UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS QUÍMICA INDUSTRIAL AVALIAÇÃO DA QUALIDADE FÍSICO-QUÍMICA NA PRODUÇÃO DE BEBIDAS ENERGÉTICAS Mônica Minomo Amaral ANÁPOLIS 2012 i Mônica Minomo Amaral AVALIAÇÃO DA QUALIDADE FÍSICO-QUÍMICA NA PRODUÇÃO DE BEBIDAS ENERGÉTICAS Trabalho submetido de ao Conclusão corpo de Curso docente da Coordenação de Química Industrial da Universidade Estadual de Goiás como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Bacharel em Química Industrial. Orientador: Prof. Msc. Lauro Bernardino Coelho Junior. ANÁPOLIS 2012 ii AMARAL, MÔNICA MINOMO Avaliação da Qualidade Físico-química na Produção de Bebidas Energéticas [Anápolis] 2012. IX, 43 p.29,7cm (UnUCET/UEG, Bacharel, Química Industrial, 2012). Trabalho de conclusão de curso Universidade Estadual de Goiás, UnUCET. 1. Bebida energética; 2. Produção; 3. Controle de qualidade; 4. Principais parâmetros. I. UnUCET/UEG II. Título (série) iii AVALIA AVALIAÇÃO DA QUALIDADE FÍSICO-QUÍMICA NA PRODUÇÃO DE BEBIDAS ENERGÉTICAS Mônica Minomo Amaral BANCA EXAMINADORA ________________________________________ Prof. Msc. Lauro Bernardino Coelho Junior (Orientador) ________________________________________ Profª. MSc. Lydia Tavares de Araújo Andrade (Membro) ________________________________________ Profª. MSc. Janaína Pereira Macedo Rodrigues (Membro) Aprovado em ___ /___ /___ iv DEDICATÓRIA Eu dedico este trabalho primeiramente a Deus, que está sempre presente na minha vida. Aos meus pais, Tony e Edna, que sempre me apoiaram e me incentivaram em mais essa etapa da minha vida. Ao meu namorado, Murillo Gonçalves, que esteve sempre presente ao meu lado. Aos meus familiares (tios, avós e primas) que me ajudaram e me acolheram com todo amor e carinho. E ao meu querido irmão, Tadaaki, por todo carinho e apoio recebido. v Resumo do Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à UnUCET/UEG como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Bacharel em Química Industrial. AVALIAÇÃO DA QUALIDADE FÍSICO-QUÍMICA NA PRODUÇÃO DE BEBIDAS ENERGÉTICAS Mônica Minomo Amaral Junho/2012 Orientador: Prof. MSc. Lauro Bernardino Coelho Junior Curso: Química Industrial O consumo de bebida energética no Brasil está em crescimento. Para a fabricação da bebida energética são necessárias várias etapas. Sendo as etapas principais: a preparação do xarope simples, preparação do xarope composto, a diluição, resfriamento, carbonatação e envase. E após estes processos são necessárias análises para garantir a qualidade do produto. Os principais parâmetros na fabricação da bebida energética são °Brix, acidez e volume de CO2. Além dessas análises o controle de qualidade tem que assegurar a qualidade da água utilizada, que deve ser desclorada após o tratamento. De acordo com os resultados encontrados o padrão que compreende de 12,3 a 12,5 °Brix deve ser mantido para assegurar a doçura desejada na bebida. A acidez certifica que os padrões de qualidade para a preparação da formulação foram seguidos, tendo como resultados encontrados uma variação de 43,1 a 45,6. Sendo que essa acidez elevada indica uma menor probabilidade de crescimento microbiológico, além disso, os tanques de estocagem de xarope composto são sanitizados a cada batelada preparada. E o volume de CO2 confere o aroma e sabor característico da bebida energética, onde o volume de CO2 medido em garrafas retiradas da linha possui um volume de CO2 maior do que em garrafas após 48 horas de envase. Essa alteração após 48 horas ocorre devido a estabilização do gás dentro da garrafa, diminuindo assim o volume de CO2. Esse fato pode ser bem notado nos resultados encontrados nos três tempos de medição, utilizando garrafas PET de 500 mL. Sendo que as metodologias utilizadas são respectivamente refratométrica, titulação potenciométrica e pressão por temperatura. No qual os resultados mostraram a importância de se ter uma boa qualidade na fabricação da bebida energética, atingindo assim o objetivo do trabalho. Palavras-chave: Bebida energética, produção e controle de qualidade. vi LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 FLUXOGRAMA DO PROCESSAMENTO DE BEBIDA ENERGÉTICA. .................... 6 FIGURA 2 FLUXOGRAMA DE UM CHILLER. ............................................................... 16 FIGURA 3 CONSUMO DIÁRIO DE ÁGUA PELA QUANTIDADE DE CLORO PRESENTE, EM PPM. .................................................................................................... 28 FIGURA 4 VARIAÇÃO DO VOLUME DE CO2 RETIRADO DA LINHA EM RELAÇÃO AOS 20 BICOS DA ENCHEDORA MESAL PARA GARRAFAS DE 500 ML. ..................... 30 FIGURA 5 VARIAÇÃO DO VOLUME DE CO2 MEDIDO APÓS 48 HORAS EM RELAÇÃO AOS 20 BICOS DA ENCHEDORA MESAL PARA GARRAFAS DE 500 ML. ................ 30 FIGURA 6 VARIAÇÃO DO °BRIX DA BEBIDA ENERGÉTICA EM RELAÇÃO AO TEMPO DE ENVASE DE UMA TACHADA DE XAROPE COMPOSTO. .................................. 34 FIGURA 7 ACIDEZ DO XAROPE COMPOSTO EM RELAÇÃO AS TACHADAS DE FABRICAÇÃO. ........................................................................................................... 36 vii SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................ 1 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ........................................................................... 3 2.1 BEBIDAS ENERGÉTICAS ....................................................................... 3 2.1.1 HISTÓRIA........................................................................................... 3 2.1.2 NO CONTEXTO BRASILEIRO........................................................... 3 2.1.3 LEGISLAÇÃO .................................................................................... 4 2.2 PRODUÇÃO DE BEBIDAS ENERGÉTICAS ........................................... 5 2.2.1 TRATAMENTO DE ÁGUA ................................................................. 6 2.2.2 XAROPARIA ...................................................................................... 8 2.2.3 FORMULADO................................................................................... 10 2.2.4 AGITAÇÃO ....................................................................................... 12 2.2.5 RESFRIAMENTO ............................................................................. 15 2.2.6 CARBONATAÇÃO ........................................................................... 17 2.2.7 ENVASE ........................................................................................... 18 2.3 CONTROLE DA QUALIDADE................................................................ 19 2.3.1 ÁGUA ............................................................................................... 19 2.3.2 Análises Físico-químcas em Bebidas Energéticas ...................... 22 3 MATERIAIS E MÉTODOS ............................................................................ 25 3.1 MATERIAIS ............................................................................................ 25 3.2 MÉTODOS .............................................................................................. 26 3.2.1 CONTROLE DE QUALIDADE NA ANÁLISE DE CLORO NA ÁGUA BRUTA ...................................................................................................... 26 3.2.2 Controle de Qualidade na Análise do Volume de CO2 Presente na Garrafa ...................................................................................................... 26 3.2.3 CONTROLE DE QUALIDADE NA ANÁLISE DA CONCENTRAÇÃO DE SÓLIDOS SOLÚVEIS (ºBRIX) ............................................................ 27 viii 3.2.4 CONTROLE DE QUALIDADE NA ANÁLISE DE ACIDEZ E PH ..... 27 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO .................................................................... 28 4.1 CONTROLE DE QUALIDADE NA ANÁLISE DE CLORO NA ÁGUA BRUTA ......................................................................................................... 28 4.2 CONTROLE DE QUALIDADE NA ANÁLISE DO VOLUME DE CO2 PRESENTE NA GARRAFA .......................................................................... 29 4.3 CONTROLE DE QUALIDADE NA ANÁLISE DA CONCENTRAÇÃO DE SÓLIDOS SOLÚVEIS (ºBRIX)...................................................................... 33 4.4 CONTROLE DE QUALIDADE NA ANÁLISE DE ACIDEZ E PH ........... 35 5 CONCLUSÃO ............................................................................................... 38 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................. 39 ix 1 INTRODUÇÃO A escolha do tema deste Trabalho de Conclusão de Curso foi influenciada pelo campo de atuação do estágio. Tendo como foco principal o controle de qualidade na fabricação de bebidas energéticas. A bebida energética possui um potencial estimulante de energia, sendo consumida cada vez mais no Brasil. Influenciando assim o mercado interno, pois várias marcas brasileiras já foram lançadas desde esse aumento de consumo. A fabricação das bebidas energéticas é bem semelhante a fabricação de refrigerante, mudando apenas a formulação. Na bebida energética são adicionados estimulantes como a taurina e cafeína. O processo de fabricação consiste em, primeiramente eliminar todo o cloro da água tratada. Depois é diluído o açúcar em água, formando assim o xarope simples. Esse xarope é resfriado e, então, mistura-se o formulado obtendo o xarope composto. E o formulado tem que ser adicionado em ordem para evitar turvações e precipitações no xarope. Esse xarope é diluído em quatro porções de água originando a bebida energética. Que é resfriada a baixas temperaturas para em seguida ser carbonatada e envasada. O controle de qualidade tem a finalidade de assegurar que os padrões da empresa estão sendo atingidos durante todo o processamento da bebida energética. Realizando análises de alguns parâmetros como: °Brix, acidez, pH, volume médio, torque e volume de CO2. Porém, os mais importantes são volume de CO2, °Brix e acidez. Onde esses três parâmetros juntos dão as características sensoriais da bebida energética. O sabor adocicado, a acidez, o aroma e a efervescência influenciam muito na qualidade do produto. Sendo atestado pelos parâmetros citados acima. O volume de CO2 é influenciado pela temperatura, sendo inversamente proporcional a esta. Regulado através da pressão durante o processamento da bebida. O °Brix da bebida energética depende da concentração de sólidos solúveis do xarope composto, assim sendo necessária regular a abertura de água durante o processamento. Para que a bebida envasada não saia com 1 muita ou pouca concentração de açúcar. E acidez, sendo alta, juntamente com a carbonatação evita o crescimento de micro-organismos. Aumentando assim a vida de prateleira da bebida energética, já que esta é dotada de açúcar. Um meio propício ao crescimento de micro-organismos. Objetivou-se com este trabalho de conclusão de curso avaliar os principais parâmetros da qualidade na fabricação de bebida energética. 2 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 BEBIDAS ENERGÉTICAS 2.1.1 HISTÓRIA A história das bebidas energéticas teve início na década de 60 no Japão. A empresa Taisho Pharmaceuticals lançou em 1962 uma bebida chamada Lipovitan-D®. Em sua composição foi empregada uma mistura de vitaminas B1, B2 e B6 além de niacina e taurina. Sendo todos agentes metabólicos com a finalidade de incrementar energia e concentração. Tornando assim populares essas “bebidas tônicas” pela Ásia (SAÚDE & FORÇA, 2010). Em 1984 o empresário austríaco Dietrich Mateschitz fez uma viagem de negócios a Tailândia e ao chegar ao local começou a sofrer de Jet Leg, um distúrbio físico causado pela diferença de fuso horário. Casualmente descobriu uma bebida chamada Krating Daeng na qual continha altas doses de cafeína e taurina. Foi essa bebida que o curou do distúrbio físico e onde o fez reparar que a mesma fazia um grande sucesso local. A partir dessa viagem Mateschitz levou amostras da bebida para a Áustria e iniciou sua produção em escala industrial. Surgindo assim a Red Bull®. Devido a alta concentração de cafeína que há na fórmula a autorização para a fabricação foi obtida somente três anos mais tarde (CORREIA, 2012). Então a partir de 1987 a Red Bull ® se popularizou rapidamente por toda a Europa (SAÚDE & FORÇA, 2010). No final da década de 90 a bebida energética chegou aos Estados Unidos e em 1998 chegou ao Brasil (DIAS, 2011). 2.1.2 NO CONTEXTO BRASILEIRO O mercado de bebidas energéticas no Brasil era explorado apenas por fabricantes internacionais. Que detêm altas percentagens de participação. Segundo a Datamark as principais marcas são: Red BulI, Flash Power e Flying Horse, onde somam mais de 70% do mercado. A austríaca Red Bull ocupou a liderança no mercado brasileiro de energéticos com 56% das vendas (LÓPEZ, 2002). 3 O AC Nielsen alegam que apesar de recente o mercado de bebidas energéticas no Brasil seu potencial tem crescido em média 130% em 2000 e 66% em 2011 (LÓPEZ, 2002). Entre 2006 e 2010 o consumo dessas bebidas no Brasil expandiu 325%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas Não Alcoólicas (Abir). Estima-se que esse crescimento é dez vezes maior do que o das outras modalidades de bebidas (AMBEV, 2011). Data-se que a primeira incursão de energéticos brasileiros foi com o lançamento do Atomic Energy Drink em janeiro de 2010. Sendo o principal produto da marca First One. Após um ano de seu lançamento o Atomic Energy Drink já detêm 17% do mercado brasileiro. Sendo até mesmo exportado para os Estados Unidos (LÓPEZ, 2002). 2.1.3 LEGISLAÇÃO A Resolução de Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – RDC Nº 273, de 22 de setembro de 2005 define composto líquido pronto para consumo como sendo: o produto que contém como ingrediente(s) principal(is) inositol e ou glucoronolactona e ou taurina e ou cafeína, podendo ser adicionado de vitaminas e ou minerais até 100% da Ingestão Diária Recomendada (IDR) na porção do produto. Pode ser adicionado de outro(s) ingrediente(s), desde que não descaracterize(m) o produto (ANVISA, 2005). Deve ser designado de "Composto Líquido Pronto para o Consumo", podendo ser acrescido da expressão "a base de", especificando o(s) ingrediente(s) principal(is), onde deve possuir alguns requisitos específicos. Sendo estes: inositol - máximo 20 mg/100 ml; glucoronolactona - máximo 250 mg/100 ml; taurina - máximo 400 mg/100 ml e cafeína - máximo 35 mg/100 ml (ANVISA, 2005). Composto Líquido Pronto para o Consumo possui alguns requisitos adicionais de rotulagem. Devendo constar, obrigatoriamente, as seguintes advertências, em destaque e em negrito: "Crianças, gestantes, nutrizes, idosos e portadores de enfermidades: consultar o médico antes de consumir o 4 produto" e "Não é recomendado o consumo com bebida alcoólica". Na rotulagem também deve constar na lista de ingredientes, as quantidades de cafeína, taurina, inositol e glucoronolactona presentes na porção do produto (ANVISA, 2005). Não são permitidas expressões tais como "energético", "estimulante", "potencializador", "melhora de desempenho" ou frase(s) equivalente(s), inclusive em outros idiomas. Serão permitidas as expressões: "Bebida energética" ou "Energy drink". O uso de qualquer outra expressão pode ser autorizado após avaliação, caso a caso, pela ANVISA (ANVISA, 2005). Os produtos devem ser obtidos, processados, embalados, armazenados, transportados e conservados em condições que não produzam, desenvolvam ou agreguem substâncias físicas, químicas ou biológicas que coloquem em risco a saúde do consumidor. Deve ser obedecida a legislação vigente de Boas Práticas de Fabricação (ANVISA, 2005). 2.2 PRODUÇÃO DE BEBIDAS ENERGÉTICAS O processo de fabricação de bebida energética pode ser divida em algumas fases consideradas importantes: preparação do xarope composto, mistura, resfriamento, carbonatação e envase (FILHO, 2009). O cuidado com a qualidade é essencial, por isso toda a produção passa por diversas inspeções até o momento de a bebida energética sair da fábrica para a distribuição (MELO, 2004). Na Figura 1 encontram-se todas as etapas para a produção de bebida energética. 5 XAROPE SIMPLES Tratamento da água Aquecimento - 60ºC Açúcar Água Dissolução Filtração Resfriamento - 30ºC XAROPE COMPOSTO Mix Mistura Aditivos alimentícios Diluição Água (Vitaminas do Complexo B, cafeína, taurina) Resfriamento – 2ºC CO2 Chiller Carbonatação Engarrafamento Figura 1 Fluxograma do processamento de bebida energética. Fonte: SANTOS (2010). 2.2.1 TRATAMENTO DE ÁGUA Na fabricação de bebidas, a água como o ingrediente mais importante (cerca de 90% do volume do produto), necessita de um eficaz tratamento. No qual este deve assegurar as características físico-químicas, sensoriais e microbiológicas do produto final. A água participa do balanço 6 químico entre os ingredientes da bebida, pois é o veículo de dissociação do açúcar, conservantes, ácidos, corantes e gás carbônico. Sendo de fundamental importância a não contribuição de substâncias que possam alterar a aparência, a estabilidade ou o sabor do produto (CELESTINO, 2009). A água antes de ser utilizada na fabricação de bebidas deve passar por um tratamento na própria indústria. Para se ter uma água dentro dos requisitos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, segundo a Portaria n° 2914 de 12 de dezembro de 2011 o tratamento é obrigatório e varia de acordo com a fonte e composição química. De acordo com a Portaria n° 2914 a água tratada deve ser submetida a processos físicos, químicos ou combinação destes visando atender ao padrão de potabilidade. As principais etapas são: coagulação-floculação, decantação ou flotação, filtração de areia, supercloração, filtração de carvão ativado e polimento final. A água é captada e armazenada em reservatórios. Em seguida, é efetuado o tratamento para obtenção de água que atenda aos padrões de qualidade. Onde esses padrões torna a água potável tendo como parâmetros: para o sistema de distribuição o pH da água deve ser mantido na faixa de 6,0 a 9,5; o teor máximo de cloro residual livre em qualquer ponto do sistema de abastecimento seja de 2 mg/L; alguns padrões sensoriais com valor máximo permitido tendo alguns exemplos como ferro 0,3 mg/L, manganês 0,1 mg/L, gosto e sabor de intensidade 6, cor aparente 15 µH, dureza total de 500 mg/L, entre outros. (CELESTINO, 2009; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2011). 2.2.1.1 Filtração O processo inicia-se com a coagulação-floculação, onde as impurezas em suspensão na água formam flocos volumosos precipitando. Após a decantação ou flotação as partículas menores são removidas através de filtração em leitos de areia. Removendo assim partículas em suspensão e flocos que não foram retirados na etapa anterior (CELESTINO, 2009). A maioria dos filtros de areia são construídos para fornecer uma quantidade de água filtrada por minuto. Se esta quantidade é excedida sua eficácia é prejudicada. A eficiência do filtro é comprometida quando ocorrem 7 variações na pressão e intensidade da corrente, pois permitem que ocorra a formação de sedimentos, ou ainda, as partículas penetrem profundamente no leito filtrante e ocasionem a formação de canais e bolas de lodo (CELESTINO, 2009). O filtro de areia deve ser retrolavado uma vez por dia, sempre no fim da produção. O processo de retrolavagem é realizado, pois os filtros sujam devido a grande quantidade de partículas suspensas retidas no meio filtrante. Causando assim, aumento na perda de carga sendo necessário proceder a limpeza para retirar todas as impurezas retidas e retornar a eficiência de limpeza a condição original. Portanto, a limpeza é realizada mudando a direção do fluxo a partir da tubulação de saída. E além do processo de retrolavagem o filtro de areia deve ser pelo menos uma vez por mês saneado com uma forte solução de cloro (CELESTINO, 2009; TESTEZLAF, 2008). Após a passagem pelos filtros de areia a água vai para o reservatório de água semi-tratada. Ocorrendo assim um reforço na cloração com a finalidade de assegurar a desinfecção e promover a oxidação e precipitação da matéria-orgânica (CELESTINO, 2009). 2.2.1.2 Carvão Ativado A água antes de ser utilizada para produzir a bebida deve ser filtrada em leitos de carvão ativado (recomenda-se 4 filtros em série) para remoção do cloro residual e compostos que possam conferir cor e sabor indesejáveis. Os cuidados são os mesmos em relação ao filtro de areia (CELESTINO, 2009). Por fim, é realizada uma filtração de polimento em cartuchos de polipropileno para remoção de partículas maiores que 5 micras. Após esse estágio a água já está disponível para a produção. Onde devem ser realizadas algumas análises para garantir a qualidade do produto final (CELESTINO, 2009). 2.2.2 XAROPARIA O xarope simples, também conhecido como calda base, é uma solução aquosa de açúcar que pode ser eventualmente enriquecida com ácidos 8 orgânicos. O seu preparo inicia-se com a diluição do açúcar em água quente seguido de cozimento a temperatura de 85 – 100 ºC, com o objetivo de retirar impurezas que possam gerar problemas de sabor e odor no produto final. Esta calda é então tratada e clarificada usando elementos como carvão ativado em pó e terra diatomácea (SANTOS E RIBEIRO, 2005). A produção de xarope simples pode ser definida como uma solução de açúcar em água potável, que segundo a legislação, deve ter uma concentração mínima de 62 gramas de açúcar por 100 gramas de solução (SILVA et al., 2009). Resultando assim numa concentração de 60ºBrix, onde diversos métodos podem ser usados para obtenção do xarope simples como processo a frio, processo a frio acidificado, processo a quente, processo a quente acidificado e xarope de alta densidade (BARNABÉ, 2003). Todos esses processos podem ser definidos da seguinte maneira. Processo a frio consiste em diluir o açúcar em água a temperatura ambiente. Tendo como vantagem a economia de energia. Porém, esse xarope é mais viscoso e não é pasteurizado, sendo necessários alguns cuidados para que não ocorra a contaminação do produto. Processo a frio acidificado é obtido quando o ácido é adicionado ao xarope simples frio. Esse tipo de xarope está menos sujeito ao ataque de micro-organismos. Processo a quente onde esse processo é preferido pelo fato de permitir a estocagem do xarope simples, a sua pasteurização e também facilitar a filtração. O aquecimento do xarope pode ser feito através de ebulição (1-2 minutos) ou pasteurização (85 ºC / 15 minutos). Em seguida, realiza-se uma filtração utilizando filtro de terra diatomácea e, se necessário, carvão ativo para eliminar odores estranhos provenientes do açúcar. E finalmente é resfriado. Processo a quente acidificado é preparado com a adição de ácido antes ou durante o aquecimento. Resultando em inversão parcial ou total do açúcar. Esse processo torna o xarope menos favorável a ataque de micro-organismos. Xarope de alta densidade é preparado quando é necessário estocar o xarope. Por isso a adição de ácido é indispensável e a concentração do xarope é aumentada para no mínimo 67% de açúcar (BARNABÉ, 2003). O xarope composto é a mistura do xarope simples com os ingredientes específicos para a formulação. Deve ser obedecida a sequência 9 de preparo, não se alterando a ordem de entrada dos ingredientes para evitar precipitações e turvações. Os aditivos incorporados ao xarope simples é que conferem características de cor, sabor, odor e propriedades químicas adequadas a sua conservação. Podendo ser estes: flavorizantes, corantes, conservantes e outros (BARNABÉ, 2003; SILVA et al., 2009). Esta etapa de preparação do xarope composto é realizada em tanques de aço inoxidável com agitadores para garantir total homogeneização dos aditivos e evitar a admissão de ar (LIMA E AFONSO, 2009). 2.2.3 FORMULADO Analisando a composição de bebidas energéticas observa-se que a grande maioria possui uma mistura de carboidratos com taurina, cafeína, glucoronolactona, inositol, pantenol, niacina e vitaminas do complexo B. E alguns energéticos ainda contêm extratos de algumas ervas como Gingko biloba e Ginseng (FERREIRA, 2011;TEIXEIRA, 2008). A taurina é um aminoácido não essencial com diferentes e importantes funções como: no sistema nervoso a taurina está associada a osmorregulação, antioxidação, detoxificação e estímulo da glicólise e glicogênese. No fígado a taurina conjuga-se com ampla variedade de produtos tóxicos fazendo com que essas toxinas sejam excretadas pelo organismo. Ela ainda pode se complexar com metais pesados e reduzir os níveis por mecanismo de desintoxicação. Pode ser encontrada em frutos do mar (mariscos e ostras), aves e carne bovina (FERREIRA, 2011; AGNOL, 2006). A taurina em bebidas energéticas é adicionada com o intuito de acelerar a excreção de substâncias prejudiciais ao organismo. Estudos sobre a taurina através da ingestão de bebidas energéticas com a prática de esportes apresentou efeito positivo em relação a resposta hormonal, pois conduziu para um maior desempenho e tempo de exercício. No grupo que utilizou taurina também foi observado uma diminuição significativa dos batimentos cardíacos e concentração de catecolamina (FERREIRA, 2011; AGNOL, 2006). A cafeína é uma xantina, substância que pode ser encontrada em plantas como café, erva-mate, cacau e guaraná. Sabe-se que as xantinas 10 exercem seus efeitos estimulantes por inibição da fosfodiesterase, com resultante acúmulo de AMPcíclico. Portanto, tendo uma ação simpaticomimética indireta. A cafeína também pode exercer efeitos inotrópicos positivos, por exemplo, no sistema cardiovascular (FERREIRA, 2011). Em relação a prática de exercícios físicos prolongados os resultados indicam melhorias na eficiência metabólica dos sistemas energéticos durante o esforço contribuindo para um melhor desempenho físico (AGNOL, 2006). A cafeína ingerida através das bebidas energéticas é um recurso ergogênico utilizados com a finalidade de potencializar o desempenho de resistência. Estudos recentes têm apontado a cafeína como um poderoso agente modulador do desempenho físico em atividades físicas de diferentes naturezas (AGNOL, 2006). As bebidas energéticas estão sendo enriquecidas com a combinação de cinco vitaminas (niacina, B6, B12, riboflavina e ácido pantotênico) em concentrações iguais ou menores aos da recomendação vigente. As vitaminas do complexo B estão envolvidas em diversos processos metabólicos e são essenciais para o equilíbrio energético. A carência das vitaminas do complexo B compromete a síntese protéica e o metabolismo aeróbio (AGNOL, 2006; FERREIRA, 2011). O esforço físico aumenta a necessidade dessas vitaminas devido as necessidades de manutenção e reparação tecidual além das adaptações bioquímicas mitocondriais que utilizam essas vitaminas como co-fatores em processos metabólicos (FERREIRA, 2011). A glucoronolactona é um intermediário metabólico natural do organismo humano formado a partir de glicose no fígado. Também pode ser encontrada em vinho tinto, maçã, pêra e cereais (FERREIRA, 2011; AGNOL, 2006). É essencial para a desintoxicação e metabolismo de ampla variedade de xenobióticos e medicamentos, via conjugação no fígado, que são excretados na urina e outra função atribuída é a complexação com a bilirrubina e posterior eliminação pela urina (AGNOL, 2006). Embora os fabricantes propaguem uma possível capacidade da glucoronolactona de aumentar a eliminação de substâncias tóxicas produzidas 11 durante o esforço físico prolongado ou intenso, não há dados que comprovem esta hipótese (FERREIRA, 2011). O inositol é um isômero da glicose encontrado na forma livre, na forma de fosfolipídeo e em formas fosforiladas. É encontrado tanto em fontes animais quanto vegetais como, por exemplo: feijão, pasta de amendoim, levedo de cerveja, gérmen de trigo, lecitina de soja e outros (AGNOL, 2006). Suas funções farmacológicas se assemelham as da colina. Mesmo não havendo a necessidade da sua ingestão diária, o inositol está presente em altas concentrações no leite materno e sua deficiência está relacionada em distúrbios e no transporte e no metabolismo de gordura (AGNOL, 2006). 2.2.4 AGITAÇÃO A agitação de material líquido que esteja contido em um recipiente geralmente é circular. O termo agitação mecânica é utilizado quando usado de forma mecânica, podendo conter uma ou mais fases. O sistema de agitação é constituído necessariamente por um agitador que é normalmente montado em eixo vertical centrado (LIMA, 2005). A agitação mecânica pode ser realizada em meios miscíveis caracterizado por operações hidrodinâmicas (bombeamento, circulação de produtos, homogeneização) e meios imiscíveis caracterizados por operações como dispersão de líquidos, obtenção de emulsões grosseiras e estáveis, outros (LIMA, 2005). A homogeneização consiste na uniformização de vários líquidos miscíveis, na eliminação da concentração e dos gradientes de temperatura. Para a dissolução de partículas sólidas em líquido durante o processo de agitação deve-se formar uma suspensão de partículas com a finalidade de criar uma maior área de contato. Em relação a transferência de calor a agitação auxilia em líquidos em elevada viscosidade. A agitação no processo de dispersão ocorre quando duas substâncias imiscíveis se misturam quando a de menor volume se dispersa na de maior volume (FARIA, 2009). A agitação possui algumas aplicações como a homogeneização, a intensificação da transferência de calor, a suspensão do sólido no líquido, a 12 dispersão de dois líquidos imiscíveis ou a dispersão do gás no líquido (FARIA, 2009). O processo de agitação ou mistura depende da viscosidade em caso de líquidos, da densidade e da morfologia em caso de sólidos. Podendo ocorrer desde regimes turbulentos a laminares (FARIA, 2009). Para analisar o desempenho de uma agitação mecânica devem-se levar em consideração algumas variáveis como tipo de impelidor, tipo de tanque, formação de vórtices, velocidade de rotação do agitador, concentração da mistura, granulometria da partícula e outros (LIMA, 2005). Os equipamentos e componentes de agitação são descritos a seguir. Impelidores que são equipamentos responsáveis pela indução do fluxo, seja axial, radial ou tangente, o que é determinado pelo sentido da corrente de fluxo produzida. Este elemento é responsável pelo bombeamento, circulação, turbulência ou cisalhamento que resulta em operações hidrodinâmicas globais. Para a escolha do tipo de impelidor deve ser levado em consideração o objetivo do processo. Tanques e vasos que no processo de agitação mecânica normalmente é realizado em tanques e vasos cilíndricos verticais de fundo plano ou arredondado. Onde o tipo de tanque a ser escolhido deve-se levar em consideração o objetivo do processo. Os tanques podem variar quanto a sua abertura, formato (cilíndrico horizontal ou vertical, quadrados ou retangulares) e formato do fundo (plano, cônico ou abaulado). Para o tanque cilíndrico vertical com fundo arredondado o fluxo é mais fácil, pois a potência consumida no processo tende a ser reduzida. Ocorrendo também a redução na formação das zonas mortas no fundo do tanque imediatamente abaixo do impelidor e na intersecção entre o fundo e a parede do tanque. Defletores ou dificultadores que são utilizados para evitar a formação de vórtices que geralmente ocorrem em líquidos de baixa viscosidade com agitação central. Esse fenômeno é gerado pela ação da força centrífuga que age no líquido em rotação causada pela componente tangencial da velocidade do fluído. Os defletores agem interceptando a componente tangencial do fluxo sem interferir no fluxo axial e radial. Existem alguns tipos de montagens desses aparelhos onde pode variar o tipo (integral, parcial, interno ou externo de superfície, anel flutuante entre outros), o tamanho, a quantidade e o espaçamento entre eles. Porém, a 13 maneira mais convencional de eliminar a componente tangencial do fluxo é utilizar quatro defletores, do tipo integral, ao longo de toda parede do tanque, espaçados de 90º (LIMA, 2005). Os agitadores mecânicos de grande porte são utilizados para agitar líquidos móveis, onde agitadores menores apresentam maior dispersão (FARIA, 2009). Os agitadores têm grande importância, pois está presente em várias indústrias, no ciclo produtivo de muitos produtos, origem de reações químicas desejadas e influenciam a qualidade do produto (FARIA, 2009). Alguns exemplos da aplicação de agitadores em várias indústrias são: as estações de tratamento de águas residuais e o tratamento de esgotos ou de águas residuais produzidas pela população; indústria agroquímica; indústria de produção de pigmentos de tintas; indústria alimentar; indústria farmacêutica; indústria de fermentação e cultura de células; entre outros (FARIA, 2009). A fácil adaptação do processo de mistura as condições físicas é uma das principais vantagens dos equipamentos de agitação. Pois os diferentes tipos de agitadores permitem a sua utilização em diversos processos industriais; os agitadores podem ser utilizados em uma vasta gama de velocidades, depende apenas da necessidade do processo; podem ser combinados rotores de agitação com outros acessórios refletores ou serpentinas de aquecimento ou arrefecimento; possibilitam várias disposições físicas como, por exemplo: entrada do veio pelo topo do tanque, lateral ou por baixo, veio descentrado relativamente ao eixo de um tanque cilíndrico, sistemas de agitação a tanque aberto, agitação a tanque fechado, entre outras (FARIA, 2009). Para a escolha de um agitador existem vários pontos relevantes que influenciam em todo processo de agitação. Os pontos mais importantes para a seleção são os seguintes: especificidade da aplicação; gama de temperatura e outras condições ambientais; detalhes de ventilação; proteção contra explosão; tipo de redutor e posição de montagem; potência do motor, momento e forças; o fator de serviço; características geométricas do veio de saída do redutor e de 14 ligação ao veio do agitador; gama de velocidades de rotação dos veios; solução construtiva do agitador (FARIA, 2009). 2.2.5 RESFRIAMENTO Fluido refrigerante é o fluido que absorve calor de uma substância do ambiente a ser resfriado. Porém não existe um fluido refrigerante que reúna todas as propriedades desejáveis. Um fluido refrigerante para ser considerado bom tem que possuir um maior número possível de boas características para uma determinada finalidade (FERRAZ, 2008). As principais propriedades de um bom fluido refrigerante são: condensar-se a pressões moderadas; evaporar-se a pressões acima da atmosférica; ter pequeno volume específico (menor trabalho do compressor); ter elevado calor latente de vaporização; ser quimicamente estável (não se altera apesar de suas repetidas mudanças de estado no circuito de refrigeração); não ser corrosivo; não ser inflamável; não ser tóxico; ser inodoro; deve permitir fácil localização de vazamentos; ter miscibilidade com óleo lubrificante e não deve atacá-lo ou ter qualquer efeito indesejável sobre os outros materiais da unidade; em caso de vazamentos, não deve atacar ou deteriorar os alimentos, não deve contribuir para o aquecimento global e não deve atacar a camada de ozônio (FERRAZ, 2008). Um dos equipamentos utilizados para o processo de resfriamento na produção de bebida está descrito na Figura 2. 15 Figura 2 Fluxograma de um chiller. Fonte: Gabesol (2011). Um chiller de água é uma máquina que tem como função arrefecer água ou outro líquido em diferentes tipos de aplicações, através de um ciclo termodinâmico. Os dois principais tipos de chiller são: chiller de compressão ou elétrico e chiller de absorção (CEETA, 2001). O chiller de compressão utiliza um compressor mecânico, geralmente acionado por um motor elétrico, com o objetivo de aumentar a pressão em determinada fase do ciclo termodinâmico do sistema. A maior desvantagem é o elevado consumo energético (CEETA, 2001). O funcionamento do chiller de absorção é diferenciado do chiller de compressão pelo fato do primeiro ter como princípio um “compressor termoquímico”. O chiller de absorção permite água gelada a partir de uma fonte de calor, utilizando uma solução de um sal num processo termoquímico de absorção. Esse tipo de chiller subdivide-se em dois tipos: chiller de absorção de queima direta, neste sistema o calor necessário ao produto é obtido queimando diretamente um combustível, geralmente gás natural. Chiller de absorção de queima indireta: neste sistema o calor necessário é fornecido na forma de vapor de baixa pressão, água quente ou de um processo de purga quente (CEETA, 2001). 16 2.2.6 CARBONATAÇÃO O gás carbônico utilizado no processo de carbonatação deve possuir alta pureza. Este é um óxido ácido que reage com a água formando H 2CO3. O gás carbônico proporciona uma pequena diminuição no pH da água, funciona como preservativo inibindo o crescimento de micro-organismos aeróbios, proporciona vida a bebida e realça o sabor (BARNABÉ, 2003). O gás carbônico é que confere a bebida as características de gasoso, picante e realçador de sabor. Em bebidas carbonatadas o dióxido de carbono é armazenado na forma de ácido carbônico (H 2CO3) e dióxido de carbono dissolvido (BARNABÉ, 2003). O nível de efervescência é o parâmetro mais importante das bebidas carbonatadas. A quantidade de CO2 confere a sua espuma características que complementa o sabor da bebida. Uma variação na quantidade de CO 2 afeta diretamente o sabor e aroma da bebida (SIQUEIRA, 2009). O CO2, como todo gás, apresenta solubilidade em água como função inversa a temperatura. Quanto mais baixa a temperatura, desde que esteja acima de 0ºC, maior será a solubilidade do gás na água (BARNABÉ, 2003). O uso de água resfriada para a solubilização do gás carbônico facilita um melhor controle de carbonatação, reduz as perdas durante o envase, menor desgaste do equipamento e economia de CO2. Porém, para facilitar esse processo a água deve ser desaerada para facilitar o processo de carbonatação e diminuir problemas de espuma durante o envase (BARNABÉ, 2003). Existem dois métodos de carbonatação: em um deles o xarope composto é dosado no frasco, seguido da adição de água previamente carbonatada até completar o volume e, então, a garrafa é lacrada (BARNABÉ, 2003). No outro método, o xarope composto é misturado com a água em um proporcionador, onde este dosa automaticamente a quantidade de água e xarope composto na mistura. Em seguida, é realizada a carbonatação na mistura final através de um equipamento conhecido como carbocooler. Em seguida, o produto é envasado (SANTOS, 2005). 17 É importante considerar que após a carbonatação o nível de CO 2 seja mantido no padrão estabelecido em função do tipo de bebida e do grau de aceitação por parte do consumidor (SANTOS, 2005). Bebidas carbonatadas após o envase estão numa condição de equilíbrio, onde o gás no espaço da cabeça fornece a pressão de equilíbrio necessária para manter o restante do gás em solução. A pressão de equilíbrio varia de acordo com a quantidade de CO2 na solução e da temperatura do líquido (BARNABÉ, 2003). Pequenas imperfeições nas paredes de latas e garrafas PET, combinadas com partículas disformes e ásperas, são a causa para o CO2 ser liberado durante o processo de envase (BARNABÉ, 2003). Para ter um controle do produto, alguns aspectos determinam a qualidade da carbonatação como: pressão de CO2 no carbonatador, temperatura de carbonatação, manutenção de temperatura, tempo de contato e área de interface entre o líquido e o CO2, afinidade do líquido para o CO2 (afinidade diminui conforme o conteúdo de açúcar aumenta), ausência de xarope, qualidade de água e material da embalagem e fechamento da mesma. Onde na embalagem tem que ser levado em consideração o desempenho físico-mecânico (SIQUEIRA, 2009; BARNABÉ, 2003). 2.2.7 ENVASE O envase da bebida energética deve ser realizado logo após a carbonatação, para evitar perdas de CO2. Onde o envase consiste em acondicionar a bebida em recipiente adequado (SANTOS, 2005; BARNABÉ, 2003). A bebida deve ser envasada em temperaturas baixas (3 a 12 ºC) e sob pressão para assegurar o padrão de CO2 no produto. Após o enchimento a garrafa é imediatamente lacrada e codificada com data de validade, hora e lote (LIMA, 2009). A fabricação da bebida energética passa por todas essas etapas, onde o cuidado com a qualidade é essencial. Pois é importante assegurar que o produto esteja dentro de suas especificações (MELO, 2004). 18 2.3 CONTROLE DA QUALIDADE 2.3.1 ÁGUA Para avaliar a qualidade da água é necessário considerar suas principais características: físicas, químicas e biológicas. Essas características são consideradas parâmetros para o controle de qualidade da água, pois são expressas por meios de concentrações ou outros valores numéricos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006; CELESTINO, 2009). 2.3.1.1 pH O potencial hidrogeniônico expressa o grau de acidez, neutralidade e alcalinidade do meio líquido. O pH mede a concentração de íons de hidrogênio, onde este é importante em cada fase do tratamento de água, coagulação, filtração, desinfecção e no controle de corrosão. O pH é calculado em uma escala antilogarítmica abrangendo a fase de 0 a 14 (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006; SANTOS, 2007). Para águas de abastecimento o faixa de pH é estabelecido pela Portaria nº 1469/2000 entre 6,5 e 9,5. Esse parâmetro tem como objetivo minimizar os problemas de incrustação e corrosão das redes de distribuição (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006). O pH pode ser determinado de duas maneiras: por adição de um indicador de pH ou na solução em análise usando um medidor de pH acoplado a um eletrodo de pH (SANTOS, 2007). 2.3.1.2 Sulfatos, Cloretos e Sólidos Totais Os sólidos totais dissolvidos são caracterizados pelos sais dissolvidos como cloretos, sulfatos e bicarbonatos. Essas substâncias conferem um sabor salina a água, onde teores elevados de cloretos podem interferir na coagulação de algumas substâncias presentes na água (SANTOS, 2007). O teor máximo de sulfato e cloreto aceitável para água de consumo humano é de 250 mg/L. Após a passagem da água por filtros de carvão esses 19 sais tem seus teores reduzidos a aproximadamente 90%. E em relação aos sólidos totais dissolvidos o teor deles são reduzidos em 95% após a água passar pelos filtros de carvão. Concluindo que os sulfatos e cloretos não conferem nenhum sabor salino a água e que o baixo teor de sólidos totais mantém a qualidade da água para a produção de bebidas carbonatadas (CELESTINO, 2009). 2.3.1.3 Alcalinidade A alcalinidade indica a quantidade de íons na água que reagem para neutralizar os íons hidrogênio. Os principais constituintes da alcalinidade são os bicarbonatos, carbonatos e hidróxidos. Onde a alcalinidade influencia diretamente no processo de coagulação química no tratamento de água. Sendo que os principais coagulantes utilizados são sulfato de alumínio e cloreto férrico (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006, SANTOS, 2007). A redução da alcalinidade após o processo de filtração impede a neutralização da acidez da bebida, no qual essa alteração mudaria seu aroma e reduziria sua capacidade de conservação (CELESTINO, 2009). 2.3.1.4 Turbidez A turbidez pode ser definida como uma medida do grau de interferência a passagem da luz através do líquido. Essa interferência é causada por partículas que apresentam tamanhos variados (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006; SANTOS, 2007). A água adequada ao consumo humano deve apresentar uma turbidez menor que 5 UT. A passagem da água por filtros de carvão reduz a turbidez em 98%. Valores mínimos para o parâmetro turbidez é uma boa indicação de que os microorganismos e partículas suspensas foram removidos (CELESTINO, 2009). 20 2.3.1.5 Dureza A dureza indica a concentração de cátions na água onde os mais freqüentes são o cálcio (Ca2+) e magnésio (Mg2+) e em menor proporção ferro (Fe2+), manganês (Mn2+), estrôncio (Sr2+) e alumínio (Al3+) (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006; SANTOS, 2007). O valor máximo de dureza referente a água para consumo humano é de 500 mg/L. Porém após o processo de filtração esse parâmetro passa a possuir valor igual a zero. A dureza provoca a formação de incrustações e em relação a bebidas causa a formação de precipitados (CELESTINO, 2009). 2.3.1.6 Ferro e Manganês Os elementos ferro e manganês podem ter seus efeitos sob a qualidade da água estudados juntos por possuírem comportamento químico semelhante. A presença do ferro juntamente com o manganês na água confere a esta um sabor amargo adstringente e coloração amarelada e turva (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006; SANTOS, 2007). A concentração de ferro para padrões de potabilidade deve possuir um valor máximo de 0,3 mg/L. E o manganês concentrações inferiores a 0,1 mg/L. Onde estes são prejudiciais a produção de bebidas gaseificadas. Por esse motivo que é realizado o processo de filtração utilizando carvão ativo (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006; CELESTINO, 2009). 2.3.1.7 Cloro No tratamento de água realizado em indústrias de bebidas ocorre uma supercloração, sendo que a concentração sobe de 0,5 mg/L para 6-8 mg/L. Porém a água utilizada para a produção de bebidas carbonatadas não pode conter cloro, onde este é retirado por um processo de filtração por carvão ativo (CELESTINO, 2009). 21 2.3.1.8 Cor A coloração da água é produzida pela reflexão da luz em partículas minúsculas de dimensões inferiores a 1µm finamente dispersas de origem orgânica ou mineral. A determinação da intensidade da cor é realizada comparando a amostra com um padrão de cobalto-platina. O resultado desse teste é fornecido em unidades de cor, também chamadas uH (unidade Hazen). A cor da água está em torno de 2 uH. Onde após a filtração essa coloração deve possuir coloração de 0 uH (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006; CELESTINO, 2009). 2.3.1.9 Odor e Gosto O conceito de sabor envolve uma interação de gosto (salgado, doce, azedo e amargo) com o odor. A avaliação desse parâmetro torna-se difícil por serem sensações subjetivas, causadas por: impurezas dissolvidas, frequentemente de natureza orgânica, resíduos industriais, gases dissolvidos e outros. Para consumo humano e usos mais nobres o padrão de potabilidade da água deve ser completamente inodoro (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006; SANTOS, 2007). 2.3.1.10 Análises Microbiológicas As análises microbiológicas devem possuir um resultado satisfatório, pois a supercloração tem o objetivo de minimizar a ocorrência de microorganismos na água. Onde nessas análises tem que ser comprovado a ausência de bactérias e coliformes totais (CELESTINO, 2009). 2.3.2 Análises Físico-químicas em Bebidas Energéticas Brix pode ser definido como a porcentagem em peso de sacarose pura em solução aquosa. Determina-se o brix da bebida preparando uma bebida de acordo com a proporção de xarope acabado e água tratada, sendo que geralmente utiliza-se uma parte de xarope e cinco partes de água. Essa 22 análise tem como objetivo simular o brix com o qual as bebidas deverão ser envasadas (PASSOS, 2007). O brix é determinado por dois métodos utilizando refratômetro e sacarímetro. Portanto, se a leitura da bebida for maior que o padrão isso significa que recebeu xarope a mais e se a leitura for menor que o padrão significa que passou mais água. O brix padrão é feito após cada elaboração de xarope composto, antes do engarrafamento da bebida. Isso para que o brix da linha esteja dentro do padrão da bebida (PASSOS, 2007). O pH indica se um meio qualquer está alcalino, ácido ou neutro. Cuja determinação é realizada eletrometricamente com a utilização de um potenciômetro e eletrodos. A acidez total é determinada por análise titulométrica. A acidez é resultante de ácidos orgânicos existentes nos alimentos, dos adicionados na formulação e também dos provenientes de alterações químicas da bebida. Onde a acidez do constituinte desejado (bebida energética) é determinada medindo a sua capacidade de reagir com um reagente adequado na forma de solução que possui uma concentração conhecida, chamada solução padrão. O pH e a acidez são determinados para avaliar a qualidade dos alimentos. São importantes, pois indica a ocorrência de deterioração do alimento com crescimento de micro-organismos, retenção de sabor e odor do produto, escolha de embalagem e estado de conservação dos alimentos (SOUZA, 2010). Para a determinação de dióxido de carbono em bebidas gaseificadas o método aplicado baseia-se na medida da pressão gasosa versus a temperatura (LUTZ, 2008). Obtendo assim, o nível de efervescência, sendo provavelmente a propriedade mais importante das bebidas carbonatadas. Sendo que a variação no volume de dióxido de carbono afeta diretamente no aroma e sabor da bebida. O nível de carbonatação varia de produto a produto e o nível de efervescência ótima depende de cada sabor da bebida. É importante que após o envase a carbonatação seja mantida no padrão estabelecido em função do tipo de bebida e do grau de aceitação por parte do consumidor (SIQUEIRA, 2009). 23 O nível de sólidos solúveis (°Brix), acidez e volume de dióxido de são os parâmetros mais importantes na percepção do sabor, impressão sensorial deixada na boca e qualidade do produto acabado (BARNABÉ, 2003). 24 3 MATERIAIS E MÉTODOS Este trabalho foi desenvolvido na empresa Sol Indústria e Comércio de Bebidas LTDA, localizada na cidade de Senador Canedo – GO. A empresa foi fundada em outubro de 2003, atuando no segmento de bebidas não alcoólicas e refrescos em pó. Em agosto de 2010, devido a mudanças de proprietário e diretoria, a empresa passou a produzir apenas bebida energética. Este trabalho teve foco nos principais parâmetros do controle de qualidade na produção da bebida energética. A amostra da água bruta foi coletada no início da produção para verificar se a água está clorada. As análises microbiológicas e os demais parâmetros dessa água, tendo como fonte dois poços artesianos, foram realizados por uma empresa terceirizada. Foram retiradas quatro amostras da linha de envase durante três horas para realizar a análise de volume de CO2 e para a análise de °Brix foram retiradas outras amostras de meia em meia hora. E para a análise de acidez foi coletada uma amostra de xarope composto após a preparação de cada tachada (batelada). 3.1 MATERIAIS Manômetro Termômetro Ultrassom Tabela de pressão versus temperatura Jarra Refratômetro Béquer pHmêtro Proveta com tampa Bureta Suporte universal com garras Kit de teste de cloro para piscina 25 3.2 MÉTODOS 3.2.1 CONTROLE DE QUALIDADE NA ANÁLISE DE CLORO NA ÁGUA BRUTA A análise de cloro da água bruta foi realizada diariamente, considerando que a água bruta é a água antes de passar pelo filtro de carvão ativado. Coletando-se uma amostra de água antes da filtração que utiliza filtro de carvão ativado. Após ambienta-se o kit com a água e, em seguida, colocase a água e adiciona o indicador de cloro (solução de ortoluidina). Então compara-se a coloração da água com a escala do kit, obtendo a quantidade de cloro em ppm. 3.2.2 Controle de Qualidade na Análise do Volume de CO2 Presente na Garrafa Para realizar a análise de volume de CO2 presente na bebida energética, pegaram-se duas garrafas da linha. Utilizou-se uma garrafa para medir a temperatura com o auxílio de um termômetro. E a outra garrafa retirouse a tampa, colocou-se um manômetro, e esta foi colocada em um banho de ultrasom por 1 minuto. Durante este procedimento foi necessário observar se não houve vazamento de CO2. Passado o tempo realizou-se a leitura do manômetro e do termômetro. Pois através desses valores, localizou-se na tabela de pressão versus temperatura a quantidade (volume) de CO2 contido na garrafa. Este procedimento foi realizado com garrafas após o processo de envase. Também foi realizado com amostras que foram recolhidas da linha, na qual estas foram deixadas a temperatura ambiente por 24 horas, sem estar expostas ao sol. E após esse período essas amostras foram colocadas em uma câmara fria para o resfriamento e após 24 horas realizou-se a medição de CO2. 26 3.2.3 CONTROLE DE QUALIDADE NA ANÁLISE DA CONCENTRAÇÃO DE SÓLIDOS SOLÚVEIS (ºBRIX) A mesma garrafa que foi utilizada para a análise de CO2, utilizou-se também para análise de sólidos solúveis. Para esta análise foi necessário descarbonatar a bebida. Isto foi realizado com auxílio de duas jarras que, primeiramente, foram ambientadas com a bebida e, então, o conteúdo foi transferido de uma para outra, por 60 vezes. Até observar que o CO2 foi retirado. A leitura de sólidos solúveis foi realizada através de um refratômetro. Onde primeiramente o aparelho foi zerado com água destilada e, em seguida, foi ambientado com a bebida descarbonatada. Após coloca-se a quantidade necessária para a leitura. O aparelho fornece o valor do °Brix já com a compensação da temperatura. Considera-se o valor do °Brix quando a temperatura estabiliza-se, para isso a temperatura deve manter-se por pelo menos quatro vezes após a leitura. 3.2.4 CONTROLE DE QUALIDADE NA ANÁLISE DE ACIDEZ E PH A análise de acidez foi realizada em cada tanque de preparação, para liberação do xarope composto. Ela consiste em transferir 50 mL (com auxílio de uma pipeta volumétrica) da amostra do xarope composto diluído em água (1+4) para um béquer de 150 mL. Em seguida, coloca-se o béquer no pHmêtro, onde lê-se o pH da bebida (deve estar na faixa de 3,0 a 3,3) e sua temperatura (deve estar abaixo de 30ºC). Então com uma bureta de 50 mL (contendo solução de hidróxido de sódio a 0,1 N), acoplada ao pHmêtro, elevase o pH da bebida ao valor de 8,41. Quando este valor for alcançado, interrompe-se a titulação e lê-se na bureta a quantidade de solução de hidróxido de sódio gasto. Esse é o valor da acidez do produto, que deve estar na faixa de 44 a 46 g de ácido/mL de bebida. 27 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 CONTROLE DE QUALIDADE NA ANÁLISE DE CLORO NA ÁGUA BRUTA A quantidade de cloro na água bruta é influenciada diretamente pelo consumo de água para a produção da bebida energética. Sendo que esse cloro tem como finalidade a desinfecção da água. Mas essa água clorada não é utilizada diretamente para a fabricação da bebida. Antes a água clorada passa um filtro de carvão ativado para a descloração, pois a água para produção de bebidas energéticas não pode conter nenhuma quantidade de cloro. O cloro por ser muito reativo pode formar substâncias ofensivas a saúde. Na Figura 3 pode-se observar bem esse consumo de água. Figura 3 Consumo diário de água pela quantidade de cloro presente, em ppm. Pela Figura 3 oberva-se uma grande variação na quantidade de cloro encontrado na água bruta. O cloro vai diminuindo de acordo com que a água vai sendo utilizada, onde a medida que a caixa vai esvaziando mais água é bombeada. Ocorrendo assim uma diluição do cloro. Portanto, quando não é encontrada nenhuma quantidade de cloro é necessário dosar uma quantidade nova dentro do reservatório de água. No dia 1 a quantidade de cloro já estava pouco, então para não deixar que acabasse todo o cloro fez-se uma dosagem no mesmo dia. Sendo 28 que no dia 2 pode-se verificar que a quantidade aumentou consideravelmente. Na Figura 3 existe um decaimento da quantidade de cloro do dia 3 para o dia 5. Este decaimento foi provocado pelo grande consumo de água durante o processamento da bebida energética. O consumo de água é maior quando é processada a bebida de volume maior, 2L. Logo, nesses três dias a demanda de água foi maior, sendo necessário um maior bombeamento de água para o reservatório. Para o processamento da bebida energética no tamanho de 2L é consumido um maior volume de água pois, são preparadas mais tachadas de xarope composto, que utiliza água desclorada na sua formulação. Além da utilização da água para a diluição do xarope composto, obtendo assim, a bebida energética. As outras pequenas variações da quantidade de cloro é devido a produçao de outros tamanhos da bebida, 1L e 500 mL. Na produção de 500 mL é o que menos consome água, como pode ser observado nos dias 6, 7 e 8. E para o envase no tamanho de 1L nos dias 9 e 10. Podendo ser obervado que para 500 mL foram necessários três dias para que o quantidade de cloro diminuísse consideravelmente. E para envasar 1L bastou 2 dias para diminuir essa quantidade. Para o produção da bebida energética é usada a água sem cloro, por isso a utilização do filtro de carvão ativo. A verificação do cloro na água usada para fabricação é uma maneira de certificar que os filtros de carvão estão em condições de uso. Pois, se for encontrado algum cloro na água utilizada para produção de bebida (água tratada) isso indica a saturação dos filtros. 4.2 CONTROLE DE QUALIDADE NA ANÁLISE DO VOLUME DE CO2 PRESENTE NA GARRAFA O comportamento do volume de CO2 presente nas garrafas, retiradas da linha e 48 horas depois, pode ser observado nas Figuras 4 e 5. 29 Figura 4 Variação do volume de CO2 retirado da linha em relação aos 20 bicos da enchedora Mesal para garrafas de 500 mL. Figura 5 Variação do volume de CO2 medido após 48 horas em relação aos 20 bicos da enchedora Mesal para garrafas de 500 mL. 30 Para realizar a construção das Figuras 4 e 5 o valor do volume de CO2 em cada hora foi utilizado amostras diferentes. Onde pegou-se quatro garrafas de cada bico para realizar a medição. Utilizando duas garrafas para medir na hora que retirou da linha e as outras duas foram armazenadas para posterior medição do gás. O tamanho da garrafa PET utilizado foi de 500 mL. Pela Figura 4 pode ser observado que o volume de CO2 medido nas garrafas retirados da linha possui uma maior quantidade de gás quando comparados com a Figura 5. Porém a temperatura das garrafas retiradas da linha é maior do que as garrafas que foram medidas após 48 horas. As garrafas retiradas da linha nos tempos inicial e 1 hora depois tiveram uma média de temperatura de 5,75 °C e 2 horas depois uma média de temperatura de 4,4 °C. Essa variação do volume de CO2 influenciado pela temperatura pode ser explicada pelo fato do gás ainda não ter sido incorporado completamente na bebida, ou seja, o CO2 ainda não se estabilizou dentro da garrafa. Ainda existe a influência da velocidade e frequência em que a máquina trabalha, por exemplo, no tempo de 2 horas existem três picos de baixo volume de CO 2. Esses três picos foram provocados por uma parada rápida da enchedora, comprometendo assim as amostras. Pois influenciou na temperatura da bebida e, consequentemente, no volume de CO2 incorporado na bebida. A temperatura da bebida aumenta quando a máquina para, ainda mais quando o tamanho é de 500 mL. Pois, o envase da bebida processada é mais lento, havendo assim um aumento na temperatura, quando comparado aos demais tamanhos de garrafa sendo eles de 1 L e 2 L. Já comparando os bicos da enchedora pode se afirmar que não existe nenhuma relação entre eles. Pois o volume de CO 2 encontrado nas garrafas retiradas do mesmo bico não possui nenhuma relação. Na Figura 5 é possível observar alguns pontos em comum de alguns bicos, porém a medição foi realizada após a estabilização do gás dentro da garrafa. E nesses bicos em comum, sendo em tempos diferentes, o volume de CO 2 medidos quando retiradas as amostras da linha são diferente. Fazendo com que a estabilização desse gás tivessem valores iguais, implicando que algumas garrafas perdessem mais CO2 que outras. Comprovando assim, que o volume de CO2 31 está relacionado apenas a temperatura. E que esta sofre algumas influências já citadas anteriormente. O volume de CO2 medido após 48 horas, Figura 5, possui uma média de temperatura menor. Tendo no tempo inicial uma média de 2,2 °C, no tempo de 1 hora 2,1 °C e no tempo de 2 horas 2,25 °C. Essa temperatura foi atingida, pois as garrafas foram armazenadas por 24 horas em uma câmara fria com baixa temperatura. Mas mesmo com a média de temperatura sendo baixa o volume de gás medido após as 48 horas foi menor. Esse decaimento do volume de CO2 é explicado pela estabilização do gás dentro da garrafa. A quantidade de dióxido de carbono encontrado na Figura 5 é resultado da estabilização dentro da garrafa, a pressão sobre o líquido faz com que o gás dissolva no líquido reagindo e formando ácido carbônico. Esse ácido é formado pela dissolução do CO2 em água sendo muito instável. A parte do dióxido de carbono que não dissolveu fica dispersa no espaço vazio da garrafa, fazendo pressão sobre o líquido e mantendo a estabilidade do ácido carbônico. Então ao abrir a garrafa esse CO2 extra é liberado e o alívio da pressão faz com que a leitura do volume de CO2, mesmo com temperatura mais baixas quando comparadas com as temperaturas da linha, seja menor. Na Figura 5 observa-se um pico muito baixo de volume de CO2 no tempo inicial, esse é um exemplo do que acontece quando a estabilização dentro da garrafa não ocorre. Comprovando assim, a instabilidade do ácido carbônico formado dentro da garrafa. Quando realiza o alívio da pressão para abrir a garrafa o gás sai quase que completamente. Também nota-se que o volume de CO2 que teve uma melhor estabilização foi no tempo de 2 horas. Pois, quando as garrafas foram retiradas da linha elas possuíam uma menor média da temperatura e consequentemente uma maior linearidade do volume de CO2. As garrafas PET possuem uma baixa permeabilidade de gases devido a interação molecular entre as cadeias poliméricas. Por isso, a perda de dióxido de carbono da bebida energética é pouca. Mas, a qualidade do PET utilizado também implica no decaimento do gás da bebida energética. Nesse caso a embalagem PET utilizada não influenciou no decaimento do gás, pois o intervalo de tempo para a nova medição do volume de CO2 foi pequeno (48 32 horas) e as condições as quais foram armazenadas as garrafas não foram em situações de extremidade. Elas foram colocadas em temperatura ambiente e em lugar arejado e depois colocadas para gelar. Onde as condições não são propícias para que ocorra troca de gases pelas paredes da embalagem, até mesmo porque a orientação das cadeias poliméricas evita essa troca. Como pode ser notado o volume de CO2 decai com a estabilização desse gás dentro da garrafa. Portanto, o volume de CO2 medido na linha será sempre maior que o volume de CO2 medido após certo tempo do envase. Então, para que não ocorra tanta diferença entre esses dois volumes é necessário que o padrão de volume de dióxido de carbono seja mantido durante todo o processamento. Para isso é fundamental que a temperatura esteja sempre baixa, portanto a certificação do funcionamento e manutenção do equipamento é de extrema importância. Com o resfriamento da bebida o consumo de CO2 é menor para realizar a carbonatação. E também garantir que a máquina enchedora esteja em boas condições de funcionamento, evitando assim grandes paradas. Onde essas paradas quaisquer tempo de seja interfere muito na temperatura. 4.3 CONTROLE DE QUALIDADE NA ANÁLISE DA CONCENTRAÇÃO DE SÓLIDOS SOLÚVEIS (ºBRIX) A concentração de sólidos solúveis na bebida final é influenciada pelo ºBrix do xarope composto. Portanto, ºBrix é a porcentagem em peso de sacarose pura em solução aquosa. Na Figura 6 encontra-se o comportamento de sólidos solúveis durante o processamento da bebida energética, utilizando todo um xarope composto de 52,5 °Brix. 33 Figura 6 Variação do °Brix da bebida energética em relação ao tempo de envase de uma tachada de xarope composto. Analisando a Figura 6, observa-se que quando o xarope composto começa a ser utilizado o valor de sólidos solúveis na bebida energética está alto. O padrão utilizado no controle de qualidade da empresa é de 12,3 – 12,5 °Brix. Esse aumento no valor de sólidos solúveis na bebida final foi provocado pela troca do xarope composto. Onde a batelada do xarope composto utilizada anteriormente estava com o °Brix menor. Portanto, a abertura da água que estava sendo utilizada fez com que rendesse xarope composto. Logo, o padrão foi estabelecido, regulando assim a abertura da água durante o processamento da bebida. O outro pico observado na Figura 6 está indicado pela utilização da metade do xarope. Então pode-se dizer que com o tempo de processamento a sacarose vai se concentrando mais no fundo do tanque de alimentação. Consequentemente o °Brix do xarope composto aumenta, pois não ocorre uma homogeneização constante do tanque de alimentação. Com o aumento da concentração de sacarose no xarope composto a concentração de sacarose na bebida final também se eleva. Desde que não altere a quantidade de água na mistura. Mas como ficou acima do padrão foi necessário aumentar a quantidade de água para diluir mais a concentração de sacarose durante o processamento. 34 O parâmetro mais utilizado de sólidos solúveis pela empresa é de 12,5 °Brix, pois possui uma melhor aceitação sensorial. Por esse motivo procura-se manter esse padrão na bebida final. Pela Figura 6 observa-se bem esse fato, onde o gráfico possui uma linearidade nesse valor de padrão. Essa concentração de sacarose na bebida energética é regulada pela abertura de água durante o processamento da bebida de acordo com a concentração de sacarose do xarope composto. Ainda pode ocorrer, não foi nesse caso, que no final da utilização do xarope composto o °Brix da bebida energética diminua. Mesmo mantendo a mistura de uma parte de xarope e quatro partes de água tratada. A concentração de sacarose no xarope composto e na bebida final também pode ser influenciada pela inversão da sacarose, ou seja, a sacarose é quebrada em glicose e frutose. Essa inversão pode ser provocada pelo longo tempo de estocagem do xarope composto quando este é submetido a temperaturas mais elevadas e um meio muito ácido. O xarope composto é ácido devido aos ingredientes de sua formulação, com isso a bebida energética também será ácida. Além dos ingredientes de sua formulação também existe o fato da carbonatação, que também contribui para acidificar a bebida energética. Portanto, a bebida energética pode ter o seu °Brix aumentado pela inversão de sacarose após algum tempo de envasada. 4.4 CONTROLE DE QUALIDADE NA ANÁLISE DE ACIDEZ E PH A acidez está diretamente ligada ao potencial hidrogeniônico (pH), pois é através do pH que se obtém a acidez titulável da bebida energética. A acidez obtida pelo método de titulação volumétrica potenciométrica pode ser observada na Figura 7. As tachadas indicam os tanques que foram preparados de xarope composto. E observa-se que o padrão da qualidade do xarope composto está entre 44,0 – 46,0. Através da Figura 6 nota-se que apenas uma tachada deu abaixo do padrão. E as outras tachadas não mantiveram nenhuma relação. O padrão de acidez é mantido nas bebidas energéticas, pois esta sendo uma bebida não alcóolica carbonatada ela é susceptível a 35 contaminações microbiológicas. É considerada um fácil alvo de contaminações microbiológicas porque possui uma concentração considerável de açúcar, favorecendo assim, o crescimento microbiológico. Porém, a acidez da bebida energética é elevada para evitar qualquer ação microbiológica e também a carbonatação ajuda nesse processo de descontaminação. O CO2 presente na bebida elimina todo o oxigênio do processamento e, assim, elimina um possível crescimento de microrganismos patogênicos. Figura 7 Acidez do xarope composto em relação as tachadas de fabricação. A acidez depende muito da concentração do xarope composto. Portanto, a acidez da tachada 275 que apresentou-se abaixo do padrão mínimo é devido ao baixo °Brix do xarope composto. Essa baixa concentração foi provocada pelo excesso de adição de água durante o preparo da tachada, provocando assim uma diluição do xarope composto. Também existe um fator de erro na formulação, que é a pesagem do ácido utilizado na formulação, pois a balança não é de precisão. Interferindo assim na acidez na bebida final. Os outros pontos que mantiveram a acidez dentro do padrão, mesmo não mantendo nenhuma correlação, também são influenciados pelo preparo do xarope composto. Onde não mantiveram o mesmo padrão de °Brix do xarope composto, oscilando assim na acidez da bebida energética. Essa diferença na concentração de sólidos solúveis do xarope composto foi ocasionada pela mudança na formulação do xarope simples. Onde o xarope 36 simples, diluição do açúcar em água, estão sendo realizados ajustes na quantidade de açúcar a ser diluído. Interferindo assim na formulação da bebida energética. A acidez realizada nas tachadas é uma simulação do que deveria sair na linha de envase. Porém, o °Brix da simulação pode não ser o mesmo usado na linha de envase, onde essa variação da linha de envase pode ser pra mais ou pra menos. Consequentemente a acidez real da bebida energética pode variar. Mas não interfere na qualidade e na vida de prateleira do produto acabado. Sendo que essa variação no °Brix da bebida energética envasada é pequena quando comparada com a simulação para realizar a acidez. Pois durante o processamento o °Brix é regulado para estar de acordo com o padrão. Portanto, a acidez é um importante parâmetro no controle de qualidade em uma bebida energética. Indicando se a bebida possui uma boa qualidade ou não durante todas as etapas do processamento. 37 5 CONCLUSÃO Os principais parâmetros no controle de qualidade na fabricação de bebida energética atestam a qualidade do produto. Os parâmetros devem ser seguidos para assegurar as características sensoriais da bebida, principalmente, os parâmetros de volume de CO2 e °Brix. Através dos resultados obtidos pode-se observar a importância da qualidade da água como matéria-prima e a importância de cada parâmetro. O volume de CO2 nas três medições, das amostras analisadas quando retiradas da linha e após 48 horas, tiveram uma variação considerável no volume de gás sendo influenciado pela temperatura, pela pressão do gás dentro da garrafa e por pequenas paradas da enchedora. O °Brix de uma tachada altera devido ao tempo de envase e ao aumento da concentração de sacarose no xarope composto. A acidez da bebida energética é elevada para garantir que não ocorra uma contaminação microbiológica, assim como a carbonatação ajuda nessa questão. Pois sendo uma bebida não alcoólica e de alto teor de açúcar esta seria de fácil crescimento microbiológica. A avaliação desses parâmetros indica realmente a qualidade durante a fabricação e envase da bebida energética. Atingindo assim o objetivo do trabalho, atestando a importância de realizar essas análises sistematicamente durante a produção, e procedendo aos registros necessários para cumprir as normas da empresa e fiscalização dos órgãos competentes. 38 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGNOL, T. D. Conheça cientificamente uma bebida energética. fev/2006. Disponível em:< http://www.webrun.com.br/home/n/conheca-cientificamenteuma-bebida-energetica/4797/secao/nutricao?pag=4>. Acesso em: 26/03/2012. AMBEV, T. Consumo de bebidas energéticas no Brasil salta 325%, 2011. Disponível em: < http://www.traineeambev.com.br/ambev2011 /2011/03/14/consumo-de-bebidas-energeticas-no-brasil-salta-325/ >. Acesso em: 17/03/2012. ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 273 de 22 de setembro de 2005. Dispõe sobre regulamento técnico para misturas para o preparo de alimentos e alimentos prontos para o consumo. 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