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Editorial
Novo Governo
•
Vol. XIX • N° 338 • Montreal, 5 de novembro de 2015
Por Carlos DE JESUS
O
novo governo canadiano dirigido por Justin Trudeau acaba de ser empossado. Finda a cerimónia da apresentação dos ministros, seguiu-se um encontro
com a imprensa nos jardins do Governador-Geral do Canadá que estiveram abertos
ao público, no qual ele reiterou as suas promessas eleitorais e o desejo de criar um governo mais próximo dos cidadãos, transparente e responsável.
Uma nova página da história canadiana acaba de se virar. Um novo capítulo vai
começar com todas as expectativas que a
campanha eleitoral e a juventude de Justin
Trudeau deixam adivinhar.
Ao contrário do que nos fizeram crer
durante toda a campanha, sobretudo os
comentadores, cronistas, caricaturistas e
uma boa parte da classe artística do Quebeque que o consideravam uma linda casca
vazia, Justin Trudeau acabou por fazer
mentir todas as previsões negativas que
pesavam sobre ele.
Se os ditos comentadores fossem menos incultos e menos ideólogos, se tivessem dado mais atenção ao discurso e à ação
deste herdeiro de Pierre Elliot Trudeau, teriam certamente reparado que o objetivo hoje alcançado foi o resultado duma longa,
paciente e tenaz luta.
Se se tivessem lembrado do discurso
que ele pronunciou em outubro de 2002
por altura do funeral de seu pai, deveriam
ter reparado que estava ali já o germe dum
homem de estado.
Se se tivessem dado ao cuidado de analisar o desafio que ele se impôs a si mesmo
ao decidir brigar o seu primeiro lugar de
deputado numa das circunscrições mais poCont. na pág 14
Vítor Carvalho
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Escritório
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2480, Alqueidão da Serra - PORTO DE MÓS
Leiria - Estremadura (Portugal)
PARA JÁ...
JUSTIN TRUDEAU CUMPRE PROMESSA
L
USOPRESSE, serviço de última hora
- O novo governo acaba de ser formado. E
Justin Trudeau, como prometeu no decorrer
da campanha eleitoral, cumpriu várias promessas de uma assentada, desde a escolha dum Conselho de Ministros pequeno em número, que
não em função das competências, à paridade
entre homens e mulheres, passando por uma
boa dose de ministros oriundos das Comunidades Étnicas e acabando no recrutamento de
dois elementos das Nações Aborígenes...
Por outro lado, Justin Trudeau também
não dececionou ao entregar os Ministérios
mais importantes às pessoas certas, não caindo
na tentação de colocar em postos chave, deputados já por dentro do sistema. As regiões,
pelos vistos, também estão satisfeitas com as
escolhas feitas. No caso do Quebeque são seis
os ministros, com três da cidade de Montreal
– quatro a contar com o Primeiro-Ministro.
Uma pequena deceçãozinha foi o terem
ficado de fora do Gabinete os dois nossos re-
Cont. na pág 14
Uma família ao serviço
de todas as famílias
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L u s oP r e s s e
5 de novembro de 2015
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•
Por Osvaldo CABRAL
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Escrevem nesta edição:
• Carlos de Jesus
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• Onésimo Teotónio Almeida
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(Ver informações nas páginas 5 e 16)
O
polémico 20º Governo Constitucional tomou posse em
vésperas do Halloween.
Num cenário político embruxado, este deverá ser o governo com
a duração mais curta da história.
O país fica agora suspenso durante cerca de dez dias à espera que a
Esquerda portuguesa encontre a poção mágica que a leve ao lugar de
Passos e Portas.
No meio deste caldeirão, quem tem a varinha mágica para abrir as
portas do poder à Esquerda é Cavaco Silva, uma espécie de Harry Porter
aterrorizado com o desfecho da saga do fantasmagórico clima político
português.
Mantém o governo em gestão ou nomeia António Costa?
O discurso na tomada de posse do novo governo, não deu indicação
nenhuma.
Mas há uma coisa que já é certa: o Presidente da República agiu
bem ao empossar este governo, ao contrário do que pretendiam o PS,
PCP e Bloco de Esquerda, ao dizerem que era uma perda de tempo.
Ora, até aquele momento os três partidos ainda não tinham chegado
a acordo, segundo os próprios confirmaram.
Então se não chegaram a acordo, se não têm nada para mostrar
aos portugueses, como é que queriam ser já chamados ao poder?
De incongruência em incongruência, o PS vai-se afundando num
pântano de descrédito, enquanto os outros dois partidos à sua esquerda
vão beneficiando da desorientação ideológica dos socialistas liderados
por António Costa.
Lá no fundo, Cavaco Silva estará tentado em manter o governo de
Passos Coelho em gestão até à marcação de novas eleições, mas os cenários com este modelo são tão desfavoráveis que o mais certo é nomear
António Costa, com uma série de exigências e condições, e deixar que
o seu sucessor resolva o problema a partir de abril, altura em que já é
possível dissolver o parlamento, se assim entender.
É claro que o país está dividido e ninguém se livra da crispação política.
Mas os partidos também não fazem nenhum esforço para um
ambiente mais favorável.
A forma desbraguelada como Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, se tem insurgido contra as posições do Chefe de Estado, pressionando tudo e todos, numa ânsia de chegar ao poder a cavalo do PS, não
ajuda nada à descompressão e ao bom senso que se quer na vida política.
Até na apresentação das moções de rejeição os três partidos não
se entendem: o Bloco anuncia que a moção será conjunta e o PCP diz
que nada está decidido...
O próprio facto das reuniões para a negociação do acordo entre
os três decorrerem, afinal, apenas de forma bilateral, sem que os três se
juntem, é outro sinal de que não há um entendimento profundo que os
possa unir.
Se nas coisas mais comezinhas, como eles chamam, não se entendem, como é que se vão entender durante quatro anos com os problemas
gravíssimos que vão enfrentar e decisões polémicas que vão ser necessárias tomar?
É verdade que a alternativa também não é duradoura.
Manter este governo, sem apoio maioritário no parlamento, seria
um tiro no escuro, pelo que o cenário de eleições antecipadas é o mais
certo, até porque, agora sim, os eleitores já sabem que poderão votar
numa coligação de direita ou numa coligação de esquerda.
Um entendimento entre este PSD e este PS parece impossível.
António Costa não voltará atrás, porque está em jogo a sobrevivência da sua liderança e de todo o aparelho que o acompanha.
Perder esta oportunidade será perder a sua carreira política e a de
outros que o rodeiam, como é o caso de Carlos César.
O atual núcleo duro de António Costa não tem nada a perder ao
juntar-se ao Bloco e aos comunistas. É a única tábua de salvação, porque se ceder à coligação de Passos e Portas, sabe que tem morte certa no
interior do seu partido.
O problema é que o custo desta aventura vai ser alargada a todo o
país.
Deste Halloween político é que os portugueses não se livram.
Com ou sem pozinhos de ‘pirilim-pimpim’, com ou sem ‘trick or
treat’, um dia vamos acordar todos com uma grande abóbora na cabeça.
LP
Página 2
Debate Democrata – Zaragata Republicana
•
Por António DA SILVA CORDEIRO
Q
uase uma semana depois do primeiro debate do Partido Democrata, não é possível tentar uma ligeira análise sem ter que comparar com a
zaragata dos dois debates do Partido Republicano. A diferença no comportamento e apresentação dos vários intervenientes dos dois partidos é enorme.
Nos debates republicanos, quase se insultaram, chegando a verdadeiras ofensas à aparência física das pessoas. No debate democrata, todos se portaram
como adultos numa discussão civil e civilizada.
O número reduzido – cinco – dos participantes foi razoável e manejável.
Os dois mais classificados e lançados, Hilary Clinton e Bernie Sanders, mostraram-se bem preparados e discutiram ideias e assuntos sérios da política
americana e da corrida à Casa Branca.
Os três candidatos “menores” eram Jim Webb, militar e político, assim
como Lincoln Chafee, também político e executivo (ambos convertidos do
Partido Republicano ao Partido Democrata) e Martin O’Malley, que foi mayor
da cidade de Baltimore e Governador do Estado de Maryland. Os dois primeiros desaparecerão cedo; O’Malley poder-se-á manter mais algum tempo
para adquirir por agora alguma prática com vista ao ciclo eleitoral de 2020 ou
2024. Estes três entraram na campanha forçados pelos seus princípios éticos,
insinuando alguma falta desses princípios em Hilary Clinton (pela “roupa
suja” que acarreta às costas); e Bernie Senders, por se declarar democrata-socialista (inaceitável para muitos democratas mais conservadores).
No fundo, e por detrás de tudo, está o candidato de que não se fala e que
ninguém esquece: Joe Biden, Vice-Presidente de Barak Obama. Cada vez é
mais generalizada a opinião de que se está a tornar mais e mais tarde e difícil
a declaração da possível candidatura (organizar a campanha, limites de tempo,
limites de datas, angariação de fundos, etc.). Quanto mais tarde, mais fraco se
revelará. Ele não quererá nem deverá tomar qualquer decisão antes de Hilary
Clinton ser ouvida na Casa dos Representantes pelo Comité Especial que está a investigar os acontecimentos de Bengazi (em que morreram quatro americanos, incluindo o embaixador americano na Líbia) e dos problemas dos
emails de quando era Secretária de Estado. Joe Biden, que é considerado um
bom Vice-Presidente, é um homem fragilizado pela história da sua vida pessoal: a morte, num acidente de carro dirigido por ele, da esposa e filha bebé
quando, muito jovem, acabara de ganhar um lugar de Senador; e, por outro
lado, a morte recente do filho mais velho, vítima de cancro cerebral, que se tinha salvo no acidente em que a mãe morreu. Além disso, já concorreu a duas
Primárias presidenciais e teve de suspender ambas as campanhas.
Bernie Sanders, com a sua honestidade e coerência, apresentou-se como
“socialista-democrático” ou “democrata-socialista” e à partida perdeu todas
as hipóteses de ser bem sucedido na campanha. A razão é simples: para a
maioria do povo americano, “socialismo” é o mesmo que comunismo. Uma
pessoa que se apresente como socialista cometeu suicídio político. Sanders
poderá fazer milagres, andar sobre as águas, mas não conseguirá ganhar uma
eleição presidencial nos EUA. É de admirar a sua coerência: hoje vêem-se
imagens dele quando era mayor duma pequena cidade e já dizia o que hoje diz
e com o mesmo entusiasmo e convicção. Este debate foi visto por 15,3 milhões de telespectadores, a maior assistência a um debate democrata. Os dois
debates republicanos foram vistos por 25 e 24 milhões.
Hilary Clinton, sem dúvida, ganhou o debate e subiu nas sondagens
distanciando-se do segundo lugar, Bernie Sanders. Foi evidente que Hilary
esteve sempre muito confortável, muito ativa (sem ser ativista), dominou
todos os assuntos que foram tratados: armas nas mãos de privados, alteração
do clima, política externa (neste assunto, nenhum candidato, democrata ou
republicano, chega perto dela), a influência de Wall Street nos democratas,
emigração, sistema do seguro de saúde, até à legalização de marijuana.
Em geral, temos de aceitar que foi um debate bem gerido, vivo, sem ataques pessoais. Bernie teve a grande frase do debate quando, confessando que
não ia ser politicamente correto, disse que ele e o povo americano estavam
Fotos
LusoPresse.
fartos
e cansados
dos seus (de Hilary) emails. Foi fortemente aplaudido pela
assistência e mesmo cumprimentado por Hilary Clinton. Todo o debate
manteve-se à altura de uma discussão entre adultos. Agora há que aguardar o
comportamento de Hilary ao enfrentar o Comité Especial sobre o que aconteceu em Benghazi e sobre os seus emails enquanto era Secretária de Estado.
Espera-se que Joe Biden decida dentro de poucos dias se vai ou não concorrer.
PS - Última Hora: Jim Webb suspendeu a sua campanha e deixou em
suspenso a possibilidade duma campanha independente, sonho que não
tem possibilidade de realização.
Joe Biden escolheu a melhor decisão possível: não entrar nas Primárias
e esperar para a Convenção Democrata para indicar quem apoiará na campanha presidencial.
LP
Whiting, New Jersey
L u s oP r e s s e
5 de novembro de 2015
Página 3
Do Canadá: de vez em quando em notas breves No Théâtre Maisonneuve
•
Por João de Medeiros Constância*
1 – Medida acertada
Há poucos dias li no Correio dos Açores, se não estou em erro, que
fora nomeada uma comissão encarregada de modificar os programas escolares do 2º e 3º ciclos, com vista a dar maior desenvolvimento ao ensino da Geografia, da História e da Cultura dos Açores. Considero esta
medida muito acertada, louvável mesmo. Lembro-me perfeitamente de
na década de 80, na companhia de outros colegas do ensino secundário,
termo-nos batido, junto da Secretaria Regional de Educação e Cultura,
para que fosse implementada medida semelhante. Entre outros argumentos então invocados, dizíamos, por estarmos convencidos de que a
iniciativa poderia contribuir para esclarecer a açorianidade dos alunos. O
nosso trabalho não encontrou eco nos dirigentes da altura. Não sei bem
porquê. Talvez tivessem um certo receio de Lisboa, do MEC.
2 – Livros
Penso que talvez se revista de algum interesse partilhar com os
possíveis leitores o que ando a ler presentemente. Nada mais do que
um livro sobre Biometeorologia intitulado Les barometres humains,
de Gilles Brien, conceituado meteorologista desta província do Quebeque Trata-se de uma obra que cativa em virtude dos temas escolhidos,
abordados sempre com impressionante clareza e simplicidade. Como
exemplo, aqui fica o título de um capítulo: “Os efeitos do clima sobre
o nosso corpo, emoções e comportamento.”
Atrevo-me a fazer uma sugestão: num arquipélago, como o nosso,
caraterizado por instabilidade meteorológica, mormente no outono,
inverno e primavera, talvez fosse aconselhável encetar estudos de Biometeorologia na nossa Universidade, com vista a determinar a influência
que a variabilidade de alguns elementos como temperatura, humidade,
nebulosidade e pressão atmosférica exercem sobre a fisiologia e psicologia dos açorianos.
Terminei há poucos dias a leitura de dois livros, publicados este
ano, versando a vida e obra de um amigo de longa data – Onésimo Teotónio Almeida (OTA). O primeiro intitula-se Onésimo. Único e multímodo e foi organizado por João Maurício Brás e editado pela Opera
Omnia. Trata-se de quarenta e quatro depoimentos, ao longo de 325
páginas, escritos por personalidades bem conhecidas da cultura portuguesa e por alguns estrangeiros, sobre os mais variados aspetos da vida
e obra do Onésimo.
O segundo, Identidade, Valores, Modernidade. O pensamento de
Onésimo Teotónio Almeida, é da autoria de João Maurício Brás e editado
pela Gradiva.
Desejava salientar o seguinte: o nosso conterrâneo OTA é conhecido por imensa gente como sendo uma pessoa bem-humorada,
exímio contador de histórias e de anedotas, e ainda como autor de crónicas publicadas em livros e jornais. Esta é, para usar uma imagem bem
conhecida, a parte do iceberg que está à superfície. Quem desejar conhecer
a parte submersa deve ler atentamente as duas importantes obras atrás
referidas. É nelas que irá encontrar a faceta de ensaísta e de filósofo do
Onésimo, assim sem mais, como ele gosta de ser tratado.
Para terminar esta nota sobre livros, gostaria de dizer que acabo de
encomendar o livro recentemente publicado pelo arquiteto Soares de
Sousa, Crónicas – Urbanismo, património e ambiente. Tive conhecimento da sua existência através da leitura da recensão crítica, a todos os
títulos excelente, feita por Santos Narciso, no último número do Atlântico Expresso (12-10-2015). Por conhecer Soares de Sousa desde os
bancos do Liceu e por ter acompanhado de perto a sua atividade profissional e artística em S. Miguel, estou bem colocado para corroborar
tudo o que ficou dito, tão claramente, na referida recensão.
3 – Passeio inesquecível
Todos os anos, na primeira semana de outubro, resolvemos dar
um passeio, durante um dia inteiro por uma das muitas regiões densamente florestadas do Quebeque com o objetivo de observar o espetáculo, difícil de descrever, que nos é oferecido nesta época do ano pela
imensidade de árvores, muito variadas, revestidas de folhas que
apresentam uma diversidade impressionante de cores que vão desde o
vermelho muito vivo a várias tonalidades de amarelo, laranja e castanho.
Só vendo... Este ano deslocámo-nos à região denominada
Laurentides (aproximadamente a 40 km a norte de Montreal), onde
encontramos dezenas e dezenas de turistas, com predomínio de
asiáticos, todos entusiasmados a tirar fotos e mais fotos. Em resumo:
este passeio proporciona imagens que dificilmente esquecem. Agrada a
todos, mesmo os possuidores de uma retina muito exigente.
* Professor aposentado, a viver em Laval L P
Mariza deslumbra!
•
Por Anália NARCISO
F
oi a terceira ou a quarta vez que assistimos a um espetáculo de Mariza, a maior e
melhor voz do Fado de Portugal dos tempos
modernos. E se das outras vezes ficamos impressionados desta, sem dúvida, ainda o ficamos mais!
Com o Théâtre Maisonneuve praticamente cheio, notando-se um significativo número de portugueses, Mariza entusiasmou tudo
e todos, mercê das suas belas interpretações,
ritmadas por uma voz única, na linha do que
fez e foi a grande Amália Rodrigues.
De regresso a Montreal depois de alguns
anos – pareceu ontem! – Mariza, agora mãe,
veio ainda com mais fogosidade e energia de
forma a (re)conquistar o seu vasto público canadiano, e português, bem entendido. Na sua
contagiante atuação, Mariza repassou pelas
suas melodias mais conhecidas e avançou-se
pelas mais recentes, retiradas do álbum «Mundo», editado no dealbar do passado mês de
outubro. Aliás, foi com o objetivo de lançar
este novo trabalho que Mariza se decidiu por
esta digressão, iniciada na Suécia, continuada
nos Estados Unidos (Virgínia, Carolina do
Norte, Newark, Nova Iorque) e terminada em
Toronto – um dia depois do concerto em
Montreal. Esta primeira apresentação de
«Mundo» vai ter o seu primeiro epílogo em
Portugal, no Coliseu do Porto, nos dias 26 e
27 de novembro, e no Meo Arena, em Lisboa,
no dia 7 de dezembro.
Este novo disco de Mariza tem composições de Mário Pacheco, Rui Veloso, Tiago
Machado, Jorge Fernando e Paulo de Carvalho,
músicos que já colaboraram em álbuns anteriores.
Mas a principal novidade foi que Mariza
cantou pela primeira vez em espanhol. Ela recuperou um tema argentino «Caprichosa», da au-
toria de Froilán Aguilar e também interpretou «Alma» do espanhol Javier Limón
– ele é igualmente
produtor do disco.
Escusado será dizer
que a vasta plateia reagiu muito bem, aplaudindo demoradamente as duas interpretações. E foi mais
longe o público ao
aprovar «Padoce de
céu azul», uma morna
cantada em crioulo,
sem reticências. Foi o
que se pode dizer, um
público rendido à
grande classe da artista e ao seu charme,
que desta vez veio
muito mais ao de cima, pois Mariza esmerou-se no contacto com o público,
ao dialogar com ele
quase a cada interpretação... Uma questão
de maturidade adquirida pela maternidade? Seja pelo que
for, o público «saboreou» esse seu comportamento, aplaudindo fortemente cada uma das suas canções.
De tal maneira
foi assim que, no fim
do concerto, que durou duas horas!, foram várias as vezes
Mariza.
que subiu ao palco para corresponder ao pedido dos fãs.
«Foram cinco anos sem gravar, onde deu
para fazer uma reflexão de vida. E quando se
faz uma reflexão, aparece sempre uma nova
forma de encarar o mundo, a vida, enfim, tudo
o que nos rodeia. Acaba sempre por se reflectir
na forma de cantar e de estar em palco», afirmaria recentemente.
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5 de novembro de 2015
L u s oP r e s s e
Página 4
Eleições no Canadá trouxeram…
O regresso da Trudeaumania
(Texto publicado no jornal Diário dos Açores, no passado dia 23 de outubro)
•
Por Norberto AGUIAR ( jornal LusoPresse)
M
ONTREAL, Quebeque – As eleições de domingo passado, no Canadá, ditaram
a vitória do Partido Liberal Federal, cujo líder é
Justin Trudeau, filho mais velho do grande estadista canadiano que foi Pierre Elliot-Trudeau,
já falecido.
Arredado do poder há cerca de 10 anos
devido ao escândalo das «commandites» – forma de favorecimento de lóbis «amigos» do
poder instalado –, o Partido Liberal Federal,
contra todos os prognósticos venceu as eleições de domingo, com maioria absoluta, ao
obter 184 lugares, num Parlamento que conta
com 338 deputados.
Eleito chefe liberal num partido quase moribundo, que no momento de ir a eleições contava apenas 34 deputados, o pior score de toda
a sua história, Justin Trudeau decidiu enfrentar
o desafio de colocar o partido de seu pai, e de
outros grandes primeiros-ministros do passado, como Wilfrid Laurier, no mais alto patamar da política federal canadiana. E assim sendo, percorreu o país de lés-a-lés para «ouvir o
povo, saber das suas preocupações e anseios...». Nessa safra, Justin Trudeau teve tempo para criar a imagem de um político credível,
apesar dos seus 43 anos. De resto, Justin Trudeau já havia impressionado o establishment
nacional no dia da morte de seu pai, quando
pronunciou um discurso considerado por todos como de um primeiro-ministro em potência.
Beneficiando da usura e arrogância do primeiro-ministro Stephan Harper (Partido Conservador), neste último mandato forte de uma
vasta maioria parlamentar, Justin Trudeau, paulatinamente e sem cometer erros, partiu para
esta campanha de 78 dias, como terceiro candidato a primeiro-ministro, atrás do chefe conservador e de Thomas Mulcair, do Novo Partido
Democrata e chefe da Oposição. Mas ora jogando à defesa, ora contra-atacando, para empregar uma metáfora futebolista, Justin Trudeau
começou então a colher os frutos da sua «conversa» de meses com os canadianos, onde pôde
reforçar a sua imagem e ao mesmo tempo forjar
um programa de governo baseado nos desejos
e ambições dos seus concidadãos. Essa sua
pré-preparação, digamos assim, deu-lhe o estofo necessário para no decorrer da campanha
eleitoral suster os ataques dos seus principais
adversários – Harper e Mulcair –, que invariavelmente incidiam sobre a sua inexperiência...
Vieram, então, os grandes debates televisivos, que se diziam ser o «desmascarar» de um
político sem conteúdo. E o que foi que acabou
por acontecer? Justin Trudeau foi dado como
o melhor tribuno de todos eles (debates)! Foi
o render da guarda de todos os seus detratores,
a começar por certos órgãos de comunicação
social, parte da sua província natal (Quebeque)
– os nacionalistas mais ferrenhos e que nunca
perdoaram ao pai ter trazido de Londres, em
1982, a Constituição do Canadá sem a assinatura do Quebeque –, e alguma da franja mais
conservadora do país.
Como já vimos, de terceiro no início da
campanha eleitoral, que começou em agosto
último, depois tendo passado para segundo;
mais tarde para possível chefe de um governo
minoritário, eis que Justin Trudeau, na linha de
chegada surpreende tudo e todos com uma vitória sensacional!
Passados três dias do seu coroamento, já
se fala em dinastia e em «Trudeaumania»... Daquela não podemos prever o futuro. Mas desta
última, o que se pode dizer é que, por estes dias, toda a gente quer ver e falar com o jovem
primeiro-ministro, que na sua alocução de vitória prometeu governar «autrement» (de outra
maneira). E querem ver como é fazer política
de outro modo? No dia seguinte à sua espetacular vitória, Justin Trudeau saiu de casa e foi à
hora em que as pessoas vão para os empregos
cumprimentá-las à porta da estação de metro
do seu círculo eleitoral de Papineau (em Montreal), por sinal com um grande leque de residentes de origem portuguesa.
Alegria e deceção
Eram quatro (certos) os candidatos portugueses ao ato eleitoral de domingo passado.
Dois pelo Quebeque, na pessoa de Alexandra
Mendes (Partido Liberal) e Manuel Puga (Partido Conservador), e dois pelo Ontário, Peter
Fonseca (Partido Liberal) e Carlos Oliveira
(Partido Conservador). Um quinto candidato
lusodescendente, que não pudemos confirmar,
parece plausível. Trata-se de James Arruda, também do Ontário e que concorreu pelo Partido
dos Verdes, que naturalmente perdeu, já que
aquela força política só teve um eleito, na pessoa da sua chefe, Elizabeth May (Vancouver,
Colômbia Britânica).
Voltando atrás, os eleitos lusitanos foram
Alexandra Mendes, pelo círculo eleitoral de
Brossard-St-Lambert, a sul de Montreal, numa
circunscrição de 83 587 eleitores, onde os portugueses devem andar à volta dos dois mil. A
Alexandra volta assim a ser a deputada deste
distrito, depois de ter sido derrotada há quatro
anos por uma pequena margem. Agora houve
«vingança» da nossa compatriota, que bateu o
até agora deputado Hoang Mai (Novo Partido
Democrata) por uma vantagem considerável
de 14 753 votos!; e Peter Fonseca, também
envergando a camisola liberal, ao concorrer
pela circunscrição de Mississauga-Est-Cookville, de forte presença portuguesa.
Recorde-se que Peter Fonseca também
perdeu há quatro anos, isto depois de ter deixado funções ministeriais no governo provincial
do Ontário para se candidatar ao Parlamento
de Otava. Agora, a «revanche», com o ex-atleta
olímpico canadiano a vencer por uma maioria
de 28 105 votos numa área que conta com 81
736 eleitores!
Manuel Puga, o único candidato de origem
açoriana, que concorreu por Thérèse-de-Blainville (Quebeque), região com 79 547 eleitores,
dentre eles, muitos portugueses, quedou-se por
um fraco quarto lugar, com somente 7 013 votos, longe do liberal Ramez Ayoub, que contou
com a adesão de 18 317 votantes.
Pior ainda foi a prestação de Carlos Oli-
Cheio de carisma, Justin Trudeau por onde passa deixa rasto...
veira, que concorrendo por Davenport (Toronto), o círculo eleitoral no Canadá com maior
densidade de portugueses, não obteve mais
que uns míseros 5 233 votos, muito aquém da
liberal Julie Dzerowiez (21 947).
Vantagem para a Comunidade
A eleição de dois portugueses para o parlamento de Otava é já por si só um bónus para
a nossa comunidade. E o facto de terem sido
eleitos pelo partido que vai formar governo,
ainda melhor... Junte-se a isto o facto dos portugueses serem vistos, com verdade, diga-se
em abono da verdade, perto do Partido Liberal
do Canadá, e logo a comunidade poderá beneficiar com a eleição dos liberais e do seu jovem
chefe Justin Trudeau. Desta forma já há quem
veja os problemas ligados à construção, onde
os portugueses têm uma presença forte, e à
imigração, trazidos para cima da mesa de maneira a serem discutidas e debeladas as suas dificuldades atuais...
Ouro sobre azul seria a chamada de um
dos dois eleitos portugueses para o gabinete
ministerial. Impossível? Olhem que não. Peter
Fonseca foi ministro a nível provincial e Alexandra Mendes era até há pouco tempo presidente do partido, secção do Quebeque.
Justin Trudeau já anunciou que o seu primeiro Conselho de Ministros será divulgado
no próximo dia 4 de novembro.
LP
Coordenação do Ensino no Canadá
Mais livros para Montreal
L
USOPRESSE – Ana Paula Ribeiro, coordenadora do Ensino Português no Canadá, esteve de passagem por Montreal há cerca de um mês. O objetivo da sua visita prendeuse com a entrega de livros às escolas das zonas de Montreal e Laval. No primeiro caso, para
a Escola de Santa Cruz. No segundo, foi beneficiada a Escola da Missão de Nossa Senhora
de Fátima de Laval. Havia ainda, como novidade, um «bloco» para ser entregue à Associação
Portuguesa de Sainte-Thérèse, o que pensamos ter acontecido pela primeira vez.
Mas não se ficou por aqui a entrega de livros. A Biblioteca José d’Almansor, da Missão de Santa Cruz, que se diz ir ser inaugurada dentro de alguns dias, também recebeu uma
parte significativa de livros, de todos os matizes, da política à poesia, da crónica ao romance, sem esquecer a literatura infantil.
Quanto aos autores dos livros ora entregues, dos mais credenciados aos menos conhecidos, eles são oriundos de Angola, Moçambique, Brasil e, naturalmente, de Portugal.
Alguns exemplos? Mia Couto (O Beijo da palavrinha), Ondjaki (O voo do golfinho), Pepetele (O quase fim do Mundo), Jorge Amado (Capitães da areia), José Eduardo Agualusa
(Estranhões & Bizarrocos); e José Saramago (O silêncio da água), Manuel Alegre (Doze
naus), Alice Vieira (Úrsula, a maior), José Jorge Letria (O livro que falava com o vento), entre muitos outros.
Nesta visita, a coordenadora do Ensino de Português no Canadá fez-se acompanhar
de Isabel Borges, formadora e especialista em Relações Culturais, autora do projeto TIMI,
dedicado às crianças, e que veio de Portugal expressamente para ministrar formação aos
professores de Português de Montreal – tendo começado a sua ação naturalmente por Toronto, depois Otava. De Montreal, a especialista demandou à Nova Inglaterra, onde ofereceria a mesma formação.
Na sessão de Montreal, realizada nas instalações da Missão de Santa Cruz, dignaramse em participar cerca de uma dezena de professores.
Nota: em representação da Editora Lidel também marcou presença em Santa Cruz
Nuno Marques, que veio apresentar materiais didáticos para o ensino do Português, Língua segunda/Língua estrangeira. L P
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Uma conversa com o escritor Daniel de Sá
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ota: Em 2001e 2002 mantive um programa semanal na RTP-Açores intitulado
“Onésimo à conversa com…” com entrevistas a figuras açorianas e açorianófilas residentes
tanto nos Açores como na diáspora. A série teve, a abrir, uma conversa com Daniel de Sá. Dionísio Sousa, amigo do escritor, está a preparar-lhe um livro de homenagem e decidiu incluir
essa entrevista, que ele próprio se deu ao trabalho de transcrever na íntegra. É essa transcrição
que aqui se publica a partir de hoje, em segmentos por ser demasiado longa para sair numa
única edição.
O. T. A.
Daniel – Sou. Acho que toda a gente
tem de ser orgulhosa, senão não faz nada. A
não ser que estejamos a falar de santos.
Gosto de ter eco. Gostei imenso de te
ouvir chamar-me essa série de nomes. Apesar
de seres um amigo. Mas sei que és um amigo
sincero.
Onésimo - Posso estar a dizer umas
mentiras...
Daniel - Posso é não me exibir, e realmente não sou exibicionista. Isso sei que não
sou. Tenho aquele orgulho de gostar de ver
uma coisa bem aceite. E bem lida e apreciada.
Onésimo - Não conheço ninguém que
Onésimo - Olá amigos, Boa noite! Eu
devia ser mais formal e dizer telespectadores.
É mais moderno, telespectadores e telespectadoras. Mas a ideia é fazer deste programa, desta
série de programas, uma conversa à noite sentado ao sofá, apesar da formalidade de estar
aqui com uma gravata nesta camisa-de-forças,
e o meu convidado de hoje, o Daniel de Sá
também está ali numa camisa-de-forças. A ideia
é fazer uma conversa com personalidades açorianas e não açorianas para falar dos Açores.
Será dentro destas balizas que manteremos esta
série. Foi o desafio que a RTP fez.
Aceitei com imenso gosto, porque costumo dizer que é com imenso gosto que regresso
aos Açores, mas depois corrijo. E digo. Não
regresso, porque não se regressa a de onde nunca se partiu. E eu nunca parti daqui, da Ribeira
Grande. Estamos no Teatro Ribeiragrandense.
E o Daniel de Sá é da Maia, do mesmo Concelho. Parece que foi de propósito. Ele hoje não
é Daniel de Sá, ele hoje é Daniel de cá. Somos
ambos de cá.
Daniel - É verdade.
Onésimo - Fiz exame de 3ª e 4ª classes
aqui na Ribeira Grande.
Também estive aqui com o orfeão do Seminário, ali à direita, na primeira voz. Demos
umas fífias aqui.
O primeiro convidado é o Daniel de Sá.
Não foi de propósito, foi por acaso.
Quem conhece o Daniel sabe que é muito
difícil saber se ele se vai deslocar da Maia, porque o Daniel de Sá tem de dormir a sua sesta.
Estamos a conversar em família e não sabíamos se o Daniel de Sá vinha. Mas se Maomé
não vai a Meca, Meca vai a Maomé. Então, a
RTP veio à Ribeira Grande para ter a certeza
que Daniel de Sá vinha da Maia.
Daniel - Ficaram a meio caminho.
Onésimo - Encontrámo-nos há muitos
anos, pela primeira vez, nas páginas do jornal
Açores, numa conversa ingénua sobre evolucionismo.
Daniel - Exactamente.
Onésimo - Passados estes anos todos,
voltamos aqui para falar, não da tua vida, Daniel de Sá. Pois o Daniel de Sá tem uma coisa
curiosa: não tem biografia. A sua biografia é:
O Daniel nasceu na Maia, vive na Maia e, se
Nosso Senhor lhe der vida e saúde, quer morrer
na Maia. A tua biografia é a tua obra.
Daniel - Exactamente.
Onésimo - A tua biografia é a tua obra.
Hoje, temos uma coisa em comum, além do
mais, eu venho de Boston, não dormi nada a
noite passada, tu não dormiste a tua sesta. Se
adormecermos aqui, façam o favor, apaguem
as luzes, para a despesa não ser tão grande.
Como disse, Daniel, a tua biografia é a tua
obra. Tu, na Maia, metido naquele canto, tens
viajado imenso pelo universo de uma obra que
hoje é notável.
tenha escrito um livro e que diga: Eu escrevo
um livro porque eu quero apanhar porrada.
Daniel - Com certeza. Estamos absolutamente de acordo
Que mais querias que eu dissesse?
Onésimo - Sobre a Verdade das Coisas
é um mundo muito da tua Maia. Nós tínhamos
tido a experiência do Cristóvão de Aguiar sobre
o universo do Pico da Pedra. Aquelas pequeninas histórias, sem terem um nexo lógico, sem
haver uma sequência. Pequenos retratos, de
um mundo riquíssimo, interessantíssimo, mas
com um olhar muito curioso, muito perspicaz,
um olhar incisivo sobre aquele mundo.
Daniel - Sim. Reconheço que o olhar é
de facto de quem conhece bem a realidade, de
quem viveu na Maia muitos anos. Poucos anos
vivi fora da Maia. Dez mais ou menos, no total.
Onésimo - Não sei como isso foi possível. Foi em Santa Maria?
Daniel - Sim. Mas muitas histórias que
inventei, depois vim a conhecer histórias reais
semelhantes às que tinha inventado. Isso nasce
do grande conhecimento das pessoas. Histórias que, sem eu saber, tinham acontecido.
Onésimo - Há uma história do livro
Sobre a Verdade das Coisas que eu já contei
tanta vez! Tanta vez! E digo sempre que é de
um livrinho precioso do Daniel de Sá. Daniel
conta essa história.
Daniel - É a do romeiro?
Onésimo - Sim, conta lá.
Daniel - É uma história rigorosamente
autêntica. Era um rapaz amigo, um homem
que ia sempre de romeiro. Tinha uma amizade
nas Furnas. Uma amizade no feminino. O marido dessa amizade tomava conta de matas.
Naquele tempo roubava-se muita lenha nas
matas.
Ela foi buscá-lo para ir para casa dela. Ele
disse: Ó mulher não, que estou de romeiro.
Claro, o homem não resistiu, foi mesmo. Não
•
Por Onésimo Teotónio ALMEIDA
N
Daniel de Sá, credenciado escritor açoriano já falecido.
Além de ser teu amigo, sou teu admirador.
Mas, vou parar de falar, porque eu gostava é
que tu começasses.
Fala-me disso. Recordo-me perfeitamente
do teu livrinho Sobre a Verdade das Coisas,
em que te revelaste um exímio contador de
histórias. Queres falar dessa tua primeira experiência?
Daniel - Não é a primeira, é a segunda.
A primeira foi a Génese.
Onésimo - Sim. Mas fala-nos então do
contador de histórias.
Daniel - Foi talvez o livro mais fácil de
escrever. Foi um livro contado pela avó de minha mulher, por amigos de mais idade, por
gente que conheci, algumas histórias que eu
vivi também. É um daqueles livros fáceis. E
talvez, por isso mesmo, atraia o público leitor.
Porque está ali toda a espontaneidade da realidade. Sem ficção praticamente nenhuma. Como disse na altura, foi a ficção ao serviço da
realidade e a realidade ao serviço da ficção. Por
acaso, agora acaba de sair a 2ª edição.
Onésimo - Dizes que a tua primeira edição era um livro humilde e está cheíssima de
gralhas.
Daniel - Sim. Tinha mais de 300 gralhas.
Onésimo - Por detrás daquelas gralhas
todas e humilde apresentação envergonhada
estava de facto o contador de histórias.
Daniel - Com boa intenção, percebiase talvez isso. Sim.
Onésimo - Aquilo não eram restos da
tua modéstia que aprendeste na tua experiência? Quando assinavas Augusto de Vera Cruz.
Que era o teu pseudónimo.
Daniel - Exactamente. Augusto de Vera
Cruz.
Quando se fala de modéstia, não sei muito
bem o que se quer de dizer com isto. Muito
menos a falar de modéstia a meu respeito.
Onésimo - Reconheces que não és modesto; és orgulhoso?
resistiu a ir. Nem resistiu ao que se supõe.
No outro dia, foi-se confessar ao Padre
Afonso Quental, o velho que conheceste, com
certeza, tio do teu prefeito [no Seminário],
Afonso de Quental, nosso comum amigo.
Onésimo - Espero que a história não
tenha sido contada por ele.
Daniel - Não. Foi o próprio romeiro.
Foi-se confessar no outro dia para seguir
bem a romaria. Quando disse ao senhor padre
o que tinha acontecido, o Padre Afonso tentou
dar-lhe uma descompostura:
– Isso não se faz. Então, de romeiro!
– Estava cá de romeiro, Senhor Padre! Pois
eu até despi a roupa.
O Padre Afonso teve muita dificuldade
em acabar de confessá-lo.
Onésimo - Dizias sempre que este livro
era uma primeira experiência. O que é que te levou agora, de repente, a surpreender-nos com
esta nova edição? Há alguma alteração? Além
das gralhas.
Daniel - Há. Ponho aí mais três contos
de animais.
Onésimo - O livro não custa três contos?
Daniel - Não. Talvez venha a custar
metade. Para já, os direitos do autor e editor
são a favor de Timor. Mas além das gralhas,
mais do que um, me levou a re-editar este livro.
Onésimo - Quem?
Daniel - Tu foste um deles. Dizias de
vez em quando: reedita aquilo, reedita aquilo.
Onésimo - E era verdade.
Daniel - Foste tu uma das pessoas que
me levaram a reeditar o livro.
Onésimo - Bom! Ilha Grande Fechada… é esta?
Daniel - É esta?
Onésimo - É fechada?
A autonomia, o isolamento, a insularidade, etc.
Daniel - Mas isso é teu.
Onésimo - Aquilo?
Daniel - Parece que sim.
Onésimo - Insularidad, é espanhol.
Tu é que viveste em Espanha.
Daniel - A insularidade, isto não é espanhol.
Onésimo - Estás numa ilha da Maia.
Daniel - Desculpa lá! Esta coisa de ilha!
Vocês, tu, o Vamberto, e outros, têm a mania
de me dizer que estou isolado na Maia. Hoje
em dia, já não há isolamento.
Onésimo - Em 50 anos, para o Daniel
de Sá, foi a viagem mais longa que ele fez na vida. Vir da Maia até à Ribeira Grande.
Daniel - Para compensar a tua, que foi a
mais curta que fizeste: da América até aqui.
Mas, em qualquer parte não se está isolado.
Eu estou rigorosamente informado. Tu, na América, sabes mais coisas sobre São Miguel do
que eu. Não te admires que, estando na Maia,
saiba coisas de todo o mundo. Estou rigorosamente informado.
Onésimo - Há uma coisa interessantíssima na tua obra. Tu estás na Maia, mas estás
num mundo imenso. E é isso que na tua obra
é extremamente interessante.
Fala-me da tua ilha grande fechada.
Daniel - Só uma coisa. Talvez esteja no
mundo todo, precisamente por estar na Maia.
•••
É precisamente desta «Ilha grande fechada» que Daniel de Sá falará no texto
continuação que publicaremos na nossa próxima edição... L P
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O Fantástico MUNDO de Marisa
•
Entrevista de Adelaide VILELA
C
aros leitores, o fantástico Mundo
de Mariza, no momento, girava em Carolina
do Norte, de onde falou para o LusoPresse.
Depois de um interregno de 5 anos, Marisa
volta às canções e ao fado que a leva ao mundo:
na voz, na alma e no coração. E diz-nos Mariza:
“Fiz uma pausa na minha carreira para me
dedicar à família e esquecer por uns tempos as
digressões e os espetáculos, agora volto com o
meu novo disco, Mundo”. Este título agradou
desde logo à artista que lembra com carinho e
muita calma: “Onde vou transporto o Mundo,
dentro do meu Mundo, é assim que me sinto
feliz e realizada! E nós, contentes, vamos também saboreando as palavras sinceras que a artista deixou transparecer: “Há cinco anos a
esta parte existe em mim um crescimento maior e, com este novo disco, convido as pessoas a
cantarem a vida e a entenderem o momento
presente”. Ao concordar com o poeta: “O mundo é composto de mudança”, notei uma doçura e um carinho na voz da artista, que nos
transmite uma sabedoria e um saber ser e fazer
maiores. Daí até viajar com ela em pensamento, não tardou muito tempo… E a inspiração
deu à luz e cantei: cantei sem saber cantar, sonhei sem entender o fado, e logo amei meu
versejar. E correndo dei um salto com Marisa
no seu palco, nas asas do meu pensar.
Em frente do meu salão,
sorridente a Mariza vi passar
com seu Mundo pela mão,
honra e glória em seu cantar!
Como um verdadeiro pólo na expansão
da cultura lusíada, através da Canção nacional,
Marisa parte em digressão, enaltecendo o nome
de Portugal em todo o Globo. Com este seu
Mundo na mão e no coração já esteve em diversos países, entre a Europa e as Américas, com
os meses de outubro e novembro completamente preenchidos… ai fado meu, fado teu
que não a deixas descansar.
Vimo-la em terras de Jacques Cartier, todos.
Mariza apresentou
um espetáculo no
Théâtre Maisonneuve, no Festival
Internacional de
Jazz de Montreal.
Desde que se
fez conhecer em terras de Lisboa, na antiga e valiosa Moraria, em apenas 14
anos, Mariza editou
mais de 10 Cds, e recebeu uma grande
quantidade de troféus, medalhas de
mérito e muitos outros galardões. Na
visão de Marisa, ao
cruzar fronteiras,
não pensa em prémios ou valores monetários, mas sente
grande satisfação ao
dar-se conta que
prestam atenção à
sua música, reco-
Compre directamente ao fabricante
com ou sem instalação.
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nhecendo-lhe valor.
Ficamos com uma lágrima no olho ao
ouvir contar que em 2002, quando recebeu um
prémio em dinheiro, como melhor atuação –
no Festival de Verão do Quebeque – doou o
dinheiro para o museu do fado, em Lisboa, e
para outros estabelecimentos.
É uma querida esta artista! Quando lhe
perguntámos qual era a magia ao conseguir
trabalhar com músicos nacionais e internacionais, de grande gabarito, respondeu-nos: “Só
sei ser sincera e transparente, quando somos
muito matemáticos afastamo-nos muito do coração, do visceral. Sou uma pessoa igual às
outras, visto a alma para cantar e quando
termino, desço do palco, dispo a alma e volto a
vestir o meu casaco”!
Temos que concordar, a Mariza que encontramos agora, é uma artista mais dócil, mas
simples, uma mulher mais madura e naturalmente muito mais feliz. Depois, vive empenhada em alargar horizontes musicais, respeitando sempre a linha do Fado de Amália que
admira, pelo legado que nos deixou, sobretudo.
Diz-nos Mariza que Amália Rodrigues é única!
“Cada pessoa tem o seu caminho e deve seguilo para que se integre positivamente naquilo
que faz”.
Diz-se que Amália gostava de palmas! O
gosto da nossa Mariza é inalterável, Mariza
contenta-se em apreciar os mimos que recebe:
“Eu acho que acabo por cantar em português
em qualquer parte do mundo, e é muito bom
ser mimada. Os portugueses da diáspora já
me habituaram assim, dão-me muitos carinhos
por onde passo”.
Como nota de conclusão Marisa diz-nos,
em relação à nossa pergunta, que é muito grati-
ficante quando alguém a compara com mulheres e artistas famosas. Certo, Mariza preserva
a sua identidade sendo de igual modo uma mulher famosa: encanta quando canta e impressiona todas as camadas sociais nos universos
que vai conquistando. A Mariza é a ela mesmo,
sempre bela e singela! É a princesa com origens
africanas e portuguesas, filha de pai português
e de mãe moçambicana! A princesa que nasceu
para a música, a sonhar com fado!
“Quanto mais eu sei, mais sei que nada
sou”. Foi um privilégio entrevistar a Mariza
para o LusoPresse. Obrigada ao Nuno Cruz
que a acompanha e vela pelo bem da estrela,
aclamado pelo mundo. Foi um prazer saudálo.
Ouvi-la é um soberbo prazer e por isso
comprem a sua música, logo ficam com o seu
e vosso Mundo no coração, o seu novo disco,
MUNDO.
LP
i˜ÌÀiۈÃÌ>ÃÊUÊÀi«œÀÌ>}i˜Ã
`iL>ÌiÃÊUÊ`iëœÀ̜ÊUÊVœ“Õ˜ˆ`>`iÃ
O seu programa de televisão semanal
Norberto Aguiar, Produtor
Tél.: (450) 628-0125 ÊUÊÊ
i°\Ê(514) 835-7199
Ê œÕÀÀˆi\ [email protected]
[email protected]
Horário: Segunda-feira, 21 horas - Sábado, 11 horas
Canal 47 (sinal aberto)
Videotron: Canais 16 ou 616 em alta definição
Bell: Canais 216 fibe ou
1216 em alta definição
Tenho o prazer de convidá-lo(a)
para o lançamento do livro
Antes Que A Memória Se Apague
O Manuscrito
Dia 22 de Novembro de 2015 às 15h00
Salão Nobre do Centro Comunitário
Santa Cruz
60, rua Rachel Oeste, Montreal
Entrada livre
Um Porto de Honra será servido
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vidro • Escadas em caracol e em diagonal • Coberturas com fibra de vidro
e com polibornato • Degraus em alumínio • Fibras de vidro para o chão
das varandas e degraus • Portas, janelas, fachadas comerciais e residenciais,
etc.
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pagamento com
aprovação de
crédito
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Na Universidade de Montreal
Sinais sobejantes do passado foram tema de palestra
V
CONCERTO - FADO
O Consulado-Geral de Portugal em Montreal
apresenta
Helder Moutinho
26 DE NOVEMBRO DE 2015, 20H
ivemos um tempo em que através de
palestras realizadas por especialistas em Arte, recordamos a existência de um património artístico
urbano onde se cruzam a azulejaria portuguesa, a
pintura ou a gravura, aliadas a estilos arquitectónicos que perduram nos tempos.
São memórias que testemunham um tempo de vivências que participaram nos fenómenos que as definem. Esses objectos são na maioria dos casos uma demorada recolha de nostálgicas recordações do passado. São painéis
históricos que relatam vidas e acções projectando-as nos tempos.
O distinto Prof. Dr. Moura Sobral, titular
da Cátedra da Arte Portuguesa na Universidade
de Montreal, ofereceu na passada semana uma
palestra sobre azulejaria açoriana e outros componentes de Arte Sacra com grande incidência
sobre a Companhia de Jesus ou, se preferirem,
os Jesuítas.
É grande o acervo artístico nas igrejas, conventos e colégios desta Ordem que se instalou
no Arquipélago no século XVI, aí fundando
as suas Residências e Colégios nomeadamente
a partir do ano de 1591 em S. Miguel. De referir
que os Jesuítas se instalaram em outras cidades
como a Ribeira Grande ou Angra do Heroísmo,
na ilha Terceira.
A Igreja do Colégio dos Jesuítas de Ponta
Delgada tem como principais características arquitectónicas a fachada barroca caiada, combinada com basalto escuro e a exuberância de
elementos decorativos esculpidos em pedra
vulcânica, sobressaindo largos painéis de azulejos com mais de 400 anos.
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A entrada é livre, devendo os interessados
solicitar o seu bilhete de ingresso
no Consulado-Geral de Portugal em Montreal
ou na Caixa Desjardins Portuguesa.
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514-842-8077, extensão 233
A expulsão dos Jesuítas em 1760, não permitiu que a actual frontaria da Igreja fosse terminada.
Com destaque para a Coroação da Virgem,
de Vasco Pereira Lusitano, são dominantes as
pinturas e esculturas dos séculos XVII e
XVIII, assim que as pinturas representando
passagens da vida de S. Francisco Xavier, atribuídas a Bento Coelho.
Paralelamente, construíram-se outros edifícios religiosos com ornamentações e linhas
arquitectónicas idênticas em Portugal e Brasil,
destacando-se a Igreja de S. Roque em Lisboa
e a Igreja e Convento de S. Francisco em Angra
do Heroísmo. Em várias destas obras sobressaem os azulejos de Nicolau de Freitas e a semelhança das fachadas barrocas.
Foi igualmente questão a explicação da
simbologia emblemática e as questões teológicas representadas nas imagens projectadas,
acompanhando a erudita apresentação do especialista universitário, que exemplificou as relações das sumptuosas festas com que a Companhia de Jesus celebrou a canonização
de Santo Ignácio de
Loyola e S. Francisco
Xavier nas Casas e
Colégios de Lisboa,
Coimbra, Évora, Braga, Bragança, Vila Viçosa, Porto, Portalegre, Ilhas da Madeira
e Terceira, com carros
alegóricos e o Triunfo
da Fé.
Gratos ficamos
ao emérito professor.
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No Paolo’s Café
Café com Letras V
O
s amantes da cultura lusófona terão novamente um encontro literário no próximo dia 21 de novembro, em Montreal. Na sua
quinta edição, o Café com Letras receberá a visita dos escritores de Toronto: Aida Jordão, António Marques, Emanuel Melo e Irene Marques
para compartilharem um pouco de sua obra. Esses quatro ótimos escritores estão presentes na antologia Memória de 2014, a primeira publicação dedicada a escritores Luso-Canadianos. Além de lerem os seus
textos, o grupo de Toronto ficará disponível para uma conversa com
os escritores do Café com Letras e o público em geral.
Após a primeira hora do Café com Letras que será dedicada aos
nossos convidados de Toronto, nós continuaremos com a nossa tradicional leitura. A proposta é simples, montrealenses de todas as nacionalidades vão se encontrar no «Café do Paolo» para declamar e ouvir poemas, contos, trechos de romances e outros géneros literários de escritores originários de países lusófonos. Cada participação deve durar no
máximo três minutos e os textos de origem lusófona podem ser declamados em qualquer língua. A escolha da obra ficará ao critério dos participantes, no entanto a organização do evento solicita que as referências
(autor, língua, título), assim como as presenças, sejam confirmadas
com antecedência. Contacto: Richard Simas: [email protected]
PS – Os texto originais são sempre bem-vindos, e nessa ocasião
especial com os nossos convidados de Toronto, por que não a leitura
de algo dessa rica e crescente coleção dos escritores da luso-diáspora?
NÃO PERCAM CAFÉ COM LETRAS V!
Quando: sábado, dia 21 de novembro, das 16h às 18h
Onde: Paolo’s Café – 4603, Boulevard St. Laurent, Montreal
O que trazer: O seu texto preferido dum escritor lusófono ou um
texto original na língua da sua escolha.
Visitem-nos: http://www.facebook.com/cafelusofono.
Café Com Letras é dedicado à promoção da literatura lusófona e à
mundialização da Língua Portuguesa, e é organizado por Nisa Remígio,
Ogmar Silva e Richard Simas com o apoio do Paolo’s Café. L P
Tel.: (514) 928-5221
(514) 354-6240
7130, Beaubien Est,
Novo Banco dos Açores no terceiro trimestre
No Benfica de Montreal
O Resultado Líquido do terceiro trimestre de 2015 do Novo Banco dos
Açores foi de 4,6 milhões de euros positivos, o que compara com 2,5 milhões
de euros negativos obtidos no mesmo período de 2014.
Este resultado deveu-se a um bom controlo do Crédito Vencido, recuperação de Provisões, um bom desempenho do Resultado Financeiro e a uma
redução dos Custos Operativos.
O Resultado antes de Impostos do Novo Banco dos Açores implicará
um montante de 1,5 milhões de euros de impostos correntes, contra apenas
20 mil euros no período homólogo do ano passado.
De dezembro de 2014 até final de setembro do corrente ano o Banco teve
um aumento de Depósitos de Balanço de 67 milhões de euros, que permitiu
conduzir o Rácio de Transformação do NB dos Açores para 105%. O Banco
apresenta um Rácio de Liquidez de 141% enquanto o Rácio de Solvabilidade
em finais de agosto era de cerca de 9%.
O Novo Banco dos Açores neste período prosseguiu a sua política de
proximidade e envolvimento com os Particulares, as Empresas e Instituições
dos Açores e de acordo com a sua Missão e estatuto de único Banco com Sede
nos Açores a operar na Região Autónoma dos Açores. O Novo Banco dos
Açores tem como acionistas o Novo Banco, 13 Santas Casas das Misericórdias
dos Açores, com particular destaque para a de Ponta Delgada e o Grupo Bensaúde.
LP
Grupo Cultural Cana
Verde organiza um Arraial Minhoto
no sábado, dia 7 de novembro, a partir das 19h00, nas instalações do
Sport Montreal Benfica, situado no
100, rua Bernard oeste. Haverá cantorias e concertinas com a participação
do Grupo Folclórico Português de
Montreal-Santa Cruz, com a Rusga
do Coração do Minho e com o Grupo Cultural Cana Verde. Venha dançar e cantar connosco na pura tradição das rusgas! Entrada 5$ (inclui
uma bebida ou um caldo verde; bilhetes disponíveis à entrada). Haverá tasquinhas e também o sorteio de uma
camisola da seleção nacional! Não
falte! Para mais informações ligue para o 514-943-0632. L P
Resultado Líquido foi 4,6 Milhões de euros Arraial Minhoto
Manuel Esteves
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49 170$.
5 de novembro de 2015
L u s oP r e s s e
O artista de Macau Wah Wing CHAN
e Jean-Michel Correia expõem em «branco»
•
Por Jules NADEAU
O
gravurista montrealense Wah Wing
CHAN expõe durante um mês obras onde «o
branco adota um papel predominante», no salão do espaço cultural de Alfred Dallaire. Ao
todo, são sete artistas que expõem quadros saídos de uma reflexão sobre o branco. A inaugura-
ção da exposição na semana passada foi a ocasião de conhecer ou de retomar contacto com
pessoas de Macau e de Portugal, no local do
Boulevard Saint-Laurent.
Originário de Macau, cidade que deixou
para se instalar com a família no Quebeque,
Wah Wing CHAN explica que «se interessa de
perto à relação entre o preto e o branco», no
comunicado do 29 de outubro. Foi o que os
O artista Wah Wing CHAN e Manuel Martins são os dois nascidos em Macau e deixaram aquela antiga possessão portuguesa ainda muito jovens antes de virem viver
para Montreal. Ao centro, Fernando Pires é o filho do homem que foi um grande
amigo de Manuel Martins. Foto Jules Nadeau/LusoPresse.
ARLINDO
VELOSA
representantes do LusoPresse já tinham podido ver há algum tempo noutra exposição que
se realizou num local da rua Rachel. Este ano, foi
o desafio técnico de se exprimir só em branco,
«reter a atenção sem cores e com um mínimo de
contrastes». A sua inspiração? Aquilo de que se
apercebe no quotidiano, como manchas de água
no passeio ou marcas de passos no betão fresco.
O resultado é digno do interesse de cada um de
nós como observadores.
Organizado por Madame Malgosia Bajkowska, o evento foi a ocasião para o jornalista
do LusoPresse de estabelecer um primeiro contacto com Jean-Michel Correia, diretor da galeria do Théâtre em Magog. Como o nome indica, o Sr. Correia é filho de pais portugueses,
mas foi em França que veio ao mundo, antes
de atravessar o Atlântico. Ele e Madame Bajkowska, ela mesma artista, expõem atualmente
obras em «azul» nesta galeria de arte contemporânea. Jean-Michel convida-nos a ver as obras em questão no Au Vieux Clocher da rua
Merry Nord, em Estrie.
Em Montreal, todos podem admirar até
ao dia 28 de novembro a «Exposição Branco»
no 2º andar do Memoria Alfred Dallaire. Para
um pequeno número de compatriotas, a inauguração da exposição foi o momento de trocar
preciosas recordações de família. Wah Wing
CHAN deixou Macau com a idade de doze
anos e terminou mais tarde os seus estudos
no Universidade Concordia. Manuel Martins,
patrão do restaurante Boca Iberica, deixou a
colónia portuguesa com a idade de cinco anos.
O seu pai faleceu de maneira trágica em 1959.
Ele prometeu ao LusoPresse de contar a história extraordinária da descoberta recente dos
restos de seu pai, quase 60 anos depois da morte do homem do Minho. A ler em breve nas
nossas páginas. L P
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grande quintal nas traseiras. 419.000$.
XX Governo constitucional
LISTA
DOS MINISTROS
LISBOA - O XX Governo Constitucional, que tem como primeiro-ministro Pedro
Passos Coelho e como vice-primeiro-ministro
Paulo Portas, tem a seguinte constituição:
• Primeiro-ministro: Pedro Passos Coelho
• Vice-primeiro-ministro: Paulo Portas
• Ministra de Estado e das Finanças: Maria
Luís Albuquerque
• Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros: Rui Machete
• Ministro da Defesa Nacional: José Pedro
Aguiar-Branco
• Ministro da Presidência e do Desenvolvimento Regional: Luís Marques Guedes
• Ministro da Administração Interna: João
Calvão da Silva
• Ministro da Justiça: Fernando Negrão
• Ministro do Ambiente, Ordenamento
do Território e Energia: Jorge Moreira da Silva
• Ministra da Agricultura e do Mar: Assunção Cristas
• Ministro da Solidariedade, Emprego e
Segurança Social: Pedro Mota Soares
• Ministro da Economia: Luís Miguel Morais Leitão
• Ministro da Saúde: Fernando Serra Leal
da Costa
• Ministra da Educação e Ciência: Margarida Isabel Mano Tavares Simões Lopes Marques de Almeida
• Ministro da Modernização Administrativa: Rui Pedro Costa Melo Medeiros
• Ministra da Cultura, Igualdade e Cidadania: Maria Teresa da Silva Morais
• Ministro dos Assuntos Parlamentares:
Carlos Henrique da Costa Neves. L P
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RESID.: 272-2431
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Página 11
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5 de novembro de 2015
L u s oP r e s s e
Página 12
Douro Boys, no Ferreira Café
Em promoção dos vinhos do Douro
•
Por Carlos DE JESUS
N
o passado dia 14 de outubro, no
Ferreira Café, da rua Peel em Montreal, teve lugar um jantar-degustação de vinhos que contou
com a presença de cinco produtores vinícolas
da região do Douro.
Esta foi mais uma organização bem-sucedida levada a cabo por Carlos Ferreira, proprietário daquele restaurante.
A casa esteve de lotação esgotada e foi
mesmo preciso anular algumas inscrições por
falta de espaço.
Evidentemente que a presença dos cinco
produtores dos novos vinhos de mesa de alta
qualidade da região duriense teve um efeito
considerável entre a clientela habitual, que teve
a oportunidade única de fazer uma prova de
vinhos e apreciar os trabalhos gastronómicos
da cozinha do Ferreira-Café pilotada pelo chefe
João Dias. “Um casamento de amor entre a
comida e a bebida”, como nos confiaria um
dos Douro Boys.
À medida que os pratos iam sendo servidos, o produtor do vinho designado para o
acompanhar ia apresentando o seu produto,
definindo as suas qualidades, origens e historial.
Uma verdadeira viagem gastronómica no tempo e no espaço.
Quinta do Crasto, Quinta do Vallado,
Quinta Vale Meão, Quinta Vale D. Maria e Niepoort são os cinco consagrados produtores
de vinho daquela que é a mais antiga região demarcada do Mundo e que os Douro Boys aqui
vieram representar. As cinco empresas trabalharam em conjunto, com a finalidade de tornar a qualidade e o alto potencial dos Vinhos
do Douro reconhecidos no mundo dos “Fine
Wines”, e têm-no conseguido. Onde quer que
os vinhos dos “Douro Boys” sejam apresentados, os conhecedores apaixonam-se com a individualidade e a qualidade dos seus vinhos.
Graças às características incomparáveis da região do Douro e às castas que produzem estes
produtores podem já hoje competir com os
mais conceituados vinhos listados no “Wine
Spectator”.
Estes viticultores resolveram reunir-se há
mais de dez anos numa associação sui generis
para se divertirem entre eles, como nos confessaram, e também para promoverem não só os
vinhos que produzem mas toda a região do
Douro. Aliás, eles têm vindo a fazê-lo um pouco por todo o mundo fora, de forma profissional, com o apoio de uma agência austríaca de
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marketing. Porquê austríaca? Porque a sua representante viveu vários anos em Portugal, no
Porto, e fala um português excelente. Convém
também sublinhar que a maioria destes produtores é herdeira das grandes famílias que estão
na origem do vinho do Porto, embora algumas
casas hoje já não estejam nas mãos da família
original. É o caso de Francisco Ferreira descendente da família do Porto Ferreira, cujo pai esteve em Montreal por ocasião da inauguração
do Ferreira Café e que hoje tem a sua própria
exploração vinícola Quinta do Vallado.
Já o Dirk Nieport, descendente de família
de holandeses estabelecidos no Porto desde o
século XVII continua a tradição familiar do
Porto Nieport.
No dia seguinte, ainda com o apoio do
Carlos Ferreira que serviu o catering, os 5 representantes do Douro Boys estiveram nas caves
da Société des alcools du Québec para uma outra apresentação dos seus produtos.
Para os interessados, aqui fica a lista dos
vinhos apresentados na degustação:
• Douro Boys 2011, douro
• Batuta 2012, douro, Niepoort
• Niepoort Tawny Colheita 1999, porto
• Coche 2013, douro, Niepoort
• Quinta do Crasto Touriga Nacional 2011,
douro
• Quinta do Crasto LBV 1997, porto
• Quinta do Crasto Reserva 2012, douro
• Quinta Vale D. Maria 2012, douro
• Quinta Vale D. Maria 2004, douro
• Quinta Vale D. Maria Vintage 2009, porto
• Monte Meão Touriga Nacional 2012, douro
• Quinta do Vale Meão 2012, douro
• Quinta do Vale Meão Vintage 2012, porto
• Reserva Field Blend 2012, douro, Quinta do
Vallado
• Vallado Touriga Nacional 2012, douro, Quinta
do Vallado
• Quinta do Vallado 20 Years Old Tawny Port,
Porto. L P
5 de novembro de 2015
L u s oP r e s s e
Página 13
Carminho...
A nova estrela do Fado em Montreal
Teatro Outrement, 13 de novembro de 2015, às 20h
N
Foto LusoPresse.
•
No início de 2016…
Portus Calle passa a Portus 360°
e muda-se para o centro da cidade
Por Norberto AGUIAR
D
epois do «100 Receitas Portuguesas», edição Transcontinental, agora foi a vez
do lançamento do livro «A cozinha da Helena», da responsabilidade da Les Éditions de
l’Homme, uma divisão de Québecor Média. E
para local de lançamento deste novo livro foi
escolhido o último andar do antigo Hotel Delta, em pleno coração de Montreal, que até há
pouco tempo dava pelo nome de Restaurant
Tour de Ville, relacionado, está bem de ver,
com o facto do restaurante es-tar sediado no
último andar do prédio e que, caso único em
Montreal, gira à volta da cidade. Diz-me que
demora uma hora para dar a volta completa...
Foi, assim, num local com uma vista deslumbrante para o Rio S. Lourenço e seu porto,
e respetiva zona sul, que teve lugar a cerimónia
de lançamento do segundo livro de Helena
Loureiro, de novo, como não podia deixar de
ser, um livro de receitas culinárias. Há quem
diga que é um livro onde se reforça o que foi
feito, ou o que não foi feito, na sua primeira
publicação. De resto, a julgar pelas palavras da
mestre de cerimónia, o alfobre da Helena tem
muito mais para dar. E quanto ao seu conteúdo,
na síntese de apresentação fala-se em 80 receitas,
que vão das sardinhas marinadas, ao camarão
ao Porto, passando pelo bacalhau, etc...
Naquela terça-feira, 20 de outubro, passou
pelo «ex Tour de Ville» muita gente, desde
portugueses a quebequenses de «souche», e de
muitas outras origens. Para a Helena foi uma
boa oportunidade para vender livros, muitos
livros. Para os convidados, além de tomarem
contacto com a nova publicação, tiveram a
possibilidade de degustar uma grande panóplia
de acepipes, quentes e frios, logo acompanhados de um bom copo de vinho. Também aqui
veio ao de cima a riqueza da gastronomia portuguesa, versão cozinha à Helena Loureiro. E,
sabe-se, nestas ocasiões há pouca gente para
servir os seus convidados como a nossa compatriota oriunda da Serra de Santo António.
Por isso, não admira os oh oh! de admiração
dos muitos convivas presentes.
Se admiração houve pela receção, voltamos a repetir, feita de maneira superior, essa
admiração passou para surpresa quase geral –
na sala já havia quem soubesse da novidade...
– quando Helena Loureiro pegou no microfone
para, primeiro agradecer a tudo e todos, desde
asceu banhada e é considerada no meio artístico do Fado a maior revelação da
última década. O seu talento e postura no fado fazem dela uma das grandes jovens fadistas
da atualidade. Rodeada de grandes nomes desta arte de cantar, agora reconhecida como se
sabe pela UNESCO como Património Imaterial da Humanidade desde 2011, começou
muito jovem (12 anos) a dar voz ao fado, impressionando e cativando um público alargado
em Portugal e na Europa. Por onde passa, a sua voz, uma voz cheia de frescura e poesia, seduz, encanta e convence. E o que é fascinante e extraordinário ao mesmo tempo, é de a ver
empenhada a dar corpo e alma à sua arte com todo o seu talento, arrastando consigo na onda da paixão, toda uma nova geração de fadistas e de grandes guitarristas. Quanto a mim,
estamos diante de uma nova Amália Rodrigues ou diva do Fado! Por isso digo, tomando
um pouco a ideia de Ary dos Santos, que o fado é uma veia por onde corre a cantiga da sua
voz que é imensa, deixando sobre os nossos lábios um murmúrio de alegria e sobre a nossa pele um arrepio de prazer. Venham ver e ouvir esta grande jovem artista!
LP
LP
os filhos aos empregados, passando pela equipa que a suportou na feitura do livro, e aos
presentes, para dizer que se mudará com armas
e bagagens para aquele mesmo local logo que
os trabalhos estejam finalizados. «Para o início
do ano», adiantou sem precisar a data.
O que Helena Loureiro afiançou no momento foi que o atual Portus Calle – 13 anos
de vida – passará a chamar-se de Portus 360° e
que a mudança se deve a pontos de vista diferenciados com as entidades municipais (do
Bairro), mormente por questões de impostos,
estacionamentos, assim como querer dar mais
Filipe Batista
um passo adiante no seu negócio...
Os discursos terminaram com a leitura de
uma mensagem do embaixador de Portugal
em Otava, lida pelo cônsul José Guedes de
Sousa, onde se elogiava o labor de Helena Loureiro.
O livro «La cuisine d’Helena» está à venda,
aliás como o «Helena: 100 recettes portugaises», nas livrarias da cidade e nos três restaurantes (Portus Calle, Helena e Cantinho de
Lisboa) de que Helena é co-proprietária.
LP
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5 de novembro de 2015
EDITORIAL...
Cont. da pág. 1
bres do Canadá e maioritariamente francófona,
deveriam ter notado que ele não tinha escolhido a via mais fácil.
Se se tivessem dado ao cuidado de julgar a
equipa que ele soube juntar à sua volta para ganhar a liderança do Partido Liberal do Canadá,
deviam concluir que ele tinha realmente todas
as condições de um líder político.
Se se tivessem posto a observar como os
candidatos foram escolhidos em todas as circunscrições, sem ele nunca ter imposto nenhum preferido e deixando uma total confiança nos militantes para a escolha do melhor,
era já uma prova de ruptura com as velhas tradições políticas.
Se se tivessem posto a observar a sua ação
política parlamentar deveriam ter tomado nota
que uma das primeiras medidas que tomou,
como líder do partido, foi o de “expulsar” os
senadores liberais, dando assim o primeiro
pontapé de partida para a renovação do Senado.
Agora, com a constituição da nova equipa
ministerial, ele veio uma vez mais dar prova
do bom senso e do faro político que o tem
animado desde que entrou na política ativa.
Atendendo às suas declarações durante a
campanha eleitoral, já sabíamos que iríamos
ter um gabinete de ministros mais reduzido
que o do anterior governo conservador, já sabíamos que ele iria nomear um número igual de
homens e mulheres como ministros, já sabíamos que ele iria buscar ministros que fossem
representativos de todas as regiões do Canadá,
dos canadianos ingleses e dos canadianos franceses.
Mas ele foi mais longe. Além de cumprir
com todas aquelas promessas eleitorais, reparamos que ele até foi ao ponto de escolher também membros da velha guarda e das novas gerações, gente de tendências de esquerda e de direita, representantes das primeiras nações e das
comunidades emigrantes, como o vermelho
turbante sique nos lembrava constantemente
durante a cerimónia da tomada de posse. Mas
ele foi ainda mais além ao delegar duas pastas a
deputados com deficiências físicas – Kent
Hehr que se desloca em cadeira de rodas e que
L u s oP r e s s e
ficou com o cargo de Ministro dos Antigos
Combatentes e Adjunto da Defesa Nacional e
Carla Qualtrough, deficiente visual de nascença,
que ficou com a pasta do Desporto e dos Deficientes.
Mas não se pense que esta distribuição de
cadeiras ministeriais foi feita de forma matemática para completar bem o galhardete. Quem
se der ao trabalho de olhar para o curriculum
dos novos ministros não pode deixar de aclamar a escolha judiciosa do novo dirigente canadiano e inclinar-se diante da solidez e competência de que eles têm dado provas na sua vida
pessoal, académica e profissional.
Havia nomes que corriam, sobretudo na
deputação do Quebeque, como foi o caso de
Mélanie Joly para o Ministério do Património
Canadiano a quem compete decidir do orçamento de CBC-Rádio-Canada, de Stéphane
Dion que alguns viam no Ministério do Meio
Ambiente mas que ficou com a pasta dos Negócios Estrangeiros, e de Marc Garneau, o antigo astronauta, que ficou com a pasta dos Transportes, assumindo assim a responsabilidade
da construção da ponte Champlain.
Mas para além da simbólica que representa
o sexo, a origem, a idade, a etnia ou a deficiência
física dos novos ministros, o que vai ser importante é de ver como é que o novo governo entende por em prática os objetivos que se fixou
durante a campanha eleitoral.
Como por exemplo a legalização da marijuana, a abolição da prevista portagem sobre a
nova ponte Champlain, o aumento dos orçamentos de CBC-SRC, a anulação da promessa
de compra dos aviões F-35, o fim da missão
militar na Síria contra o Estado Islâmico, a reforma da lei sobre o acesso à informação, o
voto livre no parlamento e a reforma do sistema
eleitoral. De todos eles foi a baixa de impostos
para a classe média e o aumento de impostos
para os altos rendimentos que ele declarou como sendo a primeira prioridade do seu governo.
Todo um programa que os eleitores terão em
vista à medida que o governo se irá executando.
Porque, quer os eleitores tenham ou não votado nos liberais, todos esperam que eles mantenham a palavra dada e a cumpram.
LP
Página 14
FALECIMENTO
Leonardo Lúcio Soares
1921 - 2015
L
eonardo Lúcio Soares faleceu no passado sábado, dia 28 de outubro, com a veneranda idade de 94 anos (1921 – 2015). Natural de Lagoa (Açores) e no Canadá desde os anos
sessenta, Leonardo Lúcio Soares era viúvo de Maria Luísa Oliveira – falecida em 1996 – e pai
de seis filhos, Luís (Fátima), Hermínia (Manuel), Rosa (Messias), Luísa (Artur Sousa, já falecido), Leonardo (Ângela) e José (Giovanna). Destas uniões, Leonardo Lúcio Soares tinha doze netos, José Manuel, Artur, Victor, Messias, Luís, Leonardo, Michael Anthony,
Alexander, Diandra, Zachary, Reyanna, e Nancy Joanne, igualmente falecida. Phylisia, Lukas,
Caiden e Cárter eram, por sua vez, os seus quatro bisnetos.
O funeral do nosso malogrado compatriota teve lugar segunda-feira ao princípio da
tarde e desenrolou-se na Capela do Centro Funerário de Côte-des-Neiges, onde o corpo esteve exposto. Depois da cerimónia fúnebre, Leonardo Lúcio Soares foi a enterrar no Cemitério da Côte-des-Neiges.
Muitos compatriotas nossos, assim como muita gente oriunda de outras comunidades
e amiga da numerosa Família Soares, compareceram em número considerável no enterro.
A Equipa do LusoPresse e LusaQ TV endereça os seus mais sinceros pêsames a toda
a Família Soares, particularmente aos engenheiros Luís e Leonardo Soares, pessoas próximas
deste jornal.
LP
JUSTIN TRUDEAU...
Cont. da pág. 1
presentantes, Alexandra Mendes e Peter
Fonseca...
Aqui fica a lista dos ministros do novo governo
canadiano:
O novo Primeiro-Ministro do Canadá, Justin Trudeau, rodeado pelos ministros do
seu Gabinete. Foto LusoPresse.
IGREJA BAPTISTA PORTUGUESA
Domingos às 15H00 – Pregação do Evangelho
6297 Ave. Monkland, (NDG) Montreal
http://www.madisonbaptistmontreal.com/portugues.html
Tel. 514 577-5150 – [email protected]
• Justin Trudeau – Primeiro-Ministro, Assuntos Intergovernamentais e Juventude
• Ralph Goodale – Segurança Pública e da Proteção Civil
• Lawrence MacAulay – Agricultura e da Agraalimentação
• Stéphane Dion – Negócios Estrangeiros
• John McCallum – Imigração, Refugiados e
Cidadania
• Carolyn Bennett – Assuntos dos Povos Autóctones e das Regiões do Norte
• Scott Brison – Presidente do Erário Público
• Dominic LeBlanc – Representante do governo no Parlamento
• Navdeep Singh Bains – Inovação, Ciência e
Desenvolvimento Económico
• William Francis Morneau – Finanças
• Jody Wilson-Raybould – Justiça e ProcuradorGeral do Canadá
• Judy M. Foote – Obras Púbicas e Abastecimentos
• Chrystia Freeland – Comércio Internacional
• Jane Philpott – Saúde
• Jean-Yves Duclos – Família, Crianças e Desenvolvimento Social
• Marc Garneau – Transportes
• Marie-Claude Bibeau – Desenvolvimento Internacional e Francofonia
• James Gordon Carr – Recursos Naturais
• Mélanie Joly – Património
• Diane Lebouthillier – Receitas Públicas
• Kent Hehr – Antigos Combatentes e Adjunto da Defesa Nacional
• Catherine McKenna – Meio Ambiente e Alterações Climáticas
• Harjit Singh Sajjan – Defesa Nacional
• MaryAnn Mihychuk – Emprego, Mão-deobra e Trabalho
• Amarjeet Sohi – Infraestruturas e Coletividades
• Maryam Monsef – Instituições Democráticas
• Carla Qualtrough – Desporto e Deficientes
• Hunter Tootoo – Pesca, Oceanos e Guarda
Costeira
• Kirsty Duncan – Ciência
• Patricia A. Hajdu – Condição Feminina.
LP
5 de novembro de 2015
L u s oP r e s s e
Major League Soccer
O momento das grandes decisões
•
Por Norberto AGUIAR
C
om o Campeonato da Major League
Soccer terminado, que deu como vencedor da
prova o Nova Iorque Red Bull, apesar de ter
ficado com o Dallas FC à perna, isto é, com os
mesmos pontos (60), as grandes decisões nesta
liga só agora estão no auge, com a disputa das
eliminatórias e que, por sua vez, levam o seu
vencedor final à conquista da Taça MLS, o mais
importante troféu que se disputa anualmente
pelas atuais 20 equipas que formam o pelotão
da Major League Soccer.
Com duas zonas definidas, a Este e a Oeste, cada uma com 10 equipas, onde há um campeão por série no final do Campeonato, a MLS
favorece a fase de fim de ano, ou de época, como se queira, ao dar ênfase ao mini-campeonato que agora se formaliza e para onde se
classificam seis equipas por zona.
É assim que temos, na zona Este e por
ordem da respetiva tabela classificativa, o Nova
Iorque Red Bull, o Columbus Crew, o Impacto
de Montreal, o DC United, o Revolution da
Nova Inglaterra e o Toronto FC. Já na zona
Oeste, os apurados foram, igualmente de cima
para baixo, o Dallas FC, o Whitecaps de Vancouver, o Timbers de Portland, o Sounders de
Seattle, o La Galaxy de Los Angeles (campeão
em 2014), e o Sporting de Kansas City. Importante é o facto das duas equipas de topo de cada série, a saber, o Nova Iorque Red Bull e o
Columbus Crew; e o Dallas FC e Whitecaps
de Vancouver ficarem isentas da disputa da primeira eliminatória, um privilégio assegurado
pelo mérito classificatório...
Assim sendo, a disputa do mini-campeonato, chamemos-lhe assim, começou com os
jogos Impacto x Toronto FC, terceiro contra
sexto, e DC United x Revolution, no embate
quarto contra quinto, na zona Este. Na zona
Oeste, os acasalamentos foram Timbers x
Sporting, correspondente ao terceiro contra
o sexto, e Sounders contra o La Galaxy, respetivamente, o quarto contra o quinto. As equipas
melhor classificadas tiveram o privilégio de jogar em casa, num único embate.
Vejamos os resultados da primeira eliminatória.
Impacto x Toronto FC, 3-0
DC United x Revolution, 2-1
Timbers x Sporting, 1-1, 2-2 após
prolongamento e 7-6 através da marca das
grandes penalidades.
Sounders x La Galaxy, 3-2
Num rápido comentário, diremos que prevaleceu a lógica de passar o melhor classificado.
No entanto, todos os jogos foram espetaculares, com scores incertos até final, mesmo no
caso do triunfo do Impacto, que embora marcando três golos na primeira parte, o certo é
que teve de se bater com denodo para não sofrer golos no segundo tempo.
Mas o mais sensacional de todos foi o jogo disputado entre o Timbers e o Sporting,
como o resultado logicamente deixa transparecer. Foram mais de duas horas de grande prazer futebolístico. Primeiro houve empate nos
90 minutos, com os sportinguistas a marcarem
Joey Saputo, presidente do Impacto, neste momento é um homem feliz com o bom
desempenho do seu grupo. Foto LusoPresse.
o golo do empate a dois minutos do fim; depois foi o prolongamento, altura em que os
donos da casa foram buscar o segundo golo
quando já ninguém acreditava, quase levando
a multidão, que enchia por completo as bancadas do estádio, ao desespero perante a possível derrota da sua equipa...
Mas a salvação do Timbers veio por meio
das grandes penalidades, também aqui obtida
de forma dramática. Foram precisos os onze
jogadores de campo para desempatar a contenda, pois ora falhava um, ora falhava o outro
e aqui também entra as defesas dos keepers...
Até que chegou a vez dos marcadores serem
os respetivos guarda-redes. Marcou primeiro
Adam Kwarasey, do Timbers, que fez golo,
seguido de Jon Kempin, que falhou, por belíssima defesa do seu opositor. Passou o Timbers,
não sem grandes dificuldades como já vimos.
Meias-finais de divisão
Os jogos seguintes, Impacto x Columbus
Crew, DC United x Nova Iorque Red Bull, na
zona Este, e Timbers x Whitecaps de Vancouver e Sounders x Dallas FC, na zona Oeste e
correspondentes às meias-finais de zona, agora
disputados em duas mãos, com os clubes que
acabaram melhores posicionados a terem a vantagem de primeiro jogarem em casa do adversário, jogaram-se este fim de semana. Os resultados foram como segue:
Impacto x Columbus, 2-1
DC United x Nova Iorque Red Bull, 0-1
Timbers x Whitecaps, 0-0
Sounders x Dallas FC, 2-1
O que dizem estes resultados é que mais
uma vez ficou demonstrado o grande equilíbrio
de forças que existe na Major League Soccer.
Fosse noutra liga, mesmo das grandes da Eu-
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ropa e dificilmente se veria resultados destes Columbus Crew x Impacto, 17 horas
entre um naipe de 12 equipas. Isto é sinal de Dallas FC x Sounders, 19.30 horas
que a Major League Soccer já está a nível fute- Whitecaps x Timbers, 22 horas.
bolístico nas sete ou oito melhores ligas do
LP
Mundo. De resto, a nível de assistências, já
provado, ela está em sétimo lugar, muito à frente de ligas como a francesa, portuguesa e por
aí adiante... Em ocasião oportuna traremos
esses dados a estas páginas para benefício dos
nossos leitores desportistas.
Entrando um pouco mais no que foram
estes quatro jogos, diremos que os embates
Dra. Carla Grilo, d.d.s.
do próximo domingo, referentes à segundaDentista
mão, tudo vão decidir, porque o diferencial atual é mínimo para três equipas (Impacto, Dallas,
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Red Bull) e nulo para a outra, isto relativamenEscritório
te às equipas que agora receberam.
O Nova Iorque Red Bull, que venceu fora,
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mais o Whitecaps, que empatou no terreno
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do Timbers, têm neste momento alguma vantagem, mas nunca fiando, pois tudo pode acontecer...
Para quem quiser
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apreciar bom futebol
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e ver as equipas da
RÉSIDENTIEL COMMERCIAL
MLS em ação nesta
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fase decisiva, aqui ficam os jogos para domingo, dia 8 de novembro, mais os resNorberto Martins
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do Impacto e Whiemail: [email protected]
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Nova Iorque Red Bull
x DC United, 15 horas
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5 de novembro de 2015
L u s oP r e s s e
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Novo Governo JUSTIN TRUDEAU CUMPRE