AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM E QR CODES: UMA
FORMA DE HIBRIDIZAR AULAS NO ENSINO MÉDIO TÉCNICO DA
REDE PÚBLICA ESTADUAL DO PARANÁ
Luiz Ricardo Soares Ferreira 1 - SEED-PR
Cassiano Roberto Nascimento Ogliari 2 - PUCPR
Grupo de Trabalho - Didática: Teorias, Metodologias e Práticas
Agência Financiadora: não contou com financiamento
Resumo
A forma de ensinar e aprender mudaram desde que o acesso a tecnologia e a internet ficaram
acessíveis a grande parte da população. A escola não pode ficar aquém desta revolução e
ainda que as políticas públicas não atendam todas as necessidades tecnológicas das escolas, o
professor deve buscar alternativas de inovar usando tecnologias digitais e novas metodologias
de ensino. Como ferramentas digitais, este trabalho utiliza de forma online, um Ambiente
Virtual de Aprendizagem, baseado no Moodle, no qual os alunos o acessam fora e dentro da
sala de aula, com a finalidade de produzir suas pesquisas e apresentações. De forma off-line
são utilizados QR Codes que contêm o acesso a vídeos, imagens e textos, que permitem
Inverter a Sala de Aula, pois os alunos estudam o material por meio dos seus smartphones e
depois compartilham com os alunos o que compreenderam do conteúdo. Ao professor cabe o
papel de mediar situações de aprendizagem. A metodologia do Ensino Híbrido é usada no
sentido de mesclar as atividades virtuais com os momentos presenciais, dando nova
perspectiva à sala de aula. O projeto está sendo aplicado com alunos do 4º anos do Ensino
Médio Técnico Integrado de Redes de Computadores, no Colégio Estadual Luiz Setti,
município de Jacarezinho, Paraná. No princípio os alunos se mostraram mais resistentes,
talvez por nunca terem utilizado efetivamente tecnologias cuja finalidade seja estritamente
pedagógica, pois os alunos ainda tem uma visão da tecnologia ainda como forma de se
socializar e de entretenimento. Aos poucos eles têm se tornado mais engajados e motivados a
realizar as atividades que são propostas.
Palavras-chave: Ambiente Virtual de Aprendizagem. QR Code. Ensino Híbrido. Sala de
Aula Invertida.
1
Especialista em Redes de Computadores pela UTFPR. Professor da Educação Básica no estado do Paraná:
[email protected].
2
Doutor em Educação: História, Política, Sociedade pela PUCSP. E-mail: [email protected].
ISSN 2176-1396
38548
Introdução
A evolução tecnológica é uma característica inerente e indissociável da natureza
humana. Está presente nas mais diversas áreas do conhecimento dentro de uma sociedade
organizada. A esfera educacional não deve ficar aquém dessa revolução. Embora existam
políticas públicas que visem à inclusão de tecnologia nas escolas e promovam a formação
continuada dos profissionais ligados a área da educação, o Brasil não tem avançado nos
indicadores educacionais.
Não é objeto deste estudo buscar soluções para as políticas públicas e muito menos
afirmar que a tecnologia pode ser a salvação para a educação brasileira, o campo da pesquisa
é outro e está relacionado às novas práticas e concepções pedagógicas envolvendo o uso das
tecnologias dentro e fora da sala de aula. Para Schiller (2011, p.03) as escolas devem
“repensar suas estruturas históricas à luz das mudanças sociais, e promover uma mudança
cultural, necessária, para esta re-significação da educação para um mundo contemporâneo”.
Mas antes de re-significar as instituições de ensino, é necessário entender o que é a
tecnologia, porque nos dias atuais o termo quase sempre é empregado ao uso de dispositivos
computacionais e à internet, mas a tecnologia é bem mais complexa, sendo:
[...] um processo contínuo através do qual a humanidade molda, modifica e gera a
sua qualidade de vida. Há uma constante necessidade do ser humano de criar, a sua
capacidade de interagir com a natureza, produzindo instrumentos desde os mais
primitivos até os mais modernos, utilizando-se de um conhecimento científico para
aplicar a técnica e modificar, melhorar, aprimorar os produtos oriundos do processo
de interação deste com a natureza e com os demais seres humanos (BRITO e
PURIFICAÇÃO, 2008, p.32).
Embora a realidade da educação brasileira ainda priorize outras necessidades, é
inegável a urgência de trabalhar o tema da tecnologia no panorama educacional das escolas
públicas. Prova disso, no âmbito da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEED/PR)
existem diversas formações que trabalham a temática da tecnologia na escola, inclusive uma
das oficinas da Formação em Ação3 do primeiro semestre de 2015 é voltada para o uso da
tecnologia no contexto escolar (PARANÁ, 2015).
O professor do século XXI ao longo de sua carreira no magistério deve estar sempre se
atualizando e procurando novas formas de ensinar. Uma das formas de conseguir isso é se
3
São ações descentralizadas que ocorrem nas escolas públicas estaduais de todo o estado do Paraná e cuja
premissa se baseia na oferta da formação continuada dos profissionais da educação, através de oficinas que
abordam conteúdos curriculares e específicos de acordo com a demanda regional.
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apropriar das Tecnologias Digitais (TD), pesquisando e aplicando novas metodologias, se
reinventando a cada aula e utilizando diversos recursos para tentar tornar as aulas mais
atraentes, pois os alunos nativos digitais estão acostumados com o acesso fácil e rápido a
informações fragmentadas na internet, cujos conteúdos estão cada vez mais interativos e
dinâmicos. O professor antes de se preocupar com o que ensinar, tem que compreender para
quem ele vai ensinar, ou seja, deve equacionar o conhecimento científico adquirido nos
bancos acadêmicos com as necessidades dos alunos da sociedade atual.
Da problemática de buscar novas metodologias de ensino e fazer da tecnologia uma
aliada pedagógica é que este trabalho está pautado. Sair da zona de conforto tão fácil, pois
existe uma série de medos e receios com a tentativa de inovar. Claro que o ensino tradicional
aqui não é descartado, pois a forma de transmitir o conteúdo de maneira oral e expositiva é
necessária, ocorre é que com a tecnologia, o professor dispõe de um ferramental maior para
explicar os mais diversos tipos de conteúdo, no sentido de que o entendimento e a
aprendizagem dos alunos possa se efetivar de diversas formas.
Como estratégia de ensino nessa pesquisa, é usado um Ambiente Virtual de
Aprendizagem (AVA) na plataforma Moodle complementado pelo uso de QR Codes em sala
de aula. Os QR Codes trazem conteúdo multimídia para o dispositivo móvel dos alunos sem a
necessidade de conexão com a internet. Além das tecnologias presentes, esta pesquisa
emprega mescla o uso de duas metodologias que se complementam. Como metodologia de
ensino, tem-se adaptado o uso do ensino híbrido (b-learning) – pois os alunos acessam parte
do conteúdo fora da sala de aula por meio da internet – e a sala de aula invertida (flipped
classroom), que busca trazer o aluno ao papel central da sua própria aprendizagem
compartilhando o conhecimento adquirido por meio de seminários.
Referencial teórico e metodológico
A mudança nasce de uma necessidade, neste caso, a necessidade é a inquietude de
buscar novas alternativas para inovar a prática pedagógica. Embora a sociedade
contemporânea esteja envolta em processos tecnológicos, as instituições de ensino ainda
insistem em ignorar esta realidade e resistem às mudanças (SCHILLER, 2011, p.03). Parece
que o ensino público de modo geral não tem conseguido acompanhar o ritmo das inovações
ocorridas, principalmente após a revolução técnico-científica.
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Como forma de inovar, existem as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs)
que trazem um novo panorama para a educação, pois o conhecimento não fica mais
centralizado na figura do professor. A princípio isso pode causar insegurança, pois o educador
pode sentir que sua profissão está sendo ameaçada, mas na verdade, ele deve usar isso a seu
favor, pois as TICs são aliadas como ferramentas de trabalho. A tecnologia alicerçada na
educação trás em seu bojo novos desafios e infinitas possibilidades, por isso:
As novas tecnologias podem reforçar a contribuição dos trabalhos pedagógicos e
didáticos contemporâneos, pois permitem que sejam criadas situações de
aprendizagem ricas, complexas e diversificadas, por meio de uma divisão do
trabalho que não faz mais com que todo o investimento repouse sobre o professor,
uma vez que tanto a informação quanto a dimensão interativa são assumidas pelos
produtores dos instrumentos. (PERRENOUD, 2000, p.139).
Das tecnologias que tem revolucionado a educação tradicional, temos os Ambientes
Virtuais de Aprendizagem (AVAs) que permitem extrapolar os muros da escola e que
segundo Borille (2010, p.05) são “utilizados tanto como suporte para distribuição de materiais
didáticos quanto como complemento aos espaços presenciais de aprendizagem”, ou seja,
permite que o ensino presencial e à distância se complementem, indo de encontro com a
proposta deste trabalho.
As escolas estaduais da rede pública do Paraná possuem laboratórios de informática
com computadores e internet provenientes de dois programas, o Paraná Digital (iniciado em
2003) e o PROINFO (Programa Nacional de Informática na Educação) criado pelo MEC em
1996 (BRANCO, CANTINI e MENTA, 2011, pág. 6468). Mesmo com estas iniciativas, o
professor quando vai usar o laboratório esbarra na desatualização dos sistemas operacionais,
na falta de manutenção dos computadores e na inacessibilidade da internet, principalmente a
wireless (sem fio), causando frustração na hora de usar as TICs. Este panorama tem mudado,
pois com o aumento computacional dos dispositivos móveis, sobretudo os smartphones,
concomitantemente ao seu barateamento, os alunos tem entrado nas salas de aula com um
computador portátil e que se conecta a internet.
Seguindo essa tendência e um relatório da UNESCO (2013, pág. 20) que fala da
importância do Bring Your Own Device (BYOD), cujo significado é que os alunos hoje
levam seus dispositivos à sala de aula e que as escolas devem estar atentas a essa mudança
para aproveitar o melhor dos seus recursos. No Paraná a lei estadual 18.118 de 25 de junho de
2014 (PARANÁ, 2014) proíbe a utilização de qualquer equipamento/dispositivo eletrônico
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em sala de aula nos estabelecimentos de ensino da educação básica, salvo para atividades
pedagógicas.
Ao optar por usar QR Codes em sala de aula, levou-se em consideração o potencial
que existe nos smartphones que os alunos utilizam hoje em dia e também o que está disposto
na lei estadual paranaense. Os QR Codes nada mais são do que códigos de barra
bidimensionais que armazenam informações e atualmente podem ser lidos por grande parte
dos dispositivos móveis através da câmera embarcada, que lê e decodifica a informação do
código (CORREA, SOUZA e MARÇAL, 2012, pág. 122). Muito utilizado em campanhas
publicitárias, pode ser adaptado e usado para diversas atividades pedagógicas, pois existem
diversas possibilidades de criação, dentre elas a de criar códigos de URL e com isso acessar
qualquer conteúdo multimídia da internet ou que esteja em um servidor local.
A tecnologia por si só não transforma, não transmite, não revoluciona, pois quem
produz as informações e gera o conhecimento são os seres humanos, portanto, não faz sentido
usar a tecnologia como um fim em si mesma. O objetivo é usá-la como apoio na relação de
ensino-aprendizagem e não apenas isso, urge a necessidade de adaptar novas metodologias de
ensino que coloquem o aluno no centro desse processo. A metodologia adotada e que
gradativamente é aplicada mescla o ensino híbrido, também conhecido como b-learning e a
Sala de Aula Invertida, do inglês, Flipped Classroom. Bacich, Neto e Mello (2015, pág. 15),
definem o ensino híbrido como sendo:
[...] uma abordagem pedagógica que combina atividades presenciais e atividades
realizadas por meio das tecnologias digitais da informação e comunicação (TDICs).
Existem diferentes propostas de como combinar essas atividades, porém, na
essência, a estratégia consiste em colocar o foco do processo de aprendizagem no
aluno e não mais na transmissão de informação que o professor tradicionalmente
realiza.
Dessa forma, trazendo o aluno para o centro do processo, ele se torna mais autônomo,
confiante, responsável e criativo. É levado em consideração que os alunos, público-alvo da
pesquisa, são do período noturno e a maioria trabalha, portanto, as metodologias tem que ser
adaptadas, já que a premissa da Sala de Aula Invertida é que os alunos acessem e estudem os
materiais antes das aulas e no encontro presencial o professor atue como um mediador para
tirar dúvidas. O tempo da aula é gasto mais com trabalhos, projetos e resolução de exercícios
do que com a exposição do conteúdo propriamente dita. (SCHNEIDER, et al, 2013, p.04).
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Desenvolvimento
Após a distribuição de aulas do início do ano ficou definida a escola e a turma que se
daria a implantação desse projeto. A escola escolhida é o Colégio Estadual Luiz Setti, que fica
no município de Jacarezinho, norte do Paraná. A turma é o 4º ano do ensino médio técnico
integrado do período noturno, curso de redes de computadores, cuja disciplina se chama
Internet e Tecnologias Atuais. A escolha da turma foi motivada pela quantidade de alunos,
que são em número de nove e a maturidade que eles apresentam, pois estão no último ano da
educação básica, são alunos próximos de completar ou já possuem a maioridade completa.
Embora seja um projeto piloto, à expectativa que nos anos seguintes a metodologia seja
novamente aplicada.
Fase de planejamento e instalação do AVA
O trabalho começou antes mesmo do início do ano letivo, pois houve a necessidade de
realizar a preparação de todo o ambiente virtual a ser utilizado com os alunos. Também foi
feito um estudo da plataforma e o planejamento de como isso poderia ser melhor utilizado.
Desta forma, após a compra de um domínio na internet e do aluguel de um servidor de
hospedagem, foi instalado, configurado e personalizado o AVA da plataforma Moodle com o
tema envolve-D4. Este tema, apesar de trazer inicialmente os menus em inglês, que logo
foram traduzidos, possibilita uma facilidade para ajustes de configuração e alteração em sua
interface. Como essa plataforma é gratuita, não há necessidade de pagamento de licença e não
possui limitações em relação a quantidade de usuários. O acesso ao AVA se dá pelo endereço
eletrônico encurtado http://gg.gg/luiz7.
A necessidade da criação dos usuários para acesso ao ambiente foi feita seguindo um
padrão próprio de login e senha.
Fase de elaboração e inclusão de materiais no AVA
Após a definição da turma, foi necessário cadastrar a disciplina, adicionar os alunos e
inserir os materiais no ambiente recém criado da disciplina. A Figura 1 mostra a tela inicial do
curso logo após o usuário ter feito login no sistema. No espaço da disciplina consta a sua
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Existem diversos temas gratuitos do Moodle, o envolve-D é um deles e pode ser acessado na comunidade
internacional do Moodle, cujo endereço é https://moodle.org/plugins/view/theme_evolved
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ementa, vídeo-aulas para ambientação dos alunos, atividades e materiais divididos por
bimestres, acesso a relatório de notas, configuração de perfil, ferramentas de comunicação
assíncronas e etc.
Figura 1 – Tela inicial da disciplina Internet e Tecnologias Atuais
Fonte: O autor
A elaboração de materiais é realizada por meio de uma miscelânea de ferramentas e
softwares, por exemplo, as vídeo-aulas estão sendo gravadas utilizando o Camtasia, que é um
software com tipo de licença paga. Nele é possível gravar as ações realizadas na tela do
computador, além disso, ele possui um editor de vídeos, no qual as gravações sofrem uma
série de edições de acordo com a necessidade dos conteúdos específicos da disciplina. Após a
gravação, os vídeos são disponibilizados em canal próprio do Youtube e compartilhados
dentro do AVA.
Quando não há possibilidade de compartilhamento de arquivos por meio do Google
Drive, os arquivos são impressos ou convertidos em pdf e também são disponibilizados no
AVA. Algumas apresentações são produzidas como objetos de aprendizagem para explicar
determinados assuntos. Elas têm sido elaboradas em editores de apresentações como o Power
Point e o Prezi. Para gerar os QR Codes, são utilizados sites específicos para essa finalidade.
Os QR Codes são salvos como imagem, colocados em um editor de textos, como o Google
Documentos, acrescidos de um texto de apoio e em seguida impressos para serem usados em
sala de aula pelos alunos.
É importante destacar que tudo está pautado no Plano de Trabalho docente aprovado
pela supervisão pedagógica do colégio, além disso, o livro para registro de classe, documento
obrigatório escolar, é preenchido normalmente a cada aula, sempre está disponível na escola,
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afinal, o mundo digital e o analógico convivem lado a lado e alguns aspectos burocráticos,
inerentes ao trabalho do professor não podem ser descartados.
Fase de aplicação dentro e fora da sala de aula
Desde o primeiro dia de aula os alunos já compreenderam que as aulas tenderiam a
uma rotina diferente. No princípio, foi necessário um processo de formação para usar o AVA.
Uma explanação sobre a metodologia de ensino, também foi realizada, portanto.
Dentro da sala de aula o tradicional e o tecnológico se complementam. Quadro, giz,
data-show e notebook são itens indispensáveis, do qual professor e alunos utilizam para
estudar e expor os conteúdos. No AVA os alunos recebem as atividades, que são compostas
por questionários, pesquisas, fóruns, wiki, envio de tarefas e materiais de apoio. Tudo isso
sempre é usado como forma de avaliar o conteúdo trabalhado, compartilhar o conhecimento
gerado pelos e para os alunos e garantir disponibilidade de acesso ao que é usado em sala de
aula para quem faltou ou precisa reforçar o conteúdo. Quase sempre as pesquisas dos alunos
que são realizadas fora da sala de aula, culminam na apresentação de seminários como forma
de democratizar o conhecimento. Um modelo referencial pedagógico é visto na Figura 2.
Figura 2 – Modelo pedagógico
Fonte: O autor
Dentro da sala de aula é utilizado um servidor web local com o pacote Wamp
(Windows, Apache, MySQL e PHP) instalado em um notebook para simular a internet. A
distribuição do sinal wireless se dá por meio de um roteador. Como a internet sem fio não está
disponível na escola, antecipadamente os QR Codes são criados para acessar os materiais
multimídia armazenados no servidor do notebook que estão disponíveis off-line.
Pouco antes de receber os QR Codes e demais materiais impressos, o professor realiza
uma explanação geral do assunto que será abordado. Em duplas ou trios, os alunos recebem
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os QR Codes que contem vídeo, imagem e textos impressos. Os alunos utilizam seus
smartphones para acessar os materiais que estão convertidos para extensões populares que a
maioria destes dispositivos móveis são capazes de ler. O professor passa pelos grupos para
esclarecer dúvidas. Logo após estudar o material, os alunos apresentam o que aprenderam
para os demais da classe.
Figura 3 – Alunos escaneaiam QR Codes com smartphones. Servidor web local que disponibiliza conteúdos
Fonte: O autor
Resultados
Ao longo do processo, mesmo com planejamento, rigor na organização e muito
estudo, algumas condições fazem com que adequações tenham que ser feitas quase que
semanalmente. Embora com certa dificuldade, os alunos estão se adaptando a forma como as
aulas estão sendo aplicadas, muito embora isso esteja ocorrendo de uma forma mais lenta do
que o esperado. Na percepção dos professores, os alunos considerados nativos digitais
deveriam naturalmente se empolgar com o uso de recursos tecnológicos em sala de aula,
entretanto, o que se tem constatado é que os alunos usam sim a tecnologia, mas não estão
acostumados a usá-la para fins pedagógicos, principalmente durante as aulas.
Nessas aulas híbridas e invertidas, se constata que as atividades que estão disponíveis
no AVA, os alunos ignoram a responsabilidade de entrega-las em dia, como se o fato de elas
estarem disponíveis virtualmente, não tem o mesmo valor das atividades presenciais. Das
pesquisas online e das apresentações em sala de aula, tem-se percebido que os alunos não se
preparam e em muitas ocasiões as apresentações são rasas. Eles tem dificuldade de se
expressar e quase sempre usam apenas uma fonte para coleta de dados. Pelo uso dos QR
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Codes ainda não foi possível verificar se os alunos conseguem obter maior entendimento do
conteúdo por meio dos vídeos, imagens e textos vistos diretamente em seus smartphones.
Um dos aspectos positivos e que merece destaque diz respeito a iniciativa de um aluno
que percebendo o interesse dos amigos da sala pelo uso do celular, criou um aplicativo para
acessar o AVA da disciplina. O aplicativo foi criado utilizando uma plataforma conhecida por
ApkCreator, é compatível com o sistema operacional Android e está disponível para os alunos
baixarem no próprio AVA. Isso mostra o potencial que os alunos têm para serem autônomos e
criativos, pois não foi necessária a intervenção do professor, a ideia partiu do próprio aluno.
Inclusive isso vai ao encontro com a proposta da disciplina, que pelo nome Internet e
Tecnologias Atuais, prevê a aprendizagem e uso das novas tecnologias para resolver
problemas do cotidiano.
Aos poucos os alunos têm participado mais das aulas e têm demonstrado mais
interesse pelos conteúdos. Com as aulas mais dinâmicas, espera-se que eles sejam levados a
sair da passividade e a tornarem-se sujeitos atuantes na sua própria aprendizagem. O professor
em muitos casos acaba sendo apenas orientador e a relação com os alunos passa a se
horizontalizar.
A expectativa agora é aplicar a mesma metodologia nos próximos anos dentro da
educação básica com turmas diferentes. Do início do ano letivo até agora, ficam não só as
lições aprendidas com erros cometidos, mas, sobretudo, a experiência adquirida com os
pontos positivos que estão acontecendo. Há necessidade de trabalhar novas ferramentas e
estratégias de ensino com os alunos para que eles se sintam mais motivados e engajados em
seus estudos. Nas adversidades de usar as tecnologias na rede pública de ensino, caberá ao
professor, que cobra seus alunos, ser tão criativo quanto eles.
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