LIGA DE ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR Celmira Lange - Profª Drª. da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Pelotas. Vagner Kabke – Acadêmico do 9º semestre da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Pelotas, bolsista Programa de Bolsas de Extensão e Cultura - PROBEC. Manuella dos Santos Garcia Vanti Carvalho – Acadêmica do 6º semestre da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Pelotas. Marcos Aurélio Matos Lemões- Doutorando Programa de Pós Graduação Enfermagem,Universidade Federal de Pelotas- UFPel, Bolsista CAPES Demanda Social. Brunna Maia Berny – Enfermeira pós graduanda em enfermagem em UTI da Anhanguera Educacional Introdução A extensão universitária é parte orgânica do currículo na formação de educadores e profissionais, pois a partir de sua dinâmica social se da a produção das relações interdisciplinares entre as práticas de ensino e pesquisa, caracterizando-se como o elo de integração do pensar e fazer, da relação teoriaprática na produção do conhecimento (Jezine, 2004). Nos dias atuais a formação profissional da área da Enfermagem visa graduar enfermeiros generalistas e integralistas, frente a essa perspectiva percebeu-se a carência de aprofundamentos teórico-práticos na área do Atendimento Pré Hospitalar (APH) dentro da Faculdade de Enfermagem, então foi proposto a criação do Projeto de Extensão Liga de Atendimento pré-hospitalar (LAPH). A LAPH é um projeto de extensão vinculado a Faculdade de Enfermagem (FEn), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), criada em 2009 sob orientação da Drª em Enfermagem Celmira Lange, porém a liga é dirigida por acadêmicos que são escolhidos através de seleções semestrais. Segundo Ramos e Sanna (2005) o atendimento pré-hospitalar pode ser definido como a assistência prestada em um primeiro nível de atenção aos portadores de quadros agudos, de natureza clínica, traumática ou psiquiátrica, quando ocorrem fora do ambiente hospitalar, podendo acarretar seqüelas ou até mesmo a morte. Conforme Figueiredo e Costa (2009), o APH no Brasil teve influência de dois modelos internacionais, o francês e o americano. No serviço norteamericano, denominado Emergency Medical Services as equipes são compostas por Emergency Medical Technician (EMT) ou paramédicos, habilitados em Suporte Básico de Vida (SBV) e Suporte Avançado de Vida (SAV), respectivamente. Primeiramente, o modelo norte-americano foi o de maior predominância no Brasil para realizar somente medidas de SBV, pelo Corpo de Bombeiros (CB), pioneiros no APH. A influência do serviço francês, cujas equipes são compostas unicamente por profissionais de saúde, é indicada em seguida em algumas cidades brasileiras para realizar, também, o SAV no local do evento. Neste tipo de suporte é incluída a realização de procedimentos invasivos e o uso de equipamentos e materiais específicos destinados à assistência dos casos de maior gravidade, portanto, deve ser unicamente realizado por médicos e enfermeiros. No entanto no SBV não é realizado procedimentos invasivos, o que permite a atuação de bombeiros ou técnicos de enfermagem, capacitados previamente. A assistência em situações de emergência e urgência se caracteriza pela necessidade de um paciente ser atendido em um curtíssimo espaço de tempo. A emergência é caracterizada com sendo a situação em que não pode haver uma protelação no atendimento, o mesmo deve ser imediato. Nas urgências o atendimento deve ser prestado em um período de tempo que, em geral, é considerado como não superior a duas horas. As situações não-urgentes podem ser referidas para o pronto-atendimento ambulatorial ou para o atendimento ambulatorial convencional, pois não tem a premência que as já descritas anteriormente (Lopes, 2009). Nos encontros semanais da LAPH determinados temas são estipulados e apresentados pelos participantes no grupo, visando assim a melhor absorção do conteúdo e o estímulo do mesmo a buscar e se aperfeiçoar do material que deve ser ministrado. Regularmente são realizadas visitas a órgãos de atendimento pré hospitalar de urgência e emergência, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e a Ecosul – Empresa Concessionária de Rodovias do Sul S.A., o que resulta em maior interesse do grupo em permanecer nesta linha de atuação e pesquisa. No ano de 2006 foi implantada no Brasil a Política Nacional de Atenção às Urgências, tendo como diretrizes a universalidade, a integralidade, a descentralização, a participação social e a humanização que todos os cidadãos tem direito, devendo existir em todos os níveis do Sistema Único de saúde (SUS), relacionando a assistência desde a Unidade Básica de Saúde, Equipes de Saúde da Família até os cuidados pós-hospitalares de recuperação e reabilitação. Dentro da política foi iniciado também o Serviço de Atendimento Móvel às Urgências (SAMU 192), que deve atender as necessidades da população e oferecer respostas aos pedidos de auxilio com ações específicas e ágeis (Brasil, 2006). Conforme Merlo (2009), com o SAMU, o Governo Federal está reduzindo o número de óbitos, o tempo de internação em hospitais e as seqüelas decorrentes da falta de socorro precoce. O SAMU realiza o atendimento de urgência e emergência em qualquer lugar, residências, locais de trabalho e vias públicas. O socorro começa com a chamada gratuita, feita para o telefone 192. A ligação é atendida por técnicos que identificam a emergência e transferem o telefonema para um médico, que faz o diagnóstico da situação e inicia o atendimento no mesmo instante, orientando o paciente, ou a pessoa que fez a chamada, sobre as primeiras ações. De acordo com a situação do paciente, o médico pode orientar a pessoa a procurar um posto de saúde, enviar ao local uma ambulância com enfermeiro, técnico de enfermagem e motorista socorrista ou uma UTI móvel, com médico, enfermeiro e motorista socorrista. Ao mesmo tempo ele avisa sobre a emergência ao hospital de referência mais próximo para que a rapidez do tratamento tenha continuidade. O serviço funciona 24 horas por dia com equipes de radio operador, técnicos telefonistas, médicos reguladores estes responsáveis pelo atendimento de ligações e escolha de viaturas para o atendimento, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e motoristas socorristas, que atendem as ocorrências de natureza traumática, clínica, pediátrica, cirúrgica, gineco-obstétrica e de saúde mental da população. Criado em 2003, como parte da Política Nacional de Atenção a Urgências, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU/192) tem ajudado a reduzir o número de óbitos, o tempo de internação em hospitais e as sequelas decorrentes da falta de socorro. A rede nacional SAMU 192 conta com Serviços de Atendimento Móvel de Urgência no Brasil, presentes em todos os estados e no Distrito Federal. O objetivo do Estado brasileiro é levá-lo a todos os municípios do País. O Ministério da Saúde prevê a implantação do serviço em todos os municípios brasileiros, respeitadas as competências das três esferas do poder executivo (federal, estadual e municipais). O Estado brasileiro entra com uma contribuição mensal a municípios e estados com projetos aprovados de SAMU, bancando 50% do custeio desses serviços. A Ecosul - Empresa Concessionária de Rodovias do Sul S.A. é uma concessionária criada em 19 de janeiro de 1998 para administrar o Pólo Rodoviário de Pelotas/RS por um período de 28 anos, tendo o Governo Federal contratante por intermédio da Agência Nacional dos Transportes – ANTT. O Polo Rodoviário de Pelotas possui 623,4 km de extensão e compreende as seguintes rodovias: BR 116/RS - Camaquã/Pelotas/Jaguarão - total: 260,5km, BR 293/RS - Pelotas/Bagé total: 161,1 km e BR 392/RS - Rio Grande/Pelotas/Santana da Boa Vista - total: 201,8 km. Para a execução das obras previstas no Pólo Rodoviário de Pelotas/RS, a Ecosul S/A obteve recursos através de financiamentos bancários e aportes de acionistas. O objetivo da empresa é dar um excelente padrão de segurança e trafegabilidade para os usuários das estradas sob sua concessão, antes mesmo da cobrança da tarifa de pedágio. A Ecosul S.A. estabelece como sua política de gestão integrada: “Ser referência em gestão sustentável de rodovias proporcionando mobilidade, conforto e segurança aos usuários bem como agregando valor ao negócio” A liga de atendimento pré-hospitalar (LAPH) é composta por acadêmicos de enfermagem de distintos semestres, conforme Ramos e Sanna (2005), enfermeiro é participante ativo da equipe de atendimento pré-hospitalar e assume em conjunto com a equipe a responsabilidade pela assistência prestada as vítimas. Atua onde há restrição de espaço físico e em ambientes diversos, em situações de limite de tempo, da vítima e da cena e, portanto são necessárias decisões imediatas, baseada em conhecimento e rápida avaliação. Dentro do APH, o papel do enfermeiro não está limitado ao atendimento de assistência direta ao paciente, é também sua função articular e integrar a equipe multiprofissional, bem como coordenar a equipe de enfermagem (Mello e Brasileiro, 2010). Criando assim, um elo bastante comum dentro da profissão, que é a gestão e a assistência andando juntas para o desenvolvimento crescente de suas atividades. A função desempenhada pelo Enfermeiro no atendimento pré hospitalar é dividida em três fases distintas: 1ª fase – antes do atendimento – o enfermeiro deve realizar o check-list: checar e repor o material dentro do veículo de emergência; manter a padronização nos kits de atendimento, acesso venoso, vias aéreas, procedimento cirúrgico de infusão venoso em neonatos; conferir a caixa de medicamentos portátil do tipo “multi-box”; verificar o funcionamento do oxímetro, monitor desfibrilador e ventilador; verificar volume de oxigênio presente no cilindro. 2ª fase – durante o atendimento – abordar a vítima com segurança; avaliar a cena; sempre que possível, obter a história da vítima; realizar avaliação primária (determinar se existe risco imediato à vida); avaliação secundária (analisar o corpo da vítima); estabelecer prioridade para o atendimento; estabilizar a vítima se possível antes do transporte; auxiliar nos procedimentos de maior complexidade técnica; manter o cuidado e avaliar a evolução de todos os sinais e sintomas; promover um transporte de forma eficiente e segura até uma unidade hospitalar; transmitir as informações e a situação do caso à equipe que o recebeu na emergência. 3ª fase – após o atendimento – repor o material utilizado na ocorrência; recarregar equipamentos que necessitam de bateria, desinfectar equipamentos; fazer relatório nos registros de enfermagem (Merlo, 2009). Objetivos A liga de atendimento pré-hospitalar (LAPH) tem por finalidade complementar o ensino curricular proporcionando assim espaços de discussão e troca de conhecimento a cerca do serviço de atendimento pré-hospitalar para os acadêmicos do curso de enfermagem. Assim como, despertar interesse nos acadêmicos para uma área tão singular e necessária dentro das profissões da área da saúde e de uma carência profissional no mercado. Esse conhecimento se dá por meio de desenvolvimento de folders, palestras, oficinas e simulações, seus membros, somado a esse trabalho ainda feito orientações Universidade e comunidade em geral. para os demais cursos da Com o projeto em vigor, a principal intenção é capacitar acadêmicos e até mesmo a comunidade, para que se possa ser e fazer a diferença nos novos profissionais que estão em formação, visto que durante a graduação este assunto é abordado, porém de maneira insuficiente, sendo assim, existe a necessidade de complementação teórica e prática sobre esta temática, com o objetivo principal de salvar vidas. Metodologia Dentro da liga LAPH busca-se apresentar as mais novas diretrizes para aperfeiçoamento das técnicas de atendimento, fazendo com que estejamos preparados para minimizar e até mesmo evitar seqüelas secundárias, seqüelas estas, responsáveis pelo aumento das mortes em trauma, aumentando assim a sobre vida das vítimas com um atendimento rápido e efetivo. O atendimento pré-hospitalar vem tomando uma grande proporção nos veículos de informações visto o aumento crescente do número de acidentes, casos de violência física, catástrofes climáticas e incidentes de natureza clínica ou psíquica, que levam a lesões, exigindo do mercado de trabalho, profissionais cada vez mais capacitados para lidar com estes fatos. Há um avanço nos estudos dentro da temática, visto a recente descentralização administrativa do atendimento préhospitalar da corporação dos bombeiros em favor aos órgãos de saúde; a nova legislação e modelo em vigor, ainda está sendo implantado em algumas partes do país, tornando necessário estudar sobre como surgiu, como foi a sua criação, e principalmente, a inserção da enfermagem no serviço (RAMOS e SANNA, 2005). O atendimento nas áreas de urgência e emergência tem crescido e se tornado cada vez mais expressivo na sociedade brasileira e mundial. O aumento dos casos de acidentes e violência tem forte impacto sobre o Sistema Único de Saúde do país e o conjunto da sociedade. Na assistência, este impacto pode ser medido diretamente pelo aumento dos gastos com internações hospitalares, assistência em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e tempo de hospitalização. Na questão social, pode ser verificado pelo aumento de 30% no índice de Anos Potenciais de Vida Perdidos (APVP) devido a acidentes e violências nos últimos anos. (BRASIL, 2002). Dentro destas políticas está a Rede de Atenção às Urgências, que cria gestão de pessoal, de material, adequação das estruturas físicas da rede de atendimento, ou de pessoal no atendimento adequado a vítimas, diminuindo gastos e dando mais chance de sobre vida aos pacientes. Esse atendimento deve seguir protocolos, que dependendo da peculiaridade da região podem sofrer alterações para melhor se adequar, visando assim diminuir o impacto financeiro com gastos em procedimentos, internações e permanência hospitalar de vitimas de trauma ocasionados por um atendimento primário ineficiente. Os integrantes da Liga de Atendimento Pré-hospitalar são selecionados por meio de avaliações escritas que tem por finalidade avaliar o conhecimento e o nível de interesse dos componentes, e de entrevista oral, que visa interpretar a disponibilidade de horários do participante além de seu perfil e interesse em ajudar a manter e aprofundar o grupo de estudos. A seleção é realizada semestralmente, mantendo um limite máximo de vinte e cinco integrantes para que se possa proporcionar qualidade e oportunidade igualitária a todos os membros; atualmente contamos com vinte e três acadêmicos do curso de enfermagem dos mais variados semestres de graduação. São realizados encontros semanais, apresentados pelos acadêmicos sob orientação docente, onde são abordadas temáticas relacionadas ao serviço de urgência e emergência, Atendimento Pré-Hospitalar (APH), resgate, busca e salvamento, método START (Simple Triage and Rapid Treatment), cinemática do trauma e ABC do trauma. Também são abordados temas sobre Suporte Básico de Vida (SBV), Reanimação Cardiopulmonar (RCP), imobilização, funcionamento do serviço, gestão, Resgate em áreas Remotas (RAR), resgate busca e salvamento com cães, Resgate em Estruturas Colapsadas (REC), gestão de equipes, Defesa civil, prevenção de acidentes e lesões, segurança do profissional, e liderança. Todos os assuntos são tratados de forma generalista, porém, com um enfoque no papel do Enfermeiro dentro dos variados cenários do atendimento pré-hospitalar, buscando também, diferenciar um atendimento pré-hospitalar de um leigo e de uma profissional capacitado. Essa modalidade de estudo, tem sido bem aceita entre os acadêmicos do grupo, visto que cada profissional tem a sua maneira de atuar e de colocar em prática a teoria aprendida, como cada integrante é parte essencial na construção do conhecimento, na elaboração das propostas e na prática propriamente dita e realizada. Por isso, após cada atividade, é gerado espaço de discussão e problematização do tema para que possamos estabelecer um elo entre a teoria e as técnicas que estamos habituados a estudar, com a realidade vivenciada pelos profissionais atuantes. Eventualmente, são realizadas palestras por profissionais atuantes como, socorristas, brigadistas, gestores, enfermeiros, instrutores de técnicas verticais, técnicos de enfermagem e bombeiros. Estes são convidados e se disponibilizam a trazer seu conhecimento prático para o grande grupo da liga de atendimento préhospitalar, trazendo para o grupo assuntos diversos como; atendimento a múltiplas vítimas, resgate em altura, Pré Hospital Trauma Life Suport (PHTLS). Além das palestras a liga de atendimento pré-hospitalar participa regularmente de atividades de treinamento realizadas pelos órgãos de serviço de urgência e emergência existentes na região. Resultados Os integrantes da LAPH mantém-se sempre atualizados no conhecimento de atendimento pré-hospitalar, o que possibilita o grupo a ministrar palestras, realizar oficinas , entre outras atividades, sobre as principais abordagens do atendimento pré-hospitalar em ambientes acadêmicos e para a comunidade em geral. Dentre as principais atividades realizadas pelo grupo está o treinamento para os selecionados a participarem do Projeto RONDON 2013, bem como aos alunos de cursos que atuam em áreas de riscos do Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) nos cursos de eletrotécnica, eletromecânica e edificações, aos profissionais da Companhia Estadual de Energia Elétrica CEEE-Pelotas/RS, capacitações e educação em saúde nas unidades básicas de saúde, centros de apoio psicossociais, escolas, creches e eventos acadêmicos. Regularmente são realizadas visitas em instituições que prestam serviços de atendimento pré-hospitalar, para conhecer o serviço, assistir e participar de simulados junto a estas equipes e manter um vínculo harmonioso com os profissionais, aprimorando assim o conhecimento e abrindo espaço para parcerias e atividades conjuntas técnicas e práticas. Contando com o apoio dos profissionais do Corpo de Bombeiros, Serviço Móvel de Urgência (SAMU) e empresa concessionária de rodovias do sul (ECOSUL). O grupo por vezes é convidado a participar de treinamentos realizados a motoristas e outros profissionais recém-admitidos no serviço móvel de urgência (SAMU) – Pelotas, como também participa de visitas internas na Central de Atendimento do mesmo, onde se aprende a organização, atendimento dos pedidos de auxílios, preparação das ambulâncias e materiais das mesmas, bem como a comunicação e entrosamento da equipe multiprofissional. No último ano foi realizado um grande simulado com as equipes citadas acima, no campus da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), abordando o atendimento em casos de explosão com múltiplas vítimas, onde obteve a presença de toda a comunidade acadêmica e a participação como vitimas dos integrantes da liga de atendimento pré-hospitalar (LAPH). Estas atividades são programadas e preparadas durante semanas visando um aperfeiçoamento homogêneo dentro do grupo, para que possamos passar ao publico técnicas que poderão salvar vidas se forem bem aplicadas, divulgando assim a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o curso de enfermagem, e a liga de atendimento pré-hospitalar (LAPH). Tais realizações proporcionam ao grupo e a população atingida, conhecimento teórico-prático, aumento das habilidades de atendimento préhospitalar, redução da mortalidade no atendimento à vítimas e informação para a prevenção de acidentes e lesões. Assim como, o crescimento científico para a formação acadêmica dos participantes, fazendo com que os mesmos se integrem com mais intensidade ao ambiente universitário e sintam-se estimulados a buscar avanços curriculares em sua graduação. Conclusão Segundo Gentil, Ramos e Whitaker (2008), no Brasil, o APH é uma área emergente para atuação de enfermeiros, ainda há escassez de programas ou cursos de capacitação que atendam a necessidade de formação específica, qualificada e adaptada ao padrão brasileiro. Neste contexto, o eixo ensino/pesquisa/extensão tem um papel fundamental, já que relaciona a aprendizagem com as dificuldades encontradas nas redes de serviços públicos. Por isso a liga de atendimento pré-hospitalar (LAPH), através de oficinas, palestras e simulados visa incentivar a comunidade acadêmica a participar destes projetos de extensão, criando um aperfeiçoamento profissional. Segundo Teixeira (2012) as oficinas ocupam um lugar privilegiado no desenvolvimento do ser humano em todas as áreas, e oferece-lhe a oportunidade de manipular diretamente os materiais de comunicação e expressão, refletindo toda a problemática relacionada com o ensino através da arte. Partindo deste pressuposto, as oficinas nascem da preocupação de passarmos da abstração para a realidade e todas as aprendizagens a ela inerentes. Simultaneamente, constituem-se um espaço, um momento importante de trabalho com os outros, promovendo a socialização. Estas surgem das motivações e interesses e facilitam a comunicação e autonomia. Com as oficinas, e numa perspectiva pedagógica diferenciada, alunos tendem a aprender. A presença dos membros do grupo da liga de atendimento pré-hospitalar é cobrada dos acadêmicos nas reuniões semanais, visto que a presença de todos é de extrema relevância, devido aos conteúdos que são apresentados e de sua importância, enaltecendo sempre a importância do trabalho em equipe. Dentro do trabalho em equipe é preciso manter o grupo unido e focado no objetivo do projeto, portanto, pode-se perceber que quem busca este tipo de estudo, é por que realmente tem uma afeição pelo atendimento pré-hospitalar e quer continuar a trabalhar na área depois de graduado. Fazendo com que a função do projeto se estenda não somente a construção acadêmica, mas também a construção de uma sociedade com profissionais capacitados para atendimentos imprevisíveis. Conforme Torres (2011) no atual cenário competitivo e agressivo, as empresas precisam de equipes de trabalho que organizem suas tarefas e, seus trabalhos para alcançarem suas metas. Porém, o sucesso de uma equipe está nas mãos dos líderes. Isso é o que distingue uma equipe de um simples grupo. Trabalhar em equipe é o meio mais adequado para que se possa obter melhores resultados. Onde mentes estiverem unidas, e em uma única direção, geram soluções de problemas e de idéias que uma só pessoa em sua área, ainda que com muito conhecimento, nem sempre consegue desenvolver e executar sozinha. Segundo Robbins (2002), uma equipe de trabalho é “um grupo de esforços individuais que resultam em um nível de desempenho maior do que a soma das entradas individuais”. Uma equipe de trabalho necessita compreender a sua formação, onde ela está e para onde ela quer seguir. Uma liderança eficaz envolve o estabelecimento de metas (Parker, 1995), e este, entretanto, é fundamental para o sucesso da equipe porque além dos objetivos básicos da utilização de metas, o líder de equipe interfuncional, poderá utilizar as informações para resolver conflitos entre os membros e obter recursos. Parker (1995, p.58), ressalta que os inevitáveis conflitos que surgem entre os profissionais que integram equipem podem ser resolvidos mais facilmente se a equipe houver combinado metas comuns. A liderança é um processo indispensável na enfermagem, pois se encontra na rede de relações humana do enfermeiro para coordenar uma equipe, contribuindo na tomada de decisões e no enfrentamento dos conflitos, atuando assim para influenciar os profissionais que lidera de modo ético-profissional, contribuindo nos laços de confiança trabalhando em conjunto e alcançar os objetivos em comum. (Amestoy et al, 2010). Na urgência e emergência considera-se necessário criar espaços de reflexão para que os profissionais repensem sua prática, entendam os processos de trabalho no qual estão inseridos, e tenham a possibilidade de repensar condutas, de buscar novas estratégias de intervenção buscando a superação de dificuldades individuais e coletivas no trabalho (Ciconet; Marques; Lima, 2008). Dentro do atendimento pré-hospitalar, é imprescindível à construção de um ideal de educação continuada, bem como o estímulo à atuação em equipe visando um trabalho mais articulado, integrado e qualificado (Bueno e Bernardes, 2010). O profissional de saúde especialista em atendimento pré-hospitalar em sua formação deve, portanto ser maior e mais eficiente que outras, pois ele se prepara para otimizar o que tiver em mãos para salvar vidas. E é desses profissionais diferenciados que área da saúde está em busca. Referências AMESTOY,S,C, et al. Processo de Formação de Enfermeiros Líderes. Rev. Bras. Enfermagem, Brasilia 2010, Nov-Dez; 63(6):940-5. BRASIL. Ministério da Saúde. Política nacional de atenção às urgências / Ministério da Saúde. – 3. ed.ampl. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006. 256 p.: il. – Série E. Legislação de Saúde BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Nº 2048/GM de 5 de novembro de 2002. Regulamenta o atendimento das urgências e emergência. 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