XXXIV Encontro Nacional de Estudantes de Biblioteconomia,
Documentação, Ciência da Informação e Gestão da Informação
Formação do profissional da informação: desafios, perspectivas e campos de atuação.
A (IN)EXISTÊNCIA DE BIBLIOTECAS ESCOLARES EM
TERESINA – PI: desafios do poder público municipal para o
cumprimento da Lei 12.244 de 24 de maio de 20101
DAYANE BRUNA, Ferreira*
DANIELLE, de Lima Silva**
DENIZETE, Lima de Mesquita***
RESUMO
Enfoca a realidade das bibliotecas das escolas da rede pública municipal de
Teresina – PI. Aborda a Lei 12.244 de 24 de maio de 2010 que dispõe sobre a
universalização de bibliotecas em instituições de ensino e as ações e metas do
poder público municipal de Teresina para o cumprimento da referida lei. Utiliza a
metodologia qualitativa com a técnica da entrevista para a coleta de dados junto ao
Secretário Municipal de Educação e Cultura de Teresina – PI (SEMEC-THE).
Analisa a literatura selecionada para o embasamento teórico e confronta com os
dados coletados. Conclui-se que as escolas públicas do Município de Teresina - PI
não possuem bibliotecas escolares; no quadro de funcionários da SEMEC não
possui nenhum bibliotecário; o cumprimento da Lei ainda que em longo prazo é um
grande desafio para o Município; O poder público apresentou planos e metas para o
cumprimento da Lei, porém com algumas restrições.
Palavras-Chave: Biblioteca escolar; Lei 12.244 de 24 de maio de 2010;
SEMEC-TERESINA.
INTRODUÇÃO
Almeja-se com esta pesquisa apresentar a realidade das bibliotecas
das escolas da rede pública municipal de Teresina – PI e verificar qual a
visão das autoridades competentes em relação à Lei 12.244 de 24 de maio
de 2010 que dispõe sobre a universalização de bibliotecas em instituições de
ensino. Para a execução da pesquisa utilizou-se o embasamento em
teóricos e técnicas de coleta de dados (entrevista) e na conjectura de que é
necessário que o poder público municipal tome providencias para o
cumprimento da referida Lei, tendo em vista que esta possui um prazo para
o seu cumprimento.
O princípio da pesquisa partiu de inquietações das pesquisadoras em
relação à falta de profissionais bibliotecários atuando nas bibliotecas das
escolas públicas do Município de Teresina – PI. A necessidade de
aprovação da legislação sobre a universalização de bibliotecas escolas nas
instituições de ensino e conquentemente de profissionais bibliotecários.
1
Comunicação Oral GT N° 01 – Educação para Promover Informacional: um grande desafio
para os bibliotecários.
*UESPI. Graduanda. [email protected]
**UESPI. Graduanda. [email protected]
***FAPEPI. Graduada. [email protected]
Anais do XXXIV Encontro Nacional de Estudantes de Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação e Gestão da Informação
25 a 30 de julho de 2011 – Manaus/AM
XXXIV Encontro Nacional de Estudantes de Biblioteconomia,
Documentação, Ciência da Informação e Gestão da Informação
Formação do profissional da informação: desafios, perspectivas e campos de atuação.
No transcorrer de estudos sobre a temática, foram sendo levantados
vários questionamentos sobre a realidade das bibliotecas das escolas da
rede pública municipal de ensino da capital piauiense. Dentre os
questionamentos levantados destacam-se: qual a realidade das bibliotecas
das escolas da Rede Pública Municipal de ensino de Teresina-PI? Quem
são os profissionais responsáveis pela gestão dessas bibliotecas? Qual a
visão das autoridades competentes em relação a Lei de universalização de
bibliotecas nas instituições de ensino? Quais as ações e/ou projetos da
Secretaria Municipal e Educação e Cultura – SEMEC de Teresina – PI para
o cumprimento da Lei 12.244 de 24 de maio de 2010?
Para a realização da pesquisa utilizou-se o embasamento na literatura
de teóricos que tratam sobre o assunto para uma melhor compreensão do
tema abordado, em seguida partiu-se para a entrevista com o Secretário
Municipal de Educação e Cultura da Prefeitura Municipal de Teresina - PI, no
intento de descobrir qual a visão deste sobre a realidade das bibliotecas das
escolas ligadas a SEMEC-THE e quais as providencias que estão sendo
tomadas em relação a universalização de bibliotecas nas escolas. O estudo
realizado é de caráter bibliográfico documental com abordagem qualitativa.
Aspira-se no transcorrer da pesquisa explicitar qual é a realidade das
bibliotecas das escolas da rede pública municipal de Teresina – PI,
enfocando os recursos humanos que atuam neste ambiente, e como as
autoridades competentes pretendem sanar os problemas advindos da falta
de profissionais qualificados nas bibliotecas.
Considera-se relevante o estudo, tendo em vista que este é um dos
campos de atuação do profissional bibliotecário e que não está sendo
ocupado em virtude de não haver o cargo no quadro de funcionários da
SEMEC. Outro fator que merece ser destacado é a importância da biblioteca
escolar como recurso para o processo de ensino-aprendizagem,
especialmente no que concerne ao desenvolvimento da prática de leitura e
aquisição do senso critico por meio do acesso das diversas fontes de
informação disponíveis nas bibliotecas escolares.
Ainda que enfocando a realidade das escolas públicas de Teresina –
PI, a pesquisa visa contribuir para a discussão a cerca do cumprimento da
Lei de universalização de bibliotecas nas escolas em outros municípios e
unidades de federação.
Buscou-se dividir a pesquisa em tópicos, obedecendo a uma
sequência lógica para melhor compreensão. Inicialmente apresenta-se o
contexto histórico-conceitual das bibliotecas escolares. Em seguida explanase sobre os programas, projetos e legislação sobre as bibliotecas escolares.
Na sequência abordam-se as escolas da SEMEC e a realidade das
bibliotecas que estas disponibilizam para seus alunos. Posteriormente
descrevem-se as informações coletadas na entrevista realizada com o
Secretário Municipal de Educação de Teresina – PI. Finda-se o trabalho com
as considerações acerca dos pontos levantados ao longo da pesquisa, as
descobertas e o confronto da literatura com os dados coletados durante a
entrevista.
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Formação do profissional da informação: desafios, perspectivas e campos de atuação.
1 A BIBLIOTECA ESCOLAR
Desde a antiguidade as bibliotecas foram criadas com o intuito de
serem guardiães do conhecimento, enfim, símbolos de poder, prestígio e
riqueza. Atualmente, esse modelo de instituição tem passado por algumas
transformações e provocado uma visão mais abrangente a respeito de seu
papel como organização social e promotora no desenvolvimento educacional
e cultural do cidadão. Ainda nesse contexto, observa-se que as bibliotecas
estão dispostas em diferentes categorias de acordo com as faixas etárias e
os tipos de usuários. Sendo assim, Faria (1986, p. 13) sugere que “a
biblioteca deve deixar de ser segmento secundário das instituições, para
fazer valer o processo de interação entre a já tão falada trilogia: biblioteca,
livro e usuário”.
Apesar dos avanços na educação brasileira especialmente no setor
público, ainda são poucas as escolas que utilizam as bibliotecas como
recurso de ensino-aprendizagem. Um dos principais fatores que levam a
esta não usabilidade refere-se o fato de não haver um envolvimento dos
docentes com a equipe responsável pela biblioteca. A falta de interativiadade
impede o desenvolvimento de projetos e ações de fomentos à leitura ou a
qualquer atividade socio-educacional.
Quando os alunos não tem acesso a outros conhecimentos, passam a
sentir dificuldade no desenvolvimento do senso crítico e questionador, onde
o aluno passa a ter como parâmetro apenas o conteúdo do livro didático e o
discurso do professor.
Sem biblioteca escolar, sem leitura crítica, abrem-se, mais
ainda os caminhos para a pressão e para a in justiça social,
à medida que se fecham aqueles que poderíam conduzir os
alunos desde cedo ao exercício do espírito crítico,
contestador e criativo (Silva, W. 1999, p. 48)
Segundo o autor o contato com os recursos informacionais
disponíveis na biblioteca escolar favorece o desenvolvimento da
curiosiadade, do questionamento que são itens mister nas transformação da
informações em conhecimento. Conforme o Manifesto preparado pela IFLA e
aprovado pela UNESCO na sua Conferência geral de novembro de 1999,
com tradução sob autoria da Professora Doutora Neusa Dias de Macedo,
expõe com clareza a missão e o objetivo da biblioteca escolar diante do
contexto educativo.
A biblioteca escolar oferece livros, recursos e serviços como
apoio à aprendizagem. Possibilita a todos os membros da
comunidade escolar tornarem se pensadores críticos e
efetivos usuários dos vários tipos de suportes
documentários e meios de comunicação [...]. Os serviços
das bibliotecas escolares devem ser oferecidos de modo
geral a todos os membros da comunidade escolar, a
despeito de idade, raça, sexo, religião, nacionalidade, língua
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Formação do profissional da informação: desafios, perspectivas e campos de atuação.
e status profissional e social. Serviços específicos devem
ser disponibilizados também a pessoas especiais, não aptas
ao uso dos materiais comuns na bikblioteca [...].
(MACEDO,1999, p.1).
As características, bem como, a sua real função como instituição está
bem descrita no Manisfesto citado acima, a biblioteca abrange valores
significativos que somados aos esforços estudantis e administrativos,
proporciona a formação intelectual dos seus usuários. Ainda se tratando do
Manifesto destaca-se também os objetivos, dentre eles merecem destaques
os citados abaixo:
[...] Desenvolver e sustentar nas crianças o hábito e o prazer
da leitura e da aprendizagem, bem como o uso dos recursos
da biblioteca ao longo da vida; tornar oportunas as vivências
para a produção e uso da informação/conhecimento, para a
compreensão, imaginação e entretenimento; organizar
atividades que encorajem a tomada de consciência cultural
e social, bem como de sensibilidade; trabalhar em conjunto
com estudantes, professores, administradores e pais, para o
alcance final da missão e objetivos da escola, proclamando
o conceito da liberdade intelectual e do acesso a informação
como pontos fundamentais à informação de cidadania
consciente e exercício da democracia. [...]. (MACEDO,1999,
p.2).
Diante dessa afirmação, observa-se que a biblioteca como geradora
de informação e disseminadora de conhecimento, possui uma longa e árdua
missão com seu papel instituicional, outro fato relevante é que o processo de
gerenciamento de uma biblioteca não poderá ser feito por qualquer
profissional, e sim, por um profissional capacitado (Bibliotecário) que
compreenda o verdadeiro sentido de funcionamento da biblioteca e que
através das atividades consiga fazer a extensão entre a comunidade e o
gosto pela leitura. Certamente, as melhores instituições de ensino são
aquelas alicerçadas em propostas éticas, possibilitando ao educando estar
no topo da vida, corpo construtor e participante de uma sociedade.
3 PROGRAMAS, PROJETOS E LEGISLAÇÃO SOBRE BIBLIOTECAS
ESCOLARES NO BRASIL: projeto mobilizador e a Lei 12.244 de 24 de
maio de 2010
Um estudo realizado pelo Sistema CFB/CRBs em 2007, resultou em
um projeto que visa a melhoria do ensino na rede pública brasileira. O
projeto é direcionado para a população em geral, tendo em vista que esta
será a maior beneficiada e para a classe bibliotecária, que possui as
competências e habilidades necessárias à prestação dos serviços para a
comunidade escolar.
O principal intuito do Projeto é apresentar a importância da Biblioteca
escolar para o processo de ensino-aprendizagem, bem como a de
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Formação do profissional da informação: desafios, perspectivas e campos de atuação.
profissionais com formação especifica (bibliotecários) para o processo de
dinamização destes espaços, tendo em vista que só o espaço físico
adequado e um acervo atualizado não são suficientes para caracterizá-lo
como “biblioteca escolar”.
Em relação aos profissionais que ocupam a funções de
“bibliotecários”, são na grande maioria professores com problemas de saúde
e/ou em processo de aposentadoria que são encaminhos para a biblioteca
para cumprir carga horária, o que torna a biblioteca escolar um ambiente
considerado mais um anexo da sala de aula e não um centro de pesquisa e
aprendizagem como deve ser.
Ainda é comum encontrar em algumas bibliotecas de escolas,
profissionais que sabem orientar os alunos em suas pesquisas e não
permitem o contato direto dos alunos com as obras, alegando que estes irão
danificá-las e/ou que irão desordenar os livros das estantes. Sabe-se,
porém, que um dos principais motivos para o não acesso dos alunos as
estantes diz respeito ao fato de não querer ter trabalho em recolocar os itens
nos seus respectivos lugares, pois estes geralmente não possuem nenhum
tipo de tratamento técnico (classificação, catalogação, etiquetas, etc.).
[...] os encarregados não têm o conhecimento suficiente
para orientar os alunos na pesquisa, eles apenas
disponibilizam os materiais; mas, quando chega a hora dos
alunos pesquisarem, não sabem orientar os estudantes a
estruturar os novos conhecimentos. Neste caso, se faz
necessário estar presente nas escolas, o bibliotecário, pois
ele certamente amenizaria os problemas de pesquisa
bibliográfica dos alunos e dos demais usuários da biblioteca
escolar. (PEREIRA, 2004, p.1).
O Governo Federal, através do Fundo Nacional de Desenvolvimento
da Educação (FNDE), lançou o Programa Nacional de Bibliotecas Escolares
(PNBE) que tem como meta instigar a prática de leitura entre os alunos do
ensino básico das redes federais, estaduais e municipais de ensino das
escolas públicas brasileiras.
Para tal disponibiliza para as escolas públicas acervos bibliográficos
formados com obras de referência, didáticas e paradidáticas.
Segundo PNBE (2008, p.1) para alcançar as metas propostas nos
anos de 2006 e 2007 foram investidos mais de R$ 100.000,00 (cem milhões
de reais) em obras e materiais que foram distribuídos para as escolas
públicas brasileiras.
Desde 2007 quando foi criando, o PNBE vêm buscando adequar-se
às necessidades educacionais da comunidade de estudantes do ensino
básico. Os recursos utilizados pelo programa são advindos do Orçamento
Geral da União e da arrecadação do salário-educação, e a execução é feita
através de parcerias do FNDE com a Secretaria de Educação Básica do
Ministério da Educação (SEBME), e com o apoio das secretarias municipais
e estaduais de educação.
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Formação do profissional da informação: desafios, perspectivas e campos de atuação.
Em relação ao PNBE, verifica-se que este tem como meta o estimulo
do hábito de leitura entre os alunos, porém as atribuições da BE vão além da
formação de leitores, é um ambiente que deverá promover o acesso à
informação e o desenvolvimento do senso crítico e da formação da
cidadania.
O PNBE está pautado para estimular o hábito da leitura do
aluno, melhorando a aprendizagem, contudo, a missão da
biblioteca escolar não envolve tão somente a questão da
leitura como já exposto. Cabe a ela atuar no tríplice papel
que lhe é atribuído: leitura, pesquisa e cultura de modo a
favorecer a criação de competências informacionais nos
educandos. (CFB/CRBs, 2008, p. 15).
Vale ressaltar que um dos principais problemas enfrentados em
relação às bibliotecas das escolas, diz respeito ao fato de estas não
desempenharem sua missão de disseminação de informações para os
estudantes. O que deveria ser um centro dinâmico de ensino-aprendizagem,
em alguns casos são meros depósitos de livros, pessoas e objetos, assim
como afirmam Paiva e Berenblum apud CFB/CRBs (2008, p. 1, grifo do
autor) em um relatório elaborado para a SEB sobre o PNBE:
Pensar a biblioteca escolar com características físicas que
transcendam a idéia de uma sala com estantes de livros
não foi o denominador comum nas escolas visitadas. Pelo
contrário, muitas bibliotecas se confundiam com
depósitos de livros amontoados sem nenhum critério
nem organização e, muitas vezes, se encontraram os
livros empacotados em suas embalagens originais.
Outras se reduziam à “armariotecas”, os livros se
encontravam guardados em armários trancados a chave,
não estando disponíveis para consulta de alunos ou
professores.
Em relação às políticas públicas de fomento à leitura, o Instituto Pró
Leitura (IPL), efetivou no ano de 2008 a segunda edição da pesquisa
Retratos da Leitura no Brasil.
O principal objetivo da pesquisa era fazer um levantamento do
comportamento dos leitores e onde estes tinham acesso às obras. Dentre as
informações coletadas, constatou-se que em alguns estados a BE possui
grande contribuição para o acesso às informações, sendo que em alguns
estados é mais utilizada que as Bibliotecas Públicas (BP), como é o caso
dos estados do Rio de Janeiro, Pará, Espírito Santo, Paraná, Minas Gerais,
Rio Grande do Sul e Santa Catarina. (CUNHA, 2008).
Assim, evidencia-se a necessidade do fortalecimento das bibliotecas
escolares existentes e a implantação de novas bibliotecas para que os
alunos e a comunidade escolar possa usufruir dos recursos informacionais
disponíveis.
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Outro grande avanço em relação ao fortalecimento das bibliotecas
escolares, foi a aprovação da Lei que trata sobre a universalização de
bibliotecas nas instituições de ensino básico no país.
A lei sobre a universalização de bibliotecas nas instituições de ensino
do país é de autoria do Senador Cristovão Buarque (PDT-SP), e foi
sancionada pelo Presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) no dia 25 de maio
de 2010 (Lei 12.244 de 24 de maio de 2010).
De acordo com a referida lei, as instituições de ensino têm um prazo
de 10 anos, a partir da data de sua assinatura, para implantar bibliotecas nas
escolas de ensino básico do país.
Cabe agora as autoridade competentes (Conselhos Federal e
Regional de Biblioteconomia, Associações de bibliotecários) e toda a classe
bibliotecária fiscalizar as instituições de ensino e as Secretarias municipais e
estaduais de educação para possam cumprir com a determinação da Lei.
4 AS ESCOLAS PÚBLICAS MUNICIPAIS DE TERESINA
A cidadania é umas das chaves para proliferação da democracia e a
descentralização de escolas públicas no município de Teresina é uma das
atividades executadas para o progresso desse objetivo. Na rede municipal
de Teresina se apresenta da seguinte forma no gráfico:
Rede municipal de ensino de Teresina
alunos da educação municipal
escolas da Educação Fundamental
escolas da Educação Infantil
0
20000
40000
60000
80000
100000
Fonte: SEMEC
Ao analisar o gráfico, observa- se o quanto é inferior a existência de
escolas públicas municipais quanto à quantidade de alunos matriculados nas
mesmas e consequentemente o número de bibliotecas escolares nessas
instituições.
De acordo com Raganathan (2009), a segunda lei tratará a todos
como iguais e oferecerá a cada um o seu livro. Obedecerá
escrupulosamente ao princípio da igualdade de oportunidades em relação
aos livros, ao ensino e ao entretenimento.
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As bibliotecas terão que ser expandidas para atender a demanda e
serem trabalhadas juntamente com o quadro pedagógico de cada instituição,
aderindo o desenvolvimento de ensino interdisciplinar e preenchendo
lacunas quanto a responsabilidades social para a comunidade nela inserida.
A importância da equipe responsável pela biblioteca escolar no município
requer trabalho minucioso, pois a gestão da mesma terá de cumprir de forma
metódica as atividades e leis no âmbito educacional da rede municipal de
educação em Teresina.
A tabela a seguir representa o quadro de profissionais na que
compõem a rede educacional teresinense:
Profissionais efetivos
Professores
Pedagogos
Diretores
Administradores
Fonte: SEMEC
4777
3023
235
296
1223
De acordo com a tabela, nota-se a inexistência do profissional
bibliotecário que o compete o papel fundamental para o desenvolvimento
das mesmas, responsável pela seleção do material a ser disposto no acervo,
processamento técnico e enfim a disponibilização da informação. Mas para
as devidas concretizações precisarão ser executada as leis que regulamenta
a ausência da biblioteca nas escolas municipais e o profissional bibliotecário
no âmbito trabalhista nessas localidades.
O objetivo de uma biblioteca escolar na rede pública é alimentar a
literatura educacional, a abrangência da cultura e a efetivação dos direitos
do cidadão. Com isso, as ciências reterão progresso quanto ao
desenvolvimento tecnológico e ativando os preceitos da cidadania.
A continuação do ensino e pesquisa necessita-se de bibliotecas
devidamente regularizadas para atender o usuário.
A biblioteca escolar propicia informação e idéias que são
fundamentais para o sucesso de seu funcionamento na
sociedade atual, cada vez mais baseada na informação e
conhecimento. A biblioteca escolar habilita aos alunos para
a aprendizagem ao longo da vida e desenvolve sua
imaginação, preparando-os para viverem como cidadãos
responsáveis. (MACEDO,2005, p. 1)
A competência de o desenvolvimento educacional progredir cabe aos
responsáveis da rede educacional e cobranças dos cidadãos que tem por
direitos fazer petições sobre essa política social. Adicionado a isto,
execuções de projetos que tem por objetivo viabilizar o bom rendimento da
educação. Quanto ao quadro de profissionais existentes na rede
educacional, terá que ser elaborado de forma multidisciplinar e
interdisciplinar a execução de atividades relacionada à biblioteca escolar,
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para a continuação dos serviços da mesma sem quebras de objetivos para a
não inferência na educação dos alunos.
5 O PODER PÚBLICO TERESINENSE E A LEI DE UNIVERSALIZAÇÃO
DAS BIBLIOTECAS ESCOLARES
Adotou-se a metodologia qualitativa para a realização da pesquisa,
pois esta preocupa-se em identificar dados qualitativos. Com base na
fundamentação teórica sobre os assuntos tratados na temática abordada,
partiu-se para a elaboração e aplicação dos instrumentos de coleta de
dados. Optou-se por utilizar a entrevista, tendo em vista que este
instrumento possibilita ao pesquisador coletar informações mais complexas
que os questionários.
A entrevista foi realizada no mês de marco de 2011 na Secretaria
Municipal de Educação de Cultura de Teresina (SEMEC – Teresina). O
entrevistado foi o atual Secretario de Educação Profª Dr. R. R. que
respondeu prontamente às perguntas elaboradas.
Os dados coletados na entrevista foram confrontados com a literatura
utilizada para o embasamento teórico e análise de documentos elaborados
pela SEMEC.
A entrevista aplicada era formada de 06 (seis) perguntas
semiestruturadas, as quais foram desmembradas de acordo com a
necessidade de aclarar as ideias expostas pelo entrevistado em relação as
informações prestadas.
Na primeira indagação, buscou-se identificar se existe algum
profissional bibliotecário no quadro de funcionários da Secretaria Municipal
de Educação (SEMEC) de Teresina.
Ainda não tem um bibliotecário formado porque em Teresina
também acho que nunca houve o concurso para
bibliotecário não me lembro se ouve.
O curso também quando foi instituído aqui, autorizado faz
muito pouco tempo. As várias instituições tinham pessoas
que eram professores que faziam a catalogação, que faziam
um treinamento. Muitas vezes era o MEC que chamava para
assistir o curso em Brasília e quando chegava aqui
multiplicava.
Na pergunta seguinte, teve-se como objetivo descobrir quais são os
profissionais que estão atuando nas bibliotecas das escolas de
responsabilidade da SEMEC. Neste questionamento, sentiu-se a
necessidade de saber a opinião do entrevistado sobre as competências dos
atuais profissionais que são responsáveis pelas bibliotecas das escolas.
Quem está trabalhando nas bibliotecas daqui de Teresina
são professores que estão em processo de aposentadoria, e
alguns professores que estão com problemas, que não
podem está em sala de aula. Eles vão para as bibliotecas
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para ajudar os alunos com as pesquisas e tem também
outras pessoas que não são professores mas que são
funcionários do quadro de pessoal técnico de nível médio.
Já na pergunta seguinte, buscou-se identificar qual a opinião do
Secretario de Educação em relação à contribuição do bibliotecário no
processo de ensino aprendizagem e desenvolvimento pedagógico.
A contribuição é fazer a biblioteca funcionar como ela deve e
não um deposito de livro. [...] Uma biblioteca construção,
que desenvolva atividades, promova eventos, exposições,
palestras. Eu defendo que dentro da biblioteca deve haver
um bibliotecário e um pedagogo porque uma pessoa chega
para fazer uma pesquisa e não sabe o que vai fazer não. O
bibliotecário sabe pegar o livro e dar para ele, mas não
sabe orientar o que ele vai fazer, por isso que tem que ter
o bibliotecário e o pedagogo. Tem que ser um professor .
Em seguida, procurou-se saber se o Secretario Municipal de
Educação, conhecia a Lei 12.244 de 24 de maio de 2010, que dispõe sobre
a universalização de bibliotecas nas escolas do ensino básico do País.
Sabemos sim, inclusive foi discutida no ano passado onde
articulamos algumas ideias e estamos começando a tomar
as providencias. Pois a gente tem que colocar no orçamento
do ano seguinte,e a colocamos a proposta de concurso para
bibliotecário, este está previsto para 2012 [...].
Na quinta pergunta, teve-se como objetivo descobrir quais as ações
desenvolvidas pela SEMEC - Teresina para o cumprimento da Lei de
universalização de bibliotecas nas escolas.
O que estamos fazendo agora é justamente isso, os
engenheiros fizeram um levantamento nas escolas para
criar um espaço de refeitório que não tinha em muitas
escolas, de biblioteca e laboratório e as salas de repouso,
tendo estes espaços. Nos queremos uma biblioteca que
tenha propostas, que tenha evento, que tenha exposições.
Não é só para guardar livros.
Já começamos a comprar alguns livros e equipamentos para
as escolas que tem bibliotecas e para as que não têm,
estamos fazendo um levantamento poder mandar incluir na
lista de pesquisadores.
A última pergunta, buscou investigar quais os planejamentos e/ou
projetos que a SEMEC possui para o cumprimento da Lei a curto e médio
prazo.
A primeira coisa que a gente ta fazendo é comprando
acervo de paradidáticos, literatura infantil, atlas brasileiro,
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educação infantil. As bases de dados para a pesquisa para
os professores que vão poder acessar vídeos, fazer
pesquisa. Agora esse acervo é que está sendo organizado
na biblioteca e nas escolas que não tem vão ter que botar
em uma sala, tipo sala de leitura até a gente ter um espaço
compreendido como biblioteca, porque como são 302
escolas, é muito complicado.
E para a catalogação desse material que está chegando vai
ser feito por bibliotecários que serão contratados através de
concurso, do concurso que está previsto para 2012.
As informações coletadas por meio da entrevista possibilitaram-nos
chegar a algumas considerações a respeito da realidade das bibliotecas no
sistema educacional da Rede pública de ensino de Teresina – PI. Apesar de
buscar amenizar os problemas existentes, ainda é estridulosa a situação em
que se encontram o que são denominadas por professores, diretores, alunos
e comunidade como “Biblioteca Escolar”. Muitos destes espaços não
passam de mero deposito de objetos sem utilidade para a escola, assim
como admite o Secretario de Educação no decorrer da entrevista.
Mesmo buscando elucidar todo o emaranhado de problemas em
relação ao tema abordado, nota-se que os gestores da educação ainda
possuem uma visão arcaica do profissional bibliotecário. O vêem como um
profissional tecnicista, inábil ao desenvolvimento de atividades didáticas
/pedagógicas.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo sobre a realidade das bibliotecas escolares é um tema
bastante abordado, porém necessário. Apesar de ser um assunto bastante
discutido, ainda é pouco valorizando tanto nas instituições públicas quanto
nas particulares.
A abordagem aqui estudada buscou identificar das autoridades
competentes - qual a realidade das bibliotecas das escolas municipais de
Teresina – PI; e como o poder público teresinense está reagindo para o
comprimento da Lei que dispõe sobre a universalização de bibliotecas nas
instituições de educação básica no município.
A literatura utilizada para o embasamento teórico nos possibilitou uma
análise detalhada do papel da biblioteca escolar no contexto educacional,
bem como da importância da Lei para o processo de ensino-aprendizagem,
pois só por meio de uma legislação é que as instituições de ensino básico
preocupar-se-ão com as bibliotecas escolares.
Enfocando a realidade pesquisada, foi possível fazer um confronto
das informações coletadas na entrevista com a literatura corrente.
Possibilitando-nos chegar algumas considerações sobre a realidade das
bibliotecas das escolas da rede pública de ensino.
Apesar de buscar se adaptar às exigências, a Secretaria Municipal de
Educação e Cultura – SEMEC, ainda passa por algumas dificuldades em
relação à implantação de bibliotecas escolares, especialmente no que se
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XXXIV Encontro Nacional de Estudantes de Biblioteconomia,
Documentação, Ciência da Informação e Gestão da Informação
Formação do profissional da informação: desafios, perspectivas e campos de atuação.
refere à mão de obra qualificada (bibliotecário) para o desenvolvimento
pleno do processo pedagógico.
Na atual conjectura em que se encontram as bibliotecas do município
de Teresina – PI é mais conveniente designá-las como bibliotecas nas
escolas e não bibliotecas escolares tendo em vista que estas não possuem
um profissional bibliotecário atuando, o que a torna um recurso sem
utilização no processo educacional.
AGRADECIMENTOS
À DEUS por ter nos concedido paciência e perseverante.
REFERÊNCIAS
CONSELHO FEDERAL E BIBLIOTECONOMIA; CONSELHOS REGIONAIS
DE
BIBLIOTECONOMIA.
Projeto
mobilizador:
Manifesto
daUNESCO/IFLASchool Library. Informativo CRB-5, v. 14, n. 4, out./dez.
1999,
p.
3-4.
Disponível
em:
www.unesco.org/webworld/public_domain/school_ manifesto.
INSTITUTO PRÓ-LIVRO. Seminário Nacional Retratos da Leitura no
Brasil. Brasília: IPL, 2008
MANIFESTO IFLA/UNESCO PARA BIBLIOTECA ESCOLAR. Traduzido por
Neusa
Dias
de
Macedo.
Disponível
em:
<http://www,ifla.org/VII/s11/pubs/portuguese-brasil.pdf>. Acesso em: 14 abr.
2011.
PAIVA, Jane; BERENBLUM, Andréa. Programa Nacional de Biblioteca da
Escola (PNBE) – uma avaliação diagnóstica. Disponível em: <http://
www.anped.org.br/reunioes/30ra/trabalhos/GT13-3093--Int.pdf>. Acesso em:
7 maio 2008.
PEREIRA, Suzy dos Santos. Biblioteca escolar e a orientação à pesquisa
bibliográfica: a situação da rede pública de ensino. SEMINÁRIO
BIBLIOTECA ESCOLAR ESPAÇO DE AÇÃO PEDAGÓGICA, 3. 2004, Belo
Horizonte. Anais... Grupo de Estudos em Biblioteca Escolar da Escola de
Ciência da Informação da UFMG: Associação dos bibliotecários de Minas
Gerais, 2005. p.55-74. Disponível em:
<http://gebe.eci.ufmg.br/downloads/303.pdf>. Acesso em 10 mar. 2011.
PLANO NACIONAL DO LIVRO E DA LEITURA. Disponível em:
http://www.vivaleitura.com.br/pnll2/principios.asp. Acesso em 30 mar. 2008.
Anais do XXXIV Encontro Nacional de Estudantes de Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação e Gestão da Informação
25 a 30 de julho de 2011 – Manaus/AM
XXXIV Encontro Nacional de Estudantes de Biblioteconomia,
Documentação, Ciência da Informação e Gestão da Informação
Formação do profissional da informação: desafios, perspectivas e campos de atuação.
PROGRAMA NACIONAL DE BIBLIOTECAS NA ESCOLA. Disponível em:
www.vivaleitura.com.br/pnll2/mapa_show.asp?proj=448 - 22k. Acesso em 30
mar. 2008.
PROJETO MOBILIZADOR: biblioteca escolar construção de uma rede de
informação para o ensino público. Disponível em:
<ttp://www.crb8.org.br/UserFiles/File/Sistema%20CFB_CRB%20Projeto%20
Mobilizador.pdf>. Acesso em: 06 mar. 2011.
SEMEC.
Diagnósticos
e
cenários:
cultura.
Disponível
em:
<http://www.teresina.pi.gov.br/portalpmt/SEMPLAN/doc/20080924-160-589D.pdf >. Acesso em: 13 mar. 2011html. Acesso em: 28. mar. 2008.
Anais do XXXIV Encontro Nacional de Estudantes de Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação e Gestão da Informação
25 a 30 de julho de 2011 – Manaus/AM
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