REFLEXÕES SOBRE AS ESPECIFICIDADES DO ENSINO NOTURNO
Taciana de Lisboa Faria1
Brenda Libório Prado Moraes Motta2
Camila Nascimento Cruz3
GT3 - Educação e Ciências Matemáticas, Naturais e Biológicas.
Resumo
A presente pesquisa se propôs estudar as concepções dos discentes sobre o ensino noturno em duas
escolas estaduais de Sergipe. O instrumento escolhido para tal objetivo foi o questionário, o qual
continha questões abertas e fechadas, apresentando um breve perfil dos investigados e uma parte
específica direcionada ao tema central da pesquisa. Um total de 50 discentes respondeu ao
questionário, sendo que grande parte deles trabalham durante o dia e por esse motivo escolheram o
período noturno para estudar. Como consequência, apresentaram em seu discurso que o cansaço e falta
de estímulo são as maiores dificuldades enfrentadas. Atualmente o perfil dos estudantes do ensino
noturno não é diferente do perfil dos estudantes da época do império, são trabalhadores que não
podem estudar pelo dia. Vale ressaltar que diante dessa realidade, os professores têm um papel
fundamental na motivação desses alunos.
Palavras chave: Educação; Ensino Noturno; Concepções dos Discentes.
Abstract
This research aims to study students' conceptions about teaching night school in two state of Sergipe.
The instrument chosen for this purpose was the questionnaire, which contained open and closed
questions, presenting a brief profile of the investigated and a specific part directed to the central theme
of the research. A total of 50 students responded to the questionnaire, and that most of them work
during the day and therefore chose to study the nighttime. As a result, presented in his speech that
fatigue and lack of stimulus are major difficulties. Currently the profile of night school students is not
different from the profile of the students at the time of the empire, are workers who can not study the
day. It is noteworthy that this reality, teachers have a key role in motivating these students.
Key Words: Education, Teaching Night; Conceptions of Learners.
1
- Mestranda em Ensino de Ciências e Matemática pela Universidade Federal de Sergipe, Campus
Professor José Aloísio de Campos. Graduada em Ciências Biológicas Licenciatura pela Universidade
Federal de Sergipe, Campus Professor Alberto Carvalho. E-mail: [email protected].
2
- Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Sergipe, Campus Professor Alberto
Carvalho. E-mail: [email protected]
3
– Pós- graduada em Libras e Inclusão pela Faculdade Tobias Barreto. Graduada em Ciências
Biológicas pela Universidade Federal de Sergipe, Campus Professor Alberto Carvalho. E-mail:
[email protected].
INTRODUÇÃO
A Constituição Federal de 1988 assegura que a educação é direito de todos e dever
do Estado, e deve promover o exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. A
história da escola tem como ponto muito importante a criação do ensino noturno pelo governo
a partir das reivindicações da população. Dessa forma, as primeiras notícias da existência de
ensino noturno no Brasil são desde o tempo do Império.
Nos registros de Primitivo Moacyr (1936, 1939), apud Togni e Soares (2007)
encontram-se dados de que entre 1869 e 1886, escolas noturnas para adultos funcionavam em
diversas províncias do país. Esses cursos estavam relacionados aos adultos analfabetos, que
não tinham acesso à escola em idade própria e que não tinham tido possibilidade de
frequentar aulas no período diurno, por estarem trabalhando.
Segundo Marques (1996) apesar da precoce inserção do jovem no mercado de
trabalho, seja pela premência das necessidades de sobrevivência da família, seja como busca
de autonomia e consumo, o mundo do trabalho não é mais uma referência central para os
jovens trabalhadores. Ao buscarem a escola como uma forma de “melhorar de vida”, “subir
na vida”, estes jovens estão construindo nos seus interstícios situações propiciadoras de
afirmação de suas identidades.
A agregação de conhecimentos oferecidos pelas instituições de ensino e a maior
facilidade para participar do mercado de trabalho após a obtenção de um certificado de
conclusão do ensino médio, são fatores importantes para a presença de alunos nas escolas no
turno noturno.
O ensino noturno é quase sempre considerado nos meios educacionais como um
problema, uma fonte de insatisfação que necessita ter um fim. Segundo Carvalho, 1998 apud
Togni e Soares (2007) o ensino noturno parece ser um problema sem saída, pois com muita
frequência é oferecido àqueles que dispõem de menos recursos, aqueles que após uma jornada
de trabalho vai a escola tentar a busca de novos conhecimentos. Assim, é no ensino noturno
que afloram os difíceis problemas enfrentados pelas escolas.
Há também fatores que podem desestimular a frequência do aluno do ensino noturno,
como a falta de meios de transporte, um grêmio estudantil para atender as necessidades dos
alunos, um bom serviço de alimentação, segurança e a infraestrutura da escola.
2
A infraestrutura dentre os citados pode ser considerado o mais estimulante ou
também o mais desestimulante, pois, os alunos tendem a terem um estímulo a mais quando
possuem uma sala de aula com um clima agradável, uma biblioteca bem equipada, carteiras
confortáveis e banheiros em condições não subumanas.
As características do ambiente (físicas e psicológicas), segundo afirmação de
Knowles (1980) apud Filho (2004), especialista em educação de adultos, podem facilitar ou
inibir o aprendizado do aluno, além de mencionar como aspectos físicos relevantes da sala de
aula: cadeiras de tamanho e maciez adequados para o corpo de adultos, temperatura e
ventilação satisfatória, espaço adequado para o número de participantes, decoração para tornar
o ambiente agradável, arranjos físicos de posicionamento de cadeiras definidos com critérios
(voltadas para o quadro-negro, em círculo, em círculos pequenos ou em semicírculo) e
disponibilidades de materiais.
Os aspectos de infraestrutura e logística da instituição são contextualizados por
Laurillard (1999) apud Filho (2004) como sendo de responsabilidade exclusiva da área
administrativa, pois as decisões relacionadas a estes aspectos raramente são tomadas pelos
responsáveis pelo ensino. Entretanto, sua crítica reside no fato de que essas decisões de
investimentos afetam significativamente a qualidade do aprendizado dos alunos, pois inclui:
materiais utilizados nos cursos, programação de horário de atendimento de professores,
equipamentos, biblioteca, recursos de mídia, espaço e suporte técnico e administrativo para
seus estudos, eliminando com isto, as eventuais barreiras que alguns estudantes possam ter no
processo de aprendizado.
Os professores têm um papel importante na motivação do aluno em aprender,
conforme destaca Fallows e Ahmet (1999) apoud Filho (2004). Segundo os pesquisadores, o
educador tem papel-chave em transformar os educandos em estudantes independentes e
motivados, pois o papel do professor não é exclusivamente o de se preocupar com itens
factuais de conhecimento ou introduzir debates-chave aos estudantes, mas também, procurar
passar entusiasmo e influenciá-los ao aprendizado, pois o conhecimento prévio é insuficiente
e os estudantes chegam à escola sem o entusiasmo necessário para o aprendizado da matéria.
Nesse contexto, a presente pesquisa teve como principal objetivo compreender um
pouco das especificidades do ensino noturno através da análise das concepções de alguns
alunos do 3º ano do ensino médio do Colégio Silvio Romero (Lagarto-SE) e da Escola
Estadual Dr. Augusto César Leite (Itabaiana_SE).
3
METODOLOGIA
Pra desenvolvimento da pesquisa, foram escolhidas duas escolas estaduais, as quais
possuíam parceria com a Universidade Federal de Sergipe. As pesquisadoras que realizaram
esse estudo estavam estagiando nessas escolas, e após a elaboração dos questionários, as
mesmas conversaram com os diretores para a aplicação do instrumento.
O questionário foi aplicado no Colégio César Leite e no Colégio Estadual Sílvio
Romero, localizados respectivamente na cidade de Itabaiana e de Lagarto.
As perguntas contidas no instrumento aplicado eram tanto de natureza objetiva como
discursiva e os discentes que participaram da pesquisa não eram obrigados a se identificar.
Totalizando 50 alunos participantes, do 3º ano do ensino médio noturno, tínhamos
como objetivo avaliar o perfil desses alunos, levando-se em conta sua idade e se trabalhava ou
não, bem como as vantagens e as desvantagens, na visão dele, em estudar a noite.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Após a elaboração e aplicação dos questionários, os resultados obtidos foram
analisados em duas categorias: perfil geral dos consultados e concepções sobre o ensino
noturno.
Dessa maneira, obtiveram-se os seguintes resultados:
Análise da 1ª Categoria - Perfil Geral
Levando-se em consideração que em cada município foram aplicados 25 questionários,
pode-se perceber que há uma maioria de meninas em relação aos meninos nas duas amostras
(gráfico 1 e 2). No entanto, a diferença entre o número de meninas e meninos em Itabaiana foi bem
maior que em Lagarto.
56%
44%
28%
meninos
meninas
Gráfico 1: Porcentagem quanto ao sexo (Lagarto)
72%
meninos
meninas
Gráfico 2: Porcentagem quanto ao sexo (Itabaiana)
Santos (2009), professora da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto da UniRio que estuda
questões ligadas ao gênero feminino, afirma que:
4
Realmente essa é uma conquista feminina. Os indicativos demonstram que, em
todos os níveis de ensino, há uma predominância de mulheres. Elas estudam mais e
por mais tempo do que os homens. A mulher busca se aperfeiçoar também para
conquistar uma melhor colocação no mercado de trabalho.
Quanto à faixa etária (gráfico 3 e 4), há uma semelhança no perfil dos alunos dos dois
municípios. Da amostra geral, 60% correspondem aos discentes entre 17 e 20 anos.
13
17
8
3
1
Não
entre 17 e entre 21 e mais de 26
respondeu
20
25
Gráfico 3: Divisão etária dos discentes (Lagarto).
4
1
3
Não
entre 17 e 20entre 21 e 25 mais de 26
respondeu
Gráfico 4: Divisão etária dos discentes (Itabaiana
Continuando com as informações sobre o perfil geral dos consultados, podemos perceber
através dos gráficos 5 e 6, que a maioria dos alunos trabalham durante o dia tanto em Lagarto
quanto em Itabaiana. Este fato deve estar ligado aos dados contidos nos gráficos 11 e 12, referentes
as vantagens de estudar a noite.
sim
não
sim
não
28%
36%
64%
72%
Gráfico 5: Amostra relacionada ao trabalho (Lagarto).
Gráfico 6: Amostra relacionada ao trabalho (Itabaiana).
Apesar da maior porcentagem dos consultados manifestarem um discurso que trabalham
para comprar o que gosta e para o próprio sustento, uma parcela significante afirma que trabalha
para ajudar no sustento de casa (gráficos 7 e 8).
5
Terminar o ensino médio
Obter Casa própria
6%
29%
18%
Aprender uma profissão
5%5%
19%
28%
Comprar o que gosto
24%
23%
Sustentar a família
Aprender uma profissão
Sustentar a família
19%
24%
Próprio sustento
Comprar o que gosto
Próprio sustento
Gráfico 7: Objetivos para trabalhar (Lagarto).
Investir em estudos
Gráfico 8: Objetivos para trabalhar (Itabaiana).
Para o Marques (1996), o trabalho para os jovens funciona quase com um “rito de
passagem” do mundo infantil para o mundo adulto, mas principalmente, como um projeto de
família em melhorar de vida, o que significa encontrar possibilidades de fugir da pobreza.
Com relação à jornada de trabalho (gráficos 9 e 10), observa-se que tanto em Lagarto como
em Itabaiana, grande parte dos discentes trabalha em tempo integral, ou seja, pela manhã e pela
tarde. Assim não é de se espantar que nos gráficos 13 e 14, os mesmos assinalem como maior
desvantagem do ensino noturno o cansaço e o sono.
50%
6%
6%
13%
25%
Não respondeu
30 h
20 h
Mais de 40 h
28%
5%
17%
28% 22%
Não respondeu
40 h
10 h
Mais de 40 h
40h
Gráfico 9: Jornada de trabalho semanal (Lagarto).
20 h
Gráfico 10: Jornada de trabalho semanal (Itabaiana)
Análise da 2ª Categoria - Concepções sobre o ensino noturno
Quanto à questão das vantagens do ensino noturno (gráfico 11 e 12) podemos analisá-lo a
partir de quatro eixos principais. A mais comum é a necessidade que o jovem tem de trabalhar
durante o dia e assim complementar a renda familiar ou ter seu próprio sustento. Outros buscam a
escola noturna para exercerem atividades domésticas durante o dia, como cuidar da casa, dos filhos,
dos irmãos mais novos. Existem também aqueles que veem na escola noturna um clima mais
apropriado aos seus interesses interpessoais e ainda, aqueles que acreditam existir nesse turno uma
maior flexibilidade no processo de ensino, oferecendo mais oportunidade de aprovação. Dessa
forma, o ensino noturno acaba sendo visto como um espaço de maior tolerância.
6
22
1
2
1
Não faz calor como
Conhece novas Você lida com adultos Aproveito o dia para
durante o dia
pessoas e faz novas
trabalhar e cuidar dos
amizades
filhos
Gráfico 11: Vantagens em estudar a noite (Lagarto).
12
1
3
1
Não faz calor Porque preciso
5
4
3
Não há
Não respondeu Os professores Facilidade de
vantagens
são mais
aprovação
compreensivos
Porque
trabalho
Gráfico 12: Vantagens em estudar a noite (Itabaiana).
Quando indagados sobre às desvantagens de se estudar no período noturno, a maioria citou
o
cansaço
4% 4%
e o
fraco
como
O horário demora a passar
8%
8%
12%
64%
ensino
Tenho que acordar cedo
pode
ser
observado
44% 4% 4%8%
Não responderam
12%
Não há desvantagem
O ensino é fraco
É muito cansativo e dá sono
Gráfico 13: Desvantagens ensino noturno (Lagarto).
12%
16%
nos gráficos 13 e
14.
O intervalo é pouco
Porque perco meus passeios a noite
Não há desvantagem
É perigoso voltar pra casa tarde
Não responderam
O ensino é fraco
É muito cansativo e dá sono
Gráfico 14: Desvantagens ensino noturno (Itabaiana).
Assim Zainko; Pinto e Bettega (1989) falam que uma crítica sempre presente ao ensino
noturno é que a escola é fraca.
Na verdade, acredito que este fato se deve a uma culminância de vários fatores:
Cansaço por parte dos professores, pois muitos lecionam durante o dia e à noite encontramse desgastados e desmotivados;
Cansaço por parte dos discentes que trabalharam durante o dia;
Segundo Santos, Bertoldo E Lima (S/D), o problema da educação da classe trabalhadora está
relacionado à questão da sociedade, onde esses alunos trabalhadores vivem num tempo limite,
7
tanto para atender à brutalidade das horas de trabalho, quanto para dispor de um tempo limitado
para se apropriar da cultura oferecida pela escola. Sendo assim, é fácil entender que alguns
deles, chegam tão exaustos a escola que por vezes são vencidos pelo cansaço e pelo sono.
Descaso da escola em dar uma atenção especial a essa parcela dos alunos.
Carvalho (S/D) acrescenta ainda que:
A noite a Escola é "outra Escola". A direção frequentemente é outra - é o assistente
de direção que assume, modificando inevitavelmente a gestão nesse período.
Biblioteca, laboratórios, quadra de esportes, orientação pedagógica, se existentes,
não funcionam à noite. Há diminuição dos serviços de secretaria, faltam serventes e
vigias. A improvisação supre a deficiência de recursos - e esquece-se que o período
das aulas é o único tempo, em geral, que o aluno dispõe para estudar e aprender.
Não tem nem como voltar em outra hora nem como encontrar outro momento além
do reservado para a Escola.
Falta de metodologias que atraiam a atenção e estimulem a busca pelo conhecimento.
Concordo com Santos (2001) ao pensar que o segredo do bom ensino é o entusiasmo
pessoal do professor, que vem do seu amor á ciência e aos alunos. Esse entusiasmo pode e deve ser
canalizado, sobretudo para o estímulo ao entusiasmo dos alunos pela realização, por iniciativa
própria, dos esforços intelectuais e morais que a aprendizagem exige.
Ao perguntarmos sobre a preferência dos discentes quanto ao turno que optariam se
pudessem escolher (gráficos 15 e 16), os municípios tiveram amostras em que a maioria dos alunos
escolheu estudar a noite. Chamo atenção para a discordância quanto ao turno matutino, pois em
Lagarto somente 24% dos alunos o escolherem, já em Itabaiana 40% se manifestaram a favor desse
turno.
Matutino
Vespertino
Noturno
Vespertino
Matutino
24%
Não respondeu
Noturno
4% 8%
48%
48%
28%
40%
Gráfico 15: Preferência dos discentes quanto ao turno
Gráfico 16: Preferência dos discentes quanto ao turno
(Lagarto).
(Itabaiana)
Mais uma vez entendemos essa tendência dos alunos escolherem esse turno como a
vontade da maioria destes em investir num melhor aprendizado e em estudo de qualidade, mas que
devido a outros motivos de força maior os impedem de realizá-los. Eles afirmam também (gráfico
8
17 e 8) que o turno matutino “seria” mais viável devido apresentarem uma maior disposição nesse
horário, além de ter mais tempo livre durante o dia e estarem com a “mente tranquila”.
Hora passa mais rápido
20%
40%
20%
20% 10%
Porque é o ensino e aprendizado
é de melhor qualidade
Sempre estudei pela manhã
Mente tranqüila
Tempo livre
20%
Mais disposição
Tempo livre
70%
Gráfico 17: Justificativa para a escolha do turno
Gráfico 18: Justificativa para a escolha do turno
matutino (Lagarto).
matutino (Itabaiana).
Aos que escolheram o noturno (gráfico 19 e 20), a maioria dos resultados, tanto em
Itabaiana (34%) quanto em Lagarto (59%), estão relacionados com o ato de trabalhar, ressaltando
mais uma vez a necessidade desses alunos em se manter ou ter uma renda financeira fixa. Outras
explicações foram dadas como o fato de ser mais apropriado, de estar de acordo com a idade do
aluno, por ter o dia livre para estudar e ser mais cômodo devido a outras atividades, por ser mais
fácil de assimilar as matérias e os professores serem mais compreensivos ou pelo simples fato de se
sentirem-se bem nesse horário.
É mais apropriado
25%
8%
8%
Está de acordo com minha
idade
Porque pelo dia trabalho
59%
Não respondeu
8%
42%
8% 8%
34%
Porque tenho o dia livre para
estudar
Mais fácil de assimilar as matérias
e os professores são ótimos
Porque é mais cômodo devido a
outras atividades
Porque pelo dia trabalho
Porque gosto e me sinto bem
Gráfico 19: Justificativa para a escolha do turno noturno (Lagarto). Gráfico 20: Justificativa para a escolha do turno
noturno (Itabaiana).
Apenas os alunos da cidade de Lagarto alegaram ser melhor estudar no turno vespertino
(gráfico 21). Esse turno foi o único em que não observamos justificativas relacionadas ao emprego.
Eles alegaram ser melhor estudar nesse turno por facilitar o aprendizado, por aproveitar mais o
tempo livre, pelo ensino ser mais aprofundado e por ter a noite para descansar.
9
Facilita o aprendizado
14%
43%
14%
29%
Porque se aproveita
mais o tempo
O ensino é mais
aprofundado
Porque a noite eu
descanso
Gráfico 21: Justificativa para a escolha do turno vespertino (Lagarto)
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O contexto da educação noturna do Brasil é bastante complexo e antigo. De
acordo com Togni e Carvalho (2007), as primeiras escolas com ensino noturno público
datam da época do império e eram bastante restritas, pois só existiam nas capitais das
províncias ou em grandes centros urbanos.
De acordo com os autores acima, o motivo da oferta desse ensino noturno foi
justamente a necessidade de alfabetizar os que trabalhavam pelo dia e não tinham
condições de frequentar a escola nesse período.
Atualmente o perfil de grande parte dos estudantes do período noturno não é
diferente do perfil dos estudantes da época do império, são trabalhadores que não
podem estudar pelo dia.
Após análise dos dados coletados nesta pesquisa, concluímos que o ensino
noturno de ambas as escolas (Lagarto-SE e Itabaiana-SE) apresentam semelhanças
visíveis.
A maior justificativa para a escolha do ensino noturno é a necessidade de
trabalhar durante o dia, seja em turno integral ou parcial, e de possuir uma renda
financeira estável. Mas muitos ainda lutam por buscar a conclusão do ensino médio e
assim, talvez, ingressar no nível superior e ter um emprego melhor.
Vale destacar que para esses que buscam cursar uma graduação, o ensino
noturno atualmente parece não oferecer o melhor caminho devido a grande deficiência
encontrada neste ensino.
Faz-se necessário a fiscalização e cumprimentos das políticas públicas que
zelem pelo bom funcionamento da escola no turno da noite, para que esta possa
proporcionar o melhor aprendizado aos alunos que nela frequentam e que não haja
distinções entre os diferentes turnos de funcionamento da escola.
10
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Voltado
ao
Curso
Noturno.
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11
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reflexões sobre as especificidades do ensino noturno