EQUIPE: COORDENADOR SUB-REDE ZONAS COSTEIRAS: Dr. Carlos Alberto Eiras Garcia (FURG) COORDENADOR REBENTOS: Alexander Turra (USP) COMITÊ ORGANIZADOR: Margareth da Silva Copertino (FURG), Alexander Turra (USP), Márcia Regina Denadai (USP), José Henrique Muelbert (FURG), Zelinda M. de Andrade Nery Leão (UFBA), Ruy Kenji Papa de Kikuchi (UFBA), Andréa Mara da Silva Gama (FURG), Leandra Márcia Pedroso Dalmas (FURG). COMITÊ CIENTÍFICO: Carlos Alberto Eiras Garcia (FURG), Margareth da Silva Copertino (FURG), Alexander Turra (USP), Márcia Regina Denadai (USP), José Henrique Muelbert (FURG) APOIO LOGÍSTICO DURANTE EVENTO: Paulo Votto (FURG), Tiago Albuquerque (UFBA), Laísa Peixoto (UFBA), Lucas Rocha (UFBA), Marcéu Lima (UFBA), Leonardo Lopes (UFBA), Mariana Thévenin(UFBA), Adriano Leite (UFBA), Lilian Oliveira Cruz (UFBA), Márcia Carolina de Oliveira Costa (UFBA), Hanna Barros (UFBA). INSTITUIÇÕES EXECUTORAS: Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal da Bahia (UFBA) DATA DO EVENTO: 6 - 9 de novembro de 2011. LOCAL: Portobello Hotéis, Salvador (BA), Brasil. HOMEPAGE: http://www.mudancasclimaticas.zonascosteiras.furg.br/workshop E-MAIL: [email protected] 2 INSTITUIÇÕES NACIONAIS REPRESENTADAS: Diretoria de Hidrografia e Navegação - DHN / MCT Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira – IEAPM Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE Universidade de São Paulo – USP Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP Universidade Federal da Bahia – UFBA Universidade Federal de Rio Grande – FURG Universidade Federal de Santa Catariana – UFSC Universidade Federal do Ceará – UFCE Universidade Federal do Espirito Santo – UFES Universidade Federal do Paraná – UFPR Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN Universidade Federal Fluminense – UFF Universidade Federal Rural da Amazônia – UFRA Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ INSTITUIÇÕES INTERNACIONAIS REPRESENTADAS: Oregon State University, USA Universidade de Aveiro, Portugal University of Maryland, USA University of British Columbia, Canadá University of Essex, UK 3 PALESTRANTES NACIONAIS: Thomas C. Malone, University Maryland (USA) Afonso Paiva, UFRJ Rashid Sumaila, University of Alexander Turra, USP British Columbia (Canadá) Antônio H. F. Klein, UFSC Athur A. Machado, FURG Áurea M. Ciotti, USP RELATORES: Carlos A. Garcia, FURG Carlos A. Silva, UFF Alexander Turra, USP Dieter C. Muehe, UFRJ Artur Machado, FURG Douglas F. M. Gherardi, INPE Aurea Maria Ciotti, USP Eduardo T. Paes, UFRA Dieter C. E. H. Muehe, UFRJ Glauber Gonçalves, FURG Eduardo Siegle, USP Janice Trotte-Duhá, MCT Eduardo Tavares Paes, UFRA José M. L. Dominguez, UFBA Lauro Calliari, FURG Patrizia R. Abdallah, FURG Márcia Denadai, USP Paulo Antunes Horta, UFSC Paulo Horta, UFSC Paulo C. Lana, UFPR Renato Ghosolfi, UFES Renato D. Ghisolfi, UFES Ruy Kikuchi, UFBA Ricardo Coutinho, IEAPM Sônia M. F. Gianesella, USP Roberto Luiz do Carmo, UNICAMP Zelinda Leão, UFBA Ruy Kikuchi, UFBA Salette A. Figueiredo, FURG Zelinda Leão, UFBA PALESTRANTES INTERNACIONAIS: David J. Suggett, University Essex (UK) João Serôdio, Universidade de Aveiro (Portugal) Peter Ruggiero, Oregon State University (USA) REALIZAÇÃO APOIO FAPESP SUMÁRIO RESUMO .............................................................................................................................3 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................................4 1.1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS E ZONAS COSTEIRAS ................................................................. 4 1.2 SUB-REDE ZONAS COSTEIRAS - REDE CLIMA E INCT PARA MUDANÇAS CLIMÁTICAS...... 7 1.3 REDE DE MONITORAMENTO DE HABITATS BENTÔNICOS COSTEIROS (REBENTOS) ...... 10 2. OBJETIVOS ..................................................................................................................... 12 2.1. OBJETIVO GERAL.............................................................................................................. 12 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ................................................................................................... 12 3. METODOLOGIA .............................................................................................................. 13 4. RESULTADOS ................................................................................................................. 14 4.1 DESCRIÇÃO GERAL ............................................................................................................ 14 4.2 CRONOGRAMA DA PROGRAMAÇÃO REALIZADA............................................................ 16 4.3. TRABALHOS APRESENTADOS NA FORMA DE PAINÉIS ................................................... 19 4.4 SÍNTESE DOS TRABALHOS: APRESENTAÇÕES, DISCUSSÕES E RECOMENDAÇÕES ......... 21 5. AVALIAÇÃO DO EVENTO................................................................................................. 59 6. REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 65 ANEXO I: RESUMOS ........................................................................................................... 71 ANEXO II: LISTA DE PARTICIPANTES .................................................................................. 100 2 RESUMO O II Workshop Brasileiro de Mudanças Climáticas em Zonas Costeiras foi realizado no Hotel Portobello Ondina Praia, Salvador (BA), entre os dias 6 e 9 de novembro de 2011. O evento foi promovido pela Sub-Rede Zonas Costeiras, vinculada à Rede CLIMA e INCT para Mudanças Climáticas (INCT–MC). Dentre os principais objetivos do II Workshop destacamos a apresentação de trabalhos desenvolvidos pelos pesquisadores da Subrede Zonas Costeiras, incluindo avaliações históricas e diagnósticas sobre a vulnerabilidade do litoral brasileiro e seus ecossistemas às mudanças climáticas. Esta segunda edição do evento objetivou ainda aprofundar recomendações lançadas durante o I Workshop, particularmente com respeito à proposição de novas abordagens e linhas de pesquisa e a formação de redes observacionais para a costa brasileira. Destacamos neste aspecto a realização, dentro do evento, do II Workshop da Rede de Monitoramento de Habitats Bentônicos Costeiros (ReBentos), cujos objetivos estão estreitamente vinculados ao projeto da Sub-rede Zonas Costeiras. O evento teve a representação de vinte e três (23) instituições nacionais e cinco (5) internacionais, destacando-se a presença de pesquisadores de outras sub-redes da Rede CLIMA & INCT para Mudanças Climáticas (Oceanos, Urbanização e Megacidades) e dos recém formados INCT´s do Mar. Dentre os principais resultados alcançados pela realização do II Workshop destacam-se: 1) o estabelecimento e/ou fortalecimento de redes observacionais na padronização e adaptação de protocolos metodológicos comparativos; 2) o estímulo a criação de novas linhas de pesquisa dentro do tema mudanças climáticas tais como eventos extremos, acidificação dos oceanos e ciclo do carbono; 3) propostas relacionadas com a formação de recursos humanos na área de mudanças climáticas e 4) divulgação científica e a educação da sociedade sobre o tema. As discussões e recomendações lançadas neste II Workshop foram a base para a elaboração do projeto Sistema de Monitoramento da Costa Brasileira (SiMCosta), um mês após o evento, aprovado pelo Fundo Nacional para Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente (MMA / Fundo Clima). 3 1. INTRODUÇÃO 1.1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS E ZONAS COSTEIRAS Zonas Costeiras estão entre as áreas mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas globais, pois serão atingidas diretamente pelo aumento do nível médio do mar, pela exposição a eventos extremos de tempestade, pelas mudanças nos regimes de descarga fluvial dos rios, pela elevação da temperatura superficial do mar, pela acidificação dos oceanos, dentre outros eventos (Trenberth et al. 2007, Bindoff et al. 2007). Entretanto, os impactos potenciais das mudanças climáticas, tanto físicos como biológicos, variarão consideravelmente entre as regiões costeiras, de acordo com suas características naturais e com o grau de degradação ambiental presente em cada região. Além disto, grandes cidades com alta densidade populacional estão concentradas a menos de 100 km da linha de costa, próximas a rios e em regiões de baixa altitude (vales férteis). Estima-se que a densidade populacional da zona costeira deve mais do que dobrar até 2050. Impactos de mudanças climáticas e desenvolvimento urbano deverão triplicar o número de pessoas expostas a inundações costeiras em 2070. Serviços e bens valorizados pela sociedade, os quais representam cerca de 33 trilhões de dólares globalmente, estão concentrados nos ecossistemas costeiros. Desta maneira, compreender os impactos das mudanças climáticas globais em cada região do país torna-se imprescindível ao planejamento estratégico futuro e à tomada de decisões por parte do poder público e da sociedade brasileira. Dentre os efeitos das mudanças climáticas sobre a costa, a elevação do nível do mar tem recebido grande ênfase, devido aos impactos como inundação, erosão, intrusão de água marinha, alteração da amplitude de maré, mudanças nos padrões de sedimentação e redução da penetração da luz na lâmina d’água. Desta maneira, mapas de vulnerabilidade à elevação do nível do mar (e.g. Nicolodi et al. 2010, Costa et al. 2010), devem ser prioridades das atividades de pesquisa sobre os impactos de mudanças climáticas em zonas costeiras brasileiras. Entretanto, não se pode esperar que modelos globais, ou desenvolvidos para outras regiões do planeta, possam ser suficientemente precisos para determinação dos impactos desse fenômeno nas escalas 4 locais e regionais da costa brasileira. Variações do nível do mar são conseqüência de processos meteorológicos, geológicos, climáticos, astronômicos, hidrológicos, glaciológicos e biológicos, bem como das interações que realizam entre si, o que tornam cada região um caso especial e particular. Entretanto, muitas fragilidades ainda dificultam a condução de estudos básicos sobre as previsões da elevação do nível do mar: a inexistência de um referencial altimétrico ortométrico e a carência de dados históricos que permitam estabelecer as taxas de elevação (Lemos et al. 2010). Somente a partir da existência de uma base confiável de dados será possível mapear tais vulnerabilidades e realizar uma previsão dos impactos sobre os meios físico, biótico e sócio-econômico, gerar cenários futuros e avaliar as alternativas de mitigação bem como estratégias adaptativas. As repostas dos sistemas naturais costeiros à elevação do nível do mar são dinâmicas e irão variar também de acordo com as condições geomorfológicas, climáticas e antrópicas locais (Bijlsma et al. 1996). Fenômenos como erosão e inundação poderão ser agravados ou desencadeados, com grandes prejuízos às cidades costeiras. Tais processos são conseqüência não apenas de mudanças no nível do mar, mas também de modificações na distribuição das chuvas, na descarga de material particulado de rios, na freqüência direcional e intensidade das ondas e do aumento da freqüência e intensificação de marés meteorológicas associadas a ciclones extratropicais (Muehe 2006). Dentre os ambientes costeiros altamente vulneráveis aos impactos das modificações climáticas estão estuários, deltas e baías fechadas, afetados diretamente pelas mudanças no nível do mar, pelas taxas pluviométricas e pelas alterações do campo de ventos, com conseqüências nas amplitudes das marés e na descarga fluvial (Möller et al. 2001). As mudanças na hidrodinâmica estuarina, e de sistemas costeiros fechados, afetam a sócia economia regional, particularmente a produção pesqueira (Möller et. al. 2009, Schroeder & Castello 2010). Dentre os diversos ecossistemas costeiros brasileiros que sofrerão os efeitos das mudanças na hidrodinâmica, destacam-se manguezais, marismas e pradarias de plantas submersas, os quais têm sido utilizados como instrumento de avaliação da elevação do nível dos oceanos (Walters et al. 2008). É possível até que a extensão da 5 área ocupada por esses ambientes se desloque em direção ao continente, à medida que a água salgada penetre cada vez mais nos rios e estuários com a elevação do nível dos mar. Entretanto, as margens internas dos estuários e rios, na sua interface com ao ambiente continental, estão normalmente ocupadas por infraestruturas ou drasticamente modificadas, o que impediria este avanço. O aumento da temperatura atmosférica poderia ainda “beneficiar” os manguezais, que geralmente têm sua distribuição limitada pelas temperaturas mínimas e pela ocorrência de geadas. Entretanto, isto dependerá de um balanço entre as taxas de erosão e acresção de sedimentos, do grau de impactos e degradação sofridos por estes ecossistemas e da amplitude da ocupação humana sobre as áreas adjacentes, acima da linha da maré (Faraco et al. 2010). O aumento da temperatura da água é um fato que atuará sobre quase todos os processos biológicos (Moss et al. 2003), podendo influenciar taxas de crescimento, ciclos reprodutivos, distribuições latitudinais e processos migratórios, podendo ainda alterar a vulnerabilidade dos ecossistemas aquáticos à invasão por espécies exóticas (Kling et al. 2003, Moss et al. 2003, Winder e Schindler 2004, Chu et al. 2005). Os modelos climáticos atuais prevêem que o aquecimento das águas superficiais dos oceanos reduzirá ainda a camada de mistura vertical, induzindo mudanças na biomassa fitoplanctônica, na composição de suas espécies e suas taxas de produção (Huisman et al. 2004). O esperado aumento da temperatura das águas superficiais na região costeira do Atlântico Sudoeste, acoplado ao cenário de intensificação das chuvas na bacia do Rio da Prata, podem interferir tanto nas entradas de nutrientes como no grau de estratificação vertical e horizontal das águas da plataforma continental. Esses processos físicos e biogeoquímicos podem modificar a estrutura das comunidades e o destino final do carbono incorporado (Ciotti et al. 1995, Froneman 2006), afetando o papel do fitoplâncton como sorvedouro de CO2, de modo não previsto nos modelos globais atuais. Mudanças ao nível dos produtores primários afetariam, em curto, médio e longo prazo toda a cadeia trófica marinha, com conseqüências drásticas para abundância de espécies de importância pesqueira. 6 No Brasil, as pesquisas relacionadas com impactos, vulnerabilidades e adaptação às mudanças climáticas são limitadas pelas deficiências do conhecimento sobre a dinâmica natural dos ecossistemas costeiros e pela escassez de longas séries temporais (Copertino et al. 2010). Tais limitações somente serão superadas a partir da formação e ação de redes interinstitucionais, da realização de pesquisas integradas e multidisciplinares, da elaboração e execução de protocolos metodológicos padronizados para cada área pesquisa e do estabelecimento de sistemas observacionais contínuos ao longo da costa, com infraestrutura e equipamentos adequados aos monitoramentos. Somente com observações acuradas e consistentes será possível mapear as vulnerabilidades da zona costeira brasileira e prever impactos ecológicos e sócio-econômicos, capazes de propor alternativas de mitigação e estratégias adaptativas (Lemos et al. 2010, Muehe 2010, Nicolodi e Petermann 2010). A complexidade dos ecossistemas costeiros brasileiros e de seus processos, nesta zona de influência do mar e interfaces com o ambiente terrestre, justifica a formação de arranjos institucionais próprios, multidisciplinares e integrados, de modo a compreender sua dinâmica e coordenar todos os interesses variados nos usos dos recursos desta região. Torna-se fundamental ainda a criação e a manutenção de sistemas observacionais permanentes, multidisciplinares e eficientes, que permitam análises em diversas escalas de tempo e espaço apropriadas. Tais sistemas observacionais costeiros devem transcender a programas de monitoramento pontuais, devendo ser concebidos por embasamento científico, de forma a conectar observações ambientais ao manejo dos ecossistemas e recursos naturais (Clarck et al. 2001, Christian 2005). Resultados deste tipo são cruciais para a quantificação e modelagem dos processos físicos e ecológicos, tornando mais eficiente a capacidade de previsão dos impactos das mudanças climáticas sobre os ecossistemas costeiros, tanto a nível regional como global. 1.2 SUB-REDE ZONAS COSTEIRAS - REDE CLIMA E INCT PARA MUDANÇAS CLIMÁTICAS A Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede CLIMA, Portaria MCT no 728, de 20.11.2007) tem como objetivo principal gerar e disseminar 7 conhecimentos para que o Brasil possa responder aos desafios representados pelas causas e efeitos das mudanças climáticas globais (http://www.ccst.inpe.br/redeclima). Um dos primeiros produtos colaborativos da Rede CLIMA é elaboração regular de análise sobre o estado de conhecimento das mudanças climáticas no Brasil, nos moldes dos relatórios do IPCC, porém com análises setoriais mais especificas para a formulação de políticas públicas nacionais e internacionais (Rede CLIMA 2009). O Instituto Nacional de Ciência Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas (CNPq Processo 573797/2008; FAPESP -Processo 08/57719-9) abrange uma rede de pesquisas interdisciplinares, embasada na cooperação de 65 grupos nacionais e 17 grupos internacionais, constituindo-se na maior rede de pesquisas ambientais implantada no Brasil (www.ccst.inpe.br/inct/). Este INCT está diretamente associado à Rede CLIMA e sua estrutura cobre todos os aspectos científicos e tecnológicos de interesse àquela rede. A Rede CLIMA e o INCT para Mudanças Climáticas, em parcerias com programas estaduais e internacionais de pesquisas em mudanças climáticas, estão contribuindo como pilar de pesquisa ao desenvolvimento do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, fornecendo informações científicas de qualidade para subsidiar as políticas públicas de adaptação e mitigação (INCT for Climate Changes 2010). Um dos principais objetivos desses programas é aumentar significativamente os conhecimentos sobre impactos das mudanças climáticas e identificar as principais vulnerabilidades do Brasil em diversos setores e sistemas, dentro os quais se destaca o setor zonas costeiras, estudada por sub-rede de mesmo nome. A sub-rede Zonas Costeiras caracteriza-se por uma rede de pesquisa interdisciplinar e interinstitucional, formada por mais de 50 pesquisadores de diferentes regiões do país e áreas do conhecimento (http://mudancasclimaticas.zonascosteiras.com.br/). O programa possui como principal objetivo avaliar o estado do conhecimento, identificar deficiências, estabelecer protocolos, coordenar/integrar projetos que investiguem a vulnerabilidade e os efeitos das mudanças climáticas em zonas costeiras brasileiras, propondo ações adaptativas e mitigadoras, em conjunto com setores organizados da sociedade. As questões científicas pertinentes, os impactos sobre a costa e as vulnerabilidades ecológica, social e econômica, estão sendo estudadas por 8 especialistas reconhecidos em suas áreas de atuação, de modo a ter repercussão nacional e internacional. Os recursos disponibilizados para a sub-rede Zonas Costeiras (R$ 350.000,00 pelo INCT e R$ 300.000,00 pela Rede CLIMA) foram focados na estruturação física da própria subrede e sua secretaria, na distribuição de bolsas (modalidade DTI) e computadores para diversos grupos de pesquisa e áreas temáticas, no apoio às visitas e integração entre pesquisadores e também no auxílio à participação de bolsistas em eventos nacionais e internacionais. Os membros desta sub-rede disponibilizaram, em contrapartida, seus grupos de pesquisa, projetos e financiamentos, bancos de dados pretéritos, além de outros bolsistas e estudantes. Ao longo de dois anos de existência, os esforços integrados da sub-rede Zonas Costeiras tem alcançado boa parte de seus objetivos e metas, produzindo resultados concretos. Entre estes, destacam-se um grande levantamento sobre o estado da arte do conhecimento sobre zonas costeiras no Brasil, incluindo revisões históricas, análise de dados pretéritos, estudos sobre impactos e vulnerabilidades, além de construção de modelos preditivos (INCT for Climate Changes 2010, Garcia & Nobre 2010). A realização do I Workshop Brasileiro de Mudanças Climáticas em Zonas Costeiras teve papel fundamental para o alcance destes objetivos, através da integração dos pesquisadores e seus resultados, do fortalecimento da estrutura desta sub-rede em nível nacional, e da deliberação de decisões sobre o encaminhamento das pesquisas e ações futuras. O I Workshop Brasileiro de Mudanças Climáticas em Zonas Costeiras foi realizado em setembro de 2009, na Universidade Federal do Rio Grande (FURG) RS, e teve como tema central “Estado do Conhecimento e Recomendações Futuras”. Dentre os impactos causados, destacaram-se a integração e consolidação da rede de pesquisa Zonas Costeiras e a elaboração do Volume Especial “Climate Changes and Brazilian Coastal Zones” publicado pela revista Panamjas. Destaca-se ainda, a elaboração da Declaração de Rio Grande, um documento de base e de conclusão gerado a partir das discussões realizadas durante o evento. 9 1.3 REDE DE MONITORAMENTO DE HABITATS BENTÔNICOS COSTEIROS (REBENTOS) A Rede de Monitoramento de Habitats Bentônicos Costeiros (ReBentos) está inserida na Sub-Rede Zonas Costeiras, portanto vinculada à Rede Clima & INCT para Mudanças Climáticas. Dentre os 13 grupos que compõem a Zonas Coasteiras, quatro são ligados ao ambiente bentônico (Macroalgas e Fanerógamas Marinhas, Recifes Coralinos, Costões e Praias, Manguezais). O articulações para a constituição da ReBentos iniciaram durante o I Workshop Brasileiro de Mudanças Climáticas em Zonas Costeiras, a partir de algumas recomendações realizadas para o estudos em comunidades bentônicas como: Avaliações sobre a variabilidade da distribuição e abundância de espécies “chave” estenotérmicas ou ao longo da costa (macroecologia), considerando diferentes escalas de variação e, se possível, eliminação de fontes de ruído utilizando áreas controle; Estudos sobre a variabilidade da distribuição e abundância de espécies indicadoras, sensíveis à mudanças em parâmetros ambientais, através de uma abordagem padronizada ao longo da costa; Utilização de técnicas ou estratégias de obtenção de dados (imagens, suficiência taxonômica, análise de fisionomias, RAP etc.) que amplifiquem a capacidade geográfica de análise; Avaliação do estado fisiológico de organismos construtores de recifes (algas calcárias e corais); Identificação e registro de mudanças nos “timmings” de florescimento, maturação, liberação de gametas, recrutamento, germinação e outros parâmetros populacionais; Avaliação de perdas ou mudanças de produtividade e função, durante fases detransição ou colapso dos sistemas naturais; Identificação e quantificação dos impactos dos eventos extremos na abundância e fisiologia de espécies, comunidades e ecossistemas: comparação de parâmetros medidos antes e depois dos eventos. 10 Como desdobramentos das discussões durante o I Workshop, surgiu a necessidade de formação ou fortalecimento de Redes Observacionais para a costa brasileira, para monitoramento de parâmetros físicos e biológicos, com a coordenação e participação de membros da Zonas Costeiras. A proposta para financiamento de sete (7) Redes Observacionais foi elaborada para o orçamento 2010/2011 da Rede CLIMA e submetida ao MCT, com valor total aproximado de R$ 1.300.000,00. Dentre elas estava a Rede de Monitoramento de Habitats Bentônicos Costeiros (ReBentos). Estes recursos, entretanto, não foram liberados. A proposta da ReBentos foi apresentada e finalmente aprovada no Edital MCT/CNPq/MMA/MEC/CAPES/FNDCT – Ação Transversal/FAPs no 47/2010 - Chamada 3 - Pesquisa em Redes Temáticas para o entendimento e previsão de respostas da Biodiversidade Brasileira às mudanças climáticas e aos usos da terra, com recursos do CNPq (Proc. 563367/2010-5) e da FAPESP (Proc. 2010/52323-0). Esse edital está vinculado ao Programa SISBIOTA – Brasil, que tem por objetivo fomentar a pesquisa científica para ampliar o conhecimento e o entendimento sobre a biodiversidade brasileira e para melhorar a capacidade preditiva de respostas às mudanças globais, particularmente às mudanças de uso e cobertura da terra e mudanças climáticas, associando formação de recursos humanos, educação ambiental e divulgação do conhecimento científico. O objetivo da proposta da ReBentos foi a criação e implementação de uma rede integrada de estudos dos habitats bentônicos do litoral brasileiro, para detectar os efeitos das mudanças ambientais regionais e globais sobre esses organismos, dando início a uma série histórica de dados sobre a biodiversidade bentônica ao longo da costa brasileira. A proposta contava com a participação de 17 instituições de ensino e/ou pesquisa, localizadas em 11 estados brasileiros e 31 pesquisadores. As metas da ReBentos são: (1) fomentar uma discussão temática voltada para as mudanças climáticas; (2) estabelecer séries temporais com métodos adequados; (3) obter e disponibilizar dados para avaliação do impacto de mudanças globais; (4) formar recursos humanos e (5) propiciar a educação ambiental e divulgação científica. 11 A longo prazo a ReBentos visa o monitoramento contínuo e permanente de parâmetros biológicos e abióticos em diversos habitats ao longo da costa brasileira e a obtenção de séries contínuas de dados no tempo e distribuídas no espaço, por tipo de habitat e através de um gradiente latitudinal, permitindo assim investigar questões científicas relacionadas a alterações causadas por impactos antropogênicos e modificações climáticas. 2. OBJETIVOS 2.1. OBJETIVO GERAL O "II Workshop Brasileiro de Mudanças Climáticas em Zonas Costeiras" objetivou apresentar os trabalhos desenvolvidos pelos pesquisadores da Sub-rede Zonas Costeiras, incluindo avaliações históricas e diagnósticas sobre a vulnerabilidade do litoral brasileiro e seus ecossistemas às mudanças climáticas, avaliando desta maneira metas alcançadas pelo projeto. Esta segunda edição do evento objetivou ainda aprofundar recomendações lançadas durante o I Workshop, particularmente com respeito à proposição de novas abordagens e linhas de pesquisa e a formação de redes observacionais para a costa brasileira. Diversos grupos de pesquisa, cujos estudos estão diretamente ou indiretamente associados com mudanças climáticas em oceanos e zonas costeiras, foram representados durante o evento. Para este segundo Workshop, foram ainda convidados palestrantes internacionais, visando contribuições específicas a temas pouco estudados no Brasil e sobre a formação de redes observacionais costeiras. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1) Apresentar resultados de trabalhos desenvolvidos pelos pesquisadores da Rede CLIMA e INCT para Mudanças Climáticas, particularmente das Sub-redes Zonas Costeiras, Oceanos e Urbanização e Megacidades, os quais se relacionam com os temas e objetivos destes projetos; 12 2) Realizar o II Workshop da Rede de Monitoramento de Habitat Bentônicos Costeiros (ReBentos), cujos objetivos e metas estão vinculados estreitamente ao projeto da Subrede Zonas Costeiras; 3) Discutir e elaborar propostas que visem o estabelecimento de sistemas de observação e redes de monitoramento, sistemáticas e permanentes, para o litoral brasileiro; 4) Discutir a sustentabilidade de observações de longo prazo para o conhecimento dos efeitos das mudanças climáticas nas zonas costeiras; 5) Discutir novas abordagens e linhas de pesquisa, dentro da temática mudanças climáticas e zonas costeiras, que estão ainda em estágio inicial no Brasil; 6) Discutir e propor estratégias para aumentar e melhorar a formação de recursos humanos, geral e específica, na área de mudanças climáticas. 3. METODOLOGIA A programação do II Workshop foi planejada em torno de objetivos, temas e grupos de pesquisa da Sub-rede Zonas Costeiras. Adicionalmente, houve uma preocupação com importantes lacunas, as quais dificultam o avanço da ciência no Brasil, como a formação de redes de monitoramento e sistemas observacionais para a zona marinha e costeira. Os temas e programação do II Workshop foram propostos inicialmente pela coordenação da sub-rede, com contribuições dos membros, que também indicaram os nomes dos palestrantes internacionais. O desenvolvimento dos trabalhos durante o II Workshop baseou-se no seguinte: 13 1) Sessões Plenárias, ministradas por palestrantes internacionais. Em geral, estas sessões abriram os trabalhos do dia ou do turno (manhã ou tarde), servindo como base e motivação científica para os temas que se seguiram nas mesas redondas. 2) Mesas Redondas, com a participação de pesquisadores membros do INCT de Mudanças Climáticas, Rede CLIMA e INCT´s do MAR. As mesas foram formadas em torno de grandes áreas (geologia e dinâmica costeira, oceanografia física e biológica, ecologia de ambientes bentônicos, sócio-economia) ou redes de pesquisa. 3) Realização do II Workshop da Rede de Monitoramento dos Habitats Bentônicos Costeiros (ReBentos), que ocorreu paralelamente e dentro do evento. A ReBentos funcionou como um grande Grupo de Trabalho (GT), em torno do tema específico de monitoramento de ambientes bentônicos. E) A formação de Grupos de Trabalhos (GT´s), constituídos durante o Workshop, para formular recomendações e propor ações futuras para a continuidade das pesquisas sobre Mudanças Climáticas no Brasil e sobre os trabalhos da sub-rede Zonas Costeiras. B) Sessão de Pôsteres, oportunizando a apresentação de trabalhos de estudantes e pesquisadores, nos mais diversos temas de mudanças climáticas em ambientes costeiros e marinhos. A programação, resumos, vídeos e slides das apresentações do II Workshop, assim como outros documentos de base, estão dsiponíveis na página do evento (http://mudancasclimaticas.zonascosteiras.com.br/workshop). Destaca-se como importante produto do evento, a disponibilização on-line de quase todas as palestras, as quais podem ser assistidas concomitantemente com as apresentações em PDF. 4. RESULTADOS 4.1 DESCRIÇÃO GERAL O evento contou com a presença de 172 participantes, entre eles alunos e 14 pesquisadores brasileiros e internacioanis. O evento teve cinco (5) plenárias (palestras internacionais), cinco (5) mesas redondas, uma (1) sessão temática e uma (1) sessão de painéis. Contabilizando todas estas sessões, um total de quarenta e três (48) trabalhos (24 orais e 19 painéis) foram apresentados. As palestras e os trabalhos abrangeram os temas: geologia e dinâmica costeira, oceanografia física, química e biológica, monitoramento ambiental, ecologia e fisiologia de organismos marinhos, sociologia, economia pesqueira, jornalismo e divulgação científica. Os trabalhos e discussões variaram entre estudos globais, nacionais, regionalizados e também locais. As sessões se concentraram em torno dos temas: sistemas observacionais costeiros, redes de pesquisa e monitoramento de mudanças climáticas, vulnerabilidades do litoral brasileiro à mudanças climáticas e eventos extremos, vulnerabilidade dos ecossistemas bênticos, escalas de influência e detecção das mudanças climáticas nas regiões de plataforma e oceânica, a dimensão humana das mudanças climáticas. Foram formados dois Grupos de Trabalho que discutiram e formularam recomendações voltadas para: 1) a formação de recursos humanos em mudanças climátimas e 2) sistemas observacionais e a sustentabilidade dos programas e redes de pesquisa e observação costeira. Estes grupos se reuniram na última tarde do Workshop, para organizar idéias que devem ser melhor trabalhadas na forma de documentos e termos de referências. O II Workshop da Rede de Monitoramento dos Habitats Bentônicos Costeiros (ReBentos) contou com a participação de 39 pesquisadores. A realização do evento contribui para consolidar o trabalho deste grupo, cuja discussões preliminares iniciaram com o projeto Zonas Costeiras e durante o I Workshop Brasileiro de Mudanças Climáticas em Zonas Costeiras. As atividades do II Workshop da ReBentos incluíram apresentações dos sub-projetos (Praias, Recifes e Costões, Estuários, Fundos Submersos Vegetados, Manguezais e Marismas e Educação Ambiental) e o andamento dos seus trabalhos, discussões sobre protocolos de amostragem, recursos para projetos, produtos a serem gerados e atribuição de tarefas para a continuidade dos trabalhos. 15 4.2 CRONOGRAMA DA PROGRAMAÇÃO REALIZADA Dia 7 - Segunda-feira 08:00-08:30 08:30-09:00 09:00-10:00 10:00-10:15 10:15-12:00 Inscrição e entrega de material Secretaria Abertura e Introdução Palestra de Abertura Climate Change, habitat loss and coastal development: the perfect storm for coastal populations Intervalo e Café Mesa Redonda Mudanças climáticas no Oceano e Zona Costeira Brasileira: perspectivas dos INCT´s INCT para Mudanças Climáticas - Zonas Costeiras Thomas Malone, U. Maryland, USA INCT para Mudanças Climáticas - Oceanos Janice Trotte-Duhá DHN / MCT José M. L. Dominguez, UFBA INCT do Mar em Ambientes Marinhos Tropicais Coordenador: Carlos A. Garcia, FURG Carlos A. Garcia, FURG INCT do Mar de Estudos de Processos Oceanográficos Integrados da Plataforma Continental ao Talude Ricardo IEAPM INCT do Mar - Centro de Oceanografia Integrado Paulo C. Lana, UFPR 15:30-16:45 Almoço Mesa Redonda Vulnerabilidades do litoral brasileiro: geomorfologia e dinâmica costeira Respostas da Zona Costeira Brasileira à subida do Nível do Mar e Mudanças no Clima Erosão Costeira: tendência ou eventos extremos? O litoral entre Rio de Janeiro e Cabo Frio. Mudanças na Zona Costeira do Rio Grande do Sul: situação atual e perspectivas O Modelo da forma em planta de Praias de Enseada aplicado a diferentes escalas de tempo e espaço: Exemplos de Santa Catarina Workshop da ReBentos (Executive Center, 5º Andar) Coordenador: José M.L. Dominguez, UFBA José M. L. Dominguez, UFBA Dieter C. Muehe, UFRJ Athur A. Machado, FURG. Antônio H. F. Klein, UFSC Coordenador: Alexander Turra, USP 15:30-16:30 Sessão Temática Metodologias e avaliação de vulnerabilidades costeiras 12:00-13:30 13:30-15:30 16:45-17:00 17:00-18:00 18:00-20:00 Estudos geodésicos sobre ocupações urbanas no litoral norte do Rio Grande do Sul Impactos das mudanças climáticas na costa do Rio Grande do Sul: forçantes externas e controles internos Intervalo e Café Palestra Is the intensifying wave climate of the U.S. pacific Northwest Increasing flooding and erosion risk faster than sea level rise? Coutinho, Coordenador: Glauber Gonçalves, FURG Glauber Gonçalves, FURG Salette A. Figueiredo, FURG Peter Ruggiero Oregon State U., USA Coquetel de Confraternização 16 Dia 8 – Terça-feira Palestra Adaptation of corals to extreme coastal environments: evidence of resilience to a warmer and more acid ocean? David Suggett U. Essex, UK 09:15-10:00 Impactos das alterações globais na produtividade primária das zonas intertidais estuarinas João Serôdio, U. Aveiro,Portugal 10:00-10:15 Intervalo e Café 08:30-09:15 Coordenador: Alexander Turra, USP Zelinda Leão, UFBA Ruy Kikuchi, UFBA Paulo Antunes Horta, UFSC Carlos A. Silva, UFF Alexander Turra, USP 12:00-13:30 Mesa Redonda Ecossistemas Bentônicos e Mudanças Climáticas: Estratégias de Pesquisa O branqueamento de corais e as anomalias térmicas na costa da Bahia nos últimos dez anos Prognóstico da severidade do branqueamento de corais num Atlântico Sul mais quente Efeitos sinérgicos das Mudanças Climáticas e dos impactos da urbanização: A Ecologia e Fisiologia das macroalgas como descritores O Papel da Floresta de Manguezal na captura de Carbono (Carbono Azul): Apade Guapimirim/RJ Rede de Monitoramento de Habitats Bentônicos da Costa Brasileira (ReBentos): histórico e estratégia de atuação Almoço (Restaurante do Hotel Porto Belo) 13:30-18:00 Workshop da Rebentos (Executive Center, 5º Andar|) Coordenador: Alexander Turra 13:30-16:00 Mesa Redonda Mudanças Climáticas no Atlântico Sul: escalas de influência e detecção Coordenador: Afonso Paiva, UFRJ Afonso Paiva, UFRJ Renato D. Ghisolfi, UFES Áurea M. Ciotti, USP Douglas F. M. Gherardi, INPE 10:15-12:00 Mudanças Climáticas e Modelagem Oceânica Variabilidade da Corrente do Brasil associada a eventos ENSO Sistemas de observação no oceano utilizando informações bio-ópticas 16:00-16:15 Análise dos efeitos da variabilidade climática sobre os grandes ecossistemas marinhos brasileiros: situação atual da pesquisa e avanços esperados Processos biogeofísicos de larga escala e suas relações com o sequestro de carbono ao longo da Pluma do Rio Amazonas Intervalo 16:15-18:00 Reunião de Grupos de Trabalho 20:00 Eduardo T. Paes, UFRA Jantar por Adesão 17 Dia 9 – Quarta-feira 09:00-10:00 10:00-10:15 10:15-12:00 Palestra Climate change and its potential impact on the economics of marine fisheries Intervalo Rashid Sumaila, U. Vancouver, Canadá Mesa Redonda Dimensão Humana das Mudanças Climáticas Urbanização, riscos e vulnerabilidades às mudanças climáticas: caracterização da população residente na Zona Costeira do Brasil Coordenador: Paulo C. Lana, UFPR Roberto Luiz do Carmo, UNICAMP Efeitos das Mudanças Climáticas na pesca artesanal do extremo sul do Brasil e impactos sócio-econômicos sobre as comunidades pesqueiras A vulnerabilidade de pescadores artesanais do litoral sul do Brasil: o papel das mudanças climáticas e das unidades de conservação na determinação de suas estratégias de adaptação Patrizia R. Abdallah, FURG Paulo C. Lana, UFPR 12:00-13:30 Almoço 13:30-16:00 Workshop da ReBentos e Reunião de Grupos de Trabalho 16:00-16:15 Intervalo 16:15-18:00 Conclusões, propostas e recomendações finais. 18:00-18:30 Esta programação Encerramento está disponível on-line no site do evento www.mudancasclimaticas.zonascosteiras.furg.br/workshop/images/stories/document os/ii%20wsmczc%20-%20programaofinalpagina.pdf. 18 4.3. TRABALHOS APRESENTADOS NA FORMA DE PAINÉIS EROSÃO COSTEIRA NO RIO GRANDE DO SUL: ANÁLISE DA PASSAGEM DE EVENTOS EXTREMOS E PERFIS DE PRAIA ENTRE 1991 E 1996. Allan O. de Oliveira e Lauro J. Calliari COMPARAÇÃO METODOLÓGICA DE PADRÕES DE CLASSIFICAÇÃO ECOLÓGICA DE AMBIENTES MARINHOS E COSTEIROS COM VISTAS AO MAPEAMENTO CARTOGRÁFICO E DETERMINAÇÃO DA SENSIBILIDADE AMBIENTAL. Carolina S. Mussi, Angelina Coelho, Rafael M. Sperb, Antônio C. Beaumord, João T. Menezes, Maria I. F. Santos, Thelma L. Scolaro, Danielle D. Klein, Roberto A Pavan e Ana P. F. D. Ramos HIDRODINÂMICA DO SACO DO ARRAIAL (LAGOA DOS PATOS, RS) FRENTE ÀS VARIAÇÕES DE DESCARGA FLUVIAL – INDÍCIOS DE RESPOSTAS DAS ENSEADAS RASAS ESTUARINAS ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS. Priscila B. Giordano e Elisa H. L. Fernandes ALTERAÇÕES NA CONCENTRAÇÃO DE CLOROFILA-A SOB INFLUÊNCIA DA RESSURGÊNCIA DE CABO FRIO E SUA RELAÇÃO COM A DISTRIBUIÇÃO DE LARVAS DE CIRRIPEDES E BIVALVES AO LONGO DA PLATAFORMA CONTINENTAL. Ana C. A. Mazzuco, Áurea M. Ciotti e Ronaldo A. Christofoletti PADRÃO TEMPORAL DE OCORRÊNCIA DE FLORAÇÕES FITOPLANCTÔNICAS NA BAIA DE SÃO VICENTE (SP) DURANTE O VERÃO DE 2010. André F. Bucci, Áurea M. Ciotti e Ricardo C. G. Pollery IMPACTO DA URBANIZAÇÃO E TEMPERATURAS EXTREMAS SOBRE A PRODUÇÃO PRÍMARIA DE HYPNEA MUSCIFORMIS (WULFEN) J. V. LAMOUR. Caroline D. Faveri, Cintia Martins, Eder Schimdt, Paulo A. Horta e Zelinda Bouzon ADAPTAÇÃO DA TEMPERATURA DE FRONTEIRA DOS MÉTODOS DO PROGRAMA CORAL REEF WATCH (NOAA) PARA A PREVISÃO DE BRANQUEAMENTO NA COSTA LESTE DO BRASIL. Danilo S. Lisboae Ruy K. P. Kikuchi ANÁLISE PRELIMINAR DE SÉRIES TEMPORAIS DAS CAPTURAS ARTESANAIS DE QUATRO ESPÉCIES ESTUARINO-DEPENDENTES NO SUL DO BRASIL. Gonzalo Velasco, Bruna B. Lima e Leonardo E. Moraes COMPARAÇÃO DE CALCIFICAÇÃO DOS CORAIS MUSSISMILIA BRAZILIENSIS VERRILL, 1868 E SIDERASTREA STELLATA VERRILL, 1868 DA ÉPOCA DO HOLOCENO TARDIO E DO PRESENTE. Laísa P. Ramose Ruy K. P. Kikuchi AVALIAÇÃO DO EFEITO DA TEMPERATURA DA ÁGUA SOBRE A ESPÉCIE DE CORAL MUSSISMILIA BRAZILIENSIS EM AQUÁRIO. Lize E. S. Gonzaga, Marilia D. M. Oliveira, Ruy K. P. Kikuchi e Zelinda M. A. N. Leão ADAPTAÇÃO DO ÍNDICE DE QUALIDADE DE FUNDOS ROCHOSOS (CFR) AO MONITORAMENTO NA BAÍA DE ILHA GRANDE, RIO DE JANEIRO, ENFOCANDO AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS. Maria T. M. Széchy ESTRESSE FÍSICO EM MUSSISMILIA BRAZILIENSIS EM RESPOSTA À SEDIMENTAÇÃO EM TEMPO DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS. Miguel M. Loiola, Clara K. D. Coelho, Marília D. M. Oliveira, Ruy K. P. Kikuchi e Zelinda M. A. N. Leão 19 EVENTOS EXTREMOS E A COMUNIDADE FITOBÊNTICA DO LITORAL SUL DO BRASIL: MUDANÇAS CLIMÁTICAS, UM FUTURO PRÓXIMO? Noele P. Arantes, Cintia D. L. Martins, Cintia Lhullier, Manuela B. Batista e Paulo A. Horta ASPECTOS DA ECOFISIOLOGIA DEPEYSSONNELIA CAPENSIS (PEYSSONNELIALES, RHODOPHYTA) FRENTE A MUDANÇAS CLIMÁTICAS GLOBAIS. Paola F. Sanches e Paulo A. Horta A INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA E CALCIFICAÇÃO NA VARIAÇÃO DE Δ18O, Δ13C E SR/CA NO ESQUELETO DO CORAL MUSSIMILIA BRAZILIENSIS (VERRILL 1868). Priscila M. Gonçalves e Ruy K. P. Kikuchi MITIGAÇÃO DE GEE USANDO MICROALGAS MARINHAS NA PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL DE COMBUSTÍVEIS CARBONO NEUTRO. Sônia M. F. Gianesella, Fernando T. Kanemoto e Flávia M. P. Saldanha-Corrêa MUDANÇA CLIMÁTICA EM CIDADES COSTEIRAS: RESPOSTAS POLÍTICAS E DESAFIOS NA REGIÃO METROPOLITANA DA BAIXADA SANTISTA. Fabiana Barbi e Leila C. Ferreira VIDA E TEMPO EM PROLIFERAÇÃO: POTENCIALIDADES DAS IMAGENS NA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS. Tainá de Luccas e Susana O. Dias 20 4.4 SÍNTESE DOS TRABALHOS: APRESENTAÇÕES, DISCUSSÕES E RECOMENDAÇÕES Esta seção descreve sinteticamente as palestras proferidas e temas discutidos em sessões plenárias, mesas redondas e reuniões temáticas (ReBentos), destacando as principais perguntas, comentários e recomendações que se seguiram sobre os assuntos. A descrição abaixo foi elaborada a partir da contribuição de diversos pesquisadores e membros da sub-rede Zonas Costeiras e da ReBentos, designados como relatores de cada sessão. CLIMATE CHANGE, HABITAT LOSS AND COASTAL DEVELOPMENT: THE PERFECT STORM FOR COASTAL POPULATIONS Palestrante: Thomas Malone (University of Maryland, USA) Relatora: Áurea Maria Ciotti (USP) Numa apresentação bem completa, Dr. Malone apresenta algumas das preocupações recorrentes quando tratamos de sustentabilidade e saúde em ambientes costeiros. Ele optou por construir sua argumentação sob a ótica do efeito aditivo de algum dos problemas já identificados nessa problemática, que se fortificam como durante a formação de uma "perfect storm" (analogia ao processo meteorológico de intensificação de instabilidades na atmosfera). O objetivo final foi enfatizar a necessidade de um número maior de sítios de observação costeira no Brasil e no mundo, já concebidas dentro de maiores escalas temporais e espaciais. Ele mostra como abordagem diagnóstica a quantificação dos chamados "benefícios e serviços" que um dado ambiente costeiro oferece, atualmente sugeridos por uma série de índices. No início da palestra, Dr. Malone nos convida a prestar atenção nas coisas redundantes que virá a colocar, nos instruindo em seguida a igualar redundância com desafio. Discutiu os níveis de diversidade biológica e as pressões de ocupação humana de vários setores da linha de costa brasileira, sugerindo a evolução daqueles de tem possivelmente maior influência, e que acredita serem potencializados (ou intensificados) pelos efeitos das mudanças climáticas. Mostrou preocupação com a falta de observações biológicas nos sítios em geral, apesar de reconhecer que alguns esforços já existem em pontos isolados da costa brasileira, mas alerta que a 21 implementação desses programas depende ainda de um pequeno número de pessoas, usando como exemplo o coastal Global Ocean Observing System. Logo em seguida, Malone mostra o planejamento americano (Pico Plan) de 2010 como uma sugestão de modelo de organização de sítios costeiros. O Pico Plan se baseia na detecção de fenômenos de interesse prioritários e estabelece quais variáveis precisam ser monitoradas para melhor explicá-los. Malone todavia enfatiza que esses fenômenos só podem ser propriamente identificados com uma descrição previa dos processos físicos em cada área de interesse, ilustrando como fenômenos de interesse ao Brasil, a elevação do nível do mar, desenvolvimento da costa e eventos meteorológicos extremos. A apresentação então justifica a construção de um desenho para um sistema de modelagem e observações hierárquico. Torna evidente que, em termos globais, os programas de observações integradas são praticamente inexistentes fora dos EUA, Austrália e Europa e existe uma carência de um centro unificador dos sistemas. A palestra apresentou um grande número de informações, e reflete a enorme experiência pessoal de alguém que tem sido ativo e bastante crítico no processo de implementação de programas de observação costeira. MUDANÇAS CLIMÁTICAS NO OCEANO E ZONA COSTEIRA BRASILEIRA: PERSPECTIVAS DOS INCT’S Mesa Redonda coordenada por: Carlos A. E. Garcia (FURG) Palestrantes: Carlos A. Garcia (FURG) Janice Trotte-Duhá (MCT) José M. L. Dominguez (UFBA), Paulo C. Lana (URPR), Afonso Paiva (UFRJ), Ricardo Coutinho (IAEPM) Relatores: Renato David Ghisolfi, Sônia Maria Flores Gianesella Esta mesa objetivou divulgar as ações do INCT para Mudanças Climáticas (sub-redes Zonas Costeiras e Oceanos) e os recém criados INCT´s do Mar, em um tentativa de integrar estes grandes grupos de pesquisa do Brasil e suas interfaces com as Zonas Costeiras INCT DO MAR EM AMBIENTES MARINHOS TROPICAIS Abrange a Costa Norte e Nordeste, considerando sua grande variabilidade geomorfológica e oceanográfica, incluindo a foz do Amazonas com sua grande 22 complexidade ambiental. Região de grande concentracão de recifes de coral e presença de ilhas oceânicas, de grande importância para transferência de calor devido à bifurcação da corrente equatorial em Corrente do Brasil. Áreas de grande importância turística, mas também sujeita aos efeitos de mudanças ambientais, como erosão costeira. Mudanças climáticas tem potencial de causar alterações locais e regionais, além das globais, de forma que é necessário se conhecer a varaibilidade natural destes ambientes. Três grupos de trabalho: 1. Zona costeira – Vulnerabilidade à MC – Resposta da linha de costa; Plumas fluviais; Recifes e ecossistemas coralinos; Manguezais e costas lamosas; Marcadores de impacto ambiental 2. Plataforma continental – Geodiversidade, biodiversidade e substratos plataformais; Varaibilidade especial e temporal dos ecossistemaspelágicos; Genômica, proteômica e biodiversidade; Biotecnologia 3. Oceano aberto – Interação oceano-atmosfera e variabilidade climática; Ciclos geoquímicos e fluxos; Recursos vivos Mencionando pontos fracos deste INCT, o palestrante reconhece a centralização do projeto entre apenas duas universidades do Nordeste (UFBA e UFPE) e lamenta o redimensionamento do foco em função do corte de 22% dos recursos. Adicionalmente, realiza um verdadeiro desabafo e crítica bastante severa sobre a demasiada burocratização para gestão financeira dos INCT´s. INCT DO MAR – CENTRO DE OCEANOGRAFIA INTEGRADO (COI) Composto por 70 laboratórios e 27 cursos de pós-graduação, em 15 instituições de ensino e pesquisa, somando as colaborações internacionais. Afinidades com INCT-MC Sub-Rede Zonas costeiras e Oceanos orgânicas. Corte de 40% no orçamento original. Lógica de perfis e colocação de bóias, mas que haverá redimensionamento. Menção à necessidade de desfazer estranhamentos originados nas estruturações das propostas. Projeto estruturado em diversas redes temáticas, como a rede-temática 1 “papel dos oceanos nas mudanças climáticas”, subdividida em 2 sub-propostas (Observações / Modelos numéricos) e “Valorização dos recursos vivos, “Biodiversidade e 23 geodiversidade”, além de Formação e capacitação de recursos humanos“, “Grandes equipamentos e infraestrutura” e ”Políticas públicas”. Hipótese: mudanças de grande escala produzirão impactos na costa oeste do Atlântico Sul. Há também um modulo de transferência de conhecimento para sociedade. Foco diferenciado no impacto em organismos de interesse econômico. INCT PARA MUDANÇAS CLIMÁTICAS – SUB-REDE OCEANOS Importância regional do que acontece no Atlântico Sul (aquecimento, retroflexão da corrente das agulhas) e justificativa, com base em eventos extremos recentes, da instalação de boia (ATLAS B) nesta região. Dificuldades burocráticas para avanço das atividades. Relatou dificuldades e mencionou que há a necessidade de um núcleo duro de pesquisa e operação – INPO com vistas a nacionalização de equipamentos, redução de dependência externa etc.). Mencionou que um avanço inicial foi a criação no PPA 2012-2015 do Programa Temático “Mar, Zona Costeira e Antártica”, no qual o INPO é previsto. INCT DO MAR - ESTUDOS E PROCESSOS OCEANOGRÁFICOS INTEGRADOS DA PLATAFORMA CONTINENTAL AO TALUDE Missão: compreensão de processos oceanográficos; formação de recursos humanos; transferência de conhecimento científico visando formulação de políticas públicas. Objetivos: estabelecer modelos conceituais e quantificar fluxos e trocas em diferentes escalas espaciais e temporais, incluindo seus efeitos na biodiversidade. Subdividido em eixos temáticos: 1. Hidrodinâmica do talude e plataforma continental; 2. Fundo marinho, natureza e evolução do substrato oceânico, como subsídio ao estudo da biodiversidade marinha; foco também em estudos sedimentares e paleooceanográficos; 3. Integração de processos bêntico-pelágicos e ciclos biogeoquímicos; 4. Interações: organismos e meio ambiente; 5. Exploração e conhecimento do domínio acústico; 6. Formação de recursos humanos, do ensino fundamental à graduação; 7. Transferência e difusão de conhecimento para sociedade; 24 8. Transferência de conhecimento para empresários e formulação de políticas públicas. Linhas de pesquisa relacionadas à MC: acidificação dos oceanos e feitos sobre os organismos; Caracterização de eventos paleo-oceanográficos com marcadores geoquímicos. Apresentou a área de estudo e a malha amostral, a qual terá que ser redimensionada em função do corte de recursos. Esta INCT possui 126 pesquisadores, abrangendo 27 instituições, 9 estados e 50 programas de pós-graduação. DISCUSSÃO Há sobreposição de atividades . Como resolver essa sobreposição e quantos pesquisadores participam de cada um? Paulo Lana: Há sim sobreposição e concorda com a necessidade de resolver arestas. Propõe fórum para rediscutir readequações para evitar perdas de recursos, tempo e equipamento. Landim: problema principal é o edital engessante. Carlos Garcia: Concorda com a sobreposição e crítica o edital. RC: grande oportunidade de obter grandes avanços na costa brasileira. A readequação, segundo ele, estaria ocorrendo. Sonia(USP) comenta a necessidade de interlocução com o CNPq. Janice Trote: fala de necessidade de colocar isso ao CNPq (via proposta formal). Recomenda a definição e formação do fórum de coordenadores dos INCT´s. Landim: quer o fórum para definir as readequações. Proposta de criar um INCT6 + da área de oceanografia. Carlos Garcia: se um pesquisador não participar de 2INCTs, como fazer isso? Lembra que a Rede Clima é superior e que os pesquisadores poderiam participar do INCT-Oceano e INCT-Zonas Costeiras (Rede Clima). Questiona como as pesquisas do INCT-Oceano seriam passadas ao INCT-ZC? Landim: comunidade pequena. Não há sentido em competir por pesquisadores INCTZC com Rede Clima. Necessidade de realmente criar uma rede. Propõe: criar um INCT-6 = juntando todo mundo que tem interesse na ciência do mar. Criação de um pool de dados para que o pesquisador possa interpretar dados. Ricardo Coutinho: grande desafio é estabelecimento da rede e trabalhar em conjunto 25 Paulo Lana: 2 problemas distintos 1- Os INCTs se parecem entre si e se diferenciam também. 2- Como otimizar as arestas. Afinidade de cada INCT com as mudanças climáticas = a confluência lógica é para a REDECLIMA. Carlos Garcia: Rede Clima é a convergência dos INCTs com relação aos objetivos destes INCTs relacionados a MC. Paulo Lana: reajuste não abordará todas as demandas dos INCts. Importante a realização do fórum para viabilizar todas as demandas que foram colocadas. VULNERABILIDADE DO LITORAL BRASILEIRO: GEOMORFOLOLOGIA E DINÂMICA COSTEIRA Mesa Redonda coordenada por: Prof. José M. L. Dominguez (UFBA) Palestrantes: José M. L. Dominguez (UFBA), Dieter Muehe (UFRJ), Arthur Machado (FURG), Antonio Klein (UFSC) Relatores: Lauro J. Calliari (FURG), Eduardo Siegle (USP) RESPOSTAS DA ZONA COSTEIRA BRASILEIRA A SUBIDA DO NÍVEL DO MAR E MUDANÇAS NO CLIMA O palestrante iniciou os trabalhos focando sua apresentação, colocando como tópico principal as pressões locais nos ambientes, e colocou que de maneira geral as áreas de inundação são realizadas sobre modelos de digital de elevação. Ele reportou as variações topográficas nas diferentes costas do Brasil de regiões mais e menos susceptíveis à inundação pela elevação do nível do mar. Desta forma apresentou diversos estudos de caso ao longo da costa brasileira. Área de Abrolhos onde a mudança do manguezal sobre o apicum tem influenciado nos corais de Abrolhos. Outro exemplo apresentado foi o delta do rio São Francisco que possui uma grande variação temporal. Após foi apresentado o delta do Jequitinhonha que possui uma variabilidade de erosão e progradação na linha de costa. Posteriormente, o Prof. Landim falou sobre a forma como o nível do mar pode subir de forma diferenciada no mundo e não subir igualmente em todos os oceanos. Ele colocou sobre a rápida alteração do ambiente costeiro que o Atlas de erosão costeira organizado pelo prof. 26 Dieter em 2006 estaria hoje completamente desatualizado e não poderia servir como base. Ele colocou que uma simples mudança na orientação do clima de ondas predominante pode ocasionar em um impacto muito maior à linha costeira do que a própria elevação do nível do mar. Foi colocado que com esta variação quando há uma progradação o homem ocupa esta região e posteriormente, com uma retração da linha de costa esta entra em erosão como o caso de Salvador, Recife e Alagoas, erosão com causas antrópicas. De forma geral, destacou a importância de estudos locais, em função da especificidade dos diferentes ambientes em função da grande variabilidade. Previsões de caráter regional acabam não funcionando para a previsão local. Os pontos fundamentais ressaltados na palestra foram: - Devido as características geomorfológicas, litológicas e dinâmicas de cada local, as previsões de caráter regional não funcionam. Assim torna-se necessário voltar os estudos para previsões locais no sentido de que o entendimento leve a uma melhor mitigação dos problemas de erosão. Adicionalmente, foi levantado que a subida do nível do mar não vai ser uniforme para todo o globo, tal fato é importante nas previsões bem como modelos que assumem uniformidade nesse padrão de elevação. - O fenômeno de erosão é intrínseco aos processos de erosão e deposição de sedimentos sendo assim precisamos entender em nível de detalhe como o processo funciona - Esses estudos são interdisciplinares entretanto os pesquisadores não interagem de maneira adequada (pouca interação) - Falta de ferramentas tecnológicas para produzir mais interação (foi salientado que correio eletrônico e home Page não são maneiras adequadas de se trabalhar em rede). - Muitas publicações que já definiram certas áreas com padrões erosivos ou deposicionais, ao longo do litoral brasileiro foram e são passíveis de alteração tornando-se assim um instrumento não muito preciso para os gestores costeiros. Muitas vezes detalhes que provocam mudanças em curto prazo podem levar a percepções errôneas por parte dos tomadores de decisão em gerenciamento costeiro. Dados pontuais precisam ser atualizados frequentemente se realmente quisermos usar essas ferramentas na gestão costeira. - Mudanças no clima de ondas (padrão ondulatório) geram processos erosivos de alta escala bem maior do que a subida do nível do mar, isso pode indicar caminhos que 27 devem ser priorizados na obtenção de esforços para entender e prever futuras alterações devido a erosão na linha de costa. EROSÃO COSTEIRA: TENDÊNCIA OU EVENTOS EXTREMOS ? O LITORAL ENTRE RIO DE JANEIRO E CABO FRIO Iniciou a palestra falando sobre a orientação do litoral que é leste-oeste que está diretamente exposta as ondulações que vem de sul. Ele apresentou um trabalho de 1999 que apresentou as áreas de risco para esta região, mostrando que para uma região mesmo havendo a construção de um muro, a praia não sofreu erosão. Apresentou dois trabalhos de dois autores que esta linha estaria em erosão em um trabalho e em equilíbrio dinâmico em outro. O Prof. Muehe apresentou várias praias que sofreram erosão durante eventos de alta energia (ressaca) e posteriormente as praias se recuperaram.Um estudo de caso para a praia de Barra do Itamaracá foi apresentado, colocando que o maior problema de erosão não é devido a mudanças climáticas e sim resultado de eventos extremos. Posteriormente, apresentou um estudo de caso da praia de Massambaba mostrando um banco de areia com volume quatro vezes maior que o material erodido da praia, mostrando que os eventos extremos podem trazer material da plataforma continental para regiões costeiras com problemas erosivos. Os estudos feitos até o momento em várias praias do litoral do RJ mostram a importância de se efetuar monitoramento de larga escala bem como dar continuidade ao estudo dos eventos extremos, uma vez que certos setores da costa se recuperam e outros não. MUDANÇAS NA ZONA COSTEIRA DO RS: SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS O palestrante falou sobre análise de risco e uma metodologia para avaliação do risco. O palestrante falou sobre perigo caracterizado pelos ciclones extratropicais e anticiclones. Apresentou as trajetórias dos ciclones na região sul do Brasil e norte da Argentina. O autor apresentou um estudo pelo instituto hidráulico da Cantábria sobre a elevação do nível do mar e a altura das ondas para toda a América latina para os anos de 2010 a 2040 e de 2040 a 2070. Desta forma ele fez uma análise das perspectivas de erosão para a costa do RS utilizando este estudo. O palestrante apresentou diversos estudos de caso erosivos para a costa do RS, dentre quais se 28 podem citar a praia do Cassino, Hermenegildo e farol da Conceição. O palestrante terminou dizendo que a chave para a proteção costeira é o planejamento para cada local. A costa do RS, vem sofrendo erosão acelerada permanente em alguns trechos. Estudos do clima de ondas em oceano profundo mostram uma leve tendência ao aumento do número e intensidade dos eventos extremos. Vários cenários de inundação foram simulados para um dos setores mais vulneráveis (o balneário do Hermenegildo). Existem setores que frequentemente experimentam erosão e inundação, entretanto a inexistência de urbanização nos mesmos diminuem o risco e a vulnerabilidade dos mesmos. Em termos de urbanização seria interessante computar os futuros cenários de elevação do nível do mar. Dados do Instituto da Cantábria para a costa do RS,associados a dados locais obtidos ao longo de 15 anos de monitoramento indicam que o fenômeno da erosão pode se agravar.Necessidade de levantamento de dados para o clima de ondas nas últimas décadas para águas rasas, bem como análise estatística sobre a probabilidade de retorno de eventos extremos, aspectos ainda não definidos na costa do RS. O MODELO DA FORMA EM PLANTA DE PRAIAS EM ENSEADA APLICADO A DIFERENTES ESCALAS DE TEMPO E ESPAÇO: EXEMPLOS DE SANTA CATARINA O palestrante iniciou falando sobre erosão, acresção e rotação praial. O autor colocou que a orientação das praias está diretamente relacionada à orientação do clima de ondas. Posteriormente, o palestrante apresentou a teoria de perfil em planta de praias arenosas. Posteriormente o palestrante apresentou diversos estudos de caso para a costa do estado de SC. Então foi apresentado o teste de robustez do modelo, no qual se comparou o modelo teórico com outros modelos numéricos. O Prof. Klein mostrou que pode ter ocorrido uma mudança na orientação das ondas desde o pleistoceno até o presente momento. A estabilidade e orientação da linha de costa das praias parabólicas (de enseada) as quais compreendem entre 50% e 80% das costas do globo é dependente do fluxo de energia, ou seja em ultima análise da direção das ondas. Se houver uma mudança do padrão, haverá ajuste na direção da linha de costa. É fundamental em termos de Brasil efetuar estudos de retro-análise para verificar tendências e incorporar essas tendências nos futuros modelos que prevêem mudanças nesses setores costeiros. 29 DISCUSSÃO Iniciando as discussões o prof. Paulo Horta (UFSC) perguntou quanto que a descaracterização da zona costeira está sendo considerada nos modelos. O Prof. Klein colocou que tem um projeto em SC onde um aluno de mestrado está analisando o quanto que a ocupação do solo influencia na produção de sedimentos para a zona costeira. Colocando que é importante que haja esta sinergia de ocupação com a erosão costeira. O Prof. Muehe completou que a partir do livro de erosão costeira foi um marco para inicio dos estudos dos processos locais para os climas de ondas. Ele comentou que na área de engenharia costeira sempre foi desconsiderado o que acontecia na costa e que isso vem mudando com o tempo. E salientou que o que o Prof.Landim colocou que a grande maioria das planícies deltaicas não seriam deltas verdadeiros, e se isso for verdade a construção de barragens não teriam grandes efeitos na erosão costeira. O Prof. Angelo (UFES) fez uma pergunta sobre qual seria a escala temporal de observação local da ser adotada futuramente e outra sobre o efeito da ocupação local na erosão costeira. O Arthur colocou que sobre a escala temporal o que se necessita é a coleta de dados. E que a partir de imagens e fotografias de 1947 até o presente para a taxa de retração da linha de costa para a praia do Hermenegildo teria aumentado a partir desta data, mas a escala de trabalho depende da aquisição de dados. O Prof. Muehe colocou que este assunto é essencial, e que as imagens de satélite hoje são fundamentais, mas o uso de fotografias aéreas pretéritas levanta questões sobre a dificuldade de seu georeferenciamento. Ele salientou que a disponibilidade de dados é bastante complexa e que o custo de imagens é extremamente alto. O Prof.Landim colocou que mudanças criam problemas e que o próprio homem somente começou a plantar após a estabilização do nível dos oceanos. Então necessitamos ter acesso a imagens. O Prof. Glauber da FURG colocou que o Brasil em 2010 foi o país que mais adquiriu imagens do satélite Quickbird, com objetivo de fiscalizar a arrecadação de IPTU, através do ministério das cidades. No entanto, é bastante difícil conseguir dados pela falta intercomunicação entre os ministérios. 30 O Prof. Lauro Calliari (FURG) perguntou para a mesa sobre as variações interdecadais serem responsáveis pelas variações costeiras. O prof. Klein colocou que o assunto era importante e que são questões importantes e colocou que para irmos para a antepraia temos que ter mais informações. Discutiu-se que não cabe aos pesquisadores/universidades a coleta de dados para monitoramento, função que deveria ser assumida por algum órgão governamental. O Prof.Landim colocou que a CPRM contratou uma empresa americana e fez o levantamento de toda a costa de AL com LIDAR até os 30 m, no entanto os dados não estão disponibilizados. Ressaltou que esses dados seriam de grande importância para o estudo da biota marinha de corais, por exemplo. O Prof. Klein colocou que o SMC disponibiliza os dadosde batimetria para todo o Brasil e os dados de ondas (resultados de modelo global de geração de ondas) também serão disponibilizados para toda a comunidade científica assim como a cota de inundação e maré meteorológica. E o MMA está tentando mudar este paradigma e disponibilizar os dados. O Prof. Francisco Barros (UFBA) colocou que está se buscando modelos mais gerais, mas que não estão funcionando, pois a especificidade é muito grande para que funcionem. E perguntou a mesa se oscientistas brasileiros serão capazes de propor diretrizes e não somente segui-las. O Prof. Muehe colocou que o modelo não precisa responder a todos ambientes, na verdade ele tem que se aproximar da realidade para depois verificarmos o que causa um problema no modelo. No caso do gerenciamento o Prof. Muehe ressaltou que ficou impressionado com o grau de detalhe dos modelos de gerenciamento de apresentados na sessão da manhã. Ele vê o projeto Orla como um grande projeto que engloba área ambiental com a social. Mas este deverá estar acoplado ao gerenciamento costeiro global ou entregado. O Arthur falou sobre uma audiência pública na Pref. de Santa Vitória do Palmar, na qual vários pesquisadores apresentaram os problemas de erosão do Hermenegildo e soluções, mas que a continuação dependerá do poder público. METODOLOGIA E AVALIAÇÃO DE VULNERABILIDADES COSTEIRAS Palestrantes: Glauber Gonçalves (FURG), Salette A. Figueiredo (FURG) Relatores: Lauro Calliari (FURG), Arthur Machado (FURG) 31 ESTUDOS GEODÉSICOS SOBRE OCUPAÇÕES URBANAS NO LITORAL NORTE DO RIO GRANDE DO SUL Foi ressaltada que muitas observações de detalhe já efetuadas no litoral brasileiro as quais são fundamentais e imprescindíveis para os aspectos de vulnerabilidade da costa frente a mudanças climáticas e eventos extremos estão restritas a alguns canais de informação. Valores vultuosos de investimentos ficam restritos a certos órgãos e devido a falta de coordenação geral (governo x sociedade) não são divulgados e disponibilizados. Isso envolve estudos topográficos e geodésicos de detalhe. O Professor Dieter citou a dificuldade de se conseguir fotos aéreas e imagens de satélites para o estudo do litoral (INPE—SÃO MUITO CARAS). Para que tenha um estudo de variação da zona costeira são necessárias muitas imagens e com isso ficando inviável o trabalho. Deveria existir uma maneira de conseguir as fotos mais baratas para estudos sobre mudanças climáticas e riscos costeiros. Outro aspecto importante ressaltado foi o problema de referencial do nível do mar. Ou seja, existem inúmeros ruídos introduzidos nos dados atuais usados por pesquisadores nos estudos relativos ao aumento ou descida do nível. Erros graves podem estar sendo introduzidos nos modelos os quais superam em muito as previsões de subida nas diferentes escalas temporais assim sendo é importante estabelecer uma metodologia precisa para servir de base para todos os estudos. IMPACTO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NA COSTA DO RS: FORÇANTES EXTERNAS E CONTROLES INTERNOS -As previsões de subida do nível de mar se confirmadas as taxas previstas pelo IPCC e outros cientistas terão grande impacto nas costas expostas do RS. Particularmente , o trabalho indica um forte controle da ante-praia (shoreface) na evolução costeira. Áreas com perfil mais suave sofrerão um recuo mais acentuado da linha de costa em contraposição a regiões onde a ante-praia apresenta maior declividade. Tal fato pode alterar e mesmo inverter os padrões atuais de erosão costeira observados na costa do RS. Os estudos mostram a necessidade de se detalhar mais a morfologia e sedimentologia bem como a herança geológica dos diversos setores costeiros uma vez que estas 32 características podem influenciar os padrões gerais determinados pelos modelos evolutivos. Outra questão abordada na discussão foi a necessidade de maiores estudo na variação da direção de ondas que incidem na costa, pois as ondas moldam e modificam a linha de costa com apenas mínimas variações de direção. ADAPTAÇÃO DOS CORAIS A UM AMBIENTE COSTEIRO EXTREMO: EVIDÊNCIA DE RESILIÊNCIA A UM OCEANO MAIS QUENTE E MAIS ÁCIDO? Palestrante: David Sugget Relatores: Zelinda M. A. N. Leão (UFBA), Ruy Kikuchi (UFBA) Introdução. Entender como os corais irão responder a elevação da temperatura da superfície do mar (TSM) e a acidificação do oceano (AO) como resultado do aumento da concentração do CO2 atmosférico, é uma prioridade de pesquisa nos recifes de coral. Inúmeras observações sugerem que estes fatores irão contribuir para o aumento da mortalidade dos corais e, em conseqüência, diminuir a capacidade de formação dos recifes. Considerando a dependência que milhões de pessoas no mundo têm dos recifes, os cientistas têm tentado desenvolver “produtos” gerados através de dados de controle remoto para prever futuras mudanças da TSM e AO. Infelizmente estes algoritmos apresentam dois tipos de falha: (i) não fornecem aos gestores previsões significativas em longo prazo, e (ii) não levam em consideração a ligação biológica-física. Esta segunda falha reflete uma evidência crescente de que as populações e comunidades de corais possam ser resilientes (environmental factors buffer against change) e resistentes (physiologically more tolerant) ao estresse, e os algoritmos genéricos ligando as respostas biológicas (mortalidade) aos controladores físicos (TSM e AO) não têm sido aplicados. Objetivos. A palestra descreveu padrões recentes de resiliência e resistência dos corais e como os paradigmas emergentes podem ser usados para gerar novos algoritmos baseados em resiliência, focando como estas observações poderão ser aplicadas nos recifes do Brasil, enfatizando sua importância na conservação destes recifes. Resultados das pesquisas sobre efeitos do aumento da TSM e AO. Com relação ao aumento da TSM, um exemplo recente no Arquipélago da Indonésia, onde foi observado, em 2010, o maior aumento da TSM tanto em intensidade quanto em extensão geográfica, uma análise 33 histórica da TSM revelou que variação da amplitude da TSM, i.e., a variabilidade intrínseca a qual os corais estão adaptados, está ligada à extensão a qual os corais branqueados morrem. Assim, nos recifes com maior variabilidade intrínseca da TSM, haverá menos mortalidade. A mortalidade dos corais é dependente também da intensidade de luz. Observações têm mostrado que recifes em locais com águas menos claras (> valor de Kd, coeficiente de difusão) devido à ressuspensão de sedimento, têm amenizado o sistema contra o estresse térmico. Estas observações podem ser aplicadas aos recifes brasileiros, os quais claramente apresentam uma resiliência natural (águas turvas) com potencial de resistência às variações de TSM. A elaboração de “mapas” de resiliência considerando a natureza dessas variáveis será um meio mais efetivo para os gestores investirem recursos na conservação de áreas recifais críticas. E os recifes do Brasil poderão oferecer um modelo importante para testar tais mapas. Com relação a como os corais irão responder à AO, é um problema mais complicado e muito mais antigo que o aumento da TSM. Estudos recentes têm demonstrado que em resposta à AO, os corais irão calcificar mais lentamente ou até apresentar dissolução do seu esqueleto, porém o uso de diferentes metodologias e/ou de espécies tem apresentado dificuldade em se fazer previsões de como as comunidades recifais irão responder à AO. O desenvolvimento de uma nova abordagem para medir o CO2 da água do mar, pode produzir meios de sobrepor às inconsistências metodológicas e melhor controlar a manipulação da química do carbono. E esta abordagem tem sido aplicada para avaliar o papel da luz em moderar a resposta dos corais à AO. Testes realizados com espécies de coral têm demonstrado que a intensidade elevada de luz parece reduzir a extensão a qual a AO decresce a calcificação, sugerindo que a perda no crescimento do coral induzida pela AO vai depender do clima da luz subaquática. Como isto se estende aos recifes do Brasil é ainda um fator desconhecido. Pesquisas estão em desenvolvimento usando estes sensores para avaliar se as condições do ambiente recifal brasileiro também se estendem aos índices de CO2/pH, tornando-os resilientes/resistente à AO. IMPACTOS DAS ALTERAÇÕES GLOBAIS NA PRODUTIVIDADE PRIMÁRIA DAS ZONAS INTERTIDAIS ESTUARINAS Palestrante: João Serôdio (Universidade de Alveiro, Portugal) Relator: Paulo A. Horta (UFSC), Áurea Maria Ciotti (USP) 34 Apresentação centrada na produção primária de estuários, focando o microfitobentos. A palestra foi divida em duas partes. Na primeira, Serôdio introduz o problema da produção primaria estuarina e impactos de mudanças climáticas, focando no microfitobentos de sedimentos não consolidados. Apresenta os estudos feitos com grupos de diatomáceas e indaga que esse campo de pesquisa tem se expandido rapidamente, sendo as principais razões os efeitos que esses organismos exercem na coesividade dos sedimentos (que tem implicações na erosão e porque podem ser os principais produtores primários em regiões estuarinas aonde as marés são importantes. Os experimentos mostram que esse grupo é extremamente tolerante aos efeitos de irradiancia, tanto por ajustes fisiológicos como comportamentais. Na segunda parte da palestra, Serodio mostra resultados recentes de seu grupo de pesquisa, e as abordagens experimentais em andamento. Mostrou estudos regionais em Aveiro, que registra elevações de nível do mar da ordem de 1mm por ano, e que impõem mudanças importantes na salinidade e granulometria. Seu grupo tem observado mudanças na comunidade de micro-fitobentos, e os programas atuais procuram defender a hipótese de que essas alterações serão seguidas de uma diminuição na produtividade primária do ambiente. Todavia, existem evidências de que as comunidades possam vir a ser recuperar rapidamente aos efeitos da erosão. As diatomáceas bentônicas formam microfilmes sobre o sedimento, formando o “jardim secreto das diatomáceas”. Estes organismos são recentes do ponto de vista evolutivo, destacando-se que algums movimentos resultam de processos ativados pela luz. Durante esse movimento estes organismos secretam polissacarídeos, substâncias muscilaginosas que promovem sedimento mais agregados, minimizando processos erosivos. O pesquisador destacou que as diatomáceas em geral são responsáveis pela fixação de 1/5 do CO2 atmosférico. Apesar de serem microorganismos, sua produção primária pode superar a produção primária de ambientes terrestres. Destacou que dentre os fatores relacionados com as mudanças climáticas, UV e hidrodinâmicas são de maior relevância se tratando de organismos que ocupam a região entre marés de fundos não consolidados. Estes ambientes por estarem submetidos a grandes variações ambientais próprias de seus ambientes, sendo possivelmente naturalmente resistentes a variações relacionados às mudanças climáticas. Apresentando do pH no microfitobentos, evidenciou variações ao redor de 9-6. Estes organismos apresentam 35 uma série de mecanismos de reparo de danos causados por valores muito elevados de luz. Estes organismos apresentam mecanismos muito eficientes de dissipação de energia. Estes mecanismos podem ser quantificados através da análise de parâmetros relacionados com a fluorescência. Dessa forma as diatomáceas são mais eficientes na sua proteção que plantas, entre outros organismos fotossintetizantes oceânicos. Resultados em biofilmes intactos, estudos que representam ambientes naturais, pois estas células podem “fugir” da irradiação UV. Considerando que esta migração pode apresentar ciclo diário, a caracterização, quali e quantitativa deve prever que estes organismos tem este tipo de movimento. O efeito da adição UV e dependente da espécie. A idéia inicial de que o pH tem baixa importância na biologia das diatomáceas do perifiton, deve ser considerada com cautela uma vez que o efeito combinado deste fator com fatores como a herbivoria, que é alterada quando se altera o pH. A utilização de inibidores de migração, com a utilização de fluorômetros de imagens testes mais eficientes podem ser realizados. Passando para a avaliação de estuários e os impactos relacionados à elevação do nível do mar. O aumento do nível médio do mar levará à variações na salinidade e no processo de sedimentação, levando à menor penetração de luz no sedimento. Modificações na salinidade e na granulometria do sedimento levou ao desaparecimento de gramas marinhas nos últimos 50 anos. Esta alteração na qualidade do sedimento pode levar a uma redução na produtividade primária do estuário uma vez que sedimentos finos apresentam maior abundância de organismos microfitobênticos em relação a sedimentos mais grossos. Entretanto, estes organismos apresentam grande capacidade de sobreviver enterrados, o que pode representar uma capacidade particular de sobreviver a eventos extremos. Existe necessidade de se promover observação de longa duração, estruturando equipes para o monitoramento de diferentes parâmetros físicos, químicos e biológicos. Foi uma palestra muito didática e ilustrou um campo de pesquisa ainda pouco desenvolvido no Brasil e que deve se melhor explorado. As abordagens experimentais seriam facilmente aplicáveis. ECOSSISTEMAS BENTÔNICOS E MUDANÇAS CLIMÁTICAS: ESTRATÉGIAS DE PESQUISA Mesa Redonda coordenada por: Alexander Turra 36 Palestrantes: Zelinda Leão (UFBA), Ruy Kikuchi (UFBA), Paulo Antunes Horta (UFSC), Carlos A. Silva (UFF), Alexander Turra (USP) Relatores: Márcia Regina Denadai (USP) O BRANQUEAMENTO DE CORAIS E AS ANOMALIAS TÉRMICAS NA COSTA DA BAHIA NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS O aquecimento global tem sido considerado a principal ameaça aos recifes de coral, devido o aumento da severidade e da frequência dos eventos de branqueamento e a consequente mortalidade dos corais. Vários exemplos têm demonstrado que o branqueamento, em grande escala, tem ocorrido associado a fenômenos ambientais extremos, particularmente a elevação da temperatura das águas oceânicas e o aumento das radiações solares. A incidência e a severidade do branqueamento podem provocar mudanças na estrutura da comunidade coralina, com respeito à sua biodiversidade, reprodução, diminuição da extensão linear e redução da taxa de calcificação do esqueleto dos corais e, consequentemente, da manutenção e do desenvolvimento do recife. Corais branqueados nos recifes do Brasil foram observados desde a década de 1980, entretanto somente a partir dos anos de 1990, começaram a surgir os primeiros registros de branqueamento de corais no Brasil, coincidentes com ocorrências de anomalias térmicas. Os eventos mais fortes ocorreram durante os períodos do verão de 1997/98, 2002/03, 2004/05 e 2009/10, quando temperaturas elevadas das águas oceânicas coincidiram com os anos de El Niño, com registros de anomalias térmicas de até 1oC em toda a costa do estado da Bahia. O branqueamento de 2010 foi o evento de maior extensão registrado. Embora os percentuais de colônias branqueadas nos recifes do Brasil em alguns casos tenham sido relativamente altos (> 50%), até o momento não foi observada mortalidade em massa de corais. Seria isto uma indicação que esses corais já estejam adaptados a essas variações ambientais? Para os corais que sobrevivem ao branqueamento, as variações da temperatura da água do mar podem se tornar um potencial para sua aclimatação ou adaptação e, assim, eles irão apresentar uma maior resistência ao atual cenário de aquecimento global. Já para as espécies que apresentam uma maior susceptibilidade às variações da temperatura da água e têm ocorrência mais baixa, pode aumentar a chance de sua extinção regional. 37 PROGNÓSTICO DA SEVERIDADE DO BRANQUEAMENTO DE CORAIS NUM ATLÂNTICO SUL MAIS QUENTE Eventos severos de branqueamento de corais na costa brasileira têm ocorrido com frequência nos últimos vinte anos. Relatos publicados a partir da década de 90 tratam de ocorrências na costa sudeste e leste, e mais recentemente também na costa nordeste. Globalmente, a recorrência desses eventos intensos têm aumentado nos últimos 30 anos e a sua relação com anomalias térmicas da água do mar (ATSM) está bem estabelecida. Dados do modelo climático global HadCM3 (obtidos através do CPTEC/INPE) indicam que a frequência de ATSM aumentará nos próximos 60 anos na região estudada (18 ̊S a 0 ̊S). Foram utilizados quatro membros que contemplam as incertezas das projeções do cenário de emissões A1B. A relação estabelecida entre anomalias térmicas e a frequência conhecida de colônias de corais branqueados nos recifes da costa leste brasileira, nos eventos dos últimos 20 anos, categorizada em quatro níveis de severidade (baixa, intermediária, alta e muito alta), permitiu criar-se um modelo preditivo de branqueamento da região. O modelo prevê um crescimento na recorrência de eventos muito severos de branqueamento nos próximos 60 anos, com um evento de alta severidade a cada 10 anos entre 2011-2040, e até um evento muito severo a cada cinco anos no intervalo de 2041 a 2070, no Extremo Sul da Bahia (18-16 ̊S). Esse recrudescimento aumenta para norte, onde porção entre 13-12 ̊S (Norte da Bahia) o maior aumento ocorrerá nos próximos 30 anos, quando se espera a recorrência de eventos de muito alta severidade a cada 3 anos, aproximadamente. Entre 2041-70, prevê-se uma queda de até 50% na frequência de eventos de branqueamento muito severo, que poderá se repetir uma vez a cada 5 anos. Na região ao norte da desembocadura do rio São Francisco (11-0 ̊S) devem ocorrer cerca de 3 eventos muito severos por década, entre 2041 e 2070. EFEITOS SINÉRGICOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DOS IMPACTOS DA URBANIZAÇÃO: A ECOLOGIA E FISIOLOGIA DAS MACROALGAS COMO DESCRITORES O presente trabalho descreve a resposta ecológica e fisiológica de diferentes populações de macroalgas diante de variações sinérgicas de fatores relacionados com as mudanças climáticas com impactos relacionados ao processo de urbanização das 38 regiões costeiras. As coletas foram realizadas em diferentes pontos do litoral brasileiro, durante diferentes períodos de 2008 a 2011. Na caracterização descritiva foram selecionados costões rochosos em praias urbanizadas ou não. Na abordagem experimental foram transplantados entre locais com diferentes intensidades de impactos antrópicos população k e r estrategistas. Procedimentos semelhantes foram realizados em laboratório, expondo estas algas a diferentes intensidades de luz, temperatura, nutrientes e poluentes diversos e graus de salinidade. Os testes de significância realizados a partir dos dados ecológicos descritivos indicaram que a riqueza de espécies, a diversidade de Shannon-Wiener e a equitabilidade de Pielou foram superiores nas praias preservadas quando comparadas às praias urbanizadas. De maneira geral, tanto os transplantes quanto as incubações em laboratório em condições extremas reduziram quali ou quantitativamente o desempenho fisiológico dos diferentes modelos utilizados. A redução no pH da água concomitante com a elevação de nutrientes inorgânicos dissolvidos, resultou em uma redução da taxa de transporte de elétrons, assim como dos demais descritores da fotossíntese derivados da análise da fluorometria, em diferentes espécies de macroalgas. Portanto, os impactos antrópicos agindo de maneira sinérgica com as variações de parâmetros relacionados com as mudanças climáticas globais comprometem o desempenho fisiológico e consequentemente alteram diferentes aspectos da diversidade biológica, reforçando a demanda por ações de mitigação destes impactos sobre os ambientes costeiros. O PAPEL DA FLORESTA DE MANGUEZAL NA CAPTURA DE CARBONO (CARBONO AZUL): APA DE GUAPIMIRIM/RJ A floresta de manguezal remove o CO2 da atmosfera via atividade fotossintética e retorna certa quantidade desse gás para atmosfera através da atividade respiratória e da oxidação da matéria orgânica morta. O estoque da matéria orgânica remanescente na floresta ocorre nos tecidos das plantas (biomassa aérea e subterrânea) e no sedimento. Esse carbono capturado pelas árvores de mangue e pelo sedimento de mangue, os quais sofrem influência do oceano, é denominado de carbono azul (“Blue Carbon”). Parte do CO2 removido pode ser inserida na hidrodinâmica estuarina na forma de macrodetritos (i.é., folhas) e/ou na forma de matéria orgânica dissolvida. 39 Essas formas de CO2 podem sofrer diferentes processos biogeoquímicos ao longo da calha estuarina, os quais são pouco conhecidos. Apesar dos estuários representarem pequenos corpos de água quando vistos de forma isolada, em relação ao oceano, estes podem contribuir significativamente na liberação ou na retirada do dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. Cada estuário deve ser considerado como parte do ciclo do carbono. O CO2 através da atmosfera chega até as águas, as plantas e nos tecidos animais. Finalizando, o entendimento das variáveis temperatura, salinidade, pH, AT e DIC, envolvendo o CO2 inorgânico dissolvido nas valetas dentro da floresta de manguezal é um importante passo para a compreensão dos processos de seqüestro e liberação do CO2 do sistema estuarino da APA de Guapimirim e o começo de uma importante contribuição para entender o papel do sistema estuarino no seqüestro do CO2. REDE DE MONITORAMENTO DE HABITATS BENTÔNICOS COSTEIROS (REBENTOS): HISTÓRICO E ESTRATÉGIA DE ATUAÇÃO A criação e a implementação da Rede de Monitoramento de Habitats Bentônicos Costeiros (ReBentos) deu-se a partir do I Workshop da Sub-Rede Zonas Costeiras (Rede Clima, MCT; Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas, INCT-MC) com o intuito de detectar os efeitos das mudanças ambientais regionais e globais sobre a biodiversidade desses ambientes, dando início a uma série histórica de dados ao longo da costa brasileira. Corresponde a um processo de indução de estudos em rede focados na biodiversidade de habitats bentônicos e estrutura- se com base em uma coordenação geral e seis projetos definidos pelos habitats abrangidos: Praias arenosas e estuarinas, Recifes e costões rochosos, Fundos inconsolidados vegetados, Fundos inconsolidados não vegetados, Manguezais e marismas e Educação ambiental. A ReBentos integra o Programa SisBiota Brasil (CNPq/FAPESP), com recursos para articulação e fortalecimento da rede (workshops) e para o início dos trabalhos de campo. Fontes adicionais de recursos estão sendo buscadas para a estruturação e o fortalecimento das equipes e dos laboratórios participantes. Os trabalhos foram iniciados em janeiro de 2011 com a divulgação da proposta na comunidade científica, processo que culminou com a realização do I Workshop da ReBentos, realizado entre 28 e 29 de julho de 2011, em Arraial do Cabo, RJ, durante o IX Encontro de 40 Bioincrustação, Ecologia Bêntica e Biocorrosão. Até o momento a ReBentos conta com cerca de 80 pesquisadores participantes de mais de 25 instituições representando quase todos estados costeiros brasileiros. Foi criado um portal interativo com intranet (www.rebentos.org) que será o local de convergência de comunicados, documentos, referências e discussões. Por ocasião do II Workshop da ReBentos há as seguintes etapas a serem cumpridas: (1) consolidação das sínteses do estado do conhecimento de cada habitat e (2) definições metodológicas para início das séries temporais a partir do início de 2012. DISCUSSÃO O Prof. Mario Soares, da UERJ, fez uma explanação sobre a lacuna existente na compartimentalização de sequestro de carbono pela vegetação de manguezal, mencionada na apresentação do Prof. Carlos Augusto Silva, dizendo que já existem modelos para a Baixada Santista, Sergipe e Rio de Janeiro. Existe, inclusive, uma série temporal de sequestro pela biomassa com séries amostrais na floresta do Rio de Janeiro. O Prof. Mário sugere que o caso é o de não duplicar, mas sim de integrar os estudos existentes. O Prof. Carlos Augusto Silva explicou que a grande lacuna existe somente em termos de estoques e processos. Por exemplo, não se conhece as trocas de carbono no sedimento e entre níveis de marés, nem sobre os estoques de metais pesados e como esses estoques respondem. A Prof. Flávia Mochel, da UFMA, formulou duas perguntas. A primeira, destinada ao Prof. Ruy Kikuchi, diz respeito a frequência amostral pelo projeto exposto no Parque Estadual Marinho do Maranhão. O Prof. Ruy esclareceu que séries amostrais foram feitas somente na costa da Bahia. Para o Maranhão foram registradas apenas anomalias térmicas, obtidas através de extrapolações pelo modelo. A segunda pergunta da Prof. Flávia Mochel, destinada ao Prof. Carlos Augusto Silva, trata da existência de uma tabela de equivalência para os diferentes métodos de medição de pH. 41 O Prof. Carlos Silva disse que existem medições com diferentes objetivos e que a precisão apenas se faz necessária quando o objetivo for testar o equilíbrio. É possível a conversão, mas o problema em si está na precisão da medição. A Prof. Monica Dorigo Correia, da UFAL, questionou o Prof. Ruy Kikuchi sobre a possibilidade da contaminação orgânica de cidades que crescem muito e não tratam seu esgoto, como é o caso de Maceió, provocar o branqueamento dos corais, devido à mudança do pH da água. O Prof. Ruy esclareceu que nos locais onde verificou o branqueamento não há urbanização próxima, e portanto descartou a influência urbana. Seu foco de estudo tem sido explicar os eventos do branqueamento ligados à temperatura ou anomalias térmicas. Como as anomalias podem ser utilizadas para previsões futuras, é possível incluir medidas de poluição, como coliformes fecais. Ainda sobre esse tema, a Prof. Zelinda complementou que um estudo mediu coliformes em Guarajuba e não encontrou diferença entre períodos com e sem saneamento. A Prof. Zelinda disse ainda não ter encontrado uma relação entre poluição e branqueamento. O Prof. Paulo Horta colocou que é importante tentar entender as partes antes de afirmar quais os fatores que influenciam, inclusive a ocupação humana. O problema é a falta de áreas pristinas que possibilitem tais confirmações. A Prof. Cecilia Amaral quis saber sobre como se dá o desenvolvimento dos corais branqueados nos locais estudados pela Prof. Zelinda. Há um controle das condições climáticas em relação ao crescimento? A Prof. Zelinda percebeu que há uma rápida recuperação e que os corais estão sobrevivendo e crescendo. O Prof. Carlos Augusto Silva colocou uma importante recomendação, ou seja, de que haja padronização dentro do protocolo internacional para a medida de pH em ambientes marinhos e de água doce, uma vez que há grandes problemas em relação à medida de pH, que é muito simples. O coordenador da mesa, Prof. Alexander Turra, fez uma colocação de que as discussões da mesa seguiram uma interessante lógica. Os Profs. Zelinda e Ruy mostraram um prognóstico interessante sobre o branqueamento de corais e, como o trabalho com questões de mudanças climáticas ainda estão se iniciando, é preciso ter 42 clareza de quais são os organismos chave a serem utilizados. Outro ponto colocado pelo Prof. Alexander foi a questão do estudo em escala global ou regional, dizendo ser preciso se acertar quanto a esse critério. Isso reforça a importância da existência de uma rede, como a ReBentos, constituída por pesquisadores que normalmente não se preocupavam com as mudanças climáticas em suas pesquisas. OS IMPACTOS DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS NA ECONOMIA DA PESCA Palestrante: Ussif Rashid Sumaila (University of Vancouver, Canada) Relatora: Patrizia R. Abdallah (FURG) O palestrante apresentou o tema da palestra, citando ser uma temática em que vem trabalhando atualmente, junto com os pesquisadores William Cheung e Vicky Lam. Iniciou relatando a pesca como um setor importante no contexto de vida das pessoas, sendo o peixe um recurso básicopara muitas das atividades produtivas (como atividade da pesca, aquicultura, indústrias de processamento do pescado, pesca recreativa, turismo, etc.). Ao relatar o valor da pesca no mundo - o valor global, mostrou que a receita bruta de captura mundial está em torno de 80 a 85 bilhões de dólares ao ano (relatórios da FAO), e o impacto desta atividade econômica na economia global é representado pela adição de quantiasentre 220 dólares e 235 bilhões de dólares americanos. Estes dados de valores foram publicados pela FAO e em artigo próprio do palestrante. A pesca também tem papel importante como alimento saudável, fornecedor de proteínas, minerais, nutrientes, etc.. Fornece a 3 bilhões de pessoas até 15% da dieta de proteína animal. E para países de baixa renda, com déficits de alimentos (LIFDCs), a contribuição da proteína do peixe no consumo de proteína animal total é de até 18,5%. Ressaltou que, mesmo sem usar o argumento das mudanças climáticas para explicar efeitos sobre pesca, esta atividade está sendo afetada pela tendência de declínio de espécies economicamente importantes (caso do atum – bluefin tuna, lingcod, mostrou redução dramática de cod- Newfoundland). Neste mesmo contexto, relatou que está sendo observado uma elevação da captura e esforço de pesca no mundo (dados da FAO). 43 Diante dos pontos levantados, relatou o número de 800 milhões de pessoas subnutridas por ano. Análises mostram que eliminando a sobrepesca, resguardando a pesca sustentada, cria-se oferta potencial de alimentos para suprir esta desnutrição, abastecendo algo em torno de 19 milhões de pessoas nas nações mais subnutridas do mundo (como Liberia, Sri Lanka, Grenada, Guatemada). Introduzindo o tema de mudanças climáticas, iniciou relatando que a produtividade e a distribuição da biomassa de pescados nos oceanos (ao redor do mundo) serão afetadas pelas mudanças climáticas. Pontos específicos foram ressaltados, detalhando esta frase, como as mudanças na produtividade primária, mortalidades e stress psicológicos causados pelas alterações de oxigênio na água em zonas específicas, a acidificação dos oceanos afetando a calcificação, entre outros processos de alteração na vida dos estoques. Relatou um artigo (Sumaila et al. 2011. in press: Nature ClimateChange) em que relata a sequencia de impactos sobre a sociedade a partir das mudanças climáticas, onde alterações físicas (modificações atmosféricas dos oceanos) geram impactos nas variáveis biológicas (pescados) que por sua vez, impactam a sociedade. Ressaltou que mudanças climáticas de longo prazo e acidificação nos oceanos impactam a biodiversidade e a pesca. Ao mostrar esta análise, caracterizou que países situados em latitude alta terão impactos diferenciados de países situados em latitude baixa. Mostrou um cenário para 2050, com hipótese de alta escala na emissão dos gases efeito estufa, que modificaa distribuição das espécies, com modificações na invasão das espécies em diferentes regiões. Neste cenário, ressaltou taxas elevadas de invasão de espécies no Ártico e Southern Ocean. Na apresentação de impactos de mudanças climáticas sobre a pesca, ressaltou que estas mudanças impactarão o bem-estar das pessoas de várias formas, afetando o nível de capturas, a segurança alimentar, os valores das capturas desembarcadas, o custo da pesca, a lucratividade das indústrias de pesca, a receitas dos pescadores, a renda econômica dos proprietário dos recursos, a distribuição dos lucros para diferentes países, regiões e grupos. Expôs uma abordagem de impactos, em que esteve trabalhando usando um Modelo Envelope de Dinâmica Bioclimática, onde organizou a abordagem dos processos baseados em mudanças climáticas e adicificação dos oceanos e projeções a partir 44 destes modelos gerais de projeção. Apresentou brevemente o método, que a partir das projeções de mudanças climáticas, estaria predizendo a distribuição futura das espécies, e a composição destas espécies em cada ZEE, a captura potencial e o volume de desembarque, ressaltando as projeções econômicas desta atividade. A partir de então, mostrou gráficos de projeções para 2050 em cada ZEE, de mudanças nos valores e volumes desembarcados, na renda econômica em cada país considerado pesqueiro, entre outros detalhamentos. Numa abordagem mais específica, mostrou o resultado do modelo para a ZEE Mexicana usando dois cenários de mudanças climáticas do IPCC, um cenário médio e outro severo quanto aos impactos climáticos. Esses resultados completos estão para ser publicados e poderão ser encontrados em Lam, Cheung and Sumaila (in press, www.fisheriescentre.ubc.ca/feru). Finalizando sua apresentação, Rashid Sumaila resumiu que a pesca é importante sim para o povo ao redor do mundo; mesmo sem ressaltar os impactos de mudanças climáticas, as pescarias no mundo já estão em condições difíceis, lidando com problemas de pesca não sustentável. Adicionando o tema mudança climática no contexto da pesca, os problemas serão de fato incrementados, em dimensão relevante, tanto em termos da sustentabilidade do recurso, como da sustentabilidade socioeconômica. DIMENSÃO HUMANA DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS Mesa Redonda coordenada por: Paulo da Cunha Lana Palestrantes: Roberto Luiz do Carmo (UNICAMP), Patrizia R. Abdallah (FURG), Paulo C. Lana (UFPR) Relator: Eduardo Tavares Paes (UFPA) URBANIZAÇÃO, RISCOS E VULNERABILIDADES ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS: CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO RESIDENTE NA ZONA COSTEIRA DO BRASIL A primeira palestra deve por objetivo central apresentar um conjunto características da população que habita a faixa litorânea brasileira, evidenciando a exposição a riscos que se tornam mais significativos em termos de futuro, como a elevação do nível do mar, assim como as vulnerabilidades sociais que se configuram nesse contexto. Considerando os riscos ambientais decorrentes das mudanças 45 climáticas em populações urbanas é necessário identificar e definir a dinâmica das populações mais vulneráveis. A definição das escalas espaciais e temporais é fundamental para a definição dos riscos ambientais tais como inundações, deslizamentos de terreno e elevação do Nível do Mar. Utilizando a definição de municípios costeiros do IBGE o Brasil atualmente (2010) possui 45 milhões de habitantes na região costeira, sendo que em 1990 possuía 34 milhões. Essa definição deve ser ampliada para incluir grandes metrópoles (Exemplo São Paulo - Capital) que possuem grande impacto na região costeira. As características gerais das populações com relação aos riscos ambientais na zona costeira do Estado de São Paulo são: Riscos à inundações: renda e escolaridade baixa, maioria dos domicílios são próprios e ocorrem grande concentração de pessoas. Riscos de deslizamentos: renda e escolaridade muito baixas, grande maioria dos domicílios são próprios e localizados em setores subnormais (favelas). Riscos à elevação do nível do mar: renda e escolaridade maiores, pequena proporção da população notável quantidade de domicílios cedidos pelo empregador. Essa metodologia, utilizada para o estudo de vulnerabilidades ambientais na zona costeira do estado de São Paulo, deve ser aperfeiçoada e aplicada em regiões representativas, com grandes aglomerados populacionais, ao longo do litoral brasileiro. EFEITOS DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS NA PESCA ARTESANAL DO EXTREMO SUL DO BRASIL E IMPACTOS SOCIOECONÔMICOS SOBRE AS COMUNIDADES PESQUEIRAS Por outro lado, a segunda palestra chamou a atenção de que, devido a conjunção de fatores, tais como excesso de chuvas e pesca ilegal, que pescadores artesanais tornam-se mais vulneráveis e menos capazes de adaptar-se às incertezas. A partir destes entendimentos e de reuniões e encontros com grupos da pesca e tomadores de decisão, podem ser construídos instrumentos de suporte à tomada de decisão relacionados a esta problemática. As populações de pescadores artesanais das zonas costeiras constituem a parcela da sociedade em ambiente rural com maiores riscos. Nesse sentido, as respostas correntes que as comunidades pesqueiras vem adotando durante as ultimas décadas parta lidar com as transformações ambientais podem servir como proxies para se entender suas estratégias futuras face às mudanças climáticas projetadas. 46 A VULNERABILIDADE DE PESCADORES ARTESANAIS DO LITORAL SUL DO BRASIL: O PAPEL DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO NA DETERMINAÇÃO DE SUAS ESTRATÉGIAS DE ADAPTAÇÃO O terceiro tema abordado tratou de descrever os elementos que compõem atualmente a vulnerabilidade às mudanças climáticas de pescadores artesanais do litoral norte do Paraná, sul do Brasil, avaliando as diferenças entre vilas pesqueiras e as estratégias de adaptação aplicadas no passado, no presente e cogitadas para o futuro para lidar com as variações nos estoques pesqueiros; bem como, avaliar como características sociais, econômicas e políticas, incluindo a presença das unidades de conservação, afetam a escolha dessas estratégias, sua viabilidade e sua eficácia para reduzir a vulnerabilidade. Estudos em comunidades de pescadores da região norte da Baia de Paranaguá, revelaram que as comunidades que dependem mais da pesca e especialmente os que dependem mais dos manguezais, têm uma diversidade menor de petrechos e de embarcações, o que os deixa com menor capacidade adaptativa frente às mudanças. A proximidade com as Unidades de Conservação também aumenta esta vulnerabilidade. A vulnerabilidade possivelmente varia mais dentro das próprias vilas do que entre elas. As Unidades de Conservação Ambiental do litoral Brasileiro como são implementadas estão aumentando as vulnerabilidades socioambientais ao invés de diminuí-las. 47 II WORKSHOP DA REDE DE MONITORAMENTO DE HABITATS BENTÔNICOS COSTEIROS (REBENTOS) Coordenador Geral: Alexander Turra (USP) Coordenadores dos Grupos Temáticos: Maria Cecília Z. Amaral (UNICAMP), Yara Shaeffer Novelli (USP), Angelo Fraga Bernadino (UFES), Ricardo Coutinho (IEAPM), Margareth Copertino (FURG) e Flávio Berchez (USP) Relatoras: Márcia Regina Denadai (USP) e Marianna de Oliveira Lanari (FURG) RELATO GERAL As atividades do II Workshop da ReBentos ocorreram durante o II Workshop Brasileiro de Mudanças Climáticas em Zonas Costeiras, nos dias 07 a 09 de novembro de 2011. No dia 07 de novembro a coordenação se reuniu para tratar sobre como seria a dinâmica do workshop nos dias subsequentes. Estavam presentes o coordenador geral, Prof. Alexander Turra, os coordenadores temáticos Prof. Ricardo Coutinho, Prof. Cecilia Amaral, Prof. Yara Schaeffer Novelli, Prof. Ângelo Fraga Bernardino, Prof. Margareth Copertino e Prof. FlávioBerchez, as bolsistas Dra. Márcia Denadai, MsC. Luciana Erika Yaginuma, MsC. Marianna Lanari, MsC. Larisse Faroni Perez, além de convidados. Os pontos tratados nesta reunião foram: Reunião de Avaliação do SisBiota, homepage da ReBentos (desing do site, atualizações, acessibilidade), logotipo da ReBentos e definição dos nomes definitovos dos grupos de trabalho. O Prof. Ruy Kikuchi comentou sobre a possibilidade de interação com o Banco de Dados do PELD, no entanto será preciso checar se há restrições por parte do CNPq (SisBiota – SinBiota). Os pesquisadores deverão inserir no site o banco de referências, após inclusão no Mendeley, no formato PDF. Esse procedimento não fere os direitos autorais, visto que o acesso será restrito aos pesquisadores da ReBentos e não público. Os nomes definitivos dos GT´s são: (1) Praias (2) Recifes e Costões (3) Fundos Submersos Vegetados (4) Estuários (5) Manguezais e Marismas 48 (6) Educação Ambiental Por fim, discutiu-se sobre o Termo de Referência (TdR) preparado pelo coordenador da ReBentos para o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT). Foi colocada a necessidade de que haja redes de monitoramento de elevação do nível do mar, além de outras informações. É preciso que sejam listados os equipamentos necessários, com custos. Uma forte recomendação feita foi de que haja subsídios de pesquisadores da área física e geológica, uma vez que a ReBentos são usuários dos dados/informações geradas por essas áreas do conhecimento. Discutiu-se sobre considerar apenas séries temporais de dados sobre a diversidade nos diferentes habitats. O Prof. Paulo Lana sugeriu que os modelos preditivos não sejam retirados e sugeriu também o uso do caranguejo Ucides cordatus como indicador de mudanças globais e que teremos que ter pessoal capacitado para fazer os modelos. Foi sugerido que seja trazido um especialista da Austrália, no entanto, julgou-se desnecessário, pois há pesquisadores brasileiros que podem fazer os modelos. A modelagem deverá ser vista como o objeto do projeto e será tratada como um tema transversal a todos os grupos. O Termo de Referência objetiva que cada pesquisador envie seu projeto, vinculado ou não a ReBentos. O desafio é sair da zona de conforto para trabalhar interdisciplinarmente por um objetivo comum. Assim, é necessário que o grupo tenha uma hipótese única, voltada para as mudanças climáticas. Foi dito que o mérito da ReBentos é o de estabelecer um protocolo mínimo de monitoramento e que somente isso já responde quais os efeitos das mudanças climáticas e possibilita a construção de modelos preditivos. É preciso monitorar para sempre, com foco em indicadores simples e fáceis de monitorar. Decidiu-se pela manutenção do uso de mesocosmos, para a realização de experimentos por grupos que já o fazem. Com relação à inclusão, no TdR, de fomento para aumentar o número de museus e coleções científicas, julgou-se não estratégico. O uso de áreas de convergência mostrou-se favorável, visto a otimização de recursos e pessoal. O apoio das Unidades de Conservação também foi julgada favorável, visto o apoio logístico, por serem áreas de referência, pelos seus planos de manejo e por possíveis fontes de recursos adicionais. Os pesquisadores ainda possuem total autonomia para buscarem recursos adicionais em seus estados através das FAPs. Discutiu-se a possibilidade de que os R$30 mil destinados às atividades de campo de cada projeto sejam transpostos para a 49 realização de reuniões de trabalho de cada grupo para as discussões e definições metodológicas. Pensou-se também em grupo que se desloca, como uma força-tarefa, para a padronização da metodologia nas diferentes regiões da costa. Assim, definindo um protocolo unificado e também quais serão as áreas de estudo. Com relação ao refinamento taxonômico, definiu-se que nem todos os grupos seguirão o mesmo protocolo e que isso será aceitável. Comentou-se também sobre a possibilidade de monitoramento de organismos em diferentes escalas temporais: monitoramento simples (semanal) ou monitoramento complexo (semestral). Nesse caso, será necessária a contribuição da física, química e geologia para definições. Nos dias 08 e 09 ocorreram as apresentações pelos Grupos de Trabalho, seguidas de discussões com a participação de todos os pesquisadores da ReBentos. GRUPO PRAIAS ARENOSAS (Coordenadora: Cecília Amaral) - Relembrou resultados prévios apresentados no I Workshop da ReBentos realizado em Arraial do Cabo (julho de 2011) relativos ao levantamento de estudos focados na macro e meiofauna bentônica de praias arenosas; - Grupo constituído por 49 participantes havendo, além da coordenação, a presença de nucleadores nas distintas regiões; - Para o monitoramento, amostragens seriam realizadas em locais chaves da costa, de preferência onde já haja dados pretéritos. Mais do que isso, os locais de estudo devem representar distintas condições ambientais; - Amostragens serão realizadas em 3 zonas de entremarés utilizando-se um Amostrador de 20 cm de diâmetro, enterrado a 20 cm do substrato arenoso. - Nessas amostragens, a diversidade e distribuição espacial de organismos seriam determinadas, além da utilização de espécies indicadoras da qualidade ambiental definidas com base em estudos pretéritos; - A obtenção de parâmetros abióticos também seria realizada de acordo com os parâmetros listados na tabela de impactos/respostas/metodologias de mensuração estruturada no Workshop anterior; - O grupo já conta com projetos realizados do norte ao sul do Brasil, havendo também o envio de propostas para editais universais de financiamento. Principais questões levantadas após a apresentação: 50 - Periodicidade das amostragens. RESPOSTA: a idéia inicial são duas amostragens no verão e duas no inverno, sendo a primeira no início e a segunda ao final de cada estação. - Eficiência do amostrador de 20 cm de diâmetro. RESPOSTA: embora a eficiência do amostrador desse diâmetro possa variar de acordo com a região investigada, chamouse atenção para o fato de que o objetivo principal da rede não é a realização de levantamentos faunísticos mas sim um monitoramento a longo prazo. Portanto, é importante a consideração da morfodinâmica dos distintos locais a serem amostrados e a adaptação da metodologia utilizada em termos de tamanho do amostrador, número de réplicas, entre outros. - Comentário de Alexander Turra: é importante a realização de medições com o menor erro possível no intuito de favorecer a visualização das variações ocorrentes. Para isso, é importante que cada um faça da melhor maneira possível porém dentro das suas limitações de trabalho. É importante também a definição de locais estratégicos onde haja a disponibilidade de dados interdisciplinares como, por exemplo, os parâmetros abióticos. Para isso, é necessário o amadurecimento das hipóteses levantadas para uma melhor definição da metodologia de estudo. - Foi questionado como os parâmetros abióticos propostos seriam mensurados em todos os locais, se haveria a adoção de estações fixas para obtenção dos dados. Além disso, quais seriam os critérios utilizados para a escolha dos locais de monitoramento (poluído e não-poluído?) e quantos locais seriam por estado. Chamou-se atenção também para diferenças de conhecimento, experiência e acessibilidade dos locais entre distintas regiões. - Comentário Alexander Turra: a discussão aponta para a necessidade de uma definição clara da hipótese de trabalho e do que se quer realmente avaliar. - A coordenadora Cecília Amaral ressaltou a necessidade de uma abordagem mais realista com a realização de amostragens piloto de curto prazo como preparação para um monitoramento de longo prazo. É importante que não haja uma confusão de objetivos e as questões investigadas devem se focar na pergunta estabelecida, isto é, na hipótese de trabalho. - Comentário Ricardo Coutinho: é importante ter em mente que não se pode depender de financiamento obtido somente através de editais universais do CNPq uma vez que, 51 além de serem extremamente competitivos, as propostas do edital devem ter objetivos e hipóteses de trabalho bem claro e definidos. - Comentário Paulo Lana: no Brasil não há uma cultura científica de se trabalhar em rede, há uma fragmentação de esforços. É importante que os trabalhos se iniciem aos poucos com a execução de um protocolo rígido que possua diferentes níveis de rede (“níveis de dificuldade”). GRUPO COSTÕES E RECIFES DE CORAIS (Coordenador: Ricardo Coutinho) - Breve resumo dos resultados apresentados durante o I Workshop em Arraial do Cabo; - Para recifes de corais já há uma metodologia de estudo bem estabelecida no país pelo grupo de estudo da profª Zelinda Leão. Essa metodologia será adotada para o estudo desse ambiente; - Ressaltou-se a importância da definição de uma estratégia amostral para um monitoramento contínuo e permanente em recifes de corais e costões rochosos considerando-se impactos antropogênicos e oriundos das mudanças climáticas; - Para o monitoramento, propôs-se o estabelecimento de faixas de zonação de acordo com a distribuição dos organismos. Nessas faixas seria investigada a estrutura da comunidade presente (determinação de parâmetros como abundância, riqueza, entre outros). Cada participante irá estabelecer qual a melhor forma de avaliação; - A definição dos locais de monitoramento terá como critério distintos parâmetros ambientais (por exemplo, locais expostos e protegidos). Cada participante irá avaliar como melhor se adequar; - É importante o estabelecimento de locais de monitoramento com a maior variabilidade possível assim como a inclusão de Unidades de Conservação, Fortes (Marinha) e locais onde haja dados pretéritos; - Para a realização do monitoramento, é importante a parceria com cursos de pósgraduação e a realização de dissertações e teses com esse enfoque como uma maneira de garantir a continuidade do estudo; - No detalhamento da metodologia de estudo, chamou-se a atenção para a importância da padronização, com uma metodologia mínima de esforço, e consideração dos diferentes graus de acesso aos locais investigados; 52 - Foi proposta a utilização de pontos fixos para transectos, os quais seriam georeferenciados, além da utilização de quadrados fixos. Para o monitoramento desses, foram exemplificadas algumas metodologias já estabelecidas como a utilização de fotos, distintos modos de estratificação, tamanhos de quadrado amostral utilizados, entre outros; - Concomitante ao monitoramento, haveria a obtenção de parâmetros ambientais mínimos tais como temperatura da água e do ar, por exemplo. Ressaltou-se também a necessidade de parceria com demais projetos científicos de outras áreas, principalmente aqueles que pudessem auxiliar na obtenção de dados abióticos. Principais questões levantadas após a apresentação: - Como seriam considerados os distintos estratos da comunidade bentônica de costões rochosos. RESPOSTA: a consideração dos estratos dependeria do objetivo do trabalho. - Foi questionada a possibilidade dos locais de monitoramento da ReBentos estarem próximos aos pontos de monitoramento da Rede CLIMA como forma de facilitar a obtenção de dados abióticos. No entanto, chamou-se a atenção de que isso não seria garantia de obtenção de dados. Ressaltou-se também a existência de bancos de dados, tanto nacionais como internacionais, que poderiam disponibilizar informações sobre parâmetros abióticos (deu-se como exemplo a Agência Nacional de Águas a qual disponibiliza dados de precipitação para o território brasileiro). - Foi frisada a importância da proposta de um protocolo mínimo de amostragem para o início do monitoramento, independente do grupo de estudo. GRUPO ESTUÁRIOS (Coordenador: Angelo Bernardino) - Foi proposta a utilização de modelos conceituais climáticos para a elaboração de hipóteses relativas às mudanças climáticas; - Na avaliação dos modelos de cenários climáticos, foram utilizados aqueles propostos por Marengo e colaboradores (2010) os quais estão relacionados a alterações na pluviosidade média, temperatura do ar e demais mudanças atmosféricas. A proposta demodelos desses autores baseou-se nos modelos gerados pelo IPCC; - Para a realização do monitoramento, propôs-se o estabelecimento de quatro regiões principais (N, NE, SE e S) com dois a três sítios de monitoramento em cada região. Para 53 a seleção dos sítios de monitoramento, seria importante monitorar Unidades de Conservação e áreas pristinas; - No monitoramento, será realizada uma setorização estuarina (principalmente no setor euhalino, isto é, salinidade maior que 28) em quatro áreas: franja do bosque de manguezal (faixa de 10m), marismas, franja do estuário e sublitoral raso (até 2m de profundidade). As duas primeiras áreas compreenderiam áreas vegetadas e as duas últimas áreas não vegetadas; - Amostragens serão realizadas por estação ou estações secas/chuvosas, dependendo do local de estudo, para coleta biológica (n=3). Esse seria o esforço amostral mínimo. A avaliação do material biológico seria feita utilizando-se grupos principais de organismos e seus índices de densidade, biomassa e razão de produção. Chamou-se a atenção que, para o ambiente estuarino, a utilização de índices de produção é mais eficiente do que índices de diversidade; - Durante o monitoramento, os parâmetros abióticos mínimos a serem determinados seriam: temperatura d´água, salinidade (esses dois últimos em periodicidade contínua ou não), taxa de inundação e pluviosidade; - Para o estabelecimento da rede de monitoramento, ressaltou-se a presença de alguns desafios como a elaboração de hipóteses com modelos para resposta da fauna, a consideração da heterogeneidade espacial dos locais investigados, a inclusão de um protocolo “nível 2” englobando também a infauna (malha 1 mm) e, por fim, a sustentabilidade da rede; - Por fim, foram exemplificados alguns protocolos de estimativa de produção para ambientes estuarinos (relação biomassa, tamanho e produção de um organismo) oriundos de artigos internacionais. Principais questões levantadas após a apresentação: - Comentário Yara Schaeffer-Novelli: a adoção da faixa de 10m na franja do bosque do manguezal não é representativa. Essa faixa é variável e não é o suficiente para detecção de efeitos das mudanças climáticas. Mais do que isso, é importante ter em mente os preparativos para entrada numa área de mangue e o tempo de trabalho. - Comentário Flávia Fachel: a franja do mangue é um ecótone, logo não é um ambiente representativo. A fauna tem que ser avaliada dentro do mangue. Além disso, há restrições quanto a metodologia utilizada e as espécies indicadoras a serem utilizadas. 54 - Comentário Ronaldo Christofoletti: o objetivo do monitoramento proposto é a avaliação do estuário como um todo e não apenas a estrutura do manguezal. - Comentário Paulo Lana: o foco é monitorar a variabilidade de curto e longo prazo. Não é um levantamento faunístico, para isso há protocolos bem estabelecidos. - Comentário Ronaldo Christofoletti: optou-se pela adoção de um protocolo simples, passível de ser colocado em prática nesse momento. Há um protocolo mínimo e depois um “nível 2”. No referente à questão da franja, impactos não são detectáveis só no mangue mas no estuário como um todo. - Comentário Yara Schaeffer-Novelli: os manguezais são um dos ambientes mais sensíveis às mudanças climáticas, tendo um baixo custo de monitoramento. - Comentário Flávia Mochel: é necessária uma ponte entre o manguezal e o estuário uma vez que vários estudos vêm sendo realizados em manguezais. - Comentário Paulo Lana: os trabalhos existentes podem não atender à demanda da rede. É necessário o foco no monitoramento e detecções de alterações provenientes de mudanças climáticas. - Comentário Ronaldo Christofoletti: não é possível amostrar todo o mangue mas somente uma parcela, a qual pode ser até mais interna, mas ainda somente uma parcela. - Comentário Angelo Bernardino: a questão não é podar projetos adicionais mas ter um protocolo mínimo de monitoramento que seja facilmente replicável. - Comentário Maria Tereza Széchy: a coleta e triagem de macroalgas associadas ao mangue é complicada. GRUPO MANGUEZAIS E MARISMAS (Coordenadora: Yara Scheffer-Novelli) - Foi iniciado o levantamento bibliográfico dos trabalhos conduzidos em manguezais na costa brasileira; - Necessidade de hipóteses de trabalho para o aumento do nível médio do mar e alterações na temperatura do ar e padrões de chuvas. O status do mangue interfere na resiliência frente aos impactos das mudanças climáticas em distintas escalas (local, regional e global); - Necessidade de monitoramento, replicação de pontos na costa, metodologia de estudo (obtenção dados bióticos e abióticos), séries temporais e novos projetos; 55 - Especificamente para marismas, faltam informações sobre os mesmos uma vez que são bem diferentes dos manguezais. Haverá contato para especialista na área; - O grupo já possui alguns trabalhos em andamento e há intenção de colaboração com os demais grupos; - Em relação ao monitoramento, é importante considerar a replicação temporal, o delineamento amostral, a frequência de amostragem e a detecção de anomalias. Para os primeiros dez anos é necessário um monitoramento semestral; - É importante o estabelecimento de parcelas fixas enfocando distintos níveis de organização (desde os organismos até toda a paisagem); - Acompanhamento de variáveis ambientais tais como granulometria, variáveis biogeoquímicas, salinidade intersticial e cotas altimétricas. Variáveis ecofisiológicas e estrutura, funcionamento e feições do bosque e apicum; - O planejamento amostral seria feito utilizando-se protocolos já bem estabelecidos; - Ainda há lacunas de participantes a preencher. Principais questões levantadas após a apresentação: - Faltou informação sobre o protocolo a ser utilizado. RESPOSTA: a idéia seria seguir o protocolo da Unesco. - Qual o mínimo para poder participar do grupo. RESPOSTA: depende do local de estudo do participante e das possibilidades de metodologia dele. - Comentário Angelo Bernardino: é importante a adoção de um protocolo simples. - Foi discutida a possibilidade de uso de imagens de satélite. GRUPO FUNDOS SUBMERSOS VEGETADOS (Coordenadores: Margareth Copertino e Joel Creed) - Inclusão do monitoramento de bancos de rodolitos sob coordenação do prof. Paulo Horta; - Relembrou a lista dos principais impactos, fatores responsáveis e respostas esperadas de acordo com a tabela estruturada no I Workshop em Arraial do Cabo; - Apresentou resultados de alguns artigos científicos internacionais evidenciando a resposta de pradarias de fanerógamas submersas aos impactos relacionados às mudanças climáticas; 56 - Ressaltou a definição das hipóteses de trabalho de acordo com os efeitos da temperatura, frequência de eventos extremos, taxa de precipitação e elevação do nível do mar. Os efeitos do aumento da concentração de CO2 não foram considerados devido às dificuldades para a sua mensuração. Procurou-se manter o básico e o que é viável de ser realizado; - Monitoramento realizado em cinco locais na costa: três no Nordeste (Ceará, Pernambuco e Bahia), um no Rio de Janeiro, um em Santa Catarina e um no Rio Grande do Sul. Para cada local, será feita a escolha de uma área relativamente pristina (se possível) e outra impactada; - O monitoramento seguirá os moldes do protocolo já estabelecido e utilizado mundialmente SeagrassNet. Definição de um protocolo básico com a obtenção de alguns parâmetros abióticos mínimos tais como transparência (secchi horizontal), temperatura d´água e salinidade. A obtenção de demais parâmetros abióticos dependeria da sua facilidade e logística de obtenção; Principais questões levantadas após a apresentação: - O desenho amostral utiliza quadrados. Há algum monitoramento da pradaria como um todo para investigar se há aumento ou retração do banco de fanerógamas. RESPOSTA: o protocolo SeagrassNet engloba medições da extensão do banco como um todo. Mais do que isso, imagens de satélites podem e vêm sendo utilizadas em alguns locais da costa brasileira. No entanto, a sua utilização depende das condições locais como profundidade e turbidez. - A periodicidade das amostras. RESPOSTA: sazonalmente, de acordo com o protocolo SeagrassNet. GRUPO EDUCAÇÃO AMBIENTAL (Coordenador: Flavio Berchez) - Já há muito material de educação ambiental pronto. Logo o importante seria equacionar os trabalhos já existentes; - Foi proposta a unificação dos produtos ao longo dos distintos grupos de trabalho. Seriam utilizadas cartilhas, jogos, livros, entre outros, além da formação de agentes e disseminação multiplicadora; - Dentre os agentes multiplicadores estariam professores, estudantes, técnicos e agentes de comunidades tradicionais (guias). O público final seria estudantes (ensino 57 fundamental e médio), comunidades tradicionais e visitantes de Unidades de Conservação; - Publicações já existentes seriam adaptadas para um foco em mudanças climáticas; - Após a intervenção educacional, seria realizada uma avaliação através de questionários e análises qualitativas e quantitativas. Principais questões levantadas após a apresentação: - Atividades de campo, como trilhas sub-aquáticas, seriam realizadas só em lugares bonitos. REPOSTA: Não necessariamente. Locais turísticos ou não-poluídos também sofrem impactos como sobrepesca, pisoteio e outros. - Comentário: trazer para os trabalhos de Educação Ambiental alguns pontos novos como, por exemplo, “como realizar uma denúncia ambiental” ou “como participar de uma audiência pública”. É importante instrumentalizar a comunidade para que ela também possa atuar por si só. - Comentário Daniel Brotto: é importante a adoção de estratégias distintas para cada parcela da população (caiçaras, empresariado, etc). - Comentário Francisco Barros: assim como nos protocolos de monitoramento, pensar em níveis de dificuldades das estratégias. ENCERRAMENTO - Definição dos próximos passos: treinamento das equipes, reuniões dos GTs em pequenos grupos com a realização de trabalhos de campo, definições para a síntese. - Sobre a síntese: os grupos devem se organizar como melhor considerarem, as autorias serão atribuídas conforme o grau de contribuição dos pesquisadores envolvidos, não é preciso tratar necessariamente sobre mudanças climáticas, visto que não há muitos estudos sobre o assunto, síntese do conhecimento, baseado na bibliografia existente, publicação de um volume especial, inicialmente com sete capítulos. 58 5. AVALIAÇÃO DO EVENTO O II Workshop Brasileiro de Mudanças Climáticas em Zonas Costeiras, promovido pela Sub-Rede Zonas Costeiras da Rede CLIMA & INCT para Mudanças Climáticas, alcançou plenamente os objetivos e metas propostos. O evento teve a representação de vinte e três (23) instituições nacionais e cinco (5) internacionais, destacando-se a presença de pesquisadores de outras sub-redes da Rede CLIMA & INCT para Mudanças Climáticas (Oceanos, Urbanização e Megacidades) e dos recém formados INCT´s do Mar. Comparativamente ao I Workshop, realizado na cidade de Rio Grande (RS) em setembro de 2009, obtivemos um aumento do número de participantes, de trabalhos submetidos e um avanço nas discussões sobre as pesquisas relacionadas com mudanças climáticas. Durante o I Workshop, os trabalhos e discussões focaram avaliações do conhecimento, revisões históricas e diagnósticos preliminares, alcançando metas relacionadas aos primeiros objetivos do projeto da Sub-rede Zonas Costeiras. A segunda edição do evento deu continuidade ao alcance de tais metas, através da apresentação de atualizações dos resultados e de perspectivas futuras dos projetos. Além disto, o II Workshop avançou consideravelmente sobre o tema de formação de redes de monitoramento e de criação de sistemas observacionais costeiros, aprofundando recomendações levantadas durante o primeiro evento. Dentre os principais resultados alcançados pela realização do II Workshop destacamse: 1) o estabelecimento e/ou fortalecimento de redes observacionais na padronização e adaptação de protocolos metodológicos comparativos; 2) o estímulo a criação ou fortalecimento de novas linhas de pesquisa dentro do tema mudanças climáticas, tais como eventos extremos, acidificação dos oceanos e ciclo do carbono; 3) propostas relacionadas com a formação de recursos humanos na área de mudanças climáticas e 4) planificação e elaboração de produtos de divulgação científica sobre o tema mudanças climáticas em zonas costeiras. 59 Através das apresentações realizadas durante as mesas redondas e dos trabalhos em painéis, observou-se avanços consideráveis dentro dos projetos e grupos de pesquisa, nos mais diversos temas. Neste aspecto, podemos destacar os seguintes impactos e progressos da Sub-rede Zonas Costeiras desde 2009: 1) Avaliações e estudos de caso sobre as características geomorfológicas, litológicas e dinâmicas de diversas regiões e localidades da costa brasileira, com implicações sobre as previsões de elevação do nível do mar, mudanças no clima de ondas e impactos de eventos extremos; 2) Enfoques metodológicos e aplicações de modelos preditivos para avaliar vulnerabilidades da linha da costa em regiões do Brasil (litorais do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Bahia); 3) Aplicações e produtos da modelagem oceânica dentro dos estudos de impactos da elevação do nível do mar e de eventos extremos; 4) Variabilidade climática global e regional (modos climáticos) e seus efeitos sobre a Corrente do Brasil e sobre os grandes ecossistemas marinhos; 5) Estudos preliminares sobre processos biogeofísicos e biogeoquímicos e suas relações com o seqüestro de carbono em áreas costeiras do Brasil, incluindo áreas vegetadas e plumas de grandes rios; 6) Avanços no monitoramento e estudos em corais de recife, incluindo projetos com experimentação de campo e laboratório, para testar os impactos da elevação da temperatura e acidificação dos oceanos sobre estes ambientes; 7) Avanços nas pesquisas sobre vulnerabilidade das macroalgas aos impactos da urbanização e mudanças climáticas, incluindo observações de campo e experimentos de laboratório testando os efeitos de incremento de nutrientes, acidificação e aumento da precipitação; 60 8) Avanço nos estudos sobre sócio-economia pesqueira e sobre a vulnerabilidade sócio-ambiental das comunidades de pescadores em regiões estuarinas do Brasil; 9) Projetos em colaborações com instituições e grupos de pesquisa internacionais, nos mais diversos temas da área de mudanças climáticas em zonas costeiras e marinhas; 10) Diversos projetos de pesquisa aprovados em editais do CNPq e FAP´s, por pesquisadores da Sub-rede Zonas Costeiras, com temas relacionados com mudanças climáticas, incluindo a formação de redes de pesquisa e monitoramento. Destaca-se neste aspecto a formação da Rede de Monitoramento de Habitats Bentônicos Costeiros (ReBentos). A exposição de novos temas e abordagens por palestrantes internacionais contribuiu de maneira significativa para estimular o debate sobre mudanças climáticas, assim como para realizar reflexões sobre o nível de conhecimento e sobre a situação das pesquisas no Brasil. Novas propostas e possibilidades foram discutidas entre os participantes, incluindo pesquisas em colaboração com pesquisadores internacionais que estiveram presentes no Workshop. Destaca-se, por exemplo, as seguintes colaborações com instituições e grupos internacionais e membros da Sub-rede Zonas Costeiras: 1) University of Sussex (Reino Unido) e Universidade Federal da Bahia, por pesquisadores da área de geologia e ecologia de recifes de corais. Neste aspecto, a vinda do palestrante David Sugget foi aproveitando de maneira excelente para a realização de trabalhos de campo e laboratório. 2) University of Vancouver e Universidade Federal de Rio Grande, na área de economia pesqueira, através de vínculo entre o palestrante convidado Rashid Sumaila e a pesquisadora da sub-rede Zonas Costeiras Patrizia Abdalah. Estes pesquisadores possuem projetos e publicações em conjunto, as quais foram discutidas durante a ocasião do evento. 61 3) Oregon State University e Universidade de São Paulo, na área de dinâmica costeira, através de projeto em colaboração entre o palestrante Petter Ruggiero e pesquisador da sub-rede Zonas Costeiras Eduardo Siegle. 4) O palestrante convidado Thomas Malone possui grande experiência em redes de pesquisa e monitoramento e programas internacioanais de observação costeira. Dr. Malone trouxe grandes contribuições ao evento e para a sub-rede Zonas Costeira, tendo participado ativamente durante todo o Workshop, contribuindo com Grupo de Trabalho focado na criação de um sistema observacional para a costa brasileira. Ressalta-se ainda a interação entre coordenadores e membros dos INCT´s do Mar e das sub-redes Zonas Costeiras e Oceanos do INCT para Mudanças Climáticas, como uma oportunidade única de apresentação comparativa e interativa, com discussões fomentadas pelos coordenadores destes grupos e pelos representantes da comunidade científica ali presente. Estes programas apresentaram suas propostas e suas interfaces com o tema Mudanças Climáticas, sugerindo uma maior interação dos INCTs com o CNPq para que os processos de criação de Editais sejam mais desburocratizados e flexíveis aos pesquisadores. Os pesquisadores devem ampliar sua visão para uma questão político-estratégica e não apenas científica. Destaca-se a proposta de criação de um comitê gestor dos INCTs (INCT 6+) visando à integração das diversas iniciativas dos INCTs. Grupos de trabalho avançaram em recomendações sobre a formação de recursos humanos, geral e específica, na área de mudanças climática. Para isto se discutiram os públicos alvos, objetivos desta formação e as estratégias que poderiam ser utilizadas através dos cursos de Pós-Graduação, disciplinas de graduação, cursos à distância, para gestores, além de professores e estudantes de diversos níveis escolares. A criação de programas de monitoramento, sistemas observacionais e sustentabilidade de observações de longo prazo, para o conhecimento dos efeitos das mudanças 62 climáticas nas zonas costeiras, foram profundamente discutidos durante o II Workshop. Neste aspecto, ressaltamos dois grandes avanços para o Brasil: 1) A criação e consolidação da ReBentos e seus Grupos de Trabalho (Praias Arenosas, Estuários, Manguezais e Marismas, Recifes e Costões Rochosos, Fundos Submersos Vegetados e Educação Ambiental). A Rebentos realizou seu II Workshop durante o evento, para integração das equipes, definição dos objetivos, metas e discussão de protocolos metodológicos de cada GT. A ReBentos está em fase de elaboração de sínteses do conhecimento para cada ambiente, definição e teste de protocolos de monitoramento que serão iniciados em 2012 e 2013. 2) As discussões e recomendações sobre a relevância e estratégias de criação de um sistema de observação costeira e oceânica no Brasil, e de um órgão responsável pela operacionalização, coleta e disponibilização destes dados. Os pesquisadores reforçaram a necessidade imprescindível de monitorar as propriedades físicas, químicas e biológicas das águas costeiras, de forma contínua, e que fosse de fácil acesso à comunidade científica e aos gestores públicos. As discussões e recomendações de Grupo de Trabalho foram a base para a elaboração do projeto Sistema de Monitoramento da Costa Brasileira (SiMCosta) em dezembro de 2011, um mês após o evento. O SiMCosta é coordenado pela sub-rede Zonas Costeiras e recebeu financiamento inicial do Fundo Nacional para Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente (MMA / Fundo Clima). O SiMCosta objetiva ser uma rede de monitoramento de parâmetros meteorológicos e oceanográficos na zona costeira (região de plataforma interna e estuários) brasileira, que busque estabelecer padrões de variabilidade climática, estabelecer tendências de longo período e definir cenários possíveis causados por efeitos naturais e/ou antrópicos. Além da coleta de dados, este sistema observacional deverá proporcionar à comunidade científica e aos gestores públicos, o contínuo e livre acesso aos dados e às análises dos mesmos e, assim inferir sobre as condições ambientais e suas tendências de longo prazo. O SiMCosta foi projetado segundo os objetivos da Sub-rede Zonas Costeiras da Rede CLIMA e INCT para Mudanças Climáticas e será integrado ao 63 Programa Nacional de Bóias (PNBOIA), INCT de Ciências do Mar - Centro de Oceanografia Integrada (INCT- Mar COI) e INCT para Mudanças Climáticas (ICNT-MC). Finalmente, o II Workshop trouxe avanços e contribuições em termos de divulgação científica do material apresentado durante o evento. O Workshop foi filmado na íntegra por grupo de jornalismo científico da UNICAMP e técnicos de som e imagem. Vídeos das palestras estão disponíveis na página do evento para toda a comunidade, juntamente com os slides das apresentações. Slides dos trabalhos em painéis também podem ser acessados na página. O grupo de jornalismo científico estará analisando e utilizando os vídeos e slides das apresentações para suas pesquisas e elaboração de material especializado, focados na divulgação científica sobre mudanças climáticas no Brasil. O site do II Workshop, localizado dentro do portal Mudanças Climáticas Zonas Costeiras, é fonte de documentos base do grupo e disponibiliza informações detalhadas e de fácil acesso sobre as palestras e apresentações do II Workshop, além de dar acesso a informações e documentos da sub-rede Zonas Costeiras e seu I Workshop (Declaração de Rio Grande, Volume Especial, relatório) Portanto, podemos concluir que a realização das duas edições do Workshop Brasileiro de Mudanças Climáticas em Zonas Costeiras tem impulsionado as pesquisas sobre mudanças climáticas no Brasil. 64 6. REFERÊNCIAS Belkin, I. M. 2009. Rapid warming of Large Marine Ecossystems. Progress in Oceanography 81: 207-213. 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Biologically structured habitats (Mata Atlântica, restingas, mangrove forests, salt marshes, seagrass beds and coral reefs) have at least four important characteristics in common. They support high biodiversity and living marine resources, buffer coastal communities against flooding, function as carbon sinks, and attract tourists. The Perfect Storm = high and increasing population density + high concentrations of goods and services + multiple threats to habitats associated with climate change and expanding and conflicting human uses. Given recommendations of the Rio Grande Declaration, it is clear that aspects of the Perfect Storm are recognized as the makings of a major and prolonged disaster. A key recommendation is to improve monitoring of the coastal zone. As I will show, sustained and integrated monitoring and modeling of coastal ecosystems is critical to implementing all of the recommendations of the Declaration and more. The Global Ocean Observing System is being built to address this need on national, regional and global scales. Basin scale GOOS is primarily concerned with monitoring and modeling geophysical variables needed to improve predictions of climate change and natural hazards. Coastal GOOS focuses on detecting and predicting the effects of climate change and natural hazards and human expansion on the capacity of marine and estuarine ecosystems to provide goods and services. The recently completed an implementation plan for integrated coastal monitoring and modeling of the IOC Panel for Integrated Coastal Observations is presented. 71 IS THE INTENSIFYING WAVE CLIMATE OF THE U.S. PACIFIC NORTHWEST INCREASING FLOODING AND EROSION RISK FASTER THAN SEA LEVEL RISE? Peter Ruggiero College of Earth, Oceanic, and Atmospheric Sciences, Oregon State University, Corvallis, Oregon 97331, USA; voice: 541-737-1239, fax: 541-737-1200, [email protected] The relative contributions of sea level rise (SLR) and increasing extra-tropical storminess to the frequency with which waves attack coastal properties is assessed with a simple total water level (TWL) model. We show that for the coast of the U.S. Pacific Northwest (PNW) over the period of wave-buoy observations (~30 years) wave height (and period) increases have had a more significant role in the increased frequency of coastal flooding and erosion than has the rise in sea level. Where tectonic-induced vertical land motions are significant and coastlines are emergent relative to mean sea level, increasing wave heights result in these stretches of coast being submergent relative to the TWL. While it is uncertain whether wave height increases will continue into the future at their present rates, it is clear that this process could remain more important than or at least as important as SLR, and needs to be taken into account in terms of the increasing exposure of coastal communities and ecosystems to flooding and erosion. An approach, allowing for quantitative assessments of the impact of climate change uncertainty on possible future coastal configurations, is developed for performing probabilistic coastal vulnerability assessments. By exploring a wide range of possible climate futures, coastal change hazard zones of arbitrary confidence level are developed using a suite of simple models. Exposure analyses are performed by superimposing relevant socio-economic data, such as locations of structures and roads, on the hazard zones. ADAPTATION OF CORALS TO EXTREME COASTAL ENVIRONMENTS: EVIDENCE OF RESILIENCE TO A WARMER AND MORE ACIDIC OCEAN? David J. Suggett Coral Reef Research Unit, Department of Biological Sciences, University of Essex, Colchester, United Kindom ([email protected]) Coral reefs are at the frontline of climate change: Growing reports of thermal induced bleaching and slower growth rates of corals have been associated with warmer and more acidic waters via rapidly increasing atmospheric pCO2; consequently, research efforts have intensified to better understand (and hence manage) how future changes will further impact coral ecosystems and associated ecosystem services. Controlled experimental manipulations are proving critical in these efforts but are ultimately limited in their capacity to ‘replicate’ climate change. Thus it is key to support experiments with natural observations using systems with intrinsically high variability or marginal (suboptimal) conditions of temperature and/or pH. Our recent work in the Indo-Pacific has particularly yielded novel information of coral resilience to extreme temperature stress from observations following extreme El Niño-La Niña 72 anomalies: (1) At the regional scale, reduced coral bleaching and mortality is consistent with increased intrinsic thermal history (the preceding intra-annual range of sea surface temperature); (2) At the local scale, this trend is further moderated by light availability with slightly more turbid reefs yielding lower bleaching induced mortality. Observing natural responses to lower pH (ocean acidification, OA) is more difficult since we still know little of the intrinsic variability of the carbonate chemistry for many systems; however, natural CO2 vents offer some novel insight of long term pH change: We recently observed (Italy) that as expected sites of decreased pH select against calcifying corals but rather select for noncalcifying coral-alga symbioses (anemones) as well as macroalgae; from observations elsewhere calcifying corals appear better able to exist within highly fluctuating pH environments but at a cost to growth. I will discuss these emerging paradigms with respect to Brazil’s reef system(s) and how our recent observations provide a novel means for an improved capacity to predict reef ecosystem change. IMPACTOS DAS ALTERAÇÕES GLOBAIS NA PRODUTIVIDADE PRIMÁRIA DAS ZONAS INTERTIDAIS ESTUARINAS João Serôdio Departamento de Biologia, Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, Universidade de Aveiro, Portugal ([email protected]) Devido à sua localização na interface entre os meios terrestre e marinho, bem como à frequente exposição aacçõesantropogénicas, os estuários são sistemas particularmente sensíveis às alterações globais. Os estuários contam-se entre as zonas mais produtivas da Biosfera, constituindo um importante "sink" de dióxido de carbono, o principal gás causador do efeito de estufa e do aquecimento global do planeta. Nos estuários com marés, as zonas intertidais são colonizadas por ervas marinhas, macroalgas e comunidades de microalgas bênticas – o microfitobentos – que formam biofilmes densos e altamente produtivos. Destes grupos de produtores primários, o microfitobentos é a comunidade tipicamente mais importante, podendo ser responsável por mais de 50% do total de carbono fixado pelo ecossistema estuarino. Os efeitos expectáveis das alterações globais na produtividade primária das zonas intertidais estuarinas, podem ser classificados em, essencialmente, dois tipos: os associados a mudanças no ambiente sedimentar (alterações nos padrões de circulação e hidrodinamismo, afectando a resuspensão e a granulometria de sedimento, a turbidez da coluna de água, e a exposição em baixa-mar) e os relativos a factores afectando a actividade fotossintética (radiação UV, CO2, pH). Por outro lado, a previsão dos efeitos destas alterações na produtividade das zonas estuarinas depende dos factores de resiliência das comunidades bênticas, que, no caso do microfitobentos, incluem a capacidade de suportar a perturbação do ambiente sedimentar e da operação de processos de fotoprotecção eficientes contra a radiação UV. Estes processos serão ilustrados com resultados obtidos para a Ria de Aveiro, um estuário mesotidal do centro de Portugal, com ênfase para os efeitos no microfitobentos. Será também discutido o “case study” do declínio dos prados de ervas marinhas neste estuário bem como previsões de modelação hidrodinâmica e ecológica simulando cenários de eventos extremos. 73 MESAS REDONDAS 2-Vulnerabilidades do litoral brasileiro: geomorfologia e dinâmica costeira RESPOSTAS DA ZONA COSTEIRA BRASILEIRA À SUBIDA DO NÍVEL DO MAR E MUDANÇAS NO CLIMA José M. L. Domingues Geologia e Geofísica Marinha, Universidade Federal da Bahia ([email protected]) As respostas da Zona Costeira Brasileira à subida do nível do mar e às mudanças climáticas serão complexas e dependerão de aspectos específicos intrínsecos da zona costeira, relacionados as histórias geológica antecedente e da ocupação humana. Por esta razão previsões de caráter regional baseadas em parâmetros simplificados, dificilmente terão sucesso. Neste aspecto é muito importante conhecer a heterogeneidade da zona costeira e de seus ambientes, nas diferentes escalas espaciais e temporais. Só assim será possível a formulação de estratégias bem sucedidas de mitigação dos impactos das mudanças climáticas, nas próximas décadas. O sucesso destas estratégias, dependerão de um conhecimento detalhado das respostas da zona costeira às diferentes forçantes, o qual ainda não dispomos. Quanto maior o nível de especificidade deste conhecimento, para uma determinada região geográfica, maior será o nível de acerto dos prognósticos. Neste sentido estas avaliações não diferem muito das abordagens de um Estudo de Impacto Ambiental, em que pesem as limitações deste processo, decorrentes principalmente de abordagens mais multidisciplinares que interdisciplinares. A partir portanto desta abordagem esta palestra apresentará exemplos das diferentes respostas da zona costeira brasileira à subida do nível do mar e às mudanças climáticas que se avizinham. EROSÃO COSTEIRA: TENDÊNCIA OU EVENTOS EXTREMOS? O LITORAL ENTRE RIO DE JANEIRO E CABO FRIO, BRASIL Dieter Muehe Programa de Pós-Graduação em Geografia, Universidade Federal do Rio de Janeiro ([email protected]) O litoral entre Rio de Janeiro e Cabo Frio é formado por extensas praias associadas a cordões litorâneos arenosos, de orientação leste - oeste diretamente expostos a tempestades vindas do sul. O aporte de sedimentos continentais é completamente impedido pelo bloqueio dos cordões, também chamados de barreiras, cuja presença levou à formação de lagunas para as quais convergem os pequenos cursos de água que drenam o flanco oceânico do maciço costeiro. Episódios extremos de erosão costeira, associados à penetração de frentes frias, induziu um recuo generalizado da escarpa da pós-praia com 74 transposição de ondas (overwash) e destruição localizada de casas, quiosques e da estrada que corre paralelamente à orla costeira. Considerando a vulnerabilidade do litoral a eventos de tempestade a questão a ser respondida é se os eventos erosivos representam uma tendência de recuo generalizado da linha de costa ou apenas uma resposta a eventos extremos com subsequente recuperação da posição da linha de costa. Com a finalidade de responder a esta questão foram levantados perfis topográficos transversais à praia, em diversos compartimentos da litoral, para fins de comparação com levantamentos mais antigos realizados na segunda metade do século passado, além de um monitoramento mensal, durante catorze anos, do sistema praia-duna frontal, na praia da Massambaba, próximo ao Cabo Frio. Os resultados obtidos indicam que, apesar das amplas variações na largura e volume dos perfis de praia, e mesmo retrogradação da escarpa da pós-praia, a linha de costa, na interseção da face da praia com o nível médio do mar, não apresentou, ao longo das últimas décadas, tendência de migração ou modificação do estoque de sedimentos. A formação de um banco na antepraia, após uma das mais severas tempestades, com volume superior ao do campo de dunas frontais, indica que tempestades excepcionais produzem erosão, mas podem também recompor o estoque de areia a partir de remobilização da espessa cobertura de sedimentos quartzosos, da plataforma continental interna, em direção à costa contribuindo para o reequilíbrio do balanço sedimentar. Isto talvez explique a razão da estabilidade do litoral meridional do Estado do Rio de Janeiro apesar da ausência absoluta de aporte de sedimentos continentais, podendo representar um fator de compensação parcial a uma elevação do nível do mar quando associado a um incremento em frequência e intensidade de tempestades. MUDANÇAS NA ZONA COSTEIRA DO RIO GRANDE DO SUL: SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS Arthur A. Machado e Lauro J. Calliari Laboratório de Oceanografia Geológica, Instituto de Oceanografia, Universidade Federal do Rio Grande ([email protected]) A erosão costeira é um problema global, já que uma elevada percentagem de praias arenosas está sendo erodida. O litoral do Rio Grande do Sul (RS) é formado por praias arenosas totalmente expostas, com exceção das praias de Tôrres no extremo norte do litoral. Ao longo das ultimas três décadas pesquisadores do LOG/FURG e do CECO/UFRGS realizaram estudos morfodinâmicos ao longo da costa. Vários setores do litoral apresentam locais com erosão permanente (Hermenegildo, Farol da Conceição, Imbé). O balneário do Hermenegildo apresenta uma taxa de erosão de 3,6 m/ano, com um recuo da linha de costa, ao nível do mar, de 55m, apresentando perda de volume da ordem de 130.46 m³/m de sedimentos (1996-2011). Na região do Farol da Conceição a taxa é de 4,8 m/ano, totalizando 73m de recuo, com uma perda de 171,43 m³/m em 15 anos. Trinta anos de dados de altura de onda para a região indicam uma frequência anual de 1,3 eventos extremos (Hs> 6 m) apresentando uma tendência positiva de aumento nos mesmos. Estes eventos os quais causam sobre-elevação do nível do mar representam o principal risco físico para a costa do RS uma vez que a eles se associam risco de vida, perda de propriedade pública e privada bem como de habitats naturais. Estudos realizados pelo Instituto de 75 Hidráulica da Universidade da Cantabria os quais contemplam modelos climáticos, ondulatórios e de sobre-elevação do nível do mar apontam para tendências de aumento na altura máxima das ondas para a costa do RS (90.55cm) com previsões de elevação do nível do mar de 189.88mm até 2070. Tais previsões associadas à possível mudança nos padrões já identificados das tempestades podem alterar e amplificar a distribuição atual dos riscos de erosão costeira. 3-Ecossistemas Bênticos e Mudanças Climáticas: Estratégias de Pesquisas O BRANQUEAMENTO DE CORAIS E AS ANOMALIAS TÉRMICAS NA COSTA DA BAHIA NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS Zelinda M. A. N. Leão1, Ruy K. P. Kikuchi1, Marília D. M. Oliveira1, Igor C. S. Cruz1, Saulo Spanó1, Amanda E. C. Nascimento1, Carlos V. S. Mendonça Filho1, Miguel L. Miranda1, Rodrigo M. Reis1, Tiago Albuquerque1, Gustavo L. Oliveira1e Lucas S. N. Rocha1 1- Grupo de Estudos Recifes de Corais e Mudanças Globais, Universidade Federal da Bahia ([email protected]) O aquecimento global tem sido considerado a principal ameaça aos recifes de coral, devido o aumento da severidade e da frequência dos eventos de branqueamento e a consequente mortalidade dos corais. Vários exemplos têm demonstrado que o branqueamento, em grande escala, tem ocorrido associado a fenômenos ambientais extremos, particularmente a elevação da temperatura das águas oceânicas e o aumento das radiações solares. A incidência e a severidade do branqueamento podem provocar mudanças na estrutura da comunidade coralina, com respeito à sua biodiversidade, reprodução, diminuição da extensão linear e redução da taxa de calcificação do esqueleto dos corais e, consequentemente, da manutenção e do desenvolvimento do recife. Corais branqueados nos recifes do Brasil foram observados desde a década de 1980, entretanto somente a partir dos anos de 1990, começaram a surgir os primeiros registros de branqueamento de corais no Brasil, coincidentes com ocorrências de anomalias térmicas. Os eventos mais fortes ocorreram durante os períodos do verão de 1997/98, 2002/03, 2004/05 e 2009/10, quando temperaturas elevadas das águas oceânicas coincidiram com os anos de El Niño, com registros de anomalias térmicas de até 1 oC em toda a costa do estado da Bahia. O branqueamento de 2010 foi o evento de maior extensão registrado. Embora os percentuais de colônias branqueadas nos recifes do Brasil em alguns casos tenham sido relativamente altos (> 50%), até o momento não foi observada mortalidade em massa de corais. Seria isto uma indicação que esses corais já estejam adaptados a essas variações ambientais? Para os corais que sobrevivem ao branqueamento, as variações da temperatura da água do mar podem se tornar um potencial para sua aclimatação ou adaptação e, assim, eles irão apresentar uma maior resistência ao atual cenário de aquecimento global. Já para as espécies que apresentam uma maior susceptibilidade às variações da temperatura da água e têm ocorrência mais baixa, pode aumentar a chance de sua extinção regional. 76 PROGNÓSTICO DA SEVERIDADE DO BRANQUEAMENTO DE CORAISNUM ATLÂNTICO SUL MAIS QUENTE Ruy K. P. Kikuchi1, Zelinda M. A. N. Leão1, Marília D. M. Oliveira1, Adma Raia2, Clemente A. S. Tanajura3 & Fernando Genz4 1- Grupo de Estudos de Recifes de Corais e Mudanças Globais, Universidade Federal da Bahia ([email protected]) 2- Centro de Climatologia, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais 3- Grupo de Oceanografia do Atlântico Tropical, Universidade Federal da Bahia 4-Águas e Saneamento, Universidade Federal da Bahia Eventos severos de branqueamento de corais na costa brasileira têm ocorrido com frequência nos últimos vinte anos. Relatos publicados a partir da década de 90 tratam de ocorrências na costa sudeste e leste, e mais recentemente também na costa nordeste. Globalmente, a recorrência desses eventos intensos têm aumentado nos últimos 30 anos e a sua relação com anomalias térmicas da água do mar (ATSM) está bem estabelecida. Dados do modelo climático global HadCM3 (obtidos através do CPTEC/INPE) indicam que a frequência de ATSM aumentará nos próximos 60 anos na região estudada (18˚S a 0˚S). Foram utilizados quatro membros que contemplam as incertezas das projeções do cenário de emissões A1B. A relação estabelecida entre anomalias térmicas e a frequência conhecida de colônias de corais branqueados nos recifes da costa leste brasileira, nos eventos dos últimos 20 anos, categorizada em quatro níveis de severidade (baixa, intermediária, alta e muito alta), permitiu criar-se um modelo preditivo de branqueamento da região. O modelo prevê um crescimento na recorrência de eventos muito severos de branqueamento nos próximos 60 anos, com um evento de alta severidade a cada 10 anos entre 2011-2040, e até um evento muito severo a cada cinco anos no intervalo de 2041 a 2070, no Extremo Sul da Bahia (18-16˚S). Esse recrudescimento aumenta para norte, onde porção entre 13-12˚S (Norte da Bahia) o maior aumento ocorrerá nos próximos 30 anos, quando se espera a recorrência de eventos de muito alta severidade a cada 3 anos, aproximadamente. Entre 2041-70, prevêse uma queda de até 50% na frequência de eventos de branqueamento muito severo, que poderá se repetir uma vez a cada 5 anos. Na região ao norte da desembocadura do rio São Francisco (11-0˚S) devem ocorrer cerca de 3 eventos muito severos por década, entre 2041 e 2070. EFEITOS SINÉRGICOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DOS IMPACTOS DA URBANIZAÇÃO: A ECOLOGIA E FISIOLOGIA DAS MACROALGAS COMO DESCRITORES Paulo A. Horta1, Cintia Martins1, Fernando Scherner1, Cintia Lhullier1, Manuela Batista1, Noele Arantes1, Caroline de Faveri1, Talita Pinto1, Fabiola Soares1, Ronan Caetano1, Marina Sissini1, Eduardo Bastos1, Eduardo Valduga1, Marcelo Maraschin1, Zenilda L. Bouzon1, Pio Colepicolo2, Sonia Pereira3, Marcos Nunes4, Fungyi Chow5 e Eurico C. Oliveira1 1- Centro de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Santa Catarina ([email protected]) 2- Instituto de Química, Universidade de São Paulo 77 3- Departamento de Botânica, Universidade Federal Rural de Pernambuco 4- Departamento de Botânica, Universidade Federal da Bahia 5- Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo O presente trabalho descreve a resposta ecológica e fisiológica de diferentes populações de macroalgas diante de variações sinérgicas de fatores relacionados com as mudanças climáticas com impactos relacionados ao processo de urbanização das regiões costeiras. As coletas foram realizadas em diferentes pontos do litoral brasileiro, durante diferentes períodos de 2008 a 2011. Na caracterização descritiva foram selecionados costões rochosos em praias urbanizadas ou não. Na abordagem experimental foram transplantados entre locais com diferentes intensidades de impactos antrópicos população k e r estrategistas. Procedimentos semelhantes foram realizados em laboratório, expondo estas algas a diferentes intensidades de luz, temperatura, nutrientes e poluentes diversos e graus de salinidade. Os testes de significância realizados a partir dos dados ecológicos descritivos indicaram que a riqueza de espécies, a diversidade de Shannon-Wiener e a equitabilidade de Pielou foram superiores nas praias preservadas quando comparadas às praias urbanizadas. De maneira geral, tanto os transplantes quanto as incubações em laboratório em condições extremas reduziram quali ou quantitativamente o desempenho fisiológico dos diferentes modelos utilizados. A redução no pH da água concomitante com a elevação de nutrientes inorgânicos dissolvidos, resultou em uma redução da taxa de transporte de elétrons, assim como dos demais descritores da fotossíntese derivados da análise da fluorometria, em diferentes espécies de macroalgas. Portanto, os impactos antrópicos agindo de maneira sinérgica com as variações de parâmetros relacionados com as mudanças climáticas globais comprometem o desempenho fisiológico e consequentemente alteram diferentes aspectos da diversidade biológica, reforçando a demanda por ações de mitigação destes impactos sobre os ambientes costeiros. O PAPEL DA FLORESTA DE MANGUEZAL NA CAPTURA DE CARBONO (CARBONO AZUL): APA DE GUAPIMIRIM/RJ Renato C. Cordeiro1, Carlos E. Rezende2, Paulo Pedrosa2, Ilene M. Abreu1, Nilva Brandini1, Bastiaan A. Knoppers1, William Z. Mello1, Carlos A. R.e Silva1 1- Universidade Federal Fluminense ([email protected]) 2- Universidade Estadual do Norte Fluminense A floresta de manguezal remove o CO2 da atmosfera via atividade fotossintética e retorna certa quantidade desse gás para atmosfera através da atividade respiratória e da oxidação da matéria orgânica morta. O estoque da matéria orgânica remanescente na floresta ocorre nos tecidos das plantas (biomassa aérea e subterrânea) e no sedimento. Esse carbono capturado pelas árvores de mangue e pelo sedimento de mangue, os quais sofrem influência do oceano, é denominado de carbono azul (“Blue Carbon”). Parte do CO2 removido pode ser inserida na hidrodinâmica estuarina na forma de macrodetritos (i.é., folhas) e/ou na forma de matéria orgânica dissolvida. Essas formas de CO 2 podem sofrer diferentes processos biogeoquímicos ao longo da calha estuarina, os quais são pouco conhecidos. 78 Apesar dos estuários representarem pequenos corpos de água quando vistos de forma isolada, em relação ao oceano, estes podem contribuir significativamente na liberação ou na retirada do dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. Cada estuário deve ser considerado como parte do ciclo do carbono. O CO 2 através da atmosfera chega até as águas, as plantas e nos tecidos animais. Finalizando, o entendimento das variáveis temperatura, salinidade, pH, AT e DIC, envolvendo o CO 2 inorgânico dissolvido nas valetas dentro da floresta de manguezal é um importante passo para a compreensão dos processos de seqüestro e liberação do CO2 do sistema estuarino da APA de Guapimirim e o começo de uma importante contribuição para entender o papel do sistema estuarino no sequestro do CO 2. REDE DE MONITORAMENTO DE HABITATS BENTÔNICOS COSTEIROS (REBENTOS): HISTÓRICO E ESTRATÉGIA DE ATUAÇÃO Alexander Turra1, Ângelo F. Bernardino2, Ana C. Z. Amaral3, Flavio A. S. Berchez4, Joel C. Creed5, Margareth S. Copertino6, Ricardo Coutinho7 e Yara Schaeffer-Novelli1 1- Instituto Oceanográfico, Universidade de São Paulo ([email protected]) 2- Departamento de Oceanografia, Universidade Federal do Espírito Santo 3- Instituto de Biologia, Universidade Estadual de Campinas 4- Instituto de Biologia, Universidade de São Paulo 5- Departamento de Ecologia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro 6- Instituto de Oceanografia, Universidade Federal de Rio Grande 7- Departamento de Oceanografia, Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira A criação e a implementação da Rede de Monitoramento de Habitats Bentônicos Costeiros (ReBentos) deu-se a partir do I Workshop da Sub-Rede Zonas Costeiras (Rede Clima, MCT; Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas, INCT-MC) com o intuito de detectar os efeitos das mudanças ambientais regionais e globais sobre a biodiversidade desses ambientes, dando início a uma série histórica de dados ao longo da costa brasileira. Corresponde a um processo de indução de estudos em rede focados na biodiversidade de habitats bentônicos e estrutura-se com base em uma coordenação geral e seis projetos definidos pelos habitats abrangidos: Praias arenosas e estuarinas, Recifes e costões rochosos, Fundos inconsolidados vegetados, Fundos inconsolidados não vegetados, Manguezais e marismas e Educação ambiental. A ReBentos integra o Programa SisBiota Brasil (CNPq/FAPESP), com recursos para articulação e fortalecimento da rede (workshops) e para o início dos trabalhos de campo. Fontes adicionais de recursos estão sendo buscadas para a estruturação e o fortalecimento das equipes e dos laboratórios participantes. Os trabalhos foram iniciados em janeiro de 2011 com a divulgação da proposta na comunidade científica, processo que culminou com a realização do I Workshop da ReBentos, realizado entre 28 e 29 de julho de 2011, em Arraial do Cabo, RJ, durante o IX Encontro de Bioincrustação, Ecologia Bêntica e Biocorrosão. Até o momento a ReBentos conta com cerca de 80 pesquisadores participantes de mais de 25 instituições representando quase todos estados costeiros brasileiros. Foi criado um portal interativo com intranet (www.rebentos.org) que será o local de 79 convergência de comunicados, documentos, referências e discussões. Por ocasião do II Workshop da ReBentos há as seguintes etapas a serem cumpridas: (1) consolidação das sínteses do estado do conhecimento de cada habitat e (2) definições metodológicas para início das séries temporais a partir do início de 2012. 4-Mudanças climáticas no Atlântico Sul: escalas de influência e detecção VARIABILIDADE DA CORRENTE DO BRASIL ASSOCIADA A EVENTOS DE EL NIÑO E LA NIÑA Ricardo N. Servino1e Renato D. Ghisolfi1 1- Laboratório Posseidon, Departamento de Oceanografia, Universidade Federal do Espírito Santo ([email protected]) Estudos sugerem diversas teorias sobre como a intensidade e frequência dos eventos de El Niño e La Niña serão alteradas frente a um quadro de mudanças climáticas globais. Independente de como estas características serão afetadas, um conhecimento dos mecanismos de resposta da atmosfera e oceano a estes eventos é necessário para uma previsão com antecedência dos seus efeitos na circulação atmosférica e oceânica. As correntes oceânicas realizam um papel importante no clima, em que são responsáveis, em parte, pela distribuição de calor para as altas latitudes. A Corrente do Brasil (CB) merece atenção especial por ser uma corrente de fluxo intenso e estreito, localizada em uma região de importância econômica para o país, e de conhecimento limitado em relação à sua variabilidade na escala interanual. Estudos mostram que eventos de El Niño e La Niña promovem alterações anômalas na atmosfera e na temperatura da superfície do Atlântico tropical, provavelmente afetando o sistema de correntes do Giro Subtropical do Atlântico Sul. Utilizando ferramentas estatísticas em uma longa série temporal de dados de transporte de volume derivados de resultados de modelagem numérica, o presente trabalho encontrou um sinal considerável destes fenômenos na CB dentre outros possíveis sistemas de oscilação. SISTEMAS DE OBSERVAÇÃO NO OCEANO UTILIZANDO INFORMAÇÕES BIO-ÓPTICAS Áurea M. Ciotti1 1- Laboratório Aquarela, Centro de Biologia Marinha, Universidade de São Paulo ([email protected]) Estudos sobre os efeitos das mudanças climáticas em águas de regiões costeiras necessitam observações continuas. Uma série de instrumentos estão agora disponíveis capazes de fornecer informações biológicas nas mesmas escalas espaciais e temporais que as observações das características físicas, como temperatura e salinidade. Combinações de dados físicos e biológicos, obtidos em tempo real em locais estratégicos, podem fornecer ferramentas valiosas para estudos sobre processos ecológicos e manejo de ambientes costeiros. Esses locais, ditos sistemas de observação costeira (SOC), estão se difundindo por 80 vários países e, em sua maioria, dependem de dados bio-óticos para estimativas de variáveis biológicas. Nessa palestra, apresentamos os últimos avanços sobre os produtos do SOC e suas aplicações, e ainda as estratégias possíveis para a integração desses resultados a nível regional e global. O panorama de integração de dados dos SOC da Europa e América do norte serão apresentados. O objetivo da palestra, éapresentar aos pesquisadores da Rede Clima Zonas Costeiras, exemplos de aquisição e manejo de dados e promover a discussão sobre possíveis caminhos para SOCs no Brasil. ANÁLISE DOS EFEITOS DA VARIABILIDADE CLIMÁTICA SOBRE OS GRANDES ECOSSISTEMAS MARINHOS BRASILEIROS: SITUAÇÃO ATUAL DA PESQUISA E AVANÇOS ESPERADOS Douglas F. M. Gherardi1, Helena C. Soares1, Eduardo T. Paes3, Luciano P. Pezzi1, 2 e Mary T. Kayano2 1- Divisão de Sensoriamento Remoto, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ([email protected]) 2- Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais 3- Instituto Socioambiental e dos Recursos Hídricos, Universidade Federal Rural da Amazônia Os Grandes Ecossistemas Marinhos (GEM's) são unidades definidas para auxiliar o gerenciamento dos recursos naturais marinhos costeiros. A vantagem de sua utilização para o manejo destes recursos é que elas consideram as interações das comunidades biológicas com o meio físico. Entretanto, os efeitos da variabilidade climática global sobre cada GEM apresenta grande heterogeneidade. O objetivo desta pesquisa é avaliar o impacto da variabilidade climática sobre os GEM's brasileiros. Estes impactos têm origem tanto na variabilidade climática do próprio oceano Atlântico Sul e tropical, como também nas influências externas como o oceano Pacífico. Estas influências ocorrem primeiramente sobre o meio físico, por meio de alterações das características de circulação oceânica e atmosférica e do equilíbrio termodinâmico. Estas alterações físicas impactam a disponibilidade de nutrientes na coluna de água e assim afetam a produtividade biológica destas regiões. Foram analisadas as correlações total e parcial entre índices climáticos representativos da variabilidade climática global e a temperatura da superfície do mar (TSM), tensão do vento na superfície e transporte de Ekman. Os efeitos da mudança de regime da Oscilação Decenal do Pacífico sobre as correlações também foram avaliados. Serão discutidos também os desenvolvimentos futuros do trabalho, como o uso da modelagem numérica de circulação oceânica para investigar os processos físicos associados aos padrões de correlação encontrados. PROCESSOS BIOGEOFÍSICOS DE LARGA ESCALA E SUAS RELAÇÕES COM O SEQÜESTRO DE CARBONO AO LONGO DA PLUMA DO RIO AMAZONAS Eduardo Tavares Paes1 e Caio Lourenço. 1- Laboratório de Ecologia Marinha e Oceanografia Pesqueira. Universidade Federal Rural da Amazônia ([email protected]) 2- Programa de Pós-Graduação em Aquicultura e Recursos Aquáticos TropicaisUniversidade Federal Rural da Amazônia 81 A costa Amazônica, que se estende desde o Amapá até o Maranhão, atualmente é a maior produtora de pescado marinho-estuarino do Brasil, produzindo aproximadamente 120 mil ton/ano. Em função do esgotamento dos estoques pesqueiros do Sudeste-Sul a indústria pesqueira nacional e internacional está progressivamente deslocando suas embarcações para a região e já se nota indícios de sobre-explotação dos principais recursos pesqueiros da região amazônica. Hoje, o Pará e o Amapá constituemo novo “Eldorado” da Pesca no Brasil. Por outro lado, pesquisas internacionais realizadas por grandes instituições oceanográficas do mundo (ex: Scripps - California) em águas internacionais adjacentes à foz do Amazonas, demonstram que os processos biogeoquímicos e biogeofísicos de alta complexidade na região da pluma do referido Rio associada à sua hidrodinâmica, a carga de nutrientes e metais traço são responsáveis por cifras significativas de seqüestro de carbono (cerca de 5 a 10 % do seqüestro de carbono atribuído a Floresta Amazônica - estimativas ainda grosseiras geradas pelos autores desse trabalho) e pela alta produção pesqueira da costa. Essa produção pesqueira sustenta aproximadamente cerca de 400 mil famílias direta e indiretamente. Dessa maneira, justifica-se um esforço em conjunto das instituições governamentais de pesquisa e fomento brasileiras liderar um movimento de pesquisas e monitoramento em alto nível desse complexo ecossistema, tratando de elucidar os mecanismos controladores do ciclo do carbono e suas implicações socio-econômicas. Nesse trabalho apresentaremos propostas de estudos para a região da pluma do Rio Amazonas, bem como, algumas hipóteses para elucidação das mudanças climáticas ocorridas no passado recente. 5-Dimensão Humana das Mudanças Climáticas URBANIZAÇÃO, RISCOS E VULNERABILIDADES ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS: CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO RESIDENTE NA ZONA COSTEIRA DO BRASIL Roberto L. do Carmo1 1- Departamento de Demografia, Núcleo de Estudos de População,Universidade Estadual de Campinas ([email protected]) O Brasil passou por um intenso processo de urbanização ao longo da segunda metade do Século XX, chegando a 2010 com 84% da população residindo em áreas definidas como urbanas, segundo resultados do Censo Demográfico 2010 do IBGE. Há uma importante concentração dessa população nas zonas costeiras do país, resultante de um processo histórico de localização de investimentos e ocupação do território, que ainda continua sendo reproduzido. No contexto estabelecido pelas mudanças climáticas, principalmente considerando as previsões de aumento do número e da intensidade de eventos extremos, as ocupações urbanas localizadas na faixa litorânea, por suas características específicas de saneamento e ocupação de áreas sujeitas a deslizamentos e inundações, tornam-se ainda mais sujeitas a esses riscos. O objetivo deste trabalho é apresentar um conjunto características dessa população que habita a faixa litorânea brasileira, evidenciando a exposição a riscos que se tornam mais 82 significativos em termos de futuro, como a elevação do nível do mar, assim como as vulnerabilidades sociais que se configuram nesse novo contexto. EFEITOS DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS NA PESCA ARTESANAL DO EXTREMO SUL DO BRASIL E IMPACTOS SOCIOECONÔMICOS SOBRE AS COMUNIDADES PESQUEIRAS Patrizia R. Abdallah1, Denis Hellebrandt2, Jorge P. Castello3, Ussif R. Sumaila4, José H. Muelbert5, Osmar Moller6 e João P. Vieira7 1- Unidade de Pesquisa em Economia Costeira, Universidade Federal do Rio Grande ([email protected]) 2- University of East Anglia, United Kingdom 3- Laboratório de Recursos Pesqueiros Pelágicos, Instituto de Oceanografia, Universidade Federal do Rio Grande 4- Fisheries Economics Research Unit, University of Vancouver, Canadá 5- Laboratório de Ecologia do Ictioplâncton, Instituto de Ocenaografia, Universidade Federal do Rio Grande 6- Laboratório de Oceanografia Costeira e Estuarina, Instituto de Oceanografia, Universidade Federal do Rio Grande 7- Laboratório de Ictiologia, Instituto de Oceanografia, Universidade Federal do Rio Grande Mudanças climáticas impactam a pesca no extremo sul do Brasil, com repercussões sobre os pescadores. Este trabalho visa entender a vulnerabilidade socioeconômica e a capacidade de adaptação dos pescadores quanto afetados por eventos climáticos. Duas espécies emblemáticas do estuário da Lagoa dos Patos (RS), camarão-rosa (Farfantepenaeuspaulensis) e a tainha (Mugil Liza), foram escolhidas para analisar os efeitos de eventos climáticos na pesca das mesmas. e seus impactos socioeconômicos.. Ambas as espécies são de alta importância socioeconômica. Os resultados revelaram que os altos volumes de descargas de rios na bacia hidrográfica da Lagoa dos Patos, associados com eventos El Niño que provocam excesso de chuvas - fato frequente na região em estudo -, causam acentuada redução na captura destas espécies e consequente queda na receita destas atividades econômicas. Esta sequência de eventos é identificada a partir da percepção dos pescadores que atuam nestas duas pescarias no estuário da Lagoa dos Patos. Este processo causa um enorme stress no bem-estar das comunidades pesqueiras. Além disso, no caso da pesca da tainha os resultados mostraram como a vulnerabilidade dos pescadores é afetada tanto por processos ambientais como pelos processos de gestão pesqueira. É portanto devido a conjunção de fatores, tais como excesso de chuvas e pesca ilegal, que pescadores artesanais tornam-se mais vulneráveis e menos capazes de adaptar-se às incertezas. A partir destes entendimentos e de reuniões e encontros com grupos da pesca, são construídos instrumentos de suporte à tomada de decisão relacionados a esta problemática. Estudo financiado pelo IAI-CRN2076/NSFGEO-0452325. 83 A VULNERABILIDADE DE PESCADORES ARTESANAIS DO LITORAL SUL DO BRASIL:O PAPEL DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO NA DETERMINAÇÃO DE SUAS ESTRATÉGIAS DE ADAPTAÇÃO Luiz F. D. Faraco1,3, José M. Andriguetto Filho3 e Paulo C. Lana2 1- Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Ministério do Meio Ambiente 2- Centro de Estudos do Mar, Universidade Federal do Paraná ([email protected]) 3- Programa de Pós-graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento, Universidade Federal do Paraná A vulnerabilidade sócio-ambiental dos pescadores artesanais do sul do Brasil, definida pelo seu grau de exposição, sensibilidade e capacidade de adaptação, vem aumentando devido às quedas dos estoques de várias espécies e a problemas generalizados de acesso e gestão dos recursos costeiros. Vivendo e trabalhando junto a áreas de elevada biodiversidade, os pescadores são também afetados pelas restrições impostas pela legislação ambiental e pelas unidades de conservação. É possível prever que as alterações associadas às mudanças climáticas funcionarão como fontes adicionais de impacto. A vulnerabilidade dos pescadores depende de variados fatores sociais e ecológicos, internos e externos, entre os quais se destacam o aumento na frequência e intensidade de tempestades, aqueda nos estoques pesqueiros e a projetada subida do nível do mar. A queda dos estoques pesqueiros e o aumento da imprevisibilidade sazonal dos recursos vêm exigindo dos pescadores o desenvolvimento e aplicação de estratégias para lidar com (no curto prazo) e se adaptar (no longo prazo) a essas perturbações. Estas variáveis podem ser vistas como análogas atuais dos efeitos futuros projetados por modelos de mudanças climáticas. Este trabalho objetiva: 1) descrever os elementos que compõem atualmente a vulnerabilidade às mudanças climáticas de pescadores artesanais do litoral norte do Paraná, sul do Brasil, avaliando as diferenças entre vilas pesqueiras e as estratégias de adaptação aplicadas no passado, no presente e cogitadas para o futuro para lidar com as variações nos estoques pesqueiros; 2)avaliar como características sociais, econômicas e políticas, incluindo a presença das unidades de conservação, afetam a escolha dessas estratégias, sua viabilidade e sua eficácia para reduzir a vulnerabilidade. Análises preliminares de entrevistas semiestruturadas mostram que a vulnerabilidade varia mesmo entre vilas muito próximas e é determinada principalmente pelo tipo de pescarias realizadas e pelo nível de dependência em relação à pesca. As unidades de conservação afetam a vulnerabilidade dos pescadores de maneira marcada ao restringir ainda mais as opções de adaptação daqueles que já são mais vulneráveis. Os resultados dessa análise serão úteis para a integração das políticas de adaptação às mudanças climáticas e das políticas de conservação da biodiversidade na zona costeira, como forma de promover a resiliência conjunta de pescadores e dos ecossistemas costeiros face a um cenário de mudanças climáticas. 84 SESSÃO TEMÁTICA Metodologias e avaliação de vulnerabilidades costeiras A IMPORTÂNCIA DA PADRONIZAÇÃO E SISTEMATIZAÇÃO DE DADOS GEOESPACIAIS PARA ESTUDOS EM REDE: CARTA SAO, ERROS E ACERTOS Rafael M. Sperb1, Antônio H. F. Klein2 e João T. Menezes3 1- Laboratorio de Computação Aplicada, Universidade do Vale do Itajaí ([email protected]) 2- Laboratório de Oceanografia Costeira, Departamento de Geociências, Universidade Federal de Santa Catarina Entre 2005 e 2007, INPE, OCEANSATPEG, UFPR, UFRJ, UNIMONTE, USP e UNIVALI conduziram, colaborativamente, os estudos que resultaram no Mapeamento da Sensibilidade Ambiental ao Óleo da Bacia Sedimentar Marítima de Santos – Carta SAO. Com base neste estudo, esta palestra apresenta criticamente, a partir de erros e acertos, a importância da padronização de dados geoespaciais, com destaque ao compartilhamento e integração deste produzidos em rede, para elaboração de produtos cartográficos. Complementarmente, são apresentadas as diretivas do governo brasileiro no que concerne à sistematização de dados e produtos cartográficos digitais, bem como as tendências que se apresentam em termos de soluções tecnológicas para o catalogamento e disponibilização de dados geoespaciais via Internet. ESTUDOS GEODÉSICOS SOBRE OCUPAÇÕES URBANAS NO LITORAL NORTE DO RIO GRANDE DO SUL Glauber A. Gonçalves1 e Humberto Vianna2 1- Laboratório de Tecnologia de Geoinformação, Centro de Ciências Computacionais, Universidade Federal do Rio Grande ([email protected]) 2- Programa de Pós-graduação em Engenharia Oceânica, Universidade Federal do Rio Grande A precisa descrição de ambientes costeiros, sujeitos a dinâmica dos eventos extremos que frequentemente atingem tais áreas, é alvo desse estudo de desenvolvimento de metodologia para métrica das estruturas ambientais presentes. O estabelecimento de um referencial geodésico local, acoplado ao Sistema Geodésico Brasileiro, obtido por técnicas de posicionamento GPS integradas a medidas topográficas de alta precisão foi o primeiro processo desenvolvido. A estimativa do geóide em uma pequena faixa desse litoral, por modelagem numérica sobre controles bem estabelecidos, permitiu o ajustamento de um modelo numérico de terreno obtido por laser scanner na mesma área. Esse produto permite a simulação do impacto de eventos de elevação do nível do mar com extrema precisão. Um breve experimento com dados registrados numa área de densa ocupação urbana na região pósdunas foi efetuada, com vistas a demonstrar o potencial da ferramenta e metodologia testadas. Os dados utilizados foram cortesia da Secretaria de Patrimônio da União, gerencia regional do estado do RS. 85 IMPACTOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NA COSTA DO RIO GRANDE DO SUL: FORÇANTES EXTERNAS E CONTROLES INTERNOS Salette A. Figueiredo1 1- Laboratório de Oceanografia Geológica, Instituto de Oceanografia, Universidade Federal do Rio Grande As mudanças climáticas previstas como resultado do aquecimento global incluem: taxas aceleradas de elevação do nível do mar, aumento da intensidade e/ou frequência das tempestades, e alterações no balanço de sedimentos, em função das mudanças no clima regional de ondas. Estimativas precisas para as taxas de mudança ainda estão cercadas de incertezas. Ainda mais incerteza é adicionada quando se leva em consideração os impactos destas mudanças em ambientes costeiros com morfologia e dinâmica variáveis. Isto se deve ao fato de que os controles regionais internos, tais como, a declividade do substrato, a disponibilidade de sedimento e a extensão dos limites em mar aberto para trocas sedimentares entre a ante-praia inferior e costa, desempenham um importante papel em determinar como a costa irá responder às alterações na dinâmica externa devido às mudanças climáticas, especialmente à elevação do nível do mar. Neste estudo utilize-se um modelo costeiro agregado, o DilatingRandomShorefaceTranslationModel (DRanSTM), para avaliar os efeitos da elevação do nível do mar durante as próximas décadas ao longo dos setores morfodinâmicamente diferentes da costa do Rio Grande do Sul, na região sul do Brasil. A capacidade estocástica do DRanSTM permitiu a quantificação das diferentes fontes de incerteza nas previsões de risco costeiro à erosão. Os resultados das simulações sugerem que a variação regional da resposta costeira às mudanças climáticas é controlada principalmente pela declividade da ante-praia inferior, sendo a morfologia da costa e da ante-praia superior desempenhando um papel menos relevante. Reversões nas tendências geo-históricas estão previstas para as próximas décadas, onde setores anteriormente progradantes irão desenvolver taxas de erosão que são ainda maiores do que as apresentadas pelos setores geo-históricamente erosivos. Os resultados indicam que os setores com substratos de gradiente suave são os mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas sendo também os mais reativos a alterações dos parâmetros da ante-praia inferior. Os resultados apresentados apontam para o imperativo do desenvolvimento de um plano específico de planejamento, manejo e adaptação, o qual considere os efeitos das variações sutis na morfologia do substrato na resposta costeira às mudanças climáticas. 86 PAINÈIS EROSÃO COSTEIRA NO RIO GRANDE DO SUL: ANÁLISE DA PASSAGEM DE EVENTOS EXTREMOS E PERFIS DE PRAIA ENTRE 1991 E 1996 Allan O. de Oliveira1 e Lauro J. Calliari2 1- Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, Campus Rio Grande 2- Laboratório de Oceanografia Geológica, Instituto de Oceanografia, Universidade Federal do Rio Grande ([email protected]) As mudanças climáticas estão entre os assuntos mais discutidos no meio científico e imprensa em geral, pois tendem a causar impactos sobre muitas sociedades humanas. Nas zonas costeiras estes impactos podem ser mais evidentes a partir da elevação do nível do mar, ou pela intensificação dos eventos extremos que causam empilhamento d’água na costa. Na costa do Rio Grande do Sul este efeito já vem sendo discutido em vários trabalhos publicados pelo Laboratório de Oceanografia Geológica da Universidade Federal do Rio Grande. Para analisar a erosão costeira no RS entre os anos de 1991 a 1996 foram utilizados perfis praias realizados pelo Laboratório de Oceanografia Geológica (LOG) da Universidade Federal do Rio Grande nos anos de 1991 a 1996, e que compõem o Banco de Dados PRAIA LOG, além de dados do projeto Reanálise R-1 do NCEP/NCAR (National Centers for Environmental Prediction). Após a seleção dos perfis que seriam utilizados foram calculadas as variações volumétricas (m3/m) detectando assim os perfis erosivos, e após, com o auxílio do banco de dados do Projeto Reanálise R-1 do NCEP/NCAR, foram simuladas as condições atmosféricas para os períodos em que ocorreu erosão praial. Mesmo com alguns trechos costeiro apresentando maior erosão (extremo sul do RS), foi verificado que a maioria das praias estudadas ao final de cada ano de pesquisa não ficaram com déficit sedimentar, indicando que ocorre um processo natural de recuperação. COMPARAÇÃO METODOLÓGICA DE PADRÕES DE CLASSIFICAÇÃO ECOLÓGICA DE AMBIENTES MARINHOS E COSTEIROS COM VISTAS AO MAPEAMENTO CARTOGRÁFICO E DETERMINAÇÃO DA SENSIBILIDADE AMBIENTAL Carolina S. Mussi¹, Angelina Coelho¹, Rafael M. Sperb¹, Antônio C. Beaumord³, João T. Menezes², Maria I. F. Santos4, Thelma L. Scolaro¹, Danielle D. Klein¹, Roberto A Pavan² e Ana P. F. D. Ramos¹ 1- Laboratorio de Computação Aplicada, Universidade do Vale do Itajaí 2- Laboratorio de Sensoriamento Remoto,Universidade do Vale do Itajaí ([email protected]) 3- Laboratorio de Estudos e Impactos Ambientais, Universidade do Vale do Itajaí 4- Laboratorio de Oceanografia Geológica, Universidade do Vale do Itajaí Diversos esforços têm sido realizados pelos pesquisadores mundiais no intuito de definir um padrão classificatório para os ambientes da zona costeira, a fim de viabilizar a interoperabilidade de dados e facilitar a 87 gestão ambiental e socioeconômica destas regiões. A padronização e hierarquização dos ambientes que compõem a zona costeira e marinha é etapa essencial na definição de unidades geográficas para o mapeamento cartográfico, pré-requisito na avaliação da fragilidade do ambiente e riscos a biodiversidade. Este trabalho discute a aplicabilidade do Coastaland Marine EcologicalClassification Standard (CMECS) e do EuropeanNatureInformation System (EUNIS) como métodos padrões de classificação cartográfica dos ambientes costeiros e marinhos para identificação da sensibilidade ambiental e riscos a biodiversidade frente às mudanças climáticas no litoral de Santa Catarina. A avaliação da aplicabilidade de ambas as metodologias se deu através de uma matriz multicritério, relacionado as particularidades de cada uma com o atendimento ou não de requisitos para o mapeamento cartográfico de “Unidades Geográficas Homogêneas” e análise de risco. Ambas as metodologias avaliadas neste estudo apresentam caracteristicas interessantes para definição de “Unidades Geográficas Homogêneas” para o mapeamento cartográfico e avaliação da sensibilidade e de risco. Conclui-se que uma composição entre essas duas abordagens, seguida de uma adequação à realidade de sistemas tropicais seria a melhor opção para prodeceder uma classificação padronizada quando o foco é avaliar a senbilidade e risco das mudanças cilmaticas na costa? Ressalta-se, no entanto, que a adequação dos sistemas, dependerá diretamente da disponibilidade de dados secundários que permitam representar do modo mais completo possível os ambientes e processos presentes na costa de Santa Catarina. HIDRODINÂMICA DO SACO DO ARRAIAL (LAGOA DOS PATOS, RS) FRENTE ÀS VARIAÇÕES DE DESCARGA FLUVIAL – INDÍCIOS DE RESPOSTAS DAS ENSEADAS RASAS ESTUARINAS ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS Priscila B. Giordano1 e Elisa H. L. Fernandes 1- Ambidados – Soluções em Monitoramento Ambiental ([email protected]) 2- Laboratório de Oceanografia Costeira e Estuarina, Instituto de Oceanografia,Universidade Federal do Rio Grande As enseadas rasas do estuário da Lagoa dos Patos são importantes ambientes para o desenvolvimento de diversas espécies marinhas. Estas áreas servem como berçários para muitas espécies comercialmente importantes e contribuem para muitas atividades econômicas relacionadas ao suporte industrial da cidade de Rio Grande, pesca artesanal de camarão, aquacultura e lazer. Embora estes ambientes tenham grande importância ecológica e econômica para a região, pouco se sabe sobre a sua dinâmica e a sua resposta às mudanças climáticas. Experimentos de modelagem numérica foram realizados para investigar a resposta do Saco do Arraial, a maior enseada rasa do estuário da Lagoa dos Patos, às principais forçantes da região: vento, maré e descarga fluvial com enfoque principal na resposta deste sistema às variações extremas da contribuição de descarga fluvial. O comportamento do sistema perante as situações extremas fornece um indicativo da sua resposta aos ciclos de El Niño/La Niña. Os resultados mostram que a dinâmica desta baía é dependente das variações de nível do estuário, do efeito local do vento e da intensidade da descarga fluvial. Quanto mais intensa a descarga fluvial, menor é o Tempo de Renovação do Volume de Água e o Tempo de Permanência de partículas dentro do Saco do Arraial. Durante períodos de baixa descarga o vento é o principal fator que promove a entrada de sal no Saco do 88 Arraial. Como a maioria dos ambientes costeiros, este ecossistema mostra-se sensível às possíveis consequências das mudanças climáticas. ALTERAÇÕES NA CONCENTRAÇÃO DE CLOROFILA-ASOB INFLUÊNCIA DA RESSURGÊNCIA DE CABO FRIO E SUA RELAÇÃO COM A DISTRIBUIÇÃO DE LARVAS DE CIRRIPEDES E BIVALVES AO LONGO DA PLATAFORMA CONTINENTAL Ana C. A. Mazzuco1, Áurea M. Ciotti1 e Ronaldo A. Christofoletti1 1- Centro de Biologia Marinha, Universidade de São Paulo ([email protected]) A distribuição das larvas de invertebrados sobre plataformas continentais é consequência do padrão de correntes e feições, associados a respostas comportamentais das larvas à dinâmica do ambiente pelagial. Dentre consequências de mudanças climáticas estão alterações na intensidade de processos de ressurgência costeira, que além de prover condições nutritivas para o acúmulo de biomassa fitoplanctônica, ainda são veículos para agregações larvais. Este estudo propõe-se investigar a variação espacial da densidade de larvas de cirripedes e bivalves sobre a plataforma continental na zona de influência da Ressurgência do Cabo Frio, e a sua relação com a concentração de clorofila-a. As amostras foram obtidas ao longo de 4 transectos perpendiculares e um paralelo a costa, em duas comissões oceanográficas, em junho/2010 e janeiro/2011. Os métodos utilizados incluíram arrastos verticais com rede de plâncton para a captura das larvas e amostras de água para as medidas de clorofila-a por extração e fluorescência. A densidade larval variou ao longo dos transectos, com maiores densidades encontradas próximo a costa, sem contrastes latitudinais consideráveis. A densidade larval de bivalves foi maior do que de cirripedes e as tendências espaciais diferiram. Concentração de clorofila-a e a densidade larval apresentaram uma relação positiva, mais significativa para cirripedes que bivalves, e apenas encontrada durante as amostragens de inverno. Esses resultados sugerem pela primeira vez na área de estudo, que a distribuição larval esteja associada as maiores concentrações de organismos fitoplanctônicos, o que pode ter impacto sobre as taxas de sobrevivência e recrutamento larval, bem como afetar a disponibilidade de células fitoplanctônicas na coluna dágua. PADRÃO TEMPORAL DE OCORRÊNCIA DE FLORAÇÕES FITOPLANCTÔNICAS NA BAIA DE SÃO VICENTE (SP) DURANTE O VERÃO DE 2010 André F. Bucci1, Áurea M. Ciotti1 e Ricardo C. G. Pollery2 1- Laboratório Aquarela, Centro de Biologia Marinha, Universidade de São Paulo ([email protected]) 2- Instituto de Biologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro A ocorrência de florações fitoplanctônicas em águas costeiras e baias é resultado do dinamismo hidrológico costeiro associado à disponibilidade de nutrientes e luz para o aumento da produção primária. As florações de fitoplâncton afetam a estrutura trófica das águas costeiras e modificam os caminhos para o carbono. Efeitos antrópicos, como descargas de água doce e esgoto podem promover 89 alterar os padrões das florações no tempo e no espaço, e assim, se torna indispensável quantificar possíveis anomalias e suas causas. Durante dezembro de 2009 a março de 2010, foram realizadas coletas de água em dias alternados na Baia de São Vicente (SP) e monitorados i) a concentração de clorofila-a, ii) a concentração de nutrientes, iii) eventos hidrológicos (maré e descarga de água continental) e iv) salinidade e temperatura. As florações, representadas pela concentração de clorofila-a, apresentaram frequência de ocorrência de aproximadamente 15 dias (análise Wavelet), tendo como provável fator regulador o ciclo de maré local (regime sigízia/quadratura) e sua interferência na disponibilidade luminosa. Contudo, esse padrão desaparece em episódios de alta descarga de água doce promovida por uma usina hidroelétrica (Henry-Borden) localizada em Cubatão. A concentração de nutrientes não influenciou o padrão temporal das florações, e o padrão de florações no estuário é resultado do balanço da influência de eventos naturais regulares (ciclo de maré) e eventos esporádicos resultado da atividade humana (descarga de água doce e esgoto). Altas descargas de água doce podem comprometer a estrutura trófica da região. IMPACTO DA URBANIZAÇÃO E TEMPERATURAS EXTREMAS SOBRE A PRODUÇÃO PRÍMARIA DE HYPNEA MUSCIFORMIS (WULFEN) J. V. LAMOUR Caroline D. Faveri1, Cintia Martins2, Eder Schimdt1, Paulo A. Horta1 e Zelinda Bouzon1 1- Laboratório de Ficologia, Centro de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Santa Catarina ([email protected]) O presente trabalho teve como objetivo avaliar a concentração de pigmentos fotossintetizantes (carotenóides totais, clorofila a e as ficobiliproteínas) e os possíveis impactos da urbanização e temperatura extremas sobre a taxa de produção primária da carragenófitaHypneamusciformis (Wulfen) J. V. Lamour. As macroalgas foram coletadas em Ponta das Canas, Florianópolis, Brasil e permaneceram aclimatadas em laboratório, durante 15 dias, em água do mar enriquecida com solução vonStosch 4,0 %, salinidade 34 ups, temperatura de 24ºC (± 2ºC) e fotoperíodo de 12h, com irradiância de 80 µmols fótons. m-2. s-1. Após esse período, 1,0 (±0,5) grama de H. musciformis foi incubado durante cinco dias, em 250 ml de água do mar de três diferentes locais (Saco dos Limões e Ponte Hercílio Luz, ambos impactados, e Ponta das Canas, não impactado, representando o controle), em três câmaras com diferentes temperaturas (15, 25 e 35ºC). Todas as câmaras foram configuradas com irradiância de 45±4 µmol fótons m-2 s-1 e fotoperíodo de 12h. Medições da fluorescência da clorofila foram realizadas após 24 e 72 horas de incubação para análise da performance fotossintética. Hypneamusciformisapresentou maiores taxas fotossintéticas nas incubações de 15 e 25ºC.A alta temperatura 35ºC em sinergismo com águas de locais impactados comprometeram significativamente o desempenho fotossintético de H.musciformis. Os pigmentos fotossintetizantes, como a clorofila a e as ficobiliproteínas apresentaram redução após exposição à água dos locais impactados. Síntese de carotenóides foi constatada nas amostras tratadas com água dos locais impactados, uma vez que esse pigmento possui alto poder fotoprotetor, o que remete a uma forte capacidade da espécie para adaptação fotossintética a extremos 90 ambientais. ADAPTAÇÃO DA TEMPERATURA DE FRONTEIRA DOS MÉTODOS DO PROGRAMA CORAL REEF WATCH (NOAA) PARA A PREVISÃO DE BRANQUEAMENTO NA COSTA LESTE DO BRASIL Danilo S. Lisboa1e Ruy K. P. Kikuchi1 1- Grupo de Estudos Recifes de Corais e Mudanças Globais, Universidade Federal da Bahia ([email protected]) O clima mais ameno e equilibrado dos últimos trezentos milhões de anos possibilitou o aparecimento das milhares de espécies animais e vegetais que vemos hoje. Na base da estrutura das comunidades marinhas, e graças a essas condições mais estáveis, surgiu, então, uma frágil relação simbionte entre Cnidários e Zooxantelas que possibilitou aos corais construir estruturas complexas, tridimensionais chamadas de recifes de corais. Tal interdependência entre estes dois organismos, apesar de possuir um papel fundamental, mostrou-se essencialmente sensível aos aumentos anômalos na TSM. Variados índices térmicos decorrentes do sensoriamento remoto vêm sendo utilizados como alternativas de monitoramento do ambiente recifal demonstrando a correlação positiva entre o branqueamento de corais e as anomalias de TSM. A NationalOceanicandAtmosphericAdministration (NOAA) desenvolveu um programa de monitoramento do ambiente recifal chamado de Coral ReefWatch (CRW). Os índices térmicos desenvolvidos por esse programa abrangem todos os oceanos e estão disponíveis para o período de 2001 ao presente. Tais produtos são calculados duas vezes por semana e mostraram-se bastante eficientes em detectar anomalias de TSM capazes de gerar branqueamento em vastas áreas recifais. Para águas brasileiras, entretanto, tais índices demonstram a falta de sensibilidade necessária para detectar anomalias térmicas capazes de forçar o branqueamento. Ou seja, a temperatura de fronteira que caracteriza o estresse térmico está superestimada para as áreas recifais brasileiras. Dentro deste contexto, insere-se a presente pesquisa, com o objetivo de recalcular os índices térmicos propostos pela CRW, criando desta forma, um sistema de monitoramento térmico do ambiente recifal brasileiro em tempo quase real. Os resultados encontrados demonstram uma correlação direta com os eventos de branqueamento e foram utilizados para determinação de áreas prioritárias para manejo e monitoramento, assim como, para criação de sistemas de alerta para prover possíveis avisos para as áreas recifais que coincidem com as anomalias térmicas detectadas. ANÁLISE PRELIMINAR DE SÉRIES TEMPORAIS DAS CAPTURAS ARTESANAIS DE QUATRO ESPÉCIES ESTUARINO-DEPENDENTES NO SUL DO BRASIL Gonzalo Velasco1, Bruna B. Lima1e Leonardo E. Moraes1 1- Programa de Pós-Graduação em Oceanografia Biológica, Universidade Federal do Rio Grande ([email protected]) Foram analisadas séries temporais (1964-2007) dos desembarques artesanais de quatro espécies de 91 importância no estuário da Lagoa dos Patos (RS, Brasil): os peixes tainha Mugilliza, corvina Micropogoniasfurnieri, e bagres Genidens spp., e o camarão-rosa Farfantepenaeuspaulensis, obtidos dos relatórios do CEPERG/IBAMA. Além disso, os valores de vazão total anual dos três principais rios da bacia de drenagem do sistema Patos-Mirim (Taquari, Jacuí e Camaquã) obtidas de dados da Agência Nacional das Águas (ANA), e os dados de TSM obtidos através do site do “InternationalComprehensiveOceanAtmosphere Data Set” (ICOADS), de uma área a 60 Km perpendiculares à desembocadura do Estuário foram utilizados como proxy da vazão e da temperatura na área de estudo, respectivamente. A relação entre as variáveis ambientais e os desembarques foi analisada a través da Análise de Redundância Canônica (RDA). A significância de cada variável foi avaliada pelo teste de permutação de Monte Carlo, com o objetivo de verificar a importância das alterações climáticas no decréscimo observado dos desembarques. Essas variáveis ambientais explicaram 22% do total da variação das capturas anuais das espécies analisadas, sendo que 85,4% desta variação seria explicada por um gradiente de temperatura dos verões, e 12,1% por um gradiente de vazão total anual. Observou-se uma correlação negativa entre a TSM do verão e os desembarques dos quatro recursos, e como uma relação negativa entre a vazão anual e os desembarques de tainha e camarão. Já os desembarques de corvina se mostraram relacionados positivamente com a vazão do inverno. Devido a que os parâmetros ambientais mais influentes na produtividade das pescarias tiveram baixo nível de explicação da variação, acredita-se que o principal motivo para a queda dos desembarques seja a sobrepesca. Sugerem-se estudos futuros com análises de destendenciamento, e a inclusão de mais variáveis ambientais, na busca de melhores respostas sobre o eventual efeito das mudanças climáticas na presença e produtividade das espécies no estuário, fatores estes que codeterminam os rendimentos pesqueiros. COMPARAÇÃO DE CALCIFICAÇÃO DOS CORAIS MUSSISMILIA BRAZILIENSIS VERRILL, 1868 E SIDERASTREA STELLATA VERRILL, 1868 DA ÉPOCA DO HOLOCENO TARDIO E DO PRESENTE Laísa P. Ramos1 e Ruy K. P. Kikuchi1 1- Grupo de Estudos Recifes de Corais e Mudanças Globais, Universidade Federal da Bahia ([email protected]) Atualmente, diversas mudanças estão ocorrendo no planeta, sejam essas de origem antrópicas ou naturais. Com essas mudanças, principalmente climática, é importante se criar modelos de previsão para se saber quais serão as consequências dessas alterações. Para isso, é importante, se não necessário, se entender o passado para se fazer boas previsões para o futuro. Os corais são animais que ocorrem na região tropical do planeta e que quando estão crescendo incorporam carbonato de cálcio para a formação do seu esqueleto. Além do carbonato de cálcio, muitas substâncias presentes na água são incorporadas em seu esqueleto durante o seu crescimento. Assim, mesmo após sua morte, as informações que foram incorporadas por esses animais durante a vida são preservadas. Além disso, para crescerem, estes animais precisam estar em condições ideais de temperatura e luminosidade, que são os principais fatores ambientais que afetam o seu crescimento. Por isso, analisar a estrutura esquelética de 92 corais pode trazer informações importantes sobre o ambiente passado, tanto do ponto de vista climático, como do ponto de vista ambiental. Neste trabalho foram coletados fósseis de corais da época do Holoceno tardio (cerca de 3.000 anos AP). Foi feita a análise do esqueleto desses fósseis comparou-se os resultados com os corais atuais. Com isso, pode-se fazer uma regressão, vendo-se como foi o ambiente a 3.000 anos atrás, c compará-lo com o ambiente atual, sendo levado em consideração também o ponto de vista climático. AVALIAÇÃO DO EFEITO DA TEMPERATURA DA ÁGUA SOBRE A ESPÉCIE DE CORAL MUSSISMILIA BRAZILIENSIS EM AQUÁRIO Lize E. S. Gonzaga1, Marilia D. M. Oliveira1, Ruy K. P. Kikuchi1 e Zelinda M. A. N. Leão1 1- Grupo de Estudos Recifes de Corais e Mudanças Globais, Universidade Federal da Bahia ([email protected]) O branqueamento de coral tem sido intensamente estudado devido à sua possível relação com as mudanças climáticas e o aumento da temperatura da superfície da água do mar. Para avaliar a suscetibilidade do coral Mussismiliabraziliensis ao aumento da temperatura, foram coletadas 18 colônias em Abrolhos, as quais foram distribuídas em três grupos. Cada grupo foi submetido a uma temperatura específica, 26ºC (grupo controle), 28ºC e 30ºC durante até oito semanas, quando a temperatura da água dos grupos de 28ºC e 30ºC foi reduzida para 26ºC, permanecendo nesta temperatura por oito semanas, a fim de observar qualquer recuperação do estresse térmico ao qual as colônias foram submetidas. Durante o experimento as colônias foram mantidas sem influências externas, com salinidade constante. Semanalmente foram obtidas fotografias de cada colônia, as quais foram analisadas através do programa CPCe 3.6, para quantificar o percentual de área afetada pelo estresse térmico. O branqueamento foi diagramado em função do estresse térmico acumulado (DegreeHeating Weeks, DHW), soma das anomalias térmicas semanais acima da máxima média mensal climatológica num intervalo de 12 semanas. O aumento da temperatura da água foi o fator responsável pelo branqueamento nas colônias de M. braziliensisque permaneceram a 30ºC. Houve uma recuperação do grau de branqueamento, quando restabelecida a temperatura de 26ºC, porém a recuperação foi mínima se considerarmos que a taxa de mortalidade nas colônias foi superior a 80%. Anomalias de temperatura mantidas por períodos prolongados pode ser um fator determinante no aumento da ocorrência e intensidade do branqueamento de corais. Um estresse térmico de DHW = 8 pode causar branqueamento forte em mais de 80% das colônias e DHW = 12 acarreta redução da cobertura de corais vivos. ADAPTAÇÃO DO ÍNDICE DE QUALIDADE DE FUNDOS ROCHOSOS (CFR) AO MONITORAMENTO NA BAÍA DE ILHA GRANDE, RIO DE JANEIRO, ENFOCANDO AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS Maria T. M. Széchy1 1- Departamento de Botânica, Instituto de Biologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro ([email protected]) 93 O Índice de Qualidade de Fundos Rochosos (CFR) foi criado para a avaliação da condição ecológica de substratos consolidados na costa norte da Espanha, com base em características sugeridas pelo EuropeanWater Framework Directive para assembleias de macroalgas, quantificadas por técnicas de amostragem não destrutivas. CFR combina, em uma abordagem multimétrica, as seguintes variáveis relacionadas às assembleias de macroalgas: riqueza e cobertura total de espécies características, cobertura total de espécies oportunistas (filamentosas e foliáceas não corticadas), e condição fisiológica da assembleia. Na Baía da Ilha Grande, costões rochosos são habitats de inquestionável valor ecológico, ocupando grandes extensões. Por isto, seu monitoramento em longo prazo é recomendável para o estudo do efeito de mudanças climáticas. O objetivo deste estudo foi testar a adequação do índice CFR para a avaliação de mudanças em comunidades de costões rochosos da Baía da Ilha Grande. Foram feitas algumas modificações ao CFR: diminuição do domínio amostral e substituição da unidade amostral de transects para quadrados; redução da análise a apenas uma profundidade, na região sublitorânea rasa; simplificação da análise da condição fisiológica, considerando apenas o grau de desenvolvimento do dossel. Quatro locais, todos não voltados ao batimento direto de ondas, selecionados em função da distância a pontos de descarga de efluentes com esgoto doméstico e do efluente de central nuclear, foram estudados no verão de 2008. Os CFR calculados indicaram condição ecológica pobre para o local mais próximo de descargas de esgoto doméstico. No entanto, o local submetido à poluição térmica mostrou condição ecológica boa, com CFR similar a outro local, não submetido a este tipo de poluição, ambos locais distantes de descargas de esgoto doméstico. O índice CFR, com as modificações aqui introduzidas, é uma ferramenta interessante para a avaliação ambiental de costões rochosos da Baía da Ilha Grande, dependendo do tipo de poluição. ESTRESSE FÍSICO EM MUSSISMILIA BRAZILIENSIS EM RESPOSTA À SEDIMENTAÇÃO EM TEMPO DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS Miguel M. Loiola1,2, Clara K. D. Coelho1, Marília D. M. Oliveira1, Ruy K. P. Kikuchi1 e Zelinda M. A. N. Leão1 1- Laboratório de Estudos de Recifes de Corais e Mudanças Globais, Universidade Federal da Bahia ([email protected]) 2- Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Biomonitoramento, Universidade Federal da Bahia Processos associados às mudanças climáticas globais como a elevação do nível do mar e o aumento de eventos extremos provocam, dentre outras coisas, o aumento da sedimentação costeira, o que pode implicar nos corais efeitos letais e subletais que comprometem a construção recifal. No Brasil os efeitos do sedimento sobre o metabolismo dos corais permanecem desconhecidos. Assim, esse estudo visa responder se o aumento da sedimentação provoca danos aparentes em colônias de Mussismilia braziliensis, uma espécie endêmica e principal construtora dos recifes de Abrolhos. Para tanto, foram coletadas sete colônias em um recife de Abrolhos (17,77558S e 39,05083W) e sedimento lamoso próximo a foz do rio Caravelas, em junho de 2011. No Laboratório de Estudos de Recifes de Corais e 94 Mudanças Globais, os animais permaneceram dois meses em aclimatação. O sedimento foi esterilizado para eliminação do material orgânico. O experimento consistiu de sete cubas de 4 L, contendo água salina sintética a 36 psu, acondicionadas em dois aquários de 60 L, com água doce circulante a 26°C, iluminadas durante 12h diárias. Cada cuba continha uma colônia, submetida a taxas de sedimentação equivalentes a 0 (controle), 15, 50, 150, 250, 350 e 450 mg.cm-2.dia-1, durante 25 dias. Os efeitos do sedimento foram identificados semanalmente através de fotografias digitais e o percentual de branqueamento estimado a partir do software CPCe 3.6. Após 25 dias verificou-se que colônias expostas as maiores quantidades de sedimento sofreram efeitos mais severos, como branqueamento parcial (colônias expostas a 50 e 250 mg.cm-2.dia-1), branqueamento total (colônia exposta a 150 mg.cm-2.dia-1) e deformação dos pólipos, a partir da exposição do disco oral e do inchaço tecidual (colônia exposta a 450 mg.cm-2.dia-1). Estes resultados demonstram que o sedimento em concentrações excessivas que simulem eventos extremos como tempestades, provoca estresse físico em M. braziliensise representa uma ameaça aos recifes brasileiros. EVENTOS EXTREMOS E A COMUNIDADE FITOBÊNTICA DO LITORAL SUL DO BRASIL: MUDANÇAS CLIMÁTICAS, UM FUTURO PRÓXIMO? Noele P. Arantes1, Cintia D. L. Martins2, Cintia Lhullier2, Manuela B. Batista1,2 e Paulo A. Horta2 1- Pós-Graduação em Biologia Vegetal, Universidade Federal de Santa Catarina ([email protected]) 2- Departamento de Botânica, Universidade Federal de Santa Catarina As mudanças climáticas recentes e suas consequências para os ecossistemas e a sociedade têm sido ponto focal da ciência atual, sendo discutida por vários setores da sociedade. O objetivo deste estudo foi verificar diferenças na estrutura das comunidades fitobênticas de duas praias da Ilha de Santa Catarina, Canasvieiras e Lagoinha, antes e após a ocorrência de eventos extremos de precipitação e ressaca. As coletas foram realizadas nos dias 17 e 31 de março de 2010 (antes do evento) e no dia 15 de abril de 2010 (após o evento). Foram feitas análises da abundância relativa, para as quais as macroalgas foram classificadas em morfotipos. Para auxiliar na explicação dos desdobramentos ecofisiológicos dos ditos eventos foram coletadas amostras do gênero Ulva para análise da concentração de clorofila através de espectrofotômetro. A diversidade, obtida através do índice de Shannon-Weaver, apresentou aumento após o evento, tanto em Canasvieiras (H’=1,78 para H’=2,03) quanto em Lagoinha (H’=1,48 para H’=1,84). As concentrações das clorofilas a e b apresentaram diminuição em ambas as praias após o evento. Em ambas as amostragens, Canasvieiras apresentou dominância por macroalgas foliáceas, as quais tiveram diminuição da porcentagem de cobertura após o evento. Já na Lagoinha houve dominância de macroalgas filamentosas antes e após o evento, as quais também apresentaram diminuição da porcentagem de cobertura. Considerando que a frequência e a magnitude de eventos extremos tendem a aumentar nos próximos anos, como consequência das mudanças climáticas, os presentes resultados colocam em discussão os diferentes graus de comprometimento ambiental e sua consequência para a 95 preservação da biodiversidade marinha costeira. ASPECTOS DA ECOFISIOLOGIA DE PEYSSONNELIA CAPENSIS (PEYSSONNELIALES, RHODOPHYTA) FRENTE A MUDANÇAS CLIMÁTICAS GLOBAIS Paola F. Sanches2 e Paulo A. Horta¹ 1- Departamento de Botânica, Universidade Federal de Santa Catarina 2- Departamento de Bioquímica, Instituto de Química, Universidade de São Paulo ([email protected]) Espera-se que as consequências das mudanças climáticas para ambiente marinho variam desde aumento da temperatura da água, modificação do pH, da salinidade, turbidez e disponibilidade de luz, bem como o próprio abastecimento nutricional, baseado no sistema de correntes. Organismos marinhos são especialmente afetados, portanto e tendo em vista as macroalgas que armazenam carbonatos, os efeitos dessas variações são ainda mais bruscos. O grupo das Peyssonneliacea é um desses casos e até agora, foi pobremente estudado. Sua importância ecológica se dá na participação no ciclo do carbono pela fotossíntese e armazenagem de carbonato de cálcio, fornecimento de nicho para invertebrados, consolidação de substrato. Além disso, produzem de uma série de compostos com importância farmacológica. Em Santa Catarina, as algas Peyssonneliacapensis se encontram em manchas formando bancos em profundidades que variam de 10 a 18 metros. Assim, monitorar os bancos é de fundamental importância para garantir a manutenção da biodiversidade que se concentra em suas adjacências. O trabalho visa então entender as perspectivas para tais bancos, frente a modificações climáticas globais como as populações de tais algas se comportam com relação à produção fotossintética (produção de pigmentos, saturação de enzimas do complexo anti-oxidativo e fluorescência da clorofila a) e fenologia em diferentes profundidades e também frente a ensaios experimentais que variem temperatura e acidez da água do mar. Os resultados preliminares mostram que há uma diferença na proporção de plantas gametofíticas e tetrasporofíticas, bem como no tamanho do talo e biomassa, entre algas coletadas a 10m, 13m e 15m. Considerando que a disponibilidade de luz e nutrientes e a temperatura variam para essas três profundidades, modificações climáticas podem também promover modificações fenológicas. Os experimentos de fisiologia ainda não foram realizados, mas resultados estarão prontos até o workshop. A INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA E CALCIFICAÇÃO NA VARIAÇÃO DE Δ18O, Δ13C E SR/CA NO ESQUELETO DO CORAL MUSSIMILIA BRAZILIENSIS (VERRILL 1868). Priscila M. Gonçalves1 e Ruy K. P. Kikuchi2 1- Programa de Pós-Graduação em Geologia, Instituto de Geociências, Universidade Federal da Bahia ([email protected]) 2- Centro de Pesquisa em Geofísica e Geologia, Instituto de Geociências, Universidade Federal da Bahia 96 A calcificação do esqueleto dos corais é controlada pela temperatura da superfície do mar (TSM), pela atividade fotossintética dos simbiontes e pela alcalinidade da água do mar. Em função disso, marcadores incorporados durante a calcificação desse esqueleto vêm sendo utilizados cada vez mais como um bom arquivo de condições ambientais. Neste estudo, foi verificado que as razões de δ18O e Sr/Ca podem ser controladas pela TSM numa colônia de coral da espécie Mussismiliabraziliensis, e por essa razão, esta espécie pode ser utilizada como indicador de alterações da referida variável. Os melhores resultados estão associados a resoluções mensais deste parâmetro e na variabilidade em longo prazo através do estudo climatológico. Verificou-se também a sensibilidade destas razões aos eventos globais de alterações de temperaturas como El Niñoe a importância da pluviosidade na incorporação de δ18O que, por sua vez, está relacionada, também com a salinidade da superfície do mar (SSM). Observou-se também que a incorporação do δ13C no esqueleto desse coral está relacionada à pluviosidade e foi confirmada a interferência da “atividade vital” na incorporação desse elemento. A variabilidade do δ18O comporta-se de modo inverso ao da calcificação, mostrando que a TSM é um dos fatores que interferem tanto na incorporação desse isótopo pelo coral como na calcificação do seu esqueleto. Sugere-se que o metabolismo do coral é o principal problema a ser estudado para melhor compreender a incorporação destes elementos no esqueleto deste organismo e assim aprimorar o uso desses tipos de indicadores “proxies” de temperatura. Igualmente importante para esses estudos é compreender a variação da concentração oceânica desses elementos. Portanto, o avanço no entendimento da variabilidade dos indicadores isotópicos e geoquímicos elementares alcançado neste estudo contribui para o aprimoramento do uso do coral Mussismiliabraziliensis como uma ferramenta de reconstrução paleoambiental no Oceano Atlântico Sul Tropical. MITIGAÇÃO DE GEE USANDO MICROALGAS MARINHAS NA PRODUÇÃO SUSTENTÁVEL DE COMBUSTÍVEIS CARBONO NEUTRO Sônia M. F. Gianesella1, Fernando T. Kanemoto1 e Flávia M. P. Saldanha-Corrêa1 1- Instituto Oceanográfico, Universidade de São Paulo ([email protected]) Segundo o Relatório Especial sobre Energias Renováveis de 2011 do IPCC, atualmente, a biomassa de vegetais terrestres é a única fonte renovável disponível de combustíveis líquidos com elevada densidade energética. Contudo, sua produção acarreta impactos sobre a manutenção da biodiversidade, o uso sustentável da água e de fertilizantes, a produção de alimentos e mudanças no uso do solo, dentre outros, que devem ser manejados com atenção. Dessa forma, as microalgas marinhas apresentam características que as colocam como uma opção sustentável para suprir futuramente parte da demanda energética mundial, uma vez que, além de sua alta produtividade, podem ser cultivadas em áreas marginais e degradadas utilizando-se águas residuais como fonte de nutrientes, melhorando a qualidade final destas águas ou mesmo em sistemas flutuantes no oceano. Para compreender melhor seu potencial de utilização como biocombustível, cultivos autotróficos de bancada (5 L) da microalga marinha Nannochloropsisgaditana foram realizados sob 28 ± 2oC de temperatura, 800 µE.m-2.dia-1 de 97 luminosidade e injeção de ar enriquecido com 10% (v/v) de CO 2. Os resultados indicaram um potencial de produção anual de 60 ton.ha-1 de biomassa seca, com aproximadamente 25% de teor lipídico. Estes teores podem ser considerados conservadores, pois as condições de cultivo não foram otimizadas em todo o seu potencial. Considerando-se a produção de biodiesel a partir do óleo de microalgas obtido, estima-se uma produtividade energética de 615 GJ.ha-1.ano-1, superior aos valores referentes ao etanol de cana-de-açúcar (140 GJ.ha-1.ano-1), ao biodiesel de óleo de soja (22 GJ.ha-1.ano-1) e de óleo de palma (189 GJ.ha-1.ano-1). Embora a estimativa do balanço energético e a análise do ciclo de vida dos biocombustíveis de microalgas ainda careçam de estudos mais aprofundados e de testes em escalas maiores para validação dos dados e aprimoramento dessa tecnologia, constata-se o grande potencial da biomassa das microalgas marinhas na mitigação de emissão antrópica de GEE. MUDANÇA CLIMÁTICA EM CIDADES COSTEIRAS: RESPOSTAS POLÍTICAS E DESAFIOS NA REGIÃO METROPOLITANA DA BAIXADA SANTISTA Fabiana Barbi1 e Leila C. Ferreira2 1- Programa de Pós-graduação em Ambiente e Sociedade, Universidade Estadual de Campinas ([email protected]) 2- Instituto de Filosofia e Ciências Humanas,Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais, Universidade Estadual de Campinas Em um curto espaço de tempo, a mudança climática passou a ocupar a condição de um dos maiores desafios do século 21. Em termos de respostas à mudança climática, tem-se argumentado que os governos são atores importantes que desempenham um papel fundamental na definição de normas, instituições e modos apropriados de governança para enfrentar esses riscos em diferentes níveis e escalas. O tema tem uma dimensão local importante uma vez que muitas das atividades humanas que contribuem para o aquecimento global acontecem nesse nível, bem como são afetadas por elas. Em um país como o Brasil, onde algumas das maiores e mais importantes cidades estão localizadas no litoral, a resposta das zonas costeiras à mudança climática é uma questão definitivamente importante, considerando ainda que essas áreas são tidas como um dos espaços mais vulneráveis às alterações climáticas. Esse artigo analisa em que medida os governos locais no litoral paulista, em especial os da Região Metropolitana da Baixada Santista, estão internalizando a questão da mudança climática na elaboração e implementação de políticas para enfrentamento do problema e como os riscos trazidos pela mudança climática têm promovido a construção de uma agenda climática. Ainda que não haja um instrumento regulatório específico para tratar essa questão nessas cidades, os riscos trazidos pela mudança climática são internalizados pelos governos locais de maneira diluída pelos seus diferentes setores de atuação. As respostas à mudança climática misturam-se aos problemas tipicamente enfrentados pelos governos locais, como enchentes, ocupação irregular, deslizamentos de terra em áreas de morro, entre outros, que podem ser exacerbados com a mudança climática. A discussão sobre mudança climática se torna bastante significativa em uma região que espera pelas oportunidades 98 decorrentes da exploração de petróleo, como parte do plano de desenvolvimento nacional, especialmente no momento em que o mundo discute as oportunidades de baixo carbono. VIDA E TEMPO EM PROLIFERAÇÃO: POTENCIALIDADES DAS IMAGENS NA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS Tainá de Luccas1 e Susana O. Dias2 1- Programa de Pós-Graduação em Divulgação Científica e Cultural, Universidade Estadual de Campinas ([email protected]) 2- Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, Universidade Estadual de Campinas Com a crescente preocupação mundial com relação ao clima do planeta, e a inserção cada vez maior das Ciências e Tecnologias (C&T) nos mais diversos espaços-tempos da vida, ganham centralidade as discussões sobre o papel da divulgação científica. Nesse sentido, propomos pensar o que podem as imagens na divulgação científica das mudanças climáticas no que concerne à participação do público nos sistemas de C&T? Para tanto, percorreremos caminhos metodológicos que desloquem o pensamento da fotografia como ilustração e/ou explicação dos textos – uma intensidade que atravessa o fotojornalismo e a divulgação científica – para pensar em outros funcionamentos das fotografias na divulgação científica. Examinaremos as representações de vida e tempo que essas imagens colocam em circulação, e as forças capazes de gerar proliferações e tensões potentes para pensar as mudanças climáticas. Desejamos proporcionar modos de explorar essas questões junto a diferentes públicos ao propor uma instalação artística itinerante e interativa que será criada no intercruzamento entre: as imagens das mudanças climáticas produzidas por fotógrafos e pesquisadores dedicados às pesquisas climáticas no Brasil e também imagens que circulam nas diversas mídias (revistas, jornais, filmes, etc.) e experimentações feitas por artistas em fotografia e vídeo. A instalação irá propor uma interação com os visitantes, de modo que o público poderá editar e agregar imagens, legendas e sons à instalação, a ideia é estimular inquietações e sensações do público durante a participação na instalação e gerar debates em torno do tema mudanças climáticas. A realização deste trabalho justifica-se por haver uma atenção cada vez maior à divulgação científica quando o assunto são as mudanças climáticas. Há uma necessidade de não apenas ampliar a divulgação dos conhecimentos sobre o tema, mas, sobretudo, de se propor novas formas de divulgação e de avaliação das efetivas potencialidades políticas da divulgação no que concerne à participação pública. 99 ANEXO II: LISTA DE PARTICIPANTES 1. Abílio Carlos Pinto da Silva Bittencourt ([email protected]) 2. Adeylan Nascimento Santos ([email protected]) 3. Adriano Leite ([email protected]) 4. Adriele Santos Leite ([email protected]) 5. Afonso de Morais Paiva ([email protected]) 6. Alessandra da Silva Santana ([email protected]) 7. Alexander Turra ([email protected]) 8. Alexandre Miranda Garcia ([email protected]) 9. Allan de Oliveira de Oliveira ([email protected]) 10. Amana Silva Cordeiro de Almeida ([email protected]) 11. Amanda E. de Carvalho do Nascimento ([email protected]) 12. Américo Tomas Souza ([email protected]) 13. Ana Carla Leão Filardi ([email protected]) 14. Ana Carolina de Azevedo Mazzuco ([email protected]) 15. André Francisco Bucci ([email protected]) 16. Andréa Mara da Silva Gama ([email protected]) 17. Angelo Fraga Bernardino ([email protected]) 18. Antonia Cecilia Zacagnini Amaral ([email protected]) 19. Antônio Henrique da Fontoura Klein ([email protected]) 20. Arthur Antônio Machado ([email protected].) 21. Áurea Maria Ciotti ([email protected]) 22. Bruno Ribeiro Pianna ([email protected]) 23. Caio Soares Pedra da Rocha ([email protected]) 24. Camila Evangelista Fonseca de Souza ([email protected]) 25. Carlos Alberto Borzone ([email protected]) 26. Carlos Alberto Eiras Garcia ([email protected]) 27. Carlos Alfredo Joly ([email protected]) 28. Carlos Augusto Ramos e Silva ([email protected]) 29. Carlos Eduardo de Rezende ([email protected]) 30. Caroline de Faveri ([email protected]) 31. Caroline Santos da Silva ([email protected]) 32. Cione Cristina Dos Santos ([email protected]) 33. Clara Kalil Dourado Coelho ([email protected]) 34. Clemente Coelho Júnior ([email protected]) 35. Cristina de Almeida Rocha Barreira ([email protected]) 36. Daniel Shimada Brotto ([email protected]) 37. Danielle Sodré da Silva ([email protected]) 38. Danilo Lisboa ([email protected]) 39. David John Suggett ([email protected]) 40. David Mendonça Montenegro ([email protected]) 41. Diego Ravi Mendonça Maia ([email protected]) 42. Dieter Carl Ernst HeinoMuehe ([email protected]) 43. Douglas Francisco Marcolino Gherardi ([email protected]) 44. Edcassio Nivaldo Avelino 100 45. Eduardo Siegle ([email protected]) 46. Eduardo Tavares Paes ([email protected]) 47. Elissama de Oliveira Menezes ([email protected]) 48. Emanuel dos Santos de Oliveira ([email protected]) 49. Fabiana Barbi ([email protected]) 50. Fabiano Micheletto Scarpa ([email protected]) 51. Fabio Pereira dos Santos ([email protected]) 52. Filipe de Oliveira Chaves ([email protected]) 53. Flávia Rebelo Mochel ([email protected]) 54. Flávio Augusto de Souza Berchez ([email protected]) 55. Francisco Carlos Rocha de Barros Junior ([email protected]) 56. Gabriel Barros Gonçalves de Souza (gabrielbbarros@gmail) 57. Gabriel Nunes maia Rebouças ([email protected]) 58. Glauber Acunha Gonçalves ([email protected]) 59. Gonzalo Velasco Canziani ([email protected].) 60. Guilherme Nascimento Corte ([email protected]) 61. Guilherme Vieira da Silva ([email protected]) 62. Gustavo Freire de Carvalho Souza ([email protected]) 63. Gustavo Silva da Paixão ([email protected]) 64. Hanna Barros ([email protected]) 65. Helena Cachanhuk Soares ([email protected]) 66. Helio Hermínio Checon ([email protected]) 67. Hilda Helena Sovierzoski ([email protected]) 68. Igor Cristino Silva Cruz ([email protected]) 69. IlanaRosentalZalmon ([email protected]) 70. Ive Lima Leal ([email protected]) 71. Jamile Leite Bulhões ([email protected]) 72. Janice RomagueraTrotte-Duhá ([email protected]) 73. JavanaSusruta Sacramento Dias ([email protected]) 74. Jéssica de Andrade Gleizer ([email protected]) 75. Jéssica Verâne Lima da Silva ([email protected]) 76. Jessyca Beatriz Alves Palmeira ([email protected]) 77. Joana Sofia Moreira da Silva ([email protected]) 78. João Serôdio ([email protected]) 79. João Thadeu de Menezes ([email protected]) 80. Joaquim Ramos Lessa Filho ([email protected]) 81. Joel Christopher Creed ([email protected]) 82. José Maria Landim Dominguez ([email protected]) 83. José Souto Rosa Filho ([email protected]) 84. Juliana Maria da Silva Bernal ([email protected]) 85. Karine Matos Magalhães ([email protected]) 86. Laísa Peixoto Ramos ([email protected]) 87. Laíse Gama Silva Gomes ([email protected]) 88. Larissa Barreto Pinheiro ([email protected]) 89. LarisseFaroni Perez ([email protected]) 101 90. Lauro Julio Calliari ([email protected]) 91. Leandra Márcia Pedroso Dalmas ([email protected]) 92. Leila AffonsoSwerts ( [email protected]) 93. Leila Maria Soares da Silva de Araújo ([email protected]) 94. Leonardo Lopes Santos ([email protected]) 95. Leonardo QuerobimYokoyama ([email protected]) 96. Leonir André Colling (andré[email protected]) 97. Lilian Oliveira Cruz ([email protected]) 98. Lívia Oliveira de Carvalho ([email protected]) 99. Liza Leal Topázio ([email protected]) 100. Lizegle Souza Gonzaga ([email protected]) 101. Lourianne Mangueira Freitas Santos ([email protected]) 102. Luana de Miranda Henriques Marques ([email protected]) 103. Luana Sena Ferreira ([email protected]) 104. Lucas Rocha ([email protected]) 105. Luciana Erika Yaginuma ([email protected]) 106. Luiz Drude de Lacerda ([email protected]) 107. Luzia Lopes de Brito ([email protected]) 108. Manuel Cezar Macedo Barbosa Nogueira de Souza ([email protected]) 109. Marcéu Lima ([email protected]) 110. Marcia Carolina de Oliveira Costa ([email protected]) 111. Marcia Regina Denadai ([email protected]) 112. Marcio Martins Valle ([email protected]) 113. Marcos Krull ([email protected]) 114. Marcus Vinicius Peralva Santos ([email protected]) 115. Margareth da Silva Copertino ([email protected]) 116. Maria Soledad Lopez ([email protected]) 117. Maria Teresa Menezes de Széchy ([email protected]) 118. Mariana Medeiros da Silva ([email protected]) 119. Mariana Reis Thévenin ([email protected]) 120. Marianna de Oliveira Lanari ([email protected]) 121. Marihane Tavares Soares ([email protected]) 122. Marília de Dirceu Machado de Oliveira ([email protected]) 123. Mário Luiz Gomes Soares ([email protected]) 124. Mateus Barbosa Santos da Silva ([email protected]) 125. Mayanne Jesus Oliveira ([email protected]) 126. Miguel Loiola Miranda ([email protected]) 127. Monica Dorigo Correia ([email protected]) 128. Myron Paterson De Melo Pereira Neto ([email protected].) 129. Narayana Flora Costa Escobar ([email protected]) 130. NoelePrivato Arantes ([email protected]) 131. Paloma Passos Avena ([email protected]) 132. Paola Franzan Sanches ([email protected]) 133. Patrizia Raggi Abdallah ([email protected]) 134. Paulo Antunes Horta ([email protected]) 102 135. Paulo da Cunha Lana ([email protected]) 136. Paulo Ricardo dos Santos Freitas ([email protected]) 137. Paulo Roberto Paggliosa Alves ([email protected]) 138. Paulo Roberto Votto ([email protected]) 139. Peter Ruggiero ([email protected]) 140. Priscila Bueno Giordano ([email protected]) 141. Priscila Martins Gonçalves ([email protected]) 142. Priscilla Velloso Barretto ([email protected]) 143. Rafael Medeiros Sperb ([email protected]) 144. Rafaela Camargo Maia ([email protected]) 145. Raissa Lima Antunes ([email protected]) 146. Ramon Mendes Ferreira ([email protected]) 147. Rashid UssifSumaila ([email protected]) 148. Renata Cardia Rebouças ([email protected]) 149. Renata Pereira ([email protected]) 150. Renata Silva de Jesus ([email protected]) 151. Renato David Ghisolfi ([email protected]) 152. Ricardo Coutinho ([email protected]) 153. Roberto Luiz do Carmo ([email protected]) 154. Rodrigo de Maman Reis ([email protected]) 155. Ronaldo Adriano Christofoletti ([email protected]) 156. Ruy Kenji Papa de Kikuchi ([email protected]) 157. Salette Amaral de Figueiredo ([email protected]) 158. Samara Dumont Fadigas ([email protected]) 159. Saulo Spanó ([email protected]) 160. Sônia Maria Flores Gianesella ([email protected]) 161. Suzana Ursi ([email protected]) 162. Tainá de Luccas ([email protected]) 163. Talisson Ferreira de Oliveira ([email protected]) 164. Talita Vieira Pinto ([email protected]) 165. Tatiana Pessanha Noel ([email protected]) 166. Thomas C. Malone ([email protected]) 167. Tiago Albuquerque ([email protected]) 168. Valéria Gomes Veloso ([email protected]) 169. Vinycius Barbosa França ([email protected]) 170. Viviane Mota Vasconcelos ([email protected]) 171. YaraShaeffer-Novelli ([email protected]) 172. Zelinda M. de Andrade Nery de Leão ([email protected]) 103