Desenvolvimento econômico e social no Brasil e a qualificação profissional num mundo globalizado Edson Tomaz de Aquino1 Resumo: Este artigo apresenta uma reflexão sobre os desafios do Brasil em competir num mundo globalizado, em que a educação e a qualificação profissional despontam, cada vez mais, como diferencial competitivo. Cabe analisar o papel da Educação a Distância para o Treinamento e o papel das universidades nesse processo. Palavras-chave: Desenvolvimento – Educação a Distância – Treinamento – Competitividade – Tecnologias. Introdução Este artigo tem o objetivo de pontuar algumas tendências referentes à competitividade do Brasil num mundo globalizado, em especial, no que se refere à qualificação do trabalhador. Nesse sentido, discute-se a educação e a capacitação profissional frente às inovações tecnológicas e a urgência em universalizar o seu acesso, principalmente àqueles que têm experimentado a mobilidade social dos últimos anos. 1 Doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 1 Segundo estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), dentre os países emergentes, apenas o Brasil registra crescimento econômico acompanhado de redução das desigualdades sociais.2 O levantamento mostra que, em uma década, a renda real per capita dos mais ricos no Brasil cresceu 10%, enquanto a dos mais pobres aumentou 68%. O crescimento da renda dos 20% mais pobres no Brasil só é menor que a verificada na China, dentre os países que formam os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Como reflexo do crescimento econômico com a redução da desigualdade social dos últimos anos, o país ganhou quase 50 milhões de consumidores. Dentre outros fatores, o economista Marcelo Neri, responsável pelo estudo, credita esse resultado ao aumento da educação, o passaporte para a saída da pobreza. Ainda segundo o estudo, a probabilidade de se migrar da classe E para níveis mais altos da pirâmide social é de 27% para quem tem até um ano de estudo, enquanto, para aqueles que permanecem na escola por 12 anos ou mais, esse percentual chega a 53%. A transformação econômica e social, que se verifica no Brasil na última década, coloca o país em melhores condições para competir num mercado cada vez mais globalizado, em que os fluxos de comércio e investimento são dinamizados com a introdução de novas tecnologias no processo produtivo. No nível da política internacional, a integração regional e os acordos multilaterais, negociados na Organização Mundial do Comércio (OMC), também afetam a competitividade empresarial. No entanto, pela falta de mão de obra qualificada, o mercado de trabalho não tem conseguido atender o crescimento econômico e social do país. O crescimento econômico agrava o problema porque é preciso elevar a produção e ter mais eficiência. 2 FGV. Os Emergentes dos Emergentes Reflexões Globais e Ações Locais para a Nova Classe Média Brasileira. Disponível em: <http://cps.fgv.br/brics>. Acesso em: 22 set. 2011. 2 Realidade virtual e capacitação A capacitação do empregado no próprio local de trabalho aparece como o principal mecanismo usado pelos empresários, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).3 Mas são necessários investimentos financeiros consideráveis para que os empregados estejam aptos a conhecer as novas tecnologias e inovações nos processos de negócios e, principalmente, perceber a integração de suas atividades com os outros processos empresariais. As empresas têm recorrido aos cursos à distância para prover treinamento para o aperfeiçoamento profissional. Treinamento são procedimentos que tem como objetivo promover e aumentar o aprendizado entre os funcionários de uma empresa, visando à aquisição de habilidades para um determinado cargo. Para Goldstein (1991), treinamento “é a aquisição sistemática de atitudes, conceitos, conhecimentos, regras ou habilidades que resultam em melhoria do desempenho no trabalho”. Segundo Santos (2011), as recentes transformações tecnológicas e o advento das redes de comunicação vêm proporcionando uma maior integração dos conhecimentos gerados em todo o mundo. A necessidade constante de atualização profissional tem impulsionado a busca de novos modelos educacionais, que atinjam diferentes segmentos da população. Nesse sentido, há um fortalecimento dos cursos oferecidos na modalidade educação a distância (EAD). Santos (2011) ainda conceitua o treinamento a distância como aquele que se caracteriza pela separação física entre o instrutor e o treinado, utilizando meios de comunicação para promover 3 CNI. Falta de Trabalhador Qualificado na Indústria. Disponível em: <http://www.cni.org.br/ portal/data/files/FF8080812F2B6392012F2B7587E33464/Sondagem%20Especial%20falta%20 de%20trabalhador%20qualificado%20-%20abril%202011.pdf>. Acesso em: 22 set. 2011. 3 a interação entre ambos e transmitir os conteúdos educativos. Aponta como vantagens desse tipo de treinamento a remoção das barreiras tempo/espaço/idade, pela possibilidade de envolver um grande número de pessoas separadas geograficamente, realizando a aprendizagem onde, quando e no tempo que o treinando quiser. Significa, portanto, a democratização do ensino, por facilitar o acesso de pessoas impossibilitadas de frequentar aulas presenciais. Proporciona ainda menores custos de treinamento, principalmente quando a quantidade de treinandos for grande. No ambiente empresarial, a EAD corporativa apoia-se na disponibilização de cursos através da Internet e Intranet e se torna método privilegiado para o compartilhamento do conhecimento, provocando a reorientação das estratégias e investimentos das organizações para ações de desenvolvimento e capacitação profissionais, antes exclusivamente presenciais (BASTOS, 2003). Nesse cenário, a EAD oferece a tecnologia de realidade virtual, abrindo novas possibilidades para a simulação e visualização de conceitos. Sua principal característica é a imersão, onde o funcionário não fica em frente ao monitor, mas imerso em um mundo artificial 3D multisensorial, interativo e imersivo. Nesse ambiente, o empregado poderá visualizar as atividades de cada funcionário da organização de forma interativa e fácil, proporcionadas pela sensação de realidade do ambiente, além de poder aprender e aprimorar suas próprias atividades (DINIZ, SANTOS & COSTA, 2011). Conclusão No contexto das transformações econômicas e sociais por que passa o Brasil, as empresas necessitam considerar cada vez mais formas inovadoras de adquirir competitividade. A EAD desponta com potencial para transformar a educação nas empresas, oferecendo qualificação e requalificação profissional. 4 As instituições de ensino superior já vêm, há alguns anos, ampliando a oferta dessa modalidade de ensino, em sintonia com as crescentes demandas nacionais. Para chegar a locais remotos, superar as distâncias geográficas e, em alguns casos, enfrentar a falta de infraestrutura, o EAD desponta com potencial transformador da realidade. Nesse sentido, torna-se imperativo pensar no envolvimento das universidades e centros de pesquisa como atores relevantes desse processo, buscando interações e parcerias que tornem a educação e a qualificação profissional como diferenciais competitivos da economia brasileira num mundo globalizado. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BASTOS, Charles. O Problema da efetividade da aprendizagem eletrônica corporativa em ambiente Web. Monografia de especialização em Gestão da Educação a Distância. Universidade Federal de Juiz de Fora, 2003. DINIZ, Anderson Gomes, SANTOS, Flávio Costa dos, COSTA, Rosa Maria E. Moreira da. Um Ambiente Virtual para a Simulação de Processos de Negócios. Rio de Janeiro: UERJ, 2011. GOLDSTEIN, I. L. Training in work organizations. In: DUNNET; HOUGH (Orgs). Handbook of industrial and organizational psychology. 2. ed. California: Consulting Psychology Press, 1991. p. 507-619. SANTOS, Júlio César S. Treinamento e Desenvolvimento. Disponível em <http://www.catho.com.br/cursos/index.php?p=artigo&id_ artigo=1714&id_area=18&acao=exibir>. Acesso em 22 set. 2011. 5