Lazer e esportes no Rio de Janeiro – RJ FERNANDO GARRIDO Leisure and sports in Rio de Janeiro-RJ The city of Rio de Janeiro has quite a few traditions related to sports and leisure activities that date back to the beginning of the 19th century, inherited particularly from immigrants that belonged to groups other than the predominating Portuguese and Spanish. Germans founded the first club of games and sports in 1821. The British introduced horse racing in Rio de Janeiro in 1816. It caught on so well that it became a regular activity as of 1851, attended by 4,000 people when the total population of the city at that time was of 200,000 inhabitants. The British clubs then encouraged the practice of cricket and rowing in the 1850s. Rowing, in particular, became such a popular sport, expanding around the already established clubs attended by Brazilians, that the public that attended rowing competitions was larger than any other social activity in the city. Skating, indoor cycling and the Spanish fronton also became popular around 1875 with bets in cash. The Associação Cristã de Moços (Young Men’s Christian Association-ACM), founded in Rio de Janeiro in 1893, did not follow the models of either the already existing clubs or the betting system of commercialized sport. Instead, ACM started to influence the various sports practices in the city and later on in the many other regions of Brazil. In addition, ACM brought basketball and volleyball to Brazil, which still are national preferences in sports today. In the first half of the 20th century, sports were consolidated through institutions (clubs, federations, and government agencies) and soccer started to have a very popular appeal, with masses of people going to stadiums to watch the ‘game spectacle’, encouraging large adherence of the media. From the 1950s to the 1990s, a number of other sports were introduced into the city life and have become the city’s trademark, especially concerning the use of streets, parks and beaches as places for practice. The decades of the 1990s and early 2000s have confirmed and given continuity to the vocation of Rio de Janeiro as a city of sports and leisure privileging nature, particularly its beaches. The sports preferences of the Cariocas (people from Rio de Janeiro) within this period can be observed in Table 1, which includes skating as the new urban offer while Table 2 shows the offer of available places in the city. The network of bikeways expanded during this period suggests the dominating influence of urban facilities available as the bikeways go along at the beaches and then towards neighboring districts, creating a ‘sporting’ transit system besides the function of popular transportation. The new fact of the period 1990-2000s, not examined in the 1999 investigation cited above, was the growth of the so-called extreme sports or sports of adventure, which found the best places for practice in Rio de Janeiro. Besides the extensive beaches, Rio de Janeiro has the largest urban forest in the world, with mountains for sports such as mountaineering and with support for the various disciplines of air sports. That generates incomparable advantages for extreme sports in international terms. These extraordinary conditions for sports found at the beaches and in the Forest of the Maciço da Tijuca (Tijuca Mountains) have sculpted the urban planning of the city and enormously influenced the sports culture and the life of the population. For this reason, the plan of transformations of the city for the Pan-American Games of 2007 and for the candidacy of Rio de Janeiro as host city /headquarters of the future Olympic Games – featuring the system of urban transportation – takes into consideration the natural endowments of Rio de Janeiro and the legacy of local sports traditions that add a century and a half of personal, community, governmental and entrepreneurial initiatives. Definições e Origem Na cidade do Rio de Janeiro desde o início do século XIX, o esporte surgiu na vida social como um hábito de lazer distintivo dos imigrantes (estilo de vida). Nos primeiros clubes surgidos na cidade, as práticas esportivas preferidas eram os jogos de salão. Na segunda metade do século XIX, transformações sociais favorecidas pela entrada de capitais internacionais possibilitaram a melhoria da indústria e do comércio, gerando crescimento econômico. Nascia um mercado consumidor decorrente do crescimento populacional e do surgimento do trabalho assalariado. Embora de modo insuficiente, houve urbanização e a melhoria dos meios de transporte e de comunicação, o que contribuiu para o despertar de uma vida social urbana mais ativa. A cidade nesta época era a capital do Império Brasileiro e seu centro urbano de maior importância, irradiando costumes para as demais regiões do país. prados e vice-versa quando estes viabilizaram a expansão das linhas. Após a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), o crescimento industrial e econômico do país levava à expansão do mercado consumidor, apoiando-se nos meios de comunicação e na publicidade ainda que de forma tímida. O esporte dinamizavase pela busca de resultados nas competições e a formação de clubes e entidades dirigentes, passando a interessar o poder público e a sociedade como valor social. À época já se detectava a importância de uma atividade esportiva em favor da juventude e do futebol como espetáculo ao dispor das massas pagantes. Não é surpreendente, portanto, que o rádio já como veículo popular tenha se alinhado ao futebol e ao automobilismo dos anos de 1930. Em síntese, neste período, o RJ consolidou sua vocação esportiva e de lazer por ter sido o portão de entrada de novos costumes vindos do exterior. finalidades higiênicas como uma preocupação da época estampada nos temas das teses elaboradas pelas escolas de Medicina, principalmente as do Rio de Janeiro e Salvador. Esses fins, segundo Cantarino Filho (1988:79), nortearam o conceito de Educação Física durante muitos anos. O esporte, uma atividade sociocultural nova, era uma das marcas do lazer dos imigrantes, parte importante da população da cidade durante o Império e alvorecer da República. Destacavam-se práticas individuais como o turfe, o remo, a natação, o atletismo, a ginástica de aparelhos, a patinação sobre rodas, o bilhar, a bocha e o ciclismo, situadas em clubes, estabelecimentos comerciais e de forma espontânea, com ou sem apostas. Estes costumes foram assimilados em parte por alguns habitantes originários cujo tempo de lazer começaria a favorecer tanto os modismos como o sentido de prestígio social que as elites da cidade buscavam para moldar a sociedade local. Na passagem do século XIX para o XX, o esporte, sinônimo de modernidade da Europa burguesa, organizava-se efetivamente como opção de lazer. E a sua expansão como fato social coincidiu com a formação do Estado Republicano; a aspiração das elites de tornar o Rio de Janeiro uma metrópole moderna e civilizada; a urbanização da cidade; a exigência de novos hábitos nos indivíduos; e o crescimento da indústria e comércio. Desse modo, as competições esportivas (mais de característica individual que coletiva) entre clubes adquiririam relevância na vida social urbana. Destacavam-se os esportes de força e resistência, em geral representados pelo halterofilismo, culturismo, ginástica olímpica, atletismo e lutas, utilizados em benefício do corpo forte e da estética. O remo e o futebol despontavam como preferências dominantes. E o público do remo mostrou-se maior e mais fiel do que em qualquer outra atividade social, até ser substituído pela fascinação do futebol como espetáculo. Após a Segunda Guerra Mundial, a expansão do consumo local alicerçada pelo desenvolvimento econômico, gerou progresso material e aumentou o interesse dos meios de comunicação e de publicidade – em especial da televisão, já nos anos de 1950 – pelo esporte, sobretudo no sentido de lazer passivo. Tais constatações no concernente ao Rio de Janeiro foram representadas nos aumentos no número de páginas da seção esportiva e do tempo da programação esportiva na TV ocorridos ao longo dos anos. Nas últimas décadas do século XX, o Rio de Janeiro já tinha o esporte como uma de suas principais identidades culturais, marcando e simbolizando seu estilo de vida quer no sentido de espetáculo ou na sua prática. Por outro lado, um novo tipo de tendência esportiva – os “esportes radicais”, de influência internacional – ganhava expressão no Brasil, a partir da cidade do Rio de Janeiro onde estas atividades se manifestavam de modo rudimentar desde os anos de 1930 (esportes de montanha, de excursão e de praia). Os interesses da sociedade expandiram o acesso ao esporte, quer em função de interesse de negócios (bens e serviços de lazer), quer pelo mesmo ter se tornado uma aspiração coletiva. O auge deste processo de desenvolvimento está ocorrendo nos primeiros anos do Século XXI quando a cidade está direcionando seus projetos de desenvolvimento urbano em função de ser sede dos Jogos PanAmericanos de 2007, tanto quanto por ser candidata a abrigar os Jogos Olímpicos de 2012. Este retrospecto de quase dois séculos é desmembrado em marcos de memória como se segue. As competições esportivas eram adotadas voluntariamente e freqüentemente como serviço pago e/ ou como meio de apostas. Penetravam no gosto da população carioca, apoiadas pelo poder público, o qual por vezes estabelecia os locais de prática. Nessa perspectiva, contribuíam para a melhoria dos meios de transporte, facilitando o acesso às competições, bem como os meios de comunicação. Assim somente houve turfe na cidade quando a rede de bondes (transporte coletivo elétrico) deu acesso aos 1790 No final do século XVIII, os exercícios físicos e jogos eram utilizadas em benefício da higiene corporal, o que nos é confirmado por Azevedo (1930:24). De acordo com este autor, havia um manual intitulado “Tratado de Educação Physica dos Meninos para Uso da Nação Portugueza” – escrito em 1790 pelo brasileiro Francisco de Mello Franco, doutor em medicina pela Universidade de Coimbra – cujo conteúdo foi disseminado por ordem da Academia Real de Sciencias de Lisboa. No Brasil, denota-se já no século XIX, a utilização de atividades físicas e esportivas sob 1808 A vinda da Corte Portuguesa neste ano para o Rio de Janeiro enquanto transcorriam as guerras napoleônicas na Península Ibérica, possibilitou grandes alterações nos aspectos físico, político, econômico, social e cultural da cidade. O Rio de Janeiro não passava de pequeno povoado, sem indústria, com pobreza e ignorância. Segundo Renault (1985), os costumes eram relaxados; a administração, corrupta; os senhores e escravos viviam em promiscuidade; não havia conforto nem comodidades; a população era diminuta e eminentemente composta de negros, índios e mulatos. Foram estes alguns dos aspectos que contribuíram para que a Corte estimulasse a imigração européia deixando de lado a hegemonia da colonização portuguesa. De imediato, a presença de estrangeiros no Rio de Janeiro e, sobretudo no sul do país, foi sentida nas artes, educação, ciências, alimentação, transporte, comércio, construção, indústria, máquinas, moda, profissões e recreação. As elites, representadas pelos membros da Corte, uma camada social até então praticamente inexistente, então vislumbraram com essa imigração a defender e povoar o país, substituir a escravidão e “civilizar” o povo pela importação da cultura européia. Para Alencar (1983:85), a presença da Corte no Rio de Janeiro possibilitou o surgimento de uma “idéia de império” (princípio de um sentimento nacionalista) entre as classes proprietárias e as camadas urbanas. A cultura amparada nos padrões europeus estava limitada às elites freqüentadoras da biblioteca, do museu, das aulas régias de ciências econômicas e do teatro, hábitos de uma vida social que atendiam aos anseios dessa nova categoria. A educação na escola restringia-se às elites, com uma instrução pública pouco expressiva. Início do século XIX Primeiros registros da chegada do esporte de criação inglesa no Rio de Janeiro. Todos os domingos na casa de campo de um inglês casado com uma brasileira, no bairro de Irajá, segundo nos conta Freyre (1948), reuniam-se negociantes ingleses para jogar quoits e outros jogos violentos e beber porter. Freyre ainda nos relata que a euforia dos ingleses pela conquista do mercado brasileiro era tanta que eles chegaram a trazer “patins para o gelo” e stock, confundindo o Brasil com a Sibéria. A influência inglesa seria mais marcante no hábito do banho salgado, sob finalidades higiênicas e recreativas, despertando entre os habitantes da cidade essa prática que se tornou uma das alternativas ao então prevalecente jogo de cartas e outros jogos de salão. Também neste estágio, as práticas esportivas apareceriam como obrigatórias nos regulamentos das escolas primária superior, militares, do normal e também do Colégio Pedro II, no Município da Corte (atual Município do Rio de Janeiro). Na Academia Real DACOSTA, LAMARTINE (ORG.). A T L A S DO ESPORTE NO BRASIL. RIO DE JANEIRO: CONFEF, 2006 15.5 Militar, eram realizadas desde 1810. Nesta fase, encontramos a ginástica, a natação, a esgrima, a equitação e o tiro ao alvo como práticas esportivas empregadas na formação militar da Escola Naval e do Colégio Militar, e como forma de passatempo de alguns grupos selecionados de civis. 1814 Conforme nos relata Renault (1985), nesses tempos de poucas distrações, a população do Rio de Janeiro tomava conhecimento na imprensa de que “carreiras” (corridas a pé) seriam realizadas em 30 de maio de 1814, na praia de Botafogo. Essas “carreiras”, outra forma de divertimento, constituíam um hábito de natureza esportiva trazido pelos imigrantes, inclusive com premiação. 1815 A primeira referência encontrada na cidade do Rio de Janeiro de atividade social similar a clube é a da “Assembléia Portuguesa”, criada neste ano (Silva:1978). O nome “Assembléia” significava reunião em família, prática da vida social no tempo dos vice-reis. Encontra-se descrito na obra de M. B. Nizza da Silva (“Cultura e Sociedade no Rio de Janeiro 1808-1921”, Rio de Janeiro, 1985). Antes, no século XVIII, tornaram-se comuns na cidade as “Academias Literárias” que davam oportunidade de convívio social aliado a uma atividade que fosse aceita pelo governo colonial. Possivelmente, as assembléias e as academias foram os traços culturais luso-brasileiros que favoreceram a assimilação do clube esportivo vindo de contribuições de outras tradições européias, como a inglesa (aristocrática) e alemã (comunitária). 1816 As corridas de cavalo (turfe), à semelhança das inglesas, tinham seus primeiros ensaios a partir deste ano, em Botafogo. Segundo Pereira (1995), nove anos após surgiria neste local a primeira corrida turfística. Um “Clube de Corridas”, denominado “Prado Fluminense”, seria criado em 1849, mas somente em 1851 aconteceriam as primeiras corridas. Nessa ocasião, mais de 4 mil pessoas compareceram ao evento, que contou com a presença da família do imperador. Três anos após, surgia outro clube, o Jockey Club Fluminense, que teve vida efêmera, dando lugar a uma nova associação, o Jockey Club (1868). O turfe, após meados do século, organizar-se-ia através de um calendário de eventos anuais anunciando os dias das corridas, os locais dos eventos e os prêmios, tudo realizado de acordo com o regulamento inglês. Isto teria desencadeado um crescente interesse do público, que freqüentava os locais das corridas envoltas sob apostas, independentemente de classe social. 1821 A Sociedade Germania, fundada em 20 de agosto deste ano no Rio de Janeiro, já constitui um clube no estilo europeu distinto dos protótipos ibéricos. E como clube mais antigo do país, mereceu destaque em pesquisa de Da Costa (1993), ao esclarecer que a instituição foi efetivada quando da deflagração do processo imigratório no Brasil e visava à convivência social e recreativa desse grupo. Um total de 28 pessoas tomou parte de sua fundação, a qual, após quatro anos, passou a ter 72 sócios, sendo: 39 alemães, 11 ingleses, 5 suíços, 5 escandinavos, 3 franceses, 7 de nacionalidades não identificadas, 1 português e 1 brasileiro. Os jogos de salão, práticas preferidas da época, encontravam-se disponíveis nos poucos clubes da cidade e de acesso restrito à população através de mensalidades e regulamentos. Meados do século XIX A cidade do Rio de Janeiro, neste período, alcançava uma população de aproximadamente 200 mil habitantes. As colônias estrangeiras podiam ser vistas divertindo-se com jogos, até então desconhecidos, no British Cricket Club, em São Cristóvão, e no British Rowing Club, em Botafogo. O tiro ao alvo também já era explorado pelo imigrante em organizações como a Société du tir a la carabine . O desenvolvimento do esporte em clubes e estabelecimentos comerciais, uma novidade no meio urbano, exigia um comportamento social civilizado, inclusive atrelado, segundo Gilberto Freyre (1948), à influência do capital industrial e mercantil inglês. Os arredores da cidade passavam a ser explorados por passeios a cavalo seguidos de passeios a pé pelas matas. Essas atividades, hoje conhecidas como trial , enduro eqüestre e excursionismo, estavam estão em amplo crescimento ao redor da cidade do Rio de Janeiro, caracterizando uma difusão do esporte hípico no país. A equitação despontou ensinada por mestres a homens e mulheres. O banho de mar, a ginástica de aparelhos, a natação, o passeio campestre e a corrida encontram-se assimilados aos hábitos da sociedade que, segundo Renault (1982), mais esclarecida, utilizava essas práticas para a preservação da saúde. Esse relato mostra-nos novamente as atividades esportivas configuradas em sua essência para o atendimento dos cuidados 15.6 DACOSTA, LAMARTINE (ORG.). A T L A S DO ESPORTE NO BRASIL. RIO DE JANEIRO: CONFEF, 2006 com o corpo (fins higiênicos/saúde), considerando-se que as doenças epidêmicas rondavam o cotidiano da população. 1851 A difusão do remo ocorria através da organização do Grupo Mareantes de Niterói, fundado neste ano quando foi realizada sua primeira regata em três páreos: um, formado por canoas de um remo de pá tripuladas por pescadores e os outros, pelos seus associados. Após meados do século, começariam a ser programadas várias regatas por instituições civis e pela Marinha do Brasil. Depreende-se, desde já, uma prática esportiva como lazer (recreio) disponível à população. 1868 O esporte, um hábito social dos imigrantes, difundia-se como lazer. E, neste ano, a colônia portuguesa do Rio de Janeiro refletindo o que já ocorria com outras “colônias” estrangeiras da cidade, fundava a Real Sociedade Clube Ginástico Português, clube ainda existente nos dias atuais, criado por dois irmãos portugueses proprietários de uma “venda” na Rua do Hospício, hoje Rua Buenos Aires. O clube nasceu da vontade de se ter um lugar específico para se lutar esgrima. Década de 1870 A prática esportiva era visível, em torno de 1872, por práticas dos imigrantes ingleses de forma espontânea em áreas livres (públicas), como no Campo de São Cristóvão, no Campo de Santana (Praça da República) e nas vizinhanças da Rua General Polidoro (perto do Cemitério São João Batista). Ainda nesta década, surgia o Rio Cricket and Athletic Association em Niterói, impulsionando a prática do críquete, do tênis de quadra e sobre a grama. Nas praças e parques, áreas mais freqüentadas do Rio de Janeiro, podiam ser encontrados esportes como o críquete, a pelota basca, a patinação, o bilhar e o remo, com fins de recreio (lazer) e higiene. (Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Da Coleção Jardins Públicos da Cidade/Manuscritos, Vol. nº5, 1833/ 1903, folhas 16 a 18). A formação dos clubes nos moldes europeus (especialmente ingleses), um livre direito do cidadão no contexto sociocultural carioca, incentivava o desenvolvimento do esporte como lazer. Nesse sentido, surgia o Clube Guanabarense (atual Botafogo de Futebol e Regatas) em 9 de agosto de 1874, realizando a primeira regata dezoito dias após a sua fundação, o que, para Alberto Mendonça (1909), consolidava o remo. Neste mesmo ano, começaram as importações e construções de embarcações no país. O remo de escaleres de pá e vela crescia despertando interesse, com grande afluência de público aos locais de prática. Isto possibilitou o surgimento de clubes de remo por todo o país. A chegada regular de imigrantes de origem italiana respondia pelas primeiras referências à prática do jogo de bocha no Brasil. De inicialmente realizado em canchas nas capelas, foi também praticado em clubes e bodegas. Jogava-se a bocha principalmente nos encontros familiares dominicais como atividade de lazer. A partir desse mesmo ano ocorreria a intensificação da imigração no país. A patinação sobre rodas, prática acentuada dessa época, contava com professores que orientavam os jovens à sua iniciação e com um periódico publicado no RJ denominado Skating Rink, cuja edição de 26 de julho de 1878, permite observar a interpretação dada ao esporte na época: “O proprietário de Skating Rinks no intuito de tornar cada vez mais interessante aquele estabelecimento recreativo, que tão popular se tornou, vai instituir carreira de patinadores, onde cada qual poderá provar a sua perícia naquele divertimento” ( Skating Rinks ,1878). A prática esportiva implementava-se pela construção de velódromos adaptados e a criação de clubes, auxiliando, respectivamente, na disseminação do ciclismo e da ginástica de aparelhos, esportes em moda, em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O ciclismo, segundo Rocha (1975), despertou interesse com as competições promovidas nas estradas pelas indústrias fabricantes de bicicletas. O interesse comercial e publicitário das fábricas pelo esporte marcava o início da relação empresa/esporte, buscando a sua popularização, especialmente a do ciclismo no Brasil. Tal popularização ocorria de forma análoga à da Europa, embora a bicicleta por essa época fosse considerada um artigo de luxo. As competições de remo constituíam, contudo, o maior interesse da população. Daí serem assistidas de arquibancadas montadas pelo menos desde 1875. Este fato é comprovado através da solicitação do Club de Regatas Guanabarense à Câmara Municipal para a realização de sua regata anual na praia de Botafogo, em 10 de agosto daquele mesmo ano. Do pedido de realização do evento esportivo constavam a montagem e desmontagem de arquibancada e a solicitação de isenção de pagamento de impostos para a construção almejada. Justificava-se tratar de evento de interesse para o desenvolvimento físico dos associados e de vir a ser assistido por sócios e seus convidados, sem que houvesse venda de poules para apostas. (Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Documentação Avulsa/Sports e outros, Manuscritos 1872-1905). Décadas de 1880 – 1890 Desde cedo, o esporte encontrava-se nas mãos de comerciantes, o que o caracterizaria como um negócio. O turfe e o remo, os primeiros esportes organizados, tiveram seus eventos regidos por meio de apostas pelos clubes. Da mesma forma, no críquete, aconteciam apostas já em torno de 1872. As corridas a pé no Clube Brasileiro de Cricket, entre 1880 e 1886, também tiveram páreos corridos com a venda de poules. O futebol, em 14 de agosto de 1904, num jogo entre o Fluminense e o Paulistano, no Rio de Janeiro, teria pela primeira vez suas entradas cobradas em campos da cidade e, talvez, do Brasil (Neto:1952). A pelota vasca ou basca, de origem espanhola, era praticada dessa forma desde fins do século XIX. A presença de empresários no esporte evidenciava-se na formação de estabelecimentos denominados “Frontões”, “Boliches” e “Velódromos”, locais de diversão pública autorizados a funcionar desde que pagassem impostos à Municipalidade. Isso lhes gerava lucro e renda devido ao pagamento de entradas nos espetáculos competitivos, ao ensino da prática esportiva e ao envolvimento em apostas. Neste período, também os estabelecimentos de atividades esportivas orientados sob apostas sofreriam restrições de funcionamento e cobrança de altos impostos à Municipalidade. Isto gerou um documento intitulado “Memorial sobre Frontões”, enviado ao Prefeito do Distrito Federal em 24 de janeiro de 1899, expondo o seguinte: “Os Frontões, de origem espanhola, que exploram o jogo de bolas permitido por lei federal sofrem com a taxação de altos impostos e o impedimento de seu funcionamento diário. O funcionamento autorizado somente aos domingos, em decorrência de considerações expostas pelos Clubes de Corrida em 1895 à Municipalidade, criaram dificuldades para existência dos locais destinados a esse jogo e a reposição dos altos investimentos realizados. Aqueles viam com maus olhos a acolhida do povo pelo novo divertimento esportivo, o que levou a que o Conselho Municipal tomasse medidas restritivas ao jogo em lei de 1895. O pedido solicitava a dilatação do horário de funcionamento diurno aos domingos, feriados e santificados e nos dias úteis após as seis horas da noite. Confiava a que fosse dada eqüidade de condições pelas funções esportivas dos Frontões em comparação aos Velódromos e Boliches que pagavam um pequeno imposto, considerando para tal pedido ser aquele um dos esportes mais universalmente aceitos, inclusive por exigir o concurso de profissionais para o seu ensino, o que também gerava empregos e impostos para a Municipalidade”(...) “A atividade de jogos de bola contribuía para o desenvolvimento da força física e ao mesmo tempo, era um excelente exercício higiênico ao dispor de todas as classes sociais. Do pedido ainda consta que os Frontões de Niterói e São Paulo fazem grande concorrência pelo motivo de funcionarem todos os dias, inclusive sem pagar impostos. Normalmente no pedido de licença para organização pública de jogos, propunha-se que o produto líquido de um espetáculo no ano fosse revertido para a Municipalidade ou instituição a que aquela designar” (Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Diversões Públicas/ Manuscritos, 1891 a 1899). A relação do esporte com apostas era explicada em junho de 1894 no parecer do Visconde de Ouro Preto à Municipalidade, o qual afirmava a falta de competência desta para proibir as apostas, uma vez que elas seriam o principal atrativo de diversos gêneros de esportes. Segundo o Visconde, as atribuições da Municipalidade deveriam se limitar ao estabelecimento de regulamentos para a segurança, higiene e polícia dos estabelecimentos em que os ditos jogos fossem franqueados ao público, a fim de evitarem perigos e abusos. Concluía afirmando que tais atividades eram consideradas lícitas de acordo com a Constituição Federal (Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Diversões Públicas, 1891 a 1899, 40-41). Uma exceção ao sistema de apostas do esporte comercializado e aos clubes, surgiu em 1893 com a Associação Cristã de Moços-ACM ao se instalar no Rio de Janeiro. Tratava-se de uma entidade de apelo religioso para qual o esporte era uma atividade essencial. Como tal a ACM passou a influenciar as práticas esportivas na cidade e depois em várias regiões do Brasil. Deve-se à ACM a introdução no país do basquetebol e do voleibol, até hoje parte das preferências nacionais esportivas. Nos anos de 1880-1890, o remo consolidou-se na cidade do Rio de Janeiro, o que, segundo Edmundo (1957:843), “servia para demonstrar como se intensifica, então, o gosto pelos esportes náuticos”. A institucionalização deste esporte começara na década anterior pela criação do Club Náutico Saldanha da Gama (1876). Seguiram-se, então, o Club de Regatas Cajuense (1885); o Club de Regatas Internacional (1887); o Union des Canotiers (1892); o Grupo de Regatas Gragoatá, o Clube de Regatas Icarahy e o Clube de Regatas Flamengo (1895); o Club de Natação e Regatas (1896), que mais tarde teria a incorporação do nome Santa Luzia; o Club de Regatas Boqueirão do Passeio (1897); o Clube de Regatas Vasco da Gama (1898) e o Club de Regatas Guanabara, no ano seguinte. Neste período, tiveram início de forma tímida os banhos de mar na Praia das Virtudes (hoje, Parque do Flamengo) e se consolidou a percepção da utilização de logradouros públicos, como praças e parques, para a prática esportiva com fins de recreio e higiene (entretenimento e passeio ao ar puro). Desde 1857, discutia-se a importância de espaços públicos para essa finalidade, como na carta escrita por João Maria Colaço de Magalhães, o Visconde de Condeixa, ao Dr. João de Oliveira Fausto, presidente da Câmara Municipal. Na ocasião, o Visconde descrevia o que vira nas praças da Inglaterra e solicitava melhoria no Campo de Santana, o qual deveria ser utilizado pelos habitantes no atendimento a esses fins. (Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Jardins Públicos/Manuscritos, 1833 a 1903). Denota-se, assim, o início da relação entre o esporte e o poder público em benefício da população. Nos anos de 1890, a fim de tornar a atividade esportiva uma fonte de negócio em locais públicos, os comerciantes justificavam-se perante a Municipalidade: “O povo seria o grande beneficiado por fazer um exercício higiênico e de vigor que influísse na saúde e no caráter do homem, uma diversão tão em falta nesta Capital, mas amplamente praticada nas principais cidades européias”. Tais exercícios eram esgrima, ginástica, equitação, corrida a pé, velocípedes, regatas e tiro ao alvo que já estavam incorporados aos costumes locais e assim eram citados nos jornais e revistas da cidade. (Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Diversões Públicas/ Manuscritos, 1870 a 1899, p.113 e Diversões, 1893). Décadas de 1900 – 1920 A primeira entidade de direção do futebol na cidade do Rio de Janeiro nascia nos idos de 1905, com a criação da Liga Metropolitana. Dentre seus fundadores encontravam-se: o América F.C., o Bangu A.C., o Fluminense F.C., o Botafogo F.C. e o Foot-Ball Athletic Club. Posteriormente ingressaram na Liga: o Rio Cricket e o Paysandu Cricket Club. Porém, a primeira competição interestadual de futebol havia ocorrido quatro anos antes, em São Paulo, entre paulistas e cariocas, ocasião em que jogaram e empataram por duas vezes (1x1 e 2x2). Um ano após a fundação da Liga Metropolitana, ocorria o primeiro campeonato carioca de futebol, vencido pelo Fluminense F.C.. A primeira disputa interestadual de futebol, no Rio de Janeiro, acontecia com o jogo entre o Paulistano e o Fluminense, em 1902. No ano seguinte, apareceria a primeira arquibancada no Fluminense Football Club. Na época em apreciação, as competições esportivas já eram assistidas por um grande público, o que comprova o interesse da sociedade carioca pelo esporte. As condições de acomodação em arquibancada coberta – sociais – encontravam-se disponíveis a uma pequena assistência privilegiada. A maioria das pessoas ficava de pé durante o evento: ao redor do campo, no futebol, e na beira da orla marítima, no caso do remo. Para Azevedo (1930:33), o poder de “atração irresistível” das multidões vulgarizou o futebol e auxiliaria a juventude a praticar outros esportes. Neste estágio, início do século XX, o governo municipal implementou um amplo programa de urbanização no Rio de Janeiro. Obras arquitetônicas de prédios públicos no estilo parisiense, alargamentos e embelezamentos (com o aparecimento de estátuas, jardins, praças, pavilhões de regatas, teatros e avenidas) encontravam-se entre as reformas pensadas a partir de um padrão estético de modernidade e do controle e erradicação de epidemias. A Avenida Central (hoje, Avenida Rio Branco) passou a ser o modelo da modernidade da cidade: nela foram situados os novos prédios do Teatro Municipal (similar ao da Ópera de Paris), a Biblioteca Nacional e o Museu de Belas Artes, como também órgãos governamentais, edifícios de empresas nacionais e estrangeiras, recreação, lojas de artigos de consumo europeus, igrejas e instituições literárias e de artes. Em um de seus cruzamentos, encontrava-se a Rua do Ouvidor, com livraria, cafés e confeitarias, e como tal constituindo o ponto de encontro de intelectuais e artistas. Quanto aos esportes, as novidades eram o halterofilismo e o culturismo, os quais surgiram em circos e teatros de variedades, mas no Rio de Janeiro foram adotados pelas classes mais altas destacando-se a figura de Floriano Peixoto, filho do então Presidente da República do Brasil. Já em 1904, de acordo com Paulo Azeredo (1948), foram realizadas provas da modalidade em São Paulo entre o Clube Atlético Espéria e o Clube de Regatas São Paulo. Em 1906, no Rio de Janeiro, teriam sido exibidos no Parque Fluminense (área pública próximo ao Largo do Machado, que inclusive localizava-se uma pista de patinação) por um grupo de lutadores chefiados por Paul Pons. Por essa época, iniciavamse os esportes de luta (artes marciais), como o jiu jitsu, através dos imigrantes de origem japonesa, estabelecidos no país. A participação das classes média e pobre no esporte, representadas pelos empregados do comércio, isto é, “os caixeiros”, é ressaltada por Francisco Rainho. Para ele, tal presença já se fazia sentir lentamente nas atividades sociais e esportivas dos clubes desde o início do século. As evidências estavam presentes na criação dos clubes e na maior oferta da prática esportiva, especialmente do futebol, que influenciava e era influenciado pela sociedade nos anos de 1900 e de 1910. A formação da equipe do Bangu Atlético Clube (formado oficialmente em 1904 por técnicos ingleses e operários de uma fábrica de tecidos), clube dos subúrbios do RJ foi uma primeira sinalização da adesão das classes populares ao esporte, com futebol à frente. Desde o século passado, podia-se observar o esporte nos clubes ao alcance da população, independentemente de classe social. Este fato evidencia-se através da própria ACM e do Club Recreativo Dezessete de Julho, fundado em 1884, portanto muito tempo antes da criação da ACM do RJ. Através do seu estatuto, podemos verificar que os sócios tinham distrações adequadas para recreio, como leitura de bons livros e jornais, palestras e jogos. No artigo n°48 das Disposições Gerais/Cap.XI do referido diploma legal constava: “Os salões da sociedade serão todas as noites franqueados aos sócios seja qual for a sua categoria.” (Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, Diversões Públicas/ Estatuto/Manuscritos, 1884-1885, 1-9). Segundo Inezil Penna Marinho (s/d), o futebol desenvolvia-se em relação aos demais na década de 1910, sendo praticado regularmente nos clubes em várias regiões do país. O Sport Club Rio Grande, de Porto Alegre, e a Asssociação Atlética Ponte Preta, de Campinas, surgidos em 1900, eram clubes especializados nesse esporte. As equipes de futebol surgidas de clubes oriundos da prática do remo, os clubes de “elite” (que disputavam competições oficiais e procuravam bons jogadores nas equipes dos bairros) e a cobrança de ingressos da assistência levaram os torcedores a exigirem vitórias. Desse modo, a classe social passou a ser o que menos importava, prevalecendo o desejo de vencer diante da crescente rivalidade que surgia. Introduzido por ordens religiosas e clubes ingleses ao longo da segunda metade do século XIX, o futebol teve um início elitista, racista e excludente (esporte de branco e da classe alta). Era praticado em clubes fechados, colégios seletos e por empresas estrangeiras com acesso exclusivo de estrangeiros e estudantes da classe alta. Porém, ainda na primeira década do século XX, o futebol daria mostras da democratização no esporte, permitindo a participação de jogadores negros, operários e empregados do comércio nas competições esportivas. Eduardo Galeno (1995) conta-nos uma passagem do futebol descrita na revista “Sports”, do Rio de Janeiro, em 1915, a qual retrata a visão da classe alta da época: “De modo que nós que freqüentamos uma Academia temos uma posição na sociedade, fazemos a barba no Salão Naval, jantamos na Rotisserie, freqüentamos as conferências literárias, vamos a five o’clock... somos obrigados a jogar com um operário, limador, torneiro mecânico, motorista e profissões outras que absolutamente não estão em relação com o meio onde vivemos. Nesse caso a prática do esporte torna-se um suplício, um sacrifício, mas nunca uma diversão”. Em resumo, o futebol no Rio de Janeiro passou a ser jogado livremente nas ruas, várzeas, praias e escolas, independentemente de classe social e com qualquer tipo de bola. Sob a forma de “pelada”, era uma atividade livre, uma forma de lazer. Foi esse fator organizacional e ao mesmo tempo espontâneo que possivelmente constituiu uma das razões do futebol a perder seu caráter amador, ingressando no profissionalismo após os anos 1920 e transformando-se em esporte de expressão nacional. Outra conseqüência da popularização do futebol foi a aceitação do esporte como prática social em logradouros públicos, o que nas décadas seguintes – anos de 1970 em diante – viria a facilitar a adoção das atividades físicas em geral da população carioca. Algo semelhante ocorreria com as praias: os banhos de mar praticados pelas elites inicialmente começaram a se popularizar com a chegada dos bondes elétricos na zona sul do Rio de Janeiro via túnel Alaor Prata, aberto na década de 1910. A prática esportiva do futebol e de outros esportes dispunha, segundo Fernando Azevedo (1930:50), de equilíbrio, razão, força e disciplina e não de decadência moral, como alguns queriam caracterizá-lo. Diante das acusações à juventude de excessos de linguagem, de atitudes inconvenientes e de haver deposto os livros para jogar bola, remar e correr, descuidando-se da cultura intelectual para se entregar à da força, Azevedo perguntava-se: “Será que a atividade atlética que tanto tínhamos depositado esperanças de ver renascer as energias pátrias e a regeneração da raça era ao contrário um fator de decadência moral?” Para ele, os exageros cometidos pela juventude poderiam ser resolvidos com uma Educação Física integrada ao sistema de educação geral. Azevedo (1930:40) confirma-nos a influência da atividade esportiva sobre a juventude e a multidão ao dizer que o esporte, particularmente o futebol, “falou à emotividade durante os dois primeiros decênios de nosso século e preparou para o advento da athletica” (“o atletismo e outros esportes, como quiserem”). Em termos institucionais, os esportes das décadas de 1910 e de 1920 desenvolveram-se via formação de entidades federativas, inclusive de caráter nacional. Da reunião de representantes da Federação Brasileira das Sociedades de Remo, da Comissão Central de Concursos Hípicos, do Automóvel Clube do Brasil, do Clube Ginástico Português, do Centro Hípico Brasileiro, do Iate Clube Brasileiro e do Aero Clube Brasileiro, entidades de cunho privado e até mesmo de nível nacional, surgia a Federação Brasileira de Sports (1914). A essa entidade caberia organizar o esporte amador e formar os melhores atletas nas representações brasileiras em Jogos Olímpicos. Também com essa finalidade, nascia um Comitê Olímpico Nacional (1913) provisório e apoiado pelo Jornal do Brasil. Em 1916, a Federação Brasileira de Sports se transformaria em Confederação Brasileira de Desportos – CBD, entidade eclética maior do esporte brasileiro. Com este arranjo institucional, o poder político do esporte brasileiro se instalou no Rio de Janeiro. Contudo, surgiram os primeiros conflitos no esporte nacional com tal concentração institucional, começando com a contestação da Federação Brasileira de Sports pela Liga Paulista de Football, que anunciava uma Federação Brasileira de Futebol como mais legítima. O impasse necessitou da intervenção do então Ministro das Relações Exteriores, que mediou o conflito entre as duas federações, considerando-se que o país logo iria disputar o Campeonato SulAmericano de Futebol, em 1919. Mas tais confrontações prosseguiram até 1941 quando o Governo Federal interviu no esporte organizado de todo o país, disciplinando filiações e diluindo disputas regionalistas. De resto, a década de 1920 deu continuidade às iniciativas e mudanças originadas nos anos de 1910, porém houve surgimento de “academias” na cidade com base em protótipos criados em anos anteriores. Esta inovação consistia em serviços pagos de ginástica, halterofilismo ou lutas geralmente liderados por imigrantes monitores ou mesmo professores. Décadas de 1930 – 1940 A prática esportiva no início deste período ainda refletia a busca de afirmação individual vinda de uma tradição que prestigiava a força física e um certo valor estético de formação corporal rígida. Porém, tornava-se progressivamente clara uma tendência a uma participação coletiva na qual o futebol manifestava-se como modelo e o sentido recreativo como seu conteúdo e valor social. Assim, o futebol crescia no Rio de Janeiro seguido de uma prática de menor intensidade de esportes tais como no tênis, atletismo, basquetebol, voleibol, remo e natação (A.B.E:1930:14). A Associação Brasileira de Educação-ABE reconhecia, na época, o esporte como um campo vasto da Educação Física e considerava que, mesmo diante do número reduzido de praticantes, aquele já influía na reforma dos hábitos da população. Gastão Mariz de Figueiredo confirma-nos a posição emitida pela ABE sobre o desenvolvimento do esporte no país. Segundo ele, nas primeiras décadas do século XX, as competições esportivas ainda eram esporádicas, com um pequeno grupo de atletas participando de vários esportes, situação que perdurou até meados do século. O próprio Gastão competia no remo, na natação, no basquetebol e ainda jogava pólo aquático na Lagoa Rodrigo de Freitas, tempo em que suas águas eram limpas. A especialização no esporte somente começaria a ser definida mais tarde, possivelmente em função da exigência cada vez maior de dedicação aos treinamentos a fim de se alcançar o alto rendimento nas competições, o que levaria a um maior envolvimento pessoal e / ou ao profissionalismo. A década de 1930 assistiu a subida do Estado Novo (nome oficial do regime implantado pelo Governo Vargas) ao poder, o qual DACOSTA, LAMARTINE (ORG.). A T L A S DO ESPORTE NO BRASIL. RIO DE JANEIRO: CONFEF, 2006 15.7 pretendia melhorar os costumes políticos e levar o país a novas realidades sociais e econômicas. Instaurava-se então o populismo, com ênfase na mobilização das massas e nos aspectos nacionalista e desenvolvimentista. A organização da sociedade, objetivada pelo Estado Novo, apoiava-se nas reformas de uma nova lei eleitoral e de uma legislação social, na reorganização da justiça e da educação e na implantação definitiva do capitalismo vinculado ao desenvolvimento social. O Estado organizava as classes sociais, não abrindo mão do controle sobre elas. Contudo, favorecia a classe trabalhadora, que obtinha conquistas como: contratos coletivos, salário mínimo, jornada de trabalho de 8 horas (limite máximo) e criação de sindicatos por classes, subordinados ao poder público. Nesse momento, segundo Prost (1992), as classes menos favorecidas conquistavam o trabalho assalariado e um maior tempo em sua vida privada. Isto conseqüentemente proporcionava maior tempo para se adquirir o hábito de assistir e praticar esportes e ter opções de lazer. Intensificava-se um crescimento industrial na direção da produção de bens de consumo e, em menor escala, de equipamentos para atender à demanda do mercado interno, ocasionando um aumento da capacidade de produção e da acumulação de divisas estrangeiras. As universidades e a cultura desenvolviam-se através de um re-ordenamento da sociedade civil. A política do governo, apoiada no povo e na burguesia das grandes cidades, desenvolviase contra os proprietários de terras, conseguindo com isso neutralizar a ação dos coronéis. As concepções políticas estavam inspiradas nas idéias corporativistas e autoritárias do regime fascista. Uma elite intelectual formada por técnicos, políticos, empresários e militares conduzia o país ordenadamente visando a interesses nacionais, com a participação do povo. Na área da educação, um processo de reformas instalado antes do Estado Novo ganhava sentido pela oferta de maiores oportunidades de educação à população, preparando-a para assumir o papel produtivo no desenvolvimento do país. Assim, a Associação Brasileira de Educação (1930) havia se pronunciado através de pareceres e inquéritos, demonstrando sua preocupação com a melhoria da Educação Física, a começar com professores qualificados. Em resumo, o período do Estado Novo marcou definitivamente o esporte e a Educação Física escolar do país, dando-lhe uma valorização explícita bem maior do que os governos anteriores. Nestas condições, o Exército Brasileiro criou no Rio de Janeiro, em meados dos anos de 1930, as chamadas “Colônias de Férias” que reuniam escolares – adolescentes e jovens de ambos os sexos – em jogos e esportes em quartéis e praias durante suas férias. Este modelo de mobilização esportiva teve sucesso e foi progressivamente sendo implantado em todo o país. Outra conseqüência discernível do modelo foi o uso intensivo das praias cariocas como locais de treinamento e práticas esportivas, o que também se tornou uma realidade permanente. Em relação a este mesmo período há testemunhos orais de que o futebol se instalou nas areias das praias do Rio de Janeiro assumindo um cunho típico destes locais. Mais uma vez, o RJ fez-se constar como local de experimentações de esportes ajustados ao meio social e físico local. Décadas de 1950 e 1960 Um grande crescimento urbanoindustrial levaria ao aumento da densidade populacional da cidade do Rio de Janeiro nos anos de 1950. No país como um todo transcorria um estágio de acelerado desenvolvimento econômico, com construção de grandes obras públicas (rodovias e eletrificação) e diversificação da rede de escolas no país. Nesse momento, surgiam estatais como a Petrobrás e uma nova lei sobre o salário mínimo, estabelecendo-se um tempo de prosperidade na sociedade brasileira. As transformações econômicas empreendidas também influenciaram o campo político, educacional e cultural e impulsionou a música, a poesia, o teatro e o cinema. Na educação, em especial na Educação Física, um intercâmbio de profissionais da área e a formação de cursos técnico-pedagógicos disseminava novos modelos didático-pedagógicos. Nesse sentido, o Método Desportiva Generalizada – MDG abriria perspectivas para um maior desenvolvimento do esporte na escola, principalmente dos coletivos (esportes de massa). Tal contexto favorável levou à instituição da Campanha Nacional de Educação Física pela Divisão de Educação Física-MEC, cujo Diretor era o professor Alfredo Colombo. Essa Campanha, realizada nas praças, ruas e praias, proporcionou uma iniciação esportiva à população, segundo comunicação pessoal do professor José Ferreira da Silva (1997). Reconhecido como “Ruas de Recreio”, “Praias de Recreio” e “Ruas de Lazer”, esse evento contou com a cobertura do jornal “O Globo”. A partir dessa época, surgiram algumas competições esportivas que marcaram a 15.8 DACOSTA, LAMARTINE (ORG.). A T L A S DO ESPORTE NO BRASIL. RIO DE JANEIRO: CONFEF, 2006 sociedade carioca, como os Jogos da Primavera, em 1949 (para meninas até 15 anos); os Jogos Infantis, em 1951 (até os 15 anos), e os Torneios de Pelada do Aterro do Flamengo, iniciados em 1966. Esses eventos, promovidos pelo “Jornal dos Sports”, levariam a uma maior mobilização da população carioca, ao aparecimento de talentos e a um maior envolvimento das empresas privadas no setor esportivo. Denota-se isso na criação de espaços públicos, como o Estádio do Maracanã – a maior instalação esportiva do mundo à época – , assim como na construção de equipamentos esportivos (como quadras e ringues de patinação) em praças da cidade. O desenvolvimento econômico trouxe expansão do consumo. A ordem de consumo instalada levou à aquisição de novos hábitos e comportamentos, disseminados pelos meios de comunicação, em especial pela televisão. Apoiados por comerciantes e viabilizados através de anúncios publicitários, relações públicas e marketing, os meios de comunicação permitiriam a difusão de novas concepções higiênicas e estéticas ao alcance da população. Entre os novos hábitos e comportamentos valorizados encontravam-se a prática de atividades esportivas (como ocupação de lazer realizadas regularmente), as dietas e o asseio do corpo em clubes e academias, que começavam a proliferar. Os cuidados com o corpo, a higiene e a beleza passaram a ser produzidos por comerciantes, não mais por médicos e moralistas. A divulgação da prática esportiva como um gênero de lazer padronizado e passivo implementava-se através da televisão, um instrumento de massas, que se tornaria, a partir de então, de divulgação universal do esporte. O crescimento da cidade do Rio de Janeiro, dinamizado com a realização de grandes obras viárias e habitacionais, expandia a cidade de norte a sul. Nessa perspectiva, a relação esporte/ urbanização podia ser vista na criação de logradouros públicos – como o Parque do Flamengo (Aterro), oficialmente denominado como Parque Brigadeiro Eduardo Gomes. Garantia-se, assim, o acesso da população carioca à prática esportiva de lazer gratuita e junto à natureza. O esporte foi também estimulado pela criação da Loteria Esportiva, instituída para gerar recursos ao setor e que veio a concorrer para a formação de um novo quadro esportivo brasileiro. A Loteria Esportiva Federal, como um grande instrumento impulsionador do esporte, destinava 6,75% de sua receita para a aplicação em programas de Educação Física e Desportos. Nessa ocasião, podia-se observar a valorização do esporte, segundo Mello e Souza (1984), através das lideranças políticas “que não o consideravam uma coisa séria”. Com o passar dos anos, esses recursos seriam fragmentados e direcionados principalmente para a Previdência Social e outros programas e reduzidos para o esporte. Um Diagnóstico da Educação Física/Desportos no Brasil, instaurado pelo Estado em 1969/1970 através do convênio entre o Departamento de Educação Física do MEC e o Centro Nacional de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento e Coordenação Geral, permitiu identificar fatos positivos e negativos a respeito do esporte em âmbito nacional e no Rio de Janeiro. Tal estudo, coordenado pelo professor Lamartine DaCosta, serviria de base na reformulação das políticas públicas. Entre as constatações destacouse a expansão de clubes no RJ, sendo esta de três a cinco vezes maior nos períodos de 1901/1930 e 1931/1960, segundo dados do Diagnóstico/1971. Na cidade do Rio de Janeiro, antiga Guanabara, entre as 244 associações desportivas (clubes) informantes da pesquisa, a proporção de clubes fundados aumentou de 47 para 133 entre essas épocas. Ainda no RJ, as modalidades mais praticadas segundo o levantamento eram o futebol, o futebol de salão, a natação, o voleibol, o basquetebol, o tênis de mesa e o judô. Décadas de 1970 e 1980 Este período corresponde à plena valorização das atividades físicas no Brasil a partir de valores testados no Rio de Janeiro em primeira instância. O primeiro experimento bem sucedido foi o chamado Método Cooper, trazido ao país por Neri Nascimento, Manoel Tubino e Cláudio Coutinho, que se popularizou devido aos resultados apresentados durante sua aplicação no selecionado brasileiro tricampeão de futebol, no México. Esse método, fundamentado principalmente na prática massificada da corrida de rua, objetivava o desenvolvimento da aptidão física, satisfazendo não só a aparência física, mas principalmente a manutenção da saúde e do prolongamento da vida útil. A corrida, a caminhada a pé e o andar de bicicleta tornavam-se hábitos na vida cotidiana do RJ e de diferentes regiões e cidades brasileiras, inclusive pela demarcação de praias e caminhos, e pela divulgação nos meios de comunicação. Um outro movimento esportivo de dimensões mundiais, apoiado na publicidade e nos meios de comunicação penetrava no país – o Esporte Para Todos – EPT. Inicialmente concebido na Noruega com a denominação “TRIMM”, abria perspectiva para a valorização do esporte por meio de eventos, informação à população e uso intensivo da mídia. Como um fato consumado, o EPT produziu uma ampla adesão, em especial na camada mais pobre da população, ampliando a oferta da prática esportiva à sociedade antes mesmo da existência de uma legislação favorável. A implantação do EPT no país tornouse possível após o lançamento de uma campanha nacional liderada por Lamartine DaCosta. Entre as heranças da Campanha EPT na sua versão do RJ, situa-se o fechamento do trânsito em ruas dedicadas ao lazer e a caminhadas, o que se fixou como tradição hoje ainda respeitada no Parque do Flamengo e na orla de praias que se estende de Copacabana ao Leblon, e da Barra da Tijuca ao Recreio dos Bandeirantes. A Campanha “MEXA-SE”, promovida nacionalmente pela TV Globo e que antecedeu o Movimento EPT, foi produzida no RJ, também deixando como herança a própria denominação que se fixou na língua falada no Brasil como sinônimo de atividade física de lazer. Em 1988, todos estes movimentos de popularização de práticas físicas de saúde e de lazer foram consagrados pela nova Constituição Federal: no artigo 217, o esporte em suas distintas manifestações, passou a ser direito de todos. E as atividades físicas, em conseqüência, assumiram uma renovada conceituação, aumentando assim sua abrangência social. Situação atual As décadas de 1990 e de 2000, esta em seus primeiros anos, confirmaram e deram continuidade à vocação do Rio de Janeiro como cidade esportiva e de lazer voltado para a natureza da cidade, sobretudo suas praias. As preferências esportivas da população da cidade neste período podem ser apreciadas na Tabela 1 encontrada adiante. Neste painel de opções há que considerar a influência da mídia, a qual mostra-se distinta da prática. Esta última pressupõe escolhas de acordo com a oferta de espaços públicos, sobretudo praias. Daí a natação ter a maior preferência de prática e marcar a 11a posição na audiência de mídia. Já o futebol tem uma segunda classificação na mídia, mas aparece em quinto na prática, pela crescente dificuldade na busca de locais apropriados. Em termos de novas modalidades, a pesquisa listou apenas o skate por ter ofertas urbanas, foco escolhido pelo levantamento. De qualquer modo, a vocação esportiva dos cariocas parece se expressar mais objetivamente pela oferta de locais disponíveis na cidade. A Tabela 2 apresenta um resumo destas ofertas enfatizando a redução no número de clubes de grande porte na cidade nas últimas três décadas, o que pode significar tanto um decréscimo em razão das crises econômicas dos últimos anos, como transferência de interesses de lazer para outras ofertas. A rede de ciclovias expandida no período em foco confirma a sugestão da influência dominante dos equipamentos urbanos disponíveis, pois se irradiaram das praias para o interior da malha urbana da cidade, criando uma circulação “esportiva” além da função de transporte popular. O fato novo do período – e não examinado na investigação de 1999, acima citada – foi a expansão dos chamados esportes radicais ou de aventuras, que encontraram na cidade um dos seus melhores sítios de práticas em todo o mundo. Esta versão esportiva carrega uma grande emoção, risco de vida e exige a superação dos próprios limites. Dentre tais esportes podemos citar: a asa delta e o parapente (vôo livre); o mountain bike; o skate; o windsurfe; o bicicross; o jet ski; o surfe o ultraleve. Denota-se, com isso, um aumento no número de esportes praticados e também um movimento de incorporação dessas novas práticas de sentido ecológico pela sociedade. Ocorre que além de extensas praias, o Rio abriga a maior floresta urbana do mundo, com montanhas próprias para escalada e para suporte de diversas modalidades de aeroesportes, gerando vantagens incomparáveis em termos internacionais com relação aos esportes de versões radicais. Estas condições excepcionais levaram o planejamento urbano da cidade a se orientar pelas funções exercidas pelas praias e pela floresta do maciço da Tijuca na vida da cidade. Por isso, o plano de transformações da cidade para os Jogos PanAmericanos em 2007 e para a candidatura como sede de futuros Jogos Olímpicos – destacando-se o sistema de transportes urbanos – já estão considerando este legado da natureza localizado no Rio de Janeiro. O outro legado não tangível para o planejamento físico da cidade – mas fundamental para se obter o apoio da população –, consiste nas tradições esportivas locais que incorporam um século e meio de iniciativas pessoais, comunitárias, governamentais e empresariais, segundo o trajeto de fatos de memória aqui antes percorrido. Tabela 1 / Table 1 Preferências esportivas da população do RJ por opções da mídia e da prática, 1999 Sports preferred by RJ population measured by media and practice options–1999 Tabela 2 / Table 2 Cidade do Rio de Janeiro / Rio de Janeiro City, 1999 Áreas, instalações e empreendimentos de prática de esportes e ofertas de lazer Areas, facilities and enterprises for sports and leisure Praias por extensão de oferta (Região Administrativa) – total 79,3 km / Beaches (1) • Botafogo – 3,5 km • Copacabana – 4,2 km • Ramos – 0,7 km • Santa Cruz – 5, 8 km • Ilha do Governador – 25,4 km • Paquetá – 6,0 km • Barra da Tijuca – 21,2 km • Guaratiba – 4,5 km Áreas de praças, jardins e parques x habitante / average green area vs inhabitant (2) • 304 922 970 m2 / 5 551 536 habitantes = 54,9 m2 Ofertas de lazer e de atividades físicas / Leisure and physical activities offers (3) • Museus – 79 • Teatros – 104 • Cinemas – 122 • Centros culturais – 67 • Bibliotecas públicas – 79 • Casas se espetáculos – 50 • Shopping centers – 26 • Clubes de grande porte – 190; total em 1971: 244 (4) • Academias de ginástica – 1700 (5) • Parques temáticos – 5 • Escolas de samba – 11 Fonte / source: Garrido, F., “Tendências da cultura esportiva no Rio de Janeiro: uma análise da mídia e das práticas de esportes”. Dissertação de mestrado – UGF / RJ, 1999. (1) Levantamento feito no “Esporte Espetacular”,TV Globo, com 26 programas; “Stadium”, TV Educativa, com 13 programas; e 14 quadros de programação geral, incluindo o gênero esportivo, de acordo com faixas horárias (manhã, início da tarde, tarde, noite, fim de noite e madrugada). (2) Levantamento feito em 26 locais e instituições de ofertas de práticas esportivas como lazer do RJ, selecionadas de modo a cobrir a área urbana da cidade. Nesta delimitação não foram incluídas atividades de florestas e montanhas. Fontes / Sources Araujo, R. M. B. (1995). A vocação do prazer: a cidade e a família no Rio de Janeiro republicano. Rio de Janeiro: Rocco. Areno, W. (1996). A Educação Física e os Desportos no Rio de Janeiro de 400 anos: Rio de Janeiro. Assessor. (1982). Esporte e Publicidade. Rio de Janeiro. Associação Brasileira De Educação. (1930). A Educação Physica no Brasil. Rio de Janeiro: Marcelo & Cia. Associação Cristã De Moços. (1899). 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