FACULDADE SAGRADA FAMÍLIA CURSO: BACHARELADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS ANOTAÇÕES DE AULA- PARTE III DISCIPLINA: CONTABILIDADE E ANÁLISE DE CUSTOS II 5º PERIODO- 2014_1 PROF. JOCIMAR D. PRADO, MS E MAIL: [email protected] 2 1 CONTABILIZAÇÃO DA PRODUÇÃO EM EMPRESAS QUE PRODUZEM POR PROCESSO (PRODUÇÃO CONTÍNUA) (6 H/A) Exemplo: Uma empresa industrial iniciou suas atividades no mês de janeiro de 2014 produzindo um único produto. No mês a empresa aplicou R$38.000,00 de materiais diretos, R$12.000,00 de mão de obra direta e incorreu em R$8.000,00 de custos indiretos de fabricação. A empresa produziu 5800 unidades totalmente acabadas. Qual foi o valor do custo unitário dos produtos? Resposta:______________________ No mês de fevereiro a empresa vendeu toda a produção do mês janeiro e iniciou uma nova produção. No mês foi aplicado R$52.000,00 de materiais diretos, R$16.000,00 de mão de obra direta e incorreu em R$10.000,00 de custos indiretos de fabricação. A empresa produziu 5800 unidades totalmente acabadas e haviam 1.200 unidades meio terminadas (50% do processo). Descrição Unidades totalmente acabadas Unidades em elaboração Total............................................................. Quantidades Nível de acabamento Equivalentes de produção Custo unitário do período:____________________ Qual o valor do estoque de produtos acabados? _______________________ Qual o valor do estoque de produtos em elaboração? ____________________ No mês de março a empresa não vendeu nenhuma unidade mas aplicou R$65.000,00 de materiais diretos, R$15.000,00 de mão de obra direta e R$10.000,00 como CIFs no processo produtivo. No período a empresa terminou as unidades que estavam em elaboração referentes a fevereiro e terminou mais 8000 unidades que foram iniciadas em março, mas restaram 2000 unidades inacabadas ao nível de 70% da produção. Descrição Quantidades Nível de acabamento Equivalentes de produção Unidades acabadas referentes ao mês anterior Unidades em elaboração do mês atual Unidades totalmente acabadas do mês atual Total............................................................. Custo unitário do período:____________________ Qual o valor do estoque de produtos acabados? _______________________________________________ Qual o valor do estoque de produtos em elaboração? ____________________ No mês de abril, a empresa vendeu todo seu estoque de produtos acabados e aplicou R$67.000,00 de materiais diretos, R$13.000,00 de mão de obra direta e R$11.000,00 como CIFs. Durante o mês a empresa terminou as unidades inacabadas do mês de março, terminou totalmente mais 7000 unidades que foram iniciadas no mês e restaram 3000 unidades inacabadas ao nível de 30% do processo produtivo. Descrição Quantidades Nível de acabamento Equivalentes de produção Unidades acabadas referentes ao mês anterior Unidades em elaboração do mês atual Unidades totalmente acabadas do mês atual Total............................................................. Custo unitário do período:____________________ Qual o valor do estoque de produtos acabados? _______________________________________________ Qual o valor do estoque de produtos em elaboração? ____________________ 3 Exercícios de fixação 1- EXERCÍCIO 23 (2) Questão 19 (CFC 2011_2) Uma determinada empresa iniciou suas atividades no mês de agosto fabricando mesas escolares. Nesse mês, foram acabadas 700 unidades e 75 ficaram na produção em andamento com acabamento médio de 36%. Custos: Matéria-prima R$124.000,00 Mão de Obra Direta R$50.000,00 Custos Indiretos R$36.700,00 A matéria-prima é totalmente requisitada do almoxarifado antes de se iniciar a produção. Os custos da produção acabada e da produção em andamento são, respectivamente, de: a) R$105.350,00 e R$105.350,00. b) R$190.309,68 e R$20.390,32. c) R$195.480,06 e R$15.219,94. d) R$202.874,83 e R$7.825,17. 2- A empresa Alfa Ltda. no mês de janeiro de 2014 iniciou suas atividades. A administração deu início à produção de 20.000 unidades de seu produto. No final do mês, o departamento de produção verificou que nem todas as unidades estavam prontas e elaborou o seguinte relatório para a administração: Unidades iniciadas no mês Unidades 100% concluídas no mês Unidades em elaboração Total de custos incorridos 20.000 6.000 14.000 75.000,00 Segundo informações da engenharia de produção, os produtos inacabados estavam 30% prontos. Qual o custo unitário a ser apurado utilizando-se as unidades equivalentes de produção no mês de janeiro/2014? Descrição Quantidades Nível de acabamento Equivalentes de produção Unidades acabadas referentes ao mês anterior Unidades em elaboração do mês atual Unidades totalmente acabadas do mês atual Total............................................................. Custo unitário do período:____________________ Qual o valor do estoque de produtos acabados? _______________________________________________ Qual o valor do estoque de produtos em elaboração? ____________________ 2- No mês de fevereiro/2014, a empresa deu início a mais 75.000 unidades. Também foram acabadas as unidades que estavam em produção do mês de janeiro/2014. Ao final do mês, a produção apresentou os seguintes números: 4 Unidades iniciadas no mês 75.000 Unidades iniciadas e acabadas no mês 60.000 Unidades iniciadas no mês e ainda em elaboração 15.000 Unidades terminadas referentes ao mês passado 14.000 Total de custos incorridos 117.000,00 Os produtos em elaboração estavam 75% prontos. Qual o custo unitário a ser apurado utilizando-se as unidades equivalentes de produção no mês? Descrição Quantidades Nível de acabamento Equivalentes de produção Unidades acabadas referentes ao mês anterior Unidades em elaboração do mês atual Unidades totalmente acabadas do mês atual Total............................................................. Custo unitário do período:____________________ Qual o valor do estoque de produtos acabados? _______________________________________________ Qual o valor do estoque de produtos em elaboração? ____________________ 3- No mês de março de 2014, a empresa deu início a mais 50.000 unidades. Foram terminadas as unidades em elaboração do mês anterior. O relatório da produção apresentou os seguintes números: Unidades iniciadas no mês 50.000 Unidades iniciadas e acabadas no mês 18.000 Unidades iniciadas no mês e ainda em elaboração 32.000 Unidades terminadas referentes ao mês passado 15.000 Total de custos incorridos 90.000,00 Os produtos em elaboração estavam 80% prontos. Qual o custo unitário a ser apurado utilizando-se as unidades equivalentes de produção no mês? Descrição Quantidades Nível de acabamento Equivalentes de produção Unidades acabadas referentes ao mês anterior Unidades em elaboração do mês atual Unidades totalmente acabadas do mês atual Total............................................................. Custo unitário do período:____________________ Qual o valor do estoque de produtos acabados? _______________________________________________ Qual o valor do estoque de produtos em elaboração? ____________________ 4- No mês de abril de 2014, a empresa deu início a mais 135.000 unidades. Foram terminadas as unidades em elaboração do mês anterior. O relatório da produção apresentou os seguintes números: Unidades iniciadas no mês Unidades iniciadas e acabadas no mês Unidades iniciadas no mês e ainda em elaboração Unidades terminadas referentes ao mês passado Total de custos incorridos Os produtos em elaboração estavam 60% prontos 135.000 20.000 115.000 32.000 175.000,00 5 Descrição Quantidades Nível de acabamento Equivalentes de produção Unidades acabadas referentes ao mês anterior Unidades em elaboração do mês atual Unidades totalmente acabadas do mês atual Total............................................................. Custo unitário do período:____________________ Qual o valor do estoque de produtos acabados? _______________________________________________ Qual o valor do estoque de produtos em elaboração? ____________________ 2 PRODUÇÃO CONJUNTA: COPRODUTOS – SUBPRODUTOS E SUCATAS (4 H/A) 2.1 DISTINÇÃO ENTRE COPRODUTOS, SUBPRODUTOS E SUCATAS Em alguns processos industriais podem surgir diversos produtos a partir de uma mesma matéria prima, por exemplo: Do petróleo pode surgir a gasolina, o querosene, o asfalto Da soja pode surgir o óleo, o farelo A partir do gado pode surgir diferentes tipos de carnes e os ossos. Nesse caso têm-se os coprodutos e subprodutos Os coprodutos são os produtos principais de uma empresa, mas são assim chamados por nascerem de uma mesma matéria prima, são os que tem grande peso no faturamento da empresa. O subproduto surge no processo normal da empresa e em mercado consumidor certo, assim como o produto principal da empresa, mas tem pouquíssima relevância no faturamento global da empresa. Também pode-se ter as sucatas. Estas surgem no processo produtivo em condições normais ou não, mas não tem mercado comprador certo. Contabilmente, as sucatas não recebem nenhum custo justamente por não terem mercado comprado garantido. Quando são vendidas, a receita obtida é contabilizada diretamente no resultado da empresa em uma conta classificada como Rendas eventuais no grupo Outras receitas operacionais. Enquanto não forem vendidas permanecem fora da contabilidade. Já para os subprodutos o tratamento é diferente. Como têm mercado consumidor certo, à medida que são produzidas tem seu valor líquido de realização considerados como redução dos custos de elaboração dos produtos principais. Contabilmente é feito um débito em estoques e crédito nos custos de produção. Assim, os subprodutos são considerados como recuperação de custos dos produtos que realmente interessam para a empresa. Conforme ensina Martins (2010) existem outros tratamentos para os custos dos subprodutos, sendo tais tratamentos menos corretos do que o apresentado acima. São eles: 1- Considerar a recuperação do custo apenas quando ocorrer a venda do subproduto, tratando-o como as sucatas; 2- Atribuir custos aos subprodutos como se fossem produtos principais Segundo o autor, esses métodos devem ser abandonados. Deve-se atribuir custos apenas aos coprodutos, que são os produtos principais da empresa, originários de uma mesma matéria prima. 2.2 CUSTOS CONJUNTOS DE PRODUÇÃO O custo conjunto ocorre quando de uma mesma matéria prima pode-se obter mais de um produto que tem grande relevância no faturamento global da empresa, sendo eles chamados de coprodutos. Exemplificando: Uma empresa frigorífica compra um boi e dele pode produzir diversos tipos de carnes que seriam os coprodutos. A questão é: como atribuir o custo pago pelo boi a cada tipo de carne? 6 O procedimento a ser seguido lembra muito o rateio de custos usados nos custos indiretos, com a diferença de que nos custos conjuntos está se falando, também, em custos diretos a serem “partilhados” a vários produtos tais como matéria-prima e mão de obra direta. 2.3 PRINCIPAIS CRITÉRIOS DE APROPRIAÇÃO DOS CUSTOS CONJUNTOS 2.3.1 MÉTODO DO VALOR DE MERCADO Este método é o mais utilizado na prática. Exemplo: Supondo-se uma empresa que industrialize carne sendo que a mesma adquire os animais e efetua todo o processo produtivo a partir deles. A empresa considera a existência de três Coprodutos – A, B e C. O quadro abaixo apresenta os custos do período para fabricar uma determinada quantidade de cada coproduto: Matéria prima processada 30.000 Mão de obra e custos industriais 15.000 Custos conjuntos totais 45.000 Ao final do período, a contabilidade da empresa levantou os seguintes dados para apuração dos custos aos produtos: CO-PRODUTOS Valor de venda por Kg Quantidade produzida em Kg Valor de venda total Coproduto A 400,00 55.000 22.000.000,00 Coproduto B 200,00 100.000 20.000.000,00 Coproduto C 300,00 60.000 18.000.000,00 60.000.000,00 Pelo método do valor de mercado os custos conjuntos serão apropriados aos coprodutos de acordo com o valor de venda total, assim: CO-PRODUTOS Valor de venda total % Apropriação dos custos comuns Coproduto A 22.000.000,00 36,67 16.500,00 Coproduto B 20.000.000,00 33,33 15.000,00 Coproduto C 18.000.000,00 30,00 13.500,00 60.000.000,00 100,00 45.000,00 Assim, o preço por quilo de cada coproduto seria: Coprodutos Preço por quilo Coproduto A 0,30 Coproduto B 0,15 Coproduto C 0,23 7 2.3.2 MÉTODO DOS VALORES PRODUZIDOS Ao utilizar este método, a empresa considera que todos os produtos devem receber a mesma carga de custos comuns de produção por unidade produzida. Utilizando-se os mesmos dados da exemplo anterior: CO-PRODUTOS Valor de venda por Quantidade Kg produzida em Kg Valor de venda total Coproduto A 400,00 55.000 22.000.000,00 Coproduto B 200,00 100.000 20.000.000,00 Coproduto C 300,00 60.000 18.000.000,00 60.000.000,00 Apropriação dos custos comuns COPRODUTOS Volume produzido % Apropriação dos custos comuns Coproduto A 55.000 25,58 11.511,63 Coproduto B 100.000 46,51 20.930,23 Coproduto C 60.000 27,91 12.558,14 100,00 45.000,00 215.000 Preço por quilo Coprodutos Preço por quilo Coproduto A 0,21 Coproduto B 0,21 Coproduto C 0,21 2.3.3 MÉTODO DAS PONDERAÇÕES Por este método a empresa poderia estabelecer pesos para seus produtos como, por exemplo, identificar qual a importância do produto em seu mix de produção, ou qual a dificuldade em se obter o produto com um bom padrão qualidade, etc. É um critério muito subjetivo que depende totalmente da avaliação dos gestores da empresa. Utilizando-se os dados dos exemplos anteriores pode-se desenvolver o seguinte exemplo ilustrativo: CO-PRODUTOS Valor de Quantidade produzida em Kg Valor de venda total venda por Kg Peso estipulado Coproduto A 400,00 55.000 22.000.000,00 0,30 Coproduto B 200,00 100.000 20.000.000,00 0,50 Coproduto C 300,00 60.000 18.000.000,00 0,20 60.000.000,00 1,00 8 Apropriação dos custos comuns COPRODUTOS Peso estipulado % Apropriação dos custos comuns Coproduto A 0,30 30,00 13.500,00 Coproduto B 0,50 50,00 22.500,00 Coproduto C 0,20 20,00 9.000,00 1,00 100,00 45.000,00 Preço por quilo Coprodutos Preço por quilo Coproduto A 0,25 Coproduto B 0,23 Coproduto C 0,15 3 ASPECTOS FISCAIS ENVOLVENDO A AVALIAÇÃO DE ESTOUES E CONTABILIDADE DE CUSTOS (6 H/A) A contabilidade de custos precisa adotar critérios que estejam de acordo com a legislação fiscal para que possa ser utilizada para fins de apuração e divulgação do resultado das empresas. Tais critérios são encontrados no Regulamento do Imposto de Renda (1999) a partir do artigo 290, conforme a seguir apresentado: Vale ressaltar que para efeitos fiscais o método de custeio deve ser o ABSORÇÃO. Custo de Produção Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (Decreto-Lei n º 1.598, de 1977, art. 13, § 1 º): I - o custo de aquisição de matérias-primas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II - o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III - os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV - os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V - os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (Decreto-Lei n º 1.598, de 1977, art. 13, § 2 º). Quebras e Perdas Art. 291. Integrará também o custo o valor (Lei n º 4.506, de 1964, art. 46, incisos V e VI): I - das quebras e perdas razoáveis, de acordo com a natureza do bem e da atividade, ocorridas na fabricação, no transporte e manuseio; II - das quebras ou perdas de estoque por deterioração, obsolescência ou pela ocorrência de riscos não cobertos por seguros, desde que comprovadas: a) por laudo ou certificado de autoridade sanitária ou de segurança, que especifique e identifique as quantidades destruídas ou inutilizadas e as razões da providência; b) por certificado de autoridade competente, nos casos de incêndios, inundações ou outros eventos semelhantes; 9 c) mediante laudo de autoridade fiscal chamada a certificar a destruição de bens obsoletos, invendáveis ou danificados, quando não houver valor residual apurável. Subseção IV Critérios para Avaliação de Estoques Art. 292. Ao final de cada período de apuração do imposto, a pessoa jurídica deverá promover o levantamento e avaliação dos seus estoques. Art. 293. As mercadorias, as matérias-primas e os bens em almoxarifado serão avaliados pelo custo de aquisição (Lei n º 154, de 1947, art. 2 º, §§ 3 º e 4 º, e Lei n º 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). Art. 294. Os produtos em fabricação e acabados serão avaliados pelo custo de produção (Lei n º 154, de 1947, art. 2 º, § 4 º, e Lei n º 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). § 1 º O contribuinte que mantiver sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração poderá utilizar os custos apurados para avaliação dos estoques de produtos em fabricação e acabados (Decreto-Lei n º 1.598, de 1977, art. 14, § 1 º). § 2 º Considera-se sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração aquele: I - apoiado em valores originados da escrituração contábil (matéria-prima, mão-de-obra direta, custos gerais de fabricação); II - que permite determinação contábil, ao fim de cada mês, do valor dos estoques de matérias-primas e outros materiais, produtos em elaboração e produtos acabados; III - apoiado em livros auxiliares, fichas, folhas contínuas, ou mapas de apropriação ou rateio, tidos em boa guarda e de registros coincidentes com aqueles constantes da escrituração principal; IV - que permite avaliar os estoques existentes na data de encerramento do período de apropriação de resultados segundo os custos efetivamente incorridos. Art. 295. O valor dos bens existentes no encerramento do período de apuração poderá ser o custo médio ou o dos bens adquiridos ou produzidos mais recentemente, admitida, ainda, a avaliação com base no preço de venda, subtraída a margem de lucro (Decreto-Lei n º 1.598, de 1977, art. 14, § 2 º, Lei n º 7.959, de 21 de dezembro de 1989, art. 2 º, e Lei n º 8.541, de 1992, art. 55). Art. 296. Se a escrituração do contribuinte não satisfizer às condições dos §§ 1 º e 2 º do art. 294, os estoques deverão ser avaliados (Decreto-Lei n º 1.598, de 1977, art. 14, § 3 º): I - os de materiais em processamento, por uma vez e meia o maior custo das matérias-primas adquiridas no período de apuração, ou em oitenta por cento do valor dos produtos acabados, determinado de acordo com o inciso II; II - os dos produtos acabados, em setenta por cento do maior preço de venda no período de apuração. § 1 º Para aplicação do disposto no inciso II, o valor dos produtos acabados deverá ser determinado tomando por base o preço de venda, sem exclusão de qualquer parcela a título de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações ICMS. § 2 º O disposto neste artigo deverá ser reconhecido na escrituração comercial. Produtos Rurais Art. 297. Os estoques de produtos agrícolas, animais e extrativos poderão ser avaliados aos preços correntes de mercado, conforme as práticas usuais em cada tipo de atividade (Decreto-Lei n º 1.598, de 1977, art. 14, § 4 º). 3.1 COORDENAÇÃO E INTEGRAÇÃO ENTRE A CONTABILDADE GERAL E A DE CUSTOS A Receita Federal exige que haja a integração entre as contabilidades de custo e geral da empresa, ou seja, todos os dados utilizados pela contabilidade de custos devem estar escriturados na contabilidade geral da empresa. Caso não haja esta integração comprovada, a Receita Federal arbitrará os custos, conforme se pôde observar no artigo 296 do RIR/99. Além disso, conforme ensina Iudícibus (2010) deve-se atentar para os seguintes itens: 10 a) Todos os valores utilizados devem estar inseridos na contabilidade geral da empresa, sendo que os valores utilizados devem estar estritamente dentro do que determina os princípios de contabilidade; b) É obrigatório o uso do custeio por absorção, devem ser separadas as despesas dos custos e somente os custos podem ser apropriados aos produtos; c) Deve-se manter registros e mapas demonstrando a forma como os custos foram apropriados aos produtos, demonstrando a origem dos elementos de custos na contabilidade geral para os produtos na contabilidade de custos. d) Quando a empresa incluir no custo estimativas de valores na forma de provisões, estas devem também estar registradas no passivo e no resultado da contabilidade geral; e) Não se admite adicionar ao custo do produto despesas financeiras, juros sobre capital próprio, aluguel de imóvel próprio da empresa e outros valores que não estejam previstos no RIR/99. f) Todos os documentos elaborados pela contabilidade de custos devem ser arquivados em boa ordem para futuras verificações. EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO A empresa Beneficiadora de Milho SJ processou, em determinado período, 50 toneladas de milho, que haviam sido compradas a R$3,00 o quilo. Para esse mesmo trabalho utilizou mão de obra, ao custo conjunto de R$25.000,00 e outros recursos comuns ao custo de R$12.500,00. Coprodutos Produção Vendas Preços Quirera 30.000 30.000 5,00 Fubá 15.000 15.000 6,80 Germe 5.000 3.800 9,60 Pede-se para calcular: a) O valor de custo do estoque final de produtos acabados, apropriando os custos conjuntos pelo critério do preço de mercado; b) O custo dos produtos vendidos; c) O lucro bruto de cada produto; d) A margem bruta, em percentagem de cada produto; e) repetir da letra a até a letra d pelo critério do volume. 3.2 APLICAÇÃO DA COORDENAÇÃO ENTRE A CONTABILIDADE DE CUSTOS E A CONTABILIDADE GERAL DA EMPRESA 3.2.1 O MÉTODO CONTÁBIL O método contábil de apuração de custos é aquele que se processa por débitos e créditos em contas para a distribuição dos valores contabilizados como custos. Esse método estabelece que deve haver transferência sistemática de valores entre contas, conforme o esquema a seguir: Valor inicial Conta A Conta B Indicativa de espécie de custos Indicativa centros custos Conta C de de Indicativa do custo dos produtos 11 Para fins de análises de fases ou períodos de custo, criam-se sub contas para registrar os débitos de transferências entre contas, assim, torna-se possível o desdobramento de valores. Assim, é possível analisar etapas intermediárias em relação ao custeamento da produção. 3.2.2 APLICAÇÃO DO MÉTODO CONTÁBIL NA APURAÇÃO DOS CUSTOS Uma empresa industrial iniciou suas atividades em janeiro de 2013 com um capital social de R$100.000,00. A empresa produz três produtos – Alfa; Beta e Gama. Durante o mês de janeiro a empresa produziu 500 unidades do produto Alfa, 600 unidades do produto Beta e 400 unidades do produto Gama. No final do período não havia produtos em elaboração e a empresa vendeu 50% do total produzido de cada produto. Durante o mês a empresa trabalhou com uma projeção de custos de cada produto a fim de poder definir o seu preço de venda. Ao encerrar o período a contabilidade de custos procedeu a apuração dos custos reais da produção. A contabilidade geral da empresa registrou os seguintes fatos contábeis: 1- Aquisição de matéria prima A a prazo pelo valor total de 50.000,00 2- Aquisição de matéria prima B a prazo pelo valor de 60.000,00 3- Aquisição de matéria prima C a prazo pelo valor de 40.000,00 4- Salários e encargos a pagar do pessoal da produção no valor de 10.000,00 5- Salários e encargos de supervisão de fábrica no valor de 6.000,00 6- Energia elétrica da produção a pagar no valor de 3.000,00 7- Depreciação de máquinas e equipamentos do centro de custos 1 calculada no mês no valor de 2.000,00 8- Depreciação de máquinas e equipamentos do centro de custos 2 calculada no mês no valor de 3.000,00 9- Depreciação de máquinas e equipamentos do centro de custos 3 calculada no mês no valor de 3.000,00 10- Seguros da produção apropriados pelo regime de competência no valor de 2.000,00 Assim, as contas ficaram com os seguintes saldos: Estoque MP A Estoque MP B Estoque MP C Fornecedores Salários da produção Salários a pagar Salários da supervisão Energia Elétrica da produção Energia elétrica a pagar depreciação do mês centro de custos 1 depreciação do mês centro de custos 2 depreciação do mês centro de custos 3 depreciação acumulada seguros da fábrica apropriação seguros (despesas antecipadas) 12 A partir dos lançamentos da contabilidade geral, a contabilidade de custos fará as devidas transferências para os centros de custos. A empresa controla três centros de custos – CC1; CC2 e CC3. Os custos diretamente relacionados aos centros de custos são: CC1 depreciação (2.000,00) CC2 depreciação (3.000,00) CC3 depreciação (3.000,00) Os demais custos são apropriados aos centros de custos nas seguintes proporções: Salários e encargos da supervisãoCC1 (30%); CC2 (50%); CC3 (20%) Energia elétrica da produção CC1(10%); CC2 (60%); CC3 (30%) Seguros da fábrica CC1 (20%); CC2 (70%); CC3 (10%) Os três produtos passam pelos três centros de custos A mão de obra direta é apropriada aos produtos na medida que vão ficando prontos. No mês foram trabalhadas 3000 horas para produzir as quantidades de cada produto sendo que foram produzidas 500 unidades do produto Alfa, 600 unidades do produto Beta e 400 unidades do produto Gama. A distribuição de horas aos produtos, conforme os apontamentos da produção, foram: 1200 horas para as 500 unidades do alfa 1000 horas para as 600 unidades do beta e, 800 horas para as 400 unidades do gama. As horas de mão de obra estão assim distribuídas pelos centros de custos: CC1 CC2 CC3 Alfa 300 700 200 Beta 400 400 200 Gama 300 400 100 A matéria prima A é utilizada para fabricar o produto Alfa e é totalmente aplicada no CC1 A matéria prima B é utilizada para fabricar o produto Beta e é totalmente aplicada no CC1 A matéria prima C é utilizada para fabricar o produto Gama e é totalmente aplicada no CC1 CC1 CC2 CC3 13 Após as apropriações aos centros de custos, a contabilidade de custos pôde fazer as transferências para os produtos. A matéria prima de cada produto é transferida diretamente para a respectiva conta; A mão de obra de cada produto é transferida diretamente para a respectiva conta; Os demais custos são apropriados aos produtos com base na quantidade de horas de mão de obra direta aplicada a cada produto nos Centros de Custos. Alfa Beta Gama Agora é possível determinar o valor dos estoques de cada produto, fazendo a devida contabilização. THE END