37s"/,! 376-2652 8042 boul. St-Michel Satellite - Écran géant - Événements sportifs Ouvert de 6 AM à 10 PM Editorial Novo Governo • Vol. XIX • N° 338 • Montreal, 5 de novembro de 2015 Por Carlos DE JESUS O novo governo canadiano dirigido por Justin Trudeau acaba de ser empossado. Finda a cerimónia da apresentação dos ministros, seguiu-se um encontro com a imprensa nos jardins do Governador-Geral do Canadá que estiveram abertos ao público, no qual ele reiterou as suas promessas eleitorais e o desejo de criar um governo mais próximo dos cidadãos, transparente e responsável. Uma nova página da história canadiana acaba de se virar. Um novo capítulo vai começar com todas as expectativas que a campanha eleitoral e a juventude de Justin Trudeau deixam adivinhar. Ao contrário do que nos fizeram crer durante toda a campanha, sobretudo os comentadores, cronistas, caricaturistas e uma boa parte da classe artística do Quebeque que o consideravam uma linda casca vazia, Justin Trudeau acabou por fazer mentir todas as previsões negativas que pesavam sobre ele. Se os ditos comentadores fossem menos incultos e menos ideólogos, se tivessem dado mais atenção ao discurso e à ação deste herdeiro de Pierre Elliot Trudeau, teriam certamente reparado que o objetivo hoje alcançado foi o resultado duma longa, paciente e tenaz luta. Se se tivessem lembrado do discurso que ele pronunciou em outubro de 2002 por altura do funeral de seu pai, deveriam ter reparado que estava ali já o germe dum homem de estado. Se se tivessem dado ao cuidado de analisar o desafio que ele se impôs a si mesmo ao decidir brigar o seu primeiro lugar de deputado numa das circunscrições mais poCont. na pág 14 Vítor Carvalho ADVOGADO Escritório Telef. e Fax. 244403805 2480, Alqueidão da Serra - PORTO DE MÓS Leiria - Estremadura (Portugal) PARA JÁ... JUSTIN TRUDEAU CUMPRE PROMESSA L USOPRESSE, serviço de última hora - O novo governo acaba de ser formado. E Justin Trudeau, como prometeu no decorrer da campanha eleitoral, cumpriu várias promessas de uma assentada, desde a escolha dum Conselho de Ministros pequeno em número, que não em função das competências, à paridade entre homens e mulheres, passando por uma boa dose de ministros oriundos das Comunidades Étnicas e acabando no recrutamento de dois elementos das Nações Aborígenes... Por outro lado, Justin Trudeau também não dececionou ao entregar os Ministérios mais importantes às pessoas certas, não caindo na tentação de colocar em postos chave, deputados já por dentro do sistema. As regiões, pelos vistos, também estão satisfeitas com as escolhas feitas. No caso do Quebeque são seis os ministros, com três da cidade de Montreal – quatro a contar com o Primeiro-Ministro. Uma pequena deceçãozinha foi o terem ficado de fora do Gabinete os dois nossos re- Cont. na pág 14 Uma família ao serviço de todas as famílias Nós vos apoiamos com uma gama completa de produtos e serviços funerários que respeitam as vossas crenças e tradições. António Rodrigues Conselheiro Natália Sousa Conselheira 514 727-2847 www.magnuspoirier.com Montréal - Laval - Rive-Nord - Rive-Sud CIMETIÈRE DE LAVAL 5505, Chemin Du Bas Saint-Francois, Laval Transporte gratuito –––––––– Visite o nosso Mausoléu SÃO MIGUEL ARCANJO 10300, boul. Pie-IX - Esquina Fleury Os nossos endereços 222, boul. des Laurentides, Laval 8989, rue Hochelaga, Montréal 8900, boul. Maurice-Duplessis, Montréal 6520, rue Saint-Denis, Montréal 10526, boul. Saint-Laurent, Montréal 6825, rue Sherbrooke est, Montréal 7388, boul. Viau, Saint-Léonard L u s oP r e s s e 5 de novembro de 2015 Silva, Langelier & Pereira s e g u r o s g e r a i s Um Halloween português • Por Osvaldo CABRAL www.os50anos.com A nossa gente de 1963-2013 75 Napoléon | Montréal [email protected] | 514 282-9976 FICHE TÉCHNIQUE LusoPresse Le journal de la Lusophonie SIÈGE SOCIAL 6475, rue Salois - Auteuil Laval, H7H 1G7 - Québec, Canada Téls.: (450) 628-0125 (450) 622-0134 (514) 835-7199 Courriel: [email protected] Page Web: www.lusopresse.com Editor: Norberto AGUIAR Administradora: Petra AGUIAR Primeiros Diretores: • Pedro Felizardo NEVES • José Vieira ARRUDA • Norberto AGUIAR Diretor: Carlos de Jesus Cf. de Redação: Norberto Aguiar Adjunto/Redação: Jules Nadeau Conceção e Infografia: N. Aguiar Escrevem nesta edição: • Carlos de Jesus • Norberto Aguiar • Jules Nadeau • Anália Narciso • Onésimo Teotónio Almeida • Osvaldo Cabral • António da Silva Cordeiro • João de Medeiros Constancia • Adelaide Vilela • Melo e Castro • Filipe Batista Revisora de textos: Vitória Faria Societé canadienne des postes-Envois de publica-tions canadiennes-Numéro de convention 1058924 Dépôt légal Bibliothèque Nationale du Québec et Bibliothèque Nationale du Canada. Port de retour garanti. LusaQ TV Produtor Executivo: • Norberto Aguiar Contatos: 514.835-7199 450.628-0125 Programação: • Segunda-feira: 21h00 • Sábado: 11h00 Telenovela: segunda, quarta e sexta, 06h00, 12h00 e 17h00.. (Ver informações nas páginas 5 e 16) O polémico 20º Governo Constitucional tomou posse em vésperas do Halloween. Num cenário político embruxado, este deverá ser o governo com a duração mais curta da história. O país fica agora suspenso durante cerca de dez dias à espera que a Esquerda portuguesa encontre a poção mágica que a leve ao lugar de Passos e Portas. No meio deste caldeirão, quem tem a varinha mágica para abrir as portas do poder à Esquerda é Cavaco Silva, uma espécie de Harry Porter aterrorizado com o desfecho da saga do fantasmagórico clima político português. Mantém o governo em gestão ou nomeia António Costa? O discurso na tomada de posse do novo governo, não deu indicação nenhuma. Mas há uma coisa que já é certa: o Presidente da República agiu bem ao empossar este governo, ao contrário do que pretendiam o PS, PCP e Bloco de Esquerda, ao dizerem que era uma perda de tempo. Ora, até aquele momento os três partidos ainda não tinham chegado a acordo, segundo os próprios confirmaram. Então se não chegaram a acordo, se não têm nada para mostrar aos portugueses, como é que queriam ser já chamados ao poder? De incongruência em incongruência, o PS vai-se afundando num pântano de descrédito, enquanto os outros dois partidos à sua esquerda vão beneficiando da desorientação ideológica dos socialistas liderados por António Costa. Lá no fundo, Cavaco Silva estará tentado em manter o governo de Passos Coelho em gestão até à marcação de novas eleições, mas os cenários com este modelo são tão desfavoráveis que o mais certo é nomear António Costa, com uma série de exigências e condições, e deixar que o seu sucessor resolva o problema a partir de abril, altura em que já é possível dissolver o parlamento, se assim entender. É claro que o país está dividido e ninguém se livra da crispação política. Mas os partidos também não fazem nenhum esforço para um ambiente mais favorável. A forma desbraguelada como Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, se tem insurgido contra as posições do Chefe de Estado, pressionando tudo e todos, numa ânsia de chegar ao poder a cavalo do PS, não ajuda nada à descompressão e ao bom senso que se quer na vida política. Até na apresentação das moções de rejeição os três partidos não se entendem: o Bloco anuncia que a moção será conjunta e o PCP diz que nada está decidido... O próprio facto das reuniões para a negociação do acordo entre os três decorrerem, afinal, apenas de forma bilateral, sem que os três se juntem, é outro sinal de que não há um entendimento profundo que os possa unir. Se nas coisas mais comezinhas, como eles chamam, não se entendem, como é que se vão entender durante quatro anos com os problemas gravíssimos que vão enfrentar e decisões polémicas que vão ser necessárias tomar? É verdade que a alternativa também não é duradoura. Manter este governo, sem apoio maioritário no parlamento, seria um tiro no escuro, pelo que o cenário de eleições antecipadas é o mais certo, até porque, agora sim, os eleitores já sabem que poderão votar numa coligação de direita ou numa coligação de esquerda. Um entendimento entre este PSD e este PS parece impossível. António Costa não voltará atrás, porque está em jogo a sobrevivência da sua liderança e de todo o aparelho que o acompanha. Perder esta oportunidade será perder a sua carreira política e a de outros que o rodeiam, como é o caso de Carlos César. O atual núcleo duro de António Costa não tem nada a perder ao juntar-se ao Bloco e aos comunistas. É a única tábua de salvação, porque se ceder à coligação de Passos e Portas, sabe que tem morte certa no interior do seu partido. O problema é que o custo desta aventura vai ser alargada a todo o país. Deste Halloween político é que os portugueses não se livram. Com ou sem pozinhos de ‘pirilim-pimpim’, com ou sem ‘trick or treat’, um dia vamos acordar todos com uma grande abóbora na cabeça. LP Página 2 Debate Democrata – Zaragata Republicana • Por António DA SILVA CORDEIRO Q uase uma semana depois do primeiro debate do Partido Democrata, não é possível tentar uma ligeira análise sem ter que comparar com a zaragata dos dois debates do Partido Republicano. A diferença no comportamento e apresentação dos vários intervenientes dos dois partidos é enorme. Nos debates republicanos, quase se insultaram, chegando a verdadeiras ofensas à aparência física das pessoas. No debate democrata, todos se portaram como adultos numa discussão civil e civilizada. O número reduzido – cinco – dos participantes foi razoável e manejável. Os dois mais classificados e lançados, Hilary Clinton e Bernie Sanders, mostraram-se bem preparados e discutiram ideias e assuntos sérios da política americana e da corrida à Casa Branca. Os três candidatos “menores” eram Jim Webb, militar e político, assim como Lincoln Chafee, também político e executivo (ambos convertidos do Partido Republicano ao Partido Democrata) e Martin O’Malley, que foi mayor da cidade de Baltimore e Governador do Estado de Maryland. Os dois primeiros desaparecerão cedo; O’Malley poder-se-á manter mais algum tempo para adquirir por agora alguma prática com vista ao ciclo eleitoral de 2020 ou 2024. Estes três entraram na campanha forçados pelos seus princípios éticos, insinuando alguma falta desses princípios em Hilary Clinton (pela “roupa suja” que acarreta às costas); e Bernie Senders, por se declarar democrata-socialista (inaceitável para muitos democratas mais conservadores). No fundo, e por detrás de tudo, está o candidato de que não se fala e que ninguém esquece: Joe Biden, Vice-Presidente de Barak Obama. Cada vez é mais generalizada a opinião de que se está a tornar mais e mais tarde e difícil a declaração da possível candidatura (organizar a campanha, limites de tempo, limites de datas, angariação de fundos, etc.). Quanto mais tarde, mais fraco se revelará. Ele não quererá nem deverá tomar qualquer decisão antes de Hilary Clinton ser ouvida na Casa dos Representantes pelo Comité Especial que está a investigar os acontecimentos de Bengazi (em que morreram quatro americanos, incluindo o embaixador americano na Líbia) e dos problemas dos emails de quando era Secretária de Estado. Joe Biden, que é considerado um bom Vice-Presidente, é um homem fragilizado pela história da sua vida pessoal: a morte, num acidente de carro dirigido por ele, da esposa e filha bebé quando, muito jovem, acabara de ganhar um lugar de Senador; e, por outro lado, a morte recente do filho mais velho, vítima de cancro cerebral, que se tinha salvo no acidente em que a mãe morreu. Além disso, já concorreu a duas Primárias presidenciais e teve de suspender ambas as campanhas. Bernie Sanders, com a sua honestidade e coerência, apresentou-se como “socialista-democrático” ou “democrata-socialista” e à partida perdeu todas as hipóteses de ser bem sucedido na campanha. A razão é simples: para a maioria do povo americano, “socialismo” é o mesmo que comunismo. Uma pessoa que se apresente como socialista cometeu suicídio político. Sanders poderá fazer milagres, andar sobre as águas, mas não conseguirá ganhar uma eleição presidencial nos EUA. É de admirar a sua coerência: hoje vêem-se imagens dele quando era mayor duma pequena cidade e já dizia o que hoje diz e com o mesmo entusiasmo e convicção. Este debate foi visto por 15,3 milhões de telespectadores, a maior assistência a um debate democrata. Os dois debates republicanos foram vistos por 25 e 24 milhões. Hilary Clinton, sem dúvida, ganhou o debate e subiu nas sondagens distanciando-se do segundo lugar, Bernie Sanders. Foi evidente que Hilary esteve sempre muito confortável, muito ativa (sem ser ativista), dominou todos os assuntos que foram tratados: armas nas mãos de privados, alteração do clima, política externa (neste assunto, nenhum candidato, democrata ou republicano, chega perto dela), a influência de Wall Street nos democratas, emigração, sistema do seguro de saúde, até à legalização de marijuana. Em geral, temos de aceitar que foi um debate bem gerido, vivo, sem ataques pessoais. Bernie teve a grande frase do debate quando, confessando que não ia ser politicamente correto, disse que ele e o povo americano estavam Fotos LusoPresse. fartos e cansados dos seus (de Hilary) emails. Foi fortemente aplaudido pela assistência e mesmo cumprimentado por Hilary Clinton. Todo o debate manteve-se à altura de uma discussão entre adultos. Agora há que aguardar o comportamento de Hilary ao enfrentar o Comité Especial sobre o que aconteceu em Benghazi e sobre os seus emails enquanto era Secretária de Estado. Espera-se que Joe Biden decida dentro de poucos dias se vai ou não concorrer. PS - Última Hora: Jim Webb suspendeu a sua campanha e deixou em suspenso a possibilidade duma campanha independente, sonho que não tem possibilidade de realização. Joe Biden escolheu a melhor decisão possível: não entrar nas Primárias e esperar para a Convenção Democrata para indicar quem apoiará na campanha presidencial. LP Whiting, New Jersey L u s oP r e s s e 5 de novembro de 2015 Página 3 Do Canadá: de vez em quando em notas breves No Théâtre Maisonneuve • Por João de Medeiros Constância* 1 – Medida acertada Há poucos dias li no Correio dos Açores, se não estou em erro, que fora nomeada uma comissão encarregada de modificar os programas escolares do 2º e 3º ciclos, com vista a dar maior desenvolvimento ao ensino da Geografia, da História e da Cultura dos Açores. Considero esta medida muito acertada, louvável mesmo. Lembro-me perfeitamente de na década de 80, na companhia de outros colegas do ensino secundário, termo-nos batido, junto da Secretaria Regional de Educação e Cultura, para que fosse implementada medida semelhante. Entre outros argumentos então invocados, dizíamos, por estarmos convencidos de que a iniciativa poderia contribuir para esclarecer a açorianidade dos alunos. O nosso trabalho não encontrou eco nos dirigentes da altura. Não sei bem porquê. Talvez tivessem um certo receio de Lisboa, do MEC. 2 – Livros Penso que talvez se revista de algum interesse partilhar com os possíveis leitores o que ando a ler presentemente. Nada mais do que um livro sobre Biometeorologia intitulado Les barometres humains, de Gilles Brien, conceituado meteorologista desta província do Quebeque Trata-se de uma obra que cativa em virtude dos temas escolhidos, abordados sempre com impressionante clareza e simplicidade. Como exemplo, aqui fica o título de um capítulo: “Os efeitos do clima sobre o nosso corpo, emoções e comportamento.” Atrevo-me a fazer uma sugestão: num arquipélago, como o nosso, caraterizado por instabilidade meteorológica, mormente no outono, inverno e primavera, talvez fosse aconselhável encetar estudos de Biometeorologia na nossa Universidade, com vista a determinar a influência que a variabilidade de alguns elementos como temperatura, humidade, nebulosidade e pressão atmosférica exercem sobre a fisiologia e psicologia dos açorianos. Terminei há poucos dias a leitura de dois livros, publicados este ano, versando a vida e obra de um amigo de longa data – Onésimo Teotónio Almeida (OTA). O primeiro intitula-se Onésimo. Único e multímodo e foi organizado por João Maurício Brás e editado pela Opera Omnia. Trata-se de quarenta e quatro depoimentos, ao longo de 325 páginas, escritos por personalidades bem conhecidas da cultura portuguesa e por alguns estrangeiros, sobre os mais variados aspetos da vida e obra do Onésimo. O segundo, Identidade, Valores, Modernidade. O pensamento de Onésimo Teotónio Almeida, é da autoria de João Maurício Brás e editado pela Gradiva. Desejava salientar o seguinte: o nosso conterrâneo OTA é conhecido por imensa gente como sendo uma pessoa bem-humorada, exímio contador de histórias e de anedotas, e ainda como autor de crónicas publicadas em livros e jornais. Esta é, para usar uma imagem bem conhecida, a parte do iceberg que está à superfície. Quem desejar conhecer a parte submersa deve ler atentamente as duas importantes obras atrás referidas. É nelas que irá encontrar a faceta de ensaísta e de filósofo do Onésimo, assim sem mais, como ele gosta de ser tratado. Para terminar esta nota sobre livros, gostaria de dizer que acabo de encomendar o livro recentemente publicado pelo arquiteto Soares de Sousa, Crónicas – Urbanismo, património e ambiente. Tive conhecimento da sua existência através da leitura da recensão crítica, a todos os títulos excelente, feita por Santos Narciso, no último número do Atlântico Expresso (12-10-2015). Por conhecer Soares de Sousa desde os bancos do Liceu e por ter acompanhado de perto a sua atividade profissional e artística em S. Miguel, estou bem colocado para corroborar tudo o que ficou dito, tão claramente, na referida recensão. 3 – Passeio inesquecível Todos os anos, na primeira semana de outubro, resolvemos dar um passeio, durante um dia inteiro por uma das muitas regiões densamente florestadas do Quebeque com o objetivo de observar o espetáculo, difícil de descrever, que nos é oferecido nesta época do ano pela imensidade de árvores, muito variadas, revestidas de folhas que apresentam uma diversidade impressionante de cores que vão desde o vermelho muito vivo a várias tonalidades de amarelo, laranja e castanho. Só vendo... Este ano deslocámo-nos à região denominada Laurentides (aproximadamente a 40 km a norte de Montreal), onde encontramos dezenas e dezenas de turistas, com predomínio de asiáticos, todos entusiasmados a tirar fotos e mais fotos. Em resumo: este passeio proporciona imagens que dificilmente esquecem. Agrada a todos, mesmo os possuidores de uma retina muito exigente. * Professor aposentado, a viver em Laval L P Mariza deslumbra! • Por Anália NARCISO F oi a terceira ou a quarta vez que assistimos a um espetáculo de Mariza, a maior e melhor voz do Fado de Portugal dos tempos modernos. E se das outras vezes ficamos impressionados desta, sem dúvida, ainda o ficamos mais! Com o Théâtre Maisonneuve praticamente cheio, notando-se um significativo número de portugueses, Mariza entusiasmou tudo e todos, mercê das suas belas interpretações, ritmadas por uma voz única, na linha do que fez e foi a grande Amália Rodrigues. De regresso a Montreal depois de alguns anos – pareceu ontem! – Mariza, agora mãe, veio ainda com mais fogosidade e energia de forma a (re)conquistar o seu vasto público canadiano, e português, bem entendido. Na sua contagiante atuação, Mariza repassou pelas suas melodias mais conhecidas e avançou-se pelas mais recentes, retiradas do álbum «Mundo», editado no dealbar do passado mês de outubro. Aliás, foi com o objetivo de lançar este novo trabalho que Mariza se decidiu por esta digressão, iniciada na Suécia, continuada nos Estados Unidos (Virgínia, Carolina do Norte, Newark, Nova Iorque) e terminada em Toronto – um dia depois do concerto em Montreal. Esta primeira apresentação de «Mundo» vai ter o seu primeiro epílogo em Portugal, no Coliseu do Porto, nos dias 26 e 27 de novembro, e no Meo Arena, em Lisboa, no dia 7 de dezembro. Este novo disco de Mariza tem composições de Mário Pacheco, Rui Veloso, Tiago Machado, Jorge Fernando e Paulo de Carvalho, músicos que já colaboraram em álbuns anteriores. Mas a principal novidade foi que Mariza cantou pela primeira vez em espanhol. Ela recuperou um tema argentino «Caprichosa», da au- toria de Froilán Aguilar e também interpretou «Alma» do espanhol Javier Limón – ele é igualmente produtor do disco. Escusado será dizer que a vasta plateia reagiu muito bem, aplaudindo demoradamente as duas interpretações. E foi mais longe o público ao aprovar «Padoce de céu azul», uma morna cantada em crioulo, sem reticências. Foi o que se pode dizer, um público rendido à grande classe da artista e ao seu charme, que desta vez veio muito mais ao de cima, pois Mariza esmerou-se no contacto com o público, ao dialogar com ele quase a cada interpretação... Uma questão de maturidade adquirida pela maternidade? Seja pelo que for, o público «saboreou» esse seu comportamento, aplaudindo fortemente cada uma das suas canções. De tal maneira foi assim que, no fim do concerto, que durou duas horas!, foram várias as vezes Mariza. que subiu ao palco para corresponder ao pedido dos fãs. «Foram cinco anos sem gravar, onde deu para fazer uma reflexão de vida. E quando se faz uma reflexão, aparece sempre uma nova forma de encarar o mundo, a vida, enfim, tudo o que nos rodeia. Acaba sempre por se reflectir na forma de cantar e de estar em palco», afirmaria recentemente. Aqui está a resposta para o que procurávamos. LP Telefone e fax: (514) 849-9966 Alain Côté O. D. Optométriste Exame da vista, óculos, lentes de contacto Clinique Optmétrique Luso 4242, boul. St-Laurent, bureau 204 Montréal (Qc) H2W 1Z3 5 de novembro de 2015 L u s oP r e s s e Página 4 Eleições no Canadá trouxeram… O regresso da Trudeaumania (Texto publicado no jornal Diário dos Açores, no passado dia 23 de outubro) • Por Norberto AGUIAR ( jornal LusoPresse) M ONTREAL, Quebeque – As eleições de domingo passado, no Canadá, ditaram a vitória do Partido Liberal Federal, cujo líder é Justin Trudeau, filho mais velho do grande estadista canadiano que foi Pierre Elliot-Trudeau, já falecido. Arredado do poder há cerca de 10 anos devido ao escândalo das «commandites» – forma de favorecimento de lóbis «amigos» do poder instalado –, o Partido Liberal Federal, contra todos os prognósticos venceu as eleições de domingo, com maioria absoluta, ao obter 184 lugares, num Parlamento que conta com 338 deputados. Eleito chefe liberal num partido quase moribundo, que no momento de ir a eleições contava apenas 34 deputados, o pior score de toda a sua história, Justin Trudeau decidiu enfrentar o desafio de colocar o partido de seu pai, e de outros grandes primeiros-ministros do passado, como Wilfrid Laurier, no mais alto patamar da política federal canadiana. E assim sendo, percorreu o país de lés-a-lés para «ouvir o povo, saber das suas preocupações e anseios...». Nessa safra, Justin Trudeau teve tempo para criar a imagem de um político credível, apesar dos seus 43 anos. De resto, Justin Trudeau já havia impressionado o establishment nacional no dia da morte de seu pai, quando pronunciou um discurso considerado por todos como de um primeiro-ministro em potência. Beneficiando da usura e arrogância do primeiro-ministro Stephan Harper (Partido Conservador), neste último mandato forte de uma vasta maioria parlamentar, Justin Trudeau, paulatinamente e sem cometer erros, partiu para esta campanha de 78 dias, como terceiro candidato a primeiro-ministro, atrás do chefe conservador e de Thomas Mulcair, do Novo Partido Democrata e chefe da Oposição. Mas ora jogando à defesa, ora contra-atacando, para empregar uma metáfora futebolista, Justin Trudeau começou então a colher os frutos da sua «conversa» de meses com os canadianos, onde pôde reforçar a sua imagem e ao mesmo tempo forjar um programa de governo baseado nos desejos e ambições dos seus concidadãos. Essa sua pré-preparação, digamos assim, deu-lhe o estofo necessário para no decorrer da campanha eleitoral suster os ataques dos seus principais adversários – Harper e Mulcair –, que invariavelmente incidiam sobre a sua inexperiência... Vieram, então, os grandes debates televisivos, que se diziam ser o «desmascarar» de um político sem conteúdo. E o que foi que acabou por acontecer? Justin Trudeau foi dado como o melhor tribuno de todos eles (debates)! Foi o render da guarda de todos os seus detratores, a começar por certos órgãos de comunicação social, parte da sua província natal (Quebeque) – os nacionalistas mais ferrenhos e que nunca perdoaram ao pai ter trazido de Londres, em 1982, a Constituição do Canadá sem a assinatura do Quebeque –, e alguma da franja mais conservadora do país. Como já vimos, de terceiro no início da campanha eleitoral, que começou em agosto último, depois tendo passado para segundo; mais tarde para possível chefe de um governo minoritário, eis que Justin Trudeau, na linha de chegada surpreende tudo e todos com uma vitória sensacional! Passados três dias do seu coroamento, já se fala em dinastia e em «Trudeaumania»... Daquela não podemos prever o futuro. Mas desta última, o que se pode dizer é que, por estes dias, toda a gente quer ver e falar com o jovem primeiro-ministro, que na sua alocução de vitória prometeu governar «autrement» (de outra maneira). E querem ver como é fazer política de outro modo? No dia seguinte à sua espetacular vitória, Justin Trudeau saiu de casa e foi à hora em que as pessoas vão para os empregos cumprimentá-las à porta da estação de metro do seu círculo eleitoral de Papineau (em Montreal), por sinal com um grande leque de residentes de origem portuguesa. Alegria e deceção Eram quatro (certos) os candidatos portugueses ao ato eleitoral de domingo passado. Dois pelo Quebeque, na pessoa de Alexandra Mendes (Partido Liberal) e Manuel Puga (Partido Conservador), e dois pelo Ontário, Peter Fonseca (Partido Liberal) e Carlos Oliveira (Partido Conservador). Um quinto candidato lusodescendente, que não pudemos confirmar, parece plausível. Trata-se de James Arruda, também do Ontário e que concorreu pelo Partido dos Verdes, que naturalmente perdeu, já que aquela força política só teve um eleito, na pessoa da sua chefe, Elizabeth May (Vancouver, Colômbia Britânica). Voltando atrás, os eleitos lusitanos foram Alexandra Mendes, pelo círculo eleitoral de Brossard-St-Lambert, a sul de Montreal, numa circunscrição de 83 587 eleitores, onde os portugueses devem andar à volta dos dois mil. A Alexandra volta assim a ser a deputada deste distrito, depois de ter sido derrotada há quatro anos por uma pequena margem. Agora houve «vingança» da nossa compatriota, que bateu o até agora deputado Hoang Mai (Novo Partido Democrata) por uma vantagem considerável de 14 753 votos!; e Peter Fonseca, também envergando a camisola liberal, ao concorrer pela circunscrição de Mississauga-Est-Cookville, de forte presença portuguesa. Recorde-se que Peter Fonseca também perdeu há quatro anos, isto depois de ter deixado funções ministeriais no governo provincial do Ontário para se candidatar ao Parlamento de Otava. Agora, a «revanche», com o ex-atleta olímpico canadiano a vencer por uma maioria de 28 105 votos numa área que conta com 81 736 eleitores! Manuel Puga, o único candidato de origem açoriana, que concorreu por Thérèse-de-Blainville (Quebeque), região com 79 547 eleitores, dentre eles, muitos portugueses, quedou-se por um fraco quarto lugar, com somente 7 013 votos, longe do liberal Ramez Ayoub, que contou com a adesão de 18 317 votantes. Pior ainda foi a prestação de Carlos Oli- Cheio de carisma, Justin Trudeau por onde passa deixa rasto... veira, que concorrendo por Davenport (Toronto), o círculo eleitoral no Canadá com maior densidade de portugueses, não obteve mais que uns míseros 5 233 votos, muito aquém da liberal Julie Dzerowiez (21 947). Vantagem para a Comunidade A eleição de dois portugueses para o parlamento de Otava é já por si só um bónus para a nossa comunidade. E o facto de terem sido eleitos pelo partido que vai formar governo, ainda melhor... Junte-se a isto o facto dos portugueses serem vistos, com verdade, diga-se em abono da verdade, perto do Partido Liberal do Canadá, e logo a comunidade poderá beneficiar com a eleição dos liberais e do seu jovem chefe Justin Trudeau. Desta forma já há quem veja os problemas ligados à construção, onde os portugueses têm uma presença forte, e à imigração, trazidos para cima da mesa de maneira a serem discutidas e debeladas as suas dificuldades atuais... Ouro sobre azul seria a chamada de um dos dois eleitos portugueses para o gabinete ministerial. Impossível? Olhem que não. Peter Fonseca foi ministro a nível provincial e Alexandra Mendes era até há pouco tempo presidente do partido, secção do Quebeque. Justin Trudeau já anunciou que o seu primeiro Conselho de Ministros será divulgado no próximo dia 4 de novembro. LP Coordenação do Ensino no Canadá Mais livros para Montreal L USOPRESSE – Ana Paula Ribeiro, coordenadora do Ensino Português no Canadá, esteve de passagem por Montreal há cerca de um mês. O objetivo da sua visita prendeuse com a entrega de livros às escolas das zonas de Montreal e Laval. No primeiro caso, para a Escola de Santa Cruz. No segundo, foi beneficiada a Escola da Missão de Nossa Senhora de Fátima de Laval. Havia ainda, como novidade, um «bloco» para ser entregue à Associação Portuguesa de Sainte-Thérèse, o que pensamos ter acontecido pela primeira vez. Mas não se ficou por aqui a entrega de livros. A Biblioteca José d’Almansor, da Missão de Santa Cruz, que se diz ir ser inaugurada dentro de alguns dias, também recebeu uma parte significativa de livros, de todos os matizes, da política à poesia, da crónica ao romance, sem esquecer a literatura infantil. Quanto aos autores dos livros ora entregues, dos mais credenciados aos menos conhecidos, eles são oriundos de Angola, Moçambique, Brasil e, naturalmente, de Portugal. Alguns exemplos? Mia Couto (O Beijo da palavrinha), Ondjaki (O voo do golfinho), Pepetele (O quase fim do Mundo), Jorge Amado (Capitães da areia), José Eduardo Agualusa (Estranhões & Bizarrocos); e José Saramago (O silêncio da água), Manuel Alegre (Doze naus), Alice Vieira (Úrsula, a maior), José Jorge Letria (O livro que falava com o vento), entre muitos outros. Nesta visita, a coordenadora do Ensino de Português no Canadá fez-se acompanhar de Isabel Borges, formadora e especialista em Relações Culturais, autora do projeto TIMI, dedicado às crianças, e que veio de Portugal expressamente para ministrar formação aos professores de Português de Montreal – tendo começado a sua ação naturalmente por Toronto, depois Otava. De Montreal, a especialista demandou à Nova Inglaterra, onde ofereceria a mesma formação. Na sessão de Montreal, realizada nas instalações da Missão de Santa Cruz, dignaramse em participar cerca de uma dezena de professores. Nota: em representação da Editora Lidel também marcou presença em Santa Cruz Nuno Marques, que veio apresentar materiais didáticos para o ensino do Português, Língua segunda/Língua estrangeira. L P 5 de novembro de 2015 L u s oP r e s s e Página 5 5 de novembro de 2015 L u s oP r e s s e Uma conversa com o escritor Daniel de Sá Página 6 ota: Em 2001e 2002 mantive um programa semanal na RTP-Açores intitulado “Onésimo à conversa com…” com entrevistas a figuras açorianas e açorianófilas residentes tanto nos Açores como na diáspora. A série teve, a abrir, uma conversa com Daniel de Sá. Dionísio Sousa, amigo do escritor, está a preparar-lhe um livro de homenagem e decidiu incluir essa entrevista, que ele próprio se deu ao trabalho de transcrever na íntegra. É essa transcrição que aqui se publica a partir de hoje, em segmentos por ser demasiado longa para sair numa única edição. O. T. A. Daniel – Sou. Acho que toda a gente tem de ser orgulhosa, senão não faz nada. A não ser que estejamos a falar de santos. Gosto de ter eco. Gostei imenso de te ouvir chamar-me essa série de nomes. Apesar de seres um amigo. Mas sei que és um amigo sincero. Onésimo - Posso estar a dizer umas mentiras... Daniel - Posso é não me exibir, e realmente não sou exibicionista. Isso sei que não sou. Tenho aquele orgulho de gostar de ver uma coisa bem aceite. E bem lida e apreciada. Onésimo - Não conheço ninguém que Onésimo - Olá amigos, Boa noite! Eu devia ser mais formal e dizer telespectadores. É mais moderno, telespectadores e telespectadoras. Mas a ideia é fazer deste programa, desta série de programas, uma conversa à noite sentado ao sofá, apesar da formalidade de estar aqui com uma gravata nesta camisa-de-forças, e o meu convidado de hoje, o Daniel de Sá também está ali numa camisa-de-forças. A ideia é fazer uma conversa com personalidades açorianas e não açorianas para falar dos Açores. Será dentro destas balizas que manteremos esta série. Foi o desafio que a RTP fez. Aceitei com imenso gosto, porque costumo dizer que é com imenso gosto que regresso aos Açores, mas depois corrijo. E digo. Não regresso, porque não se regressa a de onde nunca se partiu. E eu nunca parti daqui, da Ribeira Grande. Estamos no Teatro Ribeiragrandense. E o Daniel de Sá é da Maia, do mesmo Concelho. Parece que foi de propósito. Ele hoje não é Daniel de Sá, ele hoje é Daniel de cá. Somos ambos de cá. Daniel - É verdade. Onésimo - Fiz exame de 3ª e 4ª classes aqui na Ribeira Grande. Também estive aqui com o orfeão do Seminário, ali à direita, na primeira voz. Demos umas fífias aqui. O primeiro convidado é o Daniel de Sá. Não foi de propósito, foi por acaso. Quem conhece o Daniel sabe que é muito difícil saber se ele se vai deslocar da Maia, porque o Daniel de Sá tem de dormir a sua sesta. Estamos a conversar em família e não sabíamos se o Daniel de Sá vinha. Mas se Maomé não vai a Meca, Meca vai a Maomé. Então, a RTP veio à Ribeira Grande para ter a certeza que Daniel de Sá vinha da Maia. Daniel - Ficaram a meio caminho. Onésimo - Encontrámo-nos há muitos anos, pela primeira vez, nas páginas do jornal Açores, numa conversa ingénua sobre evolucionismo. Daniel - Exactamente. Onésimo - Passados estes anos todos, voltamos aqui para falar, não da tua vida, Daniel de Sá. Pois o Daniel de Sá tem uma coisa curiosa: não tem biografia. A sua biografia é: O Daniel nasceu na Maia, vive na Maia e, se Nosso Senhor lhe der vida e saúde, quer morrer na Maia. A tua biografia é a tua obra. Daniel - Exactamente. Onésimo - A tua biografia é a tua obra. Hoje, temos uma coisa em comum, além do mais, eu venho de Boston, não dormi nada a noite passada, tu não dormiste a tua sesta. Se adormecermos aqui, façam o favor, apaguem as luzes, para a despesa não ser tão grande. Como disse, Daniel, a tua biografia é a tua obra. Tu, na Maia, metido naquele canto, tens viajado imenso pelo universo de uma obra que hoje é notável. tenha escrito um livro e que diga: Eu escrevo um livro porque eu quero apanhar porrada. Daniel - Com certeza. Estamos absolutamente de acordo Que mais querias que eu dissesse? Onésimo - Sobre a Verdade das Coisas é um mundo muito da tua Maia. Nós tínhamos tido a experiência do Cristóvão de Aguiar sobre o universo do Pico da Pedra. Aquelas pequeninas histórias, sem terem um nexo lógico, sem haver uma sequência. Pequenos retratos, de um mundo riquíssimo, interessantíssimo, mas com um olhar muito curioso, muito perspicaz, um olhar incisivo sobre aquele mundo. Daniel - Sim. Reconheço que o olhar é de facto de quem conhece bem a realidade, de quem viveu na Maia muitos anos. Poucos anos vivi fora da Maia. Dez mais ou menos, no total. Onésimo - Não sei como isso foi possível. Foi em Santa Maria? Daniel - Sim. Mas muitas histórias que inventei, depois vim a conhecer histórias reais semelhantes às que tinha inventado. Isso nasce do grande conhecimento das pessoas. Histórias que, sem eu saber, tinham acontecido. Onésimo - Há uma história do livro Sobre a Verdade das Coisas que eu já contei tanta vez! Tanta vez! E digo sempre que é de um livrinho precioso do Daniel de Sá. Daniel conta essa história. Daniel - É a do romeiro? Onésimo - Sim, conta lá. Daniel - É uma história rigorosamente autêntica. Era um rapaz amigo, um homem que ia sempre de romeiro. Tinha uma amizade nas Furnas. Uma amizade no feminino. O marido dessa amizade tomava conta de matas. Naquele tempo roubava-se muita lenha nas matas. Ela foi buscá-lo para ir para casa dela. Ele disse: Ó mulher não, que estou de romeiro. Claro, o homem não resistiu, foi mesmo. Não • Por Onésimo Teotónio ALMEIDA N Daniel de Sá, credenciado escritor açoriano já falecido. Além de ser teu amigo, sou teu admirador. Mas, vou parar de falar, porque eu gostava é que tu começasses. Fala-me disso. Recordo-me perfeitamente do teu livrinho Sobre a Verdade das Coisas, em que te revelaste um exímio contador de histórias. Queres falar dessa tua primeira experiência? Daniel - Não é a primeira, é a segunda. A primeira foi a Génese. Onésimo - Sim. Mas fala-nos então do contador de histórias. Daniel - Foi talvez o livro mais fácil de escrever. Foi um livro contado pela avó de minha mulher, por amigos de mais idade, por gente que conheci, algumas histórias que eu vivi também. É um daqueles livros fáceis. E talvez, por isso mesmo, atraia o público leitor. Porque está ali toda a espontaneidade da realidade. Sem ficção praticamente nenhuma. Como disse na altura, foi a ficção ao serviço da realidade e a realidade ao serviço da ficção. Por acaso, agora acaba de sair a 2ª edição. Onésimo - Dizes que a tua primeira edição era um livro humilde e está cheíssima de gralhas. Daniel - Sim. Tinha mais de 300 gralhas. Onésimo - Por detrás daquelas gralhas todas e humilde apresentação envergonhada estava de facto o contador de histórias. Daniel - Com boa intenção, percebiase talvez isso. Sim. Onésimo - Aquilo não eram restos da tua modéstia que aprendeste na tua experiência? Quando assinavas Augusto de Vera Cruz. Que era o teu pseudónimo. Daniel - Exactamente. Augusto de Vera Cruz. Quando se fala de modéstia, não sei muito bem o que se quer de dizer com isto. Muito menos a falar de modéstia a meu respeito. Onésimo - Reconheces que não és modesto; és orgulhoso? resistiu a ir. Nem resistiu ao que se supõe. No outro dia, foi-se confessar ao Padre Afonso Quental, o velho que conheceste, com certeza, tio do teu prefeito [no Seminário], Afonso de Quental, nosso comum amigo. Onésimo - Espero que a história não tenha sido contada por ele. Daniel - Não. Foi o próprio romeiro. Foi-se confessar no outro dia para seguir bem a romaria. Quando disse ao senhor padre o que tinha acontecido, o Padre Afonso tentou dar-lhe uma descompostura: – Isso não se faz. Então, de romeiro! – Estava cá de romeiro, Senhor Padre! Pois eu até despi a roupa. O Padre Afonso teve muita dificuldade em acabar de confessá-lo. Onésimo - Dizias sempre que este livro era uma primeira experiência. O que é que te levou agora, de repente, a surpreender-nos com esta nova edição? Há alguma alteração? Além das gralhas. Daniel - Há. Ponho aí mais três contos de animais. Onésimo - O livro não custa três contos? Daniel - Não. Talvez venha a custar metade. Para já, os direitos do autor e editor são a favor de Timor. Mas além das gralhas, mais do que um, me levou a re-editar este livro. Onésimo - Quem? Daniel - Tu foste um deles. Dizias de vez em quando: reedita aquilo, reedita aquilo. Onésimo - E era verdade. Daniel - Foste tu uma das pessoas que me levaram a reeditar o livro. Onésimo - Bom! Ilha Grande Fechada… é esta? Daniel - É esta? Onésimo - É fechada? A autonomia, o isolamento, a insularidade, etc. Daniel - Mas isso é teu. Onésimo - Aquilo? Daniel - Parece que sim. Onésimo - Insularidad, é espanhol. Tu é que viveste em Espanha. Daniel - A insularidade, isto não é espanhol. Onésimo - Estás numa ilha da Maia. Daniel - Desculpa lá! Esta coisa de ilha! Vocês, tu, o Vamberto, e outros, têm a mania de me dizer que estou isolado na Maia. Hoje em dia, já não há isolamento. Onésimo - Em 50 anos, para o Daniel de Sá, foi a viagem mais longa que ele fez na vida. Vir da Maia até à Ribeira Grande. Daniel - Para compensar a tua, que foi a mais curta que fizeste: da América até aqui. Mas, em qualquer parte não se está isolado. Eu estou rigorosamente informado. Tu, na América, sabes mais coisas sobre São Miguel do que eu. Não te admires que, estando na Maia, saiba coisas de todo o mundo. Estou rigorosamente informado. Onésimo - Há uma coisa interessantíssima na tua obra. Tu estás na Maia, mas estás num mundo imenso. E é isso que na tua obra é extremamente interessante. Fala-me da tua ilha grande fechada. Daniel - Só uma coisa. Talvez esteja no mundo todo, precisamente por estar na Maia. ••• É precisamente desta «Ilha grande fechada» que Daniel de Sá falará no texto continuação que publicaremos na nossa próxima edição... L P 5 de novembro de 2015 L u s oP r e s s e O Fantástico MUNDO de Marisa • Entrevista de Adelaide VILELA C aros leitores, o fantástico Mundo de Mariza, no momento, girava em Carolina do Norte, de onde falou para o LusoPresse. Depois de um interregno de 5 anos, Marisa volta às canções e ao fado que a leva ao mundo: na voz, na alma e no coração. E diz-nos Mariza: “Fiz uma pausa na minha carreira para me dedicar à família e esquecer por uns tempos as digressões e os espetáculos, agora volto com o meu novo disco, Mundo”. Este título agradou desde logo à artista que lembra com carinho e muita calma: “Onde vou transporto o Mundo, dentro do meu Mundo, é assim que me sinto feliz e realizada! E nós, contentes, vamos também saboreando as palavras sinceras que a artista deixou transparecer: “Há cinco anos a esta parte existe em mim um crescimento maior e, com este novo disco, convido as pessoas a cantarem a vida e a entenderem o momento presente”. Ao concordar com o poeta: “O mundo é composto de mudança”, notei uma doçura e um carinho na voz da artista, que nos transmite uma sabedoria e um saber ser e fazer maiores. Daí até viajar com ela em pensamento, não tardou muito tempo… E a inspiração deu à luz e cantei: cantei sem saber cantar, sonhei sem entender o fado, e logo amei meu versejar. E correndo dei um salto com Marisa no seu palco, nas asas do meu pensar. Em frente do meu salão, sorridente a Mariza vi passar com seu Mundo pela mão, honra e glória em seu cantar! Como um verdadeiro pólo na expansão da cultura lusíada, através da Canção nacional, Marisa parte em digressão, enaltecendo o nome de Portugal em todo o Globo. Com este seu Mundo na mão e no coração já esteve em diversos países, entre a Europa e as Américas, com os meses de outubro e novembro completamente preenchidos… ai fado meu, fado teu que não a deixas descansar. Vimo-la em terras de Jacques Cartier, todos. Mariza apresentou um espetáculo no Théâtre Maisonneuve, no Festival Internacional de Jazz de Montreal. Desde que se fez conhecer em terras de Lisboa, na antiga e valiosa Moraria, em apenas 14 anos, Mariza editou mais de 10 Cds, e recebeu uma grande quantidade de troféus, medalhas de mérito e muitos outros galardões. Na visão de Marisa, ao cruzar fronteiras, não pensa em prémios ou valores monetários, mas sente grande satisfação ao dar-se conta que prestam atenção à sua música, reco- Compre directamente ao fabricante com ou sem instalação. Página 7 nhecendo-lhe valor. Ficamos com uma lágrima no olho ao ouvir contar que em 2002, quando recebeu um prémio em dinheiro, como melhor atuação – no Festival de Verão do Quebeque – doou o dinheiro para o museu do fado, em Lisboa, e para outros estabelecimentos. É uma querida esta artista! Quando lhe perguntámos qual era a magia ao conseguir trabalhar com músicos nacionais e internacionais, de grande gabarito, respondeu-nos: “Só sei ser sincera e transparente, quando somos muito matemáticos afastamo-nos muito do coração, do visceral. Sou uma pessoa igual às outras, visto a alma para cantar e quando termino, desço do palco, dispo a alma e volto a vestir o meu casaco”! Temos que concordar, a Mariza que encontramos agora, é uma artista mais dócil, mas simples, uma mulher mais madura e naturalmente muito mais feliz. Depois, vive empenhada em alargar horizontes musicais, respeitando sempre a linha do Fado de Amália que admira, pelo legado que nos deixou, sobretudo. Diz-nos Mariza que Amália Rodrigues é única! “Cada pessoa tem o seu caminho e deve seguilo para que se integre positivamente naquilo que faz”. Diz-se que Amália gostava de palmas! O gosto da nossa Mariza é inalterável, Mariza contenta-se em apreciar os mimos que recebe: “Eu acho que acabo por cantar em português em qualquer parte do mundo, e é muito bom ser mimada. Os portugueses da diáspora já me habituaram assim, dão-me muitos carinhos por onde passo”. Como nota de conclusão Marisa diz-nos, em relação à nossa pergunta, que é muito grati- ficante quando alguém a compara com mulheres e artistas famosas. Certo, Mariza preserva a sua identidade sendo de igual modo uma mulher famosa: encanta quando canta e impressiona todas as camadas sociais nos universos que vai conquistando. A Mariza é a ela mesmo, sempre bela e singela! É a princesa com origens africanas e portuguesas, filha de pai português e de mãe moçambicana! A princesa que nasceu para a música, a sonhar com fado! “Quanto mais eu sei, mais sei que nada sou”. Foi um privilégio entrevistar a Mariza para o LusoPresse. Obrigada ao Nuno Cruz que a acompanha e vela pelo bem da estrela, aclamado pelo mundo. Foi um prazer saudálo. Ouvi-la é um soberbo prazer e por isso comprem a sua música, logo ficam com o seu e vosso Mundo no coração, o seu novo disco, MUNDO. LP iÌÀiÛÃÌ>ÃÊUÊÀi«ÀÌ>}ià `iL>ÌiÃÊUÊ`iëÀÌÊUÊVÕ`>`ià O seu programa de televisão semanal Norberto Aguiar, Produtor Tél.: (450) 628-0125 ÊUÊÊ i°\Ê(514) 835-7199 Ê ÕÀÀi\ [email protected] [email protected] Horário: Segunda-feira, 21 horas - Sábado, 11 horas Canal 47 (sinal aberto) Videotron: Canais 16 ou 616 em alta definição Bell: Canais 216 fibe ou 1216 em alta definição Tenho o prazer de convidá-lo(a) para o lançamento do livro Antes Que A Memória Se Apague O Manuscrito Dia 22 de Novembro de 2015 às 15h00 Salão Nobre do Centro Comunitário Santa Cruz 60, rua Rachel Oeste, Montreal Entrada livre Um Porto de Honra será servido L.R.Q. # 2669-8027-16 Varina Alumínio, inc. FABRICANTE E DISTRIBUIDOR Para tudo quanto diga respeito à indústria de alumínio e ligada à renovação interior • Grades de alumínio • Grades com vidro • Coberturas com fibra de vidro • Escadas em caracol e em diagonal • Coberturas com fibra de vidro e com polibornato • Degraus em alumínio • Fibras de vidro para o chão das varandas e degraus • Portas, janelas, fachadas comerciais e residenciais, etc. Fábrica e sala de exposições: 6327, rue Clark - Montréal - Telefone: (514) 362-1300 Fax: (514) 362-8882 Facilidades de pagamento com aprovação de crédito 5 de novembro de 2015 L u s oP r e s s e Página 8 Na Universidade de Montreal Sinais sobejantes do passado foram tema de palestra V CONCERTO - FADO O Consulado-Geral de Portugal em Montreal apresenta Helder Moutinho 26 DE NOVEMBRO DE 2015, 20H ivemos um tempo em que através de palestras realizadas por especialistas em Arte, recordamos a existência de um património artístico urbano onde se cruzam a azulejaria portuguesa, a pintura ou a gravura, aliadas a estilos arquitectónicos que perduram nos tempos. São memórias que testemunham um tempo de vivências que participaram nos fenómenos que as definem. Esses objectos são na maioria dos casos uma demorada recolha de nostálgicas recordações do passado. São painéis históricos que relatam vidas e acções projectando-as nos tempos. O distinto Prof. Dr. Moura Sobral, titular da Cátedra da Arte Portuguesa na Universidade de Montreal, ofereceu na passada semana uma palestra sobre azulejaria açoriana e outros componentes de Arte Sacra com grande incidência sobre a Companhia de Jesus ou, se preferirem, os Jesuítas. É grande o acervo artístico nas igrejas, conventos e colégios desta Ordem que se instalou no Arquipélago no século XVI, aí fundando as suas Residências e Colégios nomeadamente a partir do ano de 1591 em S. Miguel. De referir que os Jesuítas se instalaram em outras cidades como a Ribeira Grande ou Angra do Heroísmo, na ilha Terceira. A Igreja do Colégio dos Jesuítas de Ponta Delgada tem como principais características arquitectónicas a fachada barroca caiada, combinada com basalto escuro e a exuberância de elementos decorativos esculpidos em pedra vulcânica, sobressaindo largos painéis de azulejos com mais de 400 anos. OSCAR PETERSON CONCERT HALL Universidade Concordia 7141 rua Sherbrooke Oeste, Montreal ENTRADA LIVRE A entrada é livre, devendo os interessados solicitar o seu bilhete de ingresso no Consulado-Geral de Portugal em Montreal ou na Caixa Desjardins Portuguesa. [email protected] [email protected] 514-842-8077, extensão 233 A expulsão dos Jesuítas em 1760, não permitiu que a actual frontaria da Igreja fosse terminada. Com destaque para a Coroação da Virgem, de Vasco Pereira Lusitano, são dominantes as pinturas e esculturas dos séculos XVII e XVIII, assim que as pinturas representando passagens da vida de S. Francisco Xavier, atribuídas a Bento Coelho. Paralelamente, construíram-se outros edifícios religiosos com ornamentações e linhas arquitectónicas idênticas em Portugal e Brasil, destacando-se a Igreja de S. Roque em Lisboa e a Igreja e Convento de S. Francisco em Angra do Heroísmo. Em várias destas obras sobressaem os azulejos de Nicolau de Freitas e a semelhança das fachadas barrocas. Foi igualmente questão a explicação da simbologia emblemática e as questões teológicas representadas nas imagens projectadas, acompanhando a erudita apresentação do especialista universitário, que exemplificou as relações das sumptuosas festas com que a Companhia de Jesus celebrou a canonização de Santo Ignácio de Loyola e S. Francisco Xavier nas Casas e Colégios de Lisboa, Coimbra, Évora, Braga, Bragança, Vila Viçosa, Porto, Portalegre, Ilhas da Madeira e Terceira, com carros alegóricos e o Triunfo da Fé. Gratos ficamos ao emérito professor. Melo e Castro Votre O número de bilhetes disponível é limitado. Your Vinho Vinho * Este evento tem o patrocínio de: Igreja dos Jesuítas, em Ponta Delgada. Merlot * * $3.00 $3.50 $4.00 Cabernet Sauvignon - Pinot Noir Merlot Chardonnay - Sauvignon Blanc - Icewine - Port Mais de 40 variedades, em brancos, tintos e rosés. Import La Place du Vin 1265 Boul. O’Brien Ville St-Laurent - H4L-3W1 -514-747-3533 38 anos Aberto de terça-feira a sábado. Encerrado ao domingo e segunda-feira. A maior loja de vinhos do Canadá - * ver pormenores na loja 5 de novembro de 2015 L u s oP r e s s e Página 9 5 de novembro de 2015 L u s oP r e s s e Página 10 No Paolo’s Café Café com Letras V O s amantes da cultura lusófona terão novamente um encontro literário no próximo dia 21 de novembro, em Montreal. Na sua quinta edição, o Café com Letras receberá a visita dos escritores de Toronto: Aida Jordão, António Marques, Emanuel Melo e Irene Marques para compartilharem um pouco de sua obra. Esses quatro ótimos escritores estão presentes na antologia Memória de 2014, a primeira publicação dedicada a escritores Luso-Canadianos. Além de lerem os seus textos, o grupo de Toronto ficará disponível para uma conversa com os escritores do Café com Letras e o público em geral. Após a primeira hora do Café com Letras que será dedicada aos nossos convidados de Toronto, nós continuaremos com a nossa tradicional leitura. A proposta é simples, montrealenses de todas as nacionalidades vão se encontrar no «Café do Paolo» para declamar e ouvir poemas, contos, trechos de romances e outros géneros literários de escritores originários de países lusófonos. Cada participação deve durar no máximo três minutos e os textos de origem lusófona podem ser declamados em qualquer língua. A escolha da obra ficará ao critério dos participantes, no entanto a organização do evento solicita que as referências (autor, língua, título), assim como as presenças, sejam confirmadas com antecedência. Contacto: Richard Simas: [email protected] PS – Os texto originais são sempre bem-vindos, e nessa ocasião especial com os nossos convidados de Toronto, por que não a leitura de algo dessa rica e crescente coleção dos escritores da luso-diáspora? NÃO PERCAM CAFÉ COM LETRAS V! Quando: sábado, dia 21 de novembro, das 16h às 18h Onde: Paolo’s Café – 4603, Boulevard St. Laurent, Montreal O que trazer: O seu texto preferido dum escritor lusófono ou um texto original na língua da sua escolha. Visitem-nos: http://www.facebook.com/cafelusofono. Café Com Letras é dedicado à promoção da literatura lusófona e à mundialização da Língua Portuguesa, e é organizado por Nisa Remígio, Ogmar Silva e Richard Simas com o apoio do Paolo’s Café. L P Tel.: (514) 928-5221 (514) 354-6240 7130, Beaubien Est, Novo Banco dos Açores no terceiro trimestre No Benfica de Montreal O Resultado Líquido do terceiro trimestre de 2015 do Novo Banco dos Açores foi de 4,6 milhões de euros positivos, o que compara com 2,5 milhões de euros negativos obtidos no mesmo período de 2014. Este resultado deveu-se a um bom controlo do Crédito Vencido, recuperação de Provisões, um bom desempenho do Resultado Financeiro e a uma redução dos Custos Operativos. O Resultado antes de Impostos do Novo Banco dos Açores implicará um montante de 1,5 milhões de euros de impostos correntes, contra apenas 20 mil euros no período homólogo do ano passado. De dezembro de 2014 até final de setembro do corrente ano o Banco teve um aumento de Depósitos de Balanço de 67 milhões de euros, que permitiu conduzir o Rácio de Transformação do NB dos Açores para 105%. O Banco apresenta um Rácio de Liquidez de 141% enquanto o Rácio de Solvabilidade em finais de agosto era de cerca de 9%. O Novo Banco dos Açores neste período prosseguiu a sua política de proximidade e envolvimento com os Particulares, as Empresas e Instituições dos Açores e de acordo com a sua Missão e estatuto de único Banco com Sede nos Açores a operar na Região Autónoma dos Açores. O Novo Banco dos Açores tem como acionistas o Novo Banco, 13 Santas Casas das Misericórdias dos Açores, com particular destaque para a de Ponta Delgada e o Grupo Bensaúde. LP Grupo Cultural Cana Verde organiza um Arraial Minhoto no sábado, dia 7 de novembro, a partir das 19h00, nas instalações do Sport Montreal Benfica, situado no 100, rua Bernard oeste. Haverá cantorias e concertinas com a participação do Grupo Folclórico Português de Montreal-Santa Cruz, com a Rusga do Coração do Minho e com o Grupo Cultural Cana Verde. Venha dançar e cantar connosco na pura tradição das rusgas! Entrada 5$ (inclui uma bebida ou um caldo verde; bilhetes disponíveis à entrada). Haverá tasquinhas e também o sorteio de uma camisola da seleção nacional! Não falte! Para mais informações ligue para o 514-943-0632. L P Resultado Líquido foi 4,6 Milhões de euros Arraial Minhoto Manuel Esteves 3711-3715, Avenue de l’Hôtel-de-Ville – Tri- Anjou - (Qc) H1M 1B2 Agent immobilier affilié plex por 900.000$. 7957-7961, Avenue de Lorimier – Triplex. Preço : 499.000$. 9615, Avenue Papineau, #313. Preço : 236.132$ + TPS/TVQ. 3675, Avenue de l’Hôtel-de-Ville – Duplex por 550.000$. 3772-3782, rue de Bullion (Plateau MontRoyal) – Sextuplex por 1 059.000$. 2131-2135 – Triplex, no Plateau (boulevard St-Joseph Est). 9229-9231, 16ème Avenue, St-Michel – Duplex por 405.000$. 7128-7130, 14ème Avenue – Duplex. Preço : 449 000$. O 75, rue Morley (Greenfield Park) – Bungalow. Preço: 288.000$ 6763, rue d’Avila, quintuplex, com garagem dupla. Preço: 799.000$. 8310, rue Baillargé – Septuplex. Rendimento : 49 170$. 5 de novembro de 2015 L u s oP r e s s e O artista de Macau Wah Wing CHAN e Jean-Michel Correia expõem em «branco» • Por Jules NADEAU O gravurista montrealense Wah Wing CHAN expõe durante um mês obras onde «o branco adota um papel predominante», no salão do espaço cultural de Alfred Dallaire. Ao todo, são sete artistas que expõem quadros saídos de uma reflexão sobre o branco. A inaugura- ção da exposição na semana passada foi a ocasião de conhecer ou de retomar contacto com pessoas de Macau e de Portugal, no local do Boulevard Saint-Laurent. Originário de Macau, cidade que deixou para se instalar com a família no Quebeque, Wah Wing CHAN explica que «se interessa de perto à relação entre o preto e o branco», no comunicado do 29 de outubro. Foi o que os O artista Wah Wing CHAN e Manuel Martins são os dois nascidos em Macau e deixaram aquela antiga possessão portuguesa ainda muito jovens antes de virem viver para Montreal. Ao centro, Fernando Pires é o filho do homem que foi um grande amigo de Manuel Martins. Foto Jules Nadeau/LusoPresse. ARLINDO VELOSA representantes do LusoPresse já tinham podido ver há algum tempo noutra exposição que se realizou num local da rua Rachel. Este ano, foi o desafio técnico de se exprimir só em branco, «reter a atenção sem cores e com um mínimo de contrastes». A sua inspiração? Aquilo de que se apercebe no quotidiano, como manchas de água no passeio ou marcas de passos no betão fresco. O resultado é digno do interesse de cada um de nós como observadores. Organizado por Madame Malgosia Bajkowska, o evento foi a ocasião para o jornalista do LusoPresse de estabelecer um primeiro contacto com Jean-Michel Correia, diretor da galeria do Théâtre em Magog. Como o nome indica, o Sr. Correia é filho de pais portugueses, mas foi em França que veio ao mundo, antes de atravessar o Atlântico. Ele e Madame Bajkowska, ela mesma artista, expõem atualmente obras em «azul» nesta galeria de arte contemporânea. Jean-Michel convida-nos a ver as obras em questão no Au Vieux Clocher da rua Merry Nord, em Estrie. Em Montreal, todos podem admirar até ao dia 28 de novembro a «Exposição Branco» no 2º andar do Memoria Alfred Dallaire. Para um pequeno número de compatriotas, a inauguração da exposição foi o momento de trocar preciosas recordações de família. Wah Wing CHAN deixou Macau com a idade de doze anos e terminou mais tarde os seus estudos no Universidade Concordia. Manuel Martins, patrão do restaurante Boca Iberica, deixou a colónia portuguesa com a idade de cinco anos. O seu pai faleceu de maneira trágica em 1959. Ele prometeu ao LusoPresse de contar a história extraordinária da descoberta recente dos restos de seu pai, quase 60 anos depois da morte do homem do Minho. A ler em breve nas nossas páginas. L P ASSEGURADO 7170, boul. Saint-Laurent Chomedey, Laval – 3541, rue Charles Daoust – Belíssimo condomínio, com 2 quartos de dormir, estacionamento privado, 900 pés quadrados, janelas novas, sala de banho toda feita de novo. Boa relação qualidade preço. 167.000$. St-Michel – 9181, rue Iberville – Belíssimo duplex com garagem e grande «bachelor». O rés-do-chão e o «bachelor» foram renovados em 2014. tem grande quintal nas traseiras. 419.000$. XX Governo constitucional LISTA DOS MINISTROS LISBOA - O XX Governo Constitucional, que tem como primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e como vice-primeiro-ministro Paulo Portas, tem a seguinte constituição: • Primeiro-ministro: Pedro Passos Coelho • Vice-primeiro-ministro: Paulo Portas • Ministra de Estado e das Finanças: Maria Luís Albuquerque • Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros: Rui Machete • Ministro da Defesa Nacional: José Pedro Aguiar-Branco • Ministro da Presidência e do Desenvolvimento Regional: Luís Marques Guedes • Ministro da Administração Interna: João Calvão da Silva • Ministro da Justiça: Fernando Negrão • Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia: Jorge Moreira da Silva • Ministra da Agricultura e do Mar: Assunção Cristas • Ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social: Pedro Mota Soares • Ministro da Economia: Luís Miguel Morais Leitão • Ministro da Saúde: Fernando Serra Leal da Costa • Ministra da Educação e Ciência: Margarida Isabel Mano Tavares Simões Lopes Marques de Almeida • Ministro da Modernização Administrativa: Rui Pedro Costa Melo Medeiros • Ministra da Cultura, Igualdade e Cidadania: Maria Teresa da Silva Morais • Ministro dos Assuntos Parlamentares: Carlos Henrique da Costa Neves. L P TELEM.: 770-6200 RESID.: 272-2431 ESCRI.: 272-2432 Agente imobiliário «agréé» HONESTIDADE • EFICIÊNCIA • SERVIÇO Página 11 Villeray – 8455, Henri-Julien – Soberbo condomínio, com 2950 pés quadrados, cozinha e subsolo completamente renovados, 4CC, garagem + 3 lugares para estacionamento. 595.000$. Villeray – 2610, rue Jean-Talon Est – Duplex semicomercial, com garagem, dois quartos e meio e um espaço para escritório. Está bem situado, a 50 metros do metro de Iberville. Está sempre alugado. 429.000$ Para vender ou avaliar a sua propriedade, chame-me! Steve Velosa Petite Patrie – 6380-6384, rue St-André – Triplex bem situado, com estacionamento, a dois passos da rue St-Hubert e do metro Beaubien. O Subsolo tem altura máxima. O rés-do-chão está renovado. Excelente simbiose entre a qualidade e o preço. 429.000$. Lasalle – 174, Avenue Stirling – Belíssima «cottage», completamente renovada (interior e exterior), terreno de 5 000 pés quadrados. 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Esta foi mais uma organização bem-sucedida levada a cabo por Carlos Ferreira, proprietário daquele restaurante. A casa esteve de lotação esgotada e foi mesmo preciso anular algumas inscrições por falta de espaço. Evidentemente que a presença dos cinco produtores dos novos vinhos de mesa de alta qualidade da região duriense teve um efeito considerável entre a clientela habitual, que teve a oportunidade única de fazer uma prova de vinhos e apreciar os trabalhos gastronómicos da cozinha do Ferreira-Café pilotada pelo chefe João Dias. “Um casamento de amor entre a comida e a bebida”, como nos confiaria um dos Douro Boys. À medida que os pratos iam sendo servidos, o produtor do vinho designado para o acompanhar ia apresentando o seu produto, definindo as suas qualidades, origens e historial. Uma verdadeira viagem gastronómica no tempo e no espaço. Quinta do Crasto, Quinta do Vallado, Quinta Vale Meão, Quinta Vale D. Maria e Niepoort são os cinco consagrados produtores de vinho daquela que é a mais antiga região demarcada do Mundo e que os Douro Boys aqui vieram representar. As cinco empresas trabalharam em conjunto, com a finalidade de tornar a qualidade e o alto potencial dos Vinhos do Douro reconhecidos no mundo dos “Fine Wines”, e têm-no conseguido. Onde quer que os vinhos dos “Douro Boys” sejam apresentados, os conhecedores apaixonam-se com a individualidade e a qualidade dos seus vinhos. Graças às características incomparáveis da região do Douro e às castas que produzem estes produtores podem já hoje competir com os mais conceituados vinhos listados no “Wine Spectator”. Estes viticultores resolveram reunir-se há mais de dez anos numa associação sui generis para se divertirem entre eles, como nos confessaram, e também para promoverem não só os vinhos que produzem mas toda a região do Douro. Aliás, eles têm vindo a fazê-lo um pouco por todo o mundo fora, de forma profissional, com o apoio de uma agência austríaca de TREINOS DE CAPTAÇÃO FUTEBOL PARA ATLETAS LUSO-DESCENDENTES SONHAS JOGAR NUM CLUBE GRANDE? AGARRA ESTA OPORTUNIDADE! ATLETAS NASCIDOS EM 1998 / 1999 / 2000 / 2001 2002 / 2003 / 2004 / 2005 2006 / 2007 MAIS INFORMAÇÕES SITE WWW.SCOUT.COM.PT E-MAIL [email protected] TELEMÓVEL 00351 964440150 INSCRIÇÕES LIMITADAS! 30 e 31 JULHO 2016 - LISBOA PRESENÇA DE OLHEIROS DOS CLUBES PROFISSIONAIS marketing. Porquê austríaca? Porque a sua representante viveu vários anos em Portugal, no Porto, e fala um português excelente. Convém também sublinhar que a maioria destes produtores é herdeira das grandes famílias que estão na origem do vinho do Porto, embora algumas casas hoje já não estejam nas mãos da família original. É o caso de Francisco Ferreira descendente da família do Porto Ferreira, cujo pai esteve em Montreal por ocasião da inauguração do Ferreira Café e que hoje tem a sua própria exploração vinícola Quinta do Vallado. Já o Dirk Nieport, descendente de família de holandeses estabelecidos no Porto desde o século XVII continua a tradição familiar do Porto Nieport. No dia seguinte, ainda com o apoio do Carlos Ferreira que serviu o catering, os 5 representantes do Douro Boys estiveram nas caves da Société des alcools du Québec para uma outra apresentação dos seus produtos. Para os interessados, aqui fica a lista dos vinhos apresentados na degustação: • Douro Boys 2011, douro • Batuta 2012, douro, Niepoort • Niepoort Tawny Colheita 1999, porto • Coche 2013, douro, Niepoort • Quinta do Crasto Touriga Nacional 2011, douro • Quinta do Crasto LBV 1997, porto • Quinta do Crasto Reserva 2012, douro • Quinta Vale D. Maria 2012, douro • Quinta Vale D. Maria 2004, douro • Quinta Vale D. Maria Vintage 2009, porto • Monte Meão Touriga Nacional 2012, douro • Quinta do Vale Meão 2012, douro • Quinta do Vale Meão Vintage 2012, porto • Reserva Field Blend 2012, douro, Quinta do Vallado • Vallado Touriga Nacional 2012, douro, Quinta do Vallado • Quinta do Vallado 20 Years Old Tawny Port, Porto. L P 5 de novembro de 2015 L u s oP r e s s e Página 13 Carminho... A nova estrela do Fado em Montreal Teatro Outrement, 13 de novembro de 2015, às 20h N Foto LusoPresse. • No início de 2016… Portus Calle passa a Portus 360° e muda-se para o centro da cidade Por Norberto AGUIAR D epois do «100 Receitas Portuguesas», edição Transcontinental, agora foi a vez do lançamento do livro «A cozinha da Helena», da responsabilidade da Les Éditions de l’Homme, uma divisão de Québecor Média. E para local de lançamento deste novo livro foi escolhido o último andar do antigo Hotel Delta, em pleno coração de Montreal, que até há pouco tempo dava pelo nome de Restaurant Tour de Ville, relacionado, está bem de ver, com o facto do restaurante es-tar sediado no último andar do prédio e que, caso único em Montreal, gira à volta da cidade. Diz-me que demora uma hora para dar a volta completa... Foi, assim, num local com uma vista deslumbrante para o Rio S. Lourenço e seu porto, e respetiva zona sul, que teve lugar a cerimónia de lançamento do segundo livro de Helena Loureiro, de novo, como não podia deixar de ser, um livro de receitas culinárias. Há quem diga que é um livro onde se reforça o que foi feito, ou o que não foi feito, na sua primeira publicação. De resto, a julgar pelas palavras da mestre de cerimónia, o alfobre da Helena tem muito mais para dar. E quanto ao seu conteúdo, na síntese de apresentação fala-se em 80 receitas, que vão das sardinhas marinadas, ao camarão ao Porto, passando pelo bacalhau, etc... Naquela terça-feira, 20 de outubro, passou pelo «ex Tour de Ville» muita gente, desde portugueses a quebequenses de «souche», e de muitas outras origens. Para a Helena foi uma boa oportunidade para vender livros, muitos livros. Para os convidados, além de tomarem contacto com a nova publicação, tiveram a possibilidade de degustar uma grande panóplia de acepipes, quentes e frios, logo acompanhados de um bom copo de vinho. Também aqui veio ao de cima a riqueza da gastronomia portuguesa, versão cozinha à Helena Loureiro. E, sabe-se, nestas ocasiões há pouca gente para servir os seus convidados como a nossa compatriota oriunda da Serra de Santo António. Por isso, não admira os oh oh! de admiração dos muitos convivas presentes. Se admiração houve pela receção, voltamos a repetir, feita de maneira superior, essa admiração passou para surpresa quase geral – na sala já havia quem soubesse da novidade... – quando Helena Loureiro pegou no microfone para, primeiro agradecer a tudo e todos, desde asceu banhada e é considerada no meio artístico do Fado a maior revelação da última década. O seu talento e postura no fado fazem dela uma das grandes jovens fadistas da atualidade. Rodeada de grandes nomes desta arte de cantar, agora reconhecida como se sabe pela UNESCO como Património Imaterial da Humanidade desde 2011, começou muito jovem (12 anos) a dar voz ao fado, impressionando e cativando um público alargado em Portugal e na Europa. Por onde passa, a sua voz, uma voz cheia de frescura e poesia, seduz, encanta e convence. E o que é fascinante e extraordinário ao mesmo tempo, é de a ver empenhada a dar corpo e alma à sua arte com todo o seu talento, arrastando consigo na onda da paixão, toda uma nova geração de fadistas e de grandes guitarristas. Quanto a mim, estamos diante de uma nova Amália Rodrigues ou diva do Fado! Por isso digo, tomando um pouco a ideia de Ary dos Santos, que o fado é uma veia por onde corre a cantiga da sua voz que é imensa, deixando sobre os nossos lábios um murmúrio de alegria e sobre a nossa pele um arrepio de prazer. Venham ver e ouvir esta grande jovem artista! LP LP os filhos aos empregados, passando pela equipa que a suportou na feitura do livro, e aos presentes, para dizer que se mudará com armas e bagagens para aquele mesmo local logo que os trabalhos estejam finalizados. «Para o início do ano», adiantou sem precisar a data. O que Helena Loureiro afiançou no momento foi que o atual Portus Calle – 13 anos de vida – passará a chamar-se de Portus 360° e que a mudança se deve a pontos de vista diferenciados com as entidades municipais (do Bairro), mormente por questões de impostos, estacionamentos, assim como querer dar mais Filipe Batista um passo adiante no seu negócio... Os discursos terminaram com a leitura de uma mensagem do embaixador de Portugal em Otava, lida pelo cônsul José Guedes de Sousa, onde se elogiava o labor de Helena Loureiro. O livro «La cuisine d’Helena» está à venda, aliás como o «Helena: 100 recettes portugaises», nas livrarias da cidade e nos três restaurantes (Portus Calle, Helena e Cantinho de Lisboa) de que Helena é co-proprietária. LP A Equipa Olívia Paiva (514) 707-8877 www.oliviapaiva.com VISITA LIVRE domingo, dia 8 de novembro, das 14 às 16 horas, no 12645, rue Gertrude-Gendrau, em Rivières-des-Prairies. RDP - Condo 4 1/2 no 1° piso, c/2 quartos. Ideal para um primeiro comprador. 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Se se tivessem posto a observar a sua ação política parlamentar deveriam ter tomado nota que uma das primeiras medidas que tomou, como líder do partido, foi o de “expulsar” os senadores liberais, dando assim o primeiro pontapé de partida para a renovação do Senado. Agora, com a constituição da nova equipa ministerial, ele veio uma vez mais dar prova do bom senso e do faro político que o tem animado desde que entrou na política ativa. Atendendo às suas declarações durante a campanha eleitoral, já sabíamos que iríamos ter um gabinete de ministros mais reduzido que o do anterior governo conservador, já sabíamos que ele iria nomear um número igual de homens e mulheres como ministros, já sabíamos que ele iria buscar ministros que fossem representativos de todas as regiões do Canadá, dos canadianos ingleses e dos canadianos franceses. Mas ele foi mais longe. Além de cumprir com todas aquelas promessas eleitorais, reparamos que ele até foi ao ponto de escolher também membros da velha guarda e das novas gerações, gente de tendências de esquerda e de direita, representantes das primeiras nações e das comunidades emigrantes, como o vermelho turbante sique nos lembrava constantemente durante a cerimónia da tomada de posse. Mas ele foi ainda mais além ao delegar duas pastas a deputados com deficiências físicas – Kent Hehr que se desloca em cadeira de rodas e que L u s oP r e s s e ficou com o cargo de Ministro dos Antigos Combatentes e Adjunto da Defesa Nacional e Carla Qualtrough, deficiente visual de nascença, que ficou com a pasta do Desporto e dos Deficientes. Mas não se pense que esta distribuição de cadeiras ministeriais foi feita de forma matemática para completar bem o galhardete. Quem se der ao trabalho de olhar para o curriculum dos novos ministros não pode deixar de aclamar a escolha judiciosa do novo dirigente canadiano e inclinar-se diante da solidez e competência de que eles têm dado provas na sua vida pessoal, académica e profissional. Havia nomes que corriam, sobretudo na deputação do Quebeque, como foi o caso de Mélanie Joly para o Ministério do Património Canadiano a quem compete decidir do orçamento de CBC-Rádio-Canada, de Stéphane Dion que alguns viam no Ministério do Meio Ambiente mas que ficou com a pasta dos Negócios Estrangeiros, e de Marc Garneau, o antigo astronauta, que ficou com a pasta dos Transportes, assumindo assim a responsabilidade da construção da ponte Champlain. Mas para além da simbólica que representa o sexo, a origem, a idade, a etnia ou a deficiência física dos novos ministros, o que vai ser importante é de ver como é que o novo governo entende por em prática os objetivos que se fixou durante a campanha eleitoral. Como por exemplo a legalização da marijuana, a abolição da prevista portagem sobre a nova ponte Champlain, o aumento dos orçamentos de CBC-SRC, a anulação da promessa de compra dos aviões F-35, o fim da missão militar na Síria contra o Estado Islâmico, a reforma da lei sobre o acesso à informação, o voto livre no parlamento e a reforma do sistema eleitoral. De todos eles foi a baixa de impostos para a classe média e o aumento de impostos para os altos rendimentos que ele declarou como sendo a primeira prioridade do seu governo. Todo um programa que os eleitores terão em vista à medida que o governo se irá executando. Porque, quer os eleitores tenham ou não votado nos liberais, todos esperam que eles mantenham a palavra dada e a cumpram. LP Página 14 FALECIMENTO Leonardo Lúcio Soares 1921 - 2015 L eonardo Lúcio Soares faleceu no passado sábado, dia 28 de outubro, com a veneranda idade de 94 anos (1921 – 2015). Natural de Lagoa (Açores) e no Canadá desde os anos sessenta, Leonardo Lúcio Soares era viúvo de Maria Luísa Oliveira – falecida em 1996 – e pai de seis filhos, Luís (Fátima), Hermínia (Manuel), Rosa (Messias), Luísa (Artur Sousa, já falecido), Leonardo (Ângela) e José (Giovanna). Destas uniões, Leonardo Lúcio Soares tinha doze netos, José Manuel, Artur, Victor, Messias, Luís, Leonardo, Michael Anthony, Alexander, Diandra, Zachary, Reyanna, e Nancy Joanne, igualmente falecida. Phylisia, Lukas, Caiden e Cárter eram, por sua vez, os seus quatro bisnetos. O funeral do nosso malogrado compatriota teve lugar segunda-feira ao princípio da tarde e desenrolou-se na Capela do Centro Funerário de Côte-des-Neiges, onde o corpo esteve exposto. Depois da cerimónia fúnebre, Leonardo Lúcio Soares foi a enterrar no Cemitério da Côte-des-Neiges. Muitos compatriotas nossos, assim como muita gente oriunda de outras comunidades e amiga da numerosa Família Soares, compareceram em número considerável no enterro. A Equipa do LusoPresse e LusaQ TV endereça os seus mais sinceros pêsames a toda a Família Soares, particularmente aos engenheiros Luís e Leonardo Soares, pessoas próximas deste jornal. LP JUSTIN TRUDEAU... Cont. da pág. 1 presentantes, Alexandra Mendes e Peter Fonseca... Aqui fica a lista dos ministros do novo governo canadiano: O novo Primeiro-Ministro do Canadá, Justin Trudeau, rodeado pelos ministros do seu Gabinete. Foto LusoPresse. IGREJA BAPTISTA PORTUGUESA Domingos às 15H00 – Pregação do Evangelho 6297 Ave. Monkland, (NDG) Montreal http://www.madisonbaptistmontreal.com/portugues.html Tel. 514 577-5150 – [email protected] • Justin Trudeau – Primeiro-Ministro, Assuntos Intergovernamentais e Juventude • Ralph Goodale – Segurança Pública e da Proteção Civil • Lawrence MacAulay – Agricultura e da Agraalimentação • Stéphane Dion – Negócios Estrangeiros • John McCallum – Imigração, Refugiados e Cidadania • Carolyn Bennett – Assuntos dos Povos Autóctones e das Regiões do Norte • Scott Brison – Presidente do Erário Público • Dominic LeBlanc – Representante do governo no Parlamento • Navdeep Singh Bains – Inovação, Ciência e Desenvolvimento Económico • William Francis Morneau – Finanças • Jody Wilson-Raybould – Justiça e ProcuradorGeral do Canadá • Judy M. Foote – Obras Púbicas e Abastecimentos • Chrystia Freeland – Comércio Internacional • Jane Philpott – Saúde • Jean-Yves Duclos – Família, Crianças e Desenvolvimento Social • Marc Garneau – Transportes • Marie-Claude Bibeau – Desenvolvimento Internacional e Francofonia • James Gordon Carr – Recursos Naturais • Mélanie Joly – Património • Diane Lebouthillier – Receitas Públicas • Kent Hehr – Antigos Combatentes e Adjunto da Defesa Nacional • Catherine McKenna – Meio Ambiente e Alterações Climáticas • Harjit Singh Sajjan – Defesa Nacional • MaryAnn Mihychuk – Emprego, Mão-deobra e Trabalho • Amarjeet Sohi – Infraestruturas e Coletividades • Maryam Monsef – Instituições Democráticas • Carla Qualtrough – Desporto e Deficientes • Hunter Tootoo – Pesca, Oceanos e Guarda Costeira • Kirsty Duncan – Ciência • Patricia A. Hajdu – Condição Feminina. LP 5 de novembro de 2015 L u s oP r e s s e Major League Soccer O momento das grandes decisões • Por Norberto AGUIAR C om o Campeonato da Major League Soccer terminado, que deu como vencedor da prova o Nova Iorque Red Bull, apesar de ter ficado com o Dallas FC à perna, isto é, com os mesmos pontos (60), as grandes decisões nesta liga só agora estão no auge, com a disputa das eliminatórias e que, por sua vez, levam o seu vencedor final à conquista da Taça MLS, o mais importante troféu que se disputa anualmente pelas atuais 20 equipas que formam o pelotão da Major League Soccer. Com duas zonas definidas, a Este e a Oeste, cada uma com 10 equipas, onde há um campeão por série no final do Campeonato, a MLS favorece a fase de fim de ano, ou de época, como se queira, ao dar ênfase ao mini-campeonato que agora se formaliza e para onde se classificam seis equipas por zona. É assim que temos, na zona Este e por ordem da respetiva tabela classificativa, o Nova Iorque Red Bull, o Columbus Crew, o Impacto de Montreal, o DC United, o Revolution da Nova Inglaterra e o Toronto FC. Já na zona Oeste, os apurados foram, igualmente de cima para baixo, o Dallas FC, o Whitecaps de Vancouver, o Timbers de Portland, o Sounders de Seattle, o La Galaxy de Los Angeles (campeão em 2014), e o Sporting de Kansas City. Importante é o facto das duas equipas de topo de cada série, a saber, o Nova Iorque Red Bull e o Columbus Crew; e o Dallas FC e Whitecaps de Vancouver ficarem isentas da disputa da primeira eliminatória, um privilégio assegurado pelo mérito classificatório... Assim sendo, a disputa do mini-campeonato, chamemos-lhe assim, começou com os jogos Impacto x Toronto FC, terceiro contra sexto, e DC United x Revolution, no embate quarto contra quinto, na zona Este. Na zona Oeste, os acasalamentos foram Timbers x Sporting, correspondente ao terceiro contra o sexto, e Sounders contra o La Galaxy, respetivamente, o quarto contra o quinto. As equipas melhor classificadas tiveram o privilégio de jogar em casa, num único embate. Vejamos os resultados da primeira eliminatória. Impacto x Toronto FC, 3-0 DC United x Revolution, 2-1 Timbers x Sporting, 1-1, 2-2 após prolongamento e 7-6 através da marca das grandes penalidades. Sounders x La Galaxy, 3-2 Num rápido comentário, diremos que prevaleceu a lógica de passar o melhor classificado. No entanto, todos os jogos foram espetaculares, com scores incertos até final, mesmo no caso do triunfo do Impacto, que embora marcando três golos na primeira parte, o certo é que teve de se bater com denodo para não sofrer golos no segundo tempo. Mas o mais sensacional de todos foi o jogo disputado entre o Timbers e o Sporting, como o resultado logicamente deixa transparecer. Foram mais de duas horas de grande prazer futebolístico. Primeiro houve empate nos 90 minutos, com os sportinguistas a marcarem Joey Saputo, presidente do Impacto, neste momento é um homem feliz com o bom desempenho do seu grupo. Foto LusoPresse. o golo do empate a dois minutos do fim; depois foi o prolongamento, altura em que os donos da casa foram buscar o segundo golo quando já ninguém acreditava, quase levando a multidão, que enchia por completo as bancadas do estádio, ao desespero perante a possível derrota da sua equipa... Mas a salvação do Timbers veio por meio das grandes penalidades, também aqui obtida de forma dramática. Foram precisos os onze jogadores de campo para desempatar a contenda, pois ora falhava um, ora falhava o outro e aqui também entra as defesas dos keepers... Até que chegou a vez dos marcadores serem os respetivos guarda-redes. Marcou primeiro Adam Kwarasey, do Timbers, que fez golo, seguido de Jon Kempin, que falhou, por belíssima defesa do seu opositor. Passou o Timbers, não sem grandes dificuldades como já vimos. Meias-finais de divisão Os jogos seguintes, Impacto x Columbus Crew, DC United x Nova Iorque Red Bull, na zona Este, e Timbers x Whitecaps de Vancouver e Sounders x Dallas FC, na zona Oeste e correspondentes às meias-finais de zona, agora disputados em duas mãos, com os clubes que acabaram melhores posicionados a terem a vantagem de primeiro jogarem em casa do adversário, jogaram-se este fim de semana. Os resultados foram como segue: Impacto x Columbus, 2-1 DC United x Nova Iorque Red Bull, 0-1 Timbers x Whitecaps, 0-0 Sounders x Dallas FC, 2-1 O que dizem estes resultados é que mais uma vez ficou demonstrado o grande equilíbrio de forças que existe na Major League Soccer. Fosse noutra liga, mesmo das grandes da Eu- Página 15 ropa e dificilmente se veria resultados destes Columbus Crew x Impacto, 17 horas entre um naipe de 12 equipas. Isto é sinal de Dallas FC x Sounders, 19.30 horas que a Major League Soccer já está a nível fute- Whitecaps x Timbers, 22 horas. bolístico nas sete ou oito melhores ligas do LP Mundo. De resto, a nível de assistências, já provado, ela está em sétimo lugar, muito à frente de ligas como a francesa, portuguesa e por aí adiante... Em ocasião oportuna traremos esses dados a estas páginas para benefício dos nossos leitores desportistas. Entrando um pouco mais no que foram estes quatro jogos, diremos que os embates Dra. Carla Grilo, d.d.s. do próximo domingo, referentes à segundaDentista mão, tudo vão decidir, porque o diferencial atual é mínimo para três equipas (Impacto, Dallas, Clínica Dentária Christophe-Colomb Red Bull) e nulo para a outra, isto relativamenEscritório te às equipas que agora receberam. O Nova Iorque Red Bull, que venceu fora, 1095, rue Legendre est, Montréal (Québec) mais o Whitecaps, que empatou no terreno Tél.: (514) 385-Dent - Fax: (514) 385-4020 do Timbers, têm neste momento alguma vantagem, mas nunca fiando, pois tudo pode acontecer... Para quem quiser Entrepreneur en apreciar bom futebol maçonnerie générale e ver as equipas da RÉSIDENTIEL COMMERCIAL MLS em ação nesta INDUSTRIEL fase decisiva, aqui ficam os jogos para domingo, dia 8 de novembro, mais os resNorberto Martins petivos horários teCell: 514 809-5333 levisivos. A TSN vai 19, av. Queen Tél: 514 630-3434 Pointe-Claire (Québec) transmitir os jogos Fax: 514 630-8424 H9R 4E8 do Impacto e Whiemail: [email protected] tecaps. 5JKPMPTt1FESBt3FTUBVSBÎÍP %FTEF Nova Iorque Red Bull x DC United, 15 horas TENHA SOBRE A MESA UM BOM CAFÉ PAOLO! DISTRIBUÍDO CÁPSULAS POR PAOLO’S MACHINE EXPRESSO COMPATÍVEIS NESPRESSO - BICAFÉS HORÁRIO: • De segunda a quarta-feira, das 9h00 às 18h00 • Quinta e sexta-feira, das 9h00 às 21h00 • Sábado, das 9h00 às 18h00 Paolo’s Machines Expresso 4603, boul. St-Laurent Montréal (Québec) Canadá H2T 1R2 Tél.: (514) 849-7763 Fax: (514) 849-5383 5 de novembro de 2015 L u s oP r e s s e Página 16