EFEITO DO TEOR DE UMIDADE DAS SEMENTES DURANTE O
ARMAZENAMENTO NA GERMINAÇÃO DE MILHO CRIOULO
1Acadêmica
Daniela GOETEN1, Joacir do NASCIMENTO2, Oscar Emilio Ludtke HARTHMANN3
do curso de Agronomia IFC – Campus Rio do Sul; 2Bolsista PIBITI/CNPq; 3Orientador IFC-Campus Rio do Sul
Introdução
O cultivo da cultura do milho tem se destacado entre as atividades dos pequenos
produtores, uma vez que o grão é utilizado na alimentação animal, onde representa a maior
parte do consumo desse cereal, tanto no Brasil como no mundo (Naves et al., 2004).
As variedades de milho crioulo são materiais de base genética extremamente variada,
capazes de melhor suportar os estresses abióticos e bióticos (água, nutrientes, Al3+, temperatura,
pragas, doenças e plantas espontâneas), além de permitir que o agricultor produza sua própria
semente, o que não é viável quando da utilização de híbridos (Cruz et al., 2006).
Neste sentido, as sementes em geral tem papel essencial para a produção de grãos,
sendo que, grande parte dos agricultores familiares tem como prática guardar parte de sua
produção de grãos para ser utilizada, na nova safra, como sementes. Mas para que isto ocorra,
as sementes devem ser armazenadas de forma correta, a fim de manter sua qualidade fisiológica
durante todo este período de armazenamento. Os problemas de conservação de produtos
agrícolas constituem objeto de estudo permanente, visando prolongar ao máximo a qualidade
dos produtos armazenados, sejam eles semente ou grão para consumo (Bragantini, 2005).
Vale ressaltar, que a redução no teor de umidade durante a secagem das sementes e o
armazenamento visa manter a qualidade física, fisiológica e sanitária das sementes. Essas
sementes são guardadas em recipientes apropriados, após maturação, para serem usadas no
futuro (Medeiros, 2001; Medeiros e Eira, 2006). O teste mais utilizado para se determinar a
qualidade das sementes é o teste padrão de germinação (Passos et al., 2008).
Visando avaliar o teor de umidade no momento da secagem das sementes e sua relação
com a qualidade fisiológica das sementes, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a
influência do teor de umidade no poder germinativo de sementes de milho crioula variedade
Amarelo 17.
Material e Métodos
O presente ensaio foi conduzido no laboratório de sementes do Instituto Federal
Catarinense, no município de Rio do Sul - SC. As sementes foram obtidas na safra 2013/14 na
área experimental do curso de agronomia.
O milho foi colhido manualmente quando as sementes apresentavam umidade de 28%,
logo após atingirem a maturação fisiológica. As espigas provenientes das fileiras centrais da
área de produção foram submetidas à debulha manual. As mesmas foram separadas em dois
lotes, onde foram submetidas à secagem em estufa de ar forçado em temperatura de 40°C até
atingirem teores de umidade de 7% e 13%, tratamentos A e B, respectivamente. As sementes
foram armazenadas em embalagens plástica herméticas a temperatura de 5°C, por um período
de doze meses, e posteriormente realizou-se o teste de germinação.
O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com dois tratamentos (A
teor de umidade de 7%, B teor de umidade de 13%), com quatro repetições.
Foram utilizadas quatro repetições de 50 sementes, por tratamento, em substrato rolo
de papel, tipo germitest, umedecidos com quantidade de água equivalente a três vezes a massa
do papel seco. Os rolos foram acondicionados na posição vertical, em sacos de plástico,
contendo uma lâmina de água destilada, para evitar perda de umidade, sendo então levados ao
germinador (BOD, modelo 347 CD) à temperatura 25±1 ºC. As contagens foram realizadas no
sétimo dia após a montagem do teste, sendo computado o percentual de plântulas normais,
anormais e sementes mortas, segundo as Regras para Análise de Sementes – RAS (BRASIL,
2009).
Os dados obtidos foram transformados pela angular arco seno e submetidos à análise
de variância para a comparação de médias, foi adotado o teste de Tukey a p<0,01.
Resultados e discussão
O grau de umidade das sementes, no início do armazenamento, foi de 7%, porém doze
meses depois, ou seja, final do armazenamento as sementes continham umidade de 8%,
resultados semelhante aos obtidos por Araujo et al. (2002) que armazenou sementes com 8%
de umidade e obteve no final do armazenamento sementes com teor de 9% de umidade.
Em relação à germinação de plântulas normais, de sementes de milho da variedade
crioula, Amarelo 17, submetidas a diferentes teores de umidade durante o armazenamento de
12 meses, observou-se que houve diferença significativa entre os tratamentos (Tabela 1). Neste
sentido, as sementes armazenadas com 13% de umidade apresentaram germinação superior, de
97,5%, comparada às sementes armazenadas com o teor de umidade de 7%, que apresentou
germinação média de 85%.
Deste modo, fica evidente a menor eficácia da conservação e qualidade das sementes
proporcionada pela umidade de 7%. Onde nos teste realizados em laboratório foi visível a
diferença no comprimento das raízes e da parte aérea entre os tratamento A e B,
O excesso de secagem podem gerar problemas ligados as membranas que são
constituídas por uma bicamada lipídica, e essas membranas são barreiras para evitar a perda de
citoplasma para o exterior da célula. Segundo Faroni et al. (2005) apud Vieira e Carvalho
(1994) as sementes ao passarem pelo processo de secagem, ocorre uma desorganização das
membranas, em maior grau com a diminuição da umidade das sementes, onde ao se embeber
as sementes secas em água, ocorre a lixiviação de eletrólitos do interior das células para o meio.
Tabela 1. Percentual de germinação de plântulas normais de sementes de milho variedade
Amarelo 17 submetidas a diferentes teores de umidade durante o armazenamento de 12 meses.
Tratamentos
(A – 7%)
(B – 13%)
R1
84
96
R2
88
98
R3
82
100
R4
86
96
Médias
85b
97,5a
C.V. 5,5%. * Efeito significativo pelo teste de Tukey 1%. Dados transformados pela
transformação angular arco seno.
Na tabela 2 são apresentados valores médios obtidos da avaliação de plântulas anormais
de sementes de milho crioula variedade Amarelo 17, submetidas a diferentes teores de umidade
durante o armazenamento de doze meses, dessa forma, observa-se que sementes submetidas ao
teor de umidade de 13% obtiveram resultados inferiores, com média de 2,5 plantas anormais,
comparada as sementes submetidas à umidade de 7% qual resultou na média 15 plantas
anormais.
Neste sentido fica clara a superioridade do tratamento de redução de 13% de umidade
da semente, pois caracterizou uma diferença de 12,5 plântulas sadias e normais, comparado
com a umidade de semente de 7%.
Tabela 2. Percentual de plântulas anormais de sementes de milho variedade Amarelo 17
submetidas a diferentes teores de umidade durante o armazenamento de 12 meses.
(A – 7%)
(B – 13%)
R1
16
4
R2
12
2
R3
18
0
R4
14
4
Médias
15b
2,5a
Tratamentos
C.V. 26,9%. * Efeito significativo pelo teste de Tukey 1%. Dados transformados pela
transformação angular arco seno.
Conclusão
Diante das análises e interpretação dos resultados, permite concluir que as sementes
de milho armazenadas com 13% de umidade possuíram melhor conservação e qualidade
fisiológica, pois, as sementes apresentaram menor percentual de plântulas anormais e maiores
percentuais de germinação.
Referências
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2005
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