Professor
Disciplina
Lista nº
Wanelli Amorim
Português
2
Assuntos
Diversidade textual
ENEM 2003
No ano passado, o governo promoveu uma campanha a fim de reduzir os índices de violência. Noticiando
o fato,
um jornal publicou a seguinte manchete:
CAMPANHA CONTRA A VIOLÊNCIA DO GOVERNO DO ESTADO ENTRA EM NOVA FASE
1. A manchete tem um duplo sentido, e isso dificulta o entendimento. Considerando o objetivo da notícia,
esse problema poderia ter sido evitado com a seguinte redação:
(A) Campanha contra o governo do Estado e a violência entram em nova fase.
(B) A violência do governo do Estado entra em nova fase de Campanha.
(C) Campanha contra o governo do Estado entra em nova fase de violência.
(D) A violência da campanha do governo do Estado entra em nova fase.
(E) Campanha do governo do Estado contra a violência entra em nova fase.
A Propaganda pode ser definida como divulgação intencional e constante de mensagens destinadas a um
determinado auditório visando criar uma imagem positiva ou negativa de determinados fenômenos. A
Propaganda está muitas vezes ligada à idéia de manipulação de grandes massas por parte de pequenos
grupos. Alguns princípios da Propaganda são: o princípio da simplificação, da saturação, da deformação
e da parcialidade.
(Adaptado de Norberto Bobbio, et al. Dicionário de Política)
2. Segundo o texto, muitas vezes a propaganda:
(A) não permite que minorias imponham idéias à maioria.
(B) depende diretamente da qualidade do produto que é vendido.
(C) favorece o controle das massas difundindo as contradições do produto.
(D) está voltada especialmente para os interesses de quem vende o produto.
(E) convida o comprador à reflexão sobre a natureza do que se propõe vender.
Do pedacinho de papel ao livro impresso vai uma longa distância. Mas o que o escritor quer, mesmo, é
isso: ver o seu texto em letra de forma. A gaveta é ótima para aplacar a fúria criativa; ela faz amadurecer
o texto da mesma forma que a adega faz amadurecer o vinho. Em certos casos, a cesta de papel é melhor
ainda. O período de maturação na gaveta é necessário, mas não deve se prolongar muito. ‘Textos
guardados acabam cheirando mal’, disse Silvia Plath, (...) que, com esta frase, deu testemunho das
dúvidas que atormentam o escritor: publicar ou não publicar? guardar ou jogar fora?
(Moacyr Scliar. O escritor e seus desafios.)
3. Nesse texto, o escritor Moacyr Scliar usa imagens para refletir sobre uma etapa da criação literária. A
idéia de que o processo de maturação do texto nem sempre é o que garante bons resultados está sugerida
na seguinte frase:
(A) “A gaveta é ótima para aplacar a fúria criativa.”
(B) “Em certos casos, a cesta de papel é melhor ainda.”
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(C) “O período de maturação na gaveta é necessário, (...).”
(D) “Mas o que o escritor quer, mesmo, é isso: ver o seu texto em letra de forma.”
(E) “ela (a gaveta) faz amadurecer o texto da mesma forma que a adega faz amadurecer o vinho.”
Eu começaria dizendo que poesia é uma questão de linguagem. A importância do poeta é que ele torna
mais viva a linguagem. Carlos Drummond de Andrade escreveu um dos mais belos versos da língua
portuguesa com duas palavras comuns: cão e cheirando.
Um cão cheirando o futuro
(Entrevista com Mário Carvalho. Folha de SP, 24/05/1988. adaptação)
4. O que deu ao verso de Drummond o caráter de inovador da língua foi:
(A) o modo raro como foi tratado o “futuro”.
(B) a referência ao cão como “animal de estimação”.
(C) a flexão pouco comum do verbo “cheirar” (gerúndio).
(D) a aproximação não usual do agente citado e a ação de “cheirar”.
(E) o emprego do artigo indefinido “um” e do artigo definido “o” na mesma frase.
5. O humor presente na tirinha decorre principalmente do fato de a personagem Mafalda:
(A) atribuir, no primeiro quadrinho, poder ilimitado ao dedo indicador.
(B) considerar seu dedo indicador tão importante quanto o dos patrões.
(C) atribuir, no primeiro e no último quadrinhos, um mesmo sentido ao vocábulo “indicador”.
(D) usar corretamente a expressão “indicador de desemprego”, mesmo sendo criança.
(E) atribuir, no último quadrinho, fama exagerada ao dedo indicador dos patrões.
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6. O texto aponta no quadro de Tarsila do Amaral um tema que também se encontra nos versos transcritos
em:
(A) “Pensem nas meninas Cegas inexatas
Pensem nas mulheres Rotas alteradas.”
(Vinícius de Moraes)
(B) “Somos muitos severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima.”
(João Cabral de Melo Neto)
(C) “O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada em arquivos.”
(Ferreira Gullar)
(D) “Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos
os sonhos do mundo.”
(Fernando Pessoa)
(E) “Os inocentes do Leblon
Não viram o navio entrar (...)
Os inocentes, definitivamente inocentes tudo
ignoravam,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam pelas costas, e aquecem.”
(Carlos Drummond de Andrade)
7. O texto abaixo é um trecho do discurso do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, pronunciado
quando da declaração de guerra ao regime Talibã:
Essa atrocidade [o atentado de 11 de setembro, em Nova York] foi um ataque contra todos nós, contra
pessoas de todas e nenhuma religião. Sabemos que a Al-Qaeda ameaça a Europa, incluindo a GrãBretanha, e qualquer nação que não compartilhe de seu fanatismo. Foi um ataque à vida e aos meios de
vida. As empresas aéreas, o turismo e outras indústrias foram afetadas e a confiança econômica sofreu,
afetando empregos e negócios britânicos. Nossa prosperidade e padrão de vida requerem uma resposta
aos ataques terroristas.
(O Estado de S. Paulo, 8/10/2001)
Nesta declaração, destacaram-se principalmente os interesses de ordem
(A) moral.
(B) militar.
(C) jurídica.
(D) religiosa.
(E) econômica.
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ENEM 2004
O jivaro
Um Sr. Matter, que fez uma viagem de exploração à América do Sul, conta a um jornal sua conversa com
um índio jivaro, desses que sabem reduzir a cabeça de um morto até ela ficar bem pequenina. Queria
assistir a uma dessas operações, e o índio lhe disse que exatamente ele tinha contas a acertar com um
inimigo. O Sr. Matter:
― Não, não! Um homem, não. Faça isso com a cabeça de um macaco.
E o índio:
― Por que um macaco? Ele não me fez nenhum mal!
(Rubem Braga)
8. O assunto de uma crônica pode ser uma experiência pessoal do cronista, uma informação obtida por ele
ou um caso imaginário. O modo de apresentar o assunto também varia: pode ser uma descrição objetiva,
uma exposição argumentativa ou uma narrativa sugestiva. Quanto à finalidade pretendida, pode-se
promover uma reflexão, definir um sentimento ou tão-somente provocar o riso. Na crônica O jivaro,
escrita a partir da reportagem de um jornal, Rubem Braga se vale dos seguintes elementos:
Assunto
Modo de apresentar
Finalidade
(A) caso imaginário, descrição objetiva, provocar o riso
(B) informação colhida, narrativa sugestiva, promover reflexão
(C) informação colhida, descrição objetiva, definir um sentimento
(D) experiência pessoal, narrativa sugestiva, provocar o riso
(E) experiência pessoal, exposição argumentativa, promover reflexão
Cidade grande
Que beleza, Montes Claros.
Como cresceu Montes Claros.
Quanta indústria em Montes Claros.
Montes Claros cresceu tanto,
ficou urbe tão notória,
prima-rica do Rio de Janeiro,
que já tem cinco favelas
por enquanto, e mais promete.
(Carlos Drummond de Andrade)
9. Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a:
(A) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à própria linguagem.
(B) intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros textos.
(C) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica.
(D) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido próprio e objetivo.
(E) prosopopéia, que consiste em personificar coisas inanimadas, atribuindo-lhes vida.
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Texto II Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
(Alberto Caeiro)
10. A tira “Hagar” (I) e o poema de Alberto Caeiro (II - um dos heterônimos de Fernando Pessoa)
expressam, com linguagens diferentes, uma mesma idéia: a de que a compreensão que temos do mundo
é condicionada, essencialmente,
(A) pelo alcance de cada cultura.
(B) pela capacidade visual do observador.
(C) pelo senso de humor de cada um.
(D) pela idade do observador.
(E) pela altura do ponto de observação.
Gabarito ENEM
1. E
2. D
3. B
4. A
5. C
6. B
7. E
8. B
9. C
10. A
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UERJ 2005
1 - O anúncio, concebido para uma campanha contra drogas, utiliza pouco a linguagem verbal.
Entretanto, o elemento verbal utilizado nesse anúncio ganha força pela seguinte razão:
(A) explora o campo sonoro da língua, desvinculando a imagem do som;
(B) é ambivalente, evocando a designação de uma droga e as conseqüências de seu uso;
(C) constitui um neologismo, levando ao estranhamento do receptor e à aversão às drogas;
(D) apresenta clareza, evidenciando as marcas do desolamento e da solidão no rosto da pessoa retratada.
2 - O emprego de ponto ao final da palavra crack, no anúncio, é um recurso utilizado para mostrar que:
(A) a legenda constitui enunciado completo, expressando idéia de princípio, meio e fim
(B) a mensagem tem caráter moralizante, ressaltando o potencial destrutivo das drogas
(C) a construção fere a norma padrão da língua, enfatizando o impacto da mensagem
(D)a palavra adquire valor onomatopéico, reproduzindo o som da fratura presente na imagem
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3 - Para atrair a atenção do receptor, essa propaganda substitui o discurso autoritário pela linguagem da
sedução. Dentre os recursos para seduzir seu público-alvo, a propaganda não se utiliza de:
(A) diminutivos que invocam a inocência e o poder de atração de potenciais consumidoras;
(B) marcas de interlocução que atraem a atenção e a confiança para o produto anunciado;
(C) enfoques sintéticos que harmonizam a imagem apresentada e as seqüências textuais;
(D) ironias que destacam a idéia de prazer e a possibilidade de novas conquistas.
4 - A citação de um conto infantil – Chapeuzinho Vermelho – desperta a simpatia do consumidor para o
produto anunciado ao compartilhar conhecimentos. Na propaganda apresentada, esse conto é retomado
pelo uso da seguinte estratégia:
(A) eliminação de seus personagens originais
(B) valorização de seu conteúdo moralizante
(C) confirmação de seu final feliz
(D) subversão de seu enredo
UERJ 2006
Nem a Rosa, Nem o Cravo
As frases perdem seu sentido, as palavras perdem
sua significação costumeira, como dizer das árvores
e das flores, dos teus olhos e do mar, das canoas e
do cais, das borboletas nas árvores, quando as
crianças são assassinadas friamente pelos nazistas?
Como falar da gratuita beleza dos campos e das
cidades, quando as bestas soltas no mundo ainda
destroem os campos e as cidades?
Já viste um loiro trigal balançando ao vento? É das
coisas mais belas do mundo, mas os hitleristas e
seus cães danados destruíram os trigais e os povos
morrem de fome. Como falar, então, da beleza,
dessa beleza simples e pura da farinha e do pão, da
água da fonte, do céu azul, do teu rosto na tarde?
Não posso falar dessas coisas de todos os dias, dessas
alegrias de todos os instantes. Porque elas estão
perigando, todas elas, os trigais e o pão, a farinha e
a água, o céu, o mar e teu rosto. (...) Sobre toda a
beleza paira a sombra da escravidão. É como u’a
nuvem inesperada num céu azul e límpido. Como
então encontrar palavras inocentes, doces palavras
cariciosas, versos suaves e tristes? Perdi o sentido
destas palavras, destas frases, elas me soam como
uma traição neste momento.
(...)
Mas eu sei todas as palavras de ódio e essas, sim,
têm um significado neste momento. Houve um
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dia em que eu falei do amor e encontrei para ele os
mais doces vocábulos, as frases mais trabalhadas.
Hoje só o ódio pode fazer com que o amor perdure
sobre o mundo. Só o ódio ao fascismo, mas um
ódio mortal, um ódio sem perdão, um ódio que
venha do coração e que nos tome todo, que se faça
dono de todas as nossas palavras, que nos impeça
de ver qualquer espetáculo – desde o crepúsculo
aos olhos da amada – sem que junto a ele vejamos
o perigo que os cerca.
amais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas
seriam de esperança. Jamais os livros diriam coisas
belas, nunca mais seria escrito um verso de amor.
Sobre toda a beleza do mundo, sobre a farinha e o
pão, sobre a pura água da fonte e sobre o mar, sobre
teus olhos também, se debruçaria a desonra que é o
nazifascismo, se eles tivessem conseguido dominar
o mundo. Não restaria nenhuma parcela de beleza,
a mais mínima. Amanhã saberei de novo palavras
oces e frases cariciosas. Hoje só sei palavras de ódio,
palavras de morte. Não encontrarás um cravo ou
uma rosa, uma flor na minha literatura. Mas
encontrarás um punhal ou um fuzil, encontrarás
uma arma contra os inimigos da beleza, contra
queles que amam as trevas e a desgraça, a lama e os
esgotos, contra esses restos de podridão que
sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade!
(AMADO, Jorge. Folha da Manhã, 22/04/1945.)
5 - O uso das palavras rosa e cravo é recusado pelo enunciador do texto de Jorge Amado. Essa recusa
ocorre, pois essas palavras assumem, no texto, o sentido de:
(A) ameaça
(B) alienação
(C) infelicidade
(D) cumplicidade
6 - Para expressar um ponto de vista definido, o enunciador de Nem a rosa, nem o cravo emprega
determinados recursos discursivos. Um desses recursos e a justificativa para seu uso estão presentes em:
(A) emprego da 1a pessoa – discussão de um tema polêmico
(B) resgate de práticas pessoais passadas – conservação de uma visão de mundo
(C) interlocução direta com os possíveis leitores – fortalecimento de um pacto de omissão
(D) presença de um interlocutor em 2a pessoa – desenvolvimento de uma estratégia de confissão
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7 - O enunciador do texto defende, como modo de reação às crueldades referidas, a utilização das mesmas
armas dos agressores. O trecho em que essa idéia se apresenta mais claramente é:
(A) “Sobre toda a beleza paira a sombra da escravidão.” (l. 18 - 19)
(B) “Houve um dia em que eu falei do amor e encontrei para ele os mais doces vocábulos,” (l. 26 - 28)
(C) “Hoje só o ódio pode fazer com que o amor perdure sobre o mundo.” (l. 29 - 30)
(D) “Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de esperança.” (l. 37 - 38)
8 - As seqüências textuais e as imagens das propagandas destacam a violência característica do dia-a-dia
da prática jornalística. Dos recursos das propagandas abaixo apresentados, aquele que não está
corretamente justificado é:
(A) mensagem de denúncia de abusos – motiva o armamento contra a opressão
(B) informação estatística sobre vítimas – revela a dificuldade de trabalho seguro
(C) lápis quebrado com sangue – indica a morte de profissionais da imprensa
(D) pássaro de jornal com asa rasgada – alude à prisão de jornalistas
9 - Nas propagandas I e II, os textos verbais que melhor sintetizam as idéias presentes nas imagens são,
respectivamente:
(A) A LIBERDADE É UMA CONQUISTA / 180 JORNALISTAS ESTÃO PRESOS EM 22 PAÍSES
(B) 500 JORNALISTAS FORAM MORTOS EM AÇÃO, NO MUNDO, DESDE 1986. / A
LIBERDADE É UMA CONQUISTA
(C) 3 DE MAIO – DIA MUNDIAL DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO / 3 DE MAIO – DIA
MUNDIAL DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO
(D) 500 JORNALISTAS FORAM MORTOS EM AÇÃO, NO MUNDO, DESDE 1986. / 180
JORNALISTAS ESTÃO PRESOS EM 22 PAÍSES
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10 - Nessa propaganda, para expressar a necessidade de erradicação do trabalho escravo, as ferramentas
apresentam um valor simbólico representado como:
(A) armas de defesa que sugerem medo de transformações
(B) grades de prisão que marcam a intensidade da exploração
(C) instrumentos de luta que mostram o poder dos exploradores
(D) objetos de tortura que expressam a insignificância do trabalho
Gabarito UERJ
1. B
2. A
3. D
4. D
5. B
6. D
7. C
8. A
9. D
10. B
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