1 UMA CRIANÇA EM RISCO PSICOSSOCIAL: UM ESTUDO EM WINNICOTT SOBRE OS VÍNCULOS PRIMÁRIOS Carina Ceron Benettão Rute Grossi Milani UMA CRIANÇA EM RISCO PSICOSSOCIAL: UM ESTUDO EM WINNICOTT SOBRE OS VÍNCULOS PRIMÁRIOS Carina Ceron Benettão1 Rute Grossi Milani2 Resumo Este artigo trata sobre o abandono psicológico e a privação afetiva de uma criança em seus vínculos primários, enfocando a importância do ambiente e da relação materna como facilitadores do amadurecimento do sujeito durante o seu desenvolvimento. Para tal, foi exposto um caso clínico de um menino em situação de risco psicossocial e investigaram-se os cuidados que recebeu em seu início de vida. Buscou-se relacionar estes cuidados iniciais com os sintomas que apresenta atualmente, pautando-se em uma leitura psicanalítica fundamentada na teoria winnicottiana. No caso apresentado, a criança representava em seu comportamento e desenhos a negligência de cuidados e a violência que era exposto por seus cuidadores. Quando houve um resgate da relação vincular com a mãe, a criança conseguiu se acalmar, transformando sua agressividade em algo construtivo, fortalecendo seus vínculos. Palavras-chave: Winnicott; relação mãe-bebê; desenvolvimento infantil; privação; violência. Abstract This article studies the psychological abandonment and the children emotional deprivation in their primary attachment, focusing on the importance of environment and maternal relationship as a facilitator of the individual maturation during its development. For this purpose, we exposed a clinical case of a child at psychosocial risk and investigated the care that he received in his early life. This study relates these 1 Psicóloga clínica, técnica de referência do Recanto Espírita Somos Todos Irmãos – Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, especialista em clínica psicanalítica pelo Núcleo de Educação Continuada do Paraná – NECPAR 2 Professora Titular do Centro Universitário de Maringá, psicóloga, doutora em Saúde Mental pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP. 2 initial treatments with the current symptoms, basing on a psychoanalytic reading founded on Winnicott's theory. In the presented case, the child demonstrated in he behavior and drawings, the lack of proper care as well as the violence which he was exposed to by her carers. When the child was able to reestablish the relationship bond with her mother, he was able to calm down, transforming aggression into something constructive, strengthening the bond even further. Keywords: Winnicott; mother-infant relationship; child development; deprivation; violence. 1. Introdução Este artigo trata sobre o abandono psicológico e a privação afetiva de uma criança em seus vínculos primários, enfocando a importância da relação materna através de uma leitura psicanalítica fundamentada na teoria winnicottiana. O interesse pelo tema surgiu da realidade de serviços socioassistenciais e de pessoas que trabalham neste contexto, que constantemente recebem queixas ou notícias de maus-tratos infantis, em que há violação dos direitos da criança e que as mesmas estão sendo expostas a situações de risco, como violência doméstica, física ou psicológica. As experiências vivenciadas entre criança e ambiente podem ser marcadas por diversos elementos estressores, em que, a criança necessita se dispor de recursos internos e de mecanismos de defesa, para se adaptar a essas situações. Existem vários fatores que podem tornar a criança mais vulnerável, dentre eles, estão às situações de risco psicossocial. Zavaschi (2009) aponta os seguintes fatores de risco em que as crianças são frequentemente submetidas: “vulnerabilidade neurológica, perdas por baixas condições econômicas, morte ou separação dos pais, traumas por exposição à violência e traumas por abuso sexual” (p.25). Pensando nesta problemática, justifica-se esta pesquisa pela necessidade de se conhecer e estudar as características do vínculo familiar, assim como, quais as repercussões desta relação vincular no desenvolvimento psíquico de um sujeito, principalmente, quando há uma falha nestes cuidados no início de sua vida. Busca-se contribuir para pesquisas na área da psicologia do desenvolvimento e da saúde mental infantil, especialmente, para profissionais que trabalham ou estão envolvidos com 3 crianças em situações de vulnerabilidade social, em que há a violação de direitos, e/ou que sofrem algum tipo de negligência em seus cuidados. É visível a importância que Winnicott (1983/1960) coloca na relação dual mãebebê como unidade básica humana, ao afirmar que o ambiente em que a criança se desenvolve necessita ser facilitador e satisfatório, para que seja impulsionada ao crescimento. Winnicott (1983/1960) diz que "o importante, é que a mãe através de sua identificação com o lactante sabe como o lactante se sente, de modo que é capaz de prover quase exatamente o que o lactante necessita em termos de holding e provisão do ambiente em geral" (p.52). Por isso, que é a preocupação materna que dará ao bebê a possibilidade de sentir-se pertencente ao mundo. Quanto mais a criança sentir que possui um ambiente seguro, que gradativamente fornece o processo de desilusão e a ensina a esperar, mais ela conseguirá se adaptar às exigências do meio, recebendo as bases para o amadurecimento de um aparelho psíquico ainda rudimentar, tornando mais fácil a sua tarefa de se estruturar e se organizar. Mélega (1997) coloca que é o estado de mente da mãe que faz com que a criança transforme suas comunicações em algo suportável para a mente e em respostas capazes de acalmá-la, oferecendo-lhe o que é necessário. A violência é outro tema presente em várias situações do nosso cotidiano, que é repercutido constantemente pela mídia através de notícias sensacionalistas, que destacam casos de forma isolada e sem um olhar diferenciado para essa realidade. A violência nos chama a atenção, principalmente, por parecer algo tão distante e estranho a nós, a não ser em momentos que somos o objeto em que se é direcionado o ato violento. Pensando nas inquietações em que o tema nos traz, faz-se necessário uma diferenciação entre a agressividade e o ato violento. A agressividade para Winnicott (1939/2005) é vida e é necessária. O autor acredita que a tentativa de impedir a saída da agressividade pode trazer consequências sérias ao psiquismo humano, pois a agressividade pode ser reparatória. Durante o desenvolvimento a criança recebe através de seus cuidados uma comunicação de que pode confiar na sua provisão ambiental e de que é amada. Quando há alguém para amar se segue a idéia da destruição, e se tudo vai bem com a criança, a destrutividade é sublimada em coisas como comer, chutar, brincar, competir. Se o indivíduo conseguir sobreviver a essa destruição, será amado por ter sobrevivido (Winnicott, 1968/2005). 4 A agressividade geralmente é uma representação da realidade interior que esta ruim demais para ser tolerada (Winnicott, 1939/2005). Corroborando a idéia, Moreira e Vilhena (2009) dizem que a agressividade atua apenas quando há um reconhecimento do outro, para endereçar sua reivindicação agressiva, em que o lugar do outro é o da autoridade. Já na violência o outro é apenas um objeto para o próprio gozo do sujeito, em que o outro é desqualificado e anulado, não tendo um reconhecimento. Os distúrbios de comportamento eram destacados por Winnicott (1967/2005) como manifestações da tendência anti-social, em que, as coisas com a criança iam bem e de repente ocorre uma mudança. Para o autor as carências ambientais provindas do início de vida de um bebê não causam as tendências anti-sociais, mas produzem distorções na personalidade que podem originar em psicoses. A tendência anti-social estaria relacionada à privação, que tem como característica um impulso para a criança voltar a um momento anterior ao da privação, para “desfazer o medo da ansiedade impensável ou da confusão que existiam antes que se organizasse o estado neutro” (Winnicott, 1967/2005, p.83). A criança teria alcançado a capacidade de perceber que a causa de seu sofrimento foi uma falha do ambiente, levando ao impulso de buscar a cura através da provisão ambiental. O comportamento anti-social é uma estratégia de sobrevivência da criança diante um ambiente privador (Maia, Zamora, Vilhena e Bittencourt, 2007). Desta forma, através de um olhar que compreenda que as atitudes anti-sociais seria um pedido de socorro da criança, pode-se modificar as formas de enfrentamento do problema, dando sentido para o ato delinquente, indo além da repressão e do castigo. Assim, não se repete e nem se fortalece a violência familiar. 2. Método É difícil pensar em um referencial teórico sem uma prática, a teoria se fundamenta no fenômeno da vida. Para compreender melhor o que foi exposto até o momento, será relatado o caso de um menino de nove anos, que em sua história de vida foi exposto a várias situações de violência e abandono psicológico, em que houve uma privação de seus cuidados, principalmente da figura materna. As informações do caso foram coletadas através de prontuário, observação do repertório comportamental da criança em seu cotidiano escolar e de intervenções grupais realizadas no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos que a criança frequenta. O estudo respeitou todos os princípios éticos da profissão, além do 5 cuidado em manter sigilo de qualquer informação que possa identificar os participantes do estudo de caso. Por isso, para expor o caso a criança terá o nome fictício de Felipe. É importante salientar também, que a análise dos dados coletados foi realizada de forma qualitativa, pois se tratam de informações subjetivas, adquiridas da forma que o sujeito apreende o mundo. Para a execução do estudo a proposta do tema passou pela avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário de Maringá – CESUMAR. O projeto foi aprovado por estar de acordo com os Princípios Éticos na Experimentação Humana adotada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Felipe frequenta um Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo no período contra turno. O Serviço respalda-se na política da Assistência Social, com o objetivo de atender demandas sociais, visando o desenvolvimento e manutenção de vínculos, compreendendo a dimensão subjetiva dos fenômenos sociais e coletivos. O programa desenvolve atividades conjuntas com crianças e familiares, com o objetivo de fortalecer vínculos, trabalhar com potencialidades e identificar situações de fragilidade para prevenir a ocorrência de negligência, pensando no cumprimento dos direitos da criança e suas famílias (Secretaria Nacional de Assistência Social, 2010). 3. Resultados e discussão A história de Felipe é composta por várias perdas, situações de violência e negligência de cuidados essenciais para a sua integridade física e emocional. A mãe de Felipe tem três filhos, todos de pais diferentes e que não assumiram a paternidade. Felipe é o filho do meio, e a sua gravidez foi descrita pela mãe como “acidental” e “indesejada” (sic). Quando nasceu, sua mãe e o irmão mais velho moravam com a tia materna, e a mãe relata que ele foi praticamente cuidado por essa tia até os seus dois anos de vida. Após seus dois anos de idade, mudaram para outra casa distante da tia, e sua mãe diz ter se ausentado quase completamente dos cuidados com Felipe até os seus sete anos. A mãe vivia em bares, se envolveu com drogas e prostituição. Neste período, foram vizinhos e parentes que olhavam por Felipe. Frequentemente ele passava o dia e parte da noite nas ruas. Felipe era exposto a várias situações de negligência em seu ambiente familiar. O tio usuário de crack morava ao lado de sua casa e fazia uso da droga na sua frente, era convidado por ele para assistir filmes pornográficos, e por várias vezes assistia estas 6 cenas na realidade. Cenas estas que Felipe representava em seus desenhos e no caderno dos colegas, demonstrando o quanto estava assustado com tudo que via e vivenciava. No início do desenvolvimento das atividades grupais, Felipe se recusava a obedecer as regras, dormia durante o desenvolvimento do grupo, tratava de forma impulsiva e agressiva seus colegas e profissionais. Nas atividades lúdicas quebrava brinquedos e degradava o espaço físico do Serviço. Testava constantemente este ambiente, verificando até onde ele aguentaria a expressão de seus conteúdos agressivos, já que não podiam ser manifestados em seu ambiente familiar, pois não eram contidos, mas sim inflamados. Precisava verificar se era realmente amado e se o ambiente que estava sobreviveria aos seus ataques (Winnicott, 1960/2005). Após algum tempo de desenvolvimento dos grupos pode-se perceber que Felipe estava menos agitado, conseguia produzir em grupo e reproduzir de maneira construtiva a sua realidade interna e externa. Os desenhos agressivos e com conteúdos sexuais que Felipe representava em seu caderno e no dos colegas foram substituídos por produções criativas, e gradativamente se destacava como um líder nos grupos. Porém, acredita-se que a diminuição de sua angústia e a melhoria do seu comportamento não foi uma conquista apenas do olhar dos profissionais da instituição e nem da própria capacidade de crescimento de Felipe, mas de um conjunto de fatores relacionados ao seu ambiente. Foi necessário fazer um trabalho voltado para toda a família, fortalecendo o vínculo mãe e filho que estava fragilizado. O trabalho realizado com a mãe foi através de um processo de aconselhamento. Inicialmente, foi necessário acolher o sentimento de angústia e as ansiedades que a mãe manifestava durante as sessões, para conseguir fazer qualquer tipo de intervenção ou orientação. Este acolhimento necessitou de um olhar sem julgamento e sem críticas, pois o reconhecimento da mãe da necessidade de receber ajuda já era o início do processo de reconstrução de sua história familiar, que precisava de muita compreensão e cuidado. Após algumas sessões de aconselhamento, em que foi trabalhada a retomada do vínculo mãe-filho, a mãe conseguiu se envolver afetivamente e passou a olhar para a queixa de Felipe, distinguindo quais eram as reais necessidades do filho e as dela. Em seu lar, a mãe conseguiu se acalmar e conter mais sua agressividade, passando a acolher a angústia de Felipe e dar significado a ela. Apesar da mãe de Felipe não ter modificado totalmente suas características sádicas e agressivas, era possível verificar que os impulsos sexuais e agressivos de 7 Felipe se acalmaram e diminuíram a intensidade de sua expressão no ambiente externo de sua casa, manifestando suas reivindicações dentro de seu quadro familiar, exigindo diretamente de quem se ausentou de sua vida um dia, ou seja, a figura materna. No Serviço de Convivência sua agressividade deu lugar a outras motivações e interesses, como o intelectual e o social. Conseguia lidar melhor com situações de conflito entre os colegas, não agredia mais, pedia ajuda. Um exemplo claro dessa evolução é do dia em que Felipe acertou uma bola no ventilador da sua sala, quebrando as hélices do ventilador. Após a situação, em uma atividade que tinha que criar uma caixa de presentes com sucatas, fez como enfeite um ventilador com todas as hélices, como tentativa de reparar simbolicamente o dano que tinha causado no ventilador da sua sala. Assim, é possível verificar que quando não há um ambiente suficientemente bom, protetor e que seria responsável pelas bases da formação da subjetividade de um indivíduo, surge um pedido de socorro. Felipe manifestava em seu comportamento o desespero que vivenciava internamente, que não conseguia compreender, simbolizar, mas apenas dramatizar. Como diz Winnicott (1968), testava o seu ambiente para verificar o quanto ele aguentaria sua destrutividade. Felipe não teve a presença de sua mãe em seu início de vida. Por mais que sua mãe biológica estivesse dentro da mesma casa, não conseguiu desenvolver a preocupação materna primária, pois não conseguia fazê-lo existir dentro de sua mente. De acordo com Mélega (2009) é o estado de mente da mãe que faz com que ela ofereça o que realmente a criança necessita, dando significado as suas comunicações e a acalmando. Diante essa situação, levanta-se um questionamento: Como pertencer ao mundo se o primeiro lugar que a criança existe é na mente dos seus pais? Um pai Felipe não tinha, e uma mãe? De alguma forma Felipe recebeu esses cuidados iniciais, alguém o olhou, identificou suas necessidades, se prontificou e o cuidou. A tia foi um representante materno, desempenhou a função de uma mãe suficientemente boa, que conseguiu identificar sua demanda física e emocional quando a mãe se ausentava. A partir deste cuidado inicial, Winnicott (1967/2005) diz que a criança consegue atingir a capacidade de reconhecer uma falha ambiental, perceber o outro e consegue endereçar suas reivindicações. Felipe não sofreu uma carência de cuidados essenciais, mas sim, uma privação. As coisas iam bem com Felipe, e de alguma forma se perderam. 8 Ao perceber que podia ser olhado e contido, conseguiu se acalmar. Conseguiu transformar a agressividade em algo construtivo e não era mais direcionada para um objeto com o desejo de destruir, mas a destrutividade pôde ser sublimada, prevenindo o surgimento da violência. Como diz Winnicott (1939/2005) a agressividade é vida, e neste caso a criança pôde utilizá-la para reparar suas relações e fortalecer seus vínculos. Considerações finais Através da exposição do fragmento de caso clínico, buscou-se analisar brevemente o histórico de vida de uma criança em situação de risco psicossocial, em que há sinais de abandono psicológico de seus cuidadores, e relacionar os dados obtidos com a teoria winnicottiana, focando na privação afetiva e na importância do ambiente como objeto facilitador do amadurecimento. O estudo procurou investigar os cuidados que a criança recebeu no seu início de vida, e verificar se haveria alguma relação deste cuidado inicial com os sintomas que a mesma apresenta no seu dia-a-dia atualmente. Pode-se compreender que quando ocorre uma falha no início de vida de uma criança, em um momento em que seja capaz de perceber que esta falha é provinda de seu meio, passa a reivindicar deste ambiente a causa da privação que sofreu. O atendimento grupal, juntamente com o processo de orientação com a mãe, apresentou-se neste caso como uma excelente ferramenta de trabalho que rendeu bons resultados, porém, necessitou muita dedicação, paciência, flexibilidade e confiança nos pressupostos terapêuticos traçados, já que houveram muitos momentos de recaídas do comportamento da mãe e da criança. É importante salientar que foi necessário dar continuidade às orientações realizadas à mãe. Foi realizado também o encaminhamento para tratamento psicoterapêutico individual para a criança, com o intuito de trabalhar questões de seu desenvolvimento que não eram possíveis de aprofundar nos trabalhos grupais, devido as limitações que a própria técnica possui. Neste estudo não foram abordados alguns temas que são importantes de serem discutidos no contexto deste caso clínico, como a ausência da figura paterna na vida de Felipe desde o momento de sua concepção, pois seu pai se negou assumir a paternidade. Felipe apresentava uma falha na função paterna, onde a mãe tinha que desempenhar as duas funções, sobrecarregando o seu papel e dificultando ainda mais a sua realidade. 9 Porém, esta seria uma sugestão para futuras pesquisas, que complementariam o estudo em questão. No caso apresentado a criança não estava tendo de seu ambiente a proteção necessária para continuar no curso normal para um desenvolvimento saudável. Utilizava o seu ambiente como um cenário para representar o pesadelo que vivia fora e dentro de si mesmo. Assim, a agressão não foi negada, mas compreendida. Abriu-se caminho para o desejo de reparação e de organização do aparelho psíquico. A agressividade passou a ter outros destinos, que não passava pela destruição, mas para a sublimação. Desta forma, acredita-se que ao ajudar essas pessoas com histórico de rupturas no desenvolvimento inicial, a refazer a narrativa de sua história e a resgatar as suas raízes, buscando o momento em que ocorreu o trauma e a falta de algo que era bom e satisfatório, pode-se conseguir reorganizar o seu psiquismo e reestruturar os vínculos familiares, modificando o ciclo de violência. Através de um olhar compreensivo e acolhedor, os pais e as crianças têm a chance de reparar os danos causados e fantasiados, surgindo a esperança para a reestruturação de algo que tinha se perdido. Referências Maia, Maria Vitória Campos Memede; Zamora, Maria Helena Rodrigues Navas; Vilhena, Junia De; Bittencourt, Maria Inês. (2007) Crianças impossíveis: quem as quer, quem se importa com elas? Psicologia em Estudo, 02 (12), 335-342. Mélega, Marisa Pelella (1997). A importância da construção do vínculo no desenvolvimento do indivíduo. In: Fitchener, Nilo. Prevenção, diagnóstico e tratamento dos transtornos mentais da infância e da adolescência. Rio Grande do Sul: Artes Médicas. Moreira, Ana Cleide Guedes; Vilhena, Junia de; Cruz, Almeida, Alexandre Theo de; Novaes, Joana de Vilhena. (2009) Quem tem medo do lobo mau? Juventude, agressividade e violência. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 04 (12), 677-197. Secretaria Nacional de Assistência Social, Departamento de Proteção Social Básica (2010). Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para crianças de 06 anos e suas famílias. Brasília. Winnicott, D. W. (2005). Agressão. In: Privação e delinquência. (A. Cabral, Trad.). 4ª ed. São Paulo: Martins Fontes, (Original publicado em 1939). Winnicott, D. W. (1983). Teoria do relacionamento paterno-infantil. In: O ambiente e os processos de maturação: estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. (P. Sandler, Trad.). Porto Alegre: Artes Médicas, (Original publicado em 1960). 10 Winnicott, D. W. (2005). A delinquência como sinal de esperança. In: Tudo começa em casa. (P. Sandler, Trad.). 4ª ed. São Paulo: Martins Fontes, (Original publicado em 1967). Winnicott, D. W. (2005). O aprendizado infantil. In: Tudo começa em casa. (P. Sandler, Trad.). 4ª ed. São Paulo: Martins Fontes, (Original publicado em 1968). Zavaschi, Maria Lecrécia Scherer e cols (2009). Crianças e adolescentes vulneráveis: o atendimento interdisciplinar nos centros de atenção psicossocial. Porto Alegre: Artmed.