UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA TABLETS NA SALA DE AULA – UM DESAFIO PARA PROFESSORES E ALUNOS; UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA CONSCIENTE. Por: Eliane Melichio Motta Orientador Prof. Mary Sue Pereira Rio de Janeiro 2012 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA TABLETS NA SALA DE AULA – UM DESAFIO PARA PROFESSORES E ALUNOS; UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA CONSCIENTE. Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Tecnologia Educacional. Por: Eliane Melichio Motta. 3 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por estar sempre comigo e proteger minha família. Agradeço à minha mãe que tem me ajudado e apoiado em todos os momentos da vida. Agradeço aos meus alunos, que me fazem pensar em mudanças na educação, e também aos professores e meus colegas de turma do Curso de Tecnologia Educacional 4 DEDICATÓRIA Esse trabalho é dedicado, especialmente, ao Chico, meu marido, que cuida de mim, e é um grande incentivador do meu trabalho e do meu estudo. Dedico também aos meus filhos, que só me dão alegrias e me enchem de orgulho por ser sua mãe. 5 RESUMO Esse trabalho tem por objetivo buscar fundamentação para analisar o uso do tablet na sala de aula como ferramenta pedagógica a fim de que se construa conhecimento através de compartilhamento de informações e interatividade. O estudo analisa o papel do professor na sociedade de informação e a necessidade cada vez maior de que ele seja mediador, orientador, e não um simples transmissor de conhecimento. Além disso, ressalta a importância da mudança de paradigmas nas práticas pedagógicas e educativas, e que, tanto os professores quanto as escolas entendam que o conhecimento deve ser compartilhado e que as tecnologias digitais proporcionam conexões hipertextuais, aprendizagem colaborativa, criação conjunta e produção, transformando alunos espectadores em protagonistas de sua formação. 6 METODOLOGIA Os métodos que levaram ao problema proposto e à sua resposta foram pesquisas que tiveram como fontes de consulta livros, revistas, artigos publicados e endereços eletrônicos na internet. Foram priorizados para o estudo os autores da pedagogia contemporânea e a leitura de livros, artigos e entrevistas que abordam o uso das tecnologias na construção do conhecimento da sociedade de informação. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I Como romper o paradigma das práticas docentes baseadas na transmissão do conhecimento. 10 CAPÍTULO II Porque as tecnologias devem ser integradas às atividades pedagógicas. 20 CAPÍTULO III Como o tablet pode ser usado a serviço da aprendizagem. 30 CONCLUSÃO 40 BIBLIOGRAFIA 42 ÍNDICE 46 8 INTRODUÇÃO Com as novas tecnologias computacionais, a comunicação de massa, que predominava na revolução industrial, dá lugar a uma comunicação onde a recepção não é mais passiva diante da emissão. Numa comunicação dialógica, os papéis desempenhados pelo emissor e pelo receptor estão interligados. A recepção passa a ser indagadora, questionadora e autônoma. As mudanças na sociedade e as novas tecnologias alteram a maneira de ensinar e de aprender. Os jovens de hoje, nativos digitais, querem respostas mais imediatas. O acesso à internet proporciona a pesquisa síncrona. Não há mais espaço para práticas de ensino de massa, com mera transmissão de conhecimentos e de informações lógicas e sequenciais. Ao invés disso, o professor passa a ser um mediador. Ele não é mais a fonte do conhecimento, e sim um guia para se chegar a ele. As leituras passam a ser hipertextuais, de multimídia, de pesquisar para aprender e aprender a pesquisar. A escola precisa se adequar a esse novo momento. As novas tecnologias da informação e comunicação não só podem como devem ser transformadas em ferramentas de aprendizado, criando oportunidades de ensino mais significativas e desenvolvendo a capacidade do aprendiz de coparticipar da construção do seu conhecimento e de atuar no mundo. Além de leve e fácil de transportar, o tablet e sua interface sensível ao toque proporciona experiências mais ricas em sala de aula e incentiva a pesquisa, já que, havendo uma rede disponível, os alunos podem fazer buscas no momento da aula, participando efetivamente da construção do seu conhecimento. Além disso, o tablet armazena dados, possibilita que todo o material didático como livros, apostilas, dicionários, estejam sempre à disposição para serem utilizados, barateia os custos com material impresso e desperta o interesse, pois mostra conteúdos de forma mais atraentes e dinâmicas devido aos recursos de vídeo, som, imagem e texto. 9 Vale ressaltar que a utilização do tablet, assim como de qualquer outra tecnologia em sala de aula, requer planejamento e preparação dos professores. Mudanças nas práticas pedagógicas, conhecimento da ferramenta e dos recursos que ela oferece e capacidade de mediar, são fatores primordiais para que se alcance objetivos educacionais. Não se trata, apenas, de usar o tablet como livro digital, mas de fazer uso de todos os recursos dos quais a ferramenta dispõe para o desenvolvimento intelectual do aprendiz e sua vontade de aprender mais. Segundo Paulo Freire (2001) enquanto se tem curiosidade como inquietação indagadora, como inclinação ao desvelamento de algo, continua-se buscando, reprocurando. 10 CAPÍTULO I COMO ROMPER O PARADIGMA DAS PRÁTICAS DOCENTES BASEADAS NA TRANSMISSÃO DO CONHECIMENTO Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, “a educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social”. Cabe à escola não só assegurar às pessoas conhecimentos necessários para que se tornem seres produtivos e consigam trabalhar e viver no mundo sempre em desenvolvimento, mas também formar cidadãos críticos que saibam de sua importância na sociedade e de sua atuação no meio em que vivem. Assim sendo, o aluno não pode ser mero receptor passivo de informações. Ele tem que participar do processo, ser agente, formar opinião, desenvolver autonomia e criar condições para continuar buscando mais conhecimento. A sala de aula precisa ser um local de construção de conhecimento, de coparticipação, de troca, de aprendizagem coletiva. O professor com toda sua bagagem cultural e domínio de conteúdo, deve saber adequar suas práticas pedagógicas para ser um mediador, um orientador, um incentivador da pesquisa. “A relação dialógica não anula, como às vezes se pensa, a possibilidade do ato de ensinar. Pelo contrário, ela funda este ato, que se completa e sela no outro, o de aprender, e ambos só se tornam verdadeiramente possíveis quando o pensamento crítico, inquieto, do educador ou da educadora não freia a capacidade de criticamente também pensar ou começar a pensar do educando.” (FREIRE, 1992, p. 118) 11 1.1 – A escola na linha do tempo Na Grécia antiga, a escola era o local onde as pessoas iam para dialogar e refletir. A escola era o lugar do ócio, onde jovens da elite grega se reuniam para argumentar e entender o mundo. Nas conversas em banquetes e reuniões se dava a transmissão da cultura grega que se baseava no desenvolvimento individual do ser humano. Na idade Média, o espaço escolar passou a ser usado para se professar a fé, e o professor tinha a tarefa de doutrinar. Interesses religiosos dominavam a cultura e a educação. Surgiu, então, a forma de escola que conhecemos: com professor e alunos. Disciplinas como Latim, gramática, Aritmética, Filosofia passaram a ser ministradas além da fé católica. Apareceram, também, primeiras universidades, as ainda com educação conservadora e o dualismo entre as classes da elite e do povo. O período Renascentista foi marcado pelo surgimento de uma nova classe social: a burguesia. Avanços tecnológicos como a bússola e a imprensa estreitaram distâncias. Como desenvolvimento da ciência, algumas questões passaram a ter explicações diferentes daquelas que eram dadas de acordo com o pensamento da igreja e acreditava-se que a razão era a única forma de se conhecer o mundo e o homem. No Iluminismo, essa razão foi acompanhada por um espírito crítico, de preparar o homem para viver em sociedade. O pensamento racional libertava do poder, da irracionalidade, de ideias religiosas e se concentrava no desenvolvimento do ser humano e da vida diária. Surgiram na Europa as escolas públicas, que preparavam as crianças, de forma laica e gratuita, para o exercício da cidadania e para um novo regime político-social. “ Do ponto de vista ideológico-cultural, a Modernidade opera uma dupla transformação: primeiro, de laicização, emancipando a mentalidade – sobretudo das classes 12 altas da sociedade – da visão religiosa do mundo e da vida humana e ligando o homem à história e à direção do seu processo ( a liberdade, o progresso); segundo , de racionalização, produzindo uma revolução profunda nos saberes que legitimam e se organizam através de um livre uso da razão....(CAMBI, 1999, p. 197-198) Foi com a Revolução Industrial que o povo, em geral, começou a ser alfabetizado, já que havia a necessidade de preparar as pessoas para o trabalho, para serem mais produtivos, criando-se assim um modelo tradicional de educação. E essa educação em massa separava cada vez mais os ricos dos pobres, criando uma hierarquia nas relações sociais. O objetivo da escola não era educar ou dar uma educação de qualidade, e sim formar as pessoas para realizarem tarefas, capacitá-las para um determinado ofício, qualificar os operários para o trabalho nas fábricas e a serviço do sistema capitalista. Nesse tipo de visão, segundo Simone de Beauvoir o objetivo é “transformar a mentalidade dos oprimidos e não a situação que os oprime.” ( Apud FREIRE, 1987). “ O educador que aliena a ignorância, se mantém em posições fixas, invariáveis. Será sempre o que sabe, enquanto os educandos serão sempre os que não sabem. A rigidez destas posições nega a educação e o conhecimento como processos de busca.” (FREIRE, 1987 p. 34) Observa-se que o aprendizado, as disciplinas ensinadas, os conteúdos a serem aprendidos estão sempre relacionados à época e ao que nela acontece, às questões políticas, econômicas, sociais e científicas de cada período da história e aos filósofos, estudiosos e pesquisadores que, em cada época, deixaram suas marcas e contribuições pedagógicas. 13 “ ... a história das disciplinas escolares, a história dos programas escolares e a história das ideias e das práticas pedagógicas, o que os professores ensinam ( os “saberes a serem ensinados”) e sua maneira de ensinar ( o “saberensinar”) evoluem com o tempo e as mudanças sociais. No campo da pedagogia, o que era “verdadeiro”, “útil” e “bom” ontem já não o é mais hoje. (TARDIF, 2002, p. 13) Ainda nos dias de hoje encontramos alguns vestígios da educação tradicional, porém novas práticas pedagógicas e metodologias de ensino passam a enfocar não só o indivíduo, mas também seu envolvimento social, político e ideológico. O homem não pode ser dissociado do meio. Teorias sócio-construtivistas definem um novo papel para o professor e para o aluno. Homens e mulheres devem ser os sujeitos da construção de sua história, seus protagonistas, e sua formação se dá de forma coletiva e participativa. Autores como Jean Piaget, Lev Vygotsky e Paulo Freire, entre outros, dão forma a educação contemporânea. “ ensinar não é a simples transmissão do conhecimento em torno do objeto ou do conteúdo. Transmissão que se faz muito mais através da pura descrição do conceito do objeto a ser mecanicamente memorizado pelos alunos...ensinar implica, pois, que os educandos, em certo sentido, “penetrando” o discurso do professor, se apropriem da significação profunda do conteúdo sendo ensinado... Por isso, ensinar é um ato criador, um ato crítico e não mecânico.” (FREIRE, 1992, p. 81) Somando-se a essas teorias, mais recentemente, a Neurociência aplicada à Pedagogia, traz uma revolução para o meio educacional. O estudo do cérebro vai ajudar a entender como se dá o processo de aquisição de 14 conhecimento, como desenvolvemos inteligência e que fatores são primordiais para termos motivação, interesse em saber, concentração, atenção, vontade. O conhecimento dos processos neurais, de como reagimos a estímulos e como o que aprendemos é armazenado, ou seja, aprender como o cérebro aprende, contribui para soluções de conflitos e transforma a aprendizagem em algo significativo. “ Estudar a Neurociência aplicada à Pedagogia é fazer uma releitura dos Teóricos da Educação que tanto auxiliaram no fazer em sala de aula. É reconhecer que a neuropsicopedagogia é uma ciência, que trata do desenvolvimento químico, estrutural, funcional, patológico, comportamental do sistema nervoso para poder ter uma visão sistêmica e integradora do estudante.” ( RELVAS, 2007) As tecnologias de informação modificaram a forma de se organizar e armazenar informações, a velocidade com que temos acesso a essas informações e o compartilhamento. Vivemos, hoje, na sociedade da informação e conhecimento, uma sociedade que aprende usando formas novas, outros caminhos e de forma continuada, participativa e compartilhada. Segundo Carly Fiorina a “tecnologia irá literalmente transformar cada aspecto dos negócios, cada aspecto da vida e cada aspecto da sociedade.1” (Apud SOLOMON, 2007) 1.2 – O Trabalho Docente O trabalho docente não tem um molde pronto. As pessoas, objetos desse trabalho, possuem características diferentes que exigem, por vezes ou senão quase sempre, práticas e metodologias diferentes. A heterogeneidade de histórias, culturas, interesses, religião, meio social e afetivo dos alunos 1 Tradução livre 15 requer preparo e capacidade de gerenciar relações, resolver problemas e criar estratégias de interação por parte do professor. “...Comecemos por um fato incontestável: enquanto grupo social, e em virtude das próprias funções que exercem, os professores ocupam uma posição estratégica no interior das relações complexas que unem as sociedades contemporâneas aos saberes que elas produzem e mobilizam com diversos fins.” (TARDIF, 2010, p.33). O objeto de trabalho do professor é um ser humano e, sendo assim, existe uma necessidade de constante aprofundamento, de saber agir, de saber o que ensinar, de ter ética e respeito. Exige não só preparação intelectual, para prover os alunos de instrução adequada, mas também preparação emocional, uma vez que a relação social faz parte do trabalho e o aspecto afetivo é fundamental para a relação saudável. “ ... Contrariamente ao operário de uma indústria, o professor não trabalha apenas um “objeto”, ele trabalha com sujeitos e em função de um projeto: transformar os alunos, educá-los e instruí-los.” (TARDIF, 2010, p.13). Segundo José Manoel Moran, a educação precisa de educadores que sejam não só preparados intelectualmente, mas também equilibrados emocionalmente. Devem ser curiosos e ter entusiasmo. Pessoas que consigam motivar e saibam criar situações dialógicas e que enriqueçam aqueles com quem tem contato. O trabalho do educador envolve comprometimento com descobertas e com a formação integral do ser humano. O papel do professor nessa sociedade deixa de ser de mero transmissor de conhecimentos e passa a ser de mediador do processo. O professor não é mais indispensável para se ter informações. Com a internet, as interfaces, ou seja, com as tecnologias de hoje, as informações podem ser adquiridas por 16 qualquer pessoa em qualquer momento e em qualquer lugar. Cabe ao professor mediar esse processo, ajudar os alunos a construírem conceitos e valores e estimular pesquisas. O professor deve ser um incentivador do estudo, para que as pessoas que estão ajudando a formar sejam interessadas, valorizem o saber e tenham desejo de aprender. “ A aquisição da informação dependerá cada vez menos do professor. As tecnologias podem trazer hoje dados, imagens, resumos de forma rápida e atraente. O papel do professor – o papel principal – é ajudar o aluno a interpretar esses dados, a relacioná-los, a contextualizálos. O papel do educador é mobilizar o desejo de aprender, para que o aluno se sinta sempre com vontade de conhecer mais. ( MORAN, 2007, p. 33) 1.3 – Rompendo paradigmas O conhecimento liberta. A capacidade de pensar, refletir, indagar e responder traz libertação. A consciência de que há a necessidade do autoconhecimento e do conhecimento do universo em que se vive para poder participar ativamente dos processos pertinentes às questões humanas, faz com que as pessoas não se contentem mais em ser espectadoras e não aceitem mais determinadas regras impostas por uma classe dominante. A percepção de que o pouco saber gera exclusão e opressão faz com que o homem reflita e indague. E, a medida que encontra respostas, surgem outras perguntas e, numa sucessão de perguntas e respostas, ele vai se descobrindo e descobrindo o mundo e passa, então, a se tornar um ser participativo. “Mais uma vez os homens, desafiados pela dramaticidade da hora atual, se propõem a sim mesmos, como problema. Descobrem que pouco sabem de si, de seu 17 “posto no cosmos”, e se inquietam por saber mais. Estará, aliás, no reconhecimento do seu pouco saber de si uma das razões desta procura. Ao instalar-se na quase, senão trágica descoberta do seu pouco saber de si, se fazem problema a eles mesmos. Indagam. Respondem, e suas respostas os levam a novas perguntas.” (FREIRE, Paulo, 1987, p. 16) Hoje, a escola concorre com as mídias, com o consumismo exagerado e com os grupos de referência. O professor precisa se atualizar e modificar sua forma de atuar. Ele não é mais o detentor da informação. As informações chegam rapidamente a qualquer pessoa. Os alunos não são mais os mesmos devido a todas as transformações ocorridas na sociedade, na tecnologia, na ciência, enfim, no mundo. As práticas pedagógicas devem se adequar a esse novo aluno. Modelos pedagógicos tradicionais, convencionais, não podem mais continuar a ser aplicados. Segundo Mário Sérgio Cortella, a escola prepara para o futuro e não se pode continuar agindo do mesmo modo que se agia anos atrás. Ainda segundo Cortella, é exatamente devido a todas as mudanças sociais, científicas, tecnológicas e humanas que uma nova visão de educação e novos conceitos vão surgir, o que ele chama de “momentos grávidos”. O trabalho do professor precisa ser reorientado, uma vez que acontecem mudanças no mundo, ou seja, os momentos graves da educação geram novas ideias, novas propostas de reflexão. Não se pode continuar com práticas que são características da educação bancária, citada por Paulo Freire. Nesse tipo de prática, os conteúdos são depositados ou transferidos para o educando de forma fragmentada, são compartimentados, separados uns dos outros, tendo o professor como o detentor do saber e os alunos como seres passivos, como espectadores do processo. Não se pode mais pensar numa educação onde o 18 aluno decore fórmulas, memorize fatos, repita conceitos. Ele precisa entender a história, refletir sobre ela, cruzar conhecimentos de uma forma transversal e multidisciplinar. Além disso, professores podem juntar competências entre eles e entre eles e os alunos. “ Na escola dos meus sonhos, a interdisciplinaridade permite que os professores de Biologia e de Educação Física se complementem; a multidisciplinaridade faz com que a História do livro seja estudada a partir da análise de textos bíblicos; a transdisciplinaridade introduz aulas de meditação e dança e associa a história da arte à história das ideologias e das expressões litúrgicas.” ( FREI BETTO) O professor precisa ter humildade e reconhecer que não sabe tudo, precisa ser professor-aprendiz. Deve entender que o aprender não tem fim, que o aprendizado é contínuo e que a educação precisa ser dialógica. O conhecimento não é monopólio de uma pessoa ou de um grupo, não é exclusividade de ninguém. Ele precisa ser construído e compartilhado coletivamente. “ Se somos professores-aprendizes inovadores, podemos combinar roteiros previsíveis, trilhados com diferentes estratégias e caminhos, com roteiros semidesconhecidos, em que não somos tão especialistas e em que propomos que o grupo esteja mais atento para aprendermos juntos, para utilizar todas as experiências prévias de todos, para trocar mais informações. ( MORAN, 2007, p. 84) O professor é um mediador entre o sujeito e o objeto do aprendizado, orientando e estimulando para que seus alunos possam construir valores, habilidades, atitudes e para que possam atuar na sociedade enquanto 19 cidadãos conscientes do seu papel. Alunos precisam gostar de pesquisar, precisam querer saber, gostar de ler. Despertar interesses, o prazer pelo conhecimento, desenvolver habilidades e competências é, sem dúvida, um desafio. Fazer com que o aluno consiga tornar a informação algo significativo, que ele saiba selecionar as informações importantes, e que saiba escolher fontes de referência e pesquisa também é desafiador. Além do desenvolvimento social e cognitivo pelo qual o aluno passa, há seu desenvolvimento enquanto ser humano, enquanto ser pensante e crítico. A transformação do aluno é também de mudança de atitude perante o outro e perante o mundo. Sendo assim, o professor deve pensar sobre suas práticas para a formação desse sujeito. “Na educação o foco, além de ensinar, é ajudar a integrar ensino e vida, conhecimento e ética, reflexão e ação, a ter uma visão de totalidade. Educar é ajudar a integrar todas as dimensões da vida, a encontrar nosso caminho intelectual, emocional, profissional, que nos realize e que contribua para modificar a sociedade que temos.” (MORAN, MASETO e BEHRENS, 2010, p. 23) Precisamos potencializar a inteligência dos nossos alunos. Seus cérebros se moldam de forma diferente. A aprendizagem tem que ser estimulada. Isso demanda tempo. O envolvimento afetivo também é um aspecto fundamental para que se alcancem objetivos. E, para conseguir tudo isso, o professor tem que se preparar. Ele deve estudar muito e sempre, deve ter formação continuada, deve saber como a aprendizagem acontece, se dedicar para buscar novas metodologias, novas formas de fazer e, segundo Relvas, “correr riscos”, mudar as práticas usadas durante tanto tempo e que sempre foram consideradas de “sucesso” e “corretas”, romper paradigmas e gostar de ler e pesquisar. 20 CAPÍTULO II PORQUE AS TECNOLOGIAS DEVEM SER INTEGRADAS ÀS ATIVIDADES PEDAGÓGICAS No momento do seu surgimento, a escrita era uma nova-tecnologia que permitiu que as experiências e as histórias fossem registradas, a fim de que não se perdesse a memória de uma sociedade ou de uma civilização. A escrita mudou a forma como as pessoas percebiam a realidade e a forma de aprender. Ela também criou uma condição de verdade única, onde o sentido do que está escrito é sempre mantido. “No universal fundado pela escrita, aquilo que se deve manter imutável pelas interpretações, traduções, difusões, conservações, é o sentido. O significado da mensagem deve ser o mesmo em toda parte, hoje e no passado.” (LÉVY, 1999, P. 115) A imprensa, o rádio, a televisão, o cinema ampliaram o limite de alcance das informações. As chamadas “mídias de massa” permitem que as mensagens sejam lidas, ouvidas ou vistas por milhões de pessoas. Segundo Pierre Lévy, o objetivo é fazer apenas com que os receptores exercitem sua capacidade interpretativa. Hoje, as novas tecnologias são as mídias digitais, aquelas ligadas ao mundo computacional e, em especial, a Web 2.0. Elas tornam possível o compartilhamento das informações e a produção conjunta. Várias fontes de informação podem ser acessadas, o mundo se estreita, pensamentos opostos são confrontados, competências mobilizadas. Vivenciamos a inteligência coletiva. 21 2.1 – As mídias não digitais na sala de aula As diferentes mídias – jornal, TV, rádio, DVD – possibilitam um conhecimento maior sobre o mundo. A utilização desses recursos midiáticos em sala de aula geram diálogos que podem enriquecer conhecimentos, criar reflexões e questionamentos que ajudam a se ter uma nova ótica sobre a realidade e, dessa forma, ter o poder de transformação. Essas mídias são recursos que podem ser usados para dinamizar o processo ensinoaprendizagem: além de motivar, elas permitem uma relação dialógica, com troca de saberes, e consequentemente uma aprendizagem significativa. Para tanto, o professor não deve se apropriar dessas mídias para usálas apenas como meio de leitura ou de interpretação do que já está pronto, porque dessa forma não há relação dialógica. A ideia não é usar essas mídias como substitutas da voz do professor, mudando apenas a forma de transmitir ou relatar fatos e conteúdos, pois assim, o aluno continuará sendo aprendiz passivo, sem participação no processo. Para que a utilização dessa mídias seja uma prática desafiadora, que atenda às expectativas da sociedade atual, do mundo moderno, do novo aluno que é multitarefa, urge que se criem projetos na escola, que as aulas sejam preparadas e pensadas, que os conceitos apresentados sejam discutidos, debatidos, numa troca constante entre professor e aluno e entre os próprios alunos. “A imagem, o som e o movimento oferecem informações mais realistas em relação ao que está sendo ensinado. Quando bem utilizadas provocam alteração dos comportamentos de professores e alunos, levando-os ao melhor conhecimento e maior aprofundamento conteúdo estudado. (KENSKI, 2007, p.45) do 22 A interdisciplinaridade e a multidisciplinaridade são trabalhadas no momento em que o mundo é apresentado aos alunos, no momento em que eles observam e analisam as situações do cotidiano de muitas pessoas. Adquirem senso crítico em relação ao uso e abuso de produtos anunciados e também aos interesses capitalistas que existem por trás de ideias apresentadas pelas propagandas. Percebem as dificuldades intrínsecas no que diz respeito às relações sociais quando são expostos a elas por esses tipos de mídia. Com isso, eles podem construir conceitos de Linguagem, de Química, Artes, conceitos espaciais, históricos e geográficos e filosóficos. “A escola dos meus sonhos não briga com a TV, mas leva-a para a sala de aula: são exibidos vídeos de anúncios e programas e, em seguida, analisados criticamente. A publicidade do iogurte é debatida; o produto adquirido; sua química, analisada e comparada com a fórmula declarada pelo fabricante; as incompatibilidades denunciadas, bem como os fatores porventura nocivos à saúde. O programa de domingo é destrinchado: a proposta de vida subjacente, a visão de felicidade, a relação animador-plateia, os tabus e preconceitos reforçados, etc. Em suma, não se fecham os olhos à realidade, muda-se a ótica de encará-la. Há uma integração entre escola, família e sociedade.” ( FREI BETTO) O aluno tem que ser protagonista de sua formação e de seu desenvolvimento. A escola baseada no falar-ditar do mestre, na explicação teórica, tão criticada por Paulo Freire, dá lugar a uma escola onde o professor crie possibilidades para que o aluno possa produzir e construir seu próprio conhecimento. Segundo Moran, “a aprendizagem precisa cada vez mais incorporar o humano, a afetividade, a ética, mas também as tecnologias de pesquisa e comunicação em tempo real”. ( 2007, p. 24 – 25 ) 23 2.2 – Vivendo na Cibercultura Segundo Pierre Lévy, a popularização dos computadores criou alterações na sociedade. Quando os computadores pessoais passaram a ser usados pela massa da sociedade, quando a internet passou a conectar esses computadores usados por tantas pessoas numa grande rede, quando as pessoas começaram a trocar informações através desse meio, surge o ciberespaço. Ainda segundo Pierre Lévy, a internet cria uma revolução social e cultural. O computador e a internet mudam a forma das pessoas se comunicarem e também provocam mudanças no pensamento, na percepção de mundo, nos valores e atitudes, na memória, enfim, alteram todas as dimensões do ser humano. A isso se dá o nome de “cibercultura”. “ O “ciberespaço” é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Quanto ao neologismo “cibercultura” especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço.” (LÉVY, 1999, p.17) Apesar de poderem ajudar no processo de formação do educando, as mídias não digitais permitem, apenas, uma leitura linear, sequencial, não simultânea, na maioria das vezes assíncrona, que ajuda a construir conceitos e reflexões apenas com base no que se lê e no que se pode interpretar a partir dessa leitura. Essa nova sociedade transformada e transformadora que surge 24 com as tecnologias de comunicação e informação, com as mídias digitais, chamada por alguns de sociedade pós-moderna, sociedade da informação, a cibercultura, é para André Lemos, a “cultura da leitura e da escrita, de uma forma ampla”. No ciberespaço e na cibercultura, podemos ler mais, ler em diferentes línguas, ler sobre outros povos e culturas. Porém não ficamos restritos à leitura; somos autores, participamos, produzimos conteúdo. Podemos criar blogs, participar de trocas de experiências em salas de bate papo, criar páginas de forma colaborativa, produzir softwares livres e jogos, postar vídeos, fazer comentários, enfim, participar, escrever. “ O ciberespaço é o “hipertexto” mundial interativo, onde cada um pode adicionar, retirar e modificar partes dessa estrutura telemática, como um texto vivo, um organismo auto-organizante”. (SILVA , 2011, p. 81) O hipertexto, segundo Wendel Freire, rompe os limites de margens e páginas, aumentando o horizonte interpretativo. É possível se fazer conexões, se estabelecer relações tanto textuais como simbólicas, combinar sons, imagens, movimentos, ou seja, um conjunto de possibilidades de conexões, de redes de articulação. O emissor pode criar um espaço que pode ser modificado pelo receptor, de acordo com o caminho que ele escolhe para seguir na leitura que não é mais linear, mas sim, interativa, hipertextual. “O leitor do hipertexto é também o seu autor, já que escolhe o seu percurso por hiperlinks, que ligam diferentes textos e contextos. O leitor que se faz usuário do texto reflete, interfere, questiona, flexibiliza-se no diálogo com o que é seu, na troca com o que é alheio e na abertura de outros textos, independentes do suporte que os abriga.” (FREIRE, W., 2012, p. 19-20) “... a interatividade, uma das características primordiais do 25 hipertexto, aqui entendida como a possibilidade de interação flexível, de relação recíproca dos interlocutores numa situação de diálogo.” (SILVA Apud SANTOS e ALVES, 2006, p.82) A interatividade passou a ser a nova modalidade comunicacional desde o final do século XX, transformando a forma de comunicação passiva para a interativa. É uma manifestação da sociedade de informação, da cibercultura. As novas tecnologias digitais facilitam a comunicação dialógica. Interagir não é simplesmente enviar mensagens, é entender que a mensagem não está acabada, que pode ser manipulada, modificada, associada a outra e depois a outra e assim sucessivamente, num movimento de idas e vindas. “Interatividade significa libertação do constrangimento diante da lógica da transmissão que predominou no século XX. É o modo de comunicação que vem desafiar a mídia de massa - rádio, cinema, imprensa e TV – a buscar a participação do público para se adequar ao movimento das tecnologias interativas. É o modo de comunicação que vem desafiar professores e gestores da educação, igualmente centrados no paradigma da transmissão, a buscar a construção da sala de aula onde a aprendizagem se dá com a participação e cooperação dos alunos.” (SILVA Apud SANTOS e ALVES, 2006, p.82-83) Pierre Lévy afirma que a inteligência humana é aumentada e modificada pelo computador. Os alunos passam a poder ler mais, a poder pesquisar de outras formas e isso acaba acarretando uma mudança na maneira de pensar. Segundo ele estamos vivendo um momento de trocas e de contatos e as interconexões estabelecidas são não só físicas, mas também informacionais, materiais e virtuais. 26 2.3 – As tecnologias digitais e a competência coletiva As mudanças acontecem com muita rapidez no mundo de hoje. As tecnologias de informação e conhecimento ( TICs) e a Web 2.0 criam um cenário de participação, onde leitores se transformam em autores. Receptores são também emissores. Num emaranhado de redes que interagem entre si, surgem as relações entre pessoas que possuem vivências diferentes, apresentam conhecimentos diferentes, histórias diversas e que podem ser contadas no momento em que estão acontecendo. Deixamos de ter uma leitura fragmentada para ter uma leitura híbrida, num construir e desconstruir, fazendo conexões e desconexões. Essa é a característica do hipertexto: não ser linear, de ser interativo. “ Com a Web 2.0, a cibercultura ganha contornos mais concretos. Conceitos como inteligência coletiva, nova ecologia dos saberes, grupoware, comunidade virtual de aprendizagem apresentados por Pierre Lévy no início da década de 90, são hoje, ações e projetos concretos.” (SANTOS, 2010, p. 123) Segundo Mário Sérgio Cortella, há cerca de 20 anos, considerava-se que cada pessoa tinha uma competência, ou seja, era algo individual e a competência de alguém terminava quando terminava a do outro, como se tivéssemos que pausar o intelecto de alguém para que outra pessoa pudesse agir, pensar ou se posicionar. Hoje, sabemos que a competência de um acaba quando a do outro acaba, ou seja, a competência de um indivíduo está diretamente ligada à do grupo de indivíduos. Ao juntarmos competências podemos construir algo muito melhor. A coletiva. isso chamamos de competência 27 A competência coletiva é a consciência e capacidade de refletir, pensar e agir conjuntamente. Num “link” de ideias, conexões hipertextuais, o conhecimento deve ser compartilhado, dividido para ser somado, construído coletivamente. O conhecimento de um se soma ao conhecimento de outro que se soma a de outro, construindo-se a competência coletiva, a inteligência coletiva. Segundo Paulo Freire “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”. (1987, p. 39) E é com base nessa competência coletiva que devemos pensar o processo educacional. Professores e alunos devem se preocupar em desenvolver processos cooperativos de aprendizagem. Alunos e professores aprendem uns com os outros, buscam informações e opiniões diversas, confrontam ideias, abordam questões simples e complexas, sempre pensando e agindo em grupo. A Web 2.0, as novas ferramentas e interfaces permitem a interatividade. O aluno interage de uma forma colaborativa, produtiva, participativa, como agente do processo, e é capaz de potencializar as informações e transformá-las em conhecimento. Os projetos escolares e até os conteúdos de cada disciplina devem articular todas as tecnologias e as plataformas midiáticas para atingir comunicação e aprendizagem. Desenvolver a vontade de pesquisar, o interesse em participar e até de construir coletivamente, é fundamental para a formação do indivíduo e para a educação cidadã. “ Com a Web 2.0, podemos vivenciar mais concretamente a inteligência coletiva porque dispomos de soluções informáticas concretas, gratuitas e de acesso livre, e também, a fenômenos culturais estruturados por e com estas tecnologias, como as redes sociais mediadas por interfaces digitais e softwares sociais, a exemplo dos 28 blogs, das Wikis, MSN, Skype e dos ambientes on-line de aprendizagem.” (SANTOS, 2010, P. 124) Essa nova perspectiva de comunicação resulta em mudança de paradigmas na educação. Diante da valorização da relação dialógica, de colaboração, participativa e interativa, os professores precisam se apropriar das ferramentas ou interfaces para promover curiosidade, questionamento, interesse pelo saber. Para isso, os professores devem ter conhecimentos sobre as possibilidades oferecidas pelo recurso tecnológico e saber utilizá-lo para que o aluno construa seu conhecimento. “O professor que busca interatividade com seus alunos propõe o conhecimento, não o transmite. Em sala de aula, é mais que um instrutor, treinador, parceiro, conselheiro, guia, facilitador, colaborador. É formulador de problemas, provocador de situações, arquiteto de percursos, mobilizador das inteligências múltiplas e coletivas na experiência do conhecimento.” (SILVA, 2011, p. 99) Segundo Wendel Freire, não só os professores, mas também todos aqueles que estão, de forma direta ou indireta, ligados às atividades escolares: pais, alunos e gestores, precisam caminhar na mesma direção em que o mundo das tecnologias caminha, ou seja, todos precisam romper barreiras e resistências para que a escola possa usar as mídias digitais em favor do aprendizado e da aquisição de conhecimento. Essa mudança é cultural e necessária. Pierre Lévy diz ser necessária a avaliação de três aspectos para refletir sobre mudanças dos sistemas de educação e de formação na sociedade de informação: “a velocidade de surgimento e de renovação de saberes”, que segundo ele, faz com que competências adquiridas no início da carreira de alguém passem a ser obsoletas ao final dessa carreira; “ a nova natureza do 29 trabalho, cuja parte de transação do conhecimento não para de crescer”, ou seja, trabalhar é aprender, transmitir e produzir conhecimento; que “ o ciberespaço suporta tecnologias intelectuais que amplificam, exteriorizam e modificam numerosas funções cognitivas humanas”, aumentando o potencial da construção da inteligência coletiva. Novos paradigmas são necessários para estarem em acordo com essa nova forma de aprender e saber. Práticas pedagógicas devem ser pensadas de modo a se moldarem às singularidades que possam ser encontradas. Programas prontos, definidos e que não podem ser alterados não produzirão resultados. “Devemos construir novos modelos do espaço dos conhecimentos. No lugar de uma representação em escalas lineares e paralelas, em pirâmides estruturadas em “níveis”, organizadas pela noção de pré-requisitos e convergindo para saberes “superiores”, a partir de agora, devemos preferir a imagem de espaços de conhecimentos emergentes, abertos, contínuos, em fluxo, não lineares, se reorganizando de acordo com os objetivos ou os contextos, nos quais cada uma ocupa uma posição singular e evolutiva.” ( LÉVY, 1999, p. 158) 30 CAPÍTULO III COMO O TABLET PODE SER USADO A SERVIÇO DA APRENDIZAGEM Ao longo da história podemos perceber evoluções claras no que se refere ao uso de ferramentas e mídias que auxiliam nas práticas pedagógicas e que são marcas culturais, sociais e do desenvolvimento: o uso do lápis e do caderno e o fato de cada aluno ter o seu; o surgimento do livro didático e a necessidade de ser usado individualmente para que cada estudante pudesse ter seu próprio meio de consulta e estudo; e agora, um computador por aluno. Para McLuhan “o meio é a mensagem” ( Apud TORI, 2010, p. 37). Diferentes mídias podem ser usadas para transmitir uma mesma mensagem, porém cada uma delas proporciona uma experiência diferente, uma vez que o processo físico, o processo de leitura e o processo cognitivo diferem de uma mídia para outra. As condições que cada uma oferece nos dá a capacidade de entender, interpretar, reagir e interagir de uma forma diferente, variando a influência que tem sobre a aprendizagem. Robert Kozma afirma que a mídia para ter influência na aprendizagem tem que permitir que o aluno colabore ativamente do processo de construção do seu conhecimento. Para ele, a mídia usada na sala de aula não é um veículo de entrega ou distribuição de conhecimento, mas sim uma ferramenta que auxilia na sua construção. “As capacidades de um determinado meio, em conjunção com métodos que tirem vantagem disso, interagem com e influenciam as maneiras com que os aprendizes representam e processam informação, e podem resultar em mais ou em diferente aprendizagem, quando um meio 31 é usado comparado a outro, para certos aprendizes e tarefas”. 2 (KOZMA, R.B. 1991) As novas mídias digitais são usadas em todos os setores da sociedade: em casa, no trabalho, nos bancos, nos shoppings, e precisam, então, fazer parte do universo da escola. A escola deve se apropriar das novas ferramentas e interfaces e, modificando as práticas, estimulando o pensamento, a interatividade, a colaboração e a produção, deve desenvolver a autonomia do educando no seu processo de aprendizagem. “Estudantes são hoje mais influenciados pela mídia porque há novas mídias com maiores capacidades (computador) e velhas mídias se tornaram mais onipresentes. Eu considero que a nova mídia está transformando as maneiras de se fazer educação. Consequentemente está mudando como os adultos e crianças encaram a educação”. (Apud TORI, 2010, p. 39) “Estudantes, professores e administradores vivem num mundo digital fora da escola. Essa realidade externa está tendo um impacto no que acontece dentro da sala de aula”.3 (DEDE & RICHARDS, 2012, p. 5) Os tablets podem integrar os mundos dentro e fora da escola e também mudar o suporte escrito do papel para o digital. Para Pierre Lévy, o livro didático e o caderno serão, possivelmente, substituídos por outras tecnologias: computadores, tablets ou outras plataformas: “É difícil dizer o que será a civilização no futuro. Aquilo que vamos construir não é imaginável agora. Estamos em um momento de grande transformação cultural”. 2 3 Tradução livre Tradução livre 32 3.1 – Mobilidade, acessibilidade e interatividade O tablet é uma das mais modernas invenções de computador de mão no mundo computacional. Com o formato de prancheta e uma tela virtual, que funciona como mostrador e como meio de entrada de dados, por ser sensível ao toque, esse aparelho vem invadindo o mercado e é o primeiro da lista de preferências dos alunos. “Na pergunta “Qual dos aspectos a seguir você acha que é o mais importante para a “Escola do Futuro?”, foram coletadas 2.125 respostas e os resultados foram: tablet PC (29,8%), sensibilidade ambiental, economia de energia (13,1%) , recursos audiovisuais e novas tecnologias (12,8%), mudança no papel do educador (9,7%), prédio/campus novo ( 9,6%, participação ativa do estudante (7,8%), trabalho em equipe,comunicação e colaboração (6,9%), aprender a aprender ( 6,9%) , outro (3,4%).” 4 (LYTRAS et al, 2010, p. 630) Na lista de dispositivos móveis como celulares, notebooks e netbooks, o tablet está ganhando espaço dentro das salas de aula. Por ser pequeno e leve, ele é fácil de transportar e pode ser levado para qualquer lugar. O aluno aprende na escola e fora dela. As aulas, as pesquisas, os trabalhos, as discussões, podem continuar fora da sala de aula, proporcionando o contato com o conhecimento a qualquer momento e em qualquer lugar e de forma compartilhada. “Então, não se trata apenas de aprender dentro da escola. O conhecimento passa a estar disponível para o aluno todo o dia: ele pode aprender a qualquer momento, pode tirar fotos em qualquer lugar, levá-las para a sala de aula, discuti-las com amigos, mostrá-las aos professores. É um 4 Tradução livre 33 grande passo o fato de que podemos armazenar todas essas informações em um celular ou um tablet e depois usá-las em prol da educação.” (CHRISTOPHER DEDE) Soma-se a essa mobilidade, o fato do tablet poder conter todo o material didático necessário para as aulas. Livros, apostilas e cadernos podem ser digitais e interativos. Essa migração do conteúdo impresso para o digital, segundo Joan Vinnal-Cox, tem maior impacto em leituras acadêmicas: o movimento do olhar na leitura não é apenas da esquerda para a direita, mas também de cima para baixo; páginas podem ser marcadas com um simples toque no marcador; anotações podem ser feitas; partes do texto podem ser destacadas e coladas em um trabalho de análise ou interpretativo. E todas as modificações feitas pelo leitor ficam disponíveis para ele sempre que “abrir” o mesmo livro ou o mesmo texto.5 A fácil conexão com a internet, banda larga e sem fio, faz com que o tablet proporcione acesso à leitura de livros, jornais, revistas e a outras fontes que podem servir de pesquisa. O acesso ao ciberespaço permite criar um ambiente de sinergia e que multiplica as competências. “Ubiquidade da informação, documentos interativos interconectados, telecomunicação recíproca e assíncrona em grupos e entre grupos: as características virtualizantes e desterritorializantes do ciberespaço fazem dele o vetor de um universo aberto.” (LÉVY, 1999, p. 49-50) Numa construção hipertextual, o conhecimento é adquirido por novas conexões, novas mensagens, abrindo janelas, fazendo links que vão se associando a outras ideias, de uma forma não linear e, até certo ponto, inacabada. 5 Tradução livre 34 A escola do século XXI precisa estar em sintonia com esse novo aluno multitarefa, nativo digital, que, ao ler um texto pode se interessar pelo autor e suas obras e, num toque de tela, passar a pesquisar e aprender. Ele pode estar conectado à internet sem fio e pode interagir com a lousa digital da sala de aula ou com as interfaces usadas pelo professor e até mesmo com os outros colegas. “Em síntese, cada vez são mais difundidas a forma de informação multimídica ou hipertextual e menos lógicosequencial. As crianças e os jovens estão totalmente sintonizados coma multimídia e, quando lidam com texto, fazem-no mais facilmente com o texto conectado através de links, de palavras-chave, o hipertexto. Por isso o livro se torna uma opção inicial menos atraente; está competindo com outras formas mais próximas da sensibilidade deles, das suas formas mais imediatas de compreensão”. ( MORAN et al, 2010, p. 21) A experiência de aprendizagem com dispositivos móveis como o tablet oferece também flexibilidade, possibilitando ao aluno acessar informações de formas diferentes, ler textos, examinar imagens, assistir vídeos e, até mesmo, buscar informações em outras mídias, usando outras tecnologias. Isso serve tanto para dar motivação quanto para exercitar todas as habilidades humanas. Segundo MORAN (2010), “o processo de aprendizagem abrange o desenvolvimento intelectual, afetivo, o desenvolvimento de competências e de atitudes”. Uma dos maiores atributos dos dispositivos móveis é a interatividade. A interatividade gera comunicação, troca e participação. O acesso à Web 2.0 pode proporcionar a criação de ambientes de pesquisa, participação, reflexão e cooperação entre professores e alunos. Numa convivência entre texto e 35 hipertexto, o aprendiz busca sentido e constrói caminhos, se modifica e modifica o que está ao seu redor. “O emissor disponibiliza a possibilidade de múltiplas redes articulatórias: não propõe uma mensagem fechada, ao contrário, oferece informações em redes de conexões, permitindo ao receptor ampla liberdade de associações e de significações”. (SILVA, 2010, p. 189) 3.2 – Novas tecnologias, novas práticas Com todos os recursos tecnológicos da atualidade, com os dispositivos móveis na mão do aluno, ele pode acessar as informações desejadas, pode navegar na internet, pode interagir com o conteúdo e com seus colegas. Porém para que essas tecnologias tragam mudanças significativas na aprendizagem, há necessidade de se criar conhecimentos, mecanismos e estratégias que possibilitem seu uso efetivo e eficaz. Escola e professores precisam pensar em práticas, metodologias, projetos pedagógicos direcionados para as habilidades que se quer alcançar. O maior desafio que se encontra é em relação ao entendimento de que educar não significa transmitir informações de uma forma organizada, com conteúdos fragmentados de diferentes áreas. Não basta apenas mudar o material pedagógico e continuar com práticas antigas da educação bancária tão criticada por PAULO FREIRE (1987). “Os educadores pensam em tecnologia como mágica e acreditam que apenas usando o computador ou a internet coisas boas vão acontecer. Na educação as coisas não funcionam dessa forma.” (CHRISTOPHER DEDE) 36 As atividades em sala de aula precisam ser dinâmicas e capazes de estimular a participação efetiva dos alunos. O uso dos tablets oportuniza o trabalho em equipe, a solução de ideias em conjunto, o compartilhamento de informações e imagens. Mais importante do que o aluno saber resolver um determinado problema porque ele memorizou a fórmula, é ele saber como buscar respostas para vários problemas. Aulas planejadas e projetos definidos podem incluir as redes sociais no processo de aprendizagem. Criar grupos de discussão, onde os alunos possam postar vídeos e textos e produzir em conjunto, faz da mídia social um contexto interativo, de participação e consequentemente de aquisição de autonomia para construção de conhecimento. A diversidade de aplicativos que podem ser instalados no tablet permite visualização de mapas interativos, organização pessoal, produção textual, gravação de áudio e diversas outras funções. A aula pode ser gravada e acessada sempre que necessário. Anotações pessoais podem ser organizadas de uma forma prática e facilmente acessadas. E, todos esses dados podem ser compartilhados entre os próprios alunos e entre os alunos e o professor, permitindo que se crie a consciência e a capacidade de refletir, pensar e agir conjuntamente, criando-se a competência coletiva. Para que professores, escola e alunos possam usufruir de todos os benefícios dessa tecnologia, a escola precisa criar a infraestrutura necessária para o dinamismo das aulas e o professor precisa saber mediar o processo, mostrar aos alunos os objetivos a serem alcançados no contexto pedagógico. “ Os alunos do futuro serão pessoas criativas, abertas e colaborativas. Ao mesmo tempo, serão capazes de se concentrar com uma mente disciplinada. É necessário equilibrar os dois aspectos: a imensidão das informações disponíveis, colaborações e contatos; com planejamento, 37 realização de projetos, disciplina mental e concentração.” ( PIERRE LÉVY) Pesquisadores e programadores tem se empenhado na tarefa de criar programas e projetos direcionados para o uso das tecnologias digitais como ferramentas de aprendizagem. Alguns programas podem ser instalados em diferentes tipos de tablets e podem garantir planejamento de aula, compartilhamento de informações, exercícios interativos e avaliação. “... contém um curso abrangente de sequências de aprendizagem guiada que inclui atividades, apresentações multimídia, exercícios e jogos. Antes da aula, o professor usa a ferramenta de planejamento para a preparação; durante a aula ele usa recursos multimídia para apresentar um assunto, um programa especial para explorar um conceito, e pratica exercícios. Depois da aula, o professor pode examinar o progresso de cada aluno e o desempenho da turma, e começar o processo de preparar as próximas aulas”. 6 (DEDE & RICHARDS, 2012, p. 10) 3.3 – O tablet mudando o ambiente de aprendizagem Os tablets estão, de fato, transformando o mundo e a sala de aula e estão produzindo impactos positivos em situações específicas de aprendizado. Em algumas escolas na Coreia há um tablet, um teclado e uma caneta eletrônica sobre a mesa de cada aluno. Esse tablet está conectado à internet e à lousa digital usada pelo professor. O livro escolar é digital e está disponível em cada tablet. A explicação do professor pode ser acompanhada pelo tablet e também na lousa digital. As respostas aos exercícios propostos são enviadas automaticamente à lousa eletrônica quando os alunos digitam suas respostas. 6 Tradução livre 38 Além disso, eles também podem entrar na internet para satisfazer a curiosidade sobre um determinado assunto. Há uma completa mudança de paradigmas na prática docente. Alunos estão motivados a encontrar respostas por eles mesmos. Há um aumento da concentração dos alunos em sala de aula e mais interesse em participar. Lee Chang-Gon, pesquisador do Serviço de Informação e Pesquisa de Educação da Coreia, afirma que “com o desenvolvimento de tecnologias de informação, a educação se tornará mais direcionada às necessidades individuais.” Ainda segundo esse pesquisador, o órgão em que trabalha está pesquisando métodos de ensino efetivos e materiais para os livros escolares digitais, a fim de se adaptar às mudanças. Os tablets também estão sendo usados para auxiliar no desenvolvimento de habilidades, no aprendizado e na comunicação de alunos com alguma incapacidade física ou neurológica. A tela sensível ao toque facilita mais o acesso ao mundo virtual do que um teclado ou um mouse, e o fato de ser brilhante e interativa faz com que exerça uma atração maior em alunos com necessidades especiais. Com imagens coloridas e sons que prendem a atenção das crianças, essa ferramenta explora e aumenta sentidos e emoções. Programas com finalidades específicas permitem que essa ferramenta auxilie portadores de necessidades especiais a terem uma vida melhor e também para que possam se integrar no mundo digital. Alguns aplicativos já foram especialmente projetados para pessoas que possuem dificuldades cognitivas, neurológicas ou motoras. Pessoas com dificuldades para falar ou escrever podem usar o tablet para expressar sentimentos, desejos ou dúvidas, apenas num toque na tela. Alunos com dificuldades visuais podem se valer de programas de voz que falam com os estudantes a medida que eles interagem com o tablet. Crianças com dificuldade cognitiva tem acesso a aplicativos com imagens associadas a sons ou falas que podem ser a voz do pai ou da mãe. 39 Segundo Chad Udell, especialista em projeto e desenvolvimento de aplicativos interativos, “a medida que mais e mais desenvolvedores, editores e educadores perceberem os benefícios dos tablets, a gama de oportunidades para alunos com dificuldades especiais só continuará a crescer.” O tablet também é usado no MIT. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts introduziu o uso dos tablets nos projetos de robótica e numa competição de construção de robôs. Isso facilitou a comunicação entre alunos de diferentes origens e idiomas, acabou com o amontoado de papéis que muitas vezes eram perdidos, e possibilitou maior rapidez no pensamento dinâmico e na troca de ideias entre os alunos. As modificações feitas no projeto original podiam ser feitas com cores diferentes, podiam ser compartilhadas, apagadas, editadas, mas o projeto continuava intacto para ser acessado a qualquer momento. A mobilidade do tablet também foi fundamental para dar maior dinamismo ao trabalho. Os alunos transportavam seus aparelhos para mostrar aos outros as suas ideias, para expor projetos em apresentações de Power Point em telões presentes no ambiente. O tablet podia ser ligado a uma impressora para imprimir desenhos e ser levado para a máquina onde iriam fazer peças para seus robôs. Ou seja, o tablet se mostrou eficiente em vários aspectos dentro desse ambiente no MIT. Segundo o Professor de Engenharia Mecânica do MIT, Alex Solcum, o tablet aumentou dramaticamente a criatividade e a efetividade. “Ele tem o potencial de realmente mudar o modo como as pessoas interagem com o papel”. John Williams, Professor de Engenharia Ambiental e Engenharia Civil do MIT, diz que a experiência mostrou que o tablet é um aparelho impressionante.7 7 Tradução livre 40 CONCLUSÃO O processo de evolução humana faz com que haja também uma evolução na forma de se comunicar. A comunicação passou por uma mudança significativa ao longo dos anos. As informações chegaram por meios diferentes durante diferentes períodos da história da humanidade: oralidade, pergaminho, imprensa, mídias não digitais e mídias digitais. As tecnologias modificam a forma como vemos o mundo e atuamos nele. As tecnologias da inteligência, que armazenam e processam representações, possibilitam evolução cultural e favorecem iniciativa e participação. As conexões pela internet permitem que as pessoas compartilhem conhecimento e produzam de forma conjunta, construindo uma inteligência coletiva. A escola, como espaço organizado para ensino-aprendizagem, também precisa se adequar a esse novo momento, principalmente no que se refere ao seu papel de formadora e transformadora. O papel do professor e da escola passa a ser de despertar curiosidades, de motivar para a pesquisa, de desenvolver habilidades, competências e senso crítico para formar um cidadão consciente que participe efetivamente da vida em sociedade. O uso das tecnologias digitais em sala de aula é um movimento sem volta, pois estão tão presentes fora dos muros da escola que precisam estar, também, dentro delas. As informações são adquiridas através das novas mídias e não mais apenas na escola. Os saberes se multiplicam e os meios digitais tem um papel fundamental nesse contexto. Como mediador do processo, o professor motiva, estimula reflexão, dá sentido à busca e ao conhecimento e a escola passa a ser um espaço de exploração e de descobrimento. 41 O tablet é o equipamento de destaque usado como ferramenta pedagógica nas salas de aula. Flexibilidade, mobilidade, acessibilidade e interatividade, fazem dessa tecnologia um provável substituto de livros e cadernos. Num só aparelho o aluno pode ter o livro didático em forma digital e aplicativos que permitam que ele faça anotações, assista vídeos, leia livros, revistas, jornais, acesse imagens e mapas. A fácil conexão com a internet permite que as informações e conhecimentos adquiridos sejam compartilhados e somados, e que também, escolhendo seu percurso através de hiperlinks, o aluno se transforme em autor num ambiente de competência coletiva. Já existem aplicativos para tablet que atendem as necessidades do mundo educacional, assim como programas que conectam o aparelho à lousa digital usada pelo professor. Livros didáticos já estão passando do formato de papel para o digital. Cabe às escolas envolver essa tecnologia em seu projeto pedagógico e determinar objetivos definidos para o uso da ferramenta. Políticas pedagógicas, capacitação de professores, ambiente com infraestrutura adequada vão permitir explorar todo o potencial de interatividade e portabilidade dos tablets a fim de que ele seja usado para a construção permanente do conhecimento. 42 BIBLIOGRAFIA CAMBI, Franco. História da Pedagogia. Tradução de Álvaro Lorencini. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1999. COLEÇÃO Memória da Pedagogia n. 2: Lev Vygotsky. Editor Manuel da Costa Pinto. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005. DEDE, Christopher; RICHARDS, John. Digital Teaching Platform: customizing classroom learning for each student. New York: Teachers College Press, 2012. DEDE, Christopher. Dispositivos movies podem revolucinar a educação. 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