado em nível superior e acerca disso não se teve maiores informações. São bastante diversificadas as regiões de origem sido observada a frequência de pessoas com mais de 80 dos entrevistados, o que não confirma nenhum tipo de anos. A renda mensal observada, é em maior número migração em massa, mas sim a miscigenação de regiões e daqueles que ganham até 5 salários mínimos. A presença de culturas pessoas que possuem renda superior a 6 salários mínimos, econômicos, este é o perfil também da cidade, que ainda hoje entretanto, é bastante representativa, que demonstra o alto recebe pessoas de todo o país. poder aquisitivo dos moradores da cidade, fato que se expressa em grande parte pela profissão predominante que exerciam antes da sua aposentadoria, sendo grande parte deles funcionários públicos. na cidade. Seja por motivos familiares ou 3.3 Centro de convivência para a terceira idade em superquadra de Brasília(DF) Inserir um espaço de vivência, cultura e lazer dentro de uma área residencial surge da intenção de criar um vínculo com os seus moradores locais, estabelecendo uma proximidade tal que faça as pessoas voltarem a valorizar o espaço público das quadras habitacionais. As atividades, embora amplamente direcionadas à faixa etária que vem se consolidando no país, não se restringem somente oportunidades que a estes, atraiam o pois procuram restante da oferecer população, despertando o interesse em adentrar e permanecer no local. Por fim, este projeto irá buscar sanar as verdadeiras necessidades deste grupo cada vez maior de pessoas, melhorando sua qualidade de vida com mais confiança e alegria e afastando o sentimento de solidão que predomina no perfil do idoso do DF. geral, o envelhecimento populacional não se trata ainda uma preocupação brasileira, como já observada e fortemente tratada na maioria dos países europeus. A importância de criar um espaço com tais propósitos é introduzir o conceito de envelhecimento saudável, projetando uma edificação que entenda estas pessoas, gerando conforto e promovendo o bem estar de todos. Desenvolve-lo em Brasília significa voltar as atenções do país para uma das maiores questões a serem discutidas nos próximos anos e sua eficácia garantirá um exemplo a ser seguido, quem sabe, nas demais cidades brasileiras. Ainda que o perfil socioeconômico do morador da capital federal se diferencie em muitos aspectos do perfil de outras cidades, a intenção desta iniciativa será sempre a mesma, dar atenção a esta importante parcela da população. Espera-se que o envolvimento para a realização de um projeto deste caráter envolva a Universidade de Brasília, que detendo a propriedade do terreno, utilize-se das negociações 3.3.1 Premissas Procurando referências projetuais que pudessem servir imobiliárias de suas unidades habitacionais, ou mesmo de de estudo para este projeto, foi possível constatar que as assim, possua maneiras de subsidiar a construção do centro ações voltadas à população mais idosa no país ainda são de convivência. É de responsabilidade da própria UnB precárias e as políticas públicas muito primárias. De maneira suas projeções habitacionais para aluguel e/ou venda e administrar o local e gerar formas de manter ativo seu funcionamento. A escolha da área (Fig. 65) foi feita a partir dos estudos de possíveis áreas de intervenção, levando em consideração sua localização na cidade e acessos, aspectos positivos e negativos de sua implantação no local, uso e ocupação do entorno e zoneamento. As áreas observadas se tratavam de localizações bem distintas e, por isso, os fatores que resultaram na escolha do sítio final foram determinantes. 3.3.2 Superquadra Norte 207 No meio da Asa Norte, resistindo ao tempo e Fig. 65- Imagem de satélite da área. contrastando com a paisagem edificada, a superquadra 207 norte se encontra totalmente vazia (Fig. 66). Enquanto o Distrito Federal padece com seu grave déficit habitacional, o extenso gramado de aproximadamente 62.500 m² permanece há anos inalterado. Pertencente à Fundação Universidade de Brasília (FUB), a quadra é uma das inúmeras propriedades da Universidade de Brasília (UnB)10, mas uma das poucas ainda 10 O Senador Darcy Ribeiro negociou um acordo que na hora do registro garantiu 129 projeções de terreno. A maioria destes locais já tem construções, mas ainda restam 27 projeções. Parte das áreas foi trocada com construtoras por imóveis Fig. 66- Superquadra 207 norte desocupada. residenciais. Ao todo a UnB possui mais de 1,5 mil apartamentos e 178 salas e não construída. Protegida pela Constituição Federal e pela Lei Procurando amenizar a falta de habitações e acabar distrital 4.072 de 17 de junho de 2007, a instituição está isenta com a especulação imobiliária na ultima superquadra vazia da de pagar IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e se cidade, tem-se o pretexto ideal para implantar um projeto de esquiva de pagar anualmente pelo menos R$ 6,3 milhões em tamanha visibilidade. A possibilidade de criar uma proposta impostos. O valor do imóvel hoje seria por volta de para toda a quadra dará a oportunidade de elaborar algo R$ 210 milhões.11 totalmente inédito na cidade, procurando sanar alguns Com tamanho similar às demais superquadras, sua planta de projeção 12 prevê 12 projeções lineares de largura igual a 10 metros e comprimento variado de 80 ou 60 metros. Além disto, algumas porções são destinadas para fins institucionais e de lazer, como jardim de infância, escolaclasse e quadra polivalente. Ainda ao lado, na chamada faixa de entrequadra entre as quadras SQN 206 e 207, são previstas outras áreas para lazer e educação. (Fig. 67)(Tab. 8) lojas, além da SQN 207. Fonte: SEI – Secretaria de Empreendimentos Imobiliários, 2007 11 Dados solicitados pela Revista Campus à Câmara de Valores Imobiliários (CVI/DF) em 2007. 12 A elaboração das plantas das quadras com a distribuição das projeções, arruamentos e equipamentos urbanos eram inicialmente de responsabilidade da Divisão de Arquitetura da Novacap. relevantes problemas atuais, sem deixar de se utilizar dos pontos positivos da linha de pensamento modernista que rege a cidade. Fig. 67- Planta de projeção da SQN 207. Projeto: Novacap. Desenhista: Alice Residencial - Pilotis + 6 pavimentos Institucional - Educação Lazer Comércio Taxi || Pedestre Sistema viário interno Central de Alta Voltagem Tab. 8- Legenda de cores indicativas de possíveis edificações 3.3.3 Os estudos feitos A infraestrutura urbana consolidada privilegia o acesso ao local, que é margeada pelo Eixinho Rodoviário Norte (também chamado de Eixo L Norte) (Fig. 68), paralelo ao Eixo Rodoviário principal que liga uma asa à outra, assim como as vias que percorrem as quadras comerciais e interligam os eixos leste e oeste (sentido duplo entre quadras 100 e 200). (Fig. 69) Outra importante forma de acesso à quadra seria através da Via L2 Norte, que juntamente ao Eixinho Fig. 68- Eixo Rodoviário Norte em direção ao fim da Asa Norte. Movimento constante de automóveis. Rodoviário Norte se caracteriza por apresentar moderada circulação de automóveis e velocidade máxima permitida de 60 km/h. Possuindo dois pontos de ônibus nas faces ladeadas por vias (eixo L Norte e L1), o acesso seria facilmente feito por meio de automóvel particular ou transporte coletivo público, além obviamente de ser totalmente aberta aos pedestres. A presença de pessoas na área é freqüente e geralmente ocorre por conta do ponto de ônibus encontrado no Eixinho Rodoviário Norte. (Fig. 70 e 71) A maioria delas vai em direção à L2 norte ou faz o sentido contrário e não se importam em percorrer sozinhas o terreno ermo. No interior da quadra moram cerca de 20 pessoas que, apesar de Fig. 69- Acesso subterrâneo que interliga a quadras 100 e 200. possuírem moradia em regiões afastadas, acreditam possuir maiores condições residindo precariamente no local e trabalhando como vigias de carros das comerciais próximas. Fig. 71- Ponto de ônibus da via L1 (paralela ao Eixinho), outra via que margeia a superquadra. Fig. 70- Ponto de ônibus do Eixo Rodoviário Norte defronte à superquadra 207. Fig. 72- Quadra comercial CLN 207. Contrario à quadra residencial, o comércio da quadra CLN 207 já existe há muitos anos e juntamente com a CLN 208 concentra lojas de informática e assistência técnica. (Fig. 72) No entorno imediato é possível encontrar uma escola classe, um templo religioso e um posto de saúde, enquanto um pouco mais afastado é possível localizar o Hospital Universitário de Brasília (HUB), instituições de ensino e saúde, além de órgãos públicos e a própria UnB. (Fig. 73) O estudo de massas foi de suma importância para este projeto, (Fig. 74) visto que apesar de predominantemente rasteira, a vegetação da área possui espécies remanescentes do cerrado. Segundo o Decreto 14.783 de 17 de junho de 1993, 12 espécies nativas são imunes ao corte, sendo algumas delas observadas na superquadra, como as espécies de Jacarandá-do-cerrado e de Cagaita. (Fig. 75) Por conta da esparsa forma como se dispõem no terreno, algumas espécies de cerrado serão remanejadas dentro da própria quadra, preservando-as e otimizando a área do local. Fig. 74 - Estudo massas vegetativas do terreno. Sem escala. Fig. 73 - Estudo de vias de acesso e serviços. Sem escala. Quanto à topografia local, o terreno possui declive suave de 3,67% de inclinação, possuindo queda insignificante ao longo dos 353 metros de extensão de sua diagonal. Do ponto mais alto ao mais baixo, o desnível é de apenas 13 metros. (Fig. 76) Fig. 75- Vegetação nativa do cerrado presente na quadra. Na análise dos eixos rodoviários é possível perceber uma mudança de sua curvatura que, como cita Braga (2007, p. 54), tem uma variação de azimute que diminui no sentido norte de 358º para 342º a partir da superquadra SQN 107 e 108. A mesma variação ocorre também no Eixo Rodoviario Sul no qual o azimute de 216º passa a ser de 232º a partir da superquadra SQS 108. (Fig. 77) Fig. 76- Os caminhos de terra feitos pelos que atravessam a quadra. sentido norte-sul, evitando as grandes incidências do sentido leste-oeste. É importante salientar que não somente com a incidência solar deve-se preocupar ao implantar um edifício, mas também com a favorável circulação de ar nos seus espaços internos. Flores (2004, p.4) coloca que as maiores intervenções observadas nos edifícios de Brasília são justamente referentes à necessidade de proteção solar dos ambientes internos e para isso utilizam-se de artifícios como toldos e ares-condicionado que, não previstos em projeto e muitas vezes em leis, acabam por descaracterizar as fachadas e a proposta arquitetônica. Levando em consideração as direções predominantes dos ventos, tem-se Fig. 77- Imagem de satélite com disposição de blocos (verde), área residencial (amarelo), eixos (azul e laranja).Autor: Darja Kos Braga, 2005 Braga discorre sobre a curiosa orientação quase exata que a implantação ideal seria a que unisse tais informações, procurando favorecer as áreas externas, mas sem esquecer o conforto dos espaços internos. 3.3.4 Proposta de implantação norte-sul ou leste-oeste dos edifícios, que no início da Asa Norte apresenta desvio de somente 2º, e na altura da A proposta da implantação foi feita com bases nos superquadra SQN 108 passa a ser de 18º. Na quadra SQN estudos do terreno e entorno, além das características 207 o desvio é de 17º, ângulo este que pode ser interessante geográficas e morfológicas da região. Pensando no uso se a implantação for favorecida pela incidência solar no predominante residencial, a locação dos edifícios se faz fundamental, para que a inserção do centro de convivência possa ser harmoniosa e consonante com o espaço, sendo privilegiados pelo sistema viário interno e respeitando as extensas áreas verdes do local. Algumas das idéias para este projeto e sua satisfatória elaboração divergiam, como por exemplo, o aproveitamento topográfico e a melhoria nas condições de conforto térmico, assim como a preservação das espécies vegetais preservadas em seu local exato. Dessa forma foi preciso optar por soluções que melhor contemplassem seu sítio e futuras edificações, voltando as faces principais das edificações para as direções sudeste- Fig. 78- Implantação dos edifícios na SQN 207. noroeste e nordeste-sudoeste. A rotação de 36º para oeste em relação ao norte, faz com que os prédios residenciais tenham no futuro uma adequada circulação cruzada de ar e uma incidência solar de boa intensidade, auxiliando de tal forma a mais rápida dissipação de radiação de suas fachadas. (Fig. 78 a 81) Fig. 79- Perspectiva da quadra e áreas verdes. A Universidade de Brasília encontra-se ao longo da via L3 norte e se alinha ao terreno da superquadra 207 norte. Apesar de não possuir vias diretas de acesso, o caminho entre uma e outra feito de automóvel é relativamente pequeno e não ultrapassa os três quilômetros. Propõe-se então um eixo de ligação entre a UnB e o terreno de sua propriedade, no qual os caminhos de terra marcados pelos que passam começam um percurso do ponto de ônibus do Eixinho Fig. 80- Pilotis garantem a livre passagem. Rodoviário Norte e percorrem a quadra, favorecendo a ligação com a instituição. O firme propósito em vincular a Universidade de Brasília à sua propriedade vem da possibilidade de desenvolver estudos e projetos de pesquisa sobre a terceira idade e contribuir para a melhoria de sua qualidade de vida. Sendo referência como instituição pública de ensino superior no país, a UnB pode ampliar a visibilidade das cidades brasileiras e seus governantes para a importância do idoso, acelerando ou auxiliando na elaboração de propostas que adequem cada vez mais este grupo no contexto urbano. Os edifícios residenciais da superquadra Fig. 81-Perspectiva e espaços verdes integrados com edificações. terão destinos definidos pela própria FUB13, podendo esta 3.3.5.2 O sistema viário optar por comercializar estes imóveis ou voltar tais habitações Encarregado pelo traçado das vias internas de grande para grupos específicos como professores ou discentes da parte das superquadras, Nauro Esteves como funcionário da universidade. Alerta-se, entretanto, que apesar da forte Novacap se uniu à idéia de contrapor à rígida ortogonalidade intenção que o centro de convivências tem de reunir pessoas das edificações através de caminhos sinuosos e orgânicos e experiências com o público da terceira idade, voltar as que rompessem a possível monotonicidade de seu rígido habitações do local exclusivamente para estes poderia criar a planejamento. Assim, o sistema viário das superquadras se falsa impressão de reunir pessoas de faixas etárias próximas caracteriza pelos culs-de-sacs que não promovem a ampla podem trazer aspectos positivos e amenizar a solidão dos circulação de automóveis propositalmente, garantindo sua moradores. Infelizmente os efeitos desta ação podem ser restrição e segurança. graves, pois ao restringir a moradia local, o idoso perde a Para um bom aproveitamento do terreno e favorecendo convivência familiar e se vê excluído da sociedade, tendo que as grandes áreas verdes, as vias internas da SQN 207 foram se contentar em viver somente naquela área, que acabará por desenhadas concentrar pessoas com o mesmo perfil etário. Evitar esta equipamentos visando à diminuição de área pavimentada. A possível segregação não isenta a possibilidade de idosos linha perimetral que percorre parte da quadra gera um acesso residirem no local, pois a preocupação com questões de inusitado às construções, vezes através de ruas sem saída, conforto e acessibilidade foram constantemente observadas. vezes por mais de um acesso. O acesso ao subsolo é para atender os edifícios e os demais garantido por entradas e saídas dos conjuntos em sentidos opostos. 13 A venda de imóveis é feita através de edital por concorrência através da própria Fundação. 3 A criação de áreas para estacionamento é fundamental por conta do crônico problema de falta de vagas no Distrito Federal, fato comprovado no próprio terreno quando observada a constante presença de automóveis que compõem o estacionamento adaptado em piso de terra. (Fig. 3.3.5.1 Edifícios Residenciais 82) Estas atenderiam aos principalmente os visitantes das A extensão de uma quadra com as dimensões como as unidades habitacionais, os freqüentadores do centro de da SQN 207 atentam para seu grande potencial imobiliário e convivência e demais equipamentos, além dos que irão econômico. Ainda assim, as unidades residenciais não acessar o comércio local. obedecerão as plantas de projeção14, e devido à sua disposição volumétrica e pela sua própria proposta arquitetônica, terão o numero de unidades habitacionais reduzidas. A volumetria dos blocos de apartamentos é o ponto de partida inicial do projeto residencial, que procura unir a funcionalidade das famosas habitações modernas da cidade, sem deixar de se adequar as mudanças “inerentes à uma cidade” (NIEMEYER, 2009)15, ainda que esta tenha o diferencial de ser Patrimônio Cultural da Humanidade. Ressaltando a intenção de se conservar as raízes que conceituam a capital do país, o estudo das superquadras da Unidade de Vizinhança e seus elementos foi ponto passivo Fig. 82-Estacionamento adaptado na SQN 207 para a decisão de se adaptar a planta residencial existente elaborada por Oscar Niemeyer. Com dimensões de 16x14 14 Sendo de responsabilidade da UnB, a planta de projeção pode ser alterada, seguindo as premissas legislativas, desde que aprovadas previamente pela Administração Regional de Brasília. 15 NIEMEYER, O. Depoimento, 2009. metros e área de 224m², (Fig. 83) a unidade residencial da a primeira planta habitacional desenvolvida para este trabalho superquadra 308 sul possui cômodos generosos: três quartos surgiu da diminuição da metragem para 165 m² (15x11 sendo uma suíte, cozinha, área de serviço e dependência de metros), procurando condensar a planta original de Niemeyer empregada, além de sala de jantar e uma ampla sala de condensando estar. comodidade de seus usuários e comprovar que é possível cômodos, sem reduzir a mobilidade readaptar espaços de diversas maneiras possíveis. (Fig. 84) 8.10 A. Serviço 1.15 0,00 Banho +0,07 2.25 2.25 8.85 7.50 Dce +0,05 2.60 2.15 +0,07 2.40 2.25 Cozinha +0,07 S. Jantar Banho +0,07 Banho +0,07 5.70 5.75 +0,05 5.15 2.20 Fig. 83 - Planta baixa de residência da SQS 308. Sem escala Projeto: Oscar Niemeyer Quarto 1 4.50 S. Estar +0,05 As medidas observadas neste projeto vão contra o 4.35 Suíte +0,05 Quarto 2 +0,05 +0,05 3.35 movimento atual dos imóveis recentes da cidade, que possuem uma considerável redução de área da unidade, assim como o aumento do número de habitações, tanto por motivos comerciais como para aumento de unidades. Assim, Fig. 84 – Estudo de planta baixa adaptada. e Em um segundo momento, entretanto, a criação dos blocos residenciais de tipologia “H” que buscava fugir da torna atraente do ponto de vista dos diferentes perfis de usuários que podem ser atendidos. tradicional volumetria retangular se tornou bastante espaçosa a medida que sua circulação, para manter a privacidade de seus moradores e a correta incidência solar em seus ambientes internos, exigia grandes dimensionamentos. De tal modo, com a implantação definida, o projeto ofereceria 192 unidades pequena habitacionais, se levada em quantidade esta consideração considerada a média de apartamentos nas demais quadras residenciais, que variam de 290 a 700 unidades. Tipologia habitacional de encaixe. Visando sanar tais falhas, foi proposto um segundo modelo residencial, no qual diferentes tipologias habitacionais surgem a partir da subdivisão e adaptação da antiga planta elaborada, resultando em quatro plantas de menor metragem e módulo de 4 x11 metros. Estas formam um jogo de encaixes, no qual encontra-se cinco tipos de apartamentos: os apartamentos de módulo térreo acessível, térreo simples, loft, duplex e de planta duplicada. (Fig. 85 a 89). A grande variação de residências procura comprovar a funcionalidade dos espaços, ainda que com sua reduzida metragem e se Fig. 85 – Tipologia do apartamento acessível Fig. 87 – Tipologia do apartamento duplo Fig. 86 – Tipologia do apartamento térreo simples Fig. 88 – Tipologia do apartamento loft. Fig. 89 – Tipologia do apartamento duplex. O encaixe de apartamentos permite que em um jogo de quatro tipologias alinhadas ao longo dos seis pavimentos hajam 16 apartamentos( Fig. 89 e 90). Seu acesso ocorrerá pela circulação horizontal de cada pavimento através de elevadores e escadas, sendo que no primeiro pavimento, o acesso também é possível através de rampas. As aberturas de janelas se localizam em ambas as fachadas dos apartamentos e favorecem a circulação cruzada de ar e iluminação natural. Nos banheiros e cozinhas, a falta de ventilação natural é sanada pela inserção de exaustores mecânicos do tipo “ventokit” inseridas no forro que terão saída Fig. 90 – Encaixe de tipologias. Térreo acessível (branco), duplo (verde), térreo simples (vermelho), loft (amarelo) e duplex (azul). para a área de circulação comum do prédio através de dutos. Além dos seis pavimentos, no subsolo encontra-se dois andares destinados à garagem, salas de máquinas e depósitos. Fig. 91 – Perspectiva de encaixes no bloco residencial. . procurando integrar a construção ao grande adensado vegetal Do ponto de vista estrutural o edifício conta com estruturas que se promoverá na área central da quadra. (Fig. 92 e metálicas e revestimento em concreto. O fechamento é feito com blocos de sílico-calcário, que pela sua constituição leve e resistente, permitem o uso de grandes vãos. A sustentação principal das edificações, entretanto, é garantida pelos núcleos em concreto das caixas de elevadores e escadas, no qual a parede espessa em concreto mantém a a edificação. O primeiro andar se destina exclusivamente aos apartamentos térreo-acessíveis, que busca formas de atender às necessidades de portadores de mobilidade reduzida que Fig. 92 – Circulação interna dos edifícios residenciais. busquem a moradia independente. Não exclusiva a estes, a intenção de posicioná-los no andar mais baixo vem da idéia de possuir como forma alternativa aos elevadores e escadas, a rampa que do pilotis chega a estes pavimentos(Fig. 92)Nos demais pavimentos se localizam os demais tipos. Os pilotis e os dois níveis de subsolo com uma vaga por residência, bem como a cobertura das edificações com equipamentos de lazer, permanecerão com a mesma proposta existente nas demais áreas da cidade, excetuandose a área térrea que será ladeada por áreas verdes. Estas adentrarão os vazios entre os maciços de apartamentos, Fig. 93 – Acesso através de rampas. vegetação de médio e grande porte. A presença de espelhos d’água busca melhorar o microclima da área, que devido às características climáticas da cidade sofrem por conta da baixa umidade (Fig. 96). Uma área de parque infantil (Fig. 97) foi pensada como espaço de lazer também para crianças, bem como a inserção de mobiliário que promovam a permanência das pessoas. Apesar do direcionamento de trajetos observados na quadra, todos possibilitam a livre circulação pelo local, tanto através dos pilotis como pelos caminhos que Fig. 94 – Integração entre vazios e áreas verdes. adentram as construções. Um boulevard foi criado com a Áreas verdes intenção de aproveitar a faixa vegetativa estreita que une um O espaço entre os prédios destinado como espaço dos acessos do centro de convivência até as quadras 400 em de lazer e contemplação procura a integração entre as construções existentes e promover o seu uso pelos moradores locais assim como por quem freqüente a superquadra. (Fig. 95) Os caminhos de terra feitos pelos que passam pelo terreno atualmente ermo serão aproveitados no desenvolvimento de caminhos que interliguem á possíveis pontos, como os pontos de ônibus existentes nos limites da quadra. A criação de uma extensa faixa de vegetação entre os blocos residenciais garante aos seus usuários maior segurança, ao passo que sua privacidade é garantida pela direção ao ponto de ônibus e à UnB. (Fig. 98) Fig. 95 – Integração entre vazios e áreas verdes. Fig. 97 – Parque infantil. Fig. 96 – Espelhos d água melhoram o microclima da superquadra. Fig. 98 – Boulervard interligando limites da superquadra. A preocupação de facilitar a inserção do idoso no Centro de convivência para a terceira idade Espaço para atividades de lazer, cultura, esportivas e centro e fazê-lo se sentir confortável resulta na criação de oferecer blocos independentes em forma de ameba que reúnem oportunidades maiores aos idosos da cidade, procurando atividades específicas e podem ser facilmente identificáveis integrá-los à sociedade e atendê-los de acordo com suas por cores para que auxiliem na cognição do espaço. (Fig. necessidades e expectativas. Como já mencionado, o local 100) educacionais, o local tem o propósito de não procura fazer qualquer tipo de ação voltada a um grupo homogêneo de pessoas, mas tentar da melhor maneira possível promover seu uso por todos aqueles que se sentirem à vontade em freqüentá-lo. (Fig. 99) Fig. 99 – Perspectiva do Centro de Convivência com edifícios residenciais ao fundo.. Fig. 100 – Blocos independentes coloridos. Estes utilizam a mesma linha de proporção das janelas dos edifícios residenciais, garantindo a unidade da superquadra 207 norte. Vidros são amplamente utilizados por todo o centro, não somente para iluminar e permitir a circulação de ar, mas mostrar a movimentação dos espaços, quando possíveis e suas atividades. (Fig. 102) Fig. 101 – Perspectiva da superquadra 207 norte. A conexão destes blocos, constituindo o conjunto do centro de convivência, se dá pela sua extensa laje de formato sinuoso, que contrasta com as construções ortogonais e dá a sensação de movimento e continuidade. (Fig. 101) A continuidade também surge dos percursos dentro do centro, que buscam sempre incentivar o deslocamento pelo espaço e ocasionar sua constante descoberta quando adentrado pela primeira vez. A área esportiva possui uma cobertura diferenciada pela necessidade especial de espaço, ventilação e iluminação. Sua curvatura, porém não deixa de se conectar com a laje existente e se destaca pelos arcos que formam uma malha ondulada com a presença de coloridos vidros. Fig. 102 – Jogo de vidros coloridos na cobertura esportiva. Estruturalmente, o desafio da sustentação da extensa laje de concreto de aproximadamente 6000m² de área se resolve através da utilização de lajes do tipo cogumelo, no qual seu apoio ocorre diretamente sobre o pilar com reforços para sua sustentação e permite que a locação dos pilares seja feita de forma não regular, inserida nos pontos de maior fragilidade. Já a cobertura do centro esportivo é composta de um sistema de vigamento metálico com treliças planas como vigas mestras. Sua leve estrutura permite o grande vão entre Fig. 104 – Cobertura metálica da área esportiva pilares e a presença de sheds auxilia na circulação de ar e iluminação natural. Fig. 105 – Cobertura metálica da área esportiva Fig. 103 – Sustentação da laje de concreto através de lajes cogumelo.. Fig. 106 – Cobertura metálica da área esportiva Fig. 107 – Acesso para área esportiva. Fig. 108 – Perspectiva da quadra. 4.3.5.4 Programa de Necessidades e Pré dimensionamento Setores e funções 1. Acesso Público 1.1 Recepção Equipamentos / Requisitos Áreas m2 Área aberta 1.2 Atendimento ao público Área aberta 40 1.3 Cafeteria/Livraria 90 Mesas, cadeiras,balcão Área externa Lavabo Copa/Cozinha / isolamento da exaustão Depósito 1.4 Sanitários 90 TOTAL 220 2. Salas 2.1 Auditório 182 lugares 312 Palestras, teatro Projeção de vídeo / retroprojetor 2.2 Salão de dança Cadeiras Equipamento som 350 de Espelhos Barras de apoio e segurança 2.3 Sala de relaxamento 2.4 Academia musculação Equipamento de som / esteiras de Equipamento som Espelhos de 130 350 Cadeiras Aparelhos 2.5 Sala de informática Computadores 80 Mesas Cadeiras 2.6 Ateliê de pintura Cadeiras 110 Mesas Cavaletes 2.7 Sala de livres atividades Mesas e cadeiras 90 2.8 Sanitários TOTAL 3. Exposições 90 1512 3.1 Exposição temporária Iluminação e ventilação natural TOTAL 4. - - Área esportiva 4.1 Piscinas Aquecida 560 4.2 Quadra de esportes Coberta 1170 4.3 Área de convivência 200 4.5 Sala de atendimento clínico 60 4.6 Sanitários 245 2235 5. Extensão universitária 5.1 Professores coordenadores e 80 5.2 Biblioteca 40 5.3 Sala de informática e estudos 40 5.4 Sala de reuniões 20 5.5 Almoxarifado 15 5.6 Sanitários 40 TOTAL 235 6 Infra-estrutura e Manutenção 6.1 Sala de segurança Acesso controlado Racks monitores vídeo 6.2 Gerador 15 para de Isolamento acústico 10 6.3 Casa de máquinas / ar Isolamento condicionado acústico 20 6.4 Oficina de manutenção 30 Isolamento - Marcenaria acústico - Elétrica -Limpeza 6.5 Almoxarifado manutenção 40 6.6 Sanitários/vestiário 50 TOTAL 165 7. 7.1 Recepção / Espera Acesso à área técnica e à área de público 30 7.2 Administração Gerências contabilidade 130 e 7.3 Diretoria 30 7.4 Sala de Reunião da administração 50 7.5 Sanitários 45 TOTAL 450 TOTAL A. int 4817 4- Considerações finais O projeto buscou se aproveitar de um privilegiado terreno na cidade de Brasília para a inserção de um centro de convivência com o propósito de voltar as atenções para o público da terceira idade, que em número cada vez maior e cada vez mais independente, carecem de alternativas de lazer e cultura, de um local que os façam se sentir bem vindos e confortáveis. A integração com a Universidade de Brasília vem de encontro com a proposta, pois esta possui condições de realizar atendimentos, prestar serviços e desenvolver pesquisas PA.ra e com o publico frequentador. Sua conexão,portanto, vai muito além de seu eixo de ligação, mas vem da busca de conhecimento e melhoria na qualidade de vida do idoso Implantá-lo em uma área residencial teve como intenção integrar o local com as moradias, buscando unir as edificações existentes através de caminhos e percursos e das áreas verdes existentes no local, proporcionando uma unidade de quadra na qual as premissas urbanísticas e arquitetônicas que nortearam o surgimento de Brasília voltem a qualificar o espaço. 5- Referências Bibliográficas Brasil. Brasília. Lei distrital 4.072/07 de 27 de dezembro de 2007. Estabelece a pauta de valores venais de terrenos e edificações ALEXANDER, Christopher. A pattern Languade, London. 1ª Edição. Editora OUP, 1977 Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9050 Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos.[Online]. Disponível em: <http://www.mj.gov.br/sedh/ct/CORDE/dpdh/corde/normas_abnt.as p>. Acesso em: 15 de maio de 2011. do Distrito Federal para efeito de lançamento do Imposto Sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana – IPTU para o exercício de 2008 e dá outras providências. Publicação DODF SUPLEMENTO-B nº 247, de 28/12/07 – Págs. 01 A 187, BrasíliaDF. Brasil. Brasília. Lei 2325 de 11 de fevereiro de 1999. Altera a Lei 2046 de 04/08/1998 e estabelece normas de edificação para aproveitamento da cobertura e do pilotis dos prédios residenciais edificados no Distrito Federal. Publicada no DODF de 10.08.99, Brasília – DF. ARON EN GELAUFF ARCHITECTEN. Site do escritório de arquitetura neerlandês e Disponibiliza dados projetuais. [Online]. Disponível em: Brasil. Brasília. Decreto 26.048 de 20 de julho de 2005 . Dispõe sobre as <http://www.aronsengelauff.nl/> Acesso em: 15 de 1dezembro de 2010 normas viárias, dimensionamento conceitos de sistema gerais viário e parâmetros urbano, para elaboração e BARRETO, Frederico. F. P. Relatório do– Plano Piloto de Brasília. modificação de projetos urbanísticos do Distrito Federal e dá outras 2004. 19 pág. Disciplina: Métodos e Técnicas da Projetação providências. DODF DE 22.07.2005, Brasília-DF. Arquitetônica. Universidade de Brasília. Brasil. Brasília. Decreto 19.915 de 08 de outubro de 1998. Regulamenta a BRAGA, Darja Kos. Arquitetura residencial das superquadras Lei 2105 que dispõe sobre o Código de Obras do Distrito Federal. do Plano Piloto de Brasília: aspectos de conforto térmico. Brasília-DF. Brasília: Universidade de Brasília, 2005. BRASIL, Brasília. Lei nº 8842, de 4 de janeiro de 1994. Dispõe Brasil. IBGE. Apresenta informações sobre a contagem da sobre a política nacional do idoso, cria o Conselho Nacional do população brasileira e Pesquisa Nacional por Amostra de Idoso e dá outras providências. Brasíli-DF.. Domicílio - PNAD. [Online] Disponível em: <://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/projecao_da_popul acao/2008/piramide/piramide.shtm> Acesso em: 22 de outubro de BRASIL, Brasília. Decreto 1948, de 3 de julho de 1996. Regulamenta 10. a Lei n° 8.842, de 4 de janeiro de 1994, que dispõe sobre a Política Nacional do Idoso, e dá outras providências. Brasília-DF. Brasil. IBGE. Apresenta informações sobre a contagem da BRASIL, Brasília. Portaria n° 2.528, de 19 de outubro 2006. Aprova a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. Brasília-DF. Dispõe sobre o tombamento de espécies arbóreo-arbustivas, e dá outras providências. Brasília-DF. Apresenta informações sobre a contagem da população brasileira e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Disponível - PNAD. [Online] Disponível em: mento/pnad2008/sintese/tab1_3.pdf> Acesso em: 19 de outubro de 2010. Brasil. IBGE. Apresenta informações sobre a contagem da BRASIL. IBGE. – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. [Online]. Domicílio <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendi Brasil. Brasília. DECRETO N° 14.783 DE 17 DE JUNHO DE 1993. PNAD. população brasileira e Pesquisa Nacional por Amostra de em: < população brasileira e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio - PNAD. [Online]. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=5300 10#> Acesso em 19 de outubro de 2010. http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=53001 0#>. Acesso em: 20 de outubro de 2010. BRINO, Alex Carvalho. Brasília: Superquadras Residenciais. 2005. 23 Pág. Docomomo. Faculdade Federal do Rio Grande do Sul. CARPANEDA. Luciana Viana. Um estudo de caso nas superquadras do Plano Piloto de Brasília. 143 Pág. Dissertação de Mestrado. Universidade de Brasília, 2008. COSTA, Lúcio. Lucio Costa: Registro de uma Vivência. 2ª Edição. São Paulo. Editora Empresa das Artes, 1997. 600 pág. COSTA, Lúcio. Relatório Lúcio Costa: Plano Piloto de Brasília. [Online]. Disponível em: <http://doc.brazilia.jor.br/plano-piloto- Brasilia/relatorio-Lucio-Costa.shtml>. Acesso em: 21 de Abril de 2011. FLORES, Alice Leite. Qualidade Ambiental e Iluminação Natural no Espaço Construído. 25 Pág. Relatório de Iniciação Científica. Universidade de Brasília. 2005. MACHADO, Marília Pacheco. Superquadra: pensamento e prática Urbanística. Dissertação de mestrado, Brasília. UnB. 2007. ROMERO, Marta Adriana Bustos. Princípios bioclimáticos para o desenho urbano. 1ª Edição. São Paulo : Pro Editores, 2000. 123 pág. Subsecretaria de Planejamento Urbano –SUPLAN – Plando de preservação do conjunto urbanístico de Brasília -DF