UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ - UESC PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO - PROPP DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS - DCB PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA E CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE - PPGECB FLORES ORNITÓFILAS E SUAS AVES POLINIZADORAS EM UMA ÁREA CACAUEIRA NA MATA ATLÂNTICA DO SUL DA BAHIA: UMA ANÁLISE PARA CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE LOCAL HENRIQUE ZANCHETTA E GAVA ILHÉUS – BAHIA – BRASIL Maio de 2012 HENRIQUE ZANCHETTA E GAVA FLORES ORNITÓFILAS E A SUA ASSEMBLÉIA DE AVES POLINIZADORAS EM UMA ÁREA CACAUEIRA NA MATA ATLÂNTICA DO SUL DA BAHIA: UMA ANÁLISE PARA CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE LOCAL Dissertação apresentada à Universidade Estadual de Santa Cruz, como parte das exigências para obtenção do título de Mestre em Ecologia e Conservação da Biodiversidade. Área de concentração: Ecologia e Conservação de Comunidades. ILHÉUS – BAHIA – BRASIL Maio de 2012 HENRIQUE ZANCHETTA E GAVA 2 FLORES ORNITÓFILAS E A SUA ASSEMBLÉIA DE AVES POLINIZADORAS EM UMA ÁREA CACAUEIRA NA MATA ATLÂNTICA DO SUL DA BAHIA Ilhéus-BA, maio 2012 ______________________________________________________ Profa. Dra. Márcia Alexandra Rocca (orientadora) Universidade Estadual de Santa Cruz ______________________________________________________ Prof. Dr. Caio Graco Machado Universidade Estadual de Feira de Santana ______________________________________________________ Prof. Dr. Leandro Freitas Jardim Botânico do Rio de Janeiro 3 “Há uma grandeza nesta visão da vida, com seus vários poderes, ter sido inspirada originalmente em umas poucas formas, ou em uma só; e isso, enquanto este planeta vai executando seus ciclos de acordo com a lei imutável da gravidade; de um começo tão simples foram, e estão sendo, produzidas formas sem fim, as mais belas e mais maravilhosas.” -Charles Darwin 4 Agradecimentos Agradeço em primeiro lugar à minha família que sempre me apoiou. À meu pai, João Gava (in memorian) por todo o estimulo para que sempre seguisse no caminho dos estudos. Uma peça fundamental para a pessoa que me tornei. À minha mãe Virginia e minha irmã Mariana, por toda a paciência e, sobretudo por todo o carinho que sempre tiveram comigo, principalmente nos período mais complicados desta empreitada. Agradeço à minha orientadora e amiga Márcia Rocca por toda a confiança depositada nesta pesquisa e por todos os ensinamentos e sapiência compartilhada. À todos os amigos do mestrado. Principalmente a Duzão e Heitorzete, pelo companheirismo em compartilhar uma moradia por tanto tempo, é meus amigos.... é complicado mesmo. À minha irmã de mestrado Jú Mendonça, por todo o companheirismo ao longo do curso e principalmente pelo apoio psicológico no final da redação. Henrique Baiano, meu consultor online para fins estatísticos, valeu camarada! Muito obrigado aos amigos do Azilo Vilage por terem aberto suas portas por tantas vezes e de forma tão receptiva, Nem, Let’s, Carrrol, Michaele, Fabio Falcão. Mesmo que a distancia muito obrigado a todos os meus amigos de vitória que sempre mandaram energias positivas para me estimular a fazer este trabalho. Rasta, Cardim, Zampa, os piabas. À Jennifer, Roland, Júlia e Espicho por terem me permitido realizar o projeto em suas fazendas. Principalmente à Roland e Jennifer que me permitiram morar em seu sítio por todo o ano do estudo. Obrigado por me aturar!! À UESC e ao Programa de Pós-graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade Pelo orgulho de fazer parte deste programa e por todo apoio logístico e financeiro. À CAPES e ao projeto PNADB pela bolsa de estudos que me permitiu morar em ilhéus por dois anos. À todas as outras pessoas que foram importantes mas que infelizmente não forma lembradas neste singelo agradecimento. FAMÍLIA, AMO VOCÊS!! 5 CONTEÚDO INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 9 MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................................ 12 Área de estudo ............................................................................................................ 12 Amostragem ............................................................................................................... 13 Análise dos dados ....................................................................................................... 14 RESULTADOS .............................................................................................................. 15 Flores visitadas por aves ............................................................................................. 15 Aves que visitam flores .............................................................................................. 17 Interações entre plantas e aves.................................................................................... 18 DISCUSSÃO .................................................................................................................. 19 Flores visitadas por aves ............................................................................................. 19 Aves que visitam flores .............................................................................................. 21 Interações entre plantas e aves.................................................................................... 24 CONCLUSÕES .............................................................................................................. 25 REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 26 6 Resumo A Mata Atlântica da região sul da Bahia apresenta grande riqueza de espécies e é um dos principais centros de endemismo do bioma, mas passa por um processo contínuo de degradação. O sistema de cultivo do cacau sob a mata raleada predominante nesta região é denominado cabruca e este sistema conserva parte da biodiversidade local gerando menor impacto que plantios com a derrubada total da vegetação. Plantas com flores que produzem néctar são um importante recurso alimentar para aves nectarívoras que por sua vez podem atuar como seus vetores de pólen. Durante um estudo de doze meses, a variação na oferta de recursos ornitófilos e a riqueza e atividade de aves que os utilizam foram quantificadas em ambientes de fragmentos florestais e de cabrucas mensalmente. Dezessete espécies com flores utilizadas por aves foram registradas, 14 nos fragmentos florestais e seis nas cabrucas. Os fragmentos apresentaram menor abundância de flores que as cabrucas. A maioria das espécies foi de epífitas. Ao longo dos meses, houve uma menor variação na oferta de recursos nos fragmentos florestais do que nas cabrucas. As espécies exóticas Erythrina poeppigiana e Erythrina fusca (Fabaceae) plantadas nas cabrucas apresentam importante papel nesta dinâmica. A maior parte dos recursos florais dos fragmentos florestais foi encontrada no sub-bosque e estes, não foram encontrados no extrato intermediário das cabrucas. Vinte e seis espécies de aves foram registradas, a maioria troquilídeos. Treze espécies foram avistadas nos fragmentos e todas as espécies foram observadas nas cabrucas. Phaethornis ruber (Trochilidae) foi o visitante mais frequente nos dois ambientes e foi responsável pela maior parte das visitas. Houve correlação positiva entre a abundância de flores e a riqueza de aves polinizadoras, bem como do número de flores por indivíduo com a riqueza de aves polinizadoras nos dois ambientes. O agrupamento das espécies visitantes segregou dois grupos principais de aves devido à semelhança entre os recursos utilizados. Fragmentos florestais apresentam uma rede de interações mais complexa do que a dos ambientes de cabrucas. De maneira geral, foi observada uma tendência à maior riqueza de aves associada à ambientes com maior oferta de recursos. Espécies com alto número de flores gerou variação na oferta de recursos ao longo dos meses nos dois ambientes, que interferiu na riqueza da fauna de polinizadores associada a essas plantas. Neste contexto, a dinâmica existente entre a oferta de recursos florais e riqueza de aves encontrada interfere diretamente na criação de estratégias para conservação da biodiversidade de ambos os grupos. 7 Abstract The Atlantic Forest of southern Bahia shows great species richness and it is one of the main endemism centers in this biome, but it undergoes a continuous degradation process. Most of the cocoa plantations in this region are established in the thinned Atlantic Rainforest and this system is called cabruca, this system retains part of local biodiversity and generate less impacts than the complete overthrow of the vegetation. Plants with flowers that produce nectar are an important food resource for nectarivorous birds that in turn act as pollen vectors for those plants. Ornithophilous flowers show characteristics that attract birds and the provision of floral resources is important for maintenance of bird associated with these plants. During twelve months we quantified the variation in resource supply and the activity of birds on both environments, forest fragments and cabrucas. seventeen flower species used by birds as food resource were found. Fouteen in forest fragments and six of them in cabrucas. Cabrucas were more abundant in flowers than forest fragments. Most species were epiphytes and the others were herbs, vines and trees. Although there are months with peak flowering, there is some overlap of species in bloom. Cabrucas displayed a greater variation in resources availability than forest fragments. Exotic species Erythrina fusca and Erythrina poeppigiana (Fabaceae) planted in fragments are very important in this dynamic. Most of floral resources of forest fragments are found in the understory and floral resources were not found in the medium extract of cabrucas. Twenty-six birds were observed, most of them are from Trochilidae family. Thirteen of the 26 species were found in the fragments and all 26 species were observed in cabrucas, but only four are residents of these environments. Phaethornis ruber (Trochilidae) was the most frequent visitor in both environments and was responsible for most visits. A positive correlation between the abundance of flowers and pollinator richness was found, as well as the correlation between the numbers of flowers per individual and pollinator richness in both environments. Two major groups of birds wore found due to the similarity between the used resources. Forest fragments show a more complex network of interactions than cabrucas. There was a trend toward a greater bird richness associated with this environments with greater availability of resources. Species with a high number of flowers produces a variation in resource availability over the months in the two environments and it respond for variation in the pollinators fauna associated with these plants. In this context, the dynamics between supply of floral resources and bird richness is important in the creation of biodiversity conservation strategies for both groups. 8 INTRODUÇÃO A Mata Atlântica da região sul da Bahia é uma floresta tropical úmida muito rica em espécies e com alto grau de endemismo (Myers et al. 2000, Bencke et al. 2006). Estima-se que essa floresta esteja atualmente reduzida a apenas 11,7% de sua cobertura original (Ribeiro et al. 2009), que passa por um processo contínuo de fragmentação, isolamento, degradação e, consequente, redução de áreas florestais (Fonseca & Rodrigues 2000). Um fator que contribui para a conservação de parte da biodiversidade de diversos grupos nesta região é o cultivo tradicional do cacau sob a mata raleada denominado cabruca (Rice & Greenberg 2000, Faria et al. 2007, Pardini et al. 2009). A região cacaueira da Bahia ocupa uma área aproximada de 10.000 km², dos quais cerca de 680.000 ha cultivados com cacau e 70% destes estabelecidos com sistema de plantio denominado Cabruca (Franco et al. 1994). Neste sistema de plantio, todas as plantas do sub-bosque da floresta são retiradas e o cacau é plantado sob a sombra do dossel das espécies arbóreas (Sambuichi 2006). O ato de preparar uma área de floresta para o plantio do cacau era chamado de cabrocar a floresta, de onde surgiu o termo cabruca (Setenta et al. 2005).O cultivo do cacau entre as árvores gera um baixo impacto em relação à diversidade florestal quando comparados a outros tipos de cultivo que necessitam da retirada de todas as espécies nativas (Setenta et al. 2005) Diferentemente das cabrucas originais, hoje em dia o que se observa são cabrucas enriquecidas onde além das espécies nativas também são encontradas espécies exóticas e frutíferas plantadas entre as espécies nativas (Lobão et al. 2007). Este tipo de sistema agrosilvicultural, aperfeiçoado ao longo dos anos, é muito menos impactante do que o plantio com a derrubada total da vegetação original (Setenta et al. 2005). Nas áreas produtoras de cacau do sul da Bahia, muitos fragmentos florestais remanescentes podem ser encontrados (Sambuichi 2006). Geralmente, são áreas que passaram por um longo processo de retirada seletiva de madeira e que, atualmente, se encontram em estágio intermediário de regeneração (Araujo & Souza 2009). Esses fragmentos variam de tamanho e são observadas desde pequenas áreas menores que um hectare até áreas extensas acima de 200 ha (Lobão et al. 2007). Normalmente são áreas que não foram transformados em cabrucas por se tratarem de solos com baixa produtividade para o plantio do cacau, sem qualquer relação a uma atitude conservacionista dos proprietários (Lobão et al. 2007). 9 Dentre as interações conhecidas entre animais e plantas, a polinização tem papel fundamental, pois as plantas fornecem recursos para as espécies animais que, por sua vez, são importantes para a manutenção da biodiversidade de comunidades vegetais, pois podem atuar como vetores de pólen para as plantas em muitas ocasiões (Sazima et al. 1996, Machado e Rocca 2008). Beija-flores são os principais polinizadores vertebrados dos Neotrópicos e podem ser responsáveis pela polinização de até 22% das espécies de plantas das comunidades na região Neotropical (Stiles 1981, Feinsinger 1983, Bawa 1990, Morellato & Sazima 1992). As flores ornitófilas são caracterizadas por apresentarem abundância de néctar, nectário distante do estigma e das anteras, ausência de odor, cores conspícuas para aves (geralmente amarelo e vermelho), antese diurna e corola tubular (Faegri & van der Pilj 1979, Rocca & Sazima 2010). O comportamento das aves que visitam flores pode ser dividido em dois tipos: aves que pousam e aves que adejam (Faegri & van der Pilj 1979, Stiles 1981, Cronk & Ojeda 2008). As aves que adejam apresentam o vôo do tipo pairado, característico dos beija-flores que coletam néctar sem pousar nas plantas que geralmente apresentam flores pendulas ou verticais (Cronk & Ojeda 2008). Por outro lado, as aves que pousam, utilizam de folhas, galhos, brácteas e até mesmo a própria inflorescência como apoio para, então, acessar o néctar nas flores: são consideradas menos especializadas, podendo ser classificadas como parasitas dos sistemas de polinização nas regiões neotropicais (Stiles 1981), embora apresente, em alguns casos, certa especialização (Rocca & Sazima 2010) O néctar produzido pelas flores são um importante recurso alimentar para aves, principalmente para os beija-flores e a assincronia dos eventos florais é essencial para a manutenção dos polinizadores associados às plantas (Sazima et al. 1995). Fenologia floral é o estudo dos eventos periódicos pelos quais a plantas passam ao longo do seu ciclo de vida (Olerton & Dafni 2005). Estes eventos são influenciados por variações físicas do ambiente e interações com outras plantas e animais (Olerton & Dafni 2005). Através de estudos fenológicos podemos observar as variações da oferta dos recursos ao longo do ano (NEWSTROM et al. 1994). Alguns destes estudos em Mata Atlântica mostram que ocorrem picos de floração, mas em geral, há a sobreposição da floração de diversas espécies, o que garante recurso para as aves nectarívoras ao longo de todo o ano (p. ex. Sazima et al. 1995, Rocca-de-Andrade 2006). 10 No Brasil, a maior parte das pesquisas sobre beija-flores e recursos utilizados por estes animais foram realizadas em curtos períodos (Snow & Teixeira 1982, Snow & Snow 1986, Vasconcelos & Lombardi 2001, Mendonça & Anjos 2006) e alguns estudos publicados contemplam os ciclos sazonais destas comunidades (Ficher & Araujo 1995, Sazima et al. 1996, Buzato et al. 2000, Araujo & Sazima 2003, Kaehler et al. 2005, Leal et al. 2006, Machado & Semir 2006, Machado et al. 2007, Machado 2009). No nordeste do Brasil, são escassos os estudos sobre os beija-flores e seus recursos florais (p. ex. Machado & Sazima 1995, Colaço et al. 2006, Machado et al. 2007). Estudos realizados na Mata Atlântica mostram que bromélias são o grupo de plantas mais importante visitado por aves e congregam cerca de 30% das espécies utilizadas por beija-flores (Sazima et al. 1996, Sazima & Sazima 1999). As lianas representam o segundo grupo mais abundante de espécies visitadas pelas aves, sendo as flores de árvores e arbustos em geral menos utilizadas por beija-flores (Araujo 1996, Buzato et al. 2000, Rocca-de-Andrade 2006). É importante dimensionar o grau de dependência nas relações planta-polinizador e entender a importância dos recursos florais para a manutenção da fauna associada, pois, desta forma, é possível compreender a importância de áreas naturais para manutenção dos processos biológicos (Mittermier et al. 1992). A manutenção dos processos de polinização cruzada é ponto importante para a conservação, pois promove o fluxo gênico entre as populações de espécies vegetais, reduzindo o efeito do isolamento gerado pela fragmentação (Nason et al. 1997, Kageyama & Gandara 1998). Através da compreensão da atual situação dos processos de polinização nas cabrucas e nos fragmentos, é possível traçar metas e estratégias junto aos produtores deste sistema de plantio para que este se torne cada vez mais benéfico para os produtores e cada vez menos impactante para o meio ambiente, tornando-se importante ferramenta para a conservação da biodiversidade local. Este estudo mede a variação na oferta de flores ornitófilas ao longo do ano e sua relação com a riqueza de espécies de aves polinizadoras nos ambientes de mata e de cabruca na região cacaueira do sudeste da Bahia e avalia a situação dos processos de polinização entre estes ambientes. 11 MATERIAL E MÉTODOS Área de estudo Este estudo foi realizado em quatro fazendas do município de Una, região cacaueira do sudeste da Bahia. Esta região está inserida no corredor central da Mata Atlântica, um dos principais centros de endemismo do bioma (Myers et al. 2000). Sua formação vegetal primária dominante era de floresta tropical úmida costeira, classificada como floresta ombrófila densa (Veloso et al.1991). O clima na região é do tipo Af, pelo sistema de Köppen, ou seja, floresta tropical quente e úmida sem estação seca, com precipitação superior a 1.300 mm/ano (CEPLAC 1976). Os locais escolhidos como áreas de estudo estão situados próximos ao vilarejo de Colônia, às margens do rio Aliança, em fazendas de uma região que produz grande variedade de culturas (Araujo & Souza 2009). Estas culturas estão distribuídas na forma de mosaico, composto principalmente por fragmentos florestais, cabrucas, plantações de cupuaçu, palmitais, seringais, bananais e outras espécies frutíferas (Sambuichi 2002, Araujo & Souza 2009). Os fragmentos florestais amostrados tem tamanhos semelhantes, de aproximadamente 40 hectares e apresentam vegetação em estágio intermediário de sucessão secundária, tendo sofrido desmatamento seletivo em que as maiores árvores foram retiradas, mas que há aproximadamente 20 anos vêm se recuperando (com. pess. Roland & Jennifer). As três cabrucas escolhidas são áreas que ao longo dos anos de manejo das plantações de cacau foram enriquecidas com espécies de crescimento rápido, muitas delas exóticas (Sambuichi 2002). Essas cabrucas passam por manejo semelhante, apresentam características de relevo parecidas e são constantemente modificadas sofrendo interferência dos cacauicultores. Embora o treinamento dos funcionários e os procedimentos adotados por eles seja bastante semelhantes em todas as áreas escolhidas, pequenas diferenças existem entre as cabrucas e são geradas por pequenas diferenças no processo de manutenção destas áreas (Sambuichi 2006). 12 Amostragem Foram selecionados três fragmentos florestais e três cabrucas como réplicas na área de estudo. Foi respeitada uma distância mínima de 500 m e máxima de 4.000 m entre as réplicas. Em cada réplica, cinco transecções lineares de 200 m cada foram demarcadas sistematicamente, totalizando 15 transecções de 200m em cada ambiente (fragmentos e cabrucas). Como os ambientes de cabruca são, em geral, bastante heterogêneos, a distribuição sistemática das transecções permitiu abranger todos os microambientes existentes. Quando os locais apresentavam algum gradiente de umidade ou declividade, a posição escolhida para distribuir as transecções era perpendicular ao sentido do gradiente. Visitas mensais foram realizadas na área de estudo com duração de dez dias de fevereiro de 2011 à janeiro de 2012. A cada mês, todas as transecções foram percorridas à procura de espécies de plantas ornitófilas floridas (sensu Faegri & van der Pilj 1979). Todos os indivíduos visualizados em até 6 m de cada lado do eixo da transecção foram computados. Características florais das plantas ornitófilas, como formato e cor, foram descritas; a abertura e comprimento efetivo (sensu Wolf et al. 1976) da corola foram medidos com auxílio de paquímetro em campo. Foi registrada a quantidade de flores das diferentes espécies em cada ambiente para que estimativas da oferta de recursos fossem realizadas. Através de estimativa visual da altura de ocorrência das flores em relação ao solo, o estrato da vegetação em que ocorriam também foi definido (subbosque, intermediário e dossel). Para espécies de porte arbóreo com flores em toda a copa, o número de flores era contado em um m² e o número foi extrapolado para a área total da copa. Para as observações dos visitantes florais, foi utilizado o método focal (Altmann 1974) e, diariamente, seis períodos de uma hora e quinze minutos de duração foram realizados. As observações foram realizadas diretamente ou com auxilio de binóculos. Quando a espécie vegetal observada apresentava a copa repleta de flores, uma janela amostral de um metro quadrado era definida para ser observada (Machado & Rocca 2008). Registros visuais de interações entre aves e flores foram realizados. Foram anotados dados da espécie de planta visitada, a espécie de ave visitante, hora em que a 13 visita ocorreu, tipo de visita - legítima ou ilegítima, cf. Araujo (1996), bem como o comportamento das aves visitantes: territoriais ou trap-liners (Feinsinger & Colwell 1978). A cada dia era sorteado o local a ser realizada a observação, dentre os pontos com flores disponíveis durante aquele período. As observações foram direcionadas para as espécies ornitófilas das áreas de estudo mas, eventualmente, as flores não-ornitófilas que foram avistadas sendo visitadas por aves foram incluídas nas observações. A partir de guias de campo ilustrados (Grantsau 1989, Sigrist 2009) e da comparação com os registros fotográficos e filmagens obtidos, as aves foram identificadas (CBRO 2011). Indivíduos foram considerados residentes quando observados ao longo de todo o ano ou com ausências pontuais em meses não consecutivos nos ambientes estudados e como não-residentes quando não foram registrados ao longo de, pelo menos, três meses consecutivos (Araujo 1996, Rocca-de-Andrade 2006, Machado et al. 2007). Análise dos dados Através dos valores obtidos sobre o número de indivíduos floridos nas transecções amostradas e do número de flores abertas em cada indivíduo, foi possível obter valores para a abundância de flores por hectare a cada mês em cada um dos ambientes estudados. O número médio de flores e a riqueza média de espécies com flores utilizadas pelas aves em cada ambiente foram comparados através do teste MannWhitney. Uma matriz binária com os dados das espécies de aves e das espécies vegetais com flores que cada ave visitou foi elaborada. A partir desta matriz, as espécies de aves foram agrupadas de acordo com as espécies de flores que visitaram (presença ou ausência), utilizando-se o coeficiente de similaridade de Jaccard e grupos pareados como método de ligação entre os grupos, gerando um dendograma de cada ambiente. (cf. Gotelli & Ellison 2004). A riqueza de aves observada nos ambientes foi relacionada com a abundância de recursos ornitófilos, número médio de flores por planta e riqueza de espécies vegetais utilizadas como recurso para que através da análise de correlação de Spearman a relação existente entre estes parâmetros pudesse ser analisada. Através da análise da distribuição do total de visitas de cada espécie de ave, foi possível determinar quais são as espécies mais freqüentes em cada ambiente e a distribuição do número de visitas de 14 cada uma destas. Quanto maior a proporção de visitas de uma ou poucas espécies, maior é a dominância exercida por elas. Matrizes com a rede de interações formada por aves e espécies vegetais utilizadas como recurso alimentar por essas aves nos dois ambientes foram elaboradas. As espécies foram ordenadas segundo o número decrescente de interações para melhor visualização das interações (Lewinsohn et al. 2006). Descritores de rede dos dois ambientes permitiram uma análise exploratória dos dados (cf. Jordano 1987, Olesen & Jordano 2002). RESULTADOS Flores visitadas por aves Foram registradas 17 espécies de plantas cujas flores foram visitadas (Tabela 1). Bromeliaceae foi a família mais representativa com oito espécies, seguida por Acanthaceae (duas espécies), Fabaceae (duas espécies), além de outras cinco famílias com apenas um representante cada (Tabela 1). Os fragmentos florestais apresentaram maior riqueza de espécies quando comparados às áreas de cabrucas, com 14 das 17 espécies estavam presentes neste ambiente (Tabela 1). Nas áreas de cabruca, seis espécies presentes, sendo que três delas foram apenas encontradas neste ambiente (Tabela 1). Das espécies estudadas, apenas Pavonia morii (Malvaceae) foi considerada não ornitófila e foi avistada sendo visitada por beija-flores. A maioria (82,3%) das espécies de plantas estudadas possui flores com corola tubular (Tabela 1). A média do comprimento efetivo da corola variou entre 3,11 e 4,78 cm (Tabela1). A abertura da corola variou entre 0,03 e 0,65 cm (Tabela1). As flores apresentaram cores conspícuas para aves, geralmente vermelhas ou amarelas, não apenas com corolas coloridas, mas, muitas vezes, com brácteas e folhas atrativas (Tabela1). Ao longo do ano, houve variação na oferta de recursos (Tabelas 3.1 e 3.2). Embora houvesse picos de floração, observamos a sobreposição da floração de diversas espécies nos dois ambientes (Figura 1). A quantidade de flores ofertadas por indivíduo variou conforme a espécie e foi possível observar espécies que apresentaram desde uma 15 flor por indivíduo por dia, como em Ruellia affinis (Acanthaceae), a até centenas delas, como em Erythrina poeppigiana e Erythrina fusca (Fabaceae) (Figura 7B). Algumas das espécies apresentaram florações que duraram apenas algumas semanas, como em algumas espécies de bromeliáceas, enquanto outras têm florações longas e por vários meses (Figura 1). Em épocas (agosto a novembro) com baixa oferta de flores, apenas estas espécies com duração de floração longa foram encontradas (Figura 1). Os fragmentos florestais, ambientes com maior riqueza de espécies, apresentaram até sete espécies floridas em um único mês (fevereiro e março Figura). Em outros meses, este valor diminuiu bastante e sendo que em agosto e setembro, apenas uma única espécie (R. affinis) foi registrada (Figura1). Nos ambientes de cabruca, esse valor não passou de três espécies floridas nos meses com maior riqueza, fevereiro e julho (Figura1): em quatro meses foram encontradas apenas uma espécie florida, em dois meses apenas Centropogon cornutus (Campanulaceae) e em outros dois, apenas Heliconia richardiana (Heliconiaceae) (Figura 1). Algumas das espécies dos fragmentos florestais apresentaram um padrão agregado de distribuição como H. richardiana. Algumas destas espécies mostraram afinidade pelas regiões mais úmidas dos fragmentos, geralmente nos fundos de vales (p. ex.: H. richardiana, Synphonia globulifera (Clusiaceae), Aphelandra hirta (Acanthaceae) e Vriesea ensiformis (Bromeliaceae). O manejo diferenciado de cada cabruca gera padrões de riqueza diferenciados ao longo do ano. Através do manejo das áreas de cultivo e retirada das espécies não desejadas pelos produtores, grande parte dos recursos ornitófilos do sub-bosque é perdido, pois são cortados pelos trabalhadores que não fazem distinção entres estas flores e outras espécies vegetais do sub-bosque das cabrucas. Foi observada uma diferente estratificação vertical dos recursos florais nos dois ambientes (Figura 2). Nos fragmentos florestais, a oferta de recursos se concentrou no sub-bosque e a maioria das espécies registradas com flores têm hábito terrestre, epifítico ou são lianas que chegavam até, no máximo, 10,6 m de altura do chão dos fragmentos e apenas a espécie S. globulifera foi observada como recurso alimentar no dossel dos fragmentos (Figura 2). Nos ambientes de cabruca, embora a maior parte dos valores observados também seja encontrada no sub-bosque, foram encontradas duas espécies de eritrinas (E. fusca e E.poeppigiana) que são árvores que apresentaram flores até 22 m de altura do solo (Figura 2). 16 Mesmo em baixas densidades, por manter um número alto de flores em cada árvore, as espécies de Erythrina são responsáveis pela alta abundância de flores observada em alguns meses do ano nas áreas de cabruca (Figura 2). No sub-bosque das cabrucas, apenas C. cornutus e H. richardiana foram encontradas, as quais são espécies pioneiras e são encontradas no sub-bosque das cabrucas em grande parte do ano. Os fragmentos florestais apresentaram menor abundância de flores ornitófilas quando comparados às cabrucas da região (U=36,5 p<0,05 n=12). Nos fragmentos, a quantidade de flores variou entre 1,4 flores/ha no mês menos abundante e 21,6 flores/ha no mês mais abundante (Tabela 3.1). Nos ambientes de cabruca, a abundância de flores é maior e a densidade encontrada de flores chegou a 445 flores/ha no mês de julho, que foi o mês com maior abundância, e chegou a 2,2 flores/ha no mês menos abundante (Tabela 3.2). Embora a maior quantidade de recursos seja observada nas cabrucas, a riqueza de espécies com flores utilizadas por aves é maior nos fragmentos florestais (U=31 p <0,05 n=12). As duas espécies exóticas de Erythrina apresentam uma florada explosiva e, em alguns casos, a estimativa do número de flores em um único indivíduo chegou a 750 flores na espécie E. poeppigiana. Embora a densidade observada nas cabrucas seja alta devido à grande abundância de flores de E. fusca e E. poeppigiana, nos meses em que estas não estão floridas, a oferta de flores da cabruca cai drasticamente, gerando uma grande variação da oferta de flores ao longo dos meses (Tabela 3.2). No caso dos fragmentos florestais, a variação na oferta de flores é menor que a variação no ambientes de cabruca e o número de flores encontradas ao longo dos meses se mantém mais estável se comparado às áreas de cabruca (Tabela 3.1). Aves que visitam flores Foram observadas 26 espécies de aves visitando as flores, sendo 13 espécies de Trochilidae, seis de Thraupidae e outras sete espécies pertencentes a cinco famílias (Tabela 2). Os fragmentos florestais apresentaram menor riqueza de aves, sendo que 13 das 26 espécies foram avistadas se alimentando em flores neste ambiente (Tabela 2). Outras duas espécies de beija-flores foram avistadas nos fragmentos, entretanto, não foram observadas visitando as flores neste ambiente durante o estudo (Tabela 2). Nos ambientes de todas as 26 espécies foram observadas (Figura 3). 17 A espécie Phaethornis ruber (Trochilidae) foi o visitante mais frequente nos fragmentos florestais, sendo responsável por 61,8% das visitas (Figura 3), com a segunda ave mais frequente (Thalurania glaucopis) respondendo por apenas 7,8% do total de visitas (Figura 3). Nos ambientes de cabruca, a frequência de visitas foi mais equitativa e um número maior de espécies é responsável pelo total de visitas observado (Figura 3). Embora P. ruber também tenha sido o principal visitante floral do ambiente de cabruca, sua dominância foi de apenas 17% do total de visitas, e outras seis espécies são responsáveis por parte expressiva (56%) do total de visitas observado (Figura 3). Cinco das treze espécies que compõem o grupo de aves no dossel dos fragmentos são passeriformes e as outras oito são beija-flores (Figura 3). Brotogeris tirica (Psittacideae), por questões morfológicas de seu bico, tem acesso às espécies de eritrina apenas se arrancar a flor e se alimentar do néctar em sua base (Figura 8D). Em muitos dias, grupos desta espécie passaram horas ao longo do dia arrancando as flores das espécies de Erythrina (Figura 8D). Clorostilbon notatus (Trochilidae), além de utilizar as flores das cabrucas como fonte de alimento, também utilizou os cacaueiros para nidificar e dois ninhos desta espécie foram encontrados nas áreas de estudo (Figura 7H). Florissuga fuscus (Trochilidae), embora não tenha visitado nenhuma das espécies de flores dos fragmentos florestais, foi vista nidificando neste ambiente (Tabela 2). Há variação na riqueza de aves nectarívoras ao longo dos meses e algumas das espécies são encontradas ao longo de todo ano forrageando principalmente no subbosque, tanto dos fragmentos quanto das cabrucas, e foram consideradas residentes dos locais de estudo (Tabela 2). Muitas destas aves só estavam presentes na área de estudo nos meses em que as espécies com flores no dossel estavam floridas (Figura 3). Interações entre plantas e aves Agrupando as aves dos fragmentos florestais pela similaridade de utilização dos recursos, dois grupos distintos são formados (Figura 4). Phaethornis ruber, Glaucis hirsutus, Glaucis dohrni, Thalurania glaucopis (Trochilidae) foram espécies de beijaflores residentes que formaram um grupo bastante coeso neste ambiente (Figura 4). O segundo grupo foi formado por espécies que visitaram a espécies S. globulífera, único 18 recurso floral do dossel dos fragmentos (Tabela 1). No ambiente de cabruca, novamente as espécies P. ruber, G. hirsutus, G.dohrni formaram o grupo de beija-flores que apresentou maior similaridade (Figura 4). Outro grande grupo foi formado aparentemente por todas as espécies que visitaram o dossel das cabrucas, entretanto nenhuma distinção clara entre beija-flores e passeriformes foi constatada (Figura 4). Houve forte correlação positiva e significativa entre a quantidade de flores por hectare e a riqueza de aves observada, tanto nos fragmentos florestais (R² Spearman=0,75; p<0,05; Figura 5.1) quanto no ambiente de cabruca (R² Spearman=0,71; p<0,05; Figura 5.2). Houve também correlação positiva e significativa entre o número de flores por indivíduo e a riqueza de aves polinizadoras, que foi modesta nos fragmentos (R² Spearman=0,59; p<0,05; Figura 5.1) e forte correlação no ambiente de cabruca (R² Spearman=0,70; p<0,05; Figura 5.2). Quando analisada a correlação entre riqueza de espécies com flores utilizadas pelas aves e riqueza das aves que as utilizam, foi observada fraca correlação positiva e não significativa estatisticamente nos fragmentos (R² Spearman=0,29; p=0,35; Figura 5.1) e alta correlação positiva nos ambientes de cabruca (R² Spearman=0,78; p<0,05; Figura 5.2). Dentre as espécies de plantas que foram visitadas pelas aves nos ambientes de cabruca, 41,6% foram visitadas apenas por uma espécie de beija-flor (P. ruber) e 30 interações foram observadas dentre um total de 182 possíveis da rede de interações deste ambiente (Figura 6.1). Nas cabrucas, todas as espécies foram visitadas por, pelo menos, três beija-flores. Um total de 52 interações entre plantas e aves dentre as 120 possíveis neste ambiente (Figura 6.2). O número médio de interações por planta foi menor nos fragmentos (2,14) florestais que nos ambientes de cabruca (10,4). Nos fragmentos florestais a rede formada foi bem aninhada, em que um número baixo de aves interagem com as espécies com flores mais especializadas (Figuras 6.1 e 6.2). DISCUSSÃO Flores visitadas por aves A síndrome de ornitofilia é mais comum em plantas de porte herbáceo e epifítico e diversos estudos mostram que Bromeliaceae é a família mais representativa dentre as espécies com flores ornitófilas da Mata Atlântica (Buzato et al.2000, Machado & Semir 19 2006) neste estudo as bromélias foram o grupo de plantas mais representativo o que corrobora essa ideia. As cabrucas desempenham um grande papel na conservação e manutenção da diversidade das espécies de porte arbóreo (Sambuichi 2006), entretanto o mesmo não acontece para as espécies herbáceas e epifíticas no sub-bosque e estrato intermediário das cabrucas, como aqui demonstrado pela menor riqueza de espécies nativas ornitófilas nas cabrucas quando comparadas aos fragmentos florestais. A retirada das plantas nativas do sub-bosque para o plantio dos pés de cacau permite a entrada de espécies competidoras de rápido crescimento, como foi o caso das espécies como C. cornutus e H. richardiana, que são espécies comuns a áreas abertas e bordas de fragmentos e que invadem rapidamente o sub-bosque das cabrucas na ausência de competição das plantas nativas. Embora os fragmentos florestais apresentem maior riqueza de espécies vegetais do que os ambientes de cabruca, estas apresentam, em determinados meses do ano, uma grande quantidade de flores que são recursos alimentares para aves no dossel. Esse fato se deve à presença das espécies exóticas E. fusca e E. poeppigiana, estas espécies são plantadas entre os pés de cacau devido seu rápido crescimento e potencial para fixação de nitrogênio no solo. Muitas espécies deste gênero têm como característica uma floração explosiva, na qual toda a copa das árvores fica repleta de flores abundantes em néctar e tem um importante papel na dinâmica das cabrucas (Parrini & Raposo 2008). Embora a quantidade de flores nas cabrucas seja alta, devido à grande abundância de flores nas espécies de eritrinas, a baixa riqueza de espécies encontrada faz com que em outros meses a oferta caia drasticamente, o que pode interferir na manutenção de aves neste ambiente. A polinização por aves é assazonal e depende de oferta de néctar ao longo de todo o ano, que normalmente é produzido por várias espécies que se substituem ao longo do ano e que mantém a oferta de néctar para essas aves regular (Sazima et al. 1995, Sazima et al. 1996, Buzato et al. 2000). A polinização por aves é incomum em regiões com picos de floração e períodos sem flores entre eles (Cronk & Odeja 2008). Ainda que a maior oferta de recursos florais para aves tenha sido encontrada nas cabrucas, a maior riqueza de espécies com flores na mata garante uma menor variação na oferta de recursos deste ambiente ao longo do ano. Em redes mutualísticas entre plantas e seus polinizadores, espécies animais e vegetais formam o nicho umas das 20 outras (Olesen & Jordano 2002). Conforme a riqueza de plantas aumenta em uma área, maior é o espectro de recursos florais que pode ser visitado pelas aves (Olesen & Jordano 2002). Por ser mais rica e com a manutenção de flores ao longo do ano, a rede de polinização dos fragmentos é maior e mais aninhada, com um número maior de espécies de aves e plantas interagindo. Visto que a manutenção dos recursos florais é importante para a fauna de aves associada, que os beija-flores apresentam altas taxas metabólicas e que fontes constantes de alimento são importantes para que estes animais possam ter sucesso em um ambiente (Sazima et al. 1995). Nos fragmentos florestais, o fato dos recursos ornitófilos serem encontrados principalmente no sub-bosque, corrobora outros estudos que sugerem que, em geral, a maior parte destes recursos está disponível no estrato inferior da floresta (Snow & Snow 1972, Rocca 2006). Além da típica baixa oferta de recursos ornitófilos no dossel, os fragmentos amostrados se tratam de áreas que tiveram grandes árvores retiradas e que se encontram em estágio intermediário de sucessão secundária. Assim, poucas são as árvores de grande porte que servem como forófitos para que muitas das espécies epífitas ornitófilas geralmente encontradas no dossel pudessem se desenvolver (Fontoura et al. 1997), explicando a baixa oferta de recursos encontrada no dossel dos fragmentos. O fato do estrato inferior das cabrucas ser roçado constantemente (Sambuichi 2006) e ter as epífitas que se estabelecem nos pés de cacau retiradas, elimina grande parte da riqueza das espécies ornitófilas que poderiam estar presentes neste ambiente. Outras espécies, melhores competidoras e menos especializadas, substituem as espécies ornitófilas nativas. Habitats alterados apresentam uma diminuição significativa da abundância de plantas com flores polinizadas por aves e outros vertebrados e tendem a apresentar uma maior generalização dos sistemas de polinização (Lopes et al. 2009). Conjuntamente, a diversidade funcional dos sistemas de polinização diminui gradualmente do interior de florestas em sentido às bordas conforme o nível de perturbação aumenta (Lopes et al. 2009). Aves que visitam flores A maior riqueza de aves observada no dossel das cabrucas se deve, sobretudo à presença das espécies de eritrina. Aves nectarívoras são sensíveis à oferta de recursos das flores e modificam suas técnicas de forrageamento em resposta aos suprimentos de 21 recursos (Quirino & Machado 2001). A abundância de recursos produzida pelas eritrinas gera uma agregação de recursos que atrai muitas espécies de aves nãoresidentes para as cabrucas, que migram durante o período de floração e passam a utilizar esse ambiente, agregando uma alta riqueza de aves em suas copas (Cronk & Odeja 2008). Durante movimentos sazonais destas aves ou ao visualizar as flores a grandes distâncias, as aves facilmente localizam as espécies de eritrina (Parrini & Raposo 2008). Por se tratarem de espécies que perdem as folhas durante a floração (Parrini & Raposo 2008), serem plantadas agregadas nas cabrucas e apresentarem um número muito grande de flores com cores conspícuas para aves, as espécies de eritrina atraem para sua copa uma rica fauna de aves polinizadoras (Mendonça & Anjos 2006). O sentido mais importante para as aves quando forrageando à procura de alimento é a visão (Cotton 2001). As duas espécies exóticas de eritrinas são importantes recursos florais no ambiente de cabruca e apresentam uma florada explosiva, na qual toda a copa da árvore fica repleta de flores (Parrini & Raposo 2008). A alta atratividade gerada no dossel das cabrucas nos períodos em que as espécies de eritrina estão floridas é a principal causa para o aumento da riqueza de aves observado em determinados períodos. Algumas características fazem das aves excelentes polinizadores, especialmente voar a grandes distâncias e a grande acuidade visual destes animais (Sick 1997, Raven et al. 1999). Aves passeriformes tendem a viajar em grupos e garantem a polinização cruzada de indivíduos a longas distâncias, essas aves estão associadas a plantas que exibem grandes inflorescências ou um grande adensamento de indivíduos floridos (Stiles 1981). Ao contrario dos beija-flores que normalmente visitam flores individuais uma a uma, os passeriformes usualmente exploram muitas flores em um mesmo local, portanto o adensamento das flores é um importante parâmetro para avaliar a presença destas espécies (Cronk & Odeja 2008). O fato das espécies de aves passeriformes terem sido observados exclusivamente no dossel dos ambientes, onde as espécies em flor apresentam um grande adensamento floral corrobora a ideia que passeriformes estão associados à oferta agregada de recursos. Embora uma alta riqueza de aves seja observada nas copas das eritrinas, o fato dessas aves não visitarem o estrato inferior da cabruca e não serem observadas utilizando recursos nos fragmentos sugere que essas aves visitantes das cabrucas não alteram a dinâmica de polinização dos fragmentos remanescentes. 22 As espécies de Trochilidae são observadas com maior freqüência no sub-bosque e indivíduos de famílias de passeriformes são típicos de dossel (Rocca & Sazima 2007). Somente beija-flores visitaram o sub-bosque dos ambientes aqui estudados e as espécies passeriformes estiveram presentes apenas no dossel destes ambientes, o que corrobora esta ideia de estratificação das espécies de aves nectarívoras em relação ao grupo taxonômico ao qual fazem parte. As espécies de passeriformes para se alimentarem de flores dependem de outras partes da árvore para pousar e acessar o recurso (Stiles 1981). O fato de as espécies de porte arbóreo encontradas no dossel dos ambientes estudados apresentarem estruturas que permitem o acesso por parte das aves que pousam, contribuiu para a maior riqueza de aves no dossel dos ambientes. Indivíduos da espécie Brotogeris tirica foram observados por diversas vezes arrancando as flores das espécies de eritrina, normalmente em pequenos grupos, e passando um longo período em cada planta o que corrobora que esta seja a forma mais utilizada por indivíduos deste gênero ao se alimentar de néctar (Ragusa-Neto 2002, Parrini e Raposo 2008). Essa família de aves é formada por indivíduos com bicos de maior diâmetro e que não podem acessar o néctar das espécies de eritrinas a partir da abertura da corola, portanto, a única forma de terem acesso ao néctar é arrancando as flores e alimentando-se do néctar na base da flor (Parrini & Raposo 2008). Neste processo, após se alimentar do néctar na base das flores, as mesmas são descartadas após o manuseio (Parrini & Raposo 2008). Neste caso, além de não contribuir para a polinização das eritrinas, Brotogeris tirica ainda reduz a oferta de flores das eritrinas para outras aves (Ragusa-Neto 2002). Phaethornis ruber, que apresentou alta dominância nos fragmentos é considerada uma espécie comum nos estratos mais baixos da floresta (Stiles 1981, Cotton 1998, Rosero-Lasprilla 2003) e foi o principal beija-flor residente dos ambientes de fragmentos florestais e cabrucas. Beija-flores apresentam altos gastos metabólicos e fontes perenes de alimento são importantes para manutenção de sua diversidade nos ambientes (Sazima et al. 1995). Embora haja certa sobreposição das espécies em flor, a escassez de recursos observados nos fragmentos e nas cabrucas em alguns meses do ano pode interferir na manutenção da fauna associada a estas flores (Sazima et al.1995, Freitas & Sazima 2006). O vôo do tipo pairado é a forma de locomoção com maior gasto energético entre as aves (Weis-Fogh 1977, Sazima et al. 1996; Sick, 1997; Altshuler et al. 2004), consequentemente, só pode ser mantido por longos períodos em 23 espécies de beija-flores com pequena massa corpórea (Chai & Millard 1997). Se tratando de gasto energético, um maior gasto metabólico de beija-flores de maior tamanho explica a exclusão destes indivíduos de certos ambientes simplesmente por não haver néctar suficiente para manutenção energética destes animais (Chai & Millard 1997, Altshuler et al. 2010). Desta forma, o fato de Phaethornis ruber ter sido o beijaflor mais freqüente em visitas realizadas nos dois ambientes pode ser explicado por seu pequeno tamanho (Altshuler et al. 2010). Uma pequena demanda de recursos explica o sucesso desta espécie ao longo de todo o ano, mesmo nos meses com baixa oferta de recursos, que não seria suficiente para beija-flores com maior gasto energético (McMillen & Carpenter 1977, Brown et al. 1978). Interações entre plantas e aves Sistemas agrosilviculturais como as cabrucas são um importante elemento na paisagem, pois promovem habitats e corredores para dispersão de espécies de vários grupos (Estrada et al. 1993, Greenberg et al. 2000, Estrada & Coates 2002). Estes sistemas são o habitat para aves e outros grupos animais e a riqueza nos ambientes de cabruca, em muitos casos, pode ser maior do que nos fragmentos florestais da região (Alves 1990, Faria et al. 2007). As cabrucas são um ambiente permeável e utilizado como corredor tanto pelos animais dos interiores das florestas quanto para os animais de áreas abertas (Faria et al. 2007), o que ajuda a explicar a maior riqueza de aves encontrada no dossel deste ambiente. Embora os ambientes de cabruca tenham importância na manutenção de espécies nativas, a crise econômica e a diminuição dos valores pagos pelo cacau têm feito os produtores da região buscarem fontes complementares de renda, substituindo as espécies sombreadoras nativas, por outras com potencial econômico (Sambuichi 2006). Neste contexto, o plantio das espécies de eritrina nas cabrucas pode não ser a melhor escolha do ponto de vista ecológico, visto que a oferta de recursos gerada pode interferir nos processos naturais de polinização (Aizen et al. 2002). É necessária a criação de alternativas de compensação econômica aos produtores de cacau para incentivar a conservação das espécies nativas nas cabrucas (Sambuichi 2006). Encontrar espécies nativas que podem ser utilizadas de maneira sustentável é um dos caminhos para a solução deste problema (Araujo & Souza 2009). Bromeliaceae é uma família de plantas com alto potencial ornamental (Carneiro 2002) e o cultivo de 24 espécies desta família de plantas com fins comerciais é recente no Brasil, portanto ainda existem poucos dados que auxiliem os produtores a melhorar a qualidade e a produtividade no cultivo comercial destas espécies (Kanashiro 2005). Com alto valor paisagístico, algumas regiões do bioma Mata Atlântica e algumas áreas de Cerrado têm utilizado bromélias com fins comerciais devido ao seu potencial paisagístico (Carneiro 2002), entretanto no sul da Bahia esta prática nunca foi adotada. A coleta de sementes de bromélias nos fragmentos e produção de mudas nos espaços entre os pés de cacau deve ser utilizada como alternativa para os produtores e pode gerar uma fonte alternativa de renda. A manutenção de espécies nativas como fonte de renda nestes ambientes pode contribuir inclusive para a manutenção da biodiversidade de espécies animais e vegetais desta complexa paisagem. Entretanto, o ambiente de cabruca não deve ser considerado o principal ator na conservação da biodiversidade da região em questão, mas deve sim, juntamente com os fragmentos que compõem esta paisagem, estar incluído no manejo de grandes áreas protegidas para que atue junto com outros ambientes na conservação da biodiversidade local (Schroth et al. 2004). Desta maneira, é de grande importância que programas de educação ambiental sejam criados nas comunidades das regiões cacaueiras. Com o conhecimento de aspectos da ecologia da polinização, como o reconhecimento das principais espécies da região e da importância da manutenção destas espécies nativas para que os processos ecológicos não sejam perturbados, proporcionará uma maior estabilidade dos sistemas e assim, atuando na conservação da diversidade local. CONCLUSÕES Na região cacaueira do entorno do município de Una, os fragmentos florestais remanescentes apresentam maior riqueza de espécies com flores utilizadas como recurso alimentar por aves que os ambientes de cabruca. Entretanto, o número de flores disponíveis nas cabrucas é maior que nos fragmentos florestais. A maior abundância de flores observada no ambiente de cabruca se deve à presença das espécies exóticas Erythrina poeppigiana e Erythrina fusca. Estas espécies são leguminosas que foram plantadas pelos produtores de cacau em espaços pouco sombreados da maioria das cabrucas e geram modificações na dinâmica das relações de polinização destes ambientes. 25 As cabrucas da área de estudo apresentam maior riqueza de aves polinizadoras que os fragmentos florestais. Nas cabrucas há um grande aumento na riqueza de aves polinizadoras nos meses em que E. fusca e E.poeppigiana estão floridas. Entretanto, poucas espécies são residentes destes ambientes. Phaethornis ruber é a principal espécie de ave encontrada nos dois ambientes e seu sucesso está ligado à menor demanda energética desta espécie. A riqueza de aves polinizadoras é fortemente relacionada com a oferta de recursos. Ambientes com um número alto de flores ofertadas apresentam uma alta riqueza de aves. Da mesma maneira, o número de flores por indivíduo é uma variável que tem forte relação com a riqueza de aves. Em meses com a presença de espécies com floradas explosivas e que apresentam um número grande de flores/indivíduo, se deve esperar um aumento no número de espécies na assembléia de polinizadores destas comunidades. As dinâmicas existentes entre plantas e seus polinizadores são um importante fator a ser levado em conta no processo de criação de estratégias para conservação da biodiversidade de ambos os grupos. As implicações que alterações neste cenário trazem podem causar grandes distúrbios no equilíbrio das relações entre plantas e animais desta paisagem. Mudanças no manejo da cabruca devem ser discutidas para garantir este equilíbrio. 26 REFERÊNCIAS AIZEN, M.A., VÁZQUEZ, D.P. & SMITH-RAMÍREZ, C. 2002. Historia natural y conservación de los mutualismos planta-animal del bosque templado de Sudamérica austral. Revista Chilena de Historia Natural 75: 79-92. ALTMANN, S. A. 1974. Observational study of behavior sampling methods. Behavior, 49: 229-265. ALTSHULER, D.L., DUDLEY R., & MCGUIRE J.A. 2004. Resolution of a paradox: Hummingbird flight at high elevation does not come without a cost. Proceedings of the National Academy of Sciences 101: 17731–17736. ALTSHULER, D.L., DUDLEY, R., HEREDIA, S.M. & MCGUIRE, J.A. 2010. Allometry of hummingbird lifting performance. J. Exp. Biol. 213, 725-734. ALVES, M. C. 1990. The role of cacao plantations in the conservation of the Atlantic Forest of southern Bahia, Brazil University of Florida. ARAUJO, A.C. 1996. 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Ambiente de ocorrência, hábito, cor das flores ou inflorescências, formato da flor, número de flores por dia, abertura e comprimento da corola ± desvio padrão) e número de flores analisadas para coleta dos dados morfométricos, das espécies vegetais encontradas nos fragmentos e cabrucas no município de Una, BA, no período de fevereiro de 2011 a março de 2012. Espécie Acanthaceae Aphelandra hirta Ruellia affinis Bromeliaceae Portea petropolitana Billbergia morelii Billbergia euphemiae Guzmania lingulata Nidularium inocentii Nidularium amorimii Vriesea ensiformis Vriesea duvaliana Campanulaceae Centropogon cornutus Clusiaceae Synphonia globulifera Fabaceae Erythrina poeppigiana Erythrina fusca Gesneriaceae Nematanthus corticola Heliconiaceae Heliconia richardiana Malvaceae Pavonia morii Ambiente¹ Hábito² Cor da corola / brácteas Formato da flor Flores por dia F F herb. lian. amarelo / laranja vermelho tubular tubular 1a3 1a5 F-C F F F F F F F terr. / saxi. / epif. epif. epif. epif. epif. epif. terr. / epif. epif. violeta / vermelho roxo / vermelho azul / vermelho amarelo / vermelho branco / vermelho azul / vermelho amarelo / vermelho amarelo / vermelho tubular tubular tubular tubular tubular tubular tubular tubular 5 a 15 1a7 1a5 1a3 1a5 1a5 1a2 1a3 C herb. rosa tubular 1 a 10 F-C arbo. vermelho campanular dezenas C C arbo. arbo. laranja laranja tubular tubular F epif. vermelho F-C herb. F arbu. Abertura da Comprimento corola (cm) da corola (cm) N³ 0,65±0,03 3,11±0,22 30/26 0,41±0,03 3,74±0,08 29/14 0,11±0,007 4,78±0,04 7/3 0,52±0,06 4,32±0,17 29/15 centenas centenas 0,20±0,01 0,43±0,05 3,75±0,08 4,12±0,05 31/11 35/10 tubular 1a8 0,52±0,08 4,44±0,27 33/17 amarelo / vermelho tubular 1a5 0,03±0,01 3,23±0,10 31/21 verde embricada 1 a 12 * Espécie não ornitófila (sensu Faegri & van der Pilj 1979) ¹ F= Fragmentos; C= Cabrucas; F*= aves avistadas nos fragmentos, mas não visitaram flores neste ambiente. ² herb.= Herbáceo; saxi.= Saxícola; epif.= Epifítico; lian.= Lianescente; arbo.= Arbóreo; arbu.= Arbustivo. ³ Tamanho da amostra: Numero de flores/indivíduos amostrados. 33 Tabela2. Ambiente de ocorrência, tamanho total, tamanho de bico, hábito, padrão de sociabilidade e dieta predominante das espécies de aves encontradas nos fragmentos e cabrucas no município de Una, BA, no período de fevereiro de 2011 a março de 2012. Espécie APODIFORMES Trochilidae Phaethornithinae Phaethornis ruber Trochilinae Amazilia versicolor Anthracothorax nigricolis Aphantochroa cirrochloris Clorostilbon notatus Eupetomena macroura Florissuga fuscus Glaucis dohrni Glaucis hirsutus Heliothryx auritus Hylocharis cyanus Hylocharis sapphirina Thalurania glaucopis CUCULIFORMES Cuculidae Piaya cayana PASSERIFORMES Psittacideae Brotogeris tirica Coerebidae Coereba flaveola Thraupidae Cyanerpes cyaneus Dacnis cayana Hemithraupis flavicollis Nemosia pileata Tangara palmarum Tangara velia Icteridae Cacicus cela Pipridae Pipra rubrocapila femea Saltador similis Indet. 1 Ambiente¹ Tamanho² (cm) Tamanho do bico³ (cm) Hábito Sociabilidade Dieta predominante Nicho predominante F-C 8,5 2,4 residente solitário néctar, artrópodes sub-bosque C F-C F-C F-C F* - C F* - C F-C F-C C C C F-C 8,5 11,5 12 9,5 15 12 12 13 11,5 8,5 9 11 1,8 2,2 2,1 1,7 2,1 2,1 2,9 3,3 1,8 1,75 2 1,9 visitante visitante visitante visitante visitante visitante residente residente visitante visitante visitante residente solitário solitário solitário solitário solitário solitário solitário solitário solitário solitário solitário solitário néctar, artrópodes néctar, artrópodes néctar, artrópodes néctar, artrópodes néctar, artrópodes néctar, artrópodes néctar, artrópodes néctar, artrópodes néctar, artrópodes néctar, artrópodes néctar, artrópodes néctar, artrópodes dossel dossel dossel dossel dossel dossel sub-bosque sub-bosque dossel dossel dossel sub-bosque C 40 a 48 - visitante solitário artrópodes dossel F-C 21 - visitante grupos (5) néctar, frutos dossel F-C 10 - visitante casal néctar, artópodes, frutos dossel C F-C C C F-C C 12 13 15 12 18 14 - visitante visitante visitante visitante visitante visitante grupos (3) individual grupos (4) grupos (4) casal casal néctar, artópodes, frutos néctar, artópodes, frutos artrópodes, frutos frutos néctar, artópodes, frutos artrópodes, frutos dossel dossel dossel dossel dossel dossel F-C 28 - visitante grupos (5) néctar, artópodes, frutos dossel C C 10 20 - visitante visitante solitário solitário frutos frutos dossel dossel - visitante solitário artrópodes,frutos dossel C ¹ F= Fragmentos; C= Cabrucas; F*= visualizado em fragmento, mas não visitou flores neste ambiente. ² Tamanho (comprimento) total segundo Sigrist (2009). ³ Tamanho do bico (Grantsau (1989). 34 Tabela 3.1. Número de flores por hectare, média do numero de flores por planta, riqueza de aves e riqueza de espécies com flores utilizadas por aves nos fragmentos ao longo do ano no município de Una, BA. FRAGMENTOS Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Tamanho Riqueza de Riqueza de Flores/hectare dos grupos¹ Aves plantas 21,67 2 4 8 18,61 3,52 3 7 2,78 2 2 5 7,78 3,5 2 3 13,61 12,25 11 2 13,89 7,14 11 3 1,39 1,25 1 1 2,50 3 1 1 3,06 1,37 1 3 5,83 1,31 2 3 16,39 1,9 4 2 19,72 1,82 3 5 ¹Valor médio a cada mês Tabela 3.2. Número de flores por hectare, média do numero de flores por planta, riqueza de aves e riqueza de espécies com flores utilizadas por aves nas cabrucas ao longo do ano no município de Una, BA. CABRUCAS Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Tamanho Riqueza de Riqueza de Flores/hectare dos grupos¹ Aves² plantas 290,56 209,2 12* 2 225,00 270 13* 2 18,61 4,18 3 1 16,94 5,08 2 1 35,56 9,14 16 2 445,00 80,1 19* 3 245,00 63 12* 3 38,61 23,16 13* 2 9,44 2,12 7 2 2,22 1,33 3 2 11,11 1,57 2 1 5,00 1,5 3 1 ¹Valor médio a cada mês ² Asterisco realça os meses em que E.fusca e E. poeppigiana (Fabaceae) estavam floridas 35 Tabela 4. Descritores de rede de interações¹ das matrizes de interação entre as espécies de plantas e aves que as visitam nos ambientes de fragmentos e cabrucas, no município de Una, BA. Descritor¹ Tamanho da rede (M=P*A) Número total de interações (I) Conectividade (C=100*I/M) Número médio de interações por planta (Np=I/P) Número médio de interações por animal (Na=I/A) Fragmentos Cabrucas 182 120 30 52 16,48 43,33 2,14 10,4 2,31 2,17 ¹Segundo Olensen e Jordano (2002) 36 ESPÉCIES B. mor N. ino V. ens A. hir H. ric* P. pet R. aff V. duv N. amo P. mor B. eup S. glo* G. lin N. cor P. pet E. poe P. pet H. ric* C. cor S. glo* E. fus FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ JAN Fragmentos Cabrucas Figura 1. Período de floração (linhas finas) e picos de floração (linhas grossas) durante o período entre fevereiro e novembro de 2011, no município de Una, BA. O nome das espécies abreviado corresponde à primeira letra do gênero, seguido das três primeiras letras do epíteto, (consultar Tabela 1). Asterisco indica espécies presentes nos dois ambientes. 37 Figura 2. Estratificação vertical das flores encontradas entre fevereiro de 2011 e janeiro de 2012 nas áreas de fragmentos florestais e das cabrucas no município de Una, BA. 38 Figura 3. Número total de visitas realizadas pelas aves nos fragmentos florestais (A) e nas cabrucas (B), entre fevereiro de 2011e janeiro de 2012 no município de Una, BA. As barras pretas representam espécies de beija-flores e as barras vermelhas espécies passeriformes. Espécies precedidas por asterisco indicam que a espécie é exclusiva deste ambiente. 39 A B Figura 4. Agrupamento das espécies de aves pela similaridade de espécies de flores que visitam (presença ou ausência), nos ambientes de fragmentos (A) e cabrucas (B), durante o período de fevereiro de 2011 a janeiro de 2012 no município de Una, BA, utilizando o coeficiente de similaridade de Jaccard e agrupamento pareado como método de ligação entre grupos. 40 Figura 5.1. Relação entre: Riqueza de aves e flores por hectare (A), riqueza de aves e número médio de flores por indivíduo (B) e riqueza de aves e riqueza de espécies vegetais, nos fragmentos florestais do município de Una, BA, no período entre fevereiro de 2011 e janeiro de 2012. 41 Figura 5.2. Relação entre: Riqueza de aves e flores por hectare (A), riqueza de aves e número médio de flores por indivíduo (B) e riqueza de aves e riqueza de espécies vegetais, nas cabrucas do município de Una, BA, no período entre fevereiro de 2011 e janeiro de 2012. 42 C. cela A. nigricolis T. palmarum 1 1 1 1 1 1 T. glaucopis 1 1 1 1 1 1 1 1 1 C. flaveola 1 1 B. tirica 1 D. cayana 1 E. macroura 1 1 1 C. notatus 1 1 A. cirrochloris 1 1 1 1 4 G. hirsutus 1 1 1 5 G. dohrni 1 1 1 11 S. glo H. sp1 A. mar F. sp1 V. ens A. sp1 B.sp2 B. sp1 R. sp1 N.pro G. lin N. cor N.sp1 V. psi P. ruber 10 3 3 3 2 2 2 1 1 1 1 1 0 0 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 S. similis 1 1 D. cayana 1 1 1 1 1 C. cyaneus 1 H. auritus 1 1 1 1 A.versicolor 1 2 1 T.glaucopis 1 2 1 2 1 P. rubrocapila 1 1 2 1 1 T. velia 1 1 T. palmarum 1 1 2 2 H. sapphirina 1 1 N. pileata 2 H. cyanus 1 1 1 2 F. fuscus 1 1 P. cayana 2 A. nigricolis 1 3 1 1 C. cela 3 E. macroura 1 3 3 C. notatus 1 3 A. cirrochloris 3 1 1 C. flaveola 3 G. dohrni 1 1 B. tirica 3 P. ruber E. fus S. glo E. sp2 H. sp1 C. cor 4 22 14 10 3 3 G. hirsutus Figura 6.1. Rede de interações entre as 14 espécies de flores visitadas por 13 espécies de aves nos fragmentos florestais do município de Una, BA. Ao lado de cada espécie, o número de interações. 1 1 1 1 Figura 6.2. Rede de interações entre as cinco espécies de flores visitadas por 24 espécies de aves nas cabrucas do município de Una, BA. Ao lado de cada espécie, o número de interações. 43 Figura 7. Espécies com recursos utilizados por aves durante o período de fevereiro de 2011 a janeiro de 2012 no município de Una, BA. As espécies na coluna da esquerda ocorrem nos fragmentos florestais e na coluna da direita, nas cabrucas: A, Portea petropolitana; B, Erythrina poeppigiana; C, Aphelandra hirta; D,Erythrina fusca; E,Pavonia morii; F, Centropogon cornutus; G, Billbergia euphemiae; H, ninho de Clorostilbon notatus em cacaueiro. 44 Figura 8. Espécies de aves que utilizaram flores como recurso durante o período de fevereiro de 2011 a janeiro de 2012 no município de Una, BA. As espécies na coluna da esquerda ocorrem nos fragmentos florestais e na coluna da direita, nas cabrucas: A, Glaucis dohrni visitando Portea petropolitana; B, Florissuga fuscus vistando Erythrina fusca; C, Glaucis hirsutus descansando no intervalo entre as visitas; D, Brotogeris tirica arrancando as flores de Erythrina poeppigiana; E, Phaethornis ruber após visita a Nidularium amorimii; F, Clorostilbon notatus visitando Erythrina poeppigiana; G, Phaethornis ruber visitando Billbergia morelii; H, Cacicus cela visitando Erythrina fusca. 45