I Encontro Internacional de Ciências Sociais/ III Encontro de Ciências Sociais do Sul: DEMOCRACIA, DESENVOLVIMENTO, IDENTIDADE Pelotas/RS – UFPel – 9 a 11 de abril de 2008 O conflito entre nativos e os técnicos: uma visão sobre os Planos Diretores dos Campi da UFSM Cláudia Samuel Kessler1 O presente trabalho se propõe a promover um entendimento sobre o conflito de interesses entre os agentes envolvidos na formulação de um Plano Diretor Universitário, possuindo como alvo de análise o atual projeto de elaboração dos Planos Diretores dos Campi da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), realizado desde setembro de 2007. O projeto de elaboração dos Planos Diretores foi originado a partir de uma iniciativa do curso de Arquitetura e Urbanismo e da Prefeitura da UFSM. A cidade Santa Maria é um importante pólo educacional, situada na região centro-oeste do Rio Grande do Sul, podendo ser considerada como pólo regional estratégico em termos de formação acadêmica e de facilidade de acesso para estudantes de regiões vizinhas. A estrutura da UFSM é formada pela Cidade Universitária Prof. José Mariano da Rocha Filho, o campus de Palmeiras das Missões, e ainda três Escolas de Ensino Médio e Tecnológico: o Colégio Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria, o Colégio Agrícola de Frederico Westphalen e o Colégio Técnico Industrial de Santa Maria. A extensão do campus, segundo informações institucionais, totaliza “(...) 1.863,57 hectares, nos quais as edificações perfazem 264.285,49 m² de área construída no Campus, além de 22.259,41 m² em edificações no centro da cidade” (UFSM, p.9, 2006). Pode-se acrescentar ainda que: “O contingente educacional da UFSM é de 15.974 alunos (1º semestre de 2006) em cursos permanentes, distribuídos entre os três níveis de ensino, dos quais 11.649 são do ensino de graduação, 2.037 do ensino de pós-graduação e 2.288 do ensino médio e tecnológico.” (UFSM, p.9, 2006). A UFSM possui grande estrutura: com dois Restaurantes Universitários, Biblioteca Central e bibliotecas setoriais, agência do Banco do Brasil, posto da Caixa Econômica Federal e do Unibanco, posto da EBCT, 12 lancherias, hospital-escola (HUSM), 538 laboratórios, Hospital de Clínicas Veterinárias, Farmácia-Escola, observatório espacial, Planetário e usina de beneficiamento de leite. O projeto dos Planos Diretores tem por objetivo formular um instrumento de normatização das estruturas e construções do campus, a fim de proporcionar um melhor bemestar à comunidade acadêmica, bem como uma melhor organização dos elementos do campus, 1 Bacharel em Comunicação Social e acadêmica de Ciências Sociais – UFSM, [email protected] 226 I Encontro Internacional de Ciências Sociais/ III Encontro de Ciências Sociais do Sul: DEMOCRACIA, DESENVOLVIMENTO, IDENTIDADE Pelotas/RS – UFPel – 9 a 11 de abril de 2008 aproveitando de maneira mais racional os espaços disponíveis. Segundo Cruz (2006), o planejamento urbano é formado por diversas fases, sendo que primeiramente: (...) teremos um "modelo" com uma entrada (formulação), que se desdobra em fases (agenda, identificação e escolha de opções, implementação e avaliação) que sofrem a influência de variados atores (ambiente) com diferentes capacidades de intervenção nas fases, e o resultado final (saída) (CRUZ, 2006, p.19) . A partir dessa noção do que se pode considerar como a “estrutura” de um planejamento, podemos então entender como se dará o processo de formulação de um Plano Diretor. Quanto aos Planos Diretores da UFSM, o projeto está estruturado nas seguintes fases: FASE 1 – que inclui Leituras Comunitárias, Leituras Técnicas e síntese de informações. FASE 2 –redefinição dos eixos temáticos de análise e realização de audiências públicas. FASE 3 – realização de um Seminário dos Planos Diretores do Campus e ajustes. Para um melhor entendimento, as fases estão explicitadas no organograma abaixo. O 227 I Encontro Internacional de Ciências Sociais/ III Encontro de Ciências Sociais do Sul: DEMOCRACIA, DESENVOLVIMENTO, IDENTIDADE Pelotas/RS – UFPel – 9 a 11 de abril de 2008 Organograma 1 – Fases do Plano Diretor dos Campi da UFSM No decorrer das fases, o projeto está passando por mudanças, as quais visam a uma melhor adaptação da metodologia de trabalho às necessidades da vida acadêmica. Além disso, devemos salientar que todas as pessoas que estão envolvidas no projeto fazem parte dessa comunidade, tornando o projeto ainda mais interessante. Como se sabe, em Planos Diretores é imprescindível a organização de um planejamento estratégico, o qual sirva como norte das ações realizadas. No caso dos Planos Diretores da UFSM, por ainda estar sendo desenvolvido, há diversas diretrizes que estão sendo analisadas, revisadas, reestruturadas. Segundo o Ministério das Cidades (2004), tornase importante que nos Planos Diretores haja: – Adoção de processos democráticos e participativos de planejamento e de gestão; [...] – O reconhecimento de saberes diversos sobre o local, vivências, necessidades e anseios dos habitantes desses territórios que devem ser incorporados como expressão de práticas solidárias, de culturas diversificadas, não restritos ao saber técnico, nem aos grupos sociais e econômicos dominantes (MINISTERIO DAS CIDADES, 2004, p. 46). Fernandes (2007) enfoca a obrigatoriedade da participação popular nos Planos Diretores municipais, iniciada com as disposições legais do Estatuto da Cidade (aprovado em 2001), o qual exigia a atualização ou formulação de Planos Diretores para cidades com mais de 20 mil habitantes até outubro de 2006. E mesmo que haja o debate entre a democracia participativa direta ou representativa, o autor afirma ser necessário priorizar a participação direta dos cidadãos. Esta questão, porém, leva o processo a um dilema: ao mesmo tempo que não se pode apresentar aos cidadãos um “plano pronto”, para Fernandes (2007, p.256), “não se pode começar da estaca zero com consultas abertas para colher as mais variadas opiniões e reivindicações populares”. Afirma Fernandes (2007) que, essa combinação entre o saber técnico e o saber popular é um processo pedagógico, sendo necessária a realização de diversas reuniões, debates e buscas para encontrar alternativas. Ao contrário dos primeiros Planos Diretores Municipais (datados da década de 1960 e considerados instrumentos normativos concebidos apenas por técnicos), em que a comunidade não era consultada ou nos quais suas observações iam sendo excluídas no decorrer do processo; na metodologia empregada nos Planos Diretores da UFSM, todas e quaisquer sugestões foram consideradas, até mesmo as que não se enquadravam em nenhuma das linhas temáticas, e foram organizadas em Árvores de Problemas. Até mesmo por isso, foi criada a 228 I Encontro Internacional de Ciências Sociais/ III Encontro de Ciências Sociais do Sul: DEMOCRACIA, DESENVOLVIMENTO, IDENTIDADE Pelotas/RS – UFPel – 9 a 11 de abril de 2008 Árvore de Demandas Gerais, na qual foram inseridas as demandas que não se enquadravam em nenhuma das árvores analíticas propostas inicialmente pelo projeto. Na primeira fase, das Leituras Comunitárias (que ao total foram 19), foi empregada a metodologia “Diagnóstico de Necessidades”2, em que as pessoas que participaram das reuniões (sendo da comunidade universitária: servidores técnico-administrativos, estudantes ou professores) tiveram a oportunidade de expor os problemas que viam nos espaços dos campi da UFSM. Além de evidenciar problemas, as pessoas podiam sugerir propostas de mudanças, soluções criativas ou manifestações que tivessem a ver com as estruturas do campus. No início de cada atividade, os integrantes da Equipe de Coordenação explicavam sobre o que se tratava aquela reunião e como seria a metodologia empregada. Para a aplicação da técnica nas Leituras Comunitárias dos Planos Diretores dos Campi da UFSM, foi adotada a seguinte seqüência de ações: 1º - a Equipe de Coordenação expôs as linhas gerais do projeto; 2º - os participantes foram organizados em círculo e convidados a expor suas visões e idéias sobre o Campus; 3º - todas as idéias foram anotadas em um cartaz de fácil visualização, sem serem questionadas ou debatidas, 4º - as idéias foram agrupadas em linhas temáticas definidas pela Comissão de Elaboração, sendo elas: sistema natural, acessibilidade, infra-estrutura, edificações, patrimônio histórico e sistema de espaços livres3. Deve-se salientar que cada unidade/ entidade4 da UFSM ficou responsável pelo agendamento das Leituras Comunitárias. Assim, elas tiveram a oportunidade de realizarem reuniões prévias, para discutir e definir seus Diagnósticos de Necessidades antecipadamente. Um dos problemas encontrados com a autonomia de cada unidade/entidade é que havia pessoas que participavam das Leituras Comunitárias e sequer sabiam do que se tratava o projeto ou por que estavam lá. Por questões de organização de cada unidade/entidade, as informações passadas pelo projeto não eram repassadas àquela comunidade, a qual ficava sem um melhor entendimento do que seria realizado nos encontros. Além disso, os Centros não se utilizaram de comunicações como e-mails, para avisar os estudantes sobre as reuniões; e 2 Sobre o Diagnóstico de Necessidades, pode-se dizer que essa é uma técnica de abordagem adaptada, é uma apropriação da dinâmica de oficinas com grupos de trabalho. Deixamos claro que ela não possui relação com a técnica do Diagnóstico de Necessidades de Treinamento/Formação, modelo empírico empregado na área empresarial a fim de desenvolver metodologias que forneçam um diagnóstico que possa reforçar capacidades profissionais de colaboradores e desenvolvimento organizacional. 3 Posteriormente organizadas em Árvores de Problemas. 4 Como unidades, deve-se considerar a Administração Central, os nove Centros de Ensino de Santa Maria, três colégios de Ensino Médio e Tecnológico (incluso os de Frederico Westphalen e Palmeira das Missões) e o Hospital Universitário. Como entidades considera-se entidades representativas de classe, como Associação dos Servidores da Universidade Federal de Santa Maria (ASSUFSM), Seção Sindical dos Docentes da UFSM (SEDUFSM) e Diretório Central dos Estudantes (DCE). 229 I Encontro Internacional de Ciências Sociais/ III Encontro de Ciências Sociais do Sul: DEMOCRACIA, DESENVOLVIMENTO, IDENTIDADE Pelotas/RS – UFPel – 9 a 11 de abril de 2008 apenas um dos Centros havia realizado uma reunião prévia com sua comunidade, para apresentar na Leitura Comunitária uma melhor formulação de como a comunidade universitária percebe o seu local de estudo, pesquisa e convívio. Após essa etapa, as idéias foram todas agrupadas em Árvores de Problemas, as quais foram apresentadas para os técnicos, na etapa seguinte às Leituras Comunitárias, denominada Leituras Técnicas, que começou a ser realizada em março de 2008. O que torna essa etapa interessante é que todos técnicos também fazem parte da comunidade da UFSM. Todas as pessoas que estão envolvidas no projeto de elaboração dos Planos Diretores da UFSM possuem vínculo com a instituição 5. Assim, podemos dizer que as pessoas que contribuem com os estudos técnicos, possuem também o olhar do “nativo”6. De fato, como diria Geertz, todos somos nativos; porém , uns sempre mais nativos que outros. No caso das Leituras Técnicas realizadas pelos técnicos do projeto da UFSM, ao contrário de outras visões técnicas de Planos Diretores de cidades, esses “técnicos-nativos” possuem um maior conhecimento sobre a realidade que está sendo analisada; sendo também beneficiados com as melhorias que porventura possam ser implementadas. Cabe ainda ressaltarmos que os técnicos sentiram-se desconfortáveis com a utilização deste termo para referir-se à sua contribuição, preferindo serem considerados como colaboradores das áreas do conhecimento. Em relação ao saber técnico, podemos afirmar que há um conflito entre entendimentos os quais acreditam que a “teoria” deve vir antes do “fazer”. Assim, a partir do contato com a prática, o saber técnico conduziria a um conhecimento que gera ação. Para não se cair em um repetitivo questionamento sobre “quem é o mais importante” ou “quem surgiu primeiro”, podemos considerar que tanto a teoria quanto a ação são importantes e possuem uma interdependência mútua. Os detentores deste saber podem ser entendidos, segundo Lima (2005) como “produtores de saber e de saber-fazer”. Porém, deve-se atentar para uma questão atual, a qual atenta Marin (1998 apud SOUZA, 2006, p. 5), ao expor que atualmente “tem havido um empobrecimento da produção do conhecimento em função do isolamento dos pesquisadores e da conseqüente falta de comunicação e de múltiplas perspectivas na análise de problemas de pesquisa.” Será mesmo que o saber técnico está isolado do saber empírico? 5 Entre as áreas técnicas envolvidas, há participantes das seguintes áreas: Engenharia Florestal, Arqutetura e Urbanismo, Comunicação Social, Ciências Sociais, Direito, Engenharia Civil e Geomática. 6 O termo “nativo” é utilizado, segundo Campos (2000), a fim de associar a visão do técnico como alguém que também tem uma “visão de dentro”, sendo tanto um insider como um outsider, permitindo-lhe uma viagem de “ir-e-vir”, analisando o interior com os saberes que permitem um afastamento; o que lhe permite além de fazer uma análise ética das questões localmente significantes para o processo, ao mesmo tempo possui um ponto de vista êmico. 230 I Encontro Internacional de Ciências Sociais/ III Encontro de Ciências Sociais do Sul: DEMOCRACIA, DESENVOLVIMENTO, IDENTIDADE Pelotas/RS – UFPel – 9 a 11 de abril de 2008 No que tange à questão dos Planos Diretores da UFSM, pode-se dizer que em todas as etapas está previsto o diálogo com a comunidade, o qual pode não acontecer devido a autonomia de órgãos/entidades da própria universidade, mas que foram sugeridas no planejamento do projeto. A importância do entendimento da produção de um “saber” e de um “fazer” que possam subsidiar o ensino técnico de maneira crítica, é notavelmente necessária. Porém, em muito devido a políticas públicas que dão pouca importância ao desenvolvimento do saber técnico, pode-se dizer, segundo Peterossi (1994 apud LIMA, 2005), que principalmente o ensino técnico perdeu: (...) a oportunidade de ter acumulado um saber e práticas capazes de sustentar propostas para esse ensino e/ou oferecer referenciais para a sua análise, visando ao seu desenvolvimento e integração efetiva no contexto educacional (PETEROSSI, 1994, p.9). O poder do saber técnico, fica evidenciado por Moreira (2006), ao explicitar 5 teses, nas quais considera que o saber científico e técnico pode ser considerado: 1) neutro; 2) crítico; 3) superior; 4) a ser transmitido pela universidade e 5) que atenda aos interesses da sociedade. Porém, para que este saber possa atender a algum interesse, ele deve entender que sociedade é esta, do que ela precisa, o que ela planeja para o futuro e como esse saber pode contribuir. Pode-se ainda entender, segundo Moreira (2006, s.p) que “A ordem social é a ordem legitimadora das desigualdades na distribuição da propriedade e das formas dominantes de apropriação do conhecimento técnico e científico” . Ainda, conforme explicitado por Fourquet (1973 apud SOUZA, 2001, p.3), “O sujeito de necessidades é uma construção da economia política, fundamental para a sociedade de consumo”. Dessa forma, é alimentado um mito funcional que fundamenta o urbanismo modernista, no qual a população é classificada segundo suas necessidade, o que acaba por fazer com que Partindo-se das funções que o urbanismo modernista associa à cidade: habitar, trabalhar, circular, recrear, educar, praticar esportes, usufruir a natureza, é comum tomar os equipamentos coletivos (sistemas viários e de transporte, escolas, parques, hospitais, praças) por máquinas que concretizariam as ‘necessidades’ associadas àquelas funções (Souza, 2001, p.3). Assim, as demandas da população e as questões que para ela possuem maior relevância são analisadas por um viés funcional-racionalista, de abordagem tecnocêntrica e fundamentado no conceito de um “homem universal”. Assim, são relegados a um segundo 231 I Encontro Internacional de Ciências Sociais/ III Encontro de Ciências Sociais do Sul: DEMOCRACIA, DESENVOLVIMENTO, IDENTIDADE Pelotas/RS – UFPel – 9 a 11 de abril de 2008 plano alguns aspectos que auxiliam a pensar os espaços e planejá-los, assim como os aspectos culturais, em que cada comunidade possui não apenas as necessidades de habitar, trabalhar, se divertir etc. As populações possuem a necessidade de participar do processo de construção do espaço no qual poderão criar, mudar, renovar. Dessa forma, Ocorre que o urbanismo modernista, ao eleger a razão técnica como único critério válido para o ordenamento do espaço urbano, critério externo e acima da luta política, bloqueia a possibilidade de uma sociabilidade marcada pela autonomia e pelo livre jogo de forças no espaço público. (Souza, 2001, p.4) Deve-se entender que o urbanista não é o “detentor de todos os saberes” e nem o “criador das necessidades”; devendo atuar como agente facilitador, sem estar acima da população e nem auto-instituindo a si a legitimidade máxima do planejamento. Cabe considerarmos que o processo de formulação dos Planos Diretores da UFSM ainda está sendo alterado, adaptado e constantemente repensado. Assim, podemos entender que mesmo que haja ainda algumas questões não muito bem elaboradas, elas também servem como aprendizado não apenas para este projeto, mas para próximos projetos de Planos Diretores para áreas universitárias. Quanto à metodologia empregada em termos de comunicações no projeto da UFSM, cabe salientar que todas as comunicações e convites feitos para os centros de ensino7, estão sendo feitas por escrito e organizadas em um arquivo, o que facilita o processo de análise e permite uma melhor noção do processo. Nas próximas fases do Plano Diretor, pretende-se intensificar ainda mais a divulgação das atividades, assim como reforçar os pedidos para que os Centros de ensino reforcem os convite para participação da comunidade acadêmica. Dessa forma, o projeto possui o intuito não apenas de proporcionar melhor qualidade de vida para a comunidade acadêmica, mas entender como as mudanças na dinâmica social de alocação dos bens estruturais e arquitetônicos pode afetar a vida de seus freqüentadores. Entenda-se qualidade de vida como um conceito ligado ao desenvolvimento humano nas mais diversas áreas, associados a uma maximização do bem-estar e da saúde dessas pessoas. Poderse-ia também complementar, com a brilhante afirmação de Matos (1999, p.3 apud MINAYO, 2000), para a qual “Quanto mais aprimorada a democracia, mais ampla é a noção de qualidade de vida, o grau de bem-estar da sociedade e de igual acesso a bens materiais e culturais”. 7 A UFSM conta com oito Unidades Universitárias: Centro de Ciências Naturais e Exatas, Centro de Ciências Rurais, Centro de Ciências da Saúde, Centro de Educação, Centro de Ciências Sociais e Humanas, Centro de Tecnologia, Centro de Artes e Letras e Centro de Educação Física e Desportos. 232 I Encontro Internacional de Ciências Sociais/ III Encontro de Ciências Sociais do Sul: DEMOCRACIA, DESENVOLVIMENTO, IDENTIDADE Pelotas/RS – UFPel – 9 a 11 de abril de 2008 O processo de elaboração do Plano Diretor dos Campi da UFSM tem procurado articular o saber técnico às estratégias de divisão do espaço e uma diferente orientação da políticas de organização dos campi. Devemos ter em mente que o saber técnico não é a fonte legítima e exclusiva para solucionar conflitos, assim como o urbanista não é um juiz incontestável de uma “nova ordem”. O projeto de elaboração dos Planos Diretores dos campi da UFSM tem seu término previsto para dezembro de 2008 e servirá como instrumento organizador e normatizador, caso aprovado. Para a etapa posterior à atual fase de Leituras Técnicas, na etapa de Audiências Públicas, deverá ser feito um melhor planejamento em termos de diálogo com a comunidade, aumentando a divulgação ao utilizar cartazes, folderes e um site que em breve será disponibilizado na página principal da UFSM. A elaboração deste trabalho está muito ligada ao que Fernandes (2007) considera como “a terceira geração de Planos Diretores”, atualmente vivenciada. É uma fase de novas experimentações, de muitas dúvidas, principalmente por ser uma experiência inédita, uma universidade pensar o seu espaço como um espaço urbano e que possui pretensões de expansões e melhorias planejadas. Porém, tem-se a certeza de que muito mais do que uma tentativa de acerto, esse projeto trará uma diferente visão sobre o processo de elaboração de outros Planos Diretores. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BRASIL. MINISTÉRIO DAS CIDADES. Política de apoio à elaboração e revisão de planos diretores: uma outra visão de planejamento e de cidade. In: Cadernos MCidades / Programas Urbanos 3: Planejamento territorial urbano e política fundiária. Brasília: Ministério das Cidades, 2004. CAMPOS, Marcio O’Dolne. Estar aqui e estar lá: tensões e interseções com o trabalho de campo. Anais do Primeiro Congresso Brasileiro de Etnomatemática –CBEm 1, 2000. CRUZ, Milton. O impacto da Participação Social no processo de elaboração da Política de Planejamento Urbano de Porto Alegre. Tese de mestrado. Porto Alegre: UFRGS, 2006. FERNANDES, Ari Vicente. Uma nova geração dos planos diretores. In.: Planos diretores municipais. Novos conceitos de planejamento territorial Laura Machado de Mello Bueno; Renato Cymbalista (orgs). São Paulo: Annablume Editora, 2007. FOURQUET, F. (org.) Genealogie ducapital. v. 1: Les équipements du pouvoir: villes, territoires et équipements collectifs. Paris: Recherches, 1978 apud SOUZA, Nelson Rosário de. Planejamento urbano em Curitiba: saber técnico, classificação dos citadinos e partilha 233 I Encontro Internacional de Ciências Sociais/ III Encontro de Ciências Sociais do Sul: DEMOCRACIA, DESENVOLVIMENTO, IDENTIDADE Pelotas/RS – UFPel – 9 a 11 de abril de 2008 da cidade. Jn 2001. Disponível em: <www.scielo.br/pdf/rsocp/n16/a07n16.pdf>. Acesso em: 26 mar 2008. LIMA, Cantaluce Mércia Ferreira Paiva de Barros. A IDENTIDADE DOCENTE NO ENSINO TÉCNICO: as marcas do saber-ser, do saber-tornar-se professor. Recife, 2005. Disponível em: <http://www.ce.ufpe.br/posemeducacao/documentos/Dissertacoes_2005/formacao_de_profes sores/CANTALUCE_MERCIA_FERREIRA_PAIVA_DE_BARROS_LIMA.pdf>. Acesso em: 26 mar 2008. MARIN, A. J. Algumas reflexões sobre a produção científica em suas relações com a criatividade. In: Criatividade para quê? I Congresso Internacional de Criatividade. São Paulo-SP, 16-18 de novembro de 1998, p.55-58. apud SOUZA, Cristina Gerasimenko; SOUZA, Rodolpho Ribeiro da Silva. Gestão do saber técnico. Revista de divulgação técnico-científica do ICPG. Vol. 2 n. 8 - jan./jun./2006. Disponível em: <http://www.icpg.com.br/hp/revista/download.exec.php?rpa_chave=f18a7186c34e3965e4c1> . Acesso em: 26 mar 2008. MATOS, Olga. As formas modernas do atraso. Folha de S. Paulo, Primeiro Caderno, 27 de setembro, 1998 apud MINAYO, Maria Cecília de Souza et al. Qualidade de vida e saúde: um debate necessário. Ciênc. saúde coletiva vol.5 no.1 Rio de Janeiro 2000. Disponível em: <http://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S1413-81232000000100002&script=sci_arttext>. Acesso em: 26 mar 2008. MOREIRA, Roberto José. Sociedade e universidade: cinco teses equivocadas. 2006. Disponível em: <http://www.dce.unb.br/index.php?pagina=artigo&id=45>. Acesso em: 26 mar 2008. PETEROSSI, Helena Gemignani. Formação do Professor para o Ensino Técnico. São Paulo: Loyola, 1994 apud LIMA, Cantaluce Mércia Ferreira Paiva de Barros. A IDENTIDADE DOCENTE NO ENSINO TÉCNICO: as marcas do saber-ser, do sabertornar-se professor. Recife, 2005. SOUZA, Cristina Gerasimenko; SOUZA, Rodolpho Ribeiro da Silva. Gestão do saber técnico. Revista de divulgação técnico-científica do ICPG. Vol. 2 n. 8 - jan./jun./2006. Disponível em: <http://www.icpg.com.br/hp/revista/download.exec.php?rpa_chave=f18a7186c34e3965e4c1> . Acesso em: 26 mar 2008. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA. UFSM em números. Pró-reitoria de Plnejamentos. UFSM: Santa Maria, 2006. 234