PIBIC-UFU, CNPq & FAPEMIG
Universidade Federal de Uberlândia
Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação
DIRETORIA DE PESQUISA
EDUCAÇÃO AMBIENTAL: FORMANDO A CONCIÊNCIA DESDE A
INFÂNCIA.
Berta Andrade Junqueira1
Universidade Federal de Uberlândia; Instituto de Geografia; Av. João Naves de Ávila, 2121 - Bloco 1H
Santa Mônica Uberlandia, MG – Brasil.
[email protected]
Prof.ª Dra. Marlene Teresinha de Muno Colesanti2
[email protected]
Resumo: O objetivo deste trabalho é discutir a questão ambiental e apresentar os resultados
alcançados durante a realização do projeto de pesquisa de iniciação científica, financiado pelo
CNPq/UFU. No decorrer da pesquisa procuramos envolver a comunidade escolar com a
problemática dos resíduos sólidos, para, a partir daí, conscientizar os alunos sobre a
responsabilidade que cada indivíduo tem na conservação e construção do meio em que vive. Este
estudo foi feito com alunos regularmente matriculados na Escola Municipal de Ensino Infantil do
Bairro Santa Mônica, localizada em Uberlândia – MG.
Palavras-chave: ética, educação ambiental, lixo, consumismo.
1. INTRODUÇÃO
A maioria da população humana vive atualmente nas cidades, ficando assim afastadas do
convívio direto com a natureza, o que os faz ignorar a importância de seus atos e as conseqüências
destes para o meio ambiente. A disponibilidade de alimentos no supermercado, a água tratada que
sai das torneiras, nos confere uma sensação de independência, agravando a situação de ignorância
que encontramos no momento.
Em sua maioria, as atividades econômicas são geradas pelas cidades, sendo estas as maiores
consumidoras dos recursos naturais, sem esquecer seu importante papel na produção da poluição e
do lixo. E mesmo possuindo influência global, as questões ambientais nos centros urbanos são
constantemente omitidas e ignoradas pela população.
A materialização das relações entre o homem e a natureza ocorre no meio ambiente, que é o
objeto de estudo da Educação Ambiental. Por isso é tão importante discutir Educação Ambiental
nas escolas, com o intuito de conscientizar as crianças e os jovens de que eles fazem parte deste
meio e que possuem grande influência sobre ele.
No livro “Cadernos de Proposições para o Século XXI”, Ziaka, Souchon e Robichon,
afirmaram que o objetivo prioritário da Educação Ambiental deve ser o fortalecimento do espírito
crítico dos cidadãos a fim de melhorar, de forma contínua, o controle democrático das escolhas, as
orientações políticas e ações em matéria de meio ambiente, desenvolvimento e gestão dos recursos
naturais.” (ZIAKA; SOUCHON; ROBICHON, 2003, p. 33).
Devido à forma inadequada à qual o homem submeteu e ainda submete a natureza,
estudiosos, políticos e pessoas interessadas e preocupadas com a situação do planeta, realizaram
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Graduanda em Geografia pela Univesidade Federal de Uberlândia, Instituto de Geografia.
Professora Doutora da Universidade Federal de Uberlândia, Diretora do Instituto de Geografia.
vários encontros para discutir sobre as questões ambientais e buscar idéias para solucionar ou pelo
menos amenizar problemas ambientais e, com isso, alcançar a sustentabilidade econômica.
E é a partir de discussões sobre temas relacionados às questões ambientais e o lixo na escola,
tendo como embasamento teórico as principais recomendações e princípios da Educação Ambiental,
que procuramos desenvolver este trabalho.
2. OBJETIVO GERAL
O objetivo principal deste projeto é envolver a comunidade escolar com a problemática dos
resíduos sólidos, buscando conscientizar os alunos da responsabilidade que cada indivíduo tem na
conservação e construção do meio em que vive. Além de desenvolver juntamente com os
professores, trabalhos de Educação Ambiental que estimulem a tomada de consciência para a
questão do lixo como problemática sócio-ambiental, cumprindo a premissa de ampliação da
proposta através da formação permanente ou continuada de expansão educativa.
3. METODOLOGIA
A abordagem e a discussão dos aspectos econômicos, políticos, sociais, ecológico e outros,
com os alunos, se faz imprescindível para a adequada implantação de qualquer projeto de educação
ambiental no âmbito escolar. Então, para o bom desenvolvimento do presente projeto, a abordagem
a respeito do modelo de desenvolvimento econômico mundial e seu reflexo local, foi o ponto chave
para se detectar em que sentido a educação ambiental deveria caminhar. Isto porque, além de
permitir aos alunos encontrar as razões de se estudar educação ambiental, ou seja, o porquê da sua
necessidade, ao educador fica a possibilidade de se detectar a visão dos alunos em relação ao
consumismo, individualismo, a própria realidade sócio-econômica individual e mesmo a que eles
almejam conquistar para o seu futuro. Isto indiscutivelmente facilita e facilitou a escolha da
metodologia do trabalho educacional.
No período inicial da pesquisa foi realizado um aprofundamento teórico e um
reconhecimento da escola que selecionamos para colocar em prática o projeto. Com uma primeira
análise dos alunos, de suas idéias e atitudes poderemos trabalhar a Educação Ambiental de uma
forma mais segura e com maior chance de sucesso.
A escola escolhida, assim como a anterior, deve ser necessariamente de caráter público,
podendo ser municipal ou estadual. Esta escolha se deve pelo fato de que na instituição pública as
atividades relacionadas à preservação do meio ambiente e a conscientização ambiental são
praticamente inexistentes. No entanto, esperamos que os professores e o corpo administrativo da
escola dêem apoio para a melhor realização do projeto.
Para que as atividades desenvolvidas alcançassem os objetivos propostos foi de grande
importância planejá-las antecipadamente. Para isso dentre o referencial teórico utilizado destacamos
o livro “Meio Ambiente e Educação Ambiental na Educação infantil e no ensino Fundamental” da
autora Sandra Branco, que propõe atividades de cunho humanista e voltadas para a felicidade e o
bem-estar do homem. É a partir da realização destas atividades que esperamos o reconhecimento,
por parte dos alunos, de sua posição perante as mudanças sociais, ecológicas e culturais a que
estamos sujeitos.
Outro livro de igual importância é “Vivencias Integradas com o Meio Ambiente” dos
autores Marcelo Telles, Mário Rocha, Mylene Pedroso e Silvia Machado. Neste livro contamos com
várias sugestões de atividade que podem ser realizadas em parques, praças, zoológicos e nas escolas
e que tem como interesse principal, evitar um amanhã sem cor e de poucas perspectivas de
preservação da natureza.
A Educação Ambiental é de fundamental importância para que possamos transformar a
consciência dos indivíduos e grupos sociais em relação ao meio ambiente em que vivem. Contudo,
tratar meio ambiente na escola exige uma capacitação e preparo para trabalho em equipe, visto que
não se concebe Educação Ambiental de forma disciplinar e estanque, dada sua natureza
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interdisciplinar. Sendo assim é necessário um grande esforço em conjunto no sentido de tratar as
questões ambientais na escola de forma que envolva toda a comunidade em torno de um projeto
comum, pois, devido à sua complexidade, a Educação Ambiental não deve ficar a cargo de uma
única disciplina.
As relações que nós, homens, mantemos com a natureza se materializam no meio ambiente,
por isso, a característica fundamental da Educação Ambiental é orientar a maneira como os recursos
naturais são utilizados. O que se tem percebido é que há um descaso por parte da humanidade
quanto à forma correta de se cuidar desse ambiente.
“A visão fragmentada, a obsolescência e influência das instituições – ONU, por exemplo -,
a falta de decisões políticas coerentes, o emaranhado de interesses econômicos, de valores
culturais, religiosos e filosóficos dificultam diálogos locais, regionais, nacionais e
transnacionais e constituem uma poderosa resistência às mudanças.” ( DIAS, 2002, p.25).
Dias, na afirmação acima denuncia a falta de interesse de grande parte da sociedade e o
descaso em relação aos esforços realizados pela humanidade, no que diz respeito à busca por formas
sustentáveis de se relacionar com a natureza.
Segundo Leff, o discurso sobre o desenvolvimento sustentável não é homogêneo e sim
marcado e diferenciado pelos interesses ambientais de diversos setores e autores sociais, sendo
assim o processo educacional deverá transmitir os princípios e valores de diferentes visões e
propostas para alcançar a sustentabilidade. (LEFF, 2001, p.253).
O educador ambiental precisa transmitir informações que despertem em seus alunos
interesse e vontade de conhecer mais o ambiente em que vivem para poder agir nele de forma
crítica e com respeito, mas para isso é necessário que este educador goste e acredite em seu
trabalho, caso contrário ele não terá sucesso em sua jornada.
Não há educação sem amor. O amor implica luta contra o egoísmo. Quem não é capaz de
amar os seres inacabados não pode educar. Não há educação imposta, como não há amor
imposto. Quem não ama não compreende o próximo, não o respeita. (FREIRE, 1979, p.29).
E é com o desenvolvimento desse projeto que procuramos formar indivíduos capazes de
refletir e atuar sobre o meio ambiente com responsabilidade, ou seja, agir não só em favor do meio
ambiente, em favor de uma gestão racional e refletida dos recursos naturais, em favor do respeito
pela natureza, mas também fundamentalmente em favor do respeito pelo homem.
4. DISCUSSÃO
Fazemos parte de uma sociedade capitalista que visa o lucro e incentiva o consumismo.
Ignoramos as conseqüências desta falta de controle no que se refere à exploração de recursos
naturais e a eliminação de poluição para satisfazer falsas necessidades.
O homem precisa aprender a se relacionar com a natureza, questionando e propondo novas
formas de desenvolvimento que busquem a melhoria da qualidade de vida, e ao mesmo tempo
comprometa-se com a preservação da natureza e com o respeito ao meio ambiente.
Vivemos em um mundo globalizado em todos os sentidos, seja ele econômico ou ambiental.
A crise econômica atual tem afetado todos os países de Norte a Sul, Leste a Oeste e a crise
ambiental não atinge de forma diferente, pois, uma queimada na Floresta Amazônica afeta todo o
mundo.
O aquecimento global e o efeito estufa não atingem somente os países mais desenvolvidos e
que geram grande parte da poluição e destruição ambiental, todos nós sofremos as consequências
desta busca pelo desenvolvimento a qualquer preço.
Todas as atividades humanas contribuem potencialmente, direta ou indiretamente, para as
chamadas causas próximas das mudanças ambientais globais. Segundo Stern et al. (op.
cit.), essas causas próximas são variáveis sociais que afetam os sistemas ambientais
implicado nas mudanças globais, configuradas por mudança populacional e tecnológica,
crescimento econômico, instituições político-econômicas, atitudes e convicções. (FREIRE,
2002, p.29).
A educação ambiental é meio de se instruir para preservar e prevenir qualquer ameaça ao
meio e à própria vida da população, e certamente, é hoje, uma necessidade fundamental, já que o
modelo de desenvolvimento econômico favorece cada vez mais a degradação do meio natural.
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Dentro desta lógica, tal processo de degradação acelera-se e compromete a qualidade de vida
global. Nos países em desenvolvimento esta problemática é mais acentuada, levando grande parte
da população à miséria e a um ambiente insalubre e degradado, ferindo um dos principais direitos
do cidadão: um meio ambiente saudável que garanta a qualidade de vida das presentes e futuras
gerações.
A racionalidade ambiental não é expressão de uma lógica, mas o efeito de um conjunto de
interesses e de práticas sociais que articulam ordens materiais diversas que dão sentido e organizam
processos sociais através de certas regras, meios e fins socialmente construídos. Estes processos
especificam o campo das contradições e relações entre a lógica do capital e as leis biológicas, entre
a dinâmica dos processos ecológicos e as transformações dos sistemas socioambientais.
Além da possível ecologização da ordem social, a resolução da problemática ambiental e a
construção de uma racionalidade ambiental que oriente a transição para um desenvolvimento
sustentável requer a mobilização de um conjunto de processos sociais, a formação de uma
consciência ecológica, o planejamento trans-setorial da administração pública e a participação da
sociedade na gestão dos recursos ambientais, a reorganização interdisciplinar do saber, tanto na
produção como na aplicação de conhecimentos. A possível desconstrução da racionalidade
capitalista e a construção de uma racionalidade ambiental passa, pois, pelo confronto de interesses
opostos e pela conciliação de objetivos comuns de diversos atores sociais. (LEFF, 2002, p.134-135).
A Educação Ambiental deve incluir em seu programa diferentes missões para ampliar o
conhecimento na prática educativa e com isso poder analisar de maneira crítica o próprio conceito
de desenvolvimento, analisar as discussões dos modos de produção, a depredação dos recursos nãorenováveis, os efeitos perversos de um consumo que leva ao desperdício. Em outras palavras,
denunciar um sistema econômico devastador, que beneficia, a curto prazo, uma fração minoritária
da população mundial.
“Nesse sentido, escola torna-se não apenas local de aquisição de conhecimento, mas,
sobretudo, um espaço onde se aprende também a desenvolver estratégias para a construção
de um mundo melhor, mais sustentável. Assim, os Temas Transversais colaboram para que
o conhecimento se configure de forma integral, não fragmentada, despertando diferentes
olhares e dimensões em direção a um mesmo tema.” (RIBEIRO, 2005, p. 153-154).
E de acordo com Ribeiro a transversalidade só será alcançada quando o processo de
informações for formado por diferentes grupos, que vai desde os discentes e docentes até a própria
sociedade, cada um trazendo uma parcela de contribuição, pois somos todos interdependentes.
No centro das discussões sobre os caminhos que a sociedade deve seguir, a necessidade da
mudança de rota, de novos paradigmas para enfrentar a questão ambiental, está na educação. Por
meio dela, é possível traçar caminhos que levem ao desenvolvimento de uma reflexão sobre os
valores estabelecidos no atual sistema e à criação de novos valores, pautados pela ética e pelo
desenvolvimento humano, acima de qualquer outra coisa.
5. RESULTADOS
A escolha do referido tema se deu pela necessidade de enfocar para o público-alvo (alunos e
familiares), normas de uma conduta socio-ambiental, bem como considerar a natureza interligada às
áreas do currículo tratadas interdisciplinarmente, por meio de ações educacionais voltadas às
questões ambientais, garantindo os princípios de dignidade do ser humano, evidenciando a
importância de se educar os futuros cidadãos brasileiros.
A metodologia utilizada girou em torno da orientação efetiva por parte dos professores de
maneira interdisciplinar, visando suscitar nos estudantes o interesse pela pesquisa, pela solução dos
pequenos enigmas que surgem diariamente em nosso cotidiano.
Dia 26 de novembro de 2008 foi realizado um trabalho de conscientização com os alunos da
Escola Municipal de Ensino Infantil do Bairro Santa Mônica. Discutimos temas referentes ao lixo,
como, por exemplo, a maneira como seus familiares tratam do lixo em suas casas, quais as atitudes
que eles tomam para ajudar e preservar o meio ambiente e para finalizar falamos sobre a
importância da reciclagem.
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Durante esta primeira conversa, foi possível perceber que atitudes simples como a separação
do lixo reciclável do não-reciclável não fazia parte do cotidiano destas crianças e de seus familiares.
A maioria respondeu que em suas casas eles jogam o lixo todo “misturado”.
Neste momento da discussão, ressaltou-se que em Uberlândia, de acordo com pesquisas
realizadas no site da prefeitura, não é feita a coleta seletiva do lixo, porém há um grande número de
pessoas que recolhem o que pode ser reciclado e revende para cooperativas, assim recebem
dinheiro, que na maior parte dos casos é usado para sustentar suas famílias. Separando o lixo em
casa ajudaríamos estas pessoas e ainda impediríamos que algum material reciclável fosse descartado
no Lixão indevidamente.
Após esta conversa pedi-lhes que fizessem atividades diferentes. Em uma delas pedi que
desenhassem um ambiente que eles achavam bonito como forma de analisar se eles relacionariam
ambiente com natureza, sem, contudo, se esquecer que também temos o ambiente urbano que está
muito presente em nossas vidas. A maioria dos estudantes desenhou o Parque do Sabiá. A partir
deste resultado percebi que estes alunos possuem uma visão naturalista da natureza. Esta percepção
é constantemente reafirmada em programas de TV sobre a vida selvagem que moldam nossa
imaginação acerca da natureza.
Os dois desenhos que seguem abaixo são representações do Parque do Sabiá. Na figura 01, o
desenho do aluno ilustra a pista de corrida, onde as pessoas que freqüentam o parque costumam
realizar suas caminhadas. Com o objetivo de comparar seu desenho com o ambiente natural “real”,
utilizei uma fotografia aérea do parque representado. Na figura 03 o desenho representa uma das
lagoas que são ocupadas por patos, também presentes no desenho e a figura 04 cumpre o mesmo
papel que a figura 02.
FIGURA 1: Desenho da Pista de Corrida do Parque do Sabiá.
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FIGURA 2: Foto do Parque do Sabiá. Fonte:
http://www.uberlandia.mg.gov.br/midia/imagens/planejamento_urbano_e_meio_ambiente/parque_sabia.jpg
FIGURA 3: Desenho da Lagoa.
FIGURA 4: Lagoa do Parque do Sabiá. Fonte:http://www.dmae.mg.gov.br/midia/imagens/dmae/FP_sabia5_.jpg
Outra atividade proposta para os alunos foi para que eles colorissem, em uma folha com seis
figuras, as que representassem atitudes incorretas e prejudiciais ao meio ambiente.
Na figura cinco o aluno colore as imagens que realmente estão incorretas, mas um detalhe
interessante que vale ser destacado, também presente na figura sete, é a forma como os alunos
representaram a poluição causada pelo derrame de esgoto sem tratamento no rio, presente no
terceiro quadrado na coluna do lado esquerdo. A maioria deles fizeram uma mistura de cores para
representar a poluição presente no rio.
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FIGURA 5: Atividade realizada pelos alunos.
Já na figura seis e sete percebem-se alguns erros, mas que se analisarmos com mais cuidado
não são erros graves, pois ambos os alunos pintaram ou todo o desenho que tinha a presença do lixo
ou apenas o lixo. Esta atitude deixa claro que tais discentes têm consciência de que os detritos que
eliminamos diariamente são prejudiciais ao meio ambiente, possibilitando assim que realizássemos
algumas discussões referentes à temática lixo.
FIGURA 6: Atividade realizada pelos alunos.
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FIGURA 7: Atividade realizada pelos alunos.
Algumas brincadeiras também foram realizadas para, desta forma, aumentar o interesse do
aluno. Dentre elas, temos o Jogo da Ilha da Biodiversidade, que pretende alertar os alunos sobre os
problemas causados pela interferência humana, como o desmatamento, as queimadas, poluição,
urbanização, dentre outras, além de dar abertura para uma série de discussões relacionadas com o
assunto.
Neste jogo cada participante recebe uma placa e se senta em uma das cadeiras, dispostas em
fila em direção oposta uma da outra. Estas cadeiras representam um local ou ecossistema e eles são
os animais e plantas que vivem lá. Ao iniciar a música as crianças começam a andar em volta das
cadeiras. Neste momento retiramos algumas cadeiras que representam, por exemplo, a construção
de uma estrada, separando esse ecossistema em duas “ilhas”. Quando a música para, o número de
cadeiras é insuficiente, obrigando alguns alunos a ficarem de pé. Quem fica sem se sentar
representa as perdas ocasionadas ao ecossistema por causa da alteração do ambiente original ali
presente.
Os resultados obtidos com a realização do projeto foram bastante satisfatórios e puderam ser
observados pela mudança de algumas atitudes dos envolvidos no mesmo, tais como: uma
preocupação maior em fazer sua parte, pois descobriram que se cada um de nós fizer o que for
considerado correto e justo para com a natureza, as chances de se construir um futuro com
qualidade de vida tornam-se maiores. Dificuldades para a realização e conclusão do projeto não
ocorreram, além disso, vimos que o mesmo contribuiu para o desenvolvimento de atitudes e valores
na sociedade escolar.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
É impossível evocar a cidadania sem pensarmos na escola, no sentido de projeto
pedagógico, político e filosófico, no qual os estudantes possam receber uma formação apta a
permitir enfrentar os desafios políticos e ecológicos do nosso tempo.
A contribuição dos professores pode ocorrer de maneira satisfatória se eles se propuserem a
utilizar todos os recursos pedagógicos disponíveis, além de acentuar devidamente as atividades
práticas uma vez que a Educação Ambiental pressupõe ação e, é por meio de suas ações que o
indivíduo se torna um sujeito capaz de intervir no ambiente em que vive. Sabemos que isso só será
possível com o estabelecimento de novos valores políticos e econômicos, sob a égide da ética e do
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respeito à vida. “Essas transformação não se fazem apenas no campo da militância, mas mais
profundamente através dês idéias. As idéias movem o mundo”. (Dias, 1999, p.38)
A educação tradicional nas escolas enfrenta uma série de problemas devido ao fato de a
preocupação maior por parte dos professores consistir em passar os conteúdos curriculares
tradicionais esquecendo-se dos temas transversais, que fazem parte do nosso cotidiano. Desta forma
não há como promover a tomada de consciência e sensibilização para os problemas ambientais com
os mesmos métodos tradicionais da educação. A Educação Ambiental tem como principal objetivo
a formação cidadã. Por isso, sua prática na escola deve ser permanente e sob uma visão holística,
integral e interdisciplinar, sendo que uma das alternativas é utilizar um problema local onde seja
possível uma interação e a transformação de determinada realidade.
Essa experiência representou uma alternativa aos métodos educativos tradicionais, trazendo
para a sala de aula a discussão da realidade dos alunos, o seu meio ambiente e seu papel neste
processo. Por mais simples que sejam as atividades educativas, elas motivam e dão um novo sentido
ao processo educativo e à escola.
A discussão relativa ao acúmulo de lixo nas cidades é de fundamental importância,
principalmente se levarmos em consideração o atual modelo de desenvolvimento econômico. O
incentivo ao consumo excessivo dos produtos gerados pelas indústrias leva ao descarte abusivo de
resíduos sólidos, e, conseqüentemente, ao aumento da geração de lixo.
A reciclagem tem fundamental importância para redução do acumulo de lixo, pois grande
parte do material que descartamos diariamente pode ser reciclado ou ainda reaproveitado. Ter
conhecimento de sua importância é o primeiro passo, mas saber praticá-la é o maior desafio.
Ao contrário do que muitos imaginam a relação custo - benefício de um projeto de
reciclagem bem gerenciado pode apresentar resultados positivos surpreendentes. Porém ainda
restam alguns fatores que prejudicam este processo, como por exemplo, a bi-tributação dos
recicláveis, consideram que seus impostos já foram pagos quando embalavam o produto.
No entanto, apenas estas ações não são suficientes para solucionar o problema. O cidadão
deve aprender a reduzir a quantidade do lixo que gera, quando possível. Deve entender que redução
não implica padrão de vida menos agradável. É simplesmente uma questão de reordenar os
materiais que usamos no dia-a-dia. Uma das formas de se tentar reduzir a quantidade de lixo gerada
é combatendo o desperdício de produtos e alimentos consumidos.
Segundo Freire, não há transição que não implique um ponto de partida, um processo e um
ponto de chegada. Todo amanhã se cria num ontem, através de um hoje. De modo que o nosso
futuro baseia-se no passado e se corporifica no presente. Temos de saber o que fomos e o que
somos, para saber o que seremos. (FREIRE, 1979, p.33).
Se nossas ações forem voltadas para rever os valores que nos orientam, talvez possamos
alterar nosso comportamento diante da natureza. Se a respeitarmos, estaremos valorizando a vida.
7. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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ENVIRONMENTAL EDUCATION: FORMING AWARENESS SINCE THE
INFANCY
Berta Andrade Junqueira
Universidade Federal de Uberlândia; Instituto de Geografia; Av. João Naves de Ávila, 2121 - Bloco 1H
Santa Mônica Uberlandia, MG – Brasil.
[email protected]
Prof.ª Dra. Marlene Teresinha de Muno Colesanti
[email protected]
Abstract: The purposse of this job is to discuss the environmental issue and present the results
obtained through research for scientific initiation, funded by CNPq/UFU. Throughout the research,
it was attempted to involve the school comunity, starting with the solid residues issue and from then
on, raise awareness about the resposibility that each individual has towards the environment they
live in. This study has been made with the participation of students regularly enrolled at the School
of Basic Education of Santa Monica neighborhood in Uberlândia - Minas Gerais.
Keywords: ethics, environmental education, garbage, consumerism.
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educação ambiental: formando a conciência desde a infância.