HABILIDADE DE VISUALIZAÇÃO COM ALUNOS DA LICENCIATURA EM MATEMÁTICA EM GEOMETRIA ESPACIAL José Carlos Pinto Leivas Centro Universitário Franciscano, Brasil [email protected], [email protected] RESUMO O artigo trata de uma pesquisa que aborda o tema visualização, envolvendo dez alunos da disciplina Educação Matemática, em uma Licenciatura em Matemática de uma universidade do estado do Rio Grande do Sul, na qual o pesquisador é o próprio docente. Foi feito um estudo de caso, por meio da aplicação de atividades organizadas, com o objetivo de avaliar a habilidade de visualização de relações geométricas no espaço tridimensional, a fim de responder se é possível desenvolver tal habilidade pelo grupo investigado. O tema visualização vem sendo utilizado na investigação em Educação Matemática, tendo sido caracterizado como importante tema de pesquisa, envolvendo estudos curriculares, a partir da criação de grupo de estudos junto ao Grupo de Psicologia da Educação Matemática (PME). O papel da imaginação visual ou visualização, como uma construção mental, na resolução de problemas, é algo já comprovado por pesquisadores como Presmeg, Arcavi, Leivas, Fischbein, dentre outros. Os resultados da pesquisa comprovaram que é possível desenvolver a habilidade de percepção visual ou visualização mediante aplicação das atividades. Palavras-chave: visualização, geometria espacial, ensino superior. ABSTRACT This article deals with a research that addresses the theme visualization involving ten students in a Mathematics Education course at a University in the state of Rio Grande do Sul, Brazil, where the researcher is the teacher. We conducted a study case through the application of organized activities with the objective of V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 2 evaluating the ability to visualization the geometric relationships in three dimensional space in order to answer if it´s possible to develop such skill by the group investigated. The theme visualization has been used in research in mathematics education, has been characterized as an important research topic, involving curriculum studies, from the creation of a study group with the Group of Psychology of Mathematics Education (PME). The role of imagery or visualization, as a mental construction, problem solving is something proven by researchers as Presmeg, Arcavi, Leivas, Fischbein, among others. The research results proved that it´s possible to develop the ability of visual perception or view of the activities implemented. Keywords: visualization, spatial geometry, higher education. 1 Introdução É frequente o uso das palavras visual, visualidade, visualizar e visualização, quando queremos dizer que algo foi percebido pelo órgão da visão. Buscamos no dicionário (Dicionário eletrônico Houaiss - versão 1.0 - dezembro de 2001) os significados dessas palavras e destacamos a seguir. - Visual, adjetivo de dois gêneros, “que é efeito de imagens mentais expressivas”. - Visualidade, substantivo feminino, “qualidade ou estado de ser visual ou visível”; ou ainda, “imagem mental ou pictórica; visualização”. - Visualizar, como verbo transitivo direto é o ato de “tornar visual, convertendo (algo abstrato) em imagem mental”. Os exemplos de uso citados no dicionário são: “para visualizar esta análise, apresentarei os seguintes gráficos; visualizemos este raciocínio sob a forma de um esquema”. Uma segunda definição que o dicionário apresenta é: “formar uma imagem visual mental de (algo que não existe ou que não está diante dos olhos); imaginar”. - Visualização, substantivo feminino, “ato ou efeito de visualizar”; “capacidade ou ato de formar na mente imagens visuais de coisas que não estão à vista, ou a imagem daí resultante; visualidade”; “conversão de conceitos em formas visíveis”. Esses termos a muito deixaram de ter apenas a concepção simplista de percepção como órgão da visão e visualização passou a ser considerado objeto de pesquisa junto a educadores matemáticos. A partir dos anos 70, pesquisas, envolvendo metodologias tanto qualitativas quanto quantitativas ocuparam espaço no Grupo de Psicologia da Educação Matemática – V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 3 PME. A partir dos anos 90, o grupo considerou-o um campo significativo e o incorporou a questões de currículo, o que foi reforçado com o advento da Geometria Dinâmica. A visualização desempenha um importante papel em pesquisas, por exemplo, na resolução de problemas, como pode ser percebido “O papel da imaginação visual ou visualização na resolução de problemas matemáticos permanece uma questão atual em pesquisas educacionais” (STYLIANOU, 2001, 232, apud PRESMEG, 2006, p. 228). Por sua vez, Arcavi (2003) afirma que, a visualização pode desempenhar o papel de ajustar o que cremos como "errado" em nossas intuições e harmonizá-lo com a correção opaca e “gelada” do argumento simbólico. Outro papel que desempenha é num contexto simbólico, em que a solução visual para um dado problema é capaz de nos envolver com conceitos e significados, os quais podem facilmente ser contornados por essa solução simbólica. Nesse sentido, o advento e avanço da Geometria Dinâmica tornou-se uma ferramenta auxiliar de relevância inquestionável para o desenvolvimento de habilidades visuais e comprovação daquilo que Fischbein (1987) afirmou sobre intuição ou conhecimento intuitivo como sendo um tipo de cognição que se refere às afirmações autoevidentes, as quais ultrapassam fatos observados, uma vez que “o principal atributo do conhecimento intuitivo é o sentimento de uma certeza direta e este é produzido, em primeiro lugar, pela impressão de autoevidência.” (p. 21). Para Piaget e Inhelder (1971), o termo visualização é usado quando, ao se criar um arranjo espacial incluindo uma concepção matemática, há uma imagem visual na mente da pessoa, orientando sua criação. Para Presmeg (2006), visualização é usada para incluir processos de construção e transformação de imagens visuais, mentais e todas as construções de uma natureza espacial que podem ser implicadas ao fazer matemática. Utilizaremos, neste trabalho, o termo visualização como “sendo um processo de formar imagens mentais, com a finalidade de construir e comunicar determinado conceito matemático, com vistas a auxiliar na resolução de problemas analíticos ou geométricos.” (LEIVAS, 2009, p. 22). Entendemos que a habilidade de visualização pode ser desenvolvida em qualquer nível de escolaridade, inclusive, com alunos do ensino superior que argumentam não a possuírem. Para muitos desses, o estudo de Geometria se encontra fora de seu alcance, com o que não concordamos e iremos, com esta pesquisa, comprovar que ela pode ser desenvolvida ou construída. Presmeg (2006) salienta que, no PME-18, em 1994, cinco das 16 pesquisas categorizadas como Geometrical and Spatial Thinking, junto ao grupo de discussão sobre visualização, tratavam sobre pesquisas envolvendo visualização no currículo. Dessa forma, V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 4 integramos o assunto em nossas pesquisas, especialmente na formação inicial e continuada de professores de Matemática. Acreditamos que o pensamento visual pode representar um facilitador para a aprendizagem matemática em suas diversas áreas do conhecimento, não somente em Geometria, à qual se refere o presente artigo. 2 A pesquisa A pesquisa foi realizada com dez alunos da Licenciatura em Matemática, durante a ocorrência da disciplina Educação Matemática, da qual o pesquisador é docente, levada a efeito em janeiro de 2012. Dois alunos haviam cursado um semestre de Geometria Plana e dois outros também um semestre de Geometria Espacial; os demais não tinham cursado nenhuma disciplina. Apresenta uma das características apontadas por Lüdke e André (1986), para classificá-la como pesquisa qualitativa, a qual, em educação, “tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal elemento; os dados coletados são predominantemente descritivos; a preocupação com o processo é muito maior do que com o produto [...]” (p.11). Um dos objetivos da disciplina é: desenvolver atividades utilizando recursos materiais e metodológicos para a Educação Geométrica no Ensino Médio. Para alcançar esse objetivo, o professor organizou uma unidade didática assim distribuída: - construção de sólidos geométricos com materiais alternativos ou manipuláveis; - uso de softwares para a elaboração de aulas de Geometria, Trigonometria e Geometria Analítica para o Ensino Médio. Entende o pesquisador que, para desenvolver tal unidade e atingir seu objetivo, atividades investigativas envolvendo visualização espacial são fundamentais, uma vez que os alunos, em geral, têm grande dificuldade de perceber relações espaciais. Na crença de que a habilidade de visualização pode ser construída ou desenvolvida, após as primeiras aulas utilizando alguns materiais concretos para caracterizar prismas, e com o objetivo de: avaliar a habilidade de visualizar relações geométricas no espaço tridimensional em alunos da Licenciatura em Matemática, o pesquisador elaborou a seguinte questão de pesquisa: é possível desenvolver em alunos da Licenciatura em Matemática a habilidade de visualização? A fim de responder à questão de pesquisa, foram elaboradas atividades investigativas em grau crescente de dificuldades, partindo de interpretações de representações gráficas de objetos tridimensionais até chegar a cortes em sólidos geométricos. Para Goldenberg (apud V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 5 ABRANTES et al., 1999, p.47), os estudiosos de currículos que envolvem investigações devem ser bem compreendidos pelos professores. Se for certo que grande parte da aprendizagem dos alunos deve surgir das investigações que eles próprios realizam, então os alunos devem aprender a ser bons investigadores. É uma coisa que não deve ser deixada ao acaso, devendo antes constituir uma parte do currículo cuidadosamente planejada. Assim, entendemos ser pertinente a realização de uma pesquisa investigativa com alunos da Licenciatura em Matemática e, particularmente, na disciplina Educação Matemática. As duas primeiras atividades tiveram como objetivo verificar se o grupo investigado interpretava representações gráficas de dois objetos constituídos de pilhas de cubos, os quais poderiam ser observados de diferentes pontos, a fim de intuir os cubos que eram visíveis e os que não eram ao observador. A atividade três consistia em apresentar quatro objetos espaciais em que nem todas as arestas ou linhas eram representadas, para que os alunos as representassem por linhas tracejadas. Essa atividade diferenciava-se das duas anteriores, por serem linhas contínuas e não por peças acopladas umas às outras, ou seja, pilhas de cubos e tinha como objetivo verificar se os alunos percebiam partes invisíveis em uma representação de objeto espacial. As atividades quatro e cinco consistiram de sete pilhas de cubos, com indicativos de diferentes vistas laterais ou frontais, as quais os alunos deveriam observar e desenhar daquela posição indicada. As pilhas eram constituídas de quantidades e posições diferentes de cubos. Por outro lado, as atividades seis e sete percorriam um caminho inverso, isto é, eram dadas vistas laterais, frontal e de topo, e solicitado que o aluno fizesse um desenho representando o empilhamento. Além disso, era perguntado se eles consideravam serem suficientes as três vistas e se precisariam de um número maior delas. A atividade oito era constituída de um cubo interseccionado por um plano paralelo à sua base e a nove, de um prisma reto de base hexagonal, interseccionado por planos e semiplanos perpendiculares a sua base. Em cada caso, foram fornecidas alternativas de representações dos cortes, para que o aluno identificasse qual delas correspondia ao corte efetuado. Na atividade 10, era fornecido um cubo interseccionado por um plano paralelo à base. Nessa atividade, eram solicitadas as representações de linhas invisíveis obtidas pelo corte, nomeação dos elementos, desenho das partes obtidas e respectivas nomenclaturas, bem como um desenho em separado da região determinada. A coleta de dados foi feita a partir dos registros realizados pelo grupo de alunos envolvidos, bem como os do próprio investigador, para a organização de uma espécie de V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 6 diário de campo ou de bordo para, posteriormente, realizar a respectiva análise. De acordo com Fiorentini e Lorenzato (2006, p.119), “a organização do diário de bordo pode variar de um pesquisador a outro”. Além disso, para os mesmos autores, os diários podem conter uma perspectiva descritiva, a qual “atém-se à descrição de tarefas e atividades, de eventos, de diálogos, de gestos e atitudes, de procedimentos didáticos, do ambiente e da dinâmica da prática, do próprio comportamento do observador etc.”. (p. 119). No início das atividades, as quais tiveram uma duração de quatro horas, todas realizadas em um mesmo dia, o investigador forneceu material impresso em que constava a numeração da atividade e espaço destinado para a resposta solicitada a cada uma, o qual os alunos devolveriam ao final. Os alunos se identificaram, porém, para preservar suas identidades, serão nomeados aqui por letras maiúsculas, A, B, C, D, E, F, G, H, I, J. Para a realização da atividade, o investigador apresentava questão por questão em uma projeção e deixava um tempo para os alunos a visualizarem, solicitando que não discutissem com os colegas as prováveis soluções e que as registrassem no material fornecido. Após todos concluírem uma das atividades, mediava debate entre os estudantes a respeito da forma como tinha sido visualizada a questão, apontando erros, acertos e diversidade de soluções. Em seguida era proposta outra atividade da sequência e repetido o procedimento. Registramos o fato que, nos dois encontros que antecederam à aplicação da pesquisa, foram realizadas construções de sólidos e seus esqueletos, utilizando materiais concretos: madeira, palitos, barbante e canudos. A partir de tais construções, os alunos faziam representações em papel para retomada de conceitos, nomenclatura e propriedades. Assim, buscamos uma primeira tentativa de busca de aquisição de habilidades visuais a partir do material concreto a fim de passar para a abstração e a consequente aquisição do que entendemos por visualização como construção mental. 3 Análise dos dados A seguir faremos a análise dos dados fornecidos pelos investigados e pelos registros do investigador. Atividade 1 Como já dissemos, essa atividade teve como objetivo verificar de que forma os alunos interpretavam representações de pilhas de cubos, todos de mesmas dimensões. O investigador fez a apresentação da figura 1, a seguir, em uma projeção em PowerPoint. V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 7 Figura 1: pilha de 14 cubos1 Oito alunos responderam corretamente haver na pilha um total de 14 cubos. Um aluno não estava presente e o aluno G respondeu 21 cubos. Ao ser questionado do porquê de sua resposta, o mesmo disse que compreendera “cubo quadrado” ou “região quadrada”. Ele contou o número de regiões quadradas, percebendo a existência de sete fileiras com três elementos em cada uma delas e, portanto, concluiu haver 21 objetos. Embora G apresente deficiência auditiva, o investigador o acompanha muito de perto, articulando as palavras de modo a que ele possa fazer a leitura labial. Consideramos, ainda, haver a projeção do solicitado. Percebemos que o aluno ainda não tem clareza sobre os conceitos de cubo e quadrado. Os demais alunos justificaram suas formas de percepção visual da questão. A representação dada na figura 1.1, a seguir, em que são coloridas faces, principalmente as superiores, de um cubo de cada coluna da pilha, favorece o desenvolvimento da habilidade de visualização e pode ser obtida facilmente utilizando um software de Geometria Dinâmica, por exemplo. Figura 1.1: pilha de cubos com faces coloridas. Observamos que, ao colorir as faces superiores de cada cubo, a visualização dos mesmos em cada coluna se torna mais evidente, facilitando a contagem do número deles no empilhamento. Atividade 2 Esta atividade, similar à anterior, teve o mesmo objetivo, sendo fornecida a figura 2, a seguir. 1 Algumas das atividades foram adaptadas de Alsina, Burgués e Fortuny (1997). 8 V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil Figura 2: pilha constituída de 36 cubos. Novamente, os mesmos oito alunos responderam corretamente; um aluno não respondeu, pois chegou após a realização da atividade e o aluno C respondeu que havia um total de 45 cubos no empilhamento. Questionado oralmente sobre a forma como obteve esse valor, respondeu: C: Entendi que havia três filas na horizontal, constituídas de cinco objetos cada uma, adicionei com o número existente na segunda fila. C entendeu que havia filas na vertical e não percebeu que eram sobrepostas, por exemplo, a de trás, com três cubos em cada coluna. Na realidade, deveria ter percebido serem duas sobre a horizontal e mais a inferior. É importante chamar a atenção para o aluno G, o qual, na atividade um, havia respondido errado, por ter feito confusão entre o conceito de cubo e de quadrado. O aluno, dessa feita, respondeu a esta atividade de forma correta. Atividade 3 Com esta atividade pretendíamos verificar como os alunos percebem a representação de objetos tridimensionais, não mais por empilhamentos que favorecem a percepção de linhas de contato entre os diversos cubos. Aqui se fazia necessária a percepção de linhas ocultas na figura, as quais os investigados precisariam representar. Com essa atividade, trabalhamos o conceito de visualização como imagem mental, segundo Leivas (2009). Piaget e Inhelder (1971) afirmam que uma representação pode ser feita quando a imagem mental do objeto é formada após sua ausência. Os alunos foram orientados a representar as linhas ocultas, por meio de tracejadas, a partir da projeção da representação de um cubo, primeiramente, apenas pelas arestas visíveis e, em seguida, as arestas invisíveis por linhas tracejadas. (a) (b) (c) (d) Figura 3: objetos tridimensionais sem algumas arestas. Dos nove alunos que realizaram a atividade, oito acertaram as arestas invisíveis das representações (a) e (b); apenas um aluno acertou a representação na (c) e cinco na (d). O aluno C apresentou dificuldades em suas representações e acrescentou uma aresta inexistente na (a). Na (b), criou uma aresta visível e acrescentou prolongamento da figura por linhas tracejadas, mostrando que não visualizou o objeto tridimensional representado, ou seja, um prisma reto de base triangular assentado sobre uma face lateral. Repetiu o erro em (d). V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 9 Considerando que em aulas que precederam a investigação foram feitas construções de prismas utilizando palitos, representações dessas construções, discussão sobre nomenclatura e propriedades de prismas, conclui-se que tais construções com materiais concretos não foram suficientes para visualização na passagem ao semiconcreto para alguns desses alunos. Figura 4: representações das arestas pelo aluno C. Quanto à representação (c) da figura 4, observamos que C não percebeu que se tratava de uma parte de uma superfície cilíndrica obtida pela interseção com um plano perpendicular à sua base passando pelo diâmetro. Assim, não identificou a semicircunferência que se encontra na parte de trás da representação como sendo paralela à da parte da frente. Por outro lado, como apenas o aluno A representou corretamente, o investigador considera que a questão pode não ter sido bem apresentada ou, ainda, que os alunos não conseguiram sair de representações de sólidos retilíneos para curvilíneos. A figura 5, a seguir, ilustra a representação correta feita pelo aluno A. Figura 5: representação das linhas invisíveis feitas pelo aluno A. A atividade mostrou que é necessário desenvolver tarefas de representação em objetos tridimensionais de linhas que não são vistas pelo observador. Além disso, também são necessárias atividades de identificação dessas linhas em representações já elaboradas. Com isso, entendemos que ao interpretar a representação do objeto em sua ausência, em Geometria Espacial, é um passo intermediário para a abstração e pode ser construída de forma suave até a aquisição da habilidade de visualização. Entendemos que não foram criados arranjos espaciais pelos alunos, até este momento, como afirmaram ser necessário para a visualização Piaget e Inhelder (1971), não havendo, ainda, uma imagem mental dos objetos tridimensionais representados no plano, com a concepção matemática necessária, o que já seria desejado para alunos do ensino superior. Atividade 4 Com essa atividade, pretendíamos verificar se os alunos conseguiam transferir e 10 V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil manipular mentalmente as diversas vistas de um sólido para representá-las no plano e, assim, ir construindo a visualização completa do objeto, mesmo não estando ele presente. Também queríamos induzi-los a perceberem a necessidade de três vistas, para definir completamente a imagem mental de um objeto espacial. Para alcançar o objetivo, o investigador apresentou duas pilhas iguais, constituídas de cinco cubos, e indicou qual era a posição do observador com uma flecha, a fim de que fossem construídas as vistas laterais. Figura 6: vista lateral de um empilhamento. Projetamos a figura 6 aos alunos para exemplificar o conceito de vista lateral, com a flecha indicando a posição do observador, o empilhamento de cubos à esquerda e a respectiva vista à direita. Em seguida, foram indicados os empilhamentos (a) e (b), constantes da figura 7, para os alunos construírem as vistas laterais indicadas pelas flechas. (a) (b) Figura 7: empilhamentos para construção de vistas laterais. Dos nove alunos que responderam ao solicitado na atividade, três deles erraram, indicando a dificuldade de perceber a projeção de um objeto espacial no plano. Os estudantes C e I fizeram o mesmo tipo de representação do empilhamento. Podemos perceber a falta de compreensão da seta indicando a posição do observador, uma vez que, ao serem indagados sobre suas representações, afirmaram acreditar que havia um cubo escondido completamente e que estavam percebendo o empilhamento de cima, o que pode justificar a criação de um quadrado superior no centro, nesse caso. (figura 8) Figura 8: representação da vista do empilhamento (a) feita por C e I. O aluno D parece, a exemplo dos dois anteriores, ter visualizado o empilhamento de cima, pois identifica os quatro quadrados de acordo com esse posicionamento. O curioso é a V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 11 forma de representar sua vista do empilhamento de forma inclinada, não se posicionando frontalmente ao objeto (figura 9). Figura 9: representação da vista do empilhamento (a) feita por D. As representações das vistas laterais feitas por C e I não possuem significados, não sendo possível identificar o que perceberam, uma vez que C representa quatro quadrados, quando deveriam ser apenas três (figura 10 à esquerda). Representa um quadrado num plano superior, à esquerda, e um, à direita, no centro, esse mostrando uma inversão na sua visualização. Algo similar ocorre com a representação incompleta feita por I, à direita. Figura 10: representações feitas por C e I da vista do empilhamento (b). Por outro lado, D identifica os três quadrados vistos, segundo a posição do observador. Entretanto, não os representa corretamente, apresenta o mesmo tipo de inversão das representações anteriores, indicando o terceiro quadrado à direita e não à esquerda dos outros dois colocados verticalmente. Além disso, o dispõe ao lado do superior e não do inferior. (figura 11) Figura 11: Rrepresentações feitas por D da vista do empilhamento (b). Podemos considerar que, de alguma forma, o que indicou Arcavi (2003) está sendo corroborado, uma vez que a visualização até então está desempenhando aquele papel que o autor indicou, ou seja, de ajustar os aspectos errados oriundos de uma intuição primária e auxiliar na solução dos problemas de representação de vistas, produzindo significados a partir do simbolismo de tais representações para os alunos. Atividade 5 Esta atividade dá prosseguimento a quatro, com o mesmo objetivo, investigando se os alunos percebem o número necessário e suficiente de vistas de um objeto espacial para sua 12 V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil representação exata. Foram apresentados cinco empilhamentos de cubinhos, os três primeiros iguais e os outros dois diferentes desses, mas iguais entre si e solicitado que os alunos desenhassem as vistas frontal, lateral e superior, indicadas pelas flechas, como na figura 12. (a) (b) (c) (d) (e) Figura 12: empilhamentos para representação de vistas. Dos nove respondentes, houve cinco acertos em relação ao empilhamento (a) e, após a apresentação do empilhamento (b), dois alunos retificaram a primeira representação. O aluno J fez sua representação, dispondo três quadrados empilhados e dois à direita desses, invertendo a posição, como se estivesse olhando o empilhamento do lado oposto ao solicitado, isto é, frontalmente. Ao se dar conta, na representação do empilhamento (b), assim se expressou: J: não levei em consideração a reta, e sim o ângulo que avistava da cadeira. O certo seria o último quadrado, do lado direito. Só notei o erro quando foi proposta a figura (b). O aluno D fez a mesma representação de J, porém completando, na segunda coluna, com um terceiro quadrado pontilhado na parte superior, marcando com um x o da esquerda para indicar que estava errado e, portanto, corrigindo, escrevendo ao lado de sua representação, como na figura 13, a seguir. Figura 13: vista do empilhamento (a), feita por D. Quanto aos empilhamentos seguintes, houve a seguinte sequência de acertos nas representações das vistas: (b) teve sete acertos; (c) teve oito acertos; (d) e (e) nove acertos, mostrando que a sequência permitiu aos estudantes desenvolverem convenientemente o processo visual do objeto e as respectivas vistas lateral, frontal e superior. Cabe notar que os últimos dois empilhamentos tinham um número maior de cubos e um grau de diversificação de posicionamentos mais complexo entre eles, bem como no (c), em que a vista era a oposta da frontal. Portanto, houve com essa atividade uma comprovação daquilo que Fischbein (1987) afirmou, uma vez que o conhecimento intuitivo autoevidente está se transformando em uma V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 13 forma de cognição, pois ao ultrapassarem as observações, os alunos conseguiram ir formando imagens mentais sobre o empilhamento. As atividades seis e sete, analisadas a seguir, buscavam verificar se os alunos desenvolviam visualização a partir de empilhamentos de cubos, pelas representações das vistas lateral, frontal e de topo, percorrendo o caminho inverso, por assim dizer, ou seja, foram fornecidas as três vistas de um empilhamento e solicitado que os alunos o desenhassem. Para Alsina, Burgués e Fortuny (1997), os estímulos visuais são relevantes no momento em que desejamos evoluir no processo de construção de imagens mentais. Essa afirmação aproxima-se do que Leivas (2009) define como visualização. “A percepção visual exige o desenvolvimento de uma série de habilidades, entre elas se destacam o saber ver e o saber interpretar” (ALSINA; BURGUÉS; FORTUNY, 1997, p. 61). Dessa forma, acreditamos que os estímulos visuais empregados nas atividades precedentes, tendo auxiliado, mesmo que ainda de forma incompleta, a construção de imagens mentais de objetos espaciais, possibilitaria verificarmos o avanço no saber ver e saber interpretar tais objetos. Atividade 6 Foram apresentadas as vistas de frente ou frontal, de lado e de topo, como na figura 14, e solicitado que os alunos fizessem um desenho do empilhamento de cubinhos correspondente. Figura 14: vistas fornecidas para a atividade 6. A partir dessa atividade, estavam presentes dez alunos. Representaram corretamente o empilhamento sete alunos. A aluna D, que vinha apresentando dificuldades em sua habilidade de visualização, fez a representação correta, demonstrando, assim, que estava adquirindo tal habilidade. Outro demonstrativo de crescimento nos aspectos visuais foi comprovado na representação feita pelo aluno B, pois, além de acertar, também indicou, na quase totalidade, as linhas invisíveis com tracejados, dessa forma, reiterando o preconizado por Alsina, Burgués e Fortuny (1997), uma vez que indica certo saber ver e representar. V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 14 Figura 15: representação do empilhamento, feito por B. Atividade 7 Nessa atividade, além de fornecer três vistas para representar o empilhamento (figura 16), o investigador perguntava se as três eram suficientes. Além disso, perguntava, também, se haveria necessidade de um número maior delas. Figura 16: vistas fornecidas para a atividade 7. Apenas quatro dos dez alunos fizeram representações coerentes do empilhamento, de acordo com as vistas fornecidas. Concluímos que o grau de dificuldade para visualização ainda é presente em empilhamentos mais complexos, como o indicado. Entretanto, foi interessante observar que alguns consideraram a vista lateral a partir das representações da atividade 5, (a) e (b), obtidas da parte de trás do empilhamento. Isso parece indicar que a construção visual mental está sendo adquirida pelo aluno. Oito alunos afirmaram que as três vistas eram suficientes para representar corretamente o empilhamento e o aluno G, em vez de responder sim ou não, fez uma conta qualquer, associando ao “sudoku”, segundo ele. Em relação ao questionamento se poderia ser fornecido um número menor de vistas, apenas seis alunos responderam corretamente, sendo que o mesmo aluno G apresentou outra conta. Algumas justificativas dos alunos foram: A: Não, com uma vista a menos, poderíamos ter muitos outros desenhos. C: não, pois as três vistas são as mínimas e necessárias. D: Não, pois teria a base apenas de dois lados; no meu ponto de vista, fica mais completo com as três. E: Não, pois faltariam dados para construir o empilhamento. F: Sim, se o topo não fosse fornecido, teríamos o mesmo desenho. J: Não, pois teria ângulos que não seriam visualizados. Mesmo tendo acertado a representação, F justifica erroneamente. Por outro lado, mesmo errando as representações, os alunos C, D, J justificaram corretamente. Podemos concluir que V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 15 o processo em andamento está sendo eficiente, que estão ocorrendo as construções mentais, além das representações, considerando o conjunto das atividades até o momento realizadas. Nas atividades seguintes, buscamos verificar se os alunos conseguiram adquirir ou aprimorar a habilidade de visualização e aplicá-la em cortes realizados em prismas. Nas atividades oito e nove, foram fornecidos, respectivamente, cortes num cubo e num prisma reto de base hexagonal e alternativas para os alunos identificarem qual seria a correta. Dessa forma, o investigador poderia verificar o grau de compreensão sobre a visualização, agora não mais com empilhamentos, os quais, em nossa opinião, foram facilitadores para o início do desenvolvimento dessa habilidade. Atividade 8 Foi apresentado um prisma reto cortado por um plano, perpendicular à sua base, passando por um vértice e por uma aresta dessa base, como ilustrado na figura 17, e cinco alternativas, cada uma com duas partes obtidas pelo corte, para ser identificada a correta. Figura 17: cubo cortado por um plano e alternativas de partes da separação. O investigador utilizou o recurso fornecido pelo Cabri 3D, para girar a figura em diversas posições, a fim de que os alunos pudessem analisar, sob diversos pontos de vista, e decidir qual seria a alternativa correta, em consonância ao afirmado por Arcavi (2003), segundo o qual a visualização pode desempenhar o relevante papel de ajuste à intuição em termos de correções de erros oriundos dessa e de representações simbólicas iniciais. Assim, utilizamos as tecnologias, para auxiliar no desenvolvimento ou aquisição da habilidade de visualização. Sete alunos responderam que a alternativa C é correta; dois, que é a E e um não respondeu. Consideramos que o objetivo foi alcançado, uma vez que 70% dos investigados conseguiram visualizar corretamente as partes obtidas pelo corte. Atividade 9 A figura 18 ilustra o sólido cortado duplamente por um plano e um semiplano em três partes e as alternativas correspondentes para a terna de partes correspondentes, aumentando o grau de dificuldade para a visualização, em relação à atividade oito. V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 16 Figura 18: cubo cortado em três partes e alternativas de partes. De forma similar ao feito anteriormente, no momento da apresentação do sólido para os alunos escolherem a terna, o investigador utilizou o dinamismo do Cabri 3D, para fazer girar o sólido, a fim de que todos pudessem escolher a melhor posição para sua visualização, considerando que cada indivíduo desenvolveu sua forma peculiar de observação, como analisado nas atividades com as vistas dos empilhamentos. Em relação à atividade anterior, houve um incremento no número de alternativas corretas, uma vez que apenas um aluno não acertou; todos os outros indicaram a representação da letra E, acertadamente, demonstrando que houve uma aquisição considerável na habilidade visual desses alunos. Para completar a pesquisa, foi proposta a atividade a seguir. Atividade 10 No desenho a seguir, (figura 19) temos um cubo ABCDA´B´C´D, cortado por um plano, paralelo à sua base, passando pelos pontos médios (P, Q, R e S) das arestas laterais. Figura 19: cubo cortado por um plano paralelo à base. Pretendemos, com a atividade, formalizar alguns conceitos utilizados informalmente nas atividades precedentes, bem como verificar se a habilidade de visualização foi desenvolvida e o objetivo previsto pelo investigador plenamente atingido, muito embora, com a atividade anterior, isso já tenha sido comprovado. Ao apresentar a figura, o investigador propôs as seguintes questões: a) Represente, por linhas tracejadas, as linhas invisíveis da figura. b) Nomeie as arestas da base e as arestas laterais do cubo. c) Desenhe, separadamente, as partes em que o cubo foi dividido pelo plano. d) Nomeie as faces laterais de uma dessas partes. e) Faça um desenho perfeito, com régua e compasso, da região obtida pela intersecção do V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 17 plano com o cubo [considere o cubo maciço]. Como ela se chama? Os 10 alunos fizeram corretamente os desenhos com todas as linhas invisíveis tracejadas, demonstrando, com isso, terem compreendido plenamente como deve ser feita a representação plana de um objeto tridimensional; nomearam corretamente tanto as arestas da base quanto as laterais. Os desenhos das duas partes do cubo foram feitos adequadamente, inclusive, com as representações corretas das arestas invisíveis. Surgiram algumas dificuldades em nomear as faces laterais do cubo. Em relação ao item e) houve dificuldade, primeiramente, porque, embora o investigador tenha solicitado previamente trazerem instrumentos de desenho, apenas dois alunos o fizeram. Assim, foi recomendado que esboçassem um rascunho da figura resultante da interseção. Em segundo lugar, poucos alunos representaram a região limitada pelo polígono fronteiriço, demonstrando, ainda, conflitos conceituais entre polígonos e regiões poligonais. Um aluno não nomeou a região e nem a representou; um segundo aluno chamou-a de losango e o representou como um quadrado, indicando que era uma “vista de cima”; um terceiro aluno denominou-o retângulo e o representou coerentemente como um polígono. Cinco alunos denominaram-no quadrado e representaram o polígono correspondente; dois deles fizeram um quadrado, de fato, como polígono em verdadeira grandeza; outro representou aproximadamente um quadrado, mas indicando que “os lados são iguais” e dois colocaram no polígono o símbolo para ângulo reto. Apenas um aluno denominou-o de quadrado, porém sombreou a região quadrada e, um único, além de sombrear a região, denominou-a de PQRS em que as letras representavam os vértices do polígono fronteira dessa região. Dessa forma, a atividade permite perceber que os aspectos visuais, que esperávamos que fossem alcançados com a sequência de atividades, foram obtidos. Porém, há conflitos cognitivos com nomenclatura de quadriláteros e com distinção entre curva e superfície, o que ocorre, inclusive, em livros didáticos. 4 Conclusões A pesquisa comprovou que habilidades visuais podem ser criadas, desenvolvidas ou aprimoradas em estudantes de uma Licenciatura em Matemática. Até a atividade quatro, os investigados apresentaram várias dificuldades de interpretação e visualização nas representações de objetos espaciais de uso frequente em Geometria e no próprio dia-a-dia, quando foram utilizados empilhamentos de cubos. Particularmente, na atividade três, consideramos não haver, ainda, a concepção mental V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 18 sobre tais representações no plano, quando linhas invisíveis necessitam ser representadas, a fim de caracterizar os objetos fidedignamente. Observamos, na figura 20, à esquerda, feita pelo aluno I, que o mesmo dá continuidade com uma linha pontilhada no lado esquerdo superior e não representa a inferior. Entretanto, representa como aresta (inexistente), no lado direito, com linha tracejada. Na figura 20, à direita, o aluno J faz algo similar e representa uma aresta invisível na parte de trás da figura num patamar acima daquele em que deveria citar. . Figura 20: representações de linhas invisíveis por dois alunos. O aluno I ainda não consegue realizar corretamente as representações das projeções ou vistas nas atividades quatro e cinco, mas J o faz, inclusive, com a análise de sua solução feita anteriormente. Ambos chegam à atividade 10 fazendo as representações corretamente, tendo o mesmo ocorrido com os nove alunos que a realizaram. Alsina, Burgués e Fortuny (1997), mostra a importância do uso de representações planas das formas e relações dimensionais para comunicar e expressar informações espaciais: “Há distintos tipos de representações. Cada uma delas é importante para ressaltar um aspecto, porém é necessário utilizar várias para desenvolver e completar a percepção do espaço” (p. 66). Entendemos que a sequência de atividades empregada nos permitiu avaliar que a habilidade de visualização pode ser desenvolvida para o estabelecimento de relações geométricas, no espaço tridimensional, com o grupo de alunos investigados e, assim, o objetivo foi atingido. Referências ALSINA, C.; BURGUÉS, C.; FORTUNY, J.M.. Invitacion a la Didactica de la Geometria. Madrid: Editorial Sínteses, S.A.. 1997. ARCAVI, A. .The Role of Visual Representations . In: Educational Studies in Mathematics 52: 215–241, 2003.. Netherlands: Kluwer Academic Publishers, 2003; FISCHBEIN, E. Intuition in science and mathematics: an educational approach. Dordrecht: Reidel, 1987. V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 28 a 31 de outubro de 2012, Petrópolis, Rio de janeiro, Brasil 19 ABRANTES, P., PONTE, J.P. da, FONSECA, H., BRUNHEIRA, L. (org.). Investigações matemática na aula e no currículo. Lisboa, Portugal: Associação de Professores de Matemática, 1999. pp.35-49. LEIVAS, J. C. P. Imaginação, Intuição e Visualização: a riqueza de possibilidades da abordagem geométrica no currículo de cursos de licenciatura de matemática. 2009. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Paraná. Curitiba, 2009, 294 p. LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. E.D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986. PIAGET, J.; INHELDER, B.. Mental imagery and the child. London: Routledge&Kegan Paul, 1971. PRESMEG, N.. Research on visualization in learning and teaching mathematics. In: GUTIERREZ, A.; BOERO, P. (Ed.). Handbook of research on the psychology of mathematics education: past, present and future. Rotterdam: Sense Publishers, 2006. p. 205235.