Anais do XIV Encontro de Iniciação Científica da PUC-Campinas - 29 e 30 de setembro de 2009 ISSN 1982-0178 O PROCESSO DE TRABALHO EM ENFERMAGEM: REVISÃO DE LITERATURA E PERCEPÇÃO DE SEUS PROFISSIONAIS Sofia Buriola de Oliveira Ribeiro Faculdade de Enfermagem Centro de Ciências da Vida [email protected] RESUMO: Pesquisa bibliográfica de forma on-line na Biblioteca Virtual em Saúde (BIREME) nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Base de Dados de Enfermagem (BDENF), Base de Dados Periódicos de Enfermagem (PERIENF) e Bases de Dados da Biblioteca da Escola de Enfermagem da USP (DEDALUS), no período de 1990 a 2006, com a utilização dos unitermos enfermagem, trabalho e processo de trabalho, com o objetivo de revisar a literatura acerca do processo de trabalho em enfermagem. E pesquisa qualitativa com o objetivo de avaliar a percepção de enfermeiros atuantes em unidades de um hospital universitário numa cidade do interior de São Paulo acerca deste processo, por meio de entrevistas semi-estruturas com avaliação das respostas utilizando a técnica de análise de conteúdo. Os resultados constatam 90 publicações, sendo a maioria em forma de artigos científicos encontrados nas bases LILACS e BDEnf e no idioma português. Os artigos foram agrupados de acordo com o foco principal de abordagem sendo eles: reconhecimento dos instrumentos, estudo de instrumentos específicos, conjuntura histórica do processo, estudos bibliométricos, reflexões sobre o processo, aplicação de instrumentos, identificação de processos de trabalho, humanização, subjetividade do processo. Os resultados da pesquisa qualitativa apontam unidades de significado e categorias de analise: processo de trabalho e processo de enfermagem: trabalhando suas peculiaridades; cotidiano profissional: atividades desenvolvidas x recursos humanos; os subprocessos do trabalho em enfermagem: assistência, gerência e educação. Após a análise da literatura referente ao processo de trabalho em enfermagem assim como da percepção dos profissionais da área podemos considerar que os enfermeiros atuantes no mundo do trabalho, muitas vezes não se consideram preparados para atuar com o processo de enfermagem, visto que alguns deles assumem a dicotomia entre o instrumento e a atividade que realizam em seu cotidiano profissional. Palavras-chave: Processo, Trabalho, Enfermagem. Sueli de Fátima Sampaio Enfermagem em Saúde Coletiva: Avaliação de práticas profissionais Centro de Ciências da Vida [email protected] Área do Conhecimento: Saúde – Enfermagem – CNPq. 1. INTRODUÇÃO A sociedade é movida pelo trabalho desde a antiguidade clássica, e sempre teve duas vertentes, a elite, a qual realizava os trabalhos intelectuais e os indivíduos, que subjugados por esse grupo realizavam os trabalhos considerados subalternos, rústicos, peno(1) sos . Trabalho é o ato de depositar significado humano à natureza. Complementa a afirmação ao apontar que, numa sociedade baseada na cooperação e na troca, trabalho é o ato de depositar significado social à natureza. Ao produzir, o homem transforma a natureza e é por ela transformado. Seu produto o representa. A própria sociedade é criada e tem seus valores mo(2) delados pelas formas de produção . O processo de trabalho é a junção dos meios de trabalho e dos objetos sobre o que recai um trabalho produtivo. E o produto não é só resultado e sim a condição para que aconteça o processo de trabalho (2) . Sendo assim processo de trabalho é uma prática social cujos elementos básicos são, os agentes, os objetos, os instrumentos, a atividade e a finalidade. Os agentes são aqueles a quem compreende a realização do trabalho; o objeto é aquilo que os trabalhadores querem transformar; os instrumentos são os meios que ajudam a trabalhar, ou seja, o saber técnico-cientifico; a atividade é a pratica das técnicas (o (2) trabalho diário); e a finalidade é a meta . O trabalho em saúde está caracterizado na esfera da produção não material, pois o mesmo se completa no ato de sua realização, e pode assumir formas diversas, desde uma cirurgia, aos cuidados clínicos, a orientações nutricionais e é imprescindível citar que a assistência de saúde é desenvolvida de diversas maneiras, mas sempre deve ser considerada uma atividade especial, realizadas por pessoas com dotes (5) e conhecimentos especiais . Anais do XIV Encontro de Iniciação Científica da PUC-Campinas - 29 e 30 de setembro de 2009 ISSN 1982-0178 A enfermagem juntamente com a medicina foi uma das primeiras profissões a ser institucionalizada, contudo a medicina tem o caráter puramente curativo e a enfermagem assume a organização da assistência, atividades de higiene e conforto. Há a incorporação da caridade espiritualizada no fazer de enfermagem, o que permite a intromissão da religião em sua conjuntura como profissão (4). Com a organização da profissão (sec. XX) o fazer de enfermagem sofre transformação, ocorre a adoção de rotinas e protocolos de organização; culminando numa postura de distanciamento desse profissional para com o paciente. As rotinas e métodos se tornaram então mais importantes que a finalidade do tra(4) balho, ou até mais importantes que o agente . A equipe de enfermagem é subdividida técnica e socialmente, assim como as equipes multiprofissionais; os enfermeiros assumem a concepção e o gerenciamento do trabalho e os auxiliares e técnicos assumem a execução do mesmo e a assistência direta ao paciente, sendo assim a organização do trabalho de enfermagem é composta por hierarquia, disciplina e (6) autoritarismo . A visão social recupera a força de trabalho, sendo assim os hospitais passam a se reorganizar como locais de cura e a enfermagem passa a atuar organizada em três frentes: organizando o cuidado com o doente, organizando o ambiente terapêutico e organizando seus agentes. A partir daí a enfermagem moderna começa a aplicar o gerenciamento como principal instrumento de trabalho, através do qual pode prestar assistência indireta a todos os pacientes, observar e organizar o cuidado e capacitar seus (6) agentes conforme as necessidades . Considerando o contexto histórico da inserção social da Enfermagem e, conseqüentemente as relações profissionais e multiprofissionais, que caracterizam seu processo de trabalho é possível observar que ainda no século XXI, carece a profissão de revisitar a sua prática profissional, com vistas à (re) adequação do seu papel enquanto transformadora de uma dada realidade de saúde do país. O caráter participativo que não limita o profissional como expectador dos acontecimentos à sua volta, Esses resultados foram analisados mediante agrupamentos dos dados segundo números absolutos e percentuais e apresentados em formato de gráficos. Numa segunda etapa, foi realizada a coleta de dados por meio de entrevistas semi-estruturadas para a busca de percepções da experiência vivenciada por profissionais da área da saúde sobre o processo de trabalho no cotidiano profissional e a análise das entrevistas. poderá caracterizar o salto de qualidade na relação do enfermeiro com o mundo em que vive, não reduzindo sua prática a procedimentos técnicos, objetivos e alheios ao contexto social, mas como uma prática política e, portanto, profundamente carregada de valores (7). Considerando os princípios da prática da Enfermagem e as instituições como espaços de conflitos que reproduzem ou modificam esta prática e, acreditando ser a participação uma das molas propulsoras para a concretude de um processo de trabalho com atitudes transformadoras, julgamos importante revisar a literatura e a percepção de enfermeiros sobre o processo de trabalho em enfermagem. 2. OBJETIVOS Identificar as produções científicas nacional, latinoamericanas e do Caribe sobre processo de trabalho em enfermagem; Analisar as publicações em relação à freqüência, país de origem, ano, tipo de publicação e foco das abordagens; Relacionar as abordagens dos textos selecionados em termos de conteúdo e contextualização; Relacionar a percepção de enfermeiros sobre a experiência vivenciada no processo de trabalho do cotidiano profissional. 3. METODOLOGIA Realizou-se a coleta de dados de forma on-line na Biblioteca Virtual em Saúde (BIREME) nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Base de Dados de Enfermagem (BDENF), Base de Dados Periódicos de Enfermagem (PERIENF) e Bases de Dados da Biblioteca da Escola de Enfermagem da USP (DEDALUS), no período de 1990 a 2006, com a utilização dos unitermos enfermagem, trabalho e processo de trabalho. Assim como a leitura dos resumos das publicações a fim de se definir a inclusão ou exclusão do material de acordo com o interesse específico da pesquisa, sendo critério de descarte aqueles que não possuam resumo. O projeto foi desenvolvido junto a cinco enfermeiros atuantes em unidades de urgência e emergência, internação clinica, internação cirúrgica, pediátrica, maternidade e de terapia intensiva de um hospital universitário num município do interior do estado de São Paulo. A pesquisa de caráter qualitativo utilizou o método de análise de conteúdo. Este método consiste em descobrir as unidades de sentidos que fazem parte da comunicação cuja presença tem algum significado relacionado aos objetivos propostos pela presente (8) pesquisa . Anais do XIV Encontro de Iniciação Científica da PUC-Campinas - 29 e 30 de setembro de 2009 ISSN 1982-0178 Após a transcrição das mesmas, analisamos os dados obtidos de forma geral, buscando unidades de significado e categorias de análise que agrupassem tais unidades a partir do método de análise de conteúdo. 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES Os dados foram organizados cronologicamente e os focos de abordagem foram criados a partir da leitura critica e reflexiva do resumo de cada publicação selecionada. A partir disso foi possível refletir a respeito desses dados e analisá-los, conforme apresentamos: Na análise da quantidade de publicações por bases de dados observamos que respectivamente LILACS e BDENF tem mais publicações, visto que dos 90 artigos selecionados somente 13 (14%) não constavam em nenhuma delas. Sobre os tipos de publicação observamos que de 1990 a 2006 tivemos 70 (78%) artigos, 11 (12%) teses de mestrado, 7 (8%) teses de doutorado, 1 (1%) tese de Livre Docência e 1 (1%) livro. Quanto a análise dos periódicos onde cada trabalho foi publicado no período, observamos que os mais utilizados foram Texto & Contexto de Enfermagem, Revista Brasileira de Enfermagem, Revista Latinoamericana de Enfermagem e Revista da Escola de Enfermagem da USP com respectivamente 14 (16%), 13 (14%), 12 (13%), 10 (11%) publicações cada. Analisando os países que predominam entre as publicações, temos o Brasil com 89 (99%) das mesmas e México com 1 (1%) do total. Na análise dos idiomas predominantes entre as publicações, há predominância da língua portuguesa com 88 (98%) e Inglesa com 2 (2%) do total. Os artigos foram agrupados de acordo com o foco principal de abordagem sendo eles: RECONHECIMENTO DOS INSTRUMENTOS: estudam os intrumentos comuns do processo de trabalho como a comunicação, a gerência, com 3 (3%) das publicações. ESTUDO DE INSTRUMENTOS ESPECÍFICOS: publicações sobre algum instrumento, comum ao processo, em particular, com 13 (15%). CONJUNTURA HISTÓRICA DO PROCESSO: Publicações que analisam a conjuntura do processo de trabalho em enfermagem em qualquer período, com 3 (3%). ESTUDOS BIBLIOMÉTRICOS: publicações que fazem o estudo bibliométrico do processo de trabalho, ou seja, analizam as publicações em certos períodos, com 5 (6%) artigos. REFLEXÕES SOBRE O PROCESSO: publicações que retratam o cotidiano do trabalho de enfermeiros e da equipe de enfermagem, assim como seus reflexos na vida do trabalhador, foram 33 (37%) deles. APLICAÇÃO DE INSTRUMENTOS INCOMUNS: publicações que analizam a implantação de instrumentos incomuns ao processo de trabalho do enfermaeiro generalists (em áreas especificas), com 2 (2%). IDENTIFICAÇÃO DE PROCESSOS DE TRABALHO ESPECÍFICOS ou IDENTIFICAÇÃO DO PROCESSO: publicaçoes que analizam como se dá o processo de trabalho em uma área específica da enfermagem como pediatria, saude metal, laboratório clínico, foram 26 (29%). A HUMANIZACAO E A ENFERMAGEM: Publicações que discutem humanização do trabalho e trabalho humanizado, com 2 (2%)dos artigos. SUBJETIVIDADE X PROCESSO DE TRABALHO: Publicações que tem como foco o estudo da produção de subjetividade no processo de trabalho da equipe de enfermagem, com 3 (3%) deles. Para a análise das entrevistas foram desenvolvidas três categorias de análise: Processo de Trabalho e Processo de enfermagem: trabalhando suas peculiaridades; Cotidiano Profissional: Atividades desenvolvidas x Recursos Humanos; Os subprocessos do Trabalho em Enfermagem: assistência, gerência e educação. Para que não houvesse a identificação dos sujeitos os mesmos foram renomeados com nomes de deuses e deusas da mitologia grega sendo eles: Cronos, Héstia, Perséfone, Réia e Atena. PROCESSO DE TRABALHO E PROCESSO DE ENFERMAGEM: TRABALHANDO SUAS PECULIARIDADES Os participantes da pesquisa apresentam varias definições sobre o que é o processo de trabalho em enfermagem no seu cotidiano profissional, dos cinco participantes Cronos, Réia e Héstia citam o processo de trabalho em enfermagem como um método de organização do trabalho em enfermagem de forma a aperfeiçoar a assistência. Já participante Perséfone faz a confusão entre a atividade e o instrumento desde sua fala inicial quando questionada sobre o significado de processo de trabalho em enfermagem quanto do instrumento processo de enfermagem, mas se buscarmos outra óti- Anais do XIV Encontro de Iniciação Científica da PUC-Campinas - 29 e 30 de setembro de 2009 ISSN 1982-0178 ca para suas respostas talvez a mesma esteja exteriorizando em sua entrevista seu desejo de voltar seu trabalho para a assistência do setor e dos pacientes assim como para a correta utilização do processo. Já Atena define de forma mais especifica a atividade e o instrumento, diferenciando suas peculiaridades. Assim como referiu a importância do processo de enfermagem para a assistência com qualidade nos setores. O Processo de enfermagem consiste em uma ferramenta para qualificar a assistência e requer os subsídios tanto de um referencial teórico para a abordagem do processo saúde-doença, quanto de um contexto de trabalho que estimule e viabilize sua implementação, ou seja, requer uma equipe de enfermagem qualificada para a assistência; a supervisão do trabalho cotidiano como reflexão continua sobre a pratica; a articulação e a integração dos componentes da equipe de enfermagem; e os recursos materiais e físicos adequados; enfim, um conjunto de ações de planejamento e organização do trabalho, que por sua vez, configuram o processo de trabalho ge(9) rencial . COTIDIANO PROFISSIONAL: ATIVIDADES DESENVOLVIDAS x RECURSOS HUMANOS Nesta categoria realizamos a análise voltada às atividades que devem ser desenvolvidas pelo profissional enfermeiro em seu processo de trabalho cotidiano que são: organizar o cuidado do cliente (cuidado direto e indireto), organizar o ambiente terapêutico (gerência do setor), e organizar os agentes de enfermagem (educação da equipe) (10). Se fossemos listar aqui cada atividade específica a ser desenvolvida dentro dessas três categorias teríamos uma lista extensa de atividades, sendo uma delas o processo de enfermagem, cuja implementação tem sido reforçada dentro da instituição devido a acreditação hospitalar. Dos cinco participantes Cronos, Héstia, Perséfone e Atena concluíram que suas atividades são muito mais gerenciais do que assistenciais devido à falta de recursos humanos e instrumentos qualificados para realizar tais tarefas com excelência. Entendemos que o papel da enfermagem é prestar assistência e uma ferramenta importante para ela é o processo de enfermagem, todavia há necessidade de que os profissionais conheçam o instrumento e saibam trabalhar com mesmo de forma assistencial e não como mais uma simples burocracia. Nesta direção percebemos na fala desses participantes a vontade de realizar essa assistência, no entanto, há o apontamento de que a instituição não colabora com os mesmos, pois mantém reduzidos os recursos hu- manos, o que faz com que a enfermagem assuma cada vez mais outros papéis. O contingente de enfermeiros reduzido ocorre também pela falta de profissionais enfermeiros na composição da força de trabalho, visto que 13,64% do total de trabalhadores de enfermagem no Brasil são (11) enfermeiros . OS SUBPROCESSOS DO TRABALHO EM ENFERMAGEM: ASSISTÊNCIA, GERÊNCIA E EDUCAÇÃO O trabalho em enfermagem assim como toda a atividade humana, com ou sem fins lucrativos, tem sido discutido em nosso cotidiano acadêmico; esse processo pode ser dividido nos subprocessos denominados: cuidar ou assistir, administrar ou gerenciar e (12) pesquisar e ensinar . Nessa categoria de análise foram reunidas 31 unidades de significado relacionadas à gerência, à assistência, e à educação. Numa análise geral temos 15 unidades (48,39%) que versam sobre assistência, 11 delas (35,48%) sobre gerência e 5 (16,13%) sobre educação da equipe. Todavia, dos cinco participantes três relatam realizar mais gerência do que assistência. Com a divisão da equipe e também a falta de força de trabalho cabe então ao pessoal de nivel médio da enfermagem (auxiliares e técnicos) realizar as atividades assistencias diretas e ao enfermeiro, as ações de gerencia(6) mento do cuidado e da unidade (cuidado indireto) . Já as outras duas participantes relatam realizar mais assistência do que gerência. Com relação ao subprocesso educação, os participantes em geral citam que o processo de enfermagem é uma importante ferramenta no auxilio à educação da equipe, pois enquanto o enfermeiro realiza as etapas do processo de enfermagem, pode observar o cuidado que está sendo realizado junto paciente e através disso delimitar as dúvidas e dificuldades de cada membro da equipe. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Após a análise da literatura referente ao processo de trabalho em enfermagem assim como da percepção dos profissionais da área podemos considerar que os enfermeiros atuantes no mundo do trabalho, muitas vezes não se consideram preparados para atuar com o processo de enfermagem, visto que alguns deles assumem a dicotomia entre o instrumento e a atividade que realizam em seu cotidiano profissional. A falta de competência apontada em algumas referências da literatura científica, bem como na nossa percepção acadêmica, remete à necessidade de que Anais do XIV Encontro de Iniciação Científica da PUC-Campinas - 29 e 30 de setembro de 2009 ISSN 1982-0178 os esforços de docentes e discentes reflitam a qualificação da prática profissional, por meio da utilização do processo de enfermagem como instrumento valioso para o desenvolvimento do processo de trabalho em enfermagem. A pesquisa bibliométrica realizada na primeira parte deste estudo aponta que, no período de 1990 a 2006 não houve um número significativo de publicações que tratassem do processo de trabalho em enfermagem e sua importância no cotidiano profissional, assim como sua conjuntura e seus subprocessos, o que pode demonstrar certo desinteresse por parte dos discentes, alguns docentes e profissionais de enfermagem por essa atividade que permeia o cotidiano de todos nós enfermeiros. Outra variável a ser discutida é a falta de força de trabalho efetiva em instituições de saúde. Falta de contigente que muitas vezes prejudica o cuidado ao usuário, objeto de trabalho da enfermagem; tal fato talvez demonstre falta de organização da classe profissional para exigir condições de trabalho que permitam a realização das funções básicas de enfermeiro. Sendo assim, no nosso papel de pesquisadoras lançamos uma chamada à comunidade de enfermagem, para que valorizem os aspectos relacionados ao processo de trabalho em enfermagem, a fim de melhorar o cuidado aos usuários, famílias e comunidades, com vistas a melhorar as relações dentro de sua equipe, assim como com as equipes multidisciplinares. 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Ornellas TCF, Monteiro MI. Aspectos Históricos, Culturais e Sociais do Trabalho. Rev. Bras. Enferm. 2006 jul-ago; 59(4): 552-5. 2. Marx K, O Capital: crítica da economia política. 14ed. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 1994; Cap. 5. 3. 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