Sistema de espaços livres universitários: Um estudo no Campus I da UFPB, João Pessoa/PB, Brasil Bruna Ramalho Sarmento (1); Aryan F. Azevedo Silva (2); Gleice Azambuja Elali (2) (1) LACESSE-UFPB / PPGAU-UFRN, Brasil. E-mail: [email protected] (2) LACESSE-UFPB, Brasil. E-mail: [email protected] (3) DArq/PPGAU-UFRN, Brasil. E-mail: [email protected] Resumo: Os campi universitários reúnem em uma só área uma grande quantidade de edifícios e espaços livres pertencentes a uma instituição de ensino superior (IES). Entre os anos 2007-2012 as IES federais brasileiras vivenciaram um processo de expansão que promoveu considerável adensamento construtivo e populacional no processo de expansão urbana, ocasionando a ocupação de seus espaços. Este artigo investiga os espaços livres do campus I da UFPB, com o objetivo de verificar como se deu sua ocupação no tempo, e mapear/classificar os espaços livres hoje remanescentes. A investigação, no formato de estudo de caso, utilizou pesquisa bibliográfica, documental e de campo, com a elaboração de mapas em AutoCAD e Qgiz. Além de contribuir com o plano diretor vigente na IES, pretende-se que a pesquisa colabore para o estudo do sistema de espaços livres em outras cidades universitárias. Palavras-chave: campus universitário; espaços livres; uso do espaço. Abstract: College campus together in one area a lot of buildings and open spaces the Institutions of Higher Education (IHE). Between 2007-2012, the Brazilian IHE experienced an expansion process that promoted considerable constructive and population density in the urban expansion process, leading to the occupation of their spaces. This article studies open spaces of UFPB’s campus I, aiming to check how was the occupation at the time, and map/classify the open spaces today. The research represents a case study, used bibliographical research, document and field, with the elaboration of maps in AutoCAD and Qgiz. In addition to contributing to the actions proposed in the current master plan of the institution, it is intended contribute to the study of open spaces system in others university towns. Key-words: university campus; open spaces; space’s use. 1. INTRODUÇÃO Enquanto instituição, a universidade surgiu na Idade Média, se confundindo com os mosteiros, e mantendo uma postura de reclusão e isolamento em relação à cidade, mesmo quando estava inserida no tecido urbano (RODRIGUEZ, 2007). A Revolução Industrial e o processo de urbanização que a acompanhou fez com que a universidade do século XIX se abrisse para o meio urbano mediante a criação de faculdades isoladas. A partir do século XX o espaço físico do ensino superior passou a assumir uma nova forma de organização, pois a unificação do território tornou-se condição essencial para que a instituição realizasse suas múltiplas funções com autonomia e competência (OLIVEIRA, 2005). Essa exigência, que se materializou por meio da configuração de um espaço exclusivo, deu origem aos campi universitários como hoje conhecemos, ou seja, que reúnem em uma só área uma gama de equipamentos com funções administrativas e pedagógicas. Os campi tem importante papel no desenho urbano e estrutura das cidades onde se encontram e exigem planejamento espacial específico para atender às demandas universitárias (OLIVEIRA, 2005). Inserindo-se ativamente nas cidades, os campi podem ser entendidos a partir de uma definição ampla de espaço urbano enquanto “um complexo de espaços edificados e espaços livres, ambos resultantes de ações humanas condicionadas pelas concepções sociais e culturais ao longo do tempo” (SÁ CARNEIRO; MESQUITA, 2000, p.24). Nesse contexto compreende-se espaço livre (EL) como o somatório de todas 1 | 10 as áreas não ocupadas por um volume edificado, externas às edificações e às quais as pessoas têm acesso, quer apresentem vegetação ou não (MAGNOLI, 2006). Portanto, toda cidade possui um sistema de espaços livres (SEL) cuja formação é devida às relações dinâmicas entre suas áreas livres de edificações em oposição aos ambientes edificados, quer tais espaços sejam conectados fisicamente ou não, planejados ou não (CUSTÓDIO et al, 2011). Nesse sentido, o conceito de sistema exprime ao mesmo tempo unidade, multiplicidade, totalidade, diversidade, organização e complexidade, se apresentando como um objeto complexo, suficientemente fechado, pois caso contrário não se constituiria, mas também suficientemente aberto, uma vez que estabelece relações com outros sistemas (MORIN, 2008). Ou seja, entende-se como SEL urbanos os elementos e as relações que formam o conjunto de todos os ELs de um determinado recorte urbano, da escala intraurbana à regional (QUEIROGA et al, 2011). Na última década, as universidades brasileiras têm protagonizado um enorme esforço de investimento em instalações. Nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) grande parte desse crescimento físico e populacional resultou da implantação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI) que, entre 2007-2012, provocou considerável adensamento construtivo e populacional em seus campi. Nesse contexto, este artigo concentra a atenção nos ELs do campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a fim de verificar como se deu sua ocupação ao longo do tempo, além do mapear e classificar os ELs remanescentes. O trabalho realizado é parte de uma tese em desenvolvimento que realizará estudos em IFES (título provisório: A reestruturação na ocupação dos ELs nos campi centrais da UFPB e UFRN: um estudo sob a ótica da Avaliação Pós-Ocupação), e de um projeto de extensão (SARMENTO, 2015). Embora na tese seja utilizada uma estratégia de pesquisa multimétodos (SOMMER; SOMMER, 2002; GUNTHER; ELALI; PINHEIRO, 2008), esse artigo trabalha apenas o diagnóstico técnico relativo aos ELs do campus. 2. MÉTODO O trabalho apresentado neste artigo foi realizado por meio de pesquisa bibliográfica e documental (para levantamento da evolução da ocupação do solo no campus desde meados da década de 70 até 2014) e pesquisa de campo (para levantamento, classificação e categorização dos ELs do campus). Na produção dos mapas foi utilizada como base uma planta topográfica em AutoCAD (cedida pela Divisão de Estudos e Projetos da Prefeitura Universitária da UFPB); o arquivo foi atualizado a partir de levantamento in loco realizado em junho e julho de 2015. A partir da realidade encontrada, os ELs foram classificados e categorizados segundo as indicações de Macedo et al (2009). Os mapas do campus contendo as diversas categorias de ELs identificadas foram gerados no software QGiz (versão 2.8). Já os mapas de evolução da ocupação do campus, desde sua criação, foram trabalhados em AutoCAD a partir de documentos, mapas e fotografias cedidos pela Instituição. 3. O CAMPUS I DA UFPB O campus I da UFPB está localizado no bairro Castelo Branco, Zona Leste da cidade de João Pessoa, PB. Limita-se com a Mata do Buraquinho (Mata Atlântica remanescente com uma extensa área de preservação permanente - APP), o bairro dos Bancários e a Rodovia Federal BR 230 (Figura 1). Ele foi criado em 1955 e federalizado em 1960, possui uma área total de 161,75 ha, aos quais estão incorporados 03 núcleos de preservação permanente, resultando 117,8 ha de espaços ocupáveis, que congregam 97 cursos de graduação (em 2012), distribuídos em 13 centros de ensino. Conta, ainda, com setores de vivência, administrativos, de serviços e esportivo, com grandes áreas construídas e bolsões de Mata Atlântica preservada. O campus I apresenta topografia majoritariamente plana (com alguma declividade a Leste, próximo ao Hospital Universitário) e 9 acessos: 5 de uso misto (para pedestres e veículos) e providos de guaritas; 4 exclusivos para pedestres, próximo a pontos de transporte coletivo. Os centros de ensino são interligados por calçadas, passarelas térreas e cobertas e faixas de pedestres. Seu processo de ocupação evoluiu gradativamente a partir da década de 1970, tendo se acentuado nos anos 2000, com o advento do Programa REUNI, quando a UFPB intensificou obras e criou novos cursos (UFPB, 2011); entre 2007 e 2 | 10 2012 o número de estudantes de graduação aumentou em 72%, o quadro de docentes cresceu 25% e o de servidores em 18% (UFPB, 2007a). O Plano REUNI-UFPB (UFPB, 2007a) previa a construção de 34.125 m² de novas edificações no campus I e reforma de 12.205m², ações estruturantes que serviram de base física à implantação de 30 novos cursos. Assim, como no campus I os limites são fortemente demarcados (área total não ampliável), muitos dos ELs antes existentes foram ocupados por construções, situação facilmente identificável a partir dos mapas de evolução de sua ocupação (Figura 2). FIGURA 1: Mapa do campus I da UFPB inserido na malha urbana da cidade de João Pessoa – PB, combinado com imagem aérea com inserção do campus I da UFPB no bairro do Castelo Branco e as áreas limite. Fontes: COSTA, et al (2010) e Google Earth (2009), trabalhados por Sarmento (2012). Ao longo de sua ocupação o campus I da UFPB passou por alguns planos diretores (SARMENTO, 2012). O documento hoje vigente (UFPB, 2007b), embora não esteja oficialmente aprovado pelo Conselho Universitário, norteia as novas construções, e estabelece, dentre outras questões: 1) Projeto de arborização e urbanização dos espaços públicos livres coletivos; 2) Programa de integração dos equipamentos e serviços afins com os demais espaços públicos existentes no campus I, tais como: parques, praças; 3) Cadastramento e classificação dos espaços livres coletivos urbanos do campus I (áreas verdes); 4) Criação de órgão responsável pelo gerenciamento das áreas verdes, praças, parques e jardins com atribuição de elaborar projetos, orientar e fiscalizar a implantação e manutenção destas áreas; 5) Elaboração de Plano de Circulação e Transportes que oriente de forma integrada ações a curto, médio e longo prazo a serem aplicadas no sistema de transporte, trânsito e vias públicas; 6) Estimulo e desenvolvimento de políticas que promovam acesso do usuário aos órgãos e setores da universidade. Sobre o gerenciamento das áreas verdes, em 2013 foi criada a Comissão de Gestão Ambiental da UFPB, para diagnosticar e formular estratégias de enfrentamento do passivo ambiental da Instituição, mediante a elaboração de programas de gestão ambiental (CGA, 2015). No entanto, os demais itens ainda estão pendentes, e espera-se que esta pesquisa contribua com a demanda, em especial do item 3. 3 | 10 Figura 2: Mapas NOLLI do campus I da UFPB, a partir da década de 1970 até 2014. Fonte: Mapas trabalhados pela autora a partir de imagens e mapas cedidos pela Prefeitura Universitária da UFPB. A área em cinza representa a mata preservada no Campus. Meados da década de 70. Fim da década de 70. Fim da década de 80. Fim da década de 90. Ano de 2006. Ano de 2014. 4 | 10 4. OS ESPAÇOS LIVRES NO CAMPUS I DA UFPB É inquestionável a importância de se analisar a configuração dos ELs em IFES, pois se tratam de extensas áreas urbanas, com a possibilidade de englobar diversos tipos de usos e que exigem uma gestão eficiente, para o atendimento das necessidades de seus usuários e visitantes, bem como no estímulo social e pedagógico diário. Os ELs do campus I foram classificados nas seguintes categorias (Tabela 1): De caráter ambiental: APPs e Bosques Urbanos; De práticas sociais: Pátios; Jardins; Praças; Gazebos; Quadras; Campos; Piscinas; Anfiteatros; Centro de Vivências; Eventos. De circulação de pedestres: Ruas; Passarelas; Calçadas; Rampas. De circulação de veículos: Estacionamentos formais; Estacionamentos informais; Canteiros; Rotatórias; Paradas de ônibus; De transição (produtivos ou não): Hortos; Estação de tratamento de esgotos; Becos; Terrenos Vazios; Potenciais. TABELA1: Tabela com listagem dos tipos de Espaços livres do campus I da UFPB. Fonte: Elaborado com base em Macedo et al (2009). CATEGORIAS EL De caráter ambiental De práticas sociais De circulação de veículos e pedestres ou associados a sistemas de circulação Outros (espaços de transição, produtivos ou não) TIPOS CARACTERÍSTICAS APP Bosque Pátio Jardim Praças (contemplativas, recreativas, mistas, para exposições/feira, alimentação, etc.) Gazebo Quadra Esportiva Campo de futebol Piscinas Centro de Vivência, eventos Rua Estacionamento formal e informal Passarela Calçada Escadaria e rampa Canteiro central, rotatória Parada de ônibus Remanescentes da Mata Atlântica com a presença de mobiliário (ou não). Ajardinados ou não. Em geral com mobiliário. Arborizados com vegetação de médio porte ou rasteira. Pavimentadas, ajardinadas, com vegetação de diversos portes, com mobiliário, com áreas cobertas (ou não). Estação de tratamento de esgoto Viveiros de plantas e hortos Beco Terreno vazio Arborizados e com vegetação (ou não). Arborizados com vegetação de médio e grande porte. Pavimentados ou não. Arborizados e com vegetação (ou não). Usados para atividades temporárias (feiras, apresentações) Estrutura de madeira com mobiliário. Polivalente (ou não). Com vegetação rasteira. Pavimentada, ajardinada ou não. Pavimentados, ajardinados, mobiliados (ou não). Em geral pavimentados. Arborizados ou não. Em geral pavimentadas. Arborizados ou não. Em geral pavimentadas. Com mobiliário ou não. Potenciai1 Partindo desta classificação, foram mapeados os ELs do campus I da UFPB, que originou em um mapa geral (Figura 3), onde todos os espaços estão demarcados. A partir deste mapa foram elaborados outros cinco mapas (Figuras 4a, 5a, 6a, 7a e 8a), representado cada uma das categorias de ELs identificadas. Observando o mapa geral de ELs (Figura 3) têm-se grandes áreas ocupadas por edificações, embora 1 ELs potenciais, públicos ou privados: áreas com possibilidades de uso futuro para recreação ou momentaneamente dispondo de instalações de recreação em caráter incipiente, que indicam a necessidade de espaços públicos e contribuem para evitar invasão; incluem espaços de valor paisagístico cultural, campos de pelada, recantos e similares (SÁ CARNEIRO; MESQUITA, 2000). 5 | 10 persistam áreas ocupadas por ELs potenciais, localizados a Noroeste do campus e ao Norte, no setor esportivo. Destacam-se ainda grandes áreas de preservação permanente, distribuídas em sua extensão. FIGURA 3: Mapa geral dos espaços livres do campus I da UFPB. Fonte: Pesquisa de campo. Na categoria ELs de circulação de veículos foram mapeadas as rotatórias, canteiros, estacionamentos formais e informais (Figura 4a). Percebe-se grande quantidade de veículos nos estacionamentos formais (Figura 4b), entretanto, esses ELs demonstram-se insuficientes, visto que, para suportar a demanda, muitos espaços estão sendo utilizados como estacionamento informal (Figura 4c). Nos estacionamentos formais foi observado ainda um número reduzido de vagas para pessoas com deficiência, e estas poucas vagas apresentam apenas sinalização horizontal. O mapa dos ELs de circulação de pedestres (Figura 5a) traz um panorama da disposição das calçadas, passarelas térreas, ruas, rampas e escadarias do campus. Essas estruturas apresentam-se em número considerável, visto que recobrem boa parte da área estudada. Muitas estão adequadas à circulação de pedestres (Figuras 5b). No entanto, algumas requerem maior investimento em manutenção (Figura 5c), para contribuir com a mobilidade dos usuários, em espacial, das pessoas com deficiência (SARMENTO, 2012). O campus não possui linha de transporte público interna, dependendo do transporte público municipal, que trafega pelo seu entorno imediato; as paradas de ônibus apresentam-se bem distribuídas no perímetro externo do campus, atendendo a todos os centros de ensino. 6 | 10 FIGURA 4: a) Mapa ELs de circulação de veículos; b) Estacionamento formal na Central de Aulas: c) Estacionamento informal no Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN), com automóveis próximos aos laboratórios e sala de aula. Fonte: Pesquisa de campo. FIGURA 5: a) Mapa ELs de circulação de pedestres; b) Passarela térrea em bom estado de conservação no Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes; c) Calçadas danificadas no CCEN. Fonte: Pesquisa de campo. O mapeamento dos ELs na categoria práticas sociais identificou os ELs: pátio, jardins, praças (de alimentação, contemplativas, recreativas, mistas, para exposição/feiras), gazebo, quadra esportiva, campos de futebol, piscinas, centro de vivência e espaços para eventos (Figura 6a). Os jardins existentes possuem boa manutenção, em especial no setor humanístico (Figura 6b). O setor esportivo, que contempla uma vila olímpica inaugurada em 2012, é bem aproveitado pelos alunos e pela comunidade externa, que frequenta o campus em busca dos serviços oferecidos. O centro de vivência é um EL que favorece o encontro da comunidade, visto que agrega diversos serviços (restaurante universitário, banco, xérox, lanchonetes, sebo, banca de revistas, além de uma extensa área para apresentações artísticas) em 7 | 10 uma área delimitada. Foi observada a necessidade de investimento em alguns ELs, pois não apresentam tratamento paisagístico adequado (Figura 6c). FIGURA 6: a) Mapa ELs de práticas sociais; b) Jardim no setor humanístico; c) Jardim no Centro de Tecnologia. Fonte: Pesquisa de campo. O Mapa de ELs de caráter ambiental mapeia duas categorias: as APPs e os Bosques urbanos (Figura 7a), sendo este último muito utilizado pelos usuários do campus, em especial no CCS, onde a área representa o principal EL (Figura 7b), pela sua localização e dimensão. Sobre as APPs (Figura 7c), a UFPB possui 43,98 ha de Mata Atlântica preservada distribuída em fragmentos internos e 43,70 ha na área externa, contígua ao campus (PMJP, 2012). Esses espaços favorecem a biodiversidade de muitas espécies nativas da flora e fauna locais. FIGURA 7: a) Mapa ELs de caráter ambiental; b) Bosque urbano no CCS; c) Trecho APP próximo a Biblioteca Central. Fonte: Pesquisa de campo. 8 | 10 No campus há muitos ELs classificados como outros (de transição, produtivos ou não - Figura 8a), com um número considerável de ELs potenciais, conforme citado. Dentre os ELs produtivos destaca-se o horto do Centro de Biotecnologia (Figura 7b), por outro lado, muitos destes espaços necessitam de requalificação que possibilitasse seu melhor aproveitamento pela comunidade (Figura 7c). FIGURA 8: a) Mapa Outros ELs (de transição, produtivos ou não); b) Horto no Centro de Biotecnologia; c) Espaço potencial no Centro de Tecnologia. Fonte: Pesquisa de campo. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS O Mapeamento dos ELs do campus I da UFPB (em sua evolução histórica e na atualidade) tem se mostrado fundamental para a compreensão das transformações físicas que a cidade universitária passou em seus 60 anos de existência, comemorados em 2015. Os mapas de ELs remanescentes apontam que, apesar do recente adensamento construtivo, o SEL ainda conta com uma área considerável, parte em boas condições e parte necessitando de requalificação, em especial os ELs potenciais, os quais deveriam ser valorizados em função de sua evidente importância para a comunidade universitária, que deveria ser incentivada a apropriar-se mais fortemente destes espaços. Desse modo, aponta-se a necessidade de, ao definirem planos para ocupação da área do campus nos próximos anos, os gestores da Instituição garantirem a permanência e qualificação dos ELs como elemento essencial à manutenção da qualidade ambiental do campus, e consequentemente, da qualidade de vida de seus usuários. Portanto, espera-se que esta pesquisa contribua com reestruturação do SEL do campus I da UFPB, e venha atuar junto ao Plano Diretor vigente, o qual, mesmo ainda não aprovado, é o instrumento que guia as ações de planejamento urbano da Instituição. 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