Avaliação da factibilidade da Radioterapia Intra-Operatória (ELIOT) no tratamento conservador do câncer de mama em estádios inicias Aluno: Parizzotto AC [email protected] Autores: Zerwes F, Barbosa FS, Braga A Orientador: Frasson AL [email protected] Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Centro de Mama do HSL da PUCRS. Av. Ipiranga 6690, conjunto 714. CEP: 90610-000 INTRODUÇÃO: O tratamento preconizado para câncer de mama em estágios iniciais inclui cirurgia conservadora seguida de radioterapia pós-operatória de toda a mama. 85% das recidivas locais após cirurgia conservadora ocorrem próximas ao leito do tumor primário, sugerindo que a radioterapia de toda a mama possa não ser necessária. A radioterapia intra-operatoria (ELIOT) tem sido utilizada com o uso de acelerador linear móvel dedicado para este procedimento, inserido dentro de uma sala de cirurgia. O custo do equipamento (1 milhão de euros) torna esta possibilidade inviável para países em desenvolvimento. OBJETIVOS: O objetivo deste trabalho é avaliar a factibilidade da utilização da ELIOT no tratamento conservador do carcinoma de mama em estádios inicias, através da adaptação da sala da radioterapia em uma sala de cirurgia. PACIENTES E MÉTODOS: Pacientes com câncer de mama em estádio inicial (tumor único de até 2,5cm) candidatas à cirurgia conservadora, com idade superior a 45 anos são elegíveis para ELIOT. A sala do acelerador linear é transformada em sala cirúrgica, seguindo-se as exigências necessárias. A ELIOT é realizada após remoção do tumor primário com acelerador linear, liberando feixes de elétrons com uma isodose de 2.100cGy, produzindo uma energia de 8-10 MeV, de acordo com a espessura do parênquima mamário. RESULTADOS: A ELIOT, realizada no HSL da PUCRS desde janeiro de 2004, foi aplicada em 40 pacientes. Durante o seguimento, três pacientes apresentaram adensamento no local da irradiação, tendo diminuído significativamente com cerca de 15 dias pósoperatório. Em uma paciente houve recidiva local após 1,5 anos do tratamento inicial, tendo sido realizado mastectomia de resgate. Em uma paciente houve presença de mastite na vigência de cefalexina, tendo apresentando melhora com a utilização de levofloxacina. Não houve intercorrências clínicas ou complicações com relação à ferida operatória As pacientes submetidas ao procedimento tinham idade entre 45 e 80 anos, média de 63,25 anos. Os tumores de mama eram carcinoma ductal invasor em 31 casos, carcinoma lobular invasor em 8 e carcinoma medular atípico em 1 caso. Os tumores retirados, após avaliação anátomo-patológica apresentavam tamanhos que variaram de 0,5 a 2,6cm com tamanho médio de 1,6 cm. Em 8 casos o linfonodo sentinela foi positivo, tendo sido realizado dissecção axilar. A espessura de tecido mamário média irradiada foi de 1,77cm. A irradiação usada em todos os casos foi de 2100cGy, com energia que variou de 8-10MeV. O tempo médio cirúrgico foi de 92,5 minutos. CONCLUSÕES: A realização do procedimento a partir da transformação da sala do acelerador linear em uma sala de cirurgia, com a associação do procedimento cirúrgico e a radioterapia intra-operatória em dose única foi possível em todos os casos propostos. Sendo uma alternativa viável aos países em desenvolvimento para o tratamento conservador do carcinoma de mama, evitando longos períodos de radiação pós-operatória. Até o momento, os mesmos resultados em termos de controle local comparados ao tratamento convencional da doença foram atingidos.