Protocolo para Prevenção de Acidentes de Trabalho em Saúde Pública1
Protocol for the prevention of occupational accidents in public health.
Protocolo para la prevención de accidentes de trabajo en la salud pública.
Souza Ana Maria, Monte Aparecida Cruz, Pires Leliane Maria2, Brasileiro Marislei Espíndula3.
Protocolo para prevenção de acidentes de trabalho em saúde pública. Revista Eletrônica de
Enfermagem do Centro de Estudos de Enfermagem e Nutrição [serial on-line] 2012 jan-jul
1(1) 1-16. Available from: http://www.ceen.com.br/revistaeletronica .
Resumo
Objetivos: buscar evidências científicas na literatura sobre os riscos ocupacionais a que
estão expostos os trabalhadores que atuam na saúde pública e propor um protocolo para
prevenção de acidentes de trabalho em unidade estratégia de saúde da Família. Materiais e
Método: trata-se de um estudo do tipo bibliográfico, descritivo exploratório, com análise
integrativa, sistematizada e qualitativa, da literatura disponível em bibliotecas convencionais e
virtuais, entre elas Bireme, LILACS, Scielo. Resultados: Os trabalhadores de enfermagem
estão expostos a uma diversidade de cargas de trabalho o que leva a um processo de
desgaste, alguns estudos demonstram que os acidentes de trabalho também ocorrem com
maior frequência naqueles profissionais que mantém um contato direto com o paciente.
Conclusão: Os profissionais de enfermagem que atuam nas áreas de saúde pública estão
constantemente expostos a risco de acidentes de trabalho, considera-se, portanto de suma
importância o diagnóstico dos riscos ocupacionais para o planejamento de medidas
preventivas, visando à promoção da saúde dos trabalhadores nessa área.
Descritores: Enfermagem, Saúde da Familia ,Acidente do trabalho, Prevenção.
Objectives: scientific evidence in the literature on occupational hazards to which workers are
exposed to working in public health and propose a protocol for prevention of accidents at
work in unity of the Family Health Strategy. Materials and Methods: This is a bibliographical
study, descriptive exploratory, integrative analysis, systematic and qualitative literature
available in conventional and virtual libraries, including BIREME, LILACS, SciELO. Results:
The nursing workers are exposed to a variety of workloads which leads to a process of
attrition, some studies show that accidents occur more frequently in those professionals who
maintains direct contact with the patient. Conclusion: Nurses working in the fields of public
1
Artigo apresentado ao Curso de Pós-Graduação em Enfermagem em Enfermagem do Trabalho 13ª, do Centro de
Estudos de Enfermagem e Nutrição/Pontifícia Universidade Católica de Goiás.
2
Enfermeiras, especialistas em Enfermagem do Trabalho, e-mail: [email protected],
[email protected], [email protected].
3
Doutora – PUC-Go, Doutora em Ciências da Saúde – UFG, Mestre em Enfermagem, docente do CEEN, e-mail:
[email protected]
2
health are constantly exposed to the risk of accidents at work, it is therefore of utmost
importance the diagnosis of occupational hazards for the planning of preventive measures
aimed at promoting the health of workers in this area.
Keywords: Nursing, Family Health, Work Accident, Prevention.
Objetivos: la evidencia científica en la literatura sobre los riesgos ocupacionales a los que
están expuestos los trabajadores a trabajar en la salud pública y proponer un protocolo de
prevención de accidentes en el trabajo en la unidad de la Estrategia de Salud de la Familia.
Materiales y Métodos: Se trata de un estudio bibliográfico, análisis exploratorio descriptivo,
integradora,
sistemática
de
la
literatura
y
cualitativa
disponible
en
las
bibliotecas
convencionales y virtuales, incluyendo BIREME, LILACS, SciELO. Resultados: Los trabajadores
de enfermería están expuestos a una variedad de cargas de trabajo que lleva a un proceso de
desgaste, algunos estudios muestran que los accidentes ocurren con mayor frecuencia en
aquellos profesionales que mantiene un contacto directo con el paciente. Conclusión: Las
enfermeras que trabajan en los campos de la salud pública están constantemente expuestos
a los riesgos de accidentes en el trabajo, por lo que es de suma importancia el diagnóstico de
los riesgos profesionales para la planificación de medidas preventivas destinadas a la
promoción de la salud de los trabajadores en este área.
Palabras clave: Enfermería, Salud Familiar, Accidentes de Trabajo, Prevención
1 Introdução
Os trabalhadores da área da saúde estão expostos a diferentes riscos ocupacionais:
físico, ergonômico, químico, biológico e psicossocial, cuja importância está relacionada à
categoria profissional e à área de atuação.
Nesse sentido, o interesse em propor um protocolo em prevenção de acidentes de
trabalho em saúde pública surgiu devido à carência de estudos voltados para essa área.
Saúde pública é a ciência e a arte de evitar doenças, prolongar a vida e desenvolver a
saúde física e mental e a eficiência, através de esforços organizados da comunidade para o
saneamento do meio ambiente, o controle de infecções na comunidade, a organização de
serviços médicos e para-médicos para o diagnóstico precoce e o tratamento preventivo de
doenças, e o aperfeiçoamento da máquina social que irá assegurar a cada indivíduo, dentro da
comunidade, um padrão de vida adequado à manutenção da saúde¹.
Reconhecem-se hoje, dentro do campo da saúde pública, objetivos cada vez mais
específicos, relacionados aos fatores que dizem respeito aos ambientes, biológico, físico e
3
social e as maneiras pelas quais eles poderiam representar riscos, traduzíveis em ameaças à
saúde e à qualidade de vida 2.
Protocolos são considerados importantes instrumentos para o enfrentamento de diversos
problemas na assistência e na gestão dos serviços. Orientados por diretrizes de natureza
técnica, organizacional e política, têm, como fundamentação, estudos validados pelos
pressupostos das evidências científicas ³.
De forma mais sintética, protocolos são as rotinas dos cuidados e das ações de gestão de
um determinado serviço, equipe ou departamento, elaboradas a partir do conhecimento
científico atual, respaldados em evidências científicas, por profissionais experientes e
especialistas em uma área e que servem para orientar fluxos, condutas e procedimentos
clínicos dos trabalhadores dos serviços de saúde ³.
O Ministério da Saúde afirma que, os protocolos são recomendações desenvolvidas
sistematicamente para auxiliar no manejo de um problema de saúde, numa circunstância
clínica específica, preferencialmente baseada na melhor informação científica. Esses protocolos
são importantes ferramentas para atualização na área da saúde e utilizados para reduzir
variação inapropriada na prática clínica. Cada protocolo clínico deve ser delineado para ser
utilizado tanto no nível ambulatorial como hospitalar 4.
O mesmo raciocínio pode ser adotado quando se pensa no emprego de protocolos no
campo da atenção primária, onde se situam as unidades básicas de saúde. De acordo com os
autores, os protocolos propiciam processos ricos em aprendizagem organizacional e, como
prescrevem racionalmente os melhores recursos a serem utilizados, são a garantia da maior
probabilidade de resultados assistenciais almejados³.
Assim, os protocolos podem ser instrumentos muito úteis na organização do processo de
trabalho e na resolubilidade das ações de saúde no âmbito das unidades de saúde. Porém, é
importante lembrar que, embora útil e necessário, o emprego de protocolos apresenta limites,
pois pode restringir-se a atos e procedimentos preestabelecidos e não responder às reais
demandas clínicas em diferentes situações. Uma dessas situações pode ser o acidente do
trabalho ³.
Entende-se por acidentes de trabalho eventos bem configurados no tempo e no espaço
cujas consequências, imediatas em grande parte dos casos, permitem estabelecer o nexo
causal com o trabalho5.
Já o Ministério da Previdência e Assistência Social define como acidente de trabalho o
ocorrido durante exercício do trabalho ou no trajeto a serviço da empresa, o qual provoca
4
lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda ou a redução, permanente
ou temporária, da capacidade para o trabalho 6.
Os profissionais de saúde, inclusive os de saúde pública, estão constantemente sob risco
de sofrer acidentes ocupacionais através de exposição aos diferentes agentes veiculados pelo
sangue e outros fluidos orgânicos 7.
O ambiente de trabalho hospitalar é considerado uma grande área de risco de acidentes,
sejam eles causados por agentes biológicos, químicos, físicos, psicossociais ou decorrentes da
organização do trabalho 7.
Cerca de 1,3 milhões de pessoas morrem anualmente em todo o mundo decorrente de
acidentes de trabalho e acometido por doenças de origem ocupacional, segundo a Organização
Internacional do Trabalho (OIT) 8.
Os Centers for Diseases Control and Prevention (CDC), nos EUA, estimam que
anualmente ocorram aproximadamente 385.000 acidentes com materiais perfurocortantes
envolvendo trabalhadores da saúde que atuam em hospitais. Exposições semelhantes também
ocorrem em outros serviços de assistência à saúde, como instituições de longa permanência
para idosos, clínicas de atendimento ambulatorial, serviços de atendimento domiciliar (home
care), serviços de atendimento de emergência e consultórios particulares.
Os acidentes percutâneos com
exposição a material biológico estão associados
principalmente com a transmissão do vírus da hepatite B (HBV), do vírus da hepatite C (HCV)
e do vírus da imunodeficiência humana (HIV), mas também podem estar envolvidos na
transmissão de outras dezenas de patógenos 9.
Estimativas indicam que se têm dez acidentes de trabalho potenciais por empregado/ano
no Brasil. Esse cenário justifica a investigação na busca da compreensão de como e por que os
acidentes acontecem 8.
As razões para explicar o elevado número de ocorrências dos acidentes são as mais
diversas, envolvendo falhas nos projetos dos sistemas de trabalho, dos equipamentos, das
ferramentas, deficiências nos processos de manutenção dos diversos elementos componentes
do trabalho e ocupando lugar de destaque como causa dos acidentes de trabalho, encontra-se
o fator humano, compreendendo características psicossociais do trabalhador, atitudes
negativas para com as atividades prevencionista, entre outras 8.
Na legislação previdenciária brasileira, os acidentes de trabalho compreendem as lesões,
as doenças profissionais, as doenças do trabalho e os acidentes de trajeto, além de outras
situações previstas na legislação 8.
5
O trabalho dos profissionais nas unidades de saúde pública está envolto em vários
fatores de risco ocupacional, que podem ocasionar danos à saúde dos trabalhadores e,
consequentemente, interferir na qualidade de assistência prestada aos usuários. Nesse mesmo
sentindo considera-se de suma importância o diagnóstico dos riscos ocupacionais para o
planejamento de medidas preventivas, visando à promoção da saúde dos trabalhadores nessa
área
10
.
Diante disso surge o questionamento: quais os riscos ocupacionais a que estão expostos
os trabalhadores que atuam na saúde pública? Que elementos são essenciais para a realização
de um protocolo em prevenção de acidentes de trabalho em saúde pública?
O presente estudo justifica-se em função do grande número de profissionais que atuam
nas unidades de saúde pública, tornando-se ferramenta para o aprimoramento dos
conhecimentos e subsídios de melhorias das condições de trabalho, bem como elemento
importante para a elaboração de estratégias educativas direcionadas aos trabalhadores,
visando a identificação dos riscos ocupacionais a que estão expostos.
2 Objetivos
Buscar evidências científicas na literatura sobre os riscos ocupacionais a que estão
expostos os trabalhadores que atuam na saúde pública.
2.1 Objetivos Específicos
Propor protocolo para prevenção de acidentes de trabalho em saúde pública;
Apresentar os requisitos básicos para estabelecer estratégias educativas direcionadas aos
trabalhadores com vistas a prevenção dos acidentes de trabalho.
3 Materiais e Método
Trata-se de um estudo do tipo bibliográfico, descritivo e exploratório.
O estudo bibliográfico se baseia em literaturas estruturadas, obtidas de livros e artigos
científicos
provenientes
de
bibliotecas
convencionais
e
virtuais. O
estudo
descritivo-
exploratório visa à aproximação e familiaridade com o fenômeno-objeto da pesquisa, descrição
de suas características, criação de hipóteses e apontamentos, e estabelecimento de relações
entre as variáveis estudadas no fenômeno
10
.
Pesquisas exploratórias têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar
conceitos, com vistas à formulação de problemas ou hipóteses pesquisáveis. Este tipo de
6
pesquisa é realizado especialmente quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se
difícil sobre ele formular hipóteses precisas e operacionalizáveis. O produto final deste
processo é um problema mais esclarecido, passível de investigação mediante procedimentos
sistematizados
11
.
Pesquisas descritivas têm como objetivo a descrição das características de determinada
população ou fenômeno, ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Uma de suas
características mais significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de
dados
11
.
Após a definição do tema foi feita uma busca em bases de dados virtuais em saúde,
especificamente na Biblioteca Virtual de Saúde - Bireme. Foram utilizados os descritores:
Enfermagem, Saúde da Familia ,acidente do trabalho, prevenção.
Realizada a leitura exploratória e seleção do material, principiou a leitura analítica, por
meio da leitura das obras selecionadas, que possibilitou a organização das ideias por ordem de
importância e a sintetização destas que visou a fixação das idéias essenciais para a solução do
problema da pesquisa.
Após a leitura analítica, iniciou-se a leitura interpretativa que tratou do comentário feito
pela ligação dos dados obtidos nas fontes ao problema da pesquisa e conhecimentos prévios.
Na leitura interpretativa houve uma busca mais ampla de resultados, pois ajustaram o
problema da pesquisa a possíveis soluções. Feita a leitura interpretativa se iniciou a tomada de
apontamentos que se referiram a anotações que consideravam o problema da pesquisa,
ressalvando as idéias principais e dados mais importantes.
A partir das anotações da tomada de apontamentos, elaborou-se fichamentos, em
fichas estruturadas em um documento do Microsoft Word, que objetivaram a identificação das
obras consultadas, o registro do conteúdo das obras, o registro dos comentários acerca das
obras e ordenação dos registros.
Os fichamentos propiciaram a construção lógica do trabalho, que consistiram na
coordenação das idéias que acataram os objetivos da pesquisa. Todo o processo de leitura e
análise possibilitou a criação de 4 categorias.
A
seguir,
os
dados
apresentados
foram
submetidos
à
análise
de
conteúdo.
Posteriormente, os resultados foram discutidos com o suporte de outros estudos provenientes
de revistas científicas e livros, para a construção do relatório final e publicação do trabalho no
formato Vancouver.
7
4 Resultados e Discussão
Nos últimos dez anos ao se buscar as Bases de Dados Virtuais em Saúde, tais como a
LILACS e SCIELO, utilizando-se as palavras-chave: Enfermagem, Saúde da Familia, Acidente
do trabalho, Prevenção encontrou-se 10 artigos publicados entre 1998 e 2011. Após a leitura
exploratória dos mesmos, foi possível identificar a visão de diversos autores a respeito do
Protocolo para prevenção de acidentes de trabalho em unidade em saúde pública.
Dentre os 10 artigos selecionados foram encontrados semelhanças abordadas nos
estudos. A partir das análises levantadas foram encontrados 4 artigos considerados relevantes
para a elaboração do presente estudo e obtenção do objetivo proposto.
4.1 A categoria mais envolvida em acidentes de trabalho entre os profissionais de
enfermagem são os auxiliares de enfermagem.
Dentro da equipe de enfermagem, os auxiliares aparecem como a categoria mais
envolvida nos acidentes com material biológico
12
.
Os trabalhadores de enfermagem estão expostos a uma diversidade de cargas de
trabalho o que leva a um processo de desgaste, alguns estudos demonstram que os acidentes
de trabalho ocorrem com maior frequência naqueles profissionais que mantém um contato
direto com o paciente.
Verificou-se que os auxiliares de enfermagem é a categoria que mais sofre acidentes,
pois essa categoria assume uma parcela maior em relação aos cuidados diretos a pacientes13.
Outra pesquisa defende que a proporção de acidentes é nitidamente menor entre
enfermeiros quando comparados aos técnicos e auxiliares. Isso pode ser explicado pelo fato
dos técnicos e dos auxiliares de enfermagem estarem mais expostos a esse tipo de acidente
por permanecerem a maior parte do tempo na assistência direta aos pacientes 7.
Neste mesmo sentido outro autor identifica que os trabalhadores mais expostos a
acidentes de trabalho são os auxiliares de enfermagem, relacionando essa frequência às
especificidades do processo de trabalho realizado nas unidades
14
. Conclui-se então, que
devido ao grande stress provocado por demasia no trabalho, e pela exposição frequente aos
materiais biológicos juntamente com contato direto com os pacientes, os auxiliares de
enfermagem estão mais envolvidos em acidentes de trabalho.
4.2 Os acidentes com perfurocortantes estão entre os acidentes que ocorrem com maior
frequência.
8
Os acidentes envolvendo perfurocortantes representam uma preocupação em diferentes
realidades, como pode se verificar em vários estudos. Dentre os vários tipos de acidentes os
perfurocortantes são, não só, os mais frequentes, como também os mais graves, por
possibilitarem o desenvolvimento de doenças letais para os trabalhadores
14
.
Recentemente foi publicada uma pesquisa no Distrito Federal destacando que os
acidentes com perfurocortantes tem uma grande incidência entre os profissionais de
enfermagem
13.
Nesse mesmo sentido, outro autor concorda com o estudo anterior que assegura que os
auxiliares de enfermagem estão mais propensos a acidentes de trabalho por permanecerem a
maior parte do tempo na assistência direta aos pacientes e executarem vários procedimentos
invasivos, sendo os matérias perfurocortantes um dos principais instrumentos de trabalho na
prática diária 7.
Os dados analisados neste estudo permitem concluir que os profissionais de
enfermagem por estarem em contato direto junto ao paciente e devido ao despreparo e a falta
de treinamento adequado para o manuseio e descarte de perfurocortantes contribuem para o
elevado índice de acidentes que ocorrem entre os profissionais de saúde.
4.3 Os acidentes de trabalho com os profissionais de enfermagem ocorrem com maior
frequência, durante a realização de cuidados com o paciente no leito.
Verificamos que na categoria auxiliar de enfermagem o coeficiente de risco de acidentes
de trabalho foi quase o dobro das demais. Isso parece ser explicado pela as atividades que
realizam junto aos pacientes, administrando medicamentos e assistindo diretamente, bem
como realizando procedimentos de emergência
14
.
Os estudos demonstram que os trabalhadores estão expostos aos riscos de acidentes de
trabalho em todas as áreas onde existe o contato direto com os pacientes ou seus resíduos
biológicos
12
.
Dessa maneira foi possível concluir que os fatores que levam aos acidentes de trabalho
em profissionais de enfermagem esta diretamente ligada ao envolvimento do profissional com
o paciente. Neste sentindo entende-se que os profissionais que atuam em contato direto com o
paciente (técnicos e auxiliares de enfermagem) estão mais vulneráveis aos acidentes de
trabalho.
4.4 Sugestão de protocolo frente à ocorrência de acidentes com material biológico
PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO – POP
9
POP nº.
01
Procedimento frente à ocorrência de acidentes com
material biológico
Elaborado
Jun/ 2012
Objetivo: Orientar o profissional que atua na saúde pública sobre condutas adotadas em
casos de acidentes de trabalho com risco biológico.
Aplicação: Este POP se aplica a todos os profissionais e trabalhadores do setor saúde pública
que atuam, direta ou indiretamente, em atividades onde há risco de exposição ao sangue e a
outros materiais biológicos.
Descrição: Medidas de precaução padrão que deverão ser adotadas diante da possibilidade de
contato com sangue, secreções, excreção, fluidos corporais, pele não íntegra e mucosas.
Lavagem das mãos antes e após:
 Sempre que houver sujeira visível nas mãos;
 Antes e após contato com qualquer paciente;
 Entre diferentes procedimentos em um mesmo paciente (ex.: aspirar secreção traqueal
e fazer um curativo);
 Antes e após realização de atos pessoais (ex.: alimentar-se, ir ao toalete, pentear os
cabelos, etc.);
 Antes de calçar luvas e após retirá-las;
 Após manipulação de materiais e equipamentos contaminados.
Descrição da técnica:
 Retirar anéis, pulseiras, relógios e adornos,
 Abrir a torneira, molhar as mãos e colocar o sabão líquido (2ml aproximadamente);
 Ensaboar e friccionar as mãos durante 30 e 60 segundos, em todas as suas faces,
espaços interdigitais, articulações, unhas e pontas dos dedos;
 Enxaguar as mãos retirando toda espuma e resíduos de sabão;
 Enxugar as mãos com papel toalha;
 Fechar a torneira com papel toalha, evitando assim recontaminar as mãos.
Produtos:
 Degermantes anti-sépticos em substituição ao sabão líquido comum em algumas
situações que exigem redução máxima da flora bacteriana:
Uso Indicado:
Realização de procedimentos invasivos (instalação de sondas e cateteres)
Quando em contato direto com o paciente;
Entre um procedimento e outro ainda que seja o mesmo paciente;
Ao manipular materiais e equipamentos;
Quando em contato direto acidental com sangue e fluidos, mesmo usando luvas;
Ao terminar a jornada de trabalho;
 Ao retirar as luvas.
 Cuidados com RN, idosos e outros imunodeprimidos;
 Cuidados com pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva e Unidade de
Transplante.





Uso de luvas:


Quando em contato com sangue, mucosa e fluidos;
Manuseio de superfícies sujas;
10



Punção venosa e outros acessos vasculares;
Trocá-las após contato com cada paciente;
Retirar para entrar em contato com telefones ou maçanetas, ao fazer anotações,
receber documentos.
Uso de avental:
 Cada profissional deve utilizar um avental individual e descartável;
 Identificar com nome e dispensar ao final de cada plantão, ou antes, nos casos em que
houver sujidade visível;
 Quando houver possibilidade de contato com respingos de sangue, secreções, fluidos
corpóreos e excreções das roupas do profissional com o paciente, com seu leito ou com
material infectante.
 Usar sempre que houver possibilidade de contato das roupas do profissional com o
paciente, com seu leito ou com material infectante.
Uso de máscaras e óculos:
 Proteção de mucosas;
 Quando houver possibilidade de respingos de sangue, secreções, fluidos corpóreos e
excreções.
Outras medidas:
 Não reencapar as agulhas;
 Os materiais perfurocortantes devem ser desprezados em recipientes próprios;
 Não desconectar as agulhas das seringas;
 Não utilizar agulhas para fixar papéis;
 Ao utilizar material perfurocortante, garantir a imobilização do paciente;
 Jamais utilizar os próprios dedos como anteparo;
 Utilizar sempre material de apoio;
 Não utilizar as lâminas de bisturi desmontadas;
 Vacinação contra hepatite B (três doses) em todos profissionais de saúde.
Todo profissional, vítima de acidente com material biológico deverá proceder da
seguinte maneira:
Em caso de exposição percutânea ou contato com a pele: lavar o local exaustivamente
com água e sabão.
Em casos de exposição de mucosas (olhos, boca e etc): lavar exaustivamente com água
e solução fisiológica.
Comunicar imediatamente a enfermeira ou ao responsável pelo setor;
A enfermeira deverá acolher o profissional acidentado e acionar médico plantonista se
acidente grave com necessidade de condutas imediatas relacionadas ao trauma.
Buscar informações sobre o acidente, incluindo paciente-fonte, agente causador, hora
do ocorrido, local lesado, medicações em uso pela fonte, questionar se fonte portador
de doenças transmissíveis (hepatites B e C, HTLV, AIDS, Sífilis, doença de Chagas).
Registrar as informações coletadas na ficha de “Notificação de Acidentes com Material
Biológico” em 02 (duas) vias.
Identificado paciente-fonte o médico, deverá abordar o paciente-fonte, explicando a
11
necessidade da realização das sorologias para as doenças citadas com intuito de
garantir a segurança ao profissional acidentado.
Se houver concordância o mesmo deverá solicitar que o paciente realize o
consentimento por escrito, constante na parte inferior da ficha de “Notificação Acidentes
com Material Biológico”.
Encaminhar profissional acidentado imediatamente para o laboratório de análises
clínicas onde será realizada a coleta de sangue.
MANEJO FRENTE AO ACIDENTE COM MATERIAL BIOLÓGICO
Paciente-fonte HIV positivo
Um paciente-fonte é considerado infectado pelo HIV quando há documentação de exames
Anti-HIV positivos ou o diagnóstico clínico de AIDS.
Conduta: análise do acidente e indicação de quimioprofilaxia anti-retroviral (ARV)/Profilaxia
Pós-Exposição (PPE), conforme o fluxograma .
Paciente-fonte HIV negativo
Envolve a existência de documentação laboratorial disponível e recente (até 60 dias para o
HIV) ou no momento do acidente, através do teste convencional ou do teste rápido. Não está
indicada a quimioprofilaxia anti-retroviral.
Paciente-fonte com situação sorológica desconhecida
Um paciente-fonte com situação sorológica desconhecida deve, sempre que possível, ser
testado para o vírus HIV, depois de obtido o seu consentimento; deve-se colher também
sorologias para HBV e HCV.
Paciente-fonte desconhecido
Na impossibilidade de se colher as sorologias do paciente-fonte ou de não se conhecer o
mesmo (p.ex., acidente com agulha encontrada no lixo), recomenda-se a avaliação do risco de
infecção pelo HIV, levandose em conta o tipo de exposição, dados clínicos e epidemiológicos.
Indicação de Profilaxia Pós-Exposição (PPE)
Quando indicada, a PPE deverá ser iniciada o mais rápido possível, idealmente, nas primeiras
duas horas após o acidente. Recomenda-se que o prazo máximo, para início de PPE, seja de
até 72 horas após o acidente. A duração da quimioprofilaxia é de 28 dias. Atualmente, existem
diferentes medicamentos anti-retrovirais potencialmente úteis, embora nem todos indicados
para PPE, com atuações em diferentes fases do ciclo de replicação viral do HIV.
Mulheres em idade fértil: oferecer o teste de gravidez para aquelas que não sabem informar
sobre a possibilidade de gestação em curso. Nos casos em que se suspeita que o pacientefonte apresenta resistência aos anti-retrovirais, iniciar a PPE com os anti-retrovirais habituais e
encaminhar o acidentado para um especialista.
Os esquemas preferenciais para PPE estabelecidos pelo Ministério da Saúde são:
Acidente leve: solicitar sorologias de HIV e hepatites virais do profissional acidentado
e sorologia de HIV do paciente-fonte. Encaminhar para acompanhamento secundário.
Acidente moderado: comunicar a enfermeira para proceder à notificação do caso.
Solicitar sorologias de VIH e hepatites virais do acidentado e sorologia de HIV do
paciente-fonte. Prescrever: AZT (zidovudina) 100mg 02cps. VO 12/12h e Epivir
(lamivudina) 150mg 01cp. VO 12/12h.
Acidente grave: seguir as mesmas recomendações do acidente moderado e
prescrever: AZT (zidovudina) 100mg 02cps. VO 12/12h; Epivir (lamivudina) 150mg
01cp. VO 12/12h e Viracept (nelfinavir) 250mg 03cps. VO 8/8h.
Na dúvida sobre o tipo de acidente, é melhor começar a profilaxia e posteriormente
reavaliar a manutenção ou mudança do tratamento.
12
Fonte: Souza Ana Maria, Monte Aparecida Cruz, Pires Leliane Maria, Brasileiro Marislei
Espíndula. Protocolo para prevenção de acidentes de trabalho em saúde pública. Revista
Eletrônica de Enfermagem do Centro de Estudos de Enfermagem e Nutrição [serial on-line]
2012 jan-jul 1(1) 1-16. Available from: http://www.ceen.com.br/revistaeletronica .
5 Conclusão
O objetivo deste estudo foi buscar evidências científicas na literatura sobre os riscos
ocupacionais a que estão expostos os trabalhadores que atuam na saúde pública e propor um
protocolo para prevenção de acidentes de trabalho em saúde pública.
Após a análise dos estudos foi possível identificar que devido ao pequeno número de
publicações encontradas, constata-se que o tema ainda não provoca interesse entre dos
pesquisadores, mesmo com os adventos considerados relevantes na área de saúde do
trabalhador.
Com base nos estudos foi possível identificar que a exposição à riscos com maior
freqüência ocorre em
auxiliares e técnicos de enfermagem pela as atividades que realizam
junto aos pacientes, o manuseio inadequado de perfurocortantes seguido de contaminação
com material biológico.
O presente estudo permitiu concluir que os profissionais de enfermagem que atuam nas
áreas de saúde pública estão constantemente expostos à risco de acidentes de trabalho,
considera- se portanto
de suma importância o diagnóstico dos riscos ocupacionais para o
planejamento de medidas preventivas, visando à promoção da saúde dos trabalhadores nessa
área.
Diante do grande número de profissionais que atuam na unidade de saúde pública e da
diversidade de fatores de riscos ocupacionais que estão expostos percebe-se, portanto, a
necessidade em propor um protocolo para prevenção de acidentes de trabalho em saúde
pública, com a finalidade de contribuir para a promoção e prevenção da saúde do trabalhador
visando melhorias nas condições de trabalho e um atendimento adequados aos usuários do
serviço público.
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Ações
programáticas
200d.76p.
Estratégicas.
Exposição
a
materiais
biológicos.
Brasil
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Protocolo para prevenção de acidentes de trabalho em saúde pública