FACULDADE CANDIDO MENDES CURSO DE GESTAO AMBIENTAL MARCO AURÉLIO BARBOSA DE PAIVA O PROCESSO DE POVOAMENTO DA ILHA GRANDE DISTRITO DO MUNICÍPIO DE ANGRA DOS REIS, ESTADO DO RIO DE JANEIRO CIDADE 2012 1 MARCO AURÉLIO BARBOSA DE PAIVA O PROCESSO DE POVOAMENTO DA ILHA GRANDE DISTRITO DO MUNICÍPIO DE ANGRA DOS REIS, ESTADO DO RIO DE JANEIRO Monografia apresentada ao curso de Gestão Ambiental, como requisito parcial para a obtenção do título de Pós Graduação em Gestão Ambiental. Orientador: Prof. Maria Esther Araújo CIDADE 2012 2 MARCO AURÉLIO BARBOSA DE PAIVA O PROCESSO DE POVOAMENTO DA ILHA GRANDE DISTRITO DO MUNICÍPIO DE ANGRA DOS REIS, ESTADO DO RIO DE JANEIRO Monografia apresentada ao curso de Gestão Ambiental, como requisito parcial para a obtenção do título de Pós Graduação em Gestão Ambiental. Aprovado em ____/____/____ ____________________________________ Orientador: Prof. Maria Esther Araújo Faculdade Cândido Mendes 3 Dedico este trabalho à minha família, pelo apoio incondicional em minha vida acadêmica. 4 AGRADECIMENTOS Agradeço em especial aos seguintes professores: Márcio Constantino 5 RESUMO Este estudo teve como objetivo discutir os termos do impacto ambiental e principais medidas para sua minimização, focando os lixões. Para isso, foi utilizada a pesquisa exploratória, descritiva e bibliográfica. Com o resultado da pesquisa foi possível concluir que se mostra importante a adoção de medidas específicas à contenção de resíduos, assim como de seu tratamento e reciclagem. É preciso a introdução de técnicas e mecanismos próprios a essa gestão, atendendo-se, assim, as necessidades mundiais de preservação do planeta. Além disso, o país carece de solidez nesse propósito, garantindo uma imagem positiva no cenário internacional. Palavras-chave: impacto ambiental; remediação ambiental; lixão. 6 SUMARIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 7 1 LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA ................................ ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO. 1.1 ASPECTOS HISTÓRICOS E GEOGRÁFICOS ..... ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO. 2 INSTITUTO PENAL CÂNDIDO MENDES ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO. 2.1 DESENVOLVIMENTO E TURISMO ...................... ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO. 3 RESERVA BIOLÓGICA DA ILHA GRANDE . ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO. 3.1 PROBLEMAS AMBIENTAIS .................................. ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO. 3.2 PRODUÇÃO DO LIXO ........................................... ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO. 3.3 POLUIÇÃO DAS ÁGUAS ........................... ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO. 3.4 CRESCIMENTO URBANO IRREGULAR E DESMATAMENTO ... ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO. 4. SOLUÇÕES SUSTENTÁVEIS................................. ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO. CONCLUSAO............................................................................................................ 20 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 32 7 INTRODUÇÃO A Ilha Grande já foi uma região de grande beleza paisagística e imensurável riqueza em biodiversidade, podendo ser considerada um santuário de biodiversidade singular, porém com as transformações que a Ilha Grande passou ao longo do tempo, privilegiando as mudanças de funções, como no século XVIII e XIX onde a função portuária da região (Parati) teve importante papel no ciclo do ouro e do café respectivamente. Com a criação do porto do Rio de janeiro a função portuária de Parati perde importância e no século XX a região começa a ter uma importante função turística. A decadência da produção cafeeira, principalmente após a crise de 1929 também incentivou as diversas transformações na organização do espaço geográfico dessa região, o que iria interferir na vida da ilha grande. Este trabalho tem por objetivo mostrar os problemas surgidos com o povoamento local e a relação entre a estrutura física além do impacto causado pelo povoamento, objetiva-se identificar as causas do povoamento, demonstrar os impactos causados, sugerir melhorias para a região. É o início de um trabalho que visa desenvolver uma análise geográfica sobre o distrito de ilha grande, em angra dos reis - RJ, destacando a forma que ocorreu o povoamento e a história existente identificando e sugerindo propostas para mitigar os prejuízos surgidos em relação ao meio ambiente desde o inicio de sua formação até o momento atual, revelando as características socioeconômicas diretamente ligadas ao seu povoamento. O trabalho analisará o contexto histórico e as visões da ocupação da ilha grande juntamente com seu crescimento populacional, avaliando a percepção e estudos de pesquisadores e dados fornecidos por órgãos públicos de âmbito municipal, estadual e federal. Debater sobre a preservação do meio ambiente na ilha grande e seus agentes agressores contribuirá para a visualização do problema, tentando mostrar a origem e as implicações que o aumento do turismo, a produção de lixo, a poluição das águas e o crescimento urbano irregular conjugado ao desmatamento na localidade, tem modificado o ambiente. A pergunta que deve ser analisada é como há desenvolvimento local sem agredir o meio ambiente? como utiliza-lo com o menor impacto? a partir de tais problemas devemos avaliar e entender as visões nas quais possam diminuir os 8 transtornos causados pelas atividades humanas promovendo um desenvolvimento sustentável. 1 LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA De acordo com as informações do “Relatório de Base de Dados para Estudo de Análise Econômica do Ordenamento do Turismo da Ilha Grande/RJ”, publicado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico / Secretaria de Planejamento – Divisão de Meio Ambiente da Prefeitura de Angra dos Reis, no ano de 1998, a Ilha Grande está localizada na região sul do estado do Rio de Janeiro, na baía de mesmo nome, pertencente ao município de Angra dos Reis. Segundo Costa; 2009, é a maior ilha do estado, com uma área de 193 km2 e possui relevo bastante acidentado e inúmeros picos, sendo o mais alto, o Pico da Pedra d’Água, com 1031 metros de altitude, seguido pelo Pico do Papagaio com 982 metros. Na Ilha existem 106 praias, 14 enseadas; 4 lagos; 10 rios; 10 quedas d’água; 3 grutas; 36 pontas de costão. O clima da região é ameno com temperaturas médias entre os 26º C e 20º C. No entanto o índice pluviométrico anual é alto, atingindo cerca de 2302 mm. Seu sistema hidrográfico é composto por numerosos cursos d’água que descem pelas montanhas, às custas dos quais as populações de diversas localidades da Ilha Grande se abastecem. Existem na ilha alguns rios de maior porte como o Capivari, Matariz, Andorinha, Dois Rios e Córrego do Sul. Área de predomínio da Mata Atlântica e ecossistemas marinhos associados, originalmente a Ilha Grande foi coberta por densa floresta. Ao longo da história os diversos ciclos econômicos marcaram a presença das populações no local, entre os quais o extrativismo de madeira, plantações de açúcar e café e criação de gado, além de formas mais recentes de trabalho como o turismo (FERREIRA, 2004). Ainda segundo Costa 2008, a praia do Aventureiro mede aproximadamente 800 metros de extensão e tem como vizinha, a pequena praia do Demo, com aproximadamente um terço de seu tamanho, separada por um costão rochoso, sendo que durante a maré baixa, pode tornar-se praticamente a mesma praia, quando as pessoas podem caminhar de uma praia à outra pela areia. Em geral, este trajeto, quando a maré está cheia, é feito por uma trilha na encosta. Logo após a praia do Demo fica situada a praia do Sul, que só pode ser alcançada pelo costão rochoso de aproximadamente 500 metros de extensão. 9 Segundo a Revista da FEEMA, 1991, em épocas de ressaca, o mar impede esta caminhada, obstruindo a passagem até a praia do Sul. A praia do sul mede aproximadamente 3 km e termina no chamado ilhote do leste. O ilhote, na verdade, um pequeno morro situado na desembocadura do canal que drena as lagoas do Sul e do Leste, divide a praia do Sul e a praia do Leste, que possui 1,5 km de extensão e estão separadas pelo canal do manguezal. Todas essas praias, incluindo a do Aventureiro e a do Demo, estão situadas no interior da Reserva Biológica Estadual da praia do Sul, que apresenta cinco ecossistemas em seu interior: restinga, lagunas, mangue, mata de encosta e costão rochoso. Um quarto de sua área constitui uma planície arenosa, onde se desenvolve uma restinga de expressão singular no estado do Rio de Janeiro e são estes atributos que se tornaram nos principais motivos que levaram este local a ser transformado em uma Reserva Biológica, já que os especialistas consideram como uma das restingas mais bem preservadas do Estado. As lagoas do Sul e do Leste são criadouros naturais de fauna aquática marinha de espécies como a tainha, o camarão e o robalo. Além do manguezal e da planície, as matas de encosta e o litoral rochoso somam ¾ da Reserva. 1.1 ASPECTOS HISTÓRICOS E GEOGRÁFICOS De acordo com Tenório, 2006, a Ilha Grande é habitada há cerca de três mil anos, Neste período um grupo pescador, coletor e caçador se apossou de um pequeno morro – hoje denominado Ilhote do Leste – localizado na atual Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul, em área bem próxima à praia do Aventureiro. Ainda segundo Tenório (2006) este é um ponto estratégico, já que o Ilhote do Leste está localizado na boca de duas lagunas, do Sul e do Leste, que eram maiores e ainda mais ricas em tainhas, que até hoje, vêm a elas para a desova. Estes antigos habitantes da Ilha Grande caçavam macacos e porcos-do-mato e se utilizavam de coquinhos e das folhas de palmeiras para a cobertura das casas e dos troncos do guapuruvu para a elaboração das canoas. A hipótese de utilização de pequenas embarcações por esses grupos é reforçada pela alta incidência de uma espécie de árvore chamada guapuruvu na Ilha Grande, as lâminas de machado, adicionadas à presença de peixes de águas mais profundas, além do fato de que esses grupos priorizavam as praias voltadas para alto-mar. 10 Em um período posterior, a Ilha Grande foi habitada por índios tupiguaranis. Mello (1987) descreve os tupinambás como a tribo dominante na região da baía da Ilha Grande, cujo território abrangia de Cabo Frio a Ibertioga e deles recebeu o nome Ipaum (Ilha) Guaçu (Grande). E diz que o navegador André Gonçalves foi o primeiro europeu a avistar a Ilha Grande em 1502, porém, foi apenas na ocasião de uma expedição exploradora a Angra dos Reis, no ano de 1531, é que foi feito o primeiro registro oficial de sua existência, para a Coroa portuguesa, por Martim Afonso de Souza. O Padre José de Anchieta foi o primeiro a nos transmitir que os Tamoios também eram os senhores da Ilha Grande. Essa notícia encontra-se em sua carta dirigida ao seu Superior Padre Diogo Mirão, expedida na Bahia, em 9 de julho de 1562 (MELLO, 1987:12). Os Tamoios eram altivos, valentes e belicosos, contrários aos seus vizinhos carijós, goitacás, puris, guaianás, etc. eram grandes flecheiros, destros caçadores, pescadores de linha e mergulhadores. Viviam de modo diferente de outros indígenas; suas aldeias eram fortificadas com estacas, a que chamavam de ‘caiçaras’. Apesar das proximidades das outras tribos, sua língua era diferente. No que diz respeito a sua religião e demais usos e costumes, assemelhava-se o tamoio à sua vizinhança (MELLO, 1987:12). São nos relatos de Hans Staden, que aparece o nome Ipaum Guaçu, já que o marinheiro alemão viveu por meio ano na baía da Ilha Grande, na aldeia indígena de Ubatuba, perto da atual cidade de Mangaratiba (WUNDER, 2006:110). Também foram esses antigos moradores que abriram as trilhas utilizadas até hoje. Os portugueses ao longo do século XVI promoveram o desenvolvimento da cidade de Angra dos Reis, vizinha à Ilha Grande, que se tornou um importante porto continental e aumentou o interesse estratégico da Ilha Grande. A beleza da paisagem da ilha levou à adoção temporária do nome Placentia. Neste período contrabandistas e piratas holandeses, franceses e ingleses, que se abasteciam de água potável, frutas e lenhas na Ilha se tornaram uma ameaça aos portugueses, que temiam o estabelecimento de colônias hostis na Ilha Grande e, assim, proibiram completamente as incipientes tentativas de colonização, sendo que no século XVI apenas seis famílias portuguesas haviam se estabelecido na ilha (WUNDER 2006: 21). Até 1725 era proibido viver na Ilha Grande e somente ao longo do século XVIII começaram os assentamentos (MELLO, 1987: 5). 11 A Ilha Grande somente em 16 de novembro de 1726 deixa de ser paulista para ser agregada ao Rio de Janeiro, pela grande insistência de Luis Vâhia Monteiro, que alegava não ter condições de exterminar o contrabando e pirataria enquanto a Ilha Grande não estivesse sob sua jurisdição (MELLO, 1987: 9). Segundo Brito; 2001, Nos três primeiros séculos da colonização do Brasil, o povoamento da Ilha foi muito escasso. Entretanto, como já dito, era bastante conhecida por ser frequentada por piratas franceses, holandeses e ingleses. Esses piratas buscavam locais seguros para descanso, reabastecimento de água, lenha e frutos, além de esconderijos para assaltos a barcos e comboios espanhóis vindos do Peru, Chile e outras províncias sul americanas carregados de ouro, prata e mercadorias. Com a descoberta das minas de ouro em Minas Gerais no século XVIII (que utilizavam a rota Serra do Mar / Porto de Parati para escoamento da produção) e a implantação das lavouras de cana e café, a Ilha passa a ser base de contrabando de escravos, acarretando inclusive em conflitos por posse de terras (MELLO, 1987: 39). Mesmo com a extinção da pirataria no século XIX, a Ilha Grande manteve suas qualidades de abrigo ao comércio ilegal, principalmente àquele ligado ao contrabando de escravos. Apenas depois de 1850, não mais resistindo às pressões internacionais, a Marinha Brasileira passou a patrulhar ostensivamente a costa da Ilha Grande (MELLO, 1987: 44). No século XIX, sua ocupação passou a ser mais sistemática, através das fazendas de cana-de-açúcar e café. As plantações estendiam-se pelas várzeas dos rios e sopés das montanhas, dividindo, com a pesca da baleia, as atividades econômicas da Ilha. Essas atividades atravessaram com dificuldades a passagem para o século XX e praticamente não deixaram vestígios de sua existência (MELLO, 1987: 55). A decadência agrícola que assolou a Ilha Grande acompanhava de perto os problemas do continente, intimamente ligados ao esgotamento da terra, à substituição do trabalhador escravo e a concorrência com as áreas mais produtivas de São Paulo. Por outro lado, essa mesma decadência permitiu que a densa vegetação da floreta tropical recuperasse sua força, tornando difícil acreditar que um dia, a área chegou a ser tomada por plantações de cana-de-açúcar e cafezais (MELLO, 1987: 60). 12 Assim, do final do século XIX ao início do século XX, a pesca passa a ter papel de destaque na economia local. Sendo que na década de 30, conforme já colocado, inicia-se o processo de instalação de fábricas de salga de peixe realizada por imigrantes japoneses, vindos de São Paulo. Chegaram a existir mais de trinta ‘salgas’ em toda a área. Na década de 70, entretanto, observa-se o declínio da produção, atribuída principalmente a diminuição do pescado na Baia da Ilha Grande e adjacências, e a substituição do processo de salga pela venda do pescado congelado. De acordo com Costa; 2009, essas transformações, ocorridas nos últimos anos foram propiciadas por diversos fatores entre os quais se destacam, em ordem cronológica: a abertura da rodovia Rio-Santos (trecho da BR-101) na década de 1970; a criação da Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul, em 1981; a desativação do Instituto Penal Cândido Mendes na praia de Dois Rios, na Ilha Grande, em 1994; a explosão do turismo na Ilha Grande, pós-desativação do presídio, que transformou a ilha Grande em uma fronteira aberta ao mercado imobiliário e turístico; abandono progressivo da pesca e da roça de subsistência por parte dos moradores que passaram a administrar campings em seus terrenos. Ainda de acordo com Costa; 2009, a Ilha Grande ficou famosa na literatura por ali ter existido um presídio político, que inicialmente foi sediado nas instalações do antigo Lazareto (Vila do Abrão) em 1930. Já em 1940, é construído o novo presídio em Dois Rios, especialmente para presos de alta periculosidade, com capacidade para abrigar mil prisioneiros. Em 1994, o presídio é desativado e implodido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. Hoje, a área de Dois Rios e todas as instalações remanescentes foram cedidas à Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ, que instalou ali uma Unidade destinada aos Estudos relacionados as Ciências Biológicas. 2 O INSTITUTO PENAL CÂNDIDO MENDES Costa; 2008, relata que o primeiro estabelecimento penal na Ilha Grande foi a Colônia Correcional Dois Rios, estabelecida na praia de Dois Rios no dia 11 de agosto de 1894. O Decreto nº. 2.432, de 12 de janeiro de 1897, extinguiu-a, para que ficasse destinada aos contraventores condenados no Distrito Federal a partir de 13 janeiro de 1903. Outro Decreto de 19 de junho de 1904 estabeleceu novo regulamento para a colônia modificando novamente, até que em 02 de julho de 1934, ficou subordinada à Inspetoria Geral de Polícia. Em março de 1938 foi instalada no lugar a Penitenciária Agrícola do Distrito Federal e a Colônia Correcional Dois Rios passou a subordinar-se àquele órgão. Em dezembro de 1941, a Penitenciária Agrícola mudou de nome para Colônia Penal Cândido Mendes. Em 1942, foi criada a Colônia Agrícola no Distrito Federal, também situada na Ilha Grande. A Colônia Correcional Dois Rios foi extinta pela Lei nº. 2.601, de 14 de setembro de 1956. Com a transferência para o Estado da Guanabara dos serviços locais da União, a Colônia Agrícola mudou seu nome para Colônia Agrícola do Estado da Guanabara. Em 1963, a Colônia Penal Cândido Mendes foi transferida para a Penitenciária Lemos de Brito e a Colônia Agrícola foi transformada em Presídio Cândido Mendes, posteriormente denominado Instituto Penal Cândido Mendes, desativado em 28 de março de 1994 (SECRETARIA DE PLANEJAMENTO – DIVISÃO DE MEIO AMBIENTE DE ANGRA DOS REIS/RJ, 1998). Ao longo dos anos houve uma mudança do perfil dos presos, com o fim da colônia agrícola, e o estabelecimento de uma penitenciária comum, após a ditadura militar. É interessante, aqui, destacarmos dois fatores: em primeiro lugar, a marca deixada pelas instituições carcerárias na Ilha Grande como definindo a presença do estado perante os moradores. Esta atuação estigmatizou de maneira importante a presença do Estado e sua relação com os moradores da região; em segundo lugar, compreender como ocorreu a passagem da Ilha Grande de um lugar maldito para um paraíso ecológico e turístico, o que certamente contribuiu para marcar ainda mais as mudanças ocorridas após a desativação da penitenciária. Costa,(2008) Segundo Santos (2004), o Estado Brasileiro, ciente da condição de isolamento do local, procurou institucionalizar um sistema carcerário na Ilha Grande por cem anos, portanto, de 1894 a 1994. Nesse período, foram várias as medidas correcionais e punitivas adotadas, bem como as reformulações e transformações ocorridas nas formas organizativas e de funcionamento das instituições carcerárias da Ilha Grande. A UERJ recebeu uma concessão, de 50 anos, do Estado do Rio de Janeiro, da área onde ficava a penitenciária na Vila de Dois Rios. Ali funciona o Campus Ilha Grande, que abriga o Centro de Estudos Ambientais e Desenvolvimento sustentável (CEADS). A convivência da população com o presídio 14 por um século deixou marcas profundas na socialização entre as pessoas na Ilha Grande. A presença da penitenciária acabou criando um estigma a respeito da presença e da atuação do estado para que a colônia penal cumprisse sua dupla função de cárcere e de separação dos detentos em relação à sociedade. De acordo com Santos (2004), a construção de uma prisão numa ilha, pressupõe que os presos, além dos muros e grades da cadeia estariam isolados da sociedade e do continente em uma ilha. Para fugir, não bastava ao preso escapar dos muros do presídio, era preciso deixar a Ilha Grande, que assim assumia realmente o papel de ilha-presídio. Segundo Santos (2004), a história das instituições carcerárias na Ilha Grande remonta ao ano de 1830, em que o primeiro Código Criminal foi promulgado no Brasil, apontando um movimento de adaptação da sociedade brasileira às novas tendências disciplinares. Foi estabelecido um novo Código Penal, que se afastasse da herança colonial. Santos (2004) chama a atenção para o fato de que o isolamento em que eram colocados os condenados na Ilha Grande poderia ser útil às intenções das autoridades de controlá-los e reeducá-los, mas que, junto com eles ficavam também em extremo isolamento os funcionários, que não davam mostras de adaptação ao sistema. Desde os primeiros anos devido ao isolamento da ilha os guardas e policiais que lá trabalharam sempre foram recrutados entre moradores locais. De acordo com Santos (2004) os indivíduos que eram enviados para a Colônia eram aqueles que não tinham poder e conhecimento para contestar a decisão tomada pelas autoridades policiais. A partir de 1911 um novo tipo de detento era recebido na Colônia. Nesse ano, foram enviados, em caráter provisório, presos militares, que representaram 42,5% do total de presos. Localizado bem próximo à CCDR, o Lazareto, um hospital que funcionava junto à Defesa Sanitária, recebendo enfermos de embarcações ancoradas, foi designado prisão militar preventiva, em 1925, situação que perdurou até 1927. Segundo Santos (2006), dessa época até 1963, a penitenciária se manteve como uma colônia agrícola, mudando, então, seu perfil. Neste ano a instituição carcerária foi transformada em Presídio Cândido Mendes, posteriormente denominado Instituto Penal Cândido Mendes, desativado em 28 de março de 1994. Nos últimos anos, o local transformou-se em prisão de segurança máxima voltada para manter em reclusão os criminosos com maiores sentenças a cumprir. As fugas 15 freqüentes, acompanhadas pelo alto custo de sua manutenção, vinculado à corrupção do aparelho do Estado, estão entre os motivos de sua implosão. Muitos detentos famosos estiveram atrás das grades na penitenciária da praia de Dois Rios entre eles destacamos: Orígenes Lessa entre outros presos políticos que participaram da Revolução Constitucionalista de 1932; Graciliano Ramos, Agildo Barata entre outros líderes do Partido Comunista na Era Vargas; Fernando Gabeira, Nelson Rodrigues Filho entre outros militantes e ativistas que lutaram contra a Ditadura Militar, pós-golpe de 1964; e criminosos famosos como Madame Satã, Lúcio Flávio, Zé Bigode, Mariel Mariscott, Escadinha, além de banqueiros do Jogo do Bicho como Natal da Portela e Castor de Andrade. Segundo Santos (2006), a própria história do Comando Vermelho (CV) teria sua gênese na penitenciária da Ilha Grande e remonta à década de 1970, quando assaltantes de banco e outros criminosos presos pela lei de Segurança Nacional se misturaram aos presos políticos e incorporaram discursos e práticas de organização dos partidos de esquerda. Esta breve história das instituições carcerárias da Ilha Grande nos ajuda a entender dois pontos importantes: em primeiro lugar a convivência com a penitenciária e a ameaça constante das fugas e da violência e, em segundo lugar, a presença e a atuação do Estado na Ilha Grande como a de um Estado repressor, desde o primeiro momento com a penitenciária e na continuidade das práticas policialescas e autoritárias, após a criação da Reserva Biológica. 2.1 DESENVOLVIMENTO E TURISMO A AGRICULTURA Uma atividade que permaneceu ao logo dos tempos foi a agricultura, alterando-se apenas os cultivos. Nos relatos dos moradores estão presente em espécies plantadas pelas pessoas, tanto frutas, quanto ervas medicinais, e que não são parte das roças e são denominados por Garrote (2004) como fazendo parte dos quintais agro florestais. Os quintais agro florestais têm como características a heterogeneidade de espécies e o uso de tecnologia simples (GARROTE, 2004: 33). Os quintais são áreas próximas às moradias e, mesmo que abandonados, exibem 16 grande variedade de espécies frutíferas, juntamente com plantios anuais. As roças, por sua vez, ficam sempre em uma área de fora dos limites das casas, enquanto que esses quintais ficam nas áreas das casas, ao redor das moradias. Esta era a base de sua subsistência no passado, em um período anterior ao turismo. Após o turismo houve mudanças na dieta da população, que passou a depender dos produtos industrializados e comprados nos mercados em Angra dos Reis. Entre os motivos podemos destacar que os espaços dos quintais agro florestais foram abertos para dar lugar às barracas de camping, além do que, comparativamente a baixa rentabilidade das roças e dos quintais, em relação ao turismo, além da demanda de tempo para o cultivo fizeram com que essas atividades agrícolas praticamente estejam extintas. As roças de subsistência representaram a principal atividade de subsistência das famílias até a década de 1960, quando teve início o trabalho na pesca embarcada e assalariada nas traineiras. Antes desta modalidade de trabalho na pesca, os homens também participavam ativamente de todas as etapas da agricultura, junto às mulheres, desde a abertura dos terrenos, passando pelo plantio, colheita até a venda, que era a principal consumidora dos produtos agrícolas. Assim que se formava um novo casal, abria-se uma nova roça que daria o sustento daquela nova família que estava por se formar. O principal produto agrícola do Aventureiro era a mandioca e a produção de farinha. Existiam no passado, conforme relatos, várias casas de farinha que eram compartilhadas pelos agricultores. Os baixos preços obtidos com a produção, aliadas as dificuldades de transporte e a legislação específica que determina grande parte da Ilha como área de preservação ambiental são apontados como responsáveis pelo desaparecimento de suas atividades agrícolas. A PESCA O trabalho na pesca embarcada assalariada nas traineiras do Provetá sustentou as famílias por mais de quarenta anos. A importância do trabalho na pesca pode ser percebida hoje em dia no trabalho com os campings, sobretudo no que refere a uma ética rígida do trabalho. O passado recente de baixos salários da pesca, além do conhecimento adquirido, ao longo dos anos, de lidar com a sazonalidade dos salários, com a incerteza relativa à captura do pescado forneceu 17 um capital simbólico importante para os moradores no que se refere à poupança e a uma racionalidade econômica no reinvestimento dos ganhos, como percebemos no processo de compra dos barcos, da compra de uma segunda casa para as famílias em Angra dos Reis, assim como nas melhorias nos campings e no atendimento aos turistas. A principal espécie capturada pelas traineiras é a sardinha. Embora se destine, sobretudo, à sardinha, aplica-se também a outros peixes como a savelha, o xerelete, a corvina, o xaréu entre outros. Os barcos maiores dispõem de um guincho movido a motor para o lançamento mecânico da rede. As traineiras foram introduzidas na Ponta do Caju, na baía de Guanabara, mais ou menos em 1910, por pescadores espanhóis. Até 1930 predominavam, na costa do Rio de Janeiro, os barcos a remo nesta forma de pescaria, o que limitava muito sua atuação. Foi através da criação do entreposto de pesca e das fábricas de sardinha em conserva que este tipo de pesca ganhou impulso, tornando-se uma atividade economicamente lucrativa e tornando viável a aquisição de motores para os barcos. A sardinha já foi a principal atividade econômica da região e de todo o litoral fluminense, em um passado recente, sendo que a própria Ilha Grande abrigava algumas fábricas de processamento dessa espécie e é definida por Mussolini (1980) como o grande centro produtor de sardinha. O arrasto é praticado para a captura de camarões e demais espécies demersais (espécies que vivem próxima ao fundo dos oceânico). Ao revolver e remover todo o material do fundo por onde passa, captura grande quantidade de espécies e de alevinos (filhotes das espécies) que não são aproveitados economicamente. A quantidade de fauna acompanhante das operações de arrasto que é lançada, já morta, de volta às águas, em inúmeras vezes é maior do que o que é aproveitado economicamente neste tipo de pescaria. O camarão, principal espécie capturada nas redes de arrasto, entretanto é altamente rentável e esse é um grande incentivo para essa atividade econômica. Atualmente a pesca praticada na ilha é de forma artesanal, em menor escala, e industrial, principalmente de sardinha e camarão. O Município não pratica a pesca em alto-mar e o pescado vem diminuindo graças a agressões ao meio ambiente, ocorridas principalmente com a construção da Rodovia Rio-Santos e de 18 grandes empreendimentos imobiliários, contribuindo para o aterramento dos manguezais e na destruição do costão rochoso que avança sobre o mar. Com a expectativa de melhorar o desenvolvimento econômico, a Prefeitura de Angra dos Reis vem introduzindo junto aos pescadores artesanais o cultivo de mexilhões como alternativa e paralela à pesca e que produza uma renda complementar as famílias de pescadores. O TURISMO A atividade principal da Ilha está direcionada ao turismo. O turismo praticado na localidade apresenta características diferenciadas conforme a localidade. O Abraão, por ser o único local de chegada de transporte regular, constitui-se a ponta de maior afluxo de turistas, que passam somente um dia ou ali permanecem um período, pernoitando em pousadas e campings. Dali partem para diversas trilhas que levam a praias selvagens. Nos períodos de feriados prolongados a vila recebe um volume excessivo de turistas, totalmente sem controle. Na Araçatiba, a maior parte da visitação turística acontece de forma organizada, através de pacotes turísticos organizados por agências de Campinas e São Paulo, muitos desses visitantes buscam a prática de mergulho. No caso do Aventureiro, o turismo vem aumentando nos últimos anos de forma descontrolada, apesar de tratar-se de Reserva Biológica e Parque Marinho, o camping selvagem vem acontecendo nos quintais e áreas públicas, com consentimento dos moradores, assim como a prática de surf e caça submarina. O declínio das “salgas” e a construção da Rodovia Rio-Santos (BR-101) aconteceram no mesmo período que a implantação do turismo no Município. Vários proprietários transformaram as antigas fábricas de salga em pousadas, adaptando apenas o uso do espaço, para abrigar um turismo popular vindo principalmente de São Paulo. Da mesma forma, com a desativação do presídio houve um aumento significativo nas consultas informais à Prefeitura de potenciais empreendedores sobre as possibilidades de investimentos nas várias localidades da Ilha Grande. O número de licenças para construção também aumentou e um indicativo do aumento do número de turistas que procuram a Ilha Grande pode ser demonstrado pelo Relatório Anual de Demanda de Passageiros da BARCAS S/A (CONERJ, 1998). 19 3. RESERVAS BIOLÓGICAS DA ILHA GRANDE Segundo Mascarenhas (2004), as Unidades de Conservação da Ilha Grande e suas características estão assim apresentadas abaixo: Parque Estadual da Ilha Grande – atualmente com 5600ha foi criado em 1971, abrangendo inicialmente uma área de 100.000ha e passando a ter 15.000ha em 1973. O parque é administrado pelo IEF (Instituto Estadual de Florestas). Embora destinado à recreação e ao turismo ecológico, o parque é uma unidade de proteção integral, o que significa que ele é incompatível com o desenvolvimento de qualquer atividade econômica que não esteja diretamente relacionada com seus objetivos (passeios ecológicos dos mais variados tipos, restaurantes, lanchonetes e recreação infantil são exemplos de atividades que poderão ser permitidas desde que desenvolvidas estritamente de acordo com as normas de uso do parque). Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul – criada em 1981, possui uma área de 3.600ha e é subordinada à Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA). Ao contrário dos parques as reservas biológicas não têm objetivos recreativos ou turísticos sendo proibida a visitação pública, exceto aquela com objetivo educacional, de acordo com regulamento específico. A pesquisa científica, assim como nos parques, depende de autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade e está sujeita às condições e restrições por este estabelecidas, bem como àquelas previstas em regulamento. O único contato humano com a reserva biológica, portanto, se resume às atividades de pesquisa científica e de visita com objetivo educacional. Qualquer outra atividade é proibida dentro dos limites da reserva. Área de Proteção Ambiental dos Tamoios (APA) – subordinada à FEEMA, abrange uma área de 20.000ha. Reserva Biológica da Ilha Grande – criada por decreto de 1987, não é considerada nem pelos órgãos ambientais, na medida de que além de se sobrepor a outras Unidades de Conservação, está em total desacordo com a legislação, uma vez que esta determina não poder existir nenhum tipo de ocupação humana em uma Reserva Biológica (problema semelhante ao do Aventureiro). 20 Parque Estadual Marinho do Aventureiro – criado por decreto estadual em 1990, o parque abrange uma área de 1300ha (cinco milhas náuticas quadradas) e é administrado pela FEEMA. 3.1 - PROBLEMAS AMBIENTAIS A temática da proteção do meio ambiente é um dos assuntos de maior estudo e debates na sociedade contemporânea. As perguntas mais frequentes são: Como proteger o meio ambiente para que as futuras gerações possam usufruir desses recursos? Como utiliza-los de forma sustentável? “Cabe à sociedade e aos governos tomarem todas as decisões possíveis neste momento para garantir que esse legado de destruição não será deixado para as gerações futuras e tampouco para as comunidades em condições mais vulneráveis neste momento.” ( Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace ) A Ilha Grande como centro de grande beleza paisagística na qual guarda-se uma infinidade de riquezas biológica que vem sofrendo com intensas transformações ambientais nas últimas décadas em virtude de diversos fatores causados principalmente por ações antrópicas. A quantidade de legislações e das várias instâncias governamentais e não-governamentais voltadas para a proteção do meio ambiente, não foram suficientes para solucionar os problemas de degradação ambiental que a ilha vem passando. A problemática dos fatores que agridem o meio ambiente na Ilha Grande só estará resolvida, segundo o CEADS ( Centro de Estudos Ambientais e Desenvolvimento Sustentável ), através de projetos integrados a educação formal e ambiental, possibilitando o desenvolvimento socioeconômico e autossustentável da região. Aspectos como produção e acumulo de lixo, poluição das águas, desmatamento, turismo e crescimento urbano desordenado são as atividades predatórias que mais preocupam ambientalistas e moradores da Ilha Grande, 21 mostrando a vulnerabilidade e ausência de políticas eficazes para a proteção do ambiente local. Atualmente a atividade principal da Ilha Grande está direcionada ao turismo. A construção da Rodovia Rio-Santos (BR 101) no início da década de 1970, possibilitou melhores acessos a Angra dos Reis e à Ilha Grande, favorecendo o turismo. ( RAMUZ, Pedro Francisco ). Junto ao fato da construção da Rio-Santos, a EMBRATUR fez o lançamento do Projeto Turis, mostrando as belezas naturais e incentivando a implantação de hotéis e condomínios na região. “A atividade humana sempre provocou grandes mudanças ecológicas através dos tempos. Devemos nos lembrar de que todos os organismos vivos são afetados em diferentes graus e não somente o homem.” SHELDRAKE, Rupert A Vila Abraão recebe a maior parcela dos turistas que procuram a Ilha Grande, pois nela está localizado único porto de embarque e desembarque do transporte regular com o continente. O crescente aumento nos números de turistas em toda Ilha Grande vem causando transtornos a população local e para todo ecossistema da ilha. Dados publicados em 28/05/2000 mostram que a os índices de poluição das águas produção de lixo chegam a dobrar, somente no período do verão. Algumas medidas para tentar frear os impactos ambientais causados pelo turismo têm sido tomadas. Uma delas foi impedir que a empresa Barcas S.A. aumentasse o número de viagens entre o continente e a ilha. Outro exemplo claro é o projeto lançado pela prefeitura de Angra dos Reis, o Angra Legal, que teve seu lançamento em 17 de fevereiro 2006, onde foi anunciada uma série de medidas visando à preservação da Ilha Grande, dentre elas a limitação da entrada de turistas e a cobrança de uma taxa de preservação ambiental. Um estudo do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UERJ, mostrou que 78,3% dos turistas que chegam à Ilha Grande são favoráveis à cobrança de uma taxa de preservação ambiental. Desses, 58% optaram pela cobrança de uma taxa única e a outra parcela, a cobrança por número de dias de permanência na ilha, a exemplo de 22 Fernando de Noronha. De acordo com a Prefeitura de Angra dos Reis, a ilha comporta aproximadamente 7.500 pessoas ( atual número de habitantes da região ). “O que nos chama atenção e é importante que se reflita nesse momento é a necessidade urgente de se traçar um plano que contemple o turismo, a questão ambiental e a questão sócio-econômica da baía da Ilha Grande”, ( José Augusto Morelli, chefe do Ibama na Ilha Grande ) A cobrança da taxa de preservação ambiental não saiu do papel e turismo cresce ano após ano. Fica evidente a necessidade de um planejamento para o turismo, que aproxime homem e natureza, através de infraestrutra e melhorias na região, capacitando a mão de obra local e conscientizando o turista. 3.2 – PRODUÇÃO DE LIXO É inevitável a produção e o acumulo de lixo nos aglomerados urbanos devido à cultura capitalista de consumo, sendo impossível conhecer uma localidade que tenha a total capacidade de gerir os resíduos sólidos desde a etapa da geração até a disposição final. A problemática ambiental gerada pelo lixo é de difícil solução e a maior parte das cidades brasileiras apresenta um serviço de coleta que não prevê a segregação dos resíduos na fonte. (IBGE,2006). Desde 1993 a Prefeitura Municipal de Angra dos Reis iniciou o programa de coleta de lixo na Ilha Grande, com um custo total de 74 mil reais envolvendo gastos de equipamentos e infraestrutura. Nas localidades mais populosas como a Vila Abraão e Provetá, existe a coleta domiciliar realizada pelo município e nas demais localidades há pontos onde os moradores concentram seu lixo, para posteriormente ser retirado pelos funcionários da Prefeitura. O lixo produzido nas várias localidades 23 da ilha é recolhido e levado para o continente em barcos alugados pela prefeitura, de onde são conduzidos para o Aterro Sanitário do Ariró, em Angra. Mesmo com a infraestrutura montada pelos órgãos públicos, de coleta e transporte dos residos sólidos a Ilha Grande ainda sofre com o acumulo de lixo. De acordo com a Prefeitura de Angra dos Reis cerca de 9 toneladas de lixo por dia são transportados para o continente, uma media de 0,98 quilos por habitante. É importante ressaltar que a produção de lixo varia conforme o período do ano, em função do turismo. Nos períodos de alta temporada ( janeiro a março ), esse volume costuma dobrar de quantidade, sendo a Vila Abraão responsável pela metade dessa produção. A poluição visual causada pelo lixo e a sua disposição inadequada está se tornando um hábito cotidiano na ilha, e muitas vezes o observador desses fatos concebe tais situações como “normais”. A região que mais sofre com o acumulo de lixo é a Vila Abraão, porém a degradação fica evidentes nas demais partes da ilha. FIGURA 6: Lixo na Vila Abraão Fonte: http://www.ilhagrandebrasil.blogspot.com.br FIGURA 7: Lixo na Vila Abraão Fonte: http://www.ilhagrandebrasil.blogspot.com.br O problema do lixo já vem sendo “denunciado” a bastante tempo. No início de 2001 o Jornal do Brasil publicou matérias sobre o acumulo de lixo na região. Na data de 14 de fevereiro, a publicação tinha como manchete “A Ilha e seus Urubus”, matéria que criou uma grande repercussão, indicando ser uma vergonha o estado de abandono da Ilha Grande, um grande polo ecológico e turístico do Rio de Janeiro. Um Termo de Ajuste de Conduta Ambiental (TAC) foi confeccionado e apresentado pelos órgãos públicos em 2002, e até hoje, “não saiu do papel”. O TAC da Ilha Grande foi feito com o objetivo de implementar o projeto de saneamento 24 básico nas regiões mais populosas e o tratamento do lixo produzido na ilha. Esse termo de ajuste foi elaborado por diversos órgãos públicos como o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério Público Federal, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, o Estado do Rio de Janeiro, o Ministério Público Estadual, a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente, o Instituto Estadual de Florestas, a UERJ e o Município de Angra dos Reis, porém conflitos e superposições entre os órgãos que utilizam das legislação específica para cada unidade de conservação da ilha, impedem sua implementação definitiva. “O TAC da Ilha Grande é instrumento jurídico celebrado entre o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério Público Federal, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o Estado do Rio de Janeiro, o Ministério Público Estadual, a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente, o Instituto Estadual de Florestas, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro e o Município de Angra dos Reis, em 20 de janeiro de 2002, visando a melhoria e a solução de várias questões ambientais referentes ao espaço geográfico da ilha.” ( TAC da Ilha Grande ) Os impasses em torno do lixo da região necessitam ser resolvidos, com intervenções do poder público, para que a produção exacerbada de resíduos não se caracterize como ponto central do contexto urbano da ilha e não venha afetar diretamente os ecossistemas. 3.3 – POLUIÇÃO DAS ÁGUAS A poluição das águas tem sido um problema para a nossa sociedade. O crescimento urbano, correlacionado a falta de planejamento público acentuam essa condição das redes fluviais. Os oceanos são os que mais sofrem, já que recebem boa parte dos poluentes dissolvidos nos rios, além do lixo das cidades localizadas próximo do litoral. 25 O sistema sanitário de captação do esgoto da Ilha Grande foi implantando somente no ano de 1995 com a construção de rede de coleta e instalação de uma Estação de Tratamento de Esgotos ( ETE ), na região da Vila Abraão. Esse fato não deixou a região livre do lançamento de esgoto “in natura” no mar, deixando o problema ainda sem solução definitiva. Cabe lembrar que as demais localidades da Ilha ainda não possui estação de tratamento e na vila de Provetá ( segunda mais populosa da Ilha Grande ), ainda existe a utilização de fossas sépticas, sumidouros ou encaminha seu esgoto direto para os córregos e oceano da região. É comum encontrar línguas negras nas praias de Provetá, Aventureiro, Palmas, Abraão, de Fora, Japariz, Saco do Céu, Bananal, Matariz, Enseada do Sítio Forte, Longa, Araçatiba e Vermelha. “As praias com línguas negras ficam quase todas no lado continental da ilha, onde reside a maior parte da população. As exceções são Aventureiro e Provetá, que também têm manchas. Provetá é caso extremo, pois tem a população quase tão grande quanto a do Abraão e sem sistema de tratamento.” (Alexandre Guilherme – Presidente do Comitê de Defesa da Ilha Grande – CODIG) No ano de 2006, análises da Feema constataram que a água na Praia do Abraão, estava com índices de poluição seis vezes acima do máximo tolerado pelo homem. Um estudo do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UERJ revela que os moradores consideram a falta de saneamento a questão mais crítica da ilha. Outro aspecto que deve ser considerado marcante no processo de poluição da região da Baía da Ilha grande é o constante tráfego marítimo, e à circulação de grande número de embarcações de diferentes portes pelo litoral. A realização de atividades de manutenção de embarcações e plataformas nesses locais causam impactos e danos para o ecossistema marítimo local. Navios-Plataforma costumam lavar tanques e convés na região, jogando no mar resíduos químicos derivados dos produtos de limpeza e parte do óleo que ainda restam nas embarcações. Fazer manutenção e raspagem da pintura do casco, também é uma prática náutica na 26 região, tornando manchas de óleo e de tinta comuns nos costões rochosos da Ilha Grande. FIGURA 8: Mancha de tinta nas rochas da Ilha Grande Fonte: INEA A ausência de regulamentação e de controle sobre as águas que banham o entorno da Ilha Grande tem acelerado a degradação da região, e a necessidade de uma gestão do espaço marinho, se faz necessária para não haver uma perda de biodiversidade, de qualidade ambiental e paisagística na Baía da Ilha Grande. 3.4 - CRESCIMENTO URBANO IRREGULAR E DESMATAMENTO As duas principais causas do desmatamento nos países tropicais são o crescimento da população urbana e as exportações agrícolas, segundo um estudo publicado na última edição de fevereiro de 2010, da revista Nature Geoscience. Toda a Ilha Grande está protegida pela Área de Proteção Ambiental dos Tamoios (APA dos TAMOIOS), constituindo-se na Reserva Biológica da Ilha Grande (Decreto nº 9.728 de 06.03.87,) que por sua vez é subdividida em 3 áreas mais específicas com o objetivo de preservar integralmente as espécies de fauna e flora raras, ameaçadas de extinção. 27 FIGURA 9: Mapa dos Parques e Reservas da Ilha Grande Fonte: www.ilhagrande.com.br • O Parque Estadual da Ilha Grande (PEIG) foi criado em 1971 e atualmente é administrado pelo IEF (Instituto Estadual de Florestas). São 40,8 km² que apresenta o formato de um triângulo entre Abraão, Lopes Mendes e Parnaioca. Em junho de 2007, a área do parque, foi expandida para 120 km², chegando 62% da ilha. Fica agora inserida definitivamente dentro da região do PEIG as praias de Lopes Mendes, Santo Antônio e Parnaioca, extensas áreas de costeira e todas as terras acima da cota de 100 metros de altitude. • A Reserva Biológica Estadual da Praia de Sul foi criada em 1981 (Decreto nº 4.972 de 02.12.81) e é administrada pela FEEMA (Fundação Estadual de Engenharia e Meio Ambiente). São cerca de 35 km² começando desde a ponta do Drago até a Parnaioca e estendendo-se até a vertente das montanhas (divisores de mananciais). A Reserva Biológica abriga todos os ecossistemas litorâneos existentes no Estado do Rio de Janeiro, talvez seja o único no Brasil com essa característica. • O Parque Estadual Marinho do Aventureiro é adjacente a Reserva Biológica da Praia de Sul e seus limites compreendem toda a área de costeira e praias desde a ponta da Tacunduba (Parnaioca) até a ponta do Drago. Sua área total é de 15,5 km2. Foi criado pelo DECRETO ESTADUAL número 15.983 - DE 27 de novembro de 1990 com o objetivo de resguardar atributos da natureza local, conjugando a 28 proteção da flora e fauna e das belezas naturais, com a utilização para objetivos educacionais, recreativos e científicos. A administração e fiscalização do Parque Estadual Marinho do Aventureiro estão sob a responsabilidade da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente FEEMA. Mesmo com toda a legislação que protege a região da Ilha Grande, construções irregulares chegam a 49%, aponta o Inea. Ainda de acordo com esses estudos, a ocupação desenfreada do solo, trás fragilidade e instabilidade para as construções. As primeiras horas de 2010 foram marcadas por uma grande tragédia na Enseada do Bananal, onde a terra se desprendeu da rocha, encobrindo casas e parte da Pousada Sankay. Tal tragédia, que culminou com a morte de 31 pessoas, serviu de alerta para a ocupação desenfreada da região. FIGURA 10: Deslizamento na Enseada do Bananal em janeiro de 2010 Fonte: www.g1.com.br O Decreto Estadual Nº 41.921, de 22 de junho de 2009, liberou o aumento da área para construção em 10%, o que implicará em um aumento considerável das construções costeiras causando vários impactos ambientais. Uma denuncia recente de desmatamento da Ilha Grande foi publicada no portal R7. No dia 31 de agosto de 2011, o site mostrou a expansão de uma mansão que posteriormente seria usada como um cassino. Segundo o Secretário do Ambiente Carlos Minc, o Estado pode efetuar o embargo administrativo ambiental, em construções irregulares, porém a demolição depende de ações judiciais. 29 FIGURA 10: Área desmatada para construção Fonte: www.noticias.r7.com.br Ações permanentes de fiscalização na região notificam proprietários de construções irregulares, porém a atuação efetiva dos órgãos públicos torna-se irrisória devido ao difícil acesso de algumas áreas, culminando em um processo gradativo de degradação do meio ambiente. 4 – SOLUÇÕES SUSTENTÁVEIS E GESTÃO PARTICIPATIVA “Tampouco será possível o desenvolvimento sustentável sem uma verdadeira democracia. Se não conseguimos desenvolver um tipo de democracia que possibilite maior participação da sociedade e se não conseguimos moderniza a estrutura obsoleta de nossos governos, a fim de torná-los mais eficientes, não será possível remover os entraves ao econômicos, desenvolvimento sociais e viável ecológicos”. em termos (Comissão de Desenvolvimento e Meio Ambiente da America Latina e Caribe,) 1990:116) O desenvolvimento local integrado e sustentável colocam-se como prioritários para a melhoria da qualidade de vida das populações e a conquista de modos de 30 vida que geram menos impactos para o meio ambiente se faz necessária a cada dia. Os agentes públicos devem desempenhar um importante papel incentivador dos mecanismos que levarão a sustentabilidade e em um contexto de articulação política, integrantes da sociedade civil devem cobrar ações efetivas e concretas voltadas para “políticas verdes”. A discussão sobre meio ambiente passa necessariamente pela questão da administração dos recursos naturais e a dificuldade em desenvolver soluções inovadoras e sustentáveis em resposta a crises climáticas, alimentares e energéticas enfrentadas pelo mundo atual, ainda é uma evidencia da fragilidade de nossas sociedades na resolução dessa problemática. Lutar pela natureza e buscar meios para desenvolver a economia de forma plena vêm tornando-se o principal objetivo do homem e equacionar problemas como crescimento populacional, produção de lixo e poluição tem mostrado a fragilidade políticas das nações. Os princípios de um novo conceito de desenvolvimento foram construídos por Ignacy Sachs, que apresentou uma filosofia baseada em seis princípios básicos: a) satisfação das necessidades básicas; b) solidariedade com as gerações futuras; c) participação da população envolvida; d) preservação dos recursos naturais e do meio ambiente; e) elaboração de um sistema social que garanta emprego, segurança social e respeito a outras culturas; f) programas de educação. Para Sachs, com esses passos o homem, teria a capacidade de realizar um desenvolvimento próprio e dependente somente de suas forças, tornando capaz de 31 conciliar de maneira harmônica os objetivos sociais e econômicos, considerando o uso racional dos recursos e do ambiente. No caso da Ilha Grande, as soluções sustentáveis devem interligar as atividades turísticas e econômicas, junto ao meio ambiente. A criação de postos de reciclagem, campanhas de conscientização e programas de educação ambiental, podem ajudar a amenizar os custos e ainda promover retoros financeiros. O plano diretor deve ser aplicado integralmente como instrumento de planejamento e o norteador da política de desenvolvimento e expansão urbana, contribuindo na construção da localidade com qualidade para os que ali habitam. A busca por uma sociedade economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente saudável conduz ao esforço de compreensão das novas dinâmicas que regem a humanidade, possibilitando a construção de políticas articuladas cujo objetivo seja a qualidade de vida, a produtividade, a preservação e a inclusão.Uma importante tarefa é transformar toda a Ilha Grande em um grande polo econômico e turístico, nunca deixando a preservação ambiental de lado dos debates que envolvam esse tema. CONCLUSAO Neste trabalho observamos o cenário de rápida mudança social causado pela crise do setor pesqueiro e, principalmente pelo crescimento do turismo (pósdesativação da penitenciária – Instituto Penal Cândido Mendes - em 1994) que se tornou a principal atividade econômica de quase toda a Ilha Grande, situada no litoral sul do estado do Rio de Janeiro. Tentamos demonstrar como os moradores vivenciaram essas transformações e quais os efeitos sociais desse processo em curso, em meio a um contexto de intensa especulação imobiliária naquela região e de aumento da coerção da lei ambiental, que tende a criminalizar as práticas de subsistência desses moradores, desde a agricultura, passando pela pesca e pela atividade mais recente do turismo. Esta nova ordem jurídica, instaurada a partir da criação da Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul em 1981, que inseriu a praia do Aventureiro e seus moradores dentro de seus limites, teve como um de seus efeitos a tutela não apenas do meio ambiente, mas dos próprios moradores do Aventureiro que se tornaram também objetos da administração pública 32 REFERNCIAS CONERJ – Companhia de Navegação do Estudo do Rio de Janeiro. Relatório Anual de Demanda de Passageiros. Relatório Interno. Anos Bases 1992-1997, 1998. FERREIRA, H. C. Redefinindo Territórios: preservação e transformação no Aventureiro – Ilha Grande (RJ). Dissertação de Mestrado – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 2004. GARROTE, V. Os Quintais Caiçaras, suas Características Sócio-Ambientais e Perspectivas para a comunidade do Saco do Mamanguá, Paraty-RJ. Dissertação de mestrado apresentada à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, USPPiracicaba, 2004. MASCARENHAS, R. T. 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