1 2 PARTIDOS E ELEIÇÕES NO PARANÁ: UMA ABORDAGEM HISTÓRICA Adriano Nervo Codato Fernando José dos Santos (orgs.) TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO PARANÁ - 60 ANOS - 3 Tribunal Regional Eleitoral do Paraná © Copyright dos autores Direção Direção: Ivan Gradowski Coordenação Coordenação: Ana Flora França e Silva Capa e projeto gráfico: Milena Nervo Codato e Daniel Amaral Vilela Revisão técnica técnica: Gustavo Biscaia de Lacerda Fábia Berlatto Partidos e eleições no Paraná: uma abordagem histórica Suplemento: PARANÁ ELEITORAL Edição Comemorativa: 60 anos - Tribunal Regional Eleitoral do Paraná ISBN 85-60558-00-4 Ciência Política. Direito Eleitoral. Direito Político. Direito Partidário. Eleições. Partidos Políticos. Sociologia Política. CDD 341.2805 Tiragem: 1.500 exemplares Os conceitos e interpretações contidos nos trabalhos assinados são de exclusiva responsabilidade de seus autores. 4 Quem não se preocupa com os fatos não pode entender a política. Robert Dahl Análise política moderna, 1976. 5 6 SUMÁRIO Prefácio (Sérgio Soares Braga) ....................................................................................9 Sobre os autores ........................................................................................................13 Apresentação: Des. Clotário de Macedo Portugal Neto...............................................15 Introdução: Novos horizontes para o estudo da política institucional no Paraná (Adriano Nervo Codato) ..........................................................17 Lista de siglas .............................................................................................................23 Anos 1940 1. A SEMILEGALIDADE CONSENTIDA: O desempenho eleitoral do Partido Comunista no Paraná em meados do século XX Márcio Kieller .............................................................................................................25 Anos 1950 2. O VOTO INTEGRALIST ARANÁ: INTEGRALISTAA NO PPARANÁ: Uma análise das eleições presidenciais de 1955 Amanda Litzinger Gomes ..............................................................................................45 Anos 1960 e 1970 3. A VOT AÇÃO DO MDB DO PPARANÁ: ARANÁ: VOTAÇÃO Uma análise histórica (1966 e 1978) Moacir Ribeiro de Carvalho Júnior ..............................................................................69 4. A VOT AÇÃO DA ARENA NO PPARANÁ: ARANÁ: VOTAÇÃO Uma análise histórica (1966 e 1978) Jorge Eduardo França Mosquera ..................................................................................95 Anos 1980 5. OPÇÃO PELO POPULISMO: Dissidência política e renovação eleitoral no município de Ponta Grossa Emerson Urizzi Cervi .................................................................................................125 Anos 1990 6. CLIENTELISMO ELEITORAL E CORONELISMO POLÍTICO: Estudo de um pequeno município paranaense Alessandro Cavassin Alves .........................................................................................147 7 7. GEOGRAFIA DO VOTO DE ESQUERDA NO PPARANÁ: ARANÁ: Uma análise do desempenho eleitoral do PT nas eleições presidenciais (1989-2002) Luzia Maristela Cabreira Bonette ...............................................................................171 8. CORRUPÇÃO ELEITORAL NO PPARANÁ: ARANÁ: Um estudo de caso das eleições municipais de 1996 Fernando José dos Santos .........................................................................................187 9. POLÍTICA LOCAL E A OCUP AÇÃO DE CARGOS ELETIVOS OCUPAÇÃO EM CURITIBA (1985-2000) Louise Ronconi de Nazareno ......................................................................................219 Anos 2000 10. INSTITUCIONALIZAÇÃO PPARTIDÁRIA: ARTIDÁRIA: Uma discussão empírica a partir do caso do PFL do Paraná Emerson Urizzi Cervi & Adriano Nervo Codato .........................................................245 8 PREFÁCIO Um sintoma da crescente institucionalização e profissionalização da Ciência Política no Brasil é o surgimento de um corpus cada vez mais amplo e consistente de estudos que tomam como objeto de análise atores, instituições e processos políticos nas esferas subnacionais de governo. É cada vez maior e, mais importante, de maior qualidade o número de trabalhos que buscam analisar processos políticos nos estados e municípios brasileiros, investigando de maneira mais sistemática e profunda as características e a diversidade dos vários “subsistemas” políticos que coexistem em nosso espaço territorial, para empregar uma expressão de uso consagrado por este tipo de literatura. O presente livro, organizado por Adriano Nervo Codato e Fernando José dos Santos, se insere dentro desse contexto de aumento do interesse da corrente dominante da Ciência Política brasileira pelas unidades político-administrativas subnacionais. Entretanto os textos contidos nessa coletânea apresentam algumas características específicas e qualidades que não são comuns de serem encontradas nesses tipos de estudos e para as quais gostaríamos de chamar a atenção do leitor deste prefácio com vistas a estimulá-lo desde logo a consultar da maneira mais atenta possível, uma a uma, as importantes contribuições incluídas nesta obra coletiva. Em primeiro lugar, devemos destacar o fato de o presente livro ser um ótimo exemplo do tipo de intercâmbio que pode e deve haver entre a pesquisa acadêmica, que se realiza na universidade (no caso, os pesquisadores integrantes do Núcleo de Pesquisa em Sociologia Política Brasileira, da UFPR), e o importante trabalho de preservação, sistematização e organização de informações realizado por instituições da idoneidade e do porte do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. Nesse sentido, as pesquisas compiladas neste livro são uma excelente amostra do tipo de resultados que pode produzir tal cooperação, se conduzidas por profissionais dedicados e efetivamente comprometidos com a divulgação dos dados contidos nos acervos desses órgãos públicos para setores mais amplos da população. Dados e informações estes aqui postos à disposição do público especializado e do leitor comum no seu grau mais elevado de tratamento analítico, ou seja, na forma de exposição dos resultados de pesquisas científicas. Outra característica importante do livro, para a qual o leitor deve estar desde logo atento, é a de que, embora “empiricamente orientados”, os textos constantes deste trabalho fogem do empirismo de cunho descritivo presente em boa parte dos estudos sobre as unidades subnacionais brasileiras, especialmente os produzidos sob o influxo teórico-metodológico de certos modismos acadêmicos que, de tempos em tempos, assolam a politologia nacional. 9 Ao contrário, embora amplamente ilustrados por evidências empíricas, cada um dos textos contidos na coletânea traz, subjacente ao processo de exposição dos resultados das pesquisas, a “problematização” de determinados conceitos ou hipóteses teóricas que dão sentido e consistência analítica ao processo de coleta e sistematização de tais evidências. Assim sendo, um amplo leque de problemas de cunho propriamente teórico é examinado no conjunto dos artigos, tais como: a participação eleitoral de partidos de esquerda num contexto de “democracia restringida”; as várias hipóteses explicativas para as causas do pitoresco voto paranaense num candidato conservador nas eleições presidenciais de 1955 (o ex-integralista Plínio Salgado); o comportamento eleitoral e a institucionalização política dos dois grandes partidos durante a vigência do bipartidarismo autoritário no País (Arena e MDB); as causas da reemergência do populismo num pequeno município do interior do estado; a sobrevivência de uma espécie de “neocoronelismo”, em plena entrada do século XXI, em um pequeno município da região metropolitana de Curitiba; a distribuição espacial dos sufrágios nas últimas eleições majoritárias para presidente da República nos principais colégios eleitorais do estado; o padrão de corrupção eleitoral observado nas eleições municipais no Paraná em 1996, através dos julgados de um tribunal; as relações entre o Executivo e o Legislativo e o padrão de recrutamento das coalizões e de comportamento dos vereadores nas últimas gestões da prefeitura de Curitiba; e, para coroar o processo expositivo, a proposição de um modelo de análise que possibilite a verificação empírica do “grau de institucionalização” das agremiações partidárias, procedimento analítico corajoso e ambicioso no bom sentido do termo, que nos permite refletir de maneira mais fundamentada sobre um dos mais controversos conceitos da Ciência Política (o de “grau de institucionalização”). Basta a mera enumeração desses significativos problemas de análise política para verificarmos a riqueza e abrangência dos textos contidos nesta compilação. Por sua vez, essa variedade temática é complementada por uma amplitude cronológica que possibilita ao leitor uma visualização abrangente da evolução do “subsistema político” paranaense, desde os primórdios de criação das primeiras instituições democráticas no pós-II Guerra Mundial, quando os partidos semiclandestinos de esquerda ainda necessitavam utilizar subterfúgios para apresentar em outras legendas seus candidatos aos pleitos eleitorais, até os tempos presentes, quando uma outra esquerda, agora no poder, enfrenta os desafios e os dilemas da institucionalização partidária e do “ser governo”, ou seja, do estar na vanguarda do próprio processo de elaboração e de implementação de políticas governamentais, podendo, portanto, ser responsabilizada por seus acertos e desacertos. Por fim, gostaríamos de chamar a atenção para uma derradeira qualidade do trabalho que, nem por ser a última, deixa de ser da maior relevância. É que, embora centrados na análise de processos políticos ocorridos numa unidade subnacional específica da região Sul do País, nada mais estranho aos vários textos contidos nessa coletânea do que o provincianismo empolado que consiste em afirmar, a priori e sem o cotejo sistemático com estudos de cunho comparativo, a “singularidade” ou a “diferença” específica dos processos políticos ocorridos no estado do Paraná vis-à-vis outras unidades da federação. 10 Ao contrário, são problemas e preocupações universais da Ciência e da Teoria Políticas que fazem parte do foco de interesses dos artigos e de seus autores, destituídos de qualquer intencionalidade apologética em relação aos atores participantes de tais processos, ou da preocupação algo provinciana com a “singularidade” dos fenômenos observados ou com a “identidade” sociológica e cultural de uma determinada região, um tipo de preocupação ainda presente em certa categoria de estudos históricos e sociológicos a respeito das unidades subnacionais brasileiras, e que nem sempre produz resultados analíticos fecundos. Essa amplitude de vistas e densidade teórica, cujo sintoma mais patente é o bom nível do diálogo empreendido com a literatura contemporânea produzida em vários ramos das ciências sociais, faz com que Partidos e eleições no Paraná possa ser consultado com proveito não apenas pelos leitores interessados nos problemas referentes à história e à política paranaenses, mas também por pesquisadores e analistas de outros estados que buscam inspiração e parâmetros analíticos comparativos para a realização de pesquisas noutras esferas subnacionais. Todas estas características e qualidades dos artigos contidos nessa coletânea – dentre outras que o leitor atento perceberá ao percorrer os textos _ estão presentes de forma concentrada neste livro, certamente devido à capacidade aglutinadora de seus organizadores e sua dedicação ao trabalho coletivo de pesquisa. Sendo assim, resta ao prefaciador parabenizar os autores e as instituições envolvidos na elaboração deste trabalho que _ sem favor algum e para usar uma expressão que nem por ser um clichê deixa de ser verdadeira _ constitui-se numa referência obrigatória para os estudos sobre “partidos e eleições” nas unidades subnacionais brasileiras, e não apenas no estado do Paraná. Como corolário dessas já longas considerações, resta-nos apenas fazer votos para que a publicação deste livro inspire e estimule pesquisadores de outros estados e municípios brasileiros a interagir da mesma forma com as respectivas instituições públicas, para produzirem estudos da mesma qualidade e relevância que os contidos nesta importante obra. Sérgio Soares Braga Curitiba, maio de 2006. 11 12 SOBRE OS AUTORES ADRIANO NERVO CODATO Adriano Nervo Codato é professor de Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador do Núcleo de Pesquisa em Sociologia Política Brasileira. É autor de Sistema estatal e política econômica no Brasil pós-64. Sao Paulo: Hucitec/ ANPOCS/Ed. da UFPR, 1997; e Political Transition and Democratic Consolidation: Studies on Contemporary Brazil. New York; Nova Science, 2006. É editor da Revista de Sociologia e Política. ALESSANDRO CAVASSIN ALVES Alessandro Cavassin Alves é mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Bacharel em Ciências Sociais também pela UFPR. AMANDA LITZINGER GOMES Amanda Litzinger Gomes é Bacharel em Ciências Socias pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e Especialista em Gestão de Políticas, Programas e Projetos Sociais, pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). EMERSON URIZZI CERVI Emerson Urizzi Cervi é graduado em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e concluiu o mestrado em Sociologia na Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2002. Cursa o doutorado em Ciência Política no Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ). Atualmente é professor das Faculdades Integradas do Brasil (UniBrasil) e Professor do Curso de Especialização em Sociologia Política da Universidade Federal do Paraná. Atua na área de Ciência Política, com ênfase em comunicação política, opinião pública e comportamento eleitoral. FERNANDO JOSÉ DOS SANTOS Fernando José dos Santos é Assessor Técnico de Sessões e editor da revista Paraná Eleitoral no TRE/PR, Professor de Direito Eleitoral nas Faculdades Integradas do Brasil, co-autor de Crimes Eleitorais e Outras Infringências, Juruá Editora, 2ª Edição, 1996. JORGE EDUARDO FRANÇA MOSQUERA Jorge Eduardo França Mosquera é jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Foi repórter e editor em jornais de Curitiba, correspondente de esportes de O Globo, correspondente de Veja e chefe da sucursal de O Estado de S. Paulo. Atualmente, é coordenador de conteúdo do site da Prefeitura de Curitiba. Especializou- se em Sociologia Política pela UFPR e cursa Direito nas Faculdades Integradas do Brasil (UniBrasil). 13 LOUISE RONCONI DE NAZARENO Louise Ronconi de Nazareno é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP). Socióloga do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES), é também professora do curso de graduação em Ciência Política da Faculdade Internacional de Curitiba (FACINTER). LUZIA MARISTELA CABREIRA BONETTE Luzia Maristela Cabreira Bonette é Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Especialista em Sociologia Política, também pela UFPR, fez pós-graduação em Formação Pedagógica do Professor Universitário e é mestranda em Educação na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). MÁRCIO KIELLER Márcio Kieller é Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mestre em Sociologia também pela UFPR e foi professor de Ciência Política da Faculdade Internacional de Curitiba (FACINTER). É autor do livro: PCB/PCdoB: a unidade comunista no Brasil (Ibert, 2002). MOACIR RIBEIRO DE CARVALHO JÚNIOR Moacir Ribeiro de Carvalho Júnior é graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), advogado em Curitiba, tem Especialização em Sociologia Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e é mestrando em Gestão Urbana na PUC-PR. 14 APRESENTAÇÃO Logo após a minha posse na presidência do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná chegou-me a solicitação para minutar a apresentação de um livro organizado pelo servidor Fernando José dos Santos, responsável pela já reconhecida revista “Paraná Eleitoral”, e pelo professor Adriano Nervo Codato. O livro intitulado Partidos e eleições no Paraná: uma abordagem histórica foi levado a efeito pela parceria inédita e importantíssima, digo desde já, com o Núcleo de Pesquisa em Sociologia Política Brasileira, vinculado ao Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná, sob o patrocínio do Tribunal Eleitoral do Paraná. Despido de qualquer sentimento de vaidade, mas tomado completamente pelo orgulho, não posso deixar de registrar um fato histórico curioso, máxime em consideração a abordagem histórica da publicação. Clotário de Macedo Portugal, meu avô, há sessenta anos, foi o primeiro presidente deste Tribunal. Agora, passados todos esses anos, como o fecho de um percurso, o fim de uma caminhada, sou levado ao encargo de fazer a ligação dessas linhas históricas iniciadas na conformidade daquela época. Digo isso porque tenho certeza que seus atos, a seu modo, em muito contribuíram para encaminhar esta então incipiente Justiça especializada. Faço essa menção histórica com o único objetivo de trazer à reflexão o fato da transitoriedade dos homens, administradores públicos. Nesses 60 anos que intermediaram nossos mandatos, dezenas de desembargadores, alguns melhores administradores, outros mais eloqüentes julgadores, passaram pela cadeira da presidência desta Casa. Uma passagem de olhos pela Galeria de ex-presidentes, que fica anexa à nossa Sala de Sessões, nos remete a uma sensação de transitoriedade e eu diria até fungibilidade. Pois bem, faço toda essa digressão para dizer-lhes, sem adjetivos inúteis, da verdadeira importância da palavra escrita. A contribuição do Núcleo de Pesquisa em Sociologia Política Brasileira, com quem temos trocado valiosas informações, é de importância sem precedentes. As observações sociológicas, políticas, os estudos doutrinários e todas essas contribuições permanecerão para sempre. Os escritores se tornam eternos por intermédio dos seus textos e as idéias, uma vez publicadas, retratam toda uma época. De algum modo, todos nós que integramos o Tribunal, magistrados e servidores, temos o poder da representação pessoal e até de dizer em nome do Tribunal. 15 Todavia, são aqueles que ousam escrever sobre política, sobre direito e sobre sociologia que, justamente, se eternizaram no poder da sabedoria. Em nome do meu avô, que iniciou esta caminhada, agradeço a vocês pelo empenho e pela direção a que empreenderam seus esforços. Esta parceria inédita deve prosseguir. Meus agradecimentos e estímulos aos coordenadores desta obra, professor Adriano Nervo Codato, da área de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná, ao servidor Fernando José dos Santos, deste Tribunal, e a todos que contribuíram para esta edição histórica, nomino-os individualmente para que, como ocorre com galeria dos expresidentes, tenham sempre seus nomes lembrados: Márcio Kieller, Amanda Litzinger Gomes, Moacir Ribeiro de Carvalho Júnior, Jorge Eduardo França Mosquera, Alessandro Cavassin Alves, Luzia Maristela Cabreira Bonette, Louise Ronconi de Nazareno e Emerson Urizzi Cervi. DES. CLOTÁRIO DE MACEDO PORTUGAL NETO Presidente 16 INTRODUÇÃO Novos horizontes para o estudo da política institucional no Paraná I. Dimensões de análise Se no Brasil a Ciência Política custou a firmar-se como uma área de estudos de direito próprio, com teorias, materiais e métodos que não fossem emprestados da Sociologia ou do Direito Constitucional, no Paraná análises sistemáticas e regulares sobre a política local só começaram a aparecer muito recentemente. Descontados três ensaios sobre “partidos e eleições” na década de 19601, o tema só receberia um tratamento mais objetivo na segunda metade dos anos 19902. Olhando a evolução do material publicado, o que se constata é um campo inédito e imenso de questões, casos e problemas a explorar3. Este livro retoma o caminho aberto pelos precursores, mas aproveitando-se do significativo incremento (teórico e empírico) e da indispensável institucionalização da nossa disciplina nos últimos vinte anos. São três os temas tratados: o desempenho político dos partidos (à direita, ao centro e à esquerda); o estudo de determinadas eleições ao longo do desenvolvimento político do estado; e as relações executivo-legislativo em nível municipal. A variedade do material aqui impresso admite que se avalie (assim espero) a dinâmica da política paranaense dos últimos cinqüenta anos nessas áreas específicas. Trabalho indispensável que autoriza comparações históricas e geográficas que permitam superar, de uma vez por todas, a mitologia “sociológica” da peculiaridade estadual, construída e difundida com base em impressões muito circunstanciais e evidências, na maioria das vezes, folclóricas. Assim, o decantado conservantismo “do Paraná” e “dos paranaenses” (expresso dessa maneira e nesse grau de generalidade) adquire aqui uma 1 Ver: Wilson Martins, O Paraná é uma incógnita. Revista Brasileira de Estudos Políticos, n. 8, abr. 1960, p. 229254; José N. dos Santos, Comportamento eleitoral do Paraná nas eleições de 1962. Revista Brasileira de Estudos Políticos, n. 16, jan. 1964, p. 227-250; e Altiva P. Balhana, Eleições em Santa Felicidade, 1945-1965. Revista Brasileira de Estudos Políticos, n. 27, jul. 1969, p. 203-260. 2 V. Luzia Helena Herrmann de Oliveira, Democratização e institucionalização partidária: o processo políticopartidário no Paraná (1979-1990). Londrina: Editora da UEL, 1998; e Mário Sérgio Lepre, Caos partidário paranaense. Londrina: Editora da UEL, 2000. 3 Falo aqui, evidentemente, da Ciência Política, meu ofício. Sociólogos, economistas e historiadores escreveram bons ensaios sobre “a política paranaense”. V., por exemplo, Francisco Paz, Cenários de economia e política do Paraná. Curitiba: Prephácio, 1991. 17 base objetiva e empírica, que o conecta com a dinâmica mais geral do sistema partidário e com a evolução do comportamento eleitoral no Brasil na segunda metade do século XX. O proveito em adotar essa perspectiva – historicamente mais ampla e cujo foco é ajustado a partir do sistema político federal – é confrontar idéias persistentes, como a do “Brasil diferente”, e repor a exceção paranaense nos seus devidos termos: como um caso entre outros, ou como um caso que, afinal de contas, não está tão afastado assim das circunstâncias políticas nacionais. Daí que a originalidade desses dez estudos se situe menos no ineditismo dos objetos que trata – o populismo, o clientelismo, a institucionalização partidária e a corrupção política, e sua relação com a política local – , e mais na maneira em pensá-los: já que não haveria tanto mérito em se declarar explorador de um território inexplorado. Nesse contexto, como se sabe, a cada enxadada, uma minhoca. II. Problemas de política regional Este livro foi também elaborado a partir de uma perspectiva histórica. Desde a redemocratização, que pôs fim ao Estado Novo, até o regime brasileiro atual, os estudos reunidos aqui procuram dar uma visão menos generalizante e mais circunstanciada das forças políticas que atuaram no estado da Segunda Guerra em diante. O volume que o leitor tem em mãos acompanha a evolução do sistema político estadual, examinando a dinâmica partidária e eleitoral do Paraná a cada década, de 1940 aos anos 2000. O capítulo 1, A semilegalidade consentida, de Márcio Kieller, cobre o desempenho eleitoral do Partido Comunista no Paraná logo depois do reconhecimento oficial da agremiação, em 1945, fazendo um relato minucioso da participação dos seus dirigentes nas eleições majoritárias e proporcionais até a década de 1960. O estudo mobilizou um conjunto muito variado de fontes históricas. No Arquivo Público do Paraná foi consultado o Fundo da Delegacia de Ordem Política e Social – Dops. No Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) foram examinados o Livro-ata da fundação e registro do Partido Comunista no estado em 1945; o Livro-ata da composição da primeira direção estadual e municipal do PCB-PR; e o Livro-ata com os resultados das eleições gerais e proporcionais de 1945 e 1947. Além disso, foram realizadas uma série de entrevistas com dirigentes do Partido. Kieller sustenta que, mesmo com uma participação muito pequena na vida legal dos estados (pouco mais de dois anos), o PCB-PR atuou com força nos pleitos eleitorais que antecederam à cassação do seu registro em 1947, elegendo quatro vereadores (dois em Curitiba, um em Antonina e um em Londrina) e um deputado estadual (José Rodrigues Vieira Netto). Depois disso, banidos do sistema político-eleitoral, os comunistas atuaram como força auxiliar de partidos e frentes partidárias e dirigiram lutas sociais importantes no estado, como a Campanha dos Comunistas pela Paz e o Levante de Porecatu, cumprindo assim um papel fundamental na organização da esquerda no Paraná até o golpe de 1964. A pesquisa de Amanda Litzinger Gomes, O voto integralista no Paraná (capítulo 2), é uma análise das eleições presidenciais de 1955 no estado a partir de duas interrogações: por que o líder integralista Plinio Salgado, do minúsculo Partido de Representação Popular 18 (PRP), obteve um apoio político tão significativo? E por que o Paraná, onde Juscelino não venceu, seguiu um padrão de votação diferente dos demais estados brasileiros? Nesse pleito, Plinio alcançou a terceira maior votação (com 103 337 votos, conquistando por isso 23% do eleitorado paranaense), batendo assim seus principais concorrentes (Juscelino Kubitschek (da aliança PSD-PTB), Adhemar de Barros (do PSP) e Juarez Távora (da UDNPDC)) em vários colégios eleitorais importantes, dentre eles Curitiba, onde fez 40% dos votos. Para responder a essas questões Amanda estudou o sistema político-partidário brasileiro entre 1945-1964 e as principais linhas de força da política paranaense nos anos 1950. Concentrando sua atenção na campanha presidencial no Paraná, o exame dos dados eleitorais em Curitiba destaca a coincidência da votação obtida por Plinio Salgado e a obtida por Moysés Lupion, candidato a governador pela coligação PSD-PDC-PTN, em todas as zonas eleitorais da cidade, com percentuais quase idênticos. Esse fato poderia sugerir, segundo a autora, um processo maciço de transferência de votos (e prestígio político) de Lupion a Plinio. Contudo, como não houve coligação formal entre os partidos, nem campanha em comum entre os candidatos, sustenta-se que foi o eleitorado quem produziu essa “aliança” informal. Essa conclusão, fundamentada empiricamente, contribui para suspeitar das opiniões correntes que afirmam o conservadorismo atávico dos paranaenses. Os capítulos 3 e 4 merecem ser lidos juntos. Eles reproduzem, a partir dos dados do TRE-PR, os resultados eleitorais obtidos pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e pela Aliança Renovadora Nacional (Arena) na primeira e na última eleição sob o bipartidarismo, durante a ditadura militar, em 1966 e 1978. O primeiro estudo – A votação do MDB do Paraná: uma análise histórica – de Moacir Ribeiro de Carvalho Júnior investiga o desempenho da sigla nas cinco maiores cidades do estado, ressaltando como o processo de desenvolvimento urbano contribuiu para a polarização do voto. Procurase demonstrar que o processo de urbanização do Paraná, ao longo das décadas de 1960 e 1970, contribuiu, em certa medida, para a formação de um “espírito crítico” do eleitor diante do regime, levando-o a optar pelo partido de oposição à ditadura. Jorge Eduardo França Mosquera, autor do segundo estudo – A votação da Arena no Paraná: uma análise histórica – , pôs à prova a tese conhecida segundo a qual o partido do governo era invariavelmente bem sucedido no interior, econômica e culturalmente menos desenvolvido, mas derrotado nas capitais. Os resultados obtidos pela Arena em Curitiba e nas outras quatro principais cidades do estado (Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel) revelam que, se em 1966 a Aliança Renovadora Nacional foi a força política hegemônica no Paraná (inclusive na capital), em 1978 o partido da ditadura perdeu força também no interior, vencendo apenas na conservadora Ponta Grossa. O ensaio de Emerson Urizzi Cervi – Opção pelo populismo: dissidência política e renovação eleitoral no município de Ponta Grossa – busca uma explicação para as relações entre a elite política e o eleitorado em disputas municipais, enfocando o processo de substituição de grupos hegemônicos pela oposição legal. No caso em análise (as eleições municipais de 1996 em Ponta Grossa), a troca de um grupo político por outro 19 (cujo perfil era completamente diferente) se deu graças ao surgimento de uma liderança “carismática e populista”, o radialista Jocelito Canto (do PSDB-PR). Sua eleição terminou com um ciclo de treze anos em que uma mesma aliança política (conservadora) se manteve à frente da prefeitura. A vitória de Jocelito não se deveu à pretensa manipulação ideológica das necessidades das classes mais baixas, já que o candidato conseguiu maioria de votos em todas as regiões da cidade, em todas as faixas etárias e em todas as camadas sociais. Na verdade, a elite no poder entrou em crise interna, em especial no período que vai de 1993 a 1996, aumentando assim a capacidade da dissidência política e a força da oposição. Sobre a década de 1990 o livro traz quatro estudos. Clientelismo eleitoral e coronelismo político, de Alessandro Cavassin Alves (cap. 6), trata da política em pequenos municípios. Segundo o IBGE, há no Paraná 323 cidades com menos de 20 mil habitantes. Tomando o caso de Itaperuçu (na região Metropolitana de Curitiba) como exemplo, vê-se que as estratégias das lideranças locais para vencerem as eleições, tanto para prefeito como para vereador, ou as redes de apoio mútuo formadas por políticos estaduais e federais com políticos e lideranças municipais, denunciam a permanência de práticas pouco “modernas”. A análise da série de eleições majoritárias e proporcionais na cidade, de 1992 até 2002 (para os três níveis: municipal, estadual e federal), indica que o “coronelismo” e o “clientelismo” condicionam o funcionamento desse micro-sistema político. Vigora em Itaperuçu, conforme mostra Alessandro, uma forma atualizada de “compromisso coronelista”. As elites políticas locais – versões contemporâneas e mais eficientes dos “coronéis” do interior – controlam, através do clientelismo, os votos do município destinados a deputados estaduais e federais em troca de recursos orçamentários para obras públicas na cidade, conservando, por essa via, seu prestígio e sua posição política. O chefe municipal torna-se assim responsável (“padrinho”) pelas vitórias eleitorais dos candidatos por ele apoiados, instaurando um intercâmbio de proveitos entre o poder público estadual e federal com os governos municipais. Mas não só o processo eleitoral firma esse “compromisso coronelista”. Há também aqui grande semelhança com a vida política nos pequenos municípios brasileiros durante a República Velha (1889-1930), tal como descrita por Victor Nunes Leal. O capítulo 7 – Geografia do voto de esquerda no Paraná – de Luzia Maristela Cabreira Bonette analisa o desempenho do Partido dos Trabalhadores no estado nas quatro eleições presidenciais de 1989 a 2002. Iluminando o processo político dos últimos anos, Luzia revisa a série quase infinita de condicionantes do voto “petista”, examinando o comportamento dos eleitores em função da mudança de perfil/discurso do candidato; das propostas do partido (ora à esquerda, ora ao centro); das sucessivas configurações do meio político regional e nacional (o que envolve as diferentes coligações partidárias e a adesão ou não das oligarquias locais à candidatura de Lula); do grau de informação e sofisticação política dos votantes; da avaliação do candidato em função de características e aspectos ligados a valores e símbolos de tipo moral (aparência, honestidade, credibilidade) etc. Sua interpretação sustenta que os fatores explicativos variaram de eleição para eleição, 20 dependendo do contexto político, econômico e social em cada momento e em cada cidade, o que impede a proposição de uma tese geral sobre as razões do voto na esquerda no Paraná. O capítulo 8 – Corrupção eleitoral no Paraná – é um estudo de caso das eleições municipais de 1996 no estado e pretende entender e explicar o funcionamento da justiça eleitoral e da estrutura legal frente às práticas de corrupção. Assim, Fernando José dos Santos, através de uma criteriosa sistematização dos delitos registrados nos livros de acórdãos do TRE-PR, oferece uma série de elementos que atestam a baixa eficiência da estrutura jurídica existente, que não consegue tipificar os crimes mais lesivos para a ordem democrática, principalmente o “abuso do poder econômico”. Louise Ronconi de Nazareno descreve a dinâmica política recente em Curitiba (entre 1985 e 2000), estudando o comportamento/atuação dos vereadores na Câmara Municipal e, em especial, os processos de construção de apoio legislativo ao executivo. O capítulo de Louise – Política local e a ocupação de cargos eletivos em Curitiba – é uma tentativa, bem sucedida, de pôr em evidência as práticas clientelistas tradicionais que reforçam os princípios, os instrumentos e o comportamento em geral dos atores políticos. Para a autora, essas práticas estiveram a serviço da construção de uma aliança que sustentou, no governo municipal, o grupo político de (ou ligado a) Jaime Lerner. Por último, o capítulo 10 – Institucionalização partidária: uma discussão empírica a partir do caso do PFL do Paraná – que escrevi com Emerson Cervi levanta as razões da não institucionalização do Partido da Frente Liberal no Paraná. Contrariando o estilo da agremiação em nível nacional4, o PFL-PR permaneceu um partido fraco, mesmo depois de ocupar cargos no governo do estado durante a segunda gestão de Jaime Lerner (1999-2002), mesmo depois de conhecer um expressivo aumento do número de cadeiras nos legislativos estadual e municipal, um aumento importante do número de prefeituras e alcançar uma influência política expressiva na Assembléia. Nossa hipótese é que a análise isolada das informações sobre o incremento eleitoral e a presença institucional do PFL não são suficientes para evidenciar se houve um “fortalecimento” do partido no Paraná a partir da filiação do governador, em 1997. De fato, depois disso nunca ocorreu o que seria usual esperar: um controle do governo pelo partido, mas exatamente o inverso, o controle do partido pelo governo, passando o PFL a depender estritamente do prestígio/ poder de Jaime Lerner. III. Fontes dos capítulos Com exceção do capítulo 9 (de Louise Ronconi de Nazareno) e do capítulo 5 (de Emerson Urizzi Cervi), todos os demais estudos aqui publicados resultaram de trabalhos orientados por mim no âmbito do projeto Instituições e comportamento político no Brasil contemporâneo: o Paraná em perspectiva histórica, que desenvolvemos no Núcleo de Pesquisa em Sociologia Política Brasileira, do Departamento de Ciências Sociais da 4 Como se sabe, o PFL é um partido coeso, disciplinado e, durante os mandatos de Fernando Henrique (19952002), com grande capacidade de influência junto ao executivo. 21 Universidade Federal do Paraná, entre 2001 e 2005. “Institucionalização partidária: uma discussão empírica a partir do caso do PFL do Paraná”, de Emerson Urizzi Cervi & Adriano Nervo Codato (cap. 10) é uma versão bastante modificada do paper O PFL do Paraná: marginalidade e centralidade no sistema político subnacional apresentado no III Encontro Nacional da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) em Niterói (RJ) em 2002. “O voto integralista no Paraná: uma análise das eleições presidenciais de 1955", de Amanda Litzinger Gomes (cap. 2) e “Clientelismo eleitoral e coronelismo político: estudo de um pequeno município paranaense”, de Alessandro Cavassin Alves (cap. 6) são, ambas, novas versões dos trabalhos de conclusão do curso de graduação em Ciências Sociais dos seus autores na Universidade Federal do Paraná em 2003. Os capítulos 3, 4, 7 e 8, de Moacir Ribeiro de Carvalho Júnior, Jorge Eduardo França Mosquera, Luzia Maristela Cabreira Bonette e Fernando José dos Santos, respectivamente, são adaptações das monografias apresentadas pelos autores em 2004 ao curso de Especialização em Sociologia Política da Universidade Federal do Paraná. E, por fim, “A semilegalidade consentida: o desempenho eleitoral do Partido Comunista no Paraná em meados do século XX”, de Márcio Kieller (cap. 1), é parte da dissertação de mestrado do autor apresentada ao programa de pós-graduação em Sociologia da UFPR em 2004 sob o título: A elite dos comunistas: um perfil socioeconômico dos dirigentes estaduais do Partido Comunista Brasileiro no Paraná (1945-1964). Adriano Nervo Codato Curitiba, Praça do Expedicionário, maio de 2006. 22 LISTA DE SIGLAS Acipg - Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa ALN - Aliança Libertadora Nacional Arena - Aliança Renovadora Nacional CMC - Câmara Municipal de Curitiba Codepar - Comissão de Desenvolvimento do Paraná Cohab - Companhia de Habitação do Paraná CTNP - Companhia de Terras Norte do Paraná DOPS - Departamento de Ordem Política e Social FDLN - Frente Democrática de Libertação Nacional FEB - Força Expedicionária Brasileira Femoclan - Federação Comunitária das Associações de Moradores de Curitiba e Região Metropolitana IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IPC - Índice de potencial de consumo MDB - Movimento Democrático Brasileiro OAB - Ordem dos Advogados do Brasil PAN - Partido dos Aposentados da Nação PCB - Partido Comunista Brasileiro PCdoB - Partido Comunista do Brasil PDC - Partido Democrata Cristão PDS - Partido Democrático Social PDT - Partido Democrático Trabalhista PFL - Partido da Frente Liberal PGT - Partido Geral dos Trabalhadores PHS - Partido Humanista Social PIB - Produto interno bruto PJ - Partido da Juventude PL - Partido Liberal (fundado em 1985) PL - Partido Libertador (período 1946-1964) PMB - Partido Municipalista Brasileiro PMDB - Partido do Movimento Democrático Brasileiro PMN - Partido da Mobilização Nacional PP - Partido Progressista PPB - Partido Progressista do Brasil 23 PPS - Partido Popular Socialista PR - Partido Republicano PRN - Partido da Reconstrução Nacional PRP - Partido de Representação Popular PRP - Partido Republicano Progressista PRT - Partido Republicano Trabalhista PSB - Partido Socialista Brasileiro PSC - Partido Social Cristão PSD - Partido Social Democrático PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira PSDC - Partido Social Democrata Cristão. PSL - Partido Social Liberal PST - Partido Social Trabalhista PT - Partido dos Trabalhadores PTB - Partido Trabalhista Brasileiro PTdoB - Partido dos Trabalhadores do Brasil PTN - Partido dos Trabalhadores da Nação PV - Partido Verde RMC - Região Metropolitana de Curitiba SNI - Serviço Nacional de Informações SRPG - Sociedade Rural de Ponta Grossa TRE - Tribunal Regional Eleitoral do Paraná TSE - Tribunal Superior Eleitoral UDN - União Democrática Nacional UFPR - Universidade Federal do Paraná URSS - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas 24