UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA – CCET CURSO DE ENGENHARIA CIVIL IMPACTOS AMBIENTAIS DECORRENTES DO USO E OCUPAÇÃO DO SOLO NO ENTORNO DA AV. INDEPENDÊNCIA ENTRE O PROJETO AÇÃO METRÓPOLE (BELÉM/PA) PEDRO LEONARDO SECCO GOMES BELÉM – PA 2012 UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA - UNAMA CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIA - CCET CURSO DE ENGENHARIA CIVIL IMPACTOS AMBIENTAIS DECORRENTES DO USO E OCUPAÇÃO DO SOLO NO ENTORNO DA AV. INDEPENDÊNCIA ENTRE O PROJETO AÇÃO METRÓPOLE (BELÉM/PA) PEDRO LEONARDO SECCO GOMES Orientador: ALBERTO CARLOS DE MELO LIMA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência para obtenção do título de Engenheiro Civil, submetido à banca examinadora do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade da Amazônia. BELÉM – PA 2012 Trabalho de Conclusão de Curso submetido à Congregação do Curso de Engenharia Civil do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Universidade da Amazônia, como requisito para obtenção do título de Engenheiro Civil, sendo considerado satisfatório e APROVADO em sua forma final pela banca examinadora existente. APROVADO POR: ________________________________________________ ALBERTO CARLOS DE MELO LIMA, Doutor (UNAMA) (ORIENTADOR) ________________________________________________ LEONARDO AUGUSTO LOBATO BELLO, Doutor (UNAMA) (EXAMINADOR INTERNO) ________________________________________________ BENEDITO COUTINHO NETO, Doutor (IFPA) (EXAMINADOR EXTERNO) BELÉM - PA, 11 de dezembro de 2012. Now look at that yo-yo's, that's the way you do it You play the guitar on the MTV That ain't workin', that's the way you do it Money for nothin' and chicks for free Now that ain't workin' that's the way you do it Lemme tell ya them guys ain't dumb Maybe get a blister on your little finger Maybe get a blister on your thumb (2x) We gotta install microwave ovens Custom kitchen deliveries We gotta move these refrigerators We gotta move these colour TV's See the little faggot with the earring and the makeup Yeah buddy that's his own hair That little faggot got his own jet airplane That little faggot he's a millionaire (2x) We gotta install microwave ovens Custom kitchens deliveries We gotta move these refrigerators We gotta move these colour TV's I shoulda learned to play the guitar I shoulda learned to play them drums Look at that mama, she got it stickin' in the camera Man we could have some fun And he's up there, what's that? Hawaiian noises? Bangin' on the bongoes like a chimpanzee That ain't workin' that's the way you do it Get your money for nothin' get your chicks for free We gotta install microwave ovens Custom kitchen deliveries We gotta move these refrigerators We gotta move these colour TV's Now that ain't workin', that's the way you do it You play the guitar on the MTV That ain't workin', that's the way you do it Money for nothin' and your chicks for free Money for nothin' and chicks for free Money for nothin' and chicks for free Dire Straits (Money for Nothing) AGRADECIMENTOS A Deus por me dá saúde para levar este trabalho até o final; A minha mãe por me ajudar a concluir o curso de Engenharia Civil; As minhas tias que sempre estiveram me apoiando nos cinco anos na Universidade; A minha namorada Gabriella Bouth por me apoiar e me ajudar neste trabalho; Ao meu orientador Alberto Lima por dedicar parte do seu tempo neste trabalho; Ao professor Leonardo Bello por me ajudar a realizar a pesquisa; Ao professor Benedito Coutinho por dedicar parte de seu tempo à correção da pesquisa; Aos meus colegas de classe; A todos os meus professores que tive o prazer de conhecer e aprender; Aos meus futuros colegas de profissão que conheci durante a Monitoria; Aos meus animais de estimação; Aos profissionais que me atenderam nos órgãos e instituições públicas; A todas as pessoas que conheci durante meus cinco anos na UNAMA. RESUMO GOMES, P. L. S. Impactos ambientais decorrentes do uso e ocupação do solo no entorno da Av. Independência entre o projeto Ação Metrópole. 2012. 62 f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Engenharia Civil) – Universidade da Amazônia, Belém, 2012. O estudo teve como objetivo avaliar a degradação ambiental devido às práticas antrópicas antes e depois do Projeto Ação Metrópole que foi implantado no entorno de uma área de proteção ambiental, particularmente a área compreendida da Av. Independência e Av. Centenário que são rotas alternativas ao tráfego na cidade de Belém-PA. Para tal, foram levantadas informações bibliográficas e no local através de mapas, imagens de satélite e verificações “in-loco”. Foram analisadas as imagens de satélite e ortofoto para estimar a taxa de redução das áreas verdes da área de interesse através de comparações entre imagens e o comportamento da evolução urbana, que compreendeu os períodos de 1972 à 2011, os quais se relacionou aos acontecimentos históricos sociopolíticos influentes sobre a habitação no Brasil neste período. Na análise dos impactos ambientais foi utilizada uma metodologia que se baseou e se adaptou à Matriz de Leopold. Os resultados mostraram que a taxa de redução média das áreas verdes foi de 1,16% a.a., entretanto, no período de 1998 à 2004 a redução foi a menor obtida, ficando em torno de 0,23%, enquanto que no período de 2009 à 2011 obteve-se uma taxa de 6,92%, que atribui-se a fase de implantação do Projeto Ação Metrópole. Outra observação é quanto às ações antrópicas que contribuíram ao longo dos anos para a degradação ambiental do Parque Ecológico do Município de Belém Gunnar Vingren (PEGV) e tiveram início com a integração do sistema viário central ao da área de expansão, se agravando ainda mais no ano de 1998, onde houve a implantação do Projeto de Saneamento para Recuperação das Baixadas de Belém (Macrodrenagem do Una), ressaltando que a Área de Proteção Ambiental (APA) estudada é um agente regulador do microclima da cidade de Belém. Em relação aos impactos ambientais, verificou-se que 50% da cobertura vegetal está comprometida e que não teve um avanço maior devido as áreas verdes ainda restantes estarem protegidas por serem áreas de proteção ambiental e áreas militares. Palavras-Chave: Projeto Ação Metrópole, Evolução Urbana, Degradação Ambiental. ABSTRACT GOMES, P. L. S. Environmental impacts from the use and occupation of land in the vicinity of Independence Avenue between Action Project Metropolis. 2012. 62 f. Completion of course work (Graduate in Civil Engineering) – University of the Amazon, Belém, 2012. The study aimed to evaluate the environmental degradation due to anthropogenic practices before and after the Action Project Metropolis which was deployed in the vicinity of a protected area, particularly the area between Independence Avenue and Centennial Avenue that are alternative routes to traffic in Belém, PA. To this end, we raised bibliographic information and location through maps, satellite images and checks "in place". We analyzed the satellite imagery and orthophoto to estimate the rate of reduction of green areas in the area of interest by comparing images and behavior of urban evolution, which comprised the periods 1972 to 2011, which was related to historical events influential sociopolitical on housing in Brazil during this period. In the analysis of the environmental impacts, we used a methodology that is based and adapted to the Leopold Matrix. The results showed that the average rate of reduction of green areas was 1.16% per year, however, in the period 1998 to 2004 the reduction was the lowest obtained, getting around 0.23%, while in the period 2009 to 2011 yielded a rate of 6.92%, which is attributed to the implementation phase of the Action Project Metropolis. Another observation is about the human actions that have contributed over the years to the environmental degradation of the Ecological Park City of Belém Gunnar Vingren (PEGV) and started with the integration of the road system to the central area expansion is further aggravating the 1998, which was the implementation of the Sanitation Project for the Recovery of Downloaded from Belém (Macrodrainage Una), noting that the Environmental Protection Area (APA) study is a regulator of the microclimate of the city of Belém regarding impacts environmental, found that 50% of the vegetation is not compromised and that had a major breakthrough because the green areas remaining are still being protected by protected areas and military areas. Keywords: Action Project Metropolis, Urban Development, Environmental Degradation. LISTA DE FIGURAS FIGURA 1: Tratado de Tordesilhas............................................................................................................. 17 FIGURA 2: Estudo de Belém I em 1773. .................................................................................................... 18 FIGURA 3: Planta geral da cidade do Pará (Belém) de 1791 . .................................................................... 19 FIGURA 4: Estudo da expansão de Belém. ................................................................................................ 20 FIGURA 5: Evolução urbana de Belém entre as duas bacias hidrográficas. ............................................... 20 FIGURA 6: Elevado Daniel Berg no cruzamento da Av. Júlio César com a Av. Pedro Álvares Cabral..... 30 FIGURA 7: Trevo de quatro pétalas (Elevado Daniel Berg) e entorno do Parque Ecológico de Belém . .... 31 FIGURA 8: Imagem de satélite com sobreposição do desenho do trevo..................................................... 31 FIGURA 9: Elevado Av. Independência com a Av. Júlio César (Gunnar Vingren). .................................. 32 FIGURA 10: Consequências do processo de escoamento das águas superficiais e urbanização. ................. 37 FIGURA 11: Consequências sociais da implantação de um Shopping. ........................................................ 38 FIGURA 12: Consequências da atividade de terraplenagem sobre o Canal São Joaquim. ........................... 38 FIGURA 13: Croqui da localização dos pontos avaliados. ........................................................................... 41 FIGURA 14: P1: Invasões as margens do Canal São Joaquim; P2: Lixo, assoreamento do Canal. .............. 43 FIGURA 15: P3: Arborização do Parque Ambiental; P4: Lixo acumulado nas margens do Parque............. 43 FIGURA 16: P5: Falta de proteção das áreas verdes; P6: Vandalismo e condomínios residenciais. ............ 44 FIGURA 17: P7: Condomínios residenciais; P8: Construção de um Shopping. ........................................... 44 FIGURA 18: P9: Modificações no relevo. .................................................................................................... 45 FIGURA 19: Mancha da expansão urbana e redução das áreas verdes nos anos de 1972 a 2011 . ................ 47 FIGURA 20: Expansão próxima às áreas de proteção ambiental e marinha em 1998 . ................................. 48 FIGURA 21: Estagnação da urbanização às margens das áreas de proteção ambiental e marinha em 2011. 48 FIGURA 22: Expansão urbana ao longo das principais Avenidas e Canal São Joaquim (1972-2011) . ........ 49 LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1: Área verde x crescimento urbano por ano ......................................................................................... 51 GRÁFICO 2: Taxa média de redução das áreas verdes por período . .................................................................... 52 GRÁFICO 3: Taxa média do crescimento urbano por período . ............................................................................. 52 GRÁFICO 4: Taxa média do crescimento urbano x redução de áreas verdes por período ................................ 53 GRÁFICO 5: Linha de tendência em relação às taxas de redução das áreas verdes ........................................... 53 GRÁFICO 6: Linha de tendência em relação às taxas do crescimento urbano . .................................................. 54 LISTA DE TABELAS TABELA 1: Matriz de identificação dos prováveis impactos no entorno do trecho de uma Rodovia . ........ 35 TABELA 2: Impactos definidos para avaliação e os critérios de pontuação. ............................................... 42 TABELA 3: Redução de áreas verdes e crescimento urbano de 1972 a 2011 . ............................................. 50 TABELA 4: Cronologia histórica relacionados ao crescimento urbano e áreas verdes. .............................. 50 TABELA 5: Cronologia histórica relacionados ao crescimento urbano e áreas verdes (Continuação) . ....... 51 TABELA 6: Taxa de perda e crescimento por ano. ...................................................................................... 53 TABELA 7: Ocorrência e intensidade dos impactos ambientais na área de estudo. .................................... 55 ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 11 1.1. 1.2. 2. OBJETIVOS .............................................................................................................. 16 2.1. 2.2. 2.3. 3. ETAPA INICIAL DO ESTUDO ......................................................................... 39 AVALIAÇÃO DE IMPACTO ............................................................................ 41 RESULTADOS E DISCUSSÕES ............................................................................ 43 5.1. 5.2. 5.3. 5.4. 6. URBANIZAÇÃO E IMPACTOS AMBIENTAIS .............................................. 17 LINHA DO TEMPO ............................................................................................ 22 MEIO AMBIENTE ............................................................................................. 26 IMPACTO AMBIENTAL ................................................................................... 28 AÇÃO METRÓPOLE ......................................................................................... 28 MÉTODO DE LISTAGEM (CHECK-LIST) ...................................................... 33 MATRIZES DE INTERAÇÕES ......................................................................... 33 OUTRAS FERRAMENTAS DE IDENTIFICAÇÃO DE IMPACTOS .............. 36 MATERIAIS E MÉTODOS ..................................................................................... 39 4.1. 4.2. 5. OBJETIVO GERAL ............................................................................................ 16 OBJETIVOS ESPECÍFICOS .............................................................................. 16 ESTRUTURAÇÃO DO TRABALHO ................................................................ 16 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................................. 17 3.1. 3.2. 3.3. 3.4. 3.5. 3.6. 3.7. 3.8. 4. PROBLEMÁTICA .............................................................................................. 13 JUSTIFICATIVA ................................................................................................ 14 VERIFICAÇÃO “IN LOCO” .............................................................................. 43 ANÁLISE E INTERPRETAÇÕES ..................................................................... 45 O CRESCIMENTO URBANO E O MEIO AMBIENTE: DESIGUALDADE ... 47 ANÁLISE DOS IMPACTOS .............................................................................. 55 CONCLUSÃO............................................................................................................ 56 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................ 57 11 1. INTRODUÇÃO O modelo conceitual de cidades, como ecossistemas urbanos, foi concebido graças às primeiras compreensões entre o desenvolvimento urbano e as alterações ambientais. Segundo os ecologistas, a cidade é compreendida genericamente como um sistema heterotrófico que consome os recursos naturais circundantes e devolve a eles os rejeitos e resíduos (SILVA, 2007). Na década de 50, a urbanização no Brasil foi mais intensa pelo processo de industrialização e modernização das atividades agrícolas, desencadeados pela Revolução Industrial. A população rural, também, estimulou o processo de urbanização (SOUZA e BRITO, 2005). Devido às precárias condições de vida, as pessoas do campo resolveram partir para os centros das cidades com a perspectiva de encontrar empregos, assistência educacional, de saúde, transporte e saneamento básico. Em países onde o processo de industrialização foi demorado, como no Brasil, a população rural que chegava, sem qualificação, era considerada como mão-de-obra de baixo custo. Nas cidades, nenhum planejamento urbano pode obter resultados satisfatórios se as ações de ordenamento territorial não forem integradas (JATOBÁ, CIDADE e VARGAS, 2009). As questões físico-territoriais e ambientais devem ser discutidas junto com as questões socioeconômicas e administrativas, em todas as esferas governamentais, como a municipal, estadual e federal. Nas metrópoles, assim como em cidades médias e pequenas, contextualizadas ao processo de urbanização, a falta de planejamento de ocupação do solo provocam diversos problemas urbanos e no entorno, logo a qualidade de vida da população é prejudicada, conforme a evolução e o adensamento dessa expansão. Os maiores problemas relacionados à ocupação urbana são as inundações e os diversos impactos ambientais, portanto, a sociedade está pagando um preço muito alto com o caos ambiental urbano, já que a atuação do planejamento urbano integrado é limitada. As ocupações irregulares geram mobilidade de forma clandestina sem planejamento e sem controle, praticamente um processo urbano inexistente (SCARINGELLA, 2001). 12 A tragédia urbana no Brasil é consequência de cinco séculos de formação da sociedade brasileira, principalmente com a privatização da terra em 1850 e da emergência do trabalho livre em 1888 (MARICATO, 2000). As diversas relações entre o uso e ocupação do solo urbano, os sistemas de transporte e a infraestrutura viária e a interação entre as pessoas, via pública, veículo e meio ambiente, possibilitam um melhor entendimento das questões relacionadas à crise da mobilidade urbana. Na década de 60, em São Paulo, foi um marco a implantação do projeto do metrô, porém, antes de sua implantação, foram feitos estudos de viabilidade técnica econômica e financeira, sendo importante para o entendimento adequado às questões de mobilidade (SCARINGELLA, 2001). Em Curitiba, o Plano Preliminar de Urbanismo (PPU) teve como principal meta dotar racionalmente a cidade das atribuições técnicas e espaciais necessárias a um plano de reordenamento capaz de modernizar e preparar a cidade visando o progresso econômico (SOUZA e PARANÁ, 2001). Na cidade de Belém (PA), a frequente expansão urbana, tanto da parte continental quanto nas insulares aumentou a especulação imobiliária em áreas afastadas do centro da cidade. Devido à escassez de áreas horizontais, a cidade vem buscando soluções de verticalização, que vem acontecendo de forma acelerada, diminuindo as áreas de matas nativas, dando lugar a condomínios residenciais, shoppings e novas vias de escoamento do trânsito. Em face disso, a cidade se desenvolveu de forma vertiginosa e acelerada, em áreas de proteção ambiental, explorando áreas verdes, onde existem mananciais, em bairros distantes, como é o caso de Icoaraci. Assim, foram implantados projetos que geram alternativas de escoamento de tráfego nessas áreas. O “Projeto Ação Metrópole” (PAM) é um programa que tem como meta principal a implantação de um sistema integrado de transporte na Região Metropolitana de Belém (RMB), visando evitar a perda da mobilidade das pessoas na cidade. Sabe-se que a urbanização é um processo de transformação da sociedade, os impactos ambientais oriundos das aglomerações urbanas são o produto e processo de 13 transformação dinâmico da natureza e sociedade. Portanto, este trabalho pretende avaliar as consequências das ações antrópicas provocados pelo PAM, para que se possam elaborar as prevenções de qualidade ambiental, visando à proteção e a preservação do meio ambiente urbano. 1.1. PROBLEMÁTICA As grandes cidades da América Latina são caracterizadas com áreas de extrema pobreza urbana e péssimas condições de vida, fatores agravados pela má distribuição de renda, desemprego, baixos salários e política econômica, social e habitacional existente nestes países (BRASIL, 2004). Nas últimas décadas, foram estudadas formas de regularização e urbanização de algumas áreas da cidade, destacando obras de urbanização com diferentes modelos de implementação e critérios urbanísticos. O crescimento acelerado da cidade de Belém/PA acarretou sérios prejuízos à qualidade ambiental das áreas de expansão urbana, onde a ocupação e uso do solo confirmam a relação homem e natureza como degradante da cobertura vegetal, transformando o espaço construído sem nenhum planejamento urbano que considere a vegetação importante à qualidade de vida das pessoas e ao desenvolvimento sustentável (COSTA e CORRÊA, 2009). A Região Metropolitana de Belém (RMB) possui treze bacias hidrográficas, sendo a área de estudo situada na Bacia Hidrográfica do Una. Esta bacia possui área de 36,64 Km², com 19,02% de áreas alagadas/alagáveis, abrangendo os bairros do Umarizal, Nazaré, Fátima, São Brás, Pedreira, Marco, Telégrafo, Sacramenta, Barreiro, Miramar, Maracangalha, Castanheira, Souza, Marambaia, Mangueirão, Val-de-Cães, Parque Verde, Bengui e Cabanagem. Nove destes bairros foram atingidos pelo Projeto de Macrodrenagem da Bacia do Una, com exceção dos bairros de Nazaré e São Brás (MACÊDO E SILVA, 2003). Na Bacia do Una, a partir da década de 50, grandes áreas de propriedade particular, institucional e terrenos da Marinha foram invadidos pela população de baixa renda, se intensificando na década de 70. A ocupação foi sendo processada de maneira desordenada, tanto na configuração espacial quanto na tipologia habitacional, sem 14 obedecer nenhum instrumento regulador. Logo, algumas áreas apresentaram maior densidade em detrimento de outras. No caso as áreas centrais da cidade tiverem maior densidade em relação às áreas de expansão (BRASIL, 2004). A mobilidade, elemento fundamental na dinâmica demográfica, foi perdendo a característica de acesso a bens ou serviços dentro de Belém, devido à malha urbana desordenada e o volume excessivo de veículos (RODRIGUES, 2006). Visando evitar a perda da mobilidade das pessoas e a ampliação do tráfego geral de veículos, no ano de 2010 foi inaugurada a primeira fase do Projeto Ação Metrópole com a implantação da Avenida Independência, no trecho entre Avenida Augusto Montenegro e Avenida Júlio César, os dois elevados da Avenida Independência com a Avenida Júlio César (Elevado Gunnar Vingren) e da Avenida Pedro Álvares Cabral com a Avenida Júlio César (Elevador Daniel Berg), e a recuperação da Rodovia Arthur Bernardes. Porém, as construções de melhoria do meio urbano, diminuição das áreas verdes e o aumento das emissões de poluentes na atmosfera proveniente do grande tráfego de veículos provocam barreiras geomorfológicas modificando os microclimas urbanos, como a composição natural do ar, temperatura, umidade, precipitações, dentre outros componentes relacionados ao clima. Segundo Morais et al (2007), o clima de uma cidade encontra-se influenciado pela sua própria estrutura urbana, podendo ser atribuído à modificação da composição do ar, à alteração do equilíbrio térmico e alteração do balanço hídrico, devido às irregularidades, à natureza e à topografia da superfície urbana. 1.2. JUSTIFICATIVA Nos últimos anos, há um foco notório da crescente pesquisa em torno da realidade urbana. A população se concentra nas cidades, tornando este fator como um forte argumento que justifica a consolidação de grupos de investigação sobre a qualidade de vida urbana. É de suma importância reconhecer que a urbanização atual, intensa e desordenada, gera um conjunto de problemas influenciando as condições de vida das pessoas em que nela vivem. Do ponto de vista ambiental, o meio ambiente está em constante degradação, como por exemplo, o uso indiscriminado da água sendo utilizada como meio de transporte 15 de dejetos e rejeitos, contaminação do solo pelo lançamento de lixo a céu aberto, e a qualidade do ar modificada pela emissão de gases poluentes das indústrias e veículos (SABBAG FILHO, 2006). Sob o ponto de vista do uso do solo, o impacto ambiental das ocupações irregulares é mais agravante próximo a canais na medida em que o rio seja um manancial de abastecimento de água. A deterioração da qualidade da água é conformada pela utilização do oxigênio dissolvido pela oxidação da matéria orgânica de diferentes fontes ligadas ao processo de urbanização (CARNEIRO, PEGORINI e ANDREOLI, 2005). De acordo com Sperling e Möller (1996) apud Sabbag Filho (2006 pág. 4), as novas edificações de interesse social não podem ser separadas da questão de proteção do meio ambiente, sendo que essas ações de construção das habitações e do espaço urbano devem ser realizadas permitindo um controle sobre a poluição ambiental, garantindo um ambiente favorável à flora, fauna e a espécie humana. Com base nestas argumentações, a primeira fase do Projeto Ação Metrópole, que está inserida entre os Distritos Administrativos da Sacramenta (DASAC) e do Entroncamento (DAENT), localizada na Segunda Légua Patrimonial, é objeto de estudo deste trabalho, avaliando a evolução urbana da área e os impactos ambientais provocados pelas ações antrópicas, como o desmatamento das espécies nativas e a poluição dos cursos d’água, propondo medidas mitigadoras nas Áreas de Preservação Ambiental (APA) ainda existentes, destinadas a proteger e conservar o meio ambiente e os sistemas naturais, melhorando a qualidade de vida da população e protegendo os ecossistemas regionais. 16 2. OBJETIVOS 2.1. OBJETIVO GERAL O estudo teve como objetivo avaliar a degradação ambiental devido às práticas antrópicas antes e depois do Projeto Ação Metrópole que foi implantado no entorno de uma área de proteção ambiental, particularmente a área de entorno da Av. Independência / Av. Centenário que é rota alternativa ao tráfego na cidade de Belém-PA. 2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS a) Levantamento bibliográfico na literatura da área sobre dados históricos, sociais, dinâmica urbana, econômicas, mapas, leis, imagens de satélite e fotos; b) Identificação das áreas afetadas pelo processo de degradação ambiental através das imagens de satélite, mapas, fotos e cartas topográficas; c) Verificação “in loco” das possíveis áreas ameaçadas pelo Projeto Ação Metrópole (PAM); d) Avaliar a redução das áreas verdes em paralelo ao crescimento urbano; e) Avaliar os impactos ambientais ocasionados pelo PAM. 2.3. ESTRUTURAÇÃO DO TRABALHO O trabalho está divido em 6 capítulos, organizados em: Capítulo I: Introdução; Capítulo II: Objetivos; Capítulo III: Revisão Bibliográfica; Capítulo IV: Materiais e Métodos; Capítulo V: Resultados e Discussões; Capítulo VI: Conclusão. O Capítulo I aborda os problemas atuais sobre a temática da pesquisa e a justificativa da importância deste estudo para a sociedade e o meio ambiente. O Capítulo II detalha como será feito o prognóstico e diagnóstico da pesquisa. O Capítulo III trata um pouco do histórico da cidade de Belém x Urbanização, e demais conceitos referentes ao meio ambiente, métodos e técnicas de análises na literatura e a apresentação do que é o Projeto Ação Metrópole. O Capítulo IV explica passo-a-passo como foi feita a pesquisa, desde a etapa inicial a organização destes dados para posterior análise. Enfim, o Capítulo V analisa os resultados obtidos e Capítulo VI refere os resultados aos danos no meio ambiente natural a curto, médio e longo prazo. 17 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Urbanização de Belém: Histórico 3.1.URBANIZAÇÃO E IMPACTOS AMBIENTAIS No início do século XVII data o início da colonização da cidade de Belém. Esse processo foi em decorrência da disputa da colonização das Américas pelas duas maiores potências da época que foram a Coroa Espanhola e a Portuguesa. Belém (PA) foi colonizada sobre o Meridiano de Tordesilhas (Figura 1) no lado onde as terras pertenciam à Espanha, e sua fundação em 1616 sob o comando da Dinastia Filipina. O objetivo era proteger a foz do Rio Amazonas e garantir a posse do território e o domínio ibérico. Figura 1: Tratado de Tordesilhas. Fonte: KOSHIBA, L., PEREIRA, D.M.F. (1993). A cidade, inicialmente, foi batizada de Feliz Lusitânia, e depois nomeada de Santa Maria do Grão Pará, Santa Maria de Belém do Grão Pará e por último Belém. A morfologia de Belém se resumia a um forte que foi terminado sua construção em 1616 e de um colégio jesuíta concluído em 1626. Estas edificações estavam localizadas no ponto mais alto das terras que margeavam a orla fluvial para facilitar a visibilidade de qualquer atividade. A princípio era um forte de madeira e uma capela. 18 XVII, a cidade ganhou sua ua primeira rua delineada Ainda, em meados do século XVII logo após a construção do Forte de Santo Cristo, atual Forte do Castelo, nomeada de Rua do Norte. Em 1777, foi elaborado um ousado plano urbanístico que visava solucionar o grave problema de extensos terrenos alagados na cidade, qque ue naquele momento tinha seus 1320 metros de largura por 660 metros de comprimento, atormentando o povo belenense desde a fundação da cidade em 1616. Segundo Meira Filho (1976), o terreno era um mangue “largo, argiloso, que marginava a fortificação”. Eram m tão grandes os terrenos com baixa declividade que as águas das chuvas ficavam estagnadas, atingindo às vezes a altura de 1 metro, efeito retensivo da maré do Rio Guamá, devido a ponta de terra onde Castelo Branco mandou construir o primeiro forte do povoado em 1616. Durante séculos as construções de Belém seriam afetadas pelo Lago do Piri (Figura 2), forçando a expansão da cidade na direção dos terrenos de cotas mais elevadas, consideradas nobres e mais caras. A população de baixa renda permaneceu por um longo período confinada nas áreas de constantes inundações, sujeira, proliferação de doenças e mau cheiros. Figura 2: Estudo de Belém I em 1773 1773. Fonte: COIMBRA (2003). 19 De acordo com Derenji (2001) essa premissa de ocupação vai até a metade do século XX, se apropriando das áreas mais altas, ou seja, menos baixas de uma topografia plana. Ao término dos anos setecentos, a cidade invadia terras mais distantes. A população se instalaria em lugares desertos e mais afastados da cidade. Logo apareceram as rocinhas no caminho do Utinga. A planta geral da cidade do Pará (Figura 3), em 1791, mostra Belém avançando para a Campina e para novas zonas urbanas. Figura 3: Planta geral da cidade do Pará (Belém) de 1791. Fonte: MEIRA FILHO (1976). Segundo Meira Filho (1976), o processo de expansão urbana é justificada pela formação do largo da matriz e dos demais que se criaram em torno dos conventos religiosos, ermidas, capelas, e igrejas desde os primeiros instantes do Forte do Presépio. A cidade foi modulando a presença de moradores nas proximidades desses templos que serviram de eixo orientador do traçado e da expansão urbana. O crescimento da cidade nos séculos XIX e XX demonstra poucas mudanças na sistemática de ocupação do solo (DERENJI, 1999). Meira Filho (1976) ilustra em um estudo gráfico a expansão de Belém em seis fases, de 1616 a 1950. A fixação urbana, dentro dos limites indicados no desenho, tem como base a evolução populacional urbanística, econômica e social (Figura 4 e 5). 20 Figura 4: Estudo da expansão de Belém. Fonte: MEIRA FILHO (1976). Figura 5: Evolução urbana de Belém entre as duas bacias hidrográficas. Fonte: MEIRA FILHO (1976). 21 Conceitos e discussões Não há consenso entre os estudiosos sobre o limite conceitual do que vem a ser efetivamente urbanização, cidade e espaço, uma vez que isto depende do enfoque disciplinar de cada ciência. Vários ramos do conhecimento científico têm estudado o fenômeno urbano (SOUZA, 2000). Segundo Alves (2009) urbanização é a produção do espaço, ou seja, urbanizar é agregar valor ao ambiente natural por meio do trabalho, transformando-o num produto de mercado. A urbanização é a maior causadora de alterações permanentes nos ambientes naturais. A cidade mantém uma baixa taxa de similaridade à paisagem original, tornando o ambiente quase irrecuperável ao que era antes. Com o avanço da ocupação urbana, a fragmentação dos habitats originais pode ser muito grande, causando alterações a todos os níveis ecológicos e aos organismos envolvidos (ALEXANDRINO, 2010). A urbanização é resultado da mercantilização da terra, como estabelecido pelo sistema capitalista, em que o solo ganha valor em conjunto com a infraestrutura que recebe, pelas atividades econômicas que abriga e por uma série de valores culturais variantes no tempo que lhe são também agregados (ALVES, 2009). A forma urbana é o encontro que reúne os produtos e as atividades circunvizinhas. Ela condensa a paisagem, obra do trabalho, forma imposta à natureza sobre um território (ARAÚJO, 2007). O processo histórico de formação da cidade de Belém pode ser entendido como um processo de urbanização dependente. O que não a isenta de submeter-se (ao contrário, aumenta sua submissão, no estágio atual, monopolista, do desenvolvimento capitalista), à lógica das grandes corporações econômicas. Neste sentido, a classificação de Belém como uma forma urbana dependente não é contraditória com a classificação de cidade corporativa. Enfim, concebe-se Belém como exemplo de uma urbanização corporativa dependente (RODRIGUES, 1996). O fenômeno da urbanização na região tropical pode ser classificado como sendo espontâneo, embora haja muitos casos de implantação urbana planejada. As cidades 22 surgem como sendo organismos permanentes de ação cumulativa, aumentando a população e ampliando a área ocupada (LEAL et al, 2008). O crescimento desordenado das cidades causam problemas ecológicos como o desequilíbrio crescente entre a população e os meios materiais, e em contrapartida, a contaminação em todas as suas manifestações. A natureza fica humanizada devido às modificações no ambiente, alcançando maior expressão nos espaços ocupados pelas cidades criando um ambiente artificial (COSTA e CORRÊA 2009). Com base nos conceitos apresentados, os problemas de impactos ambientais passam a se manifestar em larga escala nas grandes cidades, comparando com as pequenas cidades e a zona rural. Nos grandes centros urbanos estes problemas geram consequências no meio ambiente natural, poluição atmosférica, poluição sonora, poluição visual, poluição das águas e esgotos com o lançamento de efluentes industriais e esgotos domésticos, dentre outros resíduos (MIRANDA, 2012). 3.2. LINHA DO TEMPO Neste item fez-se uma breve análise cronológica dos eventos decorridos na área de estudo desde o século 17 até a implantação do PAM. Ano 1675: A fazenda Val-de-Cans foi deixada em testamento por D. Maria Mendonça aos padres Mercedários. Ano 1798: Por carta régia, foi autorizado o sequestro dos bens dos padres Mercedários. Ano 1934: O general Eurico Gaspar Dutra, diretor da aviação militar, designou o tenente Armando Serra de Menezes para escolher em Val-de-Cans um terreno onde seria construído um aeroporto. 23 Ano 1938: Desapropriação do terreno para a construção do aeroporto pelo decreto nº 3.116 de 3 de outubro de 1938. Ano 1959: Em 24 de janeiro de 1959 foi inaugurado o Aeroporto Internacional de Belém. Ano 1964: Implantação da ditadura no Brasil pelo golpe militar de 1964 derrubando o governo do presidente esquerdista eleito democraticamente João Goulart. Ano 1965: Em 13 de abril de 1965 foi criado pela Lei nº 3.282 a Companhia de Habitação do Estado do Pará (COHAB-PA). Em julho do mesmo ano (1965) a COHAB-PA iniciou as obras do primeiro conjunto habitacional no Estado, o Nova Marambaia I, localizado em Belém, tendo 834 unidades residenciais. Década de 70: Padrão de desenvolvimento no Brasil baseado na ocupação territorial, comandado pelo Estado e pelos Grandes Projetos, postos em ação no âmbito dos Planos Nacionais de Desenvolvimento (PND), surgindo inicialmente no governo do general Emilio Garrastazu Médici (1970-1974). Ano 1972: Inauguração do Conjunto Médici, sendo as casas financiadas pelo extinto Banco Nacional da Habitação (BNH). Ano 1973 a 1974: Não há registros de início de construções de habitações populares pela COHABPA, devido a reflexos que esta companhia passou devido ao direcionamento de recursos do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) para o financiamento de obras destinadas a população de alta renda. 24 Ano 1975: Início das obras do conjunto Nova Marambaia II pela COHAB-PA. Ano 1979: Implantação do conjunto Promorar: conjunto de erradicação de favelas do Ministério do Interior criado em junho de 1979. A primeira fase foca as cidades do Rio de Janeiro, Belém, São Luiz e Vitória. Década de 80: Decadência da Ditadura Militar. O governo não conseguia mais estimular a economia e diminuir a inflação, dando início ao movimento pró-democracia. Ano 1981 a 1984: Período crítico de uma crise econômica no Brasil, ocasionados pela falta de habilidade política do General João Batista de Figueiredo em seis anos de mandato (19791985). Ano 1983 a 1998: Déficit habitacional devido à grande inadimplência de moradores de conjuntos afeta setores oficiais de habitação no Pará, impossibilitando a construção de moradias por falta de financiamentos (O LIBERAL, 1999). Ano 1983: Campanha das “Diretas Já” visando à introdução de uma emenda constitucional determinando que as eleições presidenciais de 1984 fossem realizadas pelo voto popular, porém em desaprovação no Congresso Nacional, as eleições do próximo presidente ainda foram por via indireta. Ano 1987: Projeto de recuperação de conjuntos habitacionais, abrangendo dentre outros conjuntos o Marex, Médici I e Médici II. 25 Ano 1988: Em 31 de julho de 1988 teve a primeira tentativa de invasão ao Parque Ambiental. Ano 1998: Criação do Projeto da Macrodrenagem da Bacia do Una, com o objetivo resolver os graves alagamentos que ocorriam em grande parte da Bacia nas áreas denominadas “baixadas de Belém”, em parceria com o Plano de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belém (PDRMB), implantando uma infraestrutura de saneamento básico e sistema viário. Também no mesmo ano foram feitos investimentos nos setores da habitação e saneamento do Estado do Pará através da Caixa Econômica Federal beneficiando a urbanização e loteamentos da RMB e na infraestrutura de conjuntos invadidos. 579 famílias do conjunto Bela Vista foram beneficiadas (O LIBERAL, 1998). Ano 1999: Entrega da primeira etapa da reforma e ampliação do Aeroporto Internacional de Belém. Ano 2001: Término das obras do projeto de reforma e ampliação do Aeroporto Internacional de Belém. Ano 2002: Invasão do Conjunto Água Cristal localizada na UC, às margens do Canal São Joaquim, próximo a Estação de Tratamento da Companhia de Saneamento do Pará (COSANPA) que se encontra desativada. Ano 2005: Investimentos do governo federal em habitação direcionado às famílias de menor renda. 26 Ano 2006: Pacote de investimentos de 19 milhões de Reais no Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o setor da habitação, para garantir imóveis novos e usados, além de financiamentos para reformas. Ano 2010: Projeto de extensão da Av. Independência do Projeto Ação Metrópole. Ano 2012: No dia 15 de julho de 2012 iniciaram as obras de fundação do projeto do Shopping Bosque Grão-Pará. Ano 2014: Previsão de inauguração do Shopping Bosque Grão-Pará. 3.3. MEIO AMBIENTE A problemática do meio ambiente nas zonas urbanas deve ser estudada num contexto político, social e científico, porque ela não deve ser da responsabilidade apenas do poder municipal ou estadual (SERRE, 2002). O meio ambiente é o próprio “espaço material” em que se desenvolvem as relações sociais, mas que recebe a denominação “meio ambiente” para justificar projetos políticos de apropriação da base material (recursos naturais) pelos grupos dominantes, que, dessa forma, subdividem as funções deste “meio ambiente” com a justificativa da preservação e da gestão de seus recursos. No entanto, é um terreno contestado material e simbolicamente por interesses diversos; a luta ambiental é a luta por um significado cultural de “meio ambiente” (ACSELRAD, 2004). De acordo com pesquisas analisadas por Lynch et al (2005) apud Carvalho Júnior et al (2008 pág. 2) em torno do Parque Ambiental de Belém, o maior fator impactante na região da Área de Proteção Ambiental (APA) é a ação antrópica. Essa ação vem causando males progressivos e irreparáveis a essa área, capazes de comprometer o fornecimento de 27 água potável para toda a Região Metropolitana de Belém. Como a APA/PAB constituem patrimônio ambiental, devem ter a biodiversidade preservada. A vegetação existente é um indicador de qualidade de vida, que de acordo com a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU) as cidades brasileiras deveriam manter o índice de área verde por habitante na ordem mínima de 15m²/hab (COPQUE et al, 2011). Suhugusoff et al (2007), definiram ação antrópica como qualquer atividade humana que, de alguma forma, interfira nos mecanismos naturais de funcionamento de uma unidade ecológica ou ecossistema. A ação antrópica, portanto, é uma atividade que causa algum tipo de impacto no ambiente ou num ecossistema, interferindo em seu funcionamento natural. Suhugusoff et al (2007) relacionou poluição devido a uma ação antrópica, e as ações do homem são frequentemente mais dramáticas que os lentos efeitos naturais. Para Noffs (2000) toda área degradada que por ação natural ou antrópica tiveram suas características originais alteradas, além do limite de recuperação natural dos solos, necessitando a intervenção do homem para sua recuperação. A questão social e habitacional é fundida ao debate sobre o ambiente urbano e atinge máximas curiosas acerca das variadas formas de “degradação” possíveis, desde a desestruturação do núcleo familiar até a paisagem natural, no curso das águas, na presença da vegetação. Algumas destas impressões podem ser comparadas, tratando de áreas diferentes da cidade [...] (PONTE, 2007). Com a implantação do projeto Ação Metrópole, Meira (2012) apud Filgueiras (2012) ressaltou que as modificações previstas nas vias em Belém terão impactos positivos no trânsito e no meio ambiente. A Agência de Cooperação Técnica e Financeira Internacional do Japão (JICA) realizou um pré-estudo simulando o novo sistema de transporte, e os resultados obtidos mostraram uma diminuição significativa da emissão de gases poluentes na atmosfera. 28 3.4. IMPACTO AMBIENTAL A evolução das sociedades modernas reflete-se em um acentuado aumento das formas urbanas de uso do solo. Tais processos de adensamento populacional resultam na modificação de ambientes naturais e na aquisição de novas características para os lugares ocupados (SARAIVA, 2005). Segundo Soares (2004), impacto ambiental é a alteração no meio ou em algum de seus componentes por determinada ação ou atividade. Estas alterações precisam ser quantificadas, pois apresentam variações relativas, podendo ser positivas ou negativas, grandes ou pequenas. O que caracteriza o impacto ambiental, não é qualquer alteração nas propriedades do ambiente, mas as alterações que provoquem o desequilíbrio das relações constitutivas do ambiente, tais como as alterações que excedam a capacidade de absorção do ambiente considerado. Pelo CONAMA (1986), impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria e energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança, o bem-estar da população, as atividades sociais e econômicas, a biota, as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos recursos ambientais. Estudos demonstram como é frágil o código ambiental praticado atualmente em nosso País. Belém sofreu desmatamento de 50% em suas APAs no ano de 2006. Essas leis ineficazes facilita a prática de diversas agressões à fauna e a flora brasileira, facilitando então a pratica de ações cada vez mais agressivas ao meio ambiente (RAPOSO et al, 2010). No mundo, os principais impactos ambientais são: desmatamento das florestas, poluição com agrotóxicos, erosão, efeito estufa, destruição da camada de ozônio, inversão térmica, ilhas de calor e chuva ácida. Logo a ação do homem sobre o meio ambiente provoca um desequilíbrio ambiental (ZANATTA, 2011). 3.5. AÇÃO METRÓPOLE Na Região Metropolitana de Belém (RMB) já houve os seguintes planos de transporte urbano: 29 • Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU/1991); • Plano Diretor de Transporte Urbano – Atualização (PDTU/2001); Em 2002, 75% da RMB utilizava o ônibus como principal meio de transporte no horário de pico pela manhã. Com o aumento do fluxo de transporte e do crescimento populacional, além de acrescentar a frota de veículos como carros de passeio, vans, caminhões, etc., e mais ainda a falta de um sistema eficiente de transporte por ônibus, tem amplamente contribuído para o aumento da contaminação da atmosfera por gases tóxicos emitidos por esses veículos, sobretudo pelos ônibus mais antigos. O Governo do Estado do Pará, com o intuito de discutir e solucionar esses problemas, solicitou ao governo japonês, em 2003, a elaboração e a execução de um projeto de cooperação técnica chamado “Estudo de Viabilidade Econômica para o Melhoramento do Sistema de Transporte na Região Metropolitana de Belém (EV/2003)”, desenvolvido pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA). Neste estudo contêm projetos viários e de sistema de transporte coletivo de ônibus, com o objetivo de aperfeiçoar e modernizar o atual sistema de transporte da RMB. Com a conclusão deste estudo, em 2003, o EV/2003 recebeu o status de projeto oficial do Governo do Estado, vindo a ser denominado de Via Metrópole. O projeto foi apresentado para as instituições como: Banco Japonês para Cooperação Internacional (JBIC), Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e outros, mas não houve pedido oficial de solicitação junto ao JBIC, logo sua implementação não se materializou. Passando cinco anos, houve a necessidade de se fazer uma revisão e de adequar à realidade socioeconômica e de transporte atual. Logo, o Governo do Estado, em conjunto com os municípios de Belém e Ananindeua, solicitou à JICA a atualização do EV/2003. A JICA, em reuniões com o Governo do Estado e instituições envolvidas no projeto, certificou a necessidade de se fazer uma revisão global do EV/2003. A partir dessas discussões, decidiu-se a realização do Estudo Preparatório para o Projeto do Sistema de Transporte por Ônibus da Região Metropolitana de Belém (EV/2009). Após esta revisão, o Governo do Estado do Pará renomeou o empreendimento como Metrópole em Movimento. 30 Em outubro de 2008, foi definido um valor para o financiamento de duas vias alternativas de tráfego para empréstimo pelo Banco do Brasil. Tanto o montante quanto o conteúdo do projeto também foi alterado em conformidade com o valor a ser liberado. Neste momento o nome do empreendimento foi novamente alterado para Ação Metrópole – Obras Integradas de Transporte. O projeto Ação Metrópole é um conjunto de obras de infraestrutura de tráfego e transporte implementando um modelo de gestão para o sistema de transporte interligado. Este projeto é constituído em duas partes: a primeira que são obras de infraestrutura viária com a abertura da Av. Independência, no trecho entre a Rodovia Augusto Montenegro e a Avenida Júlio César, com a construção também de um trevo de quatro pétalas na interseção da Avenida Júlio César com a Avenida Pedro Álvares Cabral (Figura 6), e a revitalização da Rodovia Arthur Bernardes. Nesta mesma fase tem a construção da passagem subterrânea na Avenida Doutor Freitas com a Avenida Almirante Barroso, a duplicação da Avenida Perimetral, o prolongamento da Avenida João Paulo II até o elevado do Coqueiro, e a duplicação da Transmangueirão. ELEVADO DANIEL BERG Figura 6: Elevado Daniel Berg no cruzamento da Av. Júlio César com a Av. Pedro Álvares Cabral. Fonte: Agência Pará (2010). A segunda etapa do projeto será com a implantação do sistema integrado de transporte metropolitano, que compreende o projeto operacional, corredores estruturados e terminais de integração com linhas de ônibus denominadas BRT (Bus Rapid Transit). 31 A implantação do Projeto Ação Metrópole (PAM) está dividida da seguinte maneira: • 1ª Etapa (2008-2010): Corredor Norte – Av. Independência, Rod. Arthur Bernardes e Elevados Daniel Berg e Gunnar Vingren (Figuras 7, 8 e 9); • 2ª Etapa (2011-2015): Vias Alternativas – Av. João Paulo II e Av. Independência. Corredor de Transporte – Corredor BR-316, Av. Almirante Barroso e Centro, Corredor Av. Augusto Montenegro. ÁREA DA MARINHA PARQUE ECOLÓGICO AV. INDEPENDÊNCIA ELEVADO DANIEL BERG ELEVADO GUNNAR VINGREN CANAL SÃO JOAQUIM Figura 7: Trevo de quatro pétalas (Elevado Daniel Berg) e entorno do Parque Ecológico de Belém. Fonte: Wikimapia (Fevereiro/2012). ÁREA DA MARINHA PARQUE ECOLÓGICO AV. INDEPENDÊNCIA ELEVADO GUNNAR VINGREN ELEVADO DANIEL BERG CANAL SÃO JOAQUIM Figura 8: Imagem de satélite com sobreposição do desenho do trevo. Fonte: Wikimapia (Fevereiro/2012). 32 Figura 9: Elevado Av. Independência com a Av. Júlio César (Gunnar Vingren). Fonte: Agência Pará (2012). De acordo com Ação (2008) apud Raposo et al (2010 pág. 163), estudos de impacto ambiental foram feitos para originar o projeto de desenvolvimento da malha viária de Belém, no Projeto Ação Metrópole, onde foram desmatados quatro hectares de área do Parque Ambiental de Belém para que a Avenida Independência fosse construída. Como formas de compensação foram previstos alguns benefícios ao meio ambiente que infelizmente não saíram do papel. Sá et al (2009) denunciaram à Rede Latino-americana de Ministério Público Ambiental a gravíssima situação de degradação ecológica da fauna e da flora, em estado bastante avançado, e consequente ocorrência de crimes ambientais, no Parque Ecológico do Município de Belém Gunnar Vingren (PEGV), criado pela Lei Municipal nº 7.539 de 19 de novembro de 1991, com uma área de 33 hectares, ocasionados em razão da execução do Projeto Ação Metrópole e obras integradas, de autoria do Governo do Estado do Pará, o que vem causando um imenso e irreparável dano ambiental a cobertura vegetal nativa da Região Metropolitana de Belém, já bastante escassa. O PEGV é um fragmento de floresta integrante de uma importante unidade de conservação (UC) de uso integral localizado entre os bairros de Val-de-Cans e Marambaia. 33 A referida Lei nº 7.539/91 assegura a preservação, manutenção e restauração da UC, além de explicitar no art. 2º a participação dos moradores do conjunto Presidente Médici (AMME), na Comissão de Defesa do Meio Ambiente do Município de Belém, assim como estabelece o art. 158 da Lei Orgânica do Município de Belém, sendo sua gestão realizada pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SEMMA). As APAs criadas têm como objetivo continuar resistindo aos avanços da expansão urbana. Vale ressaltar que a APA estudada é um agente regulador do microclima da cidade de Belém. 3.6. MÉTODO DE LISTAGEM (CHECK-LIST) Na primeira fase do trabalho, a lista representa um dos métodos mais clássicos usados em Análise de Impactos Ambientais. Este método consiste na identificação e enumeração dos impactos, a partir da análise “in loco” dos meios físicos e bióticos. Os métodos check-lists são padrões relacionados a fatores ambientais onde é possível identificar os impactos decorrentes de um projeto específico. A metodologia escolhida apresentada tem como vantagem o seu emprego imediato na avaliação qualitativa dos impactos mais relevantes, podendo assim incorporar escalas de valores e ponderações (BACCI, 2012). Um exemplo de aplicação deste método foi durante a avaliação dos impactos ambientais do empreendimento Natal Golf & Sports Club em Nísia Floresta (RN) onde foi feita a listagem das ações de cada fase do projeto. Nesse trabalho houve a preocupação de fazer o levantamento das ações potencialmente impactantes decorrentes do projeto do complexo imobiliário-esportivo que poderiam afetar direta ou indiretamente o comportamento dos parâmetros que compõe os meios físico, biótico e socioeconômico do sistema ambiental de sua área de influência. A avaliação dos impactos foi feita com base em mensuração de valores atribuídos aos efeitos prognosticados na área de influência do projeto, utilizando os atributos: caráter, magnitude, importância, reversibilidade, duração, ordem, temporalidade e escala (GEOCONSULT, 2006). 3.7. MATRIZES DE INTERAÇÕES As técnicas bidimensionais das matrizes de interações relacionam as ações com os fatores ambientais, sendo métodos de identificação, suprindo as deficiências das listagens 34 (check-list). No trabalho foi utilizada uma metodologia que se baseou e se adaptou a Matriz de Leopold (Tabela 1), que é uma matriz elaborada em 1971 para o Serviço Geológico do Interior dos Estados Unidos. Essa matriz foi desenvolvida com a finalidade de avaliar os impactos associados a quase todos os tipos de implantação de projetos (BACCI, 2012). A matriz consiste em duas listas dispostas em forma de linhas e colunas. Em uma das listas são colocadas as atividades ou ações que compõe o empreendimento analisado e na outra são apresentados os principais elementos, componentes ou processos do sistema ambiental. O objetivo é identificar quais são as interações entre os componentes do projeto e os elementos do meio. Os autores que propuseram em sistematizar a análise dos impactos ambientais preparam uma lista de cem ações humanas que podem causar impactos ambientais e outra lista de oitenta e oito componentes ambientais que podem sofrer ações humanas. No total são 8.800 interações possíveis, porém, dentre estas, será listado apenas as ações e os componentes ambientais mais relevantes para a finalidade desta pesquisa. A Matriz de Leopold assinala primeiro todas as possíveis interações entre os fatores e as ações, e só posteriormente estabelece em uma escala arbitrária, variando de 1 a 10, a magnitude e importância de cada impacto, tanto os positivos quanto os negativos. Após a identificação de todas as interações, estas devem ser marcadas nas células correspondentes. Se a magnitude for zero não há interação e a célula não será marcada. A magnitude é apontada no canto superior esquerdo da célula e a importância é apontada no canto inferior direito. De acordo com Sánchez (2008), a Matriz de Leopold é suficientemente geral para ser usada como lista de verificação de referência ou como uma recordação do amplo aspectro dos impactos ambientais e ações que podem estar relacionados às ações propostas, ou a matriz teria uma função de comunicação, servindo como resumo de texto da avaliação ambiental, possibilitando que os leitores dos estudos dos impactos determinem rapidamente quais os impactos mais significativos e a sua importância relativa. Como a Matriz de Leopold não descreve os mecanismos como se manifestam os impactos, a identificação e a inter-relação destes impactos deverão ser feitos por meios enunciados apropriados. 35 Outra variação da matriz é a Matriz de Leopold-Rocha que consiste em cruzar ações propostas com fatores ambientais. Essa matriz é composta por 117 cruzamentos e 8536 interações possíveis decorrentes da utilização de 97 ações propostas e de 88 fatores ambientais, analisando a microbacia hidrográfica a montante da barragem do rio VacacaíMirim em Santa Maria, RS (GRACIOLI e ROCHA, 2008). Tabela 1: Matriz de identificação dos prováveis impactos no entorno do trecho de uma Rodovia. Adensamento da ocupação nas margens e área de influência Alteração da qualidade das águas superficiais e subterrâneas Alteração da qualidade do solo Alteração do ambiente sonoro Alterações das condições climáticas locais Aumento da demanda de bens e serviços Aumento da oferta de empregos Aumento das áreas de solo impermeabilizado Aumento do tráfego de veículos Deslocamento da fauna Deslocamento de assentamentos humanos Emissão de gases poluentes Emissão de ruído Erosão Especulação imobiliária Fragmentação da cobertura vegetal Impacto visual Indução de fluxos migratórios Modificação das formas de uso do solo Modificação do relevo Perda da cobertura vegetal Riscos à saúde humana Valorização imobiliária Fonte: Adaptado de Sánchez (2012). Condomínios residenciais Aplicação de revestimento asfáltico CBUQ Construção de viadutos/elevados Linhas de transmissão de energia Tráfego de caminhões Divulgação do empreendimento junto à população Remodelagem da superfície topográfica Implantação de sistema de drenagem Preparação dos acessos Construções e obras conexas Remoção da vegetação Transporte e circulação IMPACTOS POTENCIAIS Escavação e terraplenagem FONTES DE IMPACTOS 36 3.8. OUTRAS FERRAMENTAS DE IDENTIFICAÇÃO DE IMPACTOS Existem diversas outras ferramentas que são úteis para auxiliar em uma identificação dos impactos ambientais. Esses instrumentos foram desenvolvidos com a intensão de facilitar o trabalho dos pesquisadores analistas, porém esses métodos requer um domínio dos conceitos subjacentes, uma compreensão detalhada do projeto a ser analisado e todos os seus componentes, e um entendimento da dinâmica socioambiental da região ou local afetado pelo problema. Para uma identificação mais precisa, é necessário a colaboração de uma equipe multidisciplinar, incluindo cientistas naturais e sociais, engenheiros e outros técnicos com conhecimento do projeto ou do empreendimento analisado. Outro método de identificação dos impactos é utilizar o raciocínio lógicodedutivo, onde a partir de uma ação interferem-se os seus possíveis impactos ambientais. Nas Figuras 10, 11 e 12 ilustram esquemas de diagramas ou redes de interações, indicando as relações sequenciais de causa e efeito (cadeia de impacto) a partir de uma ação impactante. Logo, essas Figuras representam situações simples, mas um projeto real teria várias ações originando impactos ambientais, que essas redes podem resultar em esquemas extremamente complexos e difíceis de compreender. A vantagem destas redes é a boa compreensão das relações entre as ações e os impactos resultantes, diretos ou indiretos, e as matrizes dividem o meio ambiente em compartimentos estanques (SÁNCHEZ, 2008). As redes de interações têm certas limitações, como a capacidade restrita de representar adequadamente sistemas complexos caracterizados pelas relações não lineares de causalidade e retroalimentações múltiplas (SÁNCHEZ, 2008). Quando existem muitos processos sociais e muitos processos ecológicos, as redes de interação podem simplificar de maneira exagerada as interações. A identificação dos impactos deve ser aprimorada à medida que se avança o estudo de impacto ambiental. No inicio dos trabalhos, às vezes não se dispõe de dados cartográficos adequados, mas com o andamento dos levantamentos de campo e interpretação das imagens produzam mapas com escalas mais precisas, é possível sobrepor 37 esses mapas temáticos simulando a implantação do empreendimento em diversos locais, levando à identificação de novos impactos. Para uma identificação aprimorada dos prováveis impactos ambientais há dois requisitos: 1) O entendimento do projeto (ou programa ou plano) proposto; 2) Reconhecimento das principais características do ambiente afetado. Para uma identificação preliminar dos impactos ambientais, não é necessário ter um conhecimento amplo do ambiente afetado. As próprias atividades de planejamento, implantação, funcionamento ou desativação do projeto, plano ou programa analisado, provocam os impactos que nortearão o andamento do estudo, indicando que tipo de informação sobre o ambiente afetado será necessário para prever o nível dos impactos, avaliando a sua importância e propor medidas de gestão para evitar, reduzir ou compensar os impactos adversos, e aumentar os benefícios. Urbanização •Crescimento urbano Impermeabilização do solo •Construções de condomínios residênciais •Infratrutura no trânsito e calçadas para pedestres •Construção de um Shopping Aumento do escoamento superficial Aumento do nível do Canal São Joaquim •Lixo •Assoreamento •Esgoto a céu aberto Figura 10: Consequências do processo de escoamento das águas superficiais e urbanização. Fonte: Adaptado de Sánchez (2012). 38 Aumento da mão-de-obra para construção Implantação do projeto de um Shopping Center Atração de pessoas em busca de empregos e oportunidades Ocupação de áreas para moradias (especulação imobiliária e áreas de invasões) Lançamento de resíduos sólidos e esgotos não tratados Poluição hídrica e degradação das áreas verdes e das condições sanitárias dos corpos d'água Aumento de doenças de veiculação hídrica Aumento da demanda por serviços de saúde Figura 11: Consequências onsequências sociais da implantação de um Shopping. Fonte: Adaptado de Sánchez (2012). Figura 12: Consequências onsequências da atividade de terraplenagem sobre o Canal São Joaquim. Fonte: Adaptado de Sánchez (2012). 39 4. MATERIAIS E MÉTODOS O presente capítulo apresenta as etapas deste trabalho onde inicialmente foi feito: etapa I - revisão bibliográfica; etapa II - levantamento de imagens de satélite; etapa III coleta de mapas; etapa IV - verificação “in loco” com fotografias do entorno da área da Av. Independência apontando os pontos principais a serem abordados sobre o tema. 4.1. ETAPA INICIAL DO ESTUDO A área de estudo está localizada no Município de Belém, Capital do Estado do Pará, delimitada no entorno da Av. Independência. Segundo dados do SETRAN, o primeiro trecho foi inaugurado no ano de 2004. Para o trabalho, foram coletadas fotos de satélite do Google Earth e Bing Maps, além de aerofotografias da CODEM. Posteriormente todas as imagens foram padronizadas na mesma escala utilizando o software CorelDraw, baseando-se nas imagens de satélite do Google Earth onde foi fixado a altitude do ponto de visão em 4,44 Km. Foram coletadas imagens de aerofotografias dos períodos de 1972, 1977 e 1998, e imagens de satélite de 2004, 2005, 2006, 2009 e 2011. A escala gráfica das imagens do Google Earth indica uma régua que inicia do zero até 1028 metros. As aerofotografias, que não apresentam a escala gráfica, foram sobrepostas às imagens de satélite, adequando a imagem à escala adotada como padrão para as fotografias. Com os mapas padronizados, foi feito no CorelDraw uma malha, baseada na escala gráfica encontrada nas fotos. Cada malha possui 257 m x 257 m, equivalendo a 66049 m². Convertendo em km² temos 0,066049 km². A área total de cada foto foi calculada em 13,47 km² (aprox. 204 malhas). Com as malhas desenhadas sobre cada foto, foram observados os locais onde existem áreas arborizadas relevantes e áreas urbanizadas. Com essa técnica foi possível fazer as delimitações destas áreas, calcular a porcentagem de redução e crescimento urbano, e calcular no software Excel as alterações do efeito do crescimento urbano ao longo dos anos coletados para esta pesquisa. 40 As reduções de áreas verdes e crescimento urbano foram dados comparativos entre o ano selecionado e o ano anterior a este, utilizando equação matemática para a redução e aumento das porcentagens. Para avaliar as áreas de reduções de áreas verdes e as áreas de crescimento urbano foram baseados em indicadores mostrados em uma tabela e gráficos contendo os limites de áreas verdes e áreas urbanizadas, as taxas de reduções da cobertura vegetal e taxas de crescimento urbano entre o intervalo de cada ano dos mapas coletados (de 1972 a 2011), os resultados de redução das áreas verdes e crescimento urbano, e a taxa de velocidade destes parâmetros ao longo dos 39 anos estudados. Para os cálculos das áreas arborizadas não foram considerados vegetações com áreas inferiores a 1000 m² = 0,001 km² = 0,1 ha², desconsiderando também gramados, jardins e pequenos parques. Foi considerado no mapa de 1972 50% de área urbanizada e 50% de área arborizada, ou seja, 6,74 Km² para ambas as áreas, por ser uma mera coincidência dos dados serem iguais no resultado dos cálculos. Posteriormente foram obtidas fotos da área de estudo reforçando a análise das imagens aéreas. Foram construídas as Tabelas gerando gráficos de linhas e barras no Excel. Após isto, foi feito uma pesquisa histórica da área de estudo referente principalmente a conjuntos habitacionais, e a questões políticas e econômicas no Brasil, abrindo uma breve discussão. Devido a ser um importante eixo de ligação da cidade de Marituba, Ananindeua e Icoaraci às áreas de expansão da RMB, a Av. Independência foi tomada pela crescente especulação imobiliária. Fato semelhante relacionado ao crescimento urbano aconteceu no município de Bertioga (SP) onde o seu ambiente natural sofreu as consequências do crescimento do litoral paulista com as construções de casas de veraneio, ficando evidente este crescimento tanto na cidade quanto nas ocupações ilegais, porém a natureza está sendo ameaçada pela expansão da cidade, acelerando o crescimento populacional, gerando problemas causados pela alta demanda dos serviços ambientais (abastecimento de água, coleta de esgoto, etc.), e inexistência de infraestrutura suficiente para atendimento da população (ALVES, 2009). 41 4.2. AVALIAÇÃO DE IMPACTO Segundo Zube (1977), para se avaliar visualmente os impactos deve-se salientar uma importância a dois pontos fundamentais para obter uma objetividade, replicabilidade e redução de vícios, que são: (1) a escolha dos aspectos que podem ser identificados, avaliados e descritos esteticamente; (2) a confecção de uma escala de impacto. A avaliação dos impactos resultou na matriz de intensidade de impacto. Estes impactos foram avaliados em 9 pontos denominados P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8, P9 (Figura 13), distribuídos na Av. Júlio César, iniciando no Canal São Joaquim, até o trecho da Av. Independência com o cruzamento da Via de Acesso ao Bengui. A Tabela 2 demonstra os impactos definidos para avaliação e os critérios de pontuação. Foram considerados para a determinação dos critérios de impactos: o tamanho da área afetada, o contraste com a paisagem natural, a depredação de aspectos naturais e estéticos específicos de cada impacto. No levantamento “in loco” foram conferidos valores quali-quantitativos em uma escala que varia de 0 a 2, indicando o grau específico de cada impacto. O maior valor atribuído corresponde ao impacto de maior intensidade. P2 P1 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 Figura 13: Croqui da localização dos pontos avaliados. Fonte: Autor (2012). 42 A escala tem os seguintes propósitos avaliativos (GUEDES e PASQUALETTO, 2007): • • • 0 = Desprezível (cor verde); 1 = Significante, incidência perceptível por sua magnitude ou extensão (cor amarela); 2 = Extremo ou muito intenso, grave alteração e importante por sua magnitude ou extensão (cor vermelha). Tabela 2: Impactos definidos para avaliação e os critérios de pontuação. VALOR ASPECTOS Cobertura vegetal Lançamento de efluentes Problemas de drenagem IMPACTOS AMBIENTAIS 1 danos à vegetação 2 Redução da biodiversidade não detectado Contaminação do solo não detectado sumidouro Liberação de odores indesejáveis ausente suportável Assoreamento dos canais ausente perceptível ausente sinais Presente ausente perceptível acúmulo de lixo ausente pouco em larga escala ausente pouco em larga escala ausente pouco Intenso ausente pouco Intenso Deposição de lixo Indisponibilidade de estruturas para o público Poluição visual Impacto visual Construções de Shoppings, túneis, viadutos, condomínios residenciais, alargamento das vias Tráfego de veículos Invasões Veículos leves (carros pequenos, motos, bicicletas) Vandalismo 0 Veículos pesados (caminhões) Desmatamento esgoto a céu aberto Incômodo diminuição do corpo hídrico Fonte: Adaptado de Guedes e Pasqualetto (2012). Os critérios de análise estão direcionados para uma aplicação de avaliação no âmbito visual de impactos, não utilizando quaisquer métodos e equipamentos de medição e monitoramento. O total dos índices foi obtido através da somatória dos valores conferidos de cada impacto, com o resultado final expresso em porcentagem do máximo impacto possível. O valor máximo de cada impacto é 2, sendo no total 10 diferentes impactos, logo o valor máximo total será 20. Os critérios de avaliação de 0 a 2 estão explicados na Tabela 2 para uma compreensão mais fácil dos resultados obtidos. 43 5. RESULTADOS E DISCUSSÕES 5.1. VERIFICAÇÃO “IN LOCO” No dia 6 de março de 2012 foi feito um levantamento fotográfico da área de estudo. Foram levantados todos os pontos críticos quanto às ações antrópicas. P1 P2 Construções irregulares nas margens do Canal Linhões de energia elétrica Assoreamento Falta de conservação na ponte sobre o Canal Proliferação de lixo no Canal Guarda-corpo danificado Figura 14: P1: Invasões as margens do Canal São Joaquim; P2: Lixo, assoreamento do Canal. Fonte: Autor (mar/2012). Nas margens do Canal São Joaquim se verifica o crescimento desordenado de residências ao longo do canal. Sem planejamento, essas residências vão prejudicando a qualidade da água, com a instalação de esgoto, e a geração de resíduos sólidos (lixo) (Figura 15). Com a falta de limpeza e dragagem do Canal São Joaquim, este pode vir a sofrer um assoreamento acelerado, reduzindo a sua profundidade, diminuindo os ecossistemas aquáticos. P3 Arborização nativa da APA P4 Falta de conservação no muro de proteção Despejo de lixo nas margens Muro de proteção das áreas verdes Figura 15: P3: Arborização do Parque Ambiental; P4: Lixo acumulado nas margens do Parque. Fonte: Autor (mar/2012). 44 A vegetação às margens da Av. Independência está desprotegida em grande extensão da via, sem policiamento e com grade de proteção muito baixa, podendo sofrer invasões e poluição com acúmulo de lixo e despejo de resíduos sólidos contaminantes (Figura 16). A poluição no ar é inevitável na vegetação devido ao alto fluxo de veículos na via, porém não foi feito um estudo relacionado a este aspecto na pesquisa. P5 Área verde desprotegida P6 Condomínios residenciais Ausência de muro de proteção Vandalismo Figura 16: P5: Falta de proteção das áreas verdes; P6: Vandalismo e condomínios residenciais. Fonte: Autor (mar/2012). Em alguns trechos no Parque Ambiental, não há proteção com muros. Os animais podem inclusive sofrer atropelamentos e causar acidentes aos motoristas. Outros fatores como invasões e vandalismos também são considerados. Ao longo da Av. Independência observa-se a construção de condomínios residenciais, sendo uma avenida de grande fluxo e importância, além de ter ainda amplas áreas a serem exploradas pelo mercado imobiliário, não havendo, portanto a preocupação com a extensão de áreas a serem desmatadas para dar origem aos empreendimentos (Figura 17). P7 P8 Construção de um Shopping Grande área desmatada Novos condomínios residenciais Figura 17: P7: Condomínios residenciais; P8: Construção de um Shopping. Fonte: Autor (mar/2012). 45 Portanto, a vegetação da floresta nativa está sendo ameaçada pelo crescimento urbano, onde uma boa parte já foi desmatada abrindo espaço para construções do novo shopping e a esses condomínios (Figura 17). P9 “Obras de arte” Modificações no relevo Figura 18: P9: Modificações no relevo. Fonte: Autor (mar/2012). A Figura 18 mostra a construção de um elevado e de modificações do relevo feitos pelo homem. 5.2. ANÁLISE E INTERPRETAÇÕES Os projetos de Macrodrenagem da Bacia do Una e a Extensão da Av. Independência, apesar de contribuírem para o desenvolvimento urbano de Belém, aumentaram a degradação sobre o parque, representados pela ocupação ilegal de seu entorno, insegurança na área, crescente especulação imobiliária e o processo de redução das áreas verdes na área protegida. As ações antrópicas contribuíram ao longo dos anos para a degradação ambiental do parque e tiveram início com a integração do sistema viário central ao da área de expansão, se agravando ainda mais no ano de 1998, onde houve a implantação do Projeto de Saneamento para Recuperação das Baixadas de Belém (Macrodrenagem do Una), com a responsabilidade da Prefeitura Municipal de Belém (PMB) e a Secretaria Municipal de Saneamento (SESAN). A intervenção do Projeto de Macrodrenagem ocasionou na abertura de um grande canal nas margens do Igarapé São Joaquim e a construção de duas vias marginais, perdendo sete (7) hectares de cobertura vegetal do PEGV, facilitando o acesso de invasores no parque, aumentando também a insegurança, crescente especulação imobiliária e processo de degradação ambiental da área protegida. 46 Quando iniciaram a implantação, a comunidade através da Associação dos Moradores do Conjunto Presidente Médici (AMME) se mobilizou contra os invasores, através de uma ação judicial, para inviabilizar a implantação do esgoto sanitário na área do parque e a degradação ambiental provocada pelo projeto da Macrodrenagem. Essa mobilização neutralizou algumas ações de impacto ambiental no parque. No ano de 2002, a ocupação desordenada ao Conjunto Água Cristal vem ocasionando diversos problemas socioambientais no PEGV, como a vulnerabilidade dos moradores do entorno com o elevado número de assaltos e da criminalidade da área, aumento da produção de lixo e aumento da poluição do Canal São Joaquim. De janeiro a setembro de 2010 houve a intervenção do Projeto Ação Metrópole na UC, com a responsabilidade do Governo do Estado do Pará, gerenciado pela Secretaria de Projetos Estratégicos (SEPE). Em 2011 o projeto passou a ser coordenado pelo Núcleo de Gestão de Transporte Metropolitano (NGTM). Para compensar a perda da biodiversidade ocorrida pela Ação Metrópole, condicionaram a liberação ambiental para a reforma do parque ambiental e a implantação da obra da Av. Centenário (Av. Independência), através de um termo de compromisso firmado entre a SEPE e SEMMA, para restabelecer os impactos do projeto. A conclusão das obras do PEGV foi finalizada em 30 de setembro de 2010. Em 2010 a PMB entrou na justiça para remanejamento das famílias da “Invasão Água Cristal” que ocupavam a parte interna do PEGV, onde estas estavam provocando a destruição dos recursos naturais da área verde. No mês de dezembro do mesmo ano, foi determinada através de uma liminar a retirada das famílias do local. Porém apenas as famílias foram remanejadas, mas a ocupação desordenada no entorno do parque continua provocando ações antrópicas na área. 47 5.3. O CRESCIMENTO URBANO E O MEIO AMBIENTE: DESIGUALDADE A redução do verde e o aumento do urbano tem sido uma luta desigual na qual a natureza tem sofrido constantes derrotas. Mas, o maior perdedor nessa luta não é a natureza e sim o homem, pois depende dela para viver, além de que sua qualidade de vida está atrelada ao meio ambiente que o cerca. A Figura 19 ilustra, na área de estudo, como o desenvolvimento urbano reduz de forma vertiginosa as florestas e dá lugar ao urbano. Figura 19: Mancha da expansão urbana e redução das áreas verdes nos anos de 1972 a 2011. Fonte: Autor (2012). Na Figura 19 observa-se uma redução das áreas verdes e simultaneamente a expansão das zonas urbanas no período de 1972 a 2011 na área investigada. 48 Do ano de 1998 ao ano de 2011 nota-se uma redução da expansão urbana no trecho próximo à área de proteção ambiental, provavelmente devido a sua criação de acordo com a Lei nº 7.539/91, e também às margens da área da Marinha (Figura 20 e 21). Figura 20: Expansão próxima às áreas de proteção ambiental e marinha em 1998. Fonte: Autor (2012). Figura 21: Estagnação da urbanização às margens das áreas de proteção ambiental e marinha em 2011. Fonte: Autor (2012). Em 13 anos analisados (1998 a 2011) é possível notar a estagnação do crescimento urbano adentro das zonas demarcadas como áreas de mata nativa protegidas. Do ano de 1972 ao ano de 2011 percebe-se o crescimento da malha urbana se expandindo próximo às principais avenidas como a Av. Pedro Álvares Cabral, Av. Júlio César, e ao canal São Joaquim, e intensificando o crescimento quando foi desmatada a área para a construção da atual Av. Independência, como se observa na Figura 22. 49 A Figura 22 ilustra três comparações nos anos de 1972, 2009 e 2011 mostrando esta expansão. As setas amarelas (Mapa 2009 e 2011) indicam a direção dessa expansão. Figura 22: Expansão urbana ao longo das principais Avenidas e Canal São Joaquim (1972-2011). Fonte: Autor (2012). 50 Tabela 3: Redução de áreas verdes e crescimento urbano de 1972 a 2011. Fonte: Autor (2012). Vale comentar acerca das manchas apresentadas na Figura 19, dos dados levantados da Tabela 3 e da cronologia histórica pesquisada, foi possível fazer uma breve discussão dos prováveis motivos que levaram a essa diminuição de áreas verdes e crescimento urbano ao longo de 39 anos, conforme a Tabela 4 e 5. Tabela 4: Cronologia histórica relacionados ao crescimento urbano e áreas verdes. Período 1972 a 1977 1977 a 1998 1998 a 2004 Dados Históricos Habitacionais Inauguração do conjunto Médici; Paralisações da construção de moradias populares pela COHAB-PA; Início das obras do conjunto Nova Marambaia II. Implantação do Conjunto Promorar; Recuperação de conjuntos habitacionais (Médici I e II, Marex); Aumento de invasões; Macrodrenagem na Bacia do Una; Recuperação da infraestrutura do conjunto Bela Vista; Criação do Parque Ecológico do Município de Belém. Continuidade do projeto de macrodrenagem na Bacia do Una; Infraestrutura de saneamento básico e sistema viário na RMB; Ocupações irregulares e desordenadas, principalmente próximas ao canal São Joaquim; Invasão do Conjunto Água Cristal; Reforma do Aeroporto Internacional de Belém. Fonte: Autor (2012). Comentários Era um período de ditadura no Brasil, onde o País tinha um plano de desenvolvimento baseado nas ocupações territoriais, no âmbito do PND, logo, em 5 anos, houve um crescimento urbano acelerado nestas áreas próximas a Av. Independência, que eram terrenos ainda pouco explorados dentro de Belém, e que já existia o Aeroporto Internacional e bases militares. No final dos anos 70 e início dos anos 80 foi um período de transição do governo militar para o regime democrático, e para este fato estava acontecendo uma crise econômica no Brasil. Com a crise e a vinda do déficit habitacional, houve um atraso nos financiamentos habitacionais. Em 1998 com o projeto de Macrodrenagem da Bacia do Una, diminuindo a cobertura vegetal com a construção de novas vias de acesso e abertura de canais, e consequência disso, aumentaram o acesso de invasores em áreas de mata nativa, e também, a o aumento da especulação imobiliária. Então, em 21 anos houve um crescimento urbano lento, porém significativo, reduzindo uma boa parcela da área de mata nativa. Foi um período marcado por muitas invasões e conflitos entre moradores regulares e o governo, contra estes invasores, em prol da preservação do parque ambiental e demais áreas de mata nativa. Neste período de 6 anos, percebe-se um crescimento urbano e redução de áreas verdes quase equivalente em relação ao período anterior (1977 a 1998). 51 Tabela 5: Cronologia histórica relacionados ao crescimento urbano e áreas verdes (Continuação). Investimentos pelo Governo Federal nas habitações de baixa renda. 2004 a 2005 2005 a 2006 Forte investimento do Governo Federal no setor da habitação, no âmbito da compra de novos imóveis, usados e reformas. Investimentos no setor da habitação. 2006 a 2009 Projeto de extensão da Av. Independência (Projeto Ação Metrópole). 2009 a 2011 Em 1 ano percebe-se se um acelerado crescimento urbano e redução de áreas de mata nativa, provavelmente impactado pelo forte investimento do Governo Federal nas habitações de baixa renda no País, e trazendo melhorias a áreas de invasão. Diferente das taxas dos períodos ríodos anteriores na qual a taxa anual do período era bem inferior, exceto em 1972 a 1977. A taxa de crescimento urbano e redução de áreas verdes é quase o dobro da taxa do período anterior (2004 a 2005). Esses resultados foram reflexos da grande facilidade de acesso a habitações ofertadas pelo investimento do Governo Federal. Mesmo com os investimentos no setor da habitação, houve uma diminuição da taxa no período, que provavelmente já havia uma preocupação com o remanejamento de famílias de áreas de invasão e a preservação de áreas de proteção ambiental. O resultado da taxa encontrada de redução das áreas verdes durante 2 anos (2009 a 2011) é quase o dobro do período de 5 anos (1972 a 1977) na qual refletem que com o projeto de novas vias de acesso, o, aumenta ainda mais o interesse à especulação imobiliária e de novas áreas a serem exploradas por invasores. Ver Gráfico 2 e 3. Fonte: Autor (2012). Gráfico 1: Área verde x crescimento urbano por ano. Área Verde x Área Urbanizada 12.00 9.78 10.00 8.78 8.85 8.92 9.05 9.18 7.79 8.00 Km² 6.74 5.68 6.00 Área Verde (Km²) 4.69 4.62 4.56 4.43 Área Urbanizada (Km²) 4.29 3.70 4.00 2.00 0.00 1972 1977 1998 2004 2005 2006 2009 2011 Fonte: Autor (2012). Pelos resultados do Gráfico 1 (Área Verde x Crescimento Urbano por ano) nota-se nota que no período de 21 anos (1977 a 1998) há uma margem de Crescimento x Redução equivalente ao período de 13 anos (1998 a 2011). Isto significa que de 1998 a 2011 houve um avanço da expansão da área estudad estudadaa mais acelerado do que no período de 1977 a 1998, que provavelmente foi consequência do forte investimento do Governo em habitação e melhorias na infraestrutura de áreas de invasão. 52 Gráfico 2: Taxa média de redução das áreas verdes por período. Taxa de Redução/Período (%) Taxa de Redução das Áreas Verdes / Período 8.00 6.92 7.00 6.00 5.00 4.00 3.14 2.90 3.00 1.43 2.00 1.00 0.83 1.00 0.23 0.00 Fonte: Autor (2012). Gráfico 3: Taxa média do crescimento urbano por período. Taxa do Crescimento/Período (%) Taxa do Crescimento Urbano / Período 3.50 3.24 3.14 3.00 2.50 2.00 1.48 1.50 1.00 0.50 0.00 Fonte: Autor (2012). 0.75 0.61 0.49 0.13 53 Gráfico 4: Taxa média do crescimento urbano x redução de áreas verdes por período. Taxa Média de Crescimento Urbano x Redução de Áreas Verdes / Período 8.00 6.92 7.00 6.00 % 5.00 4.00 3.14 3.14 3.00 2.00 1.00 3.24 2.90 Urbanização 1.48 1.43 0.75 0.83 0.61 Área Verde 1.00 0.49 0.23 0.13 0.00 Fonte: Autor (2012). Tabela 6: Taxa de perda e crescimento por ano. Fonte: Autor (2012). 100% − 45.10% = 54.90% 39 × 54.90% ≅ 47 45.10% Pela taxa de 1,16% a.a. de redução de áreas verdes, considerando um período de aproximadamente 47 anos, teremos a perda total da área (Tabela 6). Linha de tendência em relação às taxas de redução das áreas verdes. Taxa de Redução/Período (%) Gráfico 5: Taxa de Redução das Áreas Verdes / Período 10.00 8.00 6.00 4.00 2.00 0.00 Fonte: Autor (2012). y = 0.4189x2 - 2.8387x + 5.3264 6.92 3.14 2.90 0.83 0.23 1.43 1.00 54 Gráfico 6: Linha de tendência em relação às taxas do crescimento urbano. Taxa de Crescimento/Período (%) Taxa do Crescimento Urbano/ Período 3.50 3.00 2.50 2.00 1.50 1.00 0.50 0.00 y = 0.2865x2 - 2.2415x + 4.6383 3.14 3.24 1.48 0.75 0.61 0.13 0.49 Fonte: Autor (2012). Nos Gráficos 4 e 5 a linha de tendência encontrada para cada período foi a polinomial, estando mais compatível com a dinâmica do desenvolvimento dos resultados encontrados. 55 5.4. ANÁLISE DOS IMPACTOS A Tabela 7 mostra o total da intensidade de cada impacto ambiental e a situação de acordo com a pontuação obtida na avaliação dos 9 pontos (P1 a P9) escolhidos conforme mostra nas Figuras 14, 15, 16, 17 e 18 (Item 4.2). Observando a frequência dos valores na matriz relativa à pontuação para impacto extremo ou muito intenso com grave alteração e a importância por sua magnitude ou extensão aparece em 22% dos itens avaliados, que indica já um percentual significativo, podendo chegar aos 50% dos pontos caso evolua ainda mais os problemas encontrados e não haja políticas públicas para desacelerar estes impactos. Tabela 7: Ocorrência e intensidade dos impactos ambientais na área de estudo. PONTOS ASPECTOS P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 Redução da biodiversidade 1 1 0 0 0 2 2 2 1 50 Contaminação do solo 2 2 0 0 0 0 0 0 0 22 Liberação de odores indesejáveis 1 1 0 0 0 0 0 0 0 11 Problemas de drenagem Assoreamento dos canais 1 1 0 0 0 0 0 0 0 11 Vandalismo Indisponibilidade de estruturas para o público 2 2 0 0 0 1 0 0 0 28 Deposição de lixo Poluição visual 2 2 1 1 0 0 0 0 0 33 Construções de Shoppings, túneis, viadutos, condomínios residenciais, alargamento das vias 0 0 0 0 0 2 2 2 2 44 Invasões 2 2 0 0 0 0 0 0 0 22 Veículos leves (carros pequenos, motos, bicicletas) 0 0 0 0 2 2 2 2 2 56 Veículos pesados (caminhões) 0 0 0 0 1 1 1 1 1 28 P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 11 11 1 1 3 8 7 7 6 55 55 5 5 15 40 35 35 30 Cobertura vegetal Lançamento de efluentes Impacto visual Tráfego de veículos IMPACTOS AMBIENTAIS INTENSIDADE RELATIVA POR IMPACTO (%) Total = Máximo Impacto (%) Fonte: Autor (2012). A matriz indica que nas áreas onde está localizado o Canal São Joaquim apresenta uma concentração de impactos ambientais maiores do que os demais pontos estudados. Os resultados da intensidade relativa por impacto foram: 50% de redução da biodiversidade; 22% de contaminação do solo; 11% de liberação de odores indesejáveis; 11% de assoreamento dos canais; 28% de indisponibilidade de estruturas para o público; 33% de poluição visual; 44% da ocorrência de construções já presentes e futuras instalações (shopping); 22% para áreas de invasões; 56% pela presença do tráfego de veículos leves e 28% do tráfego voltado aos veículos pesados. 56 6. CONCLUSÃO Os resultados demonstram que há uma tendência de crescimento urbano muito elevado ao longo da Av. Independência e às margens do Canal São Joaquim. Esse crescimento acarreta em uma constante diminuição das áreas verdes. A falta de fiscalização e de políticas públicas focados nestas áreas de expansão gera um desarranjo maléfico nas zonas urbanas e ambientais. A diminuição das áreas de mata nativa em Belém modifica o seu microclima, prejudica a fauna e a flora, a convivência das pessoas no espaço urbano fica debilitada, e a mobilidade e a trafegabilidade se tornam deficientes. Outros aspectos relacionados à poluição sonora, saneamento básico e proliferação de lixo, podem ser considerados como impactos danosos ao meio ambiente. Fatores socioeconômicos no Brasil também podem interferir no desenvolvimento do setor habitacional, principalmente da classe social de renda baixa. No estudo também foi observado que a criação da APA e a forte influência de uma área militar de floresta nativa bloquearam a expansão da malha urbana ao longo dos anos desde a sua criação sancionada por Lei. Entretanto, conclui-se que, com políticas públicas voltadas a questões habitacionais e ao meio ambiente, fazendo esta relação de sincronismo com todos os aspectos ligados ao bem estar da Cidade, pode-se evitar que, ao longo dos próximos 47 anos previstos, toda a área de mata nativa existente, ou parte desta, seja desmatada, abrindo espaço para novas invasões e uma urbanização mal planejada. 57 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACSELRAD, H. As práticas espaciais e o campo dos conflitos ambientais. In: ACSELRAD, Henri (org.). Conflitos ambientais no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. Relume Dumará, 2004. ALEXANDRINO, Eduardo Roberto. Amostragem de avifauna urbana por meio de pontos fixos: verificando a eficiência do método. 2010. Dissertação (Mestrado Ciências) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/ teses/disponiveis/91/91131/tde-20092010-102906/es.php>. Acesso em: 14 mar. 2012. ALVES, Estela Macedo. O crescimento urbano do município de Bertioga inserido no debate sobre sustentabilidade ambiental. 2009. Dissertação (Mestrado Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16139/tde27042010-114736/publico/DISSERTACAO_ESTELA_19_02_09.pdf>. Acesso em: 14 mar. 2012. ARAÚJO, G.M. A degradação dos recursos hídricos da bacia hidrográfica do igarapé Mata Fome, Belém-PA: uma consequência do processo de urbanização. 2007. 93. f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação). Universidade Federal do Pará, Belém, 2007. BACCI, D.L.C. A análise e o uso das metodologias de avaliação de impacto ambiental em estudos realizados no Ceará. São Paulo: USP, 2012. Disponível em: <http://www.igc.usp.br/fileadmin/disciplinasweb/d197/aanalise_uso_metodologias_avaliac ao_impacto_ambiental[1].pdf>. Acesso em: 27 set. 2012. BRASIL. Ministério do meio ambiente. Resolução CONAMA nº 001 de 23 de janeiro de 1986. Brasília, DF, 1986. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/res/ res86/res0186.html>. Acesso em: 11 set. 2012. BRASIL, S. C. Projeto de macrodrenagem da Bacia do Una e índice de qualidade de vida de seus moradores. 2004. 150 f. Dissertação de mestrado (Mestrado em Engenharia Civil) – Universidade Federal do Pará, Belém, 2004. 58 BRITO, F., SOUZA, J. Expansão urbana nas grandes metrópoles: o significado das migrações intrametropolitanas e da mobilidade pendular na reprodução da pobreza. São Paulo Perspec. [online]. 2005, vol.19, n.4, pp. 48-63. ISSN 0102-8839. CARNEIRO, C.; PEGORINI, E. S. e ANDREOLI, C. V. (2005). “Introdução”. In: ANDREOLI, C. V. e CARNEIRO, C. (orgs.). Gestão Integrada de mananciais de abastecimento eutrofizados. Curitiba, Companhia de Saneamento do Paraná – Sanepar; Financiadora de Estudos e Projetos – Finep, pp. 25-44. CARVALHO JÚNIOR, J.R. et al. Projeto peixes da Amazônia: relato de caso no Parque Ambiental de Belém – PA. Revista Educação Ambiental em Ação, [Belém], n. 24, 3 jun. 2008. ISSN 1678-0701. Disponível em: <http://www.revistaea.org/artigo.php?class=02 &idartigo=577>. Acesso em: 14 mar. 2012. CARVALHO, J.R.F. Avaliação da qualidade da água: um estudo na sub-bacia do canal São Joaquim. 2011. 147 f. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente Urbano). Universidade da Amazônia, Belém, 2011. COIMBRA, O. As três décadas de Landi no Gram-Pará: engenharia-militar na Amazônia do século XVIII. Belém: PMB, 2003. COPQUE, A.C.S.M., SOUZA, F.A., SANTOS, D.V.C., PAIXÃO, R.C. Expansão urbana e redução de áreas verdes na localidade do Cabula VI Região do miolo da cidade do Salvador, Bahia. In: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR, 15., 2011, Curitiba. Anais... Curitiba: INPE, 2011. p.706-713. Disponível em: <http://www.dsr.inpe.br/sbsr2011/files/p0313.pdf>. Acesso em: 28 nov. 2012. COSTA, S.C.V., CORRÊA, N.B.S. Qualidade ambiental em áreas de expansão urbana: em estudo de caso sobre a perda da cobertura vegetal do bairro Parque Verde – Belém/PA. IFPA, Belém, jun. 2009. Disponível em: <http://www.geo.ufv.br/ simposio/ simposio/trabalhos/trabalhos_completos/eixo12/040.pdf>. Acesso em: 24 mar. 2012. DA SILVA, D.F., SOUSA, F.A.S. Proposta de manejo sustentável para o complexo estuarino-lagunar Mundaú/Manguaba (AL). Revista Brasileira de Geografia Física, Recife, v. 1, n. 2, p. 78-94, set. 2008. Disponível em: <http://www.ufpe.br/rbgfe/ index.php/revista/article/viewFile/30/32>. Acesso em: 29 fev. 2012. 59 Déficit habitacional é de assustar. O Liberal, Belém, 22 ago. 1999. Painel, p. 12. DERENJI, J.S. As faces da cidade. Belém: Midia.com S/C Ltda, 2001. DIAS, C.S., DIAS, S.I.S. Belém do Pará: história, urbanismo e identidade. Faculdade Assis Gurgacz, Cascavel, 2007. Disponível em: <http://www.fag.edu.br/ graduacao/ arquitetura/arquivos/livropuriv2007.pdf>. Acesso em: 4 mar. 2012. FILGUEIRAS, D. Ação Metrópole reduzirá trajeto de Marituba à Belém para meia hora. Agência Pará, Belém, 10 fev. 2012. Disponível em: <http://www.agenciapara.com.br/ noticia.asp?id_ver=93340>. Acesso em: FUNDAÇÃO PARA A CONSERVAÇÃO E A PRODUÇÃO FLORESTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO. APAS – Área de proteção ambiental – conceito. Disponível em: <http://www.fflorestal.sp.gov.br/apasConceito.php>. Acesso em: 14 mar. 2012. GALVÃO, Roberta Fontan Pereira. Expansão urbana e proteção ambiental em metrópoles brasileiras 1980-2010. 2011. Dissertação (Mestrado em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/ teses/disponiveis/16/16133/tde-08092011-152108/>. Acesso em: 19 fev. 2012. GEOCONSULT. Impactos Ambientais. Rio de Janeiro: UFF, 2006. Disponível em: <http://www.proppi.uff.br/turismo/sites/default/files/04_avaliacao_dos_impactos_ambient ais_corrigido.pdf>. Acesso em: 13 out. 2012. GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ. Ministério do Interior. PROMORAR: Proposições para a intervenção governamental na recuperação das baixadas da Bacia do Una. Belém: PMB, 1979. GRACIOLI, C.R., ROCHA, J.S.M. Impactos ambientais na microbacia hidrográfica do rio Vacacaí-Mirim em Santa Maria, RS. Ambiência: revista do setor de ciências agrárias e ambientais, Guarapuava-Irati, v. 4, n. 2, p. 251-263, mai./ago. 2008. ISSN 1808-0251. GUEDES, M.S., PASQUALETTO, A. Avaliação dos impactos ambientais no parque Botafogo, Goiânia-GO. Goiânia: UCG, 2007. 60 JATOBA, S.U.S.; CIDADE, L.C.F., VARGAS, G.M. Ecologismo, ambientalismo e ecologia política: diferentes visões da sustentabilidade e do território. Soc. estado. [online]. 2009, vol.24, n.1, pp. 47-87. ISSN 0102-6992. KOSHIBA, L., PEREIRA, D.M.F. História do Brasil. 6. ed. São Paulo: Atual, 1993. LEAL, G.C.S.G., FARIAS, M.S.S., ARAÚJO, A.F. O processo de industrialização e seus impactos no meio ambiente urbano. Qualitas, Campina Grande, v. 7, n. 1. ISSN 16774280. Disponível em: <http://revista.uepb.edu.br/index.php/qualitas/article/viewFile/128/ 101>. Acesso em: 24 mar. 2012. LIMA, J.J.F. et al. Impasses e desafios na gestão da Região Metropolitana de Belém. Cadernos Metrópole, Belém, v. 14. p. 103-126, set. 2006. Disponível em: <http://www.cadernosmetropole.net/component/content/article/31/50-114>. Acesso em: 14 mar. 2012. MACÊDO E SILVA, A. Gestão de conflitos pelo uso da água em bacias hidrográficas urbanas. 2003. 151 f. Dissertação de mestrado (Mestrado em Engenharia Civil) – Universidade Federal do Pará, Belém, 2003. MARICATO, E. Urbanismo na periferia do mundo globalizado: metrópoles brasileiras. São Paulo Perspec. [online]. 2000, vol.14, n.4, pp. 21-33. ISSN 0102-8839. MATOS, F.C. et al. Impactos ambientais da ocupação urbana do igarapé Tucunduba. In: II SEMINÁRIO DE RECURSOS HÍDRICOS DA BACIA HIDROGRÁFICA DO PARAÍBA DO SUL, 2009, Taubaté. Anais... Taubaté: IPABHi, 2009. p. 777-784. Disponível em: <http://www.ipabhi.org/serhidro/anais/anais2009/doc/pdfs/p33.pdf>. Acesso em: 14 mar. 2012. MEIRA FILHO, A. Evolução histórica de Belém do Grão-Pará. Belém: (s.n.), 1976. MORAIS, L.S., SILVA, P.C.M., MEDEIROS, W.D.A. Análise do processo de verticalização na área urbana do município de Mossoró-RN: aspectos jurídicos e ambientais. Revista Verde, Mossoró-RN, v. 2, n. 2, p. 171-182, jul./dez. 2007. 61 NOFFS, P.S. et al. Recuperação de áreas degradadas da mata atlântica: uma experiência da CESP – Companhia de Saneamento de São Paulo. São Paulo: RMBM, 2012. Série Recuperação. Capítulo 3. Disponível em: <http://www.rbma.org.br/rbma/pdf/ Caderno_03.pdf>. Acesso em 13 set. 2012. PONTE, J.P.X. Cidade e água: Belém do Pará e estratégias de reapropriação das margens fluviais. Vitruvius, jun. 2007. ISSN 1809-6298. Disponível em: <http://www. vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/08.085/237>. Acesso em: 17 mar. 2012. RAPOSO, A.J., SILVA, M.G. A importância ambiental da mata da marinha para a comunidade do entorno. In: III JORNADA DE PÓS-GRADUAÇÃO, 3., 2010, Belém. Anais... Belém: FIBRA, 2010. p. 154-168. Disponível em: <http://www.fibrapara. edu.br/seer/ojs/index.php/anais/article/view/47>. Acesso em: 17 mar. 2012. RODRIGUES, A.S. A organização do espaço urbano e a gestão na cidade. [S.l.: s.n], [2006]. RODRIGUES, E. B. Aventura urbana: urbanização, trabalho e meio-ambiente em Belém. Belém: Núcleo de Altos Estudos Amazônicos - PLADES/NAEA - UFPA,1996. p. 50-190. SÁ, B.W.C., [carta] 24 jun. 2009, Belém [para] Doutor Juiz de Direito da Vara da Fazenda Pública da Comarca, Belém. 27f. Ação civil pública, com pedido de liminar, com obrigação de fazer contra. SABBAG FILHO, O. Diretrizes para recuperação e conservação ambiental de mananciais de abastecimento de água comprometidos por ocupações irregulares. 2006. 137 f. Dissertação de mestrado (Mestrado em Construção Civil) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2006. SÁNCHEZ, L. E. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: Oficina de Textos, 2008. SARAIVA, F. Considerações acerca da pesquisa em geografia física aplicada ao planejamento ambiental a partir de uma perspectiva sistêmica. R. RA´E GA, Curitiba, n. 9, p. 83-93, 2005. Disponível em: <http://www.ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/raega/ article/download/3449/2726>. Acesso em: 14 mar. 2012. 62 SCARINGELLA, R. S. A crise da mobilidade urbana em São Paulo. São Paulo Perspec. [online]. 2001, vol.15, n.1, pp. 55-59. ISSN 0102-8839. SERRE, A. A gestão ambiental urbana na Amazônia: um investimento de longo prazo da política pública. Disponível em: <http://www.ecoeco.org.br/conteudo/publicacoes/ encontros/iv_en/mesa4/11.pdf>. Acesso em: 11 set. 2012. SILVA, M.V. A idéia de meio ambiente urbano: a biologização das cidades. Arquiteses: tempo, cidade e arquitetura, São Paulo, v. 1, p. 64-73, jan. 2007. SOARES, R.B.R. Impacto Ambiental. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/ 85739863/IMPACTO-AMBIENTAL>. Acesso em: 11 set. 2012. SOUSA, C.A.S. Urbanização na Amazônia. Belém: UNAMA, 2000. SOUZA, N. R. Planejamento urbano em Curitiba: saber técnico, classificação dos citadinos e partilha da cidade. Rev. Sociol. Polit. [online]. 2001, n.16, pp. 107-122. ISSN 0104-4478. SUHUGUSOFF, V.G., PILIACKAS, J.M. Breve histórico da ação antrópica sobre os ecossistemas costeiros do Brasil, com ênfase nos manguezais do estado de São Paulo. Integração, Butantã, n. 51. p. 343-351, out. 2007. Disponível em: <ftp://ftp. usjt.br/pub/revint/343_51.pdf>. Acesso em: 14 mar. 2012. TOBIAS, M.S.G., LIMA, A.C.M. Urbanização e meio ambiente. Belém: UNAMA, 2012. Verbas reforçam setor de habitação. O Liberal, Belém, 14 jan. 1998. Painel, p. 1. ZANATTA, L. Impactos do homem sobre o meio ambiente. 2011. 26 slides. Disponível em: <http://www.slideshare.net/laiszanatta/impactos-do-homem-sobre-o-meio-ambiente>. Acesso em: 13 jul. 2012. ZUBE, E.H. Aesthetics and perceived values. In: Clark, J.R. Ed. Coastal ecosystem management. New York, 1977. John Wiley & Sons. p.557-562.