UNESP
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
FACULDADE DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA - FCT
CAMPUS DE PRESIDENTE PRUDENTE
CENTRO DE CONVÊNÇÕES PARA A TERCEIRA IDADE EM UM SUPERQUADRA DE BRASÍLIA
LIZ TIEMI PENA NAKAHARA
Trabalho Final de Graduação apresentado ao Curso de Arquitetura e Urbanismo do Departamento de
Planejamento, Urbanismo e Ambiente – FCT (Faculdade de Ciência e Tecnologia), da Universidade
Estadual Paulista, para obtenção de bacharelado em Arquitetura e Urbanismo.
PRESIDENTE PRUDENTE
2011
LIZ TIEMI PENA NAKAHARA
CENTRO DE CONVÊNÇÕES PARA A TERCEIRA IDADE EM UM SUPERQUADRA DE BRASÍLIA
Trabalho Final de Graduação apresentado ao Curso de Arquitetura e Urbanismo do Departamento de
Planejamento, Urbanismo e Ambiente – FCT (Faculdade de Ciência e Tecnologia), da Universidade
Estadual Paulista, para obtenção de bacharelado em Arquitetura e Urbanismo.
Orientador:
Prof. Dr. Marcos Faccioli Gabriel
Co-Orientador:
Prof. Dr. César Fabiano Fioriti
Presidente Prudente
2011
A minha mãe, Celina!
A meu pai, Armando!
A minha avó Jenn
AGRADECIMENTOS
Agradeço a todos que me ajudaram a passar por mais essa etapa da vida e que me auxiliaram na elaboração deste
trabalho.
Aos professores:
Àqueles que, de forma direta ou indiretamente, ajudaram no meu crescimento e fortalecimento para seguir adiante
com este trabalho final de graduação.
Ao César Fabiano Fioriti e à Marcos Gabriel Faccioli, que aceitaram com carinho e dedicação, a me orientar nessa
última etapa de graduação do curso.
Aos amigos:
Àqueles antigos, que mesmo distantes, dispuseram de tempo, paciência e dedicação para que eu enfrentasse meus
medos e conseguisse passar por essa fase que está se encerrando. Em especial a Rebeca, a Tati e ao Lui.
Aos amigos que encontrei durante a faculdade, tanto os de curso de arquitetura e urbanismo quantos os de outros,
com os quais dividi momentos difíceis e alegres, na maioria deles.
Aos amigos da turma do quinteto Bárbara, Taís, Maíra e Elton, sempre juntos enfrentando tudo e todos.
A uma amiga em especial, que não se encontra mais neste mundo, Letícia. Da maneira mais difícil, fez com que
aprendêssemos a aproveitar todos os minutos da vida, mesmo aqueles momentos mais difíceis, porque é com eles que
crescemos.
Obrigada mais que especial a vocês por terem feito parte da minha vida.
Aos familiares:
Meus pais, Armando e Celina, que me ouviram e me apoiaram quando tudo parecia difícil que o medo de não passar
por mais essa etapa era muito grande.
A minha avó Jenny, que é uma mulher muito batalhadora.
Obrigada a todos que fazem parte da minha vida!
RESUMO
A elaboração de um cento de convivência voltado para o público idoso vem de encontro com a consolidação desta
faixa etária no país, que ainda se ressente da falta de locais que se adequem ao seu perfil e às suas variadas necessidades.
Pensando nisto, a cidade de Brasília foi escolhida como local para a inserção de tal projeto, visando criar um eixo de ligação com a
Universidade de Brasília, que detém a propriedade da última superquadra não edificada na cidade. Nesta, a construção de
unidades habitacionais é importante para combater o déficit habitacional bem como minimizar a crescente especulação imobiliária
na cidade. Projetar em toda sua unidade se torna um grande desafio, porém essencial para que tanto o Centro de Convivência
como as habitações passem a ser utilizadas de maneira eficiente e comprovem a dinâmica da superquadra, no qual espaços
públicos e privados entram em consonância e se tornam local de vivência a todos os seus moradores.
O centro de convivência se destinará à realização de atividades que ofereçam oportunidades de melhoria à qualidade de
vida da terceira idade bem como a realização de extensão universitária que possibilite a viabilização de estudos e atendimento a
esta população. Aulas de artes, informática, dança e prática de esportes serão desenvolvidas no local, que busca através dos
blocos construtivos e suas cores facilitar a cognição do idoso no espaço. Ainda que voltado a este público, o local é de acesso a
todos e não impede que outras faixas etárias participem dos acontecimentos do local. As coberturas, bem como a volumetria de
seus prédios buscam de forma sinuosa quebrar a rigidez ortogonal dos prédios residenciais e se diferenciam por atender áreas de
diferentes atividades.
Conteúdo
1-
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................................................................................ 8
2. A cidade de Brasília ............................................................................................................................................................................................................... 10
2.1 Compreendendo a cidade.............................................................................................................................................................................................. 11
2.2 Superquadras ................................................................................................................................................................................................................... 13
2.3 Regiões Administrativas ................................................................................................................................................................................................ 17
2.4 Brasília em números.......................................................................................................................................................................................................... 18
2.5 Aspectos Climáticos ....................................................................................................................................................................................................... 20
3. O idoso no país......................................................................................................................................................................................................................... 21
3.1. O perfil do idoso no Distrito Federal ................................................................................................................................................................................. 22
4.1.2 Apartamentos para a terceira idade – Roterdã – Países Baixos ........................................................................................................................ 30
4.1.3 Dia centro e residência para idosos – Oeiras, Portugal ....................................................................................................................................... 35
3.2 Estudos de caso............................................................................................................................................................................................................... 38
4.2.1 Unidade de Vizinhança .............................................................................................................................................................................................. 38
4.2.2 SESC 913 sul .............................................................................................................................................................................................................. 43
3.3 Centro de convivência para a terceira idade em superquadra de Brasília(DF) .......................................................................................................51
3.3.1 Premissas .................................................................................................................................................................................................................... 51
3.3.2 Superquadra Norte 207 ............................................................................................................................................................................................. 52
3.3.3 Os estudos feitos ........................................................................................................................................................................................................ 55
3.3.4 Proposta de implantação ........................................................................................................................................................................................... 60
4- Considerações finais......................................................................................................................................................................................................................85
5- Referências Bibliográficas ...................................................................................................................................................................................................... 86
1- INTRODUÇÃO
A elaboração de um cento de convivência voltado
grande desafio, porém essencial para que tanto o Centro de
para o público idoso vem de encontro com a consolidação
Convivência como as habitações passem a ser utilizadas de
desta faixa etária no país, que ainda se ressente da falta de
maneira eficiente e comprovem a dinâmica da superquadra,
locais que se adequem ao seu perfil e às suas variadas
proposta esta fundamentada desde a concepção da cidade
necessidades. Pensando nisto, a cidade de Brasília foi
pelo arquiteto e urbanista Lucio Costa.
escolhida como local para a inserção de tal projeto, visando
É importante ressaltar que para que houvesse
criar um eixo de ligação com a Universidade de Brasília, que
consonância entre os elementos projetados, estudos prévios
detém a propriedade da última superquadra não construída
foram
na cidade, no qual se destinaria, dentre outras coisas, a um
elaboradas por Oscar Niemeyer como componentes da
espaço de extensão universitária voltada à pesquisa e ao
chamada Unidade de Vizinhança.
Composta por quatro
atendimento do público frequentador, se utilizando das
superquadras,
seriam
diversas áreas de conhecimento ministradas na universidade.
concentrar
feitos
nas
em
primeiras
sua
atividades
de
superquadras
proposta
serviços,
construídas,
capazes
comércio
e
de
lazer
Conhecida como SQN 207, a área de uso
suficientes para que seus moradores pudessem se deslocar
predominantemente residencial conta também com espaços
minimamente de suas habitações e mantivessem uma estreita
voltados a edificações de serviços e institucionais e a
ligação com o espaço vivido. Infelizmente, as diretrizes
intenção de edificá-la busca combater o déficit habitacional no
racionais e certas vezes utópicas de integrar espaços
Plano piloto de Brasília bem como a crescente especulação
públicos e privados fez com que as superquadras passassem
imobiliária. Assim, projetar em toda sua unidade se torna um
a ser subutilizadas e mesmo mal vistas pela população.
Tornou-se, portanto, decisivo buscar seus aspectos positivos
e sanar suas falhas arquitetônicas e urbanísticas, nesta que
pode ser considerada a última porção destinada a edifícios
residenciais na capital.
“O Brasil aparece em toda a sua nostalgia e grandeza. Uma
nova civilização se esboça. Herdeiro de todas as culturas, de
todas as raças, tem um sabor todo próprio.” Tom Jobim, 1961.
2. A cidade de Brasília
Brasília é a capital do país e traduz um antigo desejo
formam uma cruz, define as principais vias da cidade e abriga
de se criar uma cidade de preceitos modernos e igualitários
instituições.
de forma ordenada as habitações, comércio e demais
que concentrasse as esferas dos poderes administrativos e
político federal. Apesar de ser um velho sonho de alguns
governantes brasileiros, sua construção foi efetivada somente
na década de 1950 no governo do presidente Juscelino
Kubitschek de Oliveira.
Fig. 2- Croquis de Lúcio Costa. Fonte: Arquivo Público do Distrito Federal
Fig.
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1-- Localização
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Federal.
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Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bras%C3%ADlia
Localizada no centro-oeste brasileiro (Fig. 1), a
concepção do projeto da cidade é do arquiteto Lúcio Costa,
que ganhou o concurso que definiria o plano urbanístico do
Plano Piloto de Brasília. Seu traçado simples, iniciado pela
marcação de dois eixos (o Monumental e o Rodoviário) que
A
monumentalidade
procurava
ser a chave
maior
uma
de
objetivada
por
Lucio
Costa
expressividade “cômoda, eficiente, acolhedora e íntima. E ao
2.1 Compreendendo a cidade
mesmo tempo derramada e concisa, bucólica e urbana, lírica
e funcional.” Em relação ao sítio, COSTA (1957) afirma que
“procurou-se depois a adaptação à topografia local, ao
escoamento
natural das
águas,
à melhor
orientação,
arqueando-se um dos eixos a fim de contê-lo no triângulo
eqüilátero que define a área urbanizada.” (Fig. 2) O lago
Paranoa (Fig.3) é represado pelas águas do Rio Paranoá e
termina por conciliar com o projeto racional do arquiteto
abraçando-o, garantindo beleza e amenizando as baixas
umidades observadas na região.
Fig. 5- Vista para a Esplanada dos Ministérios e Congresso Nacional.
Disponível em: www.mochileiro.tur.br
No Eixo Monumental (Fig. 4 e 5) se encontram as
principais referências do poder político do país, centralizando
como a Esplanada dos Ministérios, a Praça dos Três Poderes,
a Catedral Metropolitana e a sede do Governo do Distrito
Federal. Nessa mesma área e adjacências localizam-se os
setores comerciais, bancário e de escritórios. Á direita de
Fig. 3- Lago Paranoa de Brasília. Fonte: Carlos Auaide, 2006. Disponível em:
http://br.olhares.com/ponte_jk_lago_paranoa_foto538163.html
quem segue em direção à Esplanada, estão os setores
culturais da cidade: bibliotecas, teatros e museus.
Ao longo do Eixo Rodoviário (Fig. 6), conhecido
popularmente
residenciais
como
Eixão,
compostos
pelas
localizam-se
famosas
os
setores
superquadras
residenciais com seus blocos de comércio e serviços. Os
espaços de lazer, como clubes esportivos, foram dispostos,
ao redor do lago. Nessa região, mais precisamente nas
penínsulas, também foram implantadas áreas de moradia,
chamadas de região Lago Sul e Lago Norte. (Fig. 7)
Fig. 7- Vista aérea do Lago Norte. Autor desconhecido.
Fig. 6- Vista aérea do Eixo Rodoviário. Autor desconhecido.
Disponível em: http://www.brazilia.jor.br
Visando a simplificação e lógica de seus setores, os
nomes dos locais foram baseados nos pontos cardeais, com
referência
na
interseção
do
Eixo
Rodoviário
com
o
Monumental. A nomenclatura foi encurtada com siglas como,
por exemplo, Comércio Local Norte/Sul e Sudoeste (CLN/
CLS/ CLSW); Setor Comercial Norte/Sul (SCN/ SCS); Setor
de Clubes Esportivos Norte/Sul (SCEN/ SCES). Assim se
denominam as mais diversas áreas, como Setor de Difusão
Cultural Norte, onde se encontra o Teatro Nacional, o Setor
Hoteleiro Norte/Sul ( SHN/SHS), o Setor Médico Hospitalar
Norte/Sul
(SMHN/SMHS)
residenciais (SQN/SQS).
e
também
as
Superquadras
Fig. 8- Mapa de Brasília e faixas residenciais. Autoria Própria.
2.2 Superquadras
Dentro dos setores residenciais, as quadras foram
numeradas
seguindo
a
mesma
intenção.
As
faixas
residenciais hoje em dia são numeradas por centenas e se
referem às quadras: 100, 200, 300 e 400, separadas pelo
Eixo Rodoviário em quadras de centenas ímpares (100 e 300)
e pares (200 e 400). (Fig.8) Já os finais do número da quadra
são contados a partir do Eixo Monumental em direção aos
eixos norte e sul, tendo-se assim, por exemplo, quadras
seqüenciadas como 201, 202, 203, 204, até a 216 quadra
final que delimitaria ao fim de oito quilômetros de extensão,
tanto a Asa Sul como a Asa Norte. 1
As superquadras (Fig. 9) tem dimensões padronizadas
de aproximadamente 250m por 250m e possuem de modo
geral, 11 projeções retangulares 12,5m por 85m, não se
caracterizando
assim
como
lotes,
mas
gerando
uma
concessão “aérea” de um espaço comum público. Está
previsto também em suas unidades, espaços para uso
Fig.9- Croqui de superquadra em Brasília. Autor:Lucio Costa
Disponível em: Arquivo Público do Distrito Federal
institucional e de lazer.
Apesar de terem sido construídas em diferentes
O pilotis foi utilizado como intenção
não apenas de proporcionar visibilidade,
mas o da permeabilidade, viabilizando a
passagem dos transeuntes eventuais – sem
inibição ou distinção. O seu uso, portanto,
deixa explícita a pretensão de que a cidade
décadas e por isso mesmo denotar diferentes intenções e
características arquitetônicas, as superquadras residenciais
de Brasília procuram manter certa racionalidade construtiva.
Mas o que definitivamente prevalece como princípio básico,
segundo os ideais de Costa (1957, p.42) e pelas Normas de
pertenceria a todos. (LAUANDE, 2006,sem
Edificação Uso e Gabarito é o gabarito máximo de seis
paginação)
pavimentos e pilotis. A elaboração de quadras era feita com
urgência e as disposições dos blocos necessitavam ser
1
As faixas 100 e 300 contam com 15 superquadras, de número 2 a 16; a faixa 200
com 16 quadras de 1 a 16 e a faixa 400 cm 14 superquadras de 3 a 16,
totalizando-se assim, igualmente, 60 superquadras por asa e 120 ao todo.
projetados com urgência para a nova capital - pedido de
Niemeyer, então diretor da Divisão de Arquitetura da
Novacap:
Então ele estabeleceu um esquema
de como seriam colocados os blocos, quer
dizer, eram 11 blocos, mas pra não fazer
uma quadra repetir tudo igual. Então a gente
não podia ficar fazendo quadrinha por
quadrinha porque o tempo era curto e [...]
Vamos criar uma opção, se por acaso
alguma
entidade
do
governo,
alguém
comprar uma quadra inteira e quiser fazer
diferente, tudo bem, pode fazer desde que
mantenha a mesma taxa de ocupação.
(ESTEVES apud MACHADO 2007, p. 70) 2
Fig. 10- Tipologias de projeções. Autor(a): Marília Pacheco Machado, 2007
Como observa Braga (2005, p. 31), as implantações
2
variam de quadra para quadra (Fig. 10), afinal as premissas
ESTEVES, N. Depoimento, Programa de Historia Oral, 1989, p. 5
do projeto de Brasília são especialmente urbanísticas. A
rigidez de gabaritos ocorre, apesar das superquadras
possuírem algumas diferenciações de acordo com a sua
faixa. As quadras 100, 200 e 300 (Fig. 11), por exemplo,
possuem blocos edificados de pilotis mais seis pavimentos e
subsolos, diferentemente das 400 (Fig. 12), que possuem
térreo mais três pavimentos, geralmente sobre pilotis.
Inicialmente voltada para famílias de menor poder aquisitivo,
nestas quadras a garagem e os elevadores não são
obrigatórios, fatores que barateiam o custo da moradia e
tentam diversificar o perfil socioeconômico dos moradores do
Fig. 11- Vista aérea da superquadra SQS 102. Autor:Augusto Areal
Disponível em: www.infobrasilia.com.br
Plano Piloto.
A densidade das quadras é outro fator bastante
flexível, pois enquanto algumas quadras sequer possuem
todas as suas projeções construídas, outras possuem até 20
blocos residenciais3. As construções também são diferentes,
compostas por construções de pequeno e médio porte.
Fig. 12- Vista aérea das superquadras 400 sul. Autor: Augusto Areal
Disponível em: www.infobrasilia.com.br
3
As quadras residenciais acima de 12 projeções se encontram nas quadras 400.
2.3 Regiões Administrativas
comprova o equívoco de chamá-las de “satélites” por não
mais dependerem de outra mais desenvolvida. Brasília,
4
Antigamente chamadas de cidades satélites , estas
apesar de sua difícil definição, atualmente se refere a RA-I
regiões foram criadas para abrigar a crescente população,
que inclui o Plano Piloto e o Parque Nacional de Brasília. O
que a partir da década de 1980 veio migraram massivamente
Plano Piloto por sua vez designa toda a área construída em
de diversas partes do país. Sendo centros urbanos tais
decorrência deste plano inicial urbanístico desenvolvido por
regiões são equivocadamente chamadas de cidades, mas se
Lucio Costa. (Fig. 13)
tratam de meras divisões administrativas do Distrito Federal,
já que a separação em municípios das diferentes Regiões
Administrativas do Distrito Federal é vedada pelo Art. 32
da Constituição brasileira. Por esse motivo, no Distrito Federal
não há eleições para prefeitos ou vereadores, sendo os
administradores de cada região administrativa indicados pelo
governador5. Seus moradores geralmente as utilizam como
dormitório, deslocando-se diariamente para a região central.
Entretanto,
o
desenvolvimento
de
algumas
regiões
administrativas foi tal que sua consolidação se deu em
diversos
4
5
aspectos,
inclusive
no
econômico,
fato
que
Decreto nº 19.040, de 18 de fevereiro de 1998 proíbe o termo “cidade satélite”
O Distrito Federal tem status diferente dos municípios e dos estados, possuindo
características legais e estruturais híbridas, além de ser custeado em parte pelo
Governo Federal.
Fig. 13- Mapa das regiões administrativas do Distrito Federal.
Fonte: Codeplan, 2000
2.4 Brasília em números
São Paulo, um dos estados com maior proporção de idosos.
(Tab. 1 a 4)
A cidade que na metade da década de 1960 possuía
no Plano Piloto quase 90 mil habitantes hoje, segundo dados
do IBGE6 – 2010 possui, juntamente com o seu entorno mais
de 2.570.160 habitantes. Brasília é uma cidade madura, mas
de caráter jovem, refletindo o perfil etário de seus habitantes.
O Distrito Federal caminha de maneira geral para a tendência
de envelhecimento. A região tem apenas 7,68% da população
com mais de 60 anos de idade, enquanto no Brasil o
crescimento foi mais significativo, passando de 11,1% em
2008 para 11,3% no ano de 2010. As provisões para o futuro
se referem justamente ao amadurecimento da população
adulta no país, que em 2025 será o sexto país mais velho do
mundo com 32 milhões de pessoas acima dos 60 anos. O
aumento de idosos em Brasília deve ser mais expressivo nos
próximos anos, já que a população que tem entre 25 e 59
anos já representa mais da metade do total de habitantes
(50,6%). Esse índice é um pouco menor ao constatado em
6
Vale esclarecer que órgãos oficiais de pesquisa, como o IBGE não
distingue Brasília do Distrito Federal para efeitos de contagem e estatística, pois
seus dados são sempre elaborados levando-se em conta o município. Como o DF
não possui municípios, é considerado um único ente.
Tab. 1- Pirâmide etária do Distrito Federal,2010 . Fonte: Dados IBGE
Tab. 2- Pirâmide etária brasileira, 2010 . Fonte: Dados IBGE
Tab. 4- Pirâmide etária brasileira, previsão para 2050. Fonte: Dados IBGE
Segundo dados da CODEPLAN (2004), a renda per
capita mensal de Brasília é de 6,8 salários mínimos, com
distribuição familiar de renda bruta mensal predominante
(53,2 %) para classes acima de 10 salários mínimos. Tais
dados confirmam o alto poder aquisitivo do morador da capital
federal, que possui o segundo maior Produto Interno Bruto
(PIB) do país. (Gráfico 1)(Tabela 5)
Tab. 3- Pirâmide etária brasileira, previsão para 2025. Fonte: Dados IBGE
Gráfico 1
2.5 Aspectos Climáticos
Gráfico.1- Percentual de viagens por modo de transporte, segundo a renda dos
usuários. Fonte: Pesquisa de Origem e Destino da Codeplan, 2000
O clima de Brasília se enquadra na classificação
Tropical de Altitude7 de caráter quente e seco8, no qual duas
estações climáticas são bem definidas durante o ano: uma
seca e outra chuvosa. Percebe-se a baixa umidade relativa do
ar, que gera radiação direta intensa. A estação predominante
é de seca, que vai dos meses de maio a setembro, épocas
em que a precipitação pode representar até 2% da média
anual. Nos períodos de novembro a janeiro a estação
chuvosa predomina, chegando a representar 84% da
precipitação anual. A variação pluviométrica anual no Distrito
Federal varia entre 1.200 mm e 1.700 mm.9
Nos períodos chuvosos a predominância de ventos
vem do quadrante Norte, sendo mais fortes quando de
direção NW. A partir do mês de março (Tab. 6) os ventos de
direção Leste predominam e com o aumento de estiagem
ocorrem ventos de Sul e Sudeste.
7
Tab.5- Veículos registrados, segundo tipos no DF.
Fonte: GDF/SSP/DETRAN, jan/2010
8
Classificação climática de Köppen-Geiger (Cwa)
Tabela Climática desenvolvida por Marta Adriana Bustos Romero em Princípios
Bioclimáticos para o desenho urbano, 2000.
9
Dados SEBRAE,2005
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mobilidade possível e segura. O comportamento saudável e a
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sociedade. O apoio da família é parte integrante de toda esta
participação social é não menos importante, valorizando o
idoso, melhorando a sua auto- estima e o incluindo na
mobilização, pois a participação do idoso em ambiente
familiar, bem como de seus familiares em sua vida só
Tab. 6- Direção dos ventos predominantes em Brasília.
Disponível em: www.iabdf.org.br
contribuem para sua valorização e bem estar.
Ao surgirem centros de convivências de idosos nas
cidades, a terceira idade pode, através de atividades físicas,
3. O idoso no país
À medida que o país cresce e obtêm maiores avanços
culturais
e
artísticas,
ter
oportunidades
para
o
desenvolvimento da criatividade e do relacionamento e
na saúde, a expectativa de vida aumenta e com isso o país
perceber sua importância social. Assim, auxiliar o idoso no
alarga o topo de sua pirâmide etária, ou seja, o país
processo de envelhecimento incentiva a sua longevidade
envelhece. Envelhecer nas cidades se torna uma grande
saudável, superando entraves psicológicos, físicos e sociais,
questão a ser discutida a partir do momento em que esta faixa
tornando a velhice um tempo de concretização de idéias
tende a crescer e o país não se vê munido de preparo para
essenciais na vida de muitas pessoas.
compreender as necessidades da terceira idade.
Segundo levantamento da OMS, a participação dos
É neste contexto que as cidades brasileiras precisam
idosos em muito se restringe quando não são suficientes as
se mobilizar e propor políticas públicas com o propósito de
atividades oferecidas e nem próximas ao seu local de
oferecer melhores condições de vida à população da terceira
residência. Outro fator que contribui para a permanência da
idade. Seja nos espaços públicos, nos sistemas de transporte,
terceira idade na sociedade é a identificação com os
como em condições de moradia, é importante tornar sua
programas e sua gratuidade, pois sem esta a utilização de
equipamentos, e mesmo a realização de atividades seriam
confirma as correntes migratórias geradas pela maior oferta
um empecilho aos que acreditassem estar despendendo seu
de trabalho na transferência para a capital federal.
dinheiro em coisas menos importantes do que, por exemplo,
O rendimento familiar dos idosos é alto, predominando
em prol de sua família, ou do pagamento de contas. A
rendimento superior a 20 salários mínimos (19,2 %), seguido
necessidade que há anos atrás era vista como a criação de
dos que recebem mais de 5 até 10 salários mínimos (18,7%),
espaços para idosos vulneráveis e de autonomia reduzida,
e dos que recebem 10 até 20 salários mínimos (15,5%).
hoje se traduz em diversos programas que atendam muito
O Nepti constatou que, quanto maior a renda da
além do sistema de asilamento, como atividades alternativas
família, maior o isolamento do idoso. As pessoas idosas de
para a grande maioria dos indivíduos desta faixa etária.
baixa renda se sentem mais inseridas nas atividades da casa,
participam mais das decisões da família, pois muitas vezes
elas são os únicos responsáveis pela renda familiar. Desta
3.1. O perfil do idoso no Distrito Federal
Segundo o Núcleo de Estudos e Pesquisa da Terceira
forma elas não se sentem excluídas, ou rejeitadas, uma vez
que é parte importante da manutenção do lar. Já o idoso de
Idade (NEPTI, 1998), o idoso do Distrito Federal é, na sua
classe alta não é tão requisitado para as tarefas domésticas,
maioria, do sexo feminino, de cor branca, católica e pouco
devido a presença de funcionários que realizam tais
escolarizada. As mulheres idosas são, em maior parte,
atividades, e é mais protegido pelos familiares, atitude que o
viúvas. Os homens geralmente são casados, vivem com a
leva a sentir-se excluído do processo decisório da família, e,
mulher ou com, pelo menos, um de seus filhos. A expectativa
conseqüentemente, mais sozinho.
de vida é de 75,8 anos, nível considerado uma das maiores
A própria geografia do espaço urbano da cidade não é
do país. Seu o nível de escolaridade é até o ginasial. A
favorável à terceira idade, que sofre com a setorização de
maioria dos idosos procede da região nordeste, o que
serviços e instituições na cidade em locais afastados,
característica notável em todo o Distrito Federal. Assim, sair
de casa de torna um grande desafio para a terceira idade, que
não tem muitas vezes opções próximas à sua casa de
atividades e serviços e precisa recorrer a outros meios de
locomoção que não necessariamente são satisfatórios.
-O projeto
sem barreiras arquitetônicas e em planta térrea (Fig. 14).
-Referências projetuais
Neste ambiente predomina-se o tempo livre no qual os
usuários passam alguns ou até mesmo últimos anos de sua
Centro Sociosanitário de Santa Rita, Ciutadella Menorca,
vida. A intenção é criar um espaço convidativo para aqueles
Espanha
que queiram ir ou morar neste local.
Fig. 14: Centro Sociosanitario de Santa Rita -Ciutadella Menorca,
Espanha.Fonte: www.manuelocana.com/
Com o propósito de construir um centro de idosos que
não se pareça um hospital, onde diversos corredores
enfatizam a sensação de solidão e angústia dos momentos
finais da vida, o arquiteto espanhol Manuel Ocaña projeta o
Centro Sociosanitário na cidade de Ciutadella de Menorca
Fig. 25: Sala de Terapia Ocupacional.Fonte: www.manuelocana.com
A acessibilidade é o ponto fundamental do projeto, que
desenrola todo o programa em uma planta térrea, garantia de
autonomia física, segurança e respeito a intimidade e
individualidade de seus usuários, além de facilitar o acesso de
visitantes. Foi partindo deste princípio que o espaço de
circulação foi pensado, originando uma planta com áreas em
formato de ameba, que voltasse todos os 68 apartamentos
para um jardim interno (Fig. 16) e um jardim perimetral
externo de 4.313 m², que acaba se tornando a fachada da
edificação e um convite para os que ali desejem entrar. O
jardim interno, de 1542 m² é dividido em três jardins de
diferentes cores: amarelo, azul e branco, no qual o
paisagismo os configuram através de hortas, árvores e
Fig. 16: Jardim interno. Fonte: www.manuelocana.com
plantas, criando áreas verdes e espaços de sombra e
descanso para se desfrutar. (Fig. 17) A coloração da
vegetação tem papel fundamental para auxiliar seus usuários
a entender a setorização, de forma a compreender o que há
em cada área e aonde ir. (Fig 18)
Fig. 17: Jardim interno ao entardecer.
Fonte: www.manuelocana.com
geriátricos, cabeleireiro e sala de posologia. A segunda
planta, de acesso restrito, contem a parte administrativa, de
escritórios, descanso e vestiários.
Fig. 18- Jardim interno e circulação. Fonte: www.manuelocana.com
O bloco de serviço possui pé-direito de 8 metros de
altura e formato de rim, com fechamento translúcido que
envolve dois volumes cilíndricos de formato elíptico. O cilindro
do espaço de reabilitação tem pé-direito duplo e possui
piscina coberta, enquanto o que se destina a serviços e
administração conta com dois pavimentos além do térreo. No
subsolo estão localizadas a lavanderia que recebe iluminação
Fig. 19 - Piscina coberta. Fonte: www.manuelocana.com
natural do norte e outras instalações. Os maquinários se
encontram na outra planta em uma área atrás da lavanderia.
Entre o bloco de serviços, os apartamentos e os limites
A primeira planta do cilindro de serviços possui cozinha,
do edifício, coincidentemente com o limite edificável (segundo
consultório médico, escritório de assistente social, banhos
o zoneamento, o terreno deve possuir recuo de 10 metros),
ocorre o espaço de circulação. (Fig. 20 e 21) Neste, existem
serviços móveis, sanitários, unidades móveis de controle e
armários. Este dá acesso a todas as habitações.
Fig. 21 - Planta baixa dos dormitórios. Sem escala.Fonte:
www.manuelocana.com
A iluminação natural do espaço-circulação proporciona,
juntamente com as aberturas existentes, pequenas clarabóias
circulares na cobertura e grandes aberturas no teto em forma
de ameba, definindo as áreas do programa. As salas de
terapia ocupacional, o espaço de atividades múltiplas e a sala
de descanso são áreas marcadas pela presença das
Fig. 203 - Planta de áreas verdes. Sem escala. Fonte:
www.manuelocana.com
clarabóias. O espaço-circulação dá acesso ao jardim exterior
por várias portas dispostas no recinto e ao jardim interior por
espaços entre os quatro blocos de apartamentos.
A forma como o arquiteto procura trazer leveza ao
projeto demonstra sua preocupação com a mudança de
percepção de um centro de tratamento para idosos e sua
ampla circulação beneficia os usuários que de maneira
simples são direcionados através de cores aos seus
dormitórios ou a qualquer lugar que tencionem ir. A sensação
de paz trazida pela grande influência da iluminação natural e
cores claras empreendidas através de seus materiais remete
a um local diferente aos demais conhecidos e talvez por isso
ainda não se torne aconchegante ao conforto como um lar.
Os grandes espaços de circulação geram, sobretudo, grandes
espaços que se tornam vazios e talvez até ociosos, e não
Fig. 22 - Sala de descanso. Fonte: www.manuelocana.com
parecem aplacar a sensação de solidão de quem ali
permanece, fato também ocorrido por se localizar adjacente à
terrenos vazios em uma área mais isolada da cidade. (Fig. 22
e 23)
Fig.23 -: Espaço de atividades múltiplas. Fonte: www.manuelocana.com
Fig, 44- Suítes para pacientes em convalescença. Fonte:
www.manuelocana.com
Os extensos jardins interligados pelos acessos da
edificação oferecem uma grande área de descanso e a
preocupação na escolha de espécies vegetais possui papel
determinante para o direcionamento das pessoas. Não
fugindo de sua intenção voltada à saúde de seus moradores,
o local se diferencia como espaço e centro de tratamento,
mas talvez pela permanência definitiva da maioria de seus
usuários deva ter características que mais se assemelhem a
uma habitação e não à um centro geriátrico.
Fig. 55- Foto aérea. Fonte: www.manuelocana.com
3.1.2 Apartamentos para a terceira idade – Roterdã –
Países Baixos
O envelhecimento crescente da população mundial, e
os índices ainda maiores de idosos nos países europeus
mostram a preocupação dos governos, de empreendimentos
imobiliários e outros serviços de gerar conforto e espaço para
a terceira idade na sociedade.
Em 2001, o convite para a concorrência de um projeto
voltado para a construção de habitações para a terceira idade
foi o ponto de partida para o escritório holandês Arons em
Gelauff
Architecten.
O
projeto para estabelecer
objetivo deste concurso foi um
um
padrão
de qualidade
arquitetônica para os próximos projetos no ambicioso plano
de
re-desenvolvimento do
centro de IJsselmonde, um dos
subúrbios de Rotterdam nos Países Baixos. (Fig. 26)
O design pensado para pessoas a partir de 55 anos foi
inspirado na iminente fase de aposentadoria daqueles que
vivenciaram a geração hippie. O projeto envolve a negação
de seu mercado-alvo, de envelhecimento, com uma proposta
divertida e colorida de bloco de apartamentos. A construção é
uma configuração de dois blocos de volumetria diferenciada,
no qual o maior bloco se prolonga verticalmente por 16
Fig. 26- Vista aérea do edifício em Plussenburgh. Autor: Desconhecido
Disponível em: http://www.aronsengelauff.nl/
andares e o menor se estende horizontalmente e se eleva a
11 metros de um espelho d’água. No pequeno espaço da
torre é criado um jardim. Os dois blocos consistem em
apartamentos com uma ininterrupta extensão de 9,60 metros,
permitindo múltiplos pavimentos e futuras adaptações. Um
discreto elevador interliga a construção mais antiga com a
mais nova, na qual se encontram uma equipe médica,
cozinheiros e outros serviços disponíveis. (Fig. 27 )
Fig. 28: Pavimento tipo com plantas das habitações. Sem escala. Autor
desconhecido: Disponível em: http://www.aronsengelauff.nl/
Fig. 29: Planta-baixa de áreas se serviço. Sem escala. Disponível
em: http://www.aronsengelauff.nl/
Fig. 27: Implantação do edifício. Sem escala. Autor desconhecido:
Disponível em: http://www.aronsengelauff.nl/
Fig. 32: Detalhes de pilares em "V". Fonte: http://www.aronsengelauff.nl/
Fig.30 - Planta-baixa de áreas se serviço. Sem escala. Autor:
desconhecido. Disponível em: http://www.aronsengelauff.nl/
Fig. 33: Vista externa das varandas. Fonte: http://www.aronsengelauff.nl/
Fig. 31- Perspectiva externa do edifício em Plussenburgh. Autor: Desconhecido
Disponível em: http://www.aronsengelauff.nl/
As fachadas das habitações ganham um efeito de
qualidade tri-dimensional através das varandas de formato
ondulado e seus pilares de concreto em V. (Fig. 31 a 33).
As galerias de vidro - conjunto com o vidro de auto-limpeza são suaves, mas muito colorido em mais de 200 tonalidades
diferentes. (Fig. 34)
Escondido abaixo da construção, um espaço de
recreação
na
água
é
acessível
através
do
jardim,
pavimentado de asfalto para facilitar o deslocamento de
cadeiras de roda e automóveis tipo scooter. Um recorrente
tema de grama percorre por diversas partes do projeto e se
harmoniza com a diagramação triangular de asfalto preto do
qual brotam espécies de árvores e gramíneas.
Fig. 34 - Variação na tonalidade de vidros. Fonte:
http://www.aronsengelauff.nl/
consolidar seu bairro. Voltada para os espaços internos, os
104 apartamentos são igualmente divididos e possuem
espaço suficiente para uma vivência confortável e feliz, com
banheiros
espaçosos
e
varanda.
Serviços
para
seus
moradores completam a obra, que apesar de grande área
residencial,
não
se
esquece
de
área
de
lazer
estacionamento.
Fig. 356: Circulação interna. Fonte: http://www.aronsengelauff.nl/
Plussenburgh é a simplificação do que se chama de
arquitetura para idosos. Sua arquitetura não cai no clássico
enfadonho das construções que procuram manter formas que
não desagradem seu público-alvo. (Fig. 36) É justamente
pensando em seu público que os arquitetos pensam em sua
forma e a transformam em um belo e alegre referencial para a
cidade, que se espelha em construções como essa para
Fig.36: Detalhe da garagem. Fonte: www.aronsengelauff.nl
e
3.1.3 Dia centro e residência para idosos – Oeiras,
Portugal
divide entre apoio social, de caráter público e autarquia, com
45 residências particulares voltados a munícipes e casais de
idosos socialmente isolados.
No primeiro andar estão as
ações de apoio sociais de residência assistida com 15
apartamentos para idosos que estejam em convalescença ou
recuperação, mas que não precisem de cuidados médicos.
Neste andar destina-se também ao centro dia e o apoio
domiciliário, como local temporário de permanência ou
descanso.
Fig.37:
Fachada
externa.
Disponível
em:
http://www.archdaily.com/127840/day-care-and-elderly-residential-centrecvdb-arquitectos/
Localizado no subúrbio de Oeiras entre um bairro
residencial e um centro urbano, o projeto desenvolvido pela
CVDB voltou-se para um espaço de residência e apoio ao
idoso. (Fig. 37 e 38) O edifício construído em 2007 é
resultado do aumento de munícipes com mais de 65 anos,
que são atualmente parcela significativa da cidade. O local se
Fig.38
Fachada
externa.
Disponível
em:
http://www.archdaily.com/127840/day-care-and-elderly-residentialcentre-cvdb-arquitectos/
Figura
40:
Corte
transversal.
Disponível
em:
http://www.archdaily.com/127840/day-care-and-elderly-residential-centrecvdb-arquitectos/Acesso: 23/03/2011
Fig.
39:
Planta
do
pavimento
tipo.
Disponível
em:
http://www.archdaily.com/127840/day-care-and-elderly-residential-centrecvdb-arquitectos/
Fig.
41:
Corte
longitudinal.
Disponível
em:
http://www.archdaily.com/127840/day-care-and-elderly-residential-centrecvdb-arquitectos/
Com habitações de 44 m², (Fig. 39 a 41) seu projeto é
simples e funcional, oferecendo espaço e distribuição de
cômodos de forma racional e permite que o residente se sinta
a vontade. A circulação é feita por elevadores e escadas, que
possuem um vazado entre os andares que permite a
comunicação entre os andares, trazendo conforto térmico e
permitindo que os residentes interajam. (Fig. 42) O piso térreo
feito
de
ardósia
preta
contrapõe
as
grandes
áreas
transparentes que acomodam as residências e os espaços
públicos. Na área externa, o jardim particular vira ponto de
encontro dos moradores e frequentadores do local, que
parece extensão do visual do espaço publico como pode ser
também acessado pelo público.
Fig. 42: Detalhes da comunicação entre pavimentos . Disponível em:
http://www.archdaily.com/127840/day-care-and-elderly-residential-centrecvdb-arquitectos/
3.2 Estudos de caso
3.2.1 Unidade de Vizinhança
Fig. 44- Vista aérea de superquadra em construção. Fonte: Arquivo
Público do Distrito Federal, autor indisponível
Fig. 43- Croquis e perspectiva da superquadra.Autor Lucio Costa. Fonte:
Arquivo Público do Distrito Federal
Buscando criar referência para as superquadras na
cidade (Fig. 43), Oscar Niemeyer, que dirigia o Departamento
de Arquitetura e Urbanismo da Companhia Urbanizadora da
Nova Capital (Novacap), desenvolveu em 1959 a proposta
dos edifícios residenciais das SQS 107 e 108. (Fig. 44) Com
as vizinhas 307 e 308, compõem a unidade de vizinhança,
sendo estas as que mais se aproximam do conceito original
de Unité d’Habitation do arquiteto franco-suíço Le Corbusier.
Procurou-se, assim, concentrar neste conjunto de quadras,
atividades de serviços, comércio e lazer suficientes para que
seus moradores pudessem se deslocar minimamente de suas
habitações e mantivessem uma estreita ligação com o espaço
vivido. Extensas áreas verdes se comunicam com os blocos
de edificações retangulares, procurando setorizar habitações,
sem, no entanto excluir os transeuntes dos amplos espaços
públicos. As quadras da SQS 107 e 108 possuem, além das
11 edificações projetadas sobre pilotis, cinema, lojas, uma
igreja, uma escola parque, uma escola-classe e um jardim de
infância em suas adjacências. (Fig. 45 a 47)
Fig. 45- Planta da Unidade de vizinhança e indicação de serviços.
Com
escala
gráfica.
Disponível
em:
http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/oscar-niemeyersuperquadras-brasilia-08-02-2008.
Fig. 46 - -Jardim de infância da 308 sul. Disponível em:
http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/oscar-niemeyer-superquadrasbrasilia-08-02-2008.
Fig. 48- Igreja Nossa Senhora de Fátima 308 sul. Autor:Augusto
Areal Disponível em: claudiaveiroarte.blogspot.com
Ainda que construído exatamente como previsto, a
utópica intenção de integrar espaços públicos e privados e
gerar um novo estilo de vida ao morador de Brasília não saiu
como planejado. Os espaços bem cuidados das quadras
contrastam com o vazio de um lugar que deveria ser a
confluência de vivências. (Fig. 48) A individualidade do ser de
uma grande cidade se contrapôs ao espaço comum e gerou a
subutilização de todo o local. Ninguém se interessa em
descer debaixo do prédio para desfrutar a paisagem local,
Fig. 47- Escola-parque 308 sul. Autor:Leonardo Finotti Disponível
em: http://memorialdjanira.blogspot.com
julgam ter coisas mais importantes a fazer e muitos até
temem a violência freqüente nas superquadras. O comércio e
atividades de lazer não satisfazem mais os moradores, que
passaram a se deslocar para outros pontos da cidade, cada
vez mais longínquos devido à intensa setorização. Brasília
assim se tornou a negativamente célebre cidade que não
combina
com
os
pedestres,
inclusive
constantemente
expulsando-os da circulação, negando-lhes a possibilidade de
irem e virem como bem quisessem. Hoje em dia tampouco
combina com os automóveis, visto que a quantidade
excessiva de carros circulando gera um trânsito caótico na
cidade. Mesmo para se deslocar até as superquadras é
possível demorar tempo o suficiente para fazer as pessoas
Fig. 49- Interior da superquadra. Autor:Leonardo Finotti Disponível
em: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/oscar-niemeyer-superquadrasbrasilia-08-02-2008.html
não voltarem às suas residências senão quando estritamente
necessário, pois muito provavelmente chegando a casa,
assim como indo para o trabalho, terão dificuldade para
encontrar vagas para estacionar. Fato semelhante ocorreu
com as instituições públicas de ensino, devido ao alto poder
aquisitivo dos habitantes, perdendo espaço para escolas
particulares.
Fig. 50- Áreas verdes e prédio com pilotis. Autor:Leonardo Finotti
Disponível em: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/oscar-niemeyersuperquadras-brasilia-08-02-2008.html
Fica claro, portanto, que os moradores de Brasília, seja
pelo seu perfil socioeconômico ou pela sua cultura, procura
de todas as formas não pertencer ao espaço comum, pois
partilhá-lo poderia ser equivocadamente entendido como o
compartilhamento de seu espaço habitacional. (Fig. 48 a 50)
É da junção de informações acerca da população e da
cidade que se torna possível propor intervenções positivas
com o propósito de sanar possíveis falhas na estrutura do
Fig.
51Caminhos
da
superquadra 308 sul. Autor:Leonardo Finotti Disponível em:
http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/oscar-niemeyer-superquadrasbrasilia-08-02-2008.html
espaço urbano, de uma sociedade. Pensar em um espaço de
convivência para idosos emerge da crescente necessidade de
acompanhar o envelhecimento acelerado da população,
originando locais que possam ser destinados a este grupo, ao
mesmo tempo em que tragam a estes melhora em sua
qualidade de vida, com mais confiança e alegria.
Levando em consideração a falta de uma organização
real e efetiva que envolva a parcela idosa na cidade de
Brasília, a elaboração de um projeto de um centro de
convivência para a terceira idade procuraria tirar estas
pessoas de suas casas, propondo uma nova forma de viver e
se relacionar com o ambiente urbano e com as pessoas.
Fig. 52- Espelhos d’água na 308 sul. Autor:Leonardo Finotti
Disponível em: http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/oscar-niemeyersuperquadras-brasilia-08-02-2008.html
O local, apesar de voltado para o público da terceira
idade, não exclui as demais faixas etárias de freqüentarem o
espaço, garantindo uma integração harmônica e incentivando
3.2.2 SESC 913 sul
uma convivência sadia. As atividades realizadas poderão ser
feitas por todos aqueles que se inscreverem nos cursos
oferecidos no centro, inclusive pelos moradores locais.
Integrar moradores com freqüentadores no local é uma ótima
forma de fazer com que os idosos cultivem novas amizades e
obtenham novas experiências, afastando o sentimento de
solidão que predomina no perfil do idoso do Distrito Federal.
Fig. 53- Fachada do SESC 913 sul. Autor: Liz Nakahara
Construído na década de 1970, o edifício do SESC 913
sul (Fig. 53) foi o primeiro dos vários construídos no Distrito
Federal.
Possui
atividades
esportivas
como
natação,
hidroginástica e musculação, além de eventos culturais de
dança e música, exposições, áreas recreativas, apoio médico
e hospedagem. Seu projeto foi concebido pelo arquiteto Tony
Malheiros e possui três andares e subsolo.( Fig 54 a 56)
Elaborado inicialmente para ser em grande parte uma
hospedagem alternativa aos comerciários vindos a cidade,
passou por algumas reformas que procuraram adaptá-lo as
necessidades de seus freqüentadores. No projeto original, o
andar térreo possuía um espaço de entrada próximo a de um
hospedaria, com recepção, sala de estar, lanchonete,
sanitários e acesso a um salão. Na sobreloja encontra-se a
cozinha e refeitório. No mesmo nível da sobreloja, mas
através de acesso pela área das piscinas, tem-se três
pequenas
salas.
No
último
andar
concentram-se
os
apartamentos de hospedagem, com banheiro e varanda em
seu interior, e nas demais áreas é possível notar sala de estar
Fig. 55-Planta baixa da sobreloja.Sem escala. Arquiteto:Tony
Malheiros
e lavanderia.
Fig 56-Planta baixa do primeiro pavimento.Sem escala.
Arquiteto:Tony Malheiros
Fig. 54- Planta baixa do térreo. Sem escala Projeto: Tony Malheiros
Por conta da baixa demanda de hóspedes, as
alterações feitas procuraram oferecer mais atividades como
um centro de atividades (Fig. 57) e menos como um hotel.
Assim, o número de apartamentos foi reduzido de 25 para 18
e neste espaço foi realocada a parte administrativa. No nível
da sobreloja, os espaços hoje são para consultas médicas e
na outra parte mantem-se a cozinha e o refeitório. No térreo
as adaptações dão-se por conta da readaptação da
configuração dos ambientes e não por reformas propriamente
ditas. O local onde era a sala de estar da entrada, hoje
tornou-se uma espécie de saleta para a espera de
Fig. 57-Aula de hidroginástica nas piscinas. Autor: Liz Nakahara
atendimento da recepção. No subsolo, o auditório para 204
pessoas é mantido, mas na área destinada à recreação, hoje
tem-se uma sala de musculação. (Fig. 58)
Fig. 58-Sala de musculação no subsolo. Autor: Liz Nakahara
O local é bastante freqüentado por diversas faixas
(Fig 60) que são estreitas e parecem gerar grande
etárias devido a sua privilegiada localização, próximo de
insegurança, mas segundo a gerente da unidade, medidas
áreas educacionais e residenciais. Assim, os moradores da
acessíveis serão tomadas. O acesso para os andares
região conseguem facilmente ir até o local a pé e realizar as
também pode ser feito por elevador, que tem capacidade
suas atividades, assim como de automóvel. Apesar da
máxima de duas pessoas. (Fig. 61)
iniciativa pioneira do SESC em realizar trabalhos com a
terceira idade, percebe-se que o local sofreu ao longo de sua
existência diversas modificações que o fizeram perder sua
característica original, assim como tornaram difíceis as
adaptações para o crescente público, em especial o idoso.
Rampas de acesso (Fig. 59) são observadas na entrada
principal e no salão térreo, local onde se realizam a maior
parte das atividades para este grupo, como a dança. Ainda
assim os que possuem mobilidade reduzida tem dificuldade
em acessar a áreas como a musculação, feita por uma
estreita e escura escada que também é escorregadia apesar
de seu revestimento anti derrapante. Isto porque o acesso
aos vestiários se dá por essa escada, o que faz os usuários
das piscinas se utilizarem desde espaço. A rampa para este
local existe, mas encontra-se fechada, assim como a escada
helicoidal que percorre todos os pavimentos. O acesso ao
serviço médico também é dificultado pelas escadas de ferro,
Fig. 59-Rampas de acesso nas partes internas e externas
Fig. 60- Acesso único para as salas médicas da sobreloja. Fonte:
Liz Nakahara
Fig. 62-Sanitário adaptado
A área onde ocorre a realização de danças e atividades
para a terceira idade é relativamente grande, mas ao se
deparar com o número de freqüentadores o local se torna
pequeno e muito quente. (Fig 63) A música, comandada por
um empregado do SESC, ecoa pelo local e impede os que
não dançam de se comunicar, demonstrando a pouca
preocupação acústica na elaboração do espaço. Ainda assim,
a grande alegria observada em seus freqüentadores minimiza
quaisquer possíveis falhas organizacionais e projetuais,
comprovando que muito mais do que viver, os mais vividos
Fig. 61-Elevador não consta no projeto original. Fonte: Liz
Nakahara
querem ter saúde e alegria. (Fig. 64)
3.2.2.1 Questionário socioeconômico
Foram aplicados questionários do tipo aberto para 15
frequentadores do SESC com mais de sessenta anos. Os
questionários com perguntas sobre o dia a dia das pessoas e
sobre o SESC e atividades relacionadas foram o tema
principal, que teve como objetivo traçar o perfil dos
frequentadores e, consequentemente, o perfil do idoso na
cidade.
Gráficos 2 a 5
Fig. 63- Grupo dos mais vividos – encontros semanais de dança e
atividades
Renda mensal (em S.M.)
Acima de
20
27%
Até 5
40%
75 a 80
7%
Faixa etária
60 a 65
13%
6 a 19
33%
71 a 75
40%
Fig. 64- Um dos casais que se conheceram nos bailes do SESC.
66 a 70
40%
mais de
80
0%
Nível de escolaridade
percepções e opiniões, o que não impediu de traçar um perfil
1º grau
20%
nas respostas que, em diversas ocasiões, eram bastante
parecidas. As perguntas objetivas permitiram a criação de
Superior
47%
gráficos que visualmente informam a predominância de cada
2º grau
33%
dado.
Região de origem
estão no SESC, procuram fazer ginástica ou ficam em casa.
Sul
13%
Norte/nordes
te
20%
A grande maioria das pessoas disse que, quando não
Isto demonstra a grande preocupação com a prática de
Sudeste
47%
Centro
Oeste
20%
A entrevista no SESC foi feita no dia de maior
concentração de idosos no local, que é o encontro realizado
semanalmente para este grupo, envolvendo atividades em
conjunto, em especial a dança. Sozinhos ou em duplas, os
frequentadores dançaram no centro do salão, parando em
alguns momentos para se sentar.
Com a aplicação dos questionários de maneira aberta,
foi possível dar abertura aos usuários em relação as suas
exercícios, seja por bem estar, como por saúde. Ainda assim,
por serem aposentadas, não encontram grandes atividades
para realizar. Os entrevistados divergiram quanto à satisfação
em relação a atividades para a terceira idade em Brasília, pois
grande parte acredita que não há o suficiente para este grupo
etário e que deveria haver mais opções de lazer. Eles
afirmam que com exceção do SESC não há muito que fazer
para se distrair.
Em relação ao SESC é unânime a satisfação dos
entrevistados, que afirmam ser muito bem tratados no local,
espaço onde interagem com amigos e esquecem dos
problemas cotidianos. Muitos encontram ali um espaço para
paquerar e por isto a concentração de homens para mulheres
não chega a ser totalmente desproporcional. Apesar de
adorarem o SESC, alguns usuários não concordam com os
É importante salientar a surpreendente porcentagem
poucos bailes para o grupo e alguns reclamam do estilo
de idosos de nível de instrução superior, pois talvez devido ao
musical tocado e sua pouca variação. Ainda assim,
caráter histórico e cultural do nosso país e das gerações
frequentam em sua grande maioria há anos o local, alguns
anteriores, o acesso ao ensino superior era bastante restrito e
chegando a ir ao clube há mais de 20 anos. Quanto a
até menos necessário do que nos dias atuais. Ainda assim,
possíveis dificuldades para acessar ou se deslocar no
estes se trataram da maioria dos entrevistados. (Foi
espaço, quase todos se mostram bastante satisfeitos, alguns,
computado como pertencentes a cada nível de estudo
entretanto, desejando maior espaço para os bailes, outros
aqueles que completaram o grau). Um dos entrevistados falou
menor numero de escadas.
sobre a mudança, por lei, de seu nível de escolaridade,
O perfil etário dos frequentadores é bastante variado,
possuindo frequentadores a partir dos 60 anos e não tendo
passando a ser considerado como graduado em nível
superior e acerca disso não se teve maiores informações.
São bastante diversificadas as regiões de origem
sido observada a frequência de pessoas com mais de 80
dos entrevistados, o que não confirma nenhum tipo de
anos.
A renda mensal observada, é em maior número
migração em massa, mas sim a miscigenação de regiões e
daqueles que ganham até 5 salários mínimos. A presença de
culturas
pessoas que possuem renda superior a 6 salários mínimos,
econômicos, este é o perfil também da cidade, que ainda hoje
entretanto, é bastante representativa, que demonstra o alto
recebe pessoas de todo o país.
poder aquisitivo dos moradores da cidade, fato que se
expressa em grande parte pela profissão predominante que
exerciam antes da sua aposentadoria, sendo grande parte
deles funcionários públicos.
na
cidade.
Seja
por
motivos
familiares
ou
3.3 Centro de convivência para a terceira idade em
superquadra de Brasília(DF)
Inserir um espaço de vivência, cultura e lazer dentro de
uma área residencial surge da intenção de criar um vínculo
com
os
seus
moradores
locais,
estabelecendo
uma
proximidade tal que faça as pessoas voltarem a valorizar o
espaço público das quadras habitacionais.
As atividades, embora amplamente direcionadas à
faixa etária que vem se consolidando no país, não se
restringem
somente
oportunidades
que
a
estes,
atraiam
o
pois
procuram
restante
da
oferecer
população,
despertando o interesse em adentrar e permanecer no local.
Por fim, este projeto irá buscar sanar as verdadeiras
necessidades deste grupo cada vez maior de pessoas,
melhorando sua qualidade de vida com mais confiança e
alegria e afastando o sentimento de solidão que predomina no
perfil do idoso do DF.
geral, o envelhecimento populacional não se trata ainda uma
preocupação brasileira, como já observada e fortemente
tratada na maioria dos países europeus. A importância de
criar um espaço com tais propósitos é introduzir o conceito de
envelhecimento saudável, projetando uma edificação que
entenda estas pessoas, gerando conforto e promovendo o
bem estar de todos. Desenvolve-lo em Brasília significa voltar
as atenções do país para uma das maiores questões a serem
discutidas nos próximos anos e sua eficácia garantirá um
exemplo a ser seguido, quem sabe, nas demais cidades
brasileiras. Ainda que o perfil socioeconômico do morador da
capital federal se diferencie em muitos aspectos do perfil de
outras cidades, a intenção desta iniciativa será sempre a
mesma, dar atenção a esta importante parcela da população.
Espera-se que o envolvimento para a realização de um
projeto deste caráter envolva a Universidade de Brasília, que
detendo a propriedade do terreno, utilize-se das negociações
3.3.1 Premissas
Procurando referências projetuais que pudessem servir
imobiliárias de suas unidades habitacionais, ou mesmo de
de estudo para este projeto, foi possível constatar que as
assim, possua maneiras de subsidiar a construção do centro
ações voltadas à população mais idosa no país ainda são
de convivência. É de responsabilidade da própria UnB
precárias e as políticas públicas muito primárias. De maneira
suas projeções habitacionais para aluguel e/ou venda e
administrar o local e gerar formas de manter ativo seu
funcionamento.
A escolha da área (Fig. 65) foi feita a partir dos estudos
de possíveis áreas de intervenção, levando em consideração
sua localização na cidade e acessos, aspectos positivos e
negativos de sua implantação no local, uso e ocupação do
entorno e zoneamento. As áreas observadas se tratavam de
localizações bem distintas e, por isso, os fatores que
resultaram na escolha do sítio final foram determinantes.
3.3.2 Superquadra Norte 207
No meio da Asa Norte, resistindo ao tempo e
Fig. 65- Imagem de satélite da área.
contrastando com a paisagem edificada, a superquadra 207
norte se encontra totalmente vazia (Fig. 66). Enquanto o
Distrito Federal padece com seu grave déficit habitacional, o
extenso gramado de aproximadamente 62.500 m² permanece
há anos inalterado. Pertencente à Fundação Universidade de
Brasília (FUB), a quadra é uma das inúmeras propriedades da
Universidade de Brasília (UnB)10, mas uma das poucas ainda
10
O Senador Darcy Ribeiro negociou um acordo que na hora do registro garantiu
129 projeções de terreno. A maioria destes locais já tem construções, mas ainda
restam 27 projeções. Parte das áreas foi trocada com construtoras por imóveis
Fig. 66- Superquadra 207 norte desocupada.
residenciais. Ao todo a UnB possui mais de 1,5 mil apartamentos e 178 salas e
não construída. Protegida pela Constituição Federal e pela Lei
Procurando amenizar a falta de habitações e acabar
distrital 4.072 de 17 de junho de 2007, a instituição está isenta
com a especulação imobiliária na ultima superquadra vazia da
de pagar IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e se
cidade, tem-se o pretexto ideal para implantar um projeto de
esquiva de pagar anualmente pelo menos R$ 6,3 milhões em
tamanha visibilidade. A possibilidade de criar uma proposta
impostos. O valor do imóvel hoje seria por volta de
para toda a quadra dará a oportunidade de elaborar algo
R$ 210 milhões.11
totalmente inédito na cidade, procurando sanar alguns
Com tamanho similar às demais superquadras, sua
planta de projeção
12
prevê 12 projeções lineares de largura
igual a 10 metros e comprimento variado de 80 ou 60 metros.
Além disto, algumas porções são destinadas para fins
institucionais e de lazer, como jardim de infância, escolaclasse e quadra polivalente. Ainda ao lado, na chamada faixa
de entrequadra entre as quadras SQN 206 e 207, são
previstas outras áreas para lazer e educação. (Fig. 67)(Tab.
8)
lojas, além da SQN 207. Fonte: SEI – Secretaria de Empreendimentos Imobiliários,
2007
11
Dados solicitados pela Revista Campus à Câmara de Valores Imobiliários
(CVI/DF) em 2007.
12
A elaboração das plantas das quadras com a distribuição das projeções,
arruamentos e equipamentos urbanos eram inicialmente de responsabilidade da
Divisão de Arquitetura da Novacap.
relevantes problemas atuais, sem deixar de se utilizar dos
pontos positivos da linha de pensamento modernista que rege
a cidade.
Fig. 67- Planta de projeção da SQN 207. Projeto: Novacap. Desenhista: Alice
Residencial - Pilotis + 6 pavimentos
Institucional - Educação
Lazer
Comércio
Taxi
||
Pedestre
Sistema viário interno
Central de Alta Voltagem
Tab. 8- Legenda de cores indicativas de possíveis edificações
3.3.3 Os estudos feitos
A infraestrutura urbana consolidada privilegia o acesso
ao local, que é margeada pelo Eixinho Rodoviário Norte
(também chamado de Eixo L Norte) (Fig. 68), paralelo ao Eixo
Rodoviário principal que liga uma asa à outra, assim como as
vias que percorrem as quadras comerciais e interligam os
eixos leste e oeste (sentido duplo entre quadras 100 e 200).
(Fig. 69) Outra importante forma de acesso à quadra seria
através da Via L2 Norte, que juntamente ao Eixinho
Fig. 68- Eixo Rodoviário Norte em direção ao fim da Asa Norte.
Movimento constante de automóveis.
Rodoviário Norte se caracteriza por apresentar moderada
circulação de automóveis e velocidade máxima permitida de
60 km/h. Possuindo dois pontos de ônibus nas faces ladeadas
por vias (eixo L Norte e L1), o acesso seria facilmente feito
por meio de automóvel particular ou transporte coletivo
público, além obviamente de ser totalmente aberta aos
pedestres. A presença de pessoas na área é freqüente e
geralmente ocorre por conta do ponto de ônibus encontrado
no Eixinho Rodoviário Norte. (Fig. 70 e 71) A maioria delas vai
em direção à L2 norte ou faz o sentido contrário e não se
importam em percorrer sozinhas o terreno ermo. No interior
da quadra moram cerca de 20 pessoas que, apesar de
Fig. 69- Acesso subterrâneo que interliga a quadras 100 e 200.
possuírem moradia em regiões afastadas, acreditam possuir
maiores condições residindo precariamente no local e
trabalhando como vigias de carros das comerciais próximas.
Fig. 71- Ponto de ônibus da via L1 (paralela ao Eixinho), outra via
que margeia a superquadra.
Fig. 70- Ponto de ônibus do Eixo Rodoviário Norte defronte à
superquadra 207.
Fig. 72- Quadra comercial CLN 207.
Contrario à quadra residencial, o comércio da quadra
CLN 207 já existe há muitos anos e juntamente com a CLN
208 concentra lojas de informática e assistência técnica. (Fig.
72) No entorno imediato é possível encontrar uma escola classe, um templo religioso e um posto de saúde, enquanto
um pouco mais afastado é possível localizar o Hospital
Universitário de Brasília (HUB), instituições de ensino e
saúde, além de órgãos públicos e a própria UnB. (Fig. 73)
O estudo de massas foi de suma importância para este
projeto, (Fig. 74) visto que apesar de predominantemente
rasteira, a vegetação da área possui espécies remanescentes
do cerrado. Segundo o Decreto 14.783 de 17 de junho de
1993, 12 espécies nativas são imunes ao corte, sendo
algumas delas observadas na superquadra, como as
espécies de Jacarandá-do-cerrado e de Cagaita. (Fig. 75) Por
conta da esparsa forma como se dispõem no terreno,
algumas espécies de cerrado serão remanejadas dentro da
própria quadra, preservando-as e otimizando a área do local.
Fig. 74 - Estudo massas vegetativas do terreno. Sem escala.
Fig. 73 - Estudo de vias de acesso e serviços. Sem escala.
Quanto à topografia local, o terreno possui declive
suave de 3,67% de inclinação, possuindo queda insignificante
ao longo dos 353 metros de extensão de sua diagonal. Do
ponto mais alto ao mais baixo, o desnível é de apenas 13
metros. (Fig. 76)
Fig. 75- Vegetação nativa do cerrado presente na quadra.
Na análise dos eixos rodoviários é possível perceber
uma mudança de sua curvatura que, como cita Braga (2007,
p. 54), tem uma variação de azimute que diminui no sentido
norte de 358º para 342º a partir da superquadra SQN 107 e
108. A mesma variação ocorre também no Eixo Rodoviario
Sul no qual o azimute de 216º passa a ser de 232º a partir da
superquadra SQS 108. (Fig. 77)
Fig. 76- Os caminhos de terra feitos pelos que atravessam a
quadra.
sentido norte-sul, evitando as grandes incidências do sentido
leste-oeste. É importante salientar que não somente com a
incidência solar deve-se preocupar ao implantar um edifício,
mas também com a favorável circulação de ar nos seus
espaços internos. Flores (2004, p.4) coloca que as maiores
intervenções observadas nos edifícios de Brasília são
justamente referentes à necessidade de proteção solar dos
ambientes internos e para isso utilizam-se de artifícios como
toldos e ares-condicionado que, não previstos em projeto e
muitas vezes em leis, acabam por descaracterizar as
fachadas
e
a
proposta
arquitetônica.
Levando
em
consideração as direções predominantes dos ventos, tem-se
Fig. 77- Imagem de satélite com disposição de blocos (verde),
área residencial (amarelo), eixos (azul e laranja).Autor: Darja Kos Braga,
2005
Braga discorre sobre a curiosa orientação quase exata
que a implantação ideal seria a que unisse tais informações,
procurando favorecer as áreas externas, mas sem esquecer o
conforto dos espaços internos.
3.3.4 Proposta de implantação
norte-sul ou leste-oeste dos edifícios, que no início da Asa
Norte apresenta desvio de somente 2º, e na altura da
A proposta da implantação foi feita com bases nos
superquadra SQN 108 passa a ser de 18º. Na quadra SQN
estudos do terreno e entorno, além das características
207 o desvio é de 17º, ângulo este que pode ser interessante
geográficas e morfológicas da região. Pensando no uso
se a implantação for favorecida pela incidência solar no
predominante residencial, a locação dos edifícios se faz
fundamental, para que a inserção do centro de convivência
possa ser harmoniosa e consonante com o espaço, sendo
privilegiados pelo sistema viário interno e respeitando as
extensas áreas verdes do local. Algumas das idéias para este
projeto e sua satisfatória elaboração divergiam, como por
exemplo, o aproveitamento topográfico e a melhoria nas
condições de conforto térmico, assim como a preservação
das espécies vegetais preservadas em seu local exato. Dessa
forma
foi
preciso
optar
por
soluções
que
melhor
contemplassem seu sítio e futuras edificações, voltando as
faces principais das edificações para as direções sudeste-
Fig. 78- Implantação dos edifícios na SQN 207.
noroeste e nordeste-sudoeste. A rotação de 36º para oeste
em relação ao norte, faz com que os prédios residenciais
tenham no futuro uma adequada circulação cruzada de ar e
uma incidência solar de boa intensidade, auxiliando de tal
forma a mais rápida dissipação de radiação de suas
fachadas. (Fig. 78 a 81)
Fig. 79- Perspectiva da quadra e áreas verdes.
A Universidade de Brasília encontra-se ao longo da via
L3 norte e se alinha ao terreno da superquadra 207 norte.
Apesar de não possuir vias diretas de acesso, o caminho
entre uma e outra feito de automóvel é relativamente pequeno
e não ultrapassa os três quilômetros. Propõe-se então um
eixo de ligação entre a UnB e o terreno de sua propriedade,
no qual os caminhos de terra marcados pelos que passam
começam um percurso do ponto de ônibus do Eixinho
Fig. 80- Pilotis garantem a livre passagem.
Rodoviário Norte e percorrem a quadra, favorecendo a
ligação com a instituição. O firme propósito em vincular a
Universidade de Brasília à sua propriedade vem da
possibilidade de desenvolver estudos e projetos de pesquisa
sobre a terceira idade e contribuir para a melhoria de sua
qualidade de vida. Sendo referência como instituição pública
de ensino superior no país, a UnB pode ampliar a visibilidade
das
cidades
brasileiras
e
seus
governantes
para
a
importância do idoso, acelerando ou auxiliando na elaboração
de propostas que adequem cada vez mais este grupo no
contexto urbano. Os edifícios residenciais da superquadra
Fig. 81-Perspectiva e espaços verdes integrados com edificações.
terão destinos definidos pela própria FUB13, podendo esta
3.3.5.2 O sistema viário
optar por comercializar estes imóveis ou voltar tais habitações
Encarregado pelo traçado das vias internas de grande
para grupos específicos como professores ou discentes da
parte das superquadras, Nauro Esteves como funcionário da
universidade. Alerta-se, entretanto, que apesar da forte
Novacap se uniu à idéia de contrapor à rígida ortogonalidade
intenção que o centro de convivências tem de reunir pessoas
das edificações através de caminhos sinuosos e orgânicos
e experiências com o público da terceira idade, voltar as
que rompessem a possível monotonicidade de seu rígido
habitações do local exclusivamente para estes poderia criar a
planejamento. Assim, o sistema viário das superquadras se
falsa impressão de reunir pessoas de faixas etárias próximas
caracteriza pelos culs-de-sacs que não promovem a ampla
podem trazer aspectos positivos e amenizar a solidão dos
circulação de automóveis propositalmente, garantindo sua
moradores. Infelizmente os efeitos desta ação podem ser
restrição e segurança.
graves, pois ao restringir a moradia local, o idoso perde a
Para um bom aproveitamento do terreno e favorecendo
convivência familiar e se vê excluído da sociedade, tendo que
as grandes áreas verdes, as vias internas da SQN 207 foram
se contentar em viver somente naquela área, que acabará por
desenhadas
concentrar pessoas com o mesmo perfil etário. Evitar esta
equipamentos visando à diminuição de área pavimentada. A
possível segregação não isenta a possibilidade de idosos
linha perimetral que percorre parte da quadra gera um acesso
residirem no local, pois a preocupação com questões de
inusitado às construções, vezes através de ruas sem saída,
conforto e acessibilidade foram constantemente observadas.
vezes por mais de um acesso. O acesso ao subsolo é
para
atender
os
edifícios
e
os
demais
garantido por entradas e saídas dos conjuntos em sentidos
opostos.
13
A venda de imóveis é feita através de edital por concorrência através da
própria Fundação.
3
A criação de áreas para estacionamento é
fundamental por conta do crônico problema de falta de vagas
no Distrito Federal, fato comprovado no próprio terreno
quando observada a constante presença de automóveis que
compõem o estacionamento adaptado em piso de terra. (Fig.
3.3.5.1 Edifícios Residenciais
82) Estas atenderiam aos principalmente os visitantes das
A extensão de uma quadra com as dimensões como as
unidades habitacionais, os freqüentadores do centro de
da SQN 207 atentam para seu grande potencial imobiliário e
convivência e demais equipamentos, além dos que irão
econômico. Ainda assim, as unidades residenciais não
acessar o comércio local.
obedecerão as plantas de projeção14, e devido à sua
disposição
volumétrica
e
pela
sua
própria
proposta
arquitetônica, terão o numero de unidades habitacionais
reduzidas.
A volumetria dos blocos de apartamentos é o ponto de
partida inicial do projeto residencial, que procura unir a
funcionalidade das famosas habitações modernas da cidade,
sem deixar de se adequar as mudanças “inerentes à uma
cidade” (NIEMEYER, 2009)15, ainda que esta tenha o
diferencial de ser Patrimônio Cultural da Humanidade.
Ressaltando a intenção de se conservar as raízes que
conceituam a capital do país, o estudo das superquadras da
Unidade de Vizinhança e seus elementos foi ponto passivo
Fig. 82-Estacionamento adaptado na SQN 207
para a decisão de se adaptar a planta residencial existente
elaborada por Oscar Niemeyer. Com dimensões de 16x14
14
Sendo de responsabilidade da UnB, a planta de projeção pode ser
alterada, seguindo as premissas legislativas, desde que aprovadas
previamente pela Administração Regional de Brasília.
15
NIEMEYER, O. Depoimento, 2009.
metros e área de 224m², (Fig. 83) a unidade residencial da
a primeira planta habitacional desenvolvida para este trabalho
superquadra 308 sul possui cômodos generosos: três quartos
surgiu da diminuição da metragem para 165 m² (15x11
sendo uma suíte, cozinha, área de serviço e dependência de
metros), procurando condensar a planta original de Niemeyer
empregada, além de sala de jantar e uma ampla sala de
condensando
estar.
comodidade de seus usuários e comprovar que é possível
cômodos,
sem
reduzir
a
mobilidade
readaptar espaços de diversas maneiras possíveis. (Fig. 84)
8.10
A. Serviço
1.15
0,00
Banho
+0,07
2.25
2.25
8.85
7.50
Dce
+0,05
2.60
2.15
+0,07
2.40
2.25
Cozinha
+0,07
S. Jantar
Banho
+0,07
Banho
+0,07
5.70
5.75
+0,05
5.15
2.20
Fig. 83 - Planta baixa de residência da SQS 308. Sem escala Projeto:
Oscar Niemeyer
Quarto 1
4.50
S. Estar
+0,05
As medidas observadas neste projeto vão contra o
4.35
Suíte
+0,05
Quarto
2
+0,05
+0,05
3.35
movimento atual dos imóveis recentes da cidade, que
possuem uma considerável redução de área da unidade,
assim como o aumento do número de habitações, tanto por
motivos comerciais como para aumento de unidades. Assim,
Fig. 84 – Estudo de planta baixa adaptada.
e
Em um segundo momento, entretanto, a criação dos
blocos residenciais de tipologia “H” que buscava fugir da
torna atraente do ponto de vista dos diferentes perfis de
usuários que podem ser atendidos.
tradicional volumetria retangular se tornou bastante espaçosa
a medida que sua circulação, para manter a privacidade de
seus moradores e a correta incidência solar em seus
ambientes internos, exigia grandes dimensionamentos. De tal
modo, com a implantação definida, o projeto ofereceria 192
unidades
pequena
habitacionais,
se
levada
em
quantidade
esta
consideração
considerada
a
média
de
apartamentos nas demais quadras residenciais, que variam
de 290 a 700 unidades.
Tipologia habitacional de encaixe.
Visando sanar tais falhas, foi proposto um segundo
modelo residencial, no qual diferentes tipologias habitacionais
surgem a partir da subdivisão e adaptação da antiga planta
elaborada, resultando em quatro plantas de menor metragem
e módulo de 4 x11 metros. Estas formam um jogo de
encaixes, no qual encontra-se cinco tipos de apartamentos:
os apartamentos de módulo térreo acessível, térreo simples,
loft, duplex e de planta duplicada. (Fig. 85 a 89). A grande
variação de residências procura comprovar a funcionalidade
dos espaços, ainda que com sua reduzida metragem e se
Fig. 85 – Tipologia do apartamento acessível
Fig. 87 – Tipologia do apartamento duplo
Fig. 86 – Tipologia do apartamento térreo simples
Fig. 88 – Tipologia do apartamento loft.
Fig. 89 – Tipologia do apartamento duplex.
O encaixe de apartamentos permite que em um jogo de
quatro tipologias alinhadas ao longo dos seis pavimentos
hajam 16 apartamentos( Fig. 89 e 90). Seu acesso ocorrerá
pela circulação horizontal de cada pavimento através de
elevadores e escadas, sendo que no primeiro pavimento, o
acesso também é possível através de rampas. As aberturas
de janelas se localizam em ambas as fachadas dos
apartamentos e favorecem a circulação cruzada de ar e
iluminação natural. Nos banheiros e cozinhas, a falta de
ventilação natural é sanada pela inserção de exaustores
mecânicos do tipo “ventokit” inseridas no forro que terão saída
Fig. 90 – Encaixe de tipologias. Térreo acessível (branco), duplo (verde),
térreo simples (vermelho), loft (amarelo) e duplex (azul).
para a área de circulação comum do prédio através de dutos.
Além dos seis pavimentos, no subsolo encontra-se dois
andares destinados à garagem, salas de máquinas e
depósitos.
Fig. 91 – Perspectiva de encaixes no bloco residencial.
.
procurando integrar a construção ao grande adensado vegetal
Do ponto de vista estrutural o edifício conta com estruturas
que se promoverá na área central da quadra. (Fig. 92 e
metálicas e revestimento em concreto. O fechamento é feito
com blocos de sílico-calcário, que pela sua constituição leve e
resistente, permitem o uso de grandes vãos. A sustentação
principal das edificações, entretanto, é garantida pelos
núcleos em concreto das caixas de elevadores e escadas, no
qual a parede espessa em concreto mantém a a edificação.
O primeiro andar se destina exclusivamente aos
apartamentos térreo-acessíveis, que busca formas de atender
às necessidades de portadores de mobilidade reduzida que
Fig. 92 – Circulação interna dos edifícios residenciais.
busquem a moradia independente. Não exclusiva a estes, a
intenção de posicioná-los no andar mais baixo vem da idéia
de possuir como forma alternativa aos elevadores e escadas,
a rampa que do pilotis chega a estes pavimentos(Fig. 92)Nos
demais pavimentos se localizam os demais tipos.
Os pilotis e os dois níveis de subsolo com uma vaga
por residência, bem como a cobertura das edificações com
equipamentos de lazer, permanecerão com a mesma
proposta existente nas demais áreas da cidade, excetuandose a área térrea que será ladeada por áreas verdes. Estas
adentrarão os vazios entre os maciços de apartamentos,
Fig. 93 – Acesso através de rampas.
vegetação de médio e grande porte. A presença de espelhos
d’água busca melhorar o microclima da área, que devido às
características climáticas da cidade sofrem por conta da baixa
umidade (Fig. 96). Uma área de parque infantil (Fig. 97) foi
pensada como espaço de lazer também para crianças, bem
como a inserção de mobiliário que promovam a permanência
das pessoas.
Apesar do direcionamento de trajetos
observados na quadra, todos possibilitam a livre circulação
pelo local, tanto através dos pilotis como pelos caminhos que
Fig. 94 – Integração entre vazios e áreas verdes.
adentram as construções. Um boulevard foi criado com a
Áreas verdes
intenção de aproveitar a faixa vegetativa estreita que une um
O espaço entre os prédios destinado como espaço
dos acessos do centro de convivência até as quadras 400 em
de lazer e contemplação procura a integração entre as
construções existentes e promover o seu uso
pelos
moradores locais assim como por quem freqüente a
superquadra. (Fig. 95) Os caminhos de terra feitos pelos que
passam pelo terreno atualmente ermo serão aproveitados no
desenvolvimento de caminhos que interliguem á possíveis
pontos, como os pontos de ônibus existentes nos limites da
quadra. A criação de uma extensa faixa de vegetação entre
os blocos residenciais garante aos seus usuários maior
segurança, ao passo que sua privacidade é garantida pela
direção ao ponto de ônibus e à UnB. (Fig. 98)
Fig. 95 – Integração entre vazios e áreas verdes.
Fig. 97 – Parque infantil.
Fig. 96 – Espelhos d água melhoram o microclima da superquadra.
Fig. 98 – Boulervard interligando limites da superquadra.
A preocupação de facilitar a inserção do idoso no
Centro de convivência para a terceira idade
Espaço para atividades de lazer, cultura, esportivas e
centro e fazê-lo se sentir confortável resulta na criação de
oferecer
blocos independentes em forma de ameba que reúnem
oportunidades maiores aos idosos da cidade, procurando
atividades específicas e podem ser facilmente identificáveis
integrá-los à sociedade e atendê-los de acordo com suas
por cores para que auxiliem na cognição do espaço. (Fig.
necessidades e expectativas. Como já mencionado, o local
100)
educacionais,
o
local
tem
o
propósito
de
não procura fazer qualquer tipo de ação voltada a um grupo
homogêneo de pessoas, mas tentar da melhor maneira
possível promover seu uso por todos aqueles que se sentirem
à vontade em freqüentá-lo. (Fig. 99)
Fig. 99 – Perspectiva do Centro de Convivência com edifícios residenciais
ao fundo..
Fig. 100 – Blocos independentes coloridos.
Estes utilizam a mesma linha de proporção das janelas dos
edifícios residenciais, garantindo a unidade da superquadra
207 norte. Vidros são amplamente utilizados por todo o
centro, não somente para iluminar e permitir a circulação de
ar, mas mostrar a movimentação dos espaços, quando
possíveis e suas atividades. (Fig. 102)
Fig. 101 – Perspectiva da superquadra 207 norte.
A conexão destes blocos, constituindo o conjunto do
centro de convivência, se dá pela sua extensa laje de formato
sinuoso, que contrasta com as construções ortogonais e dá a
sensação de movimento e continuidade. (Fig. 101) A
continuidade também surge dos percursos dentro do centro,
que buscam sempre incentivar o deslocamento pelo espaço e
ocasionar sua constante descoberta quando adentrado pela
primeira vez. A área esportiva possui uma cobertura
diferenciada pela necessidade especial de espaço, ventilação
e iluminação. Sua curvatura, porém não deixa de se conectar
com a laje existente e se destaca pelos arcos que formam
uma malha ondulada com a presença de coloridos vidros.
Fig. 102 – Jogo de vidros coloridos na cobertura esportiva.
Estruturalmente, o desafio da sustentação da extensa
laje de concreto de aproximadamente 6000m² de área se
resolve através da utilização de lajes do tipo cogumelo, no
qual seu apoio ocorre diretamente sobre o pilar com reforços
para sua sustentação e permite que a locação dos pilares
seja feita de forma não regular, inserida nos pontos de maior
fragilidade. Já a cobertura do centro esportivo é composta de
um sistema de vigamento metálico com treliças planas como
vigas mestras. Sua leve estrutura permite o grande vão entre
Fig. 104 – Cobertura metálica da área esportiva
pilares e a presença de sheds auxilia na circulação de ar e
iluminação natural.
Fig. 105 – Cobertura metálica da área esportiva
Fig. 103 – Sustentação da laje de concreto através de lajes cogumelo..
Fig. 106 – Cobertura metálica da área esportiva
Fig. 107 – Acesso para área esportiva.
Fig. 108 – Perspectiva da quadra.
4.3.5.4 Programa de Necessidades e Pré dimensionamento
Setores e funções
1.
Acesso Público
1.1
Recepção
Equipamentos
/ Requisitos
Áreas m2
Área aberta
1.2 Atendimento ao público Área aberta
40
1.3 Cafeteria/Livraria
90
Mesas,
cadeiras,balcão
Área externa
Lavabo
Copa/Cozinha /
isolamento
da
exaustão
Depósito
1.4 Sanitários
90
TOTAL
220
2.
Salas
2.1
Auditório
182 lugares
312
Palestras, teatro
Projeção de vídeo
/ retroprojetor
2.2 Salão de dança
Cadeiras
Equipamento
som
350
de
Espelhos
Barras de apoio e
segurança
2.3 Sala de relaxamento
2.4 Academia
musculação
Equipamento de
som / esteiras
de Equipamento
som
Espelhos
de
130
350
Cadeiras
Aparelhos
2.5 Sala de informática
Computadores
80
Mesas
Cadeiras
2.6 Ateliê de pintura
Cadeiras
110
Mesas
Cavaletes
2.7 Sala de
livres
atividades Mesas e cadeiras
90
2.8 Sanitários
TOTAL
3.
Exposições
90
1512
3.1 Exposição temporária
Iluminação
e
ventilação natural
TOTAL
4.
-
-
Área esportiva
4.1 Piscinas
Aquecida
560
4.2 Quadra de esportes
Coberta
1170
4.3 Área de convivência
200
4.5 Sala de atendimento
clínico
60
4.6 Sanitários
245
2235
5.
Extensão
universitária
5.1 Professores
coordenadores
e
80
5.2 Biblioteca
40
5.3 Sala de informática e
estudos
40
5.4 Sala de reuniões
20
5.5 Almoxarifado
15
5.6 Sanitários
40
TOTAL
235
6
Infra-estrutura e
Manutenção
6.1 Sala de segurança
Acesso controlado
Racks
monitores
vídeo
6.2 Gerador
15
para
de
Isolamento
acústico
10
6.3 Casa de máquinas / ar Isolamento
condicionado
acústico
20
6.4 Oficina de manutenção
30
Isolamento
- Marcenaria
acústico
- Elétrica
-Limpeza
6.5 Almoxarifado
manutenção
40
6.6 Sanitários/vestiário
50
TOTAL
165
7.
7.1 Recepção / Espera
Acesso à área
técnica e à área
de público
30
7.2 Administração
Gerências
contabilidade
130
e
7.3 Diretoria
30
7.4 Sala de Reunião da
administração
50
7.5 Sanitários
45
TOTAL
450
TOTAL A. int
4817
4- Considerações finais
O projeto buscou se aproveitar de um privilegiado
terreno na cidade de Brasília para a inserção de um centro de
convivência com o propósito de voltar as atenções para o
público da terceira idade, que em número cada vez maior e
cada vez mais independente, carecem de alternativas de
lazer e cultura, de um local que os façam se sentir bem vindos
e confortáveis.
A integração com a Universidade de Brasília vem
de encontro com a proposta, pois esta possui condições de
realizar
atendimentos,
prestar
serviços
e
desenvolver
pesquisas PA.ra e com o publico frequentador. Sua
conexão,portanto, vai muito além de seu eixo de ligação, mas
vem da busca de conhecimento e melhoria na qualidade de
vida do idoso
Implantá-lo em uma área residencial teve como
intenção integrar o local com as moradias, buscando unir as
edificações existentes através de caminhos e percursos e das
áreas verdes existentes no local, proporcionando uma
unidade de quadra na qual as premissas urbanísticas e
arquitetônicas que nortearam o surgimento de Brasília voltem
a qualificar o espaço.
5- Referências Bibliográficas
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viárias,
dimensionamento
conceitos
de
sistema
gerais
viário
e
parâmetros
urbano,
para
elaboração
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