EDUCAÇÃO AMBIENTAL: UMA QUESTÃO DE CONSCIENTIZAÇÃO
Bonassina, Ana Lucia – PUCPR
[email protected]
Kowalski, Raquel Pasternak Glitz – PUCPR
[email protected]
Lopes, Maria Cecília Pascoal – PUCPR
[email protected]
Resumo
O objetivo deste artigo é contribuir para o desenvolvimento de programas que permitam a
discussão sobre a questão do lixo, partindo do princípio de que todos são co-responsáveis na
busca de soluções e alternativas para enfrentar o grande problema da poluição ambiental.
Pretende-se conscientizar os agentes envolvidos na educação da relevância deste problema e
convidar esses professores na elaboração de projetos no meio educativo que possibilitem a
percepção de uma conduta adequada para amenizar o impacto no meio ambiente. O lixo não é
tratado como deveria e está presente em todos os cantos do planeta, tanto em cidades de
pequeno porte no interior do país, como nas grandes capitais. O problema aqui apresentado
não é uma questão de escassez, mas sim de desperdício. Em média um quarto do que é
consumido por uma pessoa vai para o lixo. Este problema é mundial e depende do
comprometimento de todos os cidadãos, da mídia, do poder público e em especial do
professor que está presente na vida de um estudante desde as séries iniciais. Deve-se refletir e
investigar soluções para a demanda do lixo, possibilitando sua diminuição. Este artigo não
pretende esgotar o assunto; e sim provocar o agente da educação a refletir com profissionais e
alunos o problema do desperdício, por conseguinte promover projetos que possibilitem a
investigação do problema e a procura de possíveis soluções para reutilização do lixo e
consciência da coleta seletiva. Estas ações contribuem para a preparação de um docente
crítico, reflexivo, investigador, consciente e ecologicamente correto que contribuirá
efetivamente não só nas soluções para o meio ambiente, como, também, para a criação de
novas oportunidades no campo social.
Palavras-chaves: Lixo; poluição; conscientização.
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Introdução
Os recursos disponíveis em nosso planeta levaram milhares de anos para se
formar e estão se esgotando em ritmo acelerado. Tudo que interfere em um ecossistema
qualquer, reflete no ecossistema biosfera.
Neste final de década, de século e de milênio, todo o planeta Terra
experimenta fortes sinais de transição, como se a natureza estivesse
acordando o homem para um novo sentido de vida. E tudo ocorre tão
extraordinariamente que as mudanças geram novos paradigmas,
determinam novos comportamentos e exigem novos caminhos na gestão de
recursos da natureza. (MACEDO in anônimo, 2002, p.1)
Da utilização dos recursos naturais ficam os restos que são introduzidos no
ambiente, desequilibrando-o. O lixo é um fenômeno que está em todos os momentos da vida,
inclusive em pequenas situações que nem nos damos conta. Ele é um grande desafio dos
tempos atuais que se equipara com outros problemas de solução complexa, como o efeito
estufa, agressão à camada de ozônio, escassez de água potável, etc.
Vivemos a era dos descartáveis... Em geral, quanto mais rica e
industrializada for uma determinada região, maior será o consumo de descartáveis, assim
sendo, o que acontecerá se os recursos disponíveis na Terra continuarem sofrendo exploração
irracional? Cavinatto, (1987, p.12) propõe:
Na era dos descartáveis, as embalagens de bebidas e de alimentos, feitas
principalmente de alumínio, plástico e papel, passaram a ser produzidas em
larga escala, substituindo os recipientes que até pouco tempo eram
totalmente reutilizáveis, como as garrafas de cerveja e de refrigerante feitas
de vidro. As modernas redes de lanchonete, ao servir um simples sanduíche
acompanhado de bebida, oferecem caixinhas de papelão ou isopor,
guardanapos, talheres, copos e canudos que serão depositados numa lixeira
minutos depois.
Vivemos vinte e quatro horas por dia na cultura do desperdício, decorrente
de novos hábitos e velhas práticas de uma sociedade tradicional acostumada à fartura dos
recursos naturais e hábitos ingênuos de generosidade e esbanjamento.
A geração de resíduos está ligada ao aumento de consumo e cultura do
descartável. A sociedade associou qualidade de vida ao acúmulo de produtos.
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Esse tipo de comportamento reflete o modo de vida moderno e agitado das
grandes metrópoles onde a quantidade de lixo produzido por seus habitantes é mais elevada e
abundante se comparada a pequenas cidades e tempos anteriores.
O planeta já passou da marca de seis bilhões de pessoas, estima-se que
estes habitantes geram 30 bilhões de toneladas de lixo por ano (LIXO MUNICIPAL, 2000,
p.3). Os governantes devem preocupar-se com a sobrevivência de nosso meio ambiente e em
conjunto a sociedade deve colaborar para uma melhor utilização dos recursos naturais – não
podemos cultivar o comportamento de uma sociedade que não assume suas responsabilidades
quanto a se evitar o desperdício. GONÇALVES (2001, p.1) complementa:
O pensamento vigente é de que o lixo é um assunto para o governo, para a
indústria, engenheiros e sanitaristas e que cabe a eles encontrar as soluções
para o problema. Seguimos sem perceber que nem a reciclagem é a
solução, posto que a cadeia que viabiliza este processo não se configura:
não somos responsáveis pelo problema, não separamos na fonte, não há
coleta seletiva. O que existe de fato é, de um lado, um amontoado de
pessoas animalizadas remexendo e comendo o lixo na porta dos
supermercados e restaurantes e, do outro, o nosso olhar atônito e
impotente. Há lixões e crianças no lixo. Pelo menos, até agora, a questão
está bem longe do "nosso quintal".
A falta de gerenciamento adequando do lixo degrada espaço além dos
limites urbanos, invadindo áreas antes conservadas.
O lixo está vinculado a questões como saúde, desenvolvimento, produção,
desigualdade social, poluição de áreas habitadas entre outras. “O lixo é paradoxal: dá uma
idéia de pobreza, embora seja expressão evidente de riqueza” (Ministério do Meio Ambiente,
2004).
De acordo com estudos, comprovou-se que nos Estados Unidos, cada
pessoa gera dois quilos de lixo diariamente, totalizando 190 trilhões anuais. No Brasil, a
média, por pessoa, é de um quilo de lixo por dia, totalizando 55 trilhões anuais.
Tipos de lixo
O lixo é uma massa heterogênea composta por: papéis, vidros, plásticos,
metais, matérias orgânicas, resíduos perigosos, entulhos e eletrônicos. Muitos destes materiais
produzidos pelo homem podem ser reciclados.
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O lixo evoluiu de acordo com a sociedade. Assim, podemos verificar o
grau de desenvolvimento cultural e social de um grupo, cidade ou país, pela simples
observação dos elementos encontrados no lixo.
Lixo orgânico
Esta massa composta por matéria orgânica refere-se à sobra de alimentos,
casca de frutas e afins e correspondem, aproximadamente, a 65% do lixo. Este índice é
alarmante se pensarmos o quanto de alimento – que poderia estar saciando a fome de muitos
no Brasil e no mundo – está sendo jogado fora. Além disso, os resíduos alimentares poderiam
ser reaproveitados como adubo natural nas lavouras. A polêmica é bem retratada no curtametragem “Ilha das Flores”, que acompanha a trajetória de um simples tomate, desde a sua
plantação, e escancara o processo de geração de riqueza e desigualdades. O curta-metragem
pode ser acessado no sítio: (http://www.portacurtas.com.br/filme.asp?cod=647&Exib=2769).
Resíduos perigosos
Referem-se aos resíduos domésticos e industriais: pilha, lâmpada
fluorescente, medicamentos vencidos, produtos de limpeza e outros que possuem uma
quantidade significativa de substâncias nocivas à saúde. Estes e outros objetos levam um
período indeterminado de decomposição e reintegração ao meio ambiente.
Entulho
A construção civil é uma atividade antiga que produz uma grande
quantidade de resíduos – que também traz problemas como o lixo – conhecido como entulho.
Ele poderia ser reaproveitado na produção de blocos de concreto, mas, infelizmente, hoje, isso
não ocorre em sua totalidade.
Exemplos de resíduos da construção civil: demolições e restos de obras,
solos de escavações etc. O entulho é, geralmente, um material inerte, passível de
reaproveitamento.
Lixo atômico
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É considerado lixo atômico todos aqueles materiais que não podem ser
reaproveitados e que contêm substâncias radioativas, em quantidades tais, que não podem ser
tratados como lixo comum, produzido em todos os estágios do ciclo do combustível nuclear.
Grande parte desse lixo permanecerá perigoso por milhares de anos, deixando uma herança
mortal para as futuras gerações.
Durante o funcionamento de um reator nuclear são criados isótopos
radioativos extremamente perigosos – como césio, estrôncio, iodo, criptônio e plutônio. Como
parte da operação de rotina de toda usina nuclear, alguns dos materiais residuais são
despejados diretamente no meio ambiente. O resíduo líquido é descarregado (como "água de
resfriamento de turbina") no mar ou nos rios próximos à usina; resíduos gasosos vão para a
atmosfera.
Lixo eletrônico
Alguns pesquisadores contratados pela ONU concluíram que a fabricação
de um computador com seu monitor precisam de 240 quilos de combustível, 22 quilos de
produtos químicos e 1,5 toneladas de água (http://www1.folha.uol.com.br 08/03/2004). É
evidente que a fabricação destes equipamentos por si só geram uma quantidade enorme de
resíduos na natureza, já que para sua confecção são necessários muitos processos e
componentes tanto químicos quanto naturais.
Em uma rápida passada em aterros sanitários podemos constatar que os
resíduos alimentares são os de maior volume. No entanto, é fato que à partir do século
passado aumentamos substancialmente a concentração de lixo no aterro com uma nova
categoria: o lixo eletrônico (pilhas, baterias, computadores, aparelhos celulares, televisores e
muitos outros eletrônicos que são substituídos por objetos similares e com maior número de
recursos).
Além destes equipamentos ocuparem muito espaço possuem peças em seus
interiores que contém materiais pesados que prejudicam a saúde humana. São eles o Chumbo
dos tubos de imagem, o Cadmo dos circuitos da placas eletrônicas, o Cromo do aço e o
Plástico dos gabinetes, monitores e demais acessórios.
... os metais pesados não podem ser destruídos e são altamente reativos, sob
o ponto de vista químico, o que explica a dificuldade de encontrá-lo em
estado puro na natureza. Em geral são encontrados em concentrações muito
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pequenas, associados a outros elementos químicos, formando minerais e
rochas (MACEDO, 2002 in Greenpeace, p. 136)
O Cadmo é um subproduto da mineração do zinco. Há relatos de acúmulo
deste produto em gramíneas, cultivos alimentares, minhocas, aves, gado, cavalos e na vida
selvagem (MACEDO, 2002, p.140). A ingestão acentuada via oral pode resultar em sérias
irritações gastrointestinais: náuseas, vômitos, salivação, dor abdominal, cólica e diarréia;
podendo ser responsável por descalcificação e reumatismo.
O Chumbo é extremamente tóxico aos seres humanos; sua toxicidade pode
ocasionar sérios danos ao cérebro infantil que são irreversíveis, no adulto pode causar
cegueira, paralisia e até a morte.
O Cromo é vastamente utilizado na medicina atual no tratamento de
obesidade, porém, o acúmulo deste elemento no organismo pode causar câncer.
Encontramos outros compostos no interior de um computador que não
serão estudados neste artigo.
De acordo com a empresa Italiana Geodis Logistics noventa e quatro por
cento dos componentes do computador podem ser reaproveitados, já que 40 por cento do
computador é plástico, 37 por cento de metais (incluindo ouro e prata), cinco por cento de
dispositivos eletrônicos, um por cento de borracha e 17 por centro de outros materiais
diversos.
Algumas entidades recebem doação de equipamentos eletrônicos para
consertá-los e doá-los ou vendê-los por um preço acessível à população.
O CDI – Comitê para a Democratização da Informática é uma das muitas
organizações que recebem este tipo de material e reciclam para oferecer a população carente.
Aqui encontra-se um forma brilhante de reciclar dejetos eletrônicos evitando depositá-lo em
aterros sanitários.
Outra excelente forma de reciclagem é o remanufaturamento de cartuchos
de tinta de impressoras, pois além de utilizar o mesmo frasco da tinta que demoraria em média
50 anos para se decompor, poupa cinco litros de petróleo se comparado a um cartucho de tinta
novo.
As máquina digitais colaboram expressivamente na diminuição de lixo,
pois as fotos extraídas desta máquina serão depositadas em um computador e poderão ficar
por anos guardadas virtualmente, podendo ou não serem impressas. Os arquivos digitais
também são uma forma de reciclagem pois eles substituem o papel em muitas aplicações.
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Como exemplo temos a carta eletrônica (e-mail) que além de mediar a comunicação com
extrema velocidade, dispensa o uso do papel.
Bares noturno e lanchonetes já apostam na tecnologia, fazendo o pedido
eletronicamente que será concentrado em um computador principal; ao final, o consumidor
dirige-se ao caixa e, em questão de minutos, é informado sobre seus gastos.
Os “shoppings” e mercados beneficiam-se desta tecnologia usando
pequenos cartões plásticos que são entregues na hora em que o consumidor entra no
estacionamento e que será devolvidos a seus destinatários no momento em que o consumidor
está saindo do local.
Lixo: o grande desafio da sociedade tecnológica
Quem não se lembra das velhas máquinas fotográficas, dos gravadores
portáteis, das máquinas de escrever e de calcular? Aos poucos, esses equipamentos foram
sendo substituídos por modelos e materiais mais modernos e versáteis. Para onde foram todos
aqueles velhos aparelhos e acessórios? Não se sabe bem como eles desapareceram, mas com
certeza, a maioria virou lixo.
Seguindo essa mesma linha de pensamento, podemos imaginar onde
estarão os computadores, máquinas digitais, aparelhos eletrônicos de som e imagem que hoje
são modernos, mas que estarão obsoletos daqui a alguns anos. Pode-se ir mais longe e tentar
fazer um paralelo com o super aquecimento do planeta, por exemplo, que foi previsto há cerca
de duas décadas; parecia uma possibilidade tão remota, que foi ignorada em favor do
desenvolvimento a qualquer preço. Hoje, podemos ver e sentir os efeitos desse fenômeno,
confirmando o que os cientistas profetizaram naquela época.
O lixo também é real e inevitável; porém pode ser racionalizado, previsto e
planejado. Pode-se buscar no passado recente exemplos de causa e efeito que hoje estão
afetando o meio ambiente e o homem ao mesmo tempo; um depende do outro e um interage
com o outro, seja de forma agressiva ou pacífica, para conservar ou destruir; em última
análise, para sobreviver ou morrer.
A ciência tem à sua disposição o conhecimento para evitar os desastres na
natureza; o homem tem o poder de escolher e decidir o seu futuro.
Chegamos, então, a um impasse: a quem cabe a responsabilidade da
escolha? Ao governo? Aos cientistas? Aos industriais? Às Ongs? Com certeza, a cada ser
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humano, que está infalivelmente envolvido e inserido em um segmento social, político e
econômico. Cada homem, mulher ou criança é senhor de suas escolhas e ações.
O mundo nunca esteve tão próximo de cada um de nós; os problemas de
todos se tornam comunitários no momento em que entram nas casas através da mídia. Na
sociedade tecnológica não há mais lugar para a ignorância; os meio de comunicação, as
instituições de ensino, a tecnologia da informação despejam na sociedade, todos os dias, os
gritos de alerta de um Planeta Azul, que é lindo generoso, mas que está morrendo aos poucos.
Há vinte anos atrás ouvia-se falar de efeito estufa e camada de ozônio.
Hoje se fala na finitude da água potável, poluição dos oceanos, contaminação do ar, extinção
das espécies, aquecimento global, mutação genética entre outros. O que mais é necessário
acontecer para que o ser humano pare de ignorar o que está acontecendo à sua volta?
Não basta saber.
Na história da humanidade nunca houve tanta produção e consumo, apesar
de tudo, muito se tem feito para preservar o meio ambiente. Organizações, governos e
indivíduos vêm realizando um trabalho de mobilização procurando conscientizar a todos
sobre a importância de cuidar melhor da natureza.
Campanhas educativas são feitas pela mídia e nas escolas; governos
incentivam procedimentos ecológicos, utilizando o lixo como moeda de troca para outros bens
de consumo; a separação e a reciclagem aos poucos, vão se transformando em hábitos.
Percebe-se que muitos indivíduos já mudaram seu comportamento e que
existe a vontade de acertar. Mas, tudo isso ainda é pouco. O problema da poluição ambiental
se tornou tão sério e urgente, que não basta saber o que é preciso ser feito. É necessário mais
do que isso; é indispensável agir, ter atitude. Mudanças radicais de comportamento são a
única maneira de se reverter o estado caótico em que se encontra o planeta.
Cada atitude individual conta muito. Medidas políticas e legais são
necessárias para regulamentar a produção, a distribuição e o consumo de bens cada vez mais
descartáveis.
A busca de desenvolvimento sustentável, a utilização racional dos recursos
naturais, o culto do consumo, são alguns dos temas a serem debatidos e estudados pelos
governos, pelas indústrias, pelas escolas, pelas famílias...
O educador tem, neste momento, um papel fundamental, pois, ele é um
formador de opinião. A sua prática educativa deve estar voltada para a inquietude da
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conscientização; o conhecimento será o caminho para nortear a busca de soluções e
alternativas.
Considerando que a aprendizagem é a mudança de comportamento, novos
paradigmas deverão ser construídos nesta sociedade capitalista; é um grande desafio, que
precisa ser enfrentado por todos. A Educação, mais do que nunca, precisa cumprir seu
objetivo de preparar cidadãos conscientes e responsáveis que possam agir e interagir, de
maneira acertiva, na construção de um mundo melhor.
O ser humano, hoje, tem o conhecimento e o poder de decidir.
O futuro, cada vez mais próximo, será a conseqüência das escolhas e
atitudes hoje.
Não basta falar.
O educando age conforme sua compreensão do meio, portanto, fornecer
novas experiências fará com que o mesmo acrescente seus conhecimentos e forme novas
conclusões, mudando suas atitudes de comportamento. Paulo Freire afirma que a interação
dialógica dos sujeitos entre si e com a realidade proporciona mudanças de postura. Com base
nestas mudanças é importante propor ao aluno a construção de uma práxis que irá contribuir
significativamente com ações construtivas perante a natureza e a sociedade.
Faz-se necessário a elaboração de planos de ação que contemplem a
compreensão do meio e dos sujeitos envolvidos desenvolvendo atividades que corroborem
para o aprimoramento do indivíduo. Estes planos podem seguir desde a sensibilização dos
alunos frente aos problemas do meio ambiente, oficinas de reciclagem de lixo, lanche
comunitário para os alunos com coleta seletiva de lixo, criação de acervo com textos
específicos, mesa redonda, palestras, filme, apresentação de teatro com abordagem do tema,
concurso de desenhos ou fotos sobre o meio ambiente e oficina de artes.
Considerações finais
A questão do lixo começou a ser discutida com mais profundidade na
década de 1980, avançamos muito desde então.
A eliminação e o possível reaproveitamento ainda precisam ser vencidos
pelas sociedades modernas: estará o homem, habitante da era tecnológica, preparado para o
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desafio de resolver os desequilíbrios ambientais e assegurar uma qualidade mínima de vida?
Estará ele capacitado para realizar tarefas aparentemente simples como a de destinar
adequadamente o lixo produzido por todos os cantos do mundo? Estará ele consciente de que
a devastação ambiental está ameaçando a sobrevivência do planeta? "A qualidade de vida do
homem depende da qualidade e estabilidade do ambiente onde ele vive, trabalha e retém o seu
sustento" (http://www.compam.com.br). Mudar padrões de consumo e combater a cultura do
desperdício é dever de todo cidadão, das autoridades e dos meios de comunicação.
Deve ser compromisso de cada cidadão, em especial àqueles que são
referência (profissionais da educação, artistas, comunicadores e pessoas públicas)
conscientizar e estabelecer novos paradigmas.
Por fim destaca-se o professor como peça fundamental na construção desse
novo conhecimento; atuando em todas as faixas etárias, acompanha o desenvolvimento do
aluno, desde a educação infantil até o ensino universitário podendo, assim, gerar novos
valores e padrões de comportamento.
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Referências
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