Lazer e esportes no Rio de Janeiro – RJ
FERNANDO GARRIDO
Leisure and sports in Rio de Janeiro-RJ
The city of Rio de Janeiro has quite a few traditions related to
sports and leisure activities that date back to the beginning of
the 19th century, inherited particularly from immigrants that
belonged to groups other than the predominating Portuguese and
Spanish. Germans founded the first club of games and sports in
1821. The British introduced horse racing in Rio de Janeiro in
1816. It caught on so well that it became a regular activity as of
1851, attended by 4,000 people when the total population of the
city at that time was of 200,000 inhabitants. The British clubs
then encouraged the practice of cricket and rowing in the 1850s.
Rowing, in particular, became such a popular sport, expanding
around the already established clubs attended by Brazilians, that
the public that attended rowing competitions was larger than any
other social activity in the city. Skating, indoor cycling and the
Spanish fronton also became popular around 1875 with bets in
cash. The Associação Cristã de Moços (Young Men’s Christian
Association-ACM), founded in Rio de Janeiro in 1893, did not
follow the models of either the already existing clubs or the betting
system of commercialized sport. Instead, ACM started to
influence the various sports practices in the city and later on in
the many other regions of Brazil. In addition, ACM brought
basketball and volleyball to Brazil, which still are national
preferences in sports today. In the first half of the 20th century,
sports were consolidated through institutions (clubs, federations,
and government agencies) and soccer started to have a very
popular appeal, with masses of people going to stadiums to watch
the ‘game spectacle’, encouraging large adherence of the media.
From the 1950s to the 1990s, a number of other sports were
introduced into the city life and have become the city’s trademark,
especially concerning the use of streets, parks and beaches as
places for practice. The decades of the 1990s and early 2000s
have confirmed and given continuity to the vocation of Rio de
Janeiro as a city of sports and leisure privileging nature,
particularly its beaches. The sports preferences of the Cariocas
(people from Rio de Janeiro) within this period can be observed
in Table 1, which includes skating as the new urban offer while
Table 2 shows the offer of available places in the city. The network
of bikeways expanded during this period suggests the dominating
influence of urban facilities available as the bikeways go along at
the beaches and then towards neighboring districts, creating a
‘sporting’ transit system besides the function of popular
transportation. The new fact of the period 1990-2000s, not
examined in the 1999 investigation cited above, was the growth of
the so-called extreme sports or sports of adventure, which found
the best places for practice in Rio de Janeiro. Besides the extensive
beaches, Rio de Janeiro has the largest urban forest in the world,
with mountains for sports such as mountaineering and with support
for the various disciplines of air sports. That generates incomparable
advantages for extreme sports in international terms. These
extraordinary conditions for sports found at the beaches and in
the Forest of the Maciço da Tijuca (Tijuca Mountains) have sculpted
the urban planning of the city and enormously influenced the sports
culture and the life of the population. For this reason, the plan of
transformations of the city for the Pan-American Games of 2007
and for the candidacy of Rio de Janeiro as host city /headquarters
of the future Olympic Games – featuring the system of urban
transportation – takes into consideration the natural endowments
of Rio de Janeiro and the legacy of local sports traditions that add
a century and a half of personal, community, governmental and
entrepreneurial initiatives.
Definições e Origem Na cidade do Rio de Janeiro desde o
início do século XIX, o esporte surgiu na vida social como um hábito
de lazer distintivo dos imigrantes (estilo de vida). Nos primeiros
clubes surgidos na cidade, as práticas esportivas preferidas eram
os jogos de salão. Na segunda metade do século XIX,
transformações sociais favorecidas pela entrada de capitais
internacionais possibilitaram a melhoria da indústria e do comércio,
gerando crescimento econômico. Nascia um mercado consumidor
decorrente do crescimento populacional e do surgimento do
trabalho assalariado. Embora de modo insuficiente, houve
urbanização e a melhoria dos meios de transporte e de
comunicação, o que contribuiu para o despertar de uma vida social
urbana mais ativa. A cidade nesta época era a capital do Império
Brasileiro e seu centro urbano de maior importância, irradiando
costumes para as demais regiões do país.
prados e vice-versa quando estes viabilizaram a expansão das
linhas. Após a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), o
crescimento industrial e econômico do país levava à expansão do
mercado consumidor, apoiando-se nos meios de comunicação e
na publicidade ainda que de forma tímida. O esporte dinamizavase pela busca de resultados nas competições e a formação de
clubes e entidades dirigentes, passando a interessar o poder
público e a sociedade como valor social. À época já se detectava
a importância de uma atividade esportiva em favor da juventude
e do futebol como espetáculo ao dispor das massas pagantes.
Não é surpreendente, portanto, que o rádio já como veículo
popular tenha se alinhado ao futebol e ao automobilismo dos anos
de 1930. Em síntese, neste período, o RJ consolidou sua vocação
esportiva e de lazer por ter sido o portão de entrada de novos
costumes vindos do exterior.
finalidades higiênicas como uma preocupação da época
estampada nos temas das teses elaboradas pelas escolas de
Medicina, principalmente as do Rio de Janeiro e Salvador. Esses
fins, segundo Cantarino Filho (1988:79), nortearam o conceito
de Educação Física durante muitos anos.
O esporte, uma atividade sociocultural nova, era uma das marcas
do lazer dos imigrantes, parte importante da população da cidade
durante o Império e alvorecer da República. Destacavam-se práticas
individuais como o turfe, o remo, a natação, o atletismo, a ginástica
de aparelhos, a patinação sobre rodas, o bilhar, a bocha e o ciclismo,
situadas em clubes, estabelecimentos comerciais e de forma
espontânea, com ou sem apostas. Estes costumes foram
assimilados em parte por alguns habitantes originários cujo tempo
de lazer começaria a favorecer tanto os modismos como o sentido
de prestígio social que as elites da cidade buscavam para moldar a
sociedade local. Na passagem do século XIX para o XX, o esporte,
sinônimo de modernidade da Europa burguesa, organizava-se
efetivamente como opção de lazer. E a sua expansão como fato
social coincidiu com a formação do Estado Republicano; a aspiração
das elites de tornar o Rio de Janeiro uma metrópole moderna e
civilizada; a urbanização da cidade; a exigência de novos hábitos
nos indivíduos; e o crescimento da indústria e comércio. Desse
modo, as competições esportivas (mais de característica individual
que coletiva) entre clubes adquiririam relevância na vida social
urbana. Destacavam-se os esportes de força e resistência, em
geral representados pelo halterofilismo, culturismo, ginástica
olímpica, atletismo e lutas, utilizados em benefício do corpo forte
e da estética. O remo e o futebol despontavam como preferências
dominantes. E o público do remo mostrou-se maior e mais fiel do
que em qualquer outra atividade social, até ser substituído pela
fascinação do futebol como espetáculo.
Após a Segunda Guerra Mundial, a expansão do consumo local
alicerçada pelo desenvolvimento econômico, gerou progresso
material e aumentou o interesse dos meios de comunicação e de
publicidade – em especial da televisão, já nos anos de 1950 – pelo
esporte, sobretudo no sentido de lazer passivo. Tais constatações
no concernente ao Rio de Janeiro foram representadas nos
aumentos no número de páginas da seção esportiva e do tempo
da programação esportiva na TV ocorridos ao longo dos anos. Nas
últimas décadas do século XX, o Rio de Janeiro já tinha o esporte
como uma de suas principais identidades culturais, marcando e
simbolizando seu estilo de vida quer no sentido de espetáculo ou
na sua prática. Por outro lado, um novo tipo de tendência esportiva
– os “esportes radicais”, de influência internacional – ganhava
expressão no Brasil, a partir da cidade do Rio de Janeiro onde
estas atividades se manifestavam de modo rudimentar desde os
anos de 1930 (esportes de montanha, de excursão e de praia). Os
interesses da sociedade expandiram o acesso ao esporte, quer em
função de interesse de negócios (bens e serviços de lazer), quer
pelo mesmo ter se tornado uma aspiração coletiva. O auge deste
processo de desenvolvimento está ocorrendo nos primeiros anos
do Século XXI quando a cidade está direcionando seus projetos de
desenvolvimento urbano em função de ser sede dos Jogos PanAmericanos de 2007, tanto quanto por ser candidata a abrigar os
Jogos Olímpicos de 2012. Este retrospecto de quase dois séculos
é desmembrado em marcos de memória como se segue.
As competições esportivas eram adotadas voluntariamente e
freqüentemente como serviço pago e/ ou como meio de apostas.
Penetravam no gosto da população carioca, apoiadas pelo poder
público, o qual por vezes estabelecia os locais de prática. Nessa
perspectiva, contribuíam para a melhoria dos meios de transporte,
facilitando o acesso às competições, bem como os meios de
comunicação. Assim somente houve turfe na cidade quando a
rede de bondes (transporte coletivo elétrico) deu acesso aos
1790 No final do século XVIII, os exercícios físicos e jogos eram
utilizadas em benefício da higiene corporal, o que nos é confirmado
por Azevedo (1930:24). De acordo com este autor, havia um
manual intitulado “Tratado de Educação Physica dos Meninos
para Uso da Nação Portugueza” – escrito em 1790 pelo brasileiro
Francisco de Mello Franco, doutor em medicina pela Universidade
de Coimbra – cujo conteúdo foi disseminado por ordem da
Academia Real de Sciencias de Lisboa. No Brasil, denota-se já
no século XIX, a utilização de atividades físicas e esportivas sob
1808 A vinda da Corte Portuguesa neste ano para o Rio de Janeiro
enquanto transcorriam as guerras napoleônicas na Península
Ibérica, possibilitou grandes alterações nos aspectos físico, político,
econômico, social e cultural da cidade. O Rio de Janeiro não passava
de pequeno povoado, sem indústria, com pobreza e ignorância.
Segundo Renault (1985), os costumes eram relaxados; a
administração, corrupta; os senhores e escravos viviam em
promiscuidade; não havia conforto nem comodidades; a população
era diminuta e eminentemente composta de negros, índios e
mulatos. Foram estes alguns dos aspectos que contribuíram para
que a Corte estimulasse a imigração européia deixando de lado a
hegemonia da colonização portuguesa. De imediato, a presença
de estrangeiros no Rio de Janeiro e, sobretudo no sul do país, foi
sentida nas artes, educação, ciências, alimentação, transporte,
comércio, construção, indústria, máquinas, moda, profissões e
recreação. As elites, representadas pelos membros da Corte, uma
camada social até então praticamente inexistente, então
vislumbraram com essa imigração a defender e povoar o país,
substituir a escravidão e “civilizar” o povo pela importação da
cultura européia. Para Alencar (1983:85), a presença da Corte no
Rio de Janeiro possibilitou o surgimento de uma “idéia de império”
(princípio de um sentimento nacionalista) entre as classes
proprietárias e as camadas urbanas. A cultura amparada nos
padrões europeus estava limitada às elites freqüentadoras da
biblioteca, do museu, das aulas régias de ciências econômicas e
do teatro, hábitos de uma vida social que atendiam aos anseios
dessa nova categoria. A educação na escola restringia-se às elites,
com uma instrução pública pouco expressiva.
Início do século XIX Primeiros registros da chegada do esporte
de criação inglesa no Rio de Janeiro. Todos os domingos na casa
de campo de um inglês casado com uma brasileira, no bairro de
Irajá, segundo nos conta Freyre (1948), reuniam-se negociantes
ingleses para jogar quoits e outros jogos violentos e beber porter.
Freyre ainda nos relata que a euforia dos ingleses pela conquista
do mercado brasileiro era tanta que eles chegaram a trazer “patins
para o gelo” e stock, confundindo o Brasil com a Sibéria. A influência
inglesa seria mais marcante no hábito do banho salgado, sob
finalidades higiênicas e recreativas, despertando entre os
habitantes da cidade essa prática que se tornou uma das
alternativas ao então prevalecente jogo de cartas e outros jogos
de salão. Também neste estágio, as práticas esportivas apareceriam
como obrigatórias nos regulamentos das escolas primária superior,
militares, do normal e também do Colégio Pedro II, no Município
da Corte (atual Município do Rio de Janeiro). Na Academia Real
DACOSTA, LAMARTINE (ORG.). A T L A S
DO ESPORTE NO BRASIL.
RIO DE JANEIRO: CONFEF, 2006
15.5
Militar, eram realizadas desde 1810. Nesta fase, encontramos a
ginástica, a natação, a esgrima, a equitação e o tiro ao alvo como
práticas esportivas empregadas na formação militar da Escola
Naval e do Colégio Militar, e como forma de passatempo de alguns
grupos selecionados de civis.
1814 Conforme nos relata Renault (1985), nesses tempos de
poucas distrações, a população do Rio de Janeiro tomava
conhecimento na imprensa de que “carreiras” (corridas a pé)
seriam realizadas em 30 de maio de 1814, na praia de Botafogo.
Essas “carreiras”, outra forma de divertimento, constituíam um
hábito de natureza esportiva trazido pelos imigrantes, inclusive
com premiação.
1815 A primeira referência encontrada na cidade do Rio de Janeiro
de atividade social similar a clube é a da “Assembléia Portuguesa”,
criada neste ano (Silva:1978). O nome “Assembléia” significava
reunião em família, prática da vida social no tempo dos vice-reis.
Encontra-se descrito na obra de M. B. Nizza da Silva (“Cultura e
Sociedade no Rio de Janeiro 1808-1921”, Rio de Janeiro, 1985).
Antes, no século XVIII, tornaram-se comuns na cidade as “Academias
Literárias” que davam oportunidade de convívio social aliado a uma
atividade que fosse aceita pelo governo colonial. Possivelmente, as
assembléias e as academias foram os traços culturais luso-brasileiros
que favoreceram a assimilação do clube esportivo vindo de
contribuições de outras tradições européias, como a inglesa
(aristocrática) e alemã (comunitária).
1816 As corridas de cavalo (turfe), à semelhança das inglesas,
tinham seus primeiros ensaios a partir deste ano, em Botafogo.
Segundo Pereira (1995), nove anos após surgiria neste local a
primeira corrida turfística. Um “Clube de Corridas”, denominado
“Prado Fluminense”, seria criado em 1849, mas somente em 1851
aconteceriam as primeiras corridas. Nessa ocasião, mais de 4
mil pessoas compareceram ao evento, que contou com a presença
da família do imperador. Três anos após, surgia outro clube, o
Jockey Club Fluminense, que teve vida efêmera, dando lugar a
uma nova associação, o Jockey Club (1868). O turfe, após meados
do século, organizar-se-ia através de um calendário de eventos
anuais anunciando os dias das corridas, os locais dos eventos e
os prêmios, tudo realizado de acordo com o regulamento inglês.
Isto teria desencadeado um crescente interesse do público, que
freqüentava os locais das corridas envoltas sob apostas,
independentemente de classe social.
1821 A Sociedade Germania, fundada em 20 de agosto deste
ano no Rio de Janeiro, já constitui um clube no estilo europeu
distinto dos protótipos ibéricos. E como clube mais antigo do país,
mereceu destaque em pesquisa de Da Costa (1993), ao esclarecer
que a instituição foi efetivada quando da deflagração do processo
imigratório no Brasil e visava à convivência social e recreativa desse
grupo. Um total de 28 pessoas tomou parte de sua fundação, a
qual, após quatro anos, passou a ter 72 sócios, sendo: 39 alemães,
11 ingleses, 5 suíços, 5 escandinavos, 3 franceses, 7 de
nacionalidades não identificadas, 1 português e 1 brasileiro. Os
jogos de salão, práticas preferidas da época, encontravam-se
disponíveis nos poucos clubes da cidade e de acesso restrito à
população através de mensalidades e regulamentos.
Meados do século XIX A cidade do Rio de Janeiro, neste período,
alcançava uma população de aproximadamente 200 mil habitantes.
As colônias estrangeiras podiam ser vistas divertindo-se com jogos,
até então desconhecidos, no British Cricket Club, em São Cristóvão,
e no British Rowing Club, em Botafogo. O tiro ao alvo também já
era explorado pelo imigrante em organizações como a Société du tir
a la carabine . O desenvolvimento do esporte em clubes e
estabelecimentos comerciais, uma novidade no meio urbano, exigia
um comportamento social civilizado, inclusive atrelado, segundo
Gilberto Freyre (1948), à influência do capital industrial e mercantil
inglês. Os arredores da cidade passavam a ser explorados por
passeios a cavalo seguidos de passeios a pé pelas matas. Essas
atividades, hoje conhecidas como trial , enduro eqüestre e
excursionismo, estavam estão em amplo crescimento ao redor da
cidade do Rio de Janeiro, caracterizando uma difusão do esporte
hípico no país. A equitação despontou ensinada por mestres a
homens e mulheres. O banho de mar, a ginástica de aparelhos, a
natação, o passeio campestre e a corrida encontram-se assimilados
aos hábitos da sociedade que, segundo Renault (1982), mais
esclarecida, utilizava essas práticas para a preservação da saúde.
Esse relato mostra-nos novamente as atividades esportivas
configuradas em sua essência para o atendimento dos cuidados
15.6
DACOSTA, LAMARTINE (ORG.). A T L A S
DO ESPORTE NO BRASIL.
RIO DE JANEIRO: CONFEF, 2006
com o corpo (fins higiênicos/saúde), considerando-se que as doenças
epidêmicas rondavam o cotidiano da população.
1851 A difusão do remo ocorria através da organização do Grupo
Mareantes de Niterói, fundado neste ano quando foi realizada sua
primeira regata em três páreos: um, formado por canoas de um
remo de pá tripuladas por pescadores e os outros, pelos seus
associados. Após meados do século, começariam a ser
programadas várias regatas por instituições civis e pela Marinha
do Brasil. Depreende-se, desde já, uma prática esportiva como
lazer (recreio) disponível à população.
1868 O esporte, um hábito social dos imigrantes, difundia-se
como lazer. E, neste ano, a colônia portuguesa do Rio de Janeiro
refletindo o que já ocorria com outras “colônias” estrangeiras da
cidade, fundava a Real Sociedade Clube Ginástico Português,
clube ainda existente nos dias atuais, criado por dois irmãos
portugueses proprietários de uma “venda” na Rua do Hospício,
hoje Rua Buenos Aires. O clube nasceu da vontade de se ter um
lugar específico para se lutar esgrima.
Década de 1870 A prática esportiva era visível, em torno de
1872, por práticas dos imigrantes ingleses de forma espontânea
em áreas livres (públicas), como no Campo de São Cristóvão, no
Campo de Santana (Praça da República) e nas vizinhanças da Rua
General Polidoro (perto do Cemitério São João Batista). Ainda
nesta década, surgia o Rio Cricket and Athletic Association em
Niterói, impulsionando a prática do críquete, do tênis de quadra e
sobre a grama. Nas praças e parques, áreas mais freqüentadas do
Rio de Janeiro, podiam ser encontrados esportes como o críquete,
a pelota basca, a patinação, o bilhar e o remo, com fins de recreio
(lazer) e higiene. (Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Da
Coleção Jardins Públicos da Cidade/Manuscritos, Vol. nº5, 1833/
1903, folhas 16 a 18). A formação dos clubes nos moldes europeus
(especialmente ingleses), um livre direito do cidadão no contexto
sociocultural carioca, incentivava o desenvolvimento do esporte
como lazer. Nesse sentido, surgia o Clube Guanabarense (atual
Botafogo de Futebol e Regatas) em 9 de agosto de 1874, realizando
a primeira regata dezoito dias após a sua fundação, o que, para
Alberto Mendonça (1909), consolidava o remo. Neste mesmo ano,
começaram as importações e construções de embarcações no país.
O remo de escaleres de pá e vela crescia despertando interesse,
com grande afluência de público aos locais de prática. Isto
possibilitou o surgimento de clubes de remo por todo o país. A
chegada regular de imigrantes de origem italiana respondia pelas
primeiras referências à prática do jogo de bocha no Brasil. De
inicialmente realizado em canchas nas capelas, foi também
praticado em clubes e bodegas. Jogava-se a bocha principalmente
nos encontros familiares dominicais como atividade de lazer. A partir
desse mesmo ano ocorreria a intensificação da imigração no país.
A patinação sobre rodas, prática acentuada dessa época, contava
com professores que orientavam os jovens à sua iniciação e com
um periódico publicado no RJ denominado Skating Rink, cuja edição
de 26 de julho de 1878, permite observar a interpretação dada ao
esporte na época: “O proprietário de Skating Rinks no intuito de
tornar cada vez mais interessante aquele estabelecimento
recreativo, que tão popular se tornou, vai instituir carreira de
patinadores, onde cada qual poderá provar a sua perícia naquele
divertimento” ( Skating Rinks ,1878). A prática esportiva
implementava-se pela construção de velódromos adaptados e a
criação de clubes, auxiliando, respectivamente, na disseminação
do ciclismo e da ginástica de aparelhos, esportes em moda, em
São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O
ciclismo, segundo Rocha (1975), despertou interesse com as
competições promovidas nas estradas pelas indústrias fabricantes
de bicicletas. O interesse comercial e publicitário das fábricas pelo
esporte marcava o início da relação empresa/esporte, buscando a
sua popularização, especialmente a do ciclismo no Brasil. Tal
popularização ocorria de forma análoga à da Europa, embora a
bicicleta por essa época fosse considerada um artigo de luxo. As
competições de remo constituíam, contudo, o maior interesse da
população. Daí serem assistidas de arquibancadas montadas pelo
menos desde 1875. Este fato é comprovado através da solicitação
do Club de Regatas Guanabarense à Câmara Municipal para a
realização de sua regata anual na praia de Botafogo, em 10 de
agosto daquele mesmo ano. Do pedido de realização do evento
esportivo constavam a montagem e desmontagem de arquibancada
e a solicitação de isenção de pagamento de impostos para a
construção almejada. Justificava-se tratar de evento de interesse
para o desenvolvimento físico dos associados e de vir a ser assistido
por sócios e seus convidados, sem que houvesse venda de poules
para apostas. (Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.
Documentação Avulsa/Sports e outros, Manuscritos 1872-1905).
Décadas de 1880 – 1890 Desde cedo, o esporte encontrava-se
nas mãos de comerciantes, o que o caracterizaria como um negócio.
O turfe e o remo, os primeiros esportes organizados, tiveram seus
eventos regidos por meio de apostas pelos clubes. Da mesma forma,
no críquete, aconteciam apostas já em torno de 1872. As corridas a
pé no Clube Brasileiro de Cricket, entre 1880 e 1886, também tiveram
páreos corridos com a venda de poules. O futebol, em 14 de agosto
de 1904, num jogo entre o Fluminense e o Paulistano, no Rio de
Janeiro, teria pela primeira vez suas entradas cobradas em campos
da cidade e, talvez, do Brasil (Neto:1952). A pelota vasca ou basca,
de origem espanhola, era praticada dessa forma desde fins do século
XIX. A presença de empresários no esporte evidenciava-se na
formação de estabelecimentos denominados “Frontões”, “Boliches”
e “Velódromos”, locais de diversão pública autorizados a funcionar
desde que pagassem impostos à Municipalidade. Isso lhes gerava
lucro e renda devido ao pagamento de entradas nos espetáculos
competitivos, ao ensino da prática esportiva e ao envolvimento em
apostas. Neste período, também os estabelecimentos de atividades
esportivas orientados sob apostas sofreriam restrições de
funcionamento e cobrança de altos impostos à Municipalidade. Isto
gerou um documento intitulado “Memorial sobre Frontões”, enviado
ao Prefeito do Distrito Federal em 24 de janeiro de 1899, expondo o
seguinte: “Os Frontões, de origem espanhola, que exploram o jogo
de bolas permitido por lei federal sofrem com a taxação de altos
impostos e o impedimento de seu funcionamento diário. O
funcionamento autorizado somente aos domingos, em decorrência
de considerações expostas pelos Clubes de Corrida em 1895 à
Municipalidade, criaram dificuldades para existência dos locais
destinados a esse jogo e a reposição dos altos investimentos
realizados. Aqueles viam com maus olhos a acolhida do povo pelo
novo divertimento esportivo, o que levou a que o Conselho Municipal
tomasse medidas restritivas ao jogo em lei de 1895. O pedido
solicitava a dilatação do horário de funcionamento diurno aos
domingos, feriados e santificados e nos dias úteis após as seis horas
da noite. Confiava a que fosse dada eqüidade de condições pelas
funções esportivas dos Frontões em comparação aos Velódromos e
Boliches que pagavam um pequeno imposto, considerando para tal
pedido ser aquele um dos esportes mais universalmente aceitos,
inclusive por exigir o concurso de profissionais para o seu ensino, o
que também gerava empregos e impostos para a Municipalidade”(...)
“A atividade de jogos de bola contribuía para o desenvolvimento da
força física e ao mesmo tempo, era um excelente exercício higiênico
ao dispor de todas as classes sociais. Do pedido ainda consta que
os Frontões de Niterói e São Paulo fazem grande concorrência pelo
motivo de funcionarem todos os dias, inclusive sem pagar impostos.
Normalmente no pedido de licença para organização pública de jogos,
propunha-se que o produto líquido de um espetáculo no ano fosse
revertido para a Municipalidade ou instituição a que aquela designar”
(Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Diversões Públicas/
Manuscritos, 1891 a 1899). A relação do esporte com apostas era
explicada em junho de 1894 no parecer do Visconde de Ouro Preto
à Municipalidade, o qual afirmava a falta de competência desta para
proibir as apostas, uma vez que elas seriam o principal atrativo de
diversos gêneros de esportes. Segundo o Visconde, as atribuições
da Municipalidade deveriam se limitar ao estabelecimento de
regulamentos para a segurança, higiene e polícia dos
estabelecimentos em que os ditos jogos fossem franqueados ao
público, a fim de evitarem perigos e abusos. Concluía afirmando
que tais atividades eram consideradas lícitas de acordo com a
Constituição Federal (Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.
Diversões Públicas, 1891 a 1899, 40-41). Uma exceção ao sistema
de apostas do esporte comercializado e aos clubes, surgiu em 1893
com a Associação Cristã de Moços-ACM ao se instalar no Rio de
Janeiro. Tratava-se de uma entidade de apelo religioso para qual o
esporte era uma atividade essencial. Como tal a ACM passou a
influenciar as práticas esportivas na cidade e depois em várias regiões
do Brasil. Deve-se à ACM a introdução no país do basquetebol e do
voleibol, até hoje parte das preferências nacionais esportivas.
Nos anos de 1880-1890, o remo consolidou-se na cidade do Rio
de Janeiro, o que, segundo Edmundo (1957:843), “servia para
demonstrar como se intensifica, então, o gosto pelos esportes
náuticos”. A institucionalização deste esporte começara na
década anterior pela criação do Club Náutico Saldanha da Gama
(1876). Seguiram-se, então, o Club de Regatas Cajuense (1885);
o Club de Regatas Internacional (1887); o Union des Canotiers
(1892); o Grupo de Regatas Gragoatá, o Clube de Regatas Icarahy
e o Clube de Regatas Flamengo (1895); o Club de Natação e
Regatas (1896), que mais tarde teria a incorporação do nome
Santa Luzia; o Club de Regatas Boqueirão do Passeio (1897); o
Clube de Regatas Vasco da Gama (1898) e o Club de Regatas
Guanabara, no ano seguinte. Neste período, tiveram início de
forma tímida os banhos de mar na Praia das Virtudes (hoje, Parque
do Flamengo) e se consolidou a percepção da utilização de
logradouros públicos, como praças e parques, para a prática
esportiva com fins de recreio e higiene (entretenimento e passeio
ao ar puro). Desde 1857, discutia-se a importância de espaços
públicos para essa finalidade, como na carta escrita por João
Maria Colaço de Magalhães, o Visconde de Condeixa, ao Dr.
João de Oliveira Fausto, presidente da Câmara Municipal. Na
ocasião, o Visconde descrevia o que vira nas praças da Inglaterra
e solicitava melhoria no Campo de Santana, o qual deveria ser
utilizado pelos habitantes no atendimento a esses fins. (Arquivo
Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Jardins Públicos/Manuscritos,
1833 a 1903). Denota-se, assim, o início da relação entre o esporte
e o poder público em benefício da população. Nos anos de 1890,
a fim de tornar a atividade esportiva uma fonte de negócio em
locais públicos, os comerciantes justificavam-se perante a
Municipalidade: “O povo seria o grande beneficiado por fazer um
exercício higiênico e de vigor que influísse na saúde e no caráter
do homem, uma diversão tão em falta nesta Capital, mas
amplamente praticada nas principais cidades européias”. Tais
exercícios eram esgrima, ginástica, equitação, corrida a pé,
velocípedes, regatas e tiro ao alvo que já estavam incorporados
aos costumes locais e assim eram citados nos jornais e revistas
da cidade. (Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Diversões
Públicas/ Manuscritos, 1870 a 1899, p.113 e Diversões, 1893).
Décadas de 1900 – 1920 A primeira entidade de direção do
futebol na cidade do Rio de Janeiro nascia nos idos de 1905, com
a criação da Liga Metropolitana. Dentre seus fundadores
encontravam-se: o América F.C., o Bangu A.C., o Fluminense F.C.,
o Botafogo F.C. e o Foot-Ball Athletic Club. Posteriormente
ingressaram na Liga: o Rio Cricket e o Paysandu Cricket Club.
Porém, a primeira competição interestadual de futebol havia
ocorrido quatro anos antes, em São Paulo, entre paulistas e
cariocas, ocasião em que jogaram e empataram por duas vezes
(1x1 e 2x2). Um ano após a fundação da Liga Metropolitana,
ocorria o primeiro campeonato carioca de futebol, vencido pelo
Fluminense F.C.. A primeira disputa interestadual de futebol, no
Rio de Janeiro, acontecia com o jogo entre o Paulistano e o
Fluminense, em 1902. No ano seguinte, apareceria a primeira
arquibancada no Fluminense Football Club. Na época em
apreciação, as competições esportivas já eram assistidas por um
grande público, o que comprova o interesse da sociedade carioca
pelo esporte. As condições de acomodação em arquibancada
coberta – sociais – encontravam-se disponíveis a uma pequena
assistência privilegiada. A maioria das pessoas ficava de pé
durante o evento: ao redor do campo, no futebol, e na beira da
orla marítima, no caso do remo. Para Azevedo (1930:33), o poder
de “atração irresistível” das multidões vulgarizou o futebol e
auxiliaria a juventude a praticar outros esportes.
Neste estágio, início do século XX, o governo municipal
implementou um amplo programa de urbanização no Rio de Janeiro.
Obras arquitetônicas de prédios públicos no estilo parisiense,
alargamentos e embelezamentos (com o aparecimento de estátuas,
jardins, praças, pavilhões de regatas, teatros e avenidas)
encontravam-se entre as reformas pensadas a partir de um padrão
estético de modernidade e do controle e erradicação de epidemias.
A Avenida Central (hoje, Avenida Rio Branco) passou a ser o
modelo da modernidade da cidade: nela foram situados os novos
prédios do Teatro Municipal (similar ao da Ópera de Paris), a
Biblioteca Nacional e o Museu de Belas Artes, como também
órgãos governamentais, edifícios de empresas nacionais e
estrangeiras, recreação, lojas de artigos de consumo europeus,
igrejas e instituições literárias e de artes. Em um de seus
cruzamentos, encontrava-se a Rua do Ouvidor, com livraria, cafés
e confeitarias, e como tal constituindo o ponto de encontro de
intelectuais e artistas. Quanto aos esportes, as novidades eram o
halterofilismo e o culturismo, os quais surgiram em circos e teatros
de variedades, mas no Rio de Janeiro foram adotados pelas classes
mais altas destacando-se a figura de Floriano Peixoto, filho do então
Presidente da República do Brasil. Já em 1904, de acordo com
Paulo Azeredo (1948), foram realizadas provas da modalidade em
São Paulo entre o Clube Atlético Espéria e o Clube de Regatas
São Paulo. Em 1906, no Rio de Janeiro, teriam sido exibidos no
Parque Fluminense (área pública próximo ao Largo do Machado,
que inclusive localizava-se uma pista de patinação) por um grupo
de lutadores chefiados por Paul Pons. Por essa época, iniciavamse os esportes de luta (artes marciais), como o jiu jitsu, através
dos imigrantes de origem japonesa, estabelecidos no país.
A participação das classes média e pobre no esporte, representadas
pelos empregados do comércio, isto é, “os caixeiros”, é ressaltada
por Francisco Rainho. Para ele, tal presença já se fazia sentir
lentamente nas atividades sociais e esportivas dos clubes desde o
início do século. As evidências estavam presentes na criação dos
clubes e na maior oferta da prática esportiva, especialmente do
futebol, que influenciava e era influenciado pela sociedade nos
anos de 1900 e de 1910. A formação da equipe do Bangu Atlético
Clube (formado oficialmente em 1904 por técnicos ingleses e
operários de uma fábrica de tecidos), clube dos subúrbios do RJ
foi uma primeira sinalização da adesão das classes populares ao
esporte, com futebol à frente.
Desde o século passado, podia-se observar o esporte nos clubes
ao alcance da população, independentemente de classe social.
Este fato evidencia-se através da própria ACM e do Club
Recreativo Dezessete de Julho, fundado em 1884, portanto muito
tempo antes da criação da ACM do RJ. Através do seu estatuto,
podemos verificar que os sócios tinham distrações adequadas
para recreio, como leitura de bons livros e jornais, palestras e
jogos. No artigo n°48 das Disposições Gerais/Cap.XI do referido
diploma legal constava: “Os salões da sociedade serão todas as
noites franqueados aos sócios seja qual for a sua categoria.”
(Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, Diversões Públicas/
Estatuto/Manuscritos, 1884-1885, 1-9).
Segundo Inezil Penna Marinho (s/d), o futebol desenvolvia-se
em relação aos demais na década de 1910, sendo praticado
regularmente nos clubes em várias regiões do país. O Sport Club
Rio Grande, de Porto Alegre, e a Asssociação Atlética Ponte Preta,
de Campinas, surgidos em 1900, eram clubes especializados
nesse esporte. As equipes de futebol surgidas de clubes oriundos
da prática do remo, os clubes de “elite” (que disputavam
competições oficiais e procuravam bons jogadores nas equipes
dos bairros) e a cobrança de ingressos da assistência levaram os
torcedores a exigirem vitórias. Desse modo, a classe social passou
a ser o que menos importava, prevalecendo o desejo de vencer
diante da crescente rivalidade que surgia.
Introduzido por ordens religiosas e clubes ingleses ao longo da segunda
metade do século XIX, o futebol teve um início elitista, racista e
excludente (esporte de branco e da classe alta). Era praticado em
clubes fechados, colégios seletos e por empresas estrangeiras com
acesso exclusivo de estrangeiros e estudantes da classe alta. Porém,
ainda na primeira década do século XX, o futebol daria mostras da
democratização no esporte, permitindo a participação de jogadores
negros, operários e empregados do comércio nas competições
esportivas. Eduardo Galeno (1995) conta-nos uma passagem do
futebol descrita na revista “Sports”, do Rio de Janeiro, em 1915, a
qual retrata a visão da classe alta da época: “De modo que nós que
freqüentamos uma Academia temos uma posição na sociedade,
fazemos a barba no Salão Naval, jantamos na Rotisserie, freqüentamos
as conferências literárias, vamos a five o’clock... somos obrigados a
jogar com um operário, limador, torneiro mecânico, motorista e
profissões outras que absolutamente não estão em relação com o
meio onde vivemos. Nesse caso a prática do esporte torna-se um
suplício, um sacrifício, mas nunca uma diversão”.
Em resumo, o futebol no Rio de Janeiro passou a ser jogado
livremente nas ruas, várzeas, praias e escolas,
independentemente de classe social e com qualquer tipo de bola.
Sob a forma de “pelada”, era uma atividade livre, uma forma de
lazer. Foi esse fator organizacional e ao mesmo tempo espontâneo
que possivelmente constituiu uma das razões do futebol a perder
seu caráter amador, ingressando no profissionalismo após os anos
1920 e transformando-se em esporte de expressão nacional.
Outra conseqüência da popularização do futebol foi a aceitação
do esporte como prática social em logradouros públicos, o que
nas décadas seguintes – anos de 1970 em diante – viria a facilitar
a adoção das atividades físicas em geral da população carioca.
Algo semelhante ocorreria com as praias: os banhos de mar
praticados pelas elites inicialmente começaram a se popularizar
com a chegada dos bondes elétricos na zona sul do Rio de Janeiro
via túnel Alaor Prata, aberto na década de 1910.
A prática esportiva do futebol e de outros esportes dispunha,
segundo Fernando Azevedo (1930:50), de equilíbrio, razão, força
e disciplina e não de decadência moral, como alguns queriam
caracterizá-lo. Diante das acusações à juventude de excessos
de linguagem, de atitudes inconvenientes e de haver deposto os
livros para jogar bola, remar e correr, descuidando-se da cultura
intelectual para se entregar à da força, Azevedo perguntava-se:
“Será que a atividade atlética que tanto tínhamos depositado
esperanças de ver renascer as energias pátrias e a regeneração
da raça era ao contrário um fator de decadência moral?” Para
ele, os exageros cometidos pela juventude poderiam ser resolvidos
com uma Educação Física integrada ao sistema de educação geral.
Azevedo (1930:40) confirma-nos a influência da atividade
esportiva sobre a juventude e a multidão ao dizer que o esporte,
particularmente o futebol, “falou à emotividade durante os dois
primeiros decênios de nosso século e preparou para o advento
da athletica” (“o atletismo e outros esportes, como quiserem”).
Em termos institucionais, os esportes das décadas de 1910 e de
1920 desenvolveram-se via formação de entidades federativas,
inclusive de caráter nacional. Da reunião de representantes da
Federação Brasileira das Sociedades de Remo, da Comissão Central
de Concursos Hípicos, do Automóvel Clube do Brasil, do Clube
Ginástico Português, do Centro Hípico Brasileiro, do Iate Clube
Brasileiro e do Aero Clube Brasileiro, entidades de cunho privado e
até mesmo de nível nacional, surgia a Federação Brasileira de Sports
(1914). A essa entidade caberia organizar o esporte amador e formar
os melhores atletas nas representações brasileiras em Jogos
Olímpicos. Também com essa finalidade, nascia um Comitê Olímpico
Nacional (1913) provisório e apoiado pelo Jornal do Brasil. Em 1916,
a Federação Brasileira de Sports se transformaria em Confederação
Brasileira de Desportos – CBD, entidade eclética maior do esporte
brasileiro. Com este arranjo institucional, o poder político do esporte
brasileiro se instalou no Rio de Janeiro.
Contudo, surgiram os primeiros conflitos no esporte nacional com
tal concentração institucional, começando com a contestação da
Federação Brasileira de Sports pela Liga Paulista de Football, que
anunciava uma Federação Brasileira de Futebol como mais legítima.
O impasse necessitou da intervenção do então Ministro das Relações
Exteriores, que mediou o conflito entre as duas federações,
considerando-se que o país logo iria disputar o Campeonato SulAmericano de Futebol, em 1919. Mas tais confrontações
prosseguiram até 1941 quando o Governo Federal interviu no esporte
organizado de todo o país, disciplinando filiações e diluindo disputas
regionalistas. De resto, a década de 1920 deu continuidade às
iniciativas e mudanças originadas nos anos de 1910, porém houve
surgimento de “academias” na cidade com base em protótipos
criados em anos anteriores. Esta inovação consistia em serviços
pagos de ginástica, halterofilismo ou lutas geralmente liderados por
imigrantes monitores ou mesmo professores.
Décadas de 1930 – 1940 A prática esportiva no início deste
período ainda refletia a busca de afirmação individual vinda de uma
tradição que prestigiava a força física e um certo valor estético de
formação corporal rígida. Porém, tornava-se progressivamente clara
uma tendência a uma participação coletiva na qual o futebol
manifestava-se como modelo e o sentido recreativo como seu
conteúdo e valor social. Assim, o futebol crescia no Rio de Janeiro
seguido de uma prática de menor intensidade de esportes tais como
no tênis, atletismo, basquetebol, voleibol, remo e natação
(A.B.E:1930:14). A Associação Brasileira de Educação-ABE
reconhecia, na época, o esporte como um campo vasto da Educação
Física e considerava que, mesmo diante do número reduzido de
praticantes, aquele já influía na reforma dos hábitos da população.
Gastão Mariz de Figueiredo confirma-nos a posição emitida pela
ABE sobre o desenvolvimento do esporte no país. Segundo ele, nas
primeiras décadas do século XX, as competições esportivas ainda
eram esporádicas, com um pequeno grupo de atletas participando
de vários esportes, situação que perdurou até meados do século. O
próprio Gastão competia no remo, na natação, no basquetebol e
ainda jogava pólo aquático na Lagoa Rodrigo de Freitas, tempo em
que suas águas eram limpas. A especialização no esporte somente
começaria a ser definida mais tarde, possivelmente em função da
exigência cada vez maior de dedicação aos treinamentos a fim de se
alcançar o alto rendimento nas competições, o que levaria a um
maior envolvimento pessoal e / ou ao profissionalismo.
A década de 1930 assistiu a subida do Estado Novo (nome oficial
do regime implantado pelo Governo Vargas) ao poder, o qual
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DO ESPORTE NO BRASIL.
RIO DE JANEIRO: CONFEF, 2006
15.7
pretendia melhorar os costumes políticos e levar o país a novas
realidades sociais e econômicas. Instaurava-se então o populismo,
com ênfase na mobilização das massas e nos aspectos
nacionalista e desenvolvimentista. A organização da sociedade,
objetivada pelo Estado Novo, apoiava-se nas reformas de uma
nova lei eleitoral e de uma legislação social, na reorganização da
justiça e da educação e na implantação definitiva do capitalismo
vinculado ao desenvolvimento social. O Estado organizava as
classes sociais, não abrindo mão do controle sobre elas. Contudo,
favorecia a classe trabalhadora, que obtinha conquistas como:
contratos coletivos, salário mínimo, jornada de trabalho de 8 horas
(limite máximo) e criação de sindicatos por classes, subordinados
ao poder público. Nesse momento, segundo Prost (1992), as
classes menos favorecidas conquistavam o trabalho assalariado
e um maior tempo em sua vida privada. Isto conseqüentemente
proporcionava maior tempo para se adquirir o hábito de assistir e
praticar esportes e ter opções de lazer.
Intensificava-se um crescimento industrial na direção da produção
de bens de consumo e, em menor escala, de equipamentos para
atender à demanda do mercado interno, ocasionando um aumento
da capacidade de produção e da acumulação de divisas
estrangeiras. As universidades e a cultura desenvolviam-se através
de um re-ordenamento da sociedade civil. A política do governo,
apoiada no povo e na burguesia das grandes cidades, desenvolviase contra os proprietários de terras, conseguindo com isso
neutralizar a ação dos coronéis. As concepções políticas estavam
inspiradas nas idéias corporativistas e autoritárias do regime
fascista. Uma elite intelectual formada por técnicos, políticos,
empresários e militares conduzia o país ordenadamente visando a
interesses nacionais, com a participação do povo. Na área da
educação, um processo de reformas instalado antes do Estado
Novo ganhava sentido pela oferta de maiores oportunidades de
educação à população, preparando-a para assumir o papel produtivo
no desenvolvimento do país. Assim, a Associação Brasileira de
Educação (1930) havia se pronunciado através de pareceres e
inquéritos, demonstrando sua preocupação com a melhoria da
Educação Física, a começar com professores qualificados. Em
resumo, o período do Estado Novo marcou definitivamente o
esporte e a Educação Física escolar do país, dando-lhe uma
valorização explícita bem maior do que os governos anteriores.
Nestas condições, o Exército Brasileiro criou no Rio de Janeiro,
em meados dos anos de 1930, as chamadas “Colônias de Férias”
que reuniam escolares – adolescentes e jovens de ambos os sexos
– em jogos e esportes em quartéis e praias durante suas férias.
Este modelo de mobilização esportiva teve sucesso e foi
progressivamente sendo implantado em todo o país. Outra
conseqüência discernível do modelo foi o uso intensivo das praias
cariocas como locais de treinamento e práticas esportivas, o que
também se tornou uma realidade permanente. Em relação a este
mesmo período há testemunhos orais de que o futebol se instalou
nas areias das praias do Rio de Janeiro assumindo um cunho típico
destes locais. Mais uma vez, o RJ fez-se constar como local de
experimentações de esportes ajustados ao meio social e físico local.
Décadas de 1950 e 1960 Um grande crescimento urbanoindustrial levaria ao aumento da densidade populacional da cidade
do Rio de Janeiro nos anos de 1950. No país como um todo
transcorria um estágio de acelerado desenvolvimento econômico,
com construção de grandes obras públicas (rodovias e eletrificação)
e diversificação da rede de escolas no país. Nesse momento,
surgiam estatais como a Petrobrás e uma nova lei sobre o salário
mínimo, estabelecendo-se um tempo de prosperidade na sociedade
brasileira. As transformações econômicas empreendidas também
influenciaram o campo político, educacional e cultural e impulsionou
a música, a poesia, o teatro e o cinema. Na educação, em especial
na Educação Física, um intercâmbio de profissionais da área e a
formação de cursos técnico-pedagógicos disseminava novos
modelos didático-pedagógicos. Nesse sentido, o Método
Desportiva Generalizada – MDG abriria perspectivas para um maior
desenvolvimento do esporte na escola, principalmente dos coletivos
(esportes de massa). Tal contexto favorável levou à instituição da
Campanha Nacional de Educação Física pela Divisão de Educação
Física-MEC, cujo Diretor era o professor Alfredo Colombo. Essa
Campanha, realizada nas praças, ruas e praias, proporcionou uma
iniciação esportiva à população, segundo comunicação pessoal do
professor José Ferreira da Silva (1997). Reconhecido como “Ruas
de Recreio”, “Praias de Recreio” e “Ruas de Lazer”, esse evento
contou com a cobertura do jornal “O Globo”. A partir dessa época,
surgiram algumas competições esportivas que marcaram a
15.8
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DO ESPORTE NO BRASIL.
RIO DE JANEIRO: CONFEF, 2006
sociedade carioca, como os Jogos da Primavera, em 1949 (para
meninas até 15 anos); os Jogos Infantis, em 1951 (até os 15 anos),
e os Torneios de Pelada do Aterro do Flamengo, iniciados em 1966.
Esses eventos, promovidos pelo “Jornal dos Sports”, levariam a uma
maior mobilização da população carioca, ao aparecimento de talentos
e a um maior envolvimento das empresas privadas no setor esportivo.
Denota-se isso na criação de espaços públicos, como o Estádio do
Maracanã – a maior instalação esportiva do mundo à época – , assim
como na construção de equipamentos esportivos (como quadras e
ringues de patinação) em praças da cidade.
O desenvolvimento econômico trouxe expansão do consumo. A
ordem de consumo instalada levou à aquisição de novos hábitos e
comportamentos, disseminados pelos meios de comunicação, em
especial pela televisão. Apoiados por comerciantes e viabilizados
através de anúncios publicitários, relações públicas e marketing, os
meios de comunicação permitiriam a difusão de novas concepções
higiênicas e estéticas ao alcance da população. Entre os novos
hábitos e comportamentos valorizados encontravam-se a prática
de atividades esportivas (como ocupação de lazer realizadas
regularmente), as dietas e o asseio do corpo em clubes e academias,
que começavam a proliferar. Os cuidados com o corpo, a higiene e a
beleza passaram a ser produzidos por comerciantes, não mais por
médicos e moralistas. A divulgação da prática esportiva como um
gênero de lazer padronizado e passivo implementava-se através da
televisão, um instrumento de massas, que se tornaria, a partir de
então, de divulgação universal do esporte.
O crescimento da cidade do Rio de Janeiro, dinamizado com a
realização de grandes obras viárias e habitacionais, expandia a
cidade de norte a sul. Nessa perspectiva, a relação esporte/
urbanização podia ser vista na criação de logradouros públicos –
como o Parque do Flamengo (Aterro), oficialmente denominado
como Parque Brigadeiro Eduardo Gomes. Garantia-se, assim, o
acesso da população carioca à prática esportiva de lazer gratuita
e junto à natureza. O esporte foi também estimulado pela criação
da Loteria Esportiva, instituída para gerar recursos ao setor e
que veio a concorrer para a formação de um novo quadro esportivo
brasileiro. A Loteria Esportiva Federal, como um grande
instrumento impulsionador do esporte, destinava 6,75% de sua
receita para a aplicação em programas de Educação Física e
Desportos. Nessa ocasião, podia-se observar a valorização do
esporte, segundo Mello e Souza (1984), através das lideranças
políticas “que não o consideravam uma coisa séria”. Com o passar
dos anos, esses recursos seriam fragmentados e direcionados
principalmente para a Previdência Social e outros programas e
reduzidos para o esporte.
Um Diagnóstico da Educação Física/Desportos no Brasil, instaurado
pelo Estado em 1969/1970 através do convênio entre o
Departamento de Educação Física do MEC e o Centro Nacional de
Recursos Humanos do Ministério do Planejamento e Coordenação
Geral, permitiu identificar fatos positivos e negativos a respeito do
esporte em âmbito nacional e no Rio de Janeiro. Tal estudo,
coordenado pelo professor Lamartine DaCosta, serviria de base na
reformulação das políticas públicas. Entre as constatações destacouse a expansão de clubes no RJ, sendo esta de três a cinco vezes
maior nos períodos de 1901/1930 e 1931/1960, segundo dados do
Diagnóstico/1971. Na cidade do Rio de Janeiro, antiga Guanabara,
entre as 244 associações desportivas (clubes) informantes da
pesquisa, a proporção de clubes fundados aumentou de 47 para
133 entre essas épocas. Ainda no RJ, as modalidades mais
praticadas segundo o levantamento eram o futebol, o futebol de
salão, a natação, o voleibol, o basquetebol, o tênis de mesa e o judô.
Décadas de 1970 e 1980 Este período corresponde à plena
valorização das atividades físicas no Brasil a partir de valores
testados no Rio de Janeiro em primeira instância. O primeiro
experimento bem sucedido foi o chamado Método Cooper, trazido
ao país por Neri Nascimento, Manoel Tubino e Cláudio Coutinho,
que se popularizou devido aos resultados apresentados durante
sua aplicação no selecionado brasileiro tricampeão de futebol,
no México. Esse método, fundamentado principalmente na prática
massificada da corrida de rua, objetivava o desenvolvimento da
aptidão física, satisfazendo não só a aparência física, mas
principalmente a manutenção da saúde e do prolongamento da
vida útil. A corrida, a caminhada a pé e o andar de bicicleta
tornavam-se hábitos na vida cotidiana do RJ e de diferentes
regiões e cidades brasileiras, inclusive pela demarcação de praias
e caminhos, e pela divulgação nos meios de comunicação.
Um outro movimento esportivo de dimensões mundiais, apoiado na
publicidade e nos meios de comunicação penetrava no país – o
Esporte Para Todos – EPT. Inicialmente concebido na Noruega com
a denominação “TRIMM”, abria perspectiva para a valorização do
esporte por meio de eventos, informação à população e uso intensivo
da mídia. Como um fato consumado, o EPT produziu uma ampla
adesão, em especial na camada mais pobre da população, ampliando
a oferta da prática esportiva à sociedade antes mesmo da existência
de uma legislação favorável. A implantação do EPT no país tornouse possível após o lançamento de uma campanha nacional liderada
por Lamartine DaCosta. Entre as heranças da Campanha EPT na
sua versão do RJ, situa-se o fechamento do trânsito em ruas
dedicadas ao lazer e a caminhadas, o que se fixou como tradição
hoje ainda respeitada no Parque do Flamengo e na orla de praias
que se estende de Copacabana ao Leblon, e da Barra da Tijuca ao
Recreio dos Bandeirantes. A Campanha “MEXA-SE”, promovida
nacionalmente pela TV Globo e que antecedeu o Movimento EPT,
foi produzida no RJ, também deixando como herança a própria
denominação que se fixou na língua falada no Brasil como sinônimo
de atividade física de lazer. Em 1988, todos estes movimentos de
popularização de práticas físicas de saúde e de lazer foram
consagrados pela nova Constituição Federal: no artigo 217, o esporte
em suas distintas manifestações, passou a ser direito de todos. E
as atividades físicas, em conseqüência, assumiram uma renovada
conceituação, aumentando assim sua abrangência social.
Situação atual As décadas de 1990 e de 2000, esta em seus
primeiros anos, confirmaram e deram continuidade à vocação do
Rio de Janeiro como cidade esportiva e de lazer voltado para a
natureza da cidade, sobretudo suas praias. As preferências
esportivas da população da cidade neste período podem ser
apreciadas na Tabela 1 encontrada adiante. Neste painel de opções
há que considerar a influência da mídia, a qual mostra-se distinta
da prática. Esta última pressupõe escolhas de acordo com a oferta
de espaços públicos, sobretudo praias. Daí a natação ter a maior
preferência de prática e marcar a 11a posição na audiência de mídia.
Já o futebol tem uma segunda classificação na mídia, mas aparece
em quinto na prática, pela crescente dificuldade na busca de locais
apropriados. Em termos de novas modalidades, a pesquisa listou
apenas o skate por ter ofertas urbanas, foco escolhido pelo
levantamento. De qualquer modo, a vocação esportiva dos cariocas
parece se expressar mais objetivamente pela oferta de locais
disponíveis na cidade. A Tabela 2 apresenta um resumo destas
ofertas enfatizando a redução no número de clubes de grande porte
na cidade nas últimas três décadas, o que pode significar tanto um
decréscimo em razão das crises econômicas dos últimos anos, como
transferência de interesses de lazer para outras ofertas. A rede de
ciclovias expandida no período em foco confirma a sugestão da
influência dominante dos equipamentos urbanos disponíveis, pois
se irradiaram das praias para o interior da malha urbana da cidade,
criando uma circulação “esportiva” além da função de transporte
popular. O fato novo do período – e não examinado na investigação
de 1999, acima citada – foi a expansão dos chamados esportes
radicais ou de aventuras, que encontraram na cidade um dos seus
melhores sítios de práticas em todo o mundo. Esta versão esportiva
carrega uma grande emoção, risco de vida e exige a superação
dos próprios limites. Dentre tais esportes podemos citar: a asa
delta e o parapente (vôo livre); o mountain bike; o skate; o
windsurfe; o bicicross; o jet ski; o surfe o ultraleve. Denota-se,
com isso, um aumento no número de esportes praticados e
também um movimento de incorporação dessas novas práticas
de sentido ecológico pela sociedade. Ocorre que além de extensas
praias, o Rio abriga a maior floresta urbana do mundo, com
montanhas próprias para escalada e para suporte de diversas
modalidades de aeroesportes, gerando vantagens incomparáveis
em termos internacionais com relação aos esportes de versões
radicais. Estas condições excepcionais levaram o planejamento
urbano da cidade a se orientar pelas funções exercidas pelas
praias e pela floresta do maciço da Tijuca na vida da cidade. Por
isso, o plano de transformações da cidade para os Jogos PanAmericanos em 2007 e para a candidatura como sede de futuros
Jogos Olímpicos – destacando-se o sistema de transportes
urbanos – já estão considerando este legado da natureza localizado
no Rio de Janeiro. O outro legado não tangível para o planejamento
físico da cidade – mas fundamental para se obter o apoio da
população –, consiste nas tradições esportivas locais que
incorporam um século e meio de iniciativas pessoais, comunitárias,
governamentais e empresariais, segundo o trajeto de fatos de
memória aqui antes percorrido.
Tabela 1 / Table 1
Preferências esportivas da população do RJ por opções da mídia e da prática, 1999
Sports preferred by RJ population measured by media and practice options–1999
Tabela 2 / Table 2
Cidade do Rio de Janeiro / Rio de Janeiro City, 1999
Áreas, instalações e empreendimentos de prática
de esportes e ofertas de lazer
Areas, facilities and enterprises for sports and leisure
Praias por extensão de oferta (Região Administrativa)
– total 79,3 km / Beaches (1)
• Botafogo – 3,5 km
• Copacabana – 4,2 km
• Ramos – 0,7 km
• Santa Cruz – 5, 8 km
• Ilha do Governador – 25,4 km
• Paquetá – 6,0 km
• Barra da Tijuca – 21,2 km
• Guaratiba – 4,5 km
Áreas de praças, jardins e parques x habitante / average
green area vs inhabitant (2)
• 304 922 970 m2 / 5 551 536 habitantes = 54,9 m2
Ofertas de lazer e de atividades físicas / Leisure and
physical activities offers (3)
• Museus – 79
• Teatros – 104
• Cinemas – 122
• Centros culturais – 67
• Bibliotecas públicas – 79
• Casas se espetáculos – 50
• Shopping centers – 26
• Clubes de grande porte – 190; total em 1971: 244 (4)
• Academias de ginástica – 1700 (5)
• Parques temáticos – 5
• Escolas de samba – 11
Fonte / source: Garrido, F., “Tendências da cultura esportiva no Rio de Janeiro: uma análise da mídia e das práticas de esportes”.
Dissertação de mestrado – UGF / RJ, 1999.
(1) Levantamento feito no “Esporte Espetacular”,TV Globo, com 26 programas; “Stadium”, TV Educativa, com 13 programas; e 14 quadros de
programação geral, incluindo o gênero esportivo, de acordo com faixas horárias (manhã, início da tarde, tarde, noite, fim de noite e madrugada).
(2) Levantamento feito em 26 locais e instituições de ofertas de práticas esportivas como lazer do RJ, selecionadas de modo a cobrir a área
urbana da cidade. Nesta delimitação não foram incluídas atividades de florestas e montanhas.
Fontes / Sources
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SMU, 1999; (3) Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos (RJ) – IPP,
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