Negócios A missão empresarial que trará Emma Marcegaglia ao Brasil Attualità La storia di Libero Castiglia nella guerriglia brasiliana Meio Ambiente Arquiteto italiano cria casa sustentável de baixo custo www.comunitaitaliana.com Ano XVI – Nº 135 ISSN 1676-3220 R$ 10,90 Rio de Janeiro, setembro de 2009 Potência Entenda como o Brasil pode vir a ser o quarto maior produtor de petróleo do mundo com o pré-sal Por que nada abala o prestígio do premier Berlusconi? 26 CAPA Governo brasileiro lança as primeiras regras para a exploração do pré-sal. Estimativas preliminares indicam que essa riqueza pode significar um “caixa” de 7 trilhões de dólares para o país Editorial Apostas..........................................................................................08 Cose Nostre Na Emilia Romana, empréstimos bancários concedidos aos agricultores são garantidos por formas de parmesão.................... 09 Política Pacote de segurança aprovado pelo Senado italiano qualifica imigração ilegal como crime���������������������������������������������������������� 16 Negócios Experiência pioneira na área do microcrédito criou uma rede brasileira de bancos comunitários�������������������������� 24 Meio Ambiente Região do Piemonte investe em residências que não emitem CO2 e ainda produzem energia limpa..........................35 Esportes Brasileiro adotado por italianos, Jhonatan Longhi se torna um dos esquiadores mais promissores da nova geração...................55 Fumetti Ad Anita Garibaldi viene dedicata una nuova biografia....................57 18 Especial Silvio Berlusconi Por que nada parece abalar o prestígio do primeiro-ministro italiano apesar do seu envolvimento em vários escândalos? 6 36 Divulgação Divulgação Pousadas do Rosa Associadas Os preparativos da missão italiana que trará a presidente da Confindustria, Emma Marcegaglia, ao Brasil...............................21 Economia Attualità Araguaia Da otto anni famiglia attende l’identificazione delle ossa che potrebbero essere dell’unico straniero coinvolto nella guerriglia, l’italiano Libero Giancarlo Castiglia ComunitàItaliana / Setembro 2009 48 Livro Lina Bo Bardi Obra reúne textos da arquiteta ítalo-brasileira responsável pela criação de projetos que se tornaram ícones da cidade de São Paulo 52 Turismo Balene Nella Praia do Rosa, in Santa Catarina, osservazione di mammiferi garantisce movimento durante l’inverno COSE NOSTRE Julio Vanni FUNDADA EM MARÇO DE 1994 Apostas Diretor-Presidente / Editor: Pietro Domenico Petraglia (RJ23820JP) Diretor: Julio Cezar Vanni Publicação Mensal e Produção: Editora Comunità Ltda. E Tiragem: 40.000 exemplares Esta edição foi concluída em: 11/09/2009 às 12:30h Distribuição: Brasil e Itália Redação e Administração: Rua Marquês de Caxias, 31, Niterói, Centro, RJ CEP: 24030-050 Tel/Fax: (21) 2722-0181 / (21) 2722-2555 e-mail: [email protected] SUBEDItora: Sônia Apolinário [email protected] Redação: Daniele Mengacci; Guilherme Aquino; Nayra Garofle; Sarah Castro; Sílvia Souza; Tatiana Buff; Valquíria Rey; Janaína Cesar; Lisomar Silva REVISÃO / TRADUÇÃO: Cristiana Cocco Projeto Gráfico e Diagramação: Alberto Carvalho [email protected] Capa: Divulgação Colaboradores: Luana Dangelo; Giorgio della Seta; Pietro Polizzo; Venceslao Soligo; Marco Lucchesi; Domenico De Masi; Franco Urani; Fernanda Maranesi; Adroaldo Garani; Beatriz Rassele; Giordano Iapalucci; Cláudia Monteiro de Castro; Ezio Maranesi; Fabio Porta; Fernanda Miranda CorrespondenteS: Guilherme Aquino (Milão); Janaína Cesar (Treviso); Lisomar Silva (Roma); Publicidade: Philippe Rosenthal Rio de Janeiro - Tel/Fax: (21) 2722-0181 [email protected] RepresentanteS: Brasília - Cláudia Thereza C3 Comunicação & Marketing Tel: (61) 3347-5981 / (61) 8414-9346 [email protected] Minas Gerais - GC Comunicação & Marketing Geraldo Cocolo Jr. Tel: (31) - 3317-7704 / (31) 9978-7636 [email protected] ComunitàItaliana está aberta às contribuições e pesquisas de estudiosos brasileiros, italianos e estrangeiros. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores, sendo assim, não refletem, necessariamente, as opiniões e conceitos da revista. La rivista ComunitàItaliana è aperta ai contributi e alle ricerche di studiosi ed esperti brasiliani, italiani e estranieri. I collaboratori e sprimono, nella massima libertà, personali opinioni che non riflettono necessariamente il pensiero della direzione. sta edição teve seu fechamento na expectativa da decisão final do caso Cesare Battisti. Ainda não foi desta vez. No último dia 9, o Supremo Tribunal Federal começou a julgar o caso, mas a sessão foi interrompida sem prazo para ser retomada. O relator, ministro Cezar Peluso, defendeu a extradição de Battisti por quatro horas. Tudo indica que, quando voltar a se reunir, o STF deverá retirar o status de refugiado político do criminoso italiano com o voto Minerva do presidente da Corte Gilmar Mendes. O ministro Peluso foi enfático ao afirmar que o ato do ministro Tarso Genro é ilegal. O ministro da Justiça não levou em consideração uma história que é muito cara ao povo italiano. Foi grosseiro o erro do governo brasileiro neste caso e, no mínimo, ignorante a tentativa do ministro de criar polêmica ao afirmar que não entende a “pressão italiana”. Como bem disse o relator Peluso, a medida teve argumentos aleatórios e é justo que a sociedade italiana busque o cumprimento da Lei. Protagonizar o Robin Hood de delinquentes não é digno do papel que deve exercer um ministro da Justiça. Em destaque, trazemos na capa o anúncio do marco regulatório do Pré-Sal. Desde que a crise financeira internacional estourou, o Brasil deu sinais de que talvez não fosse tão afetado. A “marolinha”, nas palavras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi um pouco maior, mas o país vem se mostrando um porto seguro para investimentos internacionais. Tanto que as missões empresariais italianas foram uma constante todo esse tempo – e vem mais por aí. Não bastasse isso, tudo indica que o Brasil também ganhou na loteria ao descobrir a camada pré-sal – um gigantesco reservatório de petróleo e gás natural, que se estende ao longo de 800 quilômetros do litoral do país. É riqueza da ordem dos 7 trilhões de dólares, em estimativa modesta. Riqueza desse porte atrai atenções e desperta cobiça. As primeiras regras para a exploração dessas reservas acabaram de ser anunciadas pelo presidente Lula. Pietro Petraglia Nossa reportagem de capa mostra as reações provocadas Editor por essas regras nos mais diversos setores. Por enquanto, as atividades relacionadas com o pré-sal serão destinadas apenas a empresas brasileiras. Mas há uma porta: para produzir mais petróleo, serão necessários novos equipamentos capazes de viabilizar o desenvolvimento de campos petrolíferos em zonas ultraprofundas. Sorte da Itália. Afinal, o país desenvolveu uma indústria de ponta na área de prospecção, extração e beneficiamento de petróleo. Além disso, dentre os gigantes no setor de óleo e gás italiano há o Grupo ENI. A Ente Nazionale Idrocarburi é uma multinacional petrolífera, presente em setenta países, que já faz negócios com a Petrobras desde 2005. As discussões em torno das regras do pré-sal ainda devem se prolongar por um bom tempo. Afinal, parte dessas regras ficou para ser definida pelo Congresso Nacional. Será ainda dentro do clima de exaltação do potencial dessa riqueza brasileira que desembarcará no país uma das maiores missões empresariais italianas já realizadas, com direito à presença da presidente da Confederação Geral da Indústria Italiana, Emma Marcegaglia que, por sinal, tem negócios no Brasil há tempos. Nossa reportagem mostra os preparativos para essa missão que estão sendo feitos tanto lá quanto cá. E como nem tudo é uma questão de sorte, um das matérias desta edição apresenta um verdadeiro trabalho de formiguinha que vem sendo feito no Brasil. Trata-se da rede de bancos comunitários, uma experiência pioneira a área do microcrédito que tem contribuído para eliminação de alguns bolsões de miséria pelo país. Esse trabalho pode não ser tão chamativo quanto o pré-sal, mas também apresenta números impressionantes para o setor. Do lado italiano, a política dá o tom. Nessa edição, mostramos as principais medidas aprovadas pelo parlamento no chamado pacote de segurança. Além disso, uma reportagem especial mostra porque o primeiro-ministro Silvio Berlusconi não perde prestígio apesar do seu envolvimento em vários escândalos, inclusive de ordem sexual. Boa leitura! ISSN 1676-3220 8 ComunitàItaliana editorial On-line A prefeitura de Veneza inaugurou, no mês passado, um novo serviço: casamentos on-line. Trata-se da transmissão da cerimônia ao vivo pela internet, que permite aos convidados ausentes acompanharem o evento conectando-se ao site weddingvenice.com. Os noivos interessados terão que desembolsar entre 120 euros e 144 euros, dependendo se eles fizeram a reserva com antecedência ou se foi uma decisão de última hora. As tarifas podem chegar a um total de 3.500 euros no caso de noivos não residentes e que decidem se casar em um domingo ou feriado. Anualmente, cerca de 1.400 casais escolhem as salas do Palácio Cavalli (sede do município), nas imediações da ponte Rialto, no Canal Grande, para celebrar a sua união. Desbloqueado O governo italiano liberou um fundo de 4 bilhões de euros para a Sicília. A medida foi tomada para acalmar as tentativas separatistas de setores do partido majoritário, o PDL, que ameaçavam fundar um “Partido do Sul”, em contraposição à Liga Norte, aliada do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. O plano apresentado para a região prevê que 43% da verba será aplicada em projetos de infraestrutura. Sinos C erca de 150 sineiros provenientes de toda a Itália participaram de um encontro nacional em Arrone, na província de Terni, na Úmbria. A iniciativa partiu do grupo de profissionais da cidade, formado por 11 especialistas locais no uso do battocchio, o bordão usado para tocar os sinos. O objetivo do evento era chamar a atenção das novas gerações para uma antiga forma de comunicação que, ao longo dos séculos, anunciou cerimônias religiosas, guerras e alarmes, rompendo o ritmo do dia a dia. Processo A deputada italiana, Alessandra Mussolini, neta do ex-ditador Benito Mussolini, declarou que pretende processar o diretor de cinema Bobby Paunescu, que apresentou o filme “Francesca” no 66º Festival de Veneza. Segundo a deputada do partido Povo da Liberdade (PDL, do primeiro-ministro Silvio Berlusconi), o longa a acusa de racista. Mussolini pediu a seu advogado que reivindicasse, no Tribunal de Veneza, indenizações por danos morais e também a apreensão do filme. A produção romena retrata a história de uma professora romena que deseja montar uma escola para os filhos de imigrantes na Itália. Em Roma Turismo A atriz Julia Roberts vai se tornar “figurinha fácil” pelas ruas de Roma. Ela é a protagonista do filme Comer, Rezar, Amar, a adaptação cinematográfica do best-seller homônimo de Elizabeth Gilbert, previsto para começar a ser rodado na cidade este mês. As locações ainda estão sendo mantidas sob sigilo. Porém, no livro, a parte da história que se passa na Itália (Comer) tem como cenário as principais ruas de Roma, bem como a Villa Borghese. Ao lado dela no elenco estão Javier Bardem, James Franco e Billy Crudup. O produtor é o também ator Brad Pitt. A direção é de Ryan Murphy. Rapidinhas ● No dia 5 de agosto, a localidade de Cassino sofreu um terremoto com intensidade 3,4 Graus Escala Richter. Reflexos do abalo chegaram a Roma. ● Cônsul Geral da Itália em São Paulo, Marco Marsilli foi o representante italiano da cerimônia em homenagem às personalidades das comunidades de 2009, realizada mês passado, no Auditório André I N a Emilia Romana, centro da Itália, os empréstimos bancários concedidos aos agricultores são garantidos por formas do queijo típico da região, depositado nos bancos. Quatro agências trabalham atualmente com esse sistema. Ao todo, abrigam mais de 400 mil formas de parmesão. Cada uma pesa 40 quilos e vale 300 euros. O queijo amadurece após dois anos da fabricação. Se o cliente não pagar o crédito, o banco recupera o valor vendendo o queijo. Franco Montoro da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. ● A cantora Madonna escolheu a cidade de Portofino para comemorar seus 51 anos, em agosto. Ela, os filhos, amigos e o namorado brasileiro, Jesus Luz, celebraram a data no hotel Splendido, onde todos ficaram hospedados. ● Morreu: o engenheiro Egidio Lucchesi ● a escritora e jorna- lista genovesa Fernanda Pivano, aos 92 anos ● o apresentador italiano Mike Bongiorno, em decorrência de um enfarte em sua casa em Montecarlo. Em 1953, no nascimento da televisão na Itália, ele apresentou a primeira transmissão da RAI, a rede de televisão pública italiana. Amigo do premier Silvio Berlusconi, tinha 85 anos. talianos passaram a visitar L’Aquila, epicentro do terremoto que destruiu parte do centro da Itália no mês de abril, para ver de perto a destruição causada na cidade. A representante dos hoteleiros da cidade italiana localizada na região de Abruzzo, Mara Quaianni, informou que os donos de bares, restaurantes e hotéis estão registrando um aumento dos curiosos que querem visitar, entre outros locais, o centro histórico, já reaberto, para tocar nas obras e prédios históricos destruídos. O fenômeno já foi apelidado de “sismo-tour”. Senna U ma exposição na sede da Embaixada brasileira em Roma vai lembrar os 15 anos da morte do piloto Ayrton Senna, tricampeão mundial de F-1. Um painel com três dos seus carros – de F-1, F-3 e Ford –, além de capacetes, caixas de câmbio e outros artigos pessoais poderão ser vistos. A mostra ocorre entre 18 e 20 deste mês. Entretenimento com cultura e informação / Setembro 2009 Setembro 2009 / ComunitàItaliana 9 opinião serviço agenda frases VIII Jantar Italiano (ES) O jantar beneficente, criado em 2002 pela Associação da Cultura Italiana de Cariacica (ACIC), terá cultura, gastronomia e dança italiana. Dia 19 de setembro, em Cariacica (a 17 km de Vitória). É organizado pela própria entidade. Local: Associação da Viação Águia Branca. Informações: [email protected] “Tenho a clareza que nenhum partido na história do Brasil é perfeito”, “Ma quale velina italiana, ma quale Canalis, ma quale fidanzamento dell’estate?”, Marina Silva, senadora, ao justificar seu desligamento do PT para se filiar ao PV partido pelo qual deve concorrer à presidência da República no próximo ano. Brad Pitt, attore, quando gli hanno domandato della storia del collega George Clooney con la presentatrice di TV italiana Elisabetta Canalis. “In un momento come questo vanno evitate le celebrazioni elefantiache, le spese inutili e frammentate in mille rivoli. Altre sono le priorità e le esigenze della gente”, Roberto Cota, il presidente dei deputati della Lega Nord, riguardo la commemorazione del 150º anniversario dell’Unità d’Italia, che sarà realizzata nel 2010. “Su questioni relative alla vita e alla morte non ci può essere un vincolo di maggioranza o di partito”, Gianfranco Fini, presidente della Camera dei Deputati, riguardo alla legge del testamento biologico che sarà discussa in aula. enquete 49° Salão Náutico Internacional (Gênova) Evento de referência para a indústria náutica e todos os que praticam o esporte, o ambiente de requinte e tecnologia marítima impressionará na edição 2009. Organizado pela Fiera di Genova em parceria com associação de categoria da indústria náutica (Ucina) serão quatro pavilhões, duas marinas grandes e espaços abertos em um total de 300 mil metros quadrados de Salão. São mais de 1.600 expositores e 2.300 barcos (500 deles na água), com a participação de mais de 60 marcas. De 3 a 11 de outubro. Ferrari quer, no mínimo, o 3ºlugar no Mundial de Construtores 2009. A McLaren pode atrapalhar? Sim – 60% Não – 75% Sim – 35,7% Não – 40% Sim – 25% Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com entre os dias 7 a 11 de agosto. Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com entre os dias 21 a 25 de agosto. Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com entre os dias 25 a 28 de agosto. cartas “N el leggere il testo di Ezio Maranesi di agosto (Critica politica e pettegolezzo), m’è venuto da chiedermi: dormo o son desto? Vada l’ideologia di destra e conservatrice dell’opinionista, vada l’evidente filoberlusconismo, ma i fatti non si possono ignorare. (...) L’opinionista relativizza e schernisce chi critica il premier dal punto di vista etico-morale. E invece il premier deve essere con- risposta dell’opinionista “L’ articolo non dà giudizi né assolve Berlusconi. Il giudizio sull’azione di governo o sui fatti privati del premier lo danno gli elettori votando. L’articolo critica la stampa quando cade nel pettegolezzo. Esiste un fatto, condannabile: va portato a conoscenza del pubblico e commentato. Riproporlo per mesi, infarcito di malizia, di cose non dette ma fatte immaginare, di verbi al condizionale, ecc, non / Setembro 2009 dannato esattamente in base all’etica pubblico-privata, che è cosa ben diversa dal moralismo, che deve sempre essere evitato! Il premier e la sua maggioranza bulgara hanno già da tempo dimostrato ampiamente di perseguire una politica ipocrita (...)” Paolo Spedicato – por e-mail è giornalismo: è pettegolezzo. E ciò vale per La Repubblica, antiberlusconiana e per Il Giornale, berlusconiano (anche la sua attuale campagna contro il direttore de L’Avvenire è spazzatura). La stampa straniera ha semplicemente ripreso il contenuto di alcuni giornali italiani e l’ha pubblicato e commentato. Con l’implicita domanda: e nonostante tutto ciò gli italiani continuano a votarlo? Già, questi italiani . . Roma ou Morte. Se a dramática história de vida de Giuseppe Garibaldi já foi contada em detalhes de todas as maneiras, o historiador Daniel Pick a aborda por meio de novos caminhos. Ao aproximar-se o final de janeiro de 1875, o general Garibaldi, herói popular da unificação italiana, deixou Caprera, seu austero retiro ilhéu no Mediterrâneo, numa jornada para Roma. O velho senhor propunha recrutar apoio para a missão cívica que se tornara a sua cruzada pessoal: transpor o curso do Rio Tibre, desviando-o da Cidade Eterna. Ambicioso, queria controlar as enchentes e a malária, drenar pântanos, prover irrigação para áreas rurais e tornar o rio navegável, entre outros atos. Porém, a iniciativa se torna uma frustração na vida do herói. Relacionando a história de Roma a fases da vida de Garibaldi, Pick ainda propõe uma leitura psicanalítica das ações do general. Editora Record, 276 páginas, 42 reais. A rainha Albemarle ou o último turista – fragmentos. Diário de viagem inacabado, foi escrito pelo filósofo francês Jean-Paul Sartre durante e logo após uma visita à Itália no outono de 1951. Com texto anotado por Arlette Elkaïm-Sartre, a filha adotiva do filósofo, é dela a apresentação: “Em Roma, Nápoles e Capri, ele toma notas, essencialmente descritivas, em suportes improvisados. [Depois] em Veneza, continua a escrever em um caderno, escolhendo as palavras para fazer a presença da cidade vibrar – mistura de emoção e ironia”. O livro revela um Sartre diferente, que quer respirar mais livremente e a Itália é o cenário ideal para isso. Primeiro, porque Sartre a ama. Segundo, porque a Itália, como ele demonstra, é o mais caloroso e colorido dos países europeus, e ao mesmo tempo o mais cheio de história e de arte, o que estimula os sentidos, mas também a inteligência desse turista incomum. Editora Globo, 192 páginas, 33 reais. Setembro 2009 Eurochocolate 2009 (Perugia) A Eurocholate reunirá em Perugia, entre os dias 16 e 25 de outubro, produtores, vendedores e consumidores de chocolate. Mais de 150 empresas de diversos países e cerca de um milhão de visitantes são esperados. É a 15ª edição do evento, que realiza durante sua programação o Chocolate Exchange, um encontro business to business entre produtores italianos e compradores internacionais. Interessados em participar, como expositores ou visitantes, podem obter informações através da Câmara Italiana do Rio de Janeiro ([email protected] ou (21) 2262-9141 / 2966) click do leitor Arquivo pessoal Filha mais velha de Berlusconi é mais poderosa do que Michelle Obama, segundo a Forbes. É justo? Não – 64,3% ComunitàItaliana Encontro de Sommelier (Sicília) Ragusa, esplêndida e histórica fortaleza da cultura enológica siciliana, receberá, de 3 a 6 de outubro, o Congresso Anual da Federação Italiana do Sommelier Hoteleiro e Restaurador (Fisar). Centenas de associados, provenientes de todas as regiões da Itália, são esperadas para o evento onde serão discutidos temas referentes ao mundo da enologia e da formação do setor. “Escolhemos a Sicília e a cidade de Ragusa certos de que a tradicional hospitalidade desta terra pode fazer a diferença, elevando este encontro anual a algo único e inesquecível”, destaca o presidente da Fisar Vittorio Cardacci Ama. Informações: [email protected] na estante Pílula abortiva será vendida livremente na Itália. Você acha correto? 10 V Seminário da Imigração Italiana (MG) O evento que discute a imigração italiana no estado de Minas Gerais acontecerá pela quinta vez. É promovido pela Ponte entre Culturas (MG), pela Universidade Federal de Minas Gerais, pela Universidade de Verona (Itália), pela Associação de Cultura Ítalo-brasileira (Acibra- MG), pelo Comitê da Imigração Italiana (Comites MG-TO-GO) e pelo Patronato INCA-CGIL. É um evento gratuito, aberto ao público em geral, que contará com a presença de palestrantes italianos e brasileiros. Durante o seminário, serão expostos trabalhos sobre a contribuição da imigração italiana para a formação histórica e a memória de Belo Horizonte e de Minas Gerais. De 26 de outubro a 1º de novembro. E-mail: seminario@ ponteentreculturas.com.br “E u e minha esposa, Annita Tereza Balbo Monnerat, fomos à Itália em março de 2005. Fizemos passeios pelas cidades mais conhecidas como Gênova, Assis, Padova, Florença, Veneza, Nápoles, Milão, Roma. Mas também fomos conhecer a cidade da família dela, San Giovanni a Piro, na Campania. Esta foto foi tirada lá no dia em que completamos 50 anos de casados. Bodas de Ouro e uma viagem maravilhosa para comemorar!” Aluizio Lutterbach Monnerat, Cordeiro – RJ – por e-mail. Mande sua foto comentada para esta coluna pelo e-mail: [email protected] / ComunitàItaliana 11 Opinione Opinione Franco Urani Ezio Maranesi [email protected] La fame è il Polentoni nostro business versus terroni La prima conferenza a New York sul commercio mondiale di terreni coltivabili I In alcuni servizi recenti avevo avuto modo d’informare in merito al risveglio economico mondiale d’interesse sull’Africa, soprattutto da parte cinese, con ingenti investimenti di capitali, strutture, immigrazione di migliaia di addetti, nell’intento di contribuire ad assicurare alla Cina le risorse di materie prime ed alimenti necessari al suo incredibile sviluppo. La Cina dispone infatti di ingenti riserve di capitali soprattutto in dollari accumulate in decenni di surplus commerciali con gli USA; una spada di Damocle nel caso decidesse di immetterli sul mercato a ritmo accelerato, in quanto costituiti soprattutto da buoni del tesoro USA, potendo mettere in crisi il sistema finanziario americano che già è in pesanti difficoltà. Peraltro, anche considerando che le applicazioni in dollari sono attualmente a tasso zero e la moneta tende ancora a svalutarsi, è presumibile che la Cina persisterà, con la dovuta prudenza, in queste forme di neo colonialismo, perlopiù basate sull’affitto di vaste zone di territorio per lo sviluppo agricolo e le attività estrattive di materia prima durante periodi che possono raggiungere vari decenni, contribuendo quindi a favorire sviluppi di paesi paralizzati dall’esplosione demografica, corruzione, agricoltura primitiva di sussistenza, lotte tribali. Pare che analoghi interessi, specie nel settore agricolo, li abbia la Federazione Russa in Ucraina e Kazakistan, Stati che integravano l’Unione Sovietica, con presenza minoritaria di popolazioni di origine russa. 12 Recentissima poi è la costituzione di alcuni fondi di investimento che hanno promosso recentemente a New York la prima conferenza sui terreni coltivabili denominata Global Aginvesting 2009, a cui hanno partecipato vari potenziali investitori provenienti da Kuwait, Arabia Saudita, Egitto, Sud Africa, Emirati Arabi, Australia, Corea del Sud ed anche alcuni importanti operatori brasiliani. L’interesse è rivolto principalmente su territori africani coltivabili ed a basso prezzo, trattandosi con i vari Governi formule di affitto fino a 99 anni. Localizzazioni preferenziali sarebbero: Etiopia, Sudan, Zambia, Congo, Mozambico, Madagascar, Uganda e si prevedono disponibilità di terreni intorno ai 30 milioni di ettari. La preferenza per l’Africa è esclusivamente dovuta al fatto che i prezzi dei terreni oscillano tra i US$ 350 e 500 all’ettaro, cioè circa la decima parte rispetto ad USA, Argentina e parte del Brasile. Nella conferenza si è diffusamente parlato dei terreni agricoli che verranno progressivamen- ComunitàItaliana / Setembro 2009 te persi a causa del cattivo uso e variazioni climatiche, dell’aumento della popolazione, delle maggiori esigenze alimentari degli strati più poveri, dei terreni che verranno utilizzati per i biocarburanti. In definitiva, il cibo – date le carenze progressivamente previste – è considerato come un bene in continua ascesa di prezzo ed i Fondi ipotizzano rendimenti annui per gli investitori di addirittura il 20/30%. Ammesso che questa formula d’investimento abbia successo, ne saranno certo beneficiati i governi dei vari paesi africani interessati, che dovranno procedere agli espropri e ad incassare gli affitti. Almeno sulla base di quanto finora avvenuto, una buona parte dei proventi potrebbe destinarsi ad attività estranee allo sviluppo sociale ed economico dei paesi, data la dilagante corruzione. Anche i gestori dei fondi dovrebbero trarne cospicui vantaggi in considerazione degli spread probabilmente elevati relativi alla loro gestione. Peraltro non sono chiare, almeno in questa fase iniziale, le modalità che s’intendono applicare per mettere a cultura terreni incolti in zone presumibilmente poco accessibili e con poche infrastrutture... qualora non vi siano diretti coinvolgimenti tipo Cina e probabilmente Egitto nel contiguo Sudan. I suddetti sono sistemi che possono funzionare e che in passato sono stati largamente usati – sia pure come conquista e non d’accordo con gli stati locali – dagli europei per l’occupazione delle Americhe e successivamente in Africa e Asia ai tempi colo- niali, con problemi inevitabili e dolorosi per le popolazioni indigene residenti che vivono per lo più allo stato tribale/pastorale in armonia con la natura, risolti con assorbimento, servitù, emarginazione, espulsione, talvolta sterminio. Inoltre, saranno inevitabili i disboscamenti con tutti i problemi ecologici connessi. Si tratta di processi che il Brasile ha vissuto a lungo ed ancora in corso specie nella regione amazzonica. Comunque, esiste – se l’iniziativa è ben condotta – la contropartita dell’integrazione del territorio al paese e della creazione di una produzione agricola indispensabile per l’alimentazione. Nel caso poi in cui i fondi di trasformazione provengano da paesi ricchi, essi potranno fornire tuttalpiù i quadri dirigenti, mentre la manodopera per le opere di struttura e le coltivazioni dovrà avere altre provenienze, o del proprio paese beneficiato qualora possibile, e/o da altri paesi in cui vi siano eccessi di popolazione laboriosa e sottoccupata, credo reperibili nelle aree del Nord Africa e Asia meridionale. Quindi un’ulteriore complicazione. Concludendo, consiglierei estrema cautela a chi fosse interessato ad applicare capitali nei nuovi fondi di sviluppo agricolo, in quanto gli elevati rendimenti ipotizzati si basano su iniziative condotte con impegno, efficienza e serietà, trattandosi di progetti di estrema complessità sui quali i gestori dovranno dare ampi chiarimenti ed assumere validi impegni nei confronti degli investitori. Il Partito del Sud: l’ultima spiaggia per i politici scadenti e scaduti I l mondo politico discute se e come festeggiare, il 17 marzo 2011, i 150 anni dell’Unità d’Italia. C’è chi vuole festanze solenni e costose, chi vuole una cerimonia sobria, chi ostenta il più scoraggiante disinteresse.Vittorio Feltri, cinico come sempre, dice dalla tribuna del suo “Libero” che dell’unità non importa a nessuno. La retorica ufficiale lo nega, lo deve negare. Il cittadino comune non si pone il problema. Il cittadino critico rumina i suoi dubbi: cosa c’è da festeggiare? Alcuni politici sudisti ravvivano la polemica dichiarando di voler fondare il Partito del Sud. Dovrebbe difendere gli interessi del Meridione e fare da contrappeso alla Lega Nord. L’idea, o se si vuole la minaccia, è nata quando il Governo ha tardato a versare alla Regione Siciliana 4 miliardi e 200 milioni di euro stanziati dall’Europa per lo sviluppo delle aree depresse. Questi soldi sono destinati al Sud ma il Governo vorrebbe, a mio avviso legittimamente, vincolarli agli investimenti e non vederli sparire nella voragine delle spese correnti. I parlamentari siciliani, a richiesta del Governatore Lombardo e applicando una originale variante soft alla tecnica del “pizzo” mafioso, hanno negato il loro appoggio in alcune votazioni di interesse del Governo. I 4 miliardi e 200 milioni andranno in Sicilia. L’idea del Partito del Sud riscuote molto interesse, soprattutto in politici consunti e screditati che lo sognano come una spiaggia su cui approdare sani e salvi per potersi riciclare. Bassolino, che rischia di annegare nel mare dei rifiuti delle discariche napoletane, ne è entusiasta. E cosí Loiero, il discutibilissimo governatore calabrese, De Mita e altri cestinabili. L’idea non piace invece al Governo; il partito potrebbe dare nuove opportunità ai pessimi politici e dirigenti responsabili del malgoverno in molte regioni del Sud e potrebbe raccogliere i voti dei meridionali scontenti, non importa di che, che sono molti. E’ comunque po- lemica tra nordisti e sudisti, per ora assopita dal torpore del ferragosto, una delle poche bandiere sotto le quali l’Italia si sente unita. E’ polemica inutile, in cui l’emotività vince largamente sul raziocinio, ma non mancano dati su cui polemizzare: è difficile spiegare a un contribuente lombardo perché deve pagare 5.000 euro più di quanti ne riceve in servizi quando il contribuente siciliano riceve 3500 euro più di quanti ne paga. E’ ancora più difficile spiegare perché, nonostante ciò, la qualità dei servizi di cui il siciliano fruisce è pessima. Perché una TAC a Trapani costi il doppio che a Varese, le ferrovie siciliane abbiano un solo binario, i comuni di Palermo e Catania siano falliti, al Sud vi sia un numero incredibile di spazzini, impiegati comunali, invalidi del lavoro, ecc. Ben venga però il Partito del Sud se sarà l’occasione per formare una nuova classe politica e dirigente che, con l’avvento del federalismo, possa portare la cultura della efficienza e sopprimere quella del clientelismo. Temo però che questo augurio sia destinato a rimanere un pio desiderio. C’è una radicale e profonda differenza sociale e culturale tra Nord e Sud. Il Nord ha sofferto, o goduto, dell’influenza delle culture francesi e mitteleuropee; il Sud ha sofferto, e solo sofferto, della influenza di arabi, normanni, angioini, aragonesi, borboni e, perché no, piemontesi, dai quali la gente del Sud ha dovuto imparare sempre e solo a difendersi. E’ una sindrome superabile? Certamente, ma a tre condizioni. La prima: la gente del Sud deve crederci, e deve muoversi anche senza l’ombrello assistenzale del governo e dei nordisti. Un esempio: Recife, una città economicamente modesta, è nata, con investimenti limitati, l’isola informatica, con oltre 200 imprese, alcune grandi. E’ il frutto di una fortunata intesa tra potere pubblico locale e imprenditoria privata, e dà lavoro a migliaia di persone che, nel tempo, si sono altamente qualificate. Perché a Cosenza non può nascere qualcosa di simile? La seconda: la gente del Sud deve darsi la forza per cacciare a calci nel sedere buona parte dei politici e dirigenti che oggi amministrano i poteri locali. La terza: la gente del Sud deve convincersi che le leggi, centrali o locali, sono fatte per essere osservate, al Nord cosí come al Sud. Se poi avremo un forte Partito del Sud, e già abbiamo una forte Lega Nord, la secessione è assicurata; il problema di come festeggiare l’Unità d’Italia è risolto. Opinione notizie Fabio Porta Status di rifugiato è “illegale” [email protected] Pane e speranza Nel 1906 la tragedia della nave “Sirio”; nel 1956 i morti di Marcinelle; pochi mesi fa il volo dell’Air France precipitato sull’Atlantico: storie note e meno note di un’epopea di piccoli e grandi eroi I l 6 agosto del 1906 il transatlantico “Sirio” affondava al largo della costa atlantica della penisola iberica: si consumava in poche ore la più grande tragedia che mai abbia vissuto l’emigrazione italiana nel mondo. Le millesettecento persone a bordo, un carico “umano” abbondantemente al di là dei limiti consentiti dalla normale capienza della nave, si erano imbarcate pochi giorni prima da Genova alla scoperta della loro ‘Merica’; l’America del Sud, e il Brasile in particolare, era la meta di centinaia di uomini e donne, bambini e anziani, che cercavano in quelle terre lontane pane e speranza. Il pane che a loro mancava, in un’Italia da poco unita ma ancora troppo povera per sfamare un proletariato urbano e soprattutto contadino numeroso e tradizionalmente abituato al duro lavoro e al sacrificio; la speranza che rischiava di morire con i tanti neonati che non riuscivano a superare i primi mesi di vita, a causa delle insane condizioni di vita delle loro povere famiglie. Il triste e freddo bollettino della tragedia parlerà di cinquecento italiani tra morti e dispersi, cinquecento vittime innocen- 14 ti di questo dramma più grande che è stato l’emigrazione italiana nel mondo. Eroi sconosciuti di un tempo nel quale non c’erano mass media a fare conoscere e a divulgare in tempo reale le notizie e le immagini di stragi e tragedie; anzi, di un tempo in cui era facile ed a volte auspicabile per le autorità l’occultamento delle informazioni. Anche il tempo e le distanze giocavano infatti a favore di chi non aveva alcun interesse a diffondere certe notizie. Ho voluto ricordare il disastro del “Sirio” perchè poche settimane fa abbiamo celebrato la “giornata del sacrificio italiano nel mondo”: l’8 agosto, in memoria dei minatori italiani che morirono in Belgio in quella stessa data del 1956, in tutte le rappresentanze diplomatiche italiane del mondo è stato osservato un minuto di silenzio in memoria di tutti i caduti dell’emigrazione italiana all’estero. Quest’anno, oltre a questa significativa decisione del nostro Ministro degli Esteri, anche il Presidente della Camera dei Deputati ha voluto rendere omaggio personalmente a questa storia. Il Presidente Gianfranco Fini si è recato, insieme ad alcuni parlamentari italiani e al Segretario ComunitàItaliana / Setembro 2009 Generale del Consiglio Generale degli Italiani all’Estero proprio a Marcinelle, città-simbolo di tutte quelle tante, troppe, morti che ci ricordano ancora oggi un’epopea di sacrificio, ma anche di eroismo e abnegazione. Un minuto di silenzio, come anche un bel discorso davanti ad una lapide, non bastano però a mantenere viva la memoria di quanto è successo e di quello che la diaspora italiana nel mondo ha rappresentato per la storia del nostro Paese. Queste pagine di storia vissuta devono diventare un patrimonio permanente della cultura italiana; la proposta di introdurre l’insegnamento della storia dell’emigrazione nelle scuole risponde proprio a questa esigenza. Il Parlamento e le istituzioni italiane devono avere il coraggio di riconoscere la centralità dell’emigrazione e della presenza italiana nel mondo nell’arco dei centocinquant’anni di unità d’Italia che celebreremo tra un anno e mezzo. Una storia ancora poco conosciuta, soprattutto dalle giovani generazioni, ma anche da tanti politici e soprattutto dagli organi di informazione, che in Italia continuano a dare una immagine stereotipata e non più attuale dell’Italia nel mondo. Alle giovani generazioni, in Italia e all’estero, deve rivolgersi questo dovuto sforzo di riscoperta di una memoria storica fondamentale per valorizzare le nostre radici e per costruire un nuovo futuro del rapporto con gli italiani nel mondo. La proposta di legge che ho presentato in Parlamento prevede in questo senso scambi permanenti tra le scuole italiane e dei principali Paesi di emigrazione, premiando i migliori progetti e incentivando i gemellaggi tra Italia ed estero. Per i morti del “Sirio” non ci sarà mai una lapide dove andare a pregare, o semplicemente a versare qualche lacrima; i morti in mare appartengono a tutti e a nessuno. Ce ne siamo ricordati recentemente, con la tragedia del volo Air France Rio-Parigi. A distanza di oltre cento anni altre vittime dell’emigrazione cadute in mare. Questa volta però un eroe c’è, con un nome ed un volto: Rino Zandonai, il Presidente dei Circoli Trentini nel Mondo. A lui, al suo bellissimo lavoro a favore delle nostre comunità nel mondo, alla sua famiglia che a Trento continuerà a ricordarlo per sempre insieme ai suoi tanti amici: a loro dovremmo dedicare questo rinnovato impegno per il rispetto della memoria di tutti gli italiani che sono andati “nel mondo” e che adesso non ci sono più. I l Supremo Tribunal Federal ha iniziato il processo di richiesta di estradizione di Cesare Battisti questo mese. Dopo 11 ore di dibattiti l’udienza è stata sospesa dal presidente della Casa, Gilmar Mendes, per soddisfare la richiesta di analisi del processo fatta dal ministro Marco Aurélio Mello. In quel momento quattro ministri avevano già votato a favore dell’estradizione. Altri tre avevano ratificato la decisione del governo brasiliano di concedere lo status di rifugiato politico a Battisti. Per concludere l’udienza mancava solo il voto di Mello. Secondo la sala stampa del STF con questa richiesta di analisi la decisione è stata rimandata e dovrà essere ripresa in nuova data da definire. Fino a questa data Battisti continuerà agli arresti presso la Penitenciária da Papuda, a Brasília. Condannato all’ergastolo in Italia, Battisti è stato arrestato a Rio de Janeiro nel marzo del 2007. Due mesi dopo il governo italiano ne ha richiesto l’estradizione. Nel gennaio di quest’anno Battisti ha ottenuto lo status di rifugiato politico concesso dal ministro della Justiça, Tarso Genro. Prima il Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) aveva già negato a Battisti la concessione di status di rifugiato. Secondo il relatore del processo di estradizione, ministro Cezar Peluso, gli argomenti secondo i quali l’Italia avrebbe realizzato un processo “viziato” per i reati commessi negli anni ’70 non sono altro che “speculazioni”: — La decisione del Conare era giusta. L’atto (del ministro della Justiça) è illegale — ha concluso. Primo posto C on un lucro di 2 miliardi e 348 milioni di reais, nel secondo trimestre, il Banco do Brasil è di nuovo la maggiore banca brasiliana in attivi. La somma rappresenta il 42,8% in più in confronto allo stesso periodo dello scorso anno. I motivi principali della crescita sono stati la grande espansione dei prestiti e il recupero degli spreads. Da una valutazione del ministro della Fazenda, Guido Mantega, le banche private rimarrano molto indietro se non seguiranno l’esempio delle banche pubbliche, che hanno aumentato l’offerta di credito e ridotto il tasso di interessi. Corso N ell’ambito dell’Accordo di Programma con la regione Marche, l’ICE realizzerà un corso di formazione rivolto a 14 operatori latino-americani e caraibici di origine marchigiana cosí ripartiti: Argentina (5), Brasile (5), Cile (2), Panama (2). Il corso, della durata complessiva di 10 giorni, si articolerà in una fase di lezioni ed in um successivo “study tour” aziendale. Sarà realizzato dall’Area Progetti e Formazione Internazionale dall’Ufficio ICE di Ancona e si svolgerà presso l’ICE di Ancona dal 5 al 17 ottobre. Cittadinanza C ambiano alcuni requisiti per la concessione di cittadinanza per i residenti in Italia. Dall’ 8 agosto 2009, con l’entrata in vigore della legge nº 94 del 15 luglio 2009, sono state introdotte alcune norme di modifica della attuale legge nº 91 del 5 febbraio 1992. Le nuove disposizioni prevedono, per le domande per matrimonio, l’elevazione del periodo di residenza legale in Italia da sei mesi a due anni. Per le domande per residenza e per quelle per matrimonio viene prevista la presentazione di documenti originali in aggiunta a quelli usualmente acquisiti. Viene introdotto il versamento di un contributo pari a 200 euro per le nuove istanze. Intercomites Brasil T agli alle risorse destinate agli italiani all’estero per la realizzazione di corsi di lingua e assistenza sociale, ammodernamento della rete consolare grazie alla informatizzazione, problemi legati alla documentazione richiesta per l’ottenimento della doppia cittadinanza italiana, task force, certificazione in “intenso tenore” e itinerari unificati per tutte le circoscrizioni consolari. Questi sono stati alcuni dei temi trattati nella riunione dell’Intercomites Brasil, realizzata il 7 agosto scorso a Recife, coordinata dal presidente del Comites di Recife, Salvador Scalia. Premio L’ ICE - Istituto Italiano per il Commercio Estero, la ACIMIT - Associazione Costruttori Italiani di Macchinario per l’Industria Tessile, il Centro Universitário FEI e la Faculdade SENAI/Cetiqt hanno indetto il concorso Italian Textile Technology Award 2009.La partecipazione è diretta ad allievi di ingegneria delle due facoltà brasiliane. Anche ex-allievi di queste istituzioni che abbiano preso la laurea tra il 2007 e il 2008 potranno parteciparvi. L’iniziativa mira ad incentivare studenti brasiliani nell’area della Tecnologia Tessile, oltre a dare ai produttori italiani di macchinari tessili l’opportunità di presentare l’alta tecnologia di cui il Paese dispone per i futuri professionisti del settore. Il premio sarà un viaggio di una settimana in Italia nel giugno 2010, con diritto a visite agli uffici dell’ICE a Roma, della ACIMIT a Milano e alle fabbriche del settore. Le iscrizioni possono essere fatte entro il 30 settembre su www.ice-sanpaolo. com.br/meccanotessile. I vincitori saranno resi noti in novembre. Piattaforma L a Petrobras ha firmato un contratto di 70 milioni di dollari con l’impresa italiana Saipem, che trasporterà e installerà la piattaforma fissa PMXL-1, nel campo di gas di Mexilhão, nel Bacino di Santos. L’unità entrerà in operazione nel 2010 con una previsione giornaliera di 9 milioni di metri cubici. Costruita presso l’Estaleiro Mauá, a Niterói (RJ), la piattaforma sarà la più alta di questo tipo costruita in Brasile: 230 metri. Energia Pulita L a Iveco, in partnership con la Itaipu Binacional ha lanciato il mese scorso il primo camion leggero mosso ad energia pulita dell’America Latina, il Daily Elétrico. Con uno chassis a doppia cabina, il camion può trasportare sei persone oltre all’autista. Il veicolo è provvisto di tre batterie Zebra, dall’autonomia di 100 chilometri quando completamente cariche, e raggiunge una velocità massima di 70 km orari. Quando è vuoto raggiunge gli 85 km orari. Il tempo di ricarica della batteria è di otto ore. — Abbiamo sviluppato questo progetto tenendo conto dei produttori di suini della regione, visto che abbiamo osservato che i rifiuti degli animali inquinavano i lenzuoli freatici. Cosí ogni macchina ha un sistema bio-digerente che ricicla il materiale evacuato e lo trasforma in energia — spiega il direttore generale del Brasile nella Usina Hidrelétrica di Itaipu, Jorge Miguel Samek. Setembro 2009 / ComunitàItaliana 15 política Alvo certo Pacote de segurança aprovado pelo Senado italiano qualifica imigração ilegal como crime O Janaína César Correspondente • Treviso partido da Lega Nord tanto quis que conseguiu. Após um ano e meio de discussões, o “pacote de segurança” foi aprovado definitivamente pelo Senado italiano em agosto passado, com 157 votos a favor, 124 contra e 3 abstenções. A lei conhecida como 94/2009 introduz novas regras para a imigração extra-comunitária. Agora, ficou mais fácil a expulsão do imigrante. E a União Européia não poderá protestar, como fez no passado, porque o governo driblou a recomendação da EU, aprovada em dezembro de 2008, que previa o reacompanhamento obrigatório somente em casos de crime. Pela nova lei, imigração ilegal é crime. Foi aprovado também o aumento do tempo de permanência nos Centros de Identificação (CIEs) de três para seis meses. Além disso, quem for pego pela segunda vez em clandestinidade pode ser condenado entre 1 16 e 4 anos de reclusão. Se o motivo da imigração for intelectual, a lei prevê uma permissão de até 1 ano de estadia para quem terminou um doutorado ou mestrado em uma das universidades do país. Estimativas oficiais indicam que a Itália teria, em seu território, 4,3 milhões de estrangeiros, entre regularizados e ilegais. A legislação também aperta o cerco a italianos que exploram a condição irregular dos imigrantes, por exemplo, alugando imóveis decadentes a preços altos. Para essas pessoas são previstos até 3 anos de reclusão. Já os responsáveis pela chegada dos irregulares no país – os conhecidos barqueiros – podem receber uma multa de até 15 mil euros e 5 anos de prisão. Agora, ficou mais caro obter os pedidos de permissão de estadia e de cidadania italiana feitos por extra-comunitários que tenham se casado com italianos. ComunitàItaliana / Setembro 2009 O custo para ambos os casos gira em torno de 200 euros. Ainda será obrigatório um teste de língua italiana para estadias de longa duração. Babás e acompanhantes são as únicas “categorias” da imigração clandestina aceitas pelos italianos. Isso porque cerca de 300 mil famílias dependem dessa mão-de-obra. A lei prevê a regularização desse trabalhador ao custo de 500 euros por caso. Se é verdade que atualmente se enquadram nessas categorias 130 mil cidadãos comunitários e 170 mil extra-comunitários, a Itália pode obter, quase que de imediato, um aumento de arrecadação de impostos de 1,3 bilhões de euros. Juridicamente, quem deverá arcar com essa despesa é o empregador. Porém, ninguém tem dúvidas que essa conta cairá no colo dos clandestinos, exatamente como aconteciam nas filas dos correios para dar entrada na permissão de estadia. Teoricamente era o empregador quem deveria tomar as providências e pagar os 70 euros pedidos, mas só os estrangeiros eram encontrados nas filas. Ronda cidadã O pacote também instituiu as rondas cidadãs, conhecidas como rondas padanas (homenagem à região da Padania, berço da Lega). São realizadas por voluntários civis que, autorizados pelos prefeitos, patrulham as cidades para “garantir” segurança. Por en- quanto, quem se mostrou interessado em fazer parte dessas rondas são, na maioria, homens, de 30 a 60 anos. Muitos são ex-policiais. Outros são cidadãos comuns que adotaram a filosofia da Lega de proteção da sociedade e criminalização do imigrado. Um dos requisitos exigidos para a função é ter boa saúde física e mental. As rondas vão colaborar com a polícia e a defesa civil, porém, o uso de arma é proibido, assim como o uso de uniformes. A identificação do grupo e de cada pessoa é obrigatória. Segundo o pacote segurança, os integrantes das rondas não devem expressar pontos de vistas de partidos, sindicatos, organizações e movimentos sociais durante o “expediente”. O país se encontra dividido a respeito das rondas: o norte defende enquanto o centro-sul não quer ouvir falar sobre o assunto. As primeiras cidades a adotarem o sistema de segurança “alter- nativo” foram Roma, Milão, Bergamo, Como, Verona e Treviso, além de outras cidades pequenas localizadas na região do Veneto. Curiosamente, região em que a Lega domina politicamente. Segundo o primeiro-ministro Silvio Berlusconi, a lei era “fortemente” desejada por ele e pelo governo. No dia da votação, Maurizio Gasparri, presidente dos senadores do Partido da Liberdade (Pdl), disse que essa era “uma lei para os italianos”. Para o ministro do Interior, Roberto Maroni, “pai político” da proposta, não se trata de um instrumento racista, mas “um passo muito importante para garantir a segurança dos cidadãos”. Já o partido Itália de Valor (Idv), no final da votação, levantou cartazes que diziam: “São vocês os verdadeiros clandestinos. Governo, clandestino do direito”. Para a igreja, a lei é racista por punir “alguém que tente escapar de uma guerra ou da pobreza”. Seus opositores lembram que muitos imigrantes são provenientes da Eritréia, Argélia e Líbia, países africanos colonizados pela Itália de Mussolini. Através de um comunicado, o presidente do Pontifício Conselho da Pastoral do Imigrante, padre Antonio Maria Veglio, defendeu o direito dos imigrantes “de bater na porta” da Itália. O próprio Vaticano está fazendo uma campanha massiva contra a lei, segundo o qual o governo está introduzindo novamente “leis raciais no país”. Para Dario Franceschini, secretário do Partido Democrático (Pd), “esse é o preço que o governo está pagando por ter aceitado a Lega como aliada política”: — Corremos o risco de sobrecarregar ainda mais os juízes e de lotar as prisões, isso sem conseguir alcançar a rede criminal que explora a imigração clandestina. Segundo ele, a Itália - país que tem a fama de ter uma das melhores Constituições do mundo - com essa lei priva quem é irregular de qualquer estado de direito, visto que tudo agora será vinculado à permissão de estadia. Com essa lei, o governo não só autoriza a denúncia de quem se encontra em tal situação, mas quase a impõe. Para Franceschini, o novo texto “é inconstitucional visto que não garante os direitos básicos do cidadão”. Segundo ele, os clandestinos, já conhecidos como invisíveis, “passarão a ser inexistentes”. “Entrar irregularmente em um país é expressão de uma condição individual, sujeita aquela de ser imigrante e não representa um ato criminal”, como afirma um apelo escrito por juízes italianos contrários a lei. Segundo o juiz Mario Giulio Schinaia, faltam instrumentos para combater o problema da imigração clandestina. Para ele “a nova lei pune uma condição e não um ato ou uma conduta criminal”. Até o presidente do Banco Central da Itália, Mario Draghi, saiu em defesa dos imigrantes. Em um discurso feito durante o Encontro de Amistad - fórum organizado pela Associação Católica Comunhão e Libertação - Draghi argumentou que os imigrantes “são uma riqueza que só é possível utilizar se conseguirmos administrar os graves problemas que se impõem em matéria de integração social e cultural”. Segundo ele, essa parcela da população “é em média mais jovem e menos instruída do que os italianos, porém participa em maior medida do mercado”: — Os imigrantes levam adiante atividades muitas vezes importantes para a sociedade, ainda que mal remuneradas. São atividades que os italianos, em sua maioria, não querem mais exercer. Dessa forma, os imigrantes não ameaçam os italianos no mercado de trabalho. Setembro 2009 / Reação A onda de protestos contra o pacote segurança está derrubando barreiras de língua e de cultura. Os irregulares presos nos CIEs estão usando as próprias estruturas para denunciar as más condições a que são submetidos. Assim que a lei foi aprovada, 14 pessoas foram detidas em Milão acusadas de resistência à prisão. No final de agosto, no CIE da cidade de Gradisca, na região do Friuli Venezia Giulia, foram queimados colchões. Já no Centro Turim, um grupo fez greve de fome. Os moradores de Lampedusa, por onde os ilegais tentam entrar na Itália, estão organizando uma mostra de vídeo sobre a temática da imigração. Os lampeduneses são muito solidários aos irregulares que vivem nos CIEs da ilha. Lá, no dia 25 de setembro, será realizado o “Clandestino Day”, um dia inteiro de ações contra o pacote de segurança. Para o dia 17 de outubro é prevista uma manifestação nacional, organizada por associações, sindicatos e movimentos sociais. ComunitàItaliana 17 especial O impermeável Às vésperas de seu aniversário de 73 anos, especialistas explicam porque nada parece abalar o prestígio de Silvio Berlusconi junto à população italiana Lisomar Silva Q Correspondente • Roma uem esteve na magnífica Villa Certosa, a opulenta propriedade balneária de Silvio Berlusconi, na Sardenha, diz que o primeiro-ministro italiano passou a segunda metade de agosto fazendo dieta e afiando suas armas para enfrentar a longa lista de questões políticas, econômicas, sociais e pessoais, depositada sobre sua mesa de trabalho. A maré de pressões reservada ao primeiro-ministro está alta. A dívida pública chegou a 1,7 bilhões de euros e o Produto Interno Bruto caiu 6%. A crise econômica asfixia as pequenas e médias empresas e até o final desse ano, a expectativa é que 460 mil cidadãos estarão desempregados. Desse total, 30% poderão ser despejados por não conseguirem pagar seus aluguéis ou as prestações da casa própria. A eles se unem os 40 mil desabrigados à espera de alojamento após o terremoto na região de Abruzzo - alguns até apelaram para a generosidade de Berlusconi e pediram hospedagem em uma das residências do primeiro-ministro, até agora, sem obterem sucesso. Berlusconi também anuncia reformas no plano da Justiça de modo a censurar a atividade de magistrados e jornalistas em investigações e processos. aliados e do eleitorado italiano. Há quinze anos, quando decidiu entrar oficialmente no cenário político, o então empresário Berlusconi já havia criado seu império imobiliário, midiático e financeiro destinado a crescer sem limites, fundado com investimentos de origem desconhecida. Até hoje, ele não hesita em usar os meios de comunicação na transformação da cultura política em espetáculo. Embaralha as regras do jogo ao nomear personagens do mundo artístico nacional-popular para cargos políticos; ao fundir a imagem do líder público com a conturbada vida pessoal e familiar; ao fazer passar por realidade o que é ilusório. Segundo os especialistas, Berlusconi é um ótimo vendedor de ideias. Como estratégia, evita comícios, discursos públicos ao ar livre e o confronto direto com seus opositores-concorrentes. Gian Enrico Rusconi, Crooner O primeiro-ministro surgiu no cenário público na década de 50, quando era crooner e encantava as platéias dos passageiros que embarcavam em cruzeiros marítimos pelo mar Mediterrâneo. Naquela época, já demonstrava o grande poder fabulador que usou na conquista de seus 18 ComunitàItaliana / Setembro 2009 professor de Ciências Políticas da Universidade de Turim, explica em seu editorial no jornal La Stampa: “Berlusconi nunca fala de ‘classes sociais’, mas de ‘ci- dadãos felizardos ou desventurados’, ‘privilegiados/marginalizados’; as classes inferiores são compostas por ‘quem ficou para trás’. Promete a todos um indistinto melhoramento geral. O berlusconismo recriou a potência política da contraposição amigo/inimigo”. No dia 29 de setembro, o magnata completa 73 anos de idade. Apesar da longa série de escândalos, denúncias, acusações e críticas vindas de seus adversários políticos, da imprensa, da igreja, de parte da opinião pública e até de familiares quanto a seu comportamento como homem político e cidadão, Berlusconi se declara “indestrutível e determinado” a concluir seu governo – o quarto – iniciado em 29 de abril de 2008. Se isso acontecer, Berlusconi deixará o governo em 2013 e se lançará na aposta da realização de sua aspiração máxima: tornar-se presidente da República. Até lá, o primeiro-ministro terá tempo de festejar o sesquicentenário da Unificação Italiana (em 2010), mesmo tendo que acertar as contas com seu aliado Umberto Bossi, líder da Liga Norte. Ele sonha ver o país transformado em federação e administrativamente dividido em duas únicas áreas: Norte e Sul. No mês passado, Bossi provocou irritações junto à própria coalizão de governo ao reivindicar a criação oficial de uma bandeira para a parte Norte do país em substituição à bandeira nacional. Fonte inspiradora de uma vasta bibliografia nacional e estrangeira, inúmeras teses de licenciatura e estudos sobre comunicação de massa, Berlusconi é visto como uma síntese europeia ocidental de oportunismo e astúcia: representa, com todas as contradições de seu comportamento, um modelo que mais da metade do eleitorado italiano aceita e até admira. Por quê? Para entender esse “fenômeno cultural”, Comunità ouviu especialistas que o identificam como o fundador de uma “democracia midiática” que confunde os valores da identidade cultural italiana com a força dos meios de comunicação. Para o francês Pierre Musso, 59 anos, professor de Ciências da Comunicação na Universidade de Rennes, Berlusconi venceu tantas vezes, sobretudo, porque ocupa há tempos e em modo estável um importante espaço político que pertenceu a fortes partidos do passado, como o Partido Socialista de Bettino Craxi e às correntes tradicionalistas guiadas na Democracia Cristã, com figuras do calibre do senador vitalício Giulio Andreotti; o expresidente da República Francesco Cossiga; e parlamentares carismáticos como Arnaldo Forlani: — Desde o início de sua carreira, Berluconi usa uma linguagem inovadora, transferida do mundo do marketing para a esfera política. Quando se dirigia ao eleitorado com expressões de au- to-catalogação como ‘presidente-empresário’ ou ‘presidenteoperário’, criava um canal imediato de comunicação com seus interlocutores. Ainda que ilusória, essa relação deu uma ideia de identificação cultural e social entre o líder político e o público eleitor. No contexto de crise dos modelos políticos tradicionais em que partidos de oposição não focalizam ideais nem ideologias, mas questões sócio-econômicas concretas de um sistema marcado pela crise do Estado, não existe uma mensagem diferenciada. Na avaliação de Musso, Berlusconi, trouxe um “importante elemento novo” para o campo político: valorizou a mentalidade empresarial contra o perfil estatal no modo de governar os problemas. Imagina um Estado liberal no incentivo à exportação, que garante funções soberanas de imagem eficaz junto à opinião pública, como a vigilância do território, a diplomacia ativa no plano internacional, a justiça aplicada segundo modelos preventivos e defensivos préestabelecidos. Ao mesmo tempo, corta orçamentos relativos aos serviços públicos, como a rede escolar e a saúde pública. Na última campanha política, Berlusconi usou praticamente os mesmos argumentos de seu adversário, Walter Veltroni, que acabou desorientado pela semelhança de ideias defendidas por forças opostas. Os eleitores, provavelmente Para Massimo Giannini (abaixo) Berlusconi se sente legitimado pelo voto popular cansados das promessas irrealizadas da classe política tradicional da oposição, acabaram dando seu voto a quem usou os valores essenciais para o dia-a-dia dos italianos como termos de propaganda. Berlusconi se distinguiu mais pelos valores e as idéias que lançou do que pelo programa de governo de descreveu. No ano passado, Musso lançou o livro Sarkoberluconismo, em que focaliza pontos comuns de comportamento e ideias entre Berlusconi e o presidente francês Nicolas Sarkozy. Novo Nepoleão O jornal La Repubblica, com 600 mil cópias vendidas diariamente, é o maior contestador, na imprensa escrita, dos passos que Berlusconi deu em sua aventura política, sobretudo a partir do sucesso conquistado nas eleições europeias e administrativas desse ano, como esclarece o vice-diretor Massimo Giannini, 46 anos. Ele escreveu vários livros sobre Berlusconi. O último deles é Lo Statista. Il Ventennio Berlusconiano tra Fascismo e Populismo: — Berlusconi se sente legitimado pelo voto popular a representar o poder em todas as suas articulações e a forçar as regras do sistema democrático com grande frequência. Dificilmente aceita a ideia que a democra- Setembro 2009 / cia seja um jogo dialético entre quem está no poder e seus adversários políticos. Considera válida unicamente a força do poder executivo, não tolera os limites impostos pelo poder legislativo. Mal consegue suportar outras forças contrapostas de poder como o do presidente da República, nem admite ser tratado como cidadão comum pela imprensa nem a magistratura. Isso o levou a condicionar o parlamento a instituir uma série de leis a seu favor, livrando-o de procedimentos judiciais por ações ilícitas cometidas enquanto empresário. Segundo Giannini, a justificativa de Berlusconi para o comportamento que assume o leva a fazer coincidir a sua história pessoal com a biografia de toda a nação, numa contínua afirmação de perfil napoleônico, do tipo ‘Eu sou a Itália; os italianos me querem bem e me aceitam como sou, portanto me deram um mandato para fazer o que quero e o que me parece útil’. ComunitàItaliana 19 especial “Berlusconi inova a mensagem política do século 21, enquanto seus potenciais adversários pararam no tempo” Alessandro Amadori Giannini enfatiza que La Repubblica quer esclarecer aos italianos que o estilo pessoal de vida de Berlusconi é tema jornalisticamente supérfluo. Na realidade, o segundo principal cotidiano italiano releva a escassa credibilidade do primeiro-ministro como chefe de governo e de seu partido no forte contraste entre os valores que pretendem encarnar, como a família, a religião e a moralidade contrapostas ao comportamento discutível de “Papi Silvio” em sua vida privada, como revelaram os recentes episódios de picantes festas em companhia de jovens escort e veline, mulheres aspirantes a vedetes no mundo artístico televisivo e a cargos políticos. Por coincidência, no mesmo período, a ministra das Oportunidades Iguais e ex-apresentadora de TV Mara Carfagna aprovou uma lei que impõe multas aos clientes que buscam a atenção das prostitutas: — O estilo de vida de Berlusconi contrasta brutalmente negócios com as leis que faz aprovar em seu governo. Até mesmo sua filha Barbara, em uma entrevista à revista Vanity Fair, afirmou que não existe distinção entre questões privadas e públicas na vida de um político. As inúmeras mentiras e omissões de Berlusconi sobre episódios de sua vida privada fazem pensar que ele pode continuar mentindo também sobre as atividades de governo, portanto não goza de credibilidade — analisa Giannini. Se a questão da credibilidade representa um ponto discutível no comportamento de Berlusconi, as opiniões de Massimo Giannini e do respeitável especialista de pesquisas de opinião e marketing Alessandro Amadori coincidem quanto à total ausência de fortes adversários e opositores políticos. Amadori, 49 anos, também escreveu diversos livros sobre o primeiro-ministro, dos quais o mais recente tem por título Silvio, tu uccide una sinistra morta! Perchè Berlusconi ha vinto e continuerà a vincere. Amadori, diretor da agência Coesis de pesquisa de opinião e mercado, compara o carisma de Berlusconi ao do presidente bra- Alessandro Amadori Preparativos para o desembarque Seminários darão o tom da missão empresarial que trará mais de cem empresários italianos ao Brasil, em novembro sileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Argentino, Juan Domingo Perón. — Berlusconi inova a mensagem política do século 21, enquanto seus adversários pararam no tempo. Berlusconi usa a linguagem popular para se comunicar com seus eleitores. Como Lula, dirige sua mensagem não ao cérebro, mas à barriga do povo. Como fez Perón com os ‘descamisados’, Berlusconi soube detectar os sonhos e insatisfação dos italianos e transformou tudo em um produto de consumo através da linguagem propagandística de suas promessas. No plano político, agrega e comanda as várias correntes de centro-direita, colocando-se como único e líder pragmático de referência. E todos devem obedecer a esse princípio se não quiserem ser excluídos. As últimas eleições regionais revelaram o sucesso dessa receita — observa Amadori. Ecos do Brasil A o usar a tribuna da Câmara para criticar a mídia brasileira, o deputado Fernando Ferro (PT/PE) acabou “batendo” no primeiro-ministro italiano. Para mostrar como a imprensa era “tendenciosa”, indagou porque o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, era sempre criticado ao mesmo tempo em que Silvio Berlusconi - a quem chamou de “neoduce” e “fanfarrão” - era preservado. Segundo reportagem postada no site do deputado, ele lembrou que, recentemente, Berlusconi vetou a publicação de um livro de José Saramago, pela sua editora, após tomar conhecimentos de críticas que o escritor português lhe fizera: — A atitude do primeiro ministro da Itália é completamente estapafúrdia para uma pessoa que detém o comando político de uma nação e de uma civilização tão importante. A Itália, que tanto contribuiu para ciência, para a filosofia, para as artes, tem como presidente uma figura que, no século 21, se comporta igual a Mussolini. Mara Carfagna 20 ComunitàItaliana / Setembro 2009 S Barbara Montereale e Patrizia D’Addario Segundo ele, essa dinâmica esconde uma perigosa armadilha: o retrocesso cultural da vida política italiana ao período entre o pós-guerra e o início da década de 90, dominado quase unicamente pela Democracia Cristã. Os italianos, que sempre se inspiraram fundamentalmente nos valores e nas ideologias de centro-direita, se deixam fascinar também por um líder carismático, autoritário e de decisão, como aconteceu no passado com a figura de Benito Mussolini. O fato que os políticos da oposição não consigam realizar um processo análogo de agregação com lideranças bem definidas, cria descrédito junto ao eleitorado e deixa Amadori perplexo: — É como se as correntes e os líderes de centro-esquerda permanecessem na Idade Média. Com o uso desenfreado dos meios de comunicação, Berlusconi tornou equivalentes os valores do ‘ser’ e do ‘parecer/aparecer’. Se Berlusconi quiser sair agora do cenário político, já terá seus sucessores prontos a dar sequência ao seu projeto. Exemplos? Amadori cita o presidente da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini, e Roberto Formigoni, presidente da Região Lombardia. Na sua opinião, mesmo que o ‘fenômeno Berlusconi’ tenha vida limitada, o berlusconismo “como fenomenologia evolutiva política e cultural pode durar outros 20 ou 30 anos”, na Itália. Um modelo, segundo ele, “perfeitamente reproduzível no comportamento de seus colaboradores e do eleitorado”. Sílvia Souza ão Paulo será o anfitrião no Brasil da maior missão empresarial já realizada em parceria com a Itália e que trará, pela primeira vez ao país, a presidente da Confederação das Indústrias Italianas, Emma Marcegaglia. Durante dois dias, representantes de 140 empresas italianas terão a oportunidade de descobrir um Brasil onde se pode investir e realizar trocas comerciais e tecnológicas, em setores como infraestrutura, energia e ambiente, bens de consumo e agroindústria, mecânica e maquinário, entre outros. A missão, que está sendo preparada pela Federação das Indústrias dos Estados de São Paulo (Fiesp) e pelo Instituto Italiano para o Comércio Exterior (ICE), acontece nos dias 9 e 10 de novembro. Como preparação para a vinda dos italianos, os organizadores têm se reunido quase que semanalmente. Até o fechamento desta edição, a agenda do evento previa a realização, no dia 9, de um seminário sobre oportunidades de investimento no Brasil, além de seminários técnicos sobre setores produtivos. Já no dia 10, o fórum Brasil-Itália abre os trabalhos, que terão continuidade com um almoço de negócios, encontros setoriais e um jantar de gala. Também estão previstas atividades como um Fórum de Ne- Vincenzo Scotti A missão ao Brasil se apóia em dados ratificados pelo ICE de que em dez anos a corrente comercial entre Brasil e Itália subiu de cerca de 5 bilhões de dólares para 15 bilhões de dólares. O fato de o governo incrementar programas de investimento em infraestrutura também atrai o empresariado internacional. Neste quesito, uma das portas a serem abertas são as transformações em vista da Copa do Mundo de Futebol de 2014, que o Brasil sediará. — Esta missão tem tudo para alavancar o desenvolvimento italiano, pois reforça a presença italiana no exterior e ultrapassa a já tradicional parceria cultural e sentimental entre Brasil e Itália — enfatiza Padovani. Cláudio Scajola gócios Itália-Brasil, apresentando dados econômicos recentes e movimentação industrial no país, além de encontros de negócios. Segundo o analista sênior do ICE Ronaldo Padovani a importância do evento pode ser mensurada pelas presenças confirmadas do ministro para o Desenvolvimento Econômico, Cláudio Scajola, do subsecretario do Ministério do Exterior, Vincenzo Scotti, e da presidente da Confindustria, Emma Marcegaglia. — Essa missão ocorre num momento em que muitos setores econômicos e países do mundo estão saindo da crise que, no Brasil, foi pouco sentida. É uma iniciativa do governo italiano que contemplou também neste ano Índia e China, os outros países do BRIC, que como o Brasil, sentiram a crise de uma forma menos agressiva. A Rússia, por exemplo, neste momento, não participou desta confluência — observa Padovani. Números De acordo com um levantamento feito pelo ICE, as exportações Setembro 2009 / brasileiras representam 12% sobre o Produto Interno Líquido e são diversificadas apresentando o país como um Global Trader. Prova disto seria, segundo o instituto, o fato de os Estados Unidos receberem 13,8% das exportações brasileiras. E mesmo com os efeitos da crise sentidos nos primeiros três meses do ano, os analistas do ICE apresentam como fator positivo a inflação brasileira ter diminuído de 6,4% para 4,5%, nos últimos doze meses. Para o instituto, outro ponto que chama a atenção dos investidores e demonstra a estabilidade brasileira é a criação, entre 2004 e 2008, de 1,5 milhão de novos postos de trabalho no país, com uma taxa de desemprego que diminuiu de 13% (em abril de 2004) para 6,8% (em dezembro passado). ComunitàItaliana 21 negócios affari I Compromisso com a inclusão Região da Toscana e Governo do Rio de Janeiro selam acordo para implementar projetos de cooperação C Sílvia Souza inco meses depois de enviar uma missão empresarial ao Rio de Janeiro e apresentar propostas para parcerias comerciais com o estado, a região Toscana assinou, no final do mês passado, um memorando de entendimento com o governo do Rio. A iniciativa, que tem a duração mínima de três anos, pretende fomentar uma troca de experiências no que diz respeito à implementação de políticas públicas em setores como desenvolvimento tecnológico, saúde, indústria moveleira e meio ambiente, entre outros. De acordo com o secretário de Desenvolvimento da Toscana, Ambrogio Brenna, a união faz parte de um projeto mais amplo chamado Brasil Próximo, que contempla ainda as regiões da Úmbria, Marche, Emilia Romana e Ligúria, tendo se espalhado por outros estados brasileiros em diferentes frentes. No Rio, a ideia dos gestores tem por objetivo melhorar a qualidade das relações sociais. 22 — Procuramos investir em projetos que tenham comprometimento com a inclusão e a coesão social, pois todos se beneficiam quando a sociedade é mais coesa e tem menor número de excluídos — afirma Brenna — Não temos um modelo de parceria pronto para propor, queremos encontrar o ponto em comum para, a partir daí, aprofundarmos o intercâmbio. Brenna destacou que a Toscana tem interesse em participar de projetos para a construção de habitações populares na Baixada Fluminense e cooperar na difusão econômica pela internet. Além disso, não serão descartados negócios que envolvam o setor naval e mecânico, bem como a extração mineral e o manejo de pedras ornamentais. A parceria vai estimular a promoção do cooperativismo, do turismo sustentável e a valorização do patrimônio ambiental e cultural. De acordo com o secretário de estado da Casa Civil, Regis Fi- ComunitàItaliana / Setembro 2009 chtner, no campo cultural, a Toscana teria a oferecer, ainda este ano, “um apoio significativo ao governo”, acompanhando os processos de restauro que estão em andamento, como a reforma do Theatro Municipal. — A partir da assinatura deste memorando, formaremos um grupo de trabalho para estudar e propor as intervenções. A Toscana é uma região que concentra e conserva um patrimônio cultural inestimável e sua consultoria em nossas obras seria de grande valia. Além disso, temos expectativas com relação às moradias, exportação e importação de produtos e um intercâmbio econômico — salienta Fichtner. Para o presidente da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria do Rio, Raffaele Di Luca, que acompanhou o encontro dos secretários, a data marca a possibilidade de o governo organizar uma missão empresarial à Toscana: — Tal qual aconteceu na Lombardia, em 2007, seria a vez do contato direto com a realidade e a produção especifica daquela região que tem 3,6 milhões de habitantes e 23 mil quilômetros quadrados. Divididos em dez províncias, a Toscana é conhecida em virtude de suas paisagens e seu legado cultural, tendo recebido seis indicações da Unesco para o título de patrimônio da humanidade: o centro histórico de Florença (em 1982), o centro histórico de Siena (em 1995), a praça da Catedral de Pisa (em 1987), o centro histórico de San Gimignano (em 1990), o centro histórico de Pienza (em 1996), e o Val d’Orcia (em 2004). Em outros estados A troca de experiências entre a Toscana e o Brasil ocorre oficialmente desde 2004. Segundo Ambrigio Brenna, o país, por sua diversidade e extensão, “é um fecundo parceiro para a região italiana”. Tanto que, projetos apoiados pela Toscana se desenvolvem em estados como Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul, Amazonas e Piauí. É em Manaus que a Cooperativa Archeologia realiza uma oficina-escola destinada à formação de mão-de-obra especializada na restauração de prédios históricos. A parceria foi destaque na edição 132 da Comunità. Já no Piauí, a atuação visa o desenvolvimento do agriturismo. Lá a meta é estruturar o Parque Nacional da Serra das Confusões, na região de Guaribas e Caracol. Estimativas do governo do estado do Piauí, apontam para um investimento por parte do governo federal de 7 milhões de reais, enquanto a região repassaria 1 milhão de euros ao projeto. mpiantare una rete comune di servizi e di appoggio tecnologico che contempli lo sviluppo locale. E’ questa la meta della pionieristica partnership fra il Brasile e l’Italia che immetterà un gettito di circa quattro milioni di reais nella regione centrale di São Paulo. L’iniziativa promuove una vera e propria unione fra i comuni São Carlos, Araraquara, Descalvado, Itirapina, Ribeirão Bonito e Rio Claro, che è quello che coordina lo sforzo comune. La partnership, che è stata già firmata, si trova ora nella fase di documentazione di sottoprogetti. Il più importante è l’Osservatorio di Sviluppo della Regione, che ha lo scopo di rafforzare l’industria elaborando politiche pubbliche utili allo sviluppo economico. A questo scopo sarà creata una banca dati con le informazioni socioeconomiche e ambientali della regione. E’ prevista entro ottobre una visita in Italia di una comitiva formata da rappresentanti del comune, da tecnici e imprenditori. Le risorse economiche per il progetto saranno a carico del governo dei due paesi. — E’ dal 2004 che realizziamo studi sulle piccole e piccolissime imprese e sui miglioramenti da fare in questo settore. Contiamo anche sull’aiuto di alcune università. Il Governo Federale e i comuni che fanno parte del progetto ne sono entusiasti — sottolinea Oswaldo Barba, sindaco di São Carlos. — Le città e i gruppi coinvolti stanno mettendo a punto un’agenda per inserirvi i progetti di maggior interesse. Fra i vari progetti c’è anche la creazione di un Centro per l’Innovazione delle Piccole 6 in 1 Alcuni comuni dello stato di São Paulo partecipano alla partnertship fra Brasile e Italia, che tende, fra i vari obiettivi comuni, all’integrazione commerciale e economica Sílvia Souza e Piccolissime Imprese, che sarebbe una specie di vetrina virtuale per aumentare la visibilità dei prodotti regionali. Que- Riunione: Marcelo Barbieri (sindaco di Araraquara); Cesar Alvarez, coordinatore generale del progetto; Oswaldo Barba e Emerson Leal (sindaco e vice sindaco di São Carlos) sto portale coinvolgerà, a parte l’amministrazione pubblica e le università, istituzioni come: Sesi, Senac, Sebrae, Ciesp, Fiesp, sindacati, associazioni di industriali e di lavoratori, servizi di microcredito e telecentri, oltre alle amministrazioni comunali. Agricoltura familiare Un Gruppo di Appoggio alla Agricoltura Familiare e agroaffari è un altro sottoprogetto che fa parte della cooperazione tra Italia e Brasile, che ha per scopo creare una struttura operativa di rafforzamento alle azioni integranti degli agricoltori e dell’agricoltura familiare della regione. La struttura del Centro Tecnológico de Agricultura Setembro 2009 / Família (CTAF) Alberto Crestana, a São Carlos, sarà utilizzata come base dell’iniziativa. Per Marcelo Barbieri, sindaco di Araraquara, grazie alla forte presenza italiana nella regione, questa è l’opportunità per confermare il legame fra i due paesi. — Al giorno d’oggi bisogna pensare allo sviluppo in termini di collettività e non d’isolazionismo. Questo accordo mira all’aggregazione dei valori — fa notare, mentre ricorda che il fatto che São Carlos abbia un assessorato per i problemi internazionali, a capo del quale c’è l’italo-brasiliano Alexandre Fuccille, contribuisce al successo del progetto. E poi i legami associativi tra São Carlos e l’Italia sono di vecchia data. La città ha partecipato a “100 Città per 100 Progetti per il Brasile”, programma di cooperazione internazionale promosso da Torino, che ha appoggiato le politiche di decentramento amministrativo del governo brasiliano. São Carlos vi ha partecipato come città coordinatrice di un gruppo tematico sulle questioni legate a infanzia e gioventù, e ancora promuove degli eventi per incentivare la discussione su questi temi. Oltre alle motivazioni politiche, São Carlos preserva le radici italiane acquisite con l’immigrazione. Il comune è stato, nello stato di São Paulo, uno dei principali punti d’arrivo degli immigranti negli anni fra il 1880 e il 1904. La maggior parte provenivano dalle regioni dell’Italia settentrionale e venivano a lavorare nell’agricoltura del caffè; grazie alla loro capacità si dedicavano anche alle manifattura e al commercio. Questo periodo è segnato dal sorgere di associazioni culturali e di mutuo soccorso, come la Vittorio Emanuele e la Dante Alighieri. Gli immigrati italiani erano così numerosi che, durante i primi decenni del XX secolo, il governo italiano mantenne un vice-consolato a São Carlos. Dopo la crisi del 1929 gli immigranti abbandonarono le zone rurali e si dedicarono al commercio e alle industrie che cominciavano a crescere nella regione. Nacque così la vocazione per questo settore che ora si distacca nello sviluppo del comune. ComunitàItaliana 23 economia Capitalismo solidário Experiência pioneira do Brasil na área do microcrédito criou uma rede de bancos comunitários no país S Sônia Apolinário omente agora, a Itália vai receber uma filial do “banco dos pobres”. Porém, há 11 anos, o Brasil já desenvolve uma bem-sucedida experiência na área do microcrédito com alguma semelhança ao que é feito no Grameen Bank, criado pelo bengalês Muhammad Yunus, que chegará a Bolonha no segundo semestre. Trata-se da Rede Brasileira de Bancos Comunitários de Desenvolvimento. São 40 bancos que funcionam em sete estados brasileiros (Ceará, Bahia, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Piauí, Maranhão e Paraíba). Até o próximo ano, o Rio de Janeiro terá cinco agências, todas em favelas do município, sendo que a primeira delas será na Cidade de Deus. Atualmente, a rede já mexe com a vida de quase 1 milhão de pessoas. Cada banco tem linha de crédito e moeda próprios. São comandados por grupo de mulheres, associação de moradores, assentamentos, conselhos comunitários e tribo indígena. Até o final do ano, a previsão é a rede ter 70 bancos em funcionamento. A meta, segundo Joaquim Melo, coordenador da Rede Brasileira de Bancos Comunitários, é chegar em 2010 com, “pelo menos”, mil agências criadas. O plano mais ambicioso, porém, é fazer com que o modelo se torne política pública brasileira. inauguração do Banco Palmas, na favela Conjunto Palmeiras, na periferia de Fortaleza (CE). A iniciativa trazia muitas novidades. A “dona” da instituição era a própria Associação dos Moradores do Conjunto Palmeiras. Sua “moeda social”, batizada de Palmas, circulava somente no bairro e substituía o Real nos estabelecimentos cadastrados. Uma solicitação de crédito era aceita ou rejeitada por quem mais conhecia a idoneidade do cliente: seus vizinhos. Tudo isso para estimular o consumo e a produção locais. A comunidade contava com 20 mil moradores. Melo foi o fundador e primeiro gerente do Banco Palmas. A inédita instituição bancária, que atuava dentro do conceito de socioeconomia solidária, começou com um aporte de 2 mil reais. Atualmente, opera com uma carteira de 800 mil reais. Toda a rede trabalha com 3 milhões de reais. O sucesso da iniciativa chamou a atenção de outros grupos comuni- O início As teias dessa rede começaram a ser trançadas em 1998, com a 24 ComunitàItaliana tários que arregaçaram as mangas para criar seus próprios bancos. Era o começo da rede, mas ninguém ainda sabia disso. — No começo, achavam que nós não iríamos sobreviver. Depois, que o banco só funcionaria na nossa região. Agora, os governos e outras instituições começam a ver que a iniciativa pode dar certo em outros locais. O sucesso do banco comunitário é que ele chega, de fato, nos mais pobres, gerando ocupação e renda. A rede chega onde os bancos convencionais não querem chegar — afirma Melo, também coordenador do Instituto Banco Palmas de Desenvolvimento e Socioeconomia Solidária. O Instituto, que funciona em um espaço autônomo dentro do Banco Palmas, foi criado justa- Banco Palmas: primeiro da rede de bancos comunitários / Setembro 2009 mente para dar suporte metodológico ao que viria ser a rede de bancos comunitários. Segundo Melo, o projeto de Muhammad Yunus era pouco conhecido pelas pessoas que idealizaram o Banco Palmas. Portanto, a iniciativa brasileira não se inspirou na de Bangladesh. A principal diferença entre os dois “tipos” de banco, explica ele, é que o brasileiro financia apenas a produção e não o consumo, como no do bengalês. — Yunus consegue fazer poupança porque a lei deles permite. No Brasil, isso é proibido. Só banco oficial pode fazer poupan- ça. Temos, porém, uma coisa em comum: trabalhamos com a descentralização, ou seja, a forma como os bancos vão funcionar varia de acordo com a necessidade do local onde se encontra — observa Melo, que conheceu Yunus, ano passado, em Brasília, quando apresentou a iniciativa brasileira para esse economista Prêmio Nobel da Paz, que saiu empolgado do encontro. A rede A partir de 2003, cinco bancos comunitários foram abertos com a ajuda do Palmas nos municípios que solicitaram e tinham forte organização social local: Paracu- ru (CE), Vitória (ES), Palmácia (CE), Santana do Acaraú (CE) e Vila Velha (ES). Suas moedas são, respectivamente, Par, Bem, Palmeira, Santana e Terra. Em 2005, o Instituto Palmas firmou convênio com a Secretaria Nacional de Economia Solidária, vinculada ao Ministério do Trabalho. O apoio, segundo Melo, foi fundamental para a consolidação da metodologia dos bancos comunitários. No ano seguinte, o Banco Popular do Brasil se tornou parceiro da rede e garantiu linhas de crédito. Graças a isso, mais bancos puderam ser criados. Porém, nem tudo foram flores para o Banco Palmas. Melo conta que durante os quatro primeiros anos da instituição, foi “difícil” o diálogo com o Banco Central. De cara, o BC abriu duas investigações contra Palmas e chegou a processar o banco comunitário. O caso foi a julgamento e o BC perdeu. — A lupa foi muito grande em cima de nós porque trabalhávamos com moeda própria. Ter sensibilizado o Banco Central foi tão ou mais difícil do que conseguir dinheiro para crédito. Nossa metodologia foi testada, olhada e perseguida. Agora, está fluindo. O Banco Central até instituiu uma comissão de estudos para acompanhar a rede — conta Melo. Política pública Maracanã, Eco-Luzia, Cocal, Guará, Girassol e Pirapirê são algumas das moedas emitidas pelos bancos comunitários do país. Elas circulam em municípios de até 50 mil habitantes ou em bairros de periferias pobres de cidades maiores. São “donos” de alguns desses bancos grupo de assentados, associação de artesãs e até índios, com é o caso do Banco Tremembé - cuja moeda é a Ita - que funciona em Almofala (CE), terra da tribo tremembés que ajudou os portugueses a expulsar os holandeses do Ceará no século 16. Os bancos fazem empréstimos de até 800 reais sem juros, para seus clientes. Apesar de fazerem parte de uma rede, ninguém é filial de ninguém. São autônomos e a descentralização é, na opinião de Melo, a chave do sucesso do funcionamento da rede. Melo admite que existe o perigo de o projeto crescer muito e se perder o controle. Para ele, “não dá para fugir da dor do crescimento”. Setembro 2009 / É por isso que os envolvidos com a rede acreditam que o futuro aponta para um único caminho: virar política pública. Para isso, a rede precisa ter um amparo legal que ainda não tem. O primeiro passo nesse sentido já foi dado. Está em tramitação no Congresso Nacional (mais precisamente na Comissão de Trabalho) um Projeto de Lei Complementar, de autoria da deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), que estabelece a criação do Subsistema Nacional de Crédito e Desenvolvimento Solidário. O projeto de lei prevê que um banco comunitário poderá ser registrado por um grupo mínimo de cinco pessoas, poderá ter conta corrente e poupança e moeda social. — Atualmente, precisamos criar uma ONG para ter o banco. Juridicamente, o Banco Palmas não existe. E como não existe oficialmente, não pode ter conta corrente nem poupança. Além disso, da forma como funcionamos, a moeda social não tem lei para regulamentála e uma regulamentação significa segurança para todo mundo. A rede está fazendo um esforço para criar um arco legal. Porém, não se trata de uma lei para o governo cuidar dos bancos comunitários. Isso seria criar mais um banco público, como a Caixa Econômica. A novidade da lei é justamente permitir a sociedade fazer seus bancos comunitários. E essa rede, ao ser adotada como política pública, fará com que o governo tenha orçamento para implementá-la — explica Melo. Mesmo sem um amparo legal, a iniciativa brasileira começa a fazer escola. Melo conta que, em 2006, a Venezuela enviou seu ministro de Economia Solidária para conhecer o Banco Palmas. A partir daí, o vizinho sul-americano criou uma rede de bancos comunitários que já conta com 3.600 agências e 300 diferentes moedas. Ele acha irônico o fato do grande sistema financeiro internacional estar ruindo diante de uma crise econômica. É com orgulho que Melo informa que na rede comunitária não há crise alguma, já que seus bancos têm “sistema próprio de funcionamento” e não estão atrelados às grandes instituições. Segundo Melo, os bancos comunitários são “autoprotegidos” e o fato de não se abalarem em momentos de crise é, para ele, a prova de que a iniciativa “está no caminho certo”. ComunitàItaliana 25 capa Bilhete premiado Biglietto premiato Governo brasiliano lancia le prime regole per lo sfruttamento del pre-sale. Aspettative di guadagni miliardari risvegliano la disputa per il diritto di attuare nel settore mentre gli stati produttori rivendicano una maggior quota di royalties. L’Italia è attenta alle eventuali opportunità D esde que foi descoberta pela Petrobras em 2007, a camada pré-sal – um gigantesco reservatório de petróleo e gás natural, que se estende ao longo de 800 quilômetros na região litorânea entre os estados de Espírito Santo e Santa Catarina – vem atraindo atenção por ser considerada a ‘galinha dos ovos de ouro’ do Brasil. No início de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou as regras para a exploração desse “bilhete premiado”. Foi o suficiente para começar uma disputa entre governo federal, estados produtores e oposição pelo melhor pedaço desse precioso bolo. A valores de hoje, o pré-sal pode significar uma riqueza para o país da ordem dos 7 trilhões de dólares. E essa é uma estimativa “por baixo”. O marco regulatório, enviado ao Congresso Nacional em quatro Projetos De Lei, prevê o controle da União sobre as reservas e sua exploração nas camadas ultraprofundas, como ocorria quando a atividade era 100% estatal. A proposta é de que o modelo atual de concessão passaria para partilha de produção, um modelo somente utilizado em países pobres, como observaram vários especialistas. — Não há modelos internacionais prontos adequados para a realidade brasileira. O modelo de partilha é utilizado geralmente Primeira mostra de óleo do pré-sal, retirada em maio, do campo de Tupi Primo campione di greggio del pre-sale, estratto in maggio nell’area Tupi em países pobres em desenvolvimento, fortemente dependentes de petróleo, enquanto o de concessão encontra-se em uso em países ricos e mais desenvolvidos como os Estados Unidos, a Noruega, o Canadá e o Reino Unido – diz o geólogo, Giuseppe Bacoccoli, consultor e pesquisador visitante do Programa de Recursos Humanos da Agência Nacional do Petróleo, junto à COPPE/UFRJ. As demais mudanças propõem a criação de um Fundo Social para investir os bilhões de reais do pré-sal em educação, tecnologia e combate à pobreza e a criação da Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e o Gás Natural S.A (Petro-Sal). A nova estatal fiscalizaria todos os contratos e poderia vetar decisões das empresas. Além disso, haveria a capitalização da Petrobras, ou seja, a União autorizaria a ceder, sem licitação, à compa- D a quando è stato scoperto dalla Petrobras nel 2007, lo strato pre-sale – un gigantesco giacimento di greggio e gas naturali che si estende per 800 chilometri nella regione litoranea tra gli stadi di Espírito Santo a Santa Catarina – risveglia le attenzioni perché viene considerata la “gallina dalle uova d’oro” del Brasile. Agli inizi di settembre il presidente Luiz Inácio Lula da Silva ha annunciato le regole per lo sfruttamento di questo “biglietto premiato”. Tutto ciò è stato sufficiente per l’inizio di una rivalità tra governo federale, stati produttori e opposizione per la miglior fetta di questa preziosa torta. Con i valori di oggi, il pre-sale potrebbe significare una ricchezza per il Paese di circa 7 trilioni di dollari. E questa è una “sottostima”. Il sistema regolatorio, inviato al Congresso Nacional in quat- tro Disegni di Legge, prevede il controllo della União sulle riserve e il loro sfruttamento negli strati di estrema profondità, come accadeva quando l’attività era al 100% statale. La proposta prevede che il modello attuale di concessione passi ad una condivisione di produzione, un modello usato solo in paesi poveri, come osservano vari specialisti. — Non ci sono modelli internazionali pronti adeguati alla realtà brasiliana. Il modello di condivisione viene usato di solito in paesi poveri in via di sviluppo, fortemente dipendenti dal petrolio, mentre quello di concessione si trova in uso in paesi ricchi e più sviluppati, come gli Stati Uniti, la Norvegia, il Canada e il Regno Unito – dice il geologo Giuseppe Bacoccoli, consulente e ricercatore visitante del Programa de Recursos Humanos della Agência Nacional do Petróleo, insieme alla COPPE/UFRJ. Gli ulteriori cambiamenti propongono la creazione di un Fundo Social per investire i miliardi di reais del pre-sale in educazione, tecnologia e lotta alla povertà e la creazione della Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e della Gás Natural S.A (Petro-Sal). La nuova statale controllerebbe tutti i contratti e potrebbe proibire decisioni di aziende. Inoltre ci sarebbe la capitalizzazione della Petrobras, ossia l’União autorizzerebbe a cede- Fotos: Steferson Faria Nayra Garofle Governo brasileiro lança as primeiras regras para a exploração do pré-sal. Expectativa de ganhos bilionários atiça a disputa pelo direito de atuar no setor enquanto os estados produtores reivindicam maior parcela dos royalties. A Itália está atenta às oportunidades 26 ComunitàItaliana / Setembro 2009 Setembro 2009 / ComunitàItaliana 27 capa Come è oggi Come sarà (Nei campi al di fuori dell’area del pre-sale) (Regole per lo sfruttamento del pre-sale) Mapa do Pré-Sal Camadas do Pré-Sal Mappa del pre-sale Proprietà del petrolio e del gas naturale Tutto il petrolio/gas naturale prodotto è dell’impresa concessionaria Strati del pre-sale Parte è dell’impresa, parte dell’União Cosa resta nelle mani del Governo Tutto il greggio meno i costi delle imprese. Riceve anche bonus di firma. Il bando fisserà valori per ogni blocco. Bonus di firma, royalties, partecipazione speciale, pagamento per occupazione e retenzione dell’area Cosa resta nelle mani dell’impresa Acompanhado da primeira-dama Marisa Letícia, o presidente Lula comemora a descoberta do pré-sal com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli Accompagnato dalla consorte Marisa Letícia, il presidente Lula festeggia la scoperta del pre-sale con il presidente della Petrobras, José Sérgio Gabrielli nhia, áreas no pré-sal, até o limite de 5 bilhões de barris. Com isso, a Petrobras teria mais dinheiro para obter financiamentos para a exploração. O papel da Petrobras De acordo com a proposta apresentada ao Congresso, a Petrobras seria a operadora de todos os blocos explorados e teria participação societária mínima de 30% nos consórcios formados para explorar os blocos. A companhia poderia ainda participar dos processos licitatórios visando aumentar sua participação nas áreas. Outras empresas de capital nacional ou estrangeiro poderiam participar nas atividades de exploração das novas áreas. Em coletiva de imprensa realizada um dia após a divulgação das novas regras do pré-sal, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, comunicou que a companhia pretende investir 111,4 bilhões de dólares no desenvolvimento do pré-sal até 2020. Ele defendeu as novas re- Como é hoje Como fica (Nos campos fora da área do pré-sal) (Regras para a exploração do pré-sal) Propriedade do petróleo e do gás natural Todo o petróleo/gás natural produzido é da empresa concessionária Parte é da empresa e parte é da União O que fica com o Governo Bônus de assinatura, royalties, participação especial, pagamento por ocupação e retenção de área Todo o óleo menos os custos das empresas. Recebe também bônus de assinatura. Edital fixará valores para cada bloco O que fica com a empresa Receita bruta menos parcela do governo Custo em óleo mais excedente em óleo e gás da empresa Propriedade das instalações, gerenciamento e controle Propriedade da empresa e menor controle do governo Propriedade da União e maior controle do governo Petrobras Entra como qualquer outra empresa disputando áreas Operadora de todos os campos e sócia de todos os blocos com 30% ANP Papel de regularização e fiscalização da atividade Perde poder. Fica responsável só por realizar as licitações Petro-Sal Não havia 28 Criada para fiscalizar e controlar a atividade das empresas ComunitàItaliana / Setembro 2009 Guadagni lordi meno la parte del governo Costi in greggio più eccedente in greggio e gas dell’impresa Proprietà delle installazioni, gestione e controllo Proprietà dell’impresa e minore controllo del governo Proprietà dell’União e maggior controllo del governo Petrobras Entra come qualsiasi altra impresa che si contenda aree Operatore di tutti i campi e socia di tutti i blocchi con il 30% ANP Perde potere. Rimane responsabile solo della realizzazione delle gare Ruolo di regolarizzazione e controllo della attività Petro-Sal Non esisteva re alla compagnia, senza nessuna gara, aree nel pre-sale fino ad un limite di 5 miliardi di barili. Con ciò la Petrobras disporrebbe di più fondi per ottenere finanziamenti per lo sfruttamento. Il ruolo della Petrobras Secondo la proposta presentata al Congresso la Petrobras sarebbe l’operatore di tutti i blocchi sfruttati e avrebbe partecipazione societaria minima del 30% nei consorzi formati per sfruttare le aree. La compagnia potrebbe anche partecipare ai processi di gara per aumentare la sua partecipazione nelle aree. Altre imprese di capitale nazionale o straniero potrebbero partecipare alle attività di sfruttamento delle nuove aree. Nella conferenza stampa avutasi un giorno dopo la divulgazione delle nuove regole del pre-sale il presidente della Petrobras, José Sérgio Gabrielli, ha comunicato che la compagnia vuole investire 111 miliardi e 4 milioni di dollari nello sviluppo del pre-sale entro il 2020. Gabrielli ha difeso le nuove regole per il settore, rendendo noto che entro il 2030 “il mondo viverà una scarsezza di petrolio”. Creata per controllare l’attività delle imprese Secondo Gabrielli per rispondere alla domanda mondiale sarà necessaria la produzione extra di, come minimo, 75 milioni di barili al giorno. La Petrobras, secondo lui, vuole aumentare la produzione di greggio dagli attuali 1 milione e 900 mila a 3 milioni e 800 mila barili al giorno entro il 2020. Ciò causerà un’esigenza di nuovi strumenti capaci di rendere possibile lo sviluppo di campi petroliferi in zone estremamente profonde. Questo sarà il settore che aprirà le porte del pre-sale alle altre aziende. — Dal punto di vista internazionale non viviamo una situazione di abbondanza ma di scarsezza, anzi, con un potenziale aumento di questa scarsezza. La domanda aumenterà a ritmi superiori di quelli della capacità di produzione. Il ruolo dello Stato sarà maggiore di quanto sia stato nel passato — dice Gabrielli, affermando che il pre-sale “cambia il ruolo geopolitico dell’Atlantico Sud” . — Coloro che pensano che il libero mercato determinerà le decisioni di investimenti delle aziende si trova in un orizzonte sbagliato nel mercato del petrolio mondiale — conclude. Poços já encontrados Giacimenti già trovati gras para o setor, informando que até 2030 “o mundo vai viver uma escassez de petróleo”. Segundo Gabrielli, para atender a demanda mundial, será necessária a produção extra de até 75 milhões de barris por dia. A Petrobras, segundo ele, pretende elevar a produção de petróleo dos atuais 1,9 milhão para 3,8 milhões de barris por dia até 2020. Isso exigirá novos equipamentos capazes de viabilizar o desenvolvimento de campos petrolíferos em zonas ultraprofundas. Esse será o setor que abrirá as portas do pré-sal para demais empresas. — Do ponto de vista internacional, nós não vivemos uma situação de abundância e sim de escassez, aliás, com potencial aumento dessa escassez. A demanda crescerá a ritmos superiores à capacidade de produção. O papel do Estado será maior do que foi no passado — diz Gabrielli afirmando que o pré-sal “muda o papel geopolítico do Atlântico Sul” – Aquele que pensar que o livre mercado irá determinar as decisões de investimento das empresas está num horizonte equivocado no mercado de petróleo mundial – completa. De olho no petróleo brasileiro A camada pré-sal chama a atenção da Itália para o setor petrolífero brasileiro. O analista do Instituto Italiano para o Comércio Exterior de São Paulo, Ronaldo Padovani, afirma que a Itália tem know how para trabalhar em outros países e já atua no Oriente Médio. Aqui está a maior parte das reservas brasileiras de petróleo e gás natural já descobertas e em produção Qui si trova la maggior parte delle riserve brasiliane di greggio e gas naturali già scoperte e in produzione Com 800 km de extensão, o petróleo encontrado nesta área é de alta qualidade e protegido por uma barreira de sal. Tem até 2 km de espessura. Estima-se que as reservas do pré-sal possam chegar a 60 bilhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás) Con 800 km di estensione, il greggio trovato in quest’area è di alta qualità e protetto da una barriera di sale. Ha perfino 2 km di spessore. Si stima che le riserve del pre-sale possano arrivare a 60 miliardi di barili di greggio equivalente (petrolio e gas) Oceano 1.000 m Pós-sal 2.000 Camada 4.000 Oceano Post-sale de sal Strato di sale Pré-sal 5.000 Pre-sale 7.000 Setembro 2009 / Con gli sguardi rivolti al petrolio brasiliano Lo strato pre-sale risveglia l’attenzione dell’Italia verso il settore petrolifero brasiliano. L’analista dell’Istituto Italiano per il Commercio Estero di São Paulo, Ronaldo Padovani, dice che l’Italia ha know-how per lavorare in altri paesi e lo fa già in Oriente Medio. — Dobbiamo stare attenti alle risorse che saranno usate nello sfruttamento dello strato pre-sale per cercare di seguire e partecipare al processo, se ci sarà permesso — dichiara Padovani. Secondo l’ICE, il petrolio è una delle principali fonti di energia per l’Italia, ragion per cui ha realizzato un’industria di successo nella prospezione, estrazione e lavorazione di questa risorsa. Padovani osserva che, con le scarse riserve di greggio e gas in territorio italiano, tutto questo potenziale è stato canalizzato nei mercati stranieri. Infatti non è un caso che delle 600 aziende italiane fabbricanti di installazioni e componenti per l’industria petrolifera, l’80% siano esportatrici. Ciò significa che degli 865 milioni di euro fatturati dal settore, il 91% siano provenienti da attività all’estero. Tra i giganti nel settore del greggio e gas italiano c’è il Gruppo ENI. L’Ente Nazionale Idrocarburi S.p.A. (ENI) è una multinazionale petrolifera presente in settanta Paesi, con sussidiarie che agiscono in varie aree, tra qui la Saipem, azienda con la quale la Petrobras ha firmato nel 2005 un contratto del valore di 600 milioni di dollari per il rifornimento per nove anni, potendo estenderlo per altri tre, di una piattaforma per il progetto Golfinho, nello Espírito Santo. Il deputato Fabio Porta, eletto per la circoscrizione estera, crede che l’Italia sia interessata a sfruttare il pre-sale visto che il Paese “è sempre a porte aperte per grandi investimenti”. — La nostra compagnia del settore, la ENI, conosce bene il Brasile. Sono sicuro che questo interesse c’è. In qualsiasi momento il Brasile indirà una gara internazionale per lo sfruttamento del pre-sale e, cosí, l’Italia potrà avere un ruolo importante — afirma. Il pre-sale Lo strato pre-sale racchiude i bacini di Santo, Campos e Espírito Santo. Queste riserve si trovano ComunitàItaliana 29 30 O pré-sal A camada pré-sal engloba as Bacias de Santos, Campos e Espírito Santo. Estas reservas estão localizadas abaixo da camada de sal (que podem ter até 2 quilômetros de espessura). Isso significa que se localizam de 5 a 7 mil metros abaixo do nível do mar. Essa descoberta ocorreu em 2007 pela Petrobras e vários campos e poços de petróleo já foram encontrados no pré-sal, entre eles o de Tupi, o principal. Há também os poços de Guará, Bem-Te-Vi, Carioca, Júpiter e Iara. As reservas atuais do Brasil são de 12 bilhões de barris de óleo. No campo Tupi há reservas de 5 a 8 bilhões. Ou seja, só nesse pedacinho encontrou-se quase o que o país tem na sua totalidade. ComunitàItaliana / Setembro 2009 al di sotto dello strato di sale (che può raggiungere i 2 chilometri di spessore). Ciò significa che si trovano dai 5 ai 7 mila metri al di sotto del livello del mare. Questa scoperta è stata fatta nel 2007 dalla Petrobras e vari campi e pozzi di petrolio sono già stati trovati nel pre-sale, tra cui quello principale di Tupi. Ma ci sono anche i pozzi Guará, Bem-Te-Vi, Carioca, Júpiter e Iara. Le attuali riserve brasiliane sono di 12 miliardi di barili di greggio. Nel campo Tupi ce ne sono riserve dai 5 agli 8 miliardi. Ossia, solo in questa piccola area si è trovato quasi il totale che il Paese possiede. — Inoltre ci sono i campi di Júpiter, il Carioca. Ci sono tanti altri campi com riserve totali che sommano il quadruplo, il quintuplo. Come minimo raddoppieremo le attuali riserve brasiliane e, al massimo, saremo un Venezuela — dice il geologo italiano Giuseppe Bacoccoli, che vive in Brasile da 20 anni. Lo strato pre-sale non esiste solo in Brasile. Lungo la costa occidentale africana si trova pre-sale tra la Nigeria e l’Angola. Lungo la costa del Golfo del Messico ci sono giacimenti tra gli Stati Uniti e il Messico. Anche il Mare del Nord presenta riserve nel pre-sale, dove si produce specialmente gas. Bacoccoli spiega che l’America del Sud e l’Africa sono state unite in un passato geologico ed erano un solo continente più di 100 milioni di anni fa. Quando si sono separate, dove oggi si trova la cordigliera mesoatlantica c’è stata una grande divisione tra i due continenti che è stata occupata da un grande lago. Da allora sono iniziate le sedimentazioni ricche di materia organica che, dopo, si sono trasformate materiale che ha dato origine al greggio. — Il mare è entrato in queste fenditure e si è formato un mare stretto, simile all’attuale Mar Rosso. In questo mare stretto tra l’America del Sud e l’Africa si è depositato uno strato di sale, esattamente uguale a quello usato in cucina. Dopo si è originato il mare aperto e sono venuti i sedimenti tipici di esso, dell’Atlantico Sud — informa il geologo dicendo che il fatto che il greggio si trovi al di sotto di un’esteso strato di sale conserva la sua qualità. — E ainda tem os campos de Júpiter, o Carioca. Há vários outros campos com reservas totais que somam quatro, cinco vezes isso. No mínimo, vamos dobrar as atuais reservas brasileiras e, no máximo, chegar a ser uma Venezuela — diz o geólogo italiano Giuseppe Bacoccoli, radicado no Brasil há 20 anos. Não existe a camada pré-sal apenas no Brasil. Na costa ocidental africana encontra-se présal entre Nigéria e Angola. Na costa do Golfo do México, há jazidas entre os Estados Unidos e México. O Mar do Norte também tem reservas no pré-sal, onde há produção principalmente de gás. Bacoccoli explica que a América do Sul e África estiveram juntas num passado geológico e eram um continente só, há mais de 100 milhões de anos. Quando se separaram, no lugar onde hoje há a cordilheira meso-atlântica houve a abertura de uma grande fissura entre os dois continentes e ela foi ocupada por um grande lago. A partir daí, começaram as sedimentações ricas em matéria orgânica que, depois, vieram ser geradores de petróleo. — O mar entrou nessas fendas e se formou um mar restrito, parecido com o atual Mar Vermelho. Nesse mar restrito entre a América do Sul e a África se depositou uma camada de sal, igual ao de cozinha mesmo. Depois, se abriu o mar aberto e vieram os sedimentos típicos do mar aberto, do Atlântico Sul — informa o geólogo afirmando que o fato do petróleo estar abaixo de uma extensa camada de sal conserva a sua qualidade. Segundo o geólogo, o pico da produção de petróleo da camada pré-sal deve acontecer depois de 2015, já que a dimensão das reservas é muito grande. Bacoccoli acredita que o Brasil terá petróleo até, pelo menos, 2050. Secondo il geologo il culmine della produzione di greggio dello strato pre-sale dovrà aver luogo dopo il 2015, visto che la dimensione delle riserve è molto grande. Bacoccoli crede che il Brasile avrà greggio perlomeno fino al 2050. Uma fatia, por favor Imagine um bolo suculento. Quem não vai querer um pedaço? É mais ou menos assim que está acontecendo com a camada présal. Um bolo enorme, apetitoso do ponto de vista econômico, o qual todos querem uma fatia. Só tem um problema: os estados produtores têm fome e querem a maior parte do bolo para eles. Durante o lançamento do marco regulatório, o presidente Lula afirmou que o pré-sal é uma “dádiva de Deus”. Porém, essa dádiva, segundo ele, pode se transformar “numa verdadeira maldição”, se o Brasil não tomar “a decisão acertada” sobre como usar o petróleo. A distribuição de royalties do pré-sal foi, inicialmente, alvo de desavença entre os estados produtores e o governo. Isso porque o governo cogitou reduzir Una fetta, per favore Immaginate una torta succulenta. Chi non ne vorrebbe una fetta? È questo che sta succedendo, più o meno, allo strato pre-sale. Una torta enorme, appetitosa dal punto di vista economico, di cui tutti vogliono una fetta. C’è solo un problema: gli stati produttori hanno fame e vogliono la maggior parte della torta per loro. Durante il lancio del sistema regolatorio il presidente Lula ha detto che il pre-sale è un “dono di Dio”. Ma questo dono, secondo lui, può trasformarsi “in una vera e propria maledizione” se il Brasile non prenderà “la decisione giusta” di come usare il petrolio. Agli inizi, la distribuzione di royalties del pre-sale è stata motivo di discussioni tra gli stati produttori e il governo. Ciò perché il governo ha pensato di Roberth Trindade sempre de portas abertas para grandes investimentos”. — A nossa companhia do setor, a ENI, conhece bem o Brasil. Tenho certeza que existe este interesse. A qualquer hora, o Brasil vai abrir para a concorrência internacional a exploração do présal e, assim, a Itália poderá ter um papel importante — afirma. Em entrevista após o anúncio do marco regulatório, José Sérgio Gabrielli afirmou que o pré-sal “muda o papel geopolítico do Atlântico Sul” In un’intervista dopo l’annuncio del nuovo sistema regolatorio, José Sérgio Gabrielli ha detto che il pre-sale “cambia il ruolo geopolitico dell’Atlantico Sud”. Roberth Trindade — Precisamos estar atentos aos recursos que serão utilizados na exploração da camada pré-sal para tentarmos acompanhar e participar do processo se assim for permitido — declara Padovani. De acordo com o ICE, o petróleo é uma das principais fontes de energia para a Itália, razão pela qual desenvolveu uma indústria de ponta na prospecção, extração e beneficiamento desse recurso. Padovani observa que, com as escassas reservas de petróleo e gás em território italiano, todo esse potencial foi canalizado nos mercados estrangeiros. Não é à toa, que das 600 empresas italianas fabricantes de instalações e componentes para a indústria petrolífera, 80% são exportadoras. Isso significa que, dos 865 milhões de euros faturados pelo setor, 91% são provenientes de atividades no exterior. Dentre os gigantes no setor de óleo e gás italiano há o Grupo ENI. A Ente Nazionale Idrocarburi S.p.A. (ENI) é uma multinacional petrolífera presente em setenta países, com subsidiárias atuando em diversas áreas, entre as quais a Saipem, empresa com a qual a Petrobras assinou em 2005 um contrato no valor de 600 milhões de dólares para o fornecimento por nove anos, com possibilidade de extensão por mais três, de uma plataforma para o projeto Golfinho, no Espírito Santo. O deputado italiano Fabio Porta, eleito pela circunscrição exterior, acredita que há interesse italiano em explorar o présal visto que o país “está Fotos: Steferson Faria capa Setembro 2009 / ComunitàItaliana 31 Repercussão “A festa do Pré-Sal foi ruim por inúmeros motivos. O processo de partilha é inferior ao da concessão. Na concessão há leilão público, transparente, e vence o melhor preço. Na partilha será uma burocracia que vai decidir com opacidade, ou coisa pior dependendo do governo”. Míriam Leitão, jornalista especialista em economia “Quando se tem uma estatal como a Petro-Sal controlando as atividades do pré-sal e o ritmo como tudo será feito, ela, a PetroSal, se torna uma ANP do B e o poder da ANP fica reduzido”. David Zylbersztajn – ex-diretor da ANP “O Brasil corre o risco de ir na contramão da história. Do ponto de vista interno, a produção do pré-sal tende a sujar a matriz energética. Do ponto de vista externo, existe a tendência de restrição de combustíveis fósseis. Qual será a participação do petróleo no cenário mundial em 20 ou 30 anos? É uma questão de mercado”. Fabio Feldman – ambientalista secretário-executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas e Biodiversidade a chamada participação especial que caberia aos estados produtores, da ordem de 40% dos recursos, para “distribuir irmãmente” a bolada entre todas as 27 unidades da federação. Os governadores Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Paulo Hartung (PMDB-ES) e José Serra (PSDB-SP) bateram os pés e reclamaram. Após um jantar entre o presidente e os governa- governatore di São Paulo questo è un tema che decide il futuro del Paese e per questo dovrebbe essere discusso a lungo termine. — Tre mesi sono troppo pochi, 45 giorni alla Camera, 45 al Senato, una settimana per fare gli emendamenti con 102 firme. Questi pozzi funzioneranno solo tra 10, 15, 20 anni. Quindi dobbiamo fare una cosa fatta bene ora — difende Serra. Il direttore del Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, Adriano Pires, è d’accordo con i governatori degli stati produttori quando questi protestano per l’eliminazione dei royalties e per la partecipazione speciale nel sistema regolatorio. — Non vedo con buoni occhi centralizzare una ricchezza di questa magnitudine nelle mani del governo federale — dice. Ma alla fine qual è la somma in gioco? Secondo Pires tutti credono che il pre-sale potrà dare origine ad una ricchezza molto grande. Secondo il direttore viene stimata una produzione di 50, 60 e 100 miliardi di barili di greggio. Ma avvisa che non è stato ancora provato niente. E in gioco ci sarebbero circa 7 trilioni di dollari in numeri attuali. — Tutti questi numeri dimostrano una mancanza di conoscenza molto grande di ciò che sia veramente il pre-sale. Questa è una delle critiche che facciamo ai cambiamenti che il governo sta proponendo. Credo che il governo stia subendo pressioni. Dovrebbe conoscere meglio il vero potenziale dello strato pre-sale per poi proporre cambiamenti – suppone. Steferson Faria Sérgio Cabral dores-produtores, Lula “lavou as mãos” e deixou a questão para ser resolvida pelo Congresso. — Agora a bola é do Congresso Nacional. Quem sou eu, um humilde presidente, para ter qualquer interferência no debate que está dentro do Congresso — diz Lula. Apesar da desconfiança dos parlamentares sobre a estratégia adotada pelo Planalto, os governadores se dizem vitoriosos. Cabral acredita que o presidente “verificou o quanto essa alteração no marco poderia acarretar em problemas para o Estado”. — Eu acho que se chegou a uma equação onde o presidente legitimamente desejava mudar o modelo, uma nova concepção de exploração e produção em uma área chamada de bilhete premiado. Mas por outro lado, respeitando os estados produtores. Mais do que ninguém, Lula demonstrou enorme sensibilidade e respeito com o povo do Rio de Janeiro – afirma Cabral. ridurre la chiamata ‘partecipazione speciale’che sarebbe stata attribuita agli stati produttori di circa il 40% delle risorse, per “distribuire fraternamente” i guadagni tra tutte le 27 unità della federazione. I governatori Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Paulo Hartung (PMDB-ES) e José Serra (PSDBSP) hanno puntato i piedi e hanno protestato. Dopo una cena tra il presidente e i governatori-produttori Lula “se n’è lavato le mani” e ha lasciato la soluzione del problema con il Congresso. — Ora il turno è del Congresso Nacional. Chi sono io, un umile presidente, per fare una qualsiasi interferenza nel dibattito interno del Congresso — dice Lula. Malgrado la sfiducia dei parlamentari nella strategia adottata dal Planalto i governatori si dicono vittoriosi. Cabral crede che il presidente “abbia verificato che tipo di problemi questa alterazione del sistema potrebbero causare allo Stato”. — Credo si sia arrivati ad un’equazione in cui il presidente legittimamente voleva cambiare il modello, una nuova concezione di sfruttamento e produzione in un’area chiamata biglietto premiato. Ma dall’altro lato voleva rispettare gli stati produttori. Lula, più di altri, ha dimostrato enorme sensibilità e rispetto verso il popolo di Rio de Janeiro — afferma Cabral. Una stima fatta dalla segreteria di Desenvolvimento Econômido di Rio de Janeiro indica che lo Stato potrebbe perdere tra un miliardo e un miliardo e mezzo di reais all’anno se non avesse diritto alla partecipazione speciale dei royalties del pre-sale. Il sistema regolatorio è stato inviato al Congresso con richiesta di urgenza costituzionale. Ma la data limite di tre mesi per la discussione è stato considerato troppo breve da José Serra. Per il 32 ComunitàItaliana / Setembro 2009 Estimativa feita pela secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro indica que o Estado pode perder entre 1 bilhão de reais e 1,5 bilhão de reais por ano se não tiver direito à participação especial dos royalties do pré-sal. O marco regulatório foi enviado ao Congresso com pedido de urgência constitucional. O prazo de três meses para a discussão foi, porém, considerado curto por José Serra. Para o governador de São Paulo, este é um assunto que decide o futuro do país e, por isso, deveria ser discutido em longo prazo. — É muito pouco tempo três meses, 45 dias na Câmara, 45 dias no Senado, uma semana para fazer emendas com 102 assinaturas. Esses poços só vão estar funcionando daqui a 10, 15, 20 anos. Então, temos de fazer uma coisa bem feita agora — defende Serra. O diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, Adriano Pires, concorda com os governadores dos estados produtores quando estes reclamaram quanto à retirada dos royalties e a participação especial no marco regulatório. — Não vejo com bons olhos centralizar uma riqueza dessa magnitude na mão do governo federal — diz. Quanto, afinal, é o montante que está em jogo? Segundo Pires, todos acreditam que o présal pode gerar uma riqueza muito grande. Segundo o diretor, há uma estimativa de produção de 50, 60 e 100 bilhões de barris de óleo. Ele alerta, porém, que nada disso foi ainda comprovado. O que estaria em jogo seria algo em torno dos 7 trilhões de dólares, em números de hoje. — Esses números todos mostram um desconhecimento muito grande do que é verdadeiramente o pré-sal. Essa é uma das críticas que fazemos às mudanças que o governo está propondo. Acho que o governo está sendo apressado. Ele deveria conhecer melhor o verdadeiro potencial da camada pré-sal para depois propor mudanças — opina. A petroleira inglesa BP, sócia da Petrobras nos campos de présal licitados na Bacia de Santos antes da nova regra, diz que o Brasil pode saltar do 13º para o 4º lugar entre os maiores produtores globais, depois da Arábia Saudita, Rússia e EUA. Steferson Faria capa E o meio ambiente? O mundo se esforça para ampliar o uso de fontes limpas e renováveis. O pré-sal significa o investimento do Brasil no desenvolvimento de uma matriz energética suja e finita. Foi pensando nisso que o governo cedeu às pressões do ministério do Meio Ambiente e incluiu no Fundo Social uma conta para investimentos ambientalistas. Bacoccoli afirma que a indústria do petróleo está preparada e tem experiência para atuar em áreas profundas e saberia trabalhar sem grandes prejuízos ambientais. Hoje 45% da matriz energética brasileira são renováveis. — O Brasil se destaca hoje no mundo por utilizar alternativas mais limpas e os ambientalistas estão com medo que esse petróleo venha ‘sujar’ essa matriz energética. Vamos ver no que vai dar — diz. Petro-Sal A nova estatal que será criada pelo governo, caso o marco regulatório seja aprovado no Congresso, terá poder de veto nos comitês operacionais dos blocos do pré-sal. Segundo a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a Petro-Sal vai atuar como fiscal e “olheira” do governo. Dessa forma, a Agência Nacional do Petróleo ficou com papel bastante reduzido, já que as funções mais importantes executadas pela ANP no atual modelo de concessão passarão a ser feitas pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), ministério de Minas e Energia (MME) e pela nova estatal. La petrolchimica inglese BP, socia della Petrobras nei campi di pre-sale appaltati nel Bacino di Santos prima della nuova regola, dice che il Brasile può fare un salto dal 13º al 4º posto tra i maggiori produttori mondiali dopo l’Arabia Saudita, la Russia e gli USA. E l’ambiente? Il mondo si sforza per ampliare l’uso di fonti pulite e rinnovabili. Il pre-sale significa un investimento brasiliano nello sviluppo di una matrice energetica sporca e finita. È stato proprio pensando a questo che il governo ha ceduto alle pressioni del ministerio del Meio Ambiente e ha incluso nel Fundo Social un conto per investimenti ambientali. Bacoccoli afferma che l’industria petrolifera è preparata e esperiente per mettere in pratica azioni in aree profonde e saprebbe agire senza arrecare grandi danni ambientali. Oggigiorno il 45% della matrice energetica brasiliana è rinnovabile. — Il Brasile oggi spicca nel mondo perché usa alternative più pulite e gli ambientalisti hanno paura che questo petrolio venga a ‘sporcare’ questa matrice energetica. Vedremo cosa succederà — dice. Petro-Sal La nuova statale che sarà creata dal governo, se il sistema regolatorio sarà approvato dal Congresso, avrà potere di veto nei comitati operativi delle aree del presale. Secondo il ministro della Casa Civil, Dilma Rousseff, la Petro-Sal lavorerà come controllatore e “osservatore” del governo. Cosí all’Agência Nacional do Petróleo rimarrà un ruolo abbastanza ridotto, visto che le funzioni più importanti portate avanti dalla ANP nell’attuale modello di concessione saranno eseguite dal Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), dal ministério de Minas e Energia (MME) e dalla nuova statale. Ripercussioni “La festa del Pre-Sale è stata negativa per innumerevoli motivi. Il processo di condivisione è inferiore a quello della concessione. Nella concessione c’è una gara pubblica, trasparente, e vince il miglior prezzo. Nella condivisione sarà la burocrazia a decidere con opacità o cosa peggiore, a seconda del governo”. Míriam Leitão – giornalista specialista in economia “Quando si ha una statale come la Petro-Sal che controlla le attività del pre-sale e il ritmo in cui il tutto sarà fatto, essa, la PetroSal, diviene una ANP do B e il potere della ANP viene ridotto”. David Zylbersztajn – ex direttore della ANP “Il Brasil corre il rischio di andare controcorrente nella storia. Dal punto di vista interno la produzione del pre-sale tende a sporcare la matrice energetica. Dal punto di vista esterno c’è la tendenza di restrizione di combustibili fossili. Quale sarà la partecipazione del petrolio sullo scenario mondiale tra 20 o 30 anni? È una questione di mercato”. Fabio Feldman – ambientalista segretario esecutivo del Fórum Paulista de Mudanças Climáticas e Biodiversidade Setembro 2009 / ComunitàItaliana 33 ROMA meio ambiente Bom, bonito e sustentável Lisomar Silva Open Colonna O panorama do terraço desse maravilhoso espaço contemporâneo leva seu olhar para a direção da Piazza Venezia e, num segundo plano, a cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano. O chefe Antonello Colonna, um mago na interpretação moderna da cozinha romana tradicional, criou um jardim aromático que circunda os muros do terraço, onde se sente o perfume do alecrim, do timo, do orégano e do manjericão. Aproveite para acompanhar os eventos culturais do Palazzo delle Esposizioni. Até setembro, você tem a oportunidade de visitar três interessantes mostras: as preciosidades criadas em 125 anos de atividades da célebre joalheria Bulgari, as fotografias de altíssima qualidade da atriz italiana Gina Lollobrigida e, na mostra La Ruta de la Paz, as esculturas do artista Jiménez Deredia, da Costa Rica. Open Colonna - Scalina da Via Milano, 9°, com entrada também pelo Palazzo delle Esposizioni - Via Nazionale, 194. Região do Piemonte investe em residências que produzem energia A Terraços O escritor e poeta argentino Jorge Luís Borges dizia que Roma é uma cidade onde o visitante jamais chega, mas sempre retorna, mesmo sem tê-la visto antes. Isso porque é uma cidade que já se encontra presente em nossas mentes através de filmes, músicas, cartões postais, guias de viagem, livros de história e arte. Pertence ao imaginário coletivo universal. Você quer realmente conhecer esta cidade? Então, percorra a pé suas ruas e avenidas principais. Faça um passeio usando pelo menos um meio de transporte turístico especial: charrete, ônibus aberto ou até um helicóptero. Porém, não deixe de subir em um dos pontos mais altos nas redondezas do centro histórico e admirar o panorama extraordinário diante de seus olhos. Se possível, aproveite para se presentear momentos de relax, admirando os tetos e os terraços de Roma em boa companhia e conversação regada a aperitivos especiais. As tardes de setembro são maravilhosas especialmente quando o céu do outono se tinge de um azul profundo com nuvens rosadas na hora do crepúsculo. L’Olimpo L ocalizado na Piazza Barberini, quase esquina com a famosa Via Vêneto, o Hotel Bernini Bristol se encontra diante da famosa Fontana del Tritone, esculpida por Gianlorenzo Bernini. Construído em 1874, foi recentemente modernizado. Suba ao último andar, vá ao terraço e sente-se à mesa entre as que se encontram próximas ao muro. Peça seu drinque preferido e admire o inesquecível panorama de Roma com a Via del Tritone, antigos palacetes e monumentos históricos. Você vai estar a poucos passos da Piazza di Spagna e da Fontana di Trevi. L’Olimpo - Piazza Barberini, 23. 34 ComunitàItaliana té o final do ano, a cidade Settimo Torinese se tornará cenário de uma nova experiência em termos de moradia sustentável. O governo da região do Piemonte cedeu um terreno para a construção de 50 apartamentos de 100 m2 cada. Serão destinados, preferencialmente, a jovens a um custo máximo de 100 mil euros a unidade. O charme do projeto não está apenas no seu custo mais em conta, já que na Itália uma construção tradicional custa cerca de três mil euros o metro quadrado. Essa residência, batizada “Casa 100 kw”, não emite CO2 e apresenta um design invejável, desenvolvido pelo premiado arquiteto italiano Mario Cucinella. Ele foi um dos primeiros no país a propor uma casa como fonte produtora de energia e não somente consumidora. Seguidor da escola do arquiteto Renzo Piano, mantém em seu estúdio, em Bolonha, um time de profissionais dedicado a projetos que envolvem pesquisa energética. Cucinella trabalha desde 2007 no desenvolvimento da “Casa 100 kw”. Construí-las no Piemonte não é mero acaso. A região é a que mais investe, em toda a Itália, em novas tecnologias e se encontra na Janaína César Correspondente • Treviso vanguarda do setor energético, do país, por colocar em prática o uso da energia solar e eólica. — Sempre pensei que a ideia de gerar uma troca entre os ambientes construídos e naturais fosse irrenunciável. Isto porque a sustentabilidade não é um ingrediente a mais para ser usado a um certo ponto, mas algo que deve ser pensado desde a primeira fase de um projeto — diz Cucinella, responsável pelo edifício ecológico italiano, em Beijing, na China. A “Casa de 100 kw” não é uma moradia popular, mas um apartamento bonito, acolhedor e personalizado. Segundo o arquiteto, toda a tecnologia é utilizada com o objetivo de limitar os custos da construção sem comprometer a qualidade. Ele costuma dizer que se trata de uma casa “praticamente auto financiada” porque metade do seu custo “quem paga é o sol”. Explica-se. Graças a uma integração de sistemas, é possível produzir simultaneamente e de modo ecologicamente correto, água quente, gás e energia elétrica, eliminando a dependência da rede externa. Diferente de outros sistemas renováveis, este converte a energia solar e eólica em hi- drogênio, um gás fácil de conservar. A energia é captada através de painéis solares e turbinas eólicas. A água da chuva é armazenada em uma grande caixa d´água situada no teto para posteriormente ser reaproveitada nos sanitários. — A indústria da construção produz muito gás carbônico e há anos é monitorada. Porém, o “morar” ainda é uma coisa relativamente nova, isto porque a energia usada por um prédio não é vista, não tem valor estético — explica Cucinella, que na Itália assina projetos como o da nova sede da prefeitura de Bolonha ou o complexo residencial Bergognone 53, em Milão. No seu projeto auto-sustentável, os painéis solares produzem energia suficiente para o consumo e para a venda. De acordo com a legislação italiana, quem produz energia limpa pode revendê-la para a Enel (agência de energia italiana) por quatro vezes o valor pago pela energia convencional. Hoje, quem vive em uma casa de 100m² com 30m² de painéis solares gasta menos com a conta de energia e ainda pode ter uma fonte de renda extra. Segundo dados do Istat (Instituto Nacional de Estatísticas), a despesa média mensal de uma família é de 2.461 euros, sendo que 5% (123 euros) são destinados à energia elétrica. O consumo de eletricidade por habitação é de cerca 3000 kw por ano. Nas construções tradicionais, o consumo de energia elétrica numa casa produz 6200 kg de CO2 por ano, enquanto na casa de 100kw a produção é zero. — Se cada casa se transformasse em uma pequena central produtora de energia, algumas regiões da Itália particularmente ensolaradas chegariam a emancipar-se energeticamente. Nós, italianos, estamos em segundo lugar, a nível europeu, no que diz respeito à economia energética. Hoje nos serve uma nova perspectiva, algo que reconheça o valor da fotovoltagem. Nesse momento, o mercado deixará de ser especializado para ser de massa — observa Cucinella, que ainda mora em uma casa convencional, porém, “compensa” isso explorando a bio-sustentabilidade, utilizando energia solar e água reciclada da chuva. Lo Zodiaco O nome do bar e seu endereço são perfeitos: olhando a cidade do alto da colina de Montemario, a 140 metros de altitude, tem-se a impressão de estar pertinho do céu para ler o próprio destino e o futuro nas estrelas. Você vai ver Roma com todas as suas luzes. Se quiser, tome um sorvete ou aproveite para jantar com música ao vivo. Se sua inspiração maior for mesmo a de admirar o céu, nas imediações do restaurante Zodiaco há um verdadeiro observatório estelar. Ristorante-Caffè Lo Zodiaco - Viale Parco Mellini, 88/90/92. / Setembro 2009 Hotel Eden D aqui você vai ter a visão de um skyline especial de Roma, com suas sete colinas e as cúpulas das igrejas mais tradicionais, terraços e jardins suspensos de palacetes antigos. No final da tarde e antes do anoitecer, a cidade assume uma cor avermelhada que faz pensar no prazer de imaginar que cada momento do tempo é único. Hotel Eden - Via Ludovisi, 49. Setembro 2009 / ComunitàItaliana 35 attualità Storia ancora senza fine Da otto anni famiglia attende l’identificazione delle ossa che potrebbero essere dell’unico straniero coinvolto nella guerriglia dell’Araguaia, l’italiano Libero Giancarlo Castiglia, scomparso nel dicembre 1973 T Sílvia Souza ocantins, 2001. Un gruppo di lavoro composto da membri della Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, antropologi e ricercatori arriva al cimitero della città di Xambioá disposto a riscattare una parte della storia del Brasile, che ebbe luogo nel peggior periodo della dittatura militare. L’obiettivo è di riunire indizi sul finale della vita di qualcuna delle 60 persone desaparecidas durante l’episodio conosciuto come Guerrilha do Araguaia. Furono raccolte le ossa di circa dieci persone non identificate e sepolte nel luogo. Una di esse con le mani mozzate e dei mutandoni di lana tipicamente italiani colpí gli studiosi. Brasília, 2009. Il Governo Federal, attraverso il ministério da Defesa, crea un gruppo di lavoro per nuove operazioni di ricerca di deceduti nella regione dell’Araguaia. In questo frattempo, in attesa dell’identificazione delle ossa che usavano l’indumento di 36 lana, una famiglia vive, in Italia e in Brasile, unita dall’incertezza. Malgrado tutte le evidenze indichino che quei resti mortali sono dell’italiano Libero Giancarlo Castiglia, l’unico straniero a partecipare al conflitto, la storia di questo ex operaio è ben lontana dall’essere conclusa. Lo storico episodio conosciuto come Guerrilha do Araguaia ebbe luogo dalla seconda metà degli anni ’60 fino agli inizi degli anni ’70. Seguace della lotta armata contro l’allora regime militare brasiliano, il Partido Comunista do Brasil (PC do B) mandò in Araguaia circa 70 giovani militanti con il compito di dare inizio ad un movimento rivoluzionario ispirato alla rivoluzione cinese. Per impedire l’articolazione del gruppo truppe dell’Exército, della Marinha e dell’Aeronáutica sterminarono i guerriglieri. In questo momento non si sa più dove si trovino le spoglie che potrebbero essere dell’italiano. Comunità ha fatto varie richie- ComunitàItaliana / Setembro 2009 ste alla Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), comandata dal ministro Paulo Vannuchi, ma non ha ricevuto risposta. Secondo la sala stampa dell’organo, il materiale “potrebbe trovarsi in un armadio dell’ufficio in una delle sale della stessa segreteria o essere stato inviato ad un laboratorio”. Questo laboratorio potrebbe essere il Genomic, a São Paulo, ma la direzione ha negato di essere responsabile dell’identificazione dei corpi. La lentezza del processo di identificazione delle spoglie trovate otto anni fa provoca lo sdegno dei parenti che seguono il caso, riaperto ufficialmente dal governo brasiliano il mese scorso. — Ci sono interessi politici per chiarire o no il caso. Secondo me il governo in questo mo- Luogo dove Libero Castiglia ha abitato, a Favieira mento non dovrebbe cercare altri corpi, ma tentare di identificare quelli già trovati. Le risorse per chiarire queste sparizioni sono scarse e c’è anche una mancanza di pianificazione del governo — segnala Wladimir Castiglia, nipote e unico parente di Libero in Brasile, che ha partecipato alla spedizione di ricerca nel 2001. — I mutandoni di lana, indumento comune in Italia, ci hanno fatto nutrire la speranza che il corpo fosse di mio zio. Il supposto scheletro di Libero è stato trovato nel 2001 a due metri di profondità in un’area vicina al luogo dove sono state dissepolte le ossa di Maria Lúcia Petit e Bergson Gurjão Farias – gli unici guerriglieri identificati finora dal governo federale. Avevano le braccia in avanti, come se fossero stati legati, e mancavano le ossa delle mani, il che indicherebbe la separazione delle membra. Il sospetto che le ossa appartengano all’italiano ha preso forza dalla dichiarazione del maggiore Sebastião Curió – che ha partecipato alla repressione della guerriglia – secondo la quale all’italiano sarebbero state mozzate le mani. Ha parlato di questo dovuto alla riapertura del caso. — Nel 2003 l’allora ministro José Dirceu ha promesso a Antonio Castiglia, fratello di Libero, che si sarebbe dedicato al caso. Il loro incontro è avvenuto in Brasile. Antonio è venuto qui per raccogliere il suo materiale genetico. Abbiamo passato sette anni chiedendo l’identificazione di Bergson. Abbiamo visto i corpi, abbiamo parlato con la gente, ma a nessuno degli abitanti della regione sembrava importare di svelare ciò che si trovava nascosto da 35 anni — difende la ricercatrice e giornalista Myrian Alves. Occupatissima con le storie dell’Araguaia fin dal 2001, Myrian raccoglie materiale per scrivere un libro sulla vita di Libero Castiglia. Per fare ciò, oltre a riunire testimonianze di abitanti dell’Araguaia, conta sull’aiuto dei nipoti del guerrigliero: Wladimir – che abita ad Itaboraí, a Rio de Janeiro – e Lara – che vive a Cosenza, città italiana da dove proviene la famiglia e dove sono tornati i familiari dopo la scomparsa di Libero. — Muove a sdegno il fatto che chi mette le spoglie di una persona in una scatola di cartone, come se fossero un qualsiasi oggetto vecchio, appartenga all’area di Direitos Humanos del governo — dice Myrian. Nato a San Lucido, in provincia di Cosenza, il 4 luglio 1944, Libero Giancarlo Castiglia arrivò in Brasile quando aveva 11 anni. Venne con la madre e altri tre fratelli per raggiungere il padre, che si era stabilito a Rio de Janeiro nel 1949. Secondo gli archivi del Grupo Tortura Nunca Mais la famiglia abitò nella periferia di Rio de Janeiro, a Bonsucesso e Ramos. — Libero fece un corso di tornitore meccanico al Senai di Vassouras e lavorò come metallurgico. La scioltezza acquisita nella politica si ispirava alla vita dei genitori, Elena e Luigi. Lei era iscritta al Partito Comunista Italiano e lui al Partito Socialista – spiega la ricercatrice. — La loro storia è segnata da storie curiose e la prima è proprio questo arrivo in Brasile. Allora gli emigranti di San Lucido di solito rimanevano a Santos, dove era stato creato un centro per lavoratori. Valutando la storia del coinvolgimento sindacalista e politico della famiglia Castiglia, era estremamente naturale che rimanessero là. Lotta Il giovane italiano, soprannominato Joca, divenne membro del Líbero Setembro 2009 / PC do B. Dopo il golpe militare del 1964, dovuto alle persecuzioni politiche, si dette alla clandestinità e visse a Rondonópolis (MT), dove ebbe un’officina da meccanico. Joca arrivò in Araguaia nel Natale del 1967, e andò a vivere nell’area di Faveira, vicino all’incontro tra i fiumi Tocantins e Araguaia. Secondo Myrian, Joca fu la prima persona ad essere ricercata dalle forze della repressione. Questo si dovette al fatto che, malgrado fosse giovane, era importante all’interno del PC do B. — Libero era il più giovane dei figli dei Castiglia e anche il più riservato. Anche se sembra una contraddizione, era un calabrese che parlava poco. Joca partí dall’Italia nel dopoguerra ed è venuto in Brasile a fare la storia, come Garibaldi. Anzi, questi due eroi sono nati lo stesso giorno — osserva la ricercatrice. In Araguaia, Libero è stato visto fino al Natale del 1973, quando è avvenuto l’attacco alle forze guerrigliere. Myrian racconta che nella regione Libero era conosciuto e definito dai vicini e compagni del partito come una persona sempre pronta as aiutare. E’ stato padrino di vari bambini nati in quel luogo. E tutti conoscevano anche il mulo e la barca azzurra e bianca che aveva. Nella sua ricerca Myrian ha scoperto che Joca aveva imparato a scrivere in un italiano sorpassato, ma senza che nessuno nella sua casa l’avesse fatto. Aveva i piedi piatti – un difetto per coloro che volevano fare il militare a quell’epoca – e sei gradi di miopia. Si sa poco della vita sentimentale del guerrigliero. Un’unica ragazza, carioca e identificata come Sônia, sembra che sia stata la sua compagna ai tempi dell’Araguaia. Quello che si sa di sicuro sugli ultimi momenti di vita di Libero Castiglia è stato ottenuto grazie alle testimonianze di due ex militari che parteciparono alla persecuzione all’italiano. Secondo loro, la caccia sarebbe durata sei ore, nella foresta, e Castiglia forse era insieme a due persone, fuggite al momento della cattura. Senza notizie del figlio più giovane, i Castiglia ritornarono in Italia con gli altri familiari. A 93 anni, la madre di Libero aspetta ancora di ricevere le spoglie del fi- ComunitàItaliana 37 attualità e delle Relações Exteriores brasiliani. Dieci anni fa mia madre è venuta in Brasile ed ha anche parlato con il console d’Italia, che però le ha risposto che non poteva fare niente. Nella stessa epoca mia nonna ha ricevuto un indennizzo ed è finita cosí. Lara racconta che, in cerca di nuove informazioni, la famiglia ha recentemente aperto un processo presso la Corte Interamericana di Diritti Umani per ottenere una risposta riguardo al riconoscimento dei corpi già ritrovati. Lo stesso riconoscimento promesso dal ministro José Dirceu e riaffermato dal ministro Paulo Vannuchi che, due anni fa, è stato a casa di Wanda, madre di Lara, dove risiede anche Elena Castiglia. — Non si riesce a capire la difficoltà di arrivare al risultato di queste analisi. Mio nonno è morto nella speranza di riavere suo figlio — conclude. Membro della Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, vincolata alla SEDH, Diva Santana informa que, lo scorso luglio, la Comissão ha chiesto al governo di mandare le spoglie trovate nel 2001 al laboratorio Genomic a São Paulo. Ma lei non ha saputo dire se le spoglie sono state effettivamente trasferite. La sala stampa della Secretaria Especial de Direitos Humanos ha reso noto che oltre alla mancanza di risorse “la burocrazia contribuisce alla lentezza dei processi di identificazione”. Inoltre, la lungaggine per l’identificazione dei corpi “si deve allo stato di conservazione del materiale raccolto”. Secondo gli assessori l’identificazione di Bergson Gurjão de Farias ci ha messo 13 anni per essere confermata. Nos trilhos Ampliação da linha férrea deixará Itália e Suíça mais próximas Il ministro Paulo Vannuchi visita Wanda Castiglia in Italia Apertura degli archivi Il nuovo gruppo formato per trovare, raccogliere e identificare i corpi dei morti nella guerriglia dell’Araguaia ha iniziato i suoi lavori il 30 aprile 2009. Dal 1980 vengono realizzate ricerche nella regione. Ma, secondo il governo, le attuali azioni sono, fino ad oggi, il maggior tentativo di recuperare i corpi dei guerriglieri. La ricerca è ricominciata grazie ad una decisione del giudice federale Solange Salgado, della 1ª Vara da Justiça Federal di Brasília. Nel 2003 lo stesso giudice aveva già determinato la consegna delle spoglie alle famiglie. Ma siccome poco era stato trovato, il ministério da Defesa è stato obbligato a formare una commissione per pianificare le ricerche delle spoglie. In una notizia resa nota nel sito della SEDH il ministro Paulo Vannuchi considera “positiva” l’iniziativa. Nel 1995 il governo brasiliano ha approvato la Legge 9.140 che riconosce come decedute persone scomparse dovuto alla partecipazione, o all’accusa di partecipazione, ad attività politiche tra il 02/09/61 e il 15/08/79, e che per questo motivo siano state fermate da agenti della polizia, risultando quindi desaparecidas da allora. Allora il Diário Oficial pubblicò il nome di 136 persone che corrispondevano a questa descrizione, tra cui Libero Giancarlo Castiglia. — Tutto il lavoro realizzato finora non è stato facile. Per le famiglie c’è stato il pagamento di un indennizzo che va dai 100 ai 120 mila reais, a seconda di certi criteri, come quello dell’età del guerrigliero. E la lotta continua. Le spoglie trovate sono state inviate ad Istituti Medici Legali, Università, laboratori. Ma speriamo veramente che il punto finale della storia arrivi per ognuna delle famiglie che ha perso i suoi cari — dice Diva Santana, sorella e cognata di guerriglieri scomparsi nell’Araguaia. A cidade inteira parou para ver o trem passar, ou melhor, a escavadeira retirar uma pá de terra da velha linha para liberar os binários antigos do seu passado histórico e projetá-los no futuro. Os vizinhos da antiga linha férrea, o pároco, o prefeito, enfim, todos vieram prestigiar a abertura do canteiro de obras. A ferrovia Arcisate-Stabio (Suíça) vai permitir uma conexão mais veloz entre Lugano, nas margens helvéticas do lago de Como, e o aeroporto internacional de Malpensa, em Milão. O pequeno trecho, de apenas 8,5 quilômetros, vai servir a um território com 600 mil pessoas. Os trabalhos vão custar cerca de 220 milhões de euros e devem estar concluídos em 2013. Para mostrar a relevância da obra, ela foi inaugurada pelo presidente da região da Lombardia, Roberto Formigoni; pelo vice-ministro da Infraestrutura, Roberto Castelli; pelo administrador delegado do grupo Ferrovia do Estado, Mauro Moretti; além do dire- Guilherme Aquino Correspondente • Milão tor do Cantão Ticino, Marco Borradori; o assessor da Infraestrutura e Mobilidade da Lombardia, Raffaele Cattaneo; e do prefeito de Arcisate, Ângelo Pierobon. A linha vai ter três paradas: Indun, Arcisate e Gaggiolo e fecha a conexão entre Varese, na Lombardia, e o Cantão Ticino e Como (com mudança em Mendrisio). Além disso, oferece de forma mais cômoda e veloz o aeroporto de Malpensa para os viajantes suíços. Ao final, a ferrovia vai entrar em rede com as linhas do Sempione (Losanna, Genevra e Berna) e do Gottardo (Bellinzona e Lugano), graças à troca de trens em Gallarate. A Rede Ferroviária Italiana, do grupo Ferrovia do Estado, cliente final da obra, prevê a duplicação (4,6 km), entre Induno Olana e Arcisate, da linha Varese-Porto Ceresio e a realização de uma nova linha com binário duplo (3,6 km), até a fronteira da Itália com a Suíça. — Ao sobrevoar a região notávamos que faltavam serviços para melhorar a integra- ção de todo este território. Esta obra e aquelas em curso por conta da Expo 2015 vão resolver esta questão. O nosso principal importador é a Alemanha. Com a Suíça no meio, o país se torna importante para atingirmos o nosso principal parceiro econômico — afirma o vice-ministro da Infraestrutura, Roberto Castelli, em visita a Arcisate. — Temos confiança no potencial do aeroporto de Malpensa. Esta conexão entre o aeroporto de Lugano e de Malpensa vai abrir as portas para os viajantes que não precisarão mais ir aos aeroportos do centro da Europa. Esta obra também é um Metrô de superfície entre Varese e Como. O vice-ministro observou que a ampliação da velha linha passa “pelo respeito ao meio ambiente da região”. Por isso, duas “obras de arte” em termos de infra-estrutura vão ser feitas para diminuir ao máximo o impacto ambiental: o viaduto com 450 metros de extensão que atravessa o rio Bevera - embaixo da coli- na entre Arcisate e Cantello - e o túnel Induno, com 950 metros de comprimento a ser construído sob o antigo já existente. Uma equipe de especialistas vai monitorar os trabalhos em campo para evitar danos no equilíbrio da natureza e dos centros urbanos. O evento de inauguração das obras do pequeno trecho serviu também para revelar aos italianos os planos da Ferrovia do Estado para os usuários diários dos trens. A empresa estatal e a Região da Lombardia anunciaram investimentos para melhorar os serviços – só a região da Lombardia tirou do cofre 800 milhões de euros para a compra de 105 trens. Porém, a grande “revolução” a ser posta à prova é a união, por um ano, a principio, entre Trenitalia, Ferrovia do Estado e a Ferrovia Nord, da Regiao da Lombardia. A promessa é que, a partir deste mês de setembro, os 500 mil usuários lombardos já irão notar uma sensível diferença - para melhor - da limpeza, pontualidade, conforto e velocidade dos trens. A previsão é de uma redução de 90% nos cancelamentos, aumento de 10% na velocidade e de 20% na oferta de viagens. A Ferrovia do Estado e Ferrovia Nord vão ainda administrar juntas as linhas buscando uma sinergia que deverá beneficiar a todos. A sede operativa será em Milão. Fotos: Guilherme Aquino glio per rendergli un ultimo omaggio e dargli una degna sepoltura. — Avevo un mese e mezzo quando siamo andati in Italia. A cinque anni, nel 1978, mia madre e mio padre si sono separati e sono ritornato con lei a Rio. Ma mi sono interessato alla storia di mio zio quando sono diventato maggiorenne. Questo tema era proibito a casa mia, visto che ci causava amari ricordi. Per lo stesso motivo, in Italia, è mia cugina Lara che si coinvolge di più con questa storia — spiega il fisioterapista Wladimir, figlio di Walter. In un’intervista rilasciata via e-mail a Comunità, Lara conferma che segue da vicino le angoscie della nonna e della madre, alla ricerca di una soluzione per questo caso. E dice che durante tutti questi anni la famiglia non è riuscita a superare la perdita di Libero: — Io ero una ragazzina quando ho scoperto qui a casa una foto di un bambino che non conoscevo. Chiedendo a mia madre chi era ho sentito la tristezza e il dolore che le causava la sua assenza. Ho cercato su lettere, foto, giornali messi da parte e solo allora ho capito. Fino a quando hanno pubblicato i nomi dei coinvolti nel conflitto qui in Italia e ho promesso a me stessa che mia madre e mia nonna non sarebbero rimaste vicine a giornalisti o politici che venivano qui solo per far aumentare questo dolore. Secondo Lara, malgrado il governo italiano sia stato messo in azione dalla famiglia, non ha mai risposto alle richieste di restituzione delle spoglie fatte al governo brasiliano: — Ho perfino contrattato avvocati italiani per entrare in contatto con i ministeri della Justiça atualidade Moradores alertam para que a ferrovia não agrida o meio ambiente, durante a inauguração da obra 38 ComunitàItaliana / Setembro 2009 Setembro 2009 / ComunitàItaliana 39 integração Energia renovada Estudantes italianos participam de curso em Minas Gerais, na área de biomassa A Geraldo Cocolo Jr prendizado. Este foi o combustível que moveu 15 estudantes italianos do Politécnico de Turim para participar, em Belo Horizonte e Montes Claros, de um curso de um mês na área de energia de biomassa. Este projeto de intercâmbio faz parte do acordo de Cooperação Bilateral entre Minas Gerais e região de Piemonte, na Itália, assinada pelos dois governos e ratificada durante a Semana Minas Piemonte realizada em novembro do ano passado em Turim. O grupo retornou para a Itália no dia 22 de agosto. O curso foi ministrado pelas universidades federais de Minas Gerais (UFMG) e de Viçosa (UFV) e a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Os alunos fizeram visitas técnicas a instituições diretamente inseridas na cadeia produtiva do biocombustível, biotecnologia e similares, como a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais e o Instituto de Ciências Agrárias. Como parte do programa, os italianos conheceram também as instalações da Fiat, V&M do Brasil, Petrobras e Sada Bio-Energia. Em cerimônia realizada no Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, o secretário de estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alberto Portugal, apresentou aos jovens os projetos do Governo de Minas para desenvolvimento de tecnologias e ferramentas de inovação bem como as políticas para o incremento do uso da biomassa como fonte de energia no Estado. Segundo ele, existe no estado três Arranjos Produtivos Locais (APLs) no setor: Etanol, no Triângulo Mineiro; Biodiesel e Óleos Vegetais, no Norte de Minas e Biomassa e Carvão Vegetal, na região Central. Portugal informa que todo o trabalho é implantado com base em três pilares: rede laboratorial e de tecnologia e inovação e núcleos de inteligência competitiva. Para o Presidente da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Artesanato de Minas Gerais, Giacomo Regaldo, esse tipo de programa permite aos jo- vens experimentar o real ambiente de negócios e de estudos em um país estrangeiro. — Em um mundo de intensa troca de conhecimentos, profissionais qualificados e cosmopolitas são cada vez mais demandados pelo mercado. Em Minas Gerais, os estudantes encontram uma fonte de excelência — afirma. Expectativas Em sua primeira viagem ao Brasil, o estudante de Engenharia Química Paolo Carletto espera que o aprendizado adquirido no país seja “um diferencial no futuro”: — A área de biomassa vem ganhando destaque na Itália e o país tem interesse em aperfeiçoar o setor, tendo em vista que tais fontes de energia são menos poluentes que certos combustíveis utilizados atualmente. Certamente esse conhecimento será importante para mim — afirma. Seu colega Italo Doberdo, do mesmo curso, também está entusiasmado com a capacitação. Para ele, o intercâmbio “é um novo mundo”, tanto pelo campo integração de estudo quanto pela cultura de Minas Gerais. Segundo o professor-tutor Bensaid Samir, do Politécnico de Torino, os alunos estavam muito curiosos e motivados pela possibilidade de aprofundarem seus conhecimentos e também por conhecer Minas Gerais: — Eles com certeza vão voltar à Itália com novos pensamentos e idéias — acredita. Antes da vinda dos jovens italianos, estudantes mineiros já tinham passado uma temporada no Piemonte, por conta do Programa Jovens Mineiros Cidadãos do Mundo, que promove a capacitação técnica. Primeiro, foram 20 alunos do sétimo período das faculdades de Design de Produtos, Design Gráfico e Design de Ambientes da Universidade Estadual de Minas Gerais. Depois, o grupo foi formado também por estudantes da Universidade do Vale do Rio Doce e Fundação Mineira de Educação e Cultura. No retorno, os universitários apresentaram projetos baseados em análises comparativas que contemplaram propostas de políticas públicas em diversas áreas de atuação do estado, tais como turismo, transporte, lazer e gastronomia. O Programa se insere nas estratégias governamentais estabelecidas no Plano Mineiro de Desenvolvimento Industrial que prevê a capacitação do capital humano como fator determinante para a promoção do bem-estar social, do desenvolvimento e da eficiência da economia, da capacidade de inovação do setor produtivo, do uso sustentável dos ativos ambientais. Mais união Nova Associação quer estreitar o vínculo oficial entre Itália e Brasil. Uma segunda entidade está sendo criada com objetivo parecido. No Brasil, um grupo de parlamentares já representa os dois países Tatiana Buff U ma resposta à política de redução dos recursos destinados à difusão da língua e cultura italianas, à internacionalização das empresas e à manutenção do vínculo com as comunidades italianas no exterior. Assim pode ser entendida a criação da Associação ItáliaBrasil, segundo seu presidente, o deputado italiano eleito pela circunscrição da América do Sul, Fabio Porta (Partido Democrático). — Queremos demonstrar como a relação com países como o Brasil e a valorização de comunidades como a ítalo-brasileira podem ser um investimento e não um custo; um capital que, se adequadamente utilizado, pode representar o verdadeiro futuro para a Itália do amanhã — enfatiza Porta, também vice-presidente do Comitê Permanente para os Italianos no Exterior na Câmara dos Deputados. Segundo o deputado, há tempos existem, na Itália, importantes associações de amizade Fabio Porta 40 ComunitàItaliana / Setembro 2009 e cooperação com países como EUA, Japão e Rússia. Porém, ainda não existia uma que unisse a Itália ao Brasil, “a maior terra de residência de ítalo-descendentes no mundo”. A sede da nova instituição fica em Roma. A expectativa é que seja aberta, “em breve” uma sede também no Brasil. Seu secretário-geral é o executivo italiano Domenico Bosi, fundador de empresas como a Punto.it e de associações como a União Europeia-Brasil (EUBrasil), com sede em Bruxelas (Bélgica) e São Paulo. Porta esclarece que Domenico não é parente do deputado Francesco Bosi. Fundamental para a associação Itália-Brasil é, na avaliação do deputado, “manter alto o nível das relações entre os dois países, colaborar com as iniciativas já existentes para fortalecer a histórica ligação entre eles e contribuir para um maior e mais correto conhecimento da Itália no Brasil e vice-versa”. Segundo Porta, outro objetivo da entidade é a criação do Conselho Empresarial Itália-Brasil para intensificar a cooperação industrial e econômica bilateral, “especialmente nos setores de energia, infraestrutura, defesa e comunicações”. Metas paralelas Em março, o deputado italiano Domenico Scilipoti (Italia dei Valori) anunciou, no Brasil, a criação da Associação Parlamentar de Amizade Brasil-Itália – APABI -, iniciativa tomada com o colega brasileiro Maurício Trindade, do Partido da República (PR) da Bahia. Na época, Trindade afirmou que a entidade tinha como Correspondente • São Paulo objetivos a instalação de um showroom de pedras preciosas na cidade baiana de Brumado, desenvolver um projeto de plantio de oliveiras no estado, além de estimular a exploração e a comercialização de esmeraldas, pedra preciosa extremamente valorizada internacionalmente. No mês passado, a organização, de acordo com a assessoria do deputado Maurício Trindade, em Brasília, encontrava-se ainda em “fase de formalização jurídica”. Mesmo assim, a APABI já contaria com 85 deputados federais. Para Trindade, a recém-criada Associação Itália-Brasil “só vem consolidar a maior cooperação entre os países, estreitando as relações dos parceiros comerciais”. Também existe, em Brasília, o Grupo Parlamentar Brasil- Setembro 2009 / Itália, presidida pelo deputado Ricardo Barros (PP-PR). Foi criado em 1979 e é constituído por 198 parlamentares. Porta ressalta que a nova associação e a que está em fase de formalização jurídica são “duas coisas totalmente diversas”: — A associação promovida por meu colega Scilipoti é um grupo de deputados que, por diversas razões, escolheu dar vida a uma entidade que faça referência às relações entre Itália e Brasil, da qual também faço parte. Já a recém-nascida Associação Itália-Brasil pretende ser muito mais. Reúne empreendedores, operadores sociais, profissionais italianos e brasileiros que acreditam fortemente nas perspectivas de sua profícua relação — afirma Porta. ComunitàItaliana 41 depoimentos / 15 anos Alyrio Cavallieri, ex-desembargador do Tribunal de Justiça do Rio “Ho già una collezione di tazze, il gadget dato quando si rinnova l’abbonamento a Comunità, ma oltre alle tazze la rivista è diventata un fatto atteso ogni mese. Quando è stata raccontata la storia della mia famiglia nello spazio Il Lettore Racconta i Cavalliere (con due “l” e nessun cavallo) la rivista è cominciata a passare di mano in mano tra tutti i clan oriundi dal vecchio tronco italiano. Mi piace molto essere abbonato di Comunità. Oltre al supplemento letterario, che è una preziosità, la diversità di temi affrontati ne fanno, per noi, una rivista all’altezza delle pubblicazioni brasiliane di qualità. A tutti coloro che lavorano a Comunità, auguri!” Alyrio Cavallieri, ex giudice del Tribunal de Justiça do Rio “Conseguir, só por meio de uma revista, antes interessar e depois informar uma “comunidade italiana” que tem a característica de ser um mosaico de cartões multicoloridos e diferentes uns dos outros, já seria uma MISSÃO IMPOSSÍVEL! A revista, com material formidável para todos os tipos de cultura, edição luxuosa e criativa, alimenta com fartura o sempre presente orgulho de ser italiano. ComunitàItaliana conseguiu dobrar – com informações que eu chamaria de “cirúrgicas” – a resistência do verdadeiro italiano, que sempre fala mal (ops... critica construtivamente) a Itália e, ainda mais, o Brasil, não necessariamente nesta ordem. Bravo, Cavalier Pietro Cruise! Com grande orgulho de merecer a sua consideração”. “Riuscire con una sola rivista a interessare prima, e informare dopo una “comunitá italiana” che si distacca per essere un mosaico di tessere coloratissime e differenti una dall´altra era veramente una MISSIONE IMPOSSIBILE! La tua rivista, con materie formidabili per tutti i tipi di culture, edizione lussuosa e creativa, alimenta con abbondanza il sempre presente orgoglio di essere italiani. Comunitá Italiana é riuscita a piegare con informazioni direi “chirurgiche” la resistenza dell´italiano vero che sempre parla male (ops critica costruttivamente”l´italia e ancora di piú il Brasile, non sempre in questo ordine. Bravo Cavalier Pietro Cruise! Con grande orgoglio di meritare la tua stima”. Rodolfo Teichner, empresário Rodolfo Teichner, imprenditore “Felicito a Comunità pela persistência. É difícil acompanhar um veículo de comunicação por tanto tempo, mas o sucesso da revista durante esses 15 anos prova que o trabalho tem consistência e é bem feito. Gosto muito de poder participar das atividades da comunidade italiana. No Brasil, é praticamente impossível que alguém não tenha um amigo italiano. É lindo ver como eles demonstram e vivem o amor a sua terra original sem esquecer ou desprezar as conquistas e a vida aqui no Brasil. A Comunità resgata e valoriza isso”. Stepan Nercessian, vereador do município do Rio de Janeiro “Faccio i miei complimenti a Comunità per la sua persistenza. È difficile seguire una media di communicazione per tanto tempo, ma il successo della rivista durante questi 15 anni prova che il lavoro è consistente e ben fatto. Mi piace molto di poter partecipare alle attività della comunità italiana. In Brasile è praticamente impossibile che non si abbia un amico italiano. È bellissimo vedere come gli italiani dimostrano e vivono l’amore per la loro terra originale senza dimenticare o disprezzare le conquiste e la vita qui in Brasile. La rivista Comunità recupera e valorizza tutto questo”. “Faccio i miei auguri alla Rivista ComunitàItaliana per i suoi 15 anni di successo, desiderando lunga vita a questo mezzo di comunicazione che mantiene forti i legami che uniscono le nostre due patrie, dandoci informazioni, arte e cultura”. Roberto Monzo Filho, Correspondente Consular da Itália em Barra do Piraí – RJ Roberto Monzo Filho, Corrispondente Consolare d’Italia a Barra do Piraí – RJ Mais depoimentos em homenagem aos 15 anos da Comunità chegaram à Redação. Publicaremos todos ao longo do ano. Grazie a tutti! ComunitàItaliana / Agosto 2009 Câncer 1 C Vacina ientistas da Washington University de St. Louis, nos Estados Unidos, desenvolveram um método que usa veneno de abelhas para matar células cancerosas, ao mesmo tempo em que deixa células saudáveis intactas. Os pesquisadores acoplaram a toxina melitina, presente no veneno de abelhas, a moléculas que batizaram de “nanoabelhas”. Depois disso, essas “nanoabelhas” foram introduzidas em ratos com tumores. As partículas atacaram e destruíram apenas as células cancerosas, protegendo outros tecidos do poder destrutivo da melitina. “As nanoabelhas ‘voam’, pousam na superfície das células e depositam sua carga de melitina que rapidamente se funde com as células-alvo”, explica um dos autores do estudo, Samuel Wickline, que lidera o Centro Siteman de Excelência em Nanotecnologia. O Instituto Butantan, em São Paulo, recebeu da Organização Mundial de Saúde, no mês passado, a matéria prima para a fabricação da vacina contra a gripe suína. A previsão é de iniciar os testes em outubro. A expectativa é produzir cerca de 30 milhões de doses contra a doença até janeiro de 2010. Segundo o ministério da Saúde, o número de mortos pela doença chegou a 192. Até 12 de agosto, o país registrou 0,09 mortes em cada grupo de 100 mil habitantes, o que significa que o Brasil tem a segunda menor taxa de mortalidade entre os 15 países com mais óbitos provocados pela gripe no mundo. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, voltou a descartar a venda de Tamiflu nas redes de farmácia. “Não se pode usar indiscriminadamente o medicamento disponível para tratar uma doença cujo vírus causador pode vir apresentar uma mutação tornando-a mais grave. Casos de resistência já foram reportados no Canadá, no Japão, na Dinamarca e na China. Além disso, pesquisas recentes feitas nos Estados Unidos indicam que o vírus da influenza sazonal A, já apresenta 99% de resistência ao oseltamivir”, afirma. Câncer 2 P esquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, comprovaram que amamentar aumenta a proteção de mães com alto risco para câncer de mama. Mais de 60 mil mulheres antes da menopausa foram monitoradas por oito anos. Entre as que têm parentes de primeiro grau com câncer de mama, aquelas que amamentaram têm uma chance de 59% menor de desenvolver a doença antes da menopausa. Os pesquisadores ainda não conseguiram explicar completamente as causas da proteção. Acredita-se que as alterações que acontecem na mama durante esse período, como aumento de volume das glândulas, estejam envolvidas no processo. Variação do HIV P esquisadores da Universidade de Rouen, na França, identificaram uma nova variante do vírus HIV, causador da Aids, aparentemente transmitida aos humanos por gorilas. A nova variante foi identificada em uma mulher de 62 anos do Camarões, no oeste da África. A paciente é portadora do vírus, mas, apesar de nunca ter sido tratada, não demonstra sinais de ter desenvolvido Aids, afirmam os pesquisadores. Os pesquisadores alertam para a contínua necessidade de se observar atentamente a emergência de novas variantes do HIV, especialmente no centro e no oeste da África. Stepan Nercessian, consigliere comunale di Rio de Janeiro “Parabenizo a Revista Comunità Italiana pelos seus 15 anos de sucesso, desejando vida longa a esse veículo de comunicação que mantém fortes os laços que unem nossas duas pátrias, alimentando-nos de informação, arte e cultura”. 42 icpunlimited “Já tenho uma coleção de canecas, o brinde pela renovação da assinatura da Comunità, mas além das canecas, a revista se tornou um acontecimento esperado a cada mês. Quando na coluna Il Lettore Racconta a história da minha família, os Cavalliere (com due “l” e nessuno cavallo) foi publicada, a revista então passou a circular entre todos os clãs oriundos do velho tronco italiano. Gosto muito de ser assinante da Comunità. Além do suplemento literário, que é uma preciosidade, a diversidade de assuntos abordados fazem para nós uma revista à altura das boas publicações brasileiras. A todos que trabalham na Comunità, Auguri!” SaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSa Libido U ma pesquisa da Universidade de Florença, na Itália, afirma que o consumo moderado de vinho tinto pode aumentar a libido sexual feminina. O estudo foi feito com 798 mulheres entre 18 e 50 anos na região de Chianti, na Toscana. Todas elas – consideradas sexualmente saudáveis - foram divididas em três grupos e responderam 19 perguntas sobre sexualidade. O grupo que apresentou os maiores índices de desejo sexual, de acordo com as respostas dos questionários, foram o das mulheres que consomem uma ou duas taças de vinho por dia. Setembro 2009 Ruivos U m estudo publicado na revista especializada The Journal of the American Dental Association sugere que os ruivos são mais sensíveis à dor por causa da mutação de um gene que afeta a cor dos cabelos. O gene MC1R produz melanina em pessoas com outras cores de cabelo, mas, nos ruivos, uma mutação resulta na produção de outra substância que origina os cabelos vermelhos. Este gene também está ligado a uma família de receptores que inclui os responsáveis pelos sinais de dor no cérebro e, por isso, a mutação parece afetar a sensibilidade do corpo. O estudo concluiu que os ruivos têm duas vezes mais chances de evitar cuidar dos dentes por causa da dor. / ComunitàItaliana 43 L a Sociedade Esportiva Palmeiras di São Paulo ha lanciato una terza divisa del Palestra. La nuova maglia III ha più storia di quanto i tifosi possano immaginarsi. Sul davanti lo scudo è lo stemma ufficiale della famiglia reale italiana, la croce di Savoia, il primo simbolo della squadra di tutti i tempi. L’azzurro della maglia, chiamata anche maglia azzurra palestrina, è un omaggio alla squadra Azzurra italiana. Calcio 1 L a Confederação Brasileira de Futebol il mese scorso ha fornito il certificato di professionalismo al Gavião Kyikatêjê Futebol Clube. Si tratta di una nuova squadra di calcio guidata da Zeca Gavião, indio della tribu Kyikatêjê che vive nel comune di Marabá. La squadra parteciperà al campionato della Serie B dello stato del Pará. Giovani N ei giorni 23 e 24 del prossimo ottobre verrà realizzato a São Paulo il secondo incontro dei Giovani Veronesi nel Mondo del Sud America. La meta è ampliare le conoscenze tra i membri dell’entità e condividere progetti comuni. Il presidente del gruppo, Ricardo Ceni, ha reso nota una lettera di invito a partecipare, mettendo in risalto che sono invitati anche giovani di altre associazioni venete. Barista B rasília ha un nuovo punto di incontro per gli amanti della cultura italiana: il Parlando Italiano, una specie di centro culturale dove sono realizzati vari corsi. Il 25 e 26 settembre, per esempio, sarà realizzato il 30° Corso di Barista di Brasília, con Antonello Monardo e Sulayne Shiratori. Immigrazione italiana I l giorno dell’Immigrante Italiano nello Stato di Rio de Janeiro è stato ricordato all’inizio del mese dalla comunità in una cerimonia solenne, che ha avuto luogo accanto al busto dell’imperatrice Teresa Cristina, nella Praça Itália, vicino al consolato italiano al centro di Rio. Coordinato dalla Sociedade Ital-Rio, l’evento ha contato sulla presenza del direttore di Comunità, di Julio Cezar Vanni e del consigliere comunale Stepan Nercessian tra le varie personalità. — E’ un’allegria immensa riunire cosí tante persone per celebrare l’arrivo degli italiani a Rio. E’ il segno che dimostra che la cultura italiana rappresenta diverse sfere e può ancora essere festeggiata e arricchita dalle nuove generazioni — ha dichiarato Vanni. Il direttore di Comunità si è fatto presente anche alla festa in commemorazione dell’immigrazione italiana a Pequeri (MG), dove è stato premiato. All’evento Vanni ha lanciato il suo libro Tutti Buona Gente – Italianos na Zona da Mata. L’incontro solenne ha contato sulla presenza del vice governatore di Minas Gerais, Antonio Augusto Anastásia, e dell’ex presidente della Repubblica, Itamar Franco. Escrito nas estrelas Evento astronômico no Brasil traz ao país um dos mais reconhecidos astrofísicos italianos para falar sobre as descobertas de Galileu Galilei e a evolução da ciência C omo se não bastasse ter o título de Cidade Maravilhosa, o Rio de Janeiro, em agosto, também ganhou o título de capital mundial da astronomia. Cerca de dois mil astrônomos de mais de 70 países se reuniram para participar da XXVIII Assembleia Geral da União Astronômica Internacional (IAU), realizada pela primeira vez no Brasil. A Itália não poderia ficar de fora de um evento como este. O astrofísico Franco Pacini deu a sua contribuição falando sobre as descobertas de Galileu Galilei e a evolução dos estudos astronômicos até hoje. — A astronomia sempre foi importante para todos os povos da Terra. Esta assembleia ocorre em diferentes lugares e, desta vez, era a vez da América Latina. Por aqui não acontecia um congresso de astrônomos há 20, 30 anos. Nayra Garofle Por esse motivo foi justo escolher o Rio. O Brasil está crescendo muito no campo da astronomia e isso é de um reconhecimento internacional — diz Pacini. A cada três anos, astrônomos associados pela IAU se reúnem para avaliar as mais recentes observações e para organizar ações cooperativas internacionais. Em 2009, se comemora o Ano Internacional da Astronomia, em lembrança aos 400 anos do primeiro uso astronômico de um telescópio, realizado pelo cientista italiano Galileu Galilei. — Galileu tinha um telescópio muito pequeno, para os padrões atuais. O telescópio tinha pouco mais do que dois centímetros de diâmetro e ele descobriu tudo aquilo que pode descobrir com esse instrumento. Esta é a lição. Os astrônomos estão interessados não somente em saber se há ou- tros planetas, mas, sobretudo, em entender a evolução do universo. Isso significa, hoje, saber como nasceu o sol, como nasceu a via Láctea, a galáxia, o universo — afirma Pacini que, além de abrir a Assembleia, proferiu uma palestra no Planetário da Gávea. Na palestra, ele falou justamente sobre a evolução dos telescópios. Pacini explicou, a astronomia precisa de telescópios maiores, que permitam olhar através de outros tipos de radiação, como as infravermelhas. Pacini informou que, no Chile, uma série de telescópios está sendo construída na altura de 5.300 metros acima do nível do mar: — A América Latina está se tornando um ponto chave na astronomia mundial — completa. Pacini nasceu em Florença, em 1939 – mesma cidade italiana onde Galileu Galilei morreu, em 1642. Seu interesse pela astronomia surgiu quando ele era ainda criança. Durante um passeio com sua mãe, seu irmão e uma amiga de sua mãe pelas colinas, ele percebeu uma estrela muito brilhante. A amiga de sua mãe, ao notar a curiosidade do menino, explicou que não se tratava de uma estrela, mas de um planeta e o ensinou a reconhecer alguns. — Ela me emprestou vários livros, entre eles Il libro di Ucrania, de Mentore Maggini, que ainda hoje pode ser considerado uma obra belíssima e ideal para a divulgação da Astronomia. Naquela época, escrevi para Giorgio Abetti, diretor do Observatório de Arcettri, pedindo que me aconselhasse a leitura de alguns livros. Ele me respondeu, eu continuei a ler e a me interessar cada vez mais — conta. Em 1964, Pacini se formou em física pela Universidade de Roma. Em 1997, recebeu o Premio della Presidenza del Consiglio per la Scienza. O renomado astrofísico italiano foi presidente da União Astronômica Internacional de 2001 a 2003. Como forma da comunidade científica reconhecer seu trabalho, um asteróide (um corpo menor do sistema solar) – o de número 25601 - foi batizado com o seu nome. — Certamente, quando eu era uma criança de 10 anos não poderia imaginar que me tornaria presidente dos astrônomos do mundo. Quanto ao asteróide com o meu nome, isso não significa muito, mas é uma tradição da União Astronômica Internacional — diz ele humildemente. Entre os vários projetos vinculados ao seu nome, que participa em colaboração com outros países, está a construção do Large Binocular Telescope (LBT), um dos maiores telescópios ótico já feito. O trabalho está sendo realizado no Monte Grahan (EUA). Fotos: Roberth Trindade Calcio astronomia Setembro 2009 / ComunitàItaliana 45 arquitetura Fotos: Claudio Cammarota Quando il tempo si ferma La Villa è stata costruita con materiale riutilizzato da vecchie costruzioni Villa a São Paulo conserva le caratteristiche di un tipico rifugio italiano degli anni ‘40 Tatiana Buff C Correspondente • São Paulo amminando per la città di São Paulo, nel punto in cui si incrociano due importanti arterie molto trafficate, piene di grattacieli, chi vuole può tornare indietro nel tempo o fermarlo. E per farlo è sufficiente varcare i portoni di Villa Anna, situata fra le vie Doutor Arnaldo e Heitor Penteado nel quartiere Sumarezinho. Là il calendario torna indietro al 1945 e i visitatori sono come trasportati in un tipico rifugio italiano. Villa Anna è formata da cinque case gemelle, oltre alla principale. Sono state tutte costruite usando materiali riciclati provenienti da demolizioni di edifici pubblici e privati. Costruita da Tomás Ângelo Morrone (1894-1958), la villa oggigiorno è adibita ad uffici e ambulatori. All’ingresso un piccolo arco dà accesso ai primi piani, che sono pittoreschi e assomigliano a quelli originari delle piccole città italiane. In questo caso ci riferiamo all’Abruzzo, alla Campania e al Molise, da dove sono emigrati gli antenati di Carmen Morrone Costella di 81 anni, proprietaria 46 della villa e matriarca di una numerosa famiglia di sette figli. — Mio nonno Nicola Morrone ha lasciato l’Italia nel 1894. Prima era andato a tentare la fortuna in America dove aveva lavorato nelle miniere di carbone. Ma là aveva contratto alcune malattie dovuto al tipo di lavoro, e si era spostato in Brasile. A questo punto mia nonna, Carmela Mango Morrone, si è trasferita qua. Vendevano formaggi nella provincia di Campobasso — racconta con i suoi chiari occhi celesti la signora Carmen, che è professoressa, infermiera e usa internet come tutte le donne moderne. A São Paulo Nicola ha cominciato a lavorare come appaltatore-costruttore per alcuni ingegneri del calibro di Ramos de Azevedo, costruendo edifici al centro della città e nel nuovo quartiere vicino, Bixiga, zona già all’epoca tipicamente italiana. La coppia di immigranti ha avuto sei figli. Uno dei figli era Tomás Ângelo Morrone che poi si è sposato con Anna Russo, napoletana – e sono loro i genitori della signora Carmen. ComunitàItaliana / Setembro 2009 Riutilizzare Il percorso professionale di successo del primo emigrante nel periodo della crescita economica e immobiliare, con una popolazione che aumentava a ritmo vertiginoso nella capitale paulista, fu continuato dal figlio Tomás Ângelo. Durante il decennio 1930-40 l’appaltatore, come il padre, faceva lavori per il comune, per varie fondazioni e per clan tradizionali della città come la Escola de Comércio Álvares Penteado, fondata nel 1902. Tommaso nei lavori che faceva riutilizzava alcuni elementi che presentavano una bellezza e durabilità incredibili. Usando dei materiali destinati alla pattumiera il costruttore di Villa Anna ha lasciato nella casa l’impronta del valore del lavoro, il senso della collettività, della solidarietà e l’utilizzo del bene comune, “trasmesso attraverso il DNA” a partire dalla terra d’origine, dove i cittadini da molto tempo conoscono il significato del lavoro e dell’irrazionalità dello spreco. A quei tempi lui non si preoccupava della sostenibilità, parola così di moda adesso. Negli anni tra il 1942 e il 1945 il suo obbiettivo è stato soltanto quello di costruire la casa per la sua famiglia. Dopo la costruzione della residenza principale davanti alla via Heitor Pentendo, Morrone ha cominciato a costruire delle case nell’enorme cortile, con l’obiettivo di produrre una rendita aggiuntiva. Cosí hanno cominciato ad affittare la Villa ai conterranei. — A quei tempi Sumaré era un luogo deserto, non c’era niente, e case neanche a pensarci. Mi ricordo quando ero bambina, i miei zii raccontavano che qui si veniva a cacciare quaglie e pernici. Il nome del quartiere viene da tutto questo – ricorda con tenerezza la signora Carmen, che è rimasta vedova cinque anni fa. Nell’armonia del complesso di Villa Anna saltano agli occhi pezzi originali e dettagli della struttura che evidenziano che la creatività non compete con il buon gusto. Una grande finestra antica lavorata in ferro diventa un elemento decorativo di ventilazione in un ingresso meno largo e più profondo, sotto il breve corridoio che unisce la residenza principale alla prima casa, costruita dopo il matrimonio della signora Carmen. Lo spazio, di 600 metri quadrati, era il luogo delle riunioni familiari e delle feste, e là si tenevano le lezioni di ballo, nel salone attiguo, al coperto. Ed anche il piccolo bar colorito che si trova sotto la scala dell’ingresso, era stato costruito con materiale riciclato. — Noi oggi vorremmo che questo spazio fosse trasformato in luogo per eventi, incontri culturali e serate musicali, come facevano i nostri nonni e i nostri padri per la famiglia — dice Tibério Morrone Costella, penultimo dei sette figli di Carmen, che lavora come amministratore aziendale specializzato in marketing e gestisce Villa Anna, dove ha anche sede l’ufficio Timamoco de Representações e Assessoria Comercial. Tibério e la madre Carmen Morrone In fondo al cortile le porte vintage di due case si aprono rivelando, attraverso piccole finestre chiuse da vetri, che sono di legno massiccio e mostrano, allo stesso tempo, le insegne della Escola de Comércio Álvares Penteado, bel reperto storico di rispetto e prestigio. Finestre, porte, grondaie fatte con tegole rotonde antiche, vetrate, maioliche decorative e cancelli lavorati sono sparsi nelle parti comuni e interne della villa, e i corridoi e i muri sono completamente decorati con diverse specie di fiori e con bei vasi di piante – ricordando la realtà urbana italiana. Sul muro laterale della zona destinata al parcheggio della villa – nel cortile centrale dei cinque palazzetti - una delicata nicchia adornata con la pianta medicamentosa uncaria tomentosa e fiori, di cui si prende cura tutti i giorni Tibério Morrone, accoglie l’immagine della Madonna del Carmine. La Santa richiama l’attenzione degli inquilini, dei clienti e dei visitatori e fedeli che trovano un momento per pregare durante la giornata. Gli artefici della famiglia L’edificio è stato mantenuto e conservato dalla signora Carmen e dal marito, il dentista chirurgo Antônio Haroldo Costella originario del Veneto. Si sono sposati l’8 dicembre del 1950. Hanno avuto sette figli che gli hanno dato già 14 nipoti. — Mio padre era milionario quando si sposò nel 1928. Lavorava con mio zio a São Paulo prima del crollo della borsa di New York. Il mio zio più grande aveva delle terre a Jaboticabal, dove coltivava caffè e produceva zucchero. Ma con la crisi... — racconta la matriarca. — Allora tutti si riunirono qua e mio nonno ipotecò il palazzo che possedeva in via Santo Antônio. Poi non riuscì a pagare i debiti e perse l’immobile. E la famiglia traslocò a via Barata Ribeiro, nello stesso quartiere, con l’aiuto del clan Russo, di Napoli. E’ stato dopo che sono arrivati a comprare il terreno e hanno cominciato la costruzione della villa a Sumarezinho. Anche la famiglia Russo, che apparteneva al lato materno della signora Carmen, collaborò all’espansione economica e culturale della capitale paulista. Setembro 2009 / Pasquale Russo, il nonno, fu famoso artefice – scultore, pittore, disegnatore e decoratore – di innumerevoli opere pubbliche negli anni ’30 e ‘40, fra cui il Teatro Municipal, la Igreja de Santa Cecília e l’Hotel Parque Balneário di Santos. Contattato dalla Compagnia Sparapane, che lavorava per l’amministrazione municipale, per famiglie e per imprese, creò, decorò e dipinse affreschi, parti interne e volte di edifici. Anna Russo Morrone, e la villa si chiama così in suo omaggio – madre della signora Carmen, morta 26 anni fa – ha trasmesso una eredità estetica: il gusto per l’arte. Nata a Napoli nel 1906, la poetessa e artista plastica arrivò in Brasile a 6 anni. Studiò con il padre Pasquale, studiò canto e fu alunna della Associação Paulista de Belas Artes. Impartí lezioni alla Bienal de São Paulo, partecipò ad innumerevoli esposizioni e ricevette vari premi negli anni ’60 e ’70. Anna Russo ha delle sue opere esposte nel Museu do Chile e in vari stati brasiliani. In Olanda, in Italia e in Portogallo i collezionisti hanno comprato suoi quadri e xilografie. Nella famiglia Morrone Costella l’educazione è il mezzo per mantenere il vincolo con l’Italia. Cinque figli hanno studiato nel tradizionale Colégio Dante Alighieri e tutti hanno imparato o hanno avuto contatti con la lingua italiana. La metà dei nipoti ha fatto gli studi nella stessa scuola. Per la signora Carmen mantenere il contatto con l’Italia è “imprescindibile”, usando le tradizioni, le abitudini, le amicizie, i viaggi e la lingua che lei parla fluentemente. ComunitàItaliana 47 livro Livro resgata textos de Lina Bo Bardi, arquiteta ítalo-brasileira responsável pela criação de projetos que se tornaram ícones da cidade de São Paulo Ana Bizzotto Correspondente • São Paulo A utora de projetos arquitetônicos consagrados como o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e o Sesc Pompeia, na capital paulista, a ítalo-brasileira Lina Bo Bardi produziu também um número considerável de textos, fotografias e desenhos que demonstram a evolução e a inovação das ideias de uma artista consciente do seu papel transformador do contexto urbano e do cotidiano das pessoas. Parte desse legado foi reunida no livro Lina por Escrito, lançado mês passado em São Paulo. Com 33 textos originalmente publicados em periódicos e jornais diários, dos anos 40 até a década de 90, a obra evidencia a capacidade que a arquiteta teve de traduzir em palavras o talento para criar e refletir para além da própria obra. 48 — A Lina foi uma intelectual total, polivalente, debateu a arquitetura dela, mas também a política, a cultura. Foi uma pensadora do Brasil — afirma a antropóloga e professora da Unicamp Silvana Rubino, uma das organizadoras do livro. Outra organizadora da edição, a arquiteta Marina Grinover, está pesquisando para sua dissertação de mestrado as ideias que estão por trás do que foi publicado por Lina Bo Bardi. Para isso, fez um trabalho de levantamento e catalogação dos textos: — Ao longo dessas leituras, fui percebendo que a formação italiana foi muito estrutural para aquilo que ela passou a escrever. Nos 50 anos em que ela escreveu, as questões da arquitetura mudaram muito no mundo inteiro. Ao mesmo tempo em que ela trouxe uma serie de ideias na bagagem, foi transformando tudo isso aqui no Brasil e nos diálogos que fazia com a Itália. Nascida em Roma em 5 de dezembro de 1914 e batizada no ComunitàItaliana / Setembro 2009 Vaticano como Achillina di Enrico Bo, Lina contrariou os padrões ao decidir cursar Arquitetura na década de 30, período em que o curso era totalmente voltado ao público masculino. Após se formar na Universidade de Roma, iniciou sua trajetória profissional em Milão, na revista Stile, editada por Giò Ponti. Ela ilustrou capas e páginas internas da revista, que também contava com a colaboração do seu futuro marido, Pietro Maria Bardi, que era jornalista, crítico de arte, dono de galeria e colecionador. Ele editava a revista Quadrante, de orientação fascista, no período em que o início da arquitetura moderna na Itália foi marcado pela instauração do nazismo no país. No início da carreira, na Itália, Lina também foi ilustradora e colaboradora de jornais e revistas como Tempo, Grazia, Vetrina e l’Illustrazione Italiana, além de editar a coleção Quaderni de Domus. No dia 13 de agosto de 1943, um grande bombardeio foi lançado sobre Milão e destruiu o escritório de Lina. A partir deste episódio, ela entrou para o Partido Comunista clandestino e o apartamento de sua família tornou-se um ponto de encontro de artistas e intelectuais italianos. Lina se casou com Bardi em 1946 e os dois se mudaram para o Brasil no mesmo ano. O país tropical e jovem que recebia o casal vindo de uma Itália destroçada pela guerra se tornou sua pátria. Pouco tempo depois, se naturalizaram brasileiros. De acordo com Silvana, ela manteve contato com arquitetos italianos com quem havia trabalhado, mas realmente se abrasileirou. — O Brasil era a promessa de um mundo novo, tinha terras para construir, uma burguesia ascendente, condições que talvez eles não tivessem na Europa para trabalhar do jeito que queriam — avalia a professora. — Foi um período em que a arquitetura moderna brasileira estava em grande evidência no mundo. As relações políticas estabelecidas por Bardi e Lina quando Construção do Masp, na Avenida Paulista, em 1968 nema e artes plásticas, e se destacou como designer de móveis, objetos e jóias, curadora e organizadora de várias exposições. — O artista plástico Francisco Brennand disse uma vez que Lina era ‘a prova de que uma andorinha só faz verão’. E ela fez esse verão todo porque sua atuação foi ampla. Ela soube interpretar o contexto urbano e sabia onde e para que estava projetando — avalia Silvana. — A grande contribuição do Niemeyer foi fazer a curva. A dela foi fazer uma arquitetura rude, sem muito ‘fru-fru’, sem concessão para modismos, com um despojamento interessante. O arquiteto Marcelo Ferraz, que trabalhou com Lina de 1977 até em 1992, quando ela veio a falecer, considera que a arquiteta exercitava a inteligência de maneira constante. Ele conta que ela tinha dúvidas e acreditava nas dúvidas Lina e sua casa de vidro, tombada pelo Patrimônio Histórico em 1987 porque era daí que ela vislumbra soluções. Ferraz participou junto com a arquiteta de um de seus projetos mais importantes e conhecidos: a transformação da antiga Fábrica de Tambores da Pompéia em um centro de lazer e cultura do Serviço Social do Comércio, o Sesc. O local, que abriga teatro, restaurante e vários espaços de convivência, mantém o propósito idealizado por ela: integrar pessoas de todas as idades em um espaço simples, funcional e democrático. Segundo o arquiteto, ela não se enquadrava em nenhuma escola ou estilo arquitetônico. — Para ela, a arquitetura tinha que atender às demandas da vida antes de tudo. Ela usava materiais diversos, sem preconceito e sem formalismo. Tinha muita liberdade e ao mesmo tempo um rigor poético. Instituto Primeira obra arquitetônica completa de Lina, a Casa de Vidro foi Francisco Albuquerque, 1952 – Coleção Instituto Lina Bo e P.M. Bardi (copyright Instituto Moreira Salles) Traço livre chegaram ao país contribuíram para que o casal atuasse na realização de importantes projetos, como o do Museu de Arte de São Paulo (Masp), planejado pela arquiteta em 1957 e concretizado graças à iniciativa de Bardi e de Assis Chateaubriand. Além de desenhar o prédio, famoso pelo vão livre que foi por muito tempo o maior do mundo, Lina foi responsável por toda a concepção museográfica do Masp, hoje bastante descaracterizada. Bardi, que dirigiu o museu até 1992, teve papel fundamental para conseguir tirá-lo do papel – foram mais de dez anos até a inauguração, em 1968 – e principalmente para constituir o importante acervo que ele abriga. No período em que viveu na Bahia, entre 1958 e 1964, Lina fundou e dirigiu o Museu de Arte Moderna, deu aulas na universidade e projetou o Museu de Arte Popular (1961), contribuindo de forma significativa para a projeção cultural do estado. Marina conta que Lina fazia “costuras políticas”, mas sabia manter uma “distância partidária” das relações: — Ela tanto conversava com Juracy Magalhães, que era governador da Bahia, quanto com alunos e artistas para discutir questões relacionadas com a cultura. Lina manteve intensa atividade em todas as áreas da cultura. Projetou a sede do Teatro Oficina, em São Paulo, e também desenhou cenário e figurino de várias peças encenadas neste e em outros espaços. Trabalhou com ci- Setembro 2009 / projetada em 1950 para ser a residência do casal. Em dois artigos do livro Lina por Escrito, ela explica que não foram procurados efeitos decorativos ou de composição para a casa. “O objetivo é a sua extrema aproximação com a natureza por todos os meios”, explica. Ela conseguiu o feito, visto que a construção, famosa por suas paredes de vidro e pelo vão que ocupa a parte inferior, se integra harmonicamente com a floresta de mata atlântica que a circunda. Tombada como patrimônio histórico em 1987, a casa abriga hoje a sede do Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi, fundado pelo casal em 1990 com o nome de Instituto Quadrante. O objetivo dos dois era que o espaço divulgasse o trabalho e o acervo reunido por eles e se tornasse um centro de estudo e pesquisa. O instituto foi dirigido de 1993 a 2001 por Marcelo Ferraz. No momento, está fechado ao público para manutenção e restauração da estrutura da casa. Enquanto isso, a equipe do instituto continua o trabalho de catalogação dos cerca de 7.500 desenhos e 17 mil fotografias da arquiteta. Além disso, foi iniciado um trabalho de organização do arquivo de Pietro Maria Bardi. — Ele foi um homem extremamente inovador para a cena cultural brasileira. Estamos tentando por em ordem todo o material e começar uma série de pesquisas que permitirão entender a importância dele para as artes no Brasil — explica a atual diretora do instituto, Anna Carboncini. ComunitàItaliana 49 Milão livro Tratado escrito no século 16 por Andrea Palladio somente agora ganha versão em português e comprova a genialidade do arquiteto italiano E Nayra Garofle studiosos, curiosos e amantes brasileiros da arquitetura acabam de ganhar um presente: a tradução para o português do tratado I Quattro Libri dell´Architettura, do italiano Andrea Palladio (1508-1580). Organizado pelo arquiteto e professor do departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Joubert José Lancha, o texto foi publicado pela primeira vez em Veneza, em 1570. Além disso, no Rio de Janeiro, os cariocas foram contemplados com uma exposição. A mostra “Forma e composição nas vilas de Andrea Palladio” poderá ser vista no Centro de Arquitetura e Urbanismo (Cau), em Botafogo, até 9 de outubro, em comemoração aos 500 anos de nascimento de Palladio, ocorrido em 2008. — A repercussão e a influência da arquitetura de Palladio na Europa e, posteriormente, nos Estados Unidos devem-se não tanto à sua obra edificada, mas fundamentalmente à incrível capacidade comunicativa de seu tratado. Esta é a primeira tradução em língua portuguesa, um trabalho de longo período que envolveu diversos profissionais e cobre uma lacuna editorial em nosso país — diz Lancha, que há 19 anos estuda a arquitetura de Palladio. Segundo Lancha, os quatro livros que formam o tratado possuem uma estrutura interna que serve de fio condutor para a leitura e o entendimento de toda a produção arquitetônica do autor. Andrea di Pietro della Gondola, nasceu em Padova, em 1508. Teve seus ensinamentos patrocinados pelo polímata Gian Giorgio Trissino, que reconheceu o talento do jovem o qual lhe deu o nome de Palladio. Considerado um dos principais arquitetos do Renascimento italiano, sua arquitetura se mostrou, para muitas gerações, como a “verdadeira encarnação da tradição clássica”. A sua criação mais famosa é La Rotonda, considerada um resumo da arquitetura Palladiana. O projeto, que inclui um domo que se eleva acima de um Mostra de Palladio será exposta até 9 de outubro cubo, é simples e recebeu reconhecimento imediato pela perfeita harmonia com a paisagem ao redor. No Brasil, o professor identifica “ressonâncias” de Palladio na arquitetura de vilas: — Mais especificamente em São Paulo, algumas sedes de fazendas e sítios coloniais são elaboradas com uma planta bastante próxima à tipologia de vila. Um eixo central de simetria e dois corpos laterais; a entrada por uma varanda que é uma espécie de loggia que antecipa a entrada para a sala central — explica o arquiteto — Porém, a ressonância da arquitetura de Palladio pode também ser observada em outras regiões como no caso do Palácio da Cidade no Rio de Janeiro e em vários edifícios onde a tradicional fachada tripartida recebe ao centro uma ordem de colunas podium e frontão. Lancha sente dificuldade em citar a obra de Palladio que mais admira. O professor conta que, entre as vilas, a Emo, chama a sua atenção por funcionar como uma síntese da ideia palladiana de vila. — Sua enorme e linear arcada é incrivelmente bela e se coloca dos dois lados da “casa de vila” que é organizada através de um grande eixo de simetria que além de definir a composição do edifício funciona na demarcação do território. Outra obra admirável de Palladio é a Basílica Palladiana. Localizada no centro da cidade de Vicenza, essa é sua primeira obra pública, que merece um olhar atento por toda a história e o vínculo desse edifício com a cidade — relata. A exposição no Centro de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro é uma iniciativa da Prefeitura da Cidade, da Secretaria Municipal de Urbanismo e do Instituto Italiano de Cultura. A exposição é resultado de um amplo estudo desenvolvido por Lancha junto a um grupo de pesquisa, o Grupo Quadro, o qual é coordenador na USP. Estão reunidos nessa mostra 23 maquetes em madeira que discutem a ideia de forma e composição nas vilas de Andrea Palladio. — As maquetes não procuram reproduzir o edifício em miniatura, mas são constituídas por partes que trazem à tona a lógica proporcional e compositiva empregada pelo arquiteto nos seus projetos — explica Lancha. Expo 2015 A Pedala, pedala A s montanhas italianas não ganham destaque apenas no inverno. No outono que chega, elas continuam atraindo os esportistas de fim de semana. Na falta de esquis, a turma pega a bicicleta e pedala. Primeiro, os ciclistas sobem a montanha, depois descem por trilhas abertas nos bosques e nas pistas secas de esqui. As cidadezinhas que vivem do turismo já atentaram para tendência e passaram a alugar bicicletas e equipamentos de segurança para quem tiver fôlego e vontade de curtir a natureza. epois de gastar 26 milhões de euros, nos últimos três anos, para limpar as pichações dos prédios e monumentos da cidade, Milão cansou. Em 2006, a campanha “Eu lavo Milão”, levou à limpeza gratuita de 26 mil das 40 mil construções na cidade. Agora, grátis vai ser apenas o primeiro esfregão. Os outros serão cobrados aos administradores dos condomínios que queiram se ver livre das pichações. A operação está marcada para começar neste mês, visando o fim de ano com a cidade sem os grafites nos mármores e cimentos. ComunitàItaliana O Nome da Rosa A Guerra e Paz D 50 contagem regressiva para a Expo 2015 está mudando o perfil de Milão. Prédios altos surgem a todo instante. Com as modernas técnicas de construção, um arranha-céu aparece da noite para o dia. Os moradores da área Garibaldi estão preocupados com a altura dos novos prédios. A sombra deles vai impedir o banho de sol. Em nome do progresso, o comune de Milão segue o seu caminho tentando revitalizar a cidade e, de quebra, alterar um pouco o skyline da capital lombarda. Parece que aos incomodados, resta que se mudem. Giovanni_Dall’Orto Tradição clássica Guilherme Aquino / Setembro 2009 igreja Sacra de San Michele fica pertinho de Turim, por sua vez, a cem quilômetros de Milão. Um passeio ao antigo monastério vale a pena. As ruínas relembram um passado cheio de mistérios. O local foi cenário do livro O Nome da Rosa, de Umberto Eco, que depois virou filme com Sean Connery no papel principal. Durante o outono, a vegetação ao redor fica vermelha e amarela e dá um toque surrealista ao panorama que tem no monastério um de seus pontos mais altos antes da cadeia dos Alpes. Milan e Inter O futebol milanês fala português. Os dois técnicos rivais usam o mesmo idioma em família: o português Mourinho, da Inter, e o brasileiro Leonardo, do Milan. E a cada fim de semana, um dos dois joga em Milão. Eis uma ótima chance de ver de perto os astros do futebol italiano. Para o calendário dos dois times basta ir aos sites: www.acmilan.it, www.inter.it Setembro 2009 / ComunitàItaliana 51 turismo Nella Praia do Rosa, in Santa Catarina, osservazione di mammiferi garantisce movimento turistico durante l’inverno Sarah Castro Fotos: Pousadas do Rosa Associadas “H a gli occhi dolci e una pelle morbida – è come toccare un soffice panno. Demitizza l’idea che sia un animale grande e bruto. Da vicino sembra addirittura un animale indifeso”. Cosí l’amministratrice Maria Cristina de Souza ha descritto la sua esperienza di vedere da vicino una balena. Cosí da vicino da poterla toccare. E non è stata l’unica: ogni anno sempre più turisti scoprono quest’attrattiva della Praia do Rosa, a Imbituba (SC). Fin dal mese scorso l’Área de Preservação Ambiental (APA) delle Balene Franche, nella Praia do Rosa, ha dato inizio alla stagione 2009 di Osservazione di Balene. L’ Instituto Baleia Franca, la Turismo Vida Sol e Mar e le Pousadas do Rosa Associadas (PROA) si preparano quest’anno per ricevere un numero record di turisti, come già accaduto negli ultimi anni. Nel 2008 le richieste sono aumentate più del 65% rispetto al 2007. Tra giugno e novembre le balene Franche migrano dalle latitudini più fredde in cerca di acque calde per accoppiarsi e avere i piccoli. Di solito ritornano nelle stesse insenature o in piccole baie dove sono nate. Perciò la Praia do Rosa e buona parte della costa catarinense sono divenute la culla delle balene Franche. Visto che nuotano molto vicino alla costa, possono essere avvistate anche dalla terraferma. Ma è durante le osservazioni su barche che sor- 52 Correspondente • Florianópolis prende il docile comportamento di questi giganteschi animali. Vederli mentre giocano con i piccoli, facendo vedere le pinne, la coda, saltando o anche allattando incanta i turisti di tutte le età. In Brasile il whale watching ha cominciato a funzionare in modo organizzato ad Abrolhos, nella Bahia, nel 1990. Là chi dà spettacolo sono le balene Jubarte. In Santa Catarina l’attività è iniziata solo nel 2004. Allora attraeva circa 340 turisti. L’anno scorso il numero è aumentato a 1259, il che significa un aumento di più del 275% in quattro anni. Il Governo del comune e dello stato, oltre ad imprenditori, ricercatori, albergatori e alla comunità locale, investono in questa modalità di turismo sostenibile per stimolare l’economia della regione in inverno. Con gli incentivi all’ecoturismo e all’osservazione delle balene, il luogo sta conquistando un nuovo pubblico ComunitàItaliana / Setembro 2009 per mantenere aperte le installazioni turistiche tutto l’anno. — E’ impressionante scoprire come ora siamo famosi grazie al turismo ecologico e alla nostra flora e fauna. Le aspettative per il 2009 sono ottime e migliorano ogni anno che passa. Abbiamo già un gruppo di inglesi prenotati per soggiornare qui questo mese e il prossimo per fare l’osservazione delle balene — racconta Bebela Baldino, imprenditrice proprietaria della Pousada Morada dos Bougainvilles. Dovuto all’aumento della domanda, la ditta Turismo Vida Sol e Mar – primo operatore specializzato in osservazione su barche di balene, con autorizzazione dell’Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA) e riconosciuta dall’Instituto Brasileiro de Turismo – sta per varare una nuova imbarcazione per gite che potrà trasportare 50 passeggeri, invece dei 20 anteriori. Un biologo a bordo garantisce le informazioni sull’educazione ambientale. Le gite durano, in media, un’ora e mezza. — Questa barca più grande renderà possibili gite per gruppi di studenti e ricercatori — dice Enrique Litman, presidente dell’Instituto Baleia Franca e proprietario della Turismo Vida Sol e Mar. Litman inoltre mette in risalto il fatto che le barche di osservazione sono state costruite apposta per questo fine, e sono equipaggiate con salvagenti per tutto l’equipaggio e con un gommone di emergenza. Inoltre mette in enfasi che l’avvicinamento avviene secondo il comportamento delle balene, “in obbedienza alla legislazione vigente per la protezione di questi animali”. L’osservazione organizzata delle balene con fine basicamente di svago ha avuto inizio in California (USA) alla fine degli anni ’40. Oggigiorno conosciuta come turismo di osservazione di balene, è un’attività già praticata in più di 90 paesi, che risveglia l’interesse di più di 10 milioni di persone ogni anno, tanto della comunità accademica quanto del pubblico in generale. Suoni da Torino Gruppo di violoncellisti italiani arriva in Brasile per la sua prima performance all’estero T alento ed amicizia. Questi sono gli ingredienti responsabili della formazione del gruppo “Gli otto violoncelli di Torino”. Il gruppo, creato nel 2005, si è esibito in Brasile il mese scorso per la prima volta fuori dall’Italia. Sono stati a São Paulo e a Rio de Janeiro con l’appoggio dell’Istituto Italiano di Cultura dei due stati, in collaborazione con la Regione Piemonte e l’Associazione Piemontesi nel Mondo di São Paulo. A Rio “Gli otto violoncelli di Torino” hanno suonato nella Chiesa della Candelária ed hanno partecipato al XV Rio International Cello Encounter. Volendo creare un gruppo di violoncellisti, unico in Italia, che fosse caratterizzato principalmente da vincoli d’affetto e di amicizia fra gli artisti interpreti, Fabrice De Donatis è entrato in contatto con alcuni colleghi. E’ nato così l’ottetto di violoncelli formato, oltre a De Donatis, da Giulio Arpinati, Massimo Barrera, Alberto Capellaro, Umberto Clerici, Paola Perardi, Claudia Ravetto e Manuel Zigante. Il gruppo si è esibito in Italia varie volte. E De Donatis ritiene che partecipare a un evento come il Rio International Cello Encounter “è la realizzazione di un sogno”. Nayra Garofle — E’ la nostra prima performance internazionale. L’evento è molto importante dal punto di vista sociale perché è gratuito, ed il fatto di unire la musica ad altre forme artistiche rende il festival abbastanza diverso — dice il maestro riferendosi al Cello Dance, un allargamento del Rio International Cello Encounter, che si avvale della partecipazione di famosi ballerini e coreografi. Laureatisi con il massimo dei voti al Conservatorio Giuseppe Verdi di Torino, i musicisti sono allievi del leggendario maestro Antonio Janigro. Sono anche borsisti dell’Associazione Musicale De Sono, che ha contribuito molto alla promozione di giovani talenti per farli giungere sui palchi internazio- nali. I musicisti dell’ottetto hanno già una carriera consolidata. Per esempio il maestro collabora stabilmente con l’Orchestra Sinfonica Nazionale della Rai e con la Filarmonica 900 del Teatro Regio di Torino. Parlando di musica brasiliana, è categorico nell’affermare che ammira Caetano Veloso, Tom Jobim, ma soprattutto Heitor Villa-Lobos, che scrisse per il violoncello alcune delle sue migliori composizioni. De Donatis ci dice che, quando è in giro, il gruppo studia quattro ore al giorno, tutti i giorni. Così tanta disciplina è responsabile della qualità tecnica dei musicisti, che riescono allo stesso tempo a trasmettere l’effetto di una orchestra completa, la sensibilità di un quartetto di Fotos: Roberth Trindade Balene a vista musica Il gruppo Gli otto celli di Torino a Rio de Janeiro Setembro 2009 / archi o il ritmo coinvolgente di una banda dell’America del Sud. XV International Cello Encounter L’idea di organizzare il primo incontro gratuito al mondo di violoncelli è nata nel 1994, quando l’inglese David Chew, che all’epoca già abitava in Brasile, è venuto a conoscenza della storia vissuta dal suo collega di violoncello Vedran Smailovic. Smailovic faceva parte dell’Orchestra dell’Opera di Sarajevo ed è stato testimone della morte di 22 persone vittime di un’esplosione durante la guerra in Bosnia. A partire da quel momento ha deciso di usare la sua musica a favore della pace, ed ha suonato nelle strade di Sarajevo, 22 giorni di seguito, in omaggio ai morti. Chew ha invitato Smailovic a suonare in Brasile. Si sono uniti ai due musicisti alcuni colleghi di orchestre straniere, e così si è formata la prima edizione dell’evento che rendeva omaggio al maestro carioca Heitor Villa-Lobos, la cui opera aveva attratto il violoncellista inglese in Brasile nel 1981. Dalla prima edizione del 1994, l’incontro ha realizzato più di 500 concerti, riunendo circa mille musicisti e un pubblico stimato in più di 200.000 persone. ComunitàItaliana 53 Firenze esporte J Estate 2009 I CentroArteModerna di Pisa ospita fino al 10 settembre l’annuale Rassegna di Arte Contemporanea curata da Massimiliano Sbrana. Da anni si è imposta come importante occasione artistica dell’estate in cui numerosi e illustri artisti italiani presentano le proprie opere artistiche come quadri e sculture. Tra i tanti nomi Franz Borghese, Salvatore Cipolla, Amalia Ciardi Duprè, Stefano Ballantini, Marylu Melo e Paolo Buzi. Orari: 10.30/12.30 - 17-19.30. Pisa (PI) - Lungarno Mediceo, 26. Ingresso libero Gli acquerelli di Gianfaldoni F ino al 12 settembre a Montecatini Val di Cecina, in provincia di Pisa, sarà possibile ammirare le opere in acquerello di un artista originario di Volterra: Giovanni Gianfaldoni. Si tratta di lavori in cui viene messa in evidenza una natura misteriosa, enigmatica e piena di significati simbolici che molti critici di arte collo- Da Graziella P er tutti coloro che passeranno un periodo a Firenze, soprattutto nel periodo estivo, dove in città si raggiungono anche i 40 gradi, consiglio di uscire dalla conca infiammata che è Firenze per andare a visitare le colline fiorentine, ben più fresche. Per chi non avesse poi voglia di tornare in albergo o non avesse proprio voglia di mettersi accanto ai fornelli suggerisco un trattoria dal taglio tipico toscano immersa nel verde del suo giardino dal nome semplice: “Da Graziella”. È proprio la semplicità di un ambiente rustico e genuino che fanno di questa trattoria un posto speciale con un pasto che va dai 15 euro ai 35. Da non perdere i tipici tortelloni alla mugellana e la squisita tagliata di manzo alla rucola. Indirizzo: Via Cave di Maiano, 20 – Maiano, Fiesole (FI) Telefono: 055599963 54 ComunitàItaliana / cano come un passaggio tra l’impressionismo classico e i nuovi tratti della pittura modera. Negli ultimi anni l’artista ha collezionato molteplici riconoscimenti di pittura vincendo il “Premio Venturina” nel 2003 e il 15° concorso Nazionale di Pittura (acquerello) nel 2006. Ingresso libero dalle 10 alle 22 presso il Castello Ginori di Querceto. Arte del quotidiano L Omaggio a Sirio Bandini L’ Associazione Athena Spazio Arte presenta in una mostra collettiva di grande rilievo un omaggio al pittore nato a Cecina (Livorno), Sirio Bandini. L’artista toscano, recentemente scomparso, è stato grande interprete di correnti come espressionismo, surrealismo e realismo. Baldini si è sempre stato elemento dialettico di una continua ricerca di nuove linee di confine delle arti visive. L’esposizione presenta circa cinquanta opere di artisti tra cui Angiolo De Lellis, Bruno Di Maio e Fred Charap e resterà aperta fino al 13 settembre presso la Torre di San Vincenzo (Livorno) con orario solamente serale: 21.00-24.00 Setembro 2009 a Fondazione Ragghianti propone un “viaggio” lungo 22 anni, tra il 1968 e il 2000, attraverso il design d’artista italiano. Una collettiva con più di 120 opere di circa 60 artisti e architetti del calibro di Pietro Consagra, Gino Marotta, Bruno Munari, Adolfo Natalini, Mimmo Paladino, Ico Parisi, Michelangelo Pistoletto, Gio’ Pomodoro, e Ettore Sottsass. La mostra analizza un periodo in cui il design si sviluppa e crea un connubio molto forte con l’aspetto industriale creando appunto “l’industrial design” per l’arredamento in generale e soprattutto per la casa. Una esposizione che propone lampade, mobili e oggettistica tutti suddivisi per autore. Ingresso gratuito. Dal martedì al venerdì 16.00/20.00. Sabato e domenica 10.00/13.00-16.00/20.00. Loc. Complesso monumentale di San Micheletto - Lucca (LU) - via San Micheletto, 3 honatan Longhi tem 21 nos, vive aos pés dos Alpes, em Ivorio, na Itália, a 30 quilômetros da Suíça e a 12 mil quilômetros de distância da sua terra natal, a cidade de Americana, no interior de São Paulo. A mudança na vida deste brasileiro ocorreu quando ele tinha dois anos e meio e se mudou para a Itália – ele e a irmã Carina foram adotados por uma família italiana. O menino cresceu esquiando no quintal de casa, em meio aos esquis de madeira guardados pelo pai, Lorenzo Longhi, também esquiador, que lhe passou o amor pelo esporte. Hoje, Longhi, o filho, é a estrela da equipe da Confederação Brasileira dos Desportos Invernais. Apesar de mal conhecer o Brasil e nem saber falar português, ele optou por pertencer à equipe brasileira e não italiana. Agora, se prepara para disputar uma vaga nos Jogos Olímpicos de Inverno, em Vancouver, no Canadá, em 2010. Na pequena cidade onde vive, com apenas quatro mil habitantes, todos o conhecem. Na realidade, ele mora na fração de Mornerona, terra dos ancestrais dos Longhi. A velha baita foi reformada décadas atrás e hoje abriga uma confortável casa, onde o esquiador mora e cultiva seu amor pelo Brasil. A bandeira está lá, aberta na parede. Lembranças de uma viagem de turismo pelo país, feita há três anos, também decoram o quarto. Elas dividem espaço com as medalhas e troféus ganhos pelo atleta brasileiro em terras estrangeiras. Um pequeno lago entre Ivorio e Mornerorna marca a infância de Jhonatan. Durante o inverno ele congela. Foi numa dessas que Fotos: Guilherme Aquino Giordano Iapalucci norte, ele procura as montanhas com os eternos picos nevados, colossos alpinos com mais de 3 mil metros de altura. Em algumas competições, chegou a enfrentar temperaturas abaixo dos 30° C. Nas provas de esquis, é importante conseguir memorizar o traçado da pista para saber os momentos de frear, fazer a curva, acelerar. Se este conhecimento ajuda na tomada das decisões, também evita a dose de ousadia a mais que pode fazer a diferença no final. Longhi não pensa duas vezes em dar mais ouvido ao instinto. — Sei que o risco é maior, mas evito temer as passagens mais exigentes. Assim posso dar tudo quando os outros estão freando — diz ele, com a tranquilidade de quem já viu a neve muito mais de perto do que gostaria, durante quedas que transformavam o sonho da vitória no pesadelo ameaçador de sofrer uma séria contusão. Ele conta que teve duas “quedas sérias” em 2007, das quais escapou “sem maiores problemas”. Restou, porém, a sequela O brasileiro que vive no frio Um dos esquiadores mais promissores da nova geração, Jhonatan Longhi se prepara para voltar às pistas Guilherme Aquino Correspondente • Milão o brasileiro pisou no espelho de gelo mais frágil e caiu na água: — Sorte que não era fundo. Saí de lá sozinho e fui para casa tremendo de frio — conta ele à Comunità, em meio a risadas, com seu italiano perfeito. Um dos eventos mais importantes da sua vida foi a vitória em uma etapa do campeonato italiano, quando tinha apenas 12 anos. Daí para frente nunca mais parou. Com 16 anos, ao vencer um campeonato, no Chile, se tornou o primeiro negro a se destacar em esportes de neve. Sempre em compasso com a evolução técnica e material do esqui, o brasileiro não perde uma novidade. Uma delas é extrair maior velocidade durante as curvas, quando acelera, ao contrário do que se fazia antigamente. Atualmente, ele é especialista e recordista brasileiro nas modalidades Slalom e Slalom Gigante, mas também pratica a Super G. A diferença entre as modalidades está no tamanho das lâminas dos esquis, na distância entre as bandeirinhas de marcação do trajeto e a altura dos bastões de equilíbrio. A velocidade de descida varia de 80 a 150 km/h. O brasileiro treina o ano inteiro. Quando faz calor no hemisfério Setembro 2009 / do bloqueio psicológico que “ficou por um bom tempo”. No ano passado, ele disputou 78 competições, das quais em dez acha que teve um “bom desempenho”. A chegada do outono abre a contagem regressiva para o inverno e o início de sua caça à vaga de Vancouver. A forma ele mantém em velejadas, com o Laser do pai, no vizinho lago D’Orta. É quando está em contato com a natureza que ele mais se lembra do Brasil e de sua última passagem pelo país quando esteve no Rio de Janeiro, Fortaleza e Ilha de Fernando de Noronha: — A carga de emoção com toda a aquela natureza representa uma ligação forte com as montanhas daqui — diz ele que está em busca de uma namorada de língua portuguesa que o ensine a falar bem o idioma do seu país. ComunitàItaliana 55 italian style fumetti Nas alturas Gucci Relógio Twirl Rubber em aço com pulseira em couro estampada com a inicial da marca. Quanto custa? Preço sob consulta. www.gucci.it Sutileza Fotos: Divulgação Anel em ouro rosa com diamantes e quartzo rosa. A marca é Davite&Delucchi. € 552 Os produtos mencionados estão disponíveis no mercado italiano. Sandália com delicadas tiras em couro e salto em metal dourado da grife Diego Dolcini. € 440 www.diegodolcini.it Il disegno di Anita Eroina di brasiliani e italiani, alla compagna di Giuseppe Garibaldi viene dedicata una biografia a fumetti P Nayra Garofle er commemorare i 160 anni dalla morte di Anita Garibaldi, alla “eroina dei due mondi” viene dedicata una nuova biografia. Stavolta a fumetti. La rivista di 90 pagine con disegni in bianco e nero è opera del disegnatore paulista José Custódio e la sua pubblicazione è prevista per il mese prossimo con l’appoggio del Programa de Incentivo à Produção Cultural do Estado de São Paulo (ProAc). Fin da bambino Custódio è affascinato dalla figura di Anita, conosciuta come una delle donne più forti e coraggiose di tutti i tempi. Lui l’ha “conosciuta” da bambino, quando passava le vacanze nella città natale di sua madre, Laguna, in Santa Ca- tarina, dove Anita è nata il 30 agosto 1821. Il disegnatore quarantunenne è cresciuto sentendo storie di lotta e amore che hanno coinvolto la brasiliana e il rivoluzionario Giuseppe Garibaldi. Si incontrarono durante la Revolução Farroupilha. Nato a Nizza (oggi francese) il 4 luglio 1807, Garibaldi a servizio della República Rio-Grandense partecipò alla presa del porto di Laguna. I due rimasero insieme per tutta la vita di Anita. Lei lo seguì nelle sue lotte in Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguay e Italia. La coppia ebbe quattro figli. Garibaldi dedicò la sua vita alla lotta contro la tirannia ed è stato uno dei personaggi chiave dell’Unità d’Italia. Tutti e due morirono in Romantismo Make up Brincos de ouro branco e rosa em forma de laços e detalhes de diamantes. Collezione Fiocco da Rosato. € 950 www.rosato.it Paleta de sombras da Dolce&Gabbana. Glamour até na maquiagem. Estojo dourado com quatro cores metalizadas. Dica: ao aplicar a sombra com o pincel úmido o efeito da cor é mais intenso. Preço sob consulta. www.dolcegabbana.it José Custódio fa schizzi per il suo progetto 56 ComunitàItaliana / Setembro 2009 Italia: lei il 4 agosto 1849 e lui il 2 giugno 1882. Ad Anita sono stati dedicati i nomi di due comuni, sempre in Santa Catarina: Anita Garibaldi e Anitápolis. — Quando tornavo dalle vacanze mi sembrava sempre strano che i miei compagni a São Paulo non conoscessero Anita. E per questo, fin da bambino, mi ha sempre interessato raccontare la sua storia. Questo desiderio è rimasto molto tempo nel baule di progetti fino a quando mi sono sentita matura e con strumenti a sufficienza per realizzarlo — racconta l’artista che disegna fumetti da 20 anni. Anita Garibaldi – biografia em quadrinhos avrà una tiratura iniziale di mille numeri la cui distribuzione sarà a carico del governo dello stato di São Paulo. Dopo Custódio metterà in commercio l’opera con case editrici affinché entri nel mercato regolare entro il 2010. Il disegnatore ha iniziato le ricerche per la realizzazione del lavoro nel 2007. La stesura della sceneggiatura è cominciata nel febbraio di quest’anno. Custódio ha cercato di affrettare il tutto perché il lancio fosse fatto il 4 agosto, ma ammette che il lavoro di ricerca, tanto storico quanto grafico, ci ha messo più tempo di quanto immaginava. Setembro 2009 / — Sarebbe stato importante lanciarlo in agosto, ma non voglio sacrificare la qualità del materiale o correre il rischio di fare errori di ricerca — dice. — Il progetto esige molto lavoro di ricerca. Ad esempio, alle volte rimango un intero pomeriggio a cercare l’informazione giusta tra le diverse versioni scritte da vari autori. Custódio dice che si aspetta che la biografia di Anita sia la prima di una serie di riviste in cui verrà raccontata la storia della coppia. In questo primo lavoro Custódio ha messo in risalto le avventure di Anita e Giuseppe in Brasile, dedicando solo qualche scena all’Italia. Perlomeno finora, Custódio non ha avuto tempo di fare ricerche in terra italiana. Ma spera di poter conoscere tutti i luoghi in cui la coppia è stata. Secondo il disegnatore, se si fosse recato in Italia il lancio avrebbe subíto un ritardo ancora maggiore. — Per consolarmi ho passato settimane facendo ricerche su mappe antiche e moderne di Roma, Genova e altre regioni che hanno fatto parte di questa storia. E’ chiaro che non è un “viaggio”, ma è sempre piacevole. Anche se non ho avi italiani (perlomeno da quello che so) faccio il tifo per il Palmeiras e ho un forte legame sentimentale con l’Italia. Non ci sono ancora andato, ma chissà, se il libro farà successo magari decidono di lanciare una versione da quelle parti, non è vero? ComunitàItaliana 57 Sapori d’Italia il lettore racconta Psicóloga e diretora de uma clínica ini de arteterapia, Angela Philipp narra com emoção a história da sua família que, como tantas outras, deixou sua Itália para trás em busca de uma vida melhor , no Brasil. Dos seus antepassados herdou o amor pela arte. Em depoimento a Sônia Apolinário E Fenízia, Angela e Mafalda acolhiam como destino final. E assim foi com Ruggero e seu irmão Felice que adormeceram com seus sonhos e esperanças no leito destas águas. O restante da família chegou, por fim, em terra firme. Com ela, chegaram desafios que não estavam incluídos nos sonhos de esperança. Afinal, no Brasil, falava-se uma outra língua; as pessoas, o clima e os costumes eram muito diferentes. No início, todos foram para o mesmo lugar, a colônia Santa Cecília, em Lorena, no estado de São Paulo. A terra era realmente muito boa, mas não era tão simples cultivá-la e sobreviver de seus frutos. Para os mais velhos foi muito mais difícil a adaptação. A bisnonna Rosa nunca se adaptou. Ela recolheu-se ao leito e lá fez seu território. Era nessa “piccola Itália” que recebia filhos, netos, bisnetos, sem tomar conhecimento do que acontecia lá fora. Os mais jovens tiveram mais forças para vencer as adversidades. Muitos abriram mão dos sonhos iniciais. Alguns músicos dedicaram-se à construção civil e a música ficou restrita às festas e finais de semana. Alguns trocaram o vinho pela grappa local - passaram a beber cachaça, mas os resultados não lhes favoreceram. De todos que chegaram juntos a este lugar, apenas um dos homens e uma das mulheres tiveram a ousadia de apresentarem-se como artistas: Antonio e Fenízia, meus avós, parentes da mesma colônia, em Lorena. O amor pela arte os aproximou. e bor dado Tapeçaria Namoraram, noivaram e se casaram. ia íz Fen feitos por Tiveram oito filhos: Nina, João, Felice, Lino, Mafalda, Eurides, Pedro e Enela. Fenízia e Antonio, apesar de artistas, necessitaram fazer muitas outras coisas para sobreviver. Assim, Fenízia plantava temperos ra uma família muito numerosa. As crianças brincavam às margens do Rio Pó, em Gonzaga, na região de Emília Romana. Os homens adultos tentavam extrair da terra o sustento, nunca o suficiente para tantas pessoas se alimentarem. Os mais jovens faziam música e sonhavam com tempos melhores e outras possibilidades para viver. Um dia, um destes jovens, Ruggero Philippini, um agricultor de 23 anos, chegou em casa radiante, pois havia descoberto uma saída: dentro de um mês partiriam para a n “ ova terra”, um lugar como o paraíso, com terra boa e muitas oportunidades de emprego. Além disso – diziam - era um lugar acolhedor. Para se ter direito a isso, bastava ter coragem para fazer uma longa viagem de navio. E deixar o resto para trás. Assim, a família reuniu seus 22 integrantes e com seus poucos pertences e o coração cheio de esperanças apresentaram-se para embarcar no navio Carlo C e “fare l’América”, como se dizia. Porém, a jornada heróica de mudar de vida tem seus tropeços. A travessia foi longa e tormentosa: alguns adoeceram gravemente e não resistiram. Estes, as águas do oceano 58 ComunitàItaliana / Setembro 2009 e os vendia no Mercado Municipal. Antonio construía espaços próprios para o banho do gado das fazendas da região em que morava, sendo muito requisitado por isto. Depois de sua lida com a terra e de cuidar da casa e dos filhos, Fenízia, à noite, criava com dedos ágeis, linha e agulha, incríveis paisagens com anjos e flores, que gradualmente se transformavam em colchas, cortinas e almofadas. Antonio, em suas horas vagas, dedicava-se à marcenaria. Ainda jovem, adoeceu e se foi. Restou Fenízia. Ela seguiu desdobrando-se entre o plantio e venda dos temperos, o cuidado com filhos e, agora também com os netos; a comida feita pelas próprias mãos e seus anjos e flores. Fenízia viveu 88 anos e agora repousa na terra que adotou como sua. E eu, Angela Helena Philippini, 50 anos, neta de Antonio e Fenízia, filha de Mafalda, que era também uma mulher valente e de mãos criativas, conto a história dessa família. Minha mãe era costureira, especializada em vestidos de noivas. De Lorena, mudouse para Blumenau, em Santa Catarina, onde nasci. Agora, vivo no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Dedico a todos eles meu relato e, em especial, a Rugerro, irmão de minha avó Fenízia, que teve a coragem de sonhar. E como gratidão por esta herança de arte, criei o espaço Pomar, na Tijuca, no Rio de Janeiro. Nele, pessoas fazem arte para construir uma vida melhor, com menos estresse. Um lugar para cada um ter seu tempo próprio para reconhecer-se como indivíduo singular, com direito a sonhar, ousar, criar e realizar. Como sempre fez a minha família. Angela Philippini, Rio de Janeiro - RJ Mande sua história com material fotográfico para: [email protected] Nayra Garofle Cozinha com diploma Ex-funcionário abre seu próprio restaurante seguro de seu aprendizado da gastronomia italiana S ão Paulo - A experiência de ter trabalhado como maitre do Fasano e gerente do Gero e Parigi por quase 15 anos, foi o ponto forte para o paraense Osmânio Luiz Rezende abrir seu próprio restaurante. Desde abril de 2006, numa agradável esquina no bairro de Pinheiros, em São Paulo, ele comanda o Aguzzo Caffè e Cucina. A cozinha fica por conta do chef Alessandro de Oliveira, que trabalhou com Rezende no Parigi. Apesar de ambos terem anos de conhecimento das gastronomias francesa e italiana, a última foi a escolhida pelo maitre para ser o carro-chefe do restaurante. O motivo? Ele considera a delicada cozinha italiana melhor recebida pelos clientes. — Ter trabalhado no Grupo Fasano foi uma experiência excelente. Apesar de ser maitre, sempre trabalhei com gerência e sei um pouco de cozinha, gosto dessa parte, o que me ajuda a fazer o controle de qualidade dos produtos — diz Rezende que, em abril deste ano, recebeu o diploma de Mestre da Gastronomia Italiana no Brasil pela Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura de São Paulo, pela contribuição dada à gastronomia italiana. A casa tem capacidade para 60 lugares e num fim de semana, por exemplo, chega a receber cerca de 350 pessoas. Dos pães aos doces, tudo é elaborado no restaurante com ingredientes da mais alta qualidade. O Aguzzo possui carta de vinhos de 90 rótulos e no cardápio há massas, peixes e carnes, além dos famosos antepastos. Durante a semana, os clientes ainda podem contar com menu executivo. Segundo Rezende, o prato mais apreciado no Aguzzo é o Bigoli com ragù d’antra. A massa Luiz Rezende lembra um espaguete de fio bem longo e grosso e a carne é de pato. Para a sobremesa, há variedades também como a pannacotta di zafferano con salsa di cioccolato e cannèlla - clássico creme italiano com açafrão, calda de chocolate e canela -, ou a crostata di mele verdi con gelato - torta crocante de maçã verde com sorvete de nata. — Ao longo desses três anos é muito bom ver que as pessoas vêm ao restaurante, retornam e indicam. Acho que isso é fundamental, sinal de que o Aguzzo agrada — afirma Rezende. Serviço: Aguzzo Caffè e Cucina - Rua Simão Álvares, 325, Pinheiros – São Paulo Tel: (11) 3083-7363 Bigoli com ragù d’anatra (Rendimento: 2 porções) Ingredientes para a massa: 300 g de farinha de trigo; 100 g de sêmola de trigo; 2 ovos; Fio de azeite virgem extra; Sal a gosto; Água morna para dar o ponto. Modo de preparo: Numa tigela coloque as farinhas, faça uma abertura no centro e adicione os ovos, o fio de azeite, o sal e vá acrescentando a água morna aos poucos, trabalhe a massa com as mãos e acrescente mais água se necessário. Deixe descansar por 15 minutos coberto com um filme plástico. Reserve. Para o pato: 3 coxas de pato; 150 ml de vinho branco seco; 1 cebola média; 1 talo de aipo; ¼ de alho poró (só a parte branca); 1 folha de louro; 1 galhinho de tomilho; 3 folhas de salva; 1 maçã verde; 1colher de (chá) de manteiga sem sal. Modo de preparo: Junte todos os ingredientes em cima das coxas e deixe marinar por 24 horas na geladeira. No dia seguinte, coloque as coxas numa assadeira pequena e acrescente sobre elas a marinada. Cubra com papel alumínio e leve ao forno pré-aquecido a 180°C por 1h30 ou até que estejam macias. Desfie a carne e reserve. Junte a marinada com os ossos em uma panela, acrescente 300ml de água e a batata cortada em cubos e deixe reduzir. Amasse a batata para engrossar o molho e passe por uma peneira fina. Junte o molho com a carne desfiada e deixe incorporar um pouco no fogo. Reserve. Em uma frigideira refogue a maçã com a manteiga até amaciar. Montagem: Passe a massa pelo bigolaro (no corte grosso) e cozinhe em água abundante com sal grosso. Quando atingir o ponto “al dente” escorra e disponha em pratos individuais. Regue com o molho e decore com salsa picada. Setembro 2009 / ComunitàItaliana 59 La gente, il posto Claudia Monteiro de Castro Museo Leonardiano N o Brasil, é conhecido como Da Vinci. Porém, na Itália, basta dizer Leonardo e todos sabem muito bem de quem se trata. Artista, homem completo, à frente de seu tempo, Da Vinci era um pouco de tudo, como os artistas multimídia de hoje: pintor, escultor, engenheiro, inventor. O grande mestre nasceu em uma cidade pe- quenina, não muito distante de Florença, chamada Vinci, daí o nome pelo qual o conhecemos, Leonardo, da cidade de Vinci. Em sua terra natal existe um museu completamente dedicado a ele, o museu Leonardiano de Vinci, fundado em 1953, no quinto centenário do seu nascimento. Fica no alto da cidade, dentro do castelo medieval dei Conti Guidi, que data entre os séculos 11 e 12. É possível ver, entre outras coisas, modelos de máquinas inspiradas nos desenhos e anotações de Leonardo como bicicleta, máquinas têxteis, instrumentos para uso científico, máquinas militares, máquinas para obras, ventilador, medidor da velocidade do vento e muito mais. Vale a pena visitar a graciosa cidade e este museu para se impressionar com a visão deste grande homem que viveu cinco séculos atrás. Informações: o museu é aberto todos os dias, das 9h30 às 18h. Tel: 0571 56055 Q Parece mas não é uando se conversa numa língua que não é a da nossa terra natal, é preciso tomar muito cuidado com os “false friends”. “False friends”, ou “falsos amigos”, expressão muito usada nos cursos de inglês, são aquelas palavras que parecem iguais, mas significam uma coisa bem diferente. Uma das mais famosas, entre inglês e português é pretend, que em inglês não é pretender, mas fazer de conta, fingir. Até entre o português do Brasil e o de Portugal existem estas diferenças que podem causar embaraço e confusão. Entre italiano e português também existem palavrinhas perigosas ou que podem causar confusão. Assim, na Itália, albergo é hotel, enquanto albergue da juventude é ostello. Quem quiser tomar todas e afogar suas mágoas, não deve ir a um “bar”. Bar, em italiano, é um café onde se pode comer um sanduíche ou tomar um cafezinho. Para beber uma cervejinha, geralmente se vai a um pub ou birreria. Já os amantes de vinho podem preferir uma enoteca, que tem mais variedade de vinhos. Quanto aos adjetivos, também vale a regra. Por 60 ComunitàItaliana / Setembro 2009 exemplo, morbido, em italiano, não tem nada a ver com o nosso mórbido no Brasil. Morbido significa macio. Quanto ao nosso mórbido tupiniquim, em italiano se diz morboso, que quer dizer também doentio. Na Itália, a pele da amada é morbida, mas se o relacionamento começa a ficar esquisito, simbiótico, neurótico demais, ele pode ficar morboso. Outro desses adjetivos “falso amigo” é “lindo”. Em italiano, não quer dizer de uma beleza única, mas sim de uma limpeza única. Principalmente no que se refere a uma casa. Então, ao dizer a uma italiana que ela é linda, você não vai conquistar seu coração. Mais uma: o lunatico não é louco na Itália. É só de lua, temperamental. O louco é pazzo! E cuidado, porque os loucos, os pazzi, não estão no hospício. Ospizio, em italiano, é onde vão os velhinhos quando não têm ninguém para tomar conta deles. Equivalente ao asilo no Brasil. E asilo na Itália, mais precisamente asilo nido, é onde as mães deixam as crianças quando vão trabalhar, ou seja, a creche. Portanto, muita atenção com esses “falsos amigos”, para saber direitinho onde você vai parar.