INFLUÊNCIA DO TIPO DE VIDRO NA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA
DA ENVOLTÓRIA
Larissa Olivier Sudbrack(1), Júlia Teixeira Fernandes(2), Milena Sampaio
Cintra(3), Cláudia Naves David Amorim (4)
(1) Graduanda em Arquitetura e Urbanismo da FAU - UnB, Brasil. E-mail: [email protected]
(2) Mestranda do Programa de Pós-Graduação da FAU - UnB, Brasil. E-mail: [email protected]
(3) Mestranda do Programa de Pós-Graduação da FAU - UnB, Brasil. E-mail: [email protected]
(4) Doutora, Professora do Departamento de Tecnologia da FAU - UnB, Brasil. E-mail: [email protected]
Endereço: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – FAU, Universidade de Brasília – UnB
Instituto Central de Ciências - ICC Norte - Gleba A, Campus Universitário Darcy Ribeiro - Asa Norte
CEP:70910-900 - Brasília – DF - Brasil
Abstract: This paper analyses the influence of the type of glass in the building’s
envelope energy efficiency through the prescriptive methodology of the Technical
Regulation of the Quality for energy Efficiency of Commerce, Service and Public
Buildings – RTQ. A building in Brasília was studied, being its envelope performance
analysed, varing Solar Factor of glass. This methodology was evaluated in RTQ, and like
in computer simulations, the type of glass interferes in the efficiency and mostly, the
specification of certain high performance glass would guarantee a better classification of
the building’s energy efficiency, which is largely diffused by producers.
Keywords: glass, Energy Efficiency, Wrapper, RTQ, prescriptive methodology
Resumo: Este artigo analisa a influência do tipo de vidro na eficiência energética da
envoltória através do método prescritivo do Regulamento Técnico da Qualidade para
Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos-RTQ. Foi estudado
um edifício em Brasília e avaliado o desempenho da envoltória, substituindo o vidro, e
tendo assim, como variável o Fator Solar. Essa metodologia avaliou se no RTQ, como nas
simulações computacionais, os tipos de vidro interferem na eficiência e principalmente, se
a especificação de um vidro de alto desempenho garantiria uma melhor classificação da
eficiência energética da edificação, o que é amplamente difundido pelos fabricantes.
Palavras Chaves: Vidro, Eficiência Energética, Envoltória, RTQ, método prescritivo.
1
INTRODUÇÃO
A eficiência energética nas edificações pode ser
entendida como a obtenção de um serviço com baixo
dispêndio de energia, através do uso racional e da
diminuição no consumo dos usos finais de iluminação,
equipamentos e aquecimento de água, junto à
incorporação de fontes renováveis de energia.
As constantes pesquisas e legislações referentes à
eficiência energética confirmam a necessidade de
redução do consumo de energia nas edificações, que
atualmente são responsáveis por 40% dos gastos
mundiais.
Publicado em 2009, o Regulamento Técnico de
Qualidade para Eficiência Energética de edifícios
comerciais, de serviços e públicos – RTQ, especifica
requisitos técnicos, bem como os métodos para a
etiquetagem do nível de eficiência desses edifícios. A
Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE)
varia de A (mais eficiente) a E (menos eficiente), e
serão avaliados três requisitos: envoltória, sistema de
iluminação artificial e ar condicionado.
Para a classificação geral do edifício, foram atribuídos
pesos relativos à contribuição no consumo energético
da edificação, sendo a envoltória responsável por 30%,
a sistema de iluminação 30% e de ar condicionado
40%. (RTQ,2009)
Segundo LAMBERTS (1997), “a análise do consumo
de energia de uma edificação é tão importante para o
processo de projeto quanto qualquer das outras
ferramentas usadas comumente pelos projetistas”.
A eficiência energética está diretamente relacionada às
decisões do projeto arquitetônico, sendo o desempenho
da envoltória o mais afetado pelas decisões do
arquiteto. Entende-se por envoltória os planos externos
da edificação, compostos por fachadas, empenas,
cobertura, brises, marquises, aberturas, assim como
quaisquer elementos que os compõem (RTQ, 2009).
Existem vários fatores que agem diretamente na
eficiência energética da envoltória, já que esta
compreende a área externa do edifício. Ela sofre
influência das variáveis climáticas (radiação solar,
temperatura, ventilação, umidade) do lugar onde o
edifício esta inserido, do tipo de sítio (côncavo,
convexo, plano), da implantação, da orientação das
fachadas, da forma do edifício, dos fechamentos, dos
materiais e ainda da área de aberturas e das proteções
solares.
O uso de grandes áreas de abertura envidraçadas
favorece a transferência de calor para os ambientes
internos, maximizando o consumo energético. Existem
discussões sobre a real eficiência de muitos vidros hoje
fabricados, uma vez que prometem o isolamento
térmico dos ambientes internos, mas não é comprovado
em simulações computacionais. Apesar disso, é prática
do mercado da construção civil, a divulgação e
propaganda desses vidros inovadores, que apesar de
todas suas qualidades técnicas, ainda não podem
impedir completamente as trocas térmicas da edificação
com o meio externo.
Assim, este artigo teve como foco principal a influência
da escolha do tipo de vidro para a edificação, tendo
sempre em vista a sua contribuição para um melhor
desempenho da eficiência energética deste edifício.
Várias pesquisas sobre a influência da escolha do tipo
de vidro na eficiência energética das edificações já
foram publicadas (PEREIRA, 2002; LIMA, 2009).
Porém, elas têm como base metodológica, as
simulações em softwares.
Para alcançar esse objetivo, de avaliar a influência do
vidro na eficiência energética da edificação, foi usado o
método prescritivo do RTQ, desenvolvido pelo Instituto
Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade
Industrial (INMETRO), com metodologia especificada
no Manual de uso do RTQ. A partir de um edifício
modelo, etiquetado pelo LACAM (Laboratório de
Controle Ambiental – FAU/UnB), foi avaliado o
desempenho energético da envoltória, tendo como
variável o Fator Solar de vários tipos de vidro, dado
técnico presente nas fórmulas matemáticas.
Essa metodologia foi utilizada também para avaliar se
nas equações prescritivas do RTQ, assim como nas
simulações computacionais, os tipos de vidro
interferem na eficiência energética e principalmente, se
apenas a especificação de um vidro de alto desempenho
garantiria uma etiqueta A para a edificação.
2
AS ABERTURAS E A EFICIÊNCIA
ENERGÉTICA NA EDIFICAÇÃO
Os elementos da edificação comportam-se de forma
diferenciada e as aberturas são as grandes responsáveis
pela carga térmica na edificação, porque são onde
ocorrem as principais trocas com o meio exterior
(condução, convecção e radiação). Isso é comprovado
na tabela 1, onde foi feita a estimativa de carga térmica
de uma sala comercial localizada na cidade de
Florianópolis e voltada para oeste. As aberturas
determinam o ganho térmico do ambiente interno, além
de definirem a quantidade de iluminação e ventilação
naturais.
ELEMENTO
CONTRIBUIÇÃO DE CALOR
Parede Externa
9%
Abertura
63%
Ocupantes
7%
Iluminação Artificial
10%
Equipamentos
7%
Infiltração
4%
Tabela 1: Contribuição de cada elemento do projeto na carga
térmica Fonte:Adaptado de LAMBERTS, 1997, p.100
Neste sentido, são de suma importância para a
eficiência energética, as decisões de projeto
relacionadas à abertura: dimensionamento, orientação,
proteções solares e tipos de fechamento translúcido (ex:
vidros).
O RTQ (2009) define como abertura “todas as áreas da
envoltória do edifício, com fechamento translúcido ou
transparente (que permite a entrada da luz). Excluem-se
vãos sem fechamentos e elementos vazados como
cobogós”. A ventilação natural não é considerada nessa
definição, sendo este o conceito utilizado nesse artigo:
as aberturas são os fechamentos em vidro.
Assim, o entendimento das características do vidro é
essencial para entender seu comportamento e influência
na eficiência da edificação.
3
O VIDRO
O vidro é foco de constantes melhorias tecnológias
devido a sua importância na industria da contrução
civil. É o material mais utilizado para fechamentos que
possibilita a vizualização e interação com o meio
ambiente externo, o que é muito importante para o
conforto psicológico dos usuários e iluminação natural.
Suas características estéticas e transparências sempre
atraíram os projetistas, que, atualmente utilizam o
material de forma indiscriminada, independente das
características bioclimáticas do local, contribuindo para
a ineficiência energética e consequentemente para o
desconforto ambiental desses espaços contruídos.
Histórico
A descoberta do vidro data de 5000 a.C. (mercadores
fenícios), e sua utilização foi crescente ao longo da
história. O aperfeiçoamento desse material e sua técnica
de fabricação sempre estiveram presentes nas
preocupações dos construtores.
Em 100 a.C., os romanos confeccionavam suas janelas
pela técnica de sopro em moldes. Um novo método
possibilitou a execução de vidros planos por volta de
500 e 600 d.C., método este que foi responsável pela
maior parte da produção do vidro até o século XIX. Era
feito por sopro de uma esfera e sua sucessiva ampliação
por rotação em forno. O vidro moldado à rolo (técnica
oriental) foi introduzido em Veneza por volta do ano
1300, com as cruzadas.
A ilha de Murano especializou-se na produção artística
notável do vidro. Neste período descobre-se também
um novo processo de produção: por sopro de cilindros
(novamente, revolucionária para os vidros planos). Ao
soprar e girar o cano simultaneamente, obtinha-se um
cilindro de vidro líquido que depois era colocado em
uma espécie de forno (“estendedeira”) e deixado para
estender.
A indústria de vidro propriamente dita nasceu na
Revolução Industrial, em particular na indústria
automotiva do século XX, e também da invenção de
dois métodos chave de produção: o processo da folha
estirada e o de flutuação (float).
Características e tipos de vidro
Os vidros geralmente são bons condutores de calor,
pois tem alta transmitância térmica (U). É um material
muito utilizado por ser transparente e permitir certo
controle da radiação solar (luz e calor), dependendo de
suas características físicas.
A radiação solar pode ser absorvida, refletida ou
transmitida para o interior, dependendo dos valores de
absortividade, refletividade, e transmissividade de cada
vidro. A porcentagem absorvida se converte em calor
no interior do vidro e pode ser reemitida tanto para o
interior quanto para o exterior.
Os diferentes tipos de vidros possuem características
ópticas distintas, e comportam-se de forma diferenciada
para cada comprimento de onda da radiação, assim
como para o ângulo de incidência.
A escolha do vidro está relacionada à necessidade de
controle da radiação solar, sendo importante avaliar a
quantidade de luz solar que será admitida e/ou
bloqueada para o interior da edificação.
Os vidros transparentes ou incolores são os mais usados
na construção civil devido ao seu menor custo e maior
disponibilidade no mercado. Eles são transparentes às
ondas curtas, permitindo boa visilibilidade e opacos às
ondas longas, com alta transmissividade de radiação
solar para o interior, o que causa o efeito estufa.
Os vidros verdes e os vidros fumês são absorventes,
levemente pigmentados para diminuir a transmissão da
onda curta, com um pequeno aumento na absorção da
parte visível. A transmissividade visível (visibilidade)
deve ser adequada para não gerar gastos desnecessários
de iluminação artificial.
Os vidros refletivos possuem uma película, composta
por uma camada metálica de substrato transparente,
com efeito espelhado. Existem películas mais refletivas
às ondas curtas, e outras mais refletivas em ambos os
espectros. Pode-se afirmar que as películas refletivas às
ondas curtas reduzem o ingresso de calor ao interior.
Este tipo de película também tem reduções na sua
capacidade de transmitir a luz visível. O efeito de
reflexão do calor pode beneficiar o interior da
edificação, mas é responsável pelo desconforto na
escala urbana, uma vez que repassa a carga térmica para
edificações vizinhas ou para o espaço público,
interferindo no microclima local.
Os vidros duplos são também denominados insulados
ou sanduíche de vidros. Trata-se de um sistema de
duplo envidraçamento que permite aliar as vantagens
técnicas e estéticas de pelo menos dois tipos diferentes
de vidro, com o benefício da camada interna de ar ou
gás. Com a utilização de uma camada externa com
vidro refletivo, a onda longa vinda do exterior é
absorvida e o calor dissipado para cada lado por
convecção e para o interior por reirradiação. Ao
contrário, colocando-se a camada refletiva no lado
interno do ambiente, a onda longa é refletida, evitandose perda de calor em climas frios. Esse sistema, apesar
de possuir vantagens no controle térmico-energético,
tem alto custo e pouca disponibilidade no mercado.
Cada um destes tipos de vidro tem um determinado
Fator Solar (FS), que pode ser entendido como “a razão
entre o ganho de calor que entra no ambiente através de
uma abertura e a radiação solar incidente nessa mesma
abertura.” (RTQ, 2009).
Nas equações do método prescritivo para avaliação da
envoltória, o FS é a variável específica relacionada ao
tipo de vidro das aberturas.
Para o RTQ, o Fator Solar considerado será relativo a
uma incidência de radiação solar ortogonal à abertura.
O cálculo do FS é feito através de equação da NBR
15220-2 (ABNT, 2005):
FSt = U x α x Rse + τ
Onde,
FSt é o fator solar de elementos transparentes ou translúcidos (J/m2K)
U é a transmitância térmica do componente (W/m2.K)
α é a absortância à radiação solar
Rse é a resistência superficial externa (m2.K/W)
τ é a transmitância à radiação solar.
4.1) Etiquetagem da envoltória do edifício modelo
O objeto de estudo foi um edifício institucional cuja
envoltória foi etiquetada pelo LACAM, através do
metodo prescritivo do RTQ.
O edificio, com área de 10125,0 m², está em fase de
construção, e situa-se em Brasília – DF, na Zona
Bioclimática 4.
As maiores fachadas possuem orientação leste e oeste,
sendo muito semelhantes, com pele de vidro verde. Na
fachada norte localiza-se a torre de circulação vertical,
conectada à edificação principal por passarelas com
fechamento em vidro. A fachada sul não possui
aberturas, configurando um pano cego, e é constituída
pelos mesmos materiais da fachada norte: paredes
externas em painel de concreto pré-moldado e painel de
gesso internamente, separadas por camada de ar com
isolante.
O LACAM fez uma avaliação da envoltória, seguindo
metodologia prevista no RTQ, onde são utilizadas
equações específicas de acordo com cada Zona
Bioclimática. Foi definido o Indicador de Consumo
(IC), que prevê de que maneira a envoltória de um
edifício vai impactar em seu consumo de energia.
Os catálogos devem possuir as propriedades específicas
de cada tipo de vidro, o que permite o cálculo do FS e a
correta especificação nos projetos arquitetônicos.
Os fabricantes, em geral, por meio de seus catálogos e
amostras, transmitem a idéia de que apenas a escolha
do vidro pode garantir a eficiência energética de uma
edificação, pois permite o isolamento do meio externo.
No entanto, em muitos catálogos não constam dados
técnicos como transmitância, refletância e fator solar de
cada tipo de vidro, que permita a avaliação e eficiência
desses produtos.
4
METODOLOGIA DO ESTUDO
Para testar a influência do tipo de vidro na eficiência
energética da envoltória, utilizamos como metodologia
a aplicação das equações do RTQ, em três etapas:
1). Etiquetagem da envoltória de edifício modelo:
cálculo de acordo com método prescritivo (RTQ), com
todas as características e especificações originais do
projeto;
2). A variável Fator Solar: substituição do tipo de vidro
do edifício modelo, alterando o Fator Solar na equação
para avaliação da influência do vidro na etiquetagem
(eficiência) da envoltória;
3). Resultados: análise das etiquetas obtidas com os 24
diferentes vidros (variável FS) e a avaliação da
contribuição para a melhoria da eficiência energética do
edifício modelo.
Equação 01: Cálculo do IC para ZB4 (Eq. 3.6, RTQ, p.22)
Foram calculados três tipos de IC (ICenv, ICmax e
ICmin), para estabelecer os limites de intervalo de
classificação do consumo da envoltória (de E a A).
Todas as variáveis relativas à edificação, necessárias
para alimentar a equação do IC, são apresentadas em
tabela a seguir.
Variável
Valor
Área de Projeção do Edifício (Ape)
956,4 m²
Área Total de Piso (At)
10125,0 m²
Área da Envoltória (Aenv)
3883,12m²
Volume Total do Edifício (Vtot)
18694,6m²
Fator de Altura (FA = Ape/Atot)
0,094
Fator de Forma (FF = Aenv/Vtot
0,20
Percentual de Abertura nas Fachadas (PAF)
0,43
Fator Solar (FS): do vidro verde especificado
0,61
Ângulo Vertical de Sombreamento (AVS)
0
Ângulo Horizontal de Sombreamento (AHS)
0
Tabela 02: Variáveis para cálculo do ICenv
Os Resultados dos Indicadores de Consumo foram:
Cálculo do ICenv = 228
Cálculo do ICmax = 287
Cálculo do ICmin = 79
A partir dos valores do ICmax e ICmin, foi gerado o
intervalo (i = 52,11) para classificação da envoltória,
seguindo equação do RTQ (Eq. 3.11, RTQ, p.42).
O valor desse intervalo (i) foi utilizado nas fórmulas da
Tabela dos Limites dos intervalos dos níveis de
eficiência da envoltória, de acordo com o RTQ:
Além do Fator Solar, que é o único solicitado pela
fórmula, foram levantados a transmitância, radiação
solar visível e radiação solar total. Estes dados são
apresentados para efeito de comparação posterior, uma
vez que um vidro que tenha baixo fator solar pode
apresentar também pouca visibilidade para o exterior
(percentual de transmissão da radiação visível ao
exterior), podendo ser prejudicial ao projeto.
4.3) Resultados
Transm. %
Reflet. %
Transm %
Reflet. %
Absor. %
Fator Solar
U W/m2oC (verão)
IC - ENCE envoltória
A tabela 05 mostra os dados técnicos de cada vidro, e a
etiqueta parcial da envoltória resultante para cada um
deles.
i
88
8
78
7
15
82
5.8
273-D
v
75
7
49
6
45
61
5.8
228-C
c
43
5
46
5
49
59
5.8
224-C
b
53
6
48
5
47
61
5.8
228-C
Níveis de
Efic.
A
B
C
D
E
limite mín
-
130.95
183.07
235.19
287.31
limite máx
130.94
183.06
235.18
287.30
-
Tabela 4: Intervalos de IC mínimo e máximo
Como o ICenv do edifício objeto de estudo foi de 228,
valor que se encontra no intervalo 183.07 – 235.18, a
etiqueta da envoltória para o edifício de referência foi
C.
4.2) A Variável Fator Solar(FS)
Para a análise da influência do tipo de vidro na etiqueta
da envoltória da edificação, foram selecionados 24
tipos de vidro, com as respectivas características
técnicas.
Foram utilizados os mesmos dados e cálculos da
edificação modelo, tendo como única variável o Fator
Solar (FS), dado relativo a cada vidro. Foi simulada a
substituição do vidro original da edificação por outras
24 especificações, obtendo consequentemente as
etiquetas correspondentes. Ou seja, foi adotada a
mesma fórmula usada no método prescritivo do RTQ,
com os mesmos valores, alterando apenas o FS
conforme cada vidro testado.
Para assegurar que os dados técnicos dos vidros
tivessem o mesmo padrão, evitando distorções e erros
de definições ou cálculos, optou-se pelo uso de apenas
um fabricante, o AFG Corporate Office.
(www.usp.br/fau/deptecnologia/docs/bancovidros/index.html)
Foram escolhidas quatro tipologias de vidro, cada uma
com seis cores diferentes. As tipologias são: vidro
simples, vidro duplo, vidro simples com película
refletiva série P30, e vidro duplo com película refletiva
série P30. Os vidros simples tem 6mm de espessura. Os
duplos tem 6mm de vidro, 13mm de camada de ar, e
novamente 6mm de vidro. Cada tipologia de vidro foi
testada para seis cores: incolor, verde, cinza, bronze,
azul e verde escuro.
Duplo refletivo película Simples refletivo película
Simples não refletivo série P30 6:13:6
série P30 6mm
Duplo não refletivo 6:13:6
6mm
Cor
Assim, originou-se a tabela específica do estudo de
caso, com a classificação dos limites para etiquetagem
da edificação:
Tipo de vidro/
espessura
Tabela 3: Limites dos intervalos dos níveis de eficiência (RTQ.p.24)
Rad.
Solar
Visível
Radiação Solar Total
a
55
6
46
5
49
59
5.8
224-C
ve
66
7
33
5
62
50
5.8
204-C
i
78
14
60
11
29
70
3.2
247-D
v
66
12
38
7
55
49
3.2
202-C
c
38
7
35
7
58
47
3.2
198-C
b
47
8
38
7
55
49
3.2
202-C
a
49
8
36
7
57
47
3.2
198-C
ve
58
10
26
6
68
38
3.2
179-B
i
29
16
25
13
62
41
5.8
185-C
v
25
12
15
7
78
35
5.8
172-B
c
15
7
14
7
79
35
5.8
172-B
b
18
8
15
7
78
35
5.8
172-B
a
18
9
14
7
79
35
5.8
172-B
ve
21
10
11
6
83
33
5.8
168-B
i
25
16
16
15
69
25
1.9
151-B
v
21
12
9
8
83
18
1.9
136-B
c
13
7
9
7
84
18
1.9
136-B
b
15
8
10
8
82
18
1.9
136-B
a
15
9
9
8
83
18
1.9
136-B
ve
18
10
7
7
86
16
1.9 132-B
Tabela 5: Dados Técnicos dos Tipos de vidro e respectivas etiquetas
parciais da envoltória.
Legenda da Tabela 5: cores dos vidros
5
CONCLUSÃO
A partir da análise dos resultados, onde foram
parametrizados os dados de todos os tipos de vidro e a
etiqueta que a edificação receberia, caso o vidro do
projeto fosse substituído, percebeu-se que a eficiência
da envoltória da edificação estudada não aumentaria de
forma significativa.
A ENCE do projeto original, com vidros verdes, foi C e
testando a edificação com 24 tipos de vidro, nenhum
conseguiu a etiqueta A.
A melhor etiqueta alcançada foi B, sendo que estas
foram para os vidros com película refletiva e os duplos.
A melhoria da eficiência energética nesse caso está
diretamente ligada ao custo do vidro, sendo os mais
eficientes com custo elevado, o que impossibilita seu
uso em todas as edificações.
Constatou-se que os vidros refletivos apresentam os
melhores resultados para a etiqueta parcial da
envoltória. Porém, não se pode deixar de lado a sua
influência no entorno urbano imediato, relacionado ao
ofuscamento e transmissão de calor aos edifícios
vizinhos, alterando o microclima e redução de
iluminação natural.
No método prescritivo, o único dado tecnico do vidro
avaliado é o Fator Solar, que é baixo nos vidros que
alcançaram melhor etiqueta (B). Mas esses mesmos
vidros possuem transmissividade visível baixa, o que
nem sempre é desejável, pois a visisbiliade para o
exterior é imporntante para o bem estar do usuário.
O vidro incolor piorou a eficiência energética, (etiqueta
D) comprovando que o vidro mais usado na contrução
civil é também o mais inadequado, sendo essencial o
uso de proteções solares para evitar a radiação solar
direta na maioria das efificações.
O método prescritivo conseguiu, através de suas
formulas e do uso do Fator Solar responder de forma
adequada à influencia dos tipos de vidro nas variações
de eficiência energetica da envoltória das edificações.
Essa comprovação possibilita o uso do método para
testes de especificações desses materiais ainda na fase
de projeto.
Dessa forma, é possível concluir que apenas o tipo de
vidro, por melhores características tecnicas, não garante
sozinho a eficiência energética da envoltória, como é
tão difundido pelos fabricantes. Os projetistas devem se
preocupar com as demais variáveis do projeto: o clima
do lugar onde o edifício esta inserido, o tipo de sítio, a
implantação, a orientação das fachadas, a forma do
edifício, os fechamentos, os materiais, a área de
aberturas e as proteções solares, tão importantes para a
eficiência da edificação.
6
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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natural para redução do consumo de energia de
edificações de escritório aplicando propostas de
eficiência energética para o Código de Obras do Recife.
10o Encontro Nacional de Tecnologia no Ambiente
Construído, Anais. São Paulo: ANTAC, 2004.
LAMBERTS, R., PEREIRA, F. O. R., DUTRA, L.
Eficiência Energética em Edificações. São Paulo: PW,
1997.
LIMA, Thaís B. S. Avaliação do Desempenho Térmico
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MINISTÉRIO DAS MINAS E ENERGIA. Balanço
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<http://www.mme.gov.br> Acesso em: 20 de abril de
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Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos. 2009.
NBR 15220-2 – Desempenho térmico de edificações –
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elementos e componentes de edificações. ABNT, 2005.
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Parte 3: Zonemanento bioclimatico brasileiro e diretries
para habitações unifamiliares de interesse social. ABNT,
2005.
PEREIRA, Fábio L. Avaliação da influência termoenergética do tipo de vidro na envoltória de edificações.
Ministério da Educação, UFRS, Departamento de
Engenharia Mecânica, 2002.
Regulamento de Avaliação da Conformidade do Nível de
Eficiência Energética Para Edifícios Comerciais, de
Serviços e Públicos. 2009.
7
AGRADECIMENTO
Os autores agradecem ao CNPQ pelas bolsas de
pesquisa que permitiram a participação na equipe do
Laboratório de Controle Ambiental e Eficiência
Energética
da
Universidade
de
Brasília
(LACAM/UnB).
Download

influência do tipo de vidro na eficiência energética da - Quali-A