Como começar uma organização pela Liberdade
(VERSÃO RESUMIDA)
Segunda Edição
Por ALEXANDER MCCOBIN
Tradução para português e adaptação de
RAFAEL BORGES
Estudantes pela Liberdade, 2009
Uma Universidade Livre, uma Sociedade livre
Estudantes pela Liberdade
Porque começar uma organização de Estudantes pela Liberdade?
Se estás a ler este livro de bolso, assumo que estejas interessado nos princípios da Liberdade e
reconheças a importância de promover a Liberdade tanto na tua universidade, como na
sociedade. É, ainda assim, possível que estejas a perguntar-te duas questões. Primeiro, é a
Liberdade algo tão importante que mereça que a ela dedique o meu tempo? E, segundo, se a
Liberdade for realmente uma causa meritória, será que começar uma organização de
estudantes é a melhor forma de a promover? É fácil responder à primeira pergunta. A
Liberdade está constantemente sob ataque no mundo moderno. Tanto na sociedade como no
mundo académico, a crença na Liberdade é característica de uma minoria de indivíduos que
têm de enfrentar uma maioria que deseja políticas opressivas e autoritárias que põem em
causa os direitos individuais. É por isso que devemos lutar para que haja maior apoio à
Liberdade e para proteger os direitos básicos de todos os indivíduos. A segunda questão é mais
difícil, mas pode também ser facilmente respondida afirmativamente. Há três razões pelas
quais formar uma organização ao nível estudantil é importante.
Primeiro, porque o ambiente académico é ideal para chegar a pessoas interessadas nas ideias
da Liberdade. Durante a universidade, os estudantes devem desafiar as suas ideias préconcebidas - e, com isso, devem ou descobrir que as ideias que mantinham até lá estão
incorrectas ou, por outro lado, defender a sua legitimidade das suas crenças frente a ideias
antagónicas. Por mais que as ideias da Liberdade sejam silenciadas em outros ambientes, elas
tendem a ser mais facilmente respeitadas num ambiente de livre pensamento como é o da
universidade. Para além disso, é durante este período de aprendizagem que a maioria das
pessoas descobre as ideias que manterá para o resto da vida. O período escolar tem uma
influência profunda sobre os indivíduos. Desenvolver uma presença clara da filosofia da
Liberdade neste ambiente é essencial para a aceitação dessas ideias no futuro. Ainda que
outros estudantes não abracem as ideias da Liberdade, é muito provável que se tornem muito
mais receptivos e tolerantes a elas se tiveram contacto com uma organização de Estudantes
pela Liberdade.
Segundo, as organizações de estudantes permitem aos estudantes que explorem as ideias da
Liberdade no que seria, não existissem tais organizações, feito num ambiente provavelmente
hostil. O meu anterior ponto enfatizava o ideal de uma Universidade que existe como um
fórum aberto de ideias em que o debate constante molda a sociedade do futuro, mas a
realidade é, infelizmente, bem diferente. Os estudantes são tentados a sacrificar aquilo em
que acreditam em prol da conformidade com outros estudantes e professores. Uma
organização institucionalizada que promova a Liberdade na universidade, pelo contrário, pode
providenciar tanto um apoio logístico como inspiracional aos estudantes que se revelem
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interessados na Liberdade. É também um símbolo para o qual os estudantes podem olhar. O
mero facto de que há outros que apoiam e lutam pela Liberdade pode fazer toda a diferença
no mundo.
Terceiro: os estudantes podem fazer a diferença. Disse-me uma vez um estudante Venezuela
que “os estudantes não são apenas o futuro. Eles são também o presente”. E essa é uma ideia
incrivelmente poderosa. Preparar os estudantes para serem líderes pela liberdade no futuro é
uma das razões mais óbvias pelas quais devemos trabalhar com estudantes. Mas organizá-los e
trabalhar com eles hoje pode contribuir para mudar a sociedade muito mais rapidamente do
que qualquer um poderia prever. Quando consideramos o impacto dos protestos de
estudantes contra o serviço militar obrigatório nos anos 60, o apoio que os estudantes
conseguiram atrair para os seus protestos contra o regime do apartheid na África do Sul nos
anos 80 e o trabalho que os estudantes venezuelanos têm desenvolvido para combater o
regime ditatorial de Hugo Chavez e promover a democracia, percebemos o quanto os
estudantes podem alterar a sociedade.
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Overview: os três tipos de organizações
Há três tipos de organizações que podem ser criadas por alunos dedicados à causa da
Liberdade. Talvez isto seja difícil de entender para algumas pessoas, mas a verdade é que o
primeiro objectivo que está subjacente à criação de uma organização de estudantes pela
liberdade é ter um fórum em que estudantes favoráveis à liberdade possam juntar-se, discutir
ideias e saber que não estão sozinhos. A partir deste ponto fundacional, há graus variáveis de
actividade a que as organizações podem dedicar-se para assegurar a sua existência e, claro,
alcançar o seu objectivo de serem um fórum pró-Liberdade na faculdade.
O primeiro destes tipos é o Clube Social (en: Social Club). Este tipo de organização é o que
menos trabalho envolve e é ideal para o estudante que quer ver formado um grupo em que
estudantes possam conhecer-se e interagir, mas que não tem tempo para começar uma
organização no verdadeiro sentido da palavra. Este tipo de organização requer simplesmente
que um evento de cariz social seja organizado de mês a mês. Para isso, basta convidar
estudantes pró-liberdade para que se juntem num restaurante, num bar, no apartamento de
um estudante e tragam comida e bebida para que possam socializar e falar sobre a Liberdade.
Publicita esse tipo de eventos no facebook, cria fliers, fala deles e terás criado um espaço em
que os estudantes que se revêem na causa da Liberdade se sintam confortáveis e apoiados.
Quando vierem pessoas, dá-lhes fliers dos Estudantes pela Liberdade (EPL, SFL em Inglês), da
Universidade CATO, de conferências do FEE e do IHS, etc.
O segundo tipo é o de um grupo de discussão/leitura. Se, apesar de quereres algo mais
envolvente que um clube social, mas não estiveres preparado para um amplo leque de
actividades, o grupo de discussão e leitura é o passo a dar. Este tipo de organização reúne-se
de semana a semana para discutir assuntos relacionados com a liberdade e apresentar
questões a outros estudantes e debater com eles. Uma versão mais avançada deste grupo
poderá discutir um artigo ou livro nas reuniões que todos tenham analisado previamente. Isto
dá ao grupo uma vertente educacional assim como as actividades sociais promovem o
conhecimento, pelos membros, daquelas que são as bases intelectuais da liberdade.
O terceiro tipo é o de uma organização baseada em actividades. Para os estudantes que
estejam interessados em criar uma organização completa que obtenha proeminência na
defesa da causa da liberdade e consiga rivalizar com outras organizações de estudantes em
actividade, tempo e energia, esta é a melhor opção. Esta organização, multifacetada por
natureza, providencia não só um fórum aos estudantes pró-liberdade que queiram socializar e
aprender, mas fá-lo através de uma variedade de meios como trazer oradores, debater outros
grupos da universidade, organizar noites de cinema, manifestações, etc. Uma organização
baseada em actividades têm uma série de programas que projectam a causa da liberdade para
a vanguarda da vida universitária.
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Este livro de mão serve primariamente para disponibilizar uma base de acção para o grupo de
leitura e discussão e para o grupo baseado em actividades. Este livro de mão apresenta uma
simples, ainda que aprofundada, base geral sobre como se deve começar uma organização de
estudantes. Criar um hub social pode ser uma actividade da maior importância, sim, mas não
requer mutio trabalho. A publicidade é a chave para este grupo, e é isso que deve ocupar a
maior parte do tempo que dedicares à tua organização. Todavia, criar uma grande organização
com actividades mais complexas irá requerer muito mais trabalho e necessitará de um manual
de instruções com muito mais detalhes que um mero clube social. Se quiseres dedicar-te à
liberdade, qualquer uma destas alternativas é um fantástico primeiro passo, e os EPL estão
aqui para ajudar-te. Se precisares de alguma coisa, contacta-nos, por favor, em
[email protected].
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Sumário: dez passos para começar uma organização de estudantes
1. Encontra outras pessoas: uma organização de estudantes define-se, sobretudo, pelos
indivíduos que a compõem. Especialmente quando uma organização está em processo
de formação, contar com um grupo de pessoas que queiram dedicar tempo e energia à
tua organização é crucial. Antes de fazer seja o que for, precisas de encontrar um
grupo de 2-5 estudantes (incluindo tu próprio), que estejam dispostos a fazer um
esforço sério para começar a organização.
2. Define os teus objectivos: para seres eficiente, o propósito dos teus esforços – e da tua
organização -, tem de estar claramente definido – só assim poderás saber exactamente
aquilo por que estás a trabalhar. A discussão de se deves ou não começar uma
organização de estudantes deve culminar numa clara exposição de objectivos de
acordo com os quais podes avaliar a tua acção.
3. Pensa num nome: assim que tiveres estabelecido a missão da tua organização, deverás
pensar num nome adequado àquilo que queres atingir. O nome da organização é a
forma como a tua estrutura será conhecida daqui para a frente, pelo que deves
escolher com cuidado.
4. Descobre quais são os procedimentos na tua faculdade: para conseguires liderar a tua
organização universitária com sucesso, deves saber manobrar a burocracia da tua
universidade. Aprende como reservar salas, obter financiamento da universidade,
ganhar reconhecimento oficial, etc. Torna-te tão cultivado em como as organizações
de estudantes funcionam na tua universidade quanto possível.
5. Apresenta, e ratifica, uma constituição: a constituição – ou Estatutos – de uma
organização de Estudantes formaliza a existência da organização e estabelece as
normas de acordo com as quais a estrutura operará. Leva o tempo de que precisares
para escreveres este documento e ratifica-o de acordo com as regras que te forem
apresentadas pelos responsáveis da universidade – só assim poderás estar certo de
que o texto será aprovado pelos administradores da faculdade.
6. Desenvolve um Plano Estratégico de Acção: com o estabelecimento da tua
organização, tu e os teus colegas deverão pensar em objectivos tangíveis para o
próximo semestre/ano e, com isso, preparar uma estratégia para os atingir. O
documento que sumarie esta informação é o teu Plano Estratégico de Acção.
7. Prepara uma lista de contactos: todas as organizações precisam de uma lista de
contactos. Usa-a para enviar informação a todos os estudantes sobre o que a tua
estrutura está a preparar e para te manteres em contacto com os membros .
8. Organiza eventos: organiza eventos regulares no campus que estejam abertos à
comunidade universitária e publicita-os fortemente. O primeiro dever de uma
estrutura é organizar eventos e actividades que a ajudem a cumprir a sua missão, pelo
que deves preparar tantos quanto possível.
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9. Ganha o reconhecimento da tua faculdade: para fazer da tua organização algo oficial e
conseguires institucionalizá-la, deves tentar obter reconhecimento da faculdade.
Assim que o garantires, a tua organização terá direito a uma série de vantagens que
ajudarão a proteger a sua existência.
10. Treina novos líderes: a derradeira etapa de começar uma organização estudantil é
assegurar a sua sobrevivência a longo termo e assegurar que a organização é mais que
os seus fundadores. Treinar estudantes mais novos que tu para te sucederem na
liderança da organização é crucial para tornar um projecto de vários indivíduos numa
organização com bases sólidas.
Primeiro passo: encontrar outras pessoas.
Assim que tiveres decidido que queres começar uma organização de Estudantes pela
Liberdade, há um problema que se levantará de imediato: uma organização com apenas uma
pessoa não é uma organização. Antes de poderes fazer seja o que for, terás de procurar
pessoas que estejam interessadas em associar-se aos teus esforços. Para além desta análise
básica, há vários outros motivos pelos quais o teu primeiro passo deve ser encontrar outros
estudantes. Prmeiro, começar uma organização requer uma quantidade imensa de trabalho.
Ter contigo outras pessoas que possam assumir responsabilidades por diferentes aspectos da
fundação de uma organização é a única forma de conseguires mesmo começar o teu grupo.
Segundo, ter contigo um grupo de pessoas dá legitimidade ao que estás a fazer. Em vez de
existir apenas uma pessoa a tentar mudar radicalmente o ambiente no campus, pode haver
um grupo de pessoas a tentar trazer-lhe mudanças razoáveis.
Assim sendo, torna-se esta a questão: como encontras pessoas que estejam interessadas em
juntar-se a ti na incrível tarefa que é começar uma organização de estudantes? Aqui tens
algumas recomendações.
1. Amigos. Se tiveres amigos que, como tu, apoiam a liberdade, tenta envolvê-los no
projecto.
2. Facebook. Opta por postar informação em grupos associados à organização que
queres fundar.
3. Distribuição de fliers no campus. Dedica-lhe umas 2 horas do teu tempo e assegura-te
de que espalhas o teu nome pelo campus.
4. Outras organizações. Há alunos pró-liberdade em todas as universidades. Fala das tuas
actividades a organizações políticas de juventude presentes na tua faculdade - no caso
português, à Juventude Socialista, à Juventude Social Democrata, à Juventude Popular,
etc, ou, no caso brasileiro, a organizações próximas do PSDB, do PP, do PT -, ou com
clubes de debate, entre outros. Tente recrutar novos membros entre alunos que
frequentem – ou estejam associados – aos grupos supramencionados.
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Segundo passo: define objectivos.
Assim que tiveres um grupo de colegas dedicados à criação da organização, o grupo deve ter
ter uma visão comum para a estrutura que quer criar. Isso inclui os valores-base da
organização, assim como as actividades com que avançará. Os valores guiarão a organização e
tudo o que for promovido pelo esforço organizacional. Determinem o quão variados ou
específicos querem ser, mas assegura-te de que haverá sempre espaço suficiente para o
debate.
As actividades serão a melhor forma de promoverem os valoers que propugnam. Há três tipos
gerais de actividade em que podem concentrar-se: estabelecer uma comunidade (ou network),
educação e activismo. Estabelecer uma comunidade envolve criar um fórum em que pessoas
de crenças parecidas possam conhecer-se umas às outras. Ter uma organização que promova a
aproximação entre estudantes pró-Liberdade é uma óptima forma de as pessoas se
encorajarem mutuamente a trabalhar pela causa da Liberdade. Como parte de uma instituição
de aprendizagem, a vossa organização estará a perder uma fantástica oportunidade de ensinar
outras pessoas sobre aquilo em que acreditam se não se esforçar por fazer de eventos
educacionais parte fundamental da sua actividade. Activismo pode significar a preparação de
protestos contra nova legislação ou regras com que não concordem. Isto pode significar
protestar contra aquilo que te pareça ser um código de discurso abusivo, e consubstanciar-se
em petições e artigos para o jornal da universidade. A intenção geral do activismo é causar
algum nível de mudança de política num futuro próximo. Uma organização estudantil é mais
que capaz de desenvolver estes três tipos de actividades ao mesmo tempo. Podem ter eventos
essencialmente sociais, juntamente com séries de conferências e palestras sobre a liberdade, e
protestar contra leis injustas. Porém, é possível que o teu grupo não queira fazer isso. Se
houver algum problema tangível que queiram abordar na universidade, apresentar estudantes
pró-Liberdade uns aos outros pode não ser tão eficiente como activismo. No entanto, se a tua
universidade for tão politicamente apática que o activismo não tenha grande impacto, talvez
seja melhor dar mais atenção à educação e à construção de uma comunidade de alunos que se
revejam na causa. É importante pensar naquilo que queres/querem fazer da vossa organização
e o tipo de impacto que com ela querem causar.
Terceiro passo: um nome
O nome da organização é, literalmente, a sua forma de se tornar conhecido na univesidade. Os
termos que incluíres no nome, assim como o acrónimo que dele resultar, levarão a conotações
imediatas nas mentes de quem o ouvir – é por isso que deves assegurar-te de que o nome que
apresentares não causa conotações indesejadas. Deve limitar-se a representar a missão da tua
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organização, ainda que da forma mais atractiva possível. Alguns termos que merecem a nossa
consideração incluem:
1. Libertário – Se a tua organização for libertária e não tiver vergonha de assumi-lo, este é
um óptimo nome. Se, no caso do Brasil, a tua organização não estiver afiliada a partidos
políticos como o Libertários ou o Novo, porém, a utilização deste tipo de expressão pode
ser problemática. Isso pode levar a problemas de recrutamento e financiamento. A
decisão, em todo o caso, recai somente sobre ti – é uma questão de avaliar as vantagens
e desvantagens de cada uma das escolhas.
2. Liberdade – Liberdade é uma palavra bem mais segura. É dos termos que só tem
conotações positivas para as pessoas. Liberdade é aquilo que todos almejam. Para além
disso, a palavra “Liberdade” deixa aberto um espaço de ambiguidade. Mas isso, embora
bom, pode também apresentar um lado profundamente negativo. Quando advogas a
Liberdade, as pessoas podem não saber exactamente aquilo que defender – e uma
clarificação pode ser necessária. Alguns grupos optaram, por isso, por adoptar o termo
“liberdade individual”, de modo a explicitar o seu propósito, coisa que tu podes fazer
também.
Quarto passo: Aprende quais são os procedimentos na tua faculdade
Com as fundações da tua organização finalizadas, é importante que dediques algum do teu
tempo a aprender como é que as organizações de estudantes funcionam na tua faculdade e
como trabalhar com a burocracia da universidade. Cada faculdade tem procedimentos
próprios que regulam a existência de grupos estudantis e que, naturalmente, tu terás de
aprender para que a tua estrutura sobreviva. A tua organização estará integrada na burocracia
da tua universidade, pelo que terás de aprender a manobrá-la. Eis algumas coisas que deves
aprender logo desde o início:







Quais são os requerimentos para te tornares uma organização estudantil reconhecida
oficialmente?
Quais são os benefícios que a tua organização tirará de ser reconhecida oficialmente
enquanto tal?
Como fazes para reservares salas de que precises para organizar eventos no campus?
Há restrições ao aluguer de salas no campus?
Que tipo de eventos são permitidos no campus?
Como fazes para receber apoio financeiro da Universidade?
O que podes fazer para fugir ao peso dos regulamentos, normas e burocracias?
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Quinto passo: ratifica uma constituição/estatutos
Para formalizares a tua organização e começares o processo de institucionalização, o teu
próximo passo será a ratificação de uma constituição/estatutos. O objectivo disto não é expor
até ao pormenor cada detalhe da tua organização, mas reconhecer a sua existência e dar-lhe a
moldura organizacional necessária. Algumas faculdades pura e simplesmente não têm
qualquer regulação para os estatutos de grupos estudantis, enquanto que outras exigem que
secções de textos normativos já existentes sejam incluídas nos estatutos do teu grupo. Eis
alguns temas cuja inclusão nos estatutos queirás redigir é essencial:
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
Nome
Missão/Objectivos
Direcção/Painel Executivo
Estrutura da Direcção e distribuição de responsabilidades.
Eleição da Direcção – o como e o quando
Membros e participação
Reuniões
Emendas
Ratificação
Sexto passo: objectivos concretos
Porque estás a começar esta organização? O que queres alcançar com ela? Como vais fazê-lo?
São estas as principais questões que deves fazer e, ao mesmo tempo, responder. Isto guiar-teá quando delineares aqueles que serão os teus objectivos, tanto a médio como a longo prazo.
A maioria dos teus objectivos de longo termo deveriam ter sido mencionados aquando da
formulação da tua missão. Estes objectivos não têm, necessariamente, de ser escrito na secção
em que falas da missão da organização, porque esse capítulo se refere, essencialmente, aos
valores que tencionas defender. Mas deves, ainda assim, ter alguma ideia daquilo em que
queres que a tua organização se transforme daqui, por exemplo, a dez anos. Estes objectivos
de longo prazo podem ser tão simples como a manutenção da presença do teu grupo na
universidade. Por outro lado, o teu objectivo pode ser muito mais ambicioso, como, por
exemplo, o estabelecimento de uma organização com força suficiente para, na universidade,
rivalizar com o autoritarismo.
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Exemplos de objectivos incluem:





O número de membros que participam regularmente em reuniões.
O número de emails da tua list-serv.
O número de eventos realizados durante o semestre.
O dinheiro angariado pela tua organização
O número, ou relevância, das políticas mudadas na universidade como corolário
directo dos teus esforços.
Sétimo passo: desenvolve uma list-serve
A list-serve deve ser das primeiras coisas a serem criadas, mas não deve ser um projecto
imediato. O problema de preparar uma list-serve assim que souberes que estrutura queres dar
à tua organização é que, provavelmente, falhará no início. Se a list-serve não for activa, leva os
teus membros a não darem grande importância ao correio que receberem da tua organização
e, por isso, a tratarem-na como algo inerte e amorfo. Começar uma list-serve apenas quando
tiveres já as bases da tua organização preparadas tem muito melhor aspecto – e permitir-te-á
manter as pessoas envolvidas no teu projecto. A list-serve deve ser um único email a que
apenas tu, alguns responsáveis e, eventualmente, alguns membros tenham acesso – tudo com
o objectivo de contactar grandes números de pessoas da forma mais fácil possível. Não deves
escrever todos os endereços de email dos teus contactos na caixa “To” porque parece
incrivelmente pouco profissional. Para além disso, é inevitável que venhas a errar nas pessoas
a quem mandas a mensagem, o que pode vir a causar problemas: um bom exemplo disso é
quando as pessoas começam a responder em reply-all, levando assim a que alguns dos
contactos optem, pura e simplesmente, por se afastar do teu grupo. Dependendo daquilo que
preferires, opta ou pelo Google Groups ou por uma list-serve da universidade. Ambos
funcionam bem. (Muitas, para não dizer a maior parte, das organizações de estudantes usam
list-serves do Google Groups para evitarem burocracia universitária, os custos de obter um
endereço de list-serve e outros problemas associados a um endereço escolar.) Assim que
tiveres uma listserve, tenta adicionar-lhe tantas pessoas quanto possível e assegura-te de que
o manténs activo para que todos se apercebam da actividade da tua organização.
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Oitavo passo: realiza eventos
São os eventos que fazem uma organização. Deves realizar actividades divertidas e
interessantes que os membros possam associar à tua organização. Se alguém te perguntar: “O
que faz o teu grupo?”, os eventos que organizares deverão ser a resposta. O evento mais
básico que podes realizar é uma reunião de tempo a tempo. Isto deve ser feito ou
semanalmente ou bi-mensalmente, para manter os membros envolvidos e interessados.
Aproveita para abordar assuntos administrativos e de trabalho nessas reuniões, mas não te
esqueças de as fazer atractivas. Organiza um debate/discussão sobre a Liberdade após os
detalhes administrativos Esta é uma fantástica forma de cativar os membros para a tua causa e
interagir com eles – e tudo com um esforço mínimo. Outros eventos incluem:





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

Trazer oradores à universidade;
Noites de cinema;
Debates com outras organizações universitárias (por exemplo, o núcleo da Juventude
Socialista);
Eventos sociais;
Jantares da organização;
Protestos/manifestações;
Visitas a outras organizações estudantis dedicadas à causa da Liberdade numa
universidade perto da tua;
Idas a conferências do EPL (Ir a eventos fora da tua universidade é uma óptima forma
de construir laços de amizade e camaradagem entre os membros. Para além disso,
claro, as conferências do EPL são sempre incrivelmente divertidas).
Nono passo: obtém reconhecimento da faculdade
As vantagens que a tua organização poderá obter com reconhecimento oficial da universidade
incluem financiamento, fácil acesso a espaços do campus, a possibilidade de participar em
feiras de estudantes, etc. Algumas limitações para as quais deves estar preparado são a
obrigação de participar em reuniões da Associação de Estudantes, dificuldades gerais em
virtude de o teu núcleo ser uma organização política, maior transparência em actividades na
universidade e limitações para tua estratégia de marketing. Quanto a isso, convém dizer que o
regulamento da tua faculdade poderá, por vezes, dificultar-te os planos.
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Décimo passo: prepara os próximos líderes
Todo o trabalho que desenvolveres, todo o tempo que dedicares à tua organização será inútil
se ela não conseguir sobreviver-te – ou seja, manter-se mesmo depois de abandonares a
faculdade. Não deves estar apenas preocupado com o sucesso da tua organização durante o
teu próprio período universitário, mas também com o que lhe sucederá quando de tornares
um alumnus. Este tema não será abordado com profundidade neste pequeno livro, visto já ser
analisado em outra obra da mesma série. Na verdade, o assunto é tão importante que pura e
simplesmente não pode ser abordado tão levemente. Ainda assim, assim que a tua
organização tiver bases sólidas, deverás imediatemente começar a olhar para o seu futuro.
Não faças os teus pares pensar que o grupo terminará quando abandonares a universidade –
caso contrário, terás desperdiçado anos da tua vida. Vai identificando potenciais líderes para o
teu grupo à medida que o tempo for passando. Escreve aquilo que te parecer relevante,
assegura-te de que conseguirás transferir todo o capital de conhecimento que obtiveres à
próxima geração de estudantes pela liberdade com a maior facilidade possível. Fala do sucesso
da tua estrutura a quem a ela se for juntando, lembra novos membros do quando te foi
benéfica a experiência de liderar um grupo de jovens pró-Liberdade.
Se fores fazendo este tipo de coisa e pensando sempre no futuro do teu grupo, poderás estar
certo de que , quando daqui a vários anos voltares à tua universidade para rever os teus
colegas de curso, a estrutura que fundaste permanecerá activa. Se – ou, melhor dizendo,
quando – isso acontecer, poderás ter a certeza de que fizeste um grande trabalho na
implantação do teu grupo – e de que a organização que ajudaste a criar e a fazer crescer teve
um impacto real dezenas, senão centenas de estudantes como tu. E é precisamente por isso
que estás a ler isto.
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Conclusão: os dez erros mais importantes
Quando cometeres um erro, não tenhas vergonha de o admitir. Na verdade, líderes estudantis
que digam nunca ter cometido erros estão errados e são, muito provavelmente, maus líderes.
Para conseguires começar e liderar uma organização de estudantes pela liberdade, tens de ser
analítico e crítico de ti mesmo. Tens de ter a capacidade de aprender com os teus erros e de
evitar voltar a cometê-los. Os erros abaixo mencionados são apenas alguns dos mais comuns
erros cometidos por líderes estudantis pró-Liberdade:
Erro #1: perder demasiado tempo com a constituição/estatutos.
A maioria dos grupos de estudantes pensa que os Estatutos definem a organização. Isso está
errado. São os membros, não um documento, quem dá vida a um grupo de estudantes.
Quando comparados com a necessidade de recrutar as pessoas certas e organizar bons
eventos, os Estatutos são algo absolutamente secundário. O mesmo sucede com todos os
passos processuais que tenham a ver com a criação do teu grupo. Ser reconhecido pelos teus
pares não significa que consigas organizar grandes eventos pelo fim do primeiro ano de
actividade. Mas contar com membros activos e determinados que gostem de participar nas
reuniões talvez signifique.
Erro #2: especificar demasiados dos princípios da tua organização.
Para estudantes apaixonados pela Liberdade, é fácil começar a mencionar todos os princípios
em que se acredita nos Estatutos. Isto é, porém, mau por dois motivos. Primeiro, porque a
apresentação da tua missão, da raison d’être da tua organização deve ser simples e sucinta.
Para conseguires explicar bem aquilo que pretendes fazer a novos membros e patrocinadores,
convém que a exposição de objectivos não ocupe mais que 4 frases. Segundo, deves querer
que haja espaço para debater e partilha de ideias: caso contrário, as reuniões serão
aborrecidas e quem “só” concordar contigo em 99% dos assuntos, abster-se-á de se juntar ao
teu grupo.
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Erro #3: evitar parar projectos falhados.
Quando te encontras na fase inicial de criação da tua organização, não é difícil pensar que a
própria sobrevivência do grupo está dependente da tua/vossa capacidade de cumprirem todo
e qualquer compromisso que assumirem. Se, porventura, uma das vossas primeiras iniciativas
tiver sido um jornal próprio, é plausível que aches que pará-lo será condenar todo o grupo ao
falhanço. A verdade é, todavia, que se um projecto em que te envolveste estiver a consumir
demasiado tempo, esforço e, potencialmente, dinheiro, sem te dar o retorno adequado, deves
ter a coragem de o parar. É, naturalmente, verdade que, se parares todos os projectos em que
estiveres envolvido, a organização acabará por morrer. Mas deves conseguir matar as
iniciativas que se limitarem a consumir-te tempo.
Erro #4: assumir que as pessoas sabem da existência da tua organização.
Más notícias: quando ratificas os Estatutos do teu novo grupo, o céu não se abre em
congratulatória celebração, o firmamento não é invadido por fogo de artifício com o seu
acrónimo e não aparecem multidões a cantar o seu nome. Nesse momento, infelizmente,
ninguém sabe da existência do teu grupo. É teu dever encontrar formas de espalhar a palavra
e conseguir que os teus colegas oiçam falar da tua organização. Só grupos com bases sólidas –
i.e., com vários anos de operação – são bem conhecidos pela comunidade escolar. Boas formas
de fazer com que todos fiquem a saber da existência do teu grupo incluem participações no
jornal da faculdade –e/ou universidade -, entregas de fliers e panfletos, uma conta no
facebook e actividades que atraiam o interesse e a curiosidade de outros alunos.
Erro #5: Incapacidade de definir objectivos.
Quando são fundadas, muitas organizações estudantis não dispõem de mais que uma vaga
ideia daquilo em que querem tornar-se. Poucos são os grupos que determinam objectivos
concretos, sabem aquilo que querem atingir e apresentam metas objectivas – algo que,
naturalmente, é essencial para uma organizaçãoe estável.
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Erro #6: Usar apenas uma tática de marketing.
Muitos grupos gostam de mostrar a sua habilidade com a internet e de utilizar os novos mídia
para publicitar os eventos que organizam. Criar um evento no Facebook ou enviar um email
para a tua list-serve não é suficiente para dar publicidade à tua organização. Há toda uma
miríade de tácticas que podem ser necessárias, desde o Facebook – em que convém,
naturalmente, ter uma presença activa -, à entrega de fliers e informar as turmas através da
forma mais tradicional: falar com elas. Utiliza todos os meios que te estejam disponíveis para
promover a tua organização, e assegura-te de que todos os alunos que possam estar
interessados em participar nas suas actividades sabem, efectivamente, dos teus eventos.
Erro #7: Não delegar responsabilidades.
Não é incomum que estudantes que começam organização sintam dificuldade em delegar
responsabilidades. Afinal, foram eles quem começou a organização, são eles o catalisador,
parecem ser eles quem está por detrás de tudo. Infelizmente, porém, esse modus operandi
leva a toda uma quantidade de problemas, e pode mesmo acabar por pôr em causa a
viabilidade do grupo: o líder é obrigado a assumir demasiadas tarefas e não consegue
completar nenhuma delas com sucesso. Longe de consuguir ser, efectivamente, uma
organização, o grupo transforma-se em apenas um dos seus membros. Assegura-te de que
outras pessoas completam tarefas, e não apenas tu próprio.
Erro #8: Falhar numa coordenação responsável dos vários membros do grupo.
Quando novos líderes delegam responsabilidades, cometem comummente o erro de que as
pessoas serão capazes de completar tarefas ambíguas sem qualquer coordenação ou
harmonização. O resultado é normalmente falhanço e desapontamento. Quando incumbes
outras pessoas com afazeres importantes para a tua organização, convém que vás vendo como
o projecto vai avançando, os problemas que vai encontrando e, claro, se os responsáveis por
ele permanecem motivados ou não. Coisas como ir verificando e-mails e fazer umas chamadas
tu próprio(a) não exigem muito tempo, mas asseveram-te de que tudo correrá pelo melhor.
Como começar uma organização de estudantes pela Liberdade
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Estudantes pela Liberdade
Erro #9: Ignorar outros grupos de estudantes.
Não é raro que quem começa um grupo de estudantes se convença de que as pessoas saberão
dele por magia, assim como que o grupo poderá funcionar separadamente do resto da
comunidade universitária. Pensam que ter uma pessoa para falar de política externa de
semana em semana é suficiente. Parece-lhes que os outros grupos são maus e que, por isso,
devem ser ignorados, ostracizados. Isso, infelizmente, leva a uma organização estagnada e,
eventualmente, a um grupo totalmente irrevelante. As boas organizações não só reconhecem
a importância de outros grupos, como gostam até de cooperar e envolver-se com eles –
mesmo quando eles pertencem ao lado oposto do espectro ideológico. Utilizar outras
organizações para promover o teu próprio é essencial quando começas.
Erro #10: olhar apenas para o amanhã, e não para como as coisas estarão daqui a um
ano
O derradeiro grande erro é o mais fácil de apontar tanto a quem começa a uma organização
como a quem deseja mantê-la: olhar apenas para o presente, ignorando o futuro. Não há líder
de sucesso que não se abstenha de pensar apenas na conferência desta semana, ou do
próximo mês. Pelo contrário, pensam em eventos que poderão organizar no próximo ano, no
ano depois desse, e nas pessoas que os conduzirão. Se desejas criar uma organização de
sucesso, terás de começar a fazer planos a 1, 2 e 5 anos a partir deste exacto momento.
Pensam em quem te sucederá. Pensa no papel que queres que o teu grupo assuma na vida do
campus. Pensa em como será o teu grupo quando já não fores o seu líder. Ignorar estas
questões significa que a tua organização está, inexoravelmente, votada ao fracasso.
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