I Oficina Macrorregional de Hemovigilância: do doador ao receptor São Paulo, 13 e 14 de maio de 2015 I Oficina Macrorregional de Hemovigilância: do doador ao receptor - São Paulo, maio 2015 Hemovigilância do doador Tema apresentado por: César de Almeida Neto -Membro da Comissão Permanente de Hemovigilância - Anvisa -Fundação Pró-Sangue -Título, cargo e outros I Oficina Macrorregional de Hemovigilância: do doador ao receptor - São Paulo, maio 2015 A doação é um ato seguro, mas... A doação é um ato seguro, mas... ... é preciso cuidar de quem se doa!! Taxa de doação de sangue por mil habitantes Brasil 2011 a 2013 21 19,00 18,75 18 17,84 15 12 9 6 2011 2012 2013 Fonte: Ministério da Saúde/SAS, Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS); Associação Brasileira de Bancos de Sangue (ABBS); e IBGE – Base Demográfica - Projeção Intercensitária. Nota: Quantidade Apresentada. Cenário - Doação de sangue Taxa de Doação de Sangue por mil habitantes, por região, Brasil, 2013 Região Geográfica Região Centro Oeste Região Nordeste Região Norte Região Sudeste Região Sul Total Coleta População/IBGE Taxa 382.939 14.993.191 25,54 869.439 55.794.707 15,58 245.782 1.431.673 656.690 3.586.523 16.983.484 84.465.570 28.795.762 201.032.714 14,47 16,95 22,81 17,84 Fonte: Ministério da Saúde/SAS, Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS), Associação Brasileira de Bancos de Sangue (ABBS) e IBGE – Base Demográfica - Projeção Intercensitária Nota: Quantidade Apresentada. • * Literatura científica sobre reações à doação Portaria MS nº 2712/2013 • Art. 17. O serviço de hemoterapia implementará programas destinados a minimizar os riscos para a saúde e garantir a segurança dos receptores, dos doadores e dos seus funcionários. Portaria MS nº 2712/2013 • Art. 35. Como critério para a seleção dos doadores, no dia da doação o profissional de saúde de nível superior, qualificado, capacitado, conhecedor das regras previstas nesta Portaria e sob supervisão médica, avaliará os antecedentes e o estado atual do candidato a doador para determinar se a coleta pode ser realizada sem causar prejuízo ao doador e se a transfusão dos componentes sanguíneos preparados a partir dessa doação pode vir a causar risco para os receptores. Hemovigilância Conjunto de procedimentos de vigilância que abrange todo o ciclo do sangue, com o objetivo de obter e disponibilizar informações sobre eventos adversos ocorridos nas suas diferentes etapas, para prevenir seu aparecimento ou recorrência, melhorar a qualidade dos processos e produtos e aumentar a segurança do doador e receptor. RDC 34/2014 RDC/Anvisa nº 34 / 2014 Art. 35. Durante o horário de coleta, o serviço de hemoterapia deve garantir a assistência médica, devidamente formalizada, para atuar em caso de eventos adversos à doação. Parágrafo único. O serviço de hemoterapia deve ter procedimentos escritos para detecção, registro, comunicação e notificação dos eventos adversos à doação. RDC/Anvisa nº 34 / 2014 Art. 36. O serviço de hemoterapia deve manter registros detalhados de qualquer intercorrência relacionada à doação, incluindo coletas interrompidas, desistência de doadores e eventos adversos. IN 01/2015 Instrução Normativa nº 01/2015 Art. 4º Toda reação adversa grave e óbito atribuídos à doação devem ser comunicados, investigados, ter ações corretivas e preventivas executadas e devem ser notificados ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, pelo serviço onde ocorreu, conforme descrito no "Marco conceitual e operacional da hemovigilância: guia para a hemovigilância no Brasil". Instrução Normativa nº 01/2015 • § 1° A comunicação do óbito atribuído à reação adversa à doação deve ser feita ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, pelo serviço onde ocorreu a doação, dentro das primeiras 24 horas da ocorrência do óbito. • § 2º A notificação do óbito atribuído à reação adversa à doação deve ser feita dentro das primeiras 72 horas da ocorrência, ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, pelo serviço onde ocorreu a doação • § 3º A notificação da reação grave à doação, deve ser feita, pelo serviço onde ocorreu, ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, até o 15º dia útil do mês subsequente à identificação do evento Guia: como fazer Marco Conceitual – base teórica principal • ISBT. Working Group on Donor Vigilance of the International Society of Blood Transfusion Working Party on Haemovigilance in collaboration with International Haemovigilance Network. Standard for Surveillance of Complications Related to Blood Donation. • ISBT. Definições para a vigilância de complicações relacionadas com a dádiva de sangue. • NEWMAN, B.H ET AL. Adverse effects in blood donors after whole-blood donation: a study of 1000 blood donors interviewed 3 weeks after blood donation. Transfusion. • CDC. Centers for Disease Control and Prevention. National Healthcare Safety Network. Biovigilance Component - Hemovigilance Module Surveillance Protocol. Marco Conceitual – Hemovigilância do doador • Classificação das reações à doação – – – – tempo de ocorrência gravidade Correlação com a doação Locais e sistêmicas • Tipos de reações • Prazos para registro, comunicação e notificação Tempo de ocorrência • Reação Imediata – Ocorre antes o doador deixar o serviço de hemoterapia • Reação tardia – Ocorre após o doador deixar o serviço de hemoterapia Gravidade Classificação Descrição Grau 1 - Leve Quando há sinal/sintoma local, sem dor que impeça o doador de exercer suas atividades habituais ou que persista por até duas semanas; ou reações sistêmicas com sintomas subjetivos com recuperação rápida (menos de 30 minutos), como tontura, náusea, desconforto, palidez. Grau 2 Moderada - Quando há sintoma local que impeça o doador de exercer suas atividades habituais ou que persista por mais de duas semanas; ou reações sistêmicas com sintomas objetivos, como perda de consciência, hipotensão arterial com necessidade de reposição volêmica e tetania. Grau 3 – Grave Quando há necessidade de hospitalização*, em virtude da reação, ou necessidade de intervenção para impedir danos permanentes, incapacidade de uma função do corpo ou evitar a morte; ou quando há presença de sintomas que persistirem por mais de um ano após a doação (morbidade de longa duração). Grau 4 – Óbito Óbito atribuído às reações adversas à doação. Correlação / Imputabilidade entre a doação e a reação Correlação Confirmada Provável Possível Improvável Descrição Evidências claras, sem qualquer dúvida, da correlação com a doação. Apresenta evidências que indicam a correlação com a doação, mas há dúvidas para sua confirmação. Apresenta evidências que indicam a correlação dos sinais e sintomas a outras causas, mas a correlação com a doação não pode ser descartada. Apresenta evidências que indicam a correlação do evento adverso a outra(s) causa(s), mas há dúvidas para sua exclusão. Inconclusiva Quando a investigação já concluída não encontrou evidências suficientes para confirmar ou descartar a correlação com a doação. Descartada* Quando a investigação já concluída apresenta evidências que indicam claramente a correlação do evento adverso a outra(s) causa(s) e não à doação. Reações à Doação de Sangue Total 1. Reações Locais Extravasamento sanguíneo Hematoma Punção arterial Sangramento pós-doação Dor Irritação do nervo Lesão do nervo Lesão do tendão Braço doloroso Outros com sintoma local Tromboflebite Alergia 2. Reações sistêmicas Reação vaso-vagal Hipovolemia Fadiga Reações à Doação por Aférese 1. As mesmas da doação de sangue total 2. Exclusivas deste procedimento Toxicidade do citrato (anticoagulante) Alergia sistêmica Embolia gasosa 3. Relacionadas à mobilização celular do doador Sinais e sintomas do G-CSF Sinas e sintomas do uso do corticoesteróide 4. Relacionadas ao hemossedimentante (hidroxietilamido, para a coleta e granulócitos) Reações à Doação de CPH 1. CPH-SP Relacionadas à mobilização celular pelo G-CSF • Relacionadas ao acesso venoso - Periférico: as mesmas da doação de sangue total - Central: Reação sistêmica (vaso-vagal, hipovolemia, fadiga) Infecção Trombose Embolia Pneumotórax Hemotórax Outras hemorragias Outras reações Relacionadas a coleta por aférese (vide doação por aférese) 2. CPH-MO Procedimento anestésico Procedimento cirúrgico Ações Ações O que Registrar Todos os eventos Comunicar Notificar Óbito atribuído às reações adversas Reação grave à doação Óbito atribuído às reações adversas A quem Registros internos • Autoridade sanitária • Fornecedores insumos processo Quando Quando detectado 24 horas dos envolvidos no Sistema Nacional de Vigilância Sanitária - SNVS Óbito: 72 horas Reação grave: até 15º dia útil do mês subsequente Como Definido internamente Fax, telefone, meio eletrônico. Ficha específica, no informatizado do SNVS. sistema Correlação / Imputabilidade das Reações Doação CONFIRMADA PROVAVEL POSSÍVEL ? Inconclusiva IMPROVÁVEL DESCARTADA Outras causas ? Reação grave à doação ou óbito atribuído à reação (sangue total, aférese, CPH). Sim Descartada ? Se há produtos para a saúde, medicamentos ou outros produtos envolvidos, notificar na ficha específica do produtomotivo do sistema informatizado da vigilância sanitária. Não No caso de óbito, comunicar à autoridade sanitária e fornecedores de insumos (se aplicável) em até 24 h Manter registros internos. Notificar ao SNVS em até 72 horas, no caso de óbito, e até o 15º dia útil nos demais casos. Manter registros internos à disposição da Visa. Onde notificar reações à doação para o SNVS? • Formulário do FormSUS sendo testado no momento • Em curto prazo o FormSUS estará disponível no site da Anvisa • Em médio a longo prazo: formulário específico no Notivisa Benchmarking Quando poderemos fazer “Benchmarking” em relação à hemovigilância do doador? EUA – Associação Americana de Bancos de Sangue EUA França - ANSM França - Efeitos indesejáveis graves http://www.ihn-org.com/ Rede internacional Sobre o ISTARE • ISTARE = International Surveillance of Transfusion-Associated Reactions and Events • Its purpose is to record national haemovigilance data using common definitions. This allows international comparisons, information sharing and benchmarking. • It aims to capture all adverse reactions and incidents (events) in recipients of blood and blood products that can certainly, probably or possibly be imputed to blood transfusion. It also records adverse events in blood donors. • It is important to note that ISTARE is not limited to serious events that represent only “the tip of the iceberg”. It also aims to capture less serious events and even “near misses”. Donor Complications – ISTARE, 2006-2013 Donor complications by Severity – ISTARE, 2006-2013 Donor complications Whole Blood – ISTARE, 2006-2013 Donor complications Aphaeresis – ISTARE, 2006-2013 O sangue seguro deve ser uma preocupação constante O sangue seguro deve ser uma preocupação constante A segurança do doador é primordial Grato pela atenção! Gerência de Monitoramento do Risco GEMOR/GGMON/SUCOM/Anvisa [email protected]