CRISLLY DANDOLINI TISCOSKI QUALIDADE DE VIDA EM MULHERES SUBMETIDAS AO TRATAMENTO CIRÚRGICO POR CÂNCER DE MAMA Tubarão, 2005 2 CRISLLY DANDOLINI TISCOSKI QUALIDADE DE VIDA EM MULHERES SUBMETIDAS AO TRATAMENTO CIRÚRGICO POR CÂNCER DE MAMA Apresentado ao curso de Fisioterapia como requisito à obtenção do título de Bacharel em Fisioterapia Universidade do Sul de Santa Catarina Orientadora: Scheyla Paula B. O. Nogueira Tubarão, 2005 3 CRISLLY DANDOLINI TISCOSKI QUALIDADE DE VIDA EM MULHERES SUBMETIDAS AO TRATAMENTO CIRÚRGICO POR CÂNCER DE MAMA Este trabalho de conclusão de curso julgado adequado à obtenção do grau Bacharel em Fisioterapia e aprovado em forma final pelo Curso de Graduação Fisioterapia. Universidade do Sul de Santa Catarina Tubarão, 07 de novembro de 2005. Profª. Esp. Scheyla Paula B. O. Nogueira Universidade do Sul de Santa Catarina Profª. Esp. Inês Vinadé Universidade do Sul de Santa Catarina Fta. Esp. Ana Paula Brogni foi de sua em 4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho, a todos aqueles que me deram apoio, no decorrer desses anos. 5 AGRADECIMENTOS À Deus, por estar presente em todos os dias de minha vida, e que sem ele, nada se concretiza. Aos meus pais, pois se não fossem por eles, hoje eu não estaria aqui, e também, pela confiança que depositaram em mim, pelo apoio, e pela grande motivação durante esta longa caminhada. À minha filha, que é a razão de minha vida, e se hoje cheguei até aqui, foi pensando nela, e no futuro maravilhoso que pretendo dar a ela. Às minhas irmãs, que muitas vezes me ajudaram, em momentos difíceis de minha vida. À minha orientadora, que teve bastante paciência com minha pessoa, pela colaboração na elaboração deste trabalho, pela sua persistência em fazer com que esta pesquisa ficasse o melhor possível. Aos membros da banca, Ana Paula e Inês por concederem seu tempo para contribuir em meu trabalho Às minhas amigas, que sempre me deram força suficiente, para superar os grandes obstáculos no meu caminho. À secretária do Centro de Apoio Oncológico, Centro de Atividades da Catedral e Clínica Escola de Fisioterapia pelo auxílio nas entrevistas. 6 Às próprias pacientes, que foram o pilar desta construção, pois sem a disponibilidade das mesmas, nada se concluiria. 7 “Tempo é algo que não volta atrás. Por isso plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores” Willian Shakespeare 8 RESUMO O câncer de mama é o segundo câncer mais comum em mulheres brasileiras. Seu diagnóstico e tratamento influenciam muito na qualidade de vida destas mulheres, pois tráz consigo seqüelas físicas e emocionais. A presente pesquisa teve como objetivo geral avaliar a qualidade de vida de mulheres que desenvolveram câncer de mama nas cidades de Tubarão e Criciúma. Especificamente, analisar como circunstâncias do domínio físico, psicológico, social e meio ambiente influenciam na qualidade de vida de mulheres submetidas à cirurgia por câncer de mama, verificar a idade, o estado civil, a profissão, o tipo de cirurgia, o tempo de cirurgia e o tratamento adjuvante, incentivar e divulgar a fisioterapia no pós-operatório de câncer de mama. Para realização desta pesquisa, adotou-se um questionário de avaliação de qualidade de vida para mulheres com câncer de mama da Organização Mundial de Saúde (OMS), que foi aplicado em vinte mulheres que realizaram o tratamento cirúrgico. A qualidade de vida foi avaliada em alguns aspectos como o físico, o emocional, o social e o meio ambiente, além das principais alterações ou seqüelas apresentadas pelas mulheres após o diagnóstico e tratamento. Além do questionário, também foram coletadas informações a cerca de tratamentos adjuvantes à cirurgia (quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia) e a realização de fisioterapia pelas mulheres questionadas. Após a coleta de dados foi observada que a média de idade das mulheres questionadas foi de 53 anos. Elas estavam entre 5 meses a 5 anos pós-diagnóstico e cirurgia. Através do conhecimento sobre os principais fatores que influenciam na qualidade de vida destas mulheres e das alterações pós-operatórias do câncer de mama, profissionais da área da saúde podem direcionar melhor seu tratamento e/ou reabilitação, colaborando para uma melhor qualidade de vida dessas mulheres. Palavras chave: Qualidade de vida, Câncer de mama, Fisioterapia 9 ABSTRACT The breast cancer is as the more common cancer in Brazilian women. Its diagnosis and treatment influence very in the quality of life of these women, therefore it brings I obtain physical and emotional sequels. The present research had as objective generality to evaluate the quality of life of women who had developed cancer of breast in the cities of Tubarão and Criciúma. Specifically, to analyze as circumstances of the physical, psychological, social domain and environment influence in the quality of life of women submitted to the surgery for breast cancer, to verify the age, the civil state, the profession, the type of surgery, the time of surgery and the adjuvant treatment, to stimulate and to divulge the physicaltherapy in the postoperative one of breast cancer. For accomplishment of this research, a questionnaire of evaluation of quality of life for women with cancer of breast of the World-wide Organization of greets was adopted (OMS), that it was applied in twenty women who had carried through the surgical treatment. The quality of life was evaluated in some aspects as the physicist, the emotional one, social and the environment, beyond the main alterations or sequels presented for the women after the diagnosis and treatment. Beyond the questionnaire, information about adjuvant treatments to the surgery (chemotherapy, radio chemotherapy and hormoniotherapy) and the accomplishment of physicaltherapy for the questioned women had been also collected. After the collection of data was observed that the average of age of the questioned women was of 53 years. They were between 5 months the 5 years after-diagnosis and surgery. Through the knowledge on the main factors that influence in the quality of life of these women and the postoperative alterations of the breast cancer, professionals of the area of the health can direct better its treatment and/or whitewashing, collaborating for one better quality of life of these women. Words key: Quality of life, Cancer of breast, Physicaltherapy 10 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Sistema Lobular ......................................................................................................19 Figura 2 – Drenagem Linfática da mama .................................................................................21 Figura 3 – Quadrantectomia .....................................................................................................32 Figura 4 – Tumerectomia .........................................................................................................32 Figura 5 –Mastectomia Radical ...............................................................................................34 Figura 6 –Mastectomia Radical Modificada ............................................................................35 11 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Estadiamento do câncer de mama ..........................................................................27 Tabela 2 – Faixa etária .............................................................................................................47 Tabela 3 – Estado civil ............................................................................................................48 Tabela 4 – Profissão ................................................................................................................49 Tabela 5 – Tipo de cirurgia e tempo pós-operatório ...............................................................50 Tabela 6 – Tratamento adjuvante do câncer de mama .............................................................52 Tabela 7 – Sintomatologia apresentada após tratamento cirúrgico do câncer de mama .........54 12 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Domínio físico ......................................................................................................57 Gráfico 2 – Domínio psicológico ............................................................................................59 Gráfico 3 – Domínio social ......................................................................................................61 Gráfico 4 – Meio ambiente ......................................................................................................62 Gráfico 5 – Diagnóstico do câncer de mama ...........................................................................64 Gráfico 6 – Tratamento fisioterapêutico ..................................................................................65 Gráfico 7 – Prognóstico do câncer de mama ...........................................................................66 Gráfico 8 – Satisfação com a saúde .........................................................................................67 Gráfico 9 – Auto-avaliação sobre qualidade de vida ...............................................................69 13 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 15 2 QUALIDADE DE VIDA EM MULHERES QUE DESENVOLVERAM CÂNCER DE MAMA ............................................................................................................................... 18 2.1 Anatomia da mama .................................................................................................... 18 2.1.1 Morfologia e fisiologia da mama................................................................................ 21 2.2 Câncer de mama ......................................................................................................... 23 2.2.1 Patologia e fases seqüenciais da carcinogênese ........................................................ 23 2.2.2 Histopatologia do carcinoma de mama ...................................................................... 26 2.2.3 Fatores prognósticos morfológicos............................................................................. 27 2.2.4 Fatores de risco do câncer de mama........................................................................... 28 2.3 Tratamento do câncer de mama................................................................................. 29 2.3.1 Técnicas cirúrgicas ..................................................................................................... 30 2.3.2 Tratamento complementar/adjuvante ........................................................................ 35 2.3.2.1 Radioterapia............................................................................................................. 35 2.3.2.2 Quimioterapia ..........................................................................................................36 2.3.2.3 Hormonioterapia ......................................................................................................37 2.4 Complicações específicas do pós-operatório do câncer de mama.. ......................... 38 2.5 Considerações sobre os aspectos psicoemocionais no câncer de mama ............. ....41 2.6 Qualidade de vida em câncer de mama.......................................................................43 14 3 DELINEAMENTO DA PESQUISA................................................................................44 3.1 Tipo da pesquisa.............................................................................................................44 3.2 Fonte, local e período da coleta de dados......................................................................44 3.3 Instrumentos utilizados para coleta de dados..............................................................45 3.4 Procedimentos utilizados na coleta de dados...............................................................46 4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS........................................................................47 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................70 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................72 ANEXOS ................................................................................................................................76 ANEXO A – Questionário sobre Qualidade de Vida .............................................................77 ANEXO B – Termo de Consentimento....................................................................................83 15 1 INTRODUÇÃO A Fisioterapia, como uma profissão da área da saúde, visa à melhoria da qualidade de vida, visto sua potencialidade na reabilitação funcional. Assim, a preocupação referente a esse respeito torna-se cada vez maior, partindo-se de patologias destrutivas, como o câncer de mama e que estão cada vez mais freqüentes em nossa sociedade. O câncer de mama é o tumor feminino mais freqüente, sendo que no Brasil é o que mais causa morte entre as mulheres, responsável por 24,14% dos novos diagnósticos de neoplasias de mama (BRASIL, 2005). A malignidade desta patologia é tratada por procedimento cirúrgico seguido ou não de tratamento adjuvante de quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia, sendo estes os tratamentos clássicos, compreendidos pela retirada da mama comprometida em sua forma total ou parcial. Este tratamento vem apresentando bons resultados em termos de sobrevida, ou seja, quando for detectado precocemente, podendo porém deixar seqüelas físicas além das alterações em nível social e emocional, que podem interferir na qualidade de vida dessas pacientes. Segundo Moreira (2002, p. 44), a qualidade de vida é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. Sendo então, caracterizada pela satisfação 16 global percebida pelo indivíduo, sob diversos aspectos da vida e não simplesmente ausência de doença. A ênfase na abordagem da qualidade de vida, é decorrente do fato que à medida que mais mulheres são submetidas à cirurgia do câncer de mama, faz-se necessário o conhecimento de suas principais seqüelas dentro de diversos aspectos, e que sejam obtidos pelos profissionais de saúde, afim de proporcionar melhor tratamento às pacientes, baseandose no conceito de qualidade de anos vividos. Com o conhecimento das complicações ou alterações apresentadas pelas mulheres que sofreram o tratamento cirúrgico do câncer de mama, serão identificadas as informações as quais os profissionais da saúde e, o quanto essas alterações interferem em sua qualidade de vida, podendo direcionar o tratamento e/ou a reabilitação de modo a minimizar as seqüelas e individualizar cada vez mais as formas de tratamento, em busca de uma melhor qualidade de vida, bem como uma melhora nos aspectos físicos, psicológicos e sociais. Diante do exposto acima, questiona-se como é a qualidade de vida de mulheres submetidas ao tratamento cirúrgico por câncer de mama, nas cidades de Criciúma e Tubarão? Assim, a proposta em estudo teve como objetivo geral avaliar a qualidade de vida de mulheres que desenvolveram câncer de mama nas cidades de Criciúma e Tubarão e, especificamente, foi analisado como circunstâncias do domínio físico, psicológico, social e meio ambiente a influência na qualidade de vida destas mulheres, verificado também a idade, estado civil, profissão, tipo de cirurgia, tempo de cirurgia e tratamento adjuvante, foi averiguado as alterações corporais mais freqüentes, buscou-se incentivar e divulgar a fisioterapia no pós-operatório de câncer de mama e se o mesmo trouxe alguma angústia, avaliado até que ponto o prognóstico influencia na qualidade de vida dessas mulheres, bem como a auto-avaliação sobre qualidade de vida e, a auto-satisfação com a saúde. A pesquisa foi realizada no Centro de Apoio Oncológico do Hospital São José, situado no município de Criciúma, na Clínica Escola de Fisioterapia localizado na 17 Universidade do Sul de Santa Catarina, e no Grupo Girassol localizado no Centro de Atividades da Catedral, na cidade de Tubarão, com mulheres pós-cirúrgicas do câncer de mama, atendidas nestes locais, no período de 13/08/2005 a 20/10/2005, caracterizando uma amostra probabilística. Para coletar os dados, foi adotado o questionário como instrumento e a inquirição como técnica. Com a finalidade de poder alcançar os objetivos desta pesquisa, é composto neste trabalho cinco capítulos, sendo que no capítulo 1 temos a introdução, no capítulo 2 será apresentada a revisão teórica sobre o tema abordado, no capítulo 3 será descrito o delineamento da pesquisa, no capítulo 4, descreve-se a análise e discussão dos dados e, no capítulo 5 as considerações finais. Por fim, seguem-se as referências bibliográficas e os anexos. 18 2 QUALIDADE DE VIDA EM MULHERES QUE DESENVOLVERAM CÂNCER DE MAMA Este capítulo apresenta inicialmente, uma sucinta revisão teórica, abordando a função da mama, com considerações anatômicas e estruturais, fisiológicas e mesmo psicológica além da patologia abordada, bem como seu tratamento e complicações, ou seja, com o objetivo de tornar claros diversos aspectos da patologia do câncer de mama. Dando ênfase também, na qualidade de vida dessas mulheres no pós-cirúrgico e na realização de tratamentos adjuvantes. 2.1 Anatomia da mama As mamas são anexos cutâneos mamíferos, localizados na parte anterior e superior do tórax, ventralmente aos músculos peitoral maior, serrátil anterior e oblíquo externo, geralmente estendendo-se superiormente desde o nível da segunda ou terceira costela a sexta costela e lateralmente desde a borda lateral do esterno até a linha axilar anterior ou média (BEREK et al., 1998). De acordo com Piato (1995) o corpo glandular é constituído de parênquima epitelial, formados por dois sistemas, o ductal e o lobular, entremeado por tecido fibroadiposo, sendo envolvido pelas fáscias subdérmicas e ântero-aponeurótica. Estas 19 estruturas são interligadas por ligamentos suspensores do tecido fibroso o qual sustentam a mama. A metade superior da mama e, principalmente o quadrante súpero-externo, contém uma maior quantidade de tecido glandular do que o resto da mama (CAMARGO; MARX, 2000, p. 02). O sistema lobular é composto de 15 a 20 lobos ou glândulas alveolares, cada uma com um ducto lactífero próprio que se abre na papila (ou mamilo) da mama (Figura 1). O sistema ductal é formado pelos ductos galactóforos, no mesmo número de lobos, que seguem em direção à papila formando o seio galactóforo (GARDNER; GRAY; RAHILLY, 1998). Figura 1: Sistema Lobular (Fonte: Revista ISTOÉ - Guia da Saúde Familiar - Volume 14 02/2002). Segundo Bland e Copeland (1994), a papila da mama é constituída por fibras musculares lisas, dispostas radialmente, que ao se contraírem comprimem os ductos, fazendo a ereção da papila. A papila é uma proeminência cilíndrica com diminutas aberturas dos ductos galactóforos, estando circundada por pele pigmentada, a aréola, contendo glândulas 20 sebáceas, glândulas sudoríparas e glândulas areolares acessórias ao longo de sua superfície epitelial. A mama é ricamente inervada por fibras sensitivas, particularmente a papila e a aréola, além de fibras autônomas para os músculos lisos e vasos sanguíneos, ambas enviadas pelos nervos intercostais. A dor que a mulher sente na mama ocorre ao redor do órgão e irradia-se para a escápula pelos nervos intercostais, podendo irradiar também para a face medial do braço pelo nervo supraclavicular (GARDNER; GRAY; RAHILLY, 1998). No que se refere à vascularização da mama, o principal aporte de sangue, provém dos ramos mamários da artéria axilar, principalmente a torácica lateral, que garantem grande parte da irrigação da glândula mamária e da pele que a recobre. Quanto ao sistema venoso, em geral acompanha o trajeto do sistema arterial, sendo que indicam o caminho dos linfáticos da mama, de particular importância clínica, devido ao seu papel na propagação de tumores malignos (PIATO, 1995). Conforme Camargo e Marx (2000), a drenagem linfática da mama se faz através do plexo linfático superficial, localizado na derme, que se anastomosa com o plexo profundo intramamário, os quais acompanha os ductos galactóforos. O plexo superficial coleta a linfa das porções centrais da mama, pela aréola e papila mamária, pelo plexo areolar e subareolar, drenando a linfa da metade superior da mama para a axila. Constitui-se também do plexo mamário interno, que drenam a parte interna da glândula mamária e plexo submamários que drenam a parte profunda. Ambos drenam a linfa para troncos intralobulares, comunicando-se com redes linfáticas superficiais e dirigindo-se para os linfonodos axilares e paraesternais (Figura 2). 21 Figura 2 – Drenagem Linfática da Mama (Fonte: Revista ISTOÉ - Guia da Saúde Familiar Volume 14 - 02/2002). Deve-se ressaltar que existem outras vias de drenagem linfática, que desempenham papel importante na disseminação dos tumores mamários malignos e que provêm das regiões inferior e medial da mama. Uma delas é a rota paramamária , através de linfáticos abdominais para o fígado e linfonodos diafragmáticos. A outra é a via transmamária, por linfáticos superficiais para a mama e axila opostas. A partir da porção inferomedial da glândula, alguns vasos linfáticos do plexo profundo drenam aos linfonodos mediastinais anteriores, que estão situados anteriormente à aorta, passando pelo esterno. (PIATO, 1995, p. 3). A drenagem linfática da mama ocorre em direção à cadeia axilar em cerca de 97% enquanto que os 3% restantes são drenados para a cadeia mamária interna. Existe certa tendência da parte lateral do órgão drenar em direção da axila, enquanto a medial drena em direção à cadeia mamária interna (BLAND; COPELAND, 1994). 2.1.1 Morfologia e fisiologia da mama A mama é um órgão do sistema de reprodução humana, com precoce formação durante o desenvolvimento embrionário, a partir do ectoderma ventral, que dá origem ao 22 sistema ductal, e do mesoderma subjacente, dando origem aos tecidos conjuntivos e adiposo (PIATO, 1995). Segundo Gardner, Gray e Rahilly (1998), a partir da quarta semana vida intrauterina, inicia-se a formação de um espessamento em fita, do ectoderma ventral, estendendose desde a futura axila e futura região inguinal, sendo a chamada linha mamária. Na sexta semana o espessamento ectodérmico (em forma esférica) dirige-se para o mesênquima subjacente. Após a oitava semana, somente a porção da crista destinada a tornar-se mama é identificável. Na vida pós-natal, a mama na mulher sofre modificações, correlacionadas com a idade e reguladas por hormônios que estimulam o desenvolvimento e a função reprodutora (CAMARGO; MARX, 2000). Para Bland e Copeland (1994), o estrogênio exerce efeitos mitóticos (carcinogênicos) no epitélio mamário. A progesterona é a responsável pela diferenciação das células epiteliais e o desenvolvimento lobular, também limita a proliferação do epitélio tubular pelo estrogênio. A prolactina contribui para o desenvolvimento do tecido adiposo e atua sinergicamente com o estrogênio e a progesterona em suas funções. É portanto, o principal estímulo hormonal para a lactogênese durante a gravidez e no pós-parto. A secreção dos hormônios mamogênicos é regulada pelos neuro-hormônios do hipotálamo e pelos hormônios da glândula hipófise, sendo o estrogênio e a progesterona secretados pelos ovários, regulados pelas gonadotropinas, hormônio luteinizante (LH) e hormônio folículo-estimulador (FSH) (BLAND; COPELAND, 1994). Ainda de acordo com o autor citado acima, a secreção dos hormônios mamogênicos varia durante toda a vida das mulheres normais, e estas alterações são responsáveis pelo padrão normal de desenvolvimento mamário. Segundo Camargo e Marx (2000), as mulheres mais jovens apresentam mamas com maior quantidade de tecido glandular e, aproximadamente aos vinte anos de idade, 23 alcançam o desenvolvimento máximo. Por volta dos quarenta anos de idade, ao se aproximar da menopausa, o tecido mamário vai se atrofiando e sendo substituído por tecido adiposo progressivamente, sendo que a cada ciclo menstrual, a cada gestação e a cada lactação, ocorrem alterações estruturais mamárias, reguladas pelos hormônios. 2.2 Câncer de mama O câncer de mama é visto como uma proliferação celular desordenada, que invade os tecidos ou órgãos, em caráter irreversível, podendo espalhar-se para outras regiões do corpo. A causa é dada por uma mutação de seu genoma (complemento genético total da célula) e a falência dos mecanismos que conservam as células em seus sítios anatomofuncionais. Assim, origina-se uma nova população de células anômalas do ponto de vista morfológico, fisiológico e bioquímico (LIMA, 1999). O carcinoma da mama é uma doença complexa e heterogênea, com formas de evolução lenta ou rapidamente progressivas, dependendo do tempo de duplicação celular e outras características biológicas de progressão. É também a neoplasia mais comum nas mulheres (CAMARGO; MARX, 2000, p. 17). Embora as mutações ocorram ao acaso, a probabilidade de que elas aconteçam pode ser aumentada quando um indivíduo é exposto a certos agentes químicos, físicos ou biológicos, sendo esses fatores oncogênicos (GUYTON et al., 1998). O câncer de mama, pode-se afirmar que é o mais temido pelas mulheres, devido à sua alta freqüência e sobretudo pelos seus efeitos psicológicos, e também por ser uma patologia altamente agressiva, que afetam a percepção da sexualidade e a própria imagem pessoal. É relativamente raro antes dos 35 anos de idade, mas acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente (CAMARGO; MARX, 2000). 2.2.1 Patologia e fases seqüenciais da carcinogênese 24 A gênese tumoral está relacionada à perda ou inativação de genes supressores ou pela amplificação de oncogenes (no controle da proliferação celular), sendo estas alterações herdadas pelas células filhas. As alterações genéticas conferem à célula tumoral a capacidade de invadir a membrana basal, induzir angiogênese, infiltrar vasos sanguíneos e/ou vasos linfáticos alcançando locais distantes (ABRÃO, 1995). Segundo Menke et al. (2000), a carcinogênese é composta por múltiplos eventos que podem ser divididos em três fases: a) Iniciação: esta etapa envolve eventos genéticos desencadeados por fatores carcinogênicos. Pode ser dividida em ativação de proto-oncogenes e perda de bloqueio de genes supressores. Os proto-oncogenes são genes normais, envolvidos na multiplicação celular normal. Podem transformar-se em oncogenes por vários fatores genéticos, realizando então a síntese de proteínas que estimulariam o crescimento e a multiplicação celular de forma anormal. Os genes supressores tumorais envolvidos na gênese do câncer de mama são o BRCA1, BRCA2 e p53. b) Promoção: esta fase está relacionada à associação de fatores hormonais, reações inflamatórias e fatores de crescimento, que são necessários como estímulos ao desenvolvimento do tumor. c) Progressão: etapa referente à capacidade de invasão, que se refere a propagação direta do câncer de mama, pela infiltração de células tumorais ao longo de ductos, diretamente através do estroma e do parênquima e de metastização, que se refere a propriedade que tem o tumor de se disseminar para outros órgãos e tecidos, através da corrente linfossanguínea. Conforme De Luca et al. (1998), a metastização de carcinomas ocorre mais por via linfática, sendo mais fácil encontrar as metástases de uma neoplasia maligna quando conhecido às localizações mais comuns. 25 Os linfonodos axilares atuam como filtros entre a mama e a circulação venosa. As células carcinomatosas que penetram num vaso linfático ultrapassam dois ou mais grupos de linfonodos antes de atingir a circulação venosa (GRUNFELD et al., 2000). A propagação do câncer via linfática e o acometimento dos linfonodos regionais, tem forte relação com a sobrevida e o tipo de tratamento a ser realizado, assim como a velocidade de crescimento do tumor. O crescimento tumoral no câncer de mama, em relação a outros tumores, é considerado lento. Quando o tumor atinge o tamanho clínico detectável, o paciente já convive com o hospedeiro há aproximadamente oito anos (OLIVEIRA; LEMGRIBER, 2001). Segundo Camargo e Marx (2000), as células cancerosas apresentam capacidade de invadir o tecido normal, originando-se em qualquer estrutura que compõe a mama: epitélio glandular, mesênquima e epiderme. Já para Gardner, Gray e Rahilly (1998), o quadrante súpero-lateral da mama é o local de maior incidência de tumores mamários, por conter maior tecido glandular, sendo que, com o aumento de células, há também maior desorganização da estrutura e função, o que acaba com o não funcionamento dos mecanismos de controle local. Segundo Hegg (2000), o diagnóstico do câncer de mama é basicamente feito através de anamnese, exame físico e da propedêutica subsidiária por meio de mamografia, ultra-sonografia e biópsia da lesão, ou seja, a citopatologia. 2.2.2 Histopatologia do carcinoma de mama Segundo Camargo e Marx (2000), a importância em proceder-se à classificação histológica das neoplasias de mama, é pelo fato de serem abordadas como fatores prognósticos, assim como orientar para as decisões a respeito do tratamento. Classificando em: Não invasivos 26 - Câncer ductal in situ (precursor) - Câncer lobular in situ (marcador biológico) Invasivos - Câncer ductal invasivo - Câncer lobular invasivo - Câncer papilífero - Câncer medular - Câncer mucinoso - Câncer tubular - Câncer adenóide cístico - Câncer secretor - Câncer apócrino - Câncer com metaplasia - Câncer cribiforme invasivo - Doença de Paget - Câncer inflamatório - Câncer oculto com metástase axilar - Tumor filóide maligno - Câncer de mama no homem Ainda de acordo com o autor citado anteriormente, a importância do diagnóstico precoce do câncer está em tentar evitar a disseminação das células malignas pelo corpo. Por isso, quando o câncer de mama é detectado e tratado precocemente, a mulher tem mais opções de tratamento e boas chances de recuperação completa. Depois de estabelecido o diagnóstico do câncer de mama citológica e histologicamente, deve ser determinado o estágio clínico da doença. O estadiamento clínico de Columbia foi amplamente usado por muitos anos,mas o sistema TNM (tumor [T], 27 linfonodo [N], metástases [M]) tem sido recomendado pela Internacional Union Against Câncer (UICC) e pelo American Joint Comittee on Cancer que será representado abaixo. Esse sistema tem a vantagem de ser tanto um sistema de estadiamento clínico pré-operatório quanto estadiamento pós-operatório ou anatomopatológico. A classificação TNM está se tornando universalmente aceita, substituindo o estadiamento de Columbia (BEREK et al, 1998). Conforme Berek, Adashi e Hillard (1998), o estadiamento (TNM) do carcinoma de mama é o seguinte: Estádio 0 I IIA IIB IIIA IIIB IV Tumor Tis T1 T0 T1 T2 T2 T3 T0 T1 T2 T3 T3 T4 Qualquer T Qualquer T Nodo N0 N0 N1 N1 N0 N1 N0 N2 N2 N2 N1 N2 Qualquer N N3 Qualquer N Metástase M0 M0 M0 M0 M0 M0 M0 M0 M0 M0 M0 M0 M0 M0 M1 Tabela 1 - Estadiamento do câncer de mama 2.2.3 Fatores prognósticos morfológicos A dimensão macroscópica do tumor é um fator prognóstico importante e a graduação nuclear é baseada nas características citológicas do núcleo modificadas. Entretanto, o chamado status local é o mais potente indicador prognóstico. O número de linfonodos, o tamanho das metásteses, o comprometimento da cápsula linfonodal, o nível anatômico, o tipo histológico, receptores hormonais, considerando-se também a resistência imunológica, como 28 resposta do hospedeiro ao câncer, são fatores prognósticos do câncer de mama (OLIVEIRA; LEMGRIBER, 2001). Segundo De Luca et al. (1998), o interesse da identificação dos fatores prognósticos, têm três principais motivos. O primeiro seria ajudar a selecionar a melhor forma de tratamento para cada paciente. O segundo, permitir a avaliação comparativa dos tratamentos em diferentes grupos de pacientes com o mesmo risco de recidivas e de óbito. Já o terceiro seria melhorar a compreensão da biologia do câncer de mama, para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas. 2.2.4 Fatores de risco do câncer de mama Embora a etiologia ainda esteja obscura, alguns fatores parecem aumentar o risco para desenvolver o câncer de mama. Entre os principais fatores de risco se incluem a idade avançada, história de câncer de mama bilateral na pré-menopausa e história de câncer na mama contralateral. Outros fatores de risco, incluindo ou não a ooforectomia, estão relacionados com idade no primeiro parto, história de doenças fibrocísticas da mama, exposição a doses relativamente altas de radiação no tórax ou na mama, prática às vezes utilizada no tratamento de mastite pós-parto, história de câncer de mama em qualquer parente de primeiro grau, situação socioeconômica, obesidade e antecedente de câncer do ovário ou endométrio. Todos estes fatores estão associados a um aumento do risco relativo de pelo menos dois, mas menos que quatro vezes, em relação ao risco da população em geral (HALBE, 2000, p. 2020). De acordo com Freitas et al. (1997), pode-se dividir os fatores de risco em primários e secundários: a) Primários: sexo feminino, idade maior que 40 anos, antecedente pessoal de câncer de mama, história familiar. Parentes de 1° grau (mãe ou irmã) especialmente bilateral e na pré-menopausa, nuliparidade, primeiro parto após 30 anos hiperplasia ductal ou lobular atípica e lesões histológicas indicadoras de risco: câncer in situ, e câncer lobular in situ. 29 b) Secundários: menarca precoce - menor que 11 anos; menopausa tardia - maior que 55 anos; raça caucasiana; aumento de peso na pós-menopausa; uso de hormônios; dieta inadequada, ou seja, alta ingesta de gorduras; uso de álcool contínuo e fatores ambientais como radiação ionizante e poluentes. 2.3 Tratamento do câncer de mama O câncer de mama é caracterizado como uma doença de evolução longa, mas de precoce metastização. Causa esta responsável pela morte da paciente, pois o tumor por ele mesmo, é suscetível à extirpação cirúrgica (LIMA, et al., 1999). Segundo Bacarat e Oliveira (1997), um possível aliado para a prevenção desta progressão, seria o diagnóstico precoce da patologia, trazendo também vantagens perante a possibilidade de tratamentos mais conservadores, observando-se melhores resultados a longo prazo com preservação da integridade física da paciente. A oportunidade de sobrevida para fases iniciais do câncer, atinge em 10 anos a cifra de 80%, ao contrário de casos avançados, em torno de apenas 20% a 30%. A escolha do tratamento é influenciada pelo estádio clínico do tumor, ou seja, a avaliação da extensão local da doença de metástases à distância. A propedêutica composta por exame físico, mamografia e a ultra-sonografia mamária, normalmente fornecem dados suficientes para o estadiamento clínico (HEGG, 2000). De acordo com Halbe (2000) a terapêutica para o câncer de mama é dividida em locorregional, compreendida pelo tratamento cirúrgico e a radioterapia, e tratamento sistêmico, através da quimioterapia e da hormonioterapia. 30 Os melhores resultados terapêuticos, vêm sendo obtidos com a combinação de várias modalidades, como cirurgia, quimioterapia, hormonioterapia e radioterapia, sendo que com o avanço e desenvolvimento dos diversos tratamentos, tradicionalmente a cirurgia é ainda o principal recurso de controle locorregional e do avanço da doença (OLIVEIRA; LEMGRIBER, 2001). Os principais objetivos do tratamento do câncer de mama são o aumento da sobrevida, se possível a cura, aumento do intervalo livre da doença e melhoria da qualidade de vida. O tratamento cirúrgico tem como objetivo maior, promover o controle local, com remoção mecânica de todas as células malignas do câncer primário (CAMARGO; MARX, 2000). 2.3.1 Técnicas cirúrgicas Conforme Oliveira e Lengriber (2001) o tratamento cirúrgico do câncer de mama, mantém-se em constante evolução de seus conceitos, adequando-se em conseguir um controle máximo da doença local, informações oncológicas mais precisas e um melhor resultado estético. A descrição mais antiga sobre o tratamento do câncer de mama, é um papiro egípcio, datado a 3000 a. C., entretanto muitas publicações surgiram sobre o câncer de mama. Mas foi a partir de 1984, com o conceito de Hasteld, um médico americano, fundamentou o tratamento cirúrgico radical do câncer de mama como principal conduta locorregional. A cirurgia consiste na retirada da mama em monobloco, de ambos os músculos peitorais e de todo o conteúdo axilar e supraclavicular (OLIVEIRA; LEMGRIBER, 2001). Várias modificações foram realizadas desde a primeira publicação da técnica da mastectomia radical de Hasteld, porém, como filosofia, permaneceu inquestionável por vários 31 anos, sendo que por ser considerada mutilante para as pacientes, na década de 90, surgiu à tendência das cirurgias conservadoras, num conceito terapêutico-estético, baseadas em estudos comparativos a mastectomia radical clássica, demonstrando que se poderia obter o mesmo controle da doença sem a mutilação e as inadequações funcionais e psicossociais geradas pela mastectomia radical (FREITAS et al., 1997). Para Abrão (1995), dentro das indicações de tratamento cirúrgico, estabelece-se que procedimentos conservadores, estão reservados para tumores em fase inicial, como procedimentos mais indicados. O tratamento cirúrgico do tipo radical é limitado a casos avançados do câncer de mama, sendo que a procura tardia de tratamentos é muito freqüente em nosso meio, persistindo espaço importante para a mastectomia radical. A opção cirúrgica será determinada pelos seguintes fatores: tipo histológico, tamanho do tumor, idade da paciente, experiência e preferência do cirurgião e o protocolo de tratamento de cada instituição (CAMARGO; MARX, 2000, p. 26). A seguir, será feita uma breve explanação sobre as técnicas cirúrgicas da mastectomia compreendidas no grupo de cirurgias conservadoras ou parciais e radicais ou totais: a) Cirurgias conservadoras - Quadrantectomia: é a remoção de um quadrante ou segmento da glândula mamária onde se encontra o carcinoma mamário, incluindo a fáscia do músculo grande peitoral com ou sem segmento cutâneo. Ainda o esvaziamento axilar (linfanedectomia) é feito por prolongamento da incisão da quadrantectomia quando o tumor se situa no quadrante súpero-externo (QSE) da mama. Faz-se o exame histopatológico e uma 32 revisão palpatória das paredes, para evitar permanência de resíduos tumorais (HALBE, 2000). De acordo com Lima (1999), a eficácia de terapêutica cirúrgica conservadora, tem sua certeza no melhor conhecimento de suas limitações, a detecção do carcinoma em estádios iniciais, o melhor domínio da técnica e a radioterapia, onde a cirurgia conservadora apresenta menor índice de recidiva local, comparando-se a tumerectomia e serectomia. Figura 3 – Quadrantectomia (Fonte: http//www.anitaitalia.it/galleyei.asp) - Tumerectomia: faz a remoção do tumor sem margens de tecido circunjacente em incisão curvilínea e sem necessidade de se incluir a aponeurose subjacente do grande peitoral e pele. Proporciona uma cicatriz pequena com melhor resultado estético. Também associada ao esvaziamento axilar (CAMARGO; MARX, 2000). 33 Figura 4 – Tumerectomia (Fonte: http//www.anitaitalia.it/galleyei.asp) - Setorectomia: tem como características principais, a abordagem periareolar e a preservação da pele do tecido mamário suprajacente à área tumoral. Tem-se a remoção da aponeurose do músculo peitoral maior e realizado o esvaziamento cirúrgico do cavo-axilar (PIATO, 1995). b) Cirurgias radicais - Mastectomia radical clássica: consiste na extirpação da mama, músculos peitorais (pequeno e grande) e linfonodos axilares. É preconizada apenas quando houver infiltração do tumor no músculo peitoral, assim mesmo buscando preservar seu feixe clavicular (CAMARGO, MARX, 2000). 34 Figura 5 – Mastectomia radical (Fonte: http//www.anitaitalia.it/galleyei.asp) - Mastectomias radicais modificadas: a mama é removida semelhantemente à mastectomia radical clássica, preservando-se o músculo peitoral maior. As modificações estão na remoção da pele e na dissecção de linfonodos axilares não tão extensos e não há necessidade de enxerto cutâneo. Possui um melhor resultado funcional e cosmético (CAMARGO; MARX, 2000). A mastectomia radical modificada substitui a mastectomia radical, sendo o procedimento mais freqüentemente realizado para o câncer de mama. (BEREK et al., 1998, p. 914). Segundo Bland e Copeland (1994), os limites da mastectomia radical modificada, independentemente das incisões cutâneas utilizadas, são delineados lateralmente pela margem anterior do músculo grande dorsal, medialmente pela linha mediana do esterno, superiormente pelo músculo subclávio, e inferiormente pela extensão caudal da mama uns 3 a 4 cm inferiormente à dobra inframamária. 35 Figura 6 – Mastectomia radical modificada (Fonte: http//www.anitaitalia.it/galleyei.asp) - Mastectomia simples: remoção exclusiva da mama, papila e complexo areolar, mas com preservação de músculos peitorais e da cadeia linfática axilar (BEREK, 1998). 2.3.2 Tratamentos complementares/adjuvantes 2.3.2.1 Radioterapia A radioterapia é fundamental no tratamento do câncer de mama, e a maior parte das pacientes será beneficiada por este recurso em alguma etapa da doença, quer como tratamento adjuvante, ou como paliativo (BLAND; COPELAND, 1994). A radioterapia associada à cirurgia no câncer de mama operável diminui o risco de recidiva loco-regional e aumenta o tempo livre de doença. Suas indicações mais usuais são no pós-operatório (após cirurgias radicais em pacientes com alto risco de recidiva local e após cirurgias conservadoras em tumores invasivos, in situ, e tumores ocultos da mama), no préoperatório (carcinoma inflamatório e resposta ruim à quimioterapia neo-adjuvante), exclusiva 36 (lesões inoperáveis ou no carcinoma inflamatório) e paliativa (em metástases ósseas, ganglionares, cerebrais e com compressão medular) (LEITE, 1999). Segundo Bland e Copeland (1994), o local de aplicação da radioterapia pode ser a mama residual, a parede torácica, ou áreas de drenagem linfática, incluindo linfonodos da axila, fossa supraclavicular e mamária interna. Os efeitos colaterais relacionados à radioterapia podem estar ligados à técnica empregada, ao local tratado, à dose utilizada, ao fracionamento e ao tipo de irradiação utilizada no "boost" no tratamento conservador. Os efeitos colaterais agudos são aqueles que ocorrem na vigência da radioterapia, com duração de poucas semanas, estando associados à dose total. Os efeitos sistêmicos, como fadiga e enjôos, são raros. As reações agudas mais comuns são eritema, descamação e necrose de pele. Os efeitos tardios costumam aparecer após alguns meses, estando mais relacionados ao fracionamento, são irreversíveis e mais graves. Podemos citar: teleangiectasia, edema difuso de mama, retração de pele, alterações na pigmentação da mama, fibrose, necrose gordurosa, pneumonite actínica, linfedema, entre outros menos freqüentes (BENK et al., 1994). 2.3.2.2 Quimioterapia É um tratamento complementar através de medicamentos específicos para cada tipo de câncer, que agem destruindo as células cancerosas, impedindo sua multiplicação e seu crescimento. As células normais também são atingidas, por isso podem ocorrer alguns efeitos colaterais, como náuseas, vômito, queda de cabelos, desnutrição, febre, sensação de resfriado, cansaço e fadiga, sendo que o tipo e a intensidade dos efeitos é muito variável. Sem dúvidas, o efeito mais perigoso é a diminuição de leucócitos e plaquetas, resultando de uma intensa atuação na medula óssea (HEGG, 1998). As drogas utilizadas são conhecidas como quimioterápicos, que são ingeridos ou 37 injetados geralmente utilizados de forma combinada, com o objetivo de danificar às células tumorais, atuando em diversas etapas do metabolismo celular. Interferem na síntese ou na transcrição do DNA, principalmente quando as células estão em divisão celular. Como as células neoplásicas estão constantemente se multiplicando, tornam-se alvos fáceis. Infelizmente, não encontram obstáculos anatômicos à sua ação, distribuindo-se pelo corpo todo durante o tratamento, são os tecidos com maiores índices de renovação (como o sangue) que acabam sendo mais agredidos pelo tratamento (CAMARGO e MARX, 2000). Segundo Biàzus et al. (2001), é o tratamento contra o câncer que mais evoluiu nestas últimas décadas. A aplicação baseia-se no fato de que os pacientes, tratados cirurgicamente ou sem indícios de doença ativa, apresentem após a quimioterapia, uma melhora significativa e redução nas taxas de mortalidade. Também pode ser usado como tratamento primário, visando uma diminuição do tamanho do tumor antes de submeter o paciente ao tratamento cirúrgico e/ou radioterápico. De forma geral, a quimioterapia como tratamento primário é aplicada em três ou quatro ciclos no pré-operatório, seguidos de dois ou três ciclos no pós-operatório imediato. Em casos mais graves, as aplicações das drogas antineoplásicas podem ser apenas um tratamento paliativo, indicado para pacientes portadores de metástase, a fim de eliminar ou diminuir a sintomatologia. Ressaltando que não há aumento de sobrevida destes pacientes. Porém, a melhora dos sintomas resulta diretamente em uma melhor qualidade de vida (BIÁZUS et al., 2001). 2.3.2.3 Hormonioterapia O desenvolvimento anatomofuncional da mama é dependente de hormônios, conseqüentemente qualquer tumor presente neste local apresenta uma relação e/ou dependência com esses hormônios. A especificidade destas substâncias por seus receptores 38 permite o uso com uma toxicidade muito baixa. Além disso, os hormônios já estão sendo estudados como forma preventiva em populações de risco para o desenvolvimento da doença. Dentre essas substâncias, a mais usada tem sido o tamoxifeno. Essas mulheres fazem o tratamento por alguns anos após a retirada do tumor, em geral de dois a cinco anos, dependendo do tamanho do tumor (HEGG,1998; BIÁZUS et al,2001). Igualmente a quimioterapia e a radioterapia, a hormonioterapia pode ser utilizada como tratamento adjuvante ou paliativo. Por ser praticamente sem efeitos tóxicos, é a primeira escolha para tratamento paliativo sempre que as metástase não envolvam órgãos vitais (BIÁZUS et al.,2001). As complicações mais relacionadas à hormônioterapia são: náuseas e vômitos, anorexia, ganho de peso, fogachos, leucorréia, sangramento vaginal, prurido vulvar, alopecia, cefaléia, tromboflebite, entre outros (BARROS, 2001). 2.4 Complicações específicas do pós-operatório do câncer de mama No pós-operatório do câncer de mama, situações clínicas poderão ocorrer, decorrentes do tratamento cirúrgico, por ser um procedimento invasivo, pela retirada de estruturas correspondentes a determinada técnica ou por complicações decorrentes. Situações como: a) Dor na incisão cirúrgica: pela própria técnica e abordagem, por aderência da cicatriz cirúrgica ou pela própria cicatrização (CAMARGO; MARX, 2000); b) Fraqueza muscular do membro superior acometido: pela diminuição do uso ou pela remoção do músculo peitoral maior, quando for o acaso (CAMARGO; MARX, 2000); c) Perda ou diminuição da amplitude de movimento com conseqüente rigidez crônica da mobilidade do ombro: por aderência, pela incisão, pela demorada postura de membro 39 superior no ato cirúrgico, hipersensibilidade de musculaturas envolvidas, possibilidade de linfedema, mesmo por diminuição ou perda do movimento (BERGMANN et al., 2004); d) Possíveis complicações pulmonares: devido a adesões secundárias a parede torácica, dor ou posturas antálgicas. A retirada do músculo peitoral menor é um fator de complicação, por este músculo ser sinergista na elevação da caixa torácica na porção superior, nos movimentos respiratórios (PONCE, 1996); e) Alteração na postura: por posturas antálgicas assumidas pelas pacientes, decorrentes de dor ou fraqueza muscular. Uma postura assumida de adução, depressão, protusão de ombro e rotação interna de ombro, na tentativa de esconder a ausência ou alteração da mama (PONCE, 1996). f) Linfedema: pela remoção da cadeia linfática axilar, alterando a circulação normal da linfa e provocando edema no membro superior. O linfedema ou edema linfático é o acúmulo anormal de líquidos nos espaços intersticiais, ou seja, uma infiltração de líquidos nos tecidos celulares subcutâneos, produzido por uma insuficiência do sistema linfático. Porém, este sistema poderá ser afetado por qualquer perturbação da circulação sanguínea periférica, tendo em vista a sua origem capilar artério-venosa. O acúmulo de fluídos extravasculares no membro superior do mesmo lado que a cirurgia leva ao aumento do tamanho da extremidade, rigidez e diminuição da amplitude de movimento dos dedos, alterações sensoriais na mão, diminuição da função do membro superior envolvido (BARROS, 2001). g) Adesões na parede torácica: devido à cicatrização restrita do tecido subjacente a parede torácica (BERGMANN, 2004). 40 h) Freqüentemente no período pós-operatório são observados problemas sensitivos e/ou motores que podem ser secundários a compressão pelo tumor ou a lesões causadas pelo procedimento cirúrgico ou pela radioterapia. A técnica cirúrgica deve ser realizada cuidadosamente visando impedir o ano a estruturas adjacentes ao tumor, pois elas podem ser seccionadas ou traumatizadas. Os nervos que são freqüentemente mais lesados durante a cirurgia são o nervo peitoral lateral e peitoral medial, que podem estar desencadeando atrofia muscular e incapacidade no ombro; o nervo intercostobraquial, que quando lesado desencadeia parestesia cutânea na parte media superior do braço; o nervo toracodorsal, quando seccionado pode levar a fraqueza do grande dorsal, o que prejudica a adução e a rotação eterna do ombro; e, o nervo torácico longo, que ao ser seccionado permite que a escápula se torne alada (MONTEIRO, 2002). Os distúrbios sensitivos causados pela lesão do plexo braquial pela irradiação, com conseqüente parestesia na região inervada, também devem ser avaliados. Caso esses distúrbios não sejam tratados é possível o agravamento do quadro com o surgimento de dores e distúrbios motores, partindo da região distal do membro. Em muitos casos é comum o surgimento de edema e deformidade (CAMARGO; MARX, 2000). Camargo e Marx (2000), apresentam como complicações, possíveis infecções, hematomas, seromas e necrose de reconstrução. Assim, independente da abordagem cirúrgica, as complicações que podem advir são dolorosas, incapacitantes, desagradáveis e podem de maneira geral atrapalhar a recuperação da paciente, por alterar seu cotidiano, entre bem estar e mau estar, conseqüentemente influenciando de alguma forma na qualidade de vida das pacientes. 41 2.5 Considerações sobre os aspectos psicoemocionais no câncer de mama De maneira geral, uma experiência cirúrgica como a mastectomia, conseqüente ao diagnóstico de grande impacto como o câncer de mama, pode ser considerado um trauma psicológico para a paciente. [...] confirmada a existência de câncer de mama, a mulher não está sujeita ao risco apenas de mutilação, que por si só é muito importante. Está presente também e, principalmente, a ameaça à vida, uma vez que o câncer, quando não traz o estigma de moléstia incurável, traz o de mutilante. (PIATO, 1995, p. 336). A imagem corporal e seu auto-conceito têm grande importância para a mulher, incluindo além dos fatores físicos e fisiológicos, fatores psicológicos, sociais e culturais, sendo que quando a mama, símbolo corpóreo que adquire valor muito alto no seu conceito do “eu-mulher”, é danificada, esta auto-imagem pode alterar-se, acarretando a paciente, sentimentos de inferioridade e medo de ser rejeitada (BEREKet al., 1998). Quanto maior a importância que a mulher confere as mamas, tanto maior o sentimento de perda após a cirurgia, identificando que a perda deste bem, a mama, às vezes pode ser mais importante que a liberação de um mal, o câncer (BERGAMASCO; ÂNGELO, 2001). Segundo Abrão (1995), o auto-conceito feminino se desenvolve desde o primeiro ano de vida, através de diversas sensações que a criança experimenta e vai sofrendo em seu processo de evolução, culminando na adolescência em modificações nesta imagem, onde a identificação ao nível emocional se estabelece. Nesta fase há uma tendência de associar o corpo como símbolo do “eu”, as alterações emocionais trazem informações importantes para identificar características da personalidade e reações frente às adversidades da vida, onde se compara que o efeito de uma cirurgia mutilante,depende da personalidade da paciente e estruturação de seu ego. 42 Algumas mulheres declaram sentir-se envergonhadas, mutiladas, deformadas, meiomulheres e sexualmente repulsivas; é como se não reconhecessem o próprio corpo. Fica difícil enfrentar os amigos, a família, os filhos, pois nunca se sabe como reagirão. (SEGAL, 1995, p. 66). Relacionado às seqüelas psicossociais do câncer como depressão, ansiedade, a imagem corporal, a função sexual, o relacionamento conjugal e as funções sociais desempenhadas pela doente, está o fato de que no decorrer dos séculos a mulher tem assumido diversas posições no que diz respeito a sua condição humana. A medida em que os tempos foram caminhando, o espaço da mulher dentro da sociedade foi aumentando e estabelecendo relacionamentos com outras pessoas, as quais, por sua vez, apresentam-se como mediadores para sua própria construção. O apoio da família e de outras pessoas, como amigos e até mesmo dos profissionais da saúde, é importante na determinação da aceitação da paciente a perda do seio e na reintegração de sua imagem como pessoa (MEDEIROS; SCHERMANN, 2001). Quando um paciente é informado sobre um diagnóstico de câncer, sua vida e sua família sofrem uma brusca alteração que os obriga a adaptar-se de forma rápida a nova e catastrófica situação. Por um lado, têm que estar em condições de enfrentar o stresse emocional, para poder tomar as decisões adequadas e intervir no tratamento de forma adaptada. Por outro lado, têm que ficar frente com a irrupção de uma gama de temores e fantasias relacionadas com a morte, a dependência, a incapacidade, o sofrimento físico e psíquico, a distorção da imagem corporal, o abandono, os distúrbios das relações sociais, as mudanças de papéis, a situação econômica e profissional e o futuro da família. (ZUPPO, 1998, p. 59). Segundo Medeiros e Schermann (2001), em qualquer um dos estágios, sendo no diagnóstico, tratamento cirúrgico e tratamento adjuvantes prolongados como a quimioterapia, a radioterapia, além das rotinas de seguimento pós-tratamento que mantém a incerteza e a angústia, poderão haver desequilíbrios emocionais, pois o câncer de mama induz muitos sentimentos negativos para as pacientes, que afetam na recuperação e interferem negativamente na qualidade de vida, de acordo com suas representações particulares. 43 2.6 Qualidade de vida em câncer de mama Qualidade de vida se refere a apreciação dos pacientes e sua satisfação com o nível de funcionamento, comparando com o que ele percebe como sendo possível ou ideal. A avaliação de qualidade de vida global inclui os funcionamentos físicos, psicológico, social, sexual e espiritual (Sales, 2001). A qualidade de vida é vista como um conceito subjetivo, que é um ponto ideal individualizado e exige definições pessoais de valores, capacidades, satisfações e bem-estar (MOREIRA et al., 2002). Conforme Sales et al. (2001), existe uma ênfase crescente na avaliação de qualidade de vida de mulheres tratadas com câncer de mama, decorrentes de fatores como o avanço na detecção e tratamento da doença, as atitudes sociais mais otimistas, o aumento do número de sobreviventes, a preocupação com a autonomia e os direitos dos pacientes, o papel dos aspectos psicossociais, a extensão da sobrevivência, entre outros. O diagnóstico sobre a qualidade de vida das pacientes de câncer revelou que é necessário haver uma mudança no tratamento oferecido, de forma a desenvolver terapias que tratem à pessoa como um todo e não apenas a doença. Cada vez mais percebemos que a qualidade de vida não está estritamente relacionada ao estado de saúde, mas a uma série de outros fatores subjetivos (SALES et al., 2001) De acordo com o mesmo autor acima, a maioria das mulheres avaliam positivamente sua qualidade de vida, sendo que existem mudanças no funcionamento social, decorrentes mais de dificuldades psicossociais do que físicas, que precisam ser foco do trabalho de equipes multiprofissionais de saúde. 44 3 DELINEAMENTO DA PESQUISA O presente capítulo apresentou mais detalhadamente o planejamento e a organização desta pesquisa, bem como a conduta investigatória. 3.1 Caracterização da pesquisa Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa experimental, de acordo com Gil (1995, p. 34), “este estudo consiste essencialmente em submeter os objetos de estudo à influência de certas variáveis, em condições controladas e conhecidas pelo investigador, para observar os resultados que a variável produz no objeto.” Assim, esta pesquisa visou verificar a qualidade de vida de 20 mulheres que tiveram câncer de mama, sendo submetidas ao procedimento cirúrgico e tratamento adjuvante/complementar. 3.2 Fonte, local e período da coleta de dados A pesquisa caracteriza-se por ser uma amostra probabilística, onde a população investigada constou de 20 mulheres que foram submetidas ao tratamento cirúrgico e tratamento adjuvante/complementar, com idades entre 43 e 63 anos, na cidade de Criciúma e Tubarão. Sendo que 10 mulheres foram questionadas na cidade de Criciúma e 10 na cidade de Tubarão, no período de 20 de agosto a 15 de outubro do ano de 2005. Sendo que estas fazem visitas periódicas de seguimento médico, psicológico, fisioterapêutico, entre outros, no Centro de Apoio Oncológico (CAON) do Hospital São José, na cidade de Criciúma, na Clínica 45 Escola de Fisioterapia (UNISUL) e no Centro de Atividades da Catedral (GRUPO GIRASSOL) ambos na cidade de Tubarão. A fonte para a coleta de dados consiste em um questionário sobre qualidade de vida “versão em português dos instrumentos de avaliação de qualidade de vida (WHOQOL - Bref) 2000”, para pacientes com câncer de mama. 3.3 Instrumentos utilizados Foi utilizado questionário onde foram coletados dados pessoais e gerais referentes ao diagnóstico e ao tratamento cirúrgico e ao tratamento adjuvante/complementar. Para a avaliação da qualidade de vida foi utilizado questionário, do grupo de qualidade de vida da Organização Mundial de Saúde (WHOQOL - Bref) específico para o câncer de mama (Anexo A). Este questionário é sobre como a paciente sente-se a respeito de sua qualidade de vida, saúde e outras áreas de sua vida. É dividido em: - Domínio físico: onde incluem as questões 3, 4, 10, 15, 16, 17 e 18. Neste domínio, foram analisados dor e desconforto, energia e fadiga, sono e repouso, mobilidade, atividades da vida cotidiana, dependência de tratamentos e capacidade para o trabalho. - Domínio psicoemocional: incluem as questões 6, 7, 11, 19 e 26. Onde foram analisados os sentimentos positivos, concentração, auto-estima, imagem corporal e aparência e sentimentos negativos. - Domínio social: incluem as questões 5, 20, 21 e 22. Onde consta as relações pessoais, apoio social e sexualidade. - Meio ambiente: incluem as questões 8, 9, 12, 13, 14, 23, 24 e 25. Sendo analisado a segurança física e proteção, ambiente no lar, recursos financeiros, cuidados com a saúde, oportunidades de adquirir novas informações e habilidades, recreação de lazer e meio de transporte. 46 - Diagnóstico: com as questões 27, 28, 29, 30 e 31. Sendo analisado o quanto de angústia trouxe às mulheres os aspectos da doença e tratamento, como o diagnóstico inicial, quimioterapia, radioterapia, fisioterapia e cirurgia. - Prognóstico: com as questões 32, 33, 34, 35, 36 e 37. Analisando testes de diagnósticos futuros, possibilidade de um segundo câncer, recidiva, metástases, e o quanto a vida da mulher está de volta ao normal. - Alterações corporais: com as questões 38, 39, 40, 41, 42, 43, 44, 45 e 46. Onde consta das alterações corporais que a paciente sentiu após tratamento cirúrgico, o quanto tem evitado situações sociais devido a estas alterações, evitar olhar o local lesionado e higiene corporal. As respostas analisadas desse questionário são referentes à qualidade de vida das mulheres avaliadas nas duas últimas semanas. 3.4 Procedimentos utilizados para coleta de dados Foram realizados os contatos com as instituições, no Hospital São José (CAON) com a autorização da fisioterapeuta responsável, na Clínica Escola de Fisioterapia na Universidade do Sul de Santa Catarina, com a autorização da Professora de Ginecologia e Obstetrícia e, no Grupo Girassol situado no Centro de Atividades da Catedral, com a autorização da assistente social e da psicóloga responsável. Primeiramente foram esclarecidos os objetivos desta pesquisa às mulheres, e sanando eventuais dúvidas a respeito do questionário e o porquê de eu estar empregando o mesmo. Garantiu-se sigilo e anonimato, e foi aplicado o termo de consentimento que consta em anexo (B). O questionário foi aplicado individualmente, no mesmo local onde estas mulheres realizam o seu tratamento. Posteriormente, deu-se prosseguimento à pesquisa com a análise dos dados. 47 4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS Após a conclusão da fundamentação teórica, baseada em autores que descrevem sobre o câncer de mama, o tratamento cirúrgico e também sobre a qualidade de vida destas e, com a aplicação do questionário, segue-se à análise dos dados e a discussão dos resultados obtidos. Os dados são agrupados e apresentados sob forma de gráficos e tabelas. 4.1 Faixa etária Estão relacionados abaixo, a faixa etária das mulheres pesquisadas, bem como a freqüência das mesmas e a percentagem específica (Tabela 2). Faixa Etária f % 40 – 50 51 – 60 61 – 70 6 11 3 33 40 27 Total 20 100 Tabela 2 – Faixa etária Das mulheres pesquisadas, a faixa etária variou de 43 a 63 anos, o qual observouse predominância de idade entre 51 a 60 anos. 48 No Brasil, o câncer de mama é a maior causa de óbitos por câncer na população feminina, principalmente na faixa etária entre 40 e 69 anos. A taxa bruta de mortalidade por câncer de mama apresentou uma variação percentual de 76% nas últimas décadas, passando de 5,77 em 1979, para 10,15 mortes por 100.000 mulheres em 2002. As estimativas de incidência e mortalidade referente ao ano de 2003, estimaram a ocorrência de 41.610 casos novos e de 9.335 óbitos por câncer de mama, no país (BRASIL, 2005). Considera-se neste estudo que a predominância acima dos 40 anos de idade, em casos de câncer de mama é maior. Para Camargo e Marx (2000), o risco de ter câncer de mama aumenta com a idade, como a maioria dos cânceres, por serem uma doença crônicodegenerativa e, portanto, necessitarem de um longo tempo para se desenvolver. 4.2 Estado civil Em relação ao estado civil, foi representado na tabela abaixo, as pacientes que possuem e as que não possuem companheiros, bem como a freqüência de mulheres e a percentagem específica (Tabela 3). Estado Civil f % Com companheiro 9 45 Sem companheiro 11 55 Total 20 100 Tabela 3 – Estado civil Das pacientes pesquisadas, 45% tinham companheiro, e 55% estavam sem companheiro. A questão do estado civil, está na importância das conseqüências psicossociais e da resposta quanto às mudanças na sexualidade da mulher pós-cirúrgica de câncer de mama, 49 onde o companheiro faz parte de um contexto abrangente na vida desta paciente (MALUF et al., 2005). Esta questão será mais abordada, segundo os dados referentes às principais mudanças psicossociais pesquisadas. 4.3 Profissão Apresenta-se abaixo, na primeira coluna, atividades remuneradas, a freqüência de mulheres que a desenvolvem e a percentagem específica. Na segunda coluna, atividade não remunerada descritas como “do lar”, com a freqüência das mulheres e a percentagem específica (Tabela 4). Atividade Remunerada f % Atividade Não Remunerada Agricultora Cabeleireira Costureira Empregada Doméstica Merendeira Professora 1 1 2 3 1 2 5 5 10 15 5 10 Do lar f % 10 50 Tabela 4 - Profissão Das 20 mulheres questionadas, 10 desenvolviam atividade remunerada e 10 desenvolviam atividade não remunerada, citada como “do lar”, onde estas mulheres apenas exerciam atividades em suas residências. Das 10 mulheres que exercem atividades remuneradas, uma delas desenvolve profissão de agricultora (5%), 1 de cabeleireira (5%), 2 delas eram cabeleireiras (10%), 3 trabalham como empregada doméstica (15%), 1 merendeira (5%) e, 2 professoras (10%). Das atividades não remuneradas, ou seja, “do lar”, são 50% das mulheres. 50 Dentro da pesquisa, o desenvolvimento de uma profissão, como parte também integrante do contexto de vida da paciente, faz-se importante para o estudo das conseqüências no pós-operatório, em aspectos como limitações físicas, que será discutido mais adiante. Ferrel et al. (1998) verificaram a dificuldade das mulheres de manterem o trabalho e, Dow et al. (1996) indicaram que, mesmo mantendo o trabalho remunerado, este parece se modificar ou gerar dificuldades devido ao estigma, prioridades, entre outros. 4.4 Tipo de cirurgia e tempo pós-operatório Na primeira coluna apresentada abaixo, observa-se a técnica cirúrgica realizada com as mulheres questionadas nessa pesquisa, com a freqüência e a percentagem específica e na segunda coluna, o tempo decorrente após o tratamento cirúrgico com a freqüência de mulheres para cada tempo e a percentagem específica (Tabela 5). Tipo de cirurgia f % Tempo decorrente f % Mastectomia 16 80 Quadrantectomia 4 20 1 mês a 5 meses 6 meses a 12 meses 2 anos a 5 anos 1 5 14 5 25 70 Total 20 100 20 100 Tabela 5 – Tipo de cirurgia e tempo pós-operatório A mastectomia (sem saber relatar o tipo da cirurgia) foi à cirurgia mais freqüente (16 mulheres) e a quadrantectomia foi realizada por apenas 4 mulheres. O tempo de pósoperatório variou de 4 meses a 5 anos, observando-se predominância entre 2 anos a 5 anos para 14 mulheres. Segundo Bergmann et al. (2004), várias complicações relacionadas ao tratamento para o câncer de mama tem sido relatadas e, suas importâncias na qualidade de vida das mulheres são inquestionáveis. 51 O tipo de cirurgia determina a extensão do procedimento de retirada do tumor, neste sentido, determinando também a intensidade dos processos pós-cirúrgicos, compreendidos pelo processo de cicatrização normal e de possíveis complicações de repercussão negativa na vida da paciente. Portanto, o paciente que foi submetido a um procedimento terapêutico mais invasivo, como uma cirurgia, seus níveis de angústia tenderão a aumentar consideravelmente, inclusive com manifestações fisiológicas provocadas por este estado ansioso (MEDEIROS; SCHERMANN, 2001). Conforme estudo realizado por Sales et al. (2001), os dois tratamentos se diferem na avaliação da qualidade de vida de suas pacientes pesquisadas, em relação à imagem corporal. Neste presente estudo, não se detectou diferenças significativas entre os relatos de complicações ou mudanças pós-cirúrgicas, diferenciados entre as pacientes pós-mastectomia e pós-quadrantectomia, onde somente quatro mulheres realizaram a quadrantectomia. Assim, quase todas as mulheres apresentaram algum fator de mudanças após a cirurgia, como será apresentando mais adiante na questão sobre sintomatologia no pós-cirúrgico, descritas pelas próprias mulheres. Para Maluf et al. (2005) um grande número de estudo focados no ajustamento psicológico, compara pacientes mastectomizadas com outras submetidas a cirurgias conservadoras, chegando a conclusões de que quanto mais conservadora a cirurgia, menor o impacto psicológico causado pela perda da auto-imagem. Porém, não há unanimidade quanto a isso, havendo outros estudos que afirmam não haver diferença entre o impacto psicológico em mulheres submetidas à mastectomia (radical ou parcial) ou cirurgia conservadora. 52 4.5 Tratamento adjuvante do câncer de mama Sobre o tratamento adjuvante, as mulheres foram questionadas sobre a realização de radioterapia, a quimioterapia e a hormonioterapia (Tabela 6). Tratamento adjuvante f % Radioterapia 16 80 Quimioterapia 19 95 Hormonioterapia 5 25 Tabela 6 – Tratamento adjuvante do câncer de mama Observa-se que das 20 mulheres entrevistadas, 80% realizaram/realizam radioterapia, 95% realizaram/realizam quimioterapia e apenas 25% delas realizaram/realizam tratamento com hormonioterapia. Segundo Caliri et al. (2002) as evidências indicam que as mulheres que sofreram uma cirurgia conservadora de mama beneficiaram-se, posteriormente, do tratamento radioterápico, mas este só é necessário para um quarto das pacientes após uma mastectomia. A radioterapia mata as células em crescimento. Numa mama normal, somente poucas células crescem simultaneamente, mas o câncer consiste de células que estão crescendo continuamente. A radioterapia, portanto, tem o maior efeito sobre o câncer, embora inevitavelmente produza danos superficiais a outros tecidos. A radioterapia é um tratamento bem tolerado pelas pacientes, apresentando neste estudo poucos efeitos colaterais. Alguns desses efeitos podem ser escurecimento da pele no local de aplicação, às vezes com aparecimento de bolhas e aumento da sensibilidade local, pequena dificuldade para engolir alimentos secos e fraqueza leve. Todos esses efeitos tendem a desaparecer com o término do tratamento (FERREIRA et al., 2000). 53 De acordo com Caliri et al. (2002), em relação à hormonioterapia, infelizmente muitos dos medicamentos anti-câncer possuem efeitos colaterais desagradáveis, como a toxicidade. Entretanto, um paciente não precisa, necessariamente, sofrer de um ou de todos os efeitos colaterais. Como mostrado nesta pesquisa, apenas 25% das mulheres realizaram tratamento adjuvante de hormonioterapia. Quando o tratamento de quimioterapia não se faz eficaz, deve-se optar pelo tratamento de radioterapia sendo este o preferencial, no caso de tumor primário desconhecido e para alívio dos sintomas com controle local da doença (FILHO, 2001). De acordo com Sasse (2004), os efeitos colaterais não são obrigatoriamente apresentados por todas as pessoas que fazem quimioterapia, uma vez que dependem tanto do tipo de drogas utilizadas quanto da forma que o organismo responde ao tratamento. Assim, alguns pacientes podem apresentar efeitos colaterais mais severos enquanto outros podem mesmo não apresentar sintoma algum. De uma forma ou de outra, o médico deve ser informado sobre os sintomas apresentados e seu tempo de duração. Destaca-se náuseas e vômitos, feridas na boca, febre, diarréia, queda de cabelos entre outros. Segundo Costa et al. (2002) mulheres com câncer de mama recebendo tratamento quimioterápico adjuvante e neo-adjuvante ganham peso, enquanto mulheres com câncer de mama metastático possivelmente perdem peso durante quimioterapia paliativa Segundo Caliri et al. (2002), essas mulheres convivem com efeitos colaterais desgastantes e ainda podemos observar as dificuldades relacionadas ao sistema local de saúde que nem sempre tem disponíveis os recursos terapêuticos necessários. Tendo então que se deslocar para outros municípios, muitas vezes em condições físicas adversas, o que aumenta seu sofrimento e potencializa os efeitos colaterais do tratamento. 54 4.6 Sintomatologia apresentada após tratamento cirúrgico do câncer de mama No sentido de avaliar complicações ou seqüelas físicas após a cirurgia do câncer de mama, pesquisou-se a sintomatologia apresentada pelas pacientes (de acordo com o questionário de qualidade de vida). Dentre as complicações que acometem as mulheres nesse caso, estão o edema, ou também chamado de linfedema, a dor, as alterações posturais, fraqueza muscular e amplitude de movimento articular, todos relacionados ao lado operado. Verifica-se na tabela abaixo a percentagem das respostas de o quanto tais sintomas influenciam/influenciaram na qualidade de vida destas mulheres nas últimas duas semanas (Tabela 7). % Sintomatologia Nada Muito pouco Mais ou menos Edema 15 50 15 20 0 Dor 5 45 35 15 0 Alterações posturais 5 50 20 25 0 Fraqueza muscular 5 40 40 15 0 Amplitude movimento (ADM) 5 40 45 10 0 de articular Bastante Extremamente Tabela 7 - Sintomatologia apresentada após tratamento cirúrgico do câncer de mama Quanto ao linfedema, pesquisou-se o fato de as pacientes terem notado que o membro superior do lado da cirurgia estava edemaciado, sendo que, 15% das mulheres relataram que não edemaciou, 50% tiveram muito pouco edema, 15% relataram nem pouco nem muito e 20% tiveram bastante edema. O câncer de mama é a principal neoplasia que acomete mulheres e sua principal complicação é o linfedema, que causa importantes alterações físicas, emocionais, sociais e 55 psicológicas. O seu diagnóstico precoce deve ser preconizado, sendo necessário estabelecimento de critérios adequados e factíveis para sua mensuração (BERGMANN et al., 2004). O tipo de edema da paciente, conforme Leduc e Leduc (2000), seria por defeito de drenagem, que aparece quando a rede de evacuação é insuficiente, enquanto o aporte por filtragem é normal. É conhecido também como linfedema. As vias linfáticas possuem um poder de adaptação muito grande: elas podem drenar em média 24 a 30 litros de linfa por dia. Pode ocorrer, entretanto, que, apesar de tudo, a rede seja insuficiente. O edema se instala, se organiza e se torna fibroso, e as possibilidades de evacuação dependerão do seu grau de evolução e de organização. Em relação ao tratamento de fisioterapia, de um modo geral, qualquer que seja a manobra, a massagem visa favorecer a reabsorção do edema e seu transporte, seja pelos sistemas venoso e linfático, seja, na sua ausência, de meio intersticial em meio intersticial (FERRANDEZ; THEYS; BOUCHET, 2001). Na questão referente à dor, apresentada no membro superior, tórax ou região dorsal do lado da cirurgia, 5% das mulheres responderam que não sentem dor, 45% sentiram muito pouca dor, 35% sentiram nem pouca nem muita dor e 15% relataram sentir bastante dor. Segundo Schaan e Costa (2001), a dor é o sintoma mais temido pelos pacientes oncológicos. Sendo a algia em longo prazo, provocará alterações psicológicas. Assim, a dor é um fator muito relevante na qualidade de vida. Em relação às alterações na postura após a cirurgia, 5% não notaram alterações posturais, 50% notaram muito pouca alteração, 20% das mulheres nem pouco nem muito e 25% observaram bastante alteração postural. Dentre elas, as mais significativas, relatada pelas pacientes, seria um ombro mais elevado que outro e a postura antálgica, pela ausência da mama. 56 A intervenção principal para anormalidades da postura é a correção de qualquer causa subjacente (tal como limitação da amplitude de movimentação) e, primordialmente, educação e conscientização. Técnicas de relaxamento e exercícios para melhorar a mobilidade e a força são adjuntos valiosos (SERRAVALLE, 2002). Quanto ao sintoma de fraqueza muscular no membro superior do lado da cirurgia, 5% nunca sentiu fraqueza, 40% sentiram muito pouco, 40% mulheres nem pouco nem muito e 15% sentiram bastante fraqueza muscular. Neste caso, segundo Serravalle (2002), o favorecimento resultante da extremidade afetada constitui uma causa proeminente de perda de força muscular e amplitude reduzida de movimento. As intervenções principais são o fortalecimento muscular e a educação para desfazer o mito de que a atividade muscular reativará a malignidade. Na amplitude de movimento articular no membro do lado da cirurgia, 5% das mulheres não sentiram alterações, 40% sentiram pouca alteração, 45% nem pouca nem muita alteração e 10% sentiram bastante alteração na ADM. Diante dos dados obtidos, poucas mulheres tiveram alterações corporais, o que seria um ponto positivo, pois não implica significativamente em suas atividades de vida diária, beneficiando a qualidade de vida. Nota-se que a resposta extremamente não foi descrita pelas mulheres. Em relação a estes aspectos de alterações corporais, entra o tratamento fisioterapêutico, que visa na melhoria da qualidade de vida dessas mulheres. Várias mulheres, questionadas nesse estudo realizam/realizaram tratamento fisioterapêutico, onde será abordado mais adiante (gráfico 6). 57 4.7 Domínio físico Neste domínio, estão relacionados os questionamentos sobre, limitação física em relação à dor, tratamento médico necessário, disposição para o dia-a-dia, capacidade de locomoção, satisfação com o sono, satisfação com as atividades de vida diária e satisfação com a capacidade para o trabalho (Gráfico 1). 4% 17% Muito Insatisfeito 11% Insatisfeito 28% Nem Satisfeito Nem Insatisfeito Satisfeito 40% Muito Satisfeito Gráfico 1- Domínio físico Neste domínio, foi feito uma média de todas as respostas em relação aos questionamentos realizados com as entrevistadas. Diante de todos questionamentos realizados às mulheres em relação a este domínio, 11% estão muito insatisfeitas, 28% estão insatisfeitas, 40% nem satisfeitas nem insatisfeitas, 17% estão satisfeitas e 4% estão muito satisfeitas. Em relação a este domínio, a soma das melhores respostas tem a percentagem de 21%, ou seja, muito pouco benéfico para a qualidade de vida destas mulheres. No decorrer da entrevista com as mulheres, pude notar ao questioná-las, que muitas (75%) relataram sedentarismo. Esses fatores acima, como limitações físicas, falta de condicionamento físico para desempenhar as atividades de vida diária, uma boa noite de sono, e até mesmo, a capacidade para trabalhar, podem estar ligados a este fator. Segundo FARINATTI (2005), o sedentarismo nada mais é do que a lei do menor esforço, ou seja, usar a escada rolante, usar o elevador, andar de carro e, principalmente a falta de exercício físico. 58 Com o sedentarismo vem o aumento de peso pelo fato de não ocorrer um gasto calórico positivo, pois ingere-se muita caloria e gasta-se quase nada e para combater este mal que vem assombrando a população se faz necessário uma reeducação de hábitos do dia-a-dia. Assim, como foi observado que a limitação física para atividades do cotidiano pode gerar alterações psicológicas, como preocupações ligadas à funcionalidade da mulher como mãe, profissional e dona de casa, no seu ambiente de vida. A reabilitação pode muitas vezes, promover a recuperação integral da mulher em todos seus aspectos. Destaca-se assim, a importância da fisioterapia na recuperação dessas mulheres, onde através de técnicas e orientações gerais, pode-se proporcionar a qualidade de vida, com a diminuição das seqüelas e sintomas. Ou antes de tudo uma atenção preventiva a todas as alterações após a cirurgia de mama através de orientações pré-operatórias (FERREIRA, 2000). O tratamento fisioterapêutico, visa tanto na reabilitação no pós-cirúrgico dessas mulheres que desenvolveram câncer de mama, como, melhorar a amplitude de movimento articular, ganhar força no membro acometido, alivio da dor e, também buscar melhorar o condicionamento físico, pois pra obter bons resultados, em relação as limitações físicas citadas acima, o sedentarismo não deve permanecer na vida dessas mulheres. De acordo com Cronfli (2005), dormir não é apenas uma necessidade de descanso mental e físico: durante o sono ocorrem vários processos metabólicos que, se alterados, podem afetar o equilíbrio de todo o organismo a curto, médio e, mesmo, a longo prazo. Estudos provam que, quem dorme menos do que o necessário tem menor vigor físico, envelhece mais precocemente, está mais propenso a infecções, à obesidade, à hipertensão e ao diabetes. 59 4.8 Domínio psicológico A freqüência com que as mulheres pós-cirúrgicas de câncer de mama apresentam alterações psicoemocionais, foi pesquisada em relação aos sentimentos negativos pela perda da mama em si, às alterações estéticas e funcionais. Pois, quando se fala em câncer de mama, torna-se importante o sentimento de “perda”, onde uma importante parte do corpo com significados para a mulher, foi extirpada, podendo levar à depressão. O domínio psicológico foi avaliado com questionamentos, sobre se a mulher acha que sua vida tem sentido, o quanto consegue se concentrar, aceitação de sua aparência física, auto-satisfação e quanto apresenta sentimentos negativos (mau humor, desespero, ansiedade, depressão). Visualiza-se na tabela abaixo os dados obtidos (Gráfico 2). 20% Muito Insatisfeito 7% 12% 23% 38% Insatisfeito Nem satisfeito Nem Insatisfeito Satisfeito Muito Satisfeito Gráfico 2 – Domínio psicológico Realizado neste domínio também uma média referente a todas as respostas obtidas pelas mulheres entrevistadas. Em relação aos questionamentos realizados, 7% estão muito insatisfeitas, 12%encontram-se insatisfeitas, 23% nem satisfeitas nem insatisfeitas, 38% satisfeitas e 20% muito satisfeitas. Em relação a este domínio, a soma das melhores respostas tem a percentagem de 58%, ou seja, o grau de satisfação em relação a este domínio é bastante benéfico na qualidade de vida dessas mulheres. 60 Conforme Medeiros e Schermann (2001), o modo de enfrentamento da doença, pode ser bem específico e diferenciado a cada caso, onde se deve dar valor aos sentimentos de cada paciente, pois como conseqüência, a recuperação e a qualidade de vida das pacientes também parecem ser afetadas pelas suas representações particulares. A mulher portadora do câncer de mama passa por vários lutos ao longo do processo de tratamento: o primeiro pela existência da possibilidade de ter câncer, o segundo quanto ao diagnóstico, o terceiro quanto ao tratamento cirúrgico, o quarto em relação à perda da imagem corporal, o quinto luto causado pelas possíveis limitações que terá em conseqüência da cirurgia e um último causado pelos tratamentos quimioterápicos, radioterápicos e hormonioterápicos (MALUF et al., 2005). Para Caliri et al. (2002), a batalha tem que ser mantida durante muitos meses criando para as mulheres e suas famílias demandas físicas, emocionais, sociais e financeiras, dentre outras as quais vão tentando adaptar-se, lidando com diversas perdas. Neste domínio, também entra a questão sobre concentração, sendo que este é um ponto importante na vida das pessoas. Para Battisti (2005) a concentração é manter a atenção sobre um assunto determinado sem se distrair com outros pensamentos. É aliás, uma faculdade extremamente preciosa, para o exercício de todas as nossas atividades mentais. 4.9 Domínio social Este domínio, irá demonstrar quão bem a mulher relaciona-se frente à sociedade, o quanto aproveita sua vida, relações pessoais, sexualidade e apoio que recebe das pessoas próximas. Conforme abaixo (Gráfico 3). 61 Muito Insatisfeito 9% 16% Insatisfeito 21% 19% Nem satisfeito Nem Insatisfeito Satisfeito 35% Muito Satisfeito Gráfico 3 – Domínio social Realizado neste domínio também uma média referente a todas as respostas obtidas pelas mulheres entrevistadas. Pode-se observar que, de acordo com o domínio social, 16% encontram-se muito insatisfeitas, 19% estão insatisfeitas, 35% nem satisfeitas nem insatisfeitas, 21% satisfeitas e 9% muito satisfeitas. Em relação a este domínio, a soma das melhores respostas tem a percentagem de 30%, ou seja, não muito benéfico na qualidade de vidas destas mulheres. Para Medeiros e Schermann (2001), justifica esse fato, que as preocupações em relação a sua funcionalidade como mulher, se constitui um reflexo do estranhamento e pavor da paciente causado pela mutilação de seu corpo, onde tal preocupação está relacionada com o impacto adverso sobre suas atividades sociais, além de provocar deterioração na maneira do paciente se sentir sexualmente desejável. As pacientes encontram solidariedade e compreensão por parte de seus parceiros, onde freqüentemente sentem-se melhores, mas este conforto tende a diminuir, se o investimento da sua imagem corporal é maior. Conforme Caliri et al. (2002), a doença pode trazer interferências no dia-a-dia da vida da mulher e da sua família desorganizando-a, interferências estas que muitas vezes são causadas por incertezas que podem ser previstas e superadas quando se tem um conhecimento 62 prévio do que irá acontecer e a pessoa pode de alguma maneira preparar-se para enfrentar a situação. Para Sales et al. (2001), a maioria busca apoio familiar e social ao contar e conversar com familiares e, até mesmo com amigos e vizinhos, sobre a doença e tratamento. Parece haver uma escolha das pessoas com quem compartilhar sobre a doença e suas conseqüências. De acordo com este estudo, as mulheres percebem o apoio dos familiares, amigos, enfim, pessoas próximas de várias formas, ou seja, por um telefonema, um incentivo, visitas, entre outros. 4.10 Domínio meio ambiente Este domínio consta de segurança física e proteção, ambiente no lar, questão financeira, oportunidades de adquirir novas informações e habilidades, atividades de lazer, acessos ao serviço de saúde e meio de transporte. Como mostra-se abaixo (Gráfico 4). Muito Insatisfeito 3% 4% 26% 34% Insatisfeito Nem satisfeito Nem Insatisfeito Satisfeito 33% Muito Satisfeito Gráfico 4 – Meio ambiente Realizado neste domínio a média referente em todas as respostas obtidas pelas mulheres entrevistadas. 63 De acordo com o gráfico anterior, mostra que as mulheres muito insatisfeitas apresentam percentagem mínima de 4%. Já em relação à insatisfação, são 26% das mulheres. Com 33% das respostas, estão às mulheres que relataram não estar nem satisfeitas nem insatisfeitas. Em relação ao grau de satisfação, são 37% e apenas 3% estão muito satisfeitas. Em relação a este domínio, a soma das melhores respostas tem a percentagem de 37%, ou seja, não muito benéfico na qualidade de vida destas mulheres. Neste domínio, as respostas negativas referem-se principalmente à questão financeira, onde a maioria das mulheres queixou-se a este respeito. Segundo Caliri et al. (2002), a batalha deverá ser mantida durante muitos meses criando para as mulheres e suas famílias demandas físicas, emocionais, sociais e financeiras, dentre outras as quais vão tentando adaptar-se, lidando com as diversas perdas. 4.11 Diagnóstico do câncer de mama De acordo com Duarte e Andrade (2003), há dois momentos que são considerados marcantes pelas mulheres acometidas pelo câncer. O primeiro momento é caracterizado pela descoberta do câncer, que envolve também o diagnóstico e o tratamento em que a batalha pela manutenção da vida é bastante evidente. As mulheres passam a conviver diariamente com a possibilidade de morte associada às representações presentes no imaginário social sobre este câncer. Já no segundo momento, que envolve o período pós-cirúrgico há uma retomada do cotidiano das mulheres após superarem o medo da morte. A partir da retomada dos relacionamentos sociais, atividades de lazer, trabalho e família é que surgem as preocupações com o próprio corpo. Trazendo a insegurança, a menor participação na vida social. Em relação ao diagnóstico do câncer de mama, foi questionado às mulheres, como elas sentiram-se ao receber a notícia de que estavam com a doença. Como mostrado abaixo (Gráfico 5). 64 0% Nada Muito pouco Médio Muito Completamente 100% Gráfico 5 – Diagnóstico do câncer de mama Em relação ao diagnóstico, 100% das mulheres sofreram completamente. Todas relataram angústia ao receber o resultado do diagnóstico de câncer de mama. Conforme Bergmann et al. (2004), quanto mais precoce o diagnóstico, melhores as condições de tratamento e maior a sobrevida das mulheres acometidas. A estratégia de tratamento a ser preconizada para as mulheres com câncer de mama depende, diretamente, do estadiamento tumoral, assim, na medida que o tumor seja diagnosticado em estádios mais avançados, os recursos terapêuticos se tornam mais limitados e mutilantes, sendo maior a morbidade pós-tratamento. Para estas mulheres, o diagnóstico e o conviver com o câncer trouxeram profundas mudanças em suas vidas e na maneira de ver o mundo. Durante todo o enfrentar da doença e seu tratamento, as mulheres entrevistadas faziam uma avaliação de sua experiência quando procuravam ver as coisas do lado positivo para poderem ter esperanças. Todas as mulheres entrevistadas relataram que após o diagnóstico do câncer de mama sentiam-se diferentes, haviam mudado em alguns aspectos, seja na sua maneira de ser, seja na maneira de ver a vida. Segundo Maluf et al. (2005), devemos nos ater que o adoecer é uma experiência única, uma experiência de desordem, que adquire um sentido específico no momento 65 existencial dessas mulheres, com significados que os sintomas, as experiências com o tratamento e as relações interpessoais passam a ter no contexto de sua vida. 4.12 Tratamento fisioterapêutico Sobre o tratamento de fisioterapia, analisa-se abaixo a questão quanto à satisfação das mulheres, ao realizá-lo, ou se houve alguma angústia na fase de reabilitação. Verifica-se abaixo (Gráfico 6). 0% NADA 30% MUITO POUCO MÉDIO MUITO 70% COMPLETAMENTE Gráfico 6 – Tratamento fisioterapêutico Nota-se grande satisfação em relação ao tratamento de fisioterapia. Sendo que 70% das mulheres entrevistadas, nenhum problema ao fazer tratamento fisioterapêutico foi evidenciado. E apenas 30% relataram ter se incomodado muito pouco. Segundo (1996) dentro do campo da mastologia dá-se ênfase à criação de equipes multidisciplinares com o objetivo de adequar o paciente à sua vida normal e ajudá-la a utilizar o máximo de seu potencial. O fisioterapeuta vai através de técnicas e orientações gerais melhorar a qualidade de vida do paciente, diminuindo as seqüelas da cirurgia e devolvendo esta paciente a sociedade preparada fisicamente, dentro de suas limitações. A fisioterapia representa um grande aliado na busca da qualidade de vida após o tratamento para o câncer de mama, e estudos precisam ser realizados, a fim de quantificar a 66 eficácia destes tratamentos na população brasileira, uma vez que complicações ainda fazem parte da nossa rotina ambulatorial. (BERGMANN et al., 2004). De acordo com o mesmo autor citado acima, a fisioterapia tem uma importante função na prevenção e minimização de complicações decorrentes do tratamento para câncer de mama. A prática fisioterápica está deixando de ser apenas “curativa/reabilitativa”, mas estende-se principalmente à prevenção, a fim de proporcionar cada vez mais, uma melhor qualidade de vida a estas mulheres. 4.13 Prognóstico do câncer de mama Em relação a testes de diagnósticos futuros, a possibilidade de um segundo câncer, à recidiva e à metástase, foram questionados às pacientes, até que ponto isso traria aflição às mesmas. A grande maioria, respondeu que sentem muito medo que haja um segundo câncer. Como pode-se observar no gráfico abaixo (Gráfico 7). 0% 0% 5% 10% Nada Muito Pouco Médio Muito Completamente 85% Gráfico 7 – Prognóstico do câncer de mama Completamente aflitas, foram 85% das mulheres, muito aflitas foram 10%, e 5% das entrevistadas responderam que nem pouco nem muito traz preocupação em relação a uma recidiva. Observa-se que esse é um ponto bastante significativo, pois a grande maioria das mulheres sentem-se ameaçadas. Isso prejudica muito na qualidade de vida, pois mesmo 67 levando à vida a diante, ainda há uma preocupação em passar novamente por tudo que já foi vivido. Para Mirza et al. (2002), reconhecer o prognóstico do tumor determina a necessidade de tratamento complementar e pode restringir o emprego de terapêuticas mais agressivas, beneficiando a paciente e melhorando seu bem estar. Por outro lado, também é possível orientar complementação terapêutica mais ampla naqueles casos que desde o início se mostrem agressivos. Para Maluf et al. (2005), nesta fase o apoio familiar e o suporte médicopsicológico pode amenizar os possíveis efeitos colaterais com medicações específicas e sempre orientando a paciente e os familiares das possíveis evoluções, diminuindo assim a tensão e o medo do incerto. 4.14 Satisfação com a saúde Em relação à satisfação pessoal com a saúde, pode-se analisar no gráfico abaixo, a percentagem adquirida (Gráfico 8). 5% Muito Insatisfeito 0% 10% 45% 40% Insatisfeito Nem Satisfeito Nem Insatisfeito Satisfeito Muito Satisfeito Gráfico 8 – Satisfação com a saúde Neste aspecto, relaciona-se a satisfação com a vida pessoal, com a qualidade de vida das pacientes, onde apesar de todos os fatores negativos que alteraram de alguma forma a 68 qualidade de vida, as mesmas consideram-se sempre satisfeitas na maioria das respostas. Sendo que 5% encontram-se muito satisfeitas, 45% das entrevistadas encontram-se satisfeitas, 40% não estão nem satisfeitas nem insatisfeitas, e apenas 10% estão insatisfeitas com a própria saúde. Nota-se que 50% das respostas foram positivas. A formação de uma equipe multidisciplinar, composta por psicólogos, fisioterapeutas e médicos, para que juntos proporcionem à mulher com câncer de mama, um atendimento humanitário, completo, promovendo assim, o restabelecimento da saúde em seu sentido mais amplo: o indivíduo visto como um todo, ou seja, como um ser biopsicossocial, que se relaciona com o meio em que vive, mas que precisa estar em harmonia consigo próprio (MALUF et al., 2005). Pode considerar-se que, quanto mais segura a mulher sentir-se em relação a sua saúde, maior será a satisfação em relação ao bem-estar físico, emocional e social. 4.15 Auto-avaliação sobre qualidade de vida Para se pesquisar as alterações na qualidade de vida das mulheres, achou-se primordial ter conhecimento de conceitos sobre a qualidade de vida em cunho pessoal de cada paciente pesquisada. Assim, obteve-se como respostas, fatores que descrevem os principais critérios na vida dessas mulheres, que elas buscam nesse momento, para sua satisfação, dentro do que elas vêem como ideal. Visualiza-se abaixo (Gráfico 9). 69 0% 0% 5% Muito Ruim Ruim 50% 45% Nem Ruim Nem Boa Boa Muito Boa Gráfico 9 - Auto-avaliação sobre qualidade de vida Observa-se que a maioria das mulheres, ou seja, 50% das entrevistadas, consideram sua qualidade de vida boa, 45% não acha nem boa nem ruim, e apenas 5% considera ruim sua qualidade de vida. Não obteve-se nenhuma resposta “muito boa” nem “muito ruim”. Dentro deste contexto de valores, Moreira (2002) cita que a Organização Mundial de Saúde (OMS), define como “o estado de completo bem-estar físico, mental, social e não somente ausência de doença”, sendo assim, as mulheres que citaram que ter saúde é o fator principal, englobaram desta forma, diversos aspectos em uma única resposta. Já para Sales et al. (2001) cita que a Organização Mundial de Saúde (OMS), atribui como qualidade de vida “a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto de cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, padrões e preocupações”, onde observa-se que, nas respostas das pacientes esta definição se fez presente, dentro do que elas buscam para sua satisfação. 70 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta pesquisa buscou-se informações, sobre a qualidade de vida de pacientes submetidas ao tratamento cirúrgico do tipo mastectomia e quadrantectomia do câncer de mama, atendidas no Centro de Apoio Oncológico do Hospital São José na cidade de Criciúma, na Clínica Escola de Fisioterapia e no Grupo Girassol realizado no Centro de Atividades da Catedral, ambos na cidade de Tubarão, como justificativa de que a cirurgia deixaria seqüelas ou alterações na vida destas pacientes e que o conhecimento da freqüência, de tais alterações, enfatizaria a necessidade de uma abordagem multidisciplinar minimizando problemas e aperfeiçoando formas de tratamento, o que ajudará na qualidade de vida destas mulheres. Pesquisou-se efeitos físicos, sociais e emocionais, como alterações ou seqüelas freqüentes após cirurgia do câncer de mama, que interferem na qualidade de vida das pacientes. Assim, diante da hipótese de que efeitos físicos compreendidos pela limitação física para atividades do cotidiano e por sintomatologias, estão presentes após o tratamento cirúrgico, houve a comprovação através dos principais relatos das pacientes sobre as mudanças após a cirurgia, como sendo as alterações mais freqüentes. Não houveram dificuldades na aplicação do questionário às pacientes, sendo que em algumas questões, pode ser observado, algum receio, em relatar sobre a intimidade; pareceu ser constrangedor a mesma. Muitas vezes a expressão da paciente visivelmente se modificava, revelando sentimentos de angústia em certas questões, mas a resposta era 71 negativa quanto a admitir que sofria tal alteração, como se assim, elas deixassem de influenciar em sua vida. Com isto, comprovou-se ainda os efeitos psicológicos, proporcionados por esta patologia que é o câncer de mama, simplesmente analisando-se as reações das pacientes ao serem questionadas sobre o tema, o que merece análise mais aprofundada, sendo através de pesquisa. Embora a maioria das pacientes assinalarem estar satisfeitas com a vida pessoal, existem mudanças no funcionamento físico, psicológico e social, que estão muitas vezes interrelacionadas por um problema específico, o câncer de mama, e que devem ser foco do trabalho de equipes multiprofissionais de saúde, no trabalho de reabilitação das pacientes mastectomizadas atendendo-se as necessidades específicas de cada paciente. Como visto na fundamentação teórica e comprovado através desta pesquisa, as principais seqüelas psicossociais do câncer de mama, estão relacionadas à depressão e à ansiedade, à imagem corporal, à função sexual, do relacionamento conjugal e às funções sociais, é onde a equipe multidisciplinar pode enfatizar a abordagem terapêutica, além de focalizar a família e o conjugue dentro das metas de orientação para a reabilitação da paciente, pois o apoio e o respeito da família serve de sustentáculo e razão para a paciente lutar pela recuperação, sendo que o câncer é uma doença tanto pessoal quanto familiar. A fisioterapia como membro da equipe multidisciplinar, tem a competência e a habilidade de assistir às pacientes que apresentam seqüelas ou alterações decorrentes da cirurgia do câncer de mama, avaliando, adequando as técnicas competentes e principalmente, desenvolvendo um trabalho de prevenção das complicações. Assim, a fisioterapia engloba vários dos conceitos relacionados à reabilitação das pacientes pós-cirúrgicas do câncer de mama. 72 REFERÊNCIAS ABRÃO, F. S. Tratado de oncologia genital e mamária. São Paulo: Roca, 1995. ANATOMIA DA MAMA Revista Isto É, Guia de saúde familiar, v. 14, 02/2002. Disponível em: http://www.lincx.com.br/lincx/saude_a_z/saude_mulher/mama_conheca.asp. ASSUNÇÃO, Maria L. A. C.; MELO, Neliana M. M. Prevenção de linfedema em pacientes pós-mastectomia radical. Revista Fisioterapia em Movimento, Curitiba. v. 3, n. 1, p. 59 - 79, abr./dez. 2000. BARACAT, Fausto F.; OLIVEIRA, Gilberto B. Câncer de mama avançado. Jornal Brasileiro de Medicina, São Paulo. v. 72, n. 6, p. 40 - 64, jun. 1997. BARROS, M. H. Fisioterapia: drenagem linfática manual. São Paulo: Robe, 2001. BATTISTI, Julio. Concentração. Disponível em: http://www.juliobattisti.com.br/. Acesso em: 18 set. 2005. BENK, V.; SOUHAMI, L.; FARIA, S. Complicações mais ligadas à radioterapia. 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Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1995. 76 ANEXOS 77 ANEXO A Questionário de Qualidade de Vida 78 Idade:_________________ Ocupação___________________ Estado civil: Casada ( ) Solteira ( ) Divorciada ( ) Viúva ( ) Tempo de Diagnóstico:___________________________ Tempo de cirurgia: ____________________________ Tipo de cirurgia: tumorectomia ( ) quadrantectomia ( ) mastectomia ( ) Tratamento complementar: radioterapia ( )quimioterapia ( ) hormonioterapia ( ) fisioterapia( ) Este questionário é sobre como você se sente a respeito de sua qualidade de vida, saúde e outras áreas de sua vida. Por favor responda a todas as questões. Se você não tem certeza sobre que resposta dar em uma questão, por favor, escolha entre as alternativas a que lhe parece mais apropriada. Esta, muitas vezes, poderá ser sua primeira escolha. Por favor, leia cada questão, veja o que você acha e circule no número que lhe parece a melhor resposta. 1- Como você avaliaria sua qualidade de vida? Muito Ruim Ruim 1 2 Nem Ruim Nem Boa 3 Boa Muito Boa 4 5 2- Você está satisfeita com a sua saúde? Muito Insatisfeito Insatisfeito Nem Satisfeito Nem Insatisfeito Satisfeito Muito Satisfeito 1 2 3 4 5 As questões seguintes são sobre o quanto você tem sentido algumas coisas nas últimas duas semanas. 3-Você acha que sua Nada/ Muito pouco/ Mais ou Menos/ Bastante/ Extremamente dor (física) impede você de fazer o que você precisa? 1 2 3 4 5 4- O quanto você precisa de algum tratamento médico para levar sua vida diária? 5- O quanto você aproveita a vida? 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 79 6- Você acha que a sua vida tem sentido? 1 2 3 4 5 7- O quanto você consegue se concentrar? 1 2 3 4 5 8- Você se sente segura em sua vida diária? 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 9- O quanto você acha seu ambiente físico saudável (em relação ao clima, barulho, poluição, atrativos)? As questões seguintes perguntam sobre quão completamente você tem sentido ou é capaz de fazer certas coisas nestas últimas duas semanas. Nada/ Muito pouco/ Médio/ Muito/ Completamente 10-Você tem energia suficiente para seu dia-dia? 1 2 3 4 5 11- Você é capaz de aceitar sua aparência física? 1 2 3 4 5 12- Você tem dinheiro suficiente para satisfazer suas necessidades? 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 13-Você acha que as informações sobre sua doença estão disponíveis para você? 14-Você tem oportunidades de atividades de lazer? As questões seguintes perguntam sobre quão bem ou satisfeito você se sentiu a respeito de vários aspectos de sua vida nas últimas duas semanas. Muito Ruim/ Ruim/ Nem Ruim Nem Bem/ Bem/Muito Bem 15-Como você considera que é capaz de se locomover? 1 2 3 4 5 80 MuitoInsatisf/Insat/NemSatisf Nem Insat/Satisf /MuitoSatisf 16-Você está satisfeita com o seu sono? 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 18- Você está satisfeita com sua capacidade para o trabalho? 1 2 3 4 5 19-Você está satisfeita consigo mesma? 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 22-Você está satisfeita com o apoio que você recebe de seus amigos? 1 2 3 4 5 23-Você está satisfeita com as condições do local onde mora? 1 2 3 4 5 24-Você está satisfeita com o seu acesso aos serviços de saúde? 1 2 3 4 5 25-Você está satisfeita com o seu meio de transporte? 1 2 3 4 5 17-Você está satisfeita com sua capacidade de desempenhar as atividades do seu dia-a-dia? 20- Você está satisfeita com suas relações pessoais (amigos,parentes, conhecidos,colegas)? 21-Você está satisfeita com sua vida sexual? As questões seguintes referem-se a com que freqüência você sentiu ou experimentou certas coisas nas últimas duas semanas. Nunca/Alg. vezes/Freqüent. /MuitoFreqüent/ Sempre 26.Com que freqüência você tem sentimentos negativos tais como mau 1 humor, desespero, ansiedade, depressão? 2 3 4 Quanta angústia lhe trouxe os seguintes aspectos da sua doença e seu tratamento? 5 81 Nada /Muito Pouco/ Médio/Muito/Completamente 27.Diagnóstico inicial 1 2 3 4 5 28. Quimioterapia 1 2 3 4 5 29. Radioterapia 1 2 3 4 5 30. Fisioterapia 1 2 3 4 5 31. Cirurgia 1 2 3 4 5 32.Você se sentiu depressiva? 1 2 3 4 5 Até que ponto você fica aflita com: Nada/ Muito Pouco/ Médio/ Muito/ Completamente 33. Testes de diagnóstico futuros? 1 2 3 4 5 34. A possibilidade de um segundo câncer? 1 2 3 4 5 35. Recidiva (a volta) do seu câncer? 1 2 3 4 5 36. Metástase (espalhamento) do seu câncer? 1 2 3 4 5 37. Você acha que a sua vida está de volta ao normal? 1 2 3 4 5 Alterações corporais Nada/Muito pouco/ Mais ou Menos/Bastante/Extremamente 38. O quanto você tem notado que seu membro superior do lado da cirurgia de mama estava edemaciado, ou seja, inchado? 1 2 3 4 5 39. O quanto você tem sentido dor 1 no seu membro superior, tórax ou região dorsal? 2 3 4 5 82 Nada /Muito Pouco/Médio /Muito /Completamente 40. O quanto você tem evitado situações em que sua aparência física poderia ser percebida por outros? (ex: evitou situações sociais, piscinas e contato íntimo)? 1 2 3 4 5 Nunca/Alg. vezes/Frequent./MuitoFrequent./ Sempre 41. Você tem notado alterações na sua postura? (ex:um ombro mais elevado que o outro)? 1 2 3 4 5 42. Tem sentido fraqueza muscular no braço do lado da cirurgia de mama? 1 2 3 4 5 43. Você tem sentido dificuldade para movimentar o braço do lado operado? 1 2 3 4 5 44. Você acha que os movimentos do seu braço vão ficar iguais a antes da cirurgia de mama? 1 2 3 4 5 45. Você evita tocar ou olhar diretamente na cicatriz cirúrgica? 1 2 3 4 5 46. Você se preocupa com a higienização 1 (limpeza,hidratação) e toma os devidos cuidados com o seu braço (evita cortes, por exemplo)? 2 3 4 5 83 ANEXO B Termo de Consentimento 84 Eu, __________________________________________, cédula de identidade nº _________________________, declaro que concordo plenamente com os termos do tratamento fornecidas pelo professor _____________________________. Informo, outrossim, que estou ciente dos procedimentos, eventuais incômodos e benefícios decorrentes do tratamento. E, que posso abandonar, por livre e espontânea vontade, o referido tratamento a qualquer tempo, mas que, nesta condição, me torno responsável por possíveis prejuízos e/u riscos a que estou me expondo. Tubarão, ___ / ___ / ___ ____________________________________________ Nome Por extenso do paciente voluntário ____________________________________________ Nome Por extenso do professor/pesquisador ____________________________________________ Nome Por extenso do acadêmico/auxiliar de pesquisa ____________________________ Assinatura ____________________________ Assinatura ____________________________ Assinatura