“Bragança Sustentavel” RELATÓRIO FINAL 1 BRAGANÇA SUSTENTÁVEL http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Índice Introdução ……………………………………………………………………………….. 3 Fontes de Energias Não Renováveis ………………………………………………… 5 Fontes de Energias Renováveis ……………………………………………………... 6 Vantagens/Inconvenientes das energias renováveis………………………………... 19 A nossa Cidade ……………………………………………………………………….. 22 A Nossa Escola ………………………………………………………………………… 24 ANEXO I Carta de Leipzig sobre Cidades Europeias Sustentáveis ………………………….. 27 ANEXO II Agenda 21 Local e Municipios Portugueses ……………………………………….. 30 ANEXOIII Questões que se devem ter em atenção para construir um gerador eólico ……… 35 ANEXO IV Fontes de Energias Não Renováveis ………………………………………………… 49 http://aemc.home.sapo.pt 2 “Bragança Sustentavel” Introdução A Sustentabilidade é um problema com o qual se debatem as sociedades actuais, sendo a maior preocupação dos governantes a nível mundial e está relacionado com as energias renováveis. Pareceu-nos importante reflectir sobre este problema da sustentabilidade que envolve várias áreas nomeadamente a energética e que passa pela substituição das energias derivadas do petróleo para as energias renováveis. Os Governos de quase todos os países do mundo estão preocupados com a sustentabilidade do nosso planeta, a comprová-lo estão as inúmeras cimeiras e conferências que se têm realizado a nível mundial, nomeadamente a conferência de Quioto, a Eco-92 e outras. Desta última saiu a agenda 21 que reflecte a preocupação dos países envolvidos. “ É um documento que estabeleceu a importância de cada país se comprometer a reflectir, global e localmente, sobre a forma pela qual governos, empresas, organizações nãogovernamentais e todos os sectores da sociedade poderiam cooperar no estudo de soluções para os problemas sócio-ambientais. A Agenda 21 constitui-se num poderoso instrumento de reconversão da sociedade industrial rumo a um novo paradigma, que exige a reinterpretação do conceito de progresso, contemplando maior harmonia e equilíbrio holístico entre o todo e as partes, promovendo a qualidade, não apenas a quantidade do crescimento”. Porque a sustentabilidade é um tema actual, decidimos, no âmbito do Projecto Cidades Criativas da Universidade de Aveiro, escolher um tema que nos agradasse mas que também pudesse transmitir aos nossos colegas alguma informação útil. Escolhemos o Tema “Bragança Sustentável”, uma vez que se identificava com o grupo, e é um tema actual. O trabalho desenvolvido por nós, no âmbito deste concurso, tem sofrido algumas alterações face ao inicialmente previsto. No 1º período fizemos algum trabalho de pesquisa sobre as energias renováveis e as suas principais fontes , elaborámos um cartaz e iniciámos a construção da nossa Homepage pelo que tivemos que proceder à recolha de dados, entrevistas e pesquisar sobre energias renováveis, sustentabilidade e gestão de recursos. http://aemc.home.sapo.pt 3 “Bragança Sustentavel” O facto de desenvolvermos um trabalho para este concurso permitiu-nos entrevistar alguns elementos da Câmara Municipal de Bragança. Nesta Instituição entrevistámos um responsável que se disponibilizou a fornecer-nos um relatório contendo dados sobre os consumos de vários sectores (transportes, iluminação, aquecimento, barragens…) e a sua evolução ao longo destes últimos anos. Nesta reunião informaram-nos que a Câmara introduziu em algumas escolas do 1º Ciclo um sistema de aquecimento eléctrico mais económico que utiliza uma pedra de elevada capacidade térmica massica, e que permite a conservação da temperatura durante todo o dia sendo apenas necessário serem ligados durante o período trifásico, durante as horas de vazio da rede eléctrica. De seguida elaborámos um relatório sobre esta reunião que se encontra disponível para consulta na secção de noticias da nossa homepage. Enquanto aguardávamos pelo relatório da Autarquia fizemos pesquisas sobre as aplicações das energias renováveis na nossa cidade. No final de Fevereiro recebemos esse relatório e iniciamos a análise de parte desses dados. 4 A informação referente ao aquecimento introduzido nas escolas do 1º ciclo do nosso concelho levou-nos a pesquisar a existência de uma Escola de dimensões semelhantes à nossa e que tivesse também este tipo de aquecimento. Descobrimos que a Escola EB2,3 Augusto Moreno, escola que alguns de nós frequentamos no 2º Ciclo, tinha substituído o seu sistema de aquecedores a óleo por aquecedores idênticos aos instalados pela Câmara de Bragança nas escolas do 1º Ciclo. Conseguimos também, junto dessa Instituição, dados relativos aos gastos em electricidade e que nos levaram a constatar que efectivamente tinham poupado bastante com este sistema. Aderiram à facturação tri-horária, o aquecimento é ligado durante a madrugada, desligado antes de os alunos chegarem à escola, a qual mantém uma temperatura agradável durante todo o dia e início da noite. Relembramos que nesta escola também funcionam cursos nocturnos. Estes elementos, recolhidos ao longo dos 1º e 2ºperíodos e que estão disponíveis na nossa Homepage, são da maior utilidade para a fase final do nosso projecto pois serão eles que nos irão permitir tirar conclusões sobre a http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” gestão dos recursos energéticos e energias renováveis na nossa cidade, contudo deparamo-nos com vários constrangimentos que nos levam a reformular o nosso trabalho. Pretendíamos, modestamente, sugerir alternativas por forma a tornar a nossa Cidade mais sustentável e também a nossa Escola. Aqui enfrentámos os primeiros constrangimentos. Com dados globais, em Euros, não podemos por forma alguma saber que consumos energéticos são dispendidos pelos diversos sectores, nem a que horas ocorrem os maiores consumos. Este constrangimento impede-nos de prosseguir o nosso trabalho nesta linha. Mesmo assim foi da maior utilidade tudo o que fizemos pois permite-nos olhar para os consumos em energia, fontes energéticas e sustentabilidade com um olhar mais crítico. Neste 3º período aprofundamos as nossas pesquisas sobre a sustentabilidade da Terra, sobre a preocupação dos Líderes mundiais e europeus (Cimeira de Quioto, ECO-92, Agenda 21 e Carta de Leipzig) ,sobre as quatro grandes áreas com que se devem preocupar os responsáveis pelas cidades para que estas se tornem mais sustentáveis ( a gestão dos consumos de água e energia, a redução dos consumos de CO2 e a investigação e o desenvolvimento nessa área) e entrevistámos o Professor Hélder Leite da Feup, da Secção de Energia, que nos chamou a atenção para a dependência de Portugal face às energias não renováveis e ao compromisso assumido pelo nosso governo para alterar esta tendência. Referiu-nos também o que para ele será uma escola sustentável e chamou-nos a atenção para a necessidade que temos de consumir a energia de forma consciente e responsável porque mesmo pagando-a ela não é nossa http://aemc.home.sapo.pt 5 “Bragança Sustentavel” Fontes de Energias Não Renováveis Para percebermos a necessidade de investirmos em energia renováveis faremos uma breve referência às energias não renováveis que utilizamos. A maioria dos recursos energéticos de que dependemos hoje são, na sua maioria, provenientes das energias não renováveis. As fontes de energia não renováveis são aquelas cujas reservas se esgotam, pois o seu processo de formação é muito lento comparado com o ritmo de consumo que o ser humano faz delas. Neste grupo de energias encontram-se o petróleo, o carvão, o gás natural e o combustível nuclear. Fontes de Energias Renováveis 6 Energias renováveis – em que consistem Energias renováveis são todas aquelas que servem como alternativa à combustão de resíduos fósseis e que constituem uma fonte de energia inesgotável. Em Portugal, estas energias não são ainda bem aproveitadas embora o nosso país tenha um enorme potencial em termos de energias renováveis, continua a importar combustíveis fósseis em grandes quantidades (71% de petróleo e 19% de carvão). Portugal torna-se assim muito dependente da importação externa de energia. As importações de combustíveis fósseis – petróleo e carvão – representam um encargo anual de cerca de 400 – 500 milhões de contos, para além de trazerem muitos problemas ambientais. É por isso importante tirar partido da vantagem que Portugal tem em energias, como a hidráulica, eólica, solar, biomassa e geotérmica. O nosso Concelho, tal como a vizinha Espanha faz, poderia fazer um aproveitamento http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” das condições privilegiadas que possui, instalando parques eólicos que nos tornariam menos dependentes de energias fósseis. Consumos Energéticos – ENERGIAS ALTERNATIVAS Valor Mini hídricas 6% Eólica 3% Solar 48% Biogás, Biomassa e Resíduos Florestais 28% Restantes (Biodiesel e Etanol, Incineração, Geotérmica e ondas) 15% O recurso às energias renováveis 7 A influência da humanidade sobre o meio ambiente sempre teve algum impacto. Enquanto a população da Terra era diminuta e a tecnologia não tinha expressão, poderia afirmar-se que essa influência não era significativa ou não interferia com o funcionamento do sistema planetário. À medida que a população aumenta e as tecnologias se desenvolvem, a situação modifica-se radicalmente. O aumento dos grandes aglomerados urbanos tem colocado problemas de poluição e qualidade de vida nunca vistas a uma escala regional ou local no âmbito do abastecimento e do consumo de energia. O aumento exponencial da população em cerca de 80% do total, nomeadamente nos países em vias de desenvolvimento, representa um impacto que, associado ao aumento da produção e do consumo de energia, atinge uma dimensão planetária impossível de passar despercebida. Os impactos da poluição atmosférica a todos os níveis, desde o local ao regional, nacional e internacional são graves e apreciáveis. Os efeitos da poluição urbana na respiração resultante do impacto das emissões gasosas de óxidos http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” de azoto e de enxofre, do monóxido de carbono, das partículas associadas à actividade dos motores nas áreas urbanas e dos resultados acumulados no tempo. As chuvas ácidas e o seu efeito devastador na Natureza, a segurança/insegurança nuclear, os derrames de petróleo, a desertificação em regiões do planeta onde a biomassa é o combustível de base, o efeito de estufa e as alterações climáticas. As emissões de partículas e gases lançados para a atmosfera conseguem ter um efeito mais extenso que as quantidades de partículas provenientes do vulcanismo ou da acção erosiva do vento (acontecimentos naturais espontâneos). Os gases tóxicos lançados para a atmosfera pelas indústrias, centrais nucleares e pelas experiências militares constituem um caso particular de poluição atmosférica, como ficou provado no acidente de Chernobyl, a 26 de Abril de 1986. Está provado que a poluição radioactiva e térmica das zonas de implantação de centrais gera alterações climáticas, aumentando os índices de mortalidade alterando, também, o equilíbrio ecológico nos rios e zonas costeiras. A poluição atmosférica provoca efeitos locais particularmente visíveis nas cidades, nas quais se regista uma considerável diminuição de intensidade da radiação solar acompanhada da redução da luminosidade ao nível do solo gerando, por vezes, a formação de nevoeiro. Em Dezembro de 1952, em Londres, o nevoeiro (smog) tão característico desta cidade deu origem à formação de compostos fotoquímicos tóxicos (os PAN ou Piroxido-acetilnitratos). Esta mistura explosiva vitimou 4 mil pessoas. Ao nível global a poluição atmosférica gera perturbações nos principais ciclos bio-geo-químicos (carbono, oxigénio, azoto, enxofre) resultando em alterações climáticas, motivadas pela acção dos combustíveis fósseis como o petróleo e o carvão, cujos gases produzidos, o anidrido carbónico e o sulfuroso, são os principais responsáveis pela alteração do clima da Terra. Esta pesquisa mostra-nos que é imprescindível investir em energias renováveis e limpas se queremos manter no nosso planeta, na nossa cidade a qualidade de vida que se deseja http://aemc.home.sapo.pt 8 “Bragança Sustentavel” Principais fontes de energias renováveis A energias renováveis – Solar, Eólica, Térmica, Fotovoltaica, das Ondas, Biomassa e Geotérmica – são indispensáveis para a prossecução dos objectivos da política energética e económica regional e nacional e para garantir a sustentabilidade do nosso planeta, do nosso País e da nossa Cidade . Energia Solar Sol é a fonte primária de vida e é também a fonte primária de energia. É o sol que provoca o aquecimento de algumas zonas do globo enquanto outras arrefecem e cria assim os ventos. É através da atracção do Sol e da Lua que se criam as marés. É o sol que evapora as águas, que posteriormente, sob a forma de chuvas, irão alimentar os cursos de água das centrais hidroeléctricas. A energia solar que nos chega à Terra é ínfima, comparada com a que se perde no espaço libertada pelo Sol. Há várias maneiras de aproveitar a energia solar. A mais comum é a utilização de colectores solares para o aquecimento de água, estufas ou fornos solares. No entanto, há um processo de obter directamente energia eléctrica do sol, utilizando células fotovoltaícas, também chamadas foto-pilhas. A célula fotovoltaica é a unidade fundamental do processo de conversão. As primeiras foram instaladas em 1958, em satélites artificiais, mas hoje em dia estão mais aperfeiçoadas e são utilizadas na Terra para fornecer electricidade em regiões isoladas ou de difícil acesso. O motivo para o seu uso não ser ainda muito difundido é o seu elevado custo quando comparado com a electricidade convencional, mas é já frequente o seu uso para alimentar bóias de navegação, faróis ou outras estruturas offshore. O Sol é uma fonte inesgotável de energia, a utilização de energia solar possibilita uma redução significativa dos custos energéticos, a energia solar e os seus circuitos podem ainda ser complementados por outros circuitos, como http://aemc.home.sapo.pt 9 “Bragança Sustentavel” por exemplo a energia eólica. O efeito fotovoltaico engloba 3 fenómenos físicos intimamente ligados e simultâneos: A absorção da luz pelo material A transferência de energia dos fotões para as cargas eléctricas A criação de corrente eléctrica. O aproveitamento adequado de uma das mais neutras formas de energia em termos de impacto ambiental, como é a energia do Sol, faria todo o sentido ao nível do território português porque o nosso país atinge cerca de 2100 a 3100 horas de insolação por ano, equivalendo estas a 1700 KWH por metro quadrado. Através dos sistemas foto voltaicos, a energia solar é directamente transformada em energia eléctrica por intermédio de células semicondutoras de silício, ditas foto voltaicas. Nos sistemas activos é utilizado um captador de energia – 10 colector solar, que possibilita o aquecimento de fluidos líquidos ou gasosos. Podem utilizar-se para a produção de águas quentes ao nível do sector doméstico e também em piscinas, gimnodesportivos, hospitais, hotéis ou sector industrial. Os sistemas solares passivos são sistemas que captam, armazenam e usam directamente a energia solar que neles incide, sendo os mais frequentes, os edifícios concebidos de modo a tirarem o melhor partido da energia solar incidente. O principal "travão" para o aproveitamento da energia solar é o seu custo, principalmente no caso dos sistemas foto voltaicos, o que faz baixar a sua rentabilidade http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” 11 http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Energia Eólica Uma energia subaproveitada! No que diz respeito à energia eólica podemos falar de um ressurgimento do interesse por este recurso, já usado desde a antiguidade. O vento consiste na deslocação de massas de ar originada por diferenças de pressão atmosférica, causadas pelo aquecimento diferencial da superfície terrestre. Deste modo, as tecnologias utilizadas no aproveitamento da energia eólica baseiam-se em transformar a energia do vento em energia mecânica, recorrendo a máquinas designadas por aeromotores, tais como, os antigos moinhos de cereais e os moinhos para bombagem de água, conhecidos como "Americanos". A energia cinética do vento tem sido igualmente utilizada, ao longo dos milhares de anos, para movimentar barcos e caravelas. A energia eólica pode também ser utilizada para produzir electricidade, sendo as máquinas responsáveis por esta conversão (de energia eólica em energia eléctrica) designadas por aerogeradores ou turbinas eólicas. As turbinas eólicas para a produção de energia eléctrica podem ser montadas isoladamente ou em grupos, conhecidos como parques eólicos, geralmente situados em zonas abertas com uma média anual da velocidade do vento elevada. http://aemc.home.sapo.pt 12 “Bragança Sustentavel” Cerca de 90% dos aerogeradores instalados pertencem aos Estados Unidos e países da União Europeia, que ocupam uma posição de destaque.Em Portugal existem alguns locais em que o potencial de energia eólica pode justificar a sua exploração em termos comerciais, nomeadamente algumas zonas da costa ocidental e áreas montanhosas. Em Sines existe um parque em funcionamento, suficiente para fornecer energia a 1400 famílias. Os parques eólicos têm um forte impacto ambiental, na medida em que provocam ruído e poluição visual, pondo também em perigo a vida das aves.A energia produzida pelo vento é um recurso energético natural que pode ser aproveitado com um investimento reduzido e é especialmente rentável em locais com muito vento. Um gerador eólica caseiro é algo possível de fazer sem custos muito elevados. A energia cinética, resultante das deslocações de massas de ar, pode ser transformada em: - Energia mecânica através de aeromotores; - Energia eléctrica através de turbinas eólicas ou aerogeradores O aproveitamento da energia cinética do vento é efectuada através de turbinas eólicas acopladas a geradores. A este conjunto turbina-gerador é habitualmente chamado Aerogerador. A energia eólica, tal como a energia solar, é uma energia limpa, a sua inclusão em áreas ventosas em ambientes domésticos pode rapidamente trazer o retorno do investimento efectuado. Pode funcionar em simultâneo com módulos energéticos solares. http://aemc.home.sapo.pt 13 “Bragança Sustentavel” Energia Hídrica De todas as Energias Renováveis disponíveis esta é a que oferece a melhor relação preço/energia. Com produção ininterrupta 24h (ao contrário das outras fontes renováveis) todas as necessidades energéticas de uma cidade podem ser satisfeitas principalmente na alimentação daqueles equipamentos de alto consumo como congeladores, frigoríficos, ar-condicionados, aquecedores, etc. Nas centrais hidroelétricas, através de turbinas hidráulicas, associadas a geradores e alternadores é possível converter energia hídrica em energia eléctrica (na maioria dos casos com um rendimento global superior a 90%). As centrais hidroeléctricas podem ser, quanto ao tipo de aproveitamento, a fio de água e de albufeira e, quanto à localização, em exteriores ou em cavernas. Convém distinguir as grandes centrais hidroeléctricas das centrais hidroeléctricas de pequenas dimensões, as mini-hídricas que têm potências instaladas até cerca de 10KW. Uma mini-hídrica não é mais do que um "moinho de água" de maiores dimensões. A energia produzida numa minihídrica pode alimentar uma povoação, um complexo industrial, agrícola ou a rede nacional de distribuição de energia eléctrica. http://aemc.home.sapo.pt 14 “Bragança Sustentavel” A produção de energia nestas centrais só se verifica em cerca de ¾ do ano, pelo que se torna necessário recorrer a grandes centrais hídricas, ou térmicas. Desde que tomadas as devidas precauções é possível construir e operar centrais mini-hídricas com um impacto ambiental mínimo nos cursos de água assim, quanto mais energia for gerada menos será produzido em centrais térmicas, minimizando os impactos ambientais, Embora a energia hidráulica dos cursos de água tenha constituído a primeira fonte natural utilizada pelo homem para a produção de energia em seu benefício, o seu desenvolvimento só se efectuou no início do século XX. A produção média de energia, em Portugal, nas pequenas e grandes centrais hídricas representou nos últimos anos 6,1% do consumo total de energia primária e 48,6% de energia eléctrica disponível para consumo final. Portugal é, assim, o país da União Europeia com maior percentagem de energia eléctrica produzida por via hídrica. Presentemente, Portugal vai investir no Plano Hidrológico – PNBEPH (Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico) Energia das Ondas e Marés A energia das marés é a energia cinética (movimento) da água do mar, provocada pela subida e descida das marés. Existem por dia duas marés-altas e duas marés-baixas. Estas marés são o resultado do movimento da Lua em torno da Terra e sofrem também a influência do movimento da Terra em torno do Sol. Este tipo de energia é aproveitado há já muito tempo, um exemplo deste aproveitamento são os famosos moinhos de maré do concelho de Almada que aproveitando este "vaivém" diário da água do Estuário do Rio Tejo moíam cereais. Pensa-se queterão surgido, a partir do séc. XIII do Minho ao Algarve na desembocadura dos rios, estuários e em rias. http://aemc.home.sapo.pt 15 “Bragança Sustentavel” Pode-se obter energia a partir das marés de duas formas: Através da energia associada ao movimento da água que passa quando a maré sobe ou desce Através de diques e comportas que retêm a água da maré cheia e são depois abertas quando o desnível for adequado (maré-baixa), fazendo com que a água accione um mecanismo, fazendo-o rodar. Também a energia das ondas e das marés é utilizada em algumas centrais para a produção de energia eléctrica.Algumas centrais utilizam o movimento das ondas para comprimir o ar numa câmara fechada em que o ar é impelido através duma turbina eólica para gerar electricidade. Quando uma onda recua o ar é expelido para for a da câmara e a turbina é impelida na direcção contrária. Portugal situa-se numa região do globo com boas condições para o aproveitamento da energia das ondas, no entanto, a tecnologia para o aproveitamento desta energia ainda se encontra numa fase de desenvolvimento e de demonstração da sua viabilidade técnica e económica.A produção de energia eléctrica, pelo recurso à energia das ondas e marés, não se torna viável em Portugal no contexto actual, uma vez que a amplitude típica das marés é de 2 a 4 metros associada ao facto de não existirem áreas na nossa costa onde a amplitude seja naturalmente aumentado. A amplitude da maré tem que ser superior a 5m para que este tipo de solução seja economicamente rentável. O número de locais no Mundo em que esta situação ocorre é muito reduzido. Para além deste requisito é ainda necessário que o local permita a construção dum dique adequado. Energia Geotérmica A energia geotérmica existe desde que o nosso planeta foi criado. Geo significa terra e térmica significa calor, por isso, geotérmica é a energia calorífica que vem da terra. Abaixo da crosta terrestre, ou seja, a camada http://aemc.home.sapo.pt 16 “Bragança Sustentavel” superior do manto é constituída por uma rocha líquida, o magma (encontra-se a altas temperaturas). A crosta terrestre flutua nesse magma. Por vezes, o magma quebra a crosta terrestre chegando à superfície, a este fenómeno natural chama-se vulcão e o magma passa a designar-se lava. Em cada 100 metros de profundidade a temperatura aumenta 3º Celsius. A água contida nos reservatórios subterrâneos pode aquecer ou mesmo ferver quando contacta a rocha quente. A água pode atingir 148º Celsius. Existem locais, as furnas, onde a água quente sobe até á superfície terrestre em pequenos lagos. A água é utilizada para aquecer prédios, casas ou piscinas no Inverno, e até para produzir electricidade. Em Portugal existem furnas nos Açores. Em alguns locais do planeta, existe tanto vapor e água quente que é possível produzir energia eléctrica. Abrem-se buracos fundos no chão até chegar aos reservatórios de água e vapor, estes são drenados até á superfície por meio de tubos e canos apropriados. Através destes tubos o vapor é conduzido até á central eléctrica geotérmica. Tal como numa central eléctrica normal, o vapor faz girar as lâminas da turbina como uma ventoinha. A energia mecânica da turbina é transformada em energia eléctrica através do gerador. A diferença destas centrais eléctricas é que não é necessário queimar um combustível para produzir electricidade. Após passar pela turbina o vapor é conduzido para um tanque onde vai ser arrefecido. A água é de novo canalizada para o reservatório onde será naturalmente aquecida pelas rochas quentes. Na Califórnia existem 14 locais onde se pode produzir electricidade a partir da energia geotérmica. Alguns deles ainda não são explorados porque os reservatórios subterrâneos de água são pequenos e estão muito isolados ou a temperatura da água não é suficientemente quente. A energia eléctrica gerada por este sistema na Califórnia é suficiente para abastecer 2 milhões de casas. http://aemc.home.sapo.pt 17 “Bragança Sustentavel” Biomassa A biomassa é utilizada na produção de energia a partir de processos como a combustão de material orgânico produzida e acumulada em um ecossistema, porém nem toda a produção primária passa a incrementar a biomassa vegetal do ecossistema. Parte dessa energia acumulada é empregada pelo própria ecossistema para manutenção. sua Suas vantagens são o baixo custo, é renovável, permite o reaproveitamento de resíduos e é menos poluente que outras formas de energias como aquela obtida a partir de combustíveis fósseis. A queima de biomassa provoca a liberação de dióxido de carbono na atmosfera, mas como este composto havia sido previamente absorvido pelas plantas que deram origem ao combustível, o balanço de emissões de CO 2 é nulo. Biodiesel O biodiesel é um biocombustível. É uma das apostas da Europa, que ao contrário dos EUA conseguiu ratificar o protocolo de Quioto e se esforça por implementar políticas que permitam respeitar o compromisso de redução de emissão de gases de efeito de estufa ao mesmo tempo que diminuam a dependência face ao petróleo. Portugal, tal como a maioria dos países europeus, apostou com mais intensidade no biodiesel do que no bioetanol. No país existem já três fábricas de produção de biodiesel em laboração e mais duas em fase de construção ou de arranque, acrescidas de uma dezena de http://aemc.home.sapo.pt 18 “Bragança Sustentavel” pequenas instalações de produtores dedicados de biodiesel a partir de óleos alimentares reciclados. A produção de biodiesel a partir de óleos vegetais consome menos energia do que a de etanol a partir de milho. Vantagens/Inconvenientes das energias renováveis Com base na pesquisa feita para este trabalho, é-nos possível constatar que além de vantagens, as energias renováveis têm também algumas desvantagens, como por exemplo: no caso da energia da biomassa, a libertação de gases tóxicos na queima dos lixos (biomassa), bem como o facto de a procura actual de biomassa o ritmo de regeneração das florestas, contribuindo para o agravamento do efeito de estufa na energia eólica, a ocupação do solo, poluição visual e sonora e tornase uma ameaça para as aves, além do elevado custo das instalações na energia hídrica, as grandes barragens alteram o caudal dos rios ao colocar uma barreira no percurso da água, dificultando ou impossibilitando a vida aquática, além de reduzir o fluxo de água rio abaixo a baixa rentabilidade resultante do elevado custo do aproveitamento da energia solar, principalmente nos sistemas fotovoltaicos e a ocupação do solo potencialmente rico para a agricultura no geral, uma grande desvantagem é a inconstância das fontes de energias renováveis No entanto, estas desvantagens são mínimas quando comparadas com as vantagens que advêm da substituição da utilização de energias não renováveis (como a rentabilidade do uso dos recursos, o desenvolvimento do http://aemc.home.sapo.pt 19 “Bragança Sustentavel” país através da criação de novos postos de trabalho e da fixação de população nas áreas pouco habitadas, e, a nível ambiental, a preservação do planeta) pela utilização das energias renováveis, quase inócuas. Apesar disso, verifica-se que o investimento feito nesta área é muito inferior ao desejável, tendo em conta os benefícios das energias renováveis no aspecto ambiental. É importante salientar que Portugal é um país rico do ponto de vista das fontes de energias renováveis, que deverá aproveitar estas potencialidades, tornando-se menos dependente de energias fósseis . Possui potencialidades para a sua sustentabilidade energética, contudo necessita fazer grandes investimentos nessa área. O mapa que se segue mostra-nos a distribuição das instalações de energias renováveis em Portugal. 20 Para garantir a existência de energia suficiente no futuro é necessário utilizá-la prudentemente no presente. Todos devemos conservar a energia e usá-la eficientemente. Depende de todos nós a iniciativa de criar novas tecnologias que transformem a energia. http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Com todo este trabalho concluímos que as energias renováveis podem ser consideradas inesgotáveis à escala humana, permitem reduzir significativamente as emissões de CO2, reduzem a dependência energética da nossa sociedade face aos combustíveis fósseis e conduzem à investigação em novas tecnologias que permitam melhor eficiência energética. Podemos concluir ainda que as energias renováveis, mesmo tendo caras infra-estruturas, são uma grande aposta para o futuro. As energias renováveis têm grande potencial para substituir as energias não renováveis, uma vez que não poluem e não se esgotam, a sua única desvantagem è o investimento inicial, mas que rapidamente se torna rentável. Para que Portugal fosse alimentado exclusivamente com energias renováveis devia cobrir-se uma área de cerca de 8200km², isto é cerca de 8% do território, num pais aonde há mais de 80% de território livre. Esta área num futuro diminuirá, uma vez que actualmente os painéis solar apenas aproveitam 20%da energia que lhes é fornecida, havendo já pesquisas de aumentar este rendimento para 80%. Ou então poderíamos adquirir eólicas num total de 18219. São valores grandes, que exigem um grande investimento, mas combinando ventoinhas, em locais de ventos fortes, com painéis solares rapidamente conseguiriam tornar Portugal num país limpo. http://aemc.home.sapo.pt 21 “Bragança Sustentavel” A nossa Cidade O desenvolvimento sustentado é um processo abrangente, mas a concentração em determinados sectores pode servir de catalizador para iniciar melhorias significativas na sustentabilidade das actividades das cidades focalizando-se em quatro grandes áreas de intervenção: - Água: A qualidade da água e o seu tratamento são processos extraordinariamente importantes em qualquer cidade. Em Portugal, consumimos anualmente cerca de 655 580 000 m3 por ano dos quais 27,7% (222 569 000 m3) não são tratados após a sua utilização. Há estudos que demonstram que os custos de despoluição são superiores aos custos de tratamento após a utilização. A água é também a fonte de toda a cadeia alimentar. Sem ela não era possível a agricultura. A utilização racional é uma mais-valia para qualquer sociedade pelo que as cidades têm que: - Optimizar os consumos de água potável, em hotéis, urbanizações, 22 serviços públicos, escolas, etc. - Optimizar a utilização da água em irrigação de espaços verdes. A irrigação não é apenas uma necessidade agrícola. Muitos gestores de espaços verdes (e.g. câmaras municipais, gestores de campos de golfe) têm necessidade de recorrer à irrigação para que os espaços verdes o continuem a ser. Muitas vezes deparamo-nos com situações em que a rega desses espaços é efectuada à hora de maior calor (maior intensidade solar). O que é errado. A irrigação deverá ser feita a horas de menos calor. - Promover a utilização de fito-etares para tratamento de águas residuais de um modo sustentável e que podem contribuir para a melhoria directa da qualidade ambiental. - Energia: É necessário promover a utilização de fontes de energia renováveis e a racionalização do seu consumo. http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Relativamente à racionalização, muito se pode fazer, desde a mudança de material mais eficiente (i.e. tipo de lâmpadas) até à mudança do tarifário (i.e. tarifa bi-horária e tri-horária). Casos de eficiência energética, quer na produção quer na racionalização, rondam os 20-30% que, à posteriori reduzem os custos energéticos. -Carbono: Diminuição da emissões de CO2 por parte das empresas e meios de transporte. -Investigação e Desenvolvimento: Desenvolvimento e implementação de técnicas para optimizar processos de irrigação, consumo de água, etc. A nossa cidade para se tornar uma cidade mais sustentável terá que fazer investimentos por forma a racionalizar os consumos de água, melhorar o sistema de tratamento de águas residuais, corrigindo as deficiências da Etar (que se trabalhasse eficientemente não emitiria odores mal cheirosos que se espalham pela cidade), investir em fontes de energia renováveis, contribuir para a redução das emissões de CO2 e desenvolver projectos, nomeadamente, realizar campanhas de sensibilização aos munícipes para que estes adoptem medidas tendo em vista uma racionalização dos recursos. A Câmara de Bragança no âmbito da Agenda 21 integra o grupo do Eixo Atlântico que engloba municípios de Norte de Portugal e da Galiza. Tem desenvolvido, em parceria com as escolas, a Agenda 21 Escolar http://aemc.home.sapo.pt 23 “Bragança Sustentavel” A Nossa Escola A nossa escola está implantada num edifício com cerca de meio século com uma arquitectura bastante actual. Parece-nos que na época existiu um cuidado relativamente à concepção do edifício. É um edifício que tem grande parte das salas de aula voltadas a nascente e a poente, evitando que se tornem demasiado quentes ou demasiado frias. As salas de Educação visual/ desenho estão voltadas para norte, para manter uma luminosidade constante. Medidas para a tornar mais sustentável Necessita, para se tornar mais sustentável de intervenções ao nível das tecnologias passivas como o isolamento do edifício e outras mais complexas ao nível dos materiais utilizados. A função do isolamento é a de manter o conforto térmico no interior de uma construção. Por um lado não deixa escapar a temperatura atingida no interior do edifício, por outro lado impede que a temperatura exterior penetre no interior protegendo o edifício Portas Na fotografia, podemos observar um exemplo de um mau isolamento térmico. Como esta porta existem muitas outras, na nossa escola, que deveriam ser substituídas por portas de menor condutividade térmica, e soluções de isolamento que diminuam as frinchas para reduzir as perdas de calor durante o Inverno, diminuindo assim os gastos no aquecimento. Uma possível Solução: http://aemc.home.sapo.pt 24 “Bragança Sustentavel” Na fotografia ao lado, podemos observar um exemplo de uma porta modelo onde se verifica a utilização de materiais com baixa condutividade térmica na construção, por exemplo, o poliestireno expandido no interior da porta, com uma armadura exterior em alumínio e o isolamento da porta utilizando juntas de borracha. Janelas Na nossa escola apenas foram instalados, até à data, vidros duplos em algumas janelas. Na imagem temos um exemplo de uma das várias janelas onde ainda são utilizados vidros simples, Uma forma de resolver este problema consiste na instalação de vidros duplos em todas as janelas da escola reduzindo assim as perdas energéticas durante os meses de Inverno. 25 Radiadores Devem ser montados nas paredes exteriores, normalmente debaixo das janelas, ou ao seu lado, quando estas são até abaixo. No seu interior circula água que é aquecida numa caldeira. Assim, o aquecimento central é constituído basicamente pelo gerador de calor (a caldeira), os emissores de calor para o ambiente (os radiadores), o sistema de transporte da energia para os radiadores (que foi transformada na caldeira) e o sistema de controlo. Iluminação O uso de lâmpadas tecnologicamente mais eficientes permite poupar dinheiro, por consumir menos energia, e ao poupar energia está a preservar-se o ambiente A iluminação corresponde entre 10 a 15% da energia consumida . http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” A nossa escola utiliza Lâmpadas fluorescentes que são as lâmpadas mais económicas. Emitem aproximadamente a mesma luz que uma lâmpada incandescente convencional, gastando menos 80 por cento de energia. A nossa escola poderá, a curto prazo, melhorar a sua sustentabilidade com a introdução de vidros duplos em todas as salas de aula e portas exteriores, colocação de corta-ventos por forma a diminuir as correntes de ar e as fugas de calor e ainda implementar um sistema de rega eficiente para os espaços verdes que envolvem a escola. A um prazo mais longo, poderá ter uma intervenção ao nível do aquecimento com recurso a energias alternativas com a colocação de painéis solares sobre os telhados das oficinas que poderão produzir energia eléctrica, diminuindo assim os custos em energia para iluminação e aquecimento e a colocação de aerogeradores, ( que podem ser construídos na Escola, rentabilizando as oficinas existentes e o curso profissional de energias alternativas). Com a implementação destas medidas a nossa escola tornar-seia pioneira na nossa cidade garantindo de forma auto-suficiente parte da sua sustentabilidade. Perguntámos ao Professor Helder Leite que medidas adoptaria para a tornar mais sustentável dizendo-nos que: “…no meu entender, uma escola com um desenvolvimento sustentável será uma escola com um desenvolvimento na conjunção de três aspectos fundamentais, social, económico e ambiental. Sem dúvida a introdução de fontes de energia renováveis ao mesmo tempo que uma politica de eficiência energética poderá conduzir a escola a uma escola mais sustentável”. http://aemc.home.sapo.pt 26 “Bragança Sustentavel” Considerações finais Para completar o nosso trabalho decidimos introduzir alguns documentos que anexamos e que lhe serviram também de base. ANEXO I Carta de Leipzig sobre Cidades Europeias Sustentáveis 25.05.2007 Os ministros da União Europeia definem o ideal de Cidade Europeia A Carta de Leipzig sobre Cidades Europeias Sustentáveis foi assinada, no dia 24 de Maio, pelos ministros europeus responsáveis pelo ordenamento do território e urbanismo, numa reunião informal sobre desenvolvimento urbano e coesão territorial organizada pela presidência alemã da UE. A Carta de Leipzig define as bases de uma nova política urbana europeia, focada em auxiliar as cidades a resolver os problemas de exclusão social, envelhecimento, alterações climáticas e mobilidade. As cidades geram 75 a 85% do Produto Interno Bruto da Europa. Promover um ambiente urbano com qualidade é uma das prioridades da renovada Estratégia de Lisboa para “tornar a Europa um espaço mais atractivo para viver e trabalhar”. No entanto, muitas cidades europeias sofrem de elevados níveis de tráfego, poluição, níveis de ruído e exclusão social. As cidades europeias são os locais onde se consomem quase três quartos da energia e portanto são essenciais no combate às alterações climáticas. Embora a União Europeia não tenha qualquer competência ao nível das questões urbanas, as suas políticas de coesão bem como as políticas sectoriais nas áreas dos transportes, ambiente e questões sociais, por exemplo, podem ter um impacto muito significativo ao nível das cidades e da http://aemc.home.sapo.pt 27 “Bragança Sustentavel” sua capacidade para lidar com as mudanças. Deste modo, é necessário uma política integrada de desenvolvimento urbano, que combine todas as políticas relevantes da UE e que envolva os actores a todos os níveis – local, regional, nacional e comunitário. Com a Carta de Leipzig, os 27 Estados-Membro definiram, pela primeira vez, o modelo ideal de cidade para a Europa do século 21 e acordaram estratégias comuns para uma política de desenvolvimento urbano. Fortalecer o centro da cidade De acordo com a Carta de Liepzig, a meta principal deveria ser atrair as pessoas, actividades e investimento para o centro das cidades e pôr fim ao fenómeno de dispersão das cidades que só tem aumentado o tráfego automóvel, consumo energético e área de solo ocupada. A atenção deveria ser orientada na recuperação de edifícios residenciais e comerciais no centro das cidades, com um maior grau de diversidade de actividades e dotada de áreas de lazer e trabalho, tornando as cidades mais vigorosas e mais estáveis, quer socialmente, quer economicamente. Apoiar bairros mais carenciados Os Estados Membro acordaram promover acção sobre os bairros mais carenciados. De acordo com a Carta, esta “acção pública” de erradicar as áreas “no go” da Europa é importante, pois estas ameaçam a atractividade, a competitividade, a coesão social e a segurança nas cidades. Melhor financiamento A Carta também sugere à Comissão Europeia que as cidades devem ser o núcleo das políticas de financiamento. Até ao momento, dos 350 biliões de euros dos fundos de coesão e estruturais para o período 2007-2013, €19,5 http://aemc.home.sapo.pt 28 “Bragança Sustentavel” biliões estão destinados às cidades. Mas a Carta de Leipzig evidencia que se os Estados Membro necessitam de mais acção se pretendem fazer frente a questões como as alterações demográficas, aquecimento global e alterações na estrutura da economia devidas às pressões da globalização. Recomenda ainda que os governos utilizem mais frequentemente a figura da parceria publico-privada para aumentar os investimentos na infra-estrutura urbana. 29 http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” ANEXO II Agenda 21 Local e Municipios Portugueses Projecto: Agendas 21 Locais do Eixo Atlântico Distrito: none Concelho(s): Braga | Bragança | Chaves | Guimarães | Peso da Régua | Porto | Viana do Castelo | Vila Nova de Gaia | Vila Real Freguesia(s): Todas Habitantes: 1100000 30 Data:2003 Fase do Processo: http://www.eixo21.com/ Fonte de financiamento: Projecto financiado pelo Programa Interreg IIIA.Link: http://www.eixo21.com/ Contexto em que o projecto surgiu: Anexo Esta iniciativa surgiu da rede de cidades que pertencem ao “Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular”, integrando os maiores núcleos de população da Galiza e do Norte de Portugal. Esta iniciativa representa um salto quantitativo, em relação ao número e importância das entidades locais comprometidas no processo, e qualitativo, por se tratar de uma iniciativa conjunta de cidades em rede pouco ou nada habitual, sobretudo em comunidades de municípios geograficamente limítrofes e limitadas em número. Mais original resulta o http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” carácter transnacional da rede, ao integrar concelhos galegos e portugueses. O desenvolvimento deste processo, que articula um conjunto de concelhos portugueses e galegos, aporta vantagens comparativas perante processos mais restringidos localmente. Sem perder o carácter particular de cada processo, surge aqui a possibilidade de aproveitar sinergias comuns, a maior visibilidade para cada uma das partes, pelo maior atractivo mediático de um processo de tal envergadura, e a possibilidade de configurar um capital social que crie espaços de representação comuns. Objectivos: O projecto consiste na implementação de Agendas 21 Locais e na realização de análises sobre a qualidade de vida, de acordo com a metodologia da Auditoria Urbana da Comissão Europeia, nas 18 principais cidades da área de intervenção do subprograma Galiza – Norte de Portugal do Programa Interreg III A Espanha Portugal. Para alcançar este objectivo central, o projecto propõe-se atingir os seguintes objectivos instrumentais: 31 - A realização de auditorias urbanas que permitam o estabelecimento de comparações entre as cidades e com outras cidades europeias, bem como o aumento da quantidade e qualidade de informação estatística relativa à qualidade de vida e ao desenvolvimento sustentável nas cidades; - A abertura de processos participativos de análises, diagnóstico e actuação que conduzam à formulação de Planos de Acção que contribuam para atingir a nível local os objectivos de sustentabilidade da Cume de Rio; - O alinhamento da política de desenvolvimento sustentável dos municípios pertencentes ao Eixo Atlântico com as respectivas estratégias nacionais e regionais de Desenvolvimento Sustentável; - O estabelecimento de um modelo de referência para a elaboração de futuras Agendas 21 ou auditorias urbanas. http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Metodologia seguida: Fases do processo: 1. Recolha de informação para elaborar o diagnóstico ambiental e completar o quadro de indicadores da Auditoria Urbana; 2. Elaboração do Diagnóstico de Sustentabilidade e da Auditoria Urbana; 3. Abertura de um processo de participação cidadã; 4. Elaboração do Plano de Acção Ambiental e de Melhoria da Qualidade de Vida; 5. Implementação do Plano de Acção 6. Seguimento e avaliação. Parceiras e apoios: Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional Norte Formas de envolvimento: Anexo 32 A participação pública constitui, através da realização dos fóruns de sustentabilidade, o elemento transversal mais importantes deste projecto. Os fóruns organizados nos diferentes municípios pretendem constituir um espaço privilegiado de discussão e reflexão sobre as necessidades do desenvolvimento sustentável, incentivando a participação activa dos cidadãos. Ao nível da comunicação e sensibilização ambiental foram preparados Boletins Ambientais com periodicidade mensal, distribuídos electronicamente sob subscrição; produziram-se trípticos informativos e distribuíram-se cartazes em todos os concelhos; promoveu-se uma campanha escolar para alertar os mais novos sobre a problemática ambiental (distribuiu-se nas escolas um guia didáctico, uma banda desenhada e um horário escolar), entre outros pontos. http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Principais sucessos atingidos: - Principais dificuldades: - Outras informações: Anexo O Diagnóstico realizado assume que um modelo urbano mais estável, sustentável e renovável pode resumir-se nos seguintes principios ou vectores fundamentais: Compactação do Território, Complexidade, Eficiência do metabolismo urbano e Estabilidade ou Coesão Social. Telefone: 222 000 094 Morada: 33 Associação do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular Cais Ribeira, 55 4050512 Porto Testemunho: O aparecimento da Agenda 21 em 1992 tinha como objectivo a execução da máxima “pensar globalmente e actuar localmente”, constituindo a base de um processo que substituiria o modelo de desenvolvimento actual - sustentado no consumo irresponsável dos recursos não renováveis do planeta - por um novo modelo que satisfaça as necessidades das gerações actuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras. É necessário definir o futuro do planeta, para além de uma declaração de intenções, através de uma planificação e de compromissos concretos nos diversos aspectos ou sectores do desenvolvimento sustentável, mantendo o desenvolvimento económico e social sem esgotar a utilização futura dos recursos naturais nem comprometer o ambiente urbano e a qualidade de vida dos povos. As autoridades locais, por http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” estarem diariamente mais próximas dos cidadãos, desempenham uma função muito importante na sua educação e mobilização em prol do desenvolvimento sustentável. Grande parte dos objectivos da Agenda 21 depende, quase exclusivamente, do papel das comunidades locais. É pois dever das autoridades locais, em cooperação com outras entidades e com o esforço dos cidadãos, assumir uma política urbana de respeito pelo ambiente através de um desenvolvimento sustentável num quadro de solidariedade com os povos mais desfavorecidos e de responsabilidade com as gerações futuras. O Presidente do Eixo Atlântico Xosé A. Sánchez Bugallo. 34 http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” ANEXOIII Que ter em atenção para construir um gerador eólico? O local onde se vai instalar o aerogerador tem vento suficiente ? A maioria das pessoas têm a noção que vivem em locais ventosos, no entanto a maior parte das áreas residências não são adequadas para a produção de energia a partir do vento. As árvores e os edifícios diminuem a velocidade do vento, criam zonas de turbulência que podem ser destrutivas. É fundamental que a zona de incidência se encontre desobstruída. É necessário consultar mapas de velocidades do vento . 35 Os locais abertos ou zonas junto ao litoral podem ser apropriados para colocar as turbinas. Uma torre alta pode ser útil e aumentar a rentabilidade da instalação. A turbina pode ter alguns efeitos nas áreas circundantes, os seus vizinhos podem não partilhar o seu entusiasmo, mas pode partilhar com eles a energia produzida e o trabalho de colocação, certamente os resultados vão ser diferentes. Que tamanho de turbina é necessário ? As turbinas eólicas funcionam com o ar fino, assim, necessitam de ter dimensões elevadas para produzir potências consideráveis. Um diâmetro de 2 metros (pá da turbina com 1 metro) pode produzir anualmente mais de 500 Kw/h. Um valor considerável para uma habitação média. http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Que tipo de gerador deve ser usado ? A maioria dos aerogeradores pequenos são usados para carregar baterias que posteriormente vão colocar essa energia eléctrica transformada no sector normal de 220V. A escolha obvia para um aerogerador caseiro será o alternador de um veículo automóvel. Mas a utilização de uma alternador tem alguns inconvenientes, o dispositivo funciona apenas com uma rotação elevada de aproximadamente 2000RPM a velocidade das pás raramente ultrapassa as 100RPM, existe assim a necessidade de multiplicar mecânicamente este diferencial. Neste processo existem perdas significativas. Em aerogeradores instalados a baixa altitude (em relação ao solo) existe um pequeno aproveitamento energético, existe a necessidade de ter um gerador com uma eficiência muito boa para ter aproveitamento. Quase todas os aerogeradores pequenos de fabrico comercial usam geradores com ímans permanentes que não são fáceis de construir. O gerador é o componente fundamental para o êxito ou fracasso do projecto. Contenha o 36 entusiasmo mas não desanime existem sempre soluções. Brevemente vamos colocar aqui como aproveitar motores de CC em geradores A altura da turbina é importante ? Quanto mais alto melhor, a potência do vento em função da altura varia nas seguintes proporções: V0-Velocidade em m/s à altura de referência h0 do solo α-Coeficiente característico do local; entre 0,1 e 0,4 Cada local pode ter um factor diferente, baseando-nos num factor de 0,1 podemos criar um gráfico aproximado. http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” É possível construir as pás das turbinas ? Processos para a construção das pás das turbinas. Podem construir-se algumas mais sofisticadas em fibra , outras utilizando materiais comuns usando simples tubos de polietileno. 37 Não devemos esquecer que no caso de produção de energia em excesso a EDP é obrigada a comprar essa energia produzida, se tem vento e espaço pense nisso. O primeiro circuito que vamos publicar é totalmente de concepção caseira, destina-se apenas a testar todo o poder que o vento tem em gerar energia, se tem possibilidade tente fazer este pequeno aerogerador, os problemas que surgem são idênticos aos geradores de maior dimensão, até a lei de murphy nº13442331 se manifesta, diz que depois de terminado, o vento não vai soprar durante 5 dias, pode fazer o download clicando em turbina eólica e na mesma linha da turbina anterior aerogerador. Para verificar a velocidade do vento um esquema simples de um anemómetro http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Construir um pequeno aerogerador caseiro Um circuito mais complexo mas com aproveitamento energético, vamos aproveitar um motor de video gravador. 38 Vamos aproveitar o circuito de três fases existente nos servo motores dos videos e fazer a sua ligação a díodos em ponte. vamos então ligar os díodos ao motor http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Cada enrolamento de cada fase tem a mesma resistência, aproximadamente 4 ohm, verifique com o multímetro se os enrolamentos têm todos o mesmo valor. Agora vamos construir as pás da turbina. Vamos para isso utilizar réguas de madeira ou metálicas preferencialmente de aluminio. 39 Suporte as pás de modo a obter o máximo rendimento do vento fazendo o centro da turbina com esta forma. http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Obtemos um conjunto que pode ser utilizado para produzir energia. Nesta foto já com o motor incorporado 40 Depois de conluído podemos então ligar o sistema a um controlador de carga e carregar baterias ou pilhas. Aerogerador 100W Controlador de Carga para aerogerador Energia eólica links Yourgreendreams Windstuffnow Aerogerador 100W http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Como construir um aerogerador 100W Este circuito baseia-se num motor de 220 VDC, 5A usado nas passadeiras rolantes de ginástica, pode usar um outro qualquer motor de corrente contínua procedendo aos ajustes necessários para se adaptar ás pás da turbina. Pode usar um qualquer outro motor desde que debite pelo menos 1 Volt. Aerogerador doméstico 100W - Pás 41 INTRODUÇÃO http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” A segurança é mais importante que a electricidade, execute os circuitos usando o maior cuidado possível. Os geradores eólicos podem ser perigosos quando expostos a ventos fortes as peças móveis podem produzir estragos. Salvaguarde a sua segurança e a segurança do ambiente circundante. FERRAMENTAS http://aemc.home.sapo.pt 42 “Bragança Sustentavel” Materiais para o aerogerador Montagem Tubo 90Cm, 1" Diâmetro Centro de parabólica 2'' 43 Motor 260 VDC, 5 A Ex: Motor de uma passadeira rolante 30 - 50 Amp Díodos ou ponte rectificadora 2 x 5/16” x ¾” Anilhas 3" X 28 Cm tubo de PVC Pá de Orientação 1 m2 (aprox) Plástico Rígido ou Metal 2 X ¾" Parafusos auto-roscantes - P.Porco Lâminas - Pás Tubo de 24" por 8" PVC (se for resistente a UV, não necessita de o pintar) http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” PREPRAÇÃO Cortar as pás O tubo permite cortar 5x2 pás. 1. Utilize um tubo de PVC numa superfície lisa e corte tiras rectangulares 44 iguais. 2. Entre extremos opostos corte em diagonal deixando 30mm até ao vértice. 3. Verifique a figura http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Curvatura das pás e fixação das pás. Verifique a curvatura das futuras lâminas do gerador. O ângulo de ataque (leading) edge deve ser arredondado de modo a oferecer menor resistência ao ar, o ângulo de saída (tailing) edge wants deve ser agudo de modo a que o ar possa sair sem dificuldade.. Arestas vivas devem ser removidas 45 1. O motor deve ser aparafusado ao apoio central e fixo no tubo de suporte, é importante que o eixo do motor esteja perfeitamente equilibrado em elação ás pás. http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” 46 http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Aerogeradores 47 Geradores eólicos de pequena e média dimensão para locais remotos e para integração em sistemas fotovoltaicos. http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Southwest WindPower Geradores e torres disponíveis para todo o tipo de pequenos e médias instalações. Também disponíveis para aplicações marítimas 48 http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” ANEXO IV Fontes de Energias Não Renováveis 49 Petróleo O petróleo bruto não tem, praticamente, nenhuma aplicação. Os seus derivados é que são extremamente necessários na sociedade. Só a partir da década de sessenta é que o petróleo foi aceite como uma fonte energia para substituir a energia carbonífera pelas grandes vantagens que esta apresenta. O petróleo é um liquido oleoso de cor escura, insolúvel em água e de menos densa que esta. Quimicamente é uma mistura de hidrocarbonetos (moléculas de carbono hidrogénio). Admite-se, actualmente, que tem origem na composição de matéria orgânica, principalmente o plâncton (plantas e animais microscópios em suspensão nas águas). Acumulando-se em jazidas subterrâneas sendo daí retirado e utilizado para obter um número sem fim de a produtos de uso diário. As maiores jazidas exploradas encontram se no México, na Venezuela, na Rússia, na Roménia, na Polónia, nos Estados Unidos e nos países árabes. http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Fonte: BP STATISTICAL REVIEW OF WORLD ENERGY 50 Percurso do petróleo As jazidas de petróleo disponível não são ilimitados por isso é necessário pesquisar com cuidado as diferentes regiões onde existe ou onde se pensa que possa existir. Implica, por isso, diferentes ciências, como a geologia (estuda a formação e constituição da terra) e a geofísica (estuda as propriedades físicas da terra). Entre vários processos, um dos utilizados consiste na detonação de cargas explosivas a pouca profundidade, o que provoca vibração nos terrenos até camadas mais profundas. De seguida técnicos profissionais captam a reflexão dessas vibrações. É então que se conclui das probabilidades de existir petróleo numa região. De seguida perfuram o solo, utilizando uma http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” torre com sonda que gira com uma broca na ponta e recolhe amostras do subsolo. Só nesse momento é que se confirma a existência de petróleo, seguindo-se cálculos para avaliar a quantidade existente. Se o valor obtido justificar as despesas necessárias para o retirar, inicia-se a exploração de um poço. É destas unidades, criadas em terra ou no mar (consoante o local em que foi encontrado), que o petróleo sai em seguida para as unidades fabris que o irão transformar. Os campos de extracção do petróleo situam-se, normalmente, muito longe dos locais de maior consumo dos produtos finais. Por isso e necessário transportá-lo para as refinarias. Como o petróleo é um líquido fácil de bombear, transportar e armazenar, é enviado para as refinarias, através de pipelines de grandes dimensões, ou através do mar em petroleiros, alguns com 300 metros de comprimento. Estes petroleiros atracam em cais próprios perto das refinarias, transferindo, então, o petróleo para os reservatórios de armazenagem, novamente através de pipelines. 51 Refinaria Nas refinarias o petróleo bruto é separado em vários produtos pelo aquecimento deste espesso combustível. Os vários componentes do petróleo bruto têm tamanhos, pesos e temperaturas de ebulição diferentes. Por isso, o primeiro passo é separar esses componentes. É devido à diferença das temperaturas de ebulição, eles podem ser facilmente separados através de um processo chamado de destilação fraccionada http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” 52 Entre as várias frações, temos: fração gasosa-gás liquefeito de petróleo (GLP, o gás engarrafado ou de cozinha, formado pelos hidrocarbonetos propano (C3H8) e butano (C4H10)); fração liquida - gasolina, querosene, gasóleo e óleos combustíveis e lubrificantes; resíduo – parafina, vaselina, asfalto e piche Os principais produtos provenientes da refinação são: gás combustível; GLP; Gasolina; Querosene; óleo diesel; óleos lubrificantes; óleos combustíveis; http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” matéria-prima para fabricar asfalto e parafina. A gasolina representa em média 15% do petróleo e, como é a fração de maior consumo, procurou-se descobrir um processo que aumentasse seu teor. Esse processo foi descoberto nos Estados Unidos e recebe o nome de cracking (do inglês, to crack = quebrar), que corresponde à quebra das cadeias dos hidrocarbonetos superiores, quando submetidos a certas condições enérgicas (alta temperatura e alta pressão), originando hidrocarbonetos de cadeias menores e iguais àqueles da gasolina (cadeias de 6 a 10 carbonos, com predominância de C-H,, e C,H,x).As frações querosene, óleos lubrificantes,etc.,constituídaspor hidrocarbonetos de cadeias maiores que as da gasolina, são submetidas a um aquecimento (500 °C) sob pressão (80 atm). Com isso, elas são rompidas e produzem cadeias hidrocarbonetos menores, de correspondentes aos da gasolina. Actualmente, são utilizados no cracking alguns catalisadores (SiO 2, A12O3, MnO, etc.) para se obter a gasolina a uma temperatura e a uma pressão bem menores, tornando o processo mais barato. Utilidades O petróleo após ser purificado e processado é usado como combustível primário em máquinas de combustão interna, sendo de grande importância para o homem. Em meados do século XIX, a necessidade de combustível para iluminação levou ao desenvolvimento da indústria do petróleo, mais tarde com o crescimento do transporte motorizado a procura cresceu muito rapidamente. Hoje em dia, o petróleo fornece uma grande parte da energia mundial http://aemc.home.sapo.pt 53 “Bragança Sustentavel” utilizada no transporte e é a principal fonte de energia para muitas outras finalidades. O petróleo tornou-se fonte de milhares de produtos, tais como a gasolina, parafina, querosene, diesel, GLP (Gás Liquefeito do Petróleo), benzinas, alcatrão. Com ele também é feito plásticos, o asfalto, Goma-arábica (encontrada nas pastilhas) e até medicamentos. Vantagens e desvantagens do petróleo As vantagens do petróleo são a possibilidade de obtenção de inúmeros produtos derivados, como a gasolina, plástico, gás, extremamente necessários no dia-a-dia. As desvantagens são a poluição que este produz e ser um combustível não renovável (fala-se em mais 50 anos se o consumo se mantiver). 54 Gás Natural O gás natural é uma mistura de hidrocarbonetos leves, na qual o metano tem uma participação superior a 70 %, que se caracteriza por ser mais limpo do que outros combustíveis fosseis. À temperatura ambiente e pressão atmosférica apresenta-se no estado gasoso. Encontra-se no subsolo, por acumulações em rochas porosas, isolados do exterior por rochas impermeáveis, associadas ou não a depósitos petrolíferos. Forma-se a partir da degradação da matéria orgânica oriunda de quantidades extraordinárias de microrganismos que, em áreas pré-históricas, se acumulavam nos mares. Essa matéria orgânica foi soterrada a grandes profundidades e, por isto, a sua degradação se deu fora do contacto com o ar, a grandes temperaturas e sob fortes pressões. http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Extracção A sua extracção e igual à do petróleo. Inicialmente, começa-se por realizar e um estudo geológico do solo através um processo chamado sismologia. Basicamente, é provocado um pequeno abalo sísmico, com dinamite por exemplo, e diversos sensores no solo registam a reacção. Depois de provada a possibilidade de haver gás natural a certeza só se obtém quando perfuram o solo. Se a quantidade existente compensar os gastos, então começa se a explorar a jazida. 55 Dos reservatórios ate ao consumidor final Os reservatórios de gás natural são constituídos de rochas porosas capazes de reter petróleo e gás. Em função do teor de petróleo bruto e de gás livre classifica-se o gás, quanto ao seu estado de origem, em gás associado e gás não-associado. Gás associado: é aquele que, no reservatório, está dissolvido no óleo ou sob a forma de capa de gás. Neste caso, a produção de gás é determinada basicamente pela produção de óleo. Boa parte do gás é utilizada pelo próprio sistema de produção, podendo ser usada em processos conhecidos como reinjeção e gás lift, com a finalidade de aumentar a recuperação de petróleo do reservatório, ou mesmo consumida para geração de energia para a própria unidade de produção, que normalmente fica em locais isolados. Ex: Campo de Urucu no Estado do Amazonas http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Gás não-associado: é aquele que, no reservatório, está livre ou em presença de quantidades muito pequenas de óleo. Nesse caso só se justifica comercialmente produzir o gás. Ex: Campo de San Alberto na Bolivia. A partir da extracção das jazidas, o gás natural pode ser liquefeito para que possa ser transportado por via marítima em navios medianeiros, ou transportado na fase gasosa, através de gasodutos. Junto aos locais de consumo, urbano e/ou industrial, o gás natural passa dos gasodutos de transporte para as redes de distribuição, que são instaladas tipicamente por baixo dos passeios ou das bermas das estradas, e através das quais é 56 fornecido aos utilizadores finais. Utilidade A participação do gás natural no consumo mundial de energia é actualmente da ordem de 16,3%, sendo responsável por cerca de 18,3% de toda a electricidade gerada no mundo, sendo, assim, a terceira maior fonte de energia primária no mundo, perdendo apenas para o petróleo e para o carvão. O Gás Natural tem uma grande diversidade de aplicações industrial, comercial, residencial (nos fogões, aquecedores de água e, em países de clima frio, nos sistemas de calefacção). Através das centrais termoeléctricas é possível produzir energia eléctrica. http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Centrais termoeléctricas As centrais termoeléctricas funcionam através da rotação de um eixo gerador de energia eléctrica, essa rotação é obtida com a queima de combustíveis, isto é, pela transformação da energia química em energia mecânica, através de processos de queima específicos para cada tipo de combustível. As instalações físicas utilizadas são denominadas de usinas termoeléctricas, e são semelhantes a outras indústrias de processos, sendo suas dimensões definidas em função da potência e tecnologias adoptadas. A grande vantagem de uma termoeléctrica, que utilize o gás natural como combustível, é a possibilidade de ser implantada junto aos grandes centros de consumo de energia, desde que atendidas as normas de protecção ao meio ambiente local. A usina estando junto aos consumidores reduz as perdas nas linhas de transmissão, assim como, diminui o risco de continuidade dos sistemas de transmissão. As termoeléctricas podem operar em ciclo simples, em ciclo combinado ou em co-geração: Ciclo simples – a queima de um determinado combustível em caldeiras simples, turbinas ou em motores de Ciclo Otto, fornece a energia mecânica para o gerador de energia elétrica. Eficiência média do sistema – 30 a 42 % Ciclo combinado – a queima do combustível fornece energia mecânica para o gerador de energia eléctrica, e os gases da queima do combustível com uma temperatura em torno de 550 ºC são direccionados a uma caldeira de recuperação de calor para produzirem vapor, e este vapor irá movimentar uma turbina a vapor que estará ligada a um outro gerador de energia eléctrica. Eficiência média do conjunto – 42 a 58% Co-geração – é semelhante ao sistema em ciclo combinado, no qual o http://aemc.home.sapo.pt 57 “Bragança Sustentavel” vapor produzido na caldeira de recuperação de calor será também utilizado no processo industrial de alimentos, papel, bebida, aquecimento de ambiente etc. Eficiência média do conjunto – 42 a 80 % Vantagens e desvantagens O gás natural é uma fonte de energia que apresenta várias vantagens. Por um lado, tem um impacte ambiental baixo, uma vez que a sua queima produz uma combustão limpa. Uma vez que circula e é distribuído por gasoduto, o gás natural diminui a dificuldade de transporte e de manuseamento, bem como o tráfego de pesados, eliminando, ainda, os riscos de armazenamento associados a outros combustíveis. A questão da segurança é, igualmente, importante. Por ser mais leve que o ar, em caso de fuga, dissipa-se rapidamente. Esta é uma diferença determinante em relação ao gás de cozinha, que, sendo mais pesado que o ar, tem tendência a concentrar-se no local da fuga, aumentando o risco de incêndio e explosão. Carvão O carvão mineral – ou simplesmente carvão – é um combustível fóssil sólido formado a partir da matéria orgânica de vegetais depositados em bacias sedimentares. Por acção de pressão e temperatura em ambiente sem contacto com o ar, em decorrência de soterramento e actividade orogénica, os restos vegetais ao longo do tempo geológico solidificam-se, perdem oxigénio e hidrogénio e enriquecem-se em carbono, um processo denominado carbonização. http://aemc.home.sapo.pt 58 “Bragança Sustentavel” Quanto mais intensas a pressão e a temperatura a que a camada de matéria vegetal for submetida, e quanto mais tempo durar o processo, mais alto será o grau de carbonização atingido, ou rank, e maior a qualidade do carvão. Os diversos estágios de carbonização, do menor para o maior rank, são dados pelo esquema: turfa carvão betuminoso sapropelito linhito carvão sub-betuminoso antracito. O estágio mínimo para a utilização industrial do carvão é o do linhito. Outro índice qualitativo do carvão é o grade, que mede de forma inversamente proporcional o percentual em massa de matéria mineral incombustível (cinzas) presente na camada carbonífera. Um baixo grade significa que o carvão possui um alto percentual de cinzas misturado à matéria carbonosa, consequentemente, empobrecendo sua qualidade. Extracção do carvão e seus riscos 59 Dependendo da profundidade a que se encontra o jazigo de carvão, a sua extracção pode ser realizada a céu aberto ou através de galerias subterrâneas. A extracção a céu aberto é realizada removendo a camada superficial de solo até se alcançar a profundidade em que se encontra o filão de carvão, seguindo-se então a extracção do minério. Esta actividade implica a remoção de grandes quantidades de terra. Para minimizar este problema é prática comum recolocar a camada superficial de solo depois de retirar o carvão. http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” A extracção de carvão a céu aberto é realizada à custa de enormes pás escavadoras que podem remover muitas toneladas de terra / minério por hora, este processo, bem como o transporte do minério em camiões, origina quantidades significativas de poeiras de onde resultam distúrbios ambientais significativos. Mesmo utilizando a técnica de recolocação de solo para reconversão das áreas de mineração, as zonas que ficam expostas se inundadas pelas águas das chuvas podem provocar drenagens ácidas, ou seja, a água quando infiltrada nos detritos resultantes da actividade mineira, reage quimicamente com alguns materiais, como seja a pirite, produzindo ácido sulfúrico. Este ácido, caso os solos não estejam impermeabilizados, infiltra-se, acabando por atingir os lençóis freáticos subterrâneos. 60 A extracção de carvão através de galerias subterrâneas apresenta igualmente problemas ambientais significativos, mas acima de todo apresenta riscos consideráveis para a saúde de quem nelas trabalha, de tal forma que este tipo de actividade está a entrar em desuso. Para os operadores esta actividade apresenta riscos de: Colapso das estruturas, provocando perdas humanas consideráveis; Incêndio, libertando fumos tóxicos prejudiciais à saúde de quem os inala; Explosões que rapidamente podem provocar a morte ou o colapso das estruturas; Problemas pulmonares derivados da constante inalação de poeiras. http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Do ponto de vista ambiental, a extracção de carvão através de galerias subterrâneas, pela intensa utilização de água provoca o mesmo efeito de acidificação, anteriormente descrito. O minério, antes de entrar nos circuitos comerciais, terá de ser lavado. Este processo acaba também por provocar uma reacção química como a descrita anteriormente. Para além deste efeito de acidificação, a água também arrasta alguns metais pesados constituintes do carvão (como o arsénio). Assim, caso as águas resultantes da lavagem do minério não sejam devidamente tratadas, constituem uma significativa fonte de poluição. Depois de lavado, o carvão requer espaços para armazenamento de grandes dimensões, sendo que estes espaços mesmo depois de desactivados permanecem contaminados por um longo período. Para agravar todo este cenário, é pratica comum que junto às minas de carvão, nos locais de lavagem de minério, se acumulem detritos resultantes da actividade, especialmente quando a actividade é encerrada e as instalações abandonadas. Utilidade O carvão é actualmente responsável por cerca de 7,9% de todo o consumo mundial de energia e de 39,1% de toda a energia eléctrica gerada, é sem dúvida o combustível fóssil mais abundante, estimando-se que existam cerca de 1.000 biliões de toneladas métricas o que, tendo em conta o consumo anual de cerca de 4 biliões de toneladas métricas, garante reservas para os próximos 250 anos. Vantagens e desvantagens do carvão Vantagens : Barato; Abundante; http://aemc.home.sapo.pt 61 “Bragança Sustentavel” Existir muitas reservas Desvantagens : Requer controlos de alto custo de poluição do ar (por exemplo mercúrio, dióxido de enxofre); Contribuinte significativo à chuva ácida e a aquecimento global; Requer o sistema extensivo de transporte. Energia nuclear A energia nuclear é a energia libertada por átomos que se unem (fusão) ou partem (cissão), libertando energia. A energia nuclear provém da cissão nuclear do urânio, do plutónio ou do tório ou da fusão nuclear do hidrogénio. No fundo, a energia nuclear não é mais do que a energia libertada dos núcleos atómicos quando os mesmos são levados, por processos artificiais, a condições instáveis. A cissão e a fusão nuclear são fontes primárias de energia que conduzem à energia térmica, à energia mecânica e à energia das radiações, constituindo-se na única fonte primária de energia que tem essa diversidade na Terra. Reactores nucleares Os reactores nucleares utilizam a energia nuclear para enumeras tarefas. http://aemc.home.sapo.pt 62 “Bragança Sustentavel” Considerar-se que existem três tipos de reactores de cisão nuclear: centrais termonucleares, reactores de investigação e reactores de conversão. As centrais termonucleares aproveitam a energia cinética dos fragmentos originados pelas reacções de cissão para aquecer um fluido circulante. O vapor resultante vai transformam a accionar turbinas que energia mecânica em energia eléctrica. 63 Os reactores de investigação funcionam a baixa energia (1 a 10 MW), com um fluxo elevado de neutrões que é directamente canalizado em feixes para instalações experimentais onde decorrem estudos de Física do Estado Sólido, produção de radioisótopos para Medicina Nuclear ou desenvolvimento de aplicações industriais. Os reactores de conversão transformam, com eficiência elevada, material que não é cindível com neutrões térmicos em material cindível. As conversões mais frequentes são urânio-238 para plutónio-239 e tório-232 para urânio-232. A mais importante, e o que é usado para produzir energia é as centrais termonucleares, portanto iremos mostrar como essas funcionam. http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Constituição de um reactor nuclear Em qualquer tipo de reactor nuclear é possível distinguir o combustível, o moderador, o líquido de refrigeração e a blindagem. O combustível é o material que possui os núcleos cindíveis e que é colocado no núcleo do reactor sob a forma de barras. São, normalmente, usados urânio natural (constituído por cerca de 70% de urânio-235) e ligas de urânio enriquecido (plutónio-239 e urânio-233). O moderador (grafite, água natural, água pesada ou berílio) é utilizado para reduzir a velocidade dos neutrões produzidos nas reacções de modo a aumentar a probabilidade destes neutrões originarem mais cisões nas suas interacções com o combustível. O fluido refrigerador evita o aquecimento excessivo do núcleo através da remoção do calor produzido nas reacções. Os fluidos refrigeradores mais vulgares podem ser gasosos (ar, dióxido de carbono ou hélio), líquidos (água natural, água pesada ou sódio líquido). A blindagem é um dispositivo de protecção biológica que envolve o núcleo do reactor, separando-o da zona de trabalho, e cuja função principal consiste na redução da intensidade das radiações emitidas pelos produtos das reacções de cisão até valores admissíveis para a vida humana. Os materiais mais usados na blindagem dos reactores nucleares são o chumbo e diversos tipos de betão Centrais termonucleares Cerca de 200 centrais termonucleares estão actualmente em operação na Europa, produzindo uma parte significativa da energia eléctrica. Existem Países (como, por exemplo, a França e a Lituânia) onde a energia nuclear satisfaz mais de 70% das suas necessidades energéticas (a França possui cerca de 60 centrais nucleares). http://aemc.home.sapo.pt 64 “Bragança Sustentavel” Estas centrais utilizam a cissão do urânio para produzir energia, que é um processo, que resulta da descoberta por Hahn e Strassman, em 1939, que provem do bombardeamento do urânio por neutrões de baixa energia cinética, um neutrão lento, sendo predominante no urânio-235, , um isótopo do urânio natural na percentagem de 0,7%. O que acontece então quando um núcleo de urânio-235 captura um neutrão lento? O núcleo cinde, isto é, parte, originando dois núcleos: 141 e krípton-92 ou e e , bário- , rubídeo-95 e césio-138 com a emissão de vários outros neutrões, que podem provocar reacções de cisão adicionais, produzindo uma reacção em cadeia, mantendo-se constantes o número de massa (A) e o número atómico (Z) das espécies participantes na reacção, uma reacção nuclear. A absorção de um neutrão lento por um átomo do núcleo origina um átomo do núcleo 65 num do núcleo em outros dois, com emissão de vários neutrões, podendo levar a uma reacção em cadeia pois cada um dos neutrões resultantes pode provocar a cisão de outros tantos núcleos de urânio-235 e assim sucessivamente. Pode-se esquematizar duas das hipóteses de cisão do urânio-235 através das seguintes equações nucleares (podem existir mais para além das aqui referidas, aliás conhecem-se cerca de 50, libertando mais ou menos energia e mais ou menos neutrões): (reacção 1) (reacção 2) http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” A conservação do número de massa em cada lado da equação, 236, e do número atómico, carga eléctrica, 92, e a libertação de grande quantidade de energia por cisão de cada núcleo de urânio-235 faz deste processo um processo altamente exotérmico. O que se passa dentro de um reactor nuclear Quando se dá a cisão, os neutrões emitidos são neutrões que possuem velocidades elevadas, ou seja, com elevada energia cinética. Alguns escapamse e outros tornam-se lentos devido às colisões elásticas que sofrem com átomos leves de uma substância designada por moderador (água ou grafite) na qual o urânio-235 está disperso. Os neutrões lentos provocam cisões posteriores e logo que o número de neutrões lentos ultrapasse o número de neutrões que se escapam, o número de cisões continua a aumentar, libertando-se quantidades cada vez maiores de 66 energia que é transformada em calor. Este calor é removido, via sistema de refrigeração, usualmente através da utilização de água, produzindo a ebulição de uma massa desta, sendo o vapor de água obtido passado por uma turbina solidária de um dínamo, bobina de fio eléctrico envolvendo um íman, induzindo o aparecimento de corrente eléctrica alterna no fio, transformando assim esta energia em energia eléctrica. A fim de regular a velocidade da reacção em cadeia, não se pretende uma explosão nuclear, e deve evitar-se a todo o custo um acidente do tipo Chernobyl (1986), existem barras de controlo, feitas de um material com um grande coeficiente de absorção de neutrões, como o cádmio (Cd), que podem ser introduzidas no núcleo do reactor em maior ou menor quantidade. http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” Os reactores termonucleares são perigosos? Os reactores de cisão nuclear são projectados no cumprimento rigoroso de regras muito exigentes impostas Licenciadoras. pelas Entidades Contudo, estes reactores têm os perigos potenciais de qualquer instalação experimental, incluindo o factor humano. Os acidentes verificados até agora em centrais nucleares não são muito frequentes, embora nalguns casos (como, por exemplo, em Chernobyl) as suas consequências para as populações e o ambiente tenham sido devastadoras. Vantagens: Não contribui para o efeito de estufa (principal); Não polui o ar com gases de enxofre, nitrogénio, etc; Não utiliza grandes áreas de terreno: a central requer pequenos espaços para sua instalação; Não depende da sazonalidade climática (nem das chuvas, nem dos ventos); Pouco ou quase nenhum impacto sobre a biosfera; Grande disponibilidade de combustível; É a fonte mais concentrada de geração de energia; A quantidade de resíduos radioactivos gerados é extremamente pequena e compacta; http://aemc.home.sapo.pt 67 “Bragança Sustentavel” A tecnologia do processo é bastante conhecida; O risco de transporte do combustível é significativamente menor quando comparado ao gás e ao óleo das termoeléctricas; Não necessita de armazenamento da energia produzida em baterias. Desvantagens: Necessidade de armazenar o resíduo nuclear em locais isolados e protegidos (Esta desvantagem provavelmente durará pelo menos uns 30 anos, a partir de quando já se esperam desenvolvidas tecnologias para reciclagem e reaproveitarem os resíduos radioactivos); Necessidade de isolar a central após o seu encerramento; É mais cara quando comparada às outras fontes de energia; Os resíduos produzidos emitem radioactividade durante muitos anos; Dificuldades no armazenamento dos resíduos, principalmente em questões de localização e segurança; Pode interferir com ecossistemas; Grande risco de acidente na central nuclear. 68 http://aemc.home.sapo.pt “Bragança Sustentavel” 69 http://aemc.home.sapo.pt