UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
FACULDADE DE ENGENHARIA FLORESTAL
Pós-Graduação em Ciências Florestais e Ambientais
INFLUÊNCIA DE UMA ÁREA AGRÍCOLA NA FERTILIDADE
DO SOLO DE UM FRAGMENTO FLORESTAL
JULIANA VIEIRA DA SILVA
CUIABÁ - MT
2014
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JULIANA VIEIRA DA SILVA
INFLUÊNCIA DE UMA ÁREA AGRÍCOLA NA FERTILIDADE
DO SOLO DE UM FRAGMENTO FLORESTAL
Orientador: Profª Dr.ª Oscarlina Lúcia dos Santos Weber
Dissertação
apresentada
à
Faculdade
de
Engenharia Florestal da Universidade Federal de
Mato Grosso, como parte das exigências do Curso
de Pós-graduação em Ciências Florestais e
Ambientais, para a obtenção do título de mestre.
CUIABÁ-MT
2014
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i
A Deus por permitir que Eu fosse
filha de pessoas exemplos de dedicação,
amor, humildade e fé, meus pais, João (in
memorian) e Josefa, Obrigada!!!
ii
AGRADECIMENTOS
A Deus, pela presença incondicional em minha vida e pela
oportunidade de poder batalhar por meus ideais;
À minha Mãe Josefa, minha referência, obrigada por me conduzir
tão carinhosamente pelos caminhos da vida;
Às minhas irmãs Mana, Laure, Laine e Josi e cunhados pela imensa
contribuição e carinho e aos meus amados sobrinhos João Luiz, Ana Sofia,
Guilherme, Murilo, Rafael e Maria Fernanda pelos momentos de distração;
Ao Tarcísio Santos, companheiro, amigo, pelo apoio, paciência e
dedicação de todos os momentos que esteve ao meu lado durante o este
processo de aprendizado
À professora Oscarlina Weber com quem comecei a aprender a
linguagem agronômica e da química do solo, em especial pelo desafio em me
orientar, obrigada pela constante acolhida, pelas conversas, por mostrar um
caminho de competência, de dedicação e de humildade;
Aos professores Charles de Araújo, José Fernando Scaramuzza e
Pedro Hurtado de Mendonza Borges, pela participação na banca de defesa e
contribuições;
Aos colegas e amigos do mestrado, principalmente Bruna Maria,
Bruna Ribeiro, Diana Martínez e Jeane Cabral pela amizade, companheirismo
e boas conversas.
À equipe do Laboratório de Fertilidade do Solo, Marcela e
estagiários;
À Universidade Federal de Mato Grosso e ao Programa de Pós
Graduação em Ciências Florestais e Ambientais pela oportunidade de
realização deste trabalho, aos funcionários e docentes do PPGCFA -UFMT,
pela convivência e aprendizado;
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES) pela concessão de bolsa de pesquisa.
Meu muitíssimo obrigada a todos que colaboraram para que essa
pesquisa fosse concluída com êxito.
iii
4
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ......................................................................... 10
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................. 11
2.1 Inversão da Matriz........................................................... 11
2.2 Aspectos gerais sobre fragmentos florestais .................. 12
2.3 Efeito da área de cultivo .................................................. 14
2.4 Efeito do fragmento florestal ........................................... 15
3. MATERIAL E MÉTODOS ..................................................... 16
3.1 Área de estudo ................................................................ 16
3.2 Amostragem do solo ....................................................... 16
3.3 Delineamento experimental e análise dos dados ............ 17
3.4. Análises dos atributos do solo ....................................... 18
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO............................................ 19
5. CONCLUSÕES .................................................................... 32
6. BIBLIOGRAFIA .................................................................... 33
5
LISTA DE TABELAS
TABELA 1 - RESUMO DA ANÁLISE DE VARIÂNCIA PARA OS
ATRIBUTOS QUÍMICOS DO SOLO ........................................................ 20
TABELA 2 - VALORES DE PH PARA CADA PROFUNDIDADE, EM
FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE AMOSTRAGEM ............................ 21
TABELA 3 - TEOR DE ALUMINIO TROCÁVEL, PARA CADA
PROFUNDIDADE, EM FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE
AMOSTRAGEM ....................................................................................... 22
TABELA 4 - ACIDEZ POTENCIAL PARA CADA PROFUNDIDADE, EM
FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE AMOSTRAGEM ............................ 23
TABELA 5 – TEOR CÁLCIO E MAGNÉSIO PARA CADA
PROFUNDIDADE, EM FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE
AMOSTRAGEM ....................................................................................... 23
TABELA 6 - TEOR DE CÁLCIO TROCÁVEL EM CADA PROFUNDIDADE,
EM FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE AMOSTRAGEM ...................... 24
TABELA 7 - FÓSFORO DISPONÍVEL, PARA CADA PROFUNDIDADE, EM
FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE AMOSTRAGEM ............................ 25
TABELA 8 - POTÁSSIO TROCÁVEIS, PARA CADA PROFUNDIDADE, EM
FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE AMOSTRAGEM ............................ 27
TABELA 9 - SOMA DE BASE (SB), PARA CADA PROFUNDIDADE, EM
FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE AMOSTRAGEM ............................ 28
TABELA 10 - CAPACIDADE DE TROCA CATIONICA TOTAL (T), PARA
CADA PROFUNDIDADE, EM FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE
AMOSTRAGEM ....................................................................................... 28
TABELA 11 - CAPACIDADE DE TROCA EFETIVA (T), PARA CADA
PROFUNDIDADE, EM FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE
AMOSTRAGEM ....................................................................................... 29
TABELA 12 - SATURAÇÃO POR BASES (V%), PARA CADA
PROFUNDIDADE, EM FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE
AMOSTRAGEM ....................................................................................... 30
6
TABELA 13 - SATURAÇÃO POR ALUMINIO (M%), PARA CADA
PROFUNDIDADE, EM FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE
AMOSTRAGEM ....................................................................................... 30
TABELA 14 - MATÉRIA ORGÂNICA (MO%), PARA CADA
PROFUNDIDADE, EM FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE
AMOSTRAGEM ....................................................................................... 31
7
RESUMO
SILVA, Juliana Vieira. Influência de uma área agrícola na fertilidade do
solo de um fragmento florestal. 2014. Dissertação (Mestrado em
Ciências Florestais e Ambientais) – Universidade Federal de Mato Grosso,
Cuiabá-MT. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Oscarlina Lúcia dos Santos Weber
Grandes extensões de áreas são ocupadas por monoculturas, e inseridos
nelas estão os fragmentos florestais remanescentes que abrigam muitas
comunidades
ecológicas.
Esses
fragmentos
estão
suscetíveis
à
interferência externa, seja ela antrópica ou natural. Isso posto, o objetivo
deste trabalho foi avaliar a influência do uso de um solo com atividade
agrícola sobre a fertilidade do solo de um fragmento florestal. O
delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado com
dois tratamentos e quatro repetições. A amostragem do solo foi realizada
em duas épocas (seca e chuvosa) em que se coletou amostras num
transecto saindo da área agrícola e adentrando no fragmento. Foram
coletados 11 pontos, com intervalos de 5 m, sendo: 5 pontos na área de
cultivo (C), 1 na interface (I) e 5 na área do fragmento florestal (F). Em cada
ponto de amostragem, foram retiradas três amostras nas profundidades 0
a 0,10, 0,10 a 0,20 e 0,20 a 0,40 m. Foi avaliada a fertilidade do solo, por
meio dos teores da matéria orgânica (MO), pH, Al3+, acidez potencial,
saturação por alumínio, Ca2+, Mg2+, K+, Soma de bases, saturação por
bases, P, CTC efetiva e CTC em pH 7,0. Os dados foram submetidos à
análise de variância (Teste F) e teste de média (Scott – Knott, p> 0,05).
Houve influência do uso da área agrícola na fertilidade do solo do fragmento
florestal.
Palavras-chave: vegetação nativa, desmatamento, atributos do solo.
8
ABSTRACT
SILVA, Juliana Vieira. Influence of an agriculture land on soil fertility of
a forest fragment. 2014. Dissertation (MSc in Forestry and Environmental
Sciences) - Federal University of Mato Grosso, Cuiaba-MT. Advisor: Prof.
Dr. Oscarlina Lúcia dos Santos Weber
Large expanses of areas are occupied by monocultures, and the remaining
forest fragments are inserted into them, which shelter many ecological
communities. These fragments are susceptible to outside interference,
whether manmade or natural. That said, the aim of this study was to
evaluate the influence of the use of a soil with farming on soil fertility of a
forest fragment. The experimental design was completely randomized with
two treatments and four replications. The soil sampling was conducted in
two seasons (dry and wet) in which samples were collected in a transect out
of agriculture and into the fragment. 11 points were collected at intervals of
5 m, as follows: 5 points in the area under cultivation (C), 1 in the interface
(I) and 5 in the forest fragment area (F). At each sampling point, three
samples were taken at depths 0 to 0.10 , 0.10 to 0.20 and 0.20 to 0.40 m.
Soil fertility was assessed through the levels of organic matter (MO) , pH ,
Al3+, potential acidity, aluminum saturation, Ca2+, Mg2+, K+, sum of bases,
base saturation, P, effective CTC and CTC in pH 7.0. The data were
subjected to analysis of variance (F test) and average test (Scott - Knott, p
> 0.05).There was influence of the use of the agricultural land on the soil
fertility of the forest fragment
Keywords: native vegetation, deforestation, soil attributes.
9
INTRODUÇÃO
Com a expansão da fronteira agrícola na década de 1970, o
Cerrado foi perdendo espaço principalmente para as atividades agrícolas e
pecuária. A partir desse período, os solos, antes considerados limitantes
para a agricultura por causa da acidez, passaram a ser intensamente
ocupados e explorados com a prática da calagem e adubação (LE
BOURLEGAT, 2003). Com essa expansão, restaram frações de vegetação
nativa sendo considerados como fragmentos florestais.
Em sua maioria, os fragmentos florestais estão inseridos em
matrizes de diferentes tipos, que se configuram muitas vezes como áreas
de atividades antrópicas, as quais agem como barreiras para a dispersão
de espécies, pois o tempo de isolamento, a distância entre fragmentos
vizinhos, as características do ambiente entre os fragmentos e o grau de
conectividade, são determinantes na resposta da biota a fragmentação
(KINDEL, 2001).
No entanto, a redução dos fragmentos florestais não só exime
os serviços ambientais de equilíbrio do clima, da água e da manutenção da
biodiversidade prestados por essas áreas, como também altera a química
e a microbiologia do solo.
Estudo feito sobre a influência da borda florestal no aporte de
nutrientes em áreas agrícolas tem sido investigado por diversos autores no
Brasil. No entanto, não foi estudado a influência inversa entre essas áreas.
Diante do exposto, o objetivo deste trabalho foi avaliar a
influência da atividade agrícola sobre a fertilidade do solo de um fragmento
florestal no município de Campo Verde-MT.
10
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Inversão da Matriz
Com a expansão da fronteira agrícola, o Cerrado foi perdendo
espaço, principalmente para atividade agrícola e pecuária (IBGE, 2013),
que a partir da retirada da vegetação, correção da acidez natural do solo e
aplicação de fertilizantes minerais passaram a ser intensamente ocupados
e explorados (LE BOURLEGAT, 2003). Invertendo a matriz da paisagem, a
área de maior predominância, que antes era área de vegetação, em área
de cultivo e/ou matriz antrópica.
Para Le Bourlegat (2003), as atividades agrícolas de
subsistência existentes foram debeladas por um “novo” modelo de
agricultura. Esses modelos são baseados em inovações tecnológicas de
culturas geneticamente modificadas e uso intensivo de insumos agrícolas
para correção do solo e combate às pragas e doenças com adoção de
insumos de alta energia, alterando assim, a dinâmica do processo de
produção local, a biodiversidade e a sociodiversidade.
Existem dois sistemas de cultivos bastante utilizados nos dias
atuais, que se trata do sistema de cultivo convencional (STONE e
SILVEIRA, 2001) e o sistema plantio direto. Apesar de semelhanças no
processo de produção, esses sistemas possuem peculiaridades, que
interfere diretamente na dinâmica do ambiente e, consequentemente, nas
características químicas e físicas do solo.
O sistema de cultivo convencional é caracterizado pelo intenso
uso de grades e arados para preparo do solo, diminuindo a estabilidade
dos agregados (REINERT et al., 1984) e continuamente acelerando o
processo de decomposição da matéria orgânica existente no solo
(CARPENEDO e MIELNICZUCK, 1990). O preparo do solo com uso do
arado é um processo antrópico. O revolvimento repetido expõe o solo a
fatores degradantes como erosão, redução da matéria orgânica, aumento
da temperatura (ARAÚJO e SOUZA, 2003) e compactação (TROEH e
THOMPSON, 2007). Esses fatores influenciam diretamente na capacidade
de retenção e sucessivamente umidade relativa do solo.
11
No sistema de plantio direto, não ocorre o revolvimento do solo
e à acumulo de matéria orgânica, adubação é realizada em sulcos ou a
lanço superficial, rotação de culturas e dinâmica hídrica diferenciada
mantendo o solo sempre coberto com restos de cultura, protegendo-o da
erosão eólica e hídrica. Sendo o sistema que mais se equipara a
organização natural do sistema ecológico. Nos entanto, são plantadas
grandes áreas da mesma espécie, tornando a matriz ecológica um
ambiente homogêneo (GLIESSMAN, 2000). As plantas são modificadas
geneticamente, para que se tornem mais resistentes a pragas e altamente
produtivas.
Num ambiente não perturbado ou pouco perturbado, o ciclo
biogeoquímico é constante. A deposição de serapilheira é compatível com
a quantidade de nutrientes necessário para o desenvolvimento da planta.
No entanto, o ciclo está atrelado a umidade, temperatura do ambiente
associado à atividade microbiana. No sistema agrícola essa dinâmica é
diretamente influenciada pelo sistema de manejo adotado, cultura e pela
adição de fertilizantes e materiais orgânicos, o que pode refletir
positivamente no processo de decomposição e mineralização da matéria
orgânica (PORTUGAL et al., 2008).
Altos investimentos em insumos agrícolas, também está
associado a baixa eficiência de absorção dos nutrientes por plantas
geneticamente modificadas (MARTINAZZO, 2006). Entretanto, a produção
de uma cultura repetidamente tende a reduzir a fertilidade do solo e
consequentemente provoca distúrbio devido à extração dos nutrientes
necessários para crescimento e desenvolvimento da planta (ARAÚJO e
SOUZA, 2003).
2.2 Aspectos gerais sobre fragmentos florestais
Os fragmentos florestais são remanescentes de unidades de
vegetação natural que sofreram ações antrópicas e ou naturais, as quais
foram rompidas (METZER, 2003) e reduzidas (COSTA, 2003).
Le Bourlegat (2003) entende a fragmentação como a redução e
isolamento de unidade de vegetação em decorrência do desmatamento.
12
No entanto, Araújo e Souza (2003) entende este mesmo processo como
desmatamento
compartimentado
para
implantação
de
atividades
antrópicas.
Ocupando aproximadamente 25% do território brasileiro, o
Cerrado é encontrado em 13 estado. Porém sua maior concentração está
localizada nos estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Mato
Grosso (ARAÚJO e SOUZA, 2003). Esse bioma tem suas principais
características vegetacionais: árvores contorcidas e grossas, bosques
abertos, estrato arbustivo e outro herbáceo e ainda Mata de Galeria ou
Matas Ciliares (MATO GROSSO, 2007).
Em propriedades com atividade antrópica, os fragmentos
florestais são considerados Área de Preservação Permanente (APP) e Área
de Reserva Legal (ARL) (Código Florestal Lei n° 4.771/1965). Na região do
Cerrado essa LEI estabelece que seja mantido 35% da vegetação para
ARL e quanto a APP são todas as áreas localizadas: ao longo do curso
d'água, ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou
artificiais, nas nascentes, mesmo nos chamados "olhos d'água", no topo de
morros, montes, montanhas e serras, nas encostas, nas restingas, nas
bordas dos tabuleiros ou chapadas, e em altitude superior a 1.800 metros.
Essas áreas de preservação são área protegida, coberta ou não por
vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos
hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar
o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das
populações humanas (Lei nº 12.651).
No entanto, a simples demarcação de uma área não assegura
efetivamente a manutenção de comunidades ecologicamente viáveis, uma
vez que, nos dias atuais, as próprias Unidades de Conservação são
verdadeiras ‘ilhas de diversidade’ isoladas em meio à paisagem
(MMA/SBF, 2003). Esse processo compromete o estado funcional de
sistemas florestais (KIEHL, 1979), pois as vegetações remanescentes
podem sofrer influência do ambiente externo “efeito de borda”, e estarem
sujeitas a um maior fluxo de radiação, umidade e temperatura do ar e do
solo, vento, fluxo da água (KAPOS, 1989; LAURANCE et al., 2002; LISITA
et al., 2003; LE BOURLEGAT, 2003).
13
Para Araújo e Souza (2003), a função mais importante da
vegetação é a manutenção da biodiversidade. No entanto, sua estrutura
tem sido alterada nos aspectos de habitats, espécie e genética em
decorrência do desmatamento (HOUGHTON, 1994). A mata de galeria
exerce importância quanto ao resguardo da avifauna e da mastofauna do
local (LE BOURLEGAT, 2003).
As matas ciliares fazem parte da ARL, as quais recebem
destaque pois estão inseridas no entorno do corpo d’água. Os serviços
ambientais prestados por essas áreas assumem importante papel na
preservação e conservação do ambiente, como: conservação do solo,
manutenção dos recursos hídricos, corredor ecológico de manutenção do
fluxo gênico. Essa barreira funciona como filtro, retendo e impedindo que
efeitos externos alterem o ambiente (MARTINS, 2001).
2.3 Efeito da área de cultivo
As matrizes as quais os fragmentos estão inseridos configuramse como áreas de atividades antrópicas e agem como barreiras para a
dispersão de espécies, pois, o tempo de isolamento, a distância entre
fragmentos vizinhos, as características do ambiente entre os fragmentos e
o grau de conectividade são determinantes na resposta da biota à
fragmentação (KINDEL, 2001).
A fragmentação dos ambientes pode resultar em mudanças no
processo ecológico, consequentemente maior degradação do habitat e
perda de espécies (VIANA et al., 1992). De acordo com Capra (1995), os
ambientes ao serem perturbados podem sofrer redução crescente e/ou o
aumento considerável dos indivíduos.
O aumento da biomassa da camada herbácea e o aumento no
potencial invasivo de gramíneas exóticas é alteração comum em vários
ecossistemas onde a disponibilidade de N é aumentada (BOBBINK et al.,
2009). A alteração no status nutricional do solo exerce influência tanto na
resposta individual de espécie lenhosa como na comunidade herbácea de
Cerrado sentido restrito (LUEDEMANN, 2001).
14
A perda de partículas do solo devido à erosão eólica, foi
constatada (LIU et al., 2003). Junto com tais partículas é possível a deriva
de fertilizantes que podem ser depositadas em áreas próximas, inclusive
em áreas de fragmentos, e o movimento desses fertilizantes pode alterar a
condição natural de fertilidade do solo nessas áreas, a qual pode ser
determinante na seleção de espécies, por influenciar a sua regeneração
(MARTINS et al., 2003).
A fertilização é uma técnica utilizada para aumentar a produção
sem aumentar a área de explorada e o fertilizante é adicionado para restituir
ao solo os nutrientes exportados na colheita da cultura. No entanto, parte
deste material fica suscetível ao processo de lixiviação (TROEH e
THOMPSON, 2007) e ou escoamento. A quantidade do material aplicado
está relacionada as necessidades nutricionais da cultura. Com isso, os
solos de fragmentos florestais que se encontram próximo as áreas de
cultivo podem estar vulneráveis a adição desse material.
2.4 Efeito do fragmento florestal
Os fragmentos florestais reduzem o espaço útil para produção
agrícola. Esse fato é visto pelos proprietários rurais como um aspecto
negativo para sua produção final, no entanto, essas áreas podem trazer
benefícios no aporte de nutrientes (CUNHA et al., 2003).
A deposição de matéria orgânica proveniente de áreas dos
fragmentos favorecem para a qualidade física do solo através da
agregação,
permitindo
maior
infiltração
de
água,
quimicamente
disponibilizando maior quantidade de nutrientes para as plantas e biológica
contribuindo
com
a
deposição
de
material
energético
para
os
microrganismos (MARTINAZZO, 2006).
No estudo realizado sobre a influência de Fragmento Florestal
na diversidade de agentes polinizadores, Deprá (2012) observou relação
positiva entre área de cultivo e fragmento florestal, visto que esta
proximidade proporcionou maior diversidade de agentes polinizadores em
áreas de cultivo.
15
3. MATERIAL E MÉTODOS
3.1 Área de estudo
A área de estudo está localizada no município de Campo Verde,
Mato Grosso, cujas coordenadas são 15°39'59.22"S e 55°8'3.75"W. A
altitude média da região é de 736 m e o clima é do tipo Aw (Köppen), com
precipitação média anual de 1.500 mm, com duas épocas sazonais
definidas: chuvosa, de outubro a abril, e seca, de maio a setembro. As
médias de temperatura variam entre 18°C a 24°C (INMET, 2013).
A área foi escolhida devido à sua proximidade da área de cultivo,
permitindo interação entre cultivo-fragmento. O solo foi classificado como
Latossolo
Vermelho
Amarelo
conforme
o
Sistema
Brasileiro
de
Classificação do Solos (SiBCS, EMBRAPA, 1999). O Latossolo é a classe
de solo predominante no Estado de Mato Grosso, principalmente nos
chapadões, com características de serem profundos ou muito profundos,
bem drenados, boa aeração e ausência de impedimentos físicos a
penetração de raízes, porosidade total alta e muito alta, ácidos a muito
ácidos, com saturação de bases baixa (MATO GROSSO, 2007).
3.2 Amostragem do solo
A amostragem foi feita seguindo o esquema amostral (Figura 1)
composto por, quatro transectos (blocos) paralelos com 50 m de
comprimento cada e 15 m distância entre si. A cada cinco metros ao longo
do transecto foi demarcado um ponto de amostragem, sendo: cinco pontos
na área de cultivo (C5 a C1), um na interface (I) e cinco pontos na área do
fragmento (F1 a F5).
16
FIGURA 1- ESQUEMA AMOSTRAL.
A coleta do solo foi realizada nas épocas seca e chuvosa. Em
cada ponto foram retiradas três amostras nas profundidades 0 a 0,10, 0,10
a 0,20 e 0,20 a 0,40 m, sendo 132 amostras na época seca (10/2012) e 132
amostras na época chuvosa (04/2013), totalizando 264 amostras
coletadas.
As amostras foram devidamente identificadas e posteriormente
secas em estufa de circulação forçada de ar a 60°C. Depois foram
destorroadas, submetidas a tamisagem em peneira com malha de 2 mm e
acondicionadas em caixas plásticas para posteriores análises dos atributos
do solo.
3.3 Delineamento experimental e análise dos dados
O delineamento experimental foi em blocos casualizados, sendo
cada bloco um transecto, no esquema de parcelas subdivididas com quatro
repetições. Considerou-se como tratamento principal a época do ano e
como secundário o ponto de amostragem. Os dados foram submetidos à
análise de variância (teste F) e teste de médias (Scott – Knott, p> 0,05),
17
utilizando-se o programa ASSISTAT 7.7 beta, registro INPI 0004051-2. Os
atributos químicos Al3+, H+Al, m%, K+ e P foram transformados conforme a
função √0,5 + x.
3.4. Análises dos atributos do solo
Os atributos químicos foram avaliados de acordo com os
métodos descritos em Embrapa (1997) que resumidamente são: pH em
CaCl2 0,01 mol L-1, os teores de P e K+ foram extraídos com Mehlich-1 e
determinados por colorimetria e fotometria de chama, respectivamente;
alumínio, cálcio e magnésio trocáveis foram extraídos com KCl 1mol L -1 e
determinados
por
titulação
de
neutralização
e
complexação,
respectivamente, acidez potencial (H+Al) foi extraída com acetado de cálcio
0,01 mol L-1 a pH 7,0 e determinada por titulação de neutralização.. A
matéria orgânica foi determinada pelo método da perda de massa por
combustão em mufla a 600°C por 6 horas. A soma de bases, a CTC total e
efetiva e a saturação por bases e saturação por alumínio foram calculadas
a partir dos resultados obtidos nas análises químicas. Não houve a
separação Mg²+ do atributo Ca+Mg, pois o método de titulação não foi
sensível para distinguir os dois atributos. A granulometria foi determinada
pelo método do densímetro, com dispersão com NaOH 1 mol L -1, agitação
por 16 horas.
18
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados da análise de variância do pH, Al3+ e acidez
potencial (H+Al) nas profundidades entre épocas (seca e chuvosa) e pontos
de amostragem (C5 a F5) estão na Tabela 1. A fertilidade manteve mesma
tendência nas duas épocas coletadas segundo a classificação de fertilidade
de Sousa e Lobato (2002). Na época da seca os atributos de fertilidade nas
extremidades dos transectos foram baixos e o no centro do transecto foram
entre médios e adequados. Já na época chuvosa os valores foram médios
nas extremidades dos transectos. Porém, nos centros os valores variaram
entre adequados e médios.
As variações nos valores de pH foram maiores entre época e
pontos de amostragem, na profundidade de 0 a 0,10 m. O pH mais elevado
foi constatado nas áreas de cultivo que antecedem a interface (I) (Tabela
2). Isso provavelmente se deve ao carreamento tanto vertical quanto
horizontal de nutrientes no sentido cultivo-fragmento. Adentrando o
fragmento o pH diminuiu, provavelmente isso se deve aos ácidos orgânicos
da matéria orgânica, que influencia direta e indiretamente no pH (TROEH
e THOMPSON, 2007).
Com relação ao Al3+, esse atributo esteve neutralizado em
ambas épocas em todos os pontos amostrados da área de cultivo, interface
(I) e nos primeiros pontos de amostragem do fragmento (Tabela 3). No
entanto, só teve diferença significativa entre os pontos de amostragem
(Tabela 1). Observa-se que as diferenças dos teores de Al3+ ocorreram,
principalmente a partir do ponto F3, nas três profundidades. Silva et al.
(2012) ao avaliarem as propriedades químicas do solo de uma área de
reflorestamento e Santos et al. (2008) ao analisarem o efeito de sistemas
de manejo de solo e de rotação de culturas na fertilidade do solo após vinte
anos, observaram relação inversa entre pH e Al+3
.
19
TABELA 1 - RESUMO DA ANÁLISE DE VARIÂNCIA PARA OS ATRIBUTOS
QUÍMICOS DO SOLO
Profundidades (metros)
Variáveis
Fontes
de
variação
Época
pH
Pontos
Interação
Al³+
H+Al
m%
Ca+Mg
Ca²
+
K
SB
V%
CTC
efetiva
MO%
CTC
pH 7,0
0 a 0,10
0,10 a 0,20
0,20 a 0,40
Valor de F
CV
Valor de F
CV
Valor de F
CV
11,24*
9,96
3,86ns
15,75
17,13*
10,74
6,58**
ns
1,63
ns
8,07
ns
-
Época
0,13
14,4
Pontos
5,86**
12,49
ns
4,72**
1,15
ns
0,81
5,93**
ns
ns
7,46
ns
-
14,7
ns
2,62
12,31
12,32
4,49**
11,94
9,64
-
1,93
0,44
ns
Interação
0,43
-
0,55
-
0,99
-
Época
33,72*
46,6
20,46*
55,61
27,79*
51,29
Pontos
1,95ns
28,23
1,38ns
27,46
1,36ns
23,3
Interação
1,01ns
-
0,74ns
-
2,64**
-
Época
0,29ns
119,25
2,05ns
95,82
4,78ns
68,12
Pontos
5,53**
74,91
7,37**
68,06
6,71**
67,38
Interação
0,27*
-
0,61ns
-
0,71ns
-
Época
4,51ns
42,10
3,64ns
66,45
3,18ns
36,98
Pontos
4,59**
26,58
2,42*
32,60
1,92ns
28,30
Interação
1,87ns
-
0,67ns
-
0,40ns
-
Época
8,64ns
18,94
81,32**
11,81
2,30ns
39,65
Pontos
2,46*
25,37
1,29ns
22,57
2,08*
20,91
Interação
1,42ns
-
2,66**
-
1,37ns
-
Época
10,25*
38
1,98ns
51,24
0,07ns
71,06
Pontos
3,82**
24,49
4,26**
26,32
4,05**
28,56
Interação
0,69ns
-
0,92ns
-
0,83ns
-
Época
36,23**
33,13
9,56ns
44,7
0,00ns
91,92
Pontos
3,93**
38,44
3,66**
40,18
3,98**
39,61
Interação
0,87ns
-
0,58ns
-
0,78ns
-
Época
135,61**
26,64
79,35**
34,22
22,72*
48,43
Pontos
2,90**
26,97
2,62*
29,48
1,78ns
47,61
Interação
0,45ns
-
0,81ns
-
0,97ns
-
Época
47,02**
28,58
10,71*
40,03
0,00*
91,53
Pontos
3,23**
38,52
2,96**
39,75
3,30**
39,15
Interação
0,87ns
-
0,61ns
-
0,85ns
-
Época
3,01ns
21,53
1,92ns
16,64
0,06ns
7,55
Pontos
0,79ns
26,63
0,64ns
21,17
1,33ns
33,76
Interação
1,16ns
-
0,41ns
-
0,62ns
-
Época
5,64ns
64,2
5,61ns
82,23
7,41ns
106,41
Pontos
1,45ns
33,21
1,24ns
35,87
1,18ns
36,52
Interação
2,18*
-
1,10ns
-
1,81ns
*: significativo a 5%; **: significativo a 1%; ns: não significativo; Os atributos químicos Al, H+Al, m%, K e P
foram transformados em √0,5 +x.
20
TABELA 2 - VALORES DE PH PARA CADA PROFUNDIDADE, EM
FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE AMOSTRAGEM
pH
0 a 0,10 m
0,10 a 0,20 m
0,20 a 0,40 m
Pontos
Seca
Chuva
Seca
Chuva
Seca
Chuva
C¹5²
4,31 aB
4,61 aB
4,40 aB
4,68 aA
4,20 aA
4,67 aA
C4
4,48 aB
4,56 aB
3,91 aB
4,47 aA
4,11 aA
4,77 aA
C3
4,75 aA
4,68 aB
4,83 aA
4,73 aA
4,55 aA
4,68 aA
C2
5,29 aA
5,45 aA
5,15 aA
5,26 aA
4,42 bA
5,01 aA
C1
4,93 aA
4,92 aB
5,01 aA
4,80 aA
4,51 aA
4,76 aA
I³
5,12 aA
5,22 aA
4,77 aA
4,83 aA
4,54 aA
4,76 aA
F41
4,11 bB
5,23 aA
4,15 aA
5,01 aA
4,32 bA
4,84 aA
F2
4,54 aB
5,07 aA
4,76 aA
4,91 aA
4,25 bA
4,81 aA
F3
4,35 aB
4,73 aB
4,26 aB
4,65 aA
4,09 bA
4,64 aA
F4
4,05 bB
4,62 aB
3,86 bB
4,51 aA
4,01 bA
4,54 aA
F5
3,97 aB
4,51 aB
3,83 aB
4,44 aA
4,02 bA
4,54 aA
¹ = área de cultivo; ²= posição do ponto ³ = Interface; 4 = fragmento florestal, letra minúscula
representa a diferença entre as épocas; letra maiúscula representa a diferença entre os pontos.
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste Scott-Knott.
De acordo com a interpretação de fertilidade de Ribeiro et al.
(1999) e de Sousa e Lobato (2002), o teor de Al +3 foi baixo (Tabela 3),
coincidentemente com os valores de pH altos. Skorupa et al. (2012), ao
estudarem as propriedades de solos sob vegetação nativa de Minas Gerais,
nas bacias dos rios Doce, Paraíba do Sul, São Mateus, Mucuri e Piracicaba,
observaram valores baixos de pH dos solos e maiores teores de Al +3 e de
H+Al. Isso possivelmente explica os altos valores de Al+3 no interior do
fragmento, nas três profundidades.
Alvarenga e Davide (1999) também verificaram que houve
substanciais aumento nos teores de nutrientes, bem como diminuição da
acidez e do teor de Al+3 nas áreas de cultivos anuais quando comparado
com Cerrado nativo. Os autores atribuíram essa diferença à aplicação de
nutrientes, com intuito de atender as necessidades básicas nutricionais das
espécies cultivadas. Para Scheffer e Schachtschabel, citado por Primavesi
(2002), as condições ideais para mobilidade do Al+3 é quando o valor de pH
está abaixo de 5,5.
21
TABELA
3
-
TEOR DE ALUMINIO TROCÁVEL, PARA CADA
PROFUNDIDADE, EM FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA
DE AMOSTRAGEM
Al3+ cmol.cm-3
0 a 0,10 m
0,10 a 0,20 m
0,20 a 0,40 m
Pontos
Seca
Chuva
Seca
Chuva
Seca
Chuva
C¹5²
0,00 aB
0,05 aB
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
C4
0,00 aA
0,18 aA
0,05 bB
0,30 aA
0,00 bB
0,35 aA
C3
0,00 aB
0,04 aB
0,00 aB
0,05 aB
0,00 aB
0,03 aB
C2
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
C1
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
0,05 aB
0,00 aB
0,00 aB
I³
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
0,09 aB
0,00 aB
0,19 aA
F41
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
F2
0,00 aB
0,06 aB
0,07 aB
0,03 aB
0,09 aB
0,11 aB
F3
0,24 aA
0,16 aA
0,22 aA
0,14 aB
0,17 aA
0,25 aA
F4
0,35 aA
0,27 aA
0,32 aA
0,37 aA
0,35 aA
0,27 aA
F5
0,41 aA
0,41 aA
0,38 aA
0,41 aA
0,25 aA
0,26 aA
¹ = área de cultivo; ²= posição do ponto ³ = Interface; 4 = fragmento florestal, letra minúscula
representa a diferença entre as épocas; letra maiúscula representa a diferença entre os pontos.
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste Scott-Knott.
A acidez potencial é maior na superfície na estação chuvosa,
diminuindo com a profundidade (Tabela 4). O H+Al está diretamente
relacionado com a matéria orgânica que regularmente segue o mesmo
padrão de distribuição, ou seja, diminui com a profundidade (Tabela 4). Nas
comparações entre épocas, houve diferença para a acidez potencial em
todas as profundidades, a partir do ponto I, mas somente na época da seca.
O Ca+Mg e a Ca2+, Tabelas 5 e 6, nas profundidades 0 a 0,10,
0,10 a 0,20 e 0,20 a 0,40 m entre as épocas (seca e chuvosa) e ao longo
do transecto (C5 a F5) estão apresentados na Tabela 01. Teores de Ca 2+
estatisticamente diferentes foram observados nos pontos F2 e F5, e
somente na época chuvosa. Em solos altamente intemperizado, muito
ácido, o teor de Ca2+ tende a ser baixo e altamente lixiviado (TROEH e
THOMPSON, 2007). No entanto, pela série de retenção de cátions,
determina que o Ca2+ é mais fortemente retido na matriz coloidal do solo do
que o Mg2+ (QUAGGIO, 2000). Os valores médios de Ca2+ teve menor
variação por ponto entre as épocas nas três profundidades, seguido pelo
K+.
22
TABELA 4 - ACIDEZ POTENCIAL PARA CADA PROFUNDIDADE, EM
FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE AMOSTRAGEM
H+Al cmol.dm-3
0 a 0,10 m
Pontos
0,10 a 0,20 m
0,20 a 0,40 m
Seca
Chuva
Seca
Chuva
Seca
Chuva
C¹5²
3,01 bA
7,06 aA
2,63 bA
6,70 aA
2,72 aA
5,57 aB
C4
1,99 bA
7,30 aA
2,09 bA
6,81 aA
2,49 aA
5,14 aB
C3
1,98 aA
5,13 aA
1,95 aA
4,79 aA
1,59 bA
4,53 aB
C2
0,91 bA
4,28 aA
1,71 aA
3,70 aA
2,40 aA
3,81 aB
C1
1,57 bA
6,05 aA
1,37 bA
5,40 aA
2,67 aA
4,48 aB
I³
1,33 bA
11,92 aA
1,48 bA
9,85 aA
1,19 bA
6,54 aA
F41
2,79 bA
8,19 aA
2,61 bA
9,51 aA
1,74 bA
8,73 aA
F2
3,85 bA
10,58 aA
3,75 bA
9,32 aA
1,89 bA
11,95 aA
F3
4,48 bA
10,02 aA
3,76 bA
9,19 aA
1,49 bA
10,27 aA
F4
2,36 bA
8,94 aA
2,15 bA
8,86 aA
1,74 bA
9,68 aA
F5
1,81 bA
13,41 aA
1,67 bA
9,37 aA
2,14 bA
9,01 aA
4
¹ = área de cultivo; ²= posição do ponto ³ = Interface; = fragmento florestal, letra minúscula
representa a diferença entre as épocas; letra maiúscula representa a diferença entre os pontos.
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste Scott-Knott.
TABELA
–
5
TEOR CÁLCIO E MAGNÉSIO PARA CADA
PROFUNDIDADE, EM FUNÇÃO DO PONTO E
ÉPOCA DE AMOSTRAGEM
Ca+Mg cmol/dm3
0 a 0,10 m
0,10 a 0,20 m
0,20 a 0,40 m
Pontos
Seca
Chuva
Seca
Chuva
Seca
Chuva
C¹5²
2,62 aA
1,70 bB
2,00 aA
1,45 aA
1,62 aA
1,32 aA
C4
2,07 aB
1,62 aB
1,87 aA
1,30 aA
1,50 aA
1,25 aA
C3
2,87 aA
1,75 bB
2,42 aA
1,55 aA
1,67 aA
1,37 aA
C2
3,17 aA
2,97 aA
3,02 aA
2,10 bA
2,10 aA
1,87 aA
C1
3,10 aA
1,87 bB
2,47 aA
1,50 bA
1,80 aA
1,30 aA
I³
2,90 aA
2,55 aA
2,42 aA
1,82 aA
1,90 aA
1,45 aA
F41
1,90 bB
2,77 aA
1,97 aA
2,12 aA
1,97 aA
1,80 aA
F2
2,45 aA
2,30 aA
2,15 aA
1,87 aA
1,97 aA
1,82 aA
F3
2,55 aA
1,97 aB
2,40 aA
1,75 aA
1,62 aA
1,79 aA
F4
1,72 aB
1,65 aB
1,60 aA
1,57 aA
1,47 aA
1,10 aA
F5
1,75 aB
1,22 aB
1,47 aA
1,10 aA
1,42 aA
1,52 aA
4
¹ = área de cultivo; ²= posição do ponto ³ = Interface; = fragmento florestal, letra minúscula
representa a diferença entre as épocas; letra maiúscula representa a diferença entre os pontos.
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste Scott-Knott.
23
TABELA 6 - TEOR DE CÁLCIO TROCÁVEL EM CADA PROFUNDIDADE,
EM FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE AMOSTRAGEM
Ca2+ cmol/dm3
Pontos
0 a 0,10 m
0,10 a 0,20 m
0,20 a 0,40 m
Seca
Chuva
Seca
Chuva
Seca
Chuva
C¹5²
1,75 aA
1,70 aA
1,67 aA
1,45 aA
1,62 aA
1,32 aA
C4
1,47 aA
1,62 aA
1,22 aA
1,30 aA
1,50 aA
1,25 aA
C3
1,60 aA
1,75 aA
1,70 aA
1,55 aA
1,42 aA
1,37 aA
C2
2,15 aA
1,80 aA
1,55 aA
1,67 aA
1,67 aA
1,82 aA
C1
1,77 aA
1,66 aA
1,60 aA
1,50 aA
1,80 aA
1,30 aA
I³
1,65 aA
1,92 aA
1,67 aA
1,55 aA
1,27 aA
1,45 aA
F41
1,57 aA
1,47 aA
1,70 aA
1,27 aA
1,25 aA
1,17 aA
F2
1,75 aA
1,20 aB
1,87 aA
1,15 bA
1,65 aA
1,12 aA
F3
1,47 aA
1,10 aB
2,07 aA
0,87 bA
1,27 aA
1,30 aA
F4
1,72 aA
0,85 bB
1,60 aA
1,02 bA
1,47 aA
1,10 aA
F5
1,45 aA
1,22 aB
1,47 aA
1,10 aA
1,42 aA
1,17 aA
¹ = área de cultivo; ²= posição do ponto ³ = Interface; 4 = fragmento florestal, letra minúscula
representa a diferença entre as épocas; letra maiúscula representa a diferença entre os pontos.
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste Scott-Knott.
Os valores de P (Tabela 7) foram menores entre os pontos na
área do fragmento. Na área de cultivo os valores médios mostram
decréscimo com a profundidade; os pontos C3 e C2 tiveram valores médios
maiores que C5, C4 e C1, principalmente na época seca na profundidade
de 0,10 a 0,20 m. Os valores de P foram maiores (p <0,05) na área de
cultivo, nas três profundidades na época da seca (Tabela 1). O pH neutro
ou ligeiramente ácido favorece a disponibilidade de P (TROEH e
THOMPSON, 2007),
Os teores de fósforo tiveram comportamento decrescente à
medida que a profundidade aumentou, principalmente na época seca a
partir do ponto C1 (Tabela 7). Quanto às épocas, os teores de fósforo
oscilaram nas duas primeiras profundidades e somente nos pontos C2 e
C3.
O pH mais favorável para a disponibilidade de fósforo está entre
5,5 e 6,5 (TROEH e THOMPSON, 2007). Isso explica a redução do P na
profundidade de 0 a 0,10 m, nas duas épocas estudadas, entre os pontos
24
de amostragem I a F5, em que se observou que o pH foi decrescente. O
mesmo resultado foi constatado por Santos e Salcedo (2010).
Segundo Sidiras e Pavan (1985), o acúmulo de P próximo à
superfície do solo decorre das aplicações anuais de fertilizantes fosfatados,
da liberação de P durante a decomposição dos resíduos vegetais e da
menor fixação de P. Barbosa (1999), quando estudou a disponibilidade de
P em floresta com 40 anos, observou que época chuvosa os resultados
foram maiores do que na época da seca, e isso se deve à solubilização do
P durante altas precipitações pluviométricas verificadas nessa estação.
O aumento no teor de matéria orgânica do solo é fator
determinante no aumento no teor de fósforo orgânico. Esse material é
revertido para forma inorgânica permanecendo nas áreas mais superficiais
do solo, contudo, o que também proporciona a sua diminuição devido a
concentração das raízes das plantas nessa camada do solo (TROEH e
THOMPSON, 2007)
TABELA 7 - FÓSFORO DISPONÍVEL, PARA CADA PROFUNDIDADE, EM
FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE AMOSTRAGEM
P mg/dm3
0 a 0,10 m
Pontos
0,10 a 0,20 m
0,20 a 0,40 m
Seca
Chuva
Seca
Chuva
Seca
Chuva
C¹5²
25,12 aB
24,62 aB
6,84 aB
7,79 aA
3,39 aB
2,64 aA
C4
26,18 aB
23,95 aB
17,42 aA
6,24 aA
3,26 aB
3,17 aA
C3
56,58 aA
17,51 bB
26,40 aA
8,89 bA
4,02 aB
3,99 aA
C2
25,47 bB
51,00 aA
25,66 aA
10,55 bA
9,10 aA
5,28 aA
C1
20,38 aB
19,33 aB
11,62 aB
5,63 aA
2,00 aB
3,03 aA
I³
2,59 aC
0,96 aC
1,78 aB
2,54 aA
1,16 aB
1,06 aA
F41
1,67 aC
1,38 aC
1,54 aB
1,29 aA
2,36 aB
1,14 aA
F2
2,91 aC
1,88 aC
1,90 aB
1,04 aA
0,38 aB
0,85 aA
F3
2,36 aC
2,13 aC
2,26 aB
4,96 aA
0,84 aB
6,48 aA
F4
1,36 aC
1,21 aC
0,95 aB
1,22 aA
0,69 aB
1,66 aA
F5
1,14 aC
1,13 aC
0,74 aB
1,29 aA
0,69 aB
1,36 aA
¹ = área de cultivo; ²= posição do ponto ³ = Interface; 4 = fragmento florestal, letra minúscula
representa a diferença entre as épocas; letra maiúscula representa a diferença entre os pontos.
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste Scott-Knott.
25
No atributo K+, as diferenças foram observadas principalmente
entre os pontos de amostragem, nas três profundidades (Tabela 1).
Contudo, essas diferenças foram mais evidentes nas áreas de fragmentos
(Tabela 8). Os valores de K+ tenderam a decrescer no sentido do ponto F1
para o F5 em ambas as épocas. Geralmente, os solos ácidos mais
intemperizados liberam K+ mais lentamente que solos neutros (TROEH e
THOMPSON, 2007). Pereira et al. (2000) assegura que a disponibilidade
de K+ é maior devido à facilidade de difusão do elemento no solo na época
chuvosa.
A soma de bases (SB) (Tabela 9), CTC total (T) (Tabela 10) e a
CTC efetiva (t efetiva) (Tabela 11), nas profundidades 0 a 0,10, 0,10 a 0,20
e 0,20 a 0,40 m entre épocas (seca e chuvosa) e ao longo do transecto (C5
a F5) estão apresentados na Tabela 1.
Os valores de soma de bases diferiram entre pontos nas três
profundidades e somente na profundidade de 0 a 0,10 m houve diferença
entre as épocas (Tabela 9). Solos bastante intemperizados, reflete na baixa
capacidade de troca de cátions e saturação de bases, o que o torna
limitante para atividades agrícolas (MATO GROSSO, 2007). Conforme
Souza e Lobato (2002) soma de bases foi considerada bom e muito bom
em todo o transecto.
26
TABELA 8 - POTÁSSIO TROCÁVEIS, PARA CADA PROFUNDIDADE, EM
FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE AMOSTRAGEM
K+ mg/dm3
Pontos
0 a 0,10 m
0,10 a 0,20 m
0,20 a 0,40 m
Seca
Chuva
Seca
Chuva
Seca
Chuva
C¹5²
4,31 aA
2,50 bA
3,92 aA
2,50 aA
2,57 aA
2,75 aA
C4
5,41 aA
3,25 aA
3,91 aA
3,00 aA
2,47 aA
2,75 aA
C3
4,82 aA
3,50 aA
4,28 aA
3,50 aA
2,80 aA
3,50 aA
C2
7,58 aA
3,00 bA
4,02 aA
3,25 aA
2,05 aA
2,50 aA
C1
3,10 aB
2,00 aA
1,72 aA
2,25 aA
1,14 aB
2,25 aA
I³
4,83 aA
4,50 aA
3,13 aA
4,75 aA
2,58 aA
4,75 aA
F41
4,33 aA
2,25 aA
3,48 aA
1,25 aB
3,83 aA
2,50 aA
F2
4,42 aA
3,25 aA
3,05 aA
2,50 aA
1,03 aB
2,00 aA
F3
4,29 aA
1,25 bA
2,62 aA
0,50 aB
2,12 aB
1,00 aB
F4
2,93 aB
1,50 aA
2,09 aA
0,75 aB
1,12 aB
1,00 aB
F5
1,59 aB
0,75 aA
1,69 aA
0,50 aB
1,17 aB
0,25 aB
4
¹ = área de cultivo; ²= posição do ponto ³ = Interface; = fragmento florestal, letra minúscula
representa a diferença entre as épocas; letra maiúscula representa a diferença entre os pontos.
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste Scott-Knott.
A capacidade de troca catiônica total teve valores considerados
entre muito bom e bom, conforme interpretação proposta por Ribeiro et al.,
(1999) (Tabela 10). No entanto, somente houve diferença na interação 0 a
0,10 m (Tabela 1).
Observa-se na Tabela 11 que os valores médios da CTC efetiva
assemelharam entre si nas duas épocas, onde variaram entre muito bom e
bom, conforme classificação de Ribeiro et al., (1999). No entanto, as
diferenças foram significativas em todas as profundidades entre época e
entre os pontos de amostragem. A CTC efetiva foi avaliada de bom a muito
bom no transecto exceto no ponto F5.
27
TABELA 9 - SOMA DE BASE (SB), PARA CADA PROFUNDIDADE, EM
FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE AMOSTRAGEM
SB (soma de Bases) cmol/dm3
0 a 0,10 m
Pontos
0,10 a 0,20 m
0,20 a 0,40 m
Seca
Chuva
Seca
Chuva
Seca
Chuva
C¹5²
8,78 aA
4,20 bA
5,91 aA
3,95 aA
4,19 aA
4,07 aA
C4
7,48 aA
4,87aA
5,78 aA
4,30 aA
3,96 aA
4,00 aA
C3
7,70 aA
5,25 aA
6,70 aA
5,05 aA
4,47 aA
4,87 aA
C2
10,75 aA
5,57 bA
7,04 aA
5,35 aA
4,15 aA
4,32 aA
C1
6,20 aB
3,87 aA
4,19 aA
3,75 aA
2,94 aA
3,55 aA
I³
7,73 aA
7,05 aA
5,55 aA
6,57 aA
4,48 aA
6,20 aA
F41
6,23 aB
5,02 aA
5,45 aA
3,37 aB
5,80 aA
4,30 aA
F2
6,87 aA
5,55 aA
5,20 aA
4,37 aA
3,00 aA
3,82 aA
F3
6,84 aA
3,22 bA
5,01 aA
2,25 aB
3,74 aA
3,05 aA
F4
4,65 aB
3,15 aA
3,68 aA
2,32 aB
2,59 aA
2,10 aB
F5
3,34 aB
1,97 aA
3,16 aA
1,60 aB
2,59 aA
1,27 aB
4
¹ = área de cultivo; ²= posição do ponto ³ = Interface; = fragmento florestal, letra minúscula
representa a diferença entre as épocas; letra maiúscula representa a diferença entre os pontos.
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste Scott-Knott.
TABELA 10 - CAPACIDADE DE TROCA CATIONICA TOTAL (T), PARA
CADA PROFUNDIDADE, EM FUNÇÃO DO PONTO E
ÉPOCA DE AMOSTRAGEM
T cmolc/dm3
0 a 0,10 m
0,10 a 0,20 m
0,20 a 0,40 m
Pontos
Seca
Chuva
Seca
Chuva
Seca
Chuva
C¹5²
11,79 aA
11,26 aA
8,55 aA
10,65 aA
6,92 aA
9,64 aA
C4
9,48 aA
12,18 aA
7,88 aA
11,11 aA
6,45 aA
9,14 aA
C3
9,68 aA
10,38 aA
8,66 aA
9,84 aA
6,06 aA
9,40 aA
C2
11,67 aA
9,86 aA
8,75 aA
9,05 aA
6,56 aA
8,13 aA
C1
7,78 aA
9,92 aA
5,27 aA
9,15 aA
5,61 aA
8,03 aA
I³
9,06 bA
18,97 aA
7,03 bA
16,43 aA
5,68 aA
12,74 aA
F41
9,03 aA
13,21 aA
8,07 aA
12,88 aA
7,55 bA
13,03 aA
F2
10,72 aA
16,13 aA
8,95 aA
13,70 aA
4,89 bA
15,77 aA
F3
11,33 aA
13,25 aA
8,78 aA
11,44 aA
5,23 bA
13,33 aA
F4
7,01 aA
12,09 aA
5,84 bA
11,19 aA
4,33 bA
11,78 aA
F5
5,15 bA
15,38 aA
4,84 bA
10,97 aA
4,73 bA
10,29 aA
4
¹ = área de cultivo; ²= posição do ponto ³ = Interface; = fragmento florestal, letra minúscula
representa a diferença entre as épocas; letra maiúscula representa a diferença entre os pontos.
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste Scott-Knott.
28
TABELA 11 - CAPACIDADE DE TROCA EFETIVA (T), PARA CADA
PROFUNDIDADE, EM FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA
DE AMOSTRAGEM
t efetiva cmolc/dm3
0 a 0,10 m
0,10 a 0,20 m
0,20 a 0,40 m
Ponto
Seca
Chuva
Seca
Chuva
Seca
Chuva
C¹5²
8,99 aA
4,25 bA
5,91 aA
3,95 aB
4,19 aA
4,07 aA
C4
7,48 aA
5,05 aA
5,83 aA
4,60 aA
3,96 aA
4,35 aA
C3
7,70 aA
5,29 aA
6,70 aA
5,10 aA
4,47 aA
4,90 aA
C2
10,75 aA
5,57 aA
7,04 aA
5,35 aA
4,15 aA
4,32 aA
C1
6,20 aA
3,87 aA
4,19 aA
3,80 aB
2,94 aA
3,55 aA
I³
7,73 aA
7,05 aA
5,55 aA
6,66 aA
4,48 aA
6,39 aA
F41
6,23 aA
5,02 aA
5,45 aA
3,37 aB
5,80 aA
4,30 aA
F2
6,87 aA
5,61 aA
5,27 aA
4,41 aA
3,10 aA
3,93 aA
F3
7,08 aA
3,39 bA
5,23 aA
2,39 bB
3,91 aA
3,33 aA
F4
5,01 aA
3,42 aA
4,00 aA
2,70 aB
2,95 aA
2,37 aB
F5
3,75 aA
2,38 aA
3,55 aA
2,01 aB
2,84 aA
1,54 aB
¹ = área de cultivo; ²= posição do ponto ³ = Interface; 4 = fragmento florestal, letra minúscula
representa a diferença entre as épocas; letra maiúscula representa a diferença entre os pontos.
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste Scott-Knott.
Os resultados da saturação por bases - V% (figura 12),
saturação por alumínio - m% (Tabela 13) e matéria orgânica - MO% (Tabela
14) nas profundidades 0 a 0,10, 0,10 a 0,20 e 0,20 a 0,40 m, entre épocas
(seca e chuvosa) e ao longo do transecto (C5 a F5) estão apresentados
nas Tabela 01.
Para a m% os valores médios foram significativos entre os
pontos em todas as profundidades (Tabela 01). Sendo que, os maiores
valores foram observados a partir do ponto F2 para todas as profundidades
(Tabela 14). Em todas as profundidades, com o aumento da profundidade
há menor saturação por bases e aumento da saturação por Al³+, podendo
ser influenciado pelo teor do pH do solo. Os valores encontrados para m%
foi muito baixo em todos os pontos. Observa-se na tabela 13, que com o
aumento da profundidade a V% diminui e a m% aumenta.
29
TABELA
12
-
SATURAÇÃO POR BASES (V%), PARA CADA
PROFUNDIDADE, EM FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA
DE AMOSTRAGEM
V% (Saturação por base)
0 a 0,10 m
0,10 a 0,20 m
0,20 a 0,40 m
Ponto
Seca
Chuva
Seca
Chuva
Seca
Chuva
C¹5²
76,82 aA
37,49 bA
71,71 aA
37,16 bB
60,11 aA
40,81 aA
C4
79,21 aA
40,28 bA
76,11 aA
38,07 bB
63,50 aA
45,75 aA
C3
82,39 aA
54,20 bA
75,99 aA
51,23 bA
74,94 aA
50,58 aA
C2
90,34 aA
57,32 bA
77,96 aA
57,47 aA
61,92 aA
52,59 aA
C1
81,33 aA
38,61 bA
78,73 aA
39,10 bB
49,59 aA
44,23 aA
I³
85,61 aA
38,80 bA
80,43 aA
48,82 bA
80,87 aA
83,41 aA
F41
68,48 aA
38,91 bA
68,55 aA
30,56 bB
79,24 aA
36,51 bA
F2
68,41 aA
34,21 bA
61,06 aA
32,30 bB
64,77 aA
25,79 bA
F3
65,18 aA
30,12 bA
55,51 aA
23,23 bB
76,35 aA
28,11 bA
F4
68,04 aA
33,85 bA
66,99 aA
27,99 bB
66,15 aA
23,49 bA
F5
67,86 aA
15,53 bA
75,06 aA
15,54 bB
57,91 aA
13,61 bA
¹ = área de cultivo; ²= posição do ponto ³ = Interface; 4 = fragmento florestal, letra minúscula
representa a diferença entre as épocas; letra maiúscula representa a diferença entre os pontos.
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste Scott-Knott.
TABELA 13 - SATURAÇÃO POR ALUMINIO (M%), PARA CADA
PROFUNDIDADE, EM FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA
DE AMOSTRAGEM
m% (Saturação por Al3+)
0 a 0,10 m
0,10 a 0,20 m
0,20 a 0,40 m
Ponto
Seca
Chuva
Seca
Chuva
Seca
Chuva
C¹5²
1,94 aA
0,94 aB
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
C4
0,00 aA
3,69 aB
0,68 aB
6,52 aB
0,00 aB
6,65 aB
C3
0,00 aA
0,71 aB
0,00 aB
0,86 aB
0,00 aB
0,47 aB
C2
0,00 aA
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
C1
0,00 aA
0,00 aB
0,00 aB
2,18 aB
0,00 aB
0,00 aB
I³
0,00 aA
0,00 aB
0,00 aB
2,59 aB
0,00 aB
4,54 aB
F41
0,00 aA
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
0,00 aB
F2
0,00 aA
1,38 aB
1,03 aB
0,93 aB
2,56 aB
3,45 aB
F3
4,01 aA
5,10 aB
5,09 aA
5,72 aA
5,44 aA
7,71 aB
F4
6,47 aA
7,23 aB
6,85 aA
12,26 aA
9,96 aA
14,17 aA
F5
9,69 bA
18,10 aA
10,48 bA
19,35 aA
6,54 bA
16,86 aA
4
¹ = área de cultivo; ²= posição do ponto ³ = Interface; = fragmento florestal, letra minúscula
representa a diferença entre as épocas; letra maiúscula representa a diferença entre os pontos.
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste Scott-Knott.
30
A deposição de serrapilheira é a que mais contribui para o
aumento de matéria orgânica no solo, estando ela diretamente influenciada
pelo tipo de cobertura desse solo, no entanto, a decomposição deste
material depende do teor de umidade, temperatura e atividade
microbiológica (Moreira e Siqueira, 2006).
Não teve diferença nos teores da matéria orgânica (MO), no
entanto, observa-se que o teor foi decrescente quanto à profundidade na
área de cultivo na época seca. Na época chuvosa os maiores valores foram
encontrados na camada intermediária, principalmente na área do
fragmento florestal devido à Deposição da serapilheira na superfície do
solo. Segundo Pereira (1998) em solos tropicais, a matéria orgânica se
concentra na superfície (0-10cm), constatado neste trabalho. Neste caso,
o teor de matéria orgânica decresceu da camada superficial para a camada
imediatamente abaixo tendência constatada por Mello et al., (1989) e Tomé
Jr (1999).
TABELA 14 - MATÉRIA ORGÂNICA (MO%), PARA CADA PROFUNDIDADE,
EM FUNÇÃO DO PONTO E ÉPOCA DE AMOSTRAGEM
MO%
0 a 0,10 m
Ponto
0,10 a 0,20 m
0,20 a 0,40 m
Seca
Chuva
Seca
Chuva
Seca
Chuva
C¹5²
5,50 aA
6,31 aA
4,94 aA
5,19 aA
4,32 aA
4,89 aA
C4
5,07 aA
4,70 aA
4,73 aA
5,30 aA
6,19 aA
5,41 aA
C3
4,79 aA
5,56 aA
5,16 aA
5,42 aA
4,07 aA
4,76 aA
C2
5,78 aA
4,79 aA
5,13 aA
4,35 aA
4,25 aA
4,92 aA
C1
5,03 aA
5,48 aA
4,65 aA
5,63 aA
4,40 aA
4,57 aA
I³
5,64 aA
4,47 aA
5,28 aA
5,09 aA
5,04 aA
5,94 aA
F41
5,43 aA
4,40 aA
5,17 aA
5,49 aA
4,17 aA
4,78 aA
F2
5,62 aA
4,44 aA
4,72 aA
5,44 aA
4,34 aA
4,76 aA
F3
7,06 aA
4,58 aA
5,75 aA
6,19 aA
7,69 aA
5,44 aA
F4
4,62 aA
4,90 aA
4,70 aA
5,17 aA
4,95 aA
4,92 aA
F5
4,23 aA
4,63 aA
5,17 aA
4,92 aA
5,46 aA
4,72 aA
¹ = área de cultivo; ²= posição do ponto ³ = Interface; 4 = fragmento florestal, letra minúscula
representa a diferença entre as épocas; letra maiúscula representa a diferença entre os pontos.
Médias seguidas pelas mesmas letras não diferem entre si pelo teste Scott-Knott.
31
5. CONCLUSÕES
- O uso do solo com atividade agrícola influenciou na fertilidade do solo do
fragmento.
- Os resultados indicaram que a época influenciou no teor dos atributos pH,
H+Al, C²+, K, Soma de bases, Saturação por bases e CTC efetiva, na
profundidade de 0 – 0,10m.
- Houve interação entre a época e os pontos para os atributos m%, H+Al,
Ca²+ e CTC pH 7,0.
32
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INFLUÊNCIA DE UMA ÁREA AGRÍCOLA NA FERTILIDADE