Mesa Redonda sobre Questões relacionadas aos Povos Indígenas e à Mineração: Continuação do Diálogo entre os Povos Indígenas e as Mineradoras Convocada por meio da IUCN-ICMM Diálogo sobre Mineração e Biodiversidade Sydney, Austrália 30-31 de janeiro de 2008 Este relatório foi elaborado após a Mesa Redonda sobre Questões Relacionadas aos Povos Indígenas e à Mineração, como um registro das discussões dos participantes, que atuaram em seus próprios nomes, sendo que o conteúdo do referido relatório não será nem deverá ser interpretado como política da IUCN nem do ICMM. 1 Índice Resumo 3 1. Histórico 4 2. Objetivos 5 3. Estrutura 5 4. Boas-Vindas, Apresentações e Visão Geral Clã Gadigal da Nação Eora 4.1 Conselho dos Recursos Minerais da Austrália (MCA) 4.2 União Mundial para Conservação da Natureza (IUCN) 4.3 Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM) 6 6 6 7 7 4.4. Expectativas dos Participantes 8 5. Tópico I: Visão Geral sobre a Evolução e Experiências do FPIC desde a última Mesa Redonda 5.1 A Perspectiva Indígena 5.2 A Perspectiva da Mineração 8 9 9 5.3. Tópico I: Discussões em Grupo: Estruturas Legais e Papel do Estado FPIC e Direitos Agrários Capacitação Institucional Consulta e Envolvimento Questões sobre herança e aplicação do FPIC a operações existentes Áreas de base/acordo comum Áreas de divisão/divergência Modos práticos de se avançar 10 11 12 12 12 13 13 14 6. Tópico II: Consulta, Envolvimento e o Significado do Amplo Apoio Comunitário 6.1 A Perspectiva da Mineração 6.2 A Perspectiva Indígena 15 15 16 6.3 Tópico II: Discussões em Grupo: Experiências da Consulta e do Envolvimento Experiências do Amplo Apoio Comunitário Áreas de base/acordo comum Áreas de divisão/divergência Modos práticos de se avançar 16 17 17 17 18 7. Tópico III: Geração de Benefícios Sociais Líquidos 7.1 A Perspectiva Indígena 7.2 A Perspectiva da Mineração 18 18 19 Fotografias da capa (a partir da esquerda): 1. Imagens de Getty, caminhões basculantes em Quarry. 2. Operação na Província de Limpopo dá suporte financeiro e outros suportes ao projeto Seroko Vegetable. Um dos beneficiários do projeto, que transmite uma variedade de conhecimentos sobre o plantio de vegetais aos membros das comunidades vizinhas, é Ezekiel Makuwa. 3. Rustplaats – Em março de 2002, a posse da terra em Piet Retief foi cedida à comunidade para desenvolvimento. Aqui, o representante da comunidade, Themba Mafiyeka, levanta a pá prateada em comemoração ao Mondi Piet Retief. 2 7.3 Tópico III: Discussões em Grupo: Experiência da geração de benefícios sociais líquidos Áreas de base/acordo comum Modos práticos de se avançar 19 21 21 8. Tópico IV: Os Desafios da Operacionalização do FPIC 8.1 A Perspectiva da Mineração 8.2 A Perspectiva Indígena 22 22 22 8.3 Tópico IV: Discussões em Grupo: Desafios da Operacionalização do FPIC Modos práticos de se avançar 24 25 9. Tópico V: Próximos passos para o diálogo 26 10. Avaliação Geral 27 Anexo I: Lista de Participantes Anexo II: Exemplos de Países incluídos nas Discussões Anexo III: Expectativas do Participante no início da reunião Anexo IV: Avaliação não Editadas dos Participantes Anexo V: Agenda 28 32 33 35 37 Resumo A segunda Mesa Redonda da IUCN-ICMM sobre Questões Relacionadas à Mineração e aos Povos Indígenas, realizada em Sydney, na Austrália, nos dias 29 e 30 de janeiro de 2008, foi baseada no diálogo e nos relacionamentos estabelecidos durante uma primeira Mesa Redonda, realizada em novembro de 2005, que identificou, discutiu e examinou questões relacionadas à mineração e aos Povos Indígenas. Ambas as Mesas Redondas foram realizadas de acordo com os Termos de Referência que regem o Diálogo sobre Mineração e Biodiversidade entre a União Mundial para Conservação da Natureza (IUCN) e o Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM). Esta Mesa Redonda foi convocada especificamente para abordar o assunto em questão, identificado nos TOR do Diálogo sobre Consentimento Prévio e Informado. Os principais assuntos que foram abordados nesse foro compreenderam: a evolução do contexto do Consentimento Livre, Prévio e Informado (FPIC) conforme consta nas normas internacionais; consulta, envolvimento e significado do amplo suporte comunitário, geração e definição de benefícios sociais líquidos; e os desafios da operacionalização do FPIC. A Mesa Redonda também destacou a necessidade de se progredir na abordagem dessas questões por meio de foros ou processos competentes em nível global, regional ou nacional, assim como sugeriu áreas e oportunidades para uma futura atividade. 3 1. Avaliação e participação na Mesa Redonda de janeiro de 2008 Na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (WSSD) realizada em Joanesburgo, em agosto de 2002, a IUCN e o ICMM iniciaram um Diálogo sobre mineração e biodiversidade. A idéia era oferecer uma plataforma para as comunidades, empresas, organizações não governamentais (ONGs) e governos discutirem e procurarem o melhor equilíbrio entre a proteção de importantes ecossistemas e o reconhecimento da importância socioeconômica da mineração. A IUCN e o ICMM se comprometeram a discutir uma ampla variedade de questões, com o objetivo de aumentar a contribuição da indústria mineradora na conservação da biodiversidade. Os principais objetivos do Diálogo são: Melhorar o desempenho das indústrias de mineração na área de conservação da biodiversidade, com foco na redução dos impactos negativos das operações do setor e aumentar sua contribuição positiva para a conservação da biodiversidade. Aumentar a conscientização e o entendimento mútuos entre a comunidade responsável pela conservação e a indústria mineradora, de modo que ambas possam contribuir para a obtenção de melhores resultados na conservação e desenvolvimento das áreas onde elas interagem. Embora mineração e biodiversidade sejam o principal foco do Diálogo, os Termos de Referência do Diálogo 1 e o respectivo programa de trabalho (Anexo D – Assuntos Correlatos) exigem que a IUCN e o ICMM forneçam uma plataforma para se discutir os assuntos relacionados a: Envolvimento efetivo dos Povos Indígenas e as comunidades locais na tomada de decisões sobre conservação e desenvolvimento (assunto da Mesa Redonda de novembro de 2005); Consentimento Livre, Prévio e Informado (FPIC) 2 , o foco da Mesa Redonda de janeiro de 2008; e Restauração dos locais de herança (a ser discutida numa próxima Mesa Redonda, em março de 2008). A Mesa Redonda sobre Questões Relacionadas à Mineração e aos Povos Indígenas, realizada em janeiro de 2008, teve a participação de 27 pessoas (vide no Anexo I a Lista de Participantes), de diversas origens e regiões. Isso incluiu organizações internacionais de Povos Indígenas, organizações nacionais de aborígines e Indígenas, a Secretaria da IUCN, mineradoras, ONGs, associações de indústria e dez representantes Indígenas de nove países da África, Austrália, Europa, América Latina, América do Norte e Oceania. Os participantes foram convidados levando-se em conta a sua experiência individual, especialização e conhecimento sobre as questões envolvidas no relacionamento entre mineração e Povos Indígenas. 1 Para mais informações sobre o Diálogo, consulte os “Termos de Referência (TOR) do Diálogo entre a IUCN e o ICMM” (10 de junho de 2004), disponível na página www.iucn.org/themes/business/mining, e outros documentos sobre o histórico desse trabalho na página www.iucn.org/themes/business/mining/history_ dialogue.htm. 2 Mencionado originalmente nos TOR do Diálogo como “Consentimento Prévio e Informado”. 4 2. Objetivos da Mesa Redonda Os principais objetivos da Mesa Redonda, com ênfase especial sobre os aspectos de implementação e melhoramento das interações entre mineradoras e Povos Indígenas no campo, foram: Aumentar o entendimento mútuo por meio do compartilhamento de perspectivas, necessidades, expectativas e limitações individuais; Discutir questões de implementação relacionadas a: consulta e envolvimento; obtenção de amplo suporte comunitário; operacionalização do Consentimento Livre, Prévio e Informado (FPIC); e busca de acordo sobre programas para se obter benefícios sociais líquidos; e Explorar idéias e foros apropriados para a continuação do diálogo além da estrutura do ICMM-IUCN. Os resultados esperados da Mesa Redonda foram: envolvimento mais construtivo entre a indústria de mineração e os Povos Indígenas nas questões operacionais de interesse mútuo; e formação de um consenso sobre foros/processos por meio dos quais os assuntos discutidos possam ser posteriormente abordados. 3. Estrutura da Mesa Redonda A Mesa Redonda compreendeu quatro seções principais, destinadas a oferecer oportunidade para uma importante discussão. As seções incluíram: A evolução do contexto de FPIC; Consulta, envolvimento e significado do amplo suporte comunitário; Geração de benefícios sociais líquidos; e Os desafios da operacionalização do FPIC. No primeiro dia, as principais sessões foram precedidas de uma sessão introdutória e de uma discussão dos possíveis próximos passos, como a última sessão da Mesa Redonda. Para cada uma das quatro principais sessões da Mesa Redonda, foram feitos breves comentários introdutórios por um representante Indígena e por um representante da mineração, para ilustrar alguns dos desafios práticos referentes ao tópico em discussão e/ou dar exemplos de experiências de implementação. Os participantes foram divididos em quatro grupos de discussão, aos quais foi solicitado que compartilhassem idéias referentes a: Experiências relacionadas ao tópico apresentado; Áreas de: • assunto comum ou ampla concordância; • divisão ou divergência entre perspectivas Indígenas e corporativas; Modos práticos de resolver as diferenças identificadas e encontrar um caminho para continuar. Essa discussão ocorreu levando-se em conta casos típicos de vários países, que foram usados para ilustrar exemplos de boa ou má prática. Para obter uma lista completa desses exemplos, consulte o Anexo II. 5 As discussões foram realizadas de acordo com a Regra de Chatham House 3 , a qual exige que registros escritos e posteriores discussões não atribuam comentários a participantes ou instituições individuais. 4. Boas-Vindas, Apresentações e Visão Geral Os participantes foram recebidos na Mesa Redonda pelo presidente e por um chefe aborígine, que saudaram os participantes em nome dos Tradicionais Proprietários da área onde a Mesa Redonda foi realizada, o Clã Gadigal da Nação Eora. 4.1 O Conselho de Recursos Minerais da Austrália (MCA) Os participantes foram recepcionados na Mesa Redonda pelo MCA e receberam informações sobre a experiência de mineração e Povos Indígenas da Austrália. A indústria de mineração da Austrália foi caracterizada como contribuinte de ”todo o novo paradigma” de relações entre as mineradoras e os Povos Indígenas, em que a atitude da indústria diante das relações com os Indígenas havia passado de uma situação de confronto para a construção de respeito e envolvimento mútuos. O representante da MCA explicou que hoje o setor de mineração está comprometido com o respeito aos direitos e interesses dos Povos Indígenas e sua especial ligação com as terras e águas australianas. Ele confirmou que a indústria de mineração da Austrália havia passado de uma abordagem adversária e litigiosa para direitos nativos de posse, para a construção de acordos mutuamente benéficos de acesso e uso da terra e para a formação de comunidades Indígenas sustentáveis. Foram dados exemplos para ilustrar como a obtenção e a manutenção de uma licença social para operar junto com as comunidades anfitriãs ou locais são muito mais duráveis do que uma licença reguladora para manter as operações. Os exemplos incluíam o desenvolvimento de mais de 350 acordos mutuamente benéficos a respeito de 200 operações minerais na Austrália, e nenhum dos acordos contesta a posse nativa; a criação de um Diálogo dos Líderes Indígenas com a Diretoria do MCA; o consenso sobre os aditivos técnicos da Lei de Posse Nativa e o trabalho colaborativo para pressionar por melhores recursos para os Órgãos Representativos da Posse Nativa e Entidades Determinadas, para melhorar o sistema de posse nativa. Um Memorando de Entendimento (MOU) de cinco anos entre o MCA e o governo australiano para o desenvolvimento de empregos e empresas Indígenas foi criado para fornecer uma plataforma estratégica para a indústria de mineração e os governos trabalharem em parceria com as comunidades Indígenas para a construção de comunidades sustentáveis. O MCA observou os avanços que podem ser feitos por meio do respeito mútuo, diálogo, envolvimento e acordo mútuo. No entanto, o MCA também reconheceu os processos legais do sistema de posse nativa e da Lei dos Direitos Fundiários dos Aborígines no Território do Norte que define a extensão dos direitos de Posse Nativa, resolve qualquer divergência sobre fronteiras reivindicadas, identifica as partes com as quais se deve negociar e estabelece a dignidade e autonomia daqueles que desejam estabelecer direitos definidos no sistema da Posse Nativa. ³ A Regra de Chatham House é a seguinte: "Quando uma reunião, ou parte dela, se realiza nos termos da Regra de Chatham House, os participantes estão livres para usar as informações recebidas, mas nem a identidade nem a afiliação do(s) palestrante(s) nem de nenhum outro participante pode ser revelada". 6 O MCA reconheceu aqueles que desejavam seguir um programa baseado nos direitos de envolvimento da comunidade, mas considerava isso um assunto para diálogo e negociação com os governos. Qualquer determinação formal para outorgar poder de veto ou de consentimento (neste caso, acesso e uso da terra) a uma comunidade local é prerrogativa do governo. Caso o governo soberano faça essa determinação, aí então o MCA se considerará incluído no seu método de operacionalização. 4.2 A União Mundial de Conservação da Natureza (IUCN) A IUCN fez seus agradecimentos ao Clã Gadigal, ao presidente e facilitador da Mesa Redonda e ao Grupo Consultivo da Mesa Redonda. Foram feitas algumas explanações sobre a experiência e histórico da IUCN. A IUCN é uma organização de conservação fundada há 60 anos com foco principal na conservação do meio ambiente através da lente do desenvolvimento sustentável, abrangendo políticas ambientais, econômicas e sociais. A IUCN é uma união de membros que inclui governos, agências governamentais e ONGs. Ela tem uma rede de mais de 10.000 especialistas que contribuem com seis comissões que tratam de uma ampla variedade de assuntos, como áreas protegidas, conservação das espécies, gestão de ecossistemas, lei ambiental, educação e comunicação, bem como políticas ambientais, econômicas e sociais. A missão da IUCN é influenciar, incentivar e ajudar sociedades em todo o mundo a conservarem a integridade e a diversidade da natureza e assegurar que qualquer uso dos recursos naturais seja eqüitativo e ecologicamente sustentável. Embora a biodiversidade continue sendo o foco do trabalho da IUCN e do Diálogo, os membros da IUCN levantaram várias questões que foram consideradas relacionadas ao Diálogo e importantes para serem abordadas pela IUCN e pelo ICMM. Essas questões incluem: Questões dos Povos Indígenas; Consentimento Livre, Prévio e Informado; e Restauração dos Locais de Herança. A IUCN e o ICMM concordaram em abordar essas questões correlatas por meio de uma série de Mesas Redondas – uma sobre cada tópico. A primeira Mesa Redonda, sobre as questões dos Povos Indígenas, foi realizada em novembro de 2005 e teve um bom início ao promover um maior entendimento mútuo sobre os problemas 4 . Essa Mesa Redonda estava relacionada e baseada nessas discussões, mas estava voltada para a operacionalização do FPIC. Uma terceira Mesa Redonda, sobre a questão da restauração dos locais de herança, está programada para acontecer em março de 2008. A IUCN chamou a atenção para o exame que atualmente está sendo feito com relação ao Diálogo sobre Mineração e Biodiversidade entre a IUCN e o ICMM. Cinco anos após o lançamento do Diálogo, a IUCN e o ICMM encomendaram um exame independente para tratar de questões fundamentais sobre se o Diálogo foi um processo útil e se ele atingiu seus objetivos em termos de obtenção de resultados de melhores práticas e conservação da indústria. 4.3 O Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM) Os participantes foram recebidos pelo ICMM, que lhes agradeceu o esforço de comparecerem à Mesa Redonda. O ICMM destacou a necessidade de se aumentar o padrão no desempenho da indústria de mineração quanto às questões dos Povos Indígenas, entendendo, ao mesmo tempo, as complexidades de cada contexto 4 O relatório da Mesa Redonda de 2005 está disponível em: <http://www.icmm.com/publications/1438RoundtableReport-Final.pdf> 7 operacional. O ICMM reconheceu a importância da primeira Mesa Redonda que forneceu uma base para os membros do ICMM esclarecerem seus compromissos com os Povos Indígenas. A atenção foi voltada para o Exame das Questões da Mineração e dos Povos Indígenas, que foi realizado pelo ICMM em 2005, e para a Minuta da Declaração da Posição do ICMM sobre as Questões da Mineração e dos Povos Indígenas de 2006. Em apoio à finalização da Declaração da Posição, um exame jurídico do FPIC foi realizado e atualizado após a adoção da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas pela Assembléia Geral das Nações Unidas em setembro de 2007. A Declaração da Posição do ICMM sobre os Povos Indígenas tem como objetivo ir além do compromisso de alto nível de respeitar os direitos humanos e as culturas incorporadas aos Princípios de Desenvolvimento Sustentável do ICMM, para dar maior clareza e especificidade. A versão final se baseia no feedback recebido sobre a Minuta da Declaração (divulgada ao público num relatório de 2007) e tenta conciliar as perspectivas constantemente divergentes de governos soberanos, comunidades Indígenas e indústria de mineração. A atual versão da Declaração da Posição é bastante completa, embora tenha sido combinado não finalizá-la antes da Mesa Redonda a fim de identificar se o que foi proposto era operacionalmente praticável. A Declaração da Posição não aceita incondicionalmente o FPIC em todas as situações, uma vez que há países onde o FPIC não é reconhecido pelos governos – nessas circunstâncias, o FPIC não é algo que as empresas possam garantir unilateralmente. Como os direitos são progressivamente percebidos, o FPIC poderá eventualmente se tornar um princípio de lei consuetudinária, e a redação da Declaração da Posição dispõe sobre isso ser reconhecido. 4.4 Expectativas dos Participantes Os participantes foram solicitados a fazer considerações sobre suas expectativas para a Mesa Redonda. Um resumo delas pode ser encontrado no Anexo III. Em geral, os participantes esperavam que os seguintes assuntos fossem abordados: Qual a melhor maneira de lidar com a pressão global que incentiva uma maior exploração mineral e com as oportunidades mais rápidas de desenvolvimento que podem ser somadas à pressão para reduzir os padrões do comportamento do setor; Oportunidades para governança mútua; Implementação prática de conceitos; O exame das melhores práticas; Obtenção de uma licença social para operar; Um entendimento dos benefícios mútuos; como a riqueza é criada e dividida, reconhecendo e definindo quando o dano está além da compensação; Como fazer negócio de uma maneira melhor; As dificuldades de se trabalhar com governos de países que saíram de um conflito e de democracias emergentes; As diferenças entre a total percepção do FPIC e um amplo apoio comunitário; Como as normas internacionais novas e em desenvolvimento e as respectivas obrigações dos Estados que abordam o FPIC irão afetar as práticas “no solo”. 8 5. Tópico I: Visão Geral da Evolução e Experiências do FPIC desde a Última Mesa Redonda 5.1 A Perspectiva Indígena Para os Povos Indígenas, o direito ao Consentimento Livre, Prévio e Informado (FPIC) é um requisito, um pré-requisito e uma manifestação do exercício de seu direito fundamental à autodeterminação. Pela lei internacional, Autodeterminação é o direito de todos os Povos determinarem livremente sua situação política e buscarem livremente seu desenvolvimento econômico, social e cultural. Para os Povos Indígenas, isso inclui o direito de definir “desenvolvimento” de acordo com suas próprias culturas, necessidades e circunstâncias. “Consulta”, que é uma troca e compartilhamento de pontos de vista e opiniões sobre um assunto, pode fazer parte do processo de implementação do FPIC. Dito isto, esses dois termos nem são sinônimos nem intercambiáveis. Vários organismos das Nações Unidas ressaltaram que a falta de respeito dos Estados e de outras entidades com relação ao direito à Autodeterminação e ao Consentimento Livre, Prévio e Informado dos Povos Indígenas é a principal causa de uma ampla variedade de violações dos direitos humanos. Em 2007, ocorreram dois fatos importantes: 1) a adoção da Declaração do Direito dos Povos Indígenas pela Assembléia Geral das Nações Unidas, no dia 13 de setembro de 2007; e 2) a recomendação do Comitê das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD) dirigida ao Governo do Canadá, que afirmou que o Estado é uma parte responsável pelo monitoramento, no que diz respeito a direitos humanos e de acordo com as normas internacionais, das empresas que ele licencia. O direito ao Consentimento Livre, Prévio e Informado é um direito amplo e abrangente, claramente distinto do termo "Consulta" comumente usado, que implica uma troca de opiniões desprovidas de qualquer função decisória. O FPIC para os Povos Indígenas deve, por definição, incluir o direito de dizer “não” à mineração e a outras formas de desenvolvimento que eles considerem incompatíveis com suas necessidades e modo de vida. O Consentimento Livre, Prévio e Informado, tanto como um direito dos Povos Indígenas quanto como um princípio essencial do qual depende o exercício de uma variedade de outros direitos, foi reconhecido e ratificado em muitas ocasiões nas leis e instrumentos internacionais sobre direitos humanos, bem como nas conclusões de um grande número de especialistas e organismos especializados da ONU. 5.2 A Perspectiva da Mineração A mais notável e significativa evolução desde a Mesa Redonda de novembro de 2005 foi a adoção da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas em setembro de 2007. As discussões no ICMM precisam enfocar o que a Declaração significa para os membros do ICMM. Há ainda uma falta de foro global conveniente para a discussão das implicações do FPIC, embora haja vários documentos internacionais que tratam disso. A Declaração da Posição do ICMM, desenvolvida desde a primeira Mesa Redonda, está voltada para a forma como as relações com os Povos Indígenas podem ser melhoradas e operacionalizadas. Outra mudança importante inclui a publicação dos Padrões de Desempenho do International Finance Corporation (IFC) sobre a Sustentabilidade Social e Ambiental. O Padrão de Desempenho 7 define os papéis e as responsabilidades das empresas na gestão de projetos que tenham impacto sobre os Povos Indígenas. Mais recentemente, 9 John Ruggie (Representante Especial do Secretário Geral das Nações Unidas para Empresas e Direitos Humanos) está elaborando um relatório que descreve o que o setor empresarial poderia estar fazendo para promover os direitos humanos. O ICMM fez três apresentações a Ruggie nesse sentido e foi incentivado a enfocar os direitos dos Povos Indígenas. Se o relatório final de Ruggie (previsto para junho de 2008) irá se referir aos Povos Indígenas ainda está indefinido neste estágio. A Iniciativa Global de Apresentação de Relatórios (GRI) também é importante para os membros do ICMM que se comprometeram a medir o desempenho corporativo em comparação a um conjunto de dez Princípios de Desempenho de Desenvolvimento Sustentável. Para demonstrar como esses Princípios estão sendo efetivamente monitorados, o Suplemento do Setor de Mineração e Metais do GRI (MMSS) orienta as empresas de mineração e metais a acompanharem o desempenho com base nos Princípios, complementando as diretrizes de Apresentação de Relatórios de Sustentabilidade G3 do GRI. Os aspectos do MMSS abordam os interesses dos Povos Indígenas, incluindo o indicador MM11, que exige que as empresas relatem questões relacionadas a incidentes com Povos Indígenas. Espera-se também que as empresas discutam processos para incluir os Povos Indígenas e mecanismos de injustiças. Embora o foco da Mesa Redonda seja o FPIC, o desafio é trabalhar num contexto em que os direitos minerais são historicamente (e em muitos casos, legalmente) considerados mantidos pelo Estado. Onde há estruturas legislativas estabelecidas, fica mais fácil para as empresas se sujeitarem a um processo de consentimento, quando ele é determinado por lei nacional. A indústria fica muitas vezes numa posição difícil nas situações em que não existem tais estruturas legais reconhecidas ou onde possa haver um poder soberano ou estatal fraco. Dessa forma, em certas situações, as estruturas legais existentes não oferecem uma base prática para o uso e acesso à terra com base no FPIC, podendo efetivamente reprimir as relações entre empresas e comunidades. Nessas circunstâncias, acordos diretos entre empresas e comunidades são freqüentemente mais benéficos. 5.3 Tópico I: Discussões em Grupo sobre as Experiências do FPIC Estruturas Legais e o Papel do Estado A maioria das discussões em grupo foi caracterizada por percepções variadas do papel do governo versus o papel das empresas com relação a projetos de mineração e à proteção dos direitos Indígenas. A ”esfera de influência” das empresas foi discutida e vários participantes concordaram que as empresas deveriam ter cuidado para não se envolver em debates políticos ao participarem de processos de consulta ou consentimento. As empresas muitas vezes são vistas como tendo uma influência desproporcional sobre governos. Nas situações em que os direitos dos Povos Indígenas (em particular, o reconhecimento da posse tradicional das terras) não foram reconhecidos pelo Estado, vários participantes acharam que era obrigação da empresa usar sua influência perante os governos para defender a proteção dos direitos. Houve opiniões divergentes sobre como isso poderia ser feito, uma vez que a indústria se considera numa fraca posição para ditar termos aos governos. Alguns participantes consideravam os governos uma barreira ao FPIC, onde os Estados apóiam projetos de mineração, mas as comunidades não. Foram apresentados vários exemplos de Estados africanos onde o maior desafio ao FPIC é o desinteresse do Estado nos direitos e problemas dos Povos Indígenas. Isso traz desafios para as empresas de mineração na qualidade de locatárias do Estado, tendo vários participantes entendido que as empresas contornavam esses desafios evitando participar do debate sobre direitos. Os governos foram considerados entidades não apenas para promover o desenvolvimento, 10 mas também para policiá-lo, com base, em parte, nas suas obrigações segundo a legislação internacional. Foram dados exemplos de onde isso não acontece. Nos países em que as estruturas legais dispõem sobre direitos à terra e aos recursos, bem como sobre o FPIC para Povos Indígenas, os Estados precisam monitorar a implementação dessas leis. Alguns participantes entendiam que as próprias leis eram obstáculos para as empresas promoverem relações positivas com Povos Indígenas. As limitações legais dos direitos foram expressas com referência à cultura de conformidade legislativa, em que as empresas fazem somente o que a lei exige nos casos em que a lei não protege os direitos. Ir além da mera conformidade legal das empresas foi considerado necessário para todos os envolvidos, o que indicava os méritos de se manter uma ênfase mais ampla sobre os interesses, ao contrário de um enfoque mais estreito sobre direitos. Essa abordagem, naturalmente, não deveria ser vista como uma desculpa para os Estados não cumprirem as normas legais internacionais e suas obrigações delas decorrentes. Argumentou-se também que direitos são inalienáveis, portanto, não exigem “reconhecimento” de um Estado para existir. Logo, as empresas deveriam reconhecer direitos, independente da posição do Estado. Muitos dos estudos de casos discutidos destacaram a inconsistência das consultas entre governos e comunidades afetadas no processo de consentimento. Em certos casos, as comunidades foram consultadas pelo Governo, embora ele não tivesse nenhuma obrigação de se sujeitar aos desejos expressos pela comunidade. Muitos participantes acreditavam que quase sempre havia uma tendência nessa direção que beneficiava a economia como um todo, bem como poderosos interesses econômicos e políticos, contrários à comunidade afetada. O FPIC e Direitos à Terra Foram apresentados vários exemplos em que havia diferentes perspectivas entre o reconhecimento corporativo e o Indígena dos direitos à terra. Um país que foi discutido em termos positivos ratifica o reconhecimento jurídico dos direitos dos Povos Indígenas à terra, bem como o fato de que há diferentes maneiras de envolver as comunidades afetadas. A Lei dos Direitos das Terras Aborígines de 1976 (Território do Norte) da Austrália foi um exemplo específico citado, em que as comunidades têm o direito de dizer “não”, embora, caso o consentimento seja dado no estágio de exploração, ele não pode ser retirado depois. De acordo com essa Lei, o Governo Federal tem o direito de anular uma decisão “negativa” dos tradicionais proprietários de terras se achar que é do interesse nacional. Em outros países, os donos de imóveis só têm direitos sobre a superfície. Um grupo levantou a dificuldade das empresas em resolver conflitos quando o governo reconhece os direitos Indígenas, porém os direitos do governo ao subsolo prevalecem dentro da estrutura jurídica geralmente aceita. Vários participantes reconheceram a aceitação irregular dos direitos culturais. A mineração ainda ocorre em áreas de importância cultural e espiritual, onde as atividades têm sido confrontadas pelas autoridades tradicionais Em certa ocasião, um projeto prosseguiu em terras matrilineares, onde as mulheres estavam investidas da posse tradicional da terra, embora elas não fossem incluídas nas negociações nem recebessem benefícios diretos. Alguns participantes enfatizaram a responsabilidade das empresas de considerar os grupos Indígenas dentro de uma comunidade que pode não ser a tradicional proprietária da terra e, assim, pode não ter qualquer direito a ela. Outros acreditavam que as 11 convenções sociais entre os membros da comunidade resolveriam essas diferenças. Os participantes reconheceram que muitas das principais mineradoras da Austrália trabalham com todos os pretendentes das terras, mesmo aqueles que têm direitos que podem nunca ser reconhecidos nos termos da Lei da Posse Nativa. Capacitação Institucional A capacidade dos Povos Indígenas de entender com clareza seus direitos com relação aos requisitos e obrigações legais do governo e de se envolverem efetivamente nos processos que lhes afetam foi considerada vital por todos os participantes. Muitos Povos Indígenas não podem acessar seus direitos legais (por exemplo, registrar-se como pretendente à posse nativa é necessário primeiro na Austrália) ou não têm os recursos para serem efetivamente envolvidos. Do mesmo modo, os Povos Indígenas muitas vezes não têm capacidade para tomar qualquer medida que acabe com as violações das leis ou para se envolver nas discussões. Como colocou um participante, “como falar com as pessoas sobre o FPIC se elas não têm recursos para vir para a mesa?” Freqüentemente as comunidades têm de confiar em órgãos representativos financiados pelo Governo e, conseqüentemente, muitas vezes não têm o conhecimento suficiente sobre um projeto e seus potenciais riscos e benefícios. Um grupo observou que as discussões sobre capacidade muitas vezes têm mais a ver com a falta de vontade política do que com a falta de recursos. No exemplo de um país, o envolvimento com as comunidades locais era um requisito legal para que um projeto de mineração pudesse prosseguir, embora nenhuma verba fosse fornecida pelo Governo para assegurar que isso acontecesse. Como isso demonstra, as leis devem ser respaldadas pela capacidade e pelos compromissos para assegurar que elas sejam totalmente implementadas e cumpridas. Consulta e Envolvimento Todos os grupos concordaram que o envolvimento com as comunidades deve acontecer desde o início de qualquer potencial projeto, começando na fase de planejamento. A consulta para obter consentimento foi vista como um processo permanente de interação. Houve uma concordância geral com um “princípio” manifestado por um participante, de “não nos consultar depois que a decisão tiver sido tomada”. Um representante da mineração enfatizou que sua empresa identifica as pessoas importantes e se envolve com elas antes de fincar o pé na terra e que segue protocolos culturais estritos que avaliam os interesses de todos os envolvidos. Vários exemplos levantados nos grupos ilustraram como a falta de conhecimento de uma comunidade sobre as implicações das atividades de um projeto era explorada. Em uma ocasião, anciãos analfabetos foram subornados para assinar contratos que eram, então, apresentados como legais pela empresa e pelas autoridades. Foi discutido outro caso em que foi dado inicialmente às comunidades apenas duas semanas para analisar milhares de páginas de documentos detalhando as implicações sociais e ambientais de um potencial projeto de mineração num idioma estrangeiro. As mineradoras, às vezes, forneciam informações escassas ou vagas na fase de exploração, alegando que era cedo demais para descrever a abrangência e o porte de um possível projeto. Questões de herança e aplicação do FPIC às operações existentes As questões de herança foram mencionadas por alguns grupos, assim como foi levantada a dificuldade de se aplicar o FPIC em situações nas quais as minas estavam em funcionamento desde muitas décadas. Foi destacada a necessidade de se reconhecer problemas do passado e reafirmar as metas comuns para o futuro junto às comunidades 12 locais. O processo de possibilitar a renegociação dos contratos em áreas onde as minas funcionavam há décadas foi levantado, quando contratos atualizados deveriam ser adotados para levar em conta os padrões atuais de sustentabilidade. Áreas de base/acordo comum Muitas bases comuns foram discutidas com o compartilhamento dos estudos de casos. Muitos grupos destacaram o progresso feito pelas mineradoras nos últimos anos e houve uma concordância geral quanto ao fato de que as empresas agora definem o sucesso em termos de dividendos sociais, ambientais e financeiros. Vários grupos destacaram a importância de organizações como o ICMM e a IUCN que orientam seus membros e a indústria como um todo. O compartilhamento de melhores práticas em nível global também foi considerado essencial. Houve um acordo geral sobre a importância de se assegurar uma capacidade adequada a todos os Povos Indígenas para se envolver ativa e efetivamente nos processos que os afetam e que esse envolvimento deve começar tão cedo quanto possível no desenvolvimento dos projetos e certamente antes de sua implementação. Os participantes concordaram que a consulta não era a mesma coisa que o consentimento, que inclui o direito de dizer “não” a um projeto e que a legitimidade da forma como o consentimento foi dado era vista às vezes como problemática. Concordou-se, ainda, que o fracasso dos processos de consentimento muitas vezes era causado pela incapacidade das partes (comunidades, indústria e governos) de se envolverem umas com as outras de uma forma significativa e transparente. As diferentes percepções de valor também foram discutidas em função daquilo que os vários participantes achavam ou consideravam importante. Embora a maioria dos participantes concordasse que o envolvimento deveria ser “Livre, Prévio e Informado”, havia uma separação clara entre um compromisso com a consulta ou com a consideração de interesses por parte da indústria, em oposição a um compromisso de consentir (vide abaixo). Áreas de divisão/divergência Houve divergência sobre a importância de se ter um foco exclusivo sobre o FPIC. Alguns participantes achavam que a pergunta não era ”deveria haver FPIC?”, mas sim como o FPIC deveria ser operacionalizado. Outros achavam que não era prático considerar o FPIC a única opção, uma vez que há muitos países que ainda estão muito longe de adotarem o FPIC como um conceito ou direito. As mineradoras foram unânimes em declarar que o consentimento não era algo que elas tinham a autoridade de conceder ou reconhecer para os Povos Indígenas, pois achavam que ele estava incorporado na soberania do Estado. As empresas, no entanto, consultam rigorosamente os Povos Indígenas a ponto de, se não houver o apoio da maioria da comunidade, ser improvável que eles empreendam alguma atividade na terra. A maior área de divergência estava relacionada à interpretação das várias definições e conceitos. Uma possível divergência entre uma abordagem baseada em interesses e uma abordagem baseada em direitos foi levantada durante toda a Mesa Redonda. Vários participantes consideravam que as empresas assumiam uma abordagem exclusivamente baseada em interesses na sua busca por apoio comunitário. Embora respeitando os direitos como necessários de acordo com a legislação nacional, tanto quanto a legislação internacional, considerava-se que algumas empresas viam a adoção do enfoque sobre os direitos Indígenas como uma abordagem potencialmente litigiosa e menos produtiva. Houve discussões em torno de quem define os vários interesses e por quais padrões. Um participante declarou que os direitos são claramente definidos por amplo consenso, 13 enquanto os interesses que são conflitantes, não o são. Logo, houve uma preocupação com o fato de que uma abordagem baseada em interesses criasse a possibilidade de uma norma arbitrária ser aplicada pelas empresas, dando preferência a alguns grupos de “detentores de interesses” sobre os outros, inclusive os Povos Indígenas. Outros reconheceram que um enfoque sobre interesses poderia acomodar uma variedade mais ampla de Povos Indígenas (e outros povos) afetados pelas atividades de mineração, inclusive aqueles cujos direitos à terra possam não ter sido reconhecidos pelo Estado. Para superar essa divisão, sugeriu-se que os direitos e interesses deveriam ser considerados, uma vez que interesses são mais amplos do que (e incluem) direitos. Dito isso, o termo interesses foi considerado por alguns participantes como uma ”atenuação” do termo direitos, não devendo, portanto, substituir “direitos”. A natureza dos direitos também foi considerada, com alguns participantes destacando sua natureza inerente, na qual eles existem quer sejam reconhecidos da forma definida pela legislação internacional ou não. Outros participantes observaram que, na prática, a visão de direitos como ”inerente” era problemática, se o governo deixasse de reconhecer esses direitos. Nessas situações, eles declararam que um enfoque operacional sobre interesses, conjugado com vulnerabilidade, poderia ser mais prático, uma vez que produziria um ponto de entrada para a proteção dos Povos Indígenas vulneráveis, independente de até que ponto seus direitos fossem reconhecidos. Outros participantes declararam que o reconhecimento dos direitos inerentes dos Povos Indígenas agora estava confirmado como o padrão mínimo através da adoção da Declaração das Nações Unidas e que agora era preciso ajudar e incentivar os governos a “colocarem em prática” por meio de suas estruturas jurídicas nacionais. A diferença entre os termos ”terras” e “território” também foi realçada por vários participantes, especialmente com relação ao povo nômade, especificamente em casos em que esses povos habitam vastas áreas territoriais atualmente pertencentes a vários países. Foi dispensada atenção à Organização Internacional do Trabalho (OIT) 169, na qual o conceito de territórios abrange o ambiente total das áreas que os respectivos povos ocupam ou de outra forma usam. Muitos participantes observaram que, apesar de mencionar o FPIC, a OIT 169 não especifica como ele deverá ser operacionalizado. As inconsistências normativas dentro das empresas e em nível global também foram levantadas, visto que as melhores práticas não são implementadas em todos os níveis. Foi discutida a discrepância entre pequenas, médias e grandes empresas. Embora se considerasse que certas grandes empresas trabalham para aumentar o nível e elevar os padrões de comportamento, algumas empresas menores se esforçam para mantê-los, sendo, muitas vezes, menos responsáveis por serem menos visíveis. Vários participantes achavam que as empresas maiores “tinham tempo para fazer isso corretamente”, tendo sido considerada a pergunta sobre como elevar o nível a partir da extremidade inferior da indústria. Modos práticos de se avançar Ficou acertado que não existem respostas universalmente aceitas e que as perguntas permanecem em torno de quem participa no processo de consentimento, de quem dá o consentimento e de quem se sujeita a ele. Apesar disso, todos os participantes concordaram que o foco deveria estar sobre a implementação e se é possível desenvolver políticas e práticas que sejam transferíveis para diferentes contextos. Embora tenha ficado entendido que a responsabilidade definitiva pelo monitoramento das leis recai sobre o Estado, o papel positivo que as empresas podem desempenhar também foi mencionado. Muitos participantes enfatizaram a necessidade de se comunicar aos 14 Estados o que é aceitável e o que precisa ser mudado. Um grupo também declarou que muitas vezes existem mecanismos e instituições confiáveis à disposição e que é uma questão de identificá-las em vez de criá-las. Foi também considerada a opção de terceiros supervisionarem e monitorarem o processo de consentimento, embora não se tenha chegado a nenhum acordo sobre como isso funcionaria na prática. Embora alguns participantes tivessem declarado que o FPIC, na qualidade de uma estrutura, poderia trazer limitações práticas para as empresas na sua implementação em alguns casos, eles concordaram que é necessário que as empresas reconheçam aqueles que têm interesses na terra e busquem chegar a um acordo com base nesses interesses. É preciso mais discussão sobre se uma forma de acordo com base em interesses, que também incluem direitos, poderia ser uma estratégia viável em locais onde os governos não adotaram o FPIC. De qualquer modo, as parcerias diretas entre comunidades e mineradoras, onde as empresas claramente manifestassem seus pontos de vista sobre os direitos Indígenas, foram consideradas uma opção viável. Os acordos alcançados nessas situações deveriam ser o mais completo e abrangente possível, para evitar que as pessoas sem direitos formais à terra fiquem desapercebidas por causa da ausência de proteções jurídicas formais em nível nacional. 6. Tópico II: Consulta, Envolvimento e o Significado de Amplo Apoio Comunitário 6.1 A Perspectiva da Mineração Um estudo de caso foi oferecido para destacar os desafios da mineração num país onde um projeto atravessou os limites tribais. Nesse exemplo, o Estado se declarou possuidor de todos os direitos minerais. Antes da mina, havia dois principais grupos Indígenas na área de concessão, que consistiam de uma tribo no planalto com 8.000 pessoas e uma tribo na planície com 15.000 pessoas. Em conseqüência das oportunidades econômicas oferecidas pela mina, outros grupos Indígenas migraram para a área da mina deixando as tribos originais em minoria. Sete tribos habitam atualmente a área, e todas com direito de expressão. A necessidade de se respeitar as crenças e opiniões dos tradicionais proprietários de terra/Povos Indígenas e das tribos imigrantes representa um desafio. Embora a empresa admita que todos os Indígenas envolvidos seriam reconhecidos, ela se vê diante de fortes diferenças de opiniões entre os Indígenas locais proprietários de terra e as tribos Indígenas migrantes. Há freqüentes conflitos entre as tribos, sendo difícil chegar a um consenso unificado. O desafio é reconhecer todas as crenças e opiniões da sociedade multitribal. Duas iniciativas voluntárias foram mencionadas. Um Fundo Fiduciário Voluntário de Direitos à Terra reconheceu o impacto da empresa sobre as duas tribos donas da terra e distribuiu verbas a serem divididas entre elas. O fundo foi usado para comprar ações da mineradora. Um segundo Fundo Voluntário de Um Por Cento contribui com 1% da receita bruta para o desenvolvimento social da área para todas as tribos Indígenas. Outros interessados consideraram as iniciativas voluntárias inadequadas, uma vez que a compra de ações poderia ser vista como uma criação de grupos de elite. Além disso, o processo foi criticado por não haver uma real participação de outros interessados relevantes. Reconhecendo os direitos da comunidade à terra acima dos interesses do governo, a empresa poderia ser considerada interventora de processos legislativos. Permanece a pergunta sobre como reconhecer todas as opiniões numa sociedade multitribal e se as iniciativas voluntárias são uma alternativa viável nessas áreas ou não. 15 6.2 A Perspectiva Indígena As comunidades que vivem em torno de duas grandes minas num Estado norteamericano estão divididas. Os Povos Indígenas da área consideram o Estado o centro do desenvolvimento e acreditam que isso é respaldado por sua constituição. As Corporações Nativas e os Governos Tribais às vezes servem para dividir suas comunidades nativas. Como as Corporações Nativas “visam lucro”, seu interesse é desenvolver recursos. Há uma preocupação entre as comunidades locais de que esse desenvolvimento será prejudicial para seu modo de vida. Um projeto industrial de grande porte está associado a uma variedade de impactos sociais, culturais, econômicos e ambientais, com profundas implicações para o bem-estar físico, emocional e espiritual das comunidades Nativas. As Avaliações de Impactos Ambientais (EIS) avaliam os potenciais efeitos dos projetos propostos e divulgam os resultados para o público e para os tomadores de decisões políticas. Embora a EIS faça parte do processo de licença de projetos, ela não contém uma análise abrangente dos potenciais efeitos à saúde pública. Isso significa que os reguladores não estão realmente considerando os potenciais impactos sobre as comunidades locais ao tomarem decisões com relação às licenças. Há suporte para o FPIC em certas partes do Estado e, à medida que as comunidades serão cada vez mais afetadas pela atividade de mineração, é importante encontrar uma base comum e um amplo apoio comunitário. O Estado quer desenvolver recursos, independente do impacto sobre o meio ambiente. A estrutura constitucional criada em 1958 foi feita sem consulta às tribos locais, apesar do fato de os governos tribais serem anteriores ao Estado. Os anciãos da comunidade estão preocupados com os impactos que a mineração terá sobre seu futuro e isso tem causado brigas dentro das comunidades. Os membros comunitários precisam continuar a se envolver em todo o processo e vida do projeto. Os estudos básicos deverão ser feitos no idioma local, com a participação das comunidades locais. As empresas manifestaram desconfiança nas avaliações locais. A cultura de envolvimento precisa ser alterada. Algum progresso tem sido alcançado, e agora as Avaliações dos Impactos sobre a Saúde podem ser feitas pelos órgãos locais. 6.3 Tópico II: Discussões em Grupo Experiências de Consulta e Envolvimento Muitos exemplos de países foram discutidos, incluindo exemplos bons e ruins de consulta e envolvimento. Foram discutidos casos em que os processos governamentais efetivamente diminuíram o ritmo do processo de consentimento e anularam os resultados de referendos e outros processos de obtenção de consentimento. A Austrália foi apresentada como um exemplo de boa prática para ilustrar o que consulta significa na prática. A Lei de Direitos à Terra e a Lei da Posse Nativa mudaram o processo e a percepção do apoio comunitário. Embora, nos termos da Lei de Direitos à Terra do Território do Norte, o Governo Federal esteja legalmente autorizado a derrubar qualquer decisão dos Proprietários Tradicionais para retirar apoio para um projeto, ele nunca fez isso. Alguns participantes acreditam que isso ilustra como um processo eficaz de consulta muitas vezes resulta na outorga do consentimento. Se as negociações forem feitas de forma respeitosa, elas deverão resultar em algo bem-sucedido para todas as partes envolvidas. 16 Um entendimento da dinâmica comunitária também foi considerado crucial para qualquer processo sério de consulta e envolvimento. As informações prestadas à comunidade devem ser apresentadas de uma forma culturalmente apropriada de maneira que os Povos Indígenas possam entender, devendo conter os melhores e os piores cenários do caso para possibilitar o exame completo dos potenciais benefícios e riscos. As consultas deverão ser abrangentes, sem ignorar grupos essenciais como as mulheres. Um grupo observou que as pessoas de uma comunidade que estão ansiosas para se envolver com as mineradoras estão muitas vezes a favor do projeto e menos envolvidas nos meios tradicionais de sustento, fazendo, assim, alianças com grupos não Indígenas. À medida que as empresas e os governos tendem a favorecer formas mais modernas de comunicação, as vozes de muitas dessas pessoas envolvidas nos meios tradicionais de sustento não são ouvidas. A capacitação institucional por parte das empresas é necessária para assegurar que essa escuta abrangente ocorra. O envolvimento prematuro pode servir para manter o amplo apoio comunitário, além da vida de uma mina. Muitos participantes concordaram que várias vezes o processo é mais importante do que o resultado e que as mineradoras deveriam estar dispostas a aceitar um ”não” como resposta admissível de comunidades informadas. Experiências de Amplo Apoio Comunitário As discussões em torno do amplo apoio comunitário levantaram várias perguntas, inclusive “como você sabe que o conseguiu?” Embora a definição de amplo apoio comunitário fosse difícil, como colocou um participante, “você sabe quando o consegue”. A obtenção do amplo apoio comunitário era vista como uma responsabilidade de vários interessados, envolvendo mais participantes do que somente as empresas. Houve também alguma discussão sobre a importância do conhecimento tradicional e da necessidade de as empresas chegarem a um acordo sobre esse entendimento e aceitarem seu valor. Muitos participantes mencionaram a importância de se respeitar diferentes formas e expressões de conhecimento que não eram baseadas apenas em paradigmas ocidentais. A aplicação do conhecimento tradicional e sua integração aos processos de planejamento, implementação, avaliação, recuperação e monitoramento ambiental foi considerada importante, bem como o desenvolvimento de indicadores para avaliação dos impactos sobre os valores culturais e as práticas de subsistência tradicionais baseadas nos usos tradicionais da terra. Qualquer recuperação deve ser feita de um modo culturalmente apropriado, integrando o conhecimento tradicional do processo. Áreas de base/acordo comum A maioria dos grupos concordou que o FPIC é um processo permanente e não um ponto final ou um evento único. Embora o estabelecimento do amplo apoio/consentimento comunitário fosse considerado necessário, a complexidade em obtê-lo na prática também foi reconhecida. A importância de as empresas usarem sua iniciativa caso a caso para evitar ou resolver problemas antes que eles aumentem foi sugerida como uma alternativa eficaz aos mecanismos de injustiças. A necessidade das empresas de institucionalizarem padrões institucionais (como a OIT 169) através de uma política empresarial foi apresentada como uma melhor prática para a elevação do nível em toda a indústria. Áreas de divisão/divergência Discutiu-se a dificuldade de se atingir os objetivos de desenvolvimento sem prejudicar a cultura e o estilo de vida das comunidades Indígenas. Também foram levantadas questões sobre a compatibilidade das culturas Indígenas com a ameaça de assimilação. 17 Modos práticos de se avançar Levantamentos completos dos interessados, Avaliações de Impactos Sociais, Avaliações de Impactos Ambientais e pesquisas sobre saúde em todas as comunidades afetadas foram considerados providências vitais para se obter o amplo apoio comunitário. Além disso, foram sugeridas avaliações de impactos culturais como um meio de se avaliar as formas que o devido envolvimento deveria tomar. O envolvimento dos principais grupos nos estudos básicos iniciais poderia resultar num amplo apoio comunitário. A consulta progressiva nos diversos níveis também é importante. Os foros onde os vários interessados podem apresentar suas preocupações foram considerados construtivos, e um participante deu o exemplo de um ”vigia dos direitos humanos” que tinha sido colocado para observar as atividades de mineração na área. Suas conclusões foram, então, apresentadas à empresa que tratava dos problemas abordados. 7. Tópico III: Geração de Benefícios Sociais Líquidos 7.1 A Perspectiva Indígena Um representante Indígena observou como os benefícios sociais líquidos deveriam ser considerados em termos de benefícios mensuráveis e tangíveis para a comunidade afetada e/ou benefícios que mudam para melhor a vida das pessoas, de acordo com os critérios próprios de uma comunidade. As comunidades devem ser capazes de reconhecer os riscos e os benefícios, bem como de considerar seus potenciais impactos. Isso deve incluir o reconhecimento dos benefícios dos usos atuais e tradicionais da terra (caça, agricultura, pesca, colheita e rebanho de subsistência), assim como o acesso permanente a água limpa, ar, terra e locais sagrados. Também inclui valores culturais e relações sociais. Algumas pessoas das comunidades de mineração podem não reconhecer ou aceitar como verdadeiros os benefícios que atualmente provêm dos tradicionais usos dos recursos que deveriam ser preservados como prioridade. A apresentação observou como os Povos Indígenas, como um todo, precisam ser amplamente consultados e como as comunidades precisam identificar suas prioridades apropriadas; isso dá às comunidades um senso de posse dos potenciais benefícios. A consulta efetiva irá minimizar as falhas do projeto. Se as comunidades tiverem uma chance de expressar suas preocupações como parte de um processo de obtenção de consentimento, há a possibilidade de que elas sejam satisfeitas. Monitorar os benefícios é importante, bem como defini-los plenamente para incluir perspectivas culturais e econômicas tradicionais e considerar os resultados e impactos de curto e longo prazo. Foi apresentada a importância de se acompanhar o impacto dos benefícios, inclusive a dificuldade de estabelecer o ponto no qual as comunidades são percebidas como plenamente beneficiadas. Atualmente existem mecanismos que podem ajudar no monitoramento dos benefícios, inclusive indicadores da segurança de alimentos, indicadores ambientais e indicadores das Metas de Desenvolvimento do Milênio. Muitas vezes as comunidades ficam na incerteza de que ser rica de recursos é uma bênção ou uma maldição. Segundo o representante Indígena que apresentou esta sessão, o compartilhamento dos estudos de caso enfatizou que mesmo certos países desenvolvidos ainda têm um longo caminho pela frente em termos de processos abrangentes de envolvimento com as comunidades. Mais exemplos de histórias de sucesso em que as comunidades se beneficiaram totalmente e de uma avaliação dos elementos que as tornaram bemsucedidas precisam ser colocados à disposição do público. Do mesmo modo, os projetos que resultaram em prejuízo irreparável para as comunidades, incluindo a destruição de 18 locais sagrados, contaminação de longo prazo das terras e cursos d’água ou graves efeitos à saúde de uma geração para outra deveriam ser analisados para que erros semelhantes não se repitam. Pode ser possível e desejável criar um instrumento internacional que estipule com clareza como os benefícios podem ser definidos e compartilhados pela comunidade. 7.2 A Perspectiva da Mineração Um país andino foi citado como exemplo de como um envolvimento positivo entre uma mineradora e uma comunidade resultou em melhorias substanciais para o nível de vida da comunidade. Programas comunitários foram criados em torno de uma pequena mina numa área pobre da Bolívia. Antes da construção da mina, 13 famílias permaneceram na localidade sem nenhuma renda permanente, dependendo totalmente da agricultura de subsistência. Muitas famílias haviam deixado a comunidade (e às vezes o país) para procurar trabalho. Atualmente, 47 famílias residem no local. Antes da mina, estudantes de até cinco anos caminhavam cinco quilômetros de casa para a escola e vice-versa todos os dias, onde eram tratados como cidadãos de segunda classe por causa do alto nível de pobreza predominante na sua comunidade. A comunidade pressionou firmemente para o estabelecimento da operação de mineração. A forte equipe de relações comunitárias da empresa na Bolívia foi altamente eficaz em envolver a comunidade, trabalhando com ela como um todo e não apenas com os líderes designados. A identificação dos benefícios que a comunidade queria levou tempo. Além dos empregos e treinamento, eles identificaram a construção de um centro comercial como importante para a comunidade, em termos de confiança, status e do modo como eram vistos pelas pessoas de fora. Concordou-se em dar pelo menos um emprego a cada família, embora, por ocasião do último exame, 115 pessoas estivessem empregadas em tempo integral pela mina e 37 estivessem empregadas como empreiteiras. Um Centro de Serviços Comunitários foi construído para proporcionar aos residentes locais serviços de saúde, treinamento em pequenos negócios e alfabetização, bem como um local para busca de subvenções e empréstimos. Em conseqüência desse treinamento e esquema de empréstimos, duas irmãs formaram empresas de fornecimento de alimentação e seis mulheres criaram uma empresa de costura. Micro-empréstimos foram concedidos para a compra de equipamentos, os quais, posteriormente, foram todos liquidados. Como essa é uma mina de curto prazo, a sustentabilidade será um desafio, embora o conhecimento adquirido por meio dos programas de treinamento seja transferível. Entre os fatores que contribuíram para o sucesso desse projeto está o envolvimento antecipado de uma equipe qualificada, incluindo antropólogos, para entender as necessidades culturais do grupo. O envolvimento de um amplo grupo representativo da comunidade, a criação de benefícios sociais e econômicos e a oferta de treinamento técnico para os habitantes locais assumirem e manterem as coisas também aumentou substancialmente o estilo de vida e as oportunidades dos residentes. 7.3 Tópico III: Discussões em Grupo Experiências da Geração de Benefícios Sociais Líquidos A importância do treinamento da comunidade local para os Povos Indígenas assumirem a gestão das iniciativas foi levantada por vários grupos. Em uma comunidade são usados geradores de energia eólica na área e, embora tenha havido treinamento básico sobre esse uso, a comunidade quer ser uma parte fundamental do processo, de modo que ela 19 possa dirigir o processo inteiro. Em outra mina, onde não houve um processo de consulta à população Indígena afetada, houve danos ao solo sagrado. Considerando as lições assimiladas, futuras operações nas áreas circunvizinhas tentaram contrabalançar os benefícios de longo e curto prazos para a comunidade, incluindo saúde, meio ambiente, cultura e impactos econômicos. A comunidade forneceu à empresa uma lista de benefícios esperados, incluindo treinamento e a proteção do conhecimento tradicional. Programas educacionais foram criados para assegurar que os jovens recebessem instrução sobre suas raízes culturais. Isso foi qualificado como uma boa ilustração de como aprender com erros anteriores, comunicar-se eficazmente, proporcionar coesão social e envolver os jovens no processo. Um exemplo da importância de uma empresa que usa sua iniciativa para aumentar os benefícios culturais tradicionais de uma tribo foi dado numa comunidade com fortes aptidões esculturais. Uma pessoa de fora foi trazida para desenvolver ainda mais essas aptidões e espetáculos itinerantes foram apresentados para exibir algumas esculturas da comunidade. Foi discutido outro exemplo em que membros da comunidade faziam palestras sobre plantas indígenas da área, garantindo a preservação do conhecimento local. A questão de gerenciar as expectativas também foi levantada em situações nas quais existe uma população Indígena e uma população não Indígena. Num exemplo discutido, as famílias foram reassentadas e compraram novas fazendas em terras que o governo também pretendia usar para o reassentamento de pessoas de fora. Para evitar descontentamento social, todos receberam benefícios da mineradora, não somente aqueles que tinham sido deslocados da mina. Foi enfatizada a importância dos Povos Indígenas e das comunidades locais terem acesso aos benefícios. A natureza complexa dos benefícios sociais líquidos foi discutida em relação aos benefícios monetários às vezes considerados causadores de discórdia e, por isso, nem sempre um benefício positivo. Se houver um envolvimento genuíno, as comunidades podem averiguar e definir seus próprios benefícios sociais e contrabalançar os potenciais benefícios com os riscos e mudanças que possam decorrer de um projeto. O caso empresarial de bom desempenho social também foi discutido, uma vez que atualmente demora cinco vezes mais para um projeto ser instalado e funcionar. Esse tempo pode ser reduzido substancialmente se uma empresa tiver a capacidade de se envolver efetivamente desde o início. Um participante enfatizou a importância de falar para as comunidades quando não se quer nada delas. Foram discutidos dois exemplos em que uma empresa desistiu dos projetos porque o Governo não permitiu que ela consultasse diretamente certos grupos da comunidade local (ou a comunidade como um todo). A necessidade de equilibrar e avaliar os benefícios de curto prazo versus os de longo prazo também foi explorada. Embora os empregos criados pela mina às vezes possam, por si próprios, resolver muitas das necessidades econômicas imediatas das comunidades, as oportunidades de prazo mais longo, bem como a solução de impactos imprevistos, são um grande desafio. O treinamento na gestão e regeneração dos recursos naturais foi um dos exemplos dado, em que os benefícios têm o potencial de durar mais do que a vida da mina. Em certos casos, os participantes acharam que suas demandas poderiam incluir legitimamente direitos fundiários a novas áreas como compensação por sua perda de terras. Um participante mostrou como as medidas para assegurar e garantir a proteção de tradicionais fontes de alimentos para gerações futuras são geralmente uma prioridade muito alta para as comunidades Indígenas, devendo as empresas serem muito claras com as comunidades sobre como isso pode ser assegurado. 20 Áreas de base/acordo comum Os participantes concordaram que os benefícios deveriam ser mais abrangentes do que apenas “sociais”, além de incluir benefícios culturais, ecológicos, econômicos e outros. As comunidades Indígenas deveriam ter o papel principal na determinação da natureza e equilíbrio dos benefícios. Do mesmo modo, em situações que é negada historicamente às comunidades uma base para os benefícios, a qual é posteriormente aceita, a comunidade deve decidir qual deveria ser a forma de restituição dos benefícios perdidos. Benefícios simbólicos (como o exemplo do centro comercial mencionado acima) muitas vezes são importantes para manter um senso de identidade na comunidade, devendo as empresas reconhecer a importância potencial mais ampla desses benefícios para as comunidades. Foi enfatizada a importante ligação das comunidades Indígenas com a terra, e perdê-la significa a destruição de parte de sua cultura, identidade e estrutura social. Todo projeto deve ser conduzido de uma maneira que respeite as culturas e os estilos de vida. Modos práticos de se avançar Os reais benefícios para os diferentes interessados expostos pelos participantes incluíam o desenvolvimento de uma forte infra-estrutura, serviços sociais, benefícios econômicos e capacitação/treinamento profissional, bem como a preservação e a proteção dos recursos locais de subsistência, estruturas sociais e locais e práticas culturais. Além disso, a divisão abrangente do patrimônio, a total participação no monitoramento e avaliação dos impactos, a posse conjunta da comunidade e a gestão foram consideradas importantes. Outras sugestões incluíram a criação de macro e micro-empréstimos das empresas para as comunidades, a fim de serem usados para o desenvolvimento de empresas locais, e recursos onde os grupos locais contribuem para a estrutura decisória, mas onde os governos exercem uma função de supervisão. Muitos representantes Indígenas declararam que eles não querem simplesmente receber benefícios, mas também fazer parte de um processo em que estejam envolvidos nas decisões gerenciais. Vários participantes também queriam assegurar que seus tradicionais meios de subsistência não seriam negativamente afetados nem no longo nem no curto prazo. Se as comunidades têm acesso a emprego e treinamento de longo prazo e não precisam abandonar sua capacidade de praticar suas tradicionais atividades econômicas, então as oportunidades de negócios/empregos/subsistência são sustentáveis após o fechamento. Os participantes enfatizaram que as mineradoras devem reconhecer a diferença entre atenuação de impactos e benefícios líquidos – a atenuação foi considerada essencial para compensar ou restituir os prejuízos ou danos, enquanto os benefícios líquidos foram considerados como ganhos adicionais para as comunidades. Foi também reconhecido que, em alguns casos, os impactos são tão graves que não é possível qualquer atenuação ou restituição, como a destruição total de uma montanha sagrada, conforme mencionado por um participante. Ao proporcionarem benefícios para as comunidades, as mineradoras também devem ter o cuidado de não criar uma cultura de dependência, em que novas estruturas sociais e sistemas econômicos correm o risco de colapso após o fechamento da mina. 21 8. Tópico IV: Os Desafios para Operacionalização do FPIC 8.1 A Perspectiva da Mineração Nos últimos dez anos, as mineradoras mudaram sua visão de comunidades beneficiárias para comunidades parceiras comerciais. O FPIC deverá ser uma abordagem sistemática às relações comunitárias, onde as operações deverão ser examinadas universalmente, embora de uma forma culturalmente apropriada. Admitir erros é necessário, havendo maior possibilidade de as comunidades serem atenciosas se notarem que as empresas são transparentes nas suas operações. Sem respeito e entendimento mútuos, os projetos muitas vezes não decolam. A noção de ”escutar, aprender e participar” é essencial, para isso as seguintes providências deverão ser tomadas: Estudos básicos que avaliem o contexto do país antes da chegada da empresa. Isso deve incluir o ritmo, a direção e as ameaças de qualquer mudança social. Há muitas ocorrências que não estão necessariamente relacionadas à mineração. Planos de consulta que descrevam quem deve ser consultado, por quê, como e quais benefícios são plausíveis. Os elementos do que pode ser feito em conjunto deverão ser avaliados e detalhados num plano estruturado. A comunidade afetada deverá ser considerada participante, e não beneficiária. Deverão ser coletadas informações de alta qualidade. Os acordos devem ser flexíveis e constantemente revisados. Os acordos legais muitas vezes são muito rígidos e não funcionam tão bem como acordos sociais. É necessário consenso para assegurar que haja um igual entendimento de ambos os lados sobre os possíveis riscos e benefícios. O envolvimento deve ser feito somente depois que um estudo minucioso tiver sido realizado. Promessas deverão ser feitas para que não se levantem expectativas sobre o que pode ser possivelmente fornecido. As empresas deverão assegurar que os grupos com quem elas estão se envolvendo têm capacidade de entender o acordo. Em alguns casos, os representantes dos grupos não são as pessoas apropriadas com quem se deve tratar. Entendimento e respeito mútuos são essenciais. O FPIC deverá ser abordado como um procedimento médico. A conseqüência de qualquer ação deve ser examinada por pessoas informadas. Isso nem sempre foi feito no passado. A questão empresarial de boas relações comunitárias é importante – obter boas relações comunitárias bem estabelecidas é necessário para se conseguir uma licença para operar e pode ajudar a acelerar o processo de instalação e funcionamento da mina, assim como ajuda as empresas a manterem funcionários que sejam pessoas boas que não queiram trabalhar para uma empresa que faz coisas erradas. 8.2 A Perspectiva Indígena Foi ressaltada a dificuldade de se encontrar um exemplo em que o FPIC tenha sido operacionalizado com sucesso. Na maioria dos casos, não houve um envolvimento nem uma consulta completa ou mesmo nominal. Os Povos Indígenas têm se envolvido no processo de consulta e em muitos casos têm sido “consultados até à morte”, embora na maioria dos casos suas vozes não tenham sido ouvidas. Por exemplo, na Austrália, embora a noção de “consentimento informado” tenha sido usada há alguns anos no discurso da posse nativa, as negociações feitas pelos Órgãos Representativos da Posse Nativa para se chegar a um acordo sobre o acesso às terras tradicionais e o seu desenvolvimento deixaram de se engajar nos verdadeiros princípios de ”consentimento livre, prévio e informado”. O Governo australiano anterior não votou a favor da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Há esperança de que as coisas sejam diferentes com o 22 novo Governo Trabalhista, embora caiba a organizações, como o Conselho da Posse Nativa, começar a pôr em prática os princípios contidos na Declaração, independente de ter sido ela ratificada pelo Governo ou não. Muitas negociações no passado entre as mineradoras e os Proprietários Tradicionais não foram feitas de modo que reflitam verdadeiramente os direitos e os interesses dos Povos Indígenas. O Conselho da Terra e Mar de Goldfields (GLSC) na Austrália realizou recentemente uma análise dos benefícios e das operações de 20 contratos que ele havia intermediado para tradicionais proprietários de terras na região de Goldfields. A principal mensagem dessa análise foi que a maioria dos contratos favorecia as mineradoras. Em geral, os contratos de Goldfields estavam voltados não tanto para os direitos das pessoas como para a possibilidade de conceder os direitos do projeto às mineradoras. Nos contratos analisados, havia cláusulas que estipulavam obrigações para os reclamantes de posse nativa, para que eles exercessem atividades ou atos específicos. Em alguns casos, havia obrigações que exigiam que os reclamantes de posse nativa aceitassem e concordassem com a aquisição compulsória pelo Governo de seus direitos à posse nativa. Embora os reclamantes da posse nativa tenham recebido certos pagamentos financeiros e outros benefícios, suas necessidades de longo prazo parecem secundárias à questão imediata de fazer uma mina entrar em produção. É necessária uma melhor abordagem para que os interesses de todas as partes recebam uma consideração equilibrada. A situação é variada em toda a Austrália, o que é um benefício em alguns locais onde os Conselhos da Terra podem implementar um processo definido de FPIC para contratos novos e inovadores para o benefício de longo prazo do povo local. Desde o endosso da Declaração das Nações Unidas, o GLSC deu início a um processo de promoção dos princípios estipulados no documento para assegurar que tanto os Proprietários Tradicionais como a comunidade como um todo fossem conscientizados de seus direitos. Cláusulas internacionais são a maneira de no futuro se fazer negócios com a terra aborígine, sendo que o desafio agora é assegurar que as empresas cumpram e ajam de boa-fé. Todavia, operacionalizar o FPIC não é uma tarefa fácil. Por exemplo, eventos recentes destacaram a incerteza do ambiente econômico global em que operamos. O FPIC está perto de refrear os excessos do passado injetando integridade na equação para que os resultados com os futuros contratos assegurem que ambas as partes obtenham uma parcela justa das recompensas, de acordo com sua própria definição daquilo que constitui benefícios e valor. Vários exemplos ilustram o que o GLSC considera expectativas razoáveis para os Tradicionais Proprietários na Austrália, inclusive na Política sobre Mineração, ”Nossa Terra é Nosso Futuro”. Os exemplos ilustram as metas estabelecidas em torno dos princípios do FPIC, porém elas só podem ser atingidas se ambas as partes conduzirem suas negociações dentro do verdadeiro espírito do FPIC. O desafio agora é como incentivar as empresas de mineração a aceitarem esses princípios e colocá-los em prática. Uma grande parte disso é fazer as empresas reconhecerem que os Tradicionais Proprietários estão habilitados a esses direitos, conforme estipula muitas declarações, tratados e cláusulas internacionais – os Povos Indígenas têm o direito de ser devida e totalmente envolvidos nas decisões que afetam suas terras. 23 8.3 Tópico IV: Discussões em Grupo Desafios da Operacionalização do FPIC Esta sessão dá aos participantes a oportunidade de consolidarem alguns dos desafios enfrentados pelas empresas e comunidades na operacionalização do FPIC. Em geral, concordou-se que, mesmo em países onde a operacionalização do FPIC foi relativamente bem-sucedida por causa do envolvimento do governo e a inclusão do FPIC na lei, ainda há problemas. Um participante mostrou como a Declaração das Nações Unidas incentiva as mineradoras a dispensarem uma atenção séria e sistemática aos sistemas legais Indígenas, uma vez que eles respaldam todo o conceito de FPIC. Um fato já mencionado que exclui o envolvimento de mulheres numa sociedade matrilinear foi um exemplo significativo do por que é importante levar em conta o sistema legal indígena. O acordo foi expresso conforme os requisitos básicos do FPIC. Isto é, esses direitos devem ser reconhecidos pelos governos nacionais, em particular a concessão da posse da terra quando as empresas procuram a garantia da posse. O Estado deve ter, então, o desejo e a capacidade de proteger e defender esses direitos. Os Povos Indígenas devem também ter a capacidade de reivindicar seus direitos. Foi mencionada a tensão entre as estruturas do Estado e os processos de consentimento dentro da comunidade. Às vezes, as estruturas do Estado podem ter seus próprios problemas com transparência, processos democráticos e direitos humanos. O apoio da comunidade afetada aos projetos também foi considerado essencial. Foi discutida a importância de se estabelecer normas e padrões internacionais para melhores práticas. Determinados países que ignoravam anteriormente as opiniões dos Povos Indígenas criaram espaço para estratégias consultivas. A questão agora é quais normas são necessárias para o exercício das atividades. Houve discussões em torno do como essa “norma” deve ser. A Declaração de Posição do ICMM descreve sua norma para seus membros, e a questão é até onde é necessária uma posição articulada mais detalhada. Os participantes concordaram que há espaço para a discussão constante das ferramentas e da aplicação prática das atuais normas, inclusive normas internacionais, em vez da necessidade de se criar uma nova norma. Considerou-se que a Mesa Redonda cria um espaço para compartilhamento e entendimento entre as perspectivas das empresas e dos Povos Indígenas e, por meio do trabalho do ICMM e da IUCN, as normas deverão ser eventualmente atualizadas. As seguintes áreas de incerteza continuaram a apresentar dificuldades: 1. Envolvimento da empresa-comunidade em situações nas quais as empresas assumiram compromissos com o FPIC, mas os governos não; 2. Quando as leis não dispõem sobre a proteção adequada dos direitos, podendo ser um obstáculo para o envolvimento o uso de uma abordagem ”baseada em direitos”; 3. Determinar quem dá o consentimento e reconhece quando ele foi atingido; 4. Assegurar que todas as opiniões da comunidade afetada sejam ouvidas mesmo que alguns possam não ter a capacidade de entender as informações apresentadas; e 24 5. A tensão entre o conceito ocidental de progresso social/econômico e culturas Indígenas que dão mais valor às formas tradicionais de vida. Modos práticos de se avançar [os números se correlacionam às dificuldades acima] Como possíveis soluções para as áreas de desafios indicadas acima, foram descritas as seguintes sugestões: 1. O envolvimento com as comunidades Indígenas e não-Indígenas deve ocorrer no início do planejamento de qualquer projeto de mineração e ser permanente daí em diante. As empresas têm obrigação de instruir as comunidades sobre seus direitos e quais estruturas jurídicas internacionais e nacionais estão em vigor no país. As empresas assumem a responsabilidade de proteger e apoiar os Direitos Indígenas mesmo se o governo não fizer isso. 2. Examinar os limites da lei de defesa contra o comportamento impróprio não deverá ser aceitável, devendo a indústria usar seus brandos poderes de persuasão para protestar contra o mau comportamento entre seus pares. 3. Se as comunidades forem mistas, então abordagens mistas devem ser aplicadas. É importante assegurar que somente as comunidades Indígenas estão envolvidas nas negociações de assuntos de seu interesse. Outros deverão ser incluídos no processo de consulta, mas somente quando houver assuntos que sejam comuns tanto a participantes Indígenas quanto a não Indígenas. Como há possibilidade de conflito entre os dois grupos, deve haver consultas e negociações cuidadosas. 4. As informações devem ser prestadas de uma forma culturalmente apropriada e transparente. Devem ser apresentados cenários de piores e melhores casos descrevendo todos os riscos econômicos, ambientais, sociais e culturais. 5. Existe tensão mesmo dentro das comunidades e entre gerações. Adotar um futuro diferente não significa necessariamente negar nem rejeitar o passado cultural. Muitos Povos Indígenas têm tomado medidas significativas para restaurar e fortalecer suas culturas tradicionais, inclusive a revitalização da fluência de sua língua como um componente essencial de sua identidade. Além disso, embora reconhecendo os desafios da operacionalização do FPIC, as seguintes sugestões foram colocadas durante a Mesa Redonda e apoiadas pela maioria dos participantes: Os contratos devem ser flexíveis, iterativos, monitorados e revistos constantemente com a total participação dos Povos Indígenas afetados, bem como com a contribuição de uma ampla variedade de interessados informados; Os benefícios estipulados em qualquer contrato devem ser examinados em termos de seu impacto sobre todas as partes envolvidas, devendo também passar por uma constante revisão à medida que a situação e/ou as necessidades de uma comunidade mudem; Eventos internacionais similares à Mesa Redonda deverão ser realizados em países e regiões para ”exportar o diálogo”. Isso irá promover um debate inteligente num nível em que as questões possam ser confortavelmente discutidas; A melhor prática deverá ser institucionalizada; As empresas devem ser capazes de demonstrar o consentimento da comunidade; Licenças sociais deverão ser tão abrangentes e inclusivas quanto possível para evitar que as pessoas sem direito formal à terra passem despercebidas; e Normas internacionais deverão ser aplicadas por meio de políticas corporativas – as empresas socialmente responsáveis precisam seguir as normas internacionais, bem como as nacionais. 25 9. Tópico V: Próximos passos para o diálogo O ICMM reiterou seu compromisso com a finalização de sua Declaração de Posição sobre as Questões da Mineração e dos Povos Indígenas para cumprir o compromisso de seus membros de prosseguir de uma maneira prática e tangível. Também nesse sentido, o ICMM observou que dar uma orientação concreta para ajudar a implementar os compromissos incorporados na Declaração de Posição seria uma prioridade. A IUCN lembrou aos participantes o exame do Diálogo e pediu que eles estudassem como deveriam ser as futuras discussões se o Diálogo no seu formato atual chegar ao fim. Os participantes reconheceram que a Mesa Redonda foi útil e manifestaram interesse em continuar com as discussões para dar uma constante clareza às questões-chave. Vários deles afirmaram como foi ”agradável e enriquecedor” fazer parte das discussões, particularmente ao refletirem sobre quanto o Diálogo havia progredido. Vários representantes Indígenas manifestaram seu desejo de usar a Mesa Redonda como um modelo que possa ser adaptado para discussões regionais. A possibilidade da continuação do Diálogo nessa base regional foi discutida como um meio de se examinar como o FPIC é usado nas diferentes partes do mundo. Embora alguns participantes tenham concordado que isso seria útil, outros ressaltaram os problemas globais de relevância e acharam que o atual foro internacional também é necessário. A impressão geral dos participantes foi de que outra Mesa Redonda era necessária dentro de dois anos, devendo o ICMM e a IUCN explorar como isso poderia ser realizado. Foi enfatizada a necessidade de aprender com o processo do Diálogo à medida que a formação da confiança for ocorrendo no decorrer do tempo. A importância de se continuar a conversa, mesmo se não houver nenhum ponto final imediato em vista, foi reiterada. Apesar dos grandes esforços para assegurar a participação dos governos, eles estiveram pouco representados. Isso foi lamentável, considerando o papel vital que os Estados desempenham com relação aos direitos dos Povos Indígenas. Foi mencionada a possibilidade de se obter a adesão dos governos através da sociedade com a IUCN. Nesse sentido, o próximo Congresso Mundial de Conservação da IUCN será realizado de 5 a 14 de outubro de 2008, em Barcelona, e consiste de um parlamento ambiental global incomparável de governos e ONGs. Parte da Assembléia das Empresas Associadas no Congresso dá à IUCN a oportunidade de propor, discutir e votar declarações sobre políticas (Resoluções e Recomendações), para tomar conhecimento específico de assuntos relacionados à conservação. Os membros que participam desse processo são capazes de submeter moções que poderão ser consideradas pela Sociedade durante todo o processo. Além disso, um workshop sobre mineração e Povos Indígenas será realizado no Foro Mundial de Conservação imediatamente antes da Assembléia das Empresas Associadas, que poderá dar a oportunidade para adicionais discussões de questões fundamentais. 26 10. Avaliação Geral Em resposta aos levantamentos transmitidos no último dia da Mesa Redonda, o feedback recebido foi muito positivo. Os resultados dos 15 levantamentos devolvidos estão resumidos na tabela abaixo 5 . Notas médias dos entrevistados Fonte de inspiração/estímulo para pensar nos problemas Mecanismo para prosseguir Arena para interagir/formar alianças e relacionamentos Organização/ logística Materiais secundários Saldo de apresentações Saldo de participação e envolvimento Teor do Programa Principal Impressão 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 1 = fraco 5 = excelente 5 Comentários adicionais não editados, incluídos pelos participantes nos formulários de avaliação, constam do Anexo IV. 27 Anexo I: Lista de Participantes Alicia ABANTO Diretora do Projeto Ouvidoria Peru E-mail: [email protected] Andrea ATHANAS (Grupo Consultivo da Mesa Redonda) Encarregada Sênior do Programa União Mundial de Conservação da Natureza (IUCN) Suíça E-mail: [email protected] Stan BATEY Assessor Sênior Freeport-McMoRan Copper & Gold Inc. EUA E-mail: [email protected] Techa BEAUMONT Diretor Executivo Instituto de Políticas Minerais E-mail: [email protected] Sarimin BOENGKIH Diretor Executivo Agence Kanak de Developpement Nova Caledônia E-mail: [email protected] Andrea CARMEN (Grupo Consultivo da Mesa Redonda) Diretora Executiva Conselho Internacional de Tratados Indígenas Alaska E-mail: [email protected] Christine CHARLES Diretora Regional Conselho de Minerais da Austrália Austrália E-mail: [email protected] Carlos CHEX Vice-Presidente e Coordenador do Programa Asociacion Sotz`íl Guatemala E-mail: [email protected] Glynn COCHRANE Assessor Sênior de Relações Comunitárias Rio Tinto Reino Unido E-mail: [email protected] 28 Aidan DAVY (Grupo Consultivo da Mesa Redonda) Diretor de Programa Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM) Reino Unido E-mail: [email protected] Mick DODSON (Presidência) Diretor Universidade Nacional da Austrália, Instituto Australiano de Estudos dos Aborígines e dos Ilhéus de Torres Strait Austrália E-mail: [email protected] Pauliina FEODOROFF Membro Permanente Saami Council Finlândia E-mail: [email protected] Paul HOLLESEN Gerente de Relações Comunitárias e Desenvolvimento Social AngloGold Ashanti África do Sul E-mail: [email protected] Mitchell HOOKE Presidente Conselho de Minerais da Austrália Austrália E-mail: [email protected] Scott KLINGER Diretor de Envolvimento Corporativo First Peoples Worldwide EUA E-mail: [email protected] Helen LEAKE Assessora de Políticas Programa dos Povos das Florestas Reino Unido E-mail: [email protected] Helen MACDONALD (Grupo Consultivo da Mesa Redonda) Diretora de Relações Comunitárias e Desenvolvimento Social Newmont Mining EUA E-mail: [email protected] Ruth MAETALA Diretora TLM Training and Women's Development Solutions Ilhas Salomão E-mail: [email protected] 29 Lucy MULENKEI Diretora Executiva Rede Indígena de Informações (IIN) Quênia E-mail: [email protected], [email protected] David ROSS Diretor Conselho Central de Terras, Território Norte Austrália E-mail: [email protected] Peter RUSH Líder de Prática Global de Assuntos Indígenas BHP Billiton Austrália E-mail: [email protected] Jodie RYAN (Facilitador) Diretor Ingenuity – SED Consulting Austrália E-mail: [email protected] Anita TZEC Coordenadora de Projetos Instituto Maya de Belize Belize E-mail: [email protected] Saul VICENTE Conselho Internacional de Tratados Indígenas México E-mail: [email protected] Claire WHITE Encarregada do Programa Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM) Reino Unido E-mail: [email protected] Mike WILLIAMS Presidente Conselho Intertribal do Alasca do Congresso Nacional de Índios Americanos do Alasca Alasca E-mail: [email protected] Brian WYATT Diretor Executivo Conselho Nacional da Posse Nativa, Conselho de Terras de Goldfields Austrália E-mail: [email protected] Justificações 30 Francisco CALI Fundador e Coordenador Programa de Direitos Indígenas do Centro de Ação Legal dos Direitos Humanos Guatemala E-mail: [email protected] Ronald LAMEMAN Membro da Diretoria do IITC Confederação das 6 Primeiras Nações do Tratado Canadá E-mail: [email protected] Aroha Te Pareake MEAD (Grupo Consultivo) Conselheiro da IUCN Nova Zelândia E-mail: [email protected] 31 Anexo II: Exemplos de Países incluídos nas Discussões Alasca Austrália Belize Bolívia Finlândia Indonésia México Nova Caledônia Nova Zelândia Papua Nova Guiné Peru Filipinas Ilhas Salomão Tanzânia Estados Unidos Zimbábue 32 Anexo III: Expectativas dos Participantes no início da reunião • Compartilhar esperanças na reunião conforme estipulado na “finalidade e abrangência do workshop” fornecido aos participantes. • Explorar as questões práticas de implementação e saber como podemos manter vivo o diálogo entre a indústria e os grupos interessados após a Mesa Redonda. • Dar orientação sobre o caminho a seguir nas negociações com as populações vulneráveis. Qual é o melhor caminho a seguir no envolvimento e nas melhores práticas de consulta no qual a mineração pode trazer benefícios. • Discutir a situação de um Povo Indígena num território sem governo próprio, onde nem a legislação nacional sobre os direitos dos Povos Indígenas nem a lei da mineração foram adotadas e conseqüentemente deixam as portas escancaradas para as mineradoras violarem a lei Indígena e esquecerem sua ética. • Buscar ações da IUCN e do ICMM para fazer as mineradoras negociarem com as instituições/órgãos específicos dos Povos Indígenas e pedir poderes para a administração de territórios sem governo próprio para cumprir sua obrigação de consultar os Povos Indígenas e reconhecer seus direitos de participar. • Requerer poderes administrativos para tomar medidas apropriadas para adoção, nos territórios que eles administram, de toda a legislação apropriada sobre mineração que inclua também normas de lei consuetudinária internacional e normas da lei Indígena tradicional. • Convidar o Representante Especial das Nações Unidas para examinar a situação dos direitos humanos e das liberdades fundamentais dos Povos Indígenas, visitar os Povos Indígenas que são afetados pela mineração na Nova Caledônia e em qualquer outro país/território onde os direitos Indígenas são violados e as leis dos Povos Indígenas são transgredidas. • Assimilar e compartilhar experiências sobre as possibilidades de a indústria de mineração criar normas para abordagens culturalmente sensíveis/apropriadas para as comunidades Indígenas e para o verdadeiro diálogo. • Normas para garantir que uma comunidade Indígena tenha capacidade de chegar ao FPIC e como participar de discussões referentes a compensações por danos não mensuráveis. • Conhecer possíveis processos em que um contrato entre uma comunidade Indígena e uma mineradora tenha sido renegociado depois que a conscientização dos direitos indígenas aumentou. • Promover estratégias para o envolvimento significativo dos Povos Indígenas nos papéis de administração de projetos em suas terras, tanto projetos de desenvolvimento industrial como projetos de conservação. • Aumentar o entendimento de Consentimento Livre, Prévio e Informado para aprofundar nossa resposta à pergunta “antes de quê?”, para que a contribuição dos Povos Indígenas possa ser incorporada cedo na elaboração e na abrangência do projeto quando o planejamento ainda estiver flexível. 33 • Promover estratégias para as empresas apoiarem a autodeterminação dos Povos Indígenas, incluindo as questões da posse e gestão da terra, usando o capital político das empresas para apoiar os objetivos dos Povos Indígenas dentro de uma sociedade mais ampla. • Obter um maior entendimento das oportunidades e dos benefícios que as empresas podem proporcionar às comunidades Indígenas, especialmente no contexto de desenvolvimento sustentável. • Entender os pontos de diferença entre empresas de recursos e comunidades Indígenas e as formas como eles podem ser administrados em benefício de todos. • Explorar a possibilidade de estabelecer um processo de diálogo permanente, quer em nível internacional, regional ou nacional. • Obter algumas medidas obrigatórias de consulta com as tribos afetadas pelo desenvolvimento industrial (petróleo, gás, mineração, recursos renováveis etc.) no Alasca. • As Avaliações de Impactos sobre a Saúde deverão ser obrigatórias por causa dos impactos do desenvolvimento. • Os efeitos mentais, sociais, espirituais e emocionais deverão ser examinados para evitar os efeitos negativos do desenvolvimento. • Os efeitos sobre habitação, impactos sobre a saúde e ambientais que estão faltando no Alasca no momento. 34 Anexo IV: Avaliação Não Editadas dos Participantes Comentários Adicionais • É necessário mais tempo para trabalhar os problemas • Manter a rede viva, examinar formas inovadoras de envolver os governos e transmitir as questões levantadas • Passo significativo e amostra de boa-fé de ambos os lados para examinar soluções para as questões sobre mineração e PIs • Foco sobre como expor as preocupações a terceiros ou ao governo • Programa bem organizado, impressivo e rico • Assegurar que os PIs financiados tenham capacidade financeira de financiar coisas abertamente (táxis) • Grande arena para entendimento mútuo, grande volume de discussão no curto prazo • Início/término mais cedo • Mais representação de ONGs • Grandes oradores e necessidade de continuar o diálogo para sempre • 3º dia necessário para consolidar o caminho a seguir e considerar o programa de trabalho • Importante não apenas examinar meios de melhorar nosso diálogo, mas também discutir confortavelmente os problemas • Satisfeito de ver o FPIC na agenda de discussão; deveria criar uma agenda para o diálogo permanente com esperança de adoção desses princípios • Grato pela oportunidade de participar, especificamente pelas relações formadas com pessoas de várias raízes de todo o globo • No primeiro dia, as opiniões corporativas abafaram as opiniões do PI; foi melhor no segundo dia Sugestões para os próximos passos • Manter o acompanhamento no ano seguinte • Usar a participação para exame da orientação de boa prática • Apresentar resultados aos governos dos países de origem e a agências de RH ou de RH de PI para que os acordos e iniciativas de diálogo sejam conhecidos e não isolados • Manter iniciativas de diálogo regional • Ampliar a participação de PIs • Continuar com os processos de monitoramento • Começar a criar rede e banco de dados para discussões, informações sobre compartilhamento de benefícios sociais no nível comunitário para um requisito de benefício padrão ser apresentado às empresas – isso deve ser incorporado às políticas que regem as operações de mineração no mundo inteiro em terra Indígena • A retenção de princípios e costumes tradicionais práticos deve ser incorporada às políticas industriais • Encontrar uma abordagem nova e melhor para consulta e envolvimento de comunidades, governo e empresas • Necessidade de retirar a terminologia do FPIC da mesa e obter um maior entendimento que leve a acordos importantes • Implementar uma política internacional sobre mineração e dar informações a empresas multinacionais • Necessidade de reunião adicional mais cedo do que a última reunião para aproveitar os trabalhos em vez de recomeçar – ela construiria uma rede mais forte • Incentivar este processo para continuar com algumas metas para aceitação universal do FPIC no setor de mineração • Aperfeiçoar a política do ICMM e a política da empresa e garantir áreas de discussão, particularmente conhecimento; necessidade de os PIs articularem indicadores culturais que os beneficiem 35 • Ampliar a conversação e tópicos, especialmente em torno de questões de conciliação, tópicos de desenvolvimento social/área de mineração, necessidade de agora ir além desse “coro” 36 Anexo V: Agenda Primeiro Dia: Horário Título/objetivos da Sessão Formato Boas-Vindas, Apresentações e Visão Geral [Presidente: Mick Dodson] 8h45 – 9h00 Bem-vindos ao País 9h00 – 9h10 Boas-Vindas do Conselho de Minerais da Austrália 9h10 – 9h20 9h20 – 10h20 10h20 – 10h30 Por Que Estamos Aqui? Histórico do diálogo e do mandato para convocar esta reunião; o que é e o que não é. Apresentações dos Participantes Breve apresentação às pessoas e organizações Exame da Agenda e dos Objetivos da Mesa Redonda com enfoque na implementação Ancião do Clã Gadigal da Nação Eora Apresentação Apresentação Todos [A presidência deve fornecer resumo das respostas escritas às expectativas dos participantes da Mesa Redonda] Presidência deve dirigir 10h30 – 10h45 Intervalo Tópico I: Visão Geral sobre a Evolução e Experiências do FPIC desde a última Mesa Redonda 10h45 – 11h15 Perspectivas Indígenas e das empresas sobre o contexto de desenvolvimento do FPIC Apresentações A perspectiva Indígena A perspectiva corporativa 11h15 – 12h30 Divisão em grupos menores de discussão Facilitadores Intervalo para Almoço: 12h30 – 13h30 13h30 – 15h00 Apresentação de relatório dos pequenos grupos e discussão geral Representantes indicados para dar feedback. A presidência preside a 37 discussão 15h00 – 15h15 Intervalo Tópico II: Consulta, Envolvimento e o Significado de Amplo Apoio Comunitário 15h15 –15h45 Perspectivas Indígenas e corporativas sobre consulta, envolvimento e o significado de Amplo Apoio Comunitário A perspectiva Indígena Apresentações A perspectiva da mineradora (Ambas ilustradas por estudos de caso que abordam desafios da implementação etc.) 15h45 – 16h45 Divisão em pequenos grupos de discussão Facilitadores 16h45 – 17h30 Apresentação de relatório dos pequenos grupos e discussão geral Representantes indicados para dar feedback. A presidência preside a discussão 17h30 – 17h45 Comentários finais Presidência Segundo Dia: Horário Título/objetivos da Sessão Formato/colaboradores Boas-Vindas e Resumo do Primeiro Dia 9h15 – 9h30 Novas boas-vindas e exame do programa do dia Presidência Tópico III: Geração de Benefícios Sociais Líquidos 9h30 – 10h00 Perspectivas sobre como devem ser os benefícios sociais líquidos e como podem ser medidos A perspectiva Indígena Apresentações A perspectiva da mineradora (Ambas ilustradas por estudos de caso que abordam desafios da implementação etc.) 10h00 – 10h30 Divisão em pequenos grupos de discussão Facilitadores 38 10h30 – 11h00 Intervalo dos Trabalhos 11h00 – 12h00 Apresentação de relatório dos pequenos grupos e discussão geral Representantes indicados para dar feedback. A presidência preside a discussão Almoço: 12h00 – 13h00 Tópico IV: Os Desafios da Operacionalização do FPIC 13h00 –13h30 Perspectivas sobre onde o FPIC foi operacionalizado com sucesso e as lições assimiladas A perspectiva Indígena Apresentações A perspectiva corporativa (Ambas ilustradas por estudos de casos que abordam desafios de implementação etc.) 13h30 – 14h30 Divisão em pequenos grupos de discussão Facilitadores 14h30 –14h45 Intervalo 14h45 – 15h45 Apresentação de relatório dos pequenos grupos e discussão geral Representantes indicados para dar feedback. A presidência preside a discussão Tópico V: Próximos passos para o diálogo 15h45 – 16h30 E depois: possíveis opções para continuação do diálogo (assunto, foro etc.?) A presidência deve presidir 16h30 – 17h00 Comentários finais do ICMM, da IUCN e da presidência Apresentações Este relatório foi elaborado sob a direção e responsabilidade geral do presidente da Mesa Redonda, Mick Dodson. Agradecimentos especiais vão para Claire White que desempenhou um papel fundamental na elaboração deste relatório sob a direção de Aidan Davy. Os participantes foram convidados a comentar sobre as minutas anteriores, estando seus comentários amplamente refletidos na versão final. 39