ANAIS A LIDERANÇA TRANSFORMACIONAL DO DOCENTE COMO FOMENTADORA DE MOTIVAÇÃO E CRIATIVIDADE: ESTUDO DE CASO PARA AUXILIAR PROFESSORES E ESTUDANTES NO PROCESSO ENSINOAPRENDIZAGEM NO CURSO DE ENGENHARIA MARCOS ROBERTO DE MENDONÇA PELLICIARI ( [email protected] , [email protected] ) ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS / USP EDSON WALMIR CAZARINI ( [email protected] , [email protected] ) ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS / USP 1. Introdução Desânimo, desmotivação, estresse e insegurança aparecem rotineiramente embutidos nos espaços ocupados pelos estudantes de engenharia. É necessária uma mudança do paradigma cultural que acompanha grande parte da estrutura verticalizada das instituições de ensino superior. Desenvolver a criatividade e ampliar o campo de visão dos docentes pode combater esses problemas, revertendo em um aumento exponencial da qualidade do processo ensino-aprendizagem nas disciplinas. O entendimento dos gestores das Instituições de Ensino Superiores (IES) dos ganhos em capacitar níveis estratégicos de sua organização (os professores universitários) com competências de uma liderança que fomente a motivação e criatividade, pode gerar essa necessidade da quebra do paradigma tradicional do ensino, que se alicerça na mera passagem de conteúdo aos estudantes (GRENIER; METES, 1995). O professor como líder transformacional pode gerar motivação nos estudantes pelo despertar de sua própria criatividade. O interesse por motivação e criatividade na área organizacional se deve, sobretudo, ao fato de que, para sobreviver e expandir, as organizações muitas vezes necessitam diversificar os seus produtos, antecipar as demandas de mercado, recrutar e reter bons empregados e melhorar a qualidade de seus produtos e serviços (ALENCAR, 1993). No ensino universitário, a maioria dos pesquisadores sobre a motivação, como Eble (1988) e McKeachie (1986), notam que os professores precisam ser criativos no desenvolvimento de técnicas de motivação para gerarem maiores níveis de comprometimento nos estudantes. A sociedade da informação acredita que os graduados não devem se ater apenas a conhecimentos específicos, mas também estejam aptos a aplicar este conhecimento para resolver problemas complexos de uma forma eficiente (ENGEL, 1997, POIKELA; POIKELA, 1997; SEGERS, 1996). A busca da pesquisa em educação visa, entre outros desafios, o de atingir esse objetivo por meio de formas de se motivar os estudantes a serem criativos e externalizarem sua máxima capacidade de reter e empregar o conhecimento adquirido. Transformar a organização em um local onde haja criatividade com vistas a gerar o despertar da motivação em uma equipe é aspecto do perfil de liderança transformacional (BASS; AVOLIO, 1994), que tem como características nata o carisma, a inspiração motivadora, a atuação individual e o estimulo intelectual, que conduzem os colaboradores não somente à conclusão de um desafio, mas extrapola o entendimento dos mesmos em relação aos assuntos tratados durante o ciclo de um projeto, como, por exemplo, um semestre de aula, gerando novos conhecimentos tácitos e explícitos (NONAKA; TAKEUCHI,1995) nos estudantes e contribuindo para a evolução dos mesmos enquanto seres humanos em seus papéis na sociedade do novo milênio. Não obstante, outros estilos de liderança são observados 1/15 ANAIS nas organizações, como a Liderança Transacional (AVOLIO; BASS; JUNG, 1999), que é baseada em dois fatores: recompensa eventual e gerenciamento por exceção, que pode ser ativa (quando um problema é identificado antes de se consolidar) ou passiva (quando um problema não é identificado a tempo, tendo de consolidar-se para o líder se atentar a ele) e a Liderança Laissez-faire (EAGLY; ENGEN; JOHANNESEN-SCHMIDT, 2003), que se distingue por total liberdade ao grupo ou decisão individual, sem qualquer influência do líder. Em relação a criatividade, subproduto oriundo de uma liderança transformacional, Ribeiro (1983) fala que provê ao indivíduo meios para um melhor ajustamento ao seu ambiente, com ganhos evidentes para a saúde mental. Mais ainda, habilidades criativas mais complexas facultam não só ao indivíduo criativo, mas a todo o seu grupo, viver melhor em seu meio físico e social. De tal modo, habilidades criativas são decisivas para a autonomia econômica e cultural de um povo (RIBEIRO, 1983) e sua utilização da forma correta pode acarretar em ganhos mensuráveis e imensuráveis no processo ensino-aprendizagem. Por outro lado, não se pode esquecer que o ciclo de aprendizagem demora a produzir resultados evidentes, logo, o professor como líder proativo não se deve deixar dominar pela impaciência uma vez que avaliações prematuras de um grupo conduzem a conclusões errôneas (COELHO, 2000). 2. Metodologia de pesquisa O estudo de caso múltiplo, holístico e qualitativo, de natureza empírica, foi utilizado como metodologia tendo na identificação de variáveis, geração de hipóteses e a investigação de fenômenos a caracterização da pesquisa como exploratória (YIN, 2001), objetivando identificar o perfil de liderança do professor e sua atuação na dimensão motivacional na percepção dos estudantes de duas turmas da graduação do curso de engenharia de produção da EESC-USP. Participaram da pesquisa realizada no segundo semestre de 2011, 85 (oitenta e cinco estudantes), sendo 50 (cinquenta) estudantes do 2º ano da disciplina de Sistemas de Informação (43 homens e 7 mulheres) e 35 (trinta e cinco estudantes) da disciplina de Sistemas de Apoio a Decisão do 4º ano (29 homens e 6 mulheres). O PBL (Problem-Based Learning) foi o método de ensino adotado pelo docente, onde o componente principal no processo ensino-aprendizagem é o estudante, que é exposto a situações motivadoras e que, por meio dos problemas, é conduzido a determinar objetivos de aprendizado cognitivo sobre os temas segundo os assuntos tratados (BERBEL, 1998). Ao final do semestre foi aplicado um questionário com a concordância dos estudantes, sendo os resultados analisados pelo discurso dos mesmos e por figuras advindas de gráficos de pizza obtidos pelos Itens Likert de 5 (cinco) níveis de resposta cada qual com uma cor diferente, de concordo plenamente a discordo plenamente, onde cada pedaço do gráfico continha uma numeração à esquerda demonstrando a quantidade de estudantes que optaram por aquela alternativa e à direita a respectiva porcentagem. A legenda para identificação dos estudantes em seus discursos foi assim elaborada: SI = Estudantes do 2º ano da disciplina de Sistemas de Informação e SAD = Estudantes do 4º ano da disciplina de Sistemas de Apoio a Decisão. Em seguida é identificado o grupo e o estudante. Ex: SI_G01_Alun01 = Disciplina Sistemas de Informação do 2º ano, Grupo 01, Estudante 01. Complementando, a análise do discurso escrito dos estudantes foi realizada, seguida de uma pesquisa bibliográfica para o levantamento das informações mais pertinentes dos temas em questão, fornecendo subsídios para o conhecimento sobre o que foi pesquisado, como e sob qual abordagem e/ou perspectiva foi tratado o assunto pela literatura científica na linha do tempo (ARAÚJO, 2003), permitindo identificar, conhecer e acompanhar a evolução do desenvolvimento científico no campo de pesquisa abordado pelo trabalho (NORONHA; FERREIRA, 2000). 2/15 ANAIS 3. Revisão da literatura 3.1. Liderança e motivação no processo ensino-aprendizagem da engenharia Toda organização necessita de uma visão de futuro que a norteie com vistas à manutenção ou crescimento de seus negócios. Uma vez que as organizações são feitas de pessoas, a visão de futuro nesse cenário se refere a um quadro do amanhã com algum comentário implícito ou explícito sobre por que essas pessoas devem se esforçar para criar esse futuro (KOTTER, 1996). As Instituições de Ensino Superior (IES) se enquadram perfeitamente nesse cenário onde a motivação deve estar presente para gerar a criatividade. Assim, independentemente do estilo de aprendizagem do estudante e sua inteligência básica, ele ou ela não vai aprender se não for motivado. Infelizmente, "ninguém pode ensinar nada a ninguém" se não houver motivação (KOLSTOE, 1975). O professor como líder poder gerar essa energia motivadora, e a estilo de liderança advindo da Teoria da Liderança Transformacional pode ser o caminho. A Liderança Transformacional é baseada em quatro fatores principais: a influência idealizada (ou carisma), a motivação inspiradora, a estimulação intelectual e a consideração individualizada (BASS; AVOLIO, 1994). Na engenharia em específico, os estudantes podem ter uma variedade de problemas de motivação. A cura muitas vezes depende do problema e do contexto no qual está inserido. Um resumo obtido do livro (WHAT WORKS, 1986) demonstra a importância da motivação para os estudantes de engenharia no momento que demonstra a realidade vivenciada pelo mesmo: a) O estudante não quer estudar engenharia ou mesmo ir para a faculdade. Um número surpreendente de estudantes está na engenharia por causa da pressão dos pais. O fracasso é uma forma de o estudante poder provar que os pais estão errados. Pesquisas mostram claramente que os estudantes que não acreditam na importância da educação têm menor sucesso na escola b) Em outro caso, o estudante não está sob pressão na engenharia, mas é incerto se a engenharia é a melhor escolha. Como os estudantes precisam ver significado em seus estudos, o esforço da motivação pode se concentrar nisso. Uma vez que propósito é incutido, esses estudantes podem tornar-se engenheiros excelentes c) Alguns estudantes deparam-se com muita competição nas aulas de engenharia e sentem que eles nunca são recompensados por seus esforços d) Problemas externos são esmagadores. Uma morte na família, problemas de saúde, dificuldades financeiras, problemas de relacionamento, e assim por diante, podem evitar que os estudantes sejam motivados em seus estudos e) O estudante torna-se muito ansioso durante os testes ou ao fazerem a lição de casa. O desconforto causado pela ansiedade excessiva pode reduzir a motivação. Alta tensão em testes é prejudicial a todos os estudantes, mas atinge as mulheres mais dificilmente do que os homens (MCKEACHIE, 1986). Ansiedade e estresse podem ser controlados por procedimentos de dessensibilização (por exemplo, fornecendo mais testes), por métodos de relaxamento e fornecendo ao estudante mais controle sobre a nota que ele ou ela vai ganhar f) O estudante quer apenas um diploma e não se importa em aprender o conteúdo das disciplinas. Embora o professor possa pensar que o estudante é motivado pela razão errada, essas motivações podem ser usadas para obter maior comprometimento nos 3/15 ANAIS processos de aprendizagem do estudante g) O estudante não é inteligente o suficiente. Coloca-se esta última razão, pois, ao contrário da opinião de muitos professores, a falta de capacidade intelectual raramente é a principal razão para a falta de motivação, embora possa contribuir. Um grupo significativo de pesquisas mostra que a realização de uma atividade específica é muitas vezes mais dependente de trabalho duro e autodisciplina do que da habilidade inata Combater esses problemas através de uma visão sistêmica da sala de aula e utilizandose de sua capacidade criativa, pode fazer com que o professor universitário da engenharia reverta essas situações, redirecionando os estudantes a alcançarem seus maiores potencias para um aprendizado de qualidade, que gere valor a si mesmo e para a sociedade (FELDER; BRENT, 2005). 3.2. O professor universitário da engenharia como líder criativo no desenvolvimento de técnicas de motivação Como visto anteriormente, a maioria dos pesquisadores sobre a motivação no ensino universitário, como Eble (1988) e McKeachie (1986), notaram em suas pesquisas que os professores precisam ser criativos no desenvolvimento de técnicas de motivação. É oportuno observarmos que os princípios da teoria da liderança transformacional (BASS; AVOLIO, 1994) se encaixam com compêndios de princípios de aprendizagem. Para comprovar tal fato, um resumo de habilidades a ser praticada pelo professor por meio de uma inteligência emocional em sala de aula foi elaborado para compreendermos a importância do docente dominar técnicas de liderança no ambiente da classe, gerando motivação através da criatividade do mesmo na condução dos desafios. Entre os princípios destacados por Chickering e Gamson (1987), Durney (1973) e Wales (1976), nos livros de Elbow (1986), McKeachie (1986) e Peters e Waterman (1982), e no manual What Works (1986), temos: a) Guiar o estudante. Certificar que os estudantes saibam os objetivos das aulas. Dizer qual vai ser o próximo passo. Proporcionar organização e estrutura adequada para o seu nível de desenvolvimento b) Desenvolver uma hierarquia estruturada de conteúdo. A organização do material deve ser clara, mas deve haver oportunidades para o estudante fazer alguma estruturação. O conteúdo deve incluir conceitos, aplicações e resolução de problemas c) Usar a aprendizagem visual, como imagens. A maioria das pessoas prefere a aprendizagem visual e têm melhor retenção de informações, que pode gerar novos conhecimentos, quando este modo é utilizado. Incentivar os estudantes a gerarem os seus próprios mecanismos auxiliares de aprendizagem visual é importante d) Verificar se o estudante é ativo. Os estudantes devem lidar ativamente com o material. Isto pode ser feito internamente ou externamente, por escrito ou falando e) Exigir prática. A aprendizagem de conceitos complexos, tarefas ou resolução de problemas exige a oportunidade de se praticar em um ambiente não ameaçador. Alguma repetição é necessária para tornar os estudantes rápidos e exatos na elucidação de tarefas 4/15 ANAIS f) Fornecer feedback. O feedback deve ser rápido e, se possível, positivo. Recompensa funciona muito melhor do que punição. Estudantes precisam de uma segunda chance para a prática após o feedback, a fim de se beneficiar plenamente a partir dele g) Ter expectativas positivas dos estudantes. Expectativas positivas e respeito do professor são altamente motivadores. Este é um princípio muito importante, mas não pode ser aprendido como um método. Um mestre realmente acredita que seus estudantes ou a sua equipe são capazes de grandes coisas h) Fornecer meios para que os estudantes atinjam o sucesso. Certificar que os estudantes tenham conhecimentos adequados, e na ausência desses, reforçar o ensino dessas lacunas. Dar tempo suficiente para o cumprimento das tarefas para que todos possam alcançar o sucesso, mas não esquecer que há um desafio para todos. Respeitar o tempo de cada um. O sucesso é muito motivador i) Individualizar o estilo de ensino. Utilize uma variedade de estilos de ensino e aprendizagem de exercícios para que cada estudante possa usar o seu estilo favorito, de modo que cada estudante se torne mais proficiente em todos os estilos j) Tornar a classe mais cooperativa. Use exercícios cooperativos, em grupo, que fortaleça os laços entre pessoas e o espírito de equipe. Não seguir um padrão absoluto para todos os grupos. Enxergar a classe de forma holística k) Pedir questões instigantes. Perguntas instigantes não têm de ter respostas. Fazer perguntas sem respostas pode ser particularmente motivador para os estudantes mais maduros l) Ser entusiasta e demonstrar a alegria para com a aprendizagem. O entusiasmo é motivador e ajuda os estudantes a aproveitarem as experiências sociais de uma sala de aula m) Incentivar a prática. Incentivar os estudantes a ensinarem outros estudantes n) Cuidar com zelo do que se está fazendo. O professor que coloca o ensino no automático não pode fazer um excelente trabalho o) Se possível ensinar separado da avaliação. Se uma pessoa diferente faz a avaliação, o professor pode se tornar um treinador e um aliado, cujo objetivo é ajudar o estudante a aprender Muito do visto pode ser atingido por meio da inteligência emocional do docente, que se destaca como elo integrador entre o líder e liderados, uma vez que atua na motivação ou desmotivação de uns para com os outros, sendo considerada um fator crítico de sucesso de um líder eficiente e eficaz. Na interpolação entre a inteligência emocional e os resultados advindos de seu correto entendimento, podemos verificar que muito do quesito motivação que dela advém está relacionado com a integridade moral dos agentes inseridos nos sistemas e a forma holística de se interpretar o universo ao redor, tanto em ambientes face a face como em ambientes virtuais de colaboração (PURVANOVA; BONO, 2009). O professor criativo, que gera motivação através da incorporação de um estilo de liderança, como a Transformacional, deve ter como competência o conhecimento das peculiaridades de cada estudante, e a diferença entre estudantes experientes (especialistas) e inexperientes (novatos). Como exemplo, Simon (1979) afirma em suas pesquisas que especialistas têm cerca de 50.000 pedaços de conhecimento especializado e padrões armazenados em seus cérebros de uma 5/15 ANAIS forma facilmente acessível, ao contrário dos inexperientes, que apresentam poucos conhecimentos. Figura 1 - Comparação do processo de aprendizagem entre inexperientes e especialistas Fonte - Adaptado de Wankat e Oreovicz (1992a) Uma comparação do processo de aprendizagem entre inexperientes e especialistas, acrescentando outras características para dar suporte ao professor universitário da engenharia, é apresentada na Figura 1. O especialista tem os conhecimentos ligados de alguma forma e não armazena fatos desconexos. Exercícios que exigem que os estudantes desenvolvam as árvores ou as redes neurológicas podem ajudá-los a formar ligações apropriadas (STAIGER, 1984). Segundo Staiger (1984) esse acúmulo de conhecimentos ligados requer cerca de 10 anos. Como não é possível acumular estas informações em quatro ou cinco anos, produzir especialistas não é uma meta realista para a educação em engenharia. No entanto, é razoável para moldar solucionadores de problemas proficientes que tenham o potencial para se 6/15 ANAIS tornarem especialistas, depois de mais tempo em seus campos de atuação. Estar capacitado em identificar essas nuances nos estudantes permite ao professor explorar com segurança qual a melhor estratégia para que o aprendizado efetivo seja alcançado pelos estudantes. Após uma análise mais acurada desses fatos, torna-se claro o quanto a capacitação do professor em dimensões da liderança transformacional pode gerar motivação aos estudantes por meio do alcance de uma visão sistêmica da sala de aula, que pode ajuda-lo a acender a sua chama criativa e acrescentar qualidade ao ensino da engenharia, uma vez que observamos na teoria a congruência entre a liderança, a motivação, a criatividade e a arte de ensinar e a arte de aprender. Motivar os estudantes a superarem seus problemas emerge como uma característica de um professor como líder transformacional no momento que o professor, por meio de uma visão holística da classe, pode identificar determinados traços de comportamento que possibilite ao mesmo atuar individualmente e com inspiração motivadora, de acordo com cada contexto (POUNDER, 2001). 3.3. O fator motivacional relacionado ao processo ensino-aprendizagem assim como aos estilos e estratégias de aprendizagem dos estudantes Aprender e ensinar na engenharia (FELDER; SILVERMAN, 1998) passa pelo paradigma do entendimento das diferenças de aprendizagem entre os estudantes (FELDER; BRENT, 2005). O professor como líder de uma equipe de estudantes deve dominar as dimensões dessas diferenças para que possa exercer sua função com uma qualidade mensurada pelo nível de aprendizado alcançado pelo estudante. O Grupo de Pesquisa Aprendizagem em Engenharia - APRENDE – Educação para o novo milênio, do Departamento de Engenharia de Produção da Escola de Engenharia de São Carlos, USP, que tem como finalidade “investigar e intervir nos processos de geração, modelagem, transferência e mensuração do conhecimento específico da Engenharia de Produção, em todas suas áreas de atuação” (APRENDE..., 2012), propõe a realização do mapeamento individual e das interfaces das seguintes áreas: Simulação e Integração Empresarial; Gestão do Conhecimento e Estilos de Aprendizagem e Formação de Competências. Como parte de seus estudos, sintetizaram ensinamentos identificados em leituras do Dr. Richard M. Felder (FELDER, 1996) e Dr. David Keirsey sobre o mapeamento dos estilos de aprendizagem e estratégias de aprendizagem. Estilo de Aprendizagem pode ser definido como a maneira pela qual cada pessoa percebe e processa as informações. Uma combinação de diversas dimensões psicológicas e cognitivas, em variadas intensidades, que nos fazem perceber e processar as informações de modo particular (APRENDE..., 2012). Nessa síntese identificaram que: O modelo de Felder enfatiza dimensões relacionadas ao aprender em atividades de ensino ou treinamento. Já o modelo de Keirsey está baseado em dimensões psicológicas, originadas em Jung. Os pares de dimensões propostos por Felder são: Ativo / Reflexivo; Sensorial / Intuitivo; Visual / Verbal; Seqüencial / Global (APRENDE..., 2012). Devido à complexidade do processo ensino-aprendizagem, cabe ao estudante identificar, por meio da análise de suas próprias dimensões de aprendizagem, como se programar mentalmente para a resolução de desafios entregues pelo professor (RAMSDEN, 1998). 7/15 ANAIS Conhecer-se a si mesmo, suas limitações e suas virtudes mais proeminentes fornece ao estudante de engenharia uma maior segurança no decorrer dos desafios acadêmicos. Entender que certas limitações não são desvios de intelecto, mas partes de uma estrutura intrínseca ao próprio ser, como os traços de personalidade, motiva o estudante a seguir adiante com o conhecimento de que pode superar determinadas situações em sala de aula na medida em que compreende melhor suas inseguranças e os porquês destas. O conhecimento, por parte do docente, dessas características inatas a cada estudante combate sua própria insegurança enquanto líder, fornecendo-lhe maior discernimento para conduzir os estudantes nos desafios. Um resumo do trabalho do Grupo APRENDE referente a esses casos em específico é exposto a seguir. Na Figura 2 é apresentada as dimensões Ativo/Reflexivo, um resumo de suas características e estratégias para que o estudante consiga se beneficiar com maior qualidade das aulas. A Figura 3 apresenta as dimensões Sensorial/Intuitivo, com as respectivas estratégias de ação. A Figura 4 apresenta as dimensões Visual/Verbal e a Figura 5 as dimensões Sequencial/Global. Cada dimensão, quando dominada no âmbito do conhecimento do professor, pode ser trabalhada criativamente pelo mesmo, gerando motivação e novas oportunidades de se praticar o ensino. Com essas informações, fica embasado teoricamente o conceito que o professor, atuando em dimensões de uma liderança já consolidada e fomentando a criatividade em sala de aula com o intuito de gerar motivação nos estudantes, pode intervir positivamente nos processos de ensino e aprendizagem de diferentes formas, conforme o contexto, como por exemplo, com a liderança transformacional (SHAHMANDI et al., 2011) segundo o perfil das dimensões de aprendizagem dos estudantes em sala de aula. Figura 2 - Dimensão ATIVO/REFLEXIVO. Estilos e estratégias segundo Grupo APRENDE – EESC – USP – Engenharia de Produção Fonte – Aprende... (2012) O trabalho do Grupo APRENDE, diagnosticando e sugerindo estratégias de atuação para os estudantes de acordo com suas dimensões de aprendizagem, fornece amparo ao professor universitário da engenharia para atuar com recursos e estratégias criativas para gerar motivação e, consequentemente, maiores possibilidades de aprendizado para os estudantes de engenharia. 8/15 ANAIS Figura 3 - Dimensão SENSORIAL/INTUITIVO. Estilos e estratégias segundo Grupo APRENDE – EESC – USP – Engenharia de Produção Fonte – Aprende... (2012) Figura 4 - Dimensão VISUAL/VERBAL. Estilos e estratégias segundo Grupo APRENDE – EESC – USP – Engenharia de Produção Fonte – Aprende... (2012) 9/15 ANAIS Figura 5 - Dimensão SEQUENCIAL/GLOBAL. Estilos e estratégias segundo Grupo APRENDE – EESC – USP – Engenharia de Produção Fonte – Aprende... (2012) 4. Resultados e discussão Kolstoe (1975, p. 61, tradução livre) nos afirma, conforme visto na pesquisa bibliográfica, que "ninguém pode ensinar nada a ninguém" se não houver motivação. Conforme verificado na Figura 6, 56% dos estudantes do 2º ano da graduação discordam, ou discordam plenamente, que houve motivação por parte do professor em sala de aula no decorrer da disciplina, ao mesmo tempo em que 22% concordam ou concordam plenamente que sim, houve motivação por parte do líder da disciplina. Em relação aos estudantes do 4º ano, a desmotivação foi pouco menos evidenciada, provavelmente por estarem mais aptos a enfrentarem problemas pela experiência adquirida nos anos. Bass e Avolio (1993) apontam a motivação inspiradora como uma das dimensões da liderança transformacional, que não foi identificada no docente. Assim, pela análise do estilo de 10/15 ANAIS liderança do docente da disciplina, o mesmo é apontado pelos estudantes de graduação da engenharia como um líder Laissez-faire, pelo índice de desmotivação das classes, que é validado pelo discurso dos estudantes e pela interpretação da Figura 7, onde é observado que 68% dos estudantes do 2º ano e 71% dos estudantes do 4º ano avaliaram o professor como um líder ausente, concordando ou concordando plenamente com a afirmação que ele deixou rolar, não interferindo nos processos inerentes às aulas. No livro What Works (1986) é dito que alguns estudantes encontram muita competição nas aulas de engenharia e sentem que eles nunca são reconhecidos por seus esforços. Migrando essa realidade para o contexto estudado na engenharia de produção da EESC-USP, o discurso de alguns estudantes do 2º ano demonstra mais claramente como foi identificado por eles o estilo de liderança do professor, validando o observado nas Figuras 6 e 7. Apenas ao final da disciplina foi percebido, por uma parte dos estudantes o quão importante e interessante era a disciplina. Uma pena, pois poderíamos ter aproveitado muito mais esse período. Sugiro que nas próximas turmas a equipe desenvolva uma metodologia mais eficiente para: Expressar o que queiram dos estudantes; avaliação precisa; motivar os estudantes; tornar a aula menos monótona; organizar o Moodle por datas das aulas e tarefas para cada data (SI_G01_Alun02). No entender do membro SI_G01_Alun02 é enunciado que somente ao final da disciplina foi percebido pelos estudantes a importância e o quanto interessante era a disciplina, sugerindo maior eficiência quanto à metodologia, maior motivação e comunicação mais assertiva. Fica evidenciado que, somando-se a esses aspectos, a falta de reconhecimento, fator desmotivador, contribuiu para a disciplina não ser relevante em aspectos motivacionais desde o começo. A falta de alinhamento da metodologia visto como confusa, foi fonte de desmotivação, o que remete novamente a uma análise do motivo de 56% dos estudantes do 2º ano terem apontado o professor como não motivador, explicitamente descrito pelo membro SI_G03_Alun04 em sua análise da disciplina no final do semestre, corroborado pelo discurso do membro SAD_G01_Alun04 do 4º ano, Acredito que o principal motivo dos problemas enfrentados foi a falta de motivação. Não tínhamos nenhuma expectativa em relação à disciplina. Nosso grupo foi o mais engajado entre os da classe, mas não me desenvolvi na disciplina. Essa motivação inclui tanto o lado ruim de forçar o estudante por notas quanto estimulá-lo a ter interesse em se aprofundar na matéria. A falta de rigidez na disciplina é muito desestimuladora. Aconteceu uma espécie de reação em cadeia nesse sentido. Houve a perda da credibilidade da matéria (SI_G03_Alun04). Muitas vezes houve confusão sobre o que deveria ser apresentado na aula seguinte (SAD_G01_Alun04). validando o descrito pelos membros de diferentes grupos SI_G04_alun03, SI_G05_Alun01 e SI_G05_Alun01, A disciplina foi mal ministrada. Havia conflito das informações passadas pelo professor e pelos monitores. Além disso, nunca ficava claro o que tínhamos de fazer e quais eram os objetivos dos trabalhos. O professor não motivou nem estimulou os estudantes a se interessarem pelo tema (SI_G04_Alun03). 11/15 ANAIS Faltou organização e comunicação entre professor, monitores e estudantes.. As aulas não era estimulantes, e o trabalho feito, poucas vezes foi reconhecido (SI_G05_Alun01). que são apoiados mesmo por estudantes que compreenderam a metodologia e observaram aspectos positivos nas críticas construtivas do professor para um melhor aprendizado, como os membros SI_G05_Alun04 e SI_G07_Alun05 Apesar de compreender a ideia da metodologia, acho que faltou motivação aos estudantes para se adequar a ela. Mas, uma vez que no início do semestre os estudantes sejam motivados, e se habituam a realizar trabalhos dentro do padrão, o resto do semestre teria uma melhor fluência (SI_G05_Alun04). O professor em algumas aulas abordou o mesmo assunto, retardando a programação de aulas; no entanto, regularmente fazia críticas construtivas para um melhor aprendizado (SI_G07_Alun05). Importante frisar que 22% dos estudantes da disciplina do 2º ano apontaram o professor como líder motivador, o que remete novamente à complexidade em sala de aula, uma vez que desses 22%, 10% eram membros de grupos com avaliações medianas, e não foram contaminados pelo efeito cascata apontado pelo elemento SI_G03_Alun04 em seu discurso: Acredito que o principal motivo dos problemas enfrentados foi a falta de motivação... Não tínhamos nenhuma expectativa em relação à disciplina... Nosso grupo foi o mais engajado entre os da classe, mas não me desenvolvi na disciplina... Essa motivação inclui tanto o lado ruim de forçar o estudante por notas quanto estimulá-lo a ter interesse em ser aprofundar na matéria... A falta de rigidez na disciplina é muito desestimuladora... Aconteceu uma espécie de reação em cadeia nesse sentido. Houve a perda da credibilidade da matéria (SI_G03_Alun04). Sem a motivação necessária o estudante não avança em busca do conhecimento, dificilmente atingindo a meta inerente às disciplinas, que é o aprendizado consolidado. Conduzir o aluno frente aos desafios e em meio à complexidade dos sistemas emerge como fator crítico de sucesso do docente na sala de aula, uma vez que o estilo Laissez-faire gerou confusão e perdas de oportunidades de aprendizagens. A passividade do docente bloqueia elementos motivadores que dele podem derivar, impedindo que o conhecimento seja disseminado de forma eficiente e eficaz, uma vez que atuará mais como disseminador de conteúdos pré-formatados do que fomentador do pensamento crítico do estudante, que estimula a criatividade. É importante que o docente indique o caminho a ser seguido pelo estudante, interpretando os perfis de aprendizagem das turmas, e sinalizando os contextos de aula com dicas assertivas, mesmo utilizando-se como método o PBL, para que o aluno siga motivado e sinta os processos de criação e aquisição de conhecimentos acontecendo em seus mapas mentais. Nonaka (1991) identificou a importância da liderança em seus estudos em organizações de vários fins, dizendo que cabe ao gestor direcionar os colaboradores frente aos desafios, o que aparenta ser também a verdade nas IES, na pessoa dos docentes. 12/15 ANAIS As pessoas não recebem um novo conhecimento de forma passiva; elas o interpretam ativamente, adaptando-o às suas próprias situações e perspectivas. Assim, o que faz sentido em um determinado contexto pode mudar ou até mesmo perder o sentido quando comunicado a pessoas de contexto diferente. Resultado: há confusão contínua quando um novo conhecimento é difundido em uma organização, cabendo ao gestor direcionar essa confusão para a criação do conhecimento (NONAKA, 1991, p. 99). Uma vez que os contextos de aula vão sendo decodificados pelo docente e transmitidos aos estudantes, a disseminação do conhecimento necessário torna-se mais propicia, gerando motivação e processos criativos nos alunos, o que não ocorreu devido ao estilo de liderança adotado pelo docente. 5. Conclusão O perfil de liderança observado no professor foi o Laissez-faire, o que gerou desmotivação e perda de oportunidades de aprendizado pelos estudantes, mais acentuadamente nos do 2º ano, menos experientes em resolução de problemas. Conforme visto, a motivação assume um papel importante entre as competências do professor universitário da engenharia, podendo atuar como meio para obtenção de uma classe de aula mais propensa a adquirir um aprendizado consolidado por meio de estratégias criativas. Para atuar com criatividade e obter a coesão dos estudantes em uma sala de aula, o professor pode beneficiar-se utilizando de competências de uma liderança transformacional, que se opõe à Laissez-faire, e que tem como característica global a de conduzir os liderados a superarem suas próprias expectativas, criando novos valores positivos, que se bem disseminados, pode atuar construtivamente frente aos desafios de uma sociedade que necessita cada vez mais de soluções proativas no decorrer de sua evolução. Para alcançar o estágio de consolidar o aprendizado no estudante, o docente necessita de estratégias para motivá-los. Conhecendo os processos de ensino e aprendizagem, e também os estilos e estratégias de aprendizagem dos estudantes, o professor adquire recursos para reger a sala de aula criativamente, podendo disseminar seus conhecimentos tácitos explorando as capacidades individuais, e de grupo, do universo da sala de aula. A capacitação do professor em dimensões de uma liderança transformacional cria um sistema de recompensa benéfico a si e aos estudantes, uma vez que as mudanças globais estão cada vez mais rápidas e presentes, e a adaptação se faz necessária para suas realizações profissionais e pessoais, que melhor seriam se vindas da sua participação na transformação da sociedade por meio da sala de aula. É importante frisar que o método de ensino PBL pode ter influenciado a avaliação do docente pelos estudantes, uma vez que determinadas formas de sua aplicação enfatiza a busca do conhecimento pelos alunos, que se tornam responsáveis pela construção do próprio aprendizado, sem fatores limitantes como materiais didáticos pré-formatados ou passagem apenas de conteúdos, paradigma atual do ensino. Mesmo com a intenção de se fazer valer o método PBL, pistas colhidas durante a pesquisa sugerem que os estudantes da engenharia ainda necessitam por parte do docente de uma atuação e acompanhamento mais individual, com estimulo intelectual e motivação em prol da criatividade, dimensões de uma liderança transformacional, mais enunciadas nos estudantes menos experientes, como os do 2º ano. Referências ALENCAR, M. L. S. Criatividade. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1993. 13/15 ANAIS APRENDE educação para o novo milênio. Disponível em:<http://www.prod.eesc.usp.br/aprende/mapeamento.htm>. Acesso em: 16 jan. 2012. ARAÚJO, L.Z.S. Aspectos éticos da pesquisa científica. Pesqui Odonol Bras 2003; 17(Suppl 1):57-63, 2003. AVOLIO, B.J.; BASS, B.M.; JUNG, D.I. Re-examining the components of transformational and transactional leadership using the Multifactor Leadership Questionnaire. Journal of Occupational and Organisational Psychology, 72, 441-462, 1999. BASS, B.M.; AVOLIO, B.J. 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