sumário especial serviços 06 entrevista 42 assistência 24h Brasil Assistência apresenta reforços para aproveitar as oportunidades de expansão dos negócios no País Daniel Domeneghetti fala sobre os perfis das empresas inovadoras e como levar essas teorias à prática 36 sinistro Mesmo abaixo da média, as chuvas já somam estragos. O desconhecimento sobre apólices que cubram esses danos agravam as perdas 40 microsseguro Parceria entre Pasi e MetLife pretende alcançar as massas e democratizar o mercado de seguros 44 seres 20 seguro 24 automóvel Executivos do mercado traçam tendências do setor e discutem o futuro do mercado de seguros durante evento em São Paulo Comparado ao resto do mundo, o Brasil oferece vantagens em serviços de assistência que são referências para os outros países 49 vendas Nova campanha de incentivo da Ameplan aposta no segmento PME para estimular o trabalho dos corretores Os produtos oferecidos pelas companhias avançaram de acordo com a demanda dos clientes e já ajudam a resolver problemas do cotidiano 28 32 4 sistemas 08 | painel O desafio das companhias em conseguir acompanhar as intervenções tecnológicas mantendo diferenciais de mercado 16 | painel gente gestão 46 | artigo Corretores passam a utilizar sistemas multicálculo em suas empresas, mas precisam encontrar maneiras de formar parceria com seguradoras 18 | direto de londres 48 | saúde 50 | comunicação entrevista | Daniel Domeneghetti Inovação não acontece todos os dias APÓLICE: Como uma empresa pensa em inovação hoje? Existe um formato? Daniel Domeneghetti: Tem uma questão importante neste conceito, porque devemos primeiro classificar o que é inovação. Tem inovação que é somente para a empresa e não para o mercado (inovação de agregação). Tem inovação em que se pega algo que já existe e melhora só um pouquinho (inovação de incremento); e tem inovação que, de fato, redefine um mercado, um setor (inovação de ruptura). Esses três tipos de inovação são diferentes e possuem vários sistemas de gestão. As empresas devem trabalhar com a perspectiva dos três tipos. O terceiro é muito mais difícil, ainda mais em um mercado extremamente regulado como é o de seguros. O especialista em estratégia corporativa Daniel Domeneghetti conversou com a revista sobre o perfil das empresas inovadoras. Ele também explicou alguns conceitos relacionados à inovação e como eles saem da teoria para a prática Kelly Lubiato 6 APÓLICE: Qual é a nossa particularidade? Daniel Domeneghetti: O mercado de seguros necessita da gestão de risco sistêmico: que significa que, para o Bradesco estar bem, a SulAmérica também precisa estar bem, assim como a Porto Seguro, a Tokio Marine etc. Todos precisam estar bem porque dividem o risco sistêmico. Teoricamente, você cria uma inovação de ruptura para acabar com o concorrente. No caso do mercado de seguros, eu não posso acabar com meus congêneres. Eu tenho que ser melhor que ele, ganhar um diferencial, mas não posso sufocá-lo a ponto de colocar em risco todo o sistema do qual fazemos parte e somos co-responsáveis. APÓLICE: Para trabalhar essa inovação modular, aos poucos, tem gente nas empresas pensando nisso o tempo todo? Daniel Domeneghetti: Em geral, existe um macroprocesso de inovação, horizontal na empresa toda. É preciso também ter políticas que estimulem o processo de inovação. A cultura de ino- vação parte do pressuposto de modelos de premiação aos inovadores. Não é apenas pedir para as pessoas inovarem, porque isso não é natural e precisa ser estimulado. Se não investir em medidas de estímulo, você acaba fazendo sempre as mesmas coisas esperando resultados diferentes. Esta é uma definição de ‘loucura’. APÓLICE: Como se trabalha isso? Daniel Domeneghetti: Dentro do conceito de inovação, de não linearidade com o que se faz. É preciso ter sistemáticas diferentes, que não são naturais. Às vezes, quem não faz parte delas nas empresas acaba jogando contra, às vezes, há descrédito, porque elas consomem muitos recursos mas os resultados não são aparentes. Há diversos elementos que entram na mira mas não estão na equação simples. O próprio custo, o investimento associado à inovação x o resultado potencial da inovação é discutível. Muitas vezes se coloca muito dinheiro num projeto que apresenta grande risco de fracasso. Inovação é história de 1 em 10. Nós estamos falando de ruptura. Melhoria é ação de gestão do dia-a-dia. APÓLICE: As empresas fazem melhorias em gestão o tempo todo? Daniel Domeneghetti: Sim, porque melhoria está muito mais associada à qualidade, a algum grau de diferenciação mínima, e a maioria destas melhorias nem são ligadas à inovação. APÓLICE: Num mercado como o de seguros, é possível ser original? Daniel Domeneghetti: Neste caso, o próprio produto do seguro é facilmente copiável. Se alguém lança um produto inovador, rapidamente a concorrência consegue replicar, APÓLICE: O que vale mais a pena: ser o primeiro ou aprimorar o produto do concorrente? Daniel Domeneghetti: O serviço é o ponto mais passível de diferenciação neste setor. Há também a inovação de posicionamento. Por exemplo, quando se pensa no que a Porto Seguro faz: dar focos maiores em coisas diferentes, às quais ela quer vincular sua marca. Inovação em serviço, no posicionamento e no relacionamento com o corretor são mais eficazes. Serviço, atendimento ao consumidor e relacionamento com o corretor são campos mais férteis para inovação em seguros. Há um quarto campo, que me parece muito importante, que é o canal, principalmente aqueles orientados às novas tecnologias digitais. ferencial pontual. Isto é uma inovação de incremento, porque só se está dando um passo a mais em alguma coisa que já está estabelecida. Ela não é relevante, porque pode ser facilmente copiada, de baixo valor agregado. É apenas uma ‘graça’. APÓLICE: Num mercado regulado como o de seguros, para encantar o cliente é preciso sempre criar algo novo? Daniel Domeneghetti: Este não é APÓLICE: Este é o caminho para o um caso de inovação, mas de atendimento mercado de seguros? ao cliente. É claro que quando você cria Daniel Domeneghetti: Sim, porque um processo para acelerar o pagamento a intermediação é um fator importante. dos sinistros, ou para desembaraçar documentações complexas ou benefícios APÓLICE: Mas os meios digitais ainda inesperados, você pode partir para um enfrentam resistência. Ele será fun- processo de encantamento maior, mas damental para o mercado de seguros nem tudo isso é inovação. também? Daniel Domeneghetti: O usuário APÓLICE: O que você acha que o cliente hoje não é fator de resistência. Este fator do mercado de seguros precisa mais? é a empresa, por conta de muitos legados Daniel Domeneghetti: Basicatecnológicos e dos conflitos internos. O mente, três coisas: confiabilidade (simplicliente/ consumidor/ usuário não tem ficação); agilidade no serviço (disponibiresistência, pelo contrário, ele espera lidade de atendimento, cumprimento de um sensível aumento no nível de auto- prazos); qualidade no serviço operacional serviço. (renovações no prazo esperado, com o preço correto etc). Este tripé é o que o APÓLICE: Este é o caminho natural? cliente espera. Daniel Domeneghetti: É um caminho natural, irreversível, baseado em APÓLICE: Os conceitos se cruzam... três letras: MCC (mobilidade, convergênDaniel Domeneghetti: Quando se cia e colaboração). Estas três dinâmicas tem muitos conceitos amplos paralelos e tecnológicas determinam o futuro da importantes, é necessário lançar mão de multicanalidade em seguros, como em um planejamento estratégico para prioqualquer área de varejo, de telecom a rizar o que for premente. A tradução de seguro. conceitos abstratos em algo prático, em termos de produtos e serviços, é prerroAPÓLICE: Todas as seguradoras apos- gativa de cada companhia. tam em mídias sociais como diferenciais de atuação. Quando todos apostam em APÓLICE: Estes conceitos podem ser um mesmo caminho, ele deixa de ser o trazidos para empresas de menor porte, diferencial? como corretoras de seguros? Daniel Domeneghetti: Diferencial Daniel Domeneghetti: Podem, é somente algo que só você está fazendo. mas isto é mais difícil por causa da grana. Quando você propõe e todos já fazem não Alguns deles requerem investimentos é diferencial ou quando você faz e todos e estrutura, tecnologia, programas de seguem, também deixa de ser diferencial, qualidade, perfil de profissionais qualifivira padrão de mercado. As empresas cados. É claro que o interesse no servir, estão partindo do modelo padrão exis- o foco no cliente, são coisas possíveis de tente tentando agregar um diferencial: a serem adotadas, mas o ferramental para empresa faz o atendimento ao cliente na dar escala para isso é mais complexo. rede social, mas em vídeo. Na verdade, Seguro é um mercado de escala. É difícil está no mesmo padrão agregando um di- competir sem isso. 7