JUSTIÇA ELEITORAL TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO RIO GRANDE DO SUL DISCURSO PROFERIDO POR OCASIÃO DA CERIMÔNIA COMEMORATIVA AOS 60 ANOS DA JUSTIÇA ELEITORAL Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 08 de junho de 2005. Senhoras e Senhores: Inicialmente, devo registrar o convite honroso que me foi feito pela “Comissão Gestora do Centro de Memória da Justiça Eleitoral no Rio Grande do Sul”, e me incumbiu de falar, neste belo evento, em nome do seleto grupo de Magistrados Ex-Presidentes deste nosso Egrégio Tribunal Regional Eleitoral, vale dizer, em nome daqueles que ajudaram a construir esta brilhante história do Judiciário Gaúcho. Pessoalmente, tenho orgulho de haver participado como membro desta Corte de Justiça durante dois anos, entre 2000 e 2002, inicialmente como Vice-Presidente e Corregedor Regional Eleitoral, e, depois, como Presidente. Sei que os demais colegas Ex-Presidentes, que vejo à minha frente e outros impossibilitados de comparecer, sentem-se tão orgulhosos quanto eu de terem integrado este Tribunal e de terem prestado seus serviços à Corte. Já no desempenho de nossas funções, como Juízes ou Promotores Eleitorais, sentimos a importância desta Justiça especializada e aprendemos admirar a Instituição. Neste evento comemorativo dos 60 (sessenta) anos de existência da Justiça Eleitoral no Brasil, podemos dizer que sentimos orgulho dela, pela sua organização inteligente e pela impressionante eficiência dos seus funcionários, na prestação do serviço de excelência que beneficia a população. Em termos de referência, os nossos funcionários já projetaram a tecnologia dos serviços para fora dos limites do País, dando mostras nos países vizinhos do estágio avançado e seguro do sistema brasileiro. Mas, não poderia deixar, nesta data, de lembrar e homenagear a heroica e lendária figura do Excelentíssimo Dr. Juiz Eleitoral Moysés Vianna, símbolo da democracia brasileira e da probidade eleitoral, que atuou como Magistrado na década de 30, antes da 1 JUSTIÇA ELEITORAL TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO RIO GRANDE DO SUL extinção, pelo Estado Novo, da antiga estrutura da Justiça Eleitoral brasileira. Verdadeiro mártir, brutalmente assassinado agarrado a uma urna, para defender a lisura do pleito de Santiago do Boqueirão, no ano de 1936. Foi, assim, com muita justiça e sabedoria que, em 1990, o Tribunal Gaúcho, na gestão do então Presidente Desembargador Gilberto Niederauer Corrêa, instituiu a “Medalha Moyses Vianna”. Hoje, pois, o Desembargador Gilberto Niederauer Corrêa é por todos nós homenageado, com o objetivo de homenagear, igualmente, Magistrados e Servidores que prestaram trabalhos relevantes à Justiça Eleitoral. Algumas das eminentes autoridades que aqui se encontram, prestigiando esta cerimônia, já foram agraciadas com esta distinção. Todavia, esta reunião cívica tem como finalidade primacial a comemoração dos 60 anos da reinstalação da nossa Justiça Eleitoral, pelo Decreto-Lei n. 7.586, de 28 de maio de 1945, cujo instrumento legal, editado pelo Presidente Getúlio Vargas, criou um Tribunal Superior Eleitoral e os Tribunais Regionais Eleitorais. Estes últimos eram integrados por cinco membros: dois desembargadores, dois juízes de direito e um jurista. Seguindo orientação do Tribunal Superior Eleitoral, a sessão de instalação do Tribunal Regional Eleitoral-RS, ocorreu no dia 8 de junho de 1945 e deveria sê-lo “com a maior brevidade possível”. É importante observar a sagacidade do legislador monocrático, na projeção do artigo 38 do Diploma Restaurador da Justiça Eleitoral: “O sufrágio é universal; o voto, obrigatório, direto e secreto”. Tão importante quanto este, foi o último artigo desse Decreto-Lei: “Revogamse as disposições em contrário”. Eis a democracia que voltava à arena política e a Justiça Eleitoral adquiria o formato que, basicamente, mantém até hoje, 60 anos após aquela data, de 1945. Logo após a reorganização da Justiça Eleitoral, foi estabelecido o prazo de três meses para a realização das eleições, lembrando que a Instituição restou completamente desorganizada durante o período da ditadura getulista. Por aí já se vê e ninguém pode duvidar que a Justiça Eleitoral, com seus 2 JUSTIÇA ELEITORAL TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO RIO GRANDE DO SUL membros e servidores passou por momentos dificílimos, todavia deixou escritas páginas riquíssimas na história brasileira. Neste andar, tomo a liberdade para chamar à lembrança o caro amigo Adalberto Burlamaqui, que foi incansável servidor deste Tribunal, por mais de 30 (trinta) anos, o qual relata: Quando a Justiça Eleitoral reiniciou, em três meses foi obrigada a realizar uma eleição para a Presidência da República e para o Senado. Então nada existia e todos tiveram que aprender tudo, inclusive juízes, desembargadores e ministros. Foi um fenômeno, na verdade, o que aconteceu. [...] Foi um sucesso e o novo presidente foi eleito legal e licitamente, sem problema nenhum. (em Histórias de Vida Representações do Judiciário). Como se vê, senhoras e senhores, a Justiça Eleitoral já atuava com rapidez e eficiência desde aquela época, independentemente do tempo disponível para a execução das tarefas e, quase sempre, com escassos recursos financeiros. Mas, tenham certeza que as circunstâncias episódicas não mudaram para os dias atuais, no tocante à pertinácia daqueles que servem a Justiça Eleitoral, basta ver recente fato ocorrido na Eleição Municipal de Novo Hamburgo, que determinou a anulação daquele pleito, de 2004. Em apenas 02 (dois) meses, a nossa Justiça Eleitoral realizou um novo pleito, renovando todos os procedimentos, desde a permissão para as convenções partidárias, até a instalação e preparo das 598 urnas utilizadas no certame. Servidores e magistrados formaram verdadeiro mutirão e, mais uma vez, aconteceu o que já virou uma alegre rotina: o sucesso absoluto do pleito, com rapidez e com lisura. Vejo aqui na plateia o nosso emérito Ministro José Néri da Silveira, que, como Presidente do colendo Tribunal Superior Eleitoral, implantou corajosamente o processamento eletrônico de dados, em todo o Brasil, promovendo a informatização do cadastro eleitoral, no ano de 1986. Em face dessa iniciativa pioneira, 70 milhões de eleitores compareceram aos 3 JUSTIÇA ELEITORAL TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO RIO GRANDE DO SUL cartórios de todo o país . No Primeiro Congresso Internacional de Direito Eleitoral e Partidário, ocorrido em 1999, o Ministro Néri da Silveira disse: Foram também os juízes e servidores eleitorais aos garimpos, aos seringais, às ilhas, às populações ribeirinhas, à selva amazônica, à caatinga, aos cerrados, às coxilhas, às favelas e alagados, enfim, até onde houvesse brasileiro à sua espera. Que lindo trabalho foi aquele, Ministro Néri ! Hoje todos os brasileiros tem certeza que essa sua contribuição foi imensa, decisiva e meritória, para o processo democrático neste Brasil. De outra banda, não poderia deixar de falar sobre a urna eletrônica, verdadeiro orgulho brasileiro, que terminou com a fraude das cédulas e mapismos, garantindo que o voto dado é o voto contado. No encerramento do primeiro teste oficial da urna eletrônica, em Caxias do Sul, no dia 18 de agosto de 1996, o então Presidente do Tribunal Eleitoral, Desembargador Tupinanbá vaticinou: “Esta data, 18 de agosto, marca o fim da corrupção eleitoral”. Ele não se enganou, pois que desde o implemento da urna eletrônica, não foi mais registrado um único caso de fraude. E foi aqui, no Rio Grande do Sul, onde aconteceu a primeira eleição simulada brasileira, o teste oficial com o voto informatizado. Não podemos esquecer aquela histórica eleição simulada, ocorrida na administração do então Presidente do Tribunal, Desembargador Tupinambá Miguel Castro do Nascimento, que, também está aqui para receber nosso aplauso e nossas homenagens. Naquela tarde ensolarada de domingo, na serra gaúcha, começou a credibilidade do povo brasileiro na máquina de votar. De lá para cá o sucesso da urna foi crescendo, de tal modo que a Justiça Eleitoral dominou essa tecnologia de ponta, sendo que o êxito do voto informatizado veio para ficar e já ultrapassou as fronteiras do Brasil, para servir a Argentina, o Paraguai, o Equador e o México. Nosso TRE Gaúcho foi que emprestou as urnas para a Argentina e, com uma 4 JUSTIÇA ELEITORAL TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO RIO GRANDE DO SUL equipe de técnicos de informática coordenou o pleito realizado na província de Buenos Aires. Outra modernidade digna de nota foi o sistema Título On Line, que iniciou aqui, na Secretaria de Informática do Tribunal Gaúcho e está sendo utilizada por mais de 20 Estados brasileiros. Esta tecnologia permite que o eleitor, em menos de cinco minutos, obtenha seu título, não mais precisando retornar ao cartório. Tem-se a mencionar, ainda, importante obra material que se impunha, para concentrar todas as zonas eleitorais da Capital e vários setores do Tribunal Regional Eleitoral. Desde o ano de 1996 o Brasil conta com mais de Cem Milhões de Eleitores e suas eleições estão permanentemente entre as duas ou três maiores do mundo, vivendo, a Justiça Eleitoral, o dilema de ampliar serviços para responder às demandas da sociedade e trabalhar com orçamentos seguidamente mais enxutos. Foi assim que surgiu a ideia para solucionar o crônico problema e deu-se a resposta adequada com a Central de Atendimento ao Eleitor, inaugurada em março de 2002, aliando economia e racionalização dos serviços. Antes de finalizar, não poderia esquecer algumas campanhas institucionais da Justiça Eleitoral Gaúcha, promovidas em parceria com a colenda Assembleia Legislativa e a AGERT - Associação Gaúcha das Emissoras de Rádio e Televisão -, como a do alistamento de jovens eleitores entre 16 e 18 anos de idade e a de incentivo ao trabalho exercido pelos mesários. As campanhas: “16 anos: Uma idade Inesquecível” e “Mesário Cidadão”, surgidas em 2002, foram reeditadas nas eleições de 2004. Em ambas as edições, o sucesso foi absoluto. Devo ressaltar que o sucesso proclamado deve-se, em grande parte, ao apoio da imprensa, que nunca faltou à Justiça Eleitoral. Vai aqui o reconhecimento aos seus representantes, Dr. Ercy Thorma e Dr. Afonso Motta, respectivamente presidentes da ARI e da AGERT, que sempre atuaram em parceria com a Justiça Eleitoral. Enfim teria muitos fatos a relembrar nesta participação, mas para não me tornar prolixo, na pluralidade dos nobres colegas ex-presidentes, queremos ressaltar o nosso orgulho 5 JUSTIÇA ELEITORAL TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO RIO GRANDE DO SUL e honra de termos tido a graça de trabalhar na Justiça Eleitoral e, em especial, de ter presidido este Tribunal, que é exemplo para toda a sociedade brasileira. Obrigado! 6