UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
AVM FACULDADE INTEGRADA
TABLETS NA SALA DE AULA – UM DESAFIO PARA
PROFESSORES E ALUNOS; UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA
CONSCIENTE.
Por: Eliane Melichio Motta
Orientador
Prof. Mary Sue Pereira
Rio de Janeiro
2012
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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
AVM FACULDADE INTEGRADA
TABLETS NA SALA DE AULA – UM DESAFIO PARA
PROFESSORES E ALUNOS; UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA
CONSCIENTE.
Apresentação de monografia à AVM Faculdade
Integrada como requisito parcial para obtenção do
grau de especialista em Tecnologia Educacional.
Por: Eliane Melichio Motta.
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AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus por estar sempre
comigo e proteger minha família.
Agradeço à minha mãe que tem me
ajudado
e
apoiado
em
todos
os
momentos da vida.
Agradeço aos meus alunos, que me
fazem
pensar
em
mudanças
na
educação, e também aos professores
e meus colegas de turma do Curso de
Tecnologia Educacional
4
DEDICATÓRIA
Esse trabalho é dedicado, especialmente,
ao Chico, meu marido, que cuida de mim,
e é um grande incentivador do meu
trabalho e do meu estudo.
Dedico também aos meus filhos, que só
me dão alegrias e me enchem de orgulho
por ser sua mãe.
5
RESUMO
Esse trabalho tem por objetivo buscar fundamentação para analisar o
uso do tablet na sala de aula como ferramenta pedagógica a fim de que se
construa conhecimento através de compartilhamento de informações e
interatividade.
O estudo analisa o papel do professor na sociedade de informação e a
necessidade cada vez maior de que ele seja mediador, orientador, e não um
simples transmissor de conhecimento.
Além disso, ressalta a importância da mudança de paradigmas nas
práticas pedagógicas e educativas, e que, tanto os
professores quanto as
escolas entendam que o conhecimento deve ser compartilhado e que as
tecnologias digitais proporcionam conexões hipertextuais, aprendizagem
colaborativa, criação conjunta e produção, transformando alunos espectadores
em protagonistas de sua formação.
6
METODOLOGIA
Os métodos que levaram ao problema proposto e à sua resposta foram
pesquisas que tiveram como fontes de consulta livros, revistas, artigos
publicados e endereços eletrônicos na internet.
Foram
priorizados
para
o
estudo
os
autores
da
pedagogia
contemporânea e a leitura de livros, artigos e entrevistas que abordam o uso
das tecnologias na construção do conhecimento da sociedade de informação.
7
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
08
CAPÍTULO I
Como romper o paradigma das práticas docentes
baseadas na transmissão do conhecimento.
10
CAPÍTULO II
Porque as tecnologias devem ser integradas às
atividades pedagógicas.
20
CAPÍTULO III
Como o tablet pode ser usado a serviço da
aprendizagem.
30
CONCLUSÃO
40
BIBLIOGRAFIA
42
ÍNDICE
46
8
INTRODUÇÃO
Com as novas tecnologias computacionais, a comunicação de massa,
que predominava na revolução industrial, dá lugar a uma comunicação onde a
recepção não é mais passiva diante da emissão. Numa comunicação dialógica,
os papéis desempenhados pelo emissor e pelo receptor estão interligados. A
recepção passa a ser indagadora, questionadora e autônoma.
As mudanças na sociedade e as novas tecnologias alteram a maneira
de ensinar e de aprender. Os jovens de hoje, nativos digitais, querem respostas
mais imediatas. O acesso à internet proporciona a pesquisa síncrona. Não há
mais espaço para práticas de ensino de massa, com mera transmissão de
conhecimentos e de informações lógicas e sequenciais. Ao invés disso, o
professor passa a ser um mediador. Ele não é mais a fonte do conhecimento, e
sim um guia para se chegar a ele. As leituras passam a ser hipertextuais, de
multimídia, de pesquisar para aprender e aprender a pesquisar.
A escola precisa se adequar a esse novo momento. As novas
tecnologias da informação e comunicação não só podem como devem ser
transformadas em ferramentas de aprendizado, criando oportunidades de
ensino mais significativas e desenvolvendo a capacidade do aprendiz de
coparticipar da construção do seu conhecimento e de atuar no mundo.
Além de leve e fácil de transportar, o tablet e sua interface sensível ao
toque proporciona experiências mais ricas em sala de aula e incentiva a
pesquisa, já que, havendo uma rede disponível, os alunos podem fazer buscas
no momento da aula, participando efetivamente da construção do seu
conhecimento. Além disso, o tablet armazena dados, possibilita que todo o
material didático como livros, apostilas, dicionários, estejam sempre à
disposição para serem utilizados, barateia os custos com material impresso e
desperta o interesse, pois mostra conteúdos de forma mais atraentes e
dinâmicas devido aos recursos de vídeo, som, imagem e texto.
9
Vale ressaltar que a utilização do tablet, assim como de qualquer outra
tecnologia em sala de aula, requer planejamento e preparação dos
professores. Mudanças nas práticas pedagógicas, conhecimento da ferramenta
e dos recursos que ela oferece e capacidade de mediar, são fatores primordiais
para que se alcance objetivos educacionais. Não se trata, apenas, de usar o
tablet como livro digital, mas de fazer uso de todos os recursos dos quais a
ferramenta dispõe para o desenvolvimento intelectual do aprendiz e sua
vontade de aprender mais. Segundo Paulo Freire (2001) enquanto se tem
curiosidade como inquietação indagadora, como inclinação ao desvelamento de
algo, continua-se buscando, reprocurando.
10
CAPÍTULO I
COMO ROMPER O PARADIGMA DAS PRÁTICAS
DOCENTES BASEADAS NA TRANSMISSÃO DO
CONHECIMENTO
Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, “a
educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social”.
Cabe à escola não só assegurar às pessoas conhecimentos necessários para
que se tornem seres produtivos e
consigam trabalhar e viver no mundo
sempre em desenvolvimento, mas também formar cidadãos críticos que
saibam de sua importância na sociedade e de sua atuação no meio em que
vivem.
Assim sendo, o aluno não pode ser mero receptor passivo de
informações. Ele tem que participar do processo, ser agente, formar opinião,
desenvolver autonomia e criar condições para continuar buscando mais
conhecimento. A sala de aula precisa ser um local de construção de
conhecimento, de coparticipação, de troca, de aprendizagem coletiva.
O
professor com toda sua bagagem cultural e domínio de conteúdo, deve saber
adequar suas práticas pedagógicas para ser um mediador, um orientador, um
incentivador da pesquisa.
“A relação dialógica não anula, como às vezes se pensa,
a possibilidade do ato de ensinar. Pelo contrário, ela
funda este ato, que se completa e sela no outro, o de
aprender, e ambos só se tornam verdadeiramente
possíveis quando o pensamento crítico, inquieto, do
educador ou da educadora não freia a capacidade de
criticamente também pensar ou começar a pensar do
educando.” (FREIRE, 1992, p. 118)
11
1.1 – A escola na linha do tempo
Na Grécia antiga, a escola era o local onde as pessoas iam para
dialogar e refletir. A escola era o lugar do ócio, onde jovens da elite grega se
reuniam para argumentar e entender o mundo. Nas conversas em banquetes e
reuniões se dava a transmissão da cultura grega que se baseava no
desenvolvimento individual do ser humano.
Na idade Média, o espaço escolar passou a ser usado para se professar
a fé, e o professor tinha a tarefa de doutrinar. Interesses religiosos dominavam
a cultura e a educação. Surgiu, então, a forma de escola que conhecemos:
com professor e alunos. Disciplinas como Latim, gramática, Aritmética, Filosofia
passaram a ser ministradas além da fé católica. Apareceram, também,
primeiras universidades,
as
ainda com educação conservadora e o dualismo
entre as classes da elite e do povo.
O período Renascentista foi marcado pelo surgimento de uma nova
classe social: a burguesia. Avanços tecnológicos como a bússola e a imprensa
estreitaram distâncias. Como desenvolvimento da ciência, algumas questões
passaram a ter explicações diferentes daquelas que eram dadas de acordo
com o pensamento da igreja e acreditava-se que a razão era a única forma de
se conhecer o mundo e o homem.
No Iluminismo, essa razão foi
acompanhada por um espírito crítico, de preparar o homem para viver em
sociedade. O pensamento racional libertava do poder, da irracionalidade, de
ideias religiosas e se concentrava no desenvolvimento do ser humano e da
vida diária. Surgiram na Europa as escolas públicas, que preparavam as
crianças, de forma laica e gratuita, para o exercício da cidadania e para um
novo regime político-social.
“ Do ponto de vista ideológico-cultural, a Modernidade
opera uma dupla transformação: primeiro, de laicização,
emancipando a mentalidade – sobretudo das classes
12
altas da sociedade – da visão religiosa do mundo e da
vida humana e ligando o homem à história e à direção do
seu processo ( a liberdade, o progresso); segundo , de
racionalização, produzindo uma revolução profunda nos
saberes que legitimam e se organizam através de um livre
uso da razão....(CAMBI, 1999, p. 197-198)
Foi com a Revolução Industrial que o povo, em geral, começou a ser
alfabetizado, já que havia a necessidade de preparar as pessoas para o
trabalho, para serem mais produtivos, criando-se assim um modelo tradicional
de educação. E essa educação em massa separava cada vez mais os ricos
dos pobres, criando uma hierarquia nas relações sociais. O objetivo da escola
não era educar ou dar uma educação de qualidade, e sim formar as pessoas
para realizarem tarefas, capacitá-las para um determinado ofício, qualificar os
operários para o trabalho nas fábricas e a serviço do sistema capitalista.
Nesse tipo de visão, segundo Simone de Beauvoir o objetivo é “transformar a
mentalidade dos oprimidos e não a situação que os oprime.” ( Apud FREIRE,
1987).
“ O educador que aliena a ignorância, se mantém em
posições fixas, invariáveis. Será sempre o que sabe,
enquanto os educandos serão sempre os que não sabem.
A rigidez destas posições nega a educação e o
conhecimento como processos de busca.”
(FREIRE,
1987 p. 34)
Observa-se que o aprendizado, as disciplinas ensinadas, os conteúdos
a serem aprendidos estão sempre relacionados à época e ao que nela
acontece, às questões políticas, econômicas, sociais e científicas de cada
período da história e aos filósofos, estudiosos e pesquisadores que, em cada
época, deixaram suas marcas e contribuições pedagógicas.
13
“ ... a história das disciplinas escolares, a história dos
programas escolares e a história das ideias e das práticas
pedagógicas, o que os professores ensinam ( os “saberes
a serem ensinados”) e sua maneira de ensinar ( o “saberensinar”) evoluem com o tempo e as mudanças sociais.
No campo da pedagogia, o que era “verdadeiro”, “útil” e
“bom” ontem já não o é mais hoje. (TARDIF, 2002, p. 13)
Ainda nos dias de hoje encontramos alguns vestígios da educação
tradicional, porém novas práticas pedagógicas e metodologias de ensino
passam a enfocar não só o indivíduo, mas também seu envolvimento social,
político e ideológico. O homem não pode ser dissociado do meio. Teorias
sócio-construtivistas definem um novo papel para o professor e para o aluno.
Homens e mulheres devem ser os sujeitos da construção de sua história, seus
protagonistas, e sua formação se dá de forma coletiva e participativa. Autores
como Jean Piaget, Lev Vygotsky e Paulo Freire, entre outros, dão forma a
educação contemporânea.
“ ensinar não é a simples transmissão do
conhecimento em torno do objeto ou do conteúdo.
Transmissão que se faz muito mais através da pura
descrição do conceito do objeto a ser mecanicamente
memorizado pelos alunos...ensinar implica, pois, que os
educandos, em certo sentido, “penetrando” o discurso do
professor, se apropriem da significação profunda do
conteúdo sendo ensinado... Por isso, ensinar é um ato
criador, um ato crítico e não mecânico.” (FREIRE, 1992,
p. 81)
Somando-se a essas teorias, mais recentemente, a Neurociência
aplicada à Pedagogia, traz uma revolução para o meio educacional. O estudo
do cérebro vai ajudar a entender como se dá o processo de aquisição de
14
conhecimento, como desenvolvemos inteligência e que fatores são primordiais
para termos motivação, interesse em saber, concentração, atenção, vontade. O
conhecimento dos processos neurais, de como reagimos a estímulos e como o
que aprendemos é armazenado, ou seja, aprender como o cérebro aprende,
contribui para soluções de conflitos e transforma a aprendizagem em algo
significativo.
“ Estudar a Neurociência aplicada à Pedagogia é fazer
uma releitura dos Teóricos da Educação que tanto
auxiliaram no fazer em sala de aula. É reconhecer que a
neuropsicopedagogia é uma ciência, que trata do
desenvolvimento químico, estrutural, funcional, patológico,
comportamental do sistema nervoso para poder ter uma
visão sistêmica e integradora do estudante.” ( RELVAS,
2007)
As tecnologias de informação modificaram a forma de se organizar e
armazenar informações, a velocidade com que temos acesso a essas
informações e o compartilhamento. Vivemos, hoje, na sociedade da informação
e conhecimento, uma sociedade que aprende usando formas novas, outros
caminhos e de forma continuada, participativa e compartilhada. Segundo Carly
Fiorina a “tecnologia irá literalmente transformar cada aspecto dos negócios,
cada aspecto da vida e cada aspecto da sociedade.1” (Apud SOLOMON, 2007)
1.2 – O Trabalho Docente
O trabalho docente não tem um molde pronto. As pessoas, objetos
desse trabalho, possuem características diferentes que exigem, por vezes ou
senão quase sempre, práticas e metodologias diferentes. A heterogeneidade
de histórias, culturas, interesses, religião, meio social e afetivo dos alunos
1
Tradução livre
15
requer preparo e capacidade de gerenciar relações, resolver problemas e criar
estratégias de interação por parte do professor.
“...Comecemos por um fato incontestável: enquanto grupo
social, e em virtude das próprias funções que exercem, os
professores ocupam uma posição estratégica no interior
das relações complexas que unem as sociedades
contemporâneas aos saberes que elas produzem e
mobilizam com diversos fins.” (TARDIF, 2010, p.33).
O objeto de trabalho do professor é um ser humano e, sendo assim,
existe uma necessidade de constante aprofundamento, de saber agir, de saber
o que ensinar, de ter ética e respeito. Exige não só preparação intelectual, para
prover os alunos de instrução adequada, mas também preparação emocional,
uma vez que a relação social faz parte do trabalho e o aspecto afetivo é
fundamental para a relação saudável.
“ ... Contrariamente ao operário de uma indústria, o
professor não trabalha apenas um “objeto”, ele trabalha
com sujeitos e em função de um projeto: transformar os
alunos, educá-los e instruí-los.” (TARDIF, 2010, p.13).
Segundo José Manoel Moran, a educação precisa de educadores que
sejam não só preparados intelectualmente, mas também equilibrados
emocionalmente.
Devem ser curiosos e ter entusiasmo. Pessoas que
consigam motivar e saibam criar situações dialógicas e que enriqueçam
aqueles
com
quem
tem
contato.
O
trabalho
do
educador
envolve
comprometimento com descobertas e com a formação integral do ser humano.
O papel do professor nessa sociedade deixa de ser de mero transmissor
de conhecimentos e passa a ser de mediador do processo. O professor não é
mais indispensável para se ter informações. Com a internet, as interfaces, ou
seja, com as tecnologias de hoje, as informações podem ser adquiridas por
16
qualquer pessoa em qualquer momento e em qualquer lugar. Cabe ao
professor mediar esse processo, ajudar os alunos a construírem conceitos e
valores e estimular pesquisas. O professor deve ser um incentivador do estudo,
para que as pessoas que estão ajudando a formar sejam interessadas,
valorizem o saber e tenham desejo de aprender.
“ A aquisição da informação dependerá cada vez menos
do professor. As tecnologias podem trazer hoje dados,
imagens, resumos de forma rápida e atraente. O papel do
professor – o papel principal – é ajudar o aluno a
interpretar esses dados, a relacioná-los, a contextualizálos. O papel do educador é mobilizar o desejo de
aprender, para que o aluno se sinta sempre com vontade
de conhecer mais. ( MORAN, 2007, p. 33)
1.3 – Rompendo paradigmas
O conhecimento liberta. A capacidade de pensar, refletir, indagar e
responder traz libertação. A consciência de que há a necessidade do
autoconhecimento e do conhecimento do universo em que se vive para poder
participar ativamente dos processos pertinentes às questões humanas, faz com
que as pessoas não se contentem mais em ser espectadoras e não aceitem
mais determinadas regras impostas por uma classe dominante. A percepção de
que o pouco saber gera exclusão e opressão faz com que o homem reflita e
indague. E, a medida que encontra respostas, surgem outras perguntas e,
numa sucessão de perguntas e respostas, ele vai se descobrindo e
descobrindo o mundo e passa, então, a se tornar um ser participativo.
“Mais uma vez os homens, desafiados pela dramaticidade
da hora atual, se propõem a sim mesmos, como
problema. Descobrem que pouco sabem de si, de seu
17
“posto no cosmos”, e se inquietam por saber mais. Estará,
aliás, no reconhecimento do seu pouco saber de si uma
das razões desta procura. Ao instalar-se na quase, senão
trágica descoberta do seu pouco saber de si, se fazem
problema a eles mesmos. Indagam. Respondem, e suas
respostas os levam a novas perguntas.” (FREIRE, Paulo,
1987, p. 16)
Hoje, a escola concorre com as mídias, com o consumismo exagerado e
com os grupos de referência. O professor precisa se atualizar e modificar sua
forma de atuar. Ele não é mais o detentor da informação. As informações
chegam rapidamente a qualquer pessoa. Os alunos não são mais os mesmos
devido a todas as transformações ocorridas na sociedade, na tecnologia, na
ciência, enfim, no mundo. As práticas pedagógicas devem se adequar a esse
novo aluno.
Modelos pedagógicos tradicionais, convencionais, não podem
mais continuar a ser aplicados. Segundo Mário Sérgio Cortella, a escola
prepara para o futuro e não se pode continuar agindo do mesmo modo que se
agia anos atrás.
Ainda segundo Cortella, é exatamente devido a todas as mudanças
sociais, científicas, tecnológicas e humanas que uma nova visão de educação
e novos conceitos vão surgir, o que ele chama de “momentos grávidos”. O
trabalho do professor precisa ser reorientado, uma vez que acontecem
mudanças no mundo, ou seja, os momentos graves da educação geram novas
ideias, novas propostas de reflexão.
Não se pode continuar com práticas que são características da
educação bancária, citada por Paulo Freire.
Nesse tipo de prática, os
conteúdos são depositados ou transferidos para o educando de forma
fragmentada, são compartimentados, separados uns dos outros, tendo o
professor como o detentor do saber e os alunos como seres passivos, como
espectadores do processo. Não se pode mais pensar numa educação onde o
18
aluno decore fórmulas, memorize fatos, repita conceitos. Ele precisa entender a
história, refletir sobre ela, cruzar conhecimentos de uma forma transversal e
multidisciplinar. Além disso, professores podem juntar competências entre eles
e entre eles e os alunos.
“ Na escola dos meus sonhos, a interdisciplinaridade
permite que os professores de Biologia e de Educação
Física se complementem; a multidisciplinaridade faz com
que a História do livro seja estudada a partir da análise de
textos bíblicos; a transdisciplinaridade introduz aulas de
meditação e dança e associa a história da arte à história
das ideologias e das expressões litúrgicas.”
( FREI
BETTO)
O professor precisa ter humildade e reconhecer que não sabe tudo,
precisa ser professor-aprendiz. Deve entender que o aprender não tem fim, que
o aprendizado é contínuo e que a educação precisa ser dialógica. O
conhecimento não é monopólio de uma pessoa ou de um grupo, não é
exclusividade de ninguém. Ele precisa ser construído e compartilhado
coletivamente.
“ Se somos professores-aprendizes inovadores, podemos
combinar roteiros previsíveis, trilhados com diferentes
estratégias e caminhos, com roteiros semidesconhecidos,
em que não somos tão especialistas e em que propomos
que o grupo esteja mais atento para aprendermos juntos,
para utilizar todas as experiências prévias de todos, para
trocar mais informações. ( MORAN, 2007, p. 84)
O professor é um mediador entre o sujeito e o objeto do aprendizado,
orientando e estimulando para que seus alunos possam construir valores,
habilidades, atitudes e para que possam
atuar na sociedade enquanto
19
cidadãos conscientes do seu papel. Alunos precisam gostar de pesquisar,
precisam querer saber, gostar de ler. Despertar interesses, o prazer pelo
conhecimento, desenvolver habilidades e competências é, sem dúvida, um
desafio. Fazer com que o aluno consiga tornar a informação algo significativo,
que ele saiba selecionar as informações importantes, e que saiba escolher
fontes de referência e pesquisa também é desafiador.
Além do desenvolvimento social e cognitivo pelo qual o aluno passa, há
seu desenvolvimento enquanto ser humano, enquanto ser pensante e crítico. A
transformação do aluno é também de mudança de atitude perante o outro e
perante o mundo. Sendo assim, o professor deve pensar sobre suas práticas
para a formação desse sujeito.
“Na educação o foco, além de ensinar, é ajudar a integrar
ensino e vida, conhecimento e ética, reflexão e ação, a ter
uma visão de totalidade. Educar é ajudar a integrar todas
as dimensões da vida, a encontrar nosso caminho
intelectual, emocional, profissional, que nos realize e que
contribua para modificar a sociedade que temos.”
(MORAN, MASETO e BEHRENS, 2010, p. 23)
Precisamos potencializar a inteligência dos nossos alunos. Seus
cérebros se moldam de forma diferente. A aprendizagem tem que ser
estimulada. Isso demanda tempo.
O envolvimento afetivo também é um
aspecto fundamental para que se alcancem objetivos. E, para conseguir tudo
isso, o professor tem que se preparar. Ele deve estudar muito e sempre, deve
ter formação continuada, deve saber como a aprendizagem acontece,
se
dedicar para buscar novas metodologias, novas formas de fazer e, segundo
Relvas, “correr riscos”, mudar as práticas usadas durante tanto tempo e que
sempre foram consideradas de “sucesso” e “corretas”, romper paradigmas e
gostar de ler e pesquisar.
20
CAPÍTULO II
PORQUE AS TECNOLOGIAS DEVEM SER
INTEGRADAS ÀS ATIVIDADES PEDAGÓGICAS
No momento do seu surgimento, a escrita era uma nova-tecnologia que
permitiu que as experiências e as histórias fossem registradas, a fim de que
não se perdesse a memória de uma sociedade ou de uma civilização. A escrita
mudou a forma como as pessoas percebiam a realidade e a forma de aprender.
Ela também criou uma condição de verdade única, onde o sentido do que está
escrito é sempre mantido.
“No universal fundado pela escrita, aquilo que se deve
manter imutável pelas interpretações, traduções, difusões,
conservações, é o sentido. O significado da mensagem
deve ser o mesmo em toda parte, hoje e no passado.”
(LÉVY, 1999, P. 115)
A imprensa, o rádio, a televisão, o cinema ampliaram o limite de alcance
das informações. As chamadas “mídias de massa”
permitem que as
mensagens sejam lidas, ouvidas ou vistas por milhões de pessoas. Segundo
Pierre Lévy, o objetivo é fazer apenas com que os receptores exercitem sua
capacidade interpretativa.
Hoje, as novas tecnologias são as mídias digitais, aquelas ligadas ao
mundo computacional e, em especial, a Web 2.0. Elas tornam
possível o
compartilhamento das informações e a produção conjunta. Várias fontes de
informação podem ser acessadas, o mundo se estreita, pensamentos opostos
são confrontados, competências mobilizadas. Vivenciamos a inteligência
coletiva.
21
2.1 – As mídias não digitais na sala de aula
As diferentes mídias – jornal, TV,
rádio,
DVD – possibilitam um
conhecimento maior sobre o mundo. A utilização desses recursos midiáticos
em sala de aula geram diálogos que podem enriquecer conhecimentos, criar
reflexões e questionamentos que ajudam a se ter uma nova ótica sobre a
realidade e, dessa forma, ter o poder de transformação. Essas mídias são
recursos que podem ser usados para dinamizar o processo ensinoaprendizagem: além de motivar, elas permitem uma relação dialógica, com
troca de saberes, e consequentemente uma aprendizagem significativa.
Para tanto, o professor não deve se apropriar dessas mídias para usálas apenas como meio de leitura ou de interpretação do que já está pronto,
porque dessa forma não há relação dialógica. A ideia não é usar essas mídias
como substitutas da voz do professor, mudando apenas a forma de transmitir
ou relatar fatos e conteúdos, pois assim, o aluno continuará sendo aprendiz
passivo, sem participação no processo.
Para que a utilização dessa mídias seja uma prática desafiadora, que
atenda às expectativas da sociedade atual, do mundo moderno, do novo aluno
que é multitarefa, urge que se criem projetos na escola, que as aulas sejam
preparadas e pensadas, que os conceitos apresentados sejam discutidos,
debatidos, numa troca constante entre professor e aluno e entre os próprios
alunos.
“A imagem, o som e o movimento oferecem informações
mais realistas em relação ao que está sendo ensinado.
Quando
bem
utilizadas
provocam
alteração
dos
comportamentos de professores e alunos, levando-os ao
melhor
conhecimento
e
maior
aprofundamento
conteúdo estudado. (KENSKI, 2007, p.45)
do
22
A interdisciplinaridade e a multidisciplinaridade são trabalhadas no
momento em que o mundo é apresentado aos alunos, no momento em que
eles
observam e analisam
as situações do cotidiano de muitas pessoas.
Adquirem senso crítico em relação ao uso e abuso de produtos anunciados e
também aos interesses capitalistas que existem por trás de ideias
apresentadas pelas propagandas. Percebem as dificuldades intrínsecas no que
diz respeito às relações sociais quando são expostos a elas por esses tipos de
mídia. Com isso, eles podem construir conceitos de Linguagem, de Química,
Artes, conceitos espaciais, históricos e geográficos e filosóficos.
“A escola dos meus sonhos não briga com a TV, mas
leva-a para a sala de aula: são exibidos vídeos de
anúncios e programas e, em seguida, analisados
criticamente. A publicidade do iogurte é debatida; o
produto adquirido; sua química, analisada e comparada
com
a
fórmula
declarada
pelo
fabricante;
as
incompatibilidades denunciadas, bem como os fatores
porventura nocivos à saúde. O programa de domingo é
destrinchado: a proposta de vida subjacente, a visão de
felicidade, a relação animador-plateia, os tabus e
preconceitos reforçados, etc. Em suma, não se fecham os
olhos à realidade, muda-se a ótica de encará-la. Há uma
integração entre escola, família e sociedade.” ( FREI
BETTO)
O aluno tem que ser protagonista de sua formação e de seu
desenvolvimento. A escola baseada no falar-ditar do mestre, na explicação
teórica, tão criticada por Paulo Freire, dá lugar a uma escola onde o professor
crie possibilidades para que o aluno possa produzir e construir seu próprio
conhecimento. Segundo Moran, “a aprendizagem precisa cada vez mais
incorporar o humano, a afetividade, a ética, mas também as tecnologias de
pesquisa e comunicação em tempo real”. ( 2007, p. 24 – 25 )
23
2.2 – Vivendo na Cibercultura
Segundo Pierre Lévy, a popularização dos computadores criou
alterações na sociedade. Quando os computadores pessoais passaram a ser
usados pela massa da sociedade, quando a internet passou a conectar esses
computadores usados por tantas pessoas numa grande rede, quando as
pessoas começaram a trocar informações através desse meio, surge o
ciberespaço.
Ainda segundo Pierre Lévy,
a internet cria uma revolução social e
cultural. O computador e a internet mudam a forma das pessoas se
comunicarem e também provocam mudanças no pensamento, na percepção
de mundo, nos valores e atitudes, na memória, enfim, alteram todas as
dimensões do ser humano. A isso se dá o nome de “cibercultura”.
“ O “ciberespaço” é o novo meio de comunicação que
surge da interconexão mundial dos computadores. O
termo especifica não apenas a infraestrutura material da
comunicação digital, mas também o universo oceânico de
informações que ela abriga, assim como os seres
humanos que navegam e alimentam esse universo.
Quanto ao neologismo “cibercultura” especifica aqui o
conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas,
de atitudes, de modos de pensamento e de valores que
se desenvolvem juntamente com o crescimento do
ciberespaço.” (LÉVY, 1999, p.17)
Apesar de poderem ajudar no processo de formação do educando, as
mídias não digitais permitem, apenas, uma leitura linear, sequencial, não
simultânea, na maioria das vezes assíncrona, que ajuda a construir conceitos
e reflexões apenas com base no que se lê e no que se pode interpretar a partir
dessa leitura. Essa nova sociedade transformada e transformadora que surge
24
com as tecnologias de comunicação e informação, com as mídias digitais,
chamada por alguns de sociedade pós-moderna, sociedade da informação, a
cibercultura, é para André Lemos, a “cultura da leitura e da escrita, de uma
forma ampla”. No ciberespaço e na cibercultura, podemos ler mais, ler em
diferentes línguas, ler sobre outros povos e culturas. Porém não ficamos
restritos à leitura; somos autores, participamos, produzimos conteúdo.
Podemos criar blogs, participar de trocas de experiências em salas de bate
papo, criar páginas de forma colaborativa, produzir softwares livres e jogos,
postar vídeos, fazer comentários, enfim, participar, escrever.
“ O ciberespaço é o “hipertexto” mundial interativo, onde
cada um pode adicionar, retirar e modificar partes dessa
estrutura telemática, como um texto vivo, um organismo
auto-organizante”. (SILVA , 2011, p. 81)
O hipertexto, segundo Wendel Freire, rompe os limites de margens e
páginas, aumentando o horizonte interpretativo. É possível se fazer conexões,
se estabelecer relações tanto textuais como simbólicas, combinar sons,
imagens, movimentos, ou seja, um conjunto de possibilidades de conexões, de
redes de articulação. O emissor pode criar um espaço que pode ser modificado
pelo receptor, de acordo com o caminho que ele escolhe para seguir na leitura
que não é mais linear, mas sim, interativa, hipertextual.
“O leitor do hipertexto é também o seu autor, já que
escolhe o seu percurso por hiperlinks, que ligam
diferentes textos e contextos. O leitor que se faz usuário
do texto reflete, interfere, questiona, flexibiliza-se no
diálogo com o que é seu, na troca com o que é alheio e
na abertura de outros textos, independentes do suporte
que os abriga.” (FREIRE, W., 2012, p. 19-20)
“... a interatividade, uma das características primordiais do
25
hipertexto, aqui entendida como a possibilidade de
interação flexível, de relação recíproca dos interlocutores
numa situação de diálogo.” (SILVA Apud SANTOS e
ALVES, 2006, p.82)
A interatividade passou a ser a nova modalidade comunicacional desde
o final do século XX, transformando a forma de comunicação passiva para a
interativa. É uma manifestação da sociedade de informação, da cibercultura.
As novas tecnologias digitais facilitam a comunicação dialógica. Interagir não é
simplesmente enviar mensagens, é entender que a mensagem não está
acabada, que pode ser manipulada, modificada, associada a outra e depois a
outra e assim sucessivamente, num movimento de idas e vindas.
“Interatividade significa libertação do constrangimento
diante da lógica da transmissão que predominou no
século XX. É o modo de comunicação que vem desafiar a
mídia de massa - rádio, cinema, imprensa e TV – a buscar
a participação do público para se adequar ao movimento
das tecnologias interativas. É o modo de comunicação
que vem desafiar professores e gestores da educação,
igualmente centrados no paradigma da transmissão, a
buscar
a
construção
da
sala
de
aula
onde
a
aprendizagem se dá com a participação e cooperação dos
alunos.” (SILVA Apud SANTOS e ALVES, 2006, p.82-83)
Pierre Lévy afirma que a inteligência humana é aumentada e modificada
pelo computador. Os alunos passam a poder ler mais, a poder pesquisar de
outras formas e isso acaba acarretando uma mudança na maneira de pensar.
Segundo ele estamos vivendo um momento de trocas e de contatos e as
interconexões estabelecidas são não só físicas, mas também informacionais,
materiais e virtuais.
26
2.3 – As tecnologias digitais e a competência coletiva
As mudanças acontecem com muita rapidez no mundo de hoje. As
tecnologias de informação e conhecimento ( TICs) e a Web 2.0 criam um
cenário de participação, onde leitores se transformam em autores. Receptores
são também emissores.
Num emaranhado de redes que interagem entre si, surgem as relações
entre pessoas que possuem vivências diferentes, apresentam conhecimentos
diferentes, histórias diversas e que podem ser contadas no momento em que
estão acontecendo. Deixamos de ter uma leitura fragmentada para ter uma
leitura híbrida,
num construir e desconstruir, fazendo conexões e
desconexões. Essa é a característica do hipertexto: não ser linear, de ser
interativo.
“ Com a Web 2.0, a cibercultura ganha contornos mais
concretos. Conceitos como inteligência coletiva, nova
ecologia dos saberes, grupoware, comunidade virtual de
aprendizagem apresentados por Pierre Lévy no início da
década de 90, são hoje, ações e projetos concretos.”
(SANTOS, 2010, p. 123)
Segundo Mário Sérgio Cortella, há cerca de 20 anos, considerava-se
que cada pessoa tinha uma competência, ou seja, era algo individual e a
competência de alguém terminava quando terminava a do outro, como se
tivéssemos que pausar o intelecto de alguém para que outra pessoa pudesse
agir, pensar ou se posicionar. Hoje, sabemos que a competência de um acaba
quando a do outro acaba, ou seja, a competência de um indivíduo está
diretamente ligada à do grupo de indivíduos. Ao juntarmos competências
podemos construir algo muito melhor. A
coletiva.
isso chamamos de competência
27
A competência coletiva é a consciência e capacidade de refletir, pensar
e agir conjuntamente. Num “link” de ideias, conexões hipertextuais, o
conhecimento deve ser compartilhado, dividido para ser somado, construído
coletivamente. O conhecimento de um se soma ao conhecimento de outro que
se soma a de outro, construindo-se a competência coletiva, a inteligência
coletiva. Segundo Paulo Freire “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si
mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”. (1987, p.
39)
E é com base nessa competência coletiva que devemos pensar o
processo educacional. Professores e alunos devem se preocupar em
desenvolver processos cooperativos de aprendizagem. Alunos e professores
aprendem uns com os outros, buscam informações e opiniões diversas,
confrontam ideias, abordam questões simples e complexas, sempre pensando
e agindo em grupo.
A Web 2.0, as novas ferramentas e interfaces permitem a
interatividade. O aluno interage de uma forma colaborativa, produtiva,
participativa, como agente do processo, e é capaz de potencializar as
informações e transformá-las em conhecimento. Os projetos escolares e até os
conteúdos de cada disciplina devem articular todas as tecnologias e as
plataformas midiáticas para atingir comunicação e aprendizagem. Desenvolver
a vontade de pesquisar, o interesse em participar e até de construir
coletivamente, é fundamental para a formação do indivíduo e para a educação
cidadã.
“
Com
a
Web
2.0,
podemos
vivenciar
mais
concretamente a inteligência coletiva porque dispomos de
soluções informáticas concretas, gratuitas e de acesso
livre, e também, a fenômenos culturais estruturados por e
com estas tecnologias, como as redes sociais mediadas
por interfaces digitais e softwares sociais, a exemplo dos
28
blogs, das Wikis, MSN, Skype e dos ambientes on-line de
aprendizagem.” (SANTOS, 2010, P. 124)
Essa nova perspectiva de comunicação resulta em mudança de
paradigmas na educação. Diante da valorização da relação dialógica, de
colaboração, participativa e interativa, os professores precisam se apropriar
das ferramentas ou interfaces para promover curiosidade, questionamento,
interesse pelo saber.
Para isso, os professores devem ter conhecimentos
sobre as possibilidades oferecidas pelo recurso tecnológico e saber utilizá-lo
para que o aluno construa seu conhecimento.
“O professor que busca interatividade com seus alunos
propõe o conhecimento, não o transmite. Em sala de aula,
é mais que um instrutor, treinador, parceiro, conselheiro,
guia, facilitador, colaborador. É formulador de problemas,
provocador
de
situações,
arquiteto
de
percursos,
mobilizador das inteligências múltiplas e coletivas na
experiência do conhecimento.” (SILVA, 2011, p. 99)
Segundo Wendel Freire, não só os professores, mas também todos
aqueles que estão, de forma direta ou indireta, ligados às atividades escolares:
pais, alunos e gestores, precisam caminhar na mesma direção em que o
mundo das tecnologias caminha, ou seja, todos precisam romper barreiras e
resistências para que a escola possa usar as mídias digitais em favor do
aprendizado e da aquisição de conhecimento. Essa mudança é cultural e
necessária.
Pierre Lévy diz ser necessária a avaliação de três aspectos para refletir
sobre mudanças dos sistemas de educação e de formação na sociedade de
informação: “a velocidade de surgimento e de renovação de saberes”, que
segundo ele, faz com que competências adquiridas no início da carreira de
alguém passem a ser obsoletas ao final dessa carreira; “ a nova natureza do
29
trabalho, cuja parte de transação do conhecimento não para de crescer”, ou
seja, trabalhar é aprender, transmitir e produzir conhecimento;
que “ o
ciberespaço suporta tecnologias intelectuais que amplificam, exteriorizam e
modificam numerosas funções cognitivas humanas”, aumentando o potencial
da construção da inteligência coletiva.
Novos paradigmas são necessários
para estarem em acordo com essa nova forma de aprender e saber. Práticas
pedagógicas devem ser pensadas de modo a se moldarem às singularidades
que possam ser encontradas. Programas prontos, definidos e que não podem
ser alterados não produzirão resultados.
“Devemos construir novos modelos do espaço dos
conhecimentos. No lugar de uma representação em
escalas lineares e paralelas, em pirâmides estruturadas
em “níveis”, organizadas pela noção de pré-requisitos e
convergindo para saberes “superiores”, a partir de agora,
devemos preferir a imagem de espaços de conhecimentos
emergentes, abertos, contínuos, em fluxo, não lineares,
se reorganizando de acordo com os objetivos ou os
contextos, nos quais cada uma ocupa uma posição
singular e evolutiva.” ( LÉVY, 1999, p. 158)
30
CAPÍTULO III
COMO O TABLET PODE SER USADO A SERVIÇO DA
APRENDIZAGEM
Ao longo da história podemos perceber evoluções claras no que se
refere ao uso de ferramentas e mídias que auxiliam nas práticas pedagógicas e
que são marcas culturais, sociais e do desenvolvimento: o uso do lápis e do
caderno e o fato de cada aluno ter o seu; o surgimento do livro didático e a
necessidade de ser usado individualmente para que cada estudante pudesse
ter seu próprio meio de consulta e estudo; e agora, um computador por aluno.
Para McLuhan “o meio é a mensagem” ( Apud TORI, 2010, p. 37).
Diferentes mídias podem ser usadas para transmitir uma mesma mensagem,
porém cada uma delas proporciona uma experiência diferente, uma vez que o
processo físico, o processo de leitura e o processo cognitivo diferem de uma
mídia para outra. As condições que cada uma oferece nos dá a capacidade de
entender, interpretar, reagir e interagir de uma forma diferente, variando a
influência que tem sobre a aprendizagem.
Robert Kozma afirma que a mídia para ter influência na aprendizagem
tem que permitir que o aluno colabore ativamente do processo de construção
do seu conhecimento. Para ele, a mídia usada na sala de aula não é um
veículo de entrega ou distribuição de conhecimento, mas sim uma ferramenta
que auxilia na sua construção.
“As capacidades de um determinado meio, em conjunção
com métodos que tirem vantagem disso, interagem com
e influenciam as maneiras com que os aprendizes
representam e processam informação, e podem resultar
em mais ou em diferente aprendizagem, quando um meio
31
é usado comparado a outro, para certos aprendizes e
tarefas”. 2 (KOZMA, R.B. 1991)
As novas mídias digitais são usadas em todos os setores da sociedade:
em casa, no trabalho, nos bancos, nos shoppings, e precisam, então, fazer
parte do universo da escola. A escola deve se apropriar das novas ferramentas
e interfaces e, modificando as práticas, estimulando o pensamento, a
interatividade, a colaboração e a produção, deve desenvolver a autonomia do
educando no seu processo de aprendizagem.
“Estudantes são hoje mais influenciados pela mídia
porque há novas mídias com maiores capacidades
(computador)
e
velhas
mídias
se
tornaram
mais
onipresentes. Eu considero que a nova mídia está
transformando as maneiras de se fazer educação.
Consequentemente está mudando como os adultos e
crianças encaram a educação”. (Apud TORI, 2010, p.
39)
“Estudantes, professores e administradores vivem num
mundo digital fora da escola. Essa realidade externa está
tendo um impacto no que acontece dentro da sala de
aula”.3 (DEDE & RICHARDS, 2012, p. 5)
Os tablets podem integrar os mundos dentro e fora da escola e também
mudar o suporte escrito do papel para o digital. Para Pierre Lévy, o livro
didático e o caderno serão, possivelmente, substituídos por outras tecnologias:
computadores, tablets ou outras plataformas: “É difícil dizer o que será a
civilização no futuro. Aquilo que vamos construir não é imaginável agora.
Estamos em um momento de grande transformação cultural”.
2
3
Tradução livre
Tradução livre
32
3.1 – Mobilidade, acessibilidade e interatividade
O tablet é uma das mais modernas invenções de computador de mão
no mundo computacional. Com o formato de prancheta e uma tela virtual, que
funciona como mostrador e como meio de entrada de dados, por ser sensível
ao toque, esse aparelho vem invadindo o mercado e é o primeiro da lista de
preferências dos alunos.
“Na pergunta “Qual dos aspectos a seguir você acha que
é o mais importante para a “Escola do Futuro?”, foram
coletadas 2.125 respostas e os resultados foram: tablet
PC (29,8%), sensibilidade ambiental, economia de
energia
(13,1%)
,
recursos
audiovisuais
e
novas
tecnologias (12,8%), mudança no papel do educador
(9,7%), prédio/campus novo ( 9,6%, participação ativa do
estudante (7,8%), trabalho em equipe,comunicação e
colaboração (6,9%), aprender a aprender ( 6,9%) , outro
(3,4%).” 4 (LYTRAS et al, 2010, p. 630)
Na lista de dispositivos móveis como celulares, notebooks e netbooks, o
tablet está ganhando espaço dentro das salas de aula. Por ser pequeno e leve,
ele é fácil de transportar e pode ser levado para qualquer lugar. O aluno
aprende na escola e fora dela. As aulas, as pesquisas, os trabalhos, as
discussões, podem continuar fora da sala de aula, proporcionando o contato
com o conhecimento a qualquer momento e em qualquer lugar e de forma
compartilhada.
“Então, não se trata apenas de aprender dentro da escola.
O conhecimento passa a estar disponível para o aluno
todo o dia: ele pode aprender a qualquer momento, pode
tirar fotos em qualquer lugar, levá-las para a sala de aula,
discuti-las com amigos, mostrá-las aos professores. É um
4
Tradução livre
33
grande passo o fato de que podemos armazenar todas
essas informações em um celular ou um tablet e depois
usá-las em prol da educação.” (CHRISTOPHER DEDE)
Soma-se a essa mobilidade, o fato do tablet
poder conter todo o
material didático necessário para as aulas. Livros, apostilas e cadernos podem
ser digitais e interativos. Essa migração do conteúdo impresso para o digital,
segundo Joan Vinnal-Cox, tem maior impacto em leituras acadêmicas: o
movimento do olhar na leitura não é apenas da esquerda para a direita, mas
também de cima para baixo; páginas podem ser marcadas com um simples
toque no marcador; anotações podem ser feitas; partes do texto podem ser
destacadas e coladas em um trabalho de análise ou interpretativo. E todas as
modificações feitas pelo leitor ficam disponíveis para ele sempre que “abrir” o
mesmo livro ou o mesmo texto.5
A fácil conexão com a internet, banda larga e sem fio, faz com que o
tablet proporcione acesso à leitura de livros, jornais, revistas e a outras fontes
que podem servir de pesquisa. O acesso ao ciberespaço permite criar um
ambiente de sinergia e que multiplica as competências.
“Ubiquidade
da
informação,
documentos
interativos
interconectados, telecomunicação recíproca e assíncrona
em grupos e entre grupos: as características virtualizantes
e desterritorializantes do ciberespaço fazem dele o vetor
de um universo aberto.” (LÉVY, 1999, p. 49-50)
Numa construção hipertextual, o conhecimento é adquirido por novas
conexões, novas mensagens, abrindo janelas, fazendo links que vão se
associando a outras ideias, de uma forma não linear e, até certo ponto,
inacabada.
5
Tradução livre
34
A escola do século XXI precisa estar em sintonia com esse novo aluno
multitarefa, nativo digital, que, ao ler um texto pode se interessar pelo autor e
suas obras e, num toque de tela, passar a pesquisar e aprender. Ele pode
estar conectado à internet sem fio e pode interagir com a lousa digital da sala
de aula ou com as interfaces usadas pelo professor e até mesmo com os
outros colegas.
“Em síntese, cada vez são mais difundidas a forma de
informação multimídica ou hipertextual e menos lógicosequencial. As crianças e os jovens estão totalmente
sintonizados coma multimídia e, quando lidam com texto,
fazem-no mais facilmente com o texto conectado através
de links, de palavras-chave, o hipertexto. Por isso o livro
se torna uma opção inicial menos atraente; está
competindo com outras formas mais próximas da
sensibilidade deles, das suas formas mais imediatas de
compreensão”. ( MORAN et al, 2010, p. 21)
A experiência de aprendizagem com dispositivos móveis como o tablet
oferece também flexibilidade, possibilitando ao aluno acessar informações
de formas diferentes, ler textos, examinar imagens, assistir
vídeos
e, até
mesmo, buscar informações em outras mídias, usando outras tecnologias. Isso
serve tanto para dar motivação quanto para exercitar todas as habilidades
humanas. Segundo MORAN (2010), “o processo de aprendizagem abrange o
desenvolvimento intelectual, afetivo, o desenvolvimento de competências e de
atitudes”.
Uma dos maiores atributos dos dispositivos móveis é a interatividade. A
interatividade gera comunicação, troca e participação. O acesso à Web 2.0
pode proporcionar a criação de ambientes de pesquisa, participação, reflexão
e
cooperação entre professores e alunos. Numa convivência entre texto e
35
hipertexto, o aprendiz busca sentido e constrói caminhos, se modifica e
modifica o que está ao seu redor.
“O emissor disponibiliza a possibilidade de múltiplas redes
articulatórias: não propõe uma mensagem fechada, ao
contrário, oferece informações em redes de conexões,
permitindo ao receptor ampla liberdade de associações e
de significações”. (SILVA, 2010, p. 189)
3.2 – Novas tecnologias, novas práticas
Com todos os recursos tecnológicos da atualidade, com os dispositivos
móveis na mão do aluno, ele pode acessar as informações desejadas, pode
navegar na internet, pode interagir com o conteúdo e com seus colegas.
Porém para que essas tecnologias tragam mudanças significativas na
aprendizagem, há necessidade de se criar conhecimentos, mecanismos e
estratégias que possibilitem seu uso efetivo e eficaz. Escola e professores
precisam
pensar
em
práticas,
metodologias,
projetos
pedagógicos
direcionados para as habilidades que se quer alcançar.
O maior desafio que se encontra é em relação ao entendimento de que
educar não significa transmitir informações de uma forma organizada, com
conteúdos fragmentados de diferentes áreas. Não basta apenas mudar o
material pedagógico e continuar com práticas antigas da educação bancária
tão criticada por PAULO FREIRE (1987).
“Os educadores pensam em tecnologia como mágica e
acreditam que apenas usando o computador ou a internet
coisas boas vão acontecer. Na educação as coisas não
funcionam dessa forma.” (CHRISTOPHER DEDE)
36
As atividades em sala de aula precisam ser dinâmicas e capazes de
estimular a participação efetiva dos alunos. O uso dos tablets oportuniza o
trabalho em equipe, a solução de ideias em conjunto, o compartilhamento de
informações e imagens. Mais importante do que o aluno saber resolver um
determinado problema porque ele memorizou a fórmula, é ele saber como
buscar respostas para vários problemas.
Aulas planejadas e projetos definidos podem incluir as redes sociais no
processo de aprendizagem. Criar grupos de discussão,
onde os alunos
possam postar vídeos e textos e produzir em conjunto, faz da mídia social um
contexto interativo, de participação e consequentemente de aquisição de
autonomia para construção de conhecimento.
A diversidade de aplicativos que podem ser instalados no tablet permite
visualização de mapas interativos, organização pessoal, produção textual,
gravação de áudio e diversas outras funções. A aula pode ser gravada e
acessada sempre que necessário. Anotações pessoais podem ser organizadas
de uma forma prática e facilmente acessadas. E, todos esses dados podem ser
compartilhados entre os próprios alunos e entre os alunos e o professor,
permitindo que se crie a consciência e a capacidade de refletir, pensar e agir
conjuntamente, criando-se a competência coletiva.
Para que professores, escola e alunos possam usufruir de todos os
benefícios dessa tecnologia, a escola precisa criar a infraestrutura necessária
para o dinamismo das aulas e o professor precisa saber mediar o processo,
mostrar aos alunos os objetivos a serem alcançados no contexto pedagógico.
“ Os alunos do futuro serão pessoas criativas, abertas e
colaborativas. Ao mesmo tempo, serão capazes de se
concentrar com uma mente disciplinada. É necessário
equilibrar os dois aspectos: a imensidão das informações
disponíveis, colaborações e contatos; com planejamento,
37
realização de projetos, disciplina mental e concentração.”
( PIERRE LÉVY)
Pesquisadores e programadores tem se empenhado na tarefa de criar
programas e projetos direcionados para o uso das tecnologias digitais como
ferramentas de aprendizagem. Alguns programas podem ser instalados em
diferentes tipos de tablets e podem garantir planejamento de aula,
compartilhamento de informações, exercícios interativos e avaliação.
“... contém um curso abrangente de sequências de
aprendizagem
guiada
que
inclui
atividades,
apresentações multimídia, exercícios e jogos. Antes da
aula, o professor usa a ferramenta de planejamento para
a preparação; durante a aula ele usa recursos multimídia
para apresentar um assunto, um programa especial para
explorar um conceito, e pratica exercícios. Depois da aula,
o professor pode examinar o progresso de cada aluno e o
desempenho da turma, e começar o processo de preparar
as próximas aulas”. 6 (DEDE & RICHARDS, 2012, p. 10)
3.3 – O tablet mudando o ambiente de aprendizagem
Os tablets estão, de fato, transformando o mundo e a sala de aula e
estão produzindo impactos positivos em situações específicas de aprendizado.
Em algumas escolas na Coreia há um tablet, um teclado e uma caneta
eletrônica sobre a mesa de cada aluno. Esse tablet está conectado à internet e
à lousa digital usada pelo professor. O livro escolar é digital e está disponível
em cada tablet. A explicação do professor pode ser acompanhada pelo tablet e
também na lousa digital. As respostas aos exercícios propostos são enviadas
automaticamente à lousa eletrônica quando os alunos digitam suas respostas.
6
Tradução livre
38
Além disso, eles também podem entrar na internet para satisfazer a
curiosidade sobre um determinado assunto. Há uma completa mudança de
paradigmas na prática docente. Alunos estão motivados a encontrar respostas
por eles mesmos. Há um aumento da concentração dos alunos em sala de aula
e mais interesse em participar.
Lee Chang-Gon, pesquisador do Serviço de Informação e Pesquisa de
Educação da Coreia, afirma que “com o desenvolvimento de tecnologias de
informação, a educação se tornará mais direcionada às necessidades
individuais.” Ainda segundo esse pesquisador, o órgão em que trabalha está
pesquisando métodos de ensino efetivos e materiais para os livros escolares
digitais, a fim de se adaptar às mudanças.
Os
tablets
também
estão
sendo
usados
para
auxiliar
no
desenvolvimento de habilidades, no aprendizado e na comunicação de alunos
com alguma incapacidade física ou neurológica. A tela sensível ao toque
facilita mais o acesso ao mundo virtual do que um teclado ou um mouse, e o
fato de ser brilhante e interativa faz com que exerça uma atração maior em
alunos com necessidades especiais. Com imagens coloridas e sons que
prendem a atenção das crianças, essa ferramenta explora e aumenta sentidos
e emoções.
Programas com finalidades específicas permitem que essa ferramenta
auxilie portadores de necessidades especiais a terem uma vida melhor e
também para que possam se integrar no mundo digital. Alguns aplicativos já
foram especialmente projetados para pessoas que possuem dificuldades
cognitivas, neurológicas ou motoras. Pessoas com dificuldades para falar ou
escrever podem usar o tablet para expressar sentimentos, desejos ou dúvidas,
apenas num toque na tela. Alunos com dificuldades visuais podem se valer de
programas de voz que falam com os estudantes a medida que eles interagem
com o tablet. Crianças com dificuldade cognitiva tem acesso a aplicativos com
imagens associadas a sons ou falas que podem ser a voz do pai ou da mãe.
39
Segundo Chad Udell, especialista em projeto e desenvolvimento de
aplicativos interativos, “a medida que mais e mais desenvolvedores, editores e
educadores perceberem os benefícios dos tablets, a gama de oportunidades
para alunos com dificuldades especiais só continuará a crescer.”
O tablet também é usado no MIT. O Instituto de Tecnologia de
Massachusetts introduziu o uso dos tablets nos projetos de robótica e numa
competição de construção de robôs. Isso facilitou a comunicação entre alunos
de diferentes origens e idiomas, acabou com o amontoado de papéis que
muitas vezes eram perdidos, e possibilitou maior rapidez no pensamento
dinâmico e na troca de ideias entre os alunos.
As modificações feitas no projeto original podiam ser feitas com cores
diferentes, podiam ser compartilhadas, apagadas, editadas, mas o projeto
continuava intacto para ser acessado a qualquer momento.
A mobilidade do tablet também foi fundamental para dar maior
dinamismo ao trabalho. Os alunos transportavam seus aparelhos para mostrar
aos outros as suas ideias, para expor projetos em apresentações de Power
Point em telões presentes no ambiente. O tablet podia ser ligado a uma
impressora para imprimir desenhos e ser levado para a máquina onde iriam
fazer peças para seus robôs. Ou seja, o tablet se mostrou eficiente em vários
aspectos dentro desse ambiente no MIT.
Segundo o Professor de Engenharia Mecânica do MIT, Alex Solcum, o
tablet aumentou dramaticamente a criatividade e a efetividade. “Ele tem o
potencial de realmente mudar o modo como as pessoas interagem com o
papel”. John Williams, Professor de Engenharia Ambiental e Engenharia Civil
do MIT, diz que a experiência mostrou que o tablet é um aparelho
impressionante.7
7
Tradução livre
40
CONCLUSÃO
O processo de evolução humana faz com que haja também uma
evolução na forma de se comunicar. A comunicação passou por uma mudança
significativa ao longo dos anos. As informações chegaram por meios diferentes
durante diferentes períodos da história da humanidade: oralidade, pergaminho,
imprensa, mídias não digitais e mídias digitais.
As tecnologias modificam a forma como vemos o mundo e atuamos
nele.
As tecnologias da inteligência, que armazenam e processam
representações, possibilitam evolução cultural e favorecem iniciativa e
participação. As conexões pela internet
permitem que as pessoas
compartilhem conhecimento e produzam de forma conjunta, construindo uma
inteligência coletiva.
A escola, como espaço organizado para ensino-aprendizagem,
também precisa se adequar a esse novo momento, principalmente no que se
refere ao seu papel de formadora e transformadora. O papel do professor e da
escola passa a ser de despertar curiosidades, de motivar para a pesquisa, de
desenvolver habilidades, competências e senso crítico para formar um cidadão
consciente que participe efetivamente da vida em sociedade.
O uso das tecnologias digitais em sala de aula é um movimento sem
volta, pois estão tão presentes fora dos muros da escola que precisam estar,
também, dentro delas. As informações são adquiridas através das novas
mídias e não mais apenas na escola. Os saberes se multiplicam e os meios
digitais tem um papel fundamental nesse contexto. Como mediador do
processo, o professor motiva, estimula reflexão, dá sentido à busca e ao
conhecimento e a escola passa a ser um espaço de exploração e de
descobrimento.
41
O tablet é o equipamento de destaque usado como ferramenta
pedagógica nas salas de aula. Flexibilidade, mobilidade, acessibilidade e
interatividade, fazem dessa tecnologia
um provável substituto de livros e
cadernos. Num só aparelho o aluno pode ter o livro didático em forma digital e
aplicativos que permitam que ele faça anotações, assista vídeos, leia livros,
revistas, jornais, acesse imagens e mapas. A fácil conexão com a internet
permite que as informações e conhecimentos adquiridos sejam compartilhados
e somados, e que também, escolhendo seu percurso através de hiperlinks, o
aluno se transforme em autor num ambiente de competência coletiva.
Já existem aplicativos para tablet que atendem as necessidades do
mundo educacional, assim como programas que conectam o aparelho à lousa
digital usada pelo professor. Livros didáticos já estão passando do formato de
papel para o digital. Cabe às escolas envolver essa tecnologia em seu projeto
pedagógico e determinar objetivos definidos para o uso da ferramenta. Políticas
pedagógicas, capacitação de professores, ambiente com infraestrutura
adequada vão permitir explorar todo o potencial de interatividade e
portabilidade dos tablets a fim de que ele seja usado para a construção
permanente do conhecimento.
42
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com Mário Sérgio Cortella / Fórum HSM Gestão e Liderança. Acesso em:
17/07/2012
46
ÍNDICE
FOLHA DE ROSTO
2
AGRADECIMENTO
3
DEDICATÓRIA
4
RESUMO
5
METODOLOGIA
6
SUMÁRIO
7
INTRODUÇÃO
8
CAPÍTULO I
COMO ROMPER O PARADIGMA DAS PRÁTICAS
DOCENTES BASEADAS NA TRANSMISSÃO DO
CONHECIMENTO
10
1.1 - A escola na linha do tempo
11
1.2 – O Trabalho Docente
14
1.3 – Rompendo Paradigmas
16
CAPÍTULO II
PORQUE AS TECNOLOGIAS DEVEM SER
INTEGRADAS ÀS ATIVIDADES PEDAGÓGICAS
20
2.1 – As mídias não digitais na sala de aula
21
2.2 – Vivendo na Cibercultura
23
2.3 – As tecnologias digitais e a competência coletiva
26
CAPÍTULO III
COMO O TABLET PODE SER USADO A SERVIÇO
DA APRENDIZAGEM
30
3.1 – Mobilidade, acessibilidade e interatividade
32
3.2 – Novas tecnologias, novas práticas
35
3.3 – O tablet mudando o ambiente de aprendizagem
37
47
CONCLUSÃO
40
BIBLIOGRAFIA
42
ÍNDICE
46
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