fármacos em reanimação Margarida Borges fármacos em reanimação: objectivos • conhecer as indicações, acções e doses dos fármacos • conhecer as precauções e CI dos fármacos usados na reanimação • Utilizar correctamente os vários fármacos para tratamento da paragem cárdiorespiratória, taquidisritmias e bradidisritmias fármacos usados na reanimação • no tratamento da PCR • anti-arrítmicos a utilizar no período périparagem • Outros fármacos usados no período périparagem fármacos usados no tratamento da PCR (1) • # fármacos com indicação formal (evidência) é limitado • utilização deve ser efectuada de acordo com o estabelecido nos algoritmos SAV • administrados apenas após desfibrilhação (se indicada) / SBV fármacos usados no tratamento da PCR (2) • • • • • • Oxigénio Adrenalina Atropina Aminofilina Amiodarona Sulfato de magnésio • • • • • Lidocaína Bicarbonato sódio Vasopressina Fluidos Cálcio Oxigénio (O2) • mandatória na abordagem de uma vítima em PCR • débitos suficientes para Sat.O2 > 95%. • O2 não deve ainda ser esquecido após a recuperação da situação de PCR • O2 disritmias péri-paragem adrenalina/epinefrina (1) Mecanismo de acção • é uma amina simpaticomimética com acção agonista alfa e beta • estimulação receptores alfa1 e alfa2: vasoconstrição periférica – com aumento das resistências vasculares periféricas – da pressão arterial, – aumentando a perfusão cerebral e coronária. • O efeito beta adrenérgico: – aumenta a perfusão coronária e cerebral, independentemente dos mecanismos referidos adrenalina/epinefrina (2) Mecanismo de acção • Efeitos inotrópicos e cronotrópicos positivos – pode aumentar o consumo de O2 pelo miocárdio – com agravamento da isquémia • Aumenta excitabilidade miocárdica – pode causar arritmias ventriculares ectópicas – especialmente no contexto de acidose e – devido a shunt arteriovenoso pulmonar pode provocar hipoxémia transitória. PCR no contexto do consumo de cocaína ou de outros fármacos simpaticomiméticos, o uso de adrenalina deve ser cauteloso adrenalina/epinefrina (3) Indicações • Primeiro fármaco a utilizar em PCR de qualquer causa • Anafilaxia • Choque cardiogénico (2ª linha ) adrenalina/epinefrina (4) Dose • PCR: 1 mg EV a cada 3 minutos até que as manobras de reanimação tenham sucesso ou sejam abandonadas • pode ser administrada por via endotraqueal, devendo-se administrar 3 mg diluídos em 10 cc de água destilada não existem dados que suportem a utilização de doses superiores em situações de PCR refractária às medidas efectuadas adrenalina/epinefrina (5) Dose • Após o retorno de circulação espontânea, doses excessivas de adrenalina (> 1 mg) podem induzir – • taquicardia, isquémia do miocárdio, TV ou FV Pós- reanimação: cuidadosamente calculada para pressão arterial adequada (50-100 mcg são habitualmente suficientes para doentes com hipotensão) atropina Mecanismo de acção – parassimpaticolítico – antagoniza muscarínicos acetilcolina – Bloqueia efeitos vagais nódulo sinusal e aurículo-ventricular, – ↑automatismo sinusal e ↑ condução AV atropina (2) Outras acções não relevantes PCR – alterações da visão, – midríase – xerostomia – quadros confusionais agudos (idosos) atropina (3) Indicações – Assistolia – Actividade eléctrica sem pulso (DEM) freq < 60 complexos/minuto – Bradicárdia sinusal, auricular ou juncional com repercussão hemodinâmica atropina (4) Dose – PCR: dose única de 3 mg EV (dose vagolítica máxima) – bradidisritmias atropina (5) Utilização – não existirem dados conclusivos na PCR em assistolia • gravidade do prognóstico da situação • algumas referências bibliográficas que relatam casos de sucesso após a administração de atropina • não sendo evidente que tenha algum efeito deletério. aminofilina Mecanismo de acção • efeito cronotrópico e inotrópico positivo não existe evidência eficácia no retorno da circulação espontânea ou mesmo da sobrevivência até à alta hospitalar nas situações de assistolia ou de bradicardia peri-paragem; não está igualmente demonstrado que possua qualquer efeito deletério aminofilina (2) Indicações • Assistolia • Bradicardia peri-paragem refractária à atropina Dose • 250-500 mg (5mg/Kg) EV lento aminofilina (3) Efeitos secundários • margem terapêutica estreita pelo que doses ↑ podem ser arritmogénicas e provocar convulsões amiodarona Mecanismo de acção – ↑ duração do potencial de acção miocárdico, com ↑ QT – EV vasodilatação periférica por acção bloqueadora alfa-adrenérgica não-competitiva – discreto efeito inotrópico negativo Outras acções não relevantes – bradicárdia – hipotensão (EA via oral (disfunção tiróideia, microdepósitos na córnea, neuropatia periférica, infiltrados pulmonares e hepáticos) amiodarona (2) Indicações – FV/TV sem pulso refractárias – TV com estabilidade hemodinâmica – outras taquidisritmias resistentes Dose – FV/TV sem pulso após 3 choques, – um bólus EV de 300mg DX5 em H20 imediatamente antes do 4º choque – Preferencialmente acesso venoso central amiodarona (3) Dose • • • 300 mg de amiodarona DX H2O 20-60 min. Perfusões adicionais de 150 mg até um máximo de 2 g/dia EA mais relevante hipotensão e a bradicardia - ↓ velocidade de perfusão amiodarona (4) Utilização • pode ter acção pró-arrítmica (em conjunto com outros fármacos que ↑ QT) • ↑ níveis plasmáticos de digoxina e varfarina ajuste da dose utilizada (1/2) • efeito aditivo bloqueadores dos canais de Ca e -bloqueantes : potenciação do nível de bloqueio ao nível do nódulo AV sulfato de magnésio Mecanismo de acção • associada com frequência à hipocaliémia • contributivo disritmias, inclusivé de PC • o excesso de Mg é um depressor das funções miocárdica e neurológica, actuando como um bloqueador fisiológico do cálcio, tal como acontece com o K. sulfato de magnésio (2) Indicações • FV /TV refractária à desfibrilhação (hipomagnesiémia provável) • Torsade de Pointes • Intoxicação digitálica Dose • FV refractária : 2g EV podendo ser repetida ao fim de 10 a 15 minutos (correspondendo a 4ml de uma solução de sulfato de magnésio a 50%) • Nas outras situações : perfusão de 2,5g (5ml de sulfato de magnésio a 50%), durante 30 min sulfato de magnésio (3) Utilização • Os doentes com hipocaliémia têm também, frequentemente, hipomagnesiémia. • TV: seguro e eficaz • Utilização EAM duvidosa Efeitos secundários • são raros (mesmo insuficiência renal) • vaso-dilatação e hipotensão dose-dependente • transitória responde à fluidoterapia e aos vasopressores. fluidos Utilização • EV indicada no período de PCR e pósreanimação, particular importância hipovolémia (por ex.: trauma e outras causas de hemorragia). • A reanimação com fluídos é iniciada normalmente com cristalóides e/ou colóides • No adulto, quando as perdas excedem 1500 a 2000 ml, será necessário, provavelmente, recorrer à administração de sangue. fluidos (2) Utilização • Sem hipovolémia não deve administrar-se um volume excessivo de soros (fluxo de manutenção habitual) • pequenos bólus administração de fármacos • hiperglicémia tem efeitos neurológicos deletérios após PCR, os cristalóides de uso preferencial em reanimação são o Soro Fisiológico ou o Lactato de Ringer bicarbonato de sódio Mecanismo de acção • PCR : acidose respiratória e metabólica • Se o pH arterial < 7,1 pequenas doses (50ml de bicarbonato de sódio a 8,4%), durante ou após a reanimação • durante a PCR gasimetria arterial pode ser enganadora, tendo pouca relação com os valores do pH intracelular bicarbonato de sódio (2) Mecanismo de acção • administração de bicarbonato de sódio conduz à produção de CO2, que se difunde rápidamente para o interior das células: – ↑ acidose intracelular; – efeito inotrópico negativo no miocárdio – sobrecarga de sódio, osmóticamente activa, sobre a circulação e o cérebro já comprometidos bicarbonato de sódio (3) Mecanismo de acção • desvio esquerdo da curva de dissociação da hemoglobina, inibindo libertação de O2 a nível tecidular. • acidose ligeira: vasodilatação, podendo aumentar o fluxo cerebral, pelo que a total correcção do pH arterial pode conduzir a uma diminuição do fluxo cerebral numa altura particularmente crítica. • Como o ião HCO3 é excretado pelo pulmão, sob a forma de CO2, deve-se ↑ a ventilação. bicarbonato de sódio (4) Mecanismo de acção • só se justifica a administração de BS se acidose metabólica grave • o extravasamento subcutâneo provoca lesão tecidular grave • BS é incompatível com soluções de sais de cálcio (provoca sua precipitação) bicarbonato de sódio(5) Indicações • Acidose metabólica grave • Hipercaliémia Dose • Uma dose de 50mEq (50ml de bicarbonato de sódio a 8,4%) EV Pode ainda ser repetida, se necessário, com a monitorização apropriada. bicarbonato de sódio(6) Utilização pode ser adequada no tratamento da PCR em algumas situações particulares – acidose prévia grave, – PCR associada a hipercaliémia – intoxicação por antidepressivos tricíclicos cálcio Mecanismo de acção – papel fundamental no mecanismo de contracção miocárdica – existem poucos dados que suportem o efeito benéfico do cálcio na maior parte das situações de PCR. – As elevadas concentrações plasmáticas obtidas após administração EV podem ter efeitos deletérios sobre o miocárdio isquémico e afectar a recuperação cerebral cálcio (2) Indicações Assim, só deve ser administrado cálcio durante a RCR quando existam indicações específicas (DEM) originada por: • Hipercaliémia • Hipocalcémia • Intoxicação por bloqueadores dos canais de cálcio cálcio (3) Utilização • O cálcio pode ↓ frequência cardíaca arritmias • PCR pode ser administrado EV rápida, • na presença de circulação espontânea este deve ser dado lentamente. fármacos usados na reanimação • no tratamento da PCR • anti-arrítmicos a utilizar no período péri-paragem • Outros fármacos usados no período périparagem anti-arrítmicos a utilizar no período péri-paragem • • • • • Adenosina Atropina Amiodarona Digoxina Lidocaina • Verapamil • esmolol adenosina Mecanismo de acção • atraso na condução ao nível do nódulo AV • ↓ efeito sobre as outras células miocárdicas • tratamento de taquicárdias supraventriculares paroxísticas com via de reentrada que envolva o nódulo AV • curta semi-vida (10 a 15 segundos) e duração de acção, este efeito pode ser temporário adenosina (2) Mecanismo de acção • o bloqueio AV provocado pela adenosina, ao lentificar a resposta ventricular, pode revelar o ritmo auricular subjacente • pode auxiliar no diagnóstico da existência de vias de pré-excitação. adenosina (3) Indicações • TSVP e taquicárdias de complexos estreitos sem diagnóstico Dose • 6 mg EV bólus rápido, seguida de um “flush” de soro fisiológico • 12 mg+ 12 mg intervalos de 1 a 2 minutos (injecção rápida) adenosina (4) Utilização • monitorização, pode surgir bradicárdia sinusal grave, embora transitória • ≠ verapamil, pode ser administrada taquicárdia de complexos largos, cuja etiologia não está esclarecida • frequência ventricular é ↓ transitoriamente no caso de uma TSV continuando inalterada no caso de se tratar de uma TV adenosina (5) Utilização • eficaz para terminar a grande maioria das taquicárdias juncionais. • sem efeito inotrópico negativo significativo, não condicionando uma diminuição do débito cardíaco nem hipotensão • pode ser administrada com segurança a doentes medicados com -bloqueantes adenosina (6) Utilização • sintomatologia transitória, incluíndo dor torácica intensa, pelo que os doentes devem ser alertados, assegurando que são auto-limitados. • Em asmáticos, a adenosina pode induzir ou agravar o broncospasmo. As suas acções são potenciadas pelo dipiridamol e antagonizadas pela teofilina. adenosina (7) Utilização • nos casos de fibrilhação auricular ou flutter com via acessória, a adenosina pode levar a ↑ paradoxal da condução pela via anómala, o que pode resultar em frequência ventricular perigosamente elevada digoxina Mecanismo de acção • ↓ da FV: – ↑ do tónus vagal – ↓ do “drive” simpático – Prolongamento do período refractário do nódulo AV • potencia a contractilidade do miocárdio e ↓ velocidade de condução das fibras de Purkinje. digoxina (2) Indicações Fibrilhação auricular com resposta ventricular rápida Dose • EV isoladamente ou em combinação com a via oral • dose máxima de 0,5mg de digoxina, diluídas em 50ml de DX 5% em H2O durante 30 minutos, podendo ser repetida uma vez, se necessário • Idoso / com baixo peso / debilitado, dose de carga inferior. • A dose a administrar por via oral deve ser de 0,0625 a 0,5mg/dia. De salientar ainda que a • semi-vida da digoxina (36 horas) ↑ insuficiência renal digoxina (3) Utilização • A digoxina tem limitações na sua utilização como anti-arrítmico. • Apesar de ↓ FC em doentes com FA, início de acção lento, • menos eficaz que outros anti-arrítmicos, como sejam a amiodarona ou os betabloqueantes digoxina (4) efeitos secundários • proporcionais concentrações séricas: náuseas, diarreia, anorexia, confusão mental e vertigens, podendo ainda precipitar o surgimento de arritmias. • toxicidade ↑hipocaliémia, hipomagnesiémia, hipóxia, hipercalcémia, insuficiência renal e hipotiroidismo. toxicidade provocada pela digoxina confirmada pelo doseamento sérico do fármaco lidocaína Indicações • TV com estabilidade hemodinâmica (em alternativa à amiodarona) • FV / TV sem pulso, refractárias (2ª linha) lidocaína (2) Dose • 50mg EV • rápidamente distribuída pelo organismo, podendo ser eficaz durante 10 minutos • dose inicial pode ser repetida de 5 em 5 minutos, até à dose máxima de 200mg. lidocaína (3) Utilização • Não havendo sinais de gravidade, é uma alternativa à utilização de amiodarona no tratamento inicial da TV verapamil Mecanismo de acção • Bloqueador canais de cálcio • vasodilatação periférica e coronária, ↓ condução ao nível do nódulo AV • pode provocar a instalação de hipotensão refractária quando utilizado em conjunto com outros anti-arrítmicos • quando administrado por via EV associado a -bloqueantes pode provocar assistolia Verapamil (2) Mecanismo de acção • Contudo, a associação de antagonistas do cálcio (como o verapamil) PO e bloqueantes, pode ser muito eficaz no tratamento da hipertensão e angina, sendo necessária, contudo, alguma cautela. • ↑ concentração plasmática da digoxina, pode provocar uma intoxicação digitálica. verapamil (3) Indicações • Taquicárdia supraventricular Dose • 2,5-5mg EV administrados durante 2 minutos • podendo ser repetida ao fim de 5 minutos verapamil (4) Utilização • No tratamento da TSV quando existe um diagnóstico de certeza • Possui efeito inotrópico negativo importante, não devendo ser administrado a doentes com taquicárdia de complexos largos de origem ventricular ou duvidosa verapamil (5) Utilização • os EA são comuns a outros vasodilatadores, incluindo “flushing”, cefaleias e hipotensão • a hipotensão dura apenas 5 a 10 min, mas pode ser crítica • acção anti-arrítmica mantém-se ao fim de 6 horas após uma dose EV fármacos usados na reanimação • no tratamento da PCR • anti-arrítmicos a utilizar no período péri-paragem • Outros fármacos usados no período péri-paragem Outros fármacos usados no período péri-paragem Ionotropicos • Dobutamina • Adrenalina • Norafrenalina • Dopamina Não ionotrópicos • Nitratos • Ácido acetilsalicílico • Morfina • naloxona nitratos Mecanismo de acção • relaxamento da musculatura lisa vascular • vasodilatação + marcada no compartimento venoso do que no arterial • redução + marcada da pré-carga • dilatação das artérias coronárias, ↓ espasmo e permitindo a redistribuição do fluxo das regiões epicárdicas para as endocárdicas pela abertura de colaterais nitratos (2) Indicações • • • • Profilaxia/tratamento da angina Angina instável SCA ICC nitratos (3) Dose trinitrato de gliceril • via sublingual (300 a 600 microg) • via oral (1 a 5 mg) • via transdérmica (5 a 15 mg) • via endovenosa (10 a 200 μg/min) mono e dinitrato de isossorbido • via oral (10 a 60 mg/dia) • EV nitratos(4) Utilização • A duração depende do nitrato usado e da via • PO e SL, o início de acção é ao fim de 1 a 2 min • No caso de surgirem EA remoção do comprimido nitratos(5) Utilização • pode condicionar hipotensão importante • a utilização de nitratos EV implica monitorização hemodinâmica, não devendo ser usados em doentes já com hipotensão significativa. • Outros efeitos secundários são “flushing” e cefaleias. ácido acetilsalicílico Mecanismo de acção • melhora significativamente o prognóstico de doentes com suspeita de EAM ou angina instável • reduzindo a morte de causa cárdiovascular, o que resulta da sua actividade anti-plaquetária e protecção antitrombótica ácido acetilsalicílico(2) Indicações • Enfarte do miocárdio (efeito antitrombótico) • Angina instável (para reduzir o risco de enfarte) • Profilaxia secundária após enfarte do miocárdio Dose 150 a 300 mg por via oral. ácido acetilsalicílico(3) Utilização • deve ser administrado a doentes SCA independentemente do atraso em relação à primeira avaliação do doente • Os EA (HDA e possível agravamento da doença ulcerosa péptica) podem surgir na sequência da terapêutica de longo prazo, mesmo quando se utilizam doses baixas. ácido acetilsalicílico(4) Utilização • Inicio actividade anti-plaquetária em 30 min, não deve ser protelada a sua administração até à chegada ao hospital, excepto se houver contraindicações • Administração é fácil e uma dose única é geralmente bem tolerada ácido acetilsalicílico(5) Utilização • Se é efectuada terapêutica trombolítica precoce, deve administrar-se ácido acetilsalicílico concomitantemente para diminuir o risco de reoclusão precoce. morfina Mecanismo de acção • opióide analgésico • redução da pré e pós-carga ventricular pelo aumento da capacitância venosa e ligeira vasodilatação arterial • diminuição consumo miocárdico de O2. morfina(2) Indicações • Analgesia • ICC morfina (3) Utilização • administração por via e.v. deve ser lenta, sendo a dose ajustada, o que evita a depressão respiratória profunda, hipotensão ou bradicárdia. • A dose depende da idade e peso do doente. • A depressão respiratória ou hipotensão podem ser revertidas com naloxona, em caso de necessidade naloxona Mecanismo de acção • A naloxona é um antagonista competitivo específico dos receptores opióides miu, delta e kappa naloxona (2) Indicações • Sobredosagem com opióides Dose • A dose inicial é de 0,4 a 0,8 mg EV (repetida 2 a 3 min até um máximo de 10 mg) • Via endotraqueal ou em perfusão contínua, com ajuste de dose até se obter o efeito desejado. naloxona (3) Utilização • reverte todos os efeitos dos opióides exógenos, especialmente a depressão cerebral e respiratória • duração de acção é muito curta, sendo necessárias doses repetidas. • a reversão dos efeitos opióides pode desencadear dor/agitação nos indivíduos com dependência Outros fármacos usados no período péri-paragem Ionotrópicos • Dobutamina • Adrenalina • Noradrenalina • Dopamina Não ionotrópicos • Nitratos • Ácido acetilsalicílico • Morfina • naloxona dobutamina Mecanismo de acção • É uma catecolamina sintética receptores beta1, beta2 e alfa • efeito inotrópico positivo sobre o miocárdio ocorre pela estimulação dos receptores beta2 • A nível vascular periférico, a estimulação beta2 leva a vasodilatação e redução da resistência vascular periférica • O resultado final é ↑débito cardíaco, com diminuição da resistência arterial periférica e da pressão de oclusão da artéria pulmonar dobutamina (2) Mecanismo de acção • A nível renal, verifica-se geralmente um aumento do fluxo sanguíneo. • ↑ consumo miocárdico de O2 menos marcado, comparativamente a outros inotrópicos, com menor potencial arritmogénico. dobutamina (3) Indicações • Hipotensão na ausência de hipovolémia • Choque cardiogénico Dose • perfusão EV contínua; 5 - 20 μg/kg/min ajustada de acordo com a pressão arterial e/ou o débito cardíaco dobutamina (4) Utilização • inotrópico de primeira escolha no período pós-PCR, estando indicada quando a perfusão tecidular insuficiente se deve a um débito cardíaco baixo e/ou hipotensão. • na presença de EAP em que o grau de hipotensão não permite a utilização de vasodilatadores. • monitorização hemodinâmica dobutamina (5) Utilização • Quando possível, devem ser evitadas elevações da FC > 10% de forma a evitar um aumento do risco de isquémia do miocárdio • Pode associar-se disritmias, sobretudo quando são utilizadas doses elevadas. • retirada deve ser gradual, evitando o surgimento de hipotensão. noradrenalina/norepinefrina Mecanismo de acção • É uma catecolamina efeito alfa agonista marcado, possuindo ainda efeito beta significativo • o que resulta em vasoconstrição marcada e algum efeito inotrópico positivo sobre o miocárdio noradrenalina/norepinefrina (2) Mecanismo de acção • Aumento do débito cardíaco (múltiplos factores: volémia, resistências vasculares, etc.) • Como acontece com os outros inotrópicos, pode verificar-se um ↑consumo de O2 pelo miocárdio noradrenalina/norepinefrina (3) Indicações • Hipotensão grave associada a resistências vasculares reduzidas na ausência de hipovolémia (e.g. choque séptico), • Alternativa à adrenalina no tratamento do choque cardiogénico Dose . perfusão EV contínua, utilizando-se a menor dose eficaz, iniciando-se habitualmente com 0,1 μg/Kg/minuto com aumentos graduais de acordo com a pressão arterial média noradrenalina/norepinefrina(4) Utilização • período pós-reanimação, hipotensão e baixo débito cardíaco associados a baixa da perfusão tecidular • corrigir préviamente hipovolémia • importância particular se PCR associada a vasodilatação periférica marcada (sépsis, SIRS) noradrenalina/norepinefrina(5) Utilização • Pode ser usada em associação com dopamina e dobutamina • monitorização hemodinâmica • administrada através de um acesso venoso central. • extravasamento subcutâneo provoca necrose tecidular. dopamina Mecanismo de acção • é o percursor natural da adrenalina e noradrenalina • efeito inotrópico positivo, dose dependente, mediado pelos receptores dopaminérgicos (D1 e D2) e alfa1 e beta1 • Doses baixas (1 a 2 μg/Kg/minuto) provocam vasodilatação da artéria renal (via receptores D1), com aumento da taxa de filtração glomerular e de excreção de sódio dopamina (2) Mecanismo de acção • Doses intermédias (2 a 10 μg/Kg/minuto) provocam um aumento do débito cardíaco, da PAS e da resposta renal (via receptores beta1) • doses mais elevadas (> 10 μg/Kg/minuto) vasoconstrição generalizada (receptores alfa1 e alfa2) • pode desencadear disritmias, aumentar o consumo miocárdico de O2 e agravar a isquémia dopamina (3) Indicações • Hipotensão na ausência de hipovolémia Dose • perfusão EV a dose inicial é de 1-2 μg/Kg/min • para o aumentar do débito cardíaco e PA doses 5 a 10 μg/Kg/min dopamina (4) Utilização • dada a grande variabilidade individual da resposta à dopamina, não é possível seleccionar uma dose para a activação de receptores específicos • qualquer aumento da pré e pós-carga ventricular pode comprometer o coração com entrada em falência dopamina (5) Utilização • permite aumentar frequentemente o débito urinário, sem ter efeito benéfico sobre a função renal “per se” • acesso venoso central em perfusão contínua • monitorização hemodinâmica