Negócios
A missão empresarial
que trará Emma
Marcegaglia ao Brasil
Attualità
La storia di Libero
Castiglia nella
guerriglia brasiliana
Meio Ambiente
Arquiteto italiano
cria casa sustentável
de baixo custo
www.comunitaitaliana.com
Ano XVI – Nº 135
ISSN 1676-3220
R$ 10,90
Rio de Janeiro, setembro de 2009
Potência
Entenda como o Brasil pode vir a ser o quarto
maior produtor de petróleo do mundo com o pré-sal
Por que nada abala o prestígio do premier Berlusconi?
26
CAPA
Governo brasileiro lança as primeiras regras para a exploração do pré-sal. Estimativas preliminares
indicam que essa riqueza pode significar um “caixa” de 7 trilhões de dólares para o país
Editorial
Apostas..........................................................................................08
Cose Nostre
Na Emilia Romana, empréstimos bancários concedidos
aos agricultores são garantidos por formas de parmesão.................... 09
Política
Pacote de segurança aprovado pelo Senado italiano qualifica
imigração ilegal como crime���������������������������������������������������������� 16
Negócios
Experiência pioneira na área do microcrédito
criou uma rede brasileira de bancos comunitários�������������������������� 24
Meio Ambiente
Região do Piemonte investe em residências que
não emitem CO2 e ainda produzem energia limpa..........................35
Esportes
Brasileiro adotado por italianos, Jhonatan Longhi se torna
um dos esquiadores mais promissores da nova geração...................55
Fumetti
Ad Anita Garibaldi viene dedicata una nuova biografia....................57
18
Especial
Silvio Berlusconi
Por que nada parece abalar o
prestígio do primeiro-ministro
italiano apesar do seu envolvimento
em vários escândalos?
6
36
Divulgação
Divulgação
Pousadas do Rosa Associadas
Os preparativos da missão italiana que trará a presidente
da Confindustria, Emma Marcegaglia, ao Brasil...............................21
Economia
Attualità
Araguaia
Da otto anni famiglia attende
l’identificazione delle ossa che
potrebbero essere dell’unico
straniero coinvolto nella guerriglia,
l’italiano Libero Giancarlo Castiglia
ComunitàItaliana
/
Setembro 2009
48
Livro
Lina Bo Bardi
Obra reúne textos da arquiteta
ítalo-brasileira responsável
pela criação de projetos
que se tornaram ícones
da cidade de São Paulo
52
Turismo
Balene
Nella Praia do Rosa, in
Santa Catarina, osservazione
di mammiferi garantisce
movimento durante l’inverno
COSE NOSTRE
Julio Vanni
FUNDADA EM MARÇO DE 1994
Apostas
Diretor-Presidente / Editor:
Pietro Domenico Petraglia
(RJ23820JP)
Diretor: Julio Cezar Vanni
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E
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Esta edição foi concluída em:
11/09/2009 às 12:30h
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ComunitàItaliana está aberta às contribuições
e pesquisas de estudiosos brasileiros, italianos
e estrangeiros. Os artigos assinados são de
inteira responsabilidade de seus autores, sendo
assim, não refletem, necessariamente, as
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La rivista ComunitàItaliana è aperta ai
contributi e alle ricerche di studiosi ed esperti
brasiliani, italiani e estranieri. I collaboratori
e sprimono, nella massima libertà, personali
opinioni che non riflettono necessariamente il
pensiero della direzione.
sta edição teve seu fechamento na expectativa da decisão final do caso Cesare Battisti. Ainda não foi desta vez. No último dia 9, o Supremo Tribunal Federal começou
a julgar o caso, mas a sessão foi interrompida sem prazo para ser retomada. O relator, ministro Cezar Peluso, defendeu a extradição de Battisti por quatro horas. Tudo indica que, quando voltar a se reunir, o STF deverá retirar o status de refugiado político do
criminoso italiano com o voto Minerva do presidente da Corte Gilmar Mendes.
O ministro Peluso foi enfático ao afirmar que o ato do ministro Tarso Genro é ilegal.
O ministro da Justiça não levou em consideração uma história que é muito cara ao povo
italiano. Foi grosseiro o erro do governo brasileiro neste caso e, no mínimo, ignorante a
tentativa do ministro de criar polêmica ao afirmar que não entende a “pressão italiana”.
Como bem disse o relator Peluso, a medida teve argumentos aleatórios e é justo que a
sociedade italiana busque o cumprimento da Lei. Protagonizar o Robin Hood de delinquentes não é digno do papel que deve exercer um ministro da Justiça.
Em destaque, trazemos na capa o anúncio do marco regulatório do Pré-Sal. Desde
que a crise financeira internacional estourou, o Brasil deu sinais de que talvez não fosse
tão afetado. A “marolinha”, nas palavras do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, foi um pouco maior, mas o país vem se
mostrando um porto seguro para investimentos internacionais.
Tanto que as missões empresariais italianas foram uma constante todo esse tempo – e vem mais por aí.
Não bastasse isso, tudo indica que o Brasil também ganhou na loteria ao descobrir a camada pré-sal – um gigantesco
reservatório de petróleo e gás natural, que se estende ao longo
de 800 quilômetros do litoral do país. É riqueza da ordem dos
7 trilhões de dólares, em estimativa modesta. Riqueza desse
porte atrai atenções e desperta cobiça. As primeiras regras
para a exploração dessas reservas acabaram de ser anunciadas
pelo presidente Lula.
Pietro Petraglia
Nossa reportagem de capa mostra as reações provocadas
Editor
por essas regras nos mais diversos setores. Por enquanto, as
atividades relacionadas com o pré-sal serão destinadas apenas a empresas brasileiras.
Mas há uma porta: para produzir mais petróleo, serão necessários novos equipamentos
capazes de viabilizar o desenvolvimento de campos petrolíferos em zonas ultraprofundas. Sorte da Itália. Afinal, o país desenvolveu uma indústria de ponta na área de prospecção, extração e beneficiamento de petróleo. Além disso, dentre os gigantes no setor
de óleo e gás italiano há o Grupo ENI. A Ente Nazionale Idrocarburi é uma multinacional
petrolífera, presente em setenta países, que já faz negócios com a Petrobras desde 2005.
As discussões em torno das regras do pré-sal ainda devem se prolongar por um bom
tempo. Afinal, parte dessas regras ficou para ser definida pelo Congresso Nacional. Será
ainda dentro do clima de exaltação do potencial dessa riqueza brasileira que desembarcará no país uma das maiores missões empresariais italianas já realizadas, com direito à
presença da presidente da Confederação Geral da Indústria Italiana, Emma Marcegaglia
que, por sinal, tem negócios no Brasil há tempos. Nossa reportagem mostra os preparativos para essa missão que estão sendo feitos tanto lá quanto cá.
E como nem tudo é uma questão de sorte, um das matérias desta edição apresenta
um verdadeiro trabalho de formiguinha que vem sendo feito no Brasil. Trata-se da rede
de bancos comunitários, uma experiência pioneira a área do microcrédito que tem contribuído para eliminação de alguns bolsões de miséria pelo país. Esse trabalho pode não
ser tão chamativo quanto o pré-sal, mas também apresenta números impressionantes
para o setor.
Do lado italiano, a política dá o tom. Nessa edição, mostramos as principais medidas aprovadas pelo parlamento no chamado pacote de segurança. Além disso, uma
reportagem especial mostra porque o primeiro-ministro Silvio Berlusconi não perde prestígio apesar do seu envolvimento em vários escândalos, inclusive de ordem sexual.
Boa leitura!
ISSN 1676-3220
8
ComunitàItaliana
editorial
On-line
A
prefeitura de Veneza inaugurou, no
mês passado, um novo serviço: casamentos on-line. Trata-se da transmissão da cerimônia ao vivo pela internet,
que permite aos convidados ausentes
acompanharem o evento conectando-se
ao site weddingvenice.com. Os noivos
interessados terão que desembolsar entre 120 euros e 144 euros, dependendo
se eles fizeram a reserva com antecedência ou se foi uma decisão de última hora.
As tarifas podem chegar a um total de
3.500 euros no caso de noivos não residentes e que decidem se casar em um domingo ou feriado. Anualmente, cerca de
1.400 casais escolhem as salas do Palácio Cavalli (sede do município), nas imediações da ponte Rialto, no Canal Grande, para celebrar a sua união.
Desbloqueado
O
governo italiano liberou um fundo de
4 bilhões de euros para a Sicília. A
medida foi tomada para acalmar as tentativas separatistas de setores do partido
majoritário, o PDL, que ameaçavam fundar um “Partido do Sul”, em contraposição
à Liga Norte, aliada do primeiro-ministro
Silvio Berlusconi. O plano apresentado para a região prevê que 43% da verba será
aplicada em projetos de infraestrutura.
Sinos
C
erca de 150 sineiros provenientes de toda a Itália participaram de um encontro
nacional em Arrone, na província de Terni, na
Úmbria. A iniciativa partiu do grupo de profissionais da cidade, formado por 11 especialistas locais no uso do battocchio, o bordão usado
para tocar os sinos. O objetivo do evento era
chamar a atenção das novas gerações para uma
antiga forma de comunicação que, ao longo dos
séculos, anunciou cerimônias religiosas, guerras
e alarmes, rompendo o ritmo do dia a dia.
Processo
A
deputada italiana, Alessandra Mussolini, neta do ex-ditador Benito Mussolini, declarou
que pretende processar o diretor de cinema Bobby Paunescu, que apresentou o filme
“Francesca” no 66º Festival de Veneza. Segundo a deputada do partido Povo da Liberdade (PDL,
do primeiro-ministro Silvio Berlusconi), o longa a acusa de racista. Mussolini pediu a seu advogado que reivindicasse, no Tribunal de Veneza, indenizações por danos morais e também a
apreensão do filme. A produção romena retrata a história de uma professora romena que deseja
montar uma escola para os filhos de imigrantes na Itália.
Em Roma
Turismo
A
atriz Julia Roberts vai
se tornar “figurinha fácil” pelas ruas de Roma. Ela
é a protagonista do filme
Comer, Rezar, Amar, a adaptação cinematográfica do
best-seller homônimo de Elizabeth Gilbert, previsto para
começar a ser rodado na cidade este mês. As locações
ainda estão sendo mantidas
sob sigilo. Porém, no livro,
a parte da história que se
passa na Itália (Comer) tem
como cenário as principais
ruas de Roma, bem como a
Villa Borghese. Ao lado dela
no elenco estão Javier Bardem, James Franco e Billy
Crudup. O produtor é o também ator Brad Pitt. A direção é de Ryan Murphy.
Rapidinhas
● No dia 5 de agosto, a localidade de Cassino sofreu um terremoto com intensidade 3,4 Graus
Escala Richter. Reflexos do abalo
chegaram a Roma.
● Cônsul Geral da Itália em São
Paulo, Marco Marsilli foi o representante italiano da cerimônia em
homenagem às personalidades das
comunidades de 2009, realizada
mês passado, no Auditório André
I
N
a Emilia Romana, centro da Itália, os empréstimos bancários
concedidos aos agricultores são garantidos por formas do queijo típico da região, depositado nos bancos. Quatro agências trabalham atualmente com esse sistema. Ao todo, abrigam mais de 400
mil formas de parmesão. Cada uma pesa 40 quilos e vale 300 euros.
O queijo amadurece após dois anos da fabricação. Se o cliente não
pagar o crédito, o banco recupera o valor vendendo o queijo.
Franco Montoro da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.
● A cantora Madonna escolheu
a cidade de Portofino para comemorar seus 51 anos, em agosto.
Ela, os filhos, amigos e o namorado brasileiro, Jesus Luz, celebraram a data no hotel Splendido,
onde todos ficaram hospedados.
● Morreu: o engenheiro Egidio
Lucchesi ● a escritora e jorna-
lista genovesa Fernanda Pivano,
aos 92 anos ● o apresentador
italiano Mike Bongiorno, em decorrência de um enfarte em sua
casa em Montecarlo. Em 1953,
no nascimento da televisão na
Itália, ele apresentou a primeira transmissão da RAI, a rede de
televisão pública italiana. Amigo
do premier Silvio Berlusconi, tinha 85 anos.
talianos passaram a visitar L’Aquila, epicentro do
terremoto que destruiu parte
do centro da Itália no mês de
abril, para ver de perto a destruição causada na cidade. A
representante dos hoteleiros
da cidade italiana localizada
na região de Abruzzo, Mara
Quaianni, informou que os
donos de bares, restaurantes e hotéis estão registrando um aumento dos curiosos
que querem visitar, entre outros locais, o centro histórico, já reaberto, para tocar
nas obras e prédios históricos
destruídos. O fenômeno já foi
apelidado de “sismo-tour”.
Senna
U
ma exposição na sede
da Embaixada brasileira
em Roma vai lembrar os 15
anos da morte do piloto Ayrton Senna, tricampeão mundial de F-1. Um painel com
três dos seus carros – de F-1,
F-3 e Ford –, além de capacetes, caixas de câmbio e outros artigos pessoais poderão
ser vistos. A mostra ocorre
entre 18 e 20 deste mês.
Entretenimento com cultura e informação
/
Setembro 2009
Setembro 2009
/
ComunitàItaliana
9
opinião
serviço
agenda
frases
VIII Jantar Italiano (ES)
O jantar beneficente, criado em
2002 pela Associação da Cultura
Italiana de Cariacica (ACIC), terá cultura, gastronomia e dança
italiana. Dia 19 de setembro, em
Cariacica (a 17 km de Vitória).
É organizado pela própria entidade. Local: Associação da Viação Águia Branca. Informações:
[email protected]
“Tenho a clareza que nenhum partido
na história do Brasil é perfeito”,
“Ma quale velina italiana,
ma quale Canalis, ma quale
fidanzamento dell’estate?”,
Marina Silva, senadora, ao justificar
seu desligamento do PT para se filiar ao
PV partido pelo qual deve concorrer à
presidência da República no próximo ano.
Brad Pitt, attore, quando gli
hanno domandato della storia
del collega George Clooney con
la presentatrice di TV italiana
Elisabetta Canalis.
“In un momento come questo
vanno evitate le celebrazioni
elefantiache, le spese inutili
e frammentate in mille rivoli.
Altre sono le priorità e le
esigenze della gente”,
Roberto Cota, il presidente dei
deputati della Lega Nord, riguardo
la commemorazione del 150º
anniversario dell’Unità d’Italia,
che sarà realizzata nel 2010.
“Su questioni relative alla
vita e alla morte non ci
può essere un vincolo di
maggioranza o di partito”,
Gianfranco Fini, presidente
della Camera dei Deputati,
riguardo alla legge del
testamento biologico che sarà
discussa in aula.
enquete
49° Salão Náutico
Internacional (Gênova)
Evento de referência para a indústria náutica e todos os que
praticam o esporte, o ambiente de requinte e tecnologia marítima impressionará na edição
2009. Organizado pela Fiera di
Genova em parceria com associação de categoria da indústria
náutica (Ucina) serão quatro
pavilhões, duas marinas grandes e espaços abertos em um
total de 300 mil metros quadrados de Salão. São mais de 1.600
expositores e 2.300 barcos (500
deles na água), com a participação de mais de 60 marcas. De 3
a 11 de outubro.
Ferrari quer, no mínimo, o 3ºlugar
no Mundial de Construtores 2009. A
McLaren pode atrapalhar?
Sim – 60%
Não – 75%
Sim – 35,7%
Não – 40%
Sim – 25%
Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com
entre os dias 7 a 11 de agosto.
Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com
entre os dias 21 a 25 de agosto.
Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com
entre os dias 25 a 28 de agosto.
cartas
“N
el leggere il testo di Ezio Maranesi di agosto (Critica politica e pettegolezzo), m’è venuto da chiedermi: dormo o son
desto? Vada l’ideologia di destra e conservatrice dell’opinionista,
vada l’evidente filoberlusconismo, ma i fatti non si possono ignorare. (...) L’opinionista relativizza e schernisce chi critica il premier
dal punto di vista etico-morale. E invece il premier deve essere con-
risposta dell’opinionista
“L’
articolo non dà giudizi né assolve Berlusconi. Il giudizio
sull’azione di governo o sui fatti privati del premier lo danno
gli elettori votando. L’articolo critica la stampa quando cade nel pettegolezzo. Esiste un fatto, condannabile: va portato a conoscenza del
pubblico e commentato. Riproporlo per mesi, infarcito di malizia, di
cose non dette ma fatte immaginare, di verbi al condizionale, ecc, non
/
Setembro 2009
dannato esattamente in base all’etica pubblico-privata, che è cosa
ben diversa dal moralismo, che deve sempre essere evitato! Il premier e la sua maggioranza bulgara hanno già da tempo dimostrato
ampiamente di perseguire una politica ipocrita (...)”
Paolo Spedicato – por e-mail
è giornalismo: è pettegolezzo. E ciò vale per La Repubblica, antiberlusconiana e per Il Giornale, berlusconiano (anche la sua attuale campagna contro il direttore de L’Avvenire è spazzatura). La stampa straniera
ha semplicemente ripreso il contenuto di alcuni giornali italiani e l’ha
pubblicato e commentato. Con l’implicita domanda: e nonostante tutto ciò gli italiani continuano a votarlo? Già, questi italiani . .
Roma ou Morte. Se a dramática história de vida de Giuseppe Garibaldi
já foi contada em detalhes de todas as maneiras, o historiador Daniel
Pick a aborda por meio de novos caminhos. Ao aproximar-se o final
de janeiro de 1875, o general Garibaldi, herói popular da unificação
italiana, deixou Caprera, seu austero retiro ilhéu no Mediterrâneo, numa jornada para Roma. O velho senhor propunha recrutar apoio para a
missão cívica que se tornara a sua cruzada pessoal: transpor o curso do
Rio Tibre, desviando-o da Cidade Eterna. Ambicioso, queria controlar
as enchentes e a malária, drenar pântanos, prover irrigação para áreas
rurais e tornar o rio navegável, entre outros atos. Porém, a iniciativa
se torna uma frustração na vida do herói. Relacionando a história de
Roma a fases da vida de Garibaldi, Pick ainda propõe uma leitura psicanalítica das ações do general. Editora Record, 276 páginas, 42 reais.
A rainha Albemarle ou o último turista – fragmentos. Diário de viagem inacabado, foi escrito pelo filósofo francês Jean-Paul Sartre durante e logo após uma visita à Itália no outono de 1951. Com texto anotado por Arlette Elkaïm-Sartre,
a filha adotiva do filósofo, é dela a apresentação: “Em Roma,
Nápoles e Capri, ele toma notas, essencialmente descritivas,
em suportes improvisados. [Depois] em Veneza, continua a
escrever em um caderno, escolhendo as palavras para fazer
a presença da cidade vibrar – mistura de emoção e ironia”. O
livro revela um Sartre diferente, que quer respirar mais livremente e a Itália é o cenário ideal para isso. Primeiro, porque
Sartre a ama. Segundo, porque a Itália, como ele demonstra,
é o mais caloroso e colorido dos países europeus, e ao mesmo
tempo o mais cheio de história e de arte, o que estimula os sentidos, mas também a inteligência desse turista incomum. Editora Globo, 192 páginas, 33 reais.
Setembro 2009
Eurochocolate 2009 (Perugia)
A Eurocholate reunirá em Perugia,
entre os dias 16 e 25 de outubro,
produtores, vendedores e consumidores de chocolate. Mais de
150 empresas de diversos países e
cerca de um milhão de visitantes
são esperados. É a 15ª edição do
evento, que realiza durante sua
programação o Chocolate Exchange, um encontro business to business entre produtores italianos e
compradores internacionais. Interessados em participar, como
expositores ou visitantes, podem
obter informações através da Câmara Italiana do Rio de Janeiro
([email protected] ou
(21) 2262-9141 / 2966)
click do leitor
Arquivo pessoal
Filha mais velha de Berlusconi é mais
poderosa do que Michelle Obama,
segundo a Forbes. É justo?
Não – 64,3%
ComunitàItaliana
Encontro de Sommelier (Sicília)
Ragusa, esplêndida e histórica fortaleza da cultura enológica siciliana, receberá, de 3 a 6
de outubro, o Congresso Anual
da Federação Italiana do Sommelier Hoteleiro e Restaurador
(Fisar). Centenas de associados,
provenientes de todas as regiões da Itália, são esperadas para
o evento onde serão discutidos
temas referentes ao mundo da
enologia e da formação do setor.
“Escolhemos a Sicília e a cidade
de Ragusa certos de que a tradicional hospitalidade desta terra
pode fazer a diferença, elevando
este encontro anual a algo único
e inesquecível”, destaca o presidente da Fisar Vittorio Cardacci
Ama. Informações: [email protected]
na estante
Pílula abortiva será vendida livremente na
Itália. Você acha correto?
10
V Seminário da
Imigração Italiana (MG)
O evento que discute a imigração italiana no estado de Minas
Gerais acontecerá pela quinta vez. É promovido pela Ponte
entre Culturas (MG), pela Universidade Federal de Minas Gerais, pela Universidade de Verona (Itália), pela Associação de
Cultura Ítalo-brasileira (Acibra-
MG), pelo Comitê da Imigração
Italiana (Comites MG-TO-GO) e
pelo Patronato INCA-CGIL. É um
evento gratuito, aberto ao público em geral, que contará com
a presença de palestrantes italianos e brasileiros. Durante o
seminário, serão expostos trabalhos sobre a contribuição da
imigração italiana para a formação histórica e a memória de
Belo Horizonte e de Minas Gerais. De 26 de outubro a 1º de
novembro. E-mail: seminario@
ponteentreculturas.com.br
“E
u e minha esposa, Annita Tereza
Balbo Monnerat, fomos à Itália
em março de 2005. Fizemos passeios pelas cidades mais conhecidas como Gênova, Assis, Padova, Florença, Veneza, Nápoles, Milão, Roma. Mas também fomos
conhecer a cidade da família dela, San
Giovanni a Piro, na Campania. Esta foto
foi tirada lá no dia em que completamos
50 anos de casados. Bodas de Ouro e uma
viagem maravilhosa para comemorar!”
Aluizio Lutterbach Monnerat,
Cordeiro – RJ – por e-mail.
Mande sua foto comentada para esta coluna
pelo e-mail: [email protected]
/
ComunitàItaliana
11
Opinione
Opinione
Franco Urani
Ezio Maranesi
[email protected]
La fame è il Polentoni
nostro business versus terroni
La prima conferenza a New York sul commercio mondiale di terreni coltivabili
I
In alcuni servizi recenti avevo avuto modo d’informare in
merito al risveglio economico
mondiale d’interesse sull’Africa, soprattutto da parte cinese,
con ingenti investimenti di capitali, strutture, immigrazione di
migliaia di addetti, nell’intento
di contribuire ad assicurare alla
Cina le risorse di materie prime
ed alimenti necessari al suo incredibile sviluppo.
La Cina dispone infatti di ingenti riserve di capitali soprattutto in dollari accumulate in decenni di surplus commerciali con gli
USA; una spada di Damocle nel caso decidesse di immetterli sul mercato a ritmo accelerato, in quanto
costituiti soprattutto da buoni del
tesoro USA, potendo mettere in
crisi il sistema finanziario americano che già è in pesanti difficoltà. Peraltro, anche considerando
che le applicazioni in dollari sono attualmente a tasso zero e la
moneta tende ancora a svalutarsi, è presumibile che la Cina persisterà, con la dovuta prudenza, in
queste forme di neo colonialismo,
perlopiù basate sull’affitto di vaste zone di territorio per lo sviluppo agricolo e le attività estrattive
di materia prima durante periodi
che possono raggiungere vari decenni, contribuendo quindi a favorire sviluppi di paesi paralizzati
dall’esplosione demografica, corruzione, agricoltura primitiva di
sussistenza, lotte tribali.
Pare che analoghi interessi,
specie nel settore agricolo, li abbia la Federazione Russa in Ucraina e Kazakistan, Stati che integravano l’Unione Sovietica, con
presenza minoritaria di popolazioni di origine russa.
12
Recentissima poi è la costituzione di alcuni fondi di investimento che hanno promosso
recentemente a New York la prima conferenza sui terreni coltivabili denominata Global Aginvesting 2009, a cui hanno partecipato vari potenziali investitori provenienti da Kuwait, Arabia
Saudita, Egitto, Sud Africa, Emirati Arabi, Australia, Corea del
Sud ed anche alcuni importanti
operatori brasiliani.
L’interesse è rivolto principalmente su territori africani coltivabili ed a basso prezzo, trattandosi
con i vari Governi formule di affitto fino a 99 anni. Localizzazioni
preferenziali sarebbero: Etiopia,
Sudan, Zambia, Congo, Mozambico, Madagascar, Uganda e si prevedono disponibilità di terreni intorno ai 30 milioni di ettari. La
preferenza per l’Africa è esclusivamente dovuta al fatto che i prezzi
dei terreni oscillano tra i US$ 350
e 500 all’ettaro, cioè circa la decima parte rispetto ad USA, Argentina e parte del Brasile.
Nella conferenza si è diffusamente parlato dei terreni agricoli che verranno progressivamen-
ComunitàItaliana
/
Setembro 2009
te persi a causa del cattivo uso
e variazioni climatiche, dell’aumento della popolazione, delle maggiori esigenze alimentari
degli strati più poveri, dei terreni che verranno utilizzati per
i biocarburanti. In definitiva, il
cibo – date le carenze progressivamente previste – è considerato
come un bene in continua ascesa di prezzo ed i Fondi ipotizzano
rendimenti annui per gli investitori di addirittura il 20/30%.
Ammesso che questa formula d’investimento abbia successo, ne saranno certo beneficiati
i governi dei vari paesi africani
interessati, che dovranno procedere agli espropri e ad incassare gli affitti. Almeno sulla base
di quanto finora avvenuto, una
buona parte dei proventi potrebbe destinarsi ad attività estranee
allo sviluppo sociale ed economico dei paesi, data la dilagante corruzione. Anche i gestori dei
fondi dovrebbero trarne cospicui
vantaggi in considerazione degli
spread probabilmente elevati relativi alla loro gestione. Peraltro
non sono chiare, almeno in questa fase iniziale, le modalità che
s’intendono applicare per mettere
a cultura terreni incolti in zone
presumibilmente poco accessibili
e con poche infrastrutture... qualora non vi siano diretti coinvolgimenti tipo Cina e probabilmente Egitto nel contiguo Sudan.
I suddetti sono sistemi che
possono funzionare e che in passato sono stati largamente usati – sia pure come conquista e
non d’accordo con gli stati locali
– dagli europei per l’occupazione
delle Americhe e successivamente in Africa e Asia ai tempi colo-
niali, con problemi inevitabili e
dolorosi per le popolazioni indigene residenti che vivono per lo
più allo stato tribale/pastorale
in armonia con la natura, risolti
con assorbimento, servitù, emarginazione, espulsione, talvolta
sterminio. Inoltre, saranno inevitabili i disboscamenti con tutti
i problemi ecologici connessi. Si
tratta di processi che il Brasile ha vissuto a lungo ed ancora in corso specie nella regione
amazzonica. Comunque, esiste
– se l’iniziativa è ben condotta – la contropartita dell’integrazione del territorio al paese
e della creazione di una produzione agricola indispensabile per
l’alimentazione.
Nel caso poi in cui i fondi di
trasformazione provengano da
paesi ricchi, essi potranno fornire
tuttalpiù i quadri dirigenti, mentre la manodopera per le opere
di struttura e le coltivazioni dovrà avere altre provenienze, o del
proprio paese beneficiato qualora possibile, e/o da altri paesi in
cui vi siano eccessi di popolazione laboriosa e sottoccupata, credo reperibili nelle aree del Nord
Africa e Asia meridionale. Quindi
un’ulteriore complicazione.
Concludendo,
consiglierei
estrema cautela a chi fosse interessato ad applicare capitali nei
nuovi fondi di sviluppo agricolo,
in quanto gli elevati rendimenti
ipotizzati si basano su iniziative condotte con impegno, efficienza e serietà, trattandosi di
progetti di estrema complessità
sui quali i gestori dovranno dare ampi chiarimenti ed assumere
validi impegni nei confronti degli investitori.
Il Partito del Sud: l’ultima spiaggia per i politici scadenti e scaduti
I
l mondo politico discute se e
come festeggiare, il 17 marzo 2011, i 150 anni dell’Unità d’Italia. C’è chi vuole festanze solenni e costose, chi
vuole una cerimonia sobria, chi
ostenta il più scoraggiante disinteresse.Vittorio Feltri, cinico
come sempre, dice dalla tribuna
del suo “Libero” che dell’unità
non importa a nessuno. La retorica ufficiale lo nega, lo deve
negare. Il cittadino comune non
si pone il problema. Il cittadino
critico rumina i suoi dubbi: cosa
c’è da festeggiare?
Alcuni politici sudisti ravvivano la polemica dichiarando di
voler fondare il Partito del Sud.
Dovrebbe difendere gli interessi del Meridione e fare da contrappeso alla Lega Nord. L’idea,
o se si vuole la minaccia, è nata quando il Governo ha tardato
a versare alla Regione Siciliana
4 miliardi e 200 milioni di euro
stanziati dall’Europa per lo sviluppo delle aree depresse. Questi
soldi sono destinati al Sud ma il
Governo vorrebbe, a mio avviso
legittimamente, vincolarli agli
investimenti e non vederli sparire nella voragine delle spese
correnti. I parlamentari siciliani,
a richiesta del Governatore Lombardo e applicando una originale variante soft alla tecnica del
“pizzo” mafioso, hanno negato il
loro appoggio in alcune votazioni di interesse del Governo. I 4
miliardi e 200 milioni andranno
in Sicilia.
L’idea del Partito del Sud riscuote molto interesse, soprattutto in politici consunti e screditati che lo sognano come una
spiaggia su cui approdare sani e
salvi per potersi riciclare. Bassolino, che rischia di annegare
nel mare dei rifiuti delle discariche napoletane, ne è entusiasta.
E cosí Loiero, il discutibilissimo
governatore calabrese, De Mita e
altri cestinabili. L’idea non piace invece al Governo; il partito
potrebbe dare nuove opportunità ai pessimi politici e dirigenti responsabili del malgoverno in
molte regioni del Sud e potrebbe
raccogliere i voti dei meridionali scontenti, non importa di che,
che sono molti. E’ comunque po-
lemica tra nordisti e sudisti, per
ora assopita dal torpore del ferragosto, una delle poche bandiere sotto le quali l’Italia si sente
unita. E’ polemica inutile, in cui
l’emotività vince largamente sul
raziocinio, ma non mancano dati su cui polemizzare: è difficile
spiegare a un contribuente lombardo perché deve pagare 5.000
euro più di quanti ne riceve in
servizi quando il contribuente
siciliano riceve 3500 euro più
di quanti ne paga. E’ ancora più
difficile spiegare perché, nonostante ciò, la qualità dei servizi
di cui il siciliano fruisce è pessima. Perché una TAC a Trapani
costi il doppio che a Varese, le
ferrovie siciliane abbiano un solo binario, i comuni di Palermo e
Catania siano falliti, al Sud vi sia
un numero incredibile di spazzini, impiegati comunali, invalidi
del lavoro, ecc.
Ben venga però il Partito del
Sud se sarà l’occasione per formare una nuova classe politica e
dirigente che, con l’avvento del
federalismo, possa portare la cultura della efficienza e sopprimere
quella del clientelismo. Temo però che questo augurio sia destinato a rimanere un pio desiderio.
C’è una radicale e profonda differenza sociale e culturale tra Nord
e Sud. Il Nord ha sofferto, o goduto, dell’influenza delle culture
francesi e mitteleuropee; il Sud
ha sofferto, e solo sofferto, della
influenza di arabi, normanni, angioini, aragonesi, borboni e, perché no, piemontesi, dai quali la
gente del Sud ha dovuto imparare
sempre e solo a difendersi. E’ una
sindrome superabile? Certamente, ma a tre condizioni. La prima:
la gente del Sud deve crederci, e
deve muoversi anche senza l’ombrello assistenzale del governo e
dei nordisti. Un esempio: Recife,
una città economicamente modesta, è nata, con investimenti
limitati, l’isola informatica, con
oltre 200 imprese, alcune grandi.
E’ il frutto di una fortunata intesa tra potere pubblico locale e
imprenditoria privata, e dà lavoro a migliaia di persone che, nel
tempo, si sono altamente qualificate. Perché a Cosenza non può
nascere qualcosa di simile? La
seconda: la gente del Sud deve
darsi la forza per cacciare a calci
nel sedere buona parte dei politici e dirigenti che oggi amministrano i poteri locali. La terza:
la gente del Sud deve convincersi che le leggi, centrali o locali,
sono fatte per essere osservate,
al Nord cosí come al Sud. Se poi
avremo un forte Partito del Sud,
e già abbiamo una forte Lega
Nord, la secessione è assicurata;
il problema di come festeggiare
l’Unità d’Italia è risolto.
Opinione
notizie
Fabio Porta
Status di rifugiato è “illegale”
[email protected]
Pane e
speranza
Nel 1906 la tragedia della nave “Sirio”; nel 1956 i morti di Marcinelle; pochi mesi fa il volo dell’Air
France precipitato sull’Atlantico: storie note e meno note di un’epopea di piccoli e grandi eroi
I
l 6 agosto del 1906 il transatlantico “Sirio” affondava
al largo della costa atlantica
della penisola iberica: si consumava in poche ore la più grande tragedia che mai abbia vissuto
l’emigrazione italiana nel mondo. Le millesettecento persone
a bordo, un carico “umano” abbondantemente al di là dei limiti
consentiti dalla normale capienza della nave, si erano imbarcate pochi giorni prima da Genova
alla scoperta della loro ‘Merica’;
l’America del Sud, e il Brasile in
particolare, era la meta di centinaia di uomini e donne, bambini
e anziani, che cercavano in quelle terre lontane pane e speranza.
Il pane che a loro mancava, in
un’Italia da poco unita ma ancora troppo povera per sfamare un
proletariato urbano e soprattutto
contadino numeroso e tradizionalmente abituato al duro lavoro
e al sacrificio; la speranza che rischiava di morire con i tanti neonati che non riuscivano a superare i primi mesi di vita, a causa delle insane condizioni di vita
delle loro povere famiglie.
Il triste e freddo bollettino
della tragedia parlerà di cinquecento italiani tra morti e dispersi, cinquecento vittime innocen-
14
ti di questo dramma più grande
che è stato l’emigrazione italiana
nel mondo. Eroi sconosciuti di un
tempo nel quale non c’erano mass
media a fare conoscere e a divulgare in tempo reale le notizie e
le immagini di stragi e tragedie;
anzi, di un tempo in cui era facile
ed a volte auspicabile per le autorità l’occultamento delle informazioni. Anche il tempo e le distanze giocavano infatti a favore
di chi non aveva alcun interesse
a diffondere certe notizie.
Ho voluto ricordare il disastro del “Sirio” perchè poche settimane fa abbiamo celebrato la
“giornata del sacrificio italiano
nel mondo”: l’8 agosto, in memoria dei minatori italiani che morirono in Belgio in quella stessa data del 1956, in tutte le rappresentanze diplomatiche italiane del
mondo è stato osservato un minuto di silenzio in memoria di tutti i caduti dell’emigrazione italiana all’estero. Quest’anno, oltre a
questa significativa decisione del
nostro Ministro degli Esteri, anche il Presidente della Camera dei
Deputati ha voluto rendere omaggio personalmente a questa storia. Il Presidente Gianfranco Fini
si è recato, insieme ad alcuni parlamentari italiani e al Segretario
ComunitàItaliana
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Setembro 2009
Generale del Consiglio Generale
degli Italiani all’Estero proprio a
Marcinelle, città-simbolo di tutte
quelle tante, troppe, morti che ci
ricordano ancora oggi un’epopea
di sacrificio, ma anche di eroismo
e abnegazione.
Un minuto di silenzio, come
anche un bel discorso davanti
ad una lapide, non bastano però a mantenere viva la memoria
di quanto è successo e di quello
che la diaspora italiana nel mondo ha rappresentato per la storia
del nostro Paese.
Queste pagine di storia vissuta devono diventare un patrimonio permanente della cultura
italiana; la proposta di introdurre l’insegnamento della storia
dell’emigrazione nelle scuole risponde proprio a questa esigenza. Il Parlamento e le istituzioni
italiane devono avere il coraggio di riconoscere la centralità
dell’emigrazione e della presenza italiana nel mondo nell’arco
dei centocinquant’anni di unità
d’Italia che celebreremo tra un
anno e mezzo. Una storia ancora poco conosciuta, soprattutto
dalle giovani generazioni, ma anche da tanti politici e soprattutto dagli organi di informazione,
che in Italia continuano a dare
una immagine stereotipata e non
più attuale dell’Italia nel mondo.
Alle giovani generazioni, in
Italia e all’estero, deve rivolgersi
questo dovuto sforzo di riscoperta di una memoria storica fondamentale per valorizzare le nostre
radici e per costruire un nuovo
futuro del rapporto con gli italiani nel mondo. La proposta di
legge che ho presentato in Parlamento prevede in questo senso
scambi permanenti tra le scuole
italiane e dei principali Paesi di
emigrazione, premiando i migliori progetti e incentivando i gemellaggi tra Italia ed estero.
Per i morti del “Sirio” non ci
sarà mai una lapide dove andare a
pregare, o semplicemente a versare qualche lacrima; i morti in mare appartengono a tutti e a nessuno. Ce ne siamo ricordati recentemente, con la tragedia del volo
Air France Rio-Parigi. A distanza
di oltre cento anni altre vittime
dell’emigrazione cadute in mare.
Questa volta però un eroe c’è, con
un nome ed un volto: Rino Zandonai, il Presidente dei Circoli Trentini nel Mondo. A lui, al suo bellissimo lavoro a favore delle nostre comunità nel mondo, alla sua
famiglia che a Trento continuerà
a ricordarlo per sempre insieme ai
suoi tanti amici: a loro dovremmo
dedicare questo rinnovato impegno per il rispetto della memoria
di tutti gli italiani che sono andati “nel mondo” e che adesso non
ci sono più.
I
l Supremo Tribunal Federal ha iniziato il processo di richiesta di
estradizione di Cesare Battisti questo mese. Dopo 11 ore di dibattiti l’udienza è stata sospesa dal presidente della Casa, Gilmar
Mendes, per soddisfare la richiesta di analisi del processo fatta dal
ministro Marco Aurélio Mello. In quel momento quattro ministri
avevano già votato a favore dell’estradizione. Altri tre avevano ratificato la decisione del governo brasiliano di concedere lo status di
rifugiato politico a Battisti. Per concludere l’udienza mancava solo
il voto di Mello. Secondo la sala stampa del STF con questa richiesta di analisi la decisione è stata rimandata e dovrà essere ripresa
in nuova data da definire.
Fino a questa data Battisti continuerà agli arresti presso la Penitenciária da Papuda, a Brasília. Condannato all’ergastolo in Italia, Battisti è stato arrestato a Rio de Janeiro nel marzo del 2007.
Due mesi dopo il governo italiano ne ha richiesto l’estradizione.
Nel gennaio di quest’anno Battisti ha ottenuto lo status di rifugiato politico concesso dal ministro della Justiça, Tarso Genro. Prima
il Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) aveva già negato
a Battisti la concessione di status di rifugiato. Secondo il relatore
del processo di estradizione, ministro Cezar Peluso, gli argomenti
secondo i quali l’Italia avrebbe realizzato un processo “viziato” per
i reati commessi negli anni ’70 non sono altro che “speculazioni”:
— La decisione del Conare era giusta. L’atto (del ministro della Justiça) è illegale — ha concluso.
Primo posto
C
on un lucro di 2 miliardi e 348 milioni di reais, nel secondo
trimestre, il Banco do Brasil è di nuovo la maggiore banca
brasiliana in attivi. La somma rappresenta il 42,8% in più in confronto allo stesso periodo dello scorso anno. I motivi principali
della crescita sono stati la grande espansione dei prestiti e il recupero degli spreads. Da una valutazione del ministro della Fazenda, Guido Mantega, le banche private rimarrano molto indietro se
non seguiranno l’esempio delle banche pubbliche, che hanno aumentato l’offerta di credito e ridotto il tasso di interessi.
Corso
N
ell’ambito dell’Accordo di Programma con la regione Marche,
l’ICE realizzerà un corso di formazione rivolto a 14 operatori latino-americani e caraibici di origine marchigiana cosí ripartiti: Argentina (5), Brasile (5), Cile (2), Panama (2). Il corso, della
durata complessiva di 10 giorni, si articolerà in una fase di lezioni ed in um successivo “study tour” aziendale. Sarà realizzato
dall’Area Progetti e Formazione Internazionale dall’Ufficio ICE di
Ancona e si svolgerà presso l’ICE di Ancona dal 5 al 17 ottobre.
Cittadinanza
C
ambiano alcuni requisiti per la concessione di cittadinanza
per i residenti in Italia. Dall’ 8 agosto 2009, con l’entrata in
vigore della legge nº 94 del 15 luglio 2009, sono state introdotte
alcune norme di modifica della attuale legge nº 91 del 5 febbraio
1992. Le nuove disposizioni prevedono, per le domande per matrimonio, l’elevazione del periodo di residenza legale in Italia da
sei mesi a due anni. Per le domande per residenza e per quelle per
matrimonio viene prevista la presentazione di documenti originali in aggiunta a quelli usualmente acquisiti. Viene introdotto il
versamento di un contributo pari a 200 euro per le nuove istanze.
Intercomites Brasil
T
agli alle risorse destinate agli italiani all’estero per la realizzazione di corsi di lingua e assistenza sociale, ammodernamento della rete consolare grazie alla informatizzazione, problemi legati alla documentazione richiesta per l’ottenimento della
doppia cittadinanza italiana, task force, certificazione in “intenso
tenore” e itinerari unificati per tutte le circoscrizioni consolari.
Questi sono stati alcuni dei temi trattati nella riunione dell’Intercomites Brasil, realizzata il 7 agosto scorso a Recife, coordinata
dal presidente del Comites di Recife, Salvador Scalia.
Premio
L’
ICE - Istituto Italiano per il Commercio Estero, la ACIMIT - Associazione Costruttori Italiani di Macchinario per l’Industria
Tessile, il Centro Universitário FEI e la Faculdade SENAI/Cetiqt hanno indetto il concorso Italian Textile Technology Award 2009.La partecipazione è diretta ad allievi di ingegneria delle due facoltà brasiliane. Anche ex-allievi di queste istituzioni che abbiano preso la
laurea tra il 2007 e il 2008 potranno parteciparvi. L’iniziativa mira
ad incentivare studenti brasiliani nell’area della Tecnologia Tessile,
oltre a dare ai produttori italiani di macchinari tessili l’opportunità di presentare l’alta tecnologia di cui il Paese dispone per i futuri
professionisti del settore. Il premio sarà un viaggio di una settimana in Italia nel giugno 2010, con diritto a visite agli uffici dell’ICE a
Roma, della ACIMIT a Milano e alle fabbriche del settore. Le iscrizioni possono essere fatte entro il 30 settembre su www.ice-sanpaolo.
com.br/meccanotessile. I vincitori saranno resi noti in novembre.
Piattaforma
L
a Petrobras ha firmato un contratto di 70 milioni di dollari
con l’impresa italiana Saipem, che trasporterà e installerà la
piattaforma fissa PMXL-1, nel campo di gas di Mexilhão, nel Bacino di Santos. L’unità entrerà in operazione nel 2010 con una previsione giornaliera di 9 milioni di metri cubici. Costruita presso
l’Estaleiro Mauá, a Niterói (RJ), la piattaforma sarà la più alta di
questo tipo costruita in Brasile: 230 metri.
Energia Pulita
L
a Iveco, in partnership con la Itaipu
Binacional ha lanciato il
mese scorso il primo camion leggero mosso ad
energia pulita dell’America Latina, il Daily Elétrico. Con uno chassis a
doppia cabina, il camion
può trasportare sei persone oltre all’autista. Il veicolo è provvisto di tre batterie Zebra, dall’autonomia di 100 chilometri quando
completamente cariche, e raggiunge una velocità massima di 70
km orari. Quando è vuoto raggiunge gli 85 km orari. Il tempo di
ricarica della batteria è di otto ore.
— Abbiamo sviluppato questo progetto tenendo conto dei
produttori di suini della regione, visto che abbiamo osservato che i
rifiuti degli animali inquinavano i lenzuoli freatici. Cosí ogni macchina ha un sistema bio-digerente che ricicla il materiale evacuato
e lo trasforma in energia — spiega il direttore generale del Brasile
nella Usina Hidrelétrica di Itaipu, Jorge Miguel Samek.
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ComunitàItaliana
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política
Alvo certo
Pacote de segurança aprovado pelo Senado italiano qualifica imigração ilegal como crime
O
Janaína César
Correspondente • Treviso
partido da Lega Nord tanto quis que conseguiu.
Após um ano e meio de
discussões, o “pacote de
segurança” foi aprovado definitivamente pelo Senado italiano em
agosto passado, com 157 votos a
favor, 124 contra e 3 abstenções.
A lei conhecida como 94/2009
introduz novas regras para a imigração extra-comunitária. Agora, ficou mais fácil a expulsão
do imigrante. E a União Européia
não poderá protestar, como fez no
passado, porque o governo driblou
a recomendação da EU, aprovada
em dezembro de 2008, que previa
o reacompanhamento obrigatório
somente em casos de crime. Pela
nova lei, imigração ilegal é crime.
Foi aprovado também o aumento do tempo de permanência nos Centros de Identificação
(CIEs) de três para seis meses.
Além disso, quem for pego pela
segunda vez em clandestinidade pode ser condenado entre 1
16
e 4 anos de reclusão. Se o motivo da imigração for intelectual,
a lei prevê uma permissão de até
1 ano de estadia para quem terminou um doutorado ou mestrado em uma das universidades do
país. Estimativas oficiais indicam
que a Itália teria, em seu território, 4,3 milhões de estrangeiros,
entre regularizados e ilegais.
A legislação também aperta
o cerco a italianos que exploram
a condição irregular dos imigrantes, por exemplo, alugando imóveis decadentes a preços altos.
Para essas pessoas são previstos
até 3 anos de reclusão. Já os responsáveis pela chegada dos irregulares no país – os conhecidos
barqueiros – podem receber uma
multa de até 15 mil euros e 5
anos de prisão.
Agora, ficou mais caro obter
os pedidos de permissão de estadia e de cidadania italiana feitos por extra-comunitários que
tenham se casado com italianos.
ComunitàItaliana
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Setembro 2009
O custo para ambos os casos gira em torno de 200 euros. Ainda será obrigatório um teste de
língua italiana para estadias de
longa duração.
Babás e acompanhantes são
as únicas “categorias” da imigração clandestina aceitas pelos
italianos. Isso porque cerca de
300 mil famílias dependem dessa mão-de-obra. A lei prevê a regularização desse trabalhador ao
custo de 500 euros por caso. Se é
verdade que atualmente se enquadram nessas categorias 130 mil
cidadãos comunitários e 170 mil
extra-comunitários, a Itália pode
obter, quase que de imediato, um
aumento de arrecadação de impostos de 1,3 bilhões de euros.
Juridicamente, quem deverá arcar
com essa despesa é o empregador. Porém, ninguém tem dúvidas
que essa conta cairá no colo dos
clandestinos, exatamente como
aconteciam nas filas dos correios
para dar entrada na permissão de
estadia. Teoricamente era o empregador quem deveria tomar as
providências e pagar os 70 euros
pedidos, mas só os estrangeiros
eram encontrados nas filas.
Ronda cidadã
O pacote também instituiu as
rondas cidadãs, conhecidas como rondas padanas (homenagem
à região da Padania, berço da Lega). São realizadas por voluntários civis que, autorizados pelos
prefeitos, patrulham as cidades
para “garantir” segurança. Por en-
quanto, quem se mostrou interessado em fazer parte dessas rondas
são, na maioria, homens, de 30 a
60 anos. Muitos são ex-policiais.
Outros são cidadãos comuns que
adotaram a filosofia da Lega de
proteção da sociedade e criminalização do imigrado. Um dos requisitos exigidos para a função é
ter boa saúde física e mental.
As rondas vão colaborar com
a polícia e a defesa civil, porém, o uso de arma é proibido,
assim como o uso de uniformes.
A identificação do grupo e de
cada pessoa é obrigatória. Segundo o pacote segurança, os
integrantes das rondas não devem expressar pontos de vistas de partidos, sindicatos, organizações e movimentos sociais durante o “expediente”.
O país se encontra dividido a
respeito das rondas: o norte defende enquanto o centro-sul não
quer ouvir falar sobre o assunto.
As primeiras cidades a adotarem
o sistema de segurança “alter-
nativo” foram Roma, Milão, Bergamo, Como, Verona e Treviso,
além de outras cidades pequenas
localizadas na região do Veneto.
Curiosamente, região em que a
Lega domina politicamente.
Segundo o primeiro-ministro
Silvio Berlusconi, a lei era “fortemente” desejada por ele e pelo governo. No dia da votação, Maurizio Gasparri,
presidente dos senadores do Partido da Liberdade (Pdl), disse
que essa era “uma lei
para os italianos”. Para
o ministro do Interior,
Roberto Maroni, “pai
político” da proposta, não se trata de um
instrumento racista,
mas “um passo muito
importante para garantir a segurança
dos cidadãos”. Já o
partido Itália de Valor (Idv), no final da
votação, levantou cartazes que
diziam: “São vocês os verdadeiros clandestinos. Governo, clandestino do direito”.
Para a igreja, a lei é racista
por punir “alguém que tente escapar de uma guerra ou da pobreza”. Seus opositores lembram
que muitos imigrantes são provenientes da Eritréia, Argélia e Líbia, países africanos colonizados
pela Itália de Mussolini. Através
de um comunicado, o presidente
do Pontifício Conselho da Pastoral do Imigrante, padre Antonio
Maria Veglio, defendeu o direito
dos imigrantes “de bater na porta” da Itália. O próprio Vaticano está fazendo uma campanha
massiva contra a lei, segundo o
qual o governo está introduzindo
novamente “leis raciais no país”.
Para Dario Franceschini, secretário do Partido Democrático
(Pd), “esse é o preço que o governo está pagando por ter aceitado
a Lega como aliada política”:
— Corremos o risco de sobrecarregar ainda mais os juízes e de
lotar as prisões, isso sem conseguir alcançar a rede criminal que
explora a imigração clandestina.
Segundo ele, a Itália - país
que tem a fama de ter uma das
melhores Constituições do mundo - com essa lei priva quem é
irregular de qualquer estado de
direito, visto que tudo agora será vinculado à permissão de estadia. Com essa lei, o governo não
só autoriza a denúncia de quem
se encontra em tal situação, mas
quase a impõe. Para Franceschini, o novo texto “é inconstitucional visto que não garante os
direitos básicos do cidadão”.
Segundo ele, os clandestinos,
já conhecidos como invisíveis,
“passarão a ser inexistentes”.
“Entrar irregularmente em
um país é expressão de uma condição individual, sujeita aquela
de ser imigrante e não representa um ato criminal”, como afirma
um apelo escrito por juízes italianos contrários a lei. Segundo o
juiz Mario Giulio Schinaia, faltam
instrumentos para combater o
problema da imigração clandestina. Para ele “a nova lei pune uma
condição e não um ato ou uma
conduta criminal”.
Até o presidente do Banco
Central da Itália, Mario Draghi,
saiu em defesa dos imigrantes.
Em um discurso feito durante o
Encontro de Amistad - fórum organizado pela Associação Católica Comunhão e Libertação - Draghi argumentou que os imigrantes “são uma riqueza que só é
possível utilizar se conseguirmos
administrar os graves problemas que se impõem em matéria
de integração social e cultural”.
Segundo ele, essa parcela da população “é em média mais jovem
e menos instruída do que os italianos, porém participa em maior
medida do mercado”:
— Os imigrantes levam
adiante atividades muitas vezes importantes para a sociedade, ainda que mal remuneradas.
São atividades que os italianos,
em sua maioria, não querem
mais exercer. Dessa forma, os
imigrantes não ameaçam os italianos no mercado de trabalho.
Setembro 2009
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Reação
A onda de protestos contra o pacote segurança está derrubando
barreiras de língua e de cultura.
Os irregulares presos nos CIEs estão usando as próprias estruturas
para denunciar as más condições
a que são submetidos. Assim que
a lei foi aprovada, 14 pessoas foram detidas em Milão acusadas
de resistência à prisão. No final
de agosto, no CIE da cidade de
Gradisca, na região do Friuli Venezia Giulia, foram queimados
colchões. Já no Centro Turim, um
grupo fez greve de fome.
Os moradores de Lampedusa,
por onde os ilegais tentam entrar
na Itália, estão organizando uma
mostra de vídeo sobre a temática
da imigração. Os lampeduneses
são muito solidários aos irregulares que vivem nos CIEs da ilha.
Lá, no dia 25 de setembro, será realizado o “Clandestino Day”,
um dia inteiro de ações contra o
pacote de segurança. Para o dia
17 de outubro é prevista uma
manifestação nacional, organizada por associações, sindicatos
e movimentos sociais.
ComunitàItaliana
17
especial
O impermeável
Às vésperas de seu aniversário de 73 anos, especialistas explicam porque nada
parece abalar o prestígio de Silvio Berlusconi junto à população italiana
Lisomar Silva
Q
Correspondente • Roma
uem esteve na magnífica
Villa Certosa, a opulenta propriedade balneária
de Silvio Berlusconi, na
Sardenha, diz que o primeiro-ministro italiano passou a segunda
metade de agosto fazendo dieta
e afiando suas armas para enfrentar a longa lista de questões
políticas, econômicas, sociais e
pessoais, depositada sobre sua
mesa de trabalho.
A maré de pressões reservada ao primeiro-ministro está alta. A dívida pública chegou a
1,7 bilhões de euros e o Produto Interno Bruto caiu 6%. A crise econômica asfixia as pequenas e médias empresas e até o
final desse ano, a expectativa é
que 460 mil cidadãos estarão desempregados. Desse total, 30%
poderão ser despejados por não
conseguirem pagar seus aluguéis
ou as prestações da casa própria.
A eles se unem os 40 mil desabrigados à espera de alojamento após o terremoto na região
de Abruzzo - alguns até apelaram para a generosidade de Berlusconi e pediram hospedagem
em uma das residências do primeiro-ministro, até agora, sem
obterem sucesso. Berlusconi
também anuncia reformas no
plano da Justiça de modo a
censurar a atividade de magistrados e jornalistas em
investigações e processos.
aliados e do eleitorado italiano.
Há quinze anos, quando decidiu entrar oficialmente no cenário político, o então empresário Berlusconi já havia criado seu
império imobiliário, midiático e
financeiro destinado a crescer
sem limites, fundado com investimentos de origem desconhecida. Até hoje, ele não hesita em
usar os meios de comunicação na
transformação da cultura política em espetáculo. Embaralha as
regras do jogo ao nomear personagens do mundo artístico nacional-popular para cargos políticos; ao fundir a imagem do
líder público com a conturbada
vida pessoal e familiar; ao fazer passar por realidade o que
é ilusório.
Segundo os especialistas,
Berlusconi é um ótimo vendedor
de ideias. Como estratégia, evita comícios, discursos públicos
ao ar livre e o confronto direto
com seus opositores-concorrentes. Gian Enrico Rusconi,
Crooner
O primeiro-ministro surgiu no cenário público na
década de 50, quando
era crooner e encantava as platéias dos passageiros que embarcavam em cruzeiros marítimos pelo mar Mediterrâneo. Naquela
época, já demonstrava o grande poder fabulador que usou na
conquista de seus
18
ComunitàItaliana
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Setembro 2009
professor de Ciências Políticas
da Universidade de Turim, explica em seu editorial no jornal La
Stampa: “Berlusconi nunca fala
de ‘classes sociais’, mas de ‘ci-
dadãos felizardos ou desventurados’, ‘privilegiados/marginalizados’; as classes inferiores são
compostas por ‘quem ficou para
trás’. Promete a todos um indistinto melhoramento geral. O berlusconismo recriou a potência
política da contraposição amigo/inimigo”.
No dia 29 de setembro, o magnata completa
73 anos de idade. Apesar da longa série de
escândalos, denúncias,
acusações e críticas
vindas de seus adversários políticos, da
imprensa, da igreja,
de parte da opinião
pública e até de familiares quanto a seu
comportamento como homem político e
cidadão, Berlusconi se
declara “indestrutível
e determinado” a concluir seu
governo – o quarto – iniciado em
29 de abril de 2008.
Se isso acontecer, Berlusconi
deixará o governo em 2013 e se
lançará na aposta da realização
de sua aspiração máxima: tornar-se presidente da República.
Até lá, o primeiro-ministro terá
tempo de festejar o sesquicentenário da Unificação Italiana (em
2010), mesmo tendo que acertar
as contas com seu aliado Umberto Bossi, líder da Liga Norte. Ele
sonha ver o país transformado
em federação e administrativamente dividido em duas únicas
áreas: Norte e Sul. No mês passado, Bossi provocou irritações
junto à própria coalizão de governo ao reivindicar a criação
oficial de uma bandeira para a
parte Norte do país em substituição à bandeira nacional.
Fonte inspiradora de uma
vasta bibliografia nacional e estrangeira, inúmeras teses de licenciatura e estudos sobre comunicação de massa, Berlusconi
é visto como uma síntese europeia ocidental de oportunismo e
astúcia: representa, com todas
as contradições de seu comportamento, um modelo que mais
da metade do eleitorado italiano aceita e até admira. Por quê?
Para entender esse “fenômeno
cultural”, Comunità ouviu especialistas que o identificam como
o fundador de uma “democracia
midiática” que confunde os valores da identidade cultural italiana com a força dos meios de
comunicação.
Para o francês Pierre Musso,
59 anos, professor de Ciências
da Comunicação na Universidade de Rennes, Berlusconi venceu
tantas vezes, sobretudo, porque
ocupa há tempos e em modo estável um importante espaço político que pertenceu a fortes partidos do passado, como o Partido
Socialista de Bettino Craxi e às
correntes tradicionalistas guiadas na Democracia Cristã, com
figuras do calibre do senador
vitalício Giulio Andreotti; o expresidente da República Francesco Cossiga; e parlamentares carismáticos como Arnaldo Forlani:
— Desde o início de sua carreira, Berluconi usa uma linguagem inovadora, transferida do
mundo do marketing para a esfera política. Quando se dirigia ao
eleitorado com expressões de au-
to-catalogação como ‘presidente-empresário’ ou ‘presidenteoperário’, criava um canal imediato de comunicação com seus
interlocutores. Ainda que ilusória, essa relação deu uma ideia
de identificação cultural e social
entre o líder político e o público
eleitor. No contexto de crise dos
modelos políticos tradicionais
em que partidos de oposição não
focalizam ideais nem ideologias,
mas questões sócio-econômicas
concretas de um sistema marcado pela crise do Estado, não existe uma mensagem diferenciada.
Na avaliação de Musso, Berlusconi, trouxe um “importante elemento novo” para o campo político: valorizou a mentalidade empresarial contra o perfil
estatal no modo de governar os
problemas. Imagina um Estado
liberal no incentivo à exportação, que garante funções soberanas de imagem eficaz junto à
opinião pública, como a vigilância do território, a diplomacia
ativa no plano internacional, a
justiça aplicada segundo modelos preventivos e defensivos préestabelecidos. Ao mesmo tempo,
corta orçamentos relativos aos
serviços públicos, como a rede
escolar e a saúde pública.
Na última campanha política,
Berlusconi usou praticamente os
mesmos argumentos de seu adversário, Walter Veltroni, que acabou
desorientado pela semelhança de
ideias defendidas por forças opostas. Os eleitores, provavelmente
Para Massimo Giannini (abaixo)
Berlusconi se sente legitimado
pelo voto popular
cansados das promessas irrealizadas da classe política tradicional
da oposição, acabaram dando seu
voto a quem usou os valores essenciais para o dia-a-dia dos italianos como termos de propaganda. Berlusconi se distinguiu mais
pelos valores e as idéias que lançou do que pelo programa de governo de descreveu. No ano passado, Musso lançou o livro Sarkoberluconismo, em que focaliza pontos comuns de comportamento e
ideias entre Berlusconi e o presidente francês Nicolas Sarkozy.
Novo Nepoleão
O jornal La Repubblica, com 600
mil cópias vendidas diariamente, é o maior contestador, na imprensa escrita, dos passos que
Berlusconi deu em sua aventura
política, sobretudo a partir do
sucesso conquistado nas eleições
europeias e administrativas desse ano, como esclarece o vice-diretor Massimo Giannini, 46 anos.
Ele escreveu vários livros sobre
Berlusconi. O último deles é Lo
Statista. Il Ventennio Berlusconiano tra Fascismo e Populismo:
— Berlusconi se sente legitimado pelo voto popular a representar o poder em todas as suas articulações e a forçar as regras do sistema democrático com
grande frequência. Dificilmente
aceita a ideia que a democra-
Setembro 2009
/
cia seja um jogo dialético entre
quem está no poder e seus adversários políticos. Considera válida unicamente a força do poder
executivo, não tolera os limites
impostos pelo poder legislativo.
Mal consegue suportar outras
forças contrapostas de poder como o do presidente da República,
nem admite ser tratado como cidadão comum pela imprensa nem
a magistratura. Isso o levou a
condicionar o parlamento a instituir uma série de leis a seu favor, livrando-o de procedimentos
judiciais por ações ilícitas cometidas enquanto empresário.
Segundo Giannini, a justificativa de Berlusconi para o comportamento que assume o leva a
fazer coincidir a sua história pessoal com a biografia de toda a
nação, numa contínua afirmação
de perfil napoleônico, do tipo ‘Eu
sou a Itália; os italianos me querem bem e me aceitam como sou,
portanto me deram um mandato
para fazer o que quero e o que
me parece útil’.
ComunitàItaliana
19
especial
“Berlusconi inova
a mensagem
política do século
21, enquanto
seus potenciais
adversários
pararam no
tempo”
Alessandro Amadori
Giannini enfatiza que La Repubblica quer esclarecer aos italianos que o estilo pessoal de
vida de Berlusconi é tema jornalisticamente supérfluo. Na realidade, o segundo principal cotidiano italiano releva a escassa
credibilidade do primeiro-ministro como chefe de governo e de
seu partido no forte contraste
entre os valores que pretendem
encarnar, como a família, a religião e a moralidade contrapostas
ao comportamento discutível de
“Papi Silvio” em sua vida privada, como revelaram os recentes
episódios de picantes festas em
companhia de jovens escort e veline, mulheres aspirantes a vedetes no mundo artístico televisivo
e a cargos políticos.
Por coincidência, no mesmo
período, a ministra das Oportunidades Iguais e ex-apresentadora de
TV Mara Carfagna aprovou uma lei
que impõe multas aos clientes que
buscam a atenção das prostitutas:
— O estilo de vida de Berlusconi contrasta brutalmente
negócios
com as leis que faz aprovar em
seu governo. Até mesmo sua filha Barbara, em uma entrevista
à revista Vanity Fair, afirmou que
não existe distinção entre questões privadas e públicas na vida de um político. As inúmeras
mentiras e omissões de Berlusconi sobre episódios de sua vida
privada fazem pensar que ele pode continuar mentindo também
sobre as atividades de governo,
portanto não goza de credibilidade — analisa Giannini.
Se a questão da credibilidade
representa um ponto discutível
no comportamento de Berlusconi, as opiniões de Massimo Giannini e do respeitável especialista
de pesquisas de opinião e marketing Alessandro Amadori coincidem quanto à total ausência
de fortes adversários e opositores políticos. Amadori, 49 anos,
também escreveu diversos livros
sobre o primeiro-ministro, dos
quais o mais recente tem por título Silvio, tu uccide una sinistra
morta! Perchè Berlusconi ha vinto
e continuerà a vincere.
Amadori, diretor da agência
Coesis de pesquisa de opinião e
mercado, compara o carisma de
Berlusconi ao do presidente bra-
Alessandro Amadori
Preparativos para
o desembarque
Seminários darão o tom da missão empresarial que trará mais de cem empresários italianos ao Brasil, em novembro
sileiro Luiz Inácio Lula da Silva e
o ex-presidente Argentino, Juan
Domingo Perón.
— Berlusconi inova a mensagem política do século 21, enquanto seus adversários pararam
no tempo. Berlusconi usa a linguagem popular para se comunicar com seus eleitores. Como Lula, dirige sua mensagem não ao
cérebro, mas à barriga do povo.
Como fez Perón com os ‘descamisados’, Berlusconi soube detectar os sonhos e insatisfação dos
italianos e transformou tudo em
um produto de consumo através
da linguagem propagandística
de suas promessas. No plano político, agrega e comanda as várias correntes de centro-direita,
colocando-se como único e líder
pragmático de referência. E todos devem obedecer a esse princípio se não quiserem ser excluídos. As últimas eleições regionais revelaram o sucesso dessa
receita — observa Amadori.
Ecos do Brasil
A
o usar a tribuna da Câmara para criticar a mídia brasileira, o
deputado Fernando Ferro (PT/PE) acabou “batendo” no primeiro-ministro italiano. Para mostrar como a imprensa era “tendenciosa”, indagou porque o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, era sempre criticado ao mesmo tempo em que Silvio Berlusconi - a quem chamou de “neoduce” e “fanfarrão” - era preservado.
Segundo reportagem postada no site do deputado, ele lembrou que, recentemente, Berlusconi vetou a publicação de um livro de José Saramago, pela sua editora, após tomar conhecimentos de críticas que o escritor português lhe fizera:
— A atitude do primeiro ministro da Itália é completamente estapafúrdia para uma pessoa que detém o comando político de uma
nação e de uma civilização tão importante. A Itália, que tanto contribuiu para ciência, para a filosofia, para as artes, tem como presidente uma figura que, no século 21, se comporta igual a Mussolini.
Mara Carfagna
20
ComunitàItaliana
/
Setembro 2009
S
Barbara Montereale
e Patrizia D’Addario
Segundo ele, essa dinâmica
esconde uma perigosa armadilha:
o retrocesso cultural da vida política italiana ao período entre o
pós-guerra e o início da década
de 90, dominado quase unicamente pela Democracia Cristã. Os
italianos, que sempre se inspiraram fundamentalmente nos valores e nas ideologias de centro-direita, se deixam fascinar também
por um líder carismático, autoritário e de decisão, como aconteceu no passado com a figura de
Benito Mussolini.
O fato que os políticos da
oposição não consigam realizar
um processo análogo de agregação com lideranças bem definidas, cria descrédito junto ao eleitorado e deixa Amadori perplexo:
— É como se as correntes e
os líderes de centro-esquerda permanecessem na Idade Média. Com
o uso desenfreado dos meios de
comunicação, Berlusconi tornou
equivalentes os valores do ‘ser’ e
do ‘parecer/aparecer’. Se Berlusconi quiser sair agora do cenário político, já terá seus sucessores prontos a dar sequência ao seu projeto.
Exemplos? Amadori cita o
presidente da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini, e Roberto
Formigoni, presidente da Região
Lombardia. Na sua opinião, mesmo que o ‘fenômeno Berlusconi’
tenha vida limitada, o berlusconismo “como fenomenologia
evolutiva política e cultural pode
durar outros 20 ou 30 anos”, na
Itália. Um modelo, segundo ele,
“perfeitamente reproduzível no
comportamento de seus colaboradores e do eleitorado”.
Sílvia Souza
ão Paulo será o anfitrião
no Brasil da maior missão empresarial já realizada em parceria com a
Itália e que trará, pela primeira
vez ao país, a presidente da Confederação das Indústrias Italianas, Emma Marcegaglia. Durante
dois dias, representantes de 140
empresas italianas terão a oportunidade de descobrir um Brasil
onde se pode investir e realizar
trocas comerciais e tecnológicas,
em setores como infraestrutura,
energia e ambiente, bens de consumo e agroindústria, mecânica
e maquinário, entre outros. A
missão, que está sendo preparada pela Federação das Indústrias
dos Estados de São Paulo (Fiesp)
e pelo Instituto Italiano para o
Comércio Exterior (ICE), acontece nos dias 9 e 10 de novembro.
Como preparação para a vinda dos italianos, os organizadores
têm se reunido quase que semanalmente. Até o fechamento desta
edição, a agenda do evento previa a realização, no dia 9, de um
seminário sobre oportunidades de
investimento no Brasil, além de
seminários técnicos sobre setores
produtivos. Já no dia 10, o fórum
Brasil-Itália abre os trabalhos, que
terão continuidade com um almoço de negócios, encontros setoriais e um jantar de gala.
Também estão previstas atividades como um Fórum de Ne-
Vincenzo Scotti
A missão ao Brasil se apóia
em dados ratificados pelo ICE de
que em dez anos a corrente comercial entre Brasil e Itália subiu
de cerca de 5 bilhões de dólares
para 15 bilhões de dólares. O fato de o governo incrementar programas de investimento em infraestrutura também atrai o empresariado internacional. Neste
quesito, uma das portas a serem
abertas são as transformações em
vista da Copa do Mundo de Futebol de 2014, que o Brasil sediará.
— Esta missão tem tudo para alavancar o desenvolvimento
italiano, pois reforça a presença
italiana no exterior e ultrapassa
a já tradicional parceria cultural
e sentimental entre Brasil e Itália — enfatiza Padovani.
Cláudio Scajola
gócios Itália-Brasil, apresentando dados econômicos recentes e
movimentação industrial no país,
além de encontros de negócios.
Segundo o analista sênior do ICE
Ronaldo Padovani a importância
do evento pode ser mensurada
pelas presenças confirmadas do
ministro para o Desenvolvimento Econômico, Cláudio Scajola,
do subsecretario do Ministério
do Exterior, Vincenzo Scotti, e da
presidente da Confindustria, Emma Marcegaglia.
— Essa missão ocorre num
momento em que muitos setores econômicos e países do mundo estão saindo da crise que, no
Brasil, foi pouco sentida. É uma
iniciativa do governo italiano
que contemplou também neste
ano Índia e China, os outros países do BRIC, que como o Brasil,
sentiram a crise de uma forma
menos agressiva. A Rússia, por
exemplo, neste momento, não
participou desta confluência —
observa Padovani.
Números
De acordo com um levantamento feito pelo ICE, as exportações
Setembro 2009
/
brasileiras representam 12% sobre o Produto Interno Líquido e
são diversificadas apresentando
o país como um Global Trader.
Prova disto seria, segundo o instituto, o fato de os Estados Unidos receberem 13,8% das exportações brasileiras.
E mesmo com os efeitos da
crise sentidos nos primeiros
três meses do ano, os analistas do ICE apresentam como fator positivo a inflação brasileira ter diminuído de 6,4% para
4,5%, nos últimos doze meses.
Para o instituto, outro ponto
que chama a atenção dos investidores e demonstra a estabilidade brasileira é a criação, entre 2004 e 2008, de 1,5 milhão
de novos postos de trabalho no
país, com uma taxa de desemprego que diminuiu de 13% (em
abril de 2004) para 6,8% (em
dezembro passado).
ComunitàItaliana
21
negócios
affari
I
Compromisso
com a inclusão
Região da Toscana e Governo do Rio de Janeiro selam
acordo para implementar projetos de cooperação
C
Sílvia Souza
inco meses depois de enviar uma missão empresarial ao Rio de Janeiro
e apresentar propostas
para parcerias comerciais com
o estado, a região Toscana assinou, no final do mês passado,
um memorando de entendimento
com o governo do Rio. A iniciativa, que tem a duração mínima
de três anos, pretende fomentar
uma troca de experiências no que
diz respeito à implementação de
políticas públicas em setores como desenvolvimento tecnológico, saúde, indústria moveleira e
meio ambiente, entre outros.
De acordo com o secretário de
Desenvolvimento da Toscana, Ambrogio Brenna, a união faz parte
de um projeto mais amplo chamado Brasil Próximo, que contempla
ainda as regiões da Úmbria, Marche, Emilia Romana e Ligúria, tendo se espalhado por outros estados brasileiros em diferentes frentes. No Rio, a ideia dos gestores
tem por objetivo melhorar a qualidade das relações sociais.
22
— Procuramos investir em
projetos que tenham comprometimento com a inclusão e a coesão social, pois todos se beneficiam quando a sociedade é mais
coesa e tem menor número de
excluídos — afirma Brenna —
Não temos um modelo de parceria pronto para propor, queremos
encontrar o ponto em comum
para, a partir daí, aprofundarmos
o intercâmbio.
Brenna destacou que a Toscana tem interesse em participar
de projetos para a construção de
habitações populares na Baixada Fluminense e cooperar na difusão econômica pela internet.
Além disso, não serão descartados negócios que envolvam o setor naval e mecânico, bem como
a extração mineral e o manejo de
pedras ornamentais. A parceria
vai estimular a promoção do cooperativismo, do turismo sustentável e a valorização do patrimônio ambiental e cultural.
De acordo com o secretário
de estado da Casa Civil, Regis Fi-
ComunitàItaliana
/
Setembro 2009
chtner, no campo cultural, a Toscana teria a oferecer, ainda este
ano, “um apoio significativo ao
governo”, acompanhando os processos de restauro que estão em
andamento, como a reforma do
Theatro Municipal.
— A partir da assinatura deste memorando, formaremos um
grupo de trabalho para estudar e
propor as intervenções. A Toscana é uma região que concentra e
conserva um patrimônio cultural
inestimável e sua consultoria em
nossas obras seria de grande valia. Além disso, temos expectativas com relação às moradias, exportação e importação de produtos e um intercâmbio econômico
— salienta Fichtner.
Para o presidente da Câmara
Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria do Rio, Raffaele Di Luca,
que acompanhou o encontro dos
secretários, a data marca a possibilidade de o governo organizar
uma missão empresarial à Toscana:
— Tal qual aconteceu na
Lombardia, em 2007, seria a vez
do contato direto com a realidade e a produção especifica daquela região que tem 3,6 milhões
de habitantes e 23 mil quilômetros quadrados.
Divididos em dez províncias,
a Toscana é conhecida em virtude de suas paisagens e seu legado
cultural, tendo recebido seis indicações da Unesco para o título
de patrimônio da humanidade: o
centro histórico de Florença (em
1982), o centro histórico de Siena
(em 1995), a praça da Catedral de
Pisa (em 1987), o centro histórico de San Gimignano (em 1990),
o centro histórico de Pienza (em
1996), e o Val d’Orcia (em 2004).
Em outros estados
A troca de experiências entre a
Toscana e o Brasil ocorre oficialmente desde 2004. Segundo Ambrigio Brenna, o país, por sua diversidade e extensão, “é um fecundo parceiro para a região italiana”. Tanto que, projetos apoiados pela Toscana se desenvolvem
em estados como Santa Catarina,
São Paulo, Rio Grande do Sul,
Amazonas e Piauí.
É em Manaus que a Cooperativa Archeologia realiza uma oficina-escola destinada à formação
de mão-de-obra especializada na
restauração de prédios históricos. A parceria foi destaque na
edição 132 da Comunità.
Já no Piauí, a atuação visa o
desenvolvimento do agriturismo.
Lá a meta é estruturar o Parque
Nacional da Serra das Confusões,
na região de Guaribas e Caracol.
Estimativas do governo do estado do Piauí, apontam para um investimento por parte do governo
federal de 7 milhões de reais, enquanto a região repassaria 1 milhão de euros ao projeto.
mpiantare una rete comune di servizi e di appoggio
tecnologico che contempli
lo sviluppo locale. E’ questa la meta della pionieristica
partnership fra il Brasile e l’Italia che immetterà un gettito di
circa quattro milioni di reais nella regione centrale di São Paulo.
L’iniziativa promuove una vera e
propria unione fra i comuni São
Carlos, Araraquara, Descalvado,
Itirapina, Ribeirão Bonito e Rio
Claro, che è quello che coordina
lo sforzo comune.
La partnership, che è stata già firmata, si trova ora nella
fase di documentazione di sottoprogetti. Il più importante è
l’Osservatorio di Sviluppo della
Regione, che ha lo scopo di rafforzare l’industria elaborando politiche pubbliche utili allo sviluppo economico. A questo scopo
sarà creata una banca dati con le
informazioni socioeconomiche e
ambientali della regione.
E’ prevista entro ottobre una
visita in Italia di una comitiva
formata da rappresentanti del
comune, da tecnici e imprenditori. Le risorse economiche per il
progetto saranno a carico del governo dei due paesi.
— E’ dal 2004 che realizziamo studi sulle piccole e piccolissime imprese e sui miglioramenti da fare in questo settore. Contiamo anche sull’aiuto di alcune
università. Il Governo Federale
e i comuni che fanno parte del
progetto ne sono entusiasti —
sottolinea Oswaldo Barba, sindaco di São Carlos. — Le città e i
gruppi coinvolti stanno mettendo
a punto un’agenda per inserirvi i
progetti di maggior interesse.
Fra i vari progetti c’è anche la creazione di un Centro
per l’Innovazione delle Piccole
6 in 1
Alcuni comuni dello stato di São Paulo
partecipano alla partnertship fra Brasile e
Italia, che tende, fra i vari obiettivi comuni,
all’integrazione commerciale e economica
Sílvia Souza
e Piccolissime Imprese, che sarebbe una specie di vetrina virtuale per aumentare la visibilità dei prodotti regionali. Que-
Riunione: Marcelo Barbieri (sindaco di Araraquara); Cesar Alvarez,
coordinatore generale del progetto; Oswaldo Barba e Emerson Leal
(sindaco e vice sindaco di São Carlos)
sto portale coinvolgerà, a parte
l’amministrazione pubblica e le
università, istituzioni come: Sesi, Senac, Sebrae, Ciesp, Fiesp,
sindacati, associazioni di industriali e di lavoratori, servizi di
microcredito e telecentri, oltre
alle amministrazioni comunali.
Agricoltura familiare
Un Gruppo di Appoggio alla Agricoltura Familiare e agroaffari è un altro sottoprogetto che
fa parte della cooperazione tra
Italia e Brasile, che ha per scopo creare una struttura operativa di rafforzamento alle azioni integranti degli agricoltori
e dell’agricoltura familiare della regione. La struttura del Centro Tecnológico de Agricultura
Setembro 2009
/
Família (CTAF) Alberto Crestana,
a São Carlos, sarà utilizzata come
base dell’iniziativa.
Per Marcelo Barbieri, sindaco
di Araraquara, grazie alla forte
presenza italiana nella regione,
questa è l’opportunità per confermare il legame fra i due paesi.
— Al giorno d’oggi bisogna
pensare allo sviluppo in termini di collettività e non d’isolazionismo. Questo accordo mira
all’aggregazione dei valori — fa
notare, mentre ricorda che il fatto che São Carlos abbia un assessorato per i problemi internazionali, a capo del quale c’è
l’italo-brasiliano Alexandre Fuccille, contribuisce al successo
del progetto.
E poi i legami associativi
tra São Carlos e l’Italia sono di
vecchia data. La città ha partecipato a “100 Città per 100 Progetti per il Brasile”, programma
di cooperazione internazionale
promosso da Torino, che ha appoggiato le politiche di decentramento amministrativo del governo brasiliano. São Carlos vi ha
partecipato come città coordinatrice di un gruppo tematico sulle
questioni legate a infanzia e gioventù, e ancora promuove degli
eventi per incentivare la discussione su questi temi.
Oltre alle motivazioni politiche, São Carlos preserva le radici
italiane acquisite con l’immigrazione. Il comune è stato, nello
stato di São Paulo, uno dei principali punti d’arrivo degli immigranti negli anni fra il 1880 e
il 1904. La maggior parte provenivano dalle regioni dell’Italia
settentrionale e venivano a lavorare nell’agricoltura del caffè;
grazie alla loro capacità si dedicavano anche alle manifattura e
al commercio.
Questo periodo è segnato dal
sorgere di associazioni culturali e di mutuo soccorso, come la
Vittorio Emanuele e la Dante Alighieri. Gli immigrati italiani erano così numerosi che, durante i
primi decenni del XX secolo, il
governo italiano mantenne un
vice-consolato a São Carlos. Dopo la crisi del 1929 gli immigranti abbandonarono le zone rurali
e si dedicarono al commercio e
alle industrie che cominciavano
a crescere nella regione. Nacque
così la vocazione per questo settore che ora si distacca nello sviluppo del comune.
ComunitàItaliana
23
economia
Capitalismo
solidário
Experiência pioneira do Brasil
na área do microcrédito
criou uma rede de bancos
comunitários no país
S
Sônia Apolinário
omente agora, a Itália vai
receber uma filial do “banco
dos pobres”. Porém, há 11
anos, o Brasil já desenvolve
uma bem-sucedida experiência na
área do microcrédito com alguma
semelhança ao que é feito no Grameen Bank, criado pelo bengalês
Muhammad Yunus, que chegará a
Bolonha no segundo semestre.
Trata-se da Rede Brasileira de
Bancos Comunitários de Desenvolvimento. São 40 bancos que funcionam em sete estados brasileiros
(Ceará, Bahia, Mato Grosso do Sul,
Espírito Santo, Piauí, Maranhão e
Paraíba). Até o próximo ano, o Rio
de Janeiro terá cinco agências, todas em favelas do município, sendo que a primeira delas será na Cidade de Deus. Atualmente, a rede
já mexe com a vida de quase 1 milhão de pessoas. Cada banco tem
linha de crédito e moeda próprios.
São comandados por grupo de mulheres, associação de moradores,
assentamentos, conselhos comunitários e tribo indígena. Até o final
do ano, a previsão é a rede ter 70
bancos em funcionamento.
A meta, segundo Joaquim Melo, coordenador da Rede Brasileira de Bancos Comunitários, é
chegar em 2010 com, “pelo menos”, mil agências criadas. O plano mais ambicioso, porém, é fazer
com que o modelo se torne política pública brasileira.
inauguração do Banco Palmas, na favela Conjunto Palmeiras, na periferia de
Fortaleza (CE). A iniciativa trazia
muitas novidades. A “dona” da
instituição era a própria Associação dos Moradores do Conjunto
Palmeiras. Sua “moeda social”,
batizada de Palmas, circulava somente no bairro e substituía o
Real nos estabelecimentos cadastrados. Uma solicitação de crédito era aceita ou rejeitada por
quem mais conhecia a idoneidade do cliente: seus vizinhos. Tudo
isso para estimular o consumo e
a produção locais. A comunidade
contava com 20 mil moradores.
Melo foi o fundador e primeiro gerente do Banco Palmas. A
inédita instituição bancária, que
atuava dentro do conceito de socioeconomia solidária, começou
com um aporte de 2 mil reais.
Atualmente, opera com uma carteira de 800 mil reais. Toda a rede
trabalha com 3 milhões de reais.
O sucesso da iniciativa chamou a
atenção de outros grupos comuni-
O início
As teias dessa rede começaram
a ser trançadas em 1998, com a
24
ComunitàItaliana
tários que arregaçaram as mangas
para criar seus próprios
bancos. Era o começo da rede,
mas ninguém ainda sabia disso.
— No começo, achavam que
nós não iríamos sobreviver. Depois, que o banco só funcionaria
na nossa região. Agora, os governos e outras instituições começam a ver que a iniciativa pode dar certo em outros locais. O
sucesso do banco comunitário é
que ele chega, de fato, nos mais
pobres, gerando ocupação e renda. A rede chega onde os bancos convencionais não querem
chegar — afirma Melo, também
coordenador do Instituto Banco
Palmas de Desenvolvimento e Socioeconomia Solidária.
O Instituto, que funciona em
um espaço autônomo dentro do
Banco Palmas, foi criado justa-
Banco Palmas: primeiro da rede de bancos comunitários
/
Setembro 2009
mente para dar
suporte metodológico ao que viria ser a rede
de bancos comunitários. Segundo Melo, o projeto de Muhammad
Yunus era pouco conhecido pelas
pessoas que idealizaram o Banco Palmas. Portanto, a iniciativa
brasileira não se inspirou na de
Bangladesh. A principal diferença entre os dois “tipos” de banco, explica ele, é que o brasileiro
financia apenas a produção e não
o consumo, como no do bengalês.
— Yunus consegue fazer poupança porque a lei deles permite. No Brasil, isso é proibido. Só
banco oficial pode fazer poupan-
ça. Temos, porém,
uma coisa em comum: trabalhamos com
a descentralização, ou seja, a forma como os bancos vão
funcionar varia de acordo com
a necessidade do local onde se
encontra — observa Melo, que
conheceu Yunus, ano passado,
em Brasília, quando apresentou
a iniciativa brasileira para esse
economista Prêmio Nobel da Paz,
que saiu empolgado do encontro.
A rede
A partir de 2003, cinco bancos
comunitários foram abertos com
a ajuda do Palmas nos municípios
que solicitaram e tinham forte
organização social local: Paracu-
ru (CE), Vitória (ES), Palmácia (CE), Santana do
Acaraú (CE) e Vila Velha
(ES). Suas moedas são, respectivamente, Par, Bem, Palmeira, Santana e Terra.
Em 2005, o Instituto Palmas
firmou convênio com a Secretaria
Nacional de Economia Solidária,
vinculada ao Ministério do Trabalho. O apoio, segundo Melo, foi
fundamental para a consolidação
da metodologia dos bancos comunitários. No ano seguinte, o
Banco Popular do Brasil se tornou parceiro da rede e garantiu
linhas de crédito. Graças a isso,
mais bancos puderam ser criados.
Porém, nem tudo foram flores
para o Banco Palmas. Melo conta
que durante os quatro primeiros
anos da instituição, foi “difícil” o
diálogo com o Banco Central. De
cara, o BC abriu duas investigações
contra Palmas e chegou a processar
o banco comunitário. O caso foi a
julgamento e o BC perdeu.
— A lupa foi muito grande
em cima de nós porque trabalhávamos com moeda própria. Ter
sensibilizado o Banco
Central foi tão ou mais
difícil do que conseguir dinheiro para crédito. Nossa metodologia foi testada, olhada e perseguida. Agora, está fluindo. O
Banco Central até instituiu uma
comissão de estudos para acompanhar a rede — conta Melo.
Política pública
Maracanã, Eco-Luzia, Cocal, Guará, Girassol e Pirapirê são algumas das moedas emitidas pelos
bancos comunitários do país. Elas
circulam em municípios de até 50
mil habitantes ou em bairros de
periferias pobres de cidades maiores. São “donos” de alguns desses
bancos grupo de assentados, associação de artesãs e até índios,
com é o caso do Banco Tremembé
- cuja moeda é a Ita - que funciona em Almofala (CE), terra da tribo tremembés que ajudou os portugueses a expulsar os holandeses
do Ceará no século 16.
Os bancos fazem empréstimos
de até 800 reais sem juros, para
seus clientes. Apesar de fazerem
parte de uma rede, ninguém é filial de ninguém. São autônomos
e a descentralização é, na opinião de Melo, a chave do sucesso
do funcionamento da rede.
Melo admite que existe o perigo de o projeto crescer muito e se
perder o controle. Para ele, “não dá
para fugir da dor do crescimento”.
Setembro 2009
/
É por isso que os envolvidos
com a rede acreditam que o futuro
aponta para um único caminho: virar política pública. Para isso, a rede precisa ter um amparo legal que
ainda não tem. O primeiro passo
nesse sentido já foi dado. Está
em tramitação no Congresso Nacional (mais precisamente na Comissão de Trabalho) um Projeto de
Lei Complementar, de autoria da
deputada federal Luiza Erundina
(PSB-SP), que estabelece a criação
do Subsistema Nacional de Crédito e Desenvolvimento Solidário. O
projeto de lei prevê que um banco
comunitário poderá ser registrado por um grupo mínimo de cinco
pessoas, poderá ter conta corrente
e poupança e moeda social.
— Atualmente, precisamos
criar uma ONG para ter o banco.
Juridicamente, o Banco Palmas não
existe. E como não existe oficialmente, não pode ter conta corrente
nem poupança. Além disso, da forma como funcionamos, a moeda social não tem lei para regulamentála e uma regulamentação significa
segurança para todo mundo. A rede
está fazendo um esforço para criar
um arco legal. Porém, não se trata
de uma lei para o governo cuidar
dos bancos comunitários. Isso seria
criar mais um banco público, como
a Caixa Econômica. A novidade da
lei é justamente permitir a sociedade fazer seus bancos comunitários.
E essa rede, ao ser adotada como
política pública, fará com que o governo tenha orçamento para implementá-la — explica Melo.
Mesmo sem um amparo legal,
a iniciativa brasileira começa a
fazer escola. Melo conta que, em
2006, a Venezuela enviou seu ministro de Economia Solidária para
conhecer o Banco Palmas. A partir
daí, o vizinho sul-americano criou
uma rede de bancos comunitários
que já conta com 3.600 agências
e 300 diferentes moedas.
Ele acha irônico o fato do
grande sistema financeiro internacional estar ruindo diante de
uma crise econômica. É com orgulho que Melo informa que na rede
comunitária não há crise alguma,
já que seus bancos têm “sistema
próprio de funcionamento” e não
estão atrelados às grandes instituições. Segundo Melo, os bancos
comunitários são “autoprotegidos” e o fato de não se abalarem
em momentos de crise é, para ele,
a prova de que a iniciativa “está
no caminho certo”.
ComunitàItaliana
25
capa
Bilhete
premiado
Biglietto
premiato
Governo brasiliano
lancia le prime regole
per lo sfruttamento del
pre-sale. Aspettative di
guadagni miliardari
risvegliano la disputa per
il diritto di attuare nel
settore mentre gli stati
produttori rivendicano
una maggior quota
di royalties. L’Italia è
attenta alle eventuali
opportunità
D
esde que foi descoberta
pela Petrobras em 2007,
a camada pré-sal – um gigantesco reservatório de
petróleo e gás natural, que se estende ao longo de 800 quilômetros na região litorânea entre os
estados de Espírito Santo e Santa
Catarina – vem atraindo atenção
por ser considerada a ‘galinha
dos ovos de ouro’ do Brasil. No
início de setembro, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva anunciou as regras para a exploração
desse “bilhete premiado”. Foi o
suficiente para começar uma disputa entre governo federal, estados produtores e oposição pelo
melhor pedaço desse precioso
bolo. A valores de hoje, o pré-sal
pode significar uma riqueza para
o país da ordem dos 7 trilhões de
dólares. E essa é uma estimativa
“por baixo”.
O marco regulatório, enviado
ao Congresso Nacional em quatro Projetos De Lei, prevê o controle da União sobre as reservas
e sua exploração nas camadas
ultraprofundas, como ocorria
quando a atividade era 100%
estatal. A proposta é de que o
modelo atual de concessão passaria para partilha de produção,
um modelo somente utilizado
em países pobres, como observaram vários especialistas.
— Não há modelos internacionais prontos adequados para a
realidade brasileira. O modelo de
partilha é utilizado geralmente
Primeira mostra de óleo do pré-sal, retirada em maio, do campo de Tupi
Primo campione di greggio del pre-sale, estratto in maggio nell’area Tupi
em países pobres em desenvolvimento, fortemente dependentes
de petróleo, enquanto o de concessão encontra-se em uso em
países ricos e mais desenvolvidos
como os Estados Unidos, a Noruega, o Canadá e o Reino Unido
– diz o geólogo, Giuseppe Bacoccoli, consultor e pesquisador visitante do Programa de Recursos
Humanos da Agência Nacional do
Petróleo, junto à COPPE/UFRJ.
As demais mudanças propõem a criação de um Fundo Social para investir os bilhões de
reais do pré-sal em educação,
tecnologia e combate à pobreza
e a criação da Empresa Brasileira de Administração de Petróleo
e o Gás Natural S.A (Petro-Sal).
A nova estatal fiscalizaria todos
os contratos e poderia vetar decisões das empresas. Além disso,
haveria a capitalização da Petrobras, ou seja, a União autorizaria
a ceder, sem licitação, à compa-
D
a quando è stato scoperto dalla Petrobras nel
2007, lo strato pre-sale
– un gigantesco giacimento di greggio e gas naturali
che si estende per 800 chilometri
nella regione litoranea tra gli stadi di Espírito Santo a Santa Catarina – risveglia le attenzioni perché
viene considerata la “gallina dalle
uova d’oro” del Brasile. Agli inizi di settembre il presidente Luiz
Inácio Lula da Silva ha annunciato le regole per lo sfruttamento di
questo “biglietto premiato”. Tutto
ciò è stato sufficiente per l’inizio
di una rivalità tra governo federale, stati produttori e opposizione
per la miglior fetta di questa preziosa torta. Con i valori di oggi, il
pre-sale potrebbe significare una
ricchezza per il Paese di circa 7
trilioni di dollari. E questa è una
“sottostima”.
Il sistema regolatorio, inviato al Congresso Nacional in quat-
tro Disegni di Legge, prevede il
controllo della União sulle riserve e il loro sfruttamento negli strati di estrema profondità,
come accadeva quando l’attività
era al 100% statale. La proposta
prevede che il modello attuale di
concessione passi ad una condivisione di produzione, un modello usato solo in paesi poveri, come osservano vari specialisti.
— Non ci sono modelli internazionali pronti adeguati alla realtà brasiliana. Il modello di condivisione viene usato di solito in
paesi poveri in via di sviluppo,
fortemente dipendenti dal petrolio, mentre quello di concessione si trova in uso in paesi ricchi
e più sviluppati, come gli Stati
Uniti, la Norvegia, il Canada e
il Regno Unito – dice il geologo
Giuseppe Bacoccoli, consulente
e ricercatore visitante del Programa de Recursos Humanos della Agência Nacional do Petróleo,
insieme alla COPPE/UFRJ.
Gli ulteriori cambiamenti propongono la creazione di un Fundo Social per investire i miliardi
di reais del pre-sale in educazione, tecnologia e lotta alla povertà e la creazione della Empresa Brasileira de Administração
de Petróleo e della Gás Natural
S.A (Petro-Sal). La nuova statale controllerebbe tutti i contratti e potrebbe proibire decisioni di
aziende. Inoltre ci sarebbe la capitalizzazione della Petrobras, ossia l’União autorizzerebbe a cede-
Fotos: Steferson Faria
Nayra Garofle
Governo brasileiro lança as
primeiras regras para a exploração
do pré-sal. Expectativa de ganhos
bilionários atiça a disputa pelo
direito de atuar no setor enquanto
os estados produtores reivindicam
maior parcela dos royalties. A
Itália está atenta às oportunidades
26
ComunitàItaliana
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Setembro 2009
Setembro 2009
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ComunitàItaliana
27
capa
Come è oggi
Come sarà
(Nei campi al di fuori
dell’area del pre-sale)
(Regole per lo sfruttamento
del pre-sale)
Mapa do Pré-Sal
Camadas
do Pré-Sal
Mappa del pre-sale
Proprietà del petrolio e del gas naturale
Tutto il petrolio/gas naturale
prodotto è dell’impresa
concessionaria
Strati del pre-sale
Parte è dell’impresa,
parte dell’União
Cosa resta nelle mani del Governo
Tutto il greggio meno i costi
delle imprese. Riceve anche
bonus di firma. Il bando fisserà
valori per ogni blocco.
Bonus di firma, royalties,
partecipazione speciale,
pagamento per occupazione e
retenzione dell’area
Cosa resta nelle mani dell’impresa
Acompanhado da primeira-dama Marisa Letícia, o presidente Lula comemora
a descoberta do pré-sal com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli
Accompagnato dalla consorte Marisa Letícia, il presidente Lula festeggia la
scoperta del pre-sale con il presidente della Petrobras, José Sérgio Gabrielli
nhia, áreas no pré-sal, até o limite de 5 bilhões de barris. Com
isso, a Petrobras teria mais dinheiro para obter financiamentos
para a exploração.
O papel da Petrobras
De acordo com a proposta apresentada ao Congresso, a Petrobras seria a operadora de todos
os blocos explorados e teria participação societária mínima de
30% nos consórcios formados para explorar os blocos. A companhia poderia ainda participar dos
processos licitatórios visando
aumentar sua participação nas
áreas. Outras empresas de capital nacional ou estrangeiro poderiam participar nas atividades de
exploração das novas áreas.
Em coletiva de imprensa realizada um dia após a divulgação das novas regras do pré-sal,
o presidente da Petrobras, José
Sérgio Gabrielli, comunicou que
a companhia pretende investir 111,4 bilhões de dólares no
desenvolvimento do pré-sal até
2020. Ele defendeu as novas re-
Como é hoje
Como fica
(Nos campos fora
da área do pré-sal)
(Regras para a
exploração do pré-sal)
Propriedade do petróleo e do gás natural
Todo o petróleo/gás natural
produzido é da empresa
concessionária
Parte é da empresa
e parte é da União
O que fica com o Governo
Bônus de assinatura, royalties,
participação especial,
pagamento por ocupação e
retenção de área
Todo o óleo menos os custos
das empresas. Recebe também
bônus de assinatura. Edital
fixará valores para cada bloco
O que fica com a empresa
Receita bruta menos
parcela do governo
Custo em óleo mais excedente
em óleo e gás da empresa
Propriedade das instalações, gerenciamento e controle
Propriedade da empresa e
menor controle do governo
Propriedade da União e
maior controle do governo
Petrobras
Entra como qualquer outra
empresa disputando áreas
Operadora de todos os campos e
sócia de todos os blocos com 30%
ANP
Papel de regularização e
fiscalização da atividade
Perde poder. Fica responsável
só por realizar as licitações
Petro-Sal
Não havia
28
Criada para fiscalizar e controlar
a atividade das empresas
ComunitàItaliana
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Setembro 2009
Guadagni lordi meno
la parte del governo
Costi in greggio più eccedente
in greggio e gas dell’impresa
Proprietà delle installazioni, gestione e controllo
Proprietà dell’impresa e
minore controllo del governo
Proprietà dell’União e maggior
controllo del governo
Petrobras
Entra come qualsiasi altra
impresa che si contenda aree
Operatore di tutti i campi e socia
di tutti i blocchi con il 30%
ANP
Perde potere. Rimane
responsabile solo della
realizzazione delle gare
Ruolo di regolarizzazione e
controllo della attività
Petro-Sal
Non esisteva
re alla compagnia, senza nessuna
gara, aree nel pre-sale fino ad un
limite di 5 miliardi di barili. Con
ciò la Petrobras disporrebbe di
più fondi per ottenere finanziamenti per lo sfruttamento.
Il ruolo della Petrobras
Secondo la proposta presentata
al Congresso la Petrobras sarebbe l’operatore di tutti i blocchi
sfruttati e avrebbe partecipazione societaria minima del 30% nei
consorzi formati per sfruttare le
aree. La compagnia potrebbe anche partecipare ai processi di gara per aumentare la sua partecipazione nelle aree. Altre imprese di
capitale nazionale o straniero potrebbero partecipare alle attività
di sfruttamento delle nuove aree.
Nella conferenza stampa
avutasi un giorno dopo la divulgazione delle nuove regole
del pre-sale il presidente della
Petrobras, José Sérgio Gabrielli,
ha comunicato che la compagnia
vuole investire 111 miliardi e 4
milioni di dollari nello sviluppo
del pre-sale entro il 2020. Gabrielli ha difeso le nuove regole per il settore, rendendo noto
che entro il 2030 “il mondo viverà una scarsezza di petrolio”.
Creata per controllare
l’attività delle imprese
Secondo Gabrielli per rispondere
alla domanda mondiale sarà necessaria la produzione extra di,
come minimo, 75 milioni di barili al giorno. La Petrobras, secondo lui, vuole aumentare la produzione di greggio dagli attuali
1 milione e 900 mila a 3 milioni
e 800 mila barili al giorno entro
il 2020. Ciò causerà un’esigenza di nuovi strumenti capaci di
rendere possibile lo sviluppo di
campi petroliferi in zone estremamente profonde. Questo sarà
il settore che aprirà le porte del
pre-sale alle altre aziende.
— Dal punto di vista internazionale non viviamo una situazione di abbondanza ma di scarsezza, anzi, con un potenziale
aumento di questa scarsezza. La
domanda aumenterà a ritmi superiori di quelli della capacità di
produzione. Il ruolo dello Stato
sarà maggiore di quanto sia stato
nel passato — dice Gabrielli, affermando che il pre-sale “cambia
il ruolo geopolitico dell’Atlantico
Sud” . — Coloro che pensano che
il libero mercato determinerà le
decisioni di investimenti delle
aziende si trova in un orizzonte
sbagliato nel mercato del petrolio mondiale — conclude.
Poços já encontrados
Giacimenti già trovati
gras para o setor, informando que
até 2030 “o mundo vai viver uma
escassez de petróleo”. Segundo Gabrielli, para atender a demanda mundial, será necessária a
produção extra de até 75 milhões
de barris por dia. A Petrobras, segundo ele, pretende elevar a produção de petróleo dos atuais 1,9
milhão para 3,8 milhões de barris por dia até 2020. Isso exigirá novos equipamentos capazes
de viabilizar o desenvolvimento
de campos petrolíferos em zonas
ultraprofundas. Esse será o setor
que abrirá as portas do pré-sal
para demais empresas.
— Do ponto de vista internacional, nós não vivemos uma
situação de abundância e sim de
escassez, aliás, com potencial
aumento dessa escassez. A demanda crescerá a ritmos superiores à capacidade de produção.
O papel do Estado será maior do
que foi no passado — diz Gabrielli afirmando que o pré-sal
“muda o papel geopolítico do
Atlântico Sul” – Aquele que pensar que o livre mercado irá determinar as decisões de investimento das empresas está num horizonte equivocado no mercado de
petróleo mundial – completa.
De olho no petróleo brasileiro
A camada pré-sal chama a atenção
da Itália para o setor petrolífero
brasileiro. O analista do Instituto
Italiano para o Comércio Exterior
de São Paulo, Ronaldo Padovani,
afirma que a Itália tem know how
para trabalhar em outros países e
já atua no Oriente Médio.
Aqui está a maior parte
das reservas brasileiras de
petróleo e gás natural já
descobertas e em produção
Qui si trova la maggior parte
delle riserve brasiliane di
greggio e gas naturali già
scoperte e in produzione
Com 800 km de extensão, o
petróleo encontrado nesta
área é de alta qualidade e
protegido por uma barreira
de sal. Tem até 2 km de
espessura. Estima-se que as
reservas do pré-sal possam
chegar a 60 bilhões de
barris de óleo equivalente
(petróleo e gás)
Con 800 km di estensione,
il greggio trovato in
quest’area è di alta qualità
e protetto da una barriera
di sale. Ha perfino 2 km di
spessore. Si stima che le
riserve del pre-sale possano
arrivare a 60 miliardi di
barili di greggio equivalente
(petrolio e gas)
Oceano
1.000 m
Pós-sal
2.000
Camada
4.000
Oceano
Post-sale
de sal
Strato
di sale
Pré-sal
5.000
Pre-sale
7.000
Setembro 2009
/
Con gli sguardi rivolti
al petrolio brasiliano
Lo strato pre-sale risveglia l’attenzione dell’Italia verso il settore petrolifero brasiliano. L’analista
dell’Istituto Italiano per il Commercio Estero di São Paulo, Ronaldo Padovani, dice che l’Italia
ha know-how per lavorare in altri
paesi e lo fa già in Oriente Medio.
— Dobbiamo stare attenti alle risorse che saranno usate nello
sfruttamento dello strato pre-sale per cercare di seguire e partecipare al processo, se ci sarà permesso — dichiara Padovani.
Secondo l’ICE, il petrolio è
una delle principali fonti di energia per l’Italia, ragion per cui ha
realizzato un’industria di successo nella prospezione, estrazione e
lavorazione di questa risorsa. Padovani osserva che, con le scarse
riserve di greggio e gas in territorio italiano, tutto questo potenziale è stato canalizzato nei mercati stranieri. Infatti non è un caso che delle 600 aziende italiane
fabbricanti di installazioni e componenti per l’industria petrolifera,
l’80% siano esportatrici. Ciò significa che degli 865 milioni di euro
fatturati dal settore, il 91% siano
provenienti da attività all’estero.
Tra i giganti nel settore del
greggio e gas italiano c’è il Gruppo
ENI. L’Ente Nazionale Idrocarburi
S.p.A. (ENI) è una multinazionale petrolifera presente in settanta
Paesi, con sussidiarie che agiscono in varie aree, tra qui la Saipem,
azienda con la quale la Petrobras
ha firmato nel 2005 un contratto
del valore di 600 milioni di dollari
per il rifornimento per nove anni,
potendo estenderlo per altri tre,
di una piattaforma per il progetto
Golfinho, nello Espírito Santo.
Il deputato Fabio Porta, eletto per la circoscrizione estera,
crede che l’Italia sia interessata
a sfruttare il pre-sale visto che il
Paese “è sempre a porte aperte
per grandi investimenti”.
— La nostra compagnia del
settore, la ENI, conosce bene il
Brasile. Sono sicuro che questo
interesse c’è. In qualsiasi momento il Brasile indirà una gara internazionale per lo sfruttamento del
pre-sale e, cosí, l’Italia potrà avere un ruolo importante — afirma.
Il pre-sale
Lo strato pre-sale racchiude i bacini di Santo, Campos e Espírito
Santo. Queste riserve si trovano
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O pré-sal
A camada pré-sal engloba as Bacias de Santos, Campos e Espírito
Santo. Estas reservas estão localizadas abaixo da camada de sal
(que podem ter até 2 quilômetros de espessura). Isso significa
que se localizam de 5 a 7 mil metros abaixo do nível do mar. Essa
descoberta ocorreu em 2007 pela
Petrobras e vários campos e poços de petróleo já foram encontrados no pré-sal, entre eles o de
Tupi, o principal. Há também os
poços de Guará, Bem-Te-Vi, Carioca, Júpiter e Iara.
As reservas atuais do Brasil são de 12 bilhões de barris de
óleo. No campo Tupi há reservas
de 5 a 8 bilhões. Ou seja, só nesse
pedacinho encontrou-se quase o
que o país tem na sua totalidade.
ComunitàItaliana
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Setembro 2009
al di sotto dello strato di sale
(che può raggiungere i 2 chilometri di spessore). Ciò significa
che si trovano dai 5 ai 7 mila metri al di sotto del livello del mare.
Questa scoperta è stata fatta nel
2007 dalla Petrobras e vari campi
e pozzi di petrolio sono già stati
trovati nel pre-sale, tra cui quello principale di Tupi. Ma ci sono
anche i pozzi Guará, Bem-Te-Vi,
Carioca, Júpiter e Iara.
Le attuali riserve brasiliane
sono di 12 miliardi di barili di
greggio. Nel campo Tupi ce ne
sono riserve dai 5 agli 8 miliardi.
Ossia, solo in questa piccola area
si è trovato quasi il totale che il
Paese possiede.
— Inoltre ci sono i campi di
Júpiter, il Carioca. Ci sono tanti
altri campi com riserve totali che
sommano il quadruplo, il quintuplo. Come minimo raddoppieremo le attuali riserve brasiliane e,
al massimo, saremo un Venezuela
— dice il geologo italiano Giuseppe Bacoccoli, che vive in Brasile da 20 anni.
Lo strato pre-sale non esiste
solo in Brasile. Lungo la costa occidentale africana si trova pre-sale tra la Nigeria e l’Angola. Lungo
la costa del Golfo del Messico ci
sono giacimenti tra gli Stati Uniti e il Messico. Anche il Mare del
Nord presenta riserve nel pre-sale,
dove si produce specialmente gas.
Bacoccoli spiega che l’America
del Sud e l’Africa sono state unite
in un passato geologico ed erano un solo continente più di 100
milioni di anni fa. Quando si sono separate, dove oggi si trova la
cordigliera mesoatlantica c’è stata una grande divisione tra i due
continenti che è stata occupata
da un grande lago. Da allora sono
iniziate le sedimentazioni ricche
di materia organica che, dopo, si
sono trasformate materiale che ha
dato origine al greggio.
— Il mare è entrato in queste fenditure e si è formato un mare stretto, simile all’attuale Mar
Rosso. In questo mare stretto tra
l’America del Sud e l’Africa si è depositato uno strato di sale, esattamente uguale a quello usato in
cucina. Dopo si è originato il mare
aperto e sono venuti i sedimenti
tipici di esso, dell’Atlantico Sud
— informa il geologo dicendo
che il fatto che il greggio si trovi al di sotto di un’esteso strato
di sale conserva la sua qualità.
— E ainda tem os campos de
Júpiter, o Carioca. Há vários outros campos com reservas totais
que somam quatro, cinco vezes
isso. No mínimo, vamos dobrar
as atuais reservas brasileiras e,
no máximo, chegar a ser uma Venezuela — diz o geólogo italiano
Giuseppe Bacoccoli, radicado no
Brasil há 20 anos.
Não existe a camada pré-sal
apenas no Brasil. Na costa ocidental africana encontra-se présal entre Nigéria e Angola. Na
costa do Golfo do México, há jazidas entre os Estados Unidos e
México. O Mar do Norte também
tem reservas no pré-sal, onde há
produção principalmente de gás.
Bacoccoli explica que a América do Sul e África estiveram
juntas num passado geológico e
eram um continente só, há mais
de 100 milhões de anos. Quando
se separaram, no lugar onde hoje
há a cordilheira meso-atlântica
houve a abertura de uma grande
fissura entre os dois continentes
e ela foi ocupada por um grande
lago. A partir daí, começaram as
sedimentações ricas em matéria
orgânica que, depois, vieram ser
geradores de petróleo.
— O mar entrou nessas fendas e se formou um mar restrito,
parecido com o atual Mar Vermelho. Nesse mar restrito entre a
América do Sul e a África se depositou uma camada de sal, igual
ao de cozinha mesmo. Depois, se
abriu o mar aberto e vieram os
sedimentos típicos do mar aberto, do Atlântico Sul — informa
o geólogo afirmando que o fato
do petróleo estar abaixo de uma
extensa camada de sal conserva a
sua qualidade.
Segundo o geólogo, o pico da
produção de petróleo da camada
pré-sal deve acontecer depois de
2015, já que a dimensão das reservas é muito grande. Bacoccoli
acredita que o Brasil terá petróleo até, pelo menos, 2050.
Secondo il geologo il culmine
della produzione di greggio dello
strato pre-sale dovrà aver luogo
dopo il 2015, visto che la dimensione delle riserve è molto grande.
Bacoccoli crede che il Brasile avrà
greggio perlomeno fino al 2050.
Uma fatia, por favor
Imagine um bolo suculento.
Quem não vai querer um pedaço?
É mais ou menos assim que está
acontecendo com a camada présal. Um bolo enorme, apetitoso
do ponto de vista econômico,
o qual todos querem uma fatia.
Só tem um problema: os estados
produtores têm fome e querem a
maior parte do bolo para eles.
Durante o lançamento do
marco regulatório, o presidente Lula afirmou que o pré-sal é
uma “dádiva de Deus”. Porém,
essa dádiva, segundo ele, pode
se transformar “numa verdadeira
maldição”, se o Brasil não tomar
“a decisão acertada” sobre como
usar o petróleo.
A distribuição de royalties
do pré-sal foi, inicialmente, alvo de desavença entre os estados produtores e o governo. Isso
porque o governo cogitou reduzir
Una fetta, per favore
Immaginate una torta succulenta. Chi non ne vorrebbe una fetta? È questo che sta succedendo,
più o meno, allo strato pre-sale.
Una torta enorme, appetitosa dal
punto di vista economico, di cui
tutti vogliono una fetta. C’è solo
un problema: gli stati produttori
hanno fame e vogliono la maggior parte della torta per loro.
Durante il lancio del sistema
regolatorio il presidente Lula ha
detto che il pre-sale è un “dono
di Dio”. Ma questo dono, secondo
lui, può trasformarsi “in una vera
e propria maledizione” se il Brasile non prenderà “la decisione
giusta” di come usare il petrolio.
Agli inizi, la distribuzione
di royalties del pre-sale è stata motivo di discussioni tra gli
stati produttori e il governo. Ciò
perché il governo ha pensato di
Roberth Trindade
sempre de portas abertas para
grandes investimentos”.
— A nossa companhia do setor, a ENI, conhece bem o Brasil.
Tenho certeza que existe este interesse. A qualquer hora, o Brasil
vai abrir para a concorrência internacional a exploração do présal e, assim, a Itália poderá ter
um papel importante — afirma.
Em entrevista após o anúncio do marco regulatório, José Sérgio Gabrielli
afirmou que o pré-sal “muda o papel geopolítico do Atlântico Sul”
In un’intervista dopo l’annuncio del nuovo sistema regolatorio, José Sérgio
Gabrielli ha detto che il pre-sale “cambia il ruolo geopolitico dell’Atlantico Sud”.
Roberth Trindade
— Precisamos estar atentos
aos recursos que serão utilizados
na exploração da camada pré-sal
para tentarmos acompanhar e participar do processo se assim for
permitido — declara Padovani.
De acordo com o ICE, o petróleo é uma das principais fontes de energia para a Itália, razão pela qual desenvolveu uma
indústria de ponta na prospecção, extração e beneficiamento
desse recurso. Padovani observa
que, com as escassas reservas
de petróleo e gás em território
italiano, todo esse potencial foi
canalizado nos mercados estrangeiros. Não é à toa, que das 600
empresas italianas fabricantes de
instalações e componentes para
a indústria petrolífera, 80% são
exportadoras. Isso significa que,
dos 865 milhões de euros faturados pelo setor, 91% são provenientes de atividades no exterior.
Dentre os gigantes no setor
de óleo e gás italiano há o Grupo ENI. A Ente Nazionale Idrocarburi S.p.A. (ENI) é uma multinacional petrolífera presente em
setenta países, com subsidiárias
atuando em diversas áreas, entre as quais a Saipem, empresa
com a qual a Petrobras assinou
em 2005 um contrato no valor
de 600 milhões de dólares para
o fornecimento por nove anos,
com possibilidade de extensão
por mais três, de uma plataforma para o projeto Golfinho, no
Espírito Santo.
O deputado italiano Fabio Porta, eleito pela circunscrição exterior, acredita que há interesse italiano em explorar o présal visto que o país “está
Fotos: Steferson Faria
capa
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Repercussão
“A festa do Pré-Sal foi ruim por inúmeros motivos. O processo de partilha é inferior ao da concessão. Na concessão há leilão público, transparente, e vence o melhor preço. Na partilha
será uma burocracia que vai decidir com opacidade, ou coisa pior dependendo do governo”.
Míriam Leitão, jornalista especialista em economia
“Quando se tem uma estatal como a Petro-Sal controlando as atividades do pré-sal e o ritmo como tudo será feito, ela, a PetroSal, se torna uma ANP do B e o poder da ANP fica reduzido”.
David Zylbersztajn – ex-diretor da ANP
“O Brasil corre o risco de ir na contramão da história. Do ponto de
vista interno, a produção do pré-sal tende a sujar a matriz energética. Do ponto de vista externo, existe a tendência de restrição
de combustíveis fósseis. Qual será a participação do petróleo no
cenário mundial em 20 ou 30 anos? É uma questão de mercado”.
Fabio Feldman – ambientalista secretário-executivo
do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas e Biodiversidade
a chamada participação especial
que caberia aos estados produtores, da ordem de 40% dos recursos, para “distribuir irmãmente”
a bolada entre todas as 27 unidades da federação. Os governadores Sérgio Cabral (PMDB-RJ),
Paulo Hartung (PMDB-ES) e José
Serra (PSDB-SP) bateram os pés
e reclamaram. Após um jantar
entre o presidente e os governa-
governatore di São Paulo questo
è un tema che decide il futuro
del Paese e per questo dovrebbe
essere discusso a lungo termine.
— Tre mesi sono troppo pochi, 45 giorni alla Camera, 45 al
Senato, una settimana per fare
gli emendamenti con 102 firme.
Questi pozzi funzioneranno solo
tra 10, 15, 20 anni. Quindi dobbiamo fare una cosa fatta bene
ora — difende Serra.
Il direttore del Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, Adriano Pires, è d’accordo con i governatori
degli stati produttori quando questi protestano per l’eliminazione
dei royalties e per la partecipazione speciale nel sistema regolatorio.
— Non vedo con buoni occhi centralizzare una ricchezza di
questa magnitudine nelle mani
del governo federale — dice.
Ma alla fine qual è la somma in gioco? Secondo Pires tutti credono che il pre-sale potrà
dare origine ad una ricchezza
molto grande. Secondo il direttore viene stimata una produzione
di 50, 60 e 100 miliardi di barili
di greggio. Ma avvisa che non è
stato ancora provato niente. E in
gioco ci sarebbero circa 7 trilioni
di dollari in numeri attuali.
— Tutti questi numeri dimostrano una mancanza di conoscenza
molto grande di ciò che sia veramente il pre-sale. Questa è una
delle critiche che facciamo ai cambiamenti che il governo sta proponendo. Credo che il governo stia
subendo pressioni. Dovrebbe conoscere meglio il vero potenziale dello strato pre-sale per poi proporre
cambiamenti – suppone.
Steferson Faria
Sérgio Cabral
dores-produtores, Lula “lavou as
mãos” e deixou a questão para
ser resolvida pelo Congresso.
— Agora a bola é do Congresso Nacional. Quem sou eu, um humilde presidente, para ter qualquer
interferência no debate que está
dentro do Congresso — diz Lula.
Apesar da desconfiança dos
parlamentares sobre a estratégia
adotada pelo Planalto, os governadores se dizem vitoriosos. Cabral acredita que o presidente
“verificou o quanto essa alteração no marco poderia acarretar
em problemas para o Estado”.
— Eu acho que se chegou a
uma equação onde o presidente
legitimamente desejava mudar o
modelo, uma nova concepção de
exploração e produção em uma
área chamada de bilhete premiado. Mas por outro lado, respeitando os estados produtores.
Mais do que ninguém, Lula demonstrou enorme sensibilidade e
respeito com o povo do Rio de
Janeiro – afirma Cabral.
ridurre la chiamata ‘partecipazione speciale’che sarebbe stata
attribuita agli stati produttori di
circa il 40% delle risorse, per “distribuire fraternamente” i guadagni tra tutte le 27 unità della federazione. I governatori Sérgio
Cabral (PMDB-RJ), Paulo Hartung
(PMDB-ES) e José Serra (PSDBSP) hanno puntato i piedi e hanno protestato. Dopo una cena tra
il presidente e i governatori-produttori Lula “se n’è lavato le mani” e ha lasciato la soluzione del
problema con il Congresso.
— Ora il turno è del Congresso Nacional. Chi sono io, un umile
presidente, per fare una qualsiasi
interferenza nel dibattito interno
del Congresso — dice Lula.
Malgrado la sfiducia dei parlamentari nella strategia adottata dal Planalto i governatori si
dicono vittoriosi. Cabral crede
che il presidente “abbia verificato che tipo di problemi questa
alterazione del sistema potrebbero causare allo Stato”.
— Credo si sia arrivati ad
un’equazione in cui il presidente
legittimamente voleva cambiare
il modello, una nuova concezione di sfruttamento e produzione in un’area chiamata biglietto
premiato. Ma dall’altro lato voleva rispettare gli stati produttori.
Lula, più di altri, ha dimostrato
enorme sensibilità e rispetto verso il popolo di Rio de Janeiro —
afferma Cabral.
Una stima fatta dalla segreteria di Desenvolvimento Econômido di Rio de Janeiro indica che
lo Stato potrebbe perdere tra un
miliardo e un miliardo e mezzo di
reais all’anno se non avesse diritto alla partecipazione speciale
dei royalties del pre-sale.
Il sistema regolatorio è stato
inviato al Congresso con richiesta di urgenza costituzionale. Ma
la data limite di tre mesi per la
discussione è stato considerato
troppo breve da José Serra. Per il
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Setembro 2009
Estimativa feita pela secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro indica que
o Estado pode perder entre 1 bilhão de reais e 1,5 bilhão de reais por ano se não tiver direito à
participação especial dos royalties do pré-sal.
O marco regulatório foi enviado ao Congresso com pedido de urgência constitucional. O prazo de
três meses para a discussão foi,
porém, considerado curto por José Serra. Para o governador de São
Paulo, este é um assunto que decide o futuro do país e, por isso, deveria ser discutido em longo prazo.
— É muito pouco tempo três
meses, 45 dias na Câmara, 45 dias
no Senado, uma semana para fazer emendas com 102 assinaturas.
Esses poços só vão estar funcionando daqui a 10, 15, 20 anos.
Então, temos de fazer uma coisa
bem feita agora — defende Serra.
O diretor do Centro Brasileiro
de Infra-Estrutura, Adriano Pires,
concorda com os governadores
dos estados produtores quando
estes reclamaram quanto à retirada dos royalties e a participação
especial no marco regulatório.
— Não vejo com bons olhos
centralizar uma riqueza dessa
magnitude na mão do governo
federal — diz.
Quanto, afinal, é o montante
que está em jogo? Segundo Pires, todos acreditam que o présal pode gerar uma riqueza muito grande. Segundo o diretor, há
uma estimativa de produção de
50, 60 e 100 bilhões de barris de
óleo. Ele alerta, porém, que nada disso foi ainda comprovado.
O que estaria em jogo seria algo
em torno dos 7 trilhões de dólares, em números de hoje.
— Esses números todos mostram um desconhecimento muito
grande do que é verdadeiramente o pré-sal. Essa é uma das críticas que fazemos às mudanças
que o governo está propondo.
Acho que o governo está sendo
apressado. Ele deveria conhecer
melhor o verdadeiro potencial da
camada pré-sal para depois propor mudanças — opina.
A petroleira inglesa BP, sócia
da Petrobras nos campos de présal licitados na Bacia de Santos
antes da nova regra, diz que o
Brasil pode saltar do 13º para o
4º lugar entre os maiores produtores globais, depois da Arábia
Saudita, Rússia e EUA.
Steferson Faria
capa
E o meio ambiente?
O mundo se esforça para ampliar o
uso de fontes limpas e renováveis.
O pré-sal significa o investimento
do Brasil no desenvolvimento de
uma matriz energética suja e finita. Foi pensando nisso que o governo cedeu às pressões do ministério do Meio Ambiente e incluiu
no Fundo Social uma conta para
investimentos ambientalistas.
Bacoccoli afirma que a indústria do petróleo está preparada e
tem experiência para atuar em áreas profundas e saberia trabalhar
sem grandes prejuízos ambientais.
Hoje 45% da matriz energética
brasileira são renováveis.
— O Brasil se destaca hoje
no mundo por utilizar alternativas mais limpas e os ambientalistas estão com medo que esse
petróleo venha ‘sujar’ essa matriz
energética. Vamos ver no que vai
dar — diz.
Petro-Sal
A nova estatal que será criada
pelo governo, caso o marco regulatório seja aprovado no Congresso, terá poder de veto nos
comitês operacionais dos blocos
do pré-sal. Segundo a ministra
da Casa Civil, Dilma Rousseff, a
Petro-Sal vai atuar como fiscal e
“olheira” do governo. Dessa forma, a Agência Nacional do Petróleo ficou com papel bastante reduzido, já que as funções
mais importantes executadas
pela ANP no atual modelo de
concessão passarão a ser feitas
pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), ministério
de Minas e Energia (MME) e pela
nova estatal.
La petrolchimica inglese BP,
socia della Petrobras nei campi di
pre-sale appaltati nel Bacino di
Santos prima della nuova regola,
dice che il Brasile può fare un salto
dal 13º al 4º posto tra i maggiori
produttori mondiali dopo l’Arabia
Saudita, la Russia e gli USA.
E l’ambiente?
Il mondo si sforza per ampliare
l’uso di fonti pulite e rinnovabili.
Il pre-sale significa un investimento brasiliano nello sviluppo
di una matrice energetica sporca
e finita. È stato proprio pensando a questo che il governo ha ceduto alle pressioni del ministerio
del Meio Ambiente e ha incluso
nel Fundo Social un conto per investimenti ambientali.
Bacoccoli afferma che l’industria petrolifera è preparata e
esperiente per mettere in pratica azioni in aree profonde e saprebbe agire senza arrecare grandi danni ambientali. Oggigiorno
il 45% della matrice energetica
brasiliana è rinnovabile.
— Il Brasile oggi spicca nel
mondo perché usa alternative più pulite e gli ambientalisti
hanno paura che questo petrolio
venga a ‘sporcare’ questa matrice
energetica. Vedremo cosa succederà — dice.
Petro-Sal
La nuova statale che sarà creata
dal governo, se il sistema regolatorio sarà approvato dal Congresso, avrà potere di veto nei comitati operativi delle aree del presale. Secondo il ministro della
Casa Civil, Dilma Rousseff, la Petro-Sal lavorerà come controllatore e “osservatore” del governo.
Cosí all’Agência Nacional do Petróleo rimarrà un ruolo abbastanza ridotto, visto che le funzioni
più importanti portate avanti
dalla ANP nell’attuale modello
di concessione saranno eseguite
dal Conselho Nacional de Política
Energética (CNPE), dal ministério
de Minas e Energia (MME) e dalla
nuova statale.
Ripercussioni
“La festa del Pre-Sale è stata negativa per innumerevoli motivi.
Il processo di condivisione è inferiore a quello della concessione. Nella concessione c’è una gara pubblica, trasparente, e vince
il miglior prezzo. Nella condivisione sarà la burocrazia a decidere
con opacità o cosa peggiore, a seconda del governo”.
Míriam Leitão – giornalista specialista in economia
“Quando si ha una statale come la Petro-Sal che controlla le attività del pre-sale e il ritmo in cui il tutto sarà fatto, essa, la PetroSal, diviene una ANP do B e il potere della ANP viene ridotto”.
David Zylbersztajn – ex direttore della ANP
“Il Brasil corre il rischio di andare controcorrente nella storia. Dal punto di vista interno
la produzione del pre-sale tende a sporcare la
matrice energetica. Dal punto di vista esterno
c’è la tendenza di restrizione di combustibili
fossili. Quale sarà la partecipazione del petrolio sullo scenario mondiale tra 20 o 30 anni?
È una questione di mercato”.
Fabio Feldman – ambientalista segretario esecutivo del
Fórum Paulista de Mudanças Climáticas e Biodiversidade
Setembro 2009
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ComunitàItaliana
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ROMA
meio ambiente
Bom, bonito
e sustentável
Lisomar Silva
Open Colonna
O
panorama do terraço desse maravilhoso
espaço contemporâneo leva seu olhar
para a direção da Piazza Venezia e, num segundo plano, a cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano. O chefe Antonello Colonna,
um mago na interpretação moderna da cozinha romana tradicional, criou um jardim aromático que circunda os muros do terraço, onde se sente o perfume do alecrim, do timo,
do orégano e do manjericão. Aproveite para
acompanhar os eventos culturais do Palazzo
delle Esposizioni. Até setembro, você tem
a oportunidade de visitar três interessantes
mostras: as preciosidades criadas em 125 anos
de atividades da célebre joalheria Bulgari, as
fotografias de altíssima qualidade da atriz italiana Gina Lollobrigida e, na mostra La Ruta
de la Paz, as esculturas do artista Jiménez Deredia, da Costa Rica. Open Colonna - Scalina
da Via Milano, 9°, com entrada também pelo
Palazzo delle Esposizioni - Via Nazionale, 194.
Região do Piemonte investe em residências que produzem energia
A
Terraços
O
escritor e poeta argentino Jorge
Luís Borges dizia que Roma é uma
cidade onde o visitante jamais
chega, mas sempre retorna, mesmo sem
tê-la visto antes. Isso porque é uma cidade que já se encontra presente em nossas
mentes através de filmes, músicas, cartões
postais, guias de viagem, livros de história e arte. Pertence ao imaginário coletivo universal. Você quer realmente conhecer esta cidade? Então, percorra a pé suas
ruas e avenidas principais. Faça um passeio
usando pelo menos um meio de transporte
turístico especial: charrete, ônibus aberto
ou até um helicóptero. Porém, não deixe
de subir em um dos pontos mais altos nas
redondezas do centro histórico e admirar
o panorama extraordinário diante de seus
olhos. Se possível, aproveite para se presentear momentos de relax, admirando os
tetos e os terraços de Roma em boa companhia e conversação regada a aperitivos
especiais. As tardes de setembro são maravilhosas especialmente quando o céu do
outono se tinge de um azul profundo com
nuvens rosadas na hora do crepúsculo.
L’Olimpo
L
ocalizado na Piazza Barberini, quase esquina com a famosa Via Vêneto, o Hotel Bernini Bristol se encontra
diante da famosa Fontana del Tritone,
esculpida por Gianlorenzo Bernini. Construído em 1874, foi recentemente modernizado. Suba ao último andar, vá ao
terraço e sente-se à mesa entre as que se
encontram próximas ao muro. Peça seu
drinque preferido e admire o inesquecível panorama de Roma com a Via del
Tritone, antigos palacetes e monumentos históricos. Você vai estar a poucos
passos da Piazza di Spagna e da Fontana
di Trevi. L’Olimpo - Piazza Barberini, 23.
34
ComunitàItaliana
té o final do ano, a cidade
Settimo Torinese se tornará cenário de uma nova
experiência em termos de
moradia sustentável. O governo
da região do Piemonte cedeu um
terreno para a construção de 50
apartamentos de 100 m2 cada.
Serão destinados, preferencialmente, a jovens a um custo máximo de 100 mil euros a unidade.
O charme do projeto não está apenas no seu custo mais em
conta, já que na Itália uma construção tradicional custa cerca de
três mil euros o metro quadrado.
Essa residência, batizada “Casa
100 kw”, não emite CO2 e apresenta um design invejável, desenvolvido pelo premiado arquiteto italiano Mario Cucinella.
Ele foi um dos primeiros no
país a propor uma casa como fonte produtora de energia e não somente consumidora. Seguidor da
escola do arquiteto Renzo Piano,
mantém em seu estúdio, em Bolonha, um time de profissionais
dedicado a projetos que envolvem pesquisa energética. Cucinella trabalha desde 2007 no desenvolvimento da “Casa 100 kw”.
Construí-las no Piemonte não é
mero acaso. A região é a que mais
investe, em toda a Itália, em novas tecnologias e se encontra na
Janaína César
Correspondente • Treviso
vanguarda do setor energético,
do país, por colocar em prática o
uso da energia solar e eólica.
— Sempre pensei que a ideia
de gerar uma troca entre os ambientes construídos e naturais
fosse irrenunciável. Isto porque a
sustentabilidade não é um ingrediente a mais para ser usado a um
certo ponto, mas algo que deve
ser pensado desde a primeira fase
de um projeto — diz Cucinella,
responsável pelo edifício ecológico italiano, em Beijing, na China.
A “Casa de 100 kw” não é
uma moradia popular, mas um
apartamento bonito, acolhedor e
personalizado. Segundo o arquiteto, toda a tecnologia é utilizada com o objetivo de limitar os
custos da construção sem comprometer a qualidade. Ele costuma dizer que se trata de uma casa “praticamente auto financiada” porque metade do seu custo
“quem paga é o sol”.
Explica-se. Graças a uma integração de sistemas, é possível produzir simultaneamente e
de modo ecologicamente correto,
água quente, gás e energia elétrica, eliminando a dependência da
rede externa. Diferente de outros
sistemas renováveis, este converte a energia solar e eólica em hi-
drogênio, um gás fácil de conservar. A energia é captada através
de painéis solares e turbinas eólicas. A água da chuva é armazenada em uma grande caixa d´água situada no teto para posteriormente
ser reaproveitada nos sanitários.
— A indústria da construção produz muito gás carbônico
e há anos é monitorada. Porém,
o “morar” ainda é uma coisa relativamente nova, isto porque
a energia usada por um prédio
não é vista, não tem valor estético — explica Cucinella, que na
Itália assina projetos como o da
nova sede da prefeitura de
Bolonha ou o complexo
residencial Bergognone
53, em Milão.
No seu projeto
auto-sustentável, os
painéis solares produzem energia suficiente para o consumo e para a venda. De acordo com
a legislação italiana, quem produz
energia limpa pode revendê-la
para a Enel (agência de energia
italiana) por quatro vezes o valor
pago pela energia convencional.
Hoje, quem vive em uma casa de
100m² com 30m² de painéis solares gasta menos com a conta
de energia e ainda pode ter uma
fonte de renda extra.
Segundo dados do Istat (Instituto Nacional de Estatísticas),
a despesa média mensal de uma
família é de 2.461 euros, sendo
que 5% (123 euros) são destinados à energia elétrica. O consumo de eletricidade por habitação
é de cerca 3000 kw por ano. Nas
construções tradicionais, o consumo de energia elétrica numa
casa produz 6200 kg de CO2 por
ano, enquanto na casa de 100kw
a produção é zero.
— Se cada casa se transformasse em uma pequena central
produtora de energia, algumas
regiões da Itália particularmente
ensolaradas chegariam a emancipar-se energeticamente. Nós,
italianos, estamos em segundo
lugar, a nível europeu, no que
diz respeito à economia energética. Hoje nos serve uma nova
perspectiva, algo que reconheça o valor da fotovoltagem.
Nesse momento, o mercado deixará de ser especializado para ser de massa
— observa Cucinella, que
ainda mora em uma casa convencional, porém,
“compensa” isso explorando a bio-sustentabilidade, utilizando energia
solar e água reciclada
da chuva.
Lo Zodiaco
O
nome do bar e seu endereço são perfeitos: olhando a cidade do alto da colina de Montemario, a 140 metros de altitude,
tem-se a impressão de estar pertinho do céu
para ler o próprio destino e o futuro nas estrelas. Você vai ver Roma com todas as suas luzes. Se quiser, tome um sorvete ou aproveite
para jantar com música ao vivo. Se sua inspiração maior for mesmo a de admirar o céu, nas
imediações do restaurante Zodiaco há um verdadeiro observatório estelar. Ristorante-Caffè
Lo Zodiaco - Viale Parco Mellini, 88/90/92.
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Setembro 2009
Hotel Eden
D
aqui você vai ter a visão de um skyline
especial de Roma, com suas sete colinas
e as cúpulas das igrejas mais tradicionais, terraços e jardins suspensos de palacetes antigos.
No final da tarde e antes do anoitecer, a cidade
assume uma cor avermelhada que faz pensar
no prazer de imaginar que cada momento do
tempo é único. Hotel Eden - Via Ludovisi, 49.
Setembro 2009
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ComunitàItaliana
35
attualità
Storia ancora
senza fine
Da otto anni famiglia attende l’identificazione delle ossa che potrebbero essere dell’unico straniero coinvolto
nella guerriglia dell’Araguaia, l’italiano Libero Giancarlo Castiglia, scomparso nel dicembre 1973
T
Sílvia Souza
ocantins, 2001. Un gruppo di lavoro composto da
membri della Comissão de
Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, antropologi e ricercatori arriva al cimitero
della città di Xambioá disposto a
riscattare una parte della storia
del Brasile, che ebbe luogo nel
peggior periodo della dittatura
militare. L’obiettivo è di riunire indizi sul finale della vita di
qualcuna delle 60 persone desaparecidas durante l’episodio conosciuto come Guerrilha do Araguaia. Furono raccolte le ossa di
circa dieci persone non identificate e sepolte nel luogo. Una di
esse con le mani mozzate e dei
mutandoni di lana tipicamente
italiani colpí gli studiosi.
Brasília, 2009. Il Governo Federal, attraverso il ministério da
Defesa, crea un gruppo di lavoro per nuove operazioni di ricerca
di deceduti nella regione dell’Araguaia. In questo frattempo, in
attesa dell’identificazione delle
ossa che usavano l’indumento di
36
lana, una famiglia vive, in Italia
e in Brasile, unita dall’incertezza.
Malgrado tutte le evidenze indichino che quei resti mortali sono dell’italiano Libero Giancarlo
Castiglia, l’unico straniero a partecipare al conflitto, la storia di
questo ex operaio è ben lontana
dall’essere conclusa.
Lo storico episodio conosciuto come Guerrilha do Araguaia
ebbe luogo dalla seconda metà
degli anni ’60 fino agli inizi degli anni ’70. Seguace della lotta
armata contro l’allora regime militare brasiliano, il Partido Comunista do Brasil (PC do B) mandò
in Araguaia circa 70 giovani militanti con il compito di dare inizio ad un movimento rivoluzionario ispirato alla rivoluzione cinese. Per impedire l’articolazione
del gruppo truppe dell’Exército,
della Marinha e dell’Aeronáutica
sterminarono i guerriglieri.
In questo momento non si sa
più dove si trovino le spoglie che
potrebbero essere dell’italiano.
Comunità ha fatto varie richie-
ComunitàItaliana
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Setembro 2009
ste alla Secretaria Especial dos
Direitos Humanos da Presidência
da República (SEDH), comandata
dal ministro Paulo Vannuchi, ma
non ha ricevuto risposta. Secondo la sala stampa dell’organo, il
materiale “potrebbe trovarsi in
un armadio dell’ufficio in una
delle sale della stessa segreteria o essere stato inviato ad un
laboratorio”. Questo laboratorio potrebbe essere il Genomic,
a São Paulo, ma la direzione ha
negato di essere responsabile
dell’identificazione dei corpi.
La lentezza del processo di
identificazione delle spoglie trovate otto anni fa provoca lo sdegno dei parenti che seguono il
caso, riaperto ufficialmente dal
governo brasiliano il mese scorso.
— Ci sono interessi politici
per chiarire o no il caso. Secondo me il governo in questo mo-
Luogo dove Libero Castiglia ha abitato, a Favieira
mento non dovrebbe cercare altri
corpi, ma tentare di identificare
quelli già trovati. Le risorse per
chiarire queste sparizioni sono
scarse e c’è anche una mancanza
di pianificazione del governo —
segnala Wladimir Castiglia, nipote e unico parente di Libero in
Brasile, che ha partecipato alla
spedizione di ricerca nel 2001.
— I mutandoni di lana, indumento comune in Italia, ci hanno fatto nutrire la speranza che il
corpo fosse di mio zio.
Il supposto scheletro di Libero è stato trovato nel 2001 a due
metri di profondità in un’area
vicina al luogo dove sono state
dissepolte le ossa di Maria Lúcia
Petit e Bergson Gurjão Farias –
gli unici guerriglieri identificati
finora dal governo federale. Avevano le braccia in avanti, come
se fossero stati legati, e mancavano le ossa delle mani, il che
indicherebbe la separazione delle
membra. Il sospetto che le ossa
appartengano all’italiano ha preso forza dalla dichiarazione del
maggiore Sebastião Curió – che
ha partecipato alla repressione della guerriglia – secondo la
quale all’italiano sarebbero state mozzate le mani. Ha parlato
di questo dovuto alla riapertura
del caso.
— Nel 2003 l’allora ministro
José Dirceu ha promesso a Antonio Castiglia, fratello di Libero,
che si sarebbe dedicato al caso.
Il loro incontro è avvenuto in
Brasile. Antonio è venuto qui per
raccogliere il suo materiale genetico. Abbiamo passato sette anni chiedendo l’identificazione di
Bergson. Abbiamo visto i corpi,
abbiamo parlato con la gente, ma
a nessuno degli abitanti della regione sembrava importare di svelare ciò che si trovava nascosto
da 35 anni — difende la ricercatrice e giornalista Myrian Alves.
Occupatissima con le storie
dell’Araguaia fin dal 2001, Myrian
raccoglie materiale per scrivere
un libro sulla vita di Libero Castiglia. Per fare ciò, oltre a riunire testimonianze di abitanti
dell’Araguaia, conta sull’aiuto dei
nipoti del guerrigliero: Wladimir
– che abita ad Itaboraí, a Rio de
Janeiro – e Lara – che vive a Cosenza, città italiana da dove proviene la famiglia e dove sono tornati i familiari dopo la scomparsa
di Libero.
— Muove a sdegno il fatto
che chi mette le spoglie di una
persona in una scatola di cartone, come se fossero un qualsiasi oggetto vecchio, appartenga
all’area di Direitos Humanos del
governo — dice Myrian.
Nato a San Lucido, in provincia di Cosenza, il 4 luglio 1944,
Libero Giancarlo Castiglia arrivò
in Brasile quando aveva 11 anni. Venne con la madre e altri tre
fratelli per raggiungere il padre,
che si era stabilito a Rio de Janeiro nel 1949. Secondo gli archivi del Grupo Tortura Nunca
Mais la famiglia abitò nella periferia di Rio de Janeiro, a Bonsucesso e Ramos.
— Libero fece un corso di
tornitore meccanico al Senai di
Vassouras e lavorò come metallurgico. La scioltezza acquisita
nella politica si ispirava alla vita dei genitori, Elena e Luigi. Lei
era iscritta al Partito Comunista
Italiano e lui al Partito Socialista
– spiega la ricercatrice. — La loro
storia è segnata da storie curiose
e la prima è proprio questo arrivo
in Brasile. Allora gli emigranti di
San Lucido di solito rimanevano a
Santos, dove era stato creato un
centro per lavoratori. Valutando
la storia del coinvolgimento sindacalista e politico della famiglia
Castiglia, era estremamente naturale che rimanessero là.
Lotta
Il giovane italiano, soprannominato Joca, divenne membro del
Líbero
Setembro 2009
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PC do B. Dopo il golpe militare
del 1964, dovuto alle persecuzioni politiche, si dette alla clandestinità e visse a Rondonópolis (MT), dove ebbe un’officina
da meccanico. Joca arrivò in
Araguaia nel Natale del 1967, e
andò a vivere nell’area di Faveira, vicino all’incontro tra i fiumi
Tocantins e Araguaia. Secondo
Myrian, Joca fu la prima persona ad essere ricercata dalle forze
della repressione. Questo si dovette al fatto che, malgrado fosse giovane, era importante all’interno del PC do B.
— Libero era il più giovane
dei figli dei Castiglia e anche il
più riservato. Anche se sembra
una contraddizione, era un calabrese che parlava poco. Joca partí dall’Italia nel dopoguerra ed è
venuto in Brasile a fare la storia,
come Garibaldi. Anzi, questi due
eroi sono nati lo stesso giorno —
osserva la ricercatrice.
In Araguaia, Libero è stato visto fino al Natale del 1973,
quando è avvenuto l’attacco alle
forze guerrigliere. Myrian racconta che nella regione Libero era
conosciuto e definito dai vicini
e compagni del partito come una
persona sempre pronta as aiutare. E’ stato padrino di vari bambini nati in quel luogo. E tutti
conoscevano anche il mulo e la
barca azzurra e bianca che aveva.
Nella sua ricerca Myrian ha
scoperto che Joca aveva imparato a scrivere in un italiano sorpassato, ma senza che nessuno nella sua casa l’avesse fatto.
Aveva i piedi piatti – un difetto per coloro che volevano fare
il militare a quell’epoca – e sei
gradi di miopia. Si sa poco della
vita sentimentale del guerrigliero. Un’unica ragazza, carioca e
identificata come Sônia, sembra
che sia stata la sua compagna ai
tempi dell’Araguaia.
Quello che si sa di sicuro sugli ultimi momenti di vita di Libero Castiglia è stato ottenuto
grazie alle testimonianze di due
ex militari che parteciparono alla
persecuzione all’italiano. Secondo loro, la caccia sarebbe durata
sei ore, nella foresta, e Castiglia
forse era insieme a due persone,
fuggite al momento della cattura.
Senza notizie del figlio più
giovane, i Castiglia ritornarono in
Italia con gli altri familiari. A 93
anni, la madre di Libero aspetta
ancora di ricevere le spoglie del fi-
ComunitàItaliana
37
attualità
e delle Relações Exteriores brasiliani. Dieci anni fa mia madre
è venuta in Brasile ed ha anche
parlato con il console d’Italia,
che però le ha risposto che non
poteva fare niente. Nella stessa
epoca mia nonna ha ricevuto un
indennizzo ed è finita cosí.
Lara racconta che, in cerca di
nuove informazioni, la famiglia
ha recentemente aperto un processo presso la Corte Interamericana di Diritti Umani per ottenere
una risposta riguardo al riconoscimento dei corpi già ritrovati. Lo
stesso riconoscimento promesso
dal ministro José Dirceu e riaffermato dal ministro Paulo Vannuchi
che, due anni fa, è stato a casa di
Wanda, madre di Lara, dove risiede anche Elena Castiglia.
— Non si riesce a capire la
difficoltà di arrivare al risultato
di queste analisi. Mio nonno è
morto nella speranza di riavere
suo figlio — conclude.
Membro della Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos
Políticos, vincolata alla SEDH, Diva Santana informa que, lo scorso luglio, la Comissão ha chiesto
al governo di mandare le spoglie
trovate nel 2001 al laboratorio
Genomic a São Paulo. Ma lei non
ha saputo dire se le spoglie sono
state effettivamente trasferite.
La sala stampa della Secretaria Especial de Direitos Humanos ha reso noto che oltre alla
mancanza di risorse “la burocrazia contribuisce alla lentezza dei
processi di identificazione”. Inoltre, la lungaggine per l’identificazione dei corpi “si deve allo
stato di conservazione del materiale raccolto”. Secondo gli assessori l’identificazione di Bergson Gurjão de Farias ci ha messo
13 anni per essere confermata.
Nos trilhos
Ampliação da linha férrea deixará Itália e Suíça mais próximas
Il ministro Paulo Vannuchi visita Wanda Castiglia in Italia
Apertura degli archivi
Il nuovo gruppo formato per trovare, raccogliere e identificare i
corpi dei morti nella guerriglia
dell’Araguaia ha iniziato i suoi lavori il 30 aprile 2009. Dal 1980
vengono realizzate ricerche nella
regione. Ma, secondo il governo, le
attuali azioni sono, fino ad oggi,
il maggior tentativo di recuperare
i corpi dei guerriglieri. La ricerca
è ricominciata grazie ad una decisione del giudice federale Solange
Salgado, della 1ª Vara da Justiça
Federal di Brasília. Nel 2003 lo
stesso giudice aveva già determinato la consegna delle spoglie alle
famiglie. Ma siccome poco era stato trovato, il ministério da Defesa è stato obbligato a formare una
commissione per pianificare le ricerche delle spoglie. In una notizia resa nota nel sito della SEDH il
ministro Paulo Vannuchi considera
“positiva” l’iniziativa.
Nel 1995 il governo brasiliano ha approvato la Legge 9.140
che riconosce come decedute
persone scomparse dovuto alla partecipazione, o all’accusa di partecipazione, ad attività politiche tra il 02/09/61 e il
15/08/79, e che per questo motivo siano state fermate da agenti della polizia, risultando quindi
desaparecidas da allora. Allora il
Diário Oficial pubblicò il nome di
136 persone che corrispondevano a questa descrizione, tra cui
Libero Giancarlo Castiglia.
— Tutto il lavoro realizzato
finora non è stato facile. Per le
famiglie c’è stato il pagamento di
un indennizzo che va dai 100 ai
120 mila reais, a seconda di certi
criteri, come quello dell’età del
guerrigliero. E la lotta continua.
Le spoglie trovate sono state inviate ad Istituti Medici Legali,
Università, laboratori. Ma speriamo veramente che il punto finale della storia arrivi per ognuna
delle famiglie che ha perso i suoi
cari — dice Diva Santana, sorella e cognata di guerriglieri scomparsi nell’Araguaia.
A
cidade inteira parou para ver o trem passar, ou
melhor, a escavadeira retirar uma pá de terra da
velha linha para liberar os binários antigos do seu passado histórico e projetá-los no futuro. Os
vizinhos da antiga linha férrea, o
pároco, o prefeito, enfim, todos
vieram prestigiar a abertura do
canteiro de obras. A ferrovia Arcisate-Stabio (Suíça) vai permitir uma conexão mais veloz entre
Lugano, nas margens helvéticas
do lago de Como, e o aeroporto internacional de Malpensa, em
Milão. O pequeno trecho, de apenas 8,5 quilômetros, vai servir a
um território com 600 mil pessoas. Os trabalhos vão custar cerca
de 220 milhões de euros e devem
estar concluídos em 2013.
Para mostrar a relevância da
obra, ela foi inaugurada pelo presidente da região da Lombardia,
Roberto Formigoni; pelo vice-ministro da Infraestrutura, Roberto
Castelli; pelo administrador delegado do grupo Ferrovia do Estado, Mauro Moretti; além do dire-
Guilherme Aquino
Correspondente • Milão
tor do Cantão Ticino, Marco Borradori; o assessor da Infraestrutura e Mobilidade da Lombardia,
Raffaele Cattaneo; e do prefeito
de Arcisate, Ângelo Pierobon.
A linha vai ter três paradas:
Indun, Arcisate e Gaggiolo e fecha a conexão entre Varese, na
Lombardia, e o Cantão Ticino e
Como (com mudança em Mendrisio). Além disso, oferece de forma mais cômoda e veloz o aeroporto de Malpensa para os viajantes suíços. Ao final, a ferrovia
vai entrar em rede com as linhas
do Sempione (Losanna, Genevra
e Berna) e do Gottardo (Bellinzona e Lugano), graças à troca de
trens em Gallarate. A Rede Ferroviária Italiana, do grupo Ferrovia
do Estado, cliente final da obra,
prevê a duplicação (4,6 km), entre Induno Olana e Arcisate, da
linha Varese-Porto Ceresio e a realização de uma nova linha com
binário duplo (3,6 km), até a
fronteira da Itália com a Suíça.
— Ao sobrevoar a região
notávamos que faltavam serviços para melhorar a integra-
ção de todo este território. Esta obra e aquelas em curso por
conta da Expo 2015 vão resolver
esta questão. O nosso principal
importador é a Alemanha. Com
a Suíça no meio, o país se torna importante para atingirmos o
nosso principal parceiro econômico — afirma o vice-ministro
da Infraestrutura, Roberto Castelli, em visita a Arcisate. — Temos confiança no potencial do
aeroporto de Malpensa. Esta conexão entre o aeroporto de Lugano e de Malpensa vai abrir as
portas para os viajantes que não
precisarão mais ir aos aeroportos
do centro da Europa. Esta obra
também é um Metrô de superfície
entre Varese e Como.
O vice-ministro observou que
a ampliação da velha linha passa
“pelo respeito ao meio ambiente
da região”. Por isso, duas “obras
de arte” em termos de infra-estrutura vão ser feitas para diminuir ao máximo o impacto ambiental: o viaduto com 450 metros de extensão que atravessa
o rio Bevera - embaixo da coli-
na entre Arcisate e Cantello - e
o túnel Induno, com 950 metros
de comprimento a ser construído
sob o antigo já existente. Uma
equipe de especialistas vai monitorar os trabalhos em campo para evitar danos no equilíbrio da
natureza e dos centros urbanos.
O evento de inauguração das
obras do pequeno trecho serviu
também para revelar aos italianos os planos da Ferrovia do Estado para os usuários diários dos
trens. A empresa estatal e a Região da Lombardia anunciaram
investimentos para melhorar os
serviços – só a região da Lombardia tirou do cofre 800 milhões de euros para a compra de
105 trens.
Porém, a grande “revolução”
a ser posta à prova é a união,
por um ano, a principio, entre
Trenitalia, Ferrovia do Estado e
a Ferrovia Nord, da Regiao da
Lombardia. A promessa é que,
a partir deste mês de setembro,
os 500 mil usuários lombardos já
irão notar uma sensível diferença - para melhor - da limpeza,
pontualidade, conforto e velocidade dos trens. A previsão é de
uma redução de 90% nos cancelamentos, aumento de 10% na
velocidade e de 20% na oferta
de viagens. A Ferrovia do Estado
e Ferrovia Nord vão ainda administrar juntas as linhas buscando
uma sinergia que deverá beneficiar a todos. A sede operativa
será em Milão.
Fotos: Guilherme Aquino
glio per rendergli un ultimo omaggio e dargli una degna sepoltura.
— Avevo un mese e mezzo
quando siamo andati in Italia. A
cinque anni, nel 1978, mia madre e mio padre si sono separati e sono ritornato con lei a Rio.
Ma mi sono interessato alla storia
di mio zio quando sono diventato maggiorenne. Questo tema era
proibito a casa mia, visto che ci
causava amari ricordi. Per lo stesso motivo, in Italia, è mia cugina
Lara che si coinvolge di più con
questa storia — spiega il fisioterapista Wladimir, figlio di Walter.
In un’intervista rilasciata via
e-mail a Comunità, Lara conferma
che segue da vicino le angoscie
della nonna e della madre, alla ricerca di una soluzione per questo
caso. E dice che durante tutti questi anni la famiglia non è riuscita
a superare la perdita di Libero:
— Io ero una ragazzina quando ho scoperto qui a casa una
foto di un bambino che non conoscevo. Chiedendo a mia madre
chi era ho sentito la tristezza e il
dolore che le causava la sua assenza. Ho cercato su lettere, foto, giornali messi da parte e solo allora ho capito. Fino a quando
hanno pubblicato i nomi dei coinvolti nel conflitto qui in Italia e
ho promesso a me stessa che mia
madre e mia nonna non sarebbero
rimaste vicine a giornalisti o politici che venivano qui solo per far
aumentare questo dolore.
Secondo Lara, malgrado il governo italiano sia stato messo in
azione dalla famiglia, non ha mai
risposto alle richieste di restituzione delle spoglie fatte al governo brasiliano:
— Ho perfino contrattato avvocati italiani per entrare in contatto con i ministeri della Justiça
atualidade
Moradores alertam para que a ferrovia não agrida o meio ambiente, durante a inauguração da obra
38
ComunitàItaliana
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Setembro 2009
Setembro 2009
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ComunitàItaliana
39
integração
Energia
renovada
Estudantes italianos participam de curso em Minas Gerais, na área de biomassa
A
Geraldo Cocolo Jr
prendizado. Este foi o
combustível que moveu
15 estudantes italianos
do Politécnico de Turim
para participar, em Belo Horizonte e Montes Claros, de um curso
de um mês na área de energia de
biomassa. Este projeto de intercâmbio faz parte do acordo de
Cooperação Bilateral entre Minas
Gerais e região de Piemonte, na
Itália, assinada pelos dois governos e ratificada durante a Semana Minas Piemonte realizada em
novembro do ano passado em Turim. O grupo retornou para a Itália no dia 22 de agosto.
O curso foi ministrado pelas
universidades federais de Minas
Gerais (UFMG) e de Viçosa (UFV)
e a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Os alunos
fizeram visitas técnicas a instituições diretamente inseridas na cadeia produtiva do biocombustível,
biotecnologia e similares, como a
Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais e o Instituto
de Ciências Agrárias. Como parte
do programa, os italianos conheceram também as instalações da
Fiat, V&M do Brasil, Petrobras e
Sada Bio-Energia.
Em cerimônia realizada no
Banco de Desenvolvimento de
Minas Gerais, o secretário de estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alberto Portugal,
apresentou aos jovens os projetos do Governo de Minas para
desenvolvimento de tecnologias
e ferramentas de inovação bem
como as políticas para o incremento do uso da biomassa como
fonte de energia no Estado.
Segundo ele, existe no estado três Arranjos Produtivos Locais (APLs) no setor: Etanol, no
Triângulo Mineiro; Biodiesel e
Óleos Vegetais, no Norte de Minas e Biomassa e Carvão Vegetal,
na região Central. Portugal informa que todo o trabalho é implantado com base em três pilares:
rede laboratorial e de tecnologia
e inovação e núcleos de inteligência competitiva.
Para o Presidente da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio,
Indústria e Artesanato de Minas
Gerais, Giacomo Regaldo, esse tipo de programa permite aos jo-
vens experimentar o real ambiente de negócios e de estudos em
um país estrangeiro.
— Em um mundo de intensa
troca de conhecimentos, profissionais qualificados e cosmopolitas são cada vez mais demandados
pelo mercado. Em Minas Gerais, os
estudantes encontram uma fonte
de excelência — afirma.
Expectativas
Em sua primeira viagem ao Brasil,
o estudante de Engenharia Química Paolo Carletto espera que
o aprendizado adquirido no país
seja “um diferencial no futuro”:
— A área de biomassa vem
ganhando destaque na Itália e
o país tem interesse em aperfeiçoar o setor, tendo em vista que
tais fontes de energia são menos
poluentes que certos combustíveis utilizados atualmente. Certamente esse conhecimento será
importante para mim — afirma.
Seu colega Italo Doberdo, do
mesmo curso, também está entusiasmado com a capacitação.
Para ele, o intercâmbio “é um
novo mundo”, tanto pelo campo
integração
de estudo quanto pela cultura de
Minas Gerais.
Segundo o professor-tutor
Bensaid Samir, do Politécnico de
Torino, os alunos estavam muito
curiosos e motivados pela possibilidade de aprofundarem seus
conhecimentos e também por conhecer Minas Gerais:
— Eles com certeza vão voltar à Itália com novos pensamentos e idéias — acredita.
Antes da vinda dos jovens
italianos, estudantes mineiros já
tinham passado uma temporada
no Piemonte, por conta do Programa Jovens Mineiros Cidadãos
do Mundo, que promove a capacitação técnica. Primeiro, foram
20 alunos do sétimo período das
faculdades de Design de Produtos, Design Gráfico e Design de
Ambientes da Universidade Estadual de Minas Gerais.
Depois, o grupo foi formado
também por estudantes da Universidade do Vale do Rio Doce e Fundação Mineira de Educação e Cultura. No retorno, os universitários
apresentaram projetos baseados
em análises comparativas que contemplaram propostas de políticas
públicas em diversas áreas de atuação do estado, tais como turismo,
transporte, lazer e gastronomia.
O Programa se insere nas estratégias governamentais estabelecidas no Plano Mineiro de
Desenvolvimento Industrial que
prevê a capacitação do capital
humano como fator determinante para a promoção do bem-estar
social, do desenvolvimento e da
eficiência da economia, da capacidade de inovação do setor produtivo, do uso sustentável dos
ativos ambientais.
Mais união
Nova Associação quer estreitar o vínculo oficial entre Itália e Brasil. Uma segunda entidade está sendo
criada com objetivo parecido. No Brasil, um grupo de parlamentares já representa os dois países
Tatiana Buff
U
ma resposta à política de
redução dos recursos destinados à difusão da língua e cultura italianas, à
internacionalização das empresas
e à manutenção do vínculo com
as comunidades italianas no exterior. Assim pode ser entendida
a criação da Associação ItáliaBrasil, segundo seu presidente, o
deputado italiano eleito pela circunscrição da América do Sul, Fabio Porta (Partido Democrático).
— Queremos demonstrar como a relação com países como o
Brasil e a valorização de comunidades como a ítalo-brasileira
podem ser um investimento e
não um custo; um capital que, se
adequadamente utilizado, pode
representar o verdadeiro futuro
para a Itália do amanhã — enfatiza Porta, também vice-presidente do Comitê Permanente para os Italianos no Exterior na Câmara dos Deputados.
Segundo o deputado, há tempos existem, na Itália, importantes associações de amizade
Fabio Porta
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ComunitàItaliana
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Setembro 2009
e cooperação com países como
EUA, Japão e Rússia. Porém, ainda não existia uma que unisse a
Itália ao Brasil, “a maior terra de
residência de ítalo-descendentes
no mundo”. A sede da nova instituição fica em Roma. A expectativa é que seja aberta,
“em breve” uma sede
também no Brasil. Seu secretário-geral é o
executivo italiano Domenico Bosi, fundador de empresas como a
Punto.it e de
associações como a União Europeia-Brasil (EUBrasil), com sede em
Bruxelas (Bélgica) e São
Paulo. Porta esclarece que
Domenico não é parente do deputado Francesco Bosi.
Fundamental para a associação Itália-Brasil é, na avaliação
do deputado, “manter alto o nível das relações entre os dois países, colaborar com as iniciativas já existentes para fortalecer
a histórica ligação entre eles e
contribuir para um maior e mais
correto conhecimento da Itália
no Brasil e vice-versa”. Segundo
Porta, outro objetivo da entidade
é a criação do Conselho Empresarial Itália-Brasil para intensificar
a cooperação industrial e econômica bilateral, “especialmente
nos setores de energia, infraestrutura, defesa e comunicações”.
Metas paralelas
Em março, o deputado italiano
Domenico Scilipoti (Italia dei Valori) anunciou, no Brasil, a criação da Associação Parlamentar
de Amizade Brasil-Itália – APABI
-, iniciativa tomada com o colega brasileiro Maurício Trindade,
do Partido da República (PR) da
Bahia. Na época, Trindade afirmou que a entidade tinha como
Correspondente • São Paulo
objetivos a instalação de um showroom de pedras preciosas na cidade baiana de Brumado, desenvolver um projeto de plantio de
oliveiras no estado, além de estimular a exploração e a comercialização de esmeraldas, pedra
preciosa extremamente valorizada internacionalmente.
No mês passado, a organização, de acordo com a assessoria
do deputado Maurício Trindade,
em Brasília, encontrava-se ainda em “fase de formalização jurídica”. Mesmo assim, a APABI já
contaria com 85 deputados federais. Para Trindade, a recém-criada Associação Itália-Brasil “só
vem consolidar a maior cooperação entre os países, estreitando
as relações dos parceiros comerciais”. Também existe, em Brasília, o Grupo Parlamentar Brasil-
Setembro 2009
/
Itália, presidida pelo deputado
Ricardo Barros (PP-PR). Foi criado em 1979 e é constituído por
198 parlamentares.
Porta ressalta que a nova associação e a que está em fase de
formalização jurídica são “duas
coisas totalmente diversas”:
— A associação promovida
por meu colega Scilipoti é um
grupo de deputados que, por diversas razões, escolheu dar vida
a uma entidade que faça referência às relações entre Itália e Brasil, da qual também faço parte.
Já a recém-nascida Associação
Itália-Brasil pretende ser muito mais. Reúne empreendedores,
operadores sociais, profissionais
italianos e brasileiros que acreditam fortemente nas perspectivas de sua profícua relação —
afirma Porta.
ComunitàItaliana
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depoimentos / 15 anos
Alyrio Cavallieri, ex-desembargador do Tribunal de Justiça do Rio
“Ho già una collezione di tazze, il gadget dato quando si rinnova l’abbonamento a Comunità, ma oltre
alle tazze la rivista è diventata un fatto atteso ogni
mese. Quando è stata raccontata la storia della mia
famiglia nello spazio Il Lettore Racconta i Cavalliere
(con due “l” e nessun cavallo) la rivista è cominciata
a passare di mano in mano tra tutti i clan oriundi dal
vecchio tronco italiano. Mi piace molto essere abbonato di Comunità. Oltre al supplemento letterario,
che è una preziosità, la diversità di temi affrontati ne
fanno, per noi, una rivista all’altezza delle pubblicazioni brasiliane di qualità. A tutti coloro che lavorano
a Comunità, auguri!”
Alyrio Cavallieri, ex giudice del Tribunal de Justiça do Rio
“Conseguir, só por meio de uma revista, antes interessar e depois
informar uma “comunidade italiana” que tem a característica de
ser um mosaico de cartões multicoloridos e diferentes
uns dos outros, já seria uma MISSÃO IMPOSSÍVEL! A revista, com material formidável para todos os tipos de
cultura, edição luxuosa e criativa, alimenta com fartura o sempre presente orgulho de ser italiano. ComunitàItaliana conseguiu dobrar – com informações que eu
chamaria de “cirúrgicas” – a resistência do verdadeiro
italiano, que sempre fala mal (ops... critica construtivamente) a Itália e, ainda mais, o Brasil, não necessariamente nesta ordem. Bravo, Cavalier Pietro Cruise!
Com grande orgulho de merecer a sua consideração”.
“Riuscire con una sola rivista a interessare prima, e informare dopo una “comunitá italiana” che si distacca per essere un mosaico
di tessere coloratissime e differenti una dall´altra era
veramente una MISSIONE IMPOSSIBILE! La tua rivista,
con materie formidabili per tutti i tipi di culture, edizione lussuosa e creativa, alimenta con abbondanza il
sempre presente orgoglio di essere italiani. Comunitá
Italiana é riuscita a piegare con informazioni direi
“chirurgiche” la resistenza dell´italiano vero che sempre parla male (ops critica costruttivamente”l´italia e
ancora di piú il Brasile, non sempre in questo ordine. Bravo Cavalier Pietro Cruise! Con grande orgoglio
di meritare la tua stima”.
Rodolfo Teichner, empresário
Rodolfo Teichner, imprenditore
“Felicito a Comunità pela persistência. É difícil
acompanhar um veículo de comunicação por tanto
tempo, mas o sucesso da revista durante esses 15
anos prova que o trabalho tem consistência e é bem
feito. Gosto muito de poder participar das atividades
da comunidade italiana. No Brasil, é praticamente
impossível que alguém não tenha um amigo italiano. É lindo ver como eles demonstram e vivem o
amor a sua terra original sem esquecer ou desprezar
as conquistas e a vida aqui no Brasil. A Comunità
resgata e valoriza isso”.
Stepan Nercessian, vereador do município do Rio de Janeiro
“Faccio i miei complimenti a Comunità per la sua persistenza. È difficile seguire una media di communicazione per tanto tempo, ma il successo della rivista durante questi 15 anni prova che il lavoro è consistente
e ben fatto. Mi piace molto di poter partecipare alle
attività della comunità italiana. In Brasile è praticamente impossibile che non si abbia un amico italiano.
È bellissimo vedere come gli italiani dimostrano e vivono l’amore per la loro terra originale senza dimenticare o disprezzare le conquiste e la vita qui in Brasile.
La rivista Comunità recupera e valorizza tutto questo”.
“Faccio i miei auguri alla Rivista ComunitàItaliana
per i suoi 15 anni di successo, desiderando lunga vita
a questo mezzo di comunicazione che mantiene forti
i legami che uniscono le nostre due patrie, dandoci
informazioni, arte e cultura”.
Roberto Monzo Filho, Correspondente
Consular da Itália em Barra do Piraí – RJ
Roberto Monzo Filho, Corrispondente
Consolare d’Italia a Barra do Piraí – RJ
Mais depoimentos em homenagem aos 15 anos da Comunità chegaram à Redação. Publicaremos todos ao longo do ano. Grazie a tutti!
ComunitàItaliana
/
Agosto 2009
Câncer 1
C
Vacina
ientistas da Washington University de St.
Louis, nos Estados Unidos, desenvolveram um método que usa veneno de abelhas
para matar células cancerosas, ao mesmo tempo em que deixa células saudáveis intactas.
Os pesquisadores acoplaram a toxina melitina, presente no veneno de abelhas, a moléculas que batizaram de “nanoabelhas”. Depois
disso, essas “nanoabelhas” foram introduzidas
em ratos com tumores. As partículas atacaram
e destruíram apenas as células cancerosas,
protegendo outros tecidos do poder destrutivo da melitina. “As nanoabelhas ‘voam’, pousam na superfície das células e depositam sua
carga de melitina que rapidamente se funde
com as células-alvo”, explica um dos autores
do estudo, Samuel Wickline, que lidera o Centro Siteman de Excelência em Nanotecnologia.
O
Instituto Butantan, em São Paulo,
recebeu da Organização Mundial de
Saúde, no mês passado, a matéria prima
para a fabricação da vacina contra a gripe suína. A previsão é de iniciar os testes em outubro. A expectativa é produzir
cerca de 30 milhões de doses contra a
doença até janeiro de 2010. Segundo o
ministério da Saúde, o número de mortos pela doença chegou a 192. Até 12
de agosto, o país registrou 0,09 mortes
em cada grupo de 100 mil habitantes,
o que significa que o Brasil tem a segunda menor taxa de mortalidade entre
os 15 países com mais óbitos provocados pela gripe no mundo. O ministro da
Saúde, José Gomes Temporão, voltou a
descartar a venda de Tamiflu nas redes
de farmácia. “Não se pode usar indiscriminadamente o medicamento disponível
para tratar uma doença cujo vírus causador pode vir apresentar uma mutação
tornando-a mais grave. Casos de resistência já foram reportados no Canadá, no
Japão, na Dinamarca e na China. Além
disso, pesquisas recentes feitas nos Estados Unidos indicam que o vírus da influenza sazonal A, já apresenta 99% de
resistência ao oseltamivir”, afirma.
Câncer 2
P
esquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos,
comprovaram que amamentar aumenta
a proteção de mães com alto risco para
câncer de mama. Mais de 60 mil mulheres
antes da menopausa foram monitoradas
por oito anos. Entre as que têm parentes de primeiro grau com câncer de mama, aquelas que amamentaram têm uma
chance de 59% menor de desenvolver a
doença antes da menopausa. Os pesquisadores ainda não conseguiram explicar
completamente as causas da proteção.
Acredita-se que as alterações que acontecem na mama durante esse período,
como aumento de volume das glândulas,
estejam envolvidas no processo.
Variação do HIV
P
esquisadores da Universidade de Rouen, na França, identificaram uma nova variante do vírus HIV, causador da Aids,
aparentemente transmitida aos humanos
por gorilas. A nova variante foi identificada
em uma mulher de 62 anos do Camarões,
no oeste da África. A paciente é portadora do vírus, mas, apesar de nunca ter sido
tratada, não demonstra sinais de ter desenvolvido Aids, afirmam os pesquisadores.
Os pesquisadores alertam para a contínua
necessidade de se observar atentamente a
emergência de novas variantes do HIV, especialmente no centro e no oeste da África.
Stepan Nercessian, consigliere comunale di Rio de Janeiro
“Parabenizo a Revista Comunità Italiana pelos seus
15 anos de sucesso, desejando vida longa a esse veículo de comunicação que mantém fortes os laços que
unem nossas duas pátrias, alimentando-nos de informação, arte e cultura”.
42
icpunlimited
“Já tenho uma coleção de canecas, o brinde pela
renovação da assinatura da Comunità, mas além
das canecas, a revista se tornou um acontecimento
esperado a cada mês. Quando na coluna Il Lettore
Racconta a história da minha família, os Cavalliere
(com due “l” e nessuno cavallo) foi publicada, a
revista então passou a circular entre todos os clãs
oriundos do velho tronco italiano. Gosto muito de
ser assinante da Comunità. Além do suplemento
literário, que é uma preciosidade, a diversidade de
assuntos abordados fazem para nós uma revista à
altura das boas publicações brasileiras. A todos
que trabalham na Comunità, Auguri!”
SaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSa
Libido
U
ma pesquisa da Universidade de Florença, na
Itália, afirma que o consumo moderado de vinho tinto pode aumentar a libido sexual feminina. O
estudo foi feito com 798 mulheres entre 18 e 50 anos
na região de Chianti, na Toscana. Todas elas – consideradas sexualmente saudáveis - foram divididas em três
grupos e responderam 19 perguntas sobre sexualidade. O
grupo que apresentou os maiores índices de desejo sexual,
de acordo com as respostas dos questionários, foram o das
mulheres que consomem uma ou duas taças de vinho por dia.
Setembro 2009
Ruivos
U
m estudo publicado na revista especializada The Journal of the American Dental
Association sugere que os ruivos são mais sensíveis à dor por causa da mutação de um gene
que afeta a cor dos cabelos. O gene MC1R produz melanina em pessoas com outras cores de
cabelo, mas, nos ruivos, uma mutação resulta
na produção de outra substância que origina
os cabelos vermelhos. Este gene também está
ligado a uma família de receptores que inclui
os responsáveis pelos sinais de dor no cérebro
e, por isso, a mutação parece afetar a sensibilidade do corpo. O estudo concluiu que os
ruivos têm duas vezes mais chances de evitar
cuidar dos dentes por causa da dor.
/
ComunitàItaliana
43
L
a Sociedade Esportiva Palmeiras di São Paulo ha lanciato una
terza divisa del Palestra. La nuova maglia III ha più storia
di quanto i tifosi possano immaginarsi. Sul davanti lo scudo è lo
stemma ufficiale della famiglia reale italiana, la croce di Savoia,
il primo simbolo della squadra di tutti i tempi. L’azzurro della maglia, chiamata anche maglia azzurra palestrina, è un omaggio alla
squadra Azzurra italiana.
Calcio 1
L
a Confederação Brasileira de Futebol il mese scorso ha fornito il certificato di professionalismo al Gavião Kyikatêjê Futebol Clube. Si tratta di una nuova squadra di calcio guidata da
Zeca Gavião, indio della tribu Kyikatêjê che vive nel comune di
Marabá. La squadra parteciperà al campionato della Serie B dello
stato del Pará.
Giovani
N
ei giorni 23 e 24 del prossimo ottobre verrà realizzato a São
Paulo il secondo incontro dei Giovani Veronesi nel Mondo
del Sud America. La meta è ampliare le conoscenze tra i membri
dell’entità e condividere progetti comuni. Il presidente del gruppo, Ricardo Ceni, ha reso nota una lettera di invito a partecipare, mettendo in risalto che sono invitati anche giovani di altre
associazioni venete.
Barista
B
rasília ha un nuovo punto di incontro per gli amanti della
cultura italiana: il Parlando Italiano, una specie di centro
culturale dove sono realizzati vari corsi. Il 25 e 26 settembre, per
esempio, sarà realizzato il 30° Corso di Barista di Brasília, con
Antonello Monardo e Sulayne Shiratori.
Immigrazione italiana
I
l giorno dell’Immigrante Italiano nello Stato di Rio de Janeiro
è stato ricordato all’inizio del mese dalla comunità in una cerimonia solenne, che ha avuto luogo accanto al busto dell’imperatrice Teresa Cristina, nella Praça Itália, vicino al consolato italiano al centro di Rio. Coordinato dalla Sociedade Ital-Rio, l’evento
ha contato sulla presenza del direttore di Comunità, di Julio Cezar Vanni e del consigliere comunale Stepan Nercessian tra le varie personalità.
— E’ un’allegria immensa riunire cosí tante persone per celebrare l’arrivo degli italiani a Rio. E’ il segno che dimostra che
la cultura italiana rappresenta diverse sfere e può ancora essere
festeggiata e arricchita dalle nuove generazioni — ha dichiarato Vanni.
Il direttore di Comunità si è fatto presente anche alla festa in
commemorazione dell’immigrazione italiana a Pequeri (MG), dove
è stato premiato. All’evento Vanni ha lanciato il suo libro Tutti
Buona Gente – Italianos na Zona da Mata. L’incontro solenne ha
contato sulla presenza del vice governatore di Minas Gerais, Antonio Augusto Anastásia, e dell’ex presidente della Repubblica,
Itamar Franco.
Escrito nas
estrelas
Evento astronômico no Brasil traz ao
país um dos mais reconhecidos astrofísicos
italianos para falar sobre as descobertas
de Galileu Galilei e a evolução da ciência
C
omo se não bastasse ter
o título de Cidade Maravilhosa, o Rio de Janeiro, em agosto, também
ganhou o título de capital mundial da astronomia. Cerca de dois
mil astrônomos de mais de 70
países se reuniram para participar da XXVIII Assembleia Geral
da União Astronômica Internacional (IAU), realizada pela primeira vez no Brasil. A Itália não
poderia ficar de fora de um evento como este. O astrofísico Franco Pacini deu a sua contribuição
falando sobre as descobertas de
Galileu Galilei e a evolução dos
estudos astronômicos até hoje.
— A astronomia sempre foi
importante para todos os povos
da Terra. Esta assembleia ocorre
em diferentes lugares e, desta vez,
era a vez da América Latina. Por
aqui não acontecia um congresso de astrônomos há 20, 30 anos.
Nayra Garofle
Por esse motivo foi justo escolher
o Rio. O Brasil está crescendo muito no campo da astronomia e isso
é de um reconhecimento internacional — diz Pacini.
A cada três anos, astrônomos
associados pela IAU se reúnem
para avaliar as mais recentes observações e para organizar ações
cooperativas internacionais. Em
2009, se comemora o Ano Internacional da Astronomia, em lembrança aos 400 anos do primeiro
uso astronômico de um telescópio, realizado pelo cientista italiano Galileu Galilei.
— Galileu tinha um telescópio
muito pequeno, para os padrões
atuais. O telescópio tinha pouco mais do que dois centímetros
de diâmetro e ele descobriu tudo aquilo que pode descobrir com
esse instrumento. Esta é a lição.
Os astrônomos estão interessados
não somente em saber se há ou-
tros planetas, mas, sobretudo, em
entender a evolução do universo.
Isso significa, hoje, saber como
nasceu o sol, como nasceu a via
Láctea, a galáxia, o universo —
afirma Pacini que, além de abrir a
Assembleia, proferiu uma palestra
no Planetário da Gávea.
Na palestra, ele falou justamente sobre a evolução dos telescópios. Pacini explicou, a astronomia precisa de telescópios
maiores, que permitam olhar
através de outros tipos de radiação, como as infravermelhas. Pacini informou que, no Chile, uma
série de telescópios está sendo
construída na altura de 5.300
metros acima do nível do mar:
— A América Latina está se
tornando um ponto chave na astronomia mundial — completa.
Pacini nasceu em Florença,
em 1939 – mesma cidade italiana
onde Galileu Galilei morreu, em
1642. Seu interesse pela astronomia surgiu quando ele era ainda
criança. Durante um passeio com
sua mãe, seu irmão e uma amiga
de sua mãe pelas colinas, ele percebeu uma estrela muito brilhante. A amiga de sua mãe, ao notar
a curiosidade do menino, explicou que não se tratava de uma
estrela, mas de um planeta e o
ensinou a reconhecer alguns.
— Ela me emprestou vários livros, entre eles Il libro di Ucrania,
de Mentore Maggini, que ainda hoje pode ser considerado uma obra
belíssima e ideal para a divulgação
da Astronomia. Naquela época, escrevi para Giorgio Abetti, diretor
do Observatório de Arcettri, pedindo que me aconselhasse a leitura de alguns livros. Ele me respondeu, eu continuei a ler e a me
interessar cada vez mais — conta.
Em 1964, Pacini se formou
em física pela Universidade de
Roma. Em 1997, recebeu o Premio della Presidenza del Consiglio
per la Scienza. O renomado astrofísico italiano foi presidente da
União Astronômica Internacional
de 2001 a 2003. Como forma da
comunidade científica reconhecer seu trabalho, um asteróide
(um corpo menor do sistema solar) – o de número 25601 - foi
batizado com o seu nome.
— Certamente, quando eu
era uma criança de 10 anos não
poderia imaginar que me tornaria presidente dos astrônomos do
mundo. Quanto ao asteróide com
o meu nome, isso não significa
muito, mas é uma tradição da
União Astronômica Internacional
— diz ele humildemente.
Entre os vários projetos vinculados ao seu nome, que participa
em colaboração com outros países, está a construção do Large
Binocular Telescope (LBT), um dos
maiores telescópios ótico já feito.
O trabalho está sendo realizado no
Monte Grahan (EUA).
Fotos: Roberth Trindade
Calcio
astronomia
Setembro 2009
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ComunitàItaliana
45
arquitetura
Fotos: Claudio Cammarota
Quando
il tempo
si ferma
La Villa è stata costruita con materiale riutilizzato da vecchie costruzioni
Villa a São Paulo conserva le caratteristiche
di un tipico rifugio italiano degli anni ‘40
Tatiana Buff
C
Correspondente • São Paulo
amminando per la città
di São Paulo, nel punto
in cui si incrociano due
importanti arterie molto trafficate, piene di grattacieli, chi vuole può tornare indietro
nel tempo o fermarlo. E per farlo
è sufficiente varcare i portoni di
Villa Anna, situata fra le vie Doutor Arnaldo e Heitor Penteado
nel quartiere Sumarezinho. Là il
calendario torna indietro al 1945
e i visitatori sono come trasportati in un tipico rifugio italiano.
Villa Anna è formata da cinque case gemelle, oltre alla
principale. Sono state tutte costruite usando materiali riciclati provenienti da demolizioni
di edifici pubblici e privati. Costruita da Tomás Ângelo Morrone
(1894-1958), la villa oggigiorno
è adibita ad uffici e ambulatori.
All’ingresso un piccolo arco dà
accesso ai primi piani, che sono pittoreschi e assomigliano a
quelli originari delle piccole città
italiane. In questo caso ci riferiamo all’Abruzzo, alla Campania
e al Molise, da dove sono emigrati gli antenati di Carmen Morrone
Costella di 81 anni, proprietaria
46
della villa e matriarca di una numerosa famiglia di sette figli.
— Mio nonno Nicola Morrone
ha lasciato l’Italia nel 1894. Prima era andato a tentare la fortuna in America dove aveva lavorato nelle miniere di carbone. Ma
là aveva contratto alcune malattie dovuto al tipo di lavoro, e si
era spostato in Brasile. A questo
punto mia nonna, Carmela Mango
Morrone, si è trasferita qua. Vendevano formaggi nella provincia
di Campobasso — racconta con i
suoi chiari occhi celesti la signora Carmen, che è professoressa,
infermiera e usa internet come
tutte le donne moderne.
A São Paulo Nicola ha cominciato a lavorare come appaltatore-costruttore per alcuni
ingegneri del calibro di Ramos
de Azevedo, costruendo edifici
al centro della città e nel nuovo quartiere vicino, Bixiga, zona
già all’epoca tipicamente italiana. La coppia di immigranti ha
avuto sei figli. Uno dei figli era
Tomás Ângelo Morrone che poi si
è sposato con Anna Russo, napoletana – e sono loro i genitori
della signora Carmen.
ComunitàItaliana
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Setembro 2009
Riutilizzare
Il percorso professionale di successo del primo emigrante nel
periodo della crescita economica e immobiliare, con una popolazione che aumentava a ritmo vertiginoso nella capitale
paulista, fu continuato dal figlio
Tomás Ângelo. Durante il decennio 1930-40 l’appaltatore, come
il padre, faceva lavori per il comune, per varie fondazioni e per
clan tradizionali della città come la Escola de Comércio Álvares
Penteado, fondata nel 1902.
Tommaso nei lavori che faceva riutilizzava alcuni elementi
che presentavano una bellezza e
durabilità incredibili. Usando dei
materiali destinati alla pattumiera il costruttore di Villa Anna ha
lasciato nella casa l’impronta del
valore del lavoro, il senso della
collettività, della solidarietà e
l’utilizzo del bene comune, “trasmesso attraverso il DNA” a partire dalla terra d’origine, dove i
cittadini da molto tempo conoscono il significato del lavoro e
dell’irrazionalità dello spreco.
A quei tempi lui non si preoccupava della sostenibilità, parola
così di moda adesso. Negli anni
tra il 1942 e il 1945 il suo obbiettivo è stato soltanto quello di
costruire la casa per la sua famiglia. Dopo la costruzione della
residenza principale davanti alla
via Heitor Pentendo, Morrone ha
cominciato a costruire delle case
nell’enorme cortile, con l’obiettivo di produrre una rendita aggiuntiva. Cosí hanno cominciato
ad affittare la Villa ai conterranei.
— A quei tempi Sumaré era
un luogo deserto, non c’era niente, e case neanche a pensarci.
Mi ricordo quando ero bambina,
i miei zii raccontavano che qui si
veniva a cacciare quaglie e pernici. Il nome del quartiere viene
da tutto questo – ricorda con tenerezza la signora Carmen, che è
rimasta vedova cinque anni fa.
Nell’armonia del complesso
di Villa Anna saltano agli occhi
pezzi originali e dettagli della
struttura che evidenziano che
la creatività non compete con il
buon gusto. Una grande finestra
antica lavorata in ferro diventa
un elemento decorativo di ventilazione in un ingresso meno largo e più profondo, sotto il breve
corridoio che unisce la residenza principale alla prima casa, costruita dopo il matrimonio della signora Carmen. Lo spazio, di
600 metri quadrati, era il luogo
delle riunioni familiari e delle feste, e là si tenevano le lezioni di
ballo, nel salone attiguo, al coperto. Ed anche il piccolo bar colorito che si trova sotto la scala
dell’ingresso, era stato costruito
con materiale riciclato.
— Noi oggi vorremmo che
questo spazio fosse trasformato in luogo per eventi, incontri
culturali e serate musicali, come
facevano i nostri nonni e i nostri padri per la famiglia — dice
Tibério Morrone Costella, penultimo dei sette figli di Carmen,
che lavora come amministratore
aziendale specializzato in marketing e gestisce Villa Anna, dove ha anche sede l’ufficio Timamoco de Representações e Assessoria Comercial.
Tibério e la madre Carmen Morrone
In fondo al cortile le porte vintage di due case si aprono rivelando, attraverso piccole
finestre chiuse da vetri, che sono di legno massiccio e mostrano, allo stesso tempo, le insegne
della Escola de Comércio Álvares Penteado, bel reperto storico
di rispetto e prestigio. Finestre,
porte, grondaie fatte con tegole
rotonde antiche, vetrate, maioliche decorative e cancelli lavorati
sono sparsi nelle parti comuni e
interne della villa, e i corridoi e i
muri sono completamente decorati con diverse specie di fiori e
con bei vasi di piante – ricordando la realtà urbana italiana.
Sul muro laterale della zona destinata al parcheggio della villa – nel cortile centrale dei
cinque palazzetti - una delicata
nicchia adornata con la pianta
medicamentosa uncaria tomentosa e fiori, di cui si prende cura
tutti i giorni Tibério Morrone, accoglie l’immagine della Madonna
del Carmine. La Santa richiama
l’attenzione degli inquilini, dei
clienti e dei visitatori e fedeli che trovano un momento per
pregare durante la giornata.
Gli artefici della famiglia
L’edificio è stato mantenuto e
conservato dalla signora Carmen
e dal marito, il dentista chirurgo Antônio Haroldo Costella originario del Veneto. Si sono sposati l’8 dicembre del 1950. Hanno avuto sette figli che gli hanno
dato già 14 nipoti.
— Mio padre era milionario
quando si sposò nel 1928. Lavorava con mio zio a São Paulo prima del crollo della borsa di
New York. Il mio zio più grande
aveva delle terre a Jaboticabal,
dove coltivava caffè e produceva
zucchero. Ma con la crisi... —
racconta la matriarca. — Allora tutti si riunirono qua e mio
nonno ipotecò il palazzo che
possedeva in via Santo Antônio.
Poi non riuscì a pagare i debiti e perse l’immobile. E la famiglia traslocò a via Barata Ribeiro, nello stesso quartiere, con
l’aiuto del clan Russo, di Napoli.
E’ stato dopo che sono arrivati a comprare il terreno e hanno
cominciato la costruzione della
villa a Sumarezinho.
Anche la famiglia Russo,
che apparteneva al lato materno della signora Carmen, collaborò all’espansione economica e
culturale della capitale paulista.
Setembro 2009
/
Pasquale Russo, il nonno, fu famoso artefice – scultore, pittore,
disegnatore e decoratore – di innumerevoli opere pubbliche negli anni ’30 e ‘40, fra cui il Teatro Municipal, la Igreja de Santa
Cecília e l’Hotel Parque Balneário
di Santos. Contattato dalla Compagnia Sparapane, che lavorava
per l’amministrazione municipale, per famiglie e per imprese,
creò, decorò e dipinse affreschi,
parti interne e volte di edifici.
Anna Russo Morrone, e la villa si chiama così in suo omaggio
– madre della signora Carmen,
morta 26 anni fa – ha trasmesso
una eredità estetica: il gusto per
l’arte. Nata a Napoli nel 1906, la
poetessa e artista plastica arrivò
in Brasile a 6 anni. Studiò con il
padre Pasquale, studiò canto e fu
alunna della Associação Paulista
de Belas Artes. Impartí lezioni
alla Bienal de São Paulo, partecipò ad innumerevoli esposizioni
e ricevette vari premi negli anni ’60 e ’70. Anna Russo ha delle
sue opere esposte nel Museu do
Chile e in vari stati brasiliani. In
Olanda, in Italia e in Portogallo i collezionisti hanno comprato
suoi quadri e xilografie.
Nella famiglia Morrone Costella l’educazione è il mezzo per
mantenere il vincolo con l’Italia.
Cinque figli hanno studiato nel
tradizionale Colégio Dante Alighieri e tutti hanno imparato o
hanno avuto contatti con la lingua italiana. La metà dei nipoti ha fatto gli studi nella stessa scuola. Per la signora Carmen
mantenere il contatto con l’Italia è “imprescindibile”, usando le
tradizioni, le abitudini, le amicizie, i viaggi e la lingua che lei
parla fluentemente.
ComunitàItaliana
47
livro
Livro resgata textos de Lina Bo Bardi, arquiteta ítalo-brasileira responsável pela
criação de projetos que se tornaram ícones da cidade de São Paulo
Ana Bizzotto
Correspondente • São Paulo
A
utora de projetos arquitetônicos consagrados como o Museu de Arte de
São Paulo (Masp) e o Sesc
Pompeia, na capital paulista, a
ítalo-brasileira Lina Bo Bardi produziu também um número considerável de textos, fotografias e
desenhos que demonstram a evolução e a inovação das ideias de
uma artista consciente do seu papel transformador do contexto urbano e do cotidiano das pessoas.
Parte desse legado foi reunida no livro Lina por Escrito, lançado mês passado em São Paulo. Com 33 textos originalmente
publicados em periódicos e jornais diários, dos anos 40 até a
década de 90, a obra evidencia a
capacidade que a arquiteta teve
de traduzir em palavras o talento
para criar e refletir para além da
própria obra.
48
— A Lina foi uma intelectual total, polivalente, debateu a
arquitetura dela, mas também a
política, a cultura. Foi uma pensadora do Brasil — afirma a antropóloga e professora da Unicamp Silvana Rubino, uma das
organizadoras do livro.
Outra organizadora da edição, a arquiteta Marina Grinover,
está pesquisando para sua dissertação de mestrado as ideias
que estão por trás do que foi publicado por Lina Bo Bardi. Para
isso, fez um trabalho de levantamento e catalogação dos textos:
— Ao longo dessas leituras,
fui percebendo que a formação
italiana foi muito estrutural para
aquilo que ela passou a escrever.
Nos 50 anos em que ela escreveu,
as questões da arquitetura mudaram muito no mundo inteiro. Ao
mesmo tempo em que ela trouxe
uma serie de ideias na bagagem,
foi transformando tudo isso aqui
no Brasil e nos diálogos que fazia
com a Itália.
Nascida em Roma em 5 de
dezembro de 1914 e batizada no
ComunitàItaliana
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Setembro 2009
Vaticano como Achillina di Enrico Bo, Lina contrariou os padrões
ao decidir cursar Arquitetura na
década de 30, período em que o
curso era totalmente voltado ao
público masculino. Após se formar na Universidade de Roma,
iniciou sua trajetória profissional
em Milão, na revista Stile, editada por Giò Ponti.
Ela ilustrou capas e páginas
internas da revista, que também
contava com a colaboração do seu
futuro marido, Pietro Maria Bardi,
que era jornalista, crítico de arte,
dono de galeria e colecionador.
Ele editava a revista Quadrante,
de orientação fascista, no período em que o início da arquitetura
moderna na Itália foi marcado pela instauração do nazismo no país.
No início da carreira, na Itália, Lina também foi ilustradora e
colaboradora de jornais e revistas como Tempo, Grazia, Vetrina
e l’Illustrazione Italiana, além
de editar a coleção Quaderni de
Domus. No dia 13 de agosto de
1943, um grande bombardeio foi
lançado sobre Milão e destruiu o
escritório de Lina. A partir deste
episódio, ela entrou para o Partido Comunista clandestino e o
apartamento de sua família tornou-se um ponto de encontro de
artistas e intelectuais italianos.
Lina se casou com Bardi em
1946 e os dois se mudaram para o Brasil no mesmo ano. O país tropical e jovem que recebia o
casal vindo de uma Itália destroçada pela guerra se tornou sua
pátria. Pouco tempo depois, se
naturalizaram brasileiros. De
acordo com Silvana, ela manteve
contato com arquitetos italianos
com quem havia trabalhado, mas
realmente se abrasileirou.
— O Brasil era a promessa
de um mundo novo, tinha terras
para construir, uma burguesia ascendente, condições que talvez
eles não tivessem na Europa para trabalhar do jeito que queriam
— avalia a professora. — Foi
um período em que a arquitetura moderna brasileira estava em
grande evidência no mundo.
As relações políticas estabelecidas por Bardi e Lina quando
Construção do Masp, na Avenida Paulista, em 1968
nema e artes plásticas, e se destacou como designer de móveis,
objetos e jóias, curadora e organizadora de várias exposições.
— O artista plástico Francisco
Brennand disse uma vez que Lina
era ‘a prova de que uma andorinha
só faz verão’. E ela fez esse verão
todo porque sua atuação foi ampla. Ela soube interpretar o contexto urbano e sabia onde e para
que estava projetando — avalia
Silvana. — A grande contribuição
do Niemeyer foi fazer a curva. A
dela foi fazer uma arquitetura rude, sem muito ‘fru-fru’, sem concessão para modismos, com um
despojamento interessante.
O arquiteto Marcelo Ferraz, que
trabalhou com Lina de 1977 até
em 1992, quando ela veio a falecer, considera que a arquiteta exercitava a inteligência de maneira
constante. Ele conta que ela tinha
dúvidas e acreditava nas dúvidas
Lina e sua casa de vidro, tombada
pelo Patrimônio Histórico em 1987
porque era daí que ela vislumbra
soluções. Ferraz participou junto com a arquiteta de um de seus
projetos mais importantes e conhecidos: a transformação da antiga Fábrica de Tambores da Pompéia
em um centro de lazer e cultura do
Serviço Social do Comércio, o Sesc.
O local, que abriga teatro,
restaurante e vários espaços de
convivência, mantém o propósito
idealizado por ela: integrar pessoas de todas as idades em um espaço simples, funcional e democrático. Segundo o arquiteto, ela
não se enquadrava em nenhuma
escola ou estilo arquitetônico.
— Para ela, a arquitetura tinha que atender às demandas da
vida antes de tudo. Ela usava materiais diversos, sem preconceito
e sem formalismo. Tinha muita
liberdade e ao mesmo tempo um
rigor poético.
Instituto
Primeira obra arquitetônica completa de Lina, a Casa de Vidro foi
Francisco Albuquerque, 1952 – Coleção Instituto Lina Bo e P.M. Bardi
(copyright Instituto Moreira Salles)
Traço livre
chegaram ao país contribuíram
para que o casal atuasse na realização de importantes projetos,
como o do Museu de Arte de São
Paulo (Masp), planejado pela arquiteta em 1957 e concretizado
graças à iniciativa de Bardi e de
Assis Chateaubriand.
Além de desenhar o prédio,
famoso pelo vão livre que foi por
muito tempo o maior do mundo, Lina foi responsável por toda a concepção museográfica do
Masp, hoje bastante descaracterizada. Bardi, que dirigiu o museu até 1992, teve papel fundamental para conseguir tirá-lo do
papel – foram mais de dez anos
até a inauguração, em 1968 – e
principalmente para constituir o
importante acervo que ele abriga.
No período em que viveu na
Bahia, entre 1958 e 1964, Lina
fundou e dirigiu o Museu de Arte
Moderna, deu aulas na universidade e projetou o Museu de Arte Popular (1961), contribuindo de forma significativa para a projeção
cultural do estado. Marina conta
que Lina fazia “costuras políticas”, mas sabia manter uma “distância partidária” das relações:
— Ela tanto conversava com
Juracy Magalhães, que era governador da Bahia, quanto com alunos e artistas para discutir questões relacionadas com a cultura.
Lina manteve intensa atividade em todas as áreas da cultura.
Projetou a sede do Teatro Oficina,
em São Paulo, e também desenhou cenário e figurino de várias
peças encenadas neste e em outros espaços. Trabalhou com ci-
Setembro 2009
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projetada em 1950 para ser a residência do casal. Em dois artigos
do livro Lina por Escrito, ela explica que não foram procurados efeitos decorativos ou de composição
para a casa. “O objetivo é a sua
extrema aproximação com a natureza por todos os meios”, explica.
Ela conseguiu o feito, visto
que a construção, famosa por suas paredes de vidro e pelo vão que
ocupa a parte inferior, se integra
harmonicamente com a floresta
de mata atlântica que a circunda.
Tombada como patrimônio
histórico em 1987, a casa abriga
hoje a sede do Instituto Lina Bo
e Pietro Maria Bardi, fundado pelo
casal em 1990 com o nome de Instituto Quadrante. O objetivo dos
dois era que o espaço divulgasse
o trabalho e o acervo reunido por
eles e se tornasse um centro de
estudo e pesquisa. O instituto foi
dirigido de 1993 a 2001 por Marcelo Ferraz. No momento, está fechado ao público para manutenção e restauração da estrutura da
casa. Enquanto isso, a equipe do
instituto continua o trabalho de
catalogação dos cerca de 7.500
desenhos e 17 mil fotografias da
arquiteta. Além disso, foi iniciado
um trabalho de organização do arquivo de Pietro Maria Bardi.
— Ele foi um homem extremamente inovador para a cena cultural brasileira. Estamos tentando
por em ordem todo o material e
começar uma série de pesquisas
que permitirão entender a importância dele para as artes no Brasil
— explica a atual diretora do instituto, Anna Carboncini.
ComunitàItaliana
49
Milão
livro
Tratado escrito no século 16 por Andrea Palladio somente agora ganha
versão em português e comprova a genialidade do arquiteto italiano
E
Nayra Garofle
studiosos,
curiosos
e
amantes brasileiros da arquitetura acabam de ganhar um presente: a tradução para o português do tratado
I Quattro Libri dell´Architettura,
do italiano Andrea Palladio
(1508-1580). Organizado pelo
arquiteto e professor do departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São
Paulo, Joubert José Lancha, o
texto foi publicado pela primeira
vez em Veneza, em 1570. Além
disso, no Rio de Janeiro, os cariocas foram contemplados com
uma exposição. A mostra “Forma
e composição nas vilas de Andrea Palladio” poderá ser vista
no Centro de Arquitetura e Urbanismo (Cau), em Botafogo, até
9 de outubro, em comemoração
aos 500 anos de nascimento de
Palladio, ocorrido em 2008.
— A repercussão e a influência da arquitetura de Palladio na
Europa e, posteriormente, nos Estados Unidos devem-se não tanto
à sua obra edificada, mas fundamentalmente à incrível capacidade comunicativa de seu tratado.
Esta é a primeira tradução em língua portuguesa, um trabalho de
longo período que envolveu diversos profissionais e cobre uma
lacuna editorial em nosso país —
diz Lancha, que há 19 anos estuda a arquitetura de Palladio.
Segundo Lancha, os quatro
livros que formam o tratado possuem uma estrutura interna que
serve de fio condutor para a leitura e o entendimento de toda a
produção arquitetônica do autor.
Andrea di Pietro della Gondola, nasceu em Padova, em 1508.
Teve seus ensinamentos patrocinados pelo polímata Gian Giorgio Trissino, que reconheceu o
talento do jovem o qual lhe deu
o nome de Palladio. Considerado
um dos principais arquitetos do
Renascimento italiano, sua arquitetura se mostrou, para muitas gerações, como a “verdadeira
encarnação da tradição clássica”.
A sua criação mais famosa é La
Rotonda, considerada um resumo
da arquitetura Palladiana.
O projeto, que inclui um domo que se eleva acima de um
Mostra de Palladio será
exposta até 9 de outubro
cubo, é simples e recebeu reconhecimento imediato pela perfeita harmonia com a paisagem
ao redor. No Brasil, o professor identifica “ressonâncias” de
Palladio na arquitetura de vilas:
— Mais especificamente em
São Paulo, algumas sedes de fazendas e sítios coloniais são elaboradas com uma planta bastante próxima à tipologia de vila. Um eixo central de simetria
e dois corpos laterais; a entrada
por uma varanda que é uma espécie de loggia que antecipa a entrada para a sala central — explica o arquiteto — Porém, a ressonância da arquitetura de Palladio
pode também ser observada em
outras regiões como no caso do
Palácio da Cidade no Rio de Janeiro e em vários edifícios onde
a tradicional fachada tripartida
recebe ao centro uma ordem de
colunas podium e frontão.
Lancha sente dificuldade em
citar a obra de Palladio que mais
admira. O professor conta que,
entre as vilas, a Emo, chama a
sua atenção por funcionar como
uma síntese da ideia palladiana
de vila.
— Sua enorme e linear arcada é incrivelmente bela e se coloca dos dois lados da “casa de
vila” que é organizada através de
um grande eixo de simetria que
além de definir a composição do
edifício funciona na demarcação
do território. Outra obra admirável de Palladio é a Basílica Palladiana. Localizada no centro da
cidade de Vicenza, essa é sua primeira obra pública, que merece
um olhar atento por toda a história e o vínculo desse edifício
com a cidade — relata.
A exposição no Centro de
Arquitetura e Urbanismo do Rio
de Janeiro é uma iniciativa da
Prefeitura da Cidade, da Secretaria Municipal de Urbanismo e
do Instituto Italiano de Cultura.
A exposição é resultado de um
amplo estudo desenvolvido por
Lancha junto a um grupo de pesquisa, o Grupo Quadro, o qual é
coordenador na USP. Estão reunidos nessa mostra 23 maquetes
em madeira que discutem a ideia
de forma e composição nas vilas
de Andrea Palladio.
— As maquetes não procuram reproduzir o edifício em miniatura, mas são constituídas por
partes que trazem à tona a lógica
proporcional e compositiva empregada pelo arquiteto nos seus
projetos — explica Lancha.
Expo 2015
A
Pedala, pedala
A
s montanhas italianas não ganham destaque apenas no inverno. No outono que
chega, elas continuam atraindo os esportistas de fim de semana. Na falta de esquis, a turma pega a bicicleta e pedala. Primeiro, os ciclistas sobem a montanha,
depois descem por trilhas abertas nos bosques e nas pistas secas de esqui. As cidadezinhas
que vivem do turismo já atentaram para tendência e passaram a alugar bicicletas e equipamentos de segurança para quem tiver fôlego e vontade de curtir a natureza.
epois de gastar 26 milhões de euros, nos
últimos três anos, para limpar as pichações dos prédios e monumentos da cidade, Milão cansou. Em 2006, a campanha “Eu lavo
Milão”, levou à limpeza gratuita de 26 mil das
40 mil construções na cidade. Agora, grátis
vai ser apenas o primeiro esfregão. Os outros
serão cobrados aos administradores dos condomínios que queiram se ver livre das pichações. A operação está marcada para começar
neste mês, visando o fim de ano com a cidade
sem os grafites nos mármores e cimentos.
ComunitàItaliana
O Nome da Rosa
A
Guerra e Paz
D
50
contagem regressiva para a Expo 2015
está mudando o perfil de Milão. Prédios
altos surgem a todo instante. Com as modernas técnicas de construção, um arranha-céu
aparece da noite para o dia. Os moradores da
área Garibaldi estão preocupados com a altura
dos novos prédios. A sombra deles vai impedir
o banho de sol. Em nome do progresso, o comune de Milão segue o seu caminho tentando
revitalizar a cidade e, de quebra, alterar um
pouco o skyline da capital lombarda. Parece
que aos incomodados, resta que se mudem.
Giovanni_Dall’Orto
Tradição
clássica
Guilherme Aquino
/
Setembro 2009
igreja Sacra de San Michele fica pertinho de Turim, por sua vez, a cem
quilômetros de Milão. Um passeio ao antigo monastério vale a pena. As ruínas
relembram um passado cheio de mistérios. O local foi cenário do livro O Nome da Rosa, de Umberto Eco, que depois
virou filme com Sean Connery no papel
principal. Durante o outono, a vegetação
ao redor fica vermelha e amarela e dá um
toque surrealista ao panorama que tem
no monastério um de seus pontos mais
altos antes da cadeia dos Alpes.
Milan e Inter
O
futebol milanês fala português. Os dois
técnicos rivais usam o mesmo idioma em
família: o português Mourinho, da Inter, e o
brasileiro Leonardo, do Milan. E a cada fim de
semana, um dos dois joga em Milão. Eis uma
ótima chance de ver de perto os astros do futebol italiano. Para o calendário dos dois times
basta ir aos sites: www.acmilan.it, www.inter.it
Setembro 2009
/
ComunitàItaliana
51
turismo
Nella Praia do Rosa, in Santa Catarina, osservazione di
mammiferi garantisce movimento turistico durante l’inverno
Sarah Castro
Fotos: Pousadas do Rosa Associadas
“H
a gli occhi dolci e
una pelle morbida –
è come toccare un
soffice panno. Demitizza l’idea che sia un animale
grande e bruto. Da vicino sembra
addirittura un animale indifeso”.
Cosí l’amministratrice Maria Cristina de Souza ha descritto la sua
esperienza di vedere da vicino
una balena. Cosí da vicino da poterla toccare. E non è stata l’unica: ogni anno sempre più turisti
scoprono quest’attrattiva della
Praia do Rosa, a Imbituba (SC).
Fin dal mese scorso l’Área
de Preservação Ambiental (APA)
delle Balene Franche, nella Praia
do Rosa, ha dato inizio alla stagione 2009 di Osservazione di
Balene. L’ Instituto Baleia Franca, la Turismo Vida Sol e Mar e
le Pousadas do Rosa Associadas
(PROA) si preparano quest’anno
per ricevere un numero record di
turisti, come già accaduto negli
ultimi anni. Nel 2008 le richieste
sono aumentate più del 65% rispetto al 2007.
Tra giugno e novembre le balene Franche migrano dalle latitudini più fredde in cerca di acque calde per accoppiarsi e avere
i piccoli. Di solito ritornano nelle
stesse insenature o in piccole baie dove sono nate. Perciò la Praia
do Rosa e buona parte della costa
catarinense sono divenute la culla delle balene Franche. Visto che
nuotano molto vicino alla costa,
possono essere avvistate anche
dalla terraferma. Ma è durante le
osservazioni su barche che sor-
52
Correspondente • Florianópolis
prende il docile comportamento
di questi giganteschi animali. Vederli mentre giocano con i piccoli, facendo vedere le pinne, la coda, saltando o anche allattando
incanta i turisti di tutte le età.
In Brasile il whale watching
ha cominciato a funzionare in
modo organizzato ad Abrolhos,
nella Bahia, nel 1990. Là chi dà
spettacolo sono le balene Jubarte. In Santa Catarina l’attività è
iniziata solo nel 2004. Allora attraeva circa 340 turisti. L’anno
scorso il numero è aumentato a
1259, il che significa un aumento
di più del 275% in quattro anni.
Il Governo del comune e dello stato, oltre ad imprenditori,
ricercatori, albergatori e alla comunità locale, investono in questa modalità di turismo sostenibile per stimolare l’economia della regione in inverno. Con gli incentivi all’ecoturismo e all’osservazione delle balene, il luogo sta
conquistando un nuovo pubblico
ComunitàItaliana
/
Setembro 2009
per mantenere aperte le installazioni turistiche tutto l’anno.
— E’ impressionante scoprire come ora siamo famosi grazie
al turismo ecologico e alla nostra
flora e fauna. Le aspettative per
il 2009 sono ottime e migliorano
ogni anno che passa. Abbiamo
già un gruppo di inglesi prenotati per soggiornare qui questo mese e il prossimo per fare l’osservazione delle balene — racconta Bebela Baldino, imprenditrice
proprietaria della Pousada Morada dos Bougainvilles.
Dovuto all’aumento della domanda, la ditta Turismo Vida Sol
e Mar – primo operatore specializzato in osservazione su barche di balene, con autorizzazione
dell’Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais
(IBAMA) e riconosciuta dall’Instituto Brasileiro de Turismo – sta
per varare una nuova imbarcazione per gite che potrà trasportare 50 passeggeri, invece dei 20
anteriori. Un biologo a bordo garantisce le informazioni sull’educazione ambientale. Le gite durano, in media, un’ora e mezza.
— Questa barca più grande
renderà possibili gite per gruppi di studenti e ricercatori —
dice Enrique Litman, presidente dell’Instituto Baleia Franca e
proprietario della Turismo Vida
Sol e Mar.
Litman inoltre mette in risalto il fatto che le barche di osservazione sono state costruite
apposta per questo fine, e sono
equipaggiate con salvagenti per
tutto l’equipaggio e con un gommone di emergenza. Inoltre mette in enfasi che l’avvicinamento
avviene secondo il comportamento delle balene, “in obbedienza
alla legislazione vigente per la
protezione di questi animali”.
L’osservazione
organizzata
delle balene con fine basicamente di svago ha avuto inizio in California (USA) alla fine degli anni
’40. Oggigiorno conosciuta come
turismo di osservazione di balene, è un’attività già praticata
in più di 90 paesi, che risveglia
l’interesse di più di 10 milioni di
persone ogni anno, tanto della
comunità accademica quanto del
pubblico in generale.
Suoni
da Torino
Gruppo di violoncellisti italiani arriva in Brasile
per la sua prima performance all’estero
T
alento ed amicizia. Questi
sono gli ingredienti responsabili della formazione del
gruppo “Gli otto violoncelli
di Torino”. Il gruppo, creato nel
2005, si è esibito in Brasile il mese scorso per la prima volta fuori
dall’Italia. Sono stati a São Paulo
e a Rio de Janeiro con l’appoggio dell’Istituto Italiano di Cultura dei due stati, in collaborazione
con la Regione Piemonte e l’Associazione Piemontesi nel Mondo
di São Paulo. A Rio “Gli otto violoncelli di Torino” hanno suonato
nella Chiesa della Candelária ed
hanno partecipato al XV Rio International Cello Encounter.
Volendo creare un gruppo di
violoncellisti, unico in Italia, che
fosse caratterizzato principalmente da vincoli d’affetto e di amicizia
fra gli artisti interpreti, Fabrice De
Donatis è entrato in contatto con
alcuni colleghi. E’ nato così l’ottetto di violoncelli formato, oltre
a De Donatis, da Giulio Arpinati,
Massimo Barrera, Alberto Capellaro, Umberto Clerici, Paola Perardi,
Claudia Ravetto e Manuel Zigante.
Il gruppo si è esibito in Italia
varie volte. E De Donatis ritiene
che partecipare a un evento come
il Rio International Cello Encounter
“è la realizzazione di un sogno”.
Nayra Garofle
— E’ la nostra prima performance internazionale. L’evento è
molto importante dal punto di vista sociale perché è gratuito, ed
il fatto di unire la musica ad altre
forme artistiche rende il festival
abbastanza diverso — dice il maestro riferendosi al Cello Dance,
un allargamento del Rio International Cello Encounter, che si avvale della partecipazione di famosi ballerini e coreografi.
Laureatisi con il massimo dei
voti al Conservatorio Giuseppe Verdi di Torino, i musicisti sono allievi del leggendario maestro Antonio Janigro. Sono anche borsisti
dell’Associazione Musicale De Sono, che ha contribuito molto alla
promozione di giovani talenti per
farli giungere sui palchi internazio-
nali. I musicisti dell’ottetto hanno
già una carriera consolidata. Per
esempio il maestro collabora stabilmente con l’Orchestra Sinfonica
Nazionale della Rai e con la Filarmonica 900 del Teatro Regio di Torino. Parlando di musica brasiliana,
è categorico nell’affermare che ammira Caetano Veloso, Tom Jobim,
ma soprattutto Heitor Villa-Lobos,
che scrisse per il violoncello alcune delle sue migliori composizioni.
De Donatis ci dice che, quando è in giro, il gruppo studia
quattro ore al giorno, tutti i giorni. Così tanta disciplina è responsabile della qualità tecnica
dei musicisti, che riescono allo
stesso tempo a trasmettere l’effetto di una orchestra completa,
la sensibilità di un quartetto di
Fotos: Roberth Trindade
Balene a vista
musica
Il gruppo Gli otto celli di Torino a Rio de Janeiro
Setembro 2009
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archi o il ritmo coinvolgente di
una banda dell’America del Sud.
XV International Cello Encounter
L’idea di organizzare il primo incontro gratuito al mondo di violoncelli è nata nel 1994, quando
l’inglese David Chew, che all’epoca già abitava in Brasile, è venuto
a conoscenza della storia vissuta
dal suo collega di violoncello Vedran Smailovic. Smailovic faceva
parte dell’Orchestra dell’Opera di
Sarajevo ed è stato testimone della morte di 22 persone vittime di
un’esplosione durante la guerra in
Bosnia. A partire da quel momento ha deciso di usare la sua musica
a favore della pace, ed ha suonato
nelle strade di Sarajevo, 22 giorni
di seguito, in omaggio ai morti.
Chew ha invitato Smailovic a
suonare in Brasile. Si sono uniti
ai due musicisti alcuni colleghi di
orchestre straniere, e così si è formata la prima edizione dell’evento
che rendeva omaggio al maestro
carioca Heitor Villa-Lobos, la cui
opera aveva attratto il violoncellista inglese in Brasile nel 1981.
Dalla prima edizione del 1994,
l’incontro ha realizzato più di 500
concerti, riunendo circa mille musicisti e un pubblico stimato in
più di 200.000 persone.
ComunitàItaliana
53
Firenze
esporte
J
Estate 2009
I
CentroArteModerna di Pisa ospita fino al 10
settembre l’annuale Rassegna di Arte Contemporanea curata da Massimiliano Sbrana. Da
anni si è imposta come importante occasione
artistica dell’estate in cui numerosi e illustri
artisti italiani presentano le proprie opere artistiche come quadri e sculture. Tra i tanti nomi
Franz Borghese, Salvatore Cipolla, Amalia Ciardi Duprè, Stefano Ballantini, Marylu Melo e Paolo Buzi. Orari: 10.30/12.30 - 17-19.30. Pisa
(PI) - Lungarno Mediceo, 26. Ingresso libero
Gli acquerelli
di Gianfaldoni
F
ino al 12 settembre a Montecatini
Val di Cecina, in provincia di Pisa,
sarà possibile ammirare le opere in
acquerello di un artista originario di Volterra: Giovanni Gianfaldoni. Si tratta di lavori
in cui viene messa in evidenza una natura
misteriosa, enigmatica e piena di significati simbolici che molti critici di arte collo-
Da Graziella
P
er tutti coloro che passeranno un
periodo a Firenze, soprattutto nel
periodo estivo, dove in città si raggiungono anche i 40 gradi, consiglio di uscire dalla conca infiammata che è Firenze
per andare a visitare le colline fiorentine,
ben più fresche. Per chi non avesse poi
voglia di tornare in albergo o non avesse proprio voglia di mettersi accanto ai
fornelli suggerisco un trattoria dal taglio
tipico toscano immersa nel verde del suo
giardino dal nome semplice: “Da Graziella”. È proprio la semplicità di un ambiente rustico e genuino che fanno di questa
trattoria un posto speciale con un pasto
che va dai 15 euro ai 35. Da non perdere i tipici tortelloni alla mugellana e
la squisita tagliata di manzo alla rucola.
Indirizzo: Via Cave di Maiano, 20 – Maiano, Fiesole (FI) Telefono: 055599963
54
ComunitàItaliana
/
cano come un passaggio tra l’impressionismo classico e i nuovi tratti della pittura
modera. Negli ultimi anni l’artista ha collezionato molteplici riconoscimenti di pittura
vincendo il “Premio Venturina” nel 2003 e
il 15° concorso Nazionale di Pittura (acquerello) nel 2006. Ingresso libero dalle 10
alle 22 presso il Castello Ginori di Querceto.
Arte del quotidiano
L
Omaggio a Sirio Bandini
L’
Associazione Athena Spazio Arte presenta in una mostra collettiva di grande rilievo un omaggio al pittore nato a Cecina
(Livorno), Sirio Bandini. L’artista toscano, recentemente scomparso, è stato grande interprete di correnti come espressionismo, surrealismo e realismo. Baldini si è sempre stato
elemento dialettico di una continua ricerca di
nuove linee di confine delle arti visive. L’esposizione presenta circa cinquanta opere di artisti tra cui Angiolo De Lellis, Bruno Di Maio e
Fred Charap e resterà aperta fino al 13 settembre presso la Torre di San Vincenzo (Livorno)
con orario solamente serale: 21.00-24.00
Setembro 2009
a Fondazione Ragghianti propone un
“viaggio” lungo 22 anni, tra il 1968 e il
2000, attraverso il design d’artista italiano.
Una collettiva con più di 120 opere di circa 60
artisti e architetti del calibro di Pietro Consagra, Gino Marotta, Bruno Munari, Adolfo Natalini, Mimmo Paladino, Ico Parisi, Michelangelo
Pistoletto, Gio’ Pomodoro, e Ettore Sottsass.
La mostra analizza un periodo in cui il design
si sviluppa e crea un connubio molto forte con
l’aspetto industriale creando appunto “l’industrial design” per l’arredamento in generale e
soprattutto per la casa. Una esposizione che
propone lampade, mobili e oggettistica tutti suddivisi per autore. Ingresso gratuito. Dal
martedì al venerdì 16.00/20.00. Sabato e domenica 10.00/13.00-16.00/20.00. Loc. Complesso monumentale di San Micheletto - Lucca
(LU) - via San Micheletto, 3
honatan Longhi tem 21 nos,
vive aos pés dos Alpes, em
Ivorio, na Itália, a 30 quilômetros da Suíça e a 12 mil
quilômetros de distância da sua
terra natal, a cidade de Americana, no interior de São Paulo. A
mudança na vida deste brasileiro ocorreu quando ele tinha dois
anos e meio e se mudou para a
Itália – ele e a irmã Carina foram
adotados por uma família italiana. O menino cresceu esquiando
no quintal de casa, em meio aos
esquis de madeira guardados pelo pai, Lorenzo Longhi, também
esquiador, que lhe passou o amor
pelo esporte.
Hoje, Longhi, o filho, é a estrela da equipe da Confederação
Brasileira dos Desportos Invernais.
Apesar de mal conhecer o Brasil e
nem saber falar português, ele optou por pertencer à equipe brasileira e não italiana. Agora, se prepara para disputar uma vaga nos
Jogos Olímpicos de Inverno, em
Vancouver, no Canadá, em 2010.
Na pequena cidade onde vive,
com apenas quatro mil habitantes, todos o conhecem. Na realidade, ele mora na fração de Mornerona, terra dos ancestrais dos
Longhi. A velha baita foi reformada décadas atrás e hoje abriga
uma confortável casa, onde o esquiador mora e cultiva seu amor
pelo Brasil. A bandeira está lá,
aberta na parede. Lembranças
de uma viagem de turismo pelo
país, feita há três anos, também
decoram o quarto. Elas dividem
espaço com as medalhas e troféus ganhos pelo atleta brasileiro em terras estrangeiras.
Um pequeno lago entre Ivorio e Mornerorna marca a infância
de Jhonatan. Durante o inverno
ele congela. Foi numa dessas que
Fotos: Guilherme Aquino
Giordano Iapalucci
norte, ele procura as montanhas
com os eternos picos nevados,
colossos alpinos com mais de 3
mil metros de altura. Em algumas
competições, chegou a enfrentar
temperaturas abaixo dos 30° C.
Nas provas de esquis, é importante conseguir memorizar o traçado da pista para saber os momentos de frear, fazer a curva, acelerar.
Se este conhecimento ajuda na tomada das decisões, também evita
a dose de ousadia a mais que pode
fazer a diferença no final. Longhi
não pensa duas vezes em dar mais
ouvido ao instinto.
— Sei que o risco é maior,
mas evito temer as passagens
mais exigentes. Assim posso dar
tudo quando os outros estão freando — diz ele, com a tranquilidade de quem já viu a neve muito mais de perto do que gostaria,
durante quedas que transformavam o sonho da vitória no pesadelo ameaçador de sofrer uma séria contusão.
Ele conta que teve duas “quedas sérias” em 2007, das quais
escapou “sem maiores problemas”. Restou, porém, a sequela
O brasileiro
que vive no frio
Um dos esquiadores mais promissores da nova geração,
Jhonatan Longhi se prepara para voltar às pistas
Guilherme Aquino
Correspondente • Milão
o brasileiro pisou no espelho de
gelo mais frágil e caiu na água:
— Sorte que não era fundo.
Saí de lá sozinho e fui para casa tremendo de frio — conta ele
à Comunità, em meio a risadas,
com seu italiano perfeito.
Um dos eventos mais importantes da sua vida foi a vitória
em uma etapa do campeonato
italiano, quando tinha apenas 12
anos. Daí para frente nunca mais
parou. Com 16 anos, ao vencer
um campeonato, no Chile, se tornou o primeiro negro a se destacar em esportes de neve.
Sempre em compasso com a
evolução técnica e material do
esqui, o brasileiro não perde uma
novidade. Uma delas é extrair
maior velocidade durante as curvas, quando acelera, ao contrário do que se fazia antigamente.
Atualmente, ele é especialista e
recordista brasileiro nas modalidades Slalom e Slalom Gigante,
mas também pratica a Super G.
A diferença entre as modalidades está no tamanho das lâminas
dos esquis, na distância entre
as bandeirinhas de marcação do
trajeto e a altura dos bastões de
equilíbrio. A velocidade de descida varia de 80 a 150 km/h.
O brasileiro treina o ano inteiro. Quando faz calor no hemisfério
Setembro 2009
/
do bloqueio psicológico que “ficou por um bom tempo”. No ano
passado, ele disputou 78 competições, das quais em dez acha
que teve um “bom desempenho”.
A chegada do outono abre a
contagem regressiva para o inverno e o início de sua caça à vaga
de Vancouver. A forma ele mantém em velejadas, com o Laser
do pai, no vizinho lago D’Orta.
É quando está em contato com a
natureza que ele mais se lembra
do Brasil e de sua última passagem pelo país quando esteve no
Rio de Janeiro, Fortaleza e Ilha
de Fernando de Noronha:
— A carga de emoção com
toda a aquela natureza representa
uma ligação forte com as montanhas daqui — diz ele que está em
busca de uma namorada de língua
portuguesa que o ensine a falar
bem o idioma do seu país.
ComunitàItaliana
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italian style
fumetti
Nas alturas
Gucci
Relógio Twirl Rubber em
aço com pulseira em couro
estampada com a inicial da
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Sutileza
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Os produtos mencionados estão disponíveis no mercado italiano.
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Il disegno
di Anita
Eroina di brasiliani e italiani, alla compagna di Giuseppe
Garibaldi viene dedicata una biografia a fumetti
P
Nayra Garofle
er commemorare i 160 anni dalla morte di Anita
Garibaldi, alla “eroina dei
due mondi” viene dedicata una nuova biografia. Stavolta
a fumetti. La rivista di 90 pagine con disegni in bianco e nero
è opera del disegnatore paulista
José Custódio e la sua pubblicazione è prevista per il mese prossimo con l’appoggio del Programa
de Incentivo à Produção Cultural
do Estado de São Paulo (ProAc).
Fin da bambino Custódio è
affascinato dalla figura di Anita, conosciuta come una delle
donne più forti e coraggiose di
tutti i tempi. Lui l’ha “conosciuta” da bambino, quando passava
le vacanze nella città natale di
sua madre, Laguna, in Santa Ca-
tarina, dove Anita è nata il 30
agosto 1821. Il disegnatore quarantunenne è cresciuto sentendo
storie di lotta e amore che hanno
coinvolto la brasiliana e il rivoluzionario Giuseppe Garibaldi.
Si incontrarono durante la Revolução Farroupilha. Nato a Nizza
(oggi francese) il 4 luglio 1807,
Garibaldi a servizio della República Rio-Grandense partecipò
alla presa del porto di Laguna. I
due rimasero insieme per tutta la
vita di Anita. Lei lo seguì nelle
sue lotte in Santa Catarina, Rio
Grande do Sul, Uruguay e Italia.
La coppia ebbe quattro figli. Garibaldi dedicò la sua vita alla lotta
contro la tirannia ed è stato uno
dei personaggi chiave dell’Unità
d’Italia. Tutti e due morirono in
Romantismo
Make up
Brincos de ouro branco
e rosa em forma de laços
e detalhes de diamantes.
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até na maquiagem. Estojo
dourado com quatro cores
metalizadas. Dica: ao aplicar
a sombra com o pincel
úmido o efeito da cor é mais
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José Custódio fa schizzi per il suo progetto
56
ComunitàItaliana
/
Setembro 2009
Italia: lei il 4 agosto 1849 e lui
il 2 giugno 1882. Ad Anita sono
stati dedicati i nomi di due comuni, sempre in Santa Catarina:
Anita Garibaldi e Anitápolis.
— Quando tornavo dalle vacanze mi sembrava sempre strano che i miei compagni a São
Paulo non conoscessero Anita. E
per questo, fin da bambino, mi
ha sempre interessato raccontare la sua storia. Questo desiderio
è rimasto molto tempo nel baule
di progetti fino a quando mi sono
sentita matura e con strumenti a
sufficienza per realizzarlo — racconta l’artista che disegna fumetti da 20 anni.
Anita Garibaldi – biografia em
quadrinhos avrà una tiratura iniziale di mille numeri la cui distribuzione sarà a carico del governo dello stato di São Paulo. Dopo
Custódio metterà in commercio
l’opera con case editrici affinché
entri nel mercato regolare entro
il 2010. Il disegnatore ha iniziato le ricerche per la realizzazione
del lavoro nel 2007. La stesura
della sceneggiatura è cominciata
nel febbraio di quest’anno.
Custódio ha cercato di affrettare il tutto perché il lancio fosse
fatto il 4 agosto, ma ammette che
il lavoro di ricerca, tanto storico
quanto grafico, ci ha messo più
tempo di quanto immaginava.
Setembro 2009
/
— Sarebbe stato importante
lanciarlo in agosto, ma non voglio sacrificare la qualità del materiale o correre il rischio di fare
errori di ricerca — dice. — Il progetto esige molto lavoro di ricerca. Ad esempio, alle volte rimango un intero pomeriggio a cercare
l’informazione giusta tra le diverse versioni scritte da vari autori.
Custódio dice che si aspetta
che la biografia di Anita sia la
prima di una serie di riviste in
cui verrà raccontata la storia della coppia. In questo primo lavoro
Custódio ha messo in risalto le
avventure di Anita e Giuseppe in
Brasile, dedicando solo qualche
scena all’Italia.
Perlomeno finora, Custódio
non ha avuto tempo di fare ricerche in terra italiana. Ma spera di
poter conoscere tutti i luoghi in
cui la coppia è stata. Secondo il
disegnatore, se si fosse recato in
Italia il lancio avrebbe subíto un
ritardo ancora maggiore.
— Per consolarmi ho passato settimane facendo ricerche su
mappe antiche e moderne di Roma, Genova e altre regioni che
hanno fatto parte di questa storia.
E’ chiaro che non è un “viaggio”,
ma è sempre piacevole. Anche se
non ho avi italiani (perlomeno da
quello che so) faccio il tifo per il
Palmeiras e ho un forte legame
sentimentale con l’Italia. Non ci
sono ancora andato, ma chissà, se
il libro farà successo magari decidono di lanciare una versione da
quelle parti, non è vero?
ComunitàItaliana
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Sapori d’Italia
il lettore racconta
Psicóloga e diretora de uma clínica
ini
de arteterapia, Angela Philipp
narra com emoção a história
da sua família que, como tantas
outras, deixou sua Itália para
trás em busca de uma vida melhor
,
no Brasil. Dos seus antepassados
herdou o amor pela arte.
Em depoimento a Sônia Apolinário
E
Fenízia, Angela e Mafalda
acolhiam como destino final. E assim
foi com Ruggero e seu irmão Felice
que adormeceram com seus sonhos e
esperanças no leito destas águas.
O restante da família chegou,
por fim, em terra firme. Com ela,
chegaram desafios que não estavam
incluídos nos sonhos de esperança.
Afinal, no Brasil, falava-se uma outra língua; as pessoas, o clima e
os costumes eram muito diferentes.
No início, todos foram para o mesmo lugar, a colônia Santa Cecília,
em Lorena, no estado de São Paulo.
A terra era realmente muito
boa, mas não era tão simples cultivá-la e sobreviver de seus frutos. Para
os mais velhos foi muito mais difícil
a adaptação. A bisnonna Rosa nunca
se adaptou. Ela recolheu-se ao leito
e lá fez seu território. Era nessa “piccola Itália” que recebia filhos,
netos, bisnetos, sem tomar conhecimento do que acontecia lá fora.
Os mais jovens tiveram mais forças para vencer as adversidades. Muitos abriram mão dos sonhos iniciais.
Alguns músicos dedicaram-se à construção civil e a música ficou restrita
às festas e finais de semana. Alguns
trocaram o vinho pela grappa local
- passaram a beber cachaça, mas os
resultados não lhes favoreceram. De
todos que chegaram juntos a este lugar, apenas um dos homens e uma das
mulheres tiveram a ousadia de apresentarem-se como artistas: Antonio e
Fenízia, meus avós, parentes da mesma colônia, em Lorena.
O amor pela arte os aproximou.
e bor dado
Tapeçaria
Namoraram,
noivaram e se casaram.
ia
íz
Fen
feitos por
Tiveram oito filhos: Nina,
João, Felice, Lino, Mafalda, Eurides, Pedro e
Enela. Fenízia e Antonio, apesar de artistas, necessitaram fazer
muitas outras coisas para
sobreviver. Assim, Fenízia plantava temperos
ra uma família muito numerosa. As crianças brincavam às margens do Rio
Pó, em Gonzaga, na região de Emília Romana. Os homens
adultos tentavam extrair da terra
o sustento, nunca o suficiente para
tantas pessoas se alimentarem. Os
mais jovens faziam música e sonhavam com tempos melhores e outras
possibilidades para viver.
Um dia, um destes jovens, Ruggero Philippini, um agricultor de
23 anos, chegou em casa radiante,
pois havia descoberto uma saída: dentro de um mês partiriam para a
n
“ ova terra”, um lugar como o paraíso,
com terra boa e muitas oportunidades de emprego. Além disso – diziam - era um lugar acolhedor. Para
se ter direito a isso, bastava ter coragem para fazer uma longa viagem
de navio. E deixar o resto para trás.
Assim, a família reuniu seus
22 integrantes e com seus poucos pertences e o coração cheio de
esperanças apresentaram-se para
embarcar no navio Carlo C e “fare
l’América”, como se dizia.
Porém, a jornada heróica de
mudar de vida tem seus tropeços. A
travessia foi longa e tormentosa: alguns adoeceram gravemente e não
resistiram. Estes, as águas do oceano
58
ComunitàItaliana
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Setembro 2009
e os vendia no Mercado Municipal.
Antonio construía espaços próprios para o banho do gado das fazendas da
região em que morava, sendo muito
requisitado por isto.
Depois de sua lida com a terra e
de cuidar da casa e dos filhos, Fenízia,
à noite, criava com dedos ágeis, linha e agulha, incríveis paisagens com
anjos e flores, que gradualmente se
transformavam em colchas, cortinas e
almofadas. Antonio, em suas horas vagas, dedicava-se à marcenaria. Ainda
jovem, adoeceu e se foi. Restou Fenízia. Ela seguiu desdobrando-se entre
o plantio e venda dos temperos, o cuidado com filhos e, agora também com
os netos; a comida feita pelas próprias
mãos e seus anjos e flores.
Fenízia viveu 88 anos e agora repousa na terra que adotou como sua.
E eu, Angela Helena Philippini, 50
anos, neta de Antonio e Fenízia, filha de Mafalda, que era também uma
mulher valente e de mãos criativas,
conto a história dessa família. Minha
mãe era costureira, especializada em
vestidos de noivas. De Lorena, mudouse para Blumenau, em Santa Catarina, onde nasci. Agora, vivo no bairro
de Vila Isabel, no Rio de Janeiro.
Dedico a todos eles meu relato
e, em especial, a Rugerro, irmão de
minha avó Fenízia, que teve a coragem de sonhar. E como gratidão por
esta herança de arte, criei o espaço
Pomar, na Tijuca, no Rio de Janeiro.
Nele, pessoas fazem arte para construir uma vida melhor, com menos
estresse. Um lugar para cada um ter
seu tempo próprio para reconhecer-se
como indivíduo singular, com direito
a sonhar, ousar, criar e realizar. Como sempre fez a minha família.
Angela Philippini,
Rio de Janeiro - RJ
Mande sua história com material fotográfico para:
[email protected]
Nayra Garofle
Cozinha
com
diploma
Ex-funcionário abre seu próprio restaurante seguro
de seu aprendizado da gastronomia italiana
S
ão Paulo - A experiência de ter trabalhado como maitre do Fasano e gerente do Gero e Parigi por quase 15 anos, foi o ponto
forte para o paraense Osmânio Luiz Rezende abrir seu próprio
restaurante. Desde abril de 2006, numa agradável esquina no
bairro de Pinheiros, em São Paulo, ele comanda o Aguzzo Caffè e Cucina. A cozinha fica por conta do chef Alessandro de Oliveira, que trabalhou com Rezende no Parigi.
Apesar de ambos terem anos de conhecimento das gastronomias
francesa e italiana, a última foi a escolhida pelo maitre para ser o
carro-chefe do restaurante. O motivo? Ele considera a delicada cozinha
italiana melhor recebida pelos clientes.
— Ter trabalhado no Grupo Fasano foi uma experiência excelente.
Apesar de ser maitre, sempre trabalhei com gerência e sei um pouco
de cozinha, gosto dessa parte, o que me ajuda a fazer o controle de
qualidade dos produtos — diz Rezende que, em abril deste ano, recebeu o diploma de Mestre da Gastronomia Italiana no Brasil pela Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura de São Paulo,
pela contribuição dada à gastronomia italiana.
A casa tem capacidade para 60
lugares e num fim de semana, por
exemplo, chega a receber cerca de
350 pessoas. Dos pães aos doces,
tudo é elaborado no restaurante
com ingredientes da mais alta qualidade. O Aguzzo possui carta de
vinhos de 90 rótulos e no cardápio
há massas, peixes e carnes, além
dos famosos antepastos. Durante a
semana, os clientes ainda podem
contar com menu executivo.
Segundo Rezende, o prato
mais apreciado no Aguzzo é o Bigoli com ragù d’antra. A massa
Luiz Rezende lembra um espaguete de fio bem
longo e grosso e a carne é de pato. Para a sobremesa, há variedades também como a pannacotta di zafferano con salsa di cioccolato e cannèlla - clássico creme italiano com
açafrão, calda de chocolate e canela -, ou a crostata di mele verdi con
gelato - torta crocante de maçã verde com sorvete de nata.
— Ao longo desses três anos é muito bom ver que as pessoas vêm
ao restaurante, retornam e indicam. Acho que isso é fundamental, sinal de que o Aguzzo agrada — afirma Rezende.
Serviço: Aguzzo Caffè e Cucina - Rua Simão Álvares, 325,
Pinheiros – São Paulo Tel: (11) 3083-7363
Bigoli com ragù d’anatra
(Rendimento: 2 porções)
Ingredientes para a massa: 300 g de farinha de trigo; 100 g de
sêmola de trigo; 2 ovos; Fio de azeite virgem extra; Sal a gosto;
Água morna para dar o ponto.
Modo de preparo:
Numa tigela coloque as farinhas, faça uma abertura no centro e
adicione os ovos, o fio de azeite, o sal e vá acrescentando a água
morna aos poucos, trabalhe a massa com as mãos e acrescente
mais água se necessário. Deixe descansar por 15 minutos coberto
com um filme plástico. Reserve.
Para o pato: 3 coxas de pato; 150 ml de vinho branco seco; 1 cebola média; 1 talo de aipo; ¼ de alho poró (só a parte branca);
1 folha de louro; 1 galhinho de tomilho; 3 folhas de salva; 1 maçã
verde; 1colher de (chá) de manteiga sem sal.
Modo de preparo: Junte todos os ingredientes em cima das coxas
e deixe marinar por 24 horas na geladeira. No dia seguinte, coloque
as coxas numa assadeira pequena e acrescente sobre elas a marinada. Cubra com papel alumínio e leve ao forno pré-aquecido a 180°C
por 1h30 ou até que estejam macias. Desfie a carne e reserve. Junte
a marinada com os ossos em uma panela, acrescente 300ml de água
e a batata cortada em cubos e deixe reduzir. Amasse a batata para engrossar o molho e passe por uma peneira fina. Junte o molho
com a carne desfiada e deixe incorporar um pouco no fogo. Reserve. Em uma frigideira refogue a maçã com a manteiga até amaciar.
Montagem: Passe a massa pelo bigolaro (no corte grosso) e cozinhe em água abundante com sal grosso. Quando atingir o ponto
“al dente” escorra e disponha em pratos individuais. Regue com o
molho e decore com salsa picada.
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ComunitàItaliana
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La gente,
il posto
Claudia Monteiro de Castro
Museo Leonardiano
N
o Brasil, é conhecido como
Da Vinci. Porém, na Itália,
basta dizer Leonardo e todos
sabem muito bem de quem se
trata. Artista, homem completo,
à frente de seu tempo, Da Vinci era um pouco de tudo, como
os artistas multimídia de hoje: pintor, escultor, engenheiro, inventor. O grande mestre
nasceu em uma cidade pe-
quenina, não muito distante de Florença,
chamada Vinci, daí o nome pelo qual o conhecemos, Leonardo, da cidade de Vinci. Em
sua terra natal existe um museu completamente dedicado a ele, o museu Leonardiano
de Vinci, fundado em 1953, no quinto centenário do seu nascimento. Fica no alto da
cidade, dentro do castelo medieval dei Conti
Guidi, que data entre os séculos 11 e 12. É
possível ver, entre outras coisas, modelos de
máquinas inspiradas nos desenhos e anotações de Leonardo como bicicleta, máquinas
têxteis, instrumentos para uso científico, máquinas militares, máquinas para
obras, ventilador, medidor da velocidade do vento e muito mais. Vale a pena
visitar a graciosa cidade e este museu para
se impressionar com a visão deste grande
homem que viveu cinco séculos atrás.
Informações: o museu é aberto todos
os dias, das 9h30 às 18h.
Tel: 0571 56055
Q
Parece mas não é
uando se conversa numa língua que não é a da nossa terra
natal, é preciso tomar muito cuidado com os “false friends”.
“False friends”, ou “falsos amigos”, expressão muito usada
nos cursos de inglês, são aquelas palavras que parecem iguais, mas
significam uma coisa bem diferente. Uma das mais famosas, entre inglês e português é pretend, que em inglês não é pretender, mas fazer
de conta, fingir. Até entre o português do Brasil e o de Portugal existem estas diferenças que podem causar embaraço e confusão.
Entre italiano e português também existem palavrinhas perigosas ou que podem causar confusão. Assim,
na Itália, albergo é hotel, enquanto albergue da juventude é ostello. Quem quiser tomar todas e afogar suas mágoas, não deve ir a um “bar”.
Bar, em italiano, é um café
onde se pode comer um sanduíche ou tomar um cafezinho. Para beber uma cervejinha, geralmente se vai a um
pub ou birreria. Já os amantes de vinho podem preferir
uma enoteca, que tem mais
variedade de vinhos.
Quanto aos adjetivos,
também vale a regra. Por
60
ComunitàItaliana
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Setembro 2009
exemplo, morbido, em italiano, não tem nada a ver com o nosso mórbido no Brasil. Morbido significa macio. Quanto ao nosso mórbido tupiniquim, em italiano se diz morboso, que quer dizer também doentio.
Na Itália, a pele da amada é morbida, mas se o relacionamento começa
a ficar esquisito, simbiótico, neurótico demais, ele pode ficar morboso. Outro desses adjetivos “falso amigo” é “lindo”. Em italiano, não
quer dizer de uma beleza única, mas sim de uma limpeza única. Principalmente no que se refere a uma casa. Então, ao dizer a uma italiana
que ela é linda, você não vai
conquistar seu coração.
Mais uma: o lunatico não
é louco na Itália. É só de
lua, temperamental. O louco
é pazzo! E cuidado, porque
os loucos, os pazzi, não estão no hospício. Ospizio, em
italiano, é onde vão os velhinhos quando não têm ninguém para tomar conta deles.
Equivalente ao asilo no Brasil. E asilo na Itália, mais precisamente asilo nido, é onde
as mães deixam as crianças
quando vão trabalhar, ou seja, a creche. Portanto, muita
atenção com esses “falsos
amigos”, para saber direitinho onde você vai parar.
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