UFRJ Thiago da Silva Marinho A FAMÍLIA SPHAGESAURIDAE (CROCODYLIFORMES, CRETÁCEO SUPERIOR) DA BACIA BAURU Tese de Doutorado submetida ao Programa de Pós-graduação em Geologia, Instituto de Geociências, da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, como requisito necessário à obtenção do grau de Doutor em Ciências (Geologia). Área de concentração: Estratigrafia e Paleontologia Orientador: Ismar de Souza Carvalho Rio de Janeiro Janeiro de 2009 MARINHO, Thiago da Silva A Família Sphagesauridae (Crocodyliformes, Cretáceo Superior) da Bacia Bauru / Thiago da Silva Marinho - - Rio de Janeiro: UFRJ / IGeo, 2009. 70 f.: 10 il, 2 anexos; 30cm Tese (Doutorado em Geologia) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Geociências, Programa de Pós-graduação em Geologia, 2009. Orientador: Ismar de Souza Carvalho 1. Geologia. 2. Estratigrafia e Paleontologia – Tese de Doutorado. I. Carvalho, Ismar de Souza II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Geociências, Programa de Pós-graduação em Geologia. III. Título. Thiago da Silva Marinho ANÁLISE MORFOFUNCIONAL DOS SPHAGESAURIDAE (CROCODYLIFORMES, CRETÁCEO SUPERIOR) DA BACIA BAURU Tese de Doutorado submetida ao Programa de Pós-graduação em Geologia, Instituto de Geociências, da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, como requisito necessário à obtenção do grau de Doutor em Ciências (Geologia). Área de concentração: Estratigrafia e Paleontologia Orientador: Ismar de Souza Carvalho Aprovada em: 09/01/2009 Por: ________________________________________ _______________________________________ Presidente: João Graciano Mendonça Filho, Ana Maria Paulino Telles de Carvalho E Silva, Departamento de Geologia, Universidade Universidade Federal do Estado do Rio de Federal do Rio De Janeiro Janeiro ________________________________________ _______________________________________ Marcelo de Araújo Carvalho, Museu Nacional, Deusana Maria da Costa Machado, Universidade Universidade Federal do Rio De Janeiro Federal do Estado do Rio de Janeiro _______________________________________ Rita de Cássia Tardin Cassab, Museu de Ciências da Terra, Departamento Nacional de Produção Mineral Rio de Janeiro Rio de Janeiro iii Agradecimentos Agradeço ao meu orientador Ismar de Souza Carvalho pelas oportunidades oferecidas e por seu acompanhamento durante o período de Mestrado e Doutorado. Ao Professor João Tadeu de Arruda Campos cessão de parte do material utilizado no presente estudo e pelo auxílio nos trabalhos de campo realizados em General Salgado (SP). À equipe do Museu de Paleontologia de Monte Alto, sob a direção do Professor Antônio Celso de Arruda Campos e em especial Bióloga Sandra Simionato Tavares pela preparação e zelo dado ao material aqui estudado. Agradeço ao Dr. Iugiro Roberto Kuroki e Dra. Renata Romano Martins pelo apoio técnico e manipulação das imagens tomográficas realizada no CDPI Leblon. Ao Sr. Joel dos Santos, técnico em microscopia, responsável pelas fotomicrografias aqui estudadas; Ao amigo Felipe Mesquita de Vasconcellos que me acompanha desde o início da Pós-graduação em Geologia e com quem muito discuti sobre os Crocodyliformes do Cretáceo e muitos outros temas. À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior pelo auxílio financeiro durante todo o período de Pós-graduação. Rio de Janeiro iv Resumo MARINHO, Thiago da Silva. A Família Sphagesauridae (Crocodyliformes, Cretáceo Superior) da Bacia Bauru. Rio de Janeiro, 2009. 69 f. Tese (Doutorado em Geologia) – Programa de Pós-graduação em Geologia, Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009. Os Sphagesauridae são uma família de notossúquios altamente derivada dentre os crocodiliformes e são conhecidos exclusivamente do Cretáceo Superior da Formação Adamantina (Turoniano-Santoniano), da Bacia Bauru. Esses animais possuíam os dentes maxilares e mandibulares posteriores dispostos obliquamente com quilhas tuberculadas na porção lingual nos dentes superiores e labial nos dentes inferiores, o que proporcionava um forte mecanismo cisalhante associado a um movimento propalinal da mandíbula. Os dentes são cobertos por uma espessa camada de esmalte e diferentemente da maioria dos crocodiliformes, os dentes posteriores são comprimidos anteroposteriormente. Alguns dos dentes dos Sphagesauridae apresentam desgastes em dois padrões distintos, ambos produzidos por movimentos mandibulares: um produzido pelo movimento adutor-abdutor e o outro pelo movimento propalinal. Esse movimento propalinal desgastava os dentes dos esfagessaurídeos de modo que é possível observar nas superfícies de desgaste, estrias paralelas horizontais, indicando que o vetor que produziu esse tipo de desgaste é anteroposterior. Os Sphagesauridae também apresentam desgastes que indicam movimentos unilaterais em lados preferenciais. Os movimentos propalinais são associados à mastigação, o que sugere que esses crocodiliformes do Cretáceo Superior possuíam uma dieta incomum, quando comparada com a maioria dos Crocodylomorpha. Esse sistema de alimentação aliado ao desgaste dentário, sugere uma dieta durófaga, que pode ter sido composta por animais de carapaça rígida como moluscos, carcaças secas, pinhas, raízes e outros materiais vegetais abrasivos. Esse estudo morfofuncional sugere a possibilidade de que esses animais eram onívoros, carniceiros e oportunistas, o que seria uma grande vantagem em um habitat quente, semi-árido com poucos recursos durante as estações secas. Palavras-chave: Sphagesauridae, Bacia Bauru, Cretáceo Superior v Abstract MARINHO, Thiago da Silva. A Família Sphagesauridae (Crocodyliformes, Cretáceo Superior) da Bacia Bauru. [The Sphagesauridae Family (Crocodyliformes, Upper Cretaceous) from the Bauru Basin] Rio de Janeiro, 2009. 69 f. Tese (Doutorado em Geologia) – Programa de Pós-graduação em Geologia, Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009. The Sphagesauridae is a family of notosuchian with highly derived traits amongst the crocodyliforms and are known exclusively from the Late Cretaceous of the Adamantina Formation (Turonian-Santonian), Bauru Basin. These animals possessed the posterior mandibular and maxillary teeth obliquely disposed with tuberculated keels on its lingual portion on the upper teeth or labial on its lower teeth, which provided a powerful shearing mechanism associated to a propalinal jaw movement. The teeth are coated by coarse enamel and unlike most crocodilians the posterior teeth are anteroposteriorly compressed. Some of the Sphagesauridae teeth are worn in two distinct patterns: one from the adductor-abductor movement of the mandible and the propalinal jaw movement. This propalinal jaw movement, worn the sphagesaurids teeth keels and in these worn surfaces is observed parallel horizontal striae, indicating the vector that produced that sort of weariness was anteroposterior. The Sphagesauridae also present unilateral jaw movements that are observed on preferential sides. Propalinal jaw movements are often associated to mastication, herbivory or omnivory, which suggests that these Late Cretaceous crocodyliforms had some unusual diet compared to most of the Crocodylomorpha. This feeding system allied to the teeth weariness suggests a durophagous diet, which might have been composed of hard shelled animals such as mollusks, dry carcasses, pines, roots and other abrasive plant materials. This morphofunctional study leads to the possibility that these animals were omnivores, scavengers and opportunists which would be highly advantageous on a hot semi-arid habitat with low resources during the dry seasons. Key-Words: Sphagesauridae, Bauru Basin, Upper Cretaceous vi Lista de figuras Figura 1: Limites estruturais da Bacia Bauru (Modificado de PAULA E SILVA, 2003).........................................................................................................................................................8 Figura 2: Mapa Geológico da Bacia Bauru (Retirado de PAULA E SILVA, 2003).........................................................................................................................................................9 Figura 3: Perfil litoestratigráfico das ocorrências de Sphagesauridae no distrito de Prudêncio de Morais no município de General Salgado, estado de São Paulo.......................................................................................................................................................11 Figura 4: Vista palatal de Sphagesaurus huenei, onde é observada a implantação oblíqua e forma triangular dos dentes maxilares posteriores; j indica o jugal lateralmente expandido (Modificado de POL, 2003).............................................................................................................................................15 Figura 5: (1 e 2), holótipo de Sphagesaurus huenei DGM 332-R, (1) em vista mesial e (2) em vista posterior; (3 e 4), dente de Armadillosuchus arrudai, (3) em vista mesial e (4) em vista posterior; (5 e 6), dentes de Adamantinasuchus navae, (5) em vista labial e 6 em vista lingual......................................................................................................................................................1 6 Figura 6: Crânios em vista lateral direita indicando a compressão do jugal; (1) Adamantinasuchus navae e (2) Sphagesaurus huenei.....................................................................................................................................................17 Figura 7: Contato interno entre a maxila e o pré-frontal na porção média da órbita de Sphagesaurus huenei (Modificado de POL, 2003).........................................................................................................17 Figura 8: Dente do Armadillosuchus arrudai, em (1) vista posterior, (2) oblíqua e em vista ligual a direita. Notar as estrias paralelas na face de desgaste o que indica o movimento propalinal, e desgaste no ápice do dente devido ao fechamento da mandíbula...............................................................................................................................................18 Figura 9: MEV do dente de Armadillosuchus arrudai, detalhando as estrias paralelas na área de desgaste; exemplar UFRJ DG 303- R.............................................................................................................................................................19 Figura 10: Crânio articulado com parte do pós-crânio de Armadillosuchus arrudai; oad, porção ornamentada da depressão antorbital; sad, porção lisa da depressão antorbital; cs, escudo cervical; hu, úmero; ms, escudo móvel................................................................................................................23 Figura 11: Reconstrução in vivo do crânio de Armadillosuchus arrudai (Arte de Deverson da Silva, “Pepi”).....................................................................................................................................................24 vii Figura 12: Reconstrução in vivo de dois Armadillosuchus arrudai em um cenário de início de estação de chuvas ao fundo (Arte de Ariel Milani Martine)..................................................................................24 Lista de abreviaturas e siglas DGM: Departamento de Geologia e Mineralogia do Departamento Nacional de Produção Mineral DNPM: Departamento Nacional de Produção Mineral MPMA: Museu de Paleontologia de Monte Alto RCL: Museu de Ciências Naturais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais UFRJ DG: Universidade Federal do Rio de Janeiro, Departamento de Geologia URC: Universidade Estadual Paulista, Campus Rio Claro viii Sumário Agradecimentos .........................................................................................................iii Resumo.......................................................................................................................iv Abstract ................................................................................................................ ......v Lista de figuras ..........................................................................................................vi Lista de abreviaturas e siglas....................................................................................vii 1 INTRODUÇÃO................................................................................................... ......1 2 OBJETIVOS.............................................................................................................5 3 CONTEXTO GEOLÓGICO.......................................................................................6 4 MATERIAL E MÉTODOS.......................................................................................12 5 OS SPHAGESAURIDAE........................................................................................13 6 RESULTADOS.......................................................................................................18 6.1 Artigos confeccionados.......................................................................................21 7 CONCLUSÕES......................................................................................................25 8 REFERÊNCIAS......................................................................................................26 Anexo I......................................................................................................................27 Anexo II.....................................................................................................................38 1 1. INTRODUÇÃO Os Sphagesauridae são uma família de notossúquios com características altamente derivadas dentre os crocodiliformes (PRICE, 1950; KHUN, 1968; POL, 2003). A distribuição geográfica desses crocodilomorfos é restrita à Formação Adamantina da Bacia Bauru, Cretáceo Superior (Turoniano-Santoniano), Brasil. Foram primeiramente descritos a partir de dentes isolados, mas apesar da natureza fragmentária do material normalmente com pouco valor taxonômico, as características observadas nesses dentes os diferenciavam de todos os outros répteis conhecidos até aquele momento. Esses animais possuíam dentes mandibulares e maxilares posteriores dispostos obliquamente com uma única quilha tuberculada, que proporcionam um mecanismo cisalhante associado a um movimento propalinal da mandíbula (KELLNER et al., 1995; POL, 2003). Os dentes são revestidos por uma grossa camada de esmalte e diferentemente da maioria dos crocodilomorfos (HUENE, 1931; PRICE, 1950; anteroposteriormente KHUN, comprimidos. 1968), Alguns os dentes dentes dos posteriores são Sphagesauridae apresentam desgastes em padrões semelhantes aos de herbívoro e durófagos, refletindo uma provável onivoria. Os primeiros achados ocorreram por volta do ano de 1917, durante a abertura da Estrada de Ferro Sorocabana, Guilherme Bastos Milward coletou três dentes de características muito distintas de outros que já havia encontrado no mesmo trecho que cortava os arenitos da então designada Formação Baurú (PRICE, 1950). Um desses dentes foi enviado para a Comissão Geographica e Geológica do Estado de São Paulo e os outros dois foram encaminhados para 2 a Divisão de Geologia e Mineralogia do Departamento Nacional da Produção Mineral no Rio de Janeiro (PRICE, 1950). Durante suas incursões na América do Sul entre 1927 e 1929, Friedrich von Huene observou o exemplar depositado na Comissão Geographica e Geológica do Estado de São Paulo. Em 1931, HUENE publicou um artigo sobre alguns fósseis observados durante sua estada na América do Sul e nesse trabalho foi descrito e esboçado o dente observado na Comissão Geographica e Geológica do Estado de São Paulo. Concluiu-se então que se tratava de um dente de um crocodiliforme, mais especificamente de um Alligatoroidae (HUENE, 1931). Esse material foi dado como perdido, porém, ainda havia os outros dois dentes tombados na coleção da Divisão de Geologia e Mineralogia do Departamento Nacional de Produção Mineral do Rio de Janeiro descritos por PRICE (1950). Nesse mesmo artigo, o autor diz não ter dúvidas de que o material descrito por HUENE (1931) e os exemplares DGM 332-R e DGM 333R são idênticos (PRICE, 1950). PRICE (1950) nota características distintas o suficiente para erguer um novo gênero e espécie a partir desses dentes, material geralmente de pouco valor taxonômico, e define DGM 332-R como holótipo de Sphagesaurus huenei Price, 1950 e DGM 333-R como seu parátipo. Nesse artigo, PRICE (1950) posiciona Sphagesaurus huenei como pertencente à família Notosuchidae devido a características como coroa baixa e raiz longa, como definidas por WOODWARD (1896) como características dos notossuquídeos. KUHN (1968) em sua monografia sobre crocodilomorfos fósseis ergue sobre o material depositado no DGM uma família monotípica para Sphagesaurus huenei, os Sphagesauridae. KUHN (1968) utilizou como 3 principal critério para separar Sphagesaurus huenei dos Notosuchidae, a presença de apenas uma quilha portando grandes tubérculos ao invés do padrão comum de duas carenas finamente serrilhadas, um na porção mesial e uma na porção distal dos dentes. KUHN (1968) também reafirmou que a coroa desses dentes são muito baixas e as raízes desproporcionalmente longas, e adicionou que a seção transversal da coroa é diferente de qualquer Notosuchidae. Mais recentemente Pol (2003) descreveu um crânio quase completo e mandíbula com a porção rostral bem preservados, atribuindo esse material a S. huenei devido à presença de dentes e fragmentos dentários idênticos àqueles reportados primeiro por HUENE (1931) e depois melhor descritos por PRICE (1950) e KUHN (1968). Observou-se então, que de fato Sphagesaurus huenei possuía os dentes posteriores posicionados obliquamente e notou-se que as quilhas tuberculadas funcionavam como antagonistas no ato da mastigação, e que esses animais poderiam realizar movimentação propalinal da mandíbula (POL, 2003). crocodiliforme MARINHO deveria & ser CARVALHO incluído (2007) dentre apontam os que outro Sphagesauridae, Adamantinasuchus navae Nobre & Carvalho, 2006, devido à disposição e padrão de distribuição das quilhas tuberculadas, que como Sphagesaurus huenei agiam como antagonistas (NOBRE & CARVALHO, 2006). Uma nova espécie de Sphagesauridae foi descrita por ANDRADE & BERTINI (2008) com base em um crânio e mandíbula excepcionalmente preservados denominado como Sphagesaurus montealtensis Andrade & Bertini, 2008. Um novo gênero foi descrito por MARINHO & CARVALHO (2009; no prelo), Armadillosuchus arrudai Marinho & Carvalho, 2009, com base em um crânio bem preservado, 4 pré-maxila, maxila e mandíbula fragmentárias e partes do pós-crânio como vértebras cervicais e dorsais anteriores, braço esquerdo e armadura dérmica. Com uma melhor quantidade e qualidade de materiais referidos à Sphagesauridae coletados recentemente, em especial material craniano, é possível se realizar uma análise de sua morfologia funcional mastigatória incomum quando comparada com outros crocodiliformes. Dentre os novos materiais encontrados estão os primeiros elementos pós-cranianos, que vêm a acrescentar novas informações permitindo que se realizem inferências mais acuradas sobre hábitos de vida desses animais. Todos os Sphagesauridae descritos foram encontrados na Formação Adamantina da Bacia Bauru (Cretáceo Superior) no estado de São Paulo, exceto por um registro em Minas Gerais no município de Iturama (KELLNER et al., 1995). 5 2 OBJETIVOS O presente trabalho tem como objetivos: - Redefinir a família Sphagesauridae com base na análise morfológica de novos fósseis e acrescentar dados osteológicos à diagnose; - Descrever um novo gênero e espécie de Sphagesauridae, a espécie mais completa e com maior número de exemplares conhecidos até o momento; - Analisar a morfologia, posicionamento e desgaste dentário observados exclusivamente nos Sphagesauridae o que possibilita estudar e inferir alguns dos hábitos de vida desse grupo de crocodiliformes tão peculiar com base nas características morfológicas observadas nos exemplares disponibilizados para estudo e outros advindos da literatura. 3 CONTEXTO GEOLÓGICO 6 Durante o evento de abertura do Oceano Atlântico Sul, o Gondwana foi submetido a um enorme fendilhamento crustal causando a ativação de um grande magmatismo extrusivo que se estendeu por 1,2 x 106 km2 sobre a Bacia do Paraná, formando espessas camadas de basaltos denominados Formação Serra Geral do Grupo São Bento (MELFI et al., 1988). Para alguns autores, esse evento encerrou a sedimentação da Bacia do Paraná e teve início uma lenta subsidência termomecânica desse substrato o que permitiu a deposição de uma seqüência sedimentar do Cretáceo Superior, justificando então uma nova denominação para a unidade litoestratigráfica nas seções suprabasálticas, sendo então proposta a Bacia Bauru (FERNANDES & COIMBRA, 1996). O depocentro da sucessão cretácea suprabasáltica ocupa geograficamente a mesma posição onde se localizam as maiores espessuras de lava da Formação Serra Geral, motivo pelo qual, a subsidência da bacia Bauru tem sido interpretada como produto de reajustes flexurais negativos da litosfera, ocorridos após empilhamento, resfriamento e acomodação mecânica das rochas magmáticas (RICCOMINI, 1997). A Bacia Bauru é delimitada a noroeste pela Antéclise de Rondonópolis (COIMBRA, 1991), do Alto Paranaíba à nordeste (HASUI & HARALYI, 1991), à leste pela Serra do Mar e a sudeste pelo Arco de Ponta Grossa (Figura 1), pontuados por centros de magmatismo alcalino penecontemporâneo à sua evolução (FERNANDES & COIMBRA, 1996). A área da bacia é de cerca de 370.000 km2 e espessura de 300 m, abrangendo os estados de Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. A bacia pode ser dividida em dois grupos cronocorrelatos (Figura 2): Caiuá de depósitos de 7 ambiente eólico; e Bauru de depósitos fluviais e de leques aluviais (FERNANDES & COIMBRA, 1996, 2000). O Grupo Caiuá é composto pelas formações Santo Anastácio, Rio Paraná e Goio Erê. Esse grupo é constituído por arenitos de coloração marrom-avermelhado a arroxeado, com estruturas variando de estratificações cruzadas de pequeno a grande porte. As formações desse grupo apresentam freqüentemente cimentação e concrecionamento carbonático (SOARES et al., 1980). O Grupo Bauru é composto pelas formações Adamantina, Marília, Uberaba e Analcimitos Taiúva (sensu FERNANDES & COIMBRA, 1996). É encontrada nesse grupo uma importante assembléia fossilífera, composta por palinomorfos, moluscos, artrópodes, peixes, anuros, lagartos e serpentes, quelônios, crocodilomorfos, dinossauros e um possível mamífero (BERTINI et al., 1993). As seqüências mais antigas desse grupo são as formações Adamantina e Uberaba (essa limitada à região do Triângulo Mineiro) que datam do Turoniano-Santoniano (sensu DIAS-BRITO et al., 2001). BARCELOS (1984) diferencia as formações Adamantina e Uberaba pela contribuição vulcânica na sedimentação da segunda. A unidade mais recente do Grupo Bauru é a Formação Marília de depósitos de origem flúvio-deltaicos de idade presente foram maastrichtiana (DIAS-BRITO et al., 2001). Todos os Sphagesauridae reconhecidos até o encontrados em rochas da Formação Adamantina. No presente estudo a Formação Araçatuba será tratada como fácies argilosa da Formação Adamantina uma vez que sua maior extensão ocorre em subsuperfície, dificultando uma melhor caracterização do ambiente deposicional. 8 Figura 1: Limites estruturais da Bacia Bauru (Modificado de PAULA E SILVA, 2003). 9 Figura 2: Mapa Geológico da Bacia Bauru (Retirado de PAULA E SILVA, 2003). 10 A Formação Adamantina ocorre em contato gradacional e interdigitada com a Formação Santo Anastácio e sobreposta aos basaltos da Formação Serra Geral, em contato discordante erosivo. Essa formação representa um pacote rochoso largamente oxidado e é dentre as outras unidades do grupo, a mais extensamente distribuída e que contém as mais expressivas exposições lacustres (SOARES et al., 1980; DIAS-BRITO et al., 2001). Apresenta consideráveis variações faciológicas, expressa quase sempre em arenitos feldspáticos avermelhados finos a muito finos, com intercalações de siltitos argilosos e folhelhos cinzentos ou esverdeados (BARCELOS, 1984). Os arenitos são predominantemente expressos como bancos métricos, maciços ou estruturados, com estratificações cruzadas de porte variado e plano-paralelas horizontais (DIAS-BRITO et al., 2001). Ocorre localmente cimentação calcífera ou discretos níveis calcretizados (BARCELOS, 1984). Os pacotes mais espessos são encontrados na faixa mais ocidental do Estado de São Paulo, onde atingem até 150 m (SOARES et al., 1980). A sedimentação dessa unidade é interpretada como resultante de depósitos fluviais entrelaçados, lacustres rasos e aluviais. O clima teria sido quente com períodos de semi-aridez e secas prolongadas (SUGUIO & BARCELOS, 1983), ou quente e úmido (SOARES et al., 1980). Muitos dos vertebrados encontrados nas rochas da Formação Adamantina aparecem em arenitos finos (Figura 3) de deposição em enchentes abruptas ou planícies de inundação durante estação quente e seca (CARVALHO et al., 2005). Os fósseis de vertebrados mais completos e bem preservados da Bacia Bauru são provenientes dessa formação. 11 Figura 3: Perfil litoestratigráfico das ocorrências de Sphagesauridae no distrito de Prudêncio e Morais no município de General Salgado, estado de São Paulo. 12 4 MATERIAL E MÉTODOS Foram estudados todos os materiais referidos aos Sphagesauridae depositados no Museu de Paleontologia de Monte Alto (MPMA), Coleção de Macrofósseis de Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ DG), além da análise de literatura dos dentes DGM 332-R e DGM 333-R de PRICE (1950) e do crânio e mandíbula RCL-100 (POL, 2003). Os materiais depositados na Coleção de Macrofósseis do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro correspondem ao holótipo de Adamantinasuchus navae Nobre & Carvalho, 2006 (UFRJ DG 107R) e o holótipo de Armadillosuchus arrudai (UFRJ DG 303-R). Depositado no Museu de Paleontologia de Monte Alto está o parátipo de Armadillosuchus arrudai (MPMA-64-0001-04) e outros materiais ainda sem numeração de tombo. Esse material foi estudado quanto sua morfologia externa e comparado entre si e com literatura especializada. Todo material tipo de Adamantinasuchus navae e Armadillosuchus arrudai foi tomografado em duas sessões em um tomógrafo Multi-slice realizado no CDPI Leblon em fatias de 0,45 mm de espessura com espaçamento de 0,5 mm e em outra sessão a tomografia foi feita em fatias de espessura de 0,5 mm e espaçamento de 0,45 mm. Além do imageamento tomográfico, foi realizada uma sessão microscopia eletrônica de varredura (MEV) ambiental, para materiais maiores do que 1 cm, em um microscópio JEOL JSM 5800 LV Scanning Microscope, a sessão foi realizada no Instituto Militar de Engenharia. 13 5 OS SPHAGESAURIDAE Sistemática Crocodylomorpha Walker, 1970 Crocodyliformers Hay, 1930 Mesoeucrocodylia Whetstone & Whybrow, 1983 Notosuchia Gasparini, 1971 Sphagesauridae Kuhn, 1968 (sensu Marinho & Carvalho, 2007) Sphagesaurus huenei Price, 1950 Holótipo: DGM 332-R, um dente maxilar posterior ou mandibular posterior isolado denominado Sphagesaurus huenei por PRICE (1950) encontrado no corte da Ferrovia Sorocabana entre as cidades de Santo Anastácio e Presidente Bernardes, estado de São Paulo. Espécimes Referidos: DGM 333-R, um dente isolado atribuído por PRICE (1950) como o parátipo de Sphagesaurus huenei, proveniente das imediações do município de Catanduva; DGM 1411-R, porção rostral de um Sphagesaurus sp., reportada por KELLNER et al. (1995) e figurada em KELLNER & CAMPOS (1999) proveniente do município de Presidente Prudente; URC-R 15, um dente isolado referido por BERTINI et al. (1993) como Sphagesaurus sp. e encontrado na “Localidade 99” da Formação Adamantina; RCL-100, é um crânio quase completo e a porção rostral da mandíbula provenientes do município de Buenópolis e atribuídos a Sphagesaurus huenei (POL, 2003); UFRJ DG 107-R, um crânio quase completo de Adamantinasuchus navae, proveniente do município de Marília (NOBRE & 14 CARVALHO, 2006), UFRJ DG 303-R e MPMA-64-0001-04, restos cranianos e pós-crânianos de um Armadillosuchus arrudai, provenientes do município de General Salgado (MARINHO & CARVALHO, 2009; no prelo), os únicos exemplares coletados com controle espacial e estratigráfico. Apesar da ocorrência reportada por KELLNER et al. (1995) de um Sphagesauridae no município de Iturama, estado de Minas Gerais, todos os espécimes aqui referidos são proveniente do estado de São Paulo, uma vez que o espécime mineiro não foi figurado ou descrito. Diagnose: dentes maxilares posteriores e mandibulares posteriores com longas raízes, coroas baixas e uma espessa camada de esmalte com algumas carenas longitudinais espaçadas irregularmente, podendo apresentar protuberâncias de tamanho variado no esmalte. Esses dentes posteriores são mesioposteriormente comprimidos, côncavos posteriormente e posicionados obliquamente nos ossos onde estão implantados (Figura 4). Os dentes maxilares posteriores apresentam quilhas posicionadas posterolingualmente com poucas tuberosidades, enquanto os mandibulares posteriores apresentam a mesma morfologia, mas com a porção tuberculada voltada anterolingualmente (Figura 5). A seção transversal dos dentes pré-maxilares e mandibulares anteriores é circular diferentemente dos dentes posteriores, que apresentam uma seção transversal triangular. O número de dentes na prémaxila é reduzido, sendo Adamantinasuchus navae portador de três dentes e Sphagesaurus huenei com apenas dois. O número de dentes mandibulares é desconhecido e os maxilares é reduzido de dez a seis. O jugal é lateralmente expandido e dorsoventralmente comprimido (Figura 6). Os foramens dos tubos auditivos são posicionados em linha horizontal reta e transversal. O rostro é do 15 tipo oreinirostral e a narina externa é anterior. A região sinfiseal da mandíbula é longa e estreita. O pré-frontal e a maxila estão em contato entre si na região anteromedial interna da órbita (Figura 7). Figura 4: Vista palatal de Sphagesaurus huenei, onde é observada a implantação oblíqua e forma triangular dos dentes maxilares posteriores; j indica o jugal lateralmente expandido (Modificado de POL, 2003). 16 Figura 5: (1 e 2), holótipo de Sphagesaurus huenei DGM 332-R, (1) em vista mesial e (2) em vista posterior; (3 e 4), dente de Armadillosuchus arrudai, (3) em vista mesial e (4) em vista posterior; (5 e 6), dentes de Adamantinasuchus navae, (5) em vista labial e 6 em vista lingual. 17 Figura 6: Crânios em vista lateral direita indicando a compressão do jugal; (1) Adamantinasuchus navae e (2) Sphagesaurus huenei (Modificado (1) de Nobre & Carvalho, 2006 e (2) de Pol (2003). Figura 7: Contato interno entre a maxila (max) e o pré-frontal (prf) na porção média da órbita de Sphagesaurus huenei (Modificado de POL, 2003). 18 6 RESULTADOS Uma das características mais marcantes dos Sphagesauridae é a posição oblíqua dos dentes posteriores e o antagonismo das quilhas inferiores e superiores. PRICE (1950) notou que os dentes de Sphagesaurus huenei portavam uma quilha com grandes tuberosidades e que estavam desgastadas. Além disso, que os dentes por ele analisados possuíam uma espessa camada de esmalte, a substância orgânica com maior grau de dureza, e ainda assim as quilhas apresentavam desgastes (Figuras 8 e 9). PRICE (1950) sugeriu o nome Sphagesaurus, que significa “réptil açougueiro”, porque esses animais deveriam triturar ossos facilmente com todo esse aparato dentário. Figura 8: Dente do Armadillosuchus arrudai, em (1) vista posterior, (2) oblíqua e em vista ligual a direita. Notar as estrias paralelas na face de desgaste o que indica o movimento propalinal, e desgaste no ápice do dente devido ao fechamento da mandíbula. 19 Figura 9: MEV do dente de Armadillosuchus arrudai, detalhando as estrias paralelas na área de desgaste; exemplar UFRJ DG 303-R. POL (2003) descreve um crânio bem preservado portando dentes muito fragmentários, mas ainda assim possível de se atribuir a Sphagesaurus huenei e descreve então os primeiros restos ósseos desse animal. Foi notado que no exmplar RCL-100, o desgaste dentário estava presente em apenas um lado, POL (2003) então propôs que talvez Sphagesaurus huenei pudesse mover a mandíbula anteroposteriomente, movimento propalinal, e também realizar esse movimento de maneira unilateral, algo já proposto por BONAPARTE (1991) para Notosuchus terrestris Woodward, 1896. Foi observado nos exemplares de Armadillosuchus arrudai, MPMA-64-0001-04 e em um dente isolado encontrado 20 acima do crânio UFRJ DG 303-R, desgaste em dentes completos, e nos desgastes observou-se estriamentos horizontais paralelos, isso indica o movimento propalinal proposto anteriormente por BONAPARTE (1991) para alguns Notosuchia. No exemplar MPMA-64-0001-04 é possível observar além das estrias horizontais paralelas, uma preferência dos desgastes para o lado direito indicando uma mastigação unilateral. Esse padrão mastigatório, desgastes dentários e o próprio posicionamento dos dentes dos esfagessaurídeos indicam que esses animais processavam o alimento antes de ingerir, eram durófagos ou alimentavam-se de material muito abrasivo, como moluscos dulciaquícolas, material vegetal como tubérculos, pinhas e materiais vegetais silicosos. Como PRICE (1950) sugere, os Sphagesauridae poderiam se alimentar de carne, possivelmente não como caçadores ativos, mas oportunistas e necrófagos. Carcaças expostas ao dessecamento como ficariam nas condições secas e quentes do clima então dominante tornavam-se muito duras, o que causaria a grande abrasão observada nos dentes desses animais. Foi observado em elementos do pós-crânio de Armadillosuchus arrudai, características de animais fossoriais, tais como, um corpo fusiforme, falanges carpais longas robustas e altas, uma escápula longa e ampla, os ossos do antebraço com proporções similares as do braço, presença de uma extensão da ulnar análoga a um olecrano de um mamífero. Nesse animal, observou-se uma ampla e espessa armadura dérmica dorsal e paquiostose nas costelas. Esse reforço na estrutura óssea e a possibilidade de escavação poderia ser uma resposta a uma competição intraespecífica de predação por Baurusuchus salgadoensis Carvalho, Campos & Nobre, 2005, que poderia passar o 21 comprimento de 3 m, contra 2 m de Armadillosuchus arrudai. Esses animais são freqüentemente encontrados próximos uns dos outros e no mesmo nível estratigráfico, indicado que havia interação entre ambos. Também é possível que Armadillosuchus arrudai predasse baurussuquídeos jovens, outros animais de menor porte e se alimentassem de carcaças em decomposição desses animais maiores. 6.1 Artigos confeccionados Como exigência do Programa de Pós-Graduação em Geologia para a conclusão de tese de Doutorado, foram confeccionados dois artigos no âmbito do tema proposto, sendo o primeiro já publicado e o segundo no prelo. O primeiro artigo com referência: MARINHO, T.S. & CARVALHO, I.S. Revision of the Sphagesauridae KUHN, 1968 (Crocodyliformes, Mesoeucrocodylia). In: CARVALHO, I.S.; CASSAB, R.C.T.; SCHWANKE, C.; CARVALHO, M.A.; FERNANDES, A.C.S.; RODRIGUES, M.A.; CARVALHO, M.S.S.; ARAI, M.; OLIVEIRA, M.E.Q. (Orgs.). Paleontologia: Cenários de Vida. 1 ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2007, v. 1, p. 589-599. Esse artigo teve como objetivo atualizar a diagnose da família Sphagesauridae, que até então era baseada apenas em dois dentes. Nesse trabalho foi incluído material osteológico de Sphagesaurus huenei publicado por POL (2003) e Adamantinasuchus navae à família. A revisão da família cuja última citação havia sido realizada por STEEL (1973), ainda baseada nos dois dentes de Sphagesaurus huenei, foi importante 22 uma vez que novos e mais completos materiais foram encontrados permitiram a inclusão de Adamantinasuchus navae dentro de Sphagesauridae e comparálos quanto sua morfologia funcional dentária. O segundo artigo encontra-se no momento no prelo já revisado pelos autores: MARINHO, T.S. & CARVALHO, I.S., An armadillo-like sphagesaurid crocodyliform from the Late Cretaceous of Brazil. Journal of South American Earth Sciences (2008), doi: 10.1016/j.jsames.2008.11.005. Esse artigo descreve um novo gênero e espécie do Sphagesauridae mais completo e com o maior número de exemplares conhecidos até o momento, dois indivíduos distintos. Armadillosuchus arrudai divide características análogas a dos Dasypodidae (Mammalia, Cingulata), tais como uma ampla armadura dérmica dividida em um amplo escudo rígido na região cervical e início da região dorsal (Figura 10), e como as outras espécies da família, esse animal era possivelmente onívoro com base no grau de abrasão dos dentes posteriores, que ultrapassa facilmente a espessa camada de esmalte chegando até a região pulpar. Outra característica análoga que Armadillosuchus arrudai compartilha com os tatus são as altas e largas falanges carpais distais, antebraço mais longo do que o braço e um processo ulnar proximal que ultrapassa o rádio e a articulação com o úmero, algo semelhante a um olecrano observado em vários mamíferos, em especial os escavadores e fossoriais, o que pode sugerir que esses animais escavavam ou até mesmo construíam tocas nas margens secas dos rios onde foram depositados os sedimentos que formaram as rochas da Formação Adamantina. 23 Figura 10: Crânio articulado com parte do pós-crânio de Armadillosuchus arrudai, oad, porção ornamentada da depressão antorbital; sad, porção lisa da depressão antorbital; cs, escudo cervical; hu, úmero; ms, escudo móvel. Figura 11: Reconstrução in vivo do crânio de Armadillosuchus arrudai (Arte de Deverson da Silva, “Pepi”). 24 Figura 12: Reconstrução in vivo de dois Armadillosuchus arrudai em um cenário de início de estação de chuvas ao fundo (Arte de Ariel Milani Martine). 25 7 CONCLUSÕES - Até o momento é um grupo restrito à Formação Adamantina, e, portanto, exclusivo do Turoniano-Santoniano; - É um grupo altamente derivado dentre os Notosuchia (sensu Ortega et al., 2000); - Os padrões de desgaste dentário demonstram o quão variada foi a dieta dos crocodilos terrestres; - Esses animais eram onívoros com certo grau de herbivoria e durofagia, alimentando-se potencialmente de moluscos, raízes e outros materiais vegetais bem como carcaças desidratadas; - As morfologia observada na dentição e armadura dérmica indicam um alto grau de adaptação às condições climáticas e ambientais durante o Cretáceo Superior. 26 8 REFERÊNCIAS ANDRADE, M.B & BERTINI, R.J. A new Sphagesaurus (Mesoeucrocodylia: Notosuchia) from the Upper Cretaceous of Monte Alto City (Bauru Group, Brazil), and a revision of the Sphagesauridae. Historical Biology, 20 (2): 101136. 2008. BARCELOS, J.H. Reconstrução paleogeográfica da sedimentação do Grupo Bauru baseada na sua redefinição estratigráfica parcial em território paulista e no estudo preliminar fora do Estado de São Paulo. 1984. 190f. Tese (Livre Docência) - Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 1984. BERTINI, R. J., MARSHALL, L. G., GAYET, M. & BRITO, P. M. Vertebrate faunas from the Adamantina and Marília formations (Upper Bauru Group, Late Cretaceous, Brazil) in their stratigraphic and paleobiogeographic context. Neues Jahrbuch für Geologie und Paläontologie Abhandlungen, v.188, n.1, p.71-101. 1993. BONAPARTE, J.F. Los vertebrados fosiles de La Formacion Río Colorado, de la Ciudade de Neuquén y cercanias, Cretacico Superior, Argentina. 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In: CARVALHO, I.S.; CASSAB, R.C.T.; SCHWANKE, C.; CARVALHO, M.A.; FERNANDES, A.C.S.; RODRIGUES, M.A.; CARVALHO, M.S.S.; ARAI, M.; OLIVEIRA, M.E.Q. (Orgs.). Paleontologia: Cenários de Vida. 1 ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2007, v.1, p.589-599. MARINHO, T.S. & CARVALHO, I.S. An armadillo-like sphagesaurid crocodyliform from the Late Cretaceous of Brazil. Journal of South American Earth Sciences, doi: 10.1016/j.jsames.2008.11.005. 2009, no prelo. MELFI, A.J., PICCIRILLO, E.M. & NARDY, A.J.R. Geological and Magmatic Aspects of the Paraná Basin – an Introduction. In: PICCIRILLO, E.M. & MELFI, A.J. eds. The Mesozoic Flood Volcanism of the Paraná Basin petrogenetic and geophysical aspects. São Paulo, USP/Instituto Astronômico e Geofísico. 1988. p. 47-72. NOBRE P.H. & CARVALHO I.S. Adamantinasuchus navae, a new Gondwanan Crocodylomorpha (Mesoeucrocodylia) from the Late Cretaceous of Brazil. Gondwana Research. v.10, n.4, p.370–378, 2006. 28 PAULA E SILVA, F. Geologia de subsuperfície e hidroestratigrafia do Grupo Bauru no Estado de São Paulo. 2003. 166f. (Tese de Doutorado) Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro. POL, D. New remains of Sphagesaurus huenei (Crocodylomorpha: Mesoeucrocodylia) from the Late Cretaceous of Brazil. Journal of Vertebrate Paleontology 23 (4): 817–831. 2003. PRICE, L.I. Os crocodilideos da fauna da Formação Baurú do Cretáceo terrestre do Brasil meridional. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 22 (4): 473-491. 1950. RICCOMINI, C. Arcabouço estrutural e aspectos do tectonismo gerador e deformador da Bacia Bauru no Estado de São Paulo. Revista Brasileira de Geociências. v.27, n.2: p.153-162. 1997. SOARES, P.C., LANDIM, P.M.B.; FULFARO, V.J. & SOBREIRO NETO, A.F. Ensaio de caracterização estratigráfica do Cretáceo no Estado de São Paulo: Grupo Bauru. Revista Brasileira de Geociências, v.10, n.3, p.177-185. 1980. STEEL, R. Handbuch der Päleoherpetologie: Crocodylia. Vol. 16. FischerVerlag, Portland, OR, 1973. p. 116 SUGUIO, K. & BARCELOS, J.H. Paleoclimatic evidence from the Bauru Group, Cretaceous of Paraná Basin, Brazil. Revista Brasileira de Geociências, v.13, n.4, 232-236, 1983. WOODWARD A.S. On Two Mesozoic Crocodilians Notosuchus (Genus Novum) and Cynodontosuchus (Genus Novum) from the Red Sandstone of the Territory of Neuquén (Argentine Republic). Anales del Museo de la Plata, Paleontologia Argentina. v.6, p.1-20, 1896. Anexo I MARINHO, T.S. & CARVALHO, I.S. Revision of the Sphagesauridae KUHN, 1968 (Crocodyliformes, Mesoeucrocodylia). In: CARVALHO, I.S.; CASSAB, R.C.T.; SCHWANKE, C.; CARVALHO, M.A.; FERNANDES, A.C.S.; RODRIGUES, M.A.; CARVALHO, M.S.S.; ARAI, M.; OLIVEIRA, M.E.Q. (Orgs.). Paleontologia: Cenários de Vida. 1 ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2007, v.1, p.589-599. Anexo II MARINHO, T.S. & CARVALHO, I.S., An armadillo-like sphagesaurid crocodyliform from the Late Cretaceous of Brazil. Journal of South American Earth Sciences (2008), doi: 10.1016/j.jsames.2008.11.005. Status do artigo indicando sua aceitação Accepted Manuscript An armadillo-like sphagesaurid crocodyliform from the Late Cretaceous of Bra‐ zil Thiago S. Marinho, Ismar S. Carvalho PII: DOI: Reference: S0895-9811(08)00123-5 10.1016/j.jsames.2008.11.005 SAMES 789 To appear in: Journal of South American Earth Sciences Received Date: Revised Date: Accepted Date: 11 September 2007 12 May 2008 11 November 2008 Please cite this article as: Marinho, T.S., Carvalho, I.S., An armadillo-like sphagesaurid crocodyliform from the Late Cretaceous of Brazil, Journal of South American Earth Sciences (2008), doi: 10.1016/j.jsames.2008.11.005 This is a PDF file of an unedited manuscript that has been accepted for publication. As a service to our customers we are providing this early version of the manuscript. The manuscript will undergo copyediting, typesetting, and review of the resulting proof before it is published in its final form. Please note that during the production process errors may be discovered which could affect the content, and all legal disclaimers that apply to the journal pertain. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 ACCEPTED MANUSCRIPT 1 1 An armadillo-like sphagesaurid crocodyliform from the Late Cretaceous of Brazil 2 Thiago S. Marinho1* and Ismar S. Carvalho1 3 1 4 Natureza, Instituto de Geociências, Departamento de Geologia, Av. Athos da 5 Silveira Ramos, 274, Bloco F, Ilha do Fundão - Cidade Universitária, Rio de 6 Janeiro, RJ, CEP: 21949-900, Brazil. 7 *Corresponding author. 8 E-mail address: [email protected] 9 Abstract Universidade Federal do Rio de Janeiro, Centro de Ciências Matemáticas e da 10 The Sphagesauridae is a family of crocodyliforms exclusively known for the 11 Brazilian Late Cretaceous Bauru Basin. This lineage reveal how diverse was 12 the morphology and ecology of terrestrial crocodyliforms during the Late 13 Cretaceous of Gondwana. Here is described Armadillosuchus arrudai gen. et 14 sp. nov. a sphagesaurid that presents some mammal-like morphological 15 features, such as propalinal and alternate unilateral jaw occlusion pattern and 16 heavy body armor, composed of a rigid shield and mobile banded section as in 17 extant armadillos (Xenarthra, Dasypodidae). These unusual morphological 18 features contrast to the double row of osteoderms observed on the closest 19 relatives of A. arrudai. As it mammals analogs, A. arrudai presents some 20 evidences of fossoriality and an exclusive terrestrial life style in contrast to the 21 extant alligatorids and crocodylids. 22 Keywords: Crocodyliformes; Sphagesauridae; Bauru Basin; Late Cretaceous; 23 Brazil 24 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 ACCEPTED MANUSCRIPT 25 1. Introduction 26 Mesoeucrocodylian remains are common finds at the Late Cretaceous Bauru 27 Basin on Southeastern Brazil (Nobre and Carvalho, 2006), and the Notosuchia 28 (sensu Ortega et al., 2000) are the most commonly found crocodylomorphs in 29 this unit. Among the notosuchians from the Bauru Basin, there is an elusive 30 group of crocodilians that in spite of the poor record, a family could be erected 31 by Kuhn (1968) based on only two teeth of Sphagesaurus huenei Price, 1950. 32 More recently, a partial snout regarded as S. huenei was reported by Kellner et 33 al. (1995), a nearly complete skull of S. huenei described by Pol (2003) and a 34 new sphagesaurid, Adamantinasuchus navae Nobre and Carvalho, 2006 was 35 described, shedding new light into the anatomy and systematics of the family. 36 2 The Sphagesauridae present some unusual dental features for 37 crocodilians, such as the oblique disposition of the posterior teeth, keels bearing 38 few and large tubercles positioned lingually on the upper teeth and labially on 39 the lower ones on each of the posterior teeth, worn facets that suggest 40 propalinal unilateral jaw movements and high heterodonty (Price, 1950; Kuhn, 41 1968; Pol, 2003). 42 New remains of sphagesaurids were found at General Salgado County, 43 São Paulo State, Brazil. Among these findings, a nearly complete cranium 44 articulated to part of the postcranial skeleton, left arm and a complex body 45 armor composed of a rigid cervical shield and a mobile banded section like 46 those of extant armadillos (Xenarthra, Dasypodidae), is described here as 47 Armadillosuchus arrudai gen. et sp. nov., the most complete Sphagesauridae 48 known to date. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 ACCEPTED MANUSCRIPT 49 3 The institutional abbreviations used on this article are as follows: UFRJ 50 DG, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil; and 51 MPMA, Museu de Paleontologia de Monte Alto, Monte Alto, São Paulo, Brazil. 52 53 2. Geological setting 54 The Bauru Basin (Fulfaro et al., 1994; Fernandes and Coimbra, 1996, 1999), 55 with an area of roughly 370,000 km2, it covers part of the current Brazilian 56 states of Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás and 57 Minas Gerais (Fig. 1). The deposits found in the Bauru Basin are of continental 58 origin and usually composed of siliciclastics, including conglomerates, 59 sandstones, siltites and shales. Fulfaro et al. (1994) considered that these 60 sediments were deposited throughout the Aptian and Maastrichtian (Upper 61 Cretaceous). They are generally included in two groups of the Bauru Basin: the 62 Caiuá and Bauru Groups (Soares et al., 1980; Fernandes and Coimbra, 1992, 63 1996). 64 Fernandes and Coimbra (1996) subdivided the Bauru Group in three 65 formations, with different ages of deposition. The Adamantina Formation is the 66 oldest one (Turonian–Santonian age, after Castro et al., 1999). It is composed 67 of a sequence of sandstones, mudstones, siltites and clayish sandstones. 68 Batezelli et al. (1999) redefined the lowest portion of the Adamantina Formation 69 as the Araçatuba Formation. The Uberaba Formation (Coniacian–Campanian) 70 (sensu Goldberg and Garcia, 2000), which is restricted to the Triângulo Mineiro 71 region at Minas Gerais State, is composed of thin sandstones interbedded with 72 siltites, coarse sandstones, mudstones and volcanoclastic sediments. The last 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 ACCEPTED MANUSCRIPT 4 73 and most recent unit is the Marília Formation, composed of a sequence of 74 conglomeratic sandstones, sandstones, mudstones and carbonatic levels 75 (Soares et al., 1980; Garcia et al., 1999; Alves and Ribeiro, 1999; Andreis et al., 76 1999). Based on biostratigraphic data obtained from carophytes and ostracods, 77 this last unit is considered as Maastrichtian (Dias-Brito et al., 2001). Fernandes 78 (2004) proposed the division of the Adamantina Formation in four new 79 formations: Araçatuba Formation, Vale do Rio do Peixe Formation, São José do 80 Rio Preto Formation and Presidente Prudente Formation. The material here 81 studied will be regarded as being from the Adamantina Formation, due to the 82 fact that these outcrops were not yet studied in the view of this new proposition. 83 84 Fig. 1 Near here 85 86 3. Systematic Paleontology 87 Archosauria Cope, 1869 88 Crocodyliformes Hay, 1930 89 Notosuchia Gasparini, 1971 90 Sphagesauridae Kuhn, 1968 91 Armadillosuchus arrudai gen. et sp. nov. 92 93 Etymology: Generic name from the Spanish, Armadillo popular name for extant 94 cingulates (Dasypodidae) from the Latin armatus for armed-one, and souchus, 95 Greek for crocodile, leading to Latin, suchus. Specific name honors João Tadeu 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 ACCEPTED MANUSCRIPT 5 96 Arruda who made many important fossil discoveries at General Salgado County 97 in São Paulo State, Brazil. 98 Holotype: UFRJ DG 303-R (Departamento de Geologia, Universidade Federal 99 do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil), consists of an almost complete skull, 100 complete cervical vertebrae and ribs, dorsal vertebrae and ribs, scapulae, a 101 partial left coracoid, left humerus displaced anteriorly, left radius and ulna, most 102 of the left manus, complete cervical osteoderm shield and seven bands of 103 imbricated osteoderms (Fig. 2a-b; Fig 5). 104 Paratype: MPMA-64-0001-04 (Museu de Paleontologia de Monte Alto, Monte 105 Alto, São Paulo, Brazil), premaxillae broken at the rostral end and dorsal 106 portion, left maxilla broken after the second left tooth and dorsal portion, right 107 maxilla broken after the fourth tooth and dorsal portion, lower jaw almost 108 complete at the mandibular symphysis (Fig. 2c-d). 109 Locality and horizon: Late Cretaceous (Turonian-Santonian), Adamantina 110 Formation, Bauru Basin, at General Salgado County, São Paulo State, Brazil. 111 Diagnosis: A Sphagesauridae bearing two premaxillary teeth, the second ones 112 are hypertrophied caniniforms; posterior maxillary teeth present the major crown 113 axis obliquely oriented with few large tubercles disposed in one lingual keel 114 (Fig. 4); lower jaw is narrow and elongated at the symphyseal region; the first 115 dentary teeth facing anteriorly; fourth dentary teeth slightly flattened laterally 116 and have an anterior keels; the fifth dentary teeth has the major crown axis 117 obliquely oriented with the tuberculated keel facing the labial margin, and 118 occluded behind the third maxillary teeth; basioccipital-basisphenoid suture 119 marginate the foramen intertympanicum posteriorly; foramen intertympanicum 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 ACCEPTED MANUSCRIPT 6 120 in the basisphenoid; basioccipital-basisphenoid suture marginate the lateral 121 Eustachian foramina posteriorlly and laterally; lateral Eustachian foramina 122 aligned to the foramen intertympanicum (Fig. 3); antorbital depression divided in 123 two parts: a smooth and deeper and an ornamented and shallower one; body 124 armor with two distinct parts: a cervical shield and a banded dorsocervical 125 section; hexagonal osteoderms compose most of the cervical shield. 126 Fig. 2 Near Here 127 128 Fig. 3 and 4 Near Here 129 130 4. Comparative description 131 The remains of the holotype cranium are well preserved, and only the 132 ventral portion of the maxilla, premaxilla and palatal region are missing. There 133 are some teeth embedded in the sediments at the palatal region. These teeth 134 make it possible to correlate the paratype to the holotype. The postcranial 135 remains are represented by the complete cervical series and two dorsals with 136 the respective ribs, the medial portion of the left coracoid, left and right scapula, 137 left humerus, left radius and ulna, complete left manus, cervical dermal shield 138 and seven rows of osteoderms of the mobile banded section of the body armor. 139 The paratype was found in close association to the holotype. The teeth 140 preserved on its maxilla are identical to those preserved within the skull of the 141 holotype. Also, the maxilla and premaxilla, postcranial remains like osteoderms 142 and appendicular elements are similar to UFRJ DG 303-R, providing proper 143 evidence that both specimens were of the same species. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 ACCEPTED MANUSCRIPT 7 144 The teeth morphology and disposition of Armadillosuchus arrudai 145 provided a powerful shearing scissors-like mechanism where the tuberculated 146 keels of the upper teeth joins the tuberculated keels of the lower teeth in a 147 tooth-tooth occlusion as in Sphagesaurus huenei, and Adamantinasuchus 148 navae. Armadillosuchus arrudai teeth exhibit some anteroposterior wear similar 149 to that seen in Sphagesaurus huenei, where parallel striae suggest a propalinal 150 fore-aft jaw movement and an alternate unilateral jaw occlusion pattern (Pol, 151 2003). These worn surfaces present on Armadillosuchus arrudai teeth suggest 152 that the occluding movement included a large anteroposterior component and 153 probable omnivory (Pol, 2003; Nobre and Carvalho, 2006). The symphyseal 154 region of the mandible of Armadillosuchus arrudai is long and narrow as in S. 155 huenei, A. navae and most of the notosuchians (Gasparini, 1971; Bonaparte, 156 1991; Carvalho and Bertini, 1999). The first dentary teeth are oriented forward 157 like those of A. navae and Mariliasuchus amarali Carvalho and Bertini, 1999, 158 and differently of S. huenei, that possessed these teeth dorsally orientated. 159 Also, the fifth dentary teeth occlude anterior to the third maxillary ones in 160 Armadillosuchus arrudai, while it occludes anteriorly to the first maxillary teeth in 161 S. huenei (Pol, 2003). The function of these teeth might be related to an 162 underground foraging habit. Considering this habit for Armadillosuchus arrudai 163 and the teeth weariness observed, it is plausible to think that these animals 164 might have fed on mollusks, arthropods or even roots, pines and other plant 165 material. 166 167 The skull of Armadillosuchus arrudai is robust and flattened dorsoventrally, but still oreinirostral as most of the Notosuchia, with a few 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 ACCEPTED MANUSCRIPT 8 168 exceptions like Comahuesuchus brachybuccalis Bonaparte, 1991. The skull 169 roof is wide, with the squamosals projected lateroventroposteriorlly. There is a 170 suprasquamosal, an accessory bone attached to both squamosals. The snout is 171 strongly ornamented and proportionally wider and longer than in S. huenei and 172 A. navae. 173 There is a cervical shield composed of many hexagonal osteoderms 174 firmly attached by lateral sutures articulated to the skull. The whole perimeter of 175 the shield is convex, so it could articulate independently to the skull and the 176 posterior portion of the dermal armor. This shield is rigid and the posterior 177 border is ornamented with parallel horizontal ridges. Posteriorly to the cervical 178 rigid osteoderm shield, there is a mobile banded body armor section composed 179 by imbricated osteoderms. The mobile section of the body armor was dislocated 180 posteriorly due to the taphonomic process. The imbricated osteoderms of the 181 banded dorsal armor are like most of the crocodyliform osteoderms: rectangular 182 and ornamented by circular pits. The first to the fifth mobile bands are 183 composed by four paralleled osteoderms, while the sixth and seventh are 184 reduced to two. The morphology of the osteoderms of the last band resembles 185 the posterior dorsal ones of extant Crocodylia, wide anteriorlly and narrow 186 posteriorly. This might indicate that posteriorly to the seventh band of trunk 187 osteoderms, Armadillosuchus arrudai had a single double row of dorsal bony 188 plates from this point to the caudal series. Despite of the unique features, the 189 overall morphology of the body armor of Armadillosuchus arrudai resembles 190 those of the extant armadillos (Xenarthra, Dasypodidae). 191 Fig. 5 Near Here 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 ACCEPTED MANUSCRIPT 9 192 Armadillosuchus arrudai was found in close association with many 193 complete and articulated Baurusuchus salgadoensis Carvalho, Campos and 194 Nobre, 2005 (Crocodyliformes, Baurusuchidae) skeletons (Arruda et al., 2004). 195 These remains are often found in these conditions, which might be related to 196 burrowing habits, as seen in extant alligatorids and crocodylids, and at least one 197 dinosaur, Oryctodromeus cubicularis (Varricchio et al., 2007). Armadillosuchus 198 arrudai has some morphological characteristics that point to a burrowing habit, 199 such as a long and wide scapula, robust manus claws, robust neck and skull 200 and anteriorly facing teeth worn at it anteriormost part of the apices. 201 The bizarre Chinese crocodyliform Chimaerasuchus paradoxus is often 202 positioned as sister group of Sphagesaurus huenei (Pol, 2003; Zaher et al., 203 2006), and therefore the closest relative of the Sphagesauridae or a basal taxon 204 of the family. Unlike Armadillosuchus arrudai and the other Sphagesauridae, C. 205 paradoxus have tritylodontid-like maxillary teeth with three longitudinal rows of 206 recurved cusps, and short and broad mandibular symphysis region (Wu et al. 207 1995). The right mandible ramus preserved of C. paradoxus in dorsal view is 208 almost longitudinal, with the symphyseal region slightly projected medially, while 209 sphagesaurids mandibles are long, narrow and project laterally at the posterior 210 portion of the symphysis. This differences observed on C. paradoxus would 211 exclude it from the Notosuchia clade. 212 213 Fig. 6 Near Here 214 215 5. Conclusions 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 ACCEPTED MANUSCRIPT 10 216 Evidence from the Armadillosuchus arrudai specimens suggest that 217 these animals would have been omnivores with some degree of herbivory and 218 also have fed on hard materials like, roots, pines, mollusks and dried carcasses. 219 Even though mollusk remains were not found associated to Armadillosuchus 220 arrudai, the sediments that compose the sandstone from this deposit were 221 deposited in a fluvial lacustrine environment, and might have been the habitat of 222 bivalve mollusks, commonly found in other sites of the Adamantina Formation. 223 The hot semi-arid climate would rapidly dry carcasses that would have been 224 eaten by Armadillosuchus arrudai. This kind of hard and abrasive material may 225 have produced the worn surfaces and striations seen in Armadillosuchus 226 arrudai and Sphagesaurus huenei. Further analysis on the dentition 227 morphology, wear and jaw movements will be discussed in another study. 228 The morphological data collected from the Sphagesauridae suggest that 229 these crocodilians and the notosuchids should be separated from C. paradoxus, 230 which should be grouped in another clade. C. paradoxus does not resemble in 231 any way the Notosuchia, as that species possessed tritylodontid-like maxillary 232 teeth with three mesial-distal oriented rows of cusps (Wu et at., 1995). The 233 morphology of the Sphagesauridae is different from any other Notosuchia, as 234 those are the only Mesoeucrocodylia to bear the posterior teeth with major axis 235 transverse to the maxilla and dentary. Therefore, Sphagesauridae is an 236 endemical family of Mesoeucrocodylia of the Upper Cretaceous of Gondwana. 237 The evidences of endemicity of sphagesaurids to the Bauru Basin may support 238 that some tetrapod forms were exclusive to Gondwanan landmasses during the 239 Cretaceous, as proposed by Bonaparte (1991). 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 ACCEPTED MANUSCRIPT 11 240 241 References 242 Alves, J.M.P., Ribeiro, D.T.P., 1999. Evolução diagenética das rochas da 243 Formação Marília—Minas Gerais, Brasil. Simpósio sobre o Cretáceo do Brasil, 244 vol. 5. UNESP, Boletim, Serra Negra, pp. 327–332. 245 Andreis, R.R., Capilla, R., Reis, C.C., 1999. Considerações estratigráficas e 246 composição dos arenitos da Formação Marília (Cretáceo Superior) na região de 247 Uberaba (MG). Simpósio sobre o Cretáceo do Brasil, vol. 5. 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Arruda-Campos for access to material; S. 323 Tavares for preparation of the paratype; illustrations were made by Pepi, except 324 figure 1a, made by R. Nogueira. This research was supported by Instituto 325 Virtual de Paleontologia/ Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de 326 Janeiro 327 Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) and Conselho 328 Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq, Proc. no 329 305780/2006-9). (IVP/FAPERJ, Proc. no E-26/152.541/2006), Coordenação 330 331 Figure Captions 332 Figure 1: Geological map of the Bauru Basin. Modified from Fernandes & 333 Coimbra (1996). de 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 ACCEPTED MANUSCRIPT 15 334 Figure 2: Armadillosuchus arrudai gen. et sp. nov. (UFRJ DG 303-R), skull, 335 cervical shield and humerus in (a) dorsal view and (b) lateral left view. 336 Armadillosuchus arrudai gen. et sp. nov. (MPMA-64-0001-04), (c) fragmentary 337 upper and lower jaws in occlusion. (d) left view of the lower jaw, (e) symphyseal 338 region of the mandible in ventral view, (f) palatal view of the upper jaw remains 339 where it is observed the transverse orientation of the posterior maxillaxy teeth 340 and (g) right view of the mandible tuberculated keels of posterior teeth 341 orientated labially. Abbreviations: cs, cervical shield; d, dentary; dt, dentary 342 tooth; f, frontal; j, jugal, hu, humerus; l, lachrymal; mt, maxillary tooth; mx, 343 maxilla; n, nasal; oad, ornamented portion of the antorbital depression; od, 344 osteoderms; p, parietal; pa, palate; pf, prefrontal; pmt, premaxillary tooth; pm, 345 premaxilla; pmt, second premaxillary tooth; po, postorbital; pob, postorbital bar; 346 pt, pterygoid; q; quadrate; qj, quadratojugal; r, root; s, splenial; sad, smooth 347 portion of the antorbital depression; soa, anterior supraorbital; sop, posterior 348 supraorbital; sq, squamosal; ssq, suprasquamosal; tk, tuberculated keel; wf, 349 worn facet; wtk, worn tuberculated keel. 350 Figure 3: Armadillosuchus arrudai gen. et sp. nov. (UFRJ DG 303-R), detail of 351 the occipital area in ventral view. Abbreviation: at, atlas; bocc, basioccipital, 352 bsp, basisphenoid; cr, cervical rib; cv, cervical vertebra; fit, foramen 353 intertympanicum; lef, lateral Eustachian foramen; q, quadrate; pt, pterygoid. 354 Figure 4: Armadillosuchus arrudai gen. et sp. nov. UFRJ DG 303-R tooth in 355 anterior (a) and posterior view (b). 356 Figure 5: 3D reconstruction in dorsal view of Armadillosuchus arrudai gen. et 357 sp. nov. from CT scan images. Abbreviation: cs, cervical shield; hu, humerus; 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 ACCEPTED MANUSCRIPT 16 358 ms, mobile banded shield; oad, ornamented portion of the antorbital depression; 359 sad, smooth portion of the antorbital depression. 360 Figure 6: Life reconstruction of Armadillosuchus arrudai gen. et sp. nov. Figure 2 ACCEPTED MANUSCRIPT Figure 1 ACCEPTED MANUSCRIPT Figure 3 ACCEPTED MANUSCRIPT Figure 4 ACCEPTED MANUSCRIPT Figure 5 ACCEPTED MANUSCRIPT Figure 6 ACCEPTED MANUSCRIPT