ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO NO ENSINO DE CIÊNCIAS: DA TEORIA À PRÁTICA DE APRENDIZAGEM DA DOCÊNCIA ROSA, Thamires Guimarães Santa¹ Graduanda em Ciências Biológicas – Universidade Federal de Sergipe/UFS SANTOS, Alexrangel Henrique Cruz² Graduando em Ciências Biológicas – Universidade Federal de Sergipe/UFS RESUMO A partir de observações realizadas em aulas de Ciências, por meio do Estágio Supervisionado no Ensino de Ciências I, na Escola Municipal de Ensino Fundamental José Conrado de Araújo em Aracaju, Sergipe, foi diagnosticado um déficit de compreensão referente a alguns aspectos do que diz respeito o conteúdo Solo e Vida, ministrado pela docente. Diante disso, foi elaborada uma oficina, como recurso didático, referente ao tema, pelos estagiários de observação. E teve por finalidade a apresentação de conceito, formação dos solos e os seus tipos, para que, com isso, os alunos possam compreender melhor o conteúdo e também interagir com os outros alunos da turma. Para a oficina foi utilizado um texto para discussão sobre conceito e formação do solo e amostras de três tipos de solos: arenoso, argiloso e humífero, para que os alunos pudessem tocar e sentir os aspectos que caracterizam cada tipo de solo. A tarefa principal da oficina foi, através da discussão inicial e da aula ministrada anteriormente pela docente, que os alunos classificassem, com o auxílio de uma tabela, as principais características encontradas em cada tipo de solo amostrado. Finalizando o preenchimento da tabela individualmente pelos alunos, foi feita uma discussão geral sobre a oficina e solicitado que os alunos escrevessem sobre a prática da oficina. Com base nos relatos gerais dos alunos, a prática foi bastante produtiva, auxiliou no aprimoramento do conhecimento e no esclarecimento de dúvidas, foi exposto também, por alguns alunos, que alguns tipos de solos não eram ainda conhecidos por eles. Ainda analisando os relatos dos alunos, verificou-se o interesse dos alunos na realização de outras oficinas no ambiente escolar. Diante da experiência, foi possível evidenciar tanto o interesse e o aprendizado dos alunos na prática, quanto à receptividade dos mesmos, da equipe coordenadora e professores, o que promoveu uma satisfação e um engrandecimento pessoal como futuros docentes. Palavras-chave: Observação. Oficina. Tipos de Solos. ABSTRACT From observations made in science classes through the Supervised Internship in Science Teaching I, Municipal Elementary School José Conrado of Araújo in Aracaju, Sergipe, a deficit of understanding regarding some aspects of the relation was diagnosed Solo and Life content, taught by the teacher. Given this, a workshop was developed as an educational resource on the topic, the trainees observation. And the presentation was intended concept, soil formation and their types, so that with this, students can better understand the content and also interact with other students in the class. Sandy, loamy and humous so that students could touch and feel the aspects that characterize each soil type: a text to the workshop for discussion of concept formation and soil samples and three soil types was used. The main task of the workshop was through initial discussion and class previously taught by faculty, students classify, with the aid of a table, the main features found in each type of soil sampled. Finally filling the table individually by students, a general discussion of the workshop was made and asked students to write about the practical workshop. Based on general reports of the students, the practice was very productive, assisted in enhancing the knowledge and answering questions, was also exposed, for some students, some soil types were not known to them. Still analyzing the reports of the students, there was student interest in performing other workshops in the school environment. Given the experience, it was possible to show both interest and student learning in practice, as the receptivity of the same, the team coordinator and teachers, which promoted a satisfaction and a personal aggrandizement as future teachers. Keywords: Note. Workshop. Types of Soil. INTRODUÇÃO A ciência responsável por estudar e entender os solos é chamada de pedologia. Dukuchaev, um geólogo russo considerado o pai da pedologia, considerou que o solo é um produto de origem específica, que se distingue do seu material de origem (rocha), o definiu como produto de interações complexas entre clima, rocha, plantas e animais, vegetais e idade das paisagens (BECKER, 2007). Os solos são misturas complexas de materiais inorgânicos e resíduos orgânicos parcialmente decompostos, providos do fenômeno chamado de intemperismo que decompõe cada rocha e cada maciço rochoso de uma forma própria (SERRAT, et al. 2002). Apesar de ser um importante componente ambiental, principal fonte de alimento e matérias primas, frequentemente o mesmo é relegado a um plano menor ou mesmo ignorado nos conteúdos ambientais do Ensino Fundamental (BIONDI e FALKOWSKI, 2009). Geralmente o tema solo é abordado de forma desinteressante e desatualizado, o mesmo, nunca é visto de maneira importante na paisagem e no cotidiano, sendo que muitos eventos destrutivos e suas consequências tem participação humana diretamente ou indiretamente, que podem ser considerados autofágicos como por exemplos: extrativismo, poluição solida, liquida ou gasosa, introdução de substâncias tóxicas, introdução de espécies exóticas entre outros (PRIMAVESCI e PRIMAVESCI, 2003). Um dos objetivos dos recursos didáticos é superar as aulas expositivas e que, mesmo com a composição da perspectiva fragmentada do conhecimento nas escolas, é necessário buscar o todo sem perder a especificidade (ALMEIDA, TORRENT, BARRÓN, 2003). Dando partida do princípio de que a educação é um direito de “todos”, e de que a temática ambiental é entendida como expressão integradora das dimensões socioculturais, políticas e ecológicas, desde o ano de 1997, proposto pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), tornou-se um tema transversal, ou seja, deve estar presente em todas as disciplinas da educação básica (PERUSI e SENA, 2012), sendo assim é de suprema importância que os professores adotem metodologias e recursos didáticos que possam correlacionar os conteúdos, a fim de expandir o raciocínio dos alunos, sistematizar os conhecimentos e despertar o seu interesse (SERRAT, ET AL., 2002) através da formação de uma base conceitual abrangente, técnica e culturalmente capaz de permitir a superação dos obstáculos à utilização sustentada do meio (ALMEIDA, TORRENT, BARRÓN, 2003). A partir dessa perspectiva, a oficina aplicada aos alunos, promovida pelos alunos de Estágio Supervisionado em Ciências I, teve por finalidade estimular a dinamização, permitindo apontar os elementos principais em torno dos conhecimentos referentes ao solo no contexto e na visão em que o aluno está inserido. Aa exploração do conceito de solo, a sua formação e os tipos, são de fácil acesso para os alunos e de prática explicação pela docente, mas quando a abordagem refere-se à prática e a vivência dos tipos de solo, para conseguir diferenciar os aspectos físicos dos seus tipos, fica complicado sem a visualização e o toque. Por esse motivo procurou-se organizar e aplicar uma oficina a cerca dessa temática, com o intuito de aprimorar o conhecimento e promover a interação entre os alunos, bem como, a troca de experiências e informações, já que a vivência dentro do contexto escolar a cerca dessa temática é pouco explorada. Com isso, a proposta geral da oficina consiste em disseminar entre a turma a importância do estudo de solo, através da prática em sala de aula para o desenvolvimento de uma nova forma e percepção referente aos tipos e composição dos diversos solos apresentados, promovendo a dinamização em sala de aula, permitindo apontar os aspectos físicos presentes nos diversos tipos de solo que estão em torno do conhecimento de solo referente ao contexto que o aluno está inserido. Além desse ponto principal, a perspectiva de alcance consiste em capacitar os estudantes para uma melhor compreensão e utilização do conhecimento para seu dia-a-dia, estimulando a prática educativa, a partir da passagem das informações referentes as características presentes nos diversos tipos de solo. Quanto a prática educativa mencionada, mostrar os efeitos da prática no âmbito educativo e proporcionar o contato direto entre o aluno e o objeto de estudo foram os caminhos mais pertinentes utilizados durante a prática. METODOLOGIA A oficina promovida teve o intuito de ministrar, de forma prática, a vivência para os alunos sobre os aspectos físicos presentes nos diversos tipos de solo. Com isso, foi possível utilizar vários meios de fixação de aprendizagem e conteúdo, como por exemplo, apostila com conceito de solo, formação do mesmo e seus tipos, debate sobre o tema e a realização da oficina em si, de forma que pudesse motivar os alunos a inserir a prática ao seu dia-a-dia. A oficina foi dividida em três etapas, foram elas: Discussão do tema, Prática e Considerações gerais por parte dos alunos. A primeira etapa consistiu na discussão geral sobre o tema, que já havia sido explicado pela docente durante outra aula, e então foi possível diagnosticar os aspectos considerados importantes para os alunos e o seu entendimento e dúvidas, para então dar início a prática e os momentos posteriores a prática. A partir da discussão, partimos para a segunda etapa, a amostra dos solos. As amostras foram de três diferentes tipos de solo: Humífero, Arenoso e Argiloso e os alunos, para preencher a tabela (Anexo 1), precisariam observar seus aspectos físicos e marcar as características que eram pertinentes a cada um deles. Para manusear as amostras, os alunos utilizaram luvas, tanto para não sujarem a sala, como por questão de higiene e precaução de doenças. E as amostras estavam expostas em jornais para manter a separação dos mesmos e a limpeza da sala. Por fim, na terceira etapa, os alunos escreveram observações sobre a realização da oficina, destacando os aspectos positivos e negativos, o aprendizado, a sensação da vivência, entre outros aspectos. No fechamento da oficina, foram discutidas as opiniões gerais dos alunos, focando no aprendizado e nos aspectos considerados importantes por eles, para que houvesse o momento de reflexão sobre o tema e também sobre a importância da prática educativa, da dinâmica em sala de aula. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir da realização da oficina foi possível perceber o quanto os alunos da turma em questão (6º ano B) necessitavam, e necessitam, de aulas mais dinâmicas e práticas para poder contemplar e aprimorar melhor os conteúdos ministrados, incluindo o tema abordado na oficina. Segundo relato dos alunos: a oficina promoveu um aumento de conhecimento acerca do assunto, uma sensação de satisfação por cumprir com a atividade proposta, uma maior interação entre os colegas de classe, uma vivência diferente do que eles estavam acostumados e, principalmente, a falta de outras formas de recursos durante outros assuntos em outras aulas, sendo da matéria Ciências, como em outras disciplinas. Com isso, o prazer e a satisfação de dever cumprido refletiram na prática desenvolvida, fazendo com que engradecesse a vontade de continuar na luta pela docência e também pelo simples fato de ajudar aos pequenos futuros profissionais que ali estavam inseridos na sala de aula. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, J. A.; TORRENT, J; BARRÓN, V. Cor de solo, formas do fósforo e adsorção de fosfatos em latossolos desenvolvidos de basalto do extremo-sul do Brasil, 2003. BECKER, E. L. S. SOLO E ENSINO. Vol. 25 n. 02 página 73-80 julho/dezembro de 2005, Santa Maria, 2007. BIONDI, D; FALKOWSKI, V. Avaliação de uma atividade de educação ambiental com o tema “solo”, Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, 2009. PERUSI, M. C; SENA, C. C. R. G. Educação em solos, educação ambiental inclusiva e formação continuada de professores: Múltiplos aspectos do saber geográfico. Entre - lugar, Dourados, MS, ano 3, n.6, p 153 - 164, 2. Semestre de 2012. PRIMAVESCI, O; PRIMAVESCI, A. C. Fundamentos ecológicos para o manejo efetivo do ambiente rural nos trópicos: Educação ambiental e produtividades com qualidade ambiental. Embrapa: outubro de 2003. Documento 33. SERRAT, B. M; LIMA, M. R; GARCIAS, C. E; FANTIN, E. R; CARNIERI, I. M. R. S. A; PINTO, L. S. Conhecendo o Solo. Novembro, 2012. FOTOS DA OFICINA Figura 1.1: Amostras de solo. Figura 1.2: Desenvolvimento da Oficina Figura 2: Interação entre os colegas de classe Figura 3: Mostra a organização e prática da realização da oficina ANEXOS ANEXO 1: TABELA OFICINA DE CIÊNCIAS: TIPOS DE SOLO ALUNO: SÉRIE/TURMA: DATA: TIPOS DE SOLO CARACTERÍSTICAS ARGILOSO ARENOSO HUMÍFERO PERMEÁVEL IMPERMEÁVEL CONSISTÊNCIA GRANULOSA GRÃOS PEQUENOS E COMPACTOS COR CLARA COR ESCURA COR AVERMELHADA RICO EM NUTRIENTES (FÉRTIL) POBRE EM NUTRIENTES ANEXO 2: PLANO DE AULA PLANO DE AULA TEMA: A CONCEPÇÃO DE TIPOS DE SOLOS E SUAS CARACTERÍSTICAS DISTINTAS OBJETIVOS GERAL: DISSEMINAR ENTRE A TURMA A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DE SOLO, ATRAVÉS DA PRÁTICA EM SALA DE AULA PARA O DESENVOLVIMENTO DE UMA NOVA FORMA E PERCEPÇÃO REFERENTE AOS TIPOS E COMPOSIÇÃO DOS DIVERSOS SOLOS APRESENTADOS. ESPECÍFICOS: • AUXILIAR OS ESTUDANTES DA ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO FUNDAMENTAL JOSÉ CONRADO DE ARAÚJO QUANTO AO ESTUDO DE TIPOS DE SOLO; • ESTIMULAR A PRÁTICA EDUCATIVA QUANTO AOS TEMAS TRABALHADOS EM SALA; • DISSEMINAR AS INFORMAÇÕES NO QUE CONSISTEM AS CARACTERÍSTICAS PRESENTES NOS DIVERSOS TIPOS DE SOLO; • MOSTRAR OS EFEITOS DA PRÁTICA NO ÂMBITO EDUCATIVO; • PROPORCIONAR O CONTATO DIRETO ENTRE O ALUNO E O OBJETO DE ESTUDO. CONTEÚDO TEXTOS: Conceito de solo; Tipos de solo; Cor, porosidade e textura do solo, Formas de preservação do solo. METODOLOGIA DE ENSINO MINISTRAR UMA OFICINA DE FORMA PRÁTICA UTILIZANDO VÁRIOS MEIOS DE FIXAÇÃO DE APRENDIZAGEM COMO TEXTOS, DEBATES E A REALIZAÇÃO DA OFINA DE FORMA QUE MOTIVE OS ALUNOS A INSERIR AS PRÁTICAS DO CONTEÚDO DO SEU DIA-A-DIA. A OFICINA SERÁ DIVIDIDA EM DUAS ETAPAS, UMA DE AMOSTRA DE SOLOS E OUTRA DE ANOTAÇÕES DAS OBSERVAÇÕES FEITAS. NA OFICINA DE TIPOS DE SOLO LEVAREMOS TRÊS TIPOS DE SOLO: HUMOSO, ARENOSO E ARGILOSO, PARA OS ALUNOS VIVENCIAREM NA PRÁTICA O CONTEÚDO MINISTRADO PELA PROFESSORA DE CIÊNCIA; ENSINAREMOS COPRODUZIR UM LEQUE DE INFORMAÇÕES ACERCA DO ASSUNTO, COMO AS CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS PRESENTES NOS SOLOS EXPOSTOS E TAMBÉM OS SOLOS NÃO PRESENTES, SERÁ UTILIZADA UMA TABELA POR ONDE OS ALUNOS PODERÃO MARCAR AS OBSEVAÇÕES, OS DETALHES E COM AJUDA DOS ESTAGIÁRIOS E PROFESSORA, CONSTRUIR UM CONHECIMENTO MAIS ESPECÍFICO DO QUE RETRATA O CONTEÚDO. SERÃO UTILIZADOS JORNAIS PARA QUE AS AMOSTRAS DE SOLO SEJAM POSTAS, PARA NÃO POLUIR E SUJAR A SALA DE AULA, O USO DE LUVAS PARA MANUSEAR AS AMOSTRAS, APÓS A OBSERVAÇÃO SERÃO REGISTADAS AS OBSERVAÇÕES PELOS ALUNOS E CONCLUIREMOS A OFICINA. AVALIAÇÃO DO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM APÓS A REALIZAÇÃO DA OFICINA, REUNIREMOS TODA A TURMA PARA O FECHAMENTO DA OFICINA E PARA UM DEBATE E UMA CONVERSA GENERALIZADA COM TODOS PARA CONTAREM AS EXPERIÊNCIAS VIVIDAS E DOS CONHECIMENTOS ADQUIRIDOS. AVALIAR A PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS DIANTE DA EXPERIÊNCIA VIVENCIADA, NA QUAL, ALMEJAMOS A DISSEMINAÇÃO DA PRÁTICA, SE O CONTEÚDO FOI COMPREENDIDO. RECURSOS NECESSÁRIOS • FOLHA A4; • JORNAL; • AMOSTRAS DE SOLO: ARGILOSO, ARENOSO E HUMOSO; • LUVAS; • LÁPIS; • BORRACHA. REFERÊNCIAS TEXTOS: • O SOLO: DISPONÍVEL EM http://www.escolakids.com/o-solo.htm. • TIPOS DE SOLO: EM http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Solo/Solo8.php/. DISPONÍVEL