PROPOSTA DE UM PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS, PARA A MICROBACIA DO CÓRREGO MINGAU, GOIÂNIA, GOIÁS. Henrique Pereira da Silva ¹, Antônio Pasqualetto ² ¹Eng. Ambiental, Graduando em Engenharia Ambiental – Universidade Católica de Goiás [email protected] ²Eng. Agrônomo, Doutor do Departamento de Engenharia da Universidade Católica de Goiás, [email protected] RESUMO Este trabalho refere-se ao estudo ambiental de um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) que tem como princípio estabelecer medidas para a recuperação e reabilitação ambiental de áreas atingidas em decorrência do processo erosivo, o que se deve por alterações físicas, bióticas e antropícas causadas ao meio ambiente. A área em estudo, de 284.437.68m², está localizado no bairro Parque Amazônia, no município de Goiânia, onde abrange o córrego Mingau e seu entorno, encontra-se totalmente antropizado ao longo das áreas de preservação, em decorrência da ocupação urbana irregular e da retirada da mata ciliar no entorno das nascentes do córrego Mingau, para a implantação de culturas permanentes (árvores frutíferas e ornamentais) e temporárias (horticulturas e floriculturas). A área também é ocupada para o uso de clubes de lazer, oficina de pintura e funilaria de veículos, depósito de resíduos, canais de drenagem, moradias e vias asfaltadas. Palavras Chaves: Processo erosivo, Ocupação urbana, Áreas degradadas e córrego Mingau. ABSTRACT This work to refer to ambient study by a Recovery Plan of Degraded Areas – PRAD, that it has as principle to establish measures to ward the recovery and ambient whitewashing of reached areas in result of erosive process, what if it must for physical alterations, bioethics and antrophic, caused to environment. The area in study, of 284.437,68 square meters, it is located in the Parque Amazônia neighbourhood, in the municipality of Goiânia, where it encloses the Mingau creek and her outline, one meets finished totally to long in preservation areas, in result of irregular urban occupation and whithdrawal of ciliar scrubland in around of springs in Mingau creek, to the implantation in permanent cultures (fruitful trees and adornment) and temporary (horticultures and floricultures).The area also is busy for the use of leisure clubs, paint and tinsmith workshop, dump sites, drainage canals, housing and torred road. Key Words: Erosive process, Urban occupation, Degraded areas and Mingau creek. Goiânia, 2007/1 1 INTRODUÇÃO A existência de um Plano Diretor não isenta o espaço urbano de impactos ambientais. Em Goiânia, os impactos ambientais da expansão urbana são resultados da falta 1 de planejamento, e assim também colocam em risco a sustentabilidade do desenvolvimento local (ASSUNÇÃO, 2002). A perda por parte do poder público, sobre o controle de ocupação do solo, fez intensificar o processo migratório na direção da capital (1950-64), o que fez ampliar significamente o espaço urbano. Isso levou por parte da população a ocupação irregular no entorno dos recursos hídricos de Goiânia, sem maiores preocupações com a capacidade de suporte e sem comprometimento com a sustentabilidade ambiental da mesma. Tal fator colocou em risco as características naturais do córrego Mingau. Segundo Assunção (2002), com o passar dos anos, medidas como a Lei de Zoneamento de Goiânia, sancionada em 1994, direcionou o crescimento da cidade para a parte alta contígua ao córrego Mingau, ou seja, os bairros: Parque Anhanguera, Jardim Planalto, Vila Rezende e Jardim Atlântico, assim como toda a rede de drenagem de água pluvial desses bairros direcionou-se para a cabeceira do córrego, bem como a do Setor dos Buritis, no município de Aparecida de Goiânia. Ao longo do processo de ocupação urbana, as sucessivas administrações negligenciaram a necessidade de espaço nas proximidades dos rios, autorizando ocupações inadequadas ao longo das faixas marginais de proteção. Com isso, as freqüentes inundações e danos causados, aumentaram ainda mais a permanência desta situação. Devido à ocupação irregular em suas margens e o comprometimento da preservação permanente em sua área, foi proposto para o córrego Mingau a elaboração de um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD). Este plano é um importante instrumento de gestão ambiental para outros tipos de atividades antrópicas, sobretudo aquelas que envolvem desmatamentos, terraplenagem, exploração de jazidas, entre outros. Para qualquer dessas atividades a elaboração do PRAD é voltada para os aspectos do solo e da vegetação. 2 LEGISLAÇÃO AMBIENTAL 2.1 LEGISLAÇÃO FEDERAL: Em nível federal, a Constituição dá a União à competência privativa para legislar sobre as águas, rios, lagos ou outros corpos d`água superficiais que podem ser bens dos Estados ou da União. O planejamento do uso e gestão das águas superficiais é legalmente assegurado em nível federal, pelos seguintes arcabouços (MARTINS, et al 2005): .Código de Águas- 1934 (complementa o Código Civil) .Código de Mineração e de Águas Minerais (Decreto-Lei n° 227/67) .Lei n° 6.938/81 (regulamentada pelo decreto n° 99.274/90), da Política Nacional do Meio Ambiente, em seu Art. 3°, impõe o retorno de uma área degradada em uma forma de utilização. .Lei n° 6.938/81 (regulamentada pelo decreto n° 99.274/90), da Política Nacional do Meio Ambiente, em seu Art. 4°, impõe ao poluidor e ao predador, a obrigação de recuperar ou indenizar os danos causados ao meio ambiente. .Resolução n° 020/86 do Conselho Nacional do Meio Ambiente - estabelecem parâmetros e limites para classificação das águas doces, solobras e salinas. .Código Florestal Federal (Lei 4.771/95) e Lei florestal do Estado de Goiás (Lei n° 12.596/95) – estabelecem que o entorno, de nascentes e cursos d`águas, bem como matas ciliares, topos de morro e encostas, são áreas de preservação permanente. .Lei n° 9.605/98 (regulamentada pelo decreto n°3.179/99) – conhecida como a Lei de Crimes Ambientais, dispõe sobre os sansões penais e administrativos derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. .Lei n° 9.433/97, conhecida como Lei das Águas – institui o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, tendo a bacia hidrográfica como unidade de 2 planejamento. Estabelece como instrumento de gestão, a outorga, a cobrança pelo uso da água, planos diretores de bacias, enquadramento de corpos d`aguas, compensação a municípios e o sistema de informações sobre recursos hídricos. 2.2 LEGISLAÇÃO ESTADUAL: Em nível estadual, o Estado de Goiás, instituiu nos moldes da Lei Nacional das Águas, a sua política Estadual de Recursos Hídricos. Essa política tem como objetivo assegurar a disponibilidade de água à atual e as gerações futuras. As leis que regem a Política de Recursos Hídricos em Goiás são (MARTINS, et al 2005). .Lei n° 13.123/97 – Lei Estadual de Recursos Hídricos – estabelece o uso múltiplo das águas e a participação tripartite – poder público, usuários e comunidades na gestão de bacias hidrográficas. .Lei n° 12.596/95 (regulamentada pelo Decreto n° 4.593/95) – conhecida como a Lei Florestal do Estado de Goiás, com o objetivo de disciplinar a exploração e utilização da cobertura vegetal nativa, além de disciplinar e controlar a exploração, a utilização e o consumo de produtos e subprodutos florestais. .Lei n°8544/78 (regulamentado pelo Decreto n°1.745/78) - Controle de Poluição do Meio Ambiente: Visa estabelecer penalidades a quaisquer ações que possa tornar às águas, ar ou solo impróprias, nocivas ou ofensivas à saúde, além de inconvenientes ao bem estar público. .Lei n°130125/97 - Pesca Aqüicultura e Proteção da Fauna Aquática: visa estabelecer sansões administrativos e penais, para que sejam permitidas as atividades de pesca no Estado. Ficam permitidas apenas cinco modalidades de pesca: científica, amadora, esportiva, subaquática e artesanal. .Lei n° 14241/02 - Proteção da Fauna Silvestre: visa proteger os animais da fauna silvestre, nos limites do Estado de Goiás, em qualquer fase de seu desenvolvimento, bem com ninhos, abrigos e criadouros naturais. 2.3 LEGISLAÇÃO MUNICIPAL Em nível municipal, os instrumentos responsáveis por garantir a sustentabilidade do desenvolvimento urbano e a qualidade de vida da população, são os Planos Diretores, Lei de Zoneamento, Código de Edificações, Lei de Loteamentos e Lei de Uso e Ocupação do Solo. Em Goiânia as Leis municipais que assegura as tais são: .Lei Orgânica do Município de Goiânia, de 1990; .Lei de zoneamento do Município de Goiânia, de 1994; .Lei complementar n°031, de 29 de dezembro de 1994, que dispões sobre o uso e ocupação nas zonas urbanas e de extensão urbana no Município de Goiânia e estabelece outras providências urbanísticas; No caso de Goiânia, a forma como é aplicada a Lei de Uso e Ocupação do Solo não leva em conta a necessidade de manutenção das funções ecológicas esperadas para as águas superficiais. Exemplo desse processo foi à criação do bairro Parque Amazônia, onde nasce o córrego Mingau. 3 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA O córrego Mingau, com uma extensão de aproximadamente 1.315,69m, nasce no bairro Parque Amazônia, nas delimitações das ruas Belo Horizonte, Alameda Juazeiro do Norte e Avenida José Leandro da Cruz (Figura 1), onde o atravessa para unir-se ao córrego Serrinha, no trecho situado entre a Rua Anacá C-107, avenida C-177 e Rua Açaí, indo desemboçar no córrego Cascavel que, por sua vez, drena para o ribeirão Anicuns, um afluente do rio Meia Ponte, contribuinte da bacia da Paranaíba. Percorre uma área de planícies de 3 sudoeste para noroeste, com uma declividade inferior a 20°, o que caracteriza uma área de baixo risco de erosão (Tabela 1). O córrego Mingau está incluído dentro do Bioma Cerrado a 835 metros acima do nível do mar. A área onde foi implantado pertencia aos Senhores José Rodriques de Morais Neto, José Fidelis Soares e Elias Bufaiçal, e foi loteada pela Imobiliária Faiçal, somando um total de 657,960m² dos quais 284.437,68m² referem-se a chácaras localizadas ao longo do córrego Mingau, sendo denominado pelo Instituto de Planejamento Municipal de Goiânia – IPLAN (1980), como distrito 12. Limita-se ao Norte com os bairros Jardim América e Nova Suíça, onde se encontram os córregos Serrinha e Cascável; ao Sul, limita-se com os bairros Residenciais Taynan, Vila São Tomaz e Setor dos Afonsos, este também pertencente ao município de Aparecida de Goiânia; a Leste, com os bairros Serrinha, Jardim das Esmeraldas e com a Vila Brasília, bairro este pertencente ao município de Aparecida de Goiânia; e a Oeste, com o Jardim Atlântico e Vila Rosa. Tabela 1: Declividade x Risco de erosão Declividade Plano Plano a suave ondulado Suave ondulado a ondulado Ondulado a forte ondulado Forte ondulado a montanhoso Montanhoso Risco de erosão Fraca Fraca Moderada Média Forte Forte Fonte: http://marte.dpi.inpe.br É considerado um dos principais corpos coletores de águas do município goianiense e entorno, ressaltando a necessidade da preservação das margens e nascentes, bem como do uso sustentável das águas do córrego Mingau (ASSUNÇÃO, 2002). O plano inicial do loteamento do Parque Amazônia apresentava às margens do córrego Mingau, chácaras com áreas variando entre 2500 a 7000 metros quadrados. Na época da implantação desse bairro em 1955, estava em vigência o Código Florestal de 1934, que segurava a preservação permanente das florestas protetoras, situadas ao longo das margens e nascentes do córrego Mingau, e também estava em vigência o 1° Código de Edificações de Goiânia, aprovado em 1947, que abrangia toda a Legislação Urbana - Lei de Uso e Ocupação do Solo, Lei de Zoneamento e Lei de Loteamentos (MOREIRA, 2002). Figura 1: Caracterização da área de estudo em todo trecho do córrego Mingau (Google Earth, 2007). 4 4 METODOLOGIA O trabalho de estudo consiste em um levantamento sócio-econômico e ambiental junto aos moradores do local, para estabelecer um plano de recuperação para a micro-bacia do córrego Mingau e medidas de recuperação ambiental das áreas atingidas pelas águas provenientes do escoamento superficial, que provocam o assoreamento dos recursos hídricos. O trabalho foi realizado na cidade de Goiânia, de agosto de 2006 a junho de 2007, onde seu desenvolvimento foi composto em quatro etapas de estudo. Inicialmente foi realizado um diagnóstico ambiental da área de influência (item 5.1), que consiste na caracterização do meio físico, biótico e antrópico, em seguida foram identificados os fatores de danos ambientais (item 5.2), ou seja, as áreas responsáveis pela contaminação e pelo processo de degradação do córrego Mingau, consequentemente foi elaborado um questionário de pesquisa que abordasse dados sócio-econômicos e ambientais e aplicado junto aos moradores do local (Anexo 1). O mesmo foi realizado por amostragem em dois dias consecutivos (sábado e domingo), onde foram estabelecidos trechos específicos, ou seja, pontos considerados mais relevantes para o estudo (tabela2) e por fim foi sugerido um plano de recuperação ambiental para o córrego Mingau, que possui medidas mitigadoras que possam se utilizadas na recuperação das áreas degradadas e as que se encontra em processo erosivo. Tabela 2: Identificação dos trechos Trecho 01 02 Córrego Mingau Mingau 03 04 Mingau Mingau Descrição do Trecho Nascentes principais – Clube Sind Goiânia Av. Terezinha de Morais c/ Av. José Leandro da Cruz Rua Anacá c/ Al. Juazeiro do Norte e Rua Açaí Confluência do córrego Mingau com o córrego Serrinha. Localização Geográfica (UTM) 683362/ 8149171 6833120/ 8149190 682305/ 8150020 682637/ 8148790 Fonte: Diagnóstico do córrego Mingau e Vaca Brava - Semma (2005). A pesquisa foi realizada através de um questionário nos trechos descritos na tabela 2, entrevistando um total de 16 moradores e estabelecendo dois parâmetros para avaliação (Faixa etária e Sexo). À partir das informações obtidas no questionário, foi elaborada uma tabela que abordasse tais informações. As variáveis estabelecidas para a elaboração da tabela foram: . Perguntas do questionário; . Faixa Etária; - De 20 a 40 anos - Mais de 40 anos . Sexo; - Homem - Mulher . Total de Entrevistados; - Faixa Etária - Sexo Além da entrevista com os moradores no córrego mingau, outros passos metodológicos foram aplicados para análise: - Pesquisas Bibliográficas; - Fotos em cada trecho (Tabela 2); - Imagem de Satélite (Google Earth) - Mapa do local (Planta de Uso e Ocupação do Solo – córrego Mingau – Nov. 2002); 5 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1 Diagnóstico ambiental da área de influência O diagnóstico ambiental da área de influência consiste na caracterização do meio físico, biótico e antrópico da área de estudo. 5.1.1 Caracterização do Meio Físico O processo de formação do solo varia de região para região em função do tipo de clima e, principalmente, do tipo de rocha. O risco de erosão de uma determinada região está diretamente relacionado com o tipo de solo (Tabela 3). De um modo geral, os solos são compostos por camadas ou capas. No caso do córrego Mingau, o solo é caracterizado, como latossolo vermelho escuro distrófico com textura argilosa (GUERRA, 1999). Os solos argilosos, onde os grãos de argila são bem menores que os grãos de areia, retêm mais água, isto é, são pouco permeáveis e bem menos arejados, porque os espaços são bem menores dificultando o escoamento de água e a entrada de ar. Tabela 3: Tipo de solo x Risco de erosão Tipo de Solo Latossolos Solos B Textural B Textural / Cambissolos Cambissolos Risco de erosão Fraca Moderada Forte Muito Forte Fonte: http://marte.dpi.inpe.br O relevo é plano ondulado que além de baixa permeabilidade, possui baixa fertilidade natural. O clima é do tipo AW, ou seja, que em regiões tropicais é caracterizado como um clima tropical quente e úmido e possui duas estações bem definidas, uma seca e outra chuvosa. A estação seca começa em abril e continua até setembro. Nesta estação os ventos predominantes são de leste ou de sudeste e as tempestades são muito raras. Apesar de abranger uma extensa área, a região apresenta clima bastante regular. A temperatura média é de 25°C, registrando máximas de 40°C no verão. Os meses mais frios são junho e julho, com temperaturas que variam de 10 a 20°C, enquanto que em agosto a temperatura é mais quente. A topografia possui linha de drenagem vertendo para o bairro, que em épocas de chuva contribui para o agravamento da situação, pois o aumento do volume de escoamento superficial e energia dissipada nas quedas d`águas durante o lançamento no leito do córrego, representa significativo risco de desencadeamento de processo erosivo (Figura 2). Á área de estudo possui uma fitofisionomia do tipo Bioma Cerrado, caracterizado por árvores baixas e retorcidas. 6 Figura 2: Desencadeamento de processo erosivo às margens do córrego Mingau. 5.1.2 Caracterização do Meio Biótico O Cerrado é o segundo maior bioma do país, superado apenas pela floresta amazônica. O Bioma Cerrado é caracterizado por tipos específicos de vegetação, como a caatinga, o cerrado entre outros. São cortadas por três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul, com índices pluviométricos regulares que lhe propiciam biodiversidade. Ocupa uma área superior a dois milhões de Km², cerca de 23% do território brasileiro, abrangendo os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Distrito Federal, Piauí, Tocantins e parte dos estados da Bahia Ceará, Maranhão, São Paulo, Paraná e Rondônia. Ocorrem também em outras áreas nos estados de Roraima, Pará, Amapá e Amazonas (MARTINS et al, 2005). Na região de estudo trata-se de uma área de predominância de Veredas de fundo de vale, tendo sua topografia pouco alterada, com a vegetação caracterizada pela presença de Embaúba (Cecropia sp) e de Buriti (Mauritia flexuosa), palmeira que ocorre em meio a agrupamento de espécies arbustivo-herbáceas (PRAD, 2006). Também no córrego Mingau, foram mencionadas as seguintes espécimes frutíferas: mangueira,jabuticabeira,cajueiro,mamoeiro e bananeira. Os trechos próximos às nascentes são relativamente rasos e estreitos, onde a seção de escoamento possui formato trapeizodal de base estreita e taludes inclinados em relação a vertical, o que significa a existência de uma camada mais resistente a processos erosivos, ao passo que na camada mais próxima à superfície os solos são mais sensíveis, o que tem provocado o comprometimento de árvores mais próximas às margens por solapamento do solo ao redor das raízes. Com relação à Fauna Silvestre, ela se encontra praticamente inexistente, uma vez que o ambiente é urbanizado, porém há segundo relatos de moradores no entorno do córrego Mingau há a existência de espécimes nativas da ictiofauna local como se vê na Figura 3 a presença da Andorinha do mato (Tachornis squamata), também foram mencionados o Cachorro do Mato (Cerdocyon thous) e Gambá (Didelphis sp). O grupo predominante na região é o das aves, uma vez que os mesmos se adaptam com maior facilidade a ambientes alterados. Tabela 4: Espécies de animais encontrados no córrego Mingau. Espécie / Família Astyanax sp Cerdocyon thous Didelphis sp Hypostomus sp Nome comum Lambari Cachorro do Mato Gambá Cascudo 7 Figura 3: Andorinha do mato, espécie da fauna existente às margens do córrego Mingau. 5.1.3 Caracterização do Meio Antrópico Ao longo do trecho em estudo do córrego Mingau, verifica-se moradias de boa infraestrutura o que configura que a classe social ali presente tem um poder aquisitivo satisfatório, contrastando com outras moradias que estão nas adjacências (PRAD, 2006). Foi identificado o Clube dos Buritis, de propriedade do Sind Goiânia, que se instalou nas chácaras, onde se situa as nascentes do córrego. Estas foram vedadas e canalizadas para uso privativo, o que constitui crime ambiental, de acordo com a Lei n° 9605/98. Moradores vizinhos testemunharam que todos os finais de semana, ao entardecer, o clube lança resíduos no córrego. Existe também no córrego Mingau a produção de hortaliças que ocorre devido às boas condições de fertilidade do solo orgânico (terra preta) no local. A mesma além de comprometer o volume normal, das águas do córrego em função da captação, contribui diretamente para o aumento da turbidez da água devido à introdução de nutrientes e defensivos, que penetram no córrego, seja pelo escoamento superficial, drenagem, e até mesmo através do solo. No córrego Mingau há também áreas antropizadas que são utilizadas, para deposito de lixo e restos de materiais de construção (Figura 4). Os responsáveis por realização tal degradação são os moradores do local e de setores circum-vizinhos. Exemplo disso temos conforme a figura anterior um depósito de caçambas de lixo no local. Figura 4: Deposito de caçambas de lixo em área antropizada às margens do córrego Mingau. 8 5.2 Fatores de Degradação Ambiental da Micro-Bacia do Córrego Mingau. Os principais fatores identificados no córrego Mingau, como causadores e responsáveis pelo processo de contaminação e degradação às margens das nascentes são: Habitações, Comércio e Serviços, atividades de Horticultura e Floricultura, atividades de lazer como a chácara Fenícia e clube Sind Goiânia e Vias Asfaltadas e geração de Resíduos Sólidos. 5.2.1 Habitações É composta basicamente por dois tipos de moradias, de baixa renda (Figura 5) e de classe média (Figura 6), localizados próximo às margens do córrego Mingau, ocupando áreas de preservação permanente (APP), que são destinadas às faixas bilaterais contíguas aos cursos d`águas, que segundo a Lei Florestal do Estado de Goiás é de 30m (trinta metros) ao longo do mesmo. No local está situação se constituiu o grande problema da área, pois potencializam a desagregação de solos e instalação de processos erosivos. Existem também chácaras que são cortadas ao meio pelo córrego, de forma que a faixa de preservação já ocupa a totalidade das mesmas. Outros fatores relacionados às habitações que contribuem para aumentar a degradação do córrego são as condições precárias de rede de esgotos e sistema de drenagem no local, aliado também com a falta de conscientização ambiental por parte dos moradores, que ao longo do canal do córrego promovem o lançamento indiscriminado de efluentes domésticos no entorno e na água do córrego. Tal fato pode estar na origem dos coliformes fecais detectados nas análises de águas realizadas (ASSUNÇÃO, 2002). Figura 5: Habitação de baixa renda às margens do córrego Mingau 9 Figura 6: Habitação de classe média, próximo às margens do córrego Mingau. 5.2.2 Comércio e serviços Na área do córrego Mingau, é caracterizado pela presença da oficina de pintura e funilaria de veículos (Figura 7), que são responsáveis pelos lançamentos de resíduos químicos por óleos e graxos, além da contaminação com lixo no local. Segundo a Lei de Zoneamento de Goiânia a área é considerada Zona de Proteção Ambiental (ZPA), e vêm sofrendo danos com a contaminação, compactação e erosão do solo. Na área também a um depósito de resíduos plásticos para a produção de mangueiras, na confluência com o córrego Serrinha, em chácara situada as margens do córrego Mingau, podem estar causando poluição de suas águas (ASSUNÇÃO, 2002). Figura 7: Funilaria de veículos, às margens do córrego Mingau. 5.2.3 Agricultura No córrego Mingau, as atividades de agricultura são caracterizadas por dois tipos de produção: Horticultura e Floricultura. 5.2.3.1 Horticultura É caracterizada pela produção de hortaliças (Figura 8), que às margens do córrego Mingau, é responsável pela alteração do ciclo hidrológico, influenciando entre outras coisas, na reprodução e crescimento da biota. Esse processo ocorre pelo acúmulo de sedimentos às margens do córrego Mingau, que contribui diretamente para o aumento da turbidez da água no local, onde a produção da horticultura utiliza a mesma para a irrigação.Na área a mata ciliar, 10 encontra-se bastante comprometida. O preparo do solo e a utilização de defensivos e fertilizantes representam risco de contaminação para o córrego mingau, pois contamina a água e contribui para a fixação de poluentes na cadeia trópica. Figura 8: Produção de hortaliças próxima às margens do córrego Mingau. 5.2.3.2 Floricultura A produção de floricultura, apesar de, ser praticada dentro dos princípios conservacionistas, como oficina da terra (Figura 9), apresenta um grande potencial de danos ambientais, pois além de utilizar áreas de risco situadas no entorno do córrego Mingau, assim como na produção de hortaliças, altera o ciclo hidrológico devido ao acúmulo de sedimentos às margens das nascentes e corpos d`águas. Figura 9: Produção de floricultura na Oficina da Terra, próximo às margens do córrego Mingau. 5.2.4 Lazer No córrego Mingau é caracterizado por dois locais de uso: Chácara Fenícia e Clube Sind Goiânia (ASSUNÇÃO, 2002). 5.2.4.1 Chácara Fenícia Localizada a Jusante do córrego Mingau, ou seja, para o lado de baixo cujo o sentido corre as águas, a Chácara Fenícia (Figura 10) é responsável junto com outras chácaras existentes para o lazer, pela captação das águas do córrego Mingau para irrigar os campos 11 poli esportivos cobertos com grama, onde também ocorre o lançamento indiscriminado de resíduos sólidos nos cursos d’águas. Figura10: Chácara Fenícia, uma das chácaras responsáveis pela captação das águas às margens do córrego Mingau e pelos lançamentos de resíduos sólidos nos cursos d`águas. 5.2.4.2 Clube Sind Goiânia Localizado à nascente principal do córrego Mingau, o clube Sind-Goiânia (Figura 11) é responsável pela retirada de grande parte da vegetação original do cerrado localizado nos 50m (cinqüenta metros) que circunda as nascentes do córrego. Outro fator significante constatado é o lançamento de efluentes produzidos pelo clube, uma vez que há no local uma fossa séptica com sumidouro a montante e a jusante da nascente do córrego Mingau, além de um lago construído artificialmente que recebe as águas das piscinas, seguindo posteriormente o curso normal do córrego Mingau. Figura 11: Clube Sind-Goiânia, responsável pelo lançamento de efluentes nos leitos do córrego Mingau. 5.2.5 Vias Asfaltadas e Geração de Resíduos Sólidos As vias asfaltadas (Figura 12), por serem vias de circulação, recebem grandes quantidades de resíduos sólidos, o que afeta a compactação solo, modifica da cobertura vegetal e propicia a instalação de processos erosivos, uma vez que em declividades superior a 10º, ocorre o facilitamento para o carregamento de sedimentos que se propagam para as nascentes e ao canal do córrego, podendo acarretar no assoreamento dos leitos. Esses fatores 12 ocorrem pela poluição do ar gerado pelos veículos, cujos componentes acabam por depositarse nas plantas no solo e em partes são drenados para os cursos d água e também por grandes quantidades de lixo presente no escoamento superficial. (ASSUNÇÃO, 2002). Figura 12: Vias asfaltadas, próximo às margens do córrego Mingau, potencializadas com lixo proveniente do escoamento superficial, oriundos das ruas. 5.3 Respostas do questionário Através da aplicação do questionário de pesquisa junto aos moradores do entorno do córrego Mingau, foi obtido em praticamente todos os trechos abordados (tabela 2), informações significantes do ponto de vista sócio-econômico e ambiental. Retrato do comprometimento ambiental dos moradores quanto aos problemas existentes no local, é visível nas ações que os mesmos provocam. Enquanto que proprietários de locais como o Clube Sind Goiânia, Chácara Fenícia, e as atividades de horticultura e floricultura proporcionam fontes de lazer e de renda respectivamente, mesmo que eles acabam por poluir e danificar os leitos do córrego devido à falta de continuidade e manutenção ao longo do percurso do mesmo, outros moradores se limitam a esperar os governantes tomar as devidas providências e nada fazem para ajudar a preservar o mesmo, além de serem também responsáveis diretos pelo grande comprometimento das margens do manancial. Essa realidade é vistas em alguns locais ao longo do córrego. Ao passo que uns embelezam ainda mais as margens do córrego aproveitando a beleza natural existente, outros apenas registram documentos e fotos da destruição gradativa, mas não fazem nada para mudar tal situação. Conforme a pesquisa realizada no local, foram obtidos dados sócio-econômico e ambiental dos moradores do córrego Mingau (Anexo 1). A seguir apresentaremos através utilização de quatro gráficos as principais informações sócio econômico e ambiental do córrego Mingau. - Com relação ao 1º gráfico (Figura 13), pode-se observar que apenas 25% dos moradores entrevistados afirmaram utilizar a água do córrego para diversos tipos de usos, que são os proprietários do Clube Sind Goiânia, Chácara Fenícia e demais que regam a área de lazer e campos esportivos e a Horticultura e Floricultura que regam as hortaliças e plantas. Enquanto que o restante 75% não afirmaram utilizar está mesma água. 13 Figura 13 – Uso da Água no córrego Mingau. Uso da agua sim 25% sim não não 75% -Com relação ao 2º gráfico (Figura 14), podemos ver que apenas 31% dos moradores do córrego Mingau, afirmaram terem tidos seus quintais e residências invadidas pelas enxurradas em épocas de chuva, enquanto que o restante 69% não afirmaram terem acontecidos tais situações em suas residências. Figura 14 – Invasão de Águas Pluviais no córrego Mingau. Invação de águas pluviais sim 31% não 69% sim não -Com relação ao 3º gráfico (Figura 15), podemos ver que apenas 12% dos moradores entrevistados afirmaram terem recebidos algum tipo ajuda por parte do município, enquanto que o restante 88% não afirmaram terem tidos os mesmos benefícios. Figura 15 – Programa Social no córrego Mingau. Programa Social sim 12% sim não não 88% -Com relação ao 4° gráfico (Figura 16), podemos ver que 56% dos moradores entrevistados afirmaram haver por parte do município ação preventiva no córrego Mingau, enquanto que o restante 44% não afirmaram haver as mesmas ações de prevenção. 14 Figura 16 – Ação Preventiva no córrego Mingau. Ação Preventiva não 44% sim não sim 56% 5.4 Aspectos de degradação ambiental na micro-bacia do córrego Mingau O córrego Mingau é cercado por áreas urbanas que interferem seriamente nos sistemas naturais. A vulnerabilidade ambiental está centrada nos processos erosivos e escoamentos superficiais e interfere na qualidade das águas superficiais. Na entrevista com os moradores, também foram citados pelos mesmos, os principais aspectos degradação que contribuem para o aumento da degradação, e possíveis ações ambientais a ser utilizadas para preservar, recuperar ou minimizar a degradação ao longo do córrego (tabela 5). Tabela 5: Aspectos de Degradação x Ações Ambientais no córrego Mingau. ASPECTODE DEGRADAÇÂO AÇÕES AMBIENTAIS -Falta de vegetação nativa nas margens das nascentes. -Condições precárias de rede de esgotos e sistema de drenagem local. -Acúmulo de lixo e entulho às margens do córrego. -Lançamentos de resíduos químicos por óleos e graxos -Captação da água do córrego Mingau para a irrigação de campos esportivos e outros usos. -Recomposição da vegetação em torno das nascentes. -Implantação e recuperação das redes de esgotos locais. -Implantar programas de controle ambiental no local. -Implantar caixas separadoras com óleos e graxos. -Fiscalizar o uso indevido da água do córrego. 6 PLANO DE RECUPERAÇÃO Para o córrego Mingau, o plano de recuperação Ambiental sugerido para a recuperação das áreas degradadas e as que se encontram em processo erosivo, estão estabelecidas em 5 medidas de recuperação.Estas medidas são de Recuperação, Proteção, Revegetação, Plano de Drenagem Urbana Local e Programa de Educação Ambiental. 6.1 Medidas de recuperação De maneira geral, a recuperação de todos os trechos estabelecidos (tabela 2) deve passar por uma regularização do canal de escoamento nos corpos hídricos. A recuperação das características ambientais dessas áreas consiste em recuperar o sistema do leito do córrego em toda a sua extensão degradada. Tal medida foi encontrada no córrego Mingau com a utilização de pedras de granito (Figura 17) a fim de evitar o arraste dos sedimentos no fundo do canal. Características em áreas degradadas como: a perda qualidade ambiental da fauna, remoção da vegetação e perda da camada fértil do solo pela remoção da cobertura dos corpos superficiais e subterrâneos d`água, reflete diretamente nas alterações das características 15 físicas, químicas e biológicas da área, afetando a qualidade ambiental dos corpos superficiais e subterrâneos d`água (PRAD, 2006). A recuperação da área se dará através de um plano que considere os aspectos ambientais, estéticos, sociais e econômicos, de acordo com a função principal do córrego Mingau, permitindo assim alcançar o equilíbrio ecológico e o crescimento da vegetação. Figura 17: Recuperação da área, com a utilização de granito junto ao leito, às margens do córrego Mingau. 6.2 Medidas de proteção A área correspondente à necessidade de proteção no córrego Mingau, está em toda a sua extensão, que vai desde a nascente principal ao encontro com o córrego Serrinha. As medidas a serem tomadas durante o processo de proteção, consistem no isolamento da área de forma a impedir a entrada de pessoas não autorizadas nas áreas em recuperação e também de animais, que no local podem continuarem o processo de degradação. Outro fator contribuinte que pode ser utilizado como medidas de proteção são os dissipadores de energia que promove a redução da velocidade de escoamento através de um dispositivo de drenagem que dissipa o fluxo de energia para evitar a erosão. No córrego Mingau, foi verificado em uma residência o uso de concreto (Figura 18) às margens do córrego para evitar o desbarrancamento devido ao processo de erosão, no entanto tal medida não possui grande eficácia devido a moradores vizinhos não terem condições de tomarem as mesmas medidas. A ação degradante nos trechos mencionados (tabela 2) é a impermeabilização do solo, elevando o volume do escoamento superficial, assim, a capacidade de suporte do córrego tornou-se pequena, levando a atual situação da erosão. Outra estratégia de proteção que deverá ser aplicada a fim de conter a erosão, são Bacias de contenção ou lagoas de contenção que deve ser construídas antes do trecho erodido, a mesma atua de forma a segurar a água e lentamente deixa-la escorrer para os cursos d`água, o que diminui a intensidade do escoamento superficial. 16 Figura18: Utilização de concreto às margens do córrego Mingau como forma de evitar o desbarrancamento devido ao processo erosivo. 6.3 Medidas de Revegetação A recomposição da vegetação ciliar, em locais loteados de chácaras se faz com o plantio de mudas de espécies nativas e frutíferas para recompor a paisagem original e resgatar a fauna para o local. No córrego Mingau foi identificado o uso de Sansão do mato (Figura 19) uma planta espinhenta, que possui características ornamentais, podendo ser usada em paisagismo para a recomposição da vegetação nativa às margens do local. Também pode ser utilizado como medidas de revegetação painéis de malha hexagonal fabricado com uma manta biodegradável para prevenir a fuga de finos do solo e auxiliar na fomentação vegetal. Para isso, os chacareiros deveram dispor de uma faixa de propriedades e também deverá ser desenvolvido junto à comunidade local um trabalho de educação ambiental, evitando depredação das mudas ali plantadas, abordando as causas e conseqüências sócio-econômicas e ambientais dos problemas provocados pelo mau uso dos recursos naturais, que no caso do córrego Mingau, acarretou a erosão local. Para a recuperação de rios e córregos em áreas urbanas é necessário proporcionar uma evolução dos cursos d`águas com áreas adicionais para a recuperação de uma morfologia mais natural, dentro do possível,além de promover a canalização do córrego, como forma de controle das erosões e valorização da paisagem natural do local. Figura 19: Plantação de Sansão do mato às margens do córrego Mingau para recompor a vegetação natural. 17 6.4 Plano de Drenagem Urbana Local As intervenções no solo, por fluxos de matéria depositadas no mesmo, contribui, para a sua impermeabilização, além de ocasionar a erosão e lixiviação do solo. No sistema de drenagem do córrego Mingau, obras civis em seu entorno vem causando impactos sobre o solo e sobre os recursos hídricos. A construção indiscriminada, de clubes de lazer e vias públicas e a retirada da matas ciliares, levaram a compactação do solo, alterando a drenagem natural de toda a área. Para evitar ou minimizar tais ações, são necessárias as seguintes medidas: .Conter as erosões e voçorocas no córrego Mingau através do uso de gabiões, pedra que tem como característica principal o favorecimento da permeabilidade em todo o seu percurso; .Monitorar continuamente as áreas sujeita à varrição, limpeza e coleta de lixo, para evitar o acúmulo de detritos que possam resultar em contaminação do solo e das águas, inclusive veículos de propagação, como ratos, baratas e etc; .Recuperar a mata ciliar em toda a sua extensão do córrego Mingau; .Construir rede de drenagem, como formar de conter as erosões e aumento da vazão, devido às enchentes; .Conter a intensificação dos processos de ocupação antrópica no entorno do córrego Mingau, de forma a frear a compactação do solo e perda de permeabilidade. .Construir galerias de água pluvial para facilitar o escoamento superficial (Figura 20). Figura 20: Utilização de Galeria de água pluvial no córrego Mingau, para facilitar o escoamento superficial. 6.5 Programa de Educação Ambiental A implantação de um programa permanente de educação ambiental com contínuo acompanhamento da população local ocorre de modo a prevenir as contaminações provocadas pelo despejo de resíduos domésticos, seja através de fossas negras, ou por resíduos sólidos no entorno do córrego e nas regiões vizinhas. Segundo moradores tal programa ainda não foi implantado na região, apenas há em determinados períodos ações preventivas no local, como roçagem do mato e aplicação de venenos para combate de insetos. Como medida de recuperação de áreas degradadas, o programa de educação ambiental é encontrado em outros estados com características semelhantes a do córrego Mingau, a Figura 21 mostra um exemplo que se realizou no estado de Santa Catarina-Sc com a participação da comunidade local na recomposição da vegetação natural, através do plantio de mudas como forma recuperar a área antropizada. 18 Figura 21: Exemplo da recuperação e limpeza de uma área degradada, pela comunidade local. Fonte: http:// www.pm.sc.gov.br 7 RESUMO DAS MEDIDAS MITIGADORAS A utilização de técnicas, apropriadas a compatibilização de obras destinadas à proteção de enchentes, drenagem, irrigação, recreação, esportes aquáticos, aproveitamento hidroelétrico e a proteção de espécies, vêm atualmente necessitando de um planejamento adequado que integre a preservação dos corpos hídricos naturais e valorize a paisagem, incluindo a proteção das áreas marginais necessárias à dinâmica dos rios e córregos, para um projeto de revitalização (ASSUNÇÃO, 2002). Sugere-se para este caso como medidas mitigadoras e contenção da erosão do canal do córrego Mingau, o revestimento em todo o trecho, objetivando alcançar o seu equilíbrio. Para a contenção e revestimento de todo trecho erodido, objetivando alcançar o equilíbrio ambiental da área degradada do córrego Mingau, são sugeridas medidas mitigadoras como: .Recomposição da paisagem original no terreno ocupado atualmente pelo clube Sind Goiânia, onde se encontram as nascentes principais do córrego Mingau. .Remoção da Oficina de pintura e funilaria de veículos, bem como o depósito de resíduos plásticos para a reciclagem,em função das restrições de uso que a Lei de Zoneamento em vigor estabelece para o local onde se encontram instalados. .Recuperação das vias asfaltadas, responsáveis pelo carregamento de sedimentos para os leitos do córrego (Figura 19). .Reversão dos sistemas de represamento de água que vem servindo à irrigação de horticultura e ao lazer. .Orientação técnica aos agricultores, com vistas a restringir ao máximo o uso de agrotóxicos, por meio de adoção de práticas alternativas de controle de pragas e correção de solos. .Contenção do solo, para a formação ou recomposição dos maciços a proteger . .Implantação de um sistema de vigilância ambiental permanente da área, absorvendo voluntários da própria comunidade. .Execução, por parte da Administração municipal de sistemas de fossas sépticas com sumidouro em todas as edificações existentes e nas futuras, ao longo das margens do córrego, de forma ambientalmente correta. 19 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS A recuperação de uma área degradada, por ser uma atividade multidisciplinar, ou seja, nem sempre a atividade mais impactante é aquela que se apresenta em maior volume ou duração, exige uma abordagem sistemática de planejamento e visão a longo prazo. O questionário aplicado junto aos moradores do córrego Mingau, apresentou características relevantes e predominantes do ponto de vista sócio-econômico e ambiental que nos mostra as condições ambientais e de vida existente no local. Constatamos que as pessoas com baixa escolaridade são oriundas da zona rural que vieram em busca de uma vida melhor. São em sua maioria pessoas autônomas que moram em casas alugadas e cedidas, que nada fazem para prevenir o processo de degradação, aguardando por parte do município as medidas de contenção para o mesmo. Constatamos também que os moradores que fazem ações de prevenção se limitam a apenas prevenir seus próprios lotes, sem contar com as ações de moradores vizinhos para evitar a continuidade do processo erosivo do local. Com relação às atividades de lazer existentes no córrego Mingau, verificamos que o clube Sind Goiânia, Chácara Fenícia e demais, apesar de todo o embelezamento e lazer proporcionado em seus locais, elas apenas procuram proteger as áreas que lhe são de sua propriedade. No córrego Mingau às atividades agrícolas mostra-se como principal fonte de degradação do solo, pois ainda que gerem renda aos moradores do local, contribui para a fixação de poluentes, limitando a compactação do solo. Segundo a análise da legislação vigente sobre a reabilitação de áreas degradadas, os órgãos ambientais competentes, como licenciadores de atividades que exigem o estudo prévio de impacto ambiental e o plano de reabilitação de áreas degradadas, devem introduzir no formato de um PRAD-Plano de Recuperação de Áreas Degradadas a exigência da abordagem dos aspectos sócio-econômicos e ambientais para a recuperação da área a ser realizada. Tais características referidas foram abordadas no questionário aplicado junto aos moradores, o que gerou um levantamento sócio-econômico e ambiental dos moradores do córrego mingau (Anexo 1). A recuperação do córrego Mingau, não se faz apenas pelas ações, aqui estabelecidas neste PRAD. Deve ser realizado um programa Municipal e Estadual a longo prazo, que vise a recuperação ambiental da área em um futuro próximo, pois o que é realizado no Mingau hoje é muito pouco para a forma como se encontra o local, são feitas pequenas medidas de recuperação e proteção, que em época de chuva são desfeitas novamente. 20 9 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 10004. 2004 ASSUNÇÃO, S. G. S. (Análise do risco de danos ao solo no entorno do córrego Mingau, no bairro Parque Amazônia, em Goiânia – GO). ASSUNÇÃO, S. G. S. Riscos ambientais da ocupação urbana no entorno de águas superficiais – o caso do córrego Mingau, no bairro Parque Amazônia, em Goiânia – GO. 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