10 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ Mário Nery da Silva ESTUDO TÉCNICO E ECONÔMICO PARA IMPLANTAÇÃO DE TÉCNICAS DE APROVEITAMENTO DE ÁGUAS PLUVIAIS NA INFRA-ESTRUTURA PREDIAL DE UMA ESCOLA MUNICIPAL DO ENSINO MÉDIO E FUNDAMENTAL DE TAUBATÉ TAUBATÉ – SP 2006 Livros Grátis http://www.livrosgratis.com.br Milhares de livros grátis para download. 11 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ Mário Nery da Silva ESTUDO TÉCNICO E ECONÔMICO PARA IMPLANTAÇÃO DE TÉCNICAS DE APROVEITAMENTO DE ÁGUAS PLUVIAIS NA INFRA-ESTRUTURA PREDIAL DE UMA ESCOLA MUNICIPAL DO ENSINO MÉDIO E FUNDAMENTAL DE TAUBATÉ Dissertação apresentada pra obtenção do Certificado de Título de Mestrado pelo Curso Energia e Gestão Ambiental na Indústria do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Taubaté. Área de Concentração: Meio Ambiente Orientador: Prof. Dr. Carlos Alberto Chaves Co-orientador: Prof. Ms. Ederaldo Godoy Júnior. TAUBATÉ – SP 2006 12 MÁRIO NERY DA SILVA EDERALDO GODOY JÚNIOR CARLOS ALBERTO CHAVES ESTUDO TÉCNICO E ECONÔMICO PARA IMPLANTAÇÃO DE TÉCNICAS DE APROVEITAMENTO DE ÁGUAS PLUVIAIS NA INFRA-ESTRUTURA PREDIAL DE UMA ESCOLA MUNICIPAL DO ENSINO MÉDIO E FUNDAMENTAL DE TAUBATÉ Data: ____/ ____/ ____ Resultado : ___________________ BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. Carlos Alberto Chaves Universidade de Taubaté Assinatura_______________________________________ Prof. Dr. José Rui Camargo Universidade de Taubaté Assinatura_______________________________________ Prof. Dr. Daniel Ebnuma Universidade do Estado de São Paulo Assinatura_______________________________________ 13 Dedico esta dissertação à minha esposa Cilmara e aos meus filhos Guilherme e Gabriel que abrilhantam a minha família e me dão inspiração necessária para que eu continue sempre a buscar condições para melhoria na qualidade de vida. 14 AGRADECIMENTOS A Deus primeiramente pelo dom da vida; Ao Prof. Dr. Carlos Alberto Chaves meu orientador que me motivou para o curso após 15 anos sem estudar; Ao Prof. Dr. José Rui Camargo, coordenador do curso de Mestrado em Energia e Meio Ambiente; Ao Prof. Ms. Ederaldo Godoy Júnior, por ministrar aulas do curso; E ao meu irmão em Cristo, Edson André de Aguiar Júnior, pelo apoio na conclusão deste trabalho. 15 Quando o homem perceber que pode transformar o comportamento da humanidade através de seus conhecimentos e atitudes, garantirá sua sobrevivência (Mário Nery da Silva) 16 RESUMO O trabalho ora apresentado tem por finalidade implantar o conceito de técnica de aproveitamento de água de chuva nas instalações prediais da Escola Municipal Integral de Ensino Fundamental “Vereador Mario Monteiro dos Santos”, que funciona por um período de 12 horas, totalizando a freqüência diária de cerca de 1500 (mil e quinhentos) alunos em dois períodos, através do aproveitamento das águas pluviais captadas nos telhados. Para a viabilidade desse aproveitamento, a água deve ser tratada para que possam ser retidos os sólidos grosseiros e armazenada para posterior utilização, por meio do acionamento das descargas, para lavagem dos pátios da escola e regadas as áreas verdes. A estimativa é de que, através desse sistema seja possível proporcionar uma grande economia de água, disponibilizandoa para fins mais nobres, pois o volume de água consumida na escola para essas finalidades é considerável. Porém, o retorno maior somente será percebido após a divulgação do sistema e sua implantação em todas as escolas da rede municipal, que totalizam trinta e seis prédios, com as mesmas características do primeiro, além das creches, que somam com as escolas o total de quarenta e cinco prédios. O volume total de água economizada irá apresentar uma economia muito significativa. O segundo aspecto positivo desse sistema, é o impacto na questão da educação Ambiental no ensino de 1º e 2º Graus, pois irá conscientizar tanto os alunos como toda a comunidade atingida pela escola, acerca da importância do uso racionado de água potável paras fins mais nobres que a descarga em vaso sanitário. Palavras-chave: racionamento. Aproveitamento de águas pluviais; educação ambiental; 17 ABSTRACT The work for now presented has for purpose to implant the usually water technical concept in the property facilities of the School Municipal Integral of Teaching Fundamental "Vereador Mario Monteiro dos Santos", that it works for a period of 12 hours, totaling the daily frequency of about 1500 (thousand and five hundred) students in two periods, through the use of the pluvial waters captured in the roofs. For the viability of that use, the water should be treated so that it can be kept the rude solids and stored for subsequent use, through the start of the discharges, for wash of the patios of the school and watered the green areas. The estimate is that, through of that system it is possible to provide a great economy of water, making available her/it for nobler ends, because the volume of water consumed at the school for those purposes is considerable. However, the larger return will only be noticed after the popularization of the system and his/her implantation in all of the schools of the municipal net, that you/they total thirty six buildings, with the same characteristics of the first, besides the day cares, that add with the schools the total of forty five buildings. The total volume of saved water will present a very significant economy. The second positive aspect of that system, is the impact in the subject of the Environmental education in the teaching of 1st and 2nd Degrees, because he/she will become aware as much the students as the whole community reached by the school, concerning the importance of the use rationed drinking water stop nobler ends than the discharge in toilet. Key words: Use of pluvial waters, rational use of water, property infrastructure for environmental education. 18 SUMÁRIO Pág. 1. INTRODUÇÃO 1.1 Justificativa 1.1.1 Preocupação com o Desperdício de Água nas Escolas 1.1.2 Desperdício de Água de Chuva 1.1.3 Conscientização da Comunidade 1.2 Problema 1.3 Objetivo Geral 10 11 11 12 12 13 14 2. REVISÃO DA LITERATURA 2.1 Declaração Universal dos Direitos da Água 2.2 Água: Um Recurso Cada Vez mais Ameaçado 2.2.1 O Ciclo da Água 2.3 A Distribuição e o Consumo de Água Doce no Mundo 2.3.1 Consumo de Água no Brasil 2.4 Conceito de Aproveitamento de Água da Chuva 2.4.1Aproveitamento da Água Pluvial para Consumo Não Potável 2.5 A Importância de Programas de Conservação de Água (PCA) em Edificações 2.6 Análises para Implantação de Um Programa de Conservação de Água - PCA 2.6.1 Análise Técnica Preliminar 2.6.2 Análise Documental 2.6.3 Levantamento de Campo 2.7 Etapas de Um Programa de Conservação de Água 2.7.1 Produtos da Etapa 1 2.7.2 Avaliação da Demanda de água 2.7.3 Perdas Físicas 2.7.4 Adequação de Processos 2.7.5 Adequação de Equipamentos e Componentes Hidráulicos 2.7.6 Controle de Pressão do Sistema Hidráulico 2.7.7 Níveis de Qualidade 2.7.8 Produtos da etapa 2 2.7.9 Produtos da etapa 3 2.8 Avaliação da oferta de água 2.8.1 Águas pluviais 2.8.2 Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica 2.8.3 Detalhamento e Implantação do PCA 2.8.4 Implantação do Sistema de Gestão da Água 2.9 Análise Quantitativa de Precipitações de Água de Chuva 2.9.1 Intensidade de Precipitação (im) 2.9.2 Coeficiente do Deflúvio C 15 15 16 17 18 20 20 22 23 24 24 24 24 24 24 25 25 25 25 25 26 26 26 27 27 27 28 28 29 30 31 19 2.9.3 Aspectos Qualitativos 2.10 Escoamento de Águas Pluviais em uma Instalação Predial 2.10.1 Calhas 2.10.2 Seção Retangular 2.10.3 Seção Trapezoidal 2.10.4 Seção Semi-circular 2.10.5 Dimensionamento das Calhas 2.10.6 Tubos de Queda 2.10.7 Dimensionamento dos Tubos de Queda 2.10.8 detalhe de Ligação da Calha ao Tubo de Queda 2.10.9 Rede Coletora 2.11 Normas para Aproveitamento de Água de Chuva 2.11.1 Decreto nº 24.643/1934 2.12 OS Usos da Água 2.13 Qualidade da Água de Abastecimento 2.14 Conceito de Cidadania e Meio Ambiente 2.14.1 O Meio Ambiente é um Bem para a Comunidade 2.14.2 Os “Problemas Ambientais” são a Manifestação de Conflitos Sociais que têm a Natureza por Suporte 2.14.3 Toda Ação que Compromete as Condições Ambientais de Existência e Trabalho das Populações, atenta contra Direitos Ambientais de Indivíduos e Coletividades 2.14.4 Como Conscientizar a Sociedade 31 32 33 33 34 34 34 36 36 36 37 37 38 39 41 41 42 42 3. MATERIAL E MÉTODOS 3.1 Dados do Local da Implantação 3.2 Configuração Geral do Sistema 3.3 Cálculo da Demanda Mensal de Água Pluvial Necessária para a Descarga Sanitária 3.4 Dimensionamento de uma Cisterna a partir do Método Rippl 3.5 Dimensionamento do Sistema de Coleta de Água de Chuva 45 47 49 52 4. RESULTADOS 4.1 Custo da Água Potável pela Concessionária Sabesp 4.2 Economia de Água Pluvial 4.3 Investimentos realizados 4.4 Análise Econômica pelo método do Payback descontado 57 57 58 58 59 5. CONCLUSÕES 61 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 62 43 44 52 55 20 1. INTRODUÇÃO O racionamento de água é uma questão que tem a sua importância cada vez mais ressaltada, visando soluções alternativas que evitem o desperdício e conscientizando as pessoas acerca de sua necessidade. Embora pareça um assunto recente, o reaproveitamento de águas é um sistema utilizado há séculos. Na história da civilização, desde 3.000 a.C., já se fazia reservatórios para aproveitamento de águas pluviais. Nos dias atuais, são vários os países que dão incentivos, inclusive fiscais como a redução de impostos a projetos para reaproveitamento de águas pluviais. Alguns desses países utilizam o incentivo com a finalidade exclusiva de preservação das águas. Outros utilizam essa medida em razão da escassez de água em sua região ou devido à pequena quantidade de água de superfície. No Brasil ainda não existem incentivos ou projetos governamentais para o reaproveitamento de águas pluviais. Com o aumento da população urbana em nosso país, conseqüentemente, aumentou-se também o consumo de água tratada. Assim, torna-se necessário o estudo sobre a possibilidade de substituição de parte da água potável de uma edificação por uma de qualidade inferior para fins não nobres, reduzindo a demanda sobre os mananciais de água. No entanto, é necessário institucionalizar, regulamentar e promover o aproveitamento de água no Brasil, fazendo com que essa prática se desenvolva de acordo com princípios técnicos adequados e seja economicamente viável. No Brasil, a utilização desse sistema ainda está em fase de adaptação. Estudos feitos pelo INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) são utilizados para classificar as regiões de nosso país onde ocorrem grandes volumes de precipitação de chuva, o que torna viável ou não a implantação do projeto de reaproveitamento de águas pluviais. Segundo o Instituto, na região do Vale do Paraíba, onde está localizada a cidade de Taubaté, os índices de precipitação de chuva são favoráveis para a implantação do sistema de reaproveitamento de águas pluviais, contudo, o assunto deve ser discutido caso a caso. As possibilidades de êxito na implantação do projeto são maiores nas instalações prediais onde exista um grande número de usuários. Assim, são locais 21 favoráveis para o reaproveitamento de águas pluviais instalações como condomínios, fábricas, instituições públicas e escolas, devido a grande aglomeração de pessoas. O estudo apresentado nesse trabalho, tem como alvo os prédios escolares, em que o uso de água tratada para fins menos nobres é comum, através do acionamento das descargas e lavagem de pátios, que são práticas constantes nesses estabelecimentos, o que torna a implantação do sistema de reaproveitamento de águas pluviais favorável. A viabilidade do projeto implantado, deverá proporcionar um impacto em toda a comunidade local. Através das aulas expositivas sobre o trato da água, a comunidade deve ser conscientizada sobre o uso racional da água no dia-a-dia de uma família, em uma residência. Por intermédio da escola poderá ser constatado que o respeito ao uso da água pode também ser um meio de economizar e a verba economizada poderá ser utilizada para outros investimentos escolares, como por exemplo, compra de materiais. 1.1 JUSTIFICATIVA 1.1.1 Preocupação com o Desperdício de Água nas Escolas A água utilizada nas escolas, é destinada tanto para fins nobres como bebedouros e cozinha, como para fins menos nobres como lavagem de pátios e janelas, descargas de vasos sanitários e mictórios e irrigação de jardins. O aproveitamento de águas pluviais tem por finalidade manter o sistema de uso de água de chuva no prédio da escola, para atender a demanda da utilização onde não há necessidade de existência de água potável (fins menos nobres). Existe um grande desperdício de água potável nas escolas através do consumo das bacias sanitárias. No Brasil, segundo o IPT em 1986, o consumo geral das bacias sanitárias variava entre 12 litros/descarga a 20 litros/descarga. A partir de 1995, é que começaram a aparecer no mercado brasileiro aparelhos economizadores de água, como bacia sanitárias, torneiras de fechamento automático, controle de água nos chuveiros, mictórios, etc. Existem três tipos básicos de bacias sanitárias: gravidade, pressão e vácuo. As bacias sanitárias com pressão liberam o ar comprimido que fica armazenado em um tanque necessitando de menos água para o arraste. As bacias sanitárias a vácuo quando são acionadas cria-se um vácuo relativo e a descarga é feita com 22 pouca água. O Brasil utiliza as bacias sanitárias por gravidade. Com a descarga de água de 1,6 litros, segundo a NBR 6452 da ABNT, tem-se a sifonagem da água contida no vaso junto com os dejetos humanos. Após a sifonagem é recomposto automaticamente o selo hídrico, que evita o retorno dos gases de esgoto para o banheiro. 1.1.2 Desperdício da Água da Chuva As precipitações são causadas por diferenças de aquecimento nos diversos estratos da atmosfera de um determinado local. A forma mais comum de precipitação é a chuva, que ocorre quando as gotas d’água são pesadas o suficiente para caírem na superfície da terra. Estas superfícies também podem ser os telhados de instalações prediais como o de uma escola onde escoam através de calhas e são levadas aos efluentes próximos dando continuidade ao seu ciclo normal, uma vez que por determinação do Código Sanitário do Estado de São Paulo (Decreto 12.342, de 27/09/78) o despejo na rede de esgoto é proibido. Para a análise da possibilidade de aplicação de águas pluviais devem ser realizadas simulações de captação e reserva em função de séries históricas de dados pluviométricos médios mensais de Postos Pluviométricos da região onde se encontra a edificação. O desenvolvimento de um projeto de aproveitamento de águas pluviais deve inicialmente identificar demandas possíveis para serem supridas por tal volume e a análise de precipitação de chuva na região. Em seguida, é calculada a área de coleta e dimensionado o volume do reservatório. Cabe ressaltar que ao reservar e utilizar águas pluviais, além de reduzir o consumo de água potável para diversos fins, a edificação em questão não contribuirá com o sério problema das enchentes em muitas cidades. 1.1.3 Conscientização da Comunidade Os "problemas ambientais" são a manifestação de um conflito entre interesses privado e bem coletivo. O meio ambiente é constituído, basicamente, por elementos que não são passíveis de apropriação privada. Este é o caso do ar e, em grande parte, das águas. Ninguém pode, portanto, ser privado do acesso a estes bens, ainda que no 23 caso da água este acesso possa ser condicionado ou não pela distância relativa dos rios, lagos e nascentes, ou pela existência de sistemas artificiais de distribuição. A divisão da sociedade em proprietários e não-proprietários de terras, alterou radicalmente as condições de existência destes últimos, que passaram a depender, para sua sobrevivência, da possibilidade de vender sua capacidade de trabalho na qualidade de assalariados. A destruição dos laços tradicionais com a terra, de onde, com seu trabalho direto as famílias camponesas podiam extrair alimentos, embora não tenha acarretado a eliminação física desta, transformou profundamente sua existência social. Os "problemas ambientais" são a manifestação de conflitos sociais que têm a natureza por suporte. Os elementos da natureza influenciam as condições de existência de todos os indivíduos e as condições de trabalho de grupos sociais específicos. Toda comunidade que respira o oxigênio da atmosfera é obrigada a aspirar também o material particulado emitido por uma usina siderúrgica situada em suas proximidades. Neste caso, as condições de saúde de todos são afetadas, particularmente aqueles que trabalham na usina ou moram perto dela. Por outro lado, alguns grupos sociais dependem da existência equilibrada de determinados ecossistemas, nos quais trabalham e dos quais extraem os meios de sua subsistência. Este é o caso de pescadores artesanais, seringueiros, apanhadores de castanha e comunidades indígenas, por exemplo, cuja reprodução social depende da fertilidade dos rios e lagos, da integridade dos seringais e dos castanhais. 1.2 Problema Nos prédios escolares, um grande volume de água tratada é utilizado em vasos sanitários, lavagem de pátios, janelas e irrigação de jardins, proporcionando um gasto excessivo de água tratada, que por sua vez, resulta em um considerável desembolso em dinheiro para o pagamento mensal da despesa realizada. No outro extremo, se verifica que na precipitação de chuva um grande volume de água, escoa pelos tubos conectados às calhas e vão desaguar nos efluentes, o que na maioria das vezes, chega a provocar inundações nas ruas que dão acesso à escola. 24 1.3 Objetivo Geral Discutir técnica e economicamente o uso racional da água nas instalações prediais de uma escola através do aproveitamento das águas pluviais captadas através da superfície de telhados. O sistema deverá ser auto-suficiente para garantir que a lavagem de pátios e janelas, descargas dos vasos sanitários e mictórios, e irrigação de jardins, sejam feitas com águas pluviais, levando a comunidade local a refletir sobre os cuidados necessários para evitar desperdícios da água. 25 2. REVISÃO DA LITERATURA 2.1 Declaração Universal dos Direitos da Água A presente Declaração Universal dos Direitos da Água foi proclamada tendo como objetivo atingir: todos os indivíduos, todos os povos e todas as nações, para que todos os seres humanos, tendo esta declaração constantemente presente no espírito se esforcem através da educação e do ensino, em desenvolver o respeito aos direitos e obrigações nela anunciados e assim, com medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e sua aplicação efetiva. 1. A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos. 2. A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal ou ser humano. Sem ela, não se poderia conceber como é a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. 3. Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia. 4. O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Esse equilíbrio depende em particular da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam. 5. A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como a obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras. 6. A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo. 7. A água não deve ser desperdiçada nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis. 26 8. A utilização da água implica respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Essa questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado. 9. A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social. 10. O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra. 2.2 Água: Um Recurso Cada Vez Mais Ameaçado A água é um recurso natural essencial para a sobrevivência de todas as espécies que habitam a Terra. No organismo humano a água atua, entre outras funções, como veículo para a troca de substâncias e para a manutenção da temperatura, representando cerca de 70% de sua massa corporal. Além disso, é considerada solvente universal e é uma das poucas substâncias que se encontra nos três estados físicos: gasoso, líquido e sólido. É impossível imaginar como seria o nosso dia-a-dia sem ela. Os alimentos ingeridos dependem diretamente da água para a sua produção. A água é necessária também para a higiene pessoal, para lavar roupas e utensílios e para a manutenção da limpeza de nossas habitações. Ela é essencial na produção de energia elétrica, na limpeza das cidades, na construção de obras, no combate a incêndios e na irrigação de jardins, entre outros. As indústrias utilizam grandes quantidades de água, seja como matéria-prima, seja na remoção de impurezas, na geração de vapor e na refrigeração. Dentre todas essas atividades, porém, é a agricultura aquela que mais consome água – cerca de 70% de toda a água consumida no planeta é utilizada pela irrigação. A ameaça da falta de água, em níveis que podem até mesmo inviabilizar a existência humana, pode parecer exagero, mas não é. Os efeitos na qualidade e na quantidade da água disponível, relacionados com o rápido crescimento da população mundial e com a concentração dessa população em megalópoles, já são evidentes em várias partes do mundo. Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que quase metade da população mundial (2,6 bilhões de pessoas) não conta com serviço de saneamento básico e que uma em cada seis pessoas (cerca de 1,1 bilhão de pessoas) ainda não possui sistema de abastecimento de água adequado. As 27 projeções da Organização das Nações Unidas indicam que, se a tendência continuar, em 2050 mais de 45% da população mundial estará vivendo em países que não poderão garantir a cota diária mínima de 50 litros de água por pessoa. Com base nestes dados, em 2000, os 189 países membros da ONU assumiram como uma das metas de desenvolvimento do milênio reduzir à metade a quantidade de pessoas que não têm acesso à água potável e saneamento básico até 2015. Mesmo países que dispõem de recursos hídricos abundantes, como o Brasil, não estão livres da ameaça de uma crise. A disponibilidade varia muito de uma região para outra. Além disso, as reservas de água potável estão diminuindo. Entre as principais causas da diminuição da água potável estão o crescente aumento do consumo, o desperdício e a poluição das águas superficiais e subterrâneas por esgotos domésticos e resíduos tóxicos provenientes da indústria e da agricultura. 2.2.1 O Ciclo da Água Na natureza, a água se encontra em contínua circulação, fenômeno conhecido como ciclo da água ou ciclo hidrológico. A água dos oceanos, dos rios, dos lagos, da camada superficial dos solos e das plantas evapora por ação dos raios solares. O vapor formado vai constituir as nuvens que, em condições adequadas, condensam-se e precipitam-se em forma de chuva, neve ou granizo. Parte da água das chuvas infiltra-se no solo, outra parte escorre pela superfície até os cursos de água ou regressa à atmosfera pela evaporação, formando novas nuvens. A porção que se infiltra no solo vai abastecer os aqüíferos, reservatórios de água subterrânea que, por sua vez, vão alimentar os rios e os lagos (figura 1). 28 Figura 1 - Ciclo da Água FONTE: AWWA (American Water Works), 2005. 2.3 A Distribuição e o Consumo de Água Doce no Mundo A massa total de água na Terra não aumenta nem diminui, é sempre o mesmo. A Agricultura consome aproximadamente 70%, a Indústria 22% e o uso doméstico 8% de água da superfície do nosso planeta, conforme gráfico representado pela figura 2. O percentual de água salgada do nosso planeta é de 97,5%. Da parcela de água doce, representada por 2,5%, concentra-se nas geleiras, calotas polares ou em regiões montanhosas 68,9%, nas águas subterrâneas 29,9%, sendo que 0,9% compõe a umidade do solo e dos pântanos e apenas 0,3% constitui a porção superficial de água doce presente em rios e lagos, conforme gráfico mostrado na figura 3. A água doce não está distribuída uniformemente pelo globo. Sua distribuição depende essencialmente dos ecossistemas que compõem o território de cada país. Segundo o Programa Hidrológico Internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a América do Sul possui 26% do total de água doce disponível no planeta para apenas 6% da população mundial, enquanto o continente asiático possui 36% do total de água e abriga 60% da população mundial. 29 8% 22% 70% In d ú s t ria A g ric u lt u ra D o m é s t ic o Figura 2 – Consumo de água FONTE: Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), 2000. To ta l g lo b a l (água) 2,5% 97,5% 0,3% 2,5%do Total global (água doce) 68,9% 29,9% 0,9% Água doce Geleiras e neves eternas Água salgada Rios e lagos Águas subterrâneas Solo, pântanos e geadas Figura 3 – Total global de água - Fonte: Plano Nacional de Recursos Hídricos FONTE: Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, 2000. O consumo diário de água é muito variável ao redor do globo. Além da disponibilidade do local, o consumo médio de água está fortemente relacionado com o nível de desenvolvimento do país e com o nível de renda das pessoas. Uma pessoa necessita de, pelo menos, 40 litros de água por dia para beber, tomar banho, escovar os dentes, lavar as mãos, cozinhar etc. Dados da ONU, porém, apontam que um europeu, que tem em seu território 8% da água doce no mundo, consome em média 150 litros de água por dia. Já um indiano, consome 25 litros por dia. Segundo estimativas da Unesco, com a continuidade do ritmo atual de crescimento demográfico sem o estabelecimento de um consumo sustentável da 30 água, em 2025 o consumo humano poderá chegar a 90%, restando apenas 10% para os outros seres vivos do planeta. 2.3.1 Consumo de Água no Brasil. Com uma ESTATÍSTICO, área 2000) de e aproximadamente mais de 169 8.514.876 milhões de km² habitantes (ANUÁRIO (CENSO DEMOGRÁFICO, 2000), o Brasil é hoje o quinto país do mundo, tanto em extensão territorial como em população. Em função de suas dimensões continentais, o Brasil apresenta grandes contrastes relacionados não somente ao clima, vegetação original e topografia, mas também à distribuição da população e ao desenvolvimento econômico e social, entre outros fatores. De maneira geral, o Brasil é um país privilegiado quanto ao volume de recursos hídricos, pois abriga 13,7% da água doce do mundo. Porém, a disponibilidade desses recursos não é uniforme. Mais de 73 % da água doce disponível no país encontra-se na bacia Amazônica, que é habitada por menos de 5% da população. Apenas 27 % dos recursos hídricos brasileiros estão disponíveis para as demais regiões, onde residem 95% da população do país (LIMA, 1999). Não só a disponibilidade de água não é uniforme, mas a oferta de água tratada reflete os contrastes no desenvolvimento dos Estados brasileiros. Enquanto na região Sudeste 87,5% dos domicílios é atendido por rede de distribuição de água, no Nordeste a porcentagem é de apenas 58,7%. O Brasil registra também elevado desperdício: de 20% a 60% da água tratada para consumo se perde na distribuição, dependendo das condições de conservação das redes de abastecimento. Além dessas perdas de água no caminho entre as estações de tratamento e o consumidor, o desperdício também é grande nas residências, envolvendo, por exemplo, o tempo necessário para o banho, a própria forma como se toma banho, a utilização de descargas no vaso sanitário que consomem muita água, a lavagem da louça com água corrente, no uso da mangueira como vassoura na limpeza de calçadas, na lavagem de carros, etc. 2.4 Conceito de Aproveitamento de Água da Chuva A American Water Works Association – AWWA em 31 de Janeiro de 1993, definiu a conservação da água como as práticas, tecnologias e incentivos que aperfeiçoam a eficiência do uso da água. 31 Um programa de conservação da água constitui-se de medidas e incentivos. Medidas são as tecnologias e mudanças de comportamento, chamadas práticas, que resultam no uso mais eficiente da água. Incentivos de conservação da água são: educação pública, as campanhas, as estruturas tarifárias e os regulamentos que motivam o consumidor a adotar as medidas específicas (AMY VICKERS, 2001). A AWWA, desde 1993 encoraja os serviços de água considerar o lado do suprimento e o lado da demanda. É o que se chama de Planejamento Integrado de Recursos (IRP). Como exemplo, o uso de uma bacia sanitária para 6 litros/descarga, trata-se de uma medida de tecnologia e a mudança de comportamento para que o usuário da bacia sanitária não jogue lixo na mesma, é uma medida prática. Os incentivos na conservação da água são as informações nos jornais, rádios, televisões, panfletos, workshops, etc., mostrando como economizar água. Uma tarifa crescente incentiva a conservação da água, um pagamento de uma parte do custo de uma bacia sanitária é incentivo para o uso de nova tecnologia, como a bacia sanitária com 6 litros/descarga. Os regulamentos de instalações prediais, códigos, leis são incentivos para que se pratique a conservação da água. O aumento da eficiência do uso da água irá liberar os suprimentos de água para outros usos, tais como o crescimento da população, o estabelecimento de novas indústrias e a melhora no meio ambiente. A conservação da água está sendo feita na América do Norte, Europa e Japão. As principais medidas são o uso de bacias sanitárias de baixo consumo, isto é, 6 litros/descarga; torneiras e chuveiros mais eficientes quanto à economia da água; diminuição das perdas de água nos sistemas públicos de maneira que o tolerável seja menor que 10%, reciclagem; aproveitamento da água e informações públicas. Porém, existem outras tecnologias não convencionais, tais como o reaproveitamento de águas servidas residenciais, muito em uso na Califórnia, e a captação de água de chuva. Estimativa feita em 1999 pelo International Environmmental Technology Centre (IETC) das Nações Unidas concluíram que no ano 2010, a população da 32 Alemanha e dos Estados Unidos aceitarão 45 e 42% de água de chuva e 20 e 21% respectivamente de água servida. No Texas, a cidade de Austin, que tem média pluviométrica anual de 810mm, fornece US$ 500 a quem instalar sistema de captação de água de chuva. O valor de US$ 500 correspondente a US$ 40/m3 da capacidade de armazenamento do reservatório. Assim, um reservatório com 16m3 tem o valor ofertado pela cidade de Austin de US$ 500 que é um pouco menor que 16m3 x US$ 40/m3 = US$ 640. Ainda no Texas, a cidade de San Antonio fornece US$ 200 para quem economizar 1.230m3 de água da rede pública usando água de chuva, durante o período de 10 anos. No Texas, as casas com área de captação de 185m2 a 277m2 são comuns e usam reservatórios de fibra de vidro com 38m3 de capacidade. O custo do reservatório de fibra é de US$ 260/m3 de água reservada no reservatório. Incluindo os filtros, o custo total do reservatório variará de US$ 260/m3 a US$ 330/m3. A cidade de Sumida, que fica na área metropolitana de Tóquio, no Japão, tem precipitação média anual de 1400mm e mesmo assim é aproveitada a água da chuva devido à segurança no abastecimento de água em caso de emergência. Conforme Conferência Internacional de Captação de Água da Chuva realizada no Brasil em 1999, foram construídos no nordeste brasileiro, de 1997 a 1999 cerca de 20 mil novos reservatórios. Na Austrália, foi traçado o objetivo na Gold Coast para que as residências economizem 25% da água do serviço público usando água da chuva. O custo estimado para aproveitamento de água de chuva é de US$ 6.000 com despesas de US$ 215. 2.4.1 Aproveitamento da Água Pluvial para Consumo Não Potável Segundo Tomaz (2003), o aproveitamento de água de chuva para consumo não potável é um sistema utilizado em vários países há anos. Essa tecnologia vem crescendo e dando ênfase à conservação de água. Além de proporcionar economia de água potável, contribui para prevenção de enchentes causadas por chuvas torrenciais em grandes cidades, onde a superfície tornou-se impermeável, impedindo a infiltração de água. Segundo Tomaz (2003), a água subterrânea corresponde cerca de 29,0% do volume total de água doce do planeta. Somente 0,266 % da água doce representa 33 toda a água dos lagos, rios e reservatórios (significando 0,007 % do total de água doce e salgada existente no planeta). O restante da água doce está na biomassa e na atmosfera sob a forma de vapor. Segundo Mancuso (2003), a falta de água é um dos graves problemas mundiais que podem afetar a sobrevivência dos seres humanos. O uso desordenado, o desperdício e o crescimento da demanda são fatores que contribuem para intensificar a escassez de água potável no planeta e, é previsto para o século XXI, a falta de água para 1/3 da população mundial. De acordo com Azevedo Netto (1963), 72% das internações hospitalares do Brasil são decorrentes de problemas relacionados à ingestão de água contaminada. 2.5 A Importância de Programas de Conservação de Água (PCA) em Edificações Em uma edificação o Programa de Conservação de Água – PCA, implantado de forma sistêmica, implica em otimizar o consumo de água, com a conseqüente redução do volume de efluentes gerados, a partir da otimização do uso e da utilização de fontes alternativas, considerando os diferentes níveis de potabilidade necessários, de acordo com um Sistema de Gestão apropriado. O conceito de Conservar Água deve ser adotado tanto nas edificações já existentes, quanto em novas edificações. Nestas, o PCA deve ser incorporado ainda durante a fase de concepção, de forma a viabilizar ainda mais os investimentos e possibilidades de atuação a serem realizados. A figura 4 apresenta de forma esquemática as etapas de implantação de um PCA em uma edificação existente. ETAPA 1 Avaliação Técnica Preliminar ETAPA 4 Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica ETAPA 2 Avaliação da Demanda de Água ETAPA 5 Detalhamento Técnico ETAPA 3 Avaliação da Oferta de Água ETAPA 6 Implantação do Sistema de Gestão da Água Figura 4 - Fluxograma das etapas de um PCA a ser implantado em edificação já existente. FONTE: Boletim Técnico da Escola Politécnica da USP – BT/PCC/405, 2005. 34 2.6 Análises para Implantação de Um Programa de Conservação de Água (PCA) 2.6.1 Análise Técnica Preliminar Esta etapa consiste no levantamento de todos os dados e informações que envolvam o uso da água na edificação para aquisição de pleno conhecimento sobre a condição atual de utilização. Compreende o mapeamento dos usos da água na edificação, através da análise do sistema hidráulico, processos e usuários que utilizam água e dos índices históricos de consumo. A Avaliação Técnica Preliminar inicia-se com a análise dos documentos disponíveis como base para a avaliação da edificação. 2.6.2 Análise Documental Nesta etapa são levantados e analisados todos os documentos e informações disponíveis que possam auxiliar no entendimento da edificação sob a ótica do uso da água. A exemplo disto podem ser citados os Projetos de Sistemas Hidráulicos, histórico anual de contas de água/energia, especificação de equipamentos ou sistemas consumidores de água, entre outros. 2.6.3 Levantamento de Campo O objetivo do levantamento é avaliar “in loco” os diversos usos da água para detalhamento e aferição dos dados já obtidos e pesquisa das demais informações necessárias. Devem ser avaliados os procedimentos que utilizam água, condições dos sistemas hidráulicos, perdas físicas, usos e usuários envolvidos. 2.7 Etapas de Um Programa de Conservação de Água 2.7.1 Produtos da Etapa 1 São produtos desta etapa o histórico do consumo de água, macro-fluxos, micro-fluxos de água e plano de setorização do consumo de água, onde são definidos os setores da edificação que serão monitorados através da instalação de medidores. 35 2.7.2 Avaliação da Demanda de Água Nesta etapa é feita a identificação das diversas demandas para avaliação do consumo de água atual e das intervenções necessárias para otimização do consumo e minimização de efluentes. São avaliadas perdas físicas, processos que utilizam água, equipamentos hidráulicos e pressão do sistema hidráulico. 2.7.3 Perdas Físicas Nesta etapa devem ser levantados os materiais e componentes a serem substituídos, os pontos do sistema hidráulico a serem corrigidos, a expectativa de redução do consumo e os custos envolvidos. Devem ser realizados testes no sistema hidráulico para a detecção das perdas físicas invisíveis, inclusive com a utilização de equipamentos específicos para evitar intervenções destrutivas na edificação. 2.7.4 Adequação de Processos Entende-se por adequação de processo o estabelecimento de procedimentos e rotinas específicas que garantam o uso apropriado da água para realização de atividades consumidoras, em quantidade e qualidade adequada à necessária, evitando-se desperdícios para a realização das mesmas. É importante que os procedimentos específicos para as atividades consumidoras cujos conteúdos devem ser transmitidos aos usuários envolvidos nas atividades sejam detalhados. Muitas vezes os ajustes para redução do desperdício são relativos aos aspectos comportamentais e não somente a adequações tecnológicas. 2.7.5 Adequação de Equipamentos e Componentes Hidráulicos Com relação à adequação de equipamentos hidráulicos, os mesmos devem ser especificados de acordo com a pressão de utilização e o tipo de uso e de usuário do ponto de consumo, devendo proporcionar conforto ao usuário e minimizar o consumo de água necessário. 2.7.6 Controle de Pressão do Sistema Hidráulico Deve ser avaliado se a pressão disponível no sistema hidráulico é apropriada à necessidade para adequado desempenho das atividades consumidoras e 36 funcionamento dos equipamentos hidráulicos. O controle da pressão pode representar importante contribuição para a redução do consumo de água. 2.7.7 Níveis de Qualidade Dentre os dados obtidos na etapa 1 (Avaliação Preliminar) foram relacionadas as características da água utilizada em cada atividade consumidora da unidade. Nesta etapa, tais características devem ser comparadas à qualidade efetivamente necessária para o bom desempenho da atividade, como base para subsidiar a etapa 3 do Programa, Avaliação da Oferta. 2.7.8 Produtos da Etapa 2 O resultado desta etapa é o comparativo quantitativo e qualitativo entre o consumo atual de água da edificação e o consumo otimizado a ser obtido. Através da Avaliação da Demanda de Água obtém-se o diagnóstico das perdas e usos excessivos, bem como dos impactos gerados pelas ações tecnológicas possíveis para adequação dos usos e processos para otimização do consumo. Ao final desta Avaliação são obtidas as seguintes informações que caracterizam o uso atual da água na edificação (cenário inicial): • Distribuição do consumo de água; • Geração de efluentes atual da edificação. Com a avaliação da demanda é gerado um planejamento contemplando a adequação de componentes hidráulicos e processos que utilizam água, controle de vazão e pressão e minimização das perdas físicas. São geradas diferentes configurações de uso da água para a edificação, com possibilidade de aplicação de diferentes graus tecnológicos, de tal forma que o consumo de água seja otimizado. É possível então se determinar a expectativa de redução do consumo. Ainda nesta etapa são estimados os investimentos necessários e os períodos de retorno para cada uma das configurações concebidas. 2.7.9 Produtos da Etapa 3 O resultado desta etapa é a análise quantitativa e qualitativa das possibilidades de oferta de água para a edificação. São planejadas as ações para 37 incorporação de águas menos nobres para aplicação em atividades consumidores menos nobres. Com a avaliação da oferta de água são então consolidados todos os dados e análises técnicas para a montagem de cenários possíveis PCA a ser implementado à edificação. 2.8 Avaliação da Oferta de Água Uma vez caracterizada a demanda de água necessária para atendimento das atividades consumidoras da edificação em estudo, devem ser avaliadas qualitativa e quantitativamente, as possíveis fontes de abastecimento. O primeiro passo desta etapa é avaliar, dentre as fontes existentes, quais são as aplicáveis à edificação em estudo. Esta avaliação baseia-se na região onde está localizada a edificação e nos tipos de usos e de usuários. De uma maneira geral, as edificações podem ter seu abastecimento proveniente da rede pública, de responsabilidade da Concessionária local de Saneamento Básico, ou das seguintes fontes alternativas: • Captação direta de mananciais; • Águas subterrâneas; • Aproveitamento de efluentes; • Águas pluviais. Como o assunto tratado é o reaproveitamento de águas pluviais em prédios escolares, esse será o item analisado como fonte alternativa para abastecimento. 2.8.1 Águas Pluviais Para o desenvolvimento de um projeto de aproveitamento de águas pluviais deve-se inicialmente identificar demandas possíveis de serem supridas por tal volume. Em seguida, é calculada a área de coleta e dimensionado o volume do reservatório. 2.8.2 Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica Esta etapa possui por objetivos: • Consolidar o Programa de Conservação de Água a ser incorporado; 38 • Planejar as ações para implantação do mesmo, com ênfase nos maiores consumidores, para a imediata geração de economias, com baixos investimentos e períodos de retorno atrativos. O Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica é a etapa de composição dos dados gerados na avaliação de demanda e oferta de água, através da criação de diferentes configurações possíveis ou cenários para uma mesma edificação. O número de cenários a serem gerados varia de acordo com a complexidade da tipologia em análise. Além disto, a avaliação comparativa das possibilidades deverá considerar outros aspectos além do econômico tais como aspectos técnicos, operacionais, funcionalidade, gestão das ações, responsabilidade social e valor a ser agregado. 2.8.3 Detalhamento e Implantação do PCA Nesta etapa são detalhados os sistemas e tecnologias a serem implementadas, contendo a especificação do sistema de setorização do consumo, especificação de cada intervenção com elementos gráficos e/ou descritivos, além das especificações de sistemas, materiais e equipamentos a serem instalados. Manuais de manutenção e operação dos sistemas e equipamentos devem ser elaborados. Após o detalhamento das ações deve ser iniciada a implantação do PCA. 2.8.4 Implantação do Sistema de Gestão da Água Para a manutenção dos índices de economia obtidos é necessário que o Plano de Gestão compreenda as seguintes ações: • De base operacional: são aquelas de enfoque sistemático, as quais permitem manter sob controle os indicadores obtidos, bem como atualizada a avaliação da edificação quanto ao uso da água; • De base institucional: visam o usuário interno e externo à edificação, com foco principal na responsabilidade social e benefício a ser gerado para o meio ambiente externo; • De base educacional: garantem o acompanhamento e mudança comportamental dos usuários. Estas atividades estão divididas entre dois diferentes públicos, o primeiro deles, o gestor da água e o segundo, os demais usuários. 39 O Gestor é o responsável por transformar o comprometimento assumido em conservar a água em um plano de trabalho exeqüível, com o objetivo de alcançar as metas pré-estabelecidas pela organização. 2.9 Análise Quantitativa de Precipitações de Águas de Chuva As precipitações quando atingem a superfície terrestre em parte se evaporam, em parte se infiltram e alimentam o aqüífero subterrâneo e o restante escoa formando os recursos hídricos superficiais. Na tentativa de determinar a vazão de pico de cheias, muitas fórmulas empíricas têm sido estabelecidas, em que a vazão é apresentada como função de característica física da bacia, fatores climáticos, etc.. Como um dos métodos tem-se as fórmulas baseadas no método racional (OLIVEIRA, 2002). Essas fórmulas são do tipo geral Q = C.im.A (2.1) onde: Q = pico de vazão de escoamento, (L³/T); C = coeficiente de escoamento artificial, coeficiente de deflúvio, definido como a relação entre o pico de vazão por unidade de área e a intensidade média de chuva. im = intensidade média da precipitação da chuva que provoca a vazão sobre toda a área drenada, de duração igual ao tempo de concentração, (L/T); A = área drenada da bacia em (L²). Embora denominação de racional dê uma impressão de segurança, a fórmula deve ser manejada com extrema cautela, pois envolve diversas simplificações e coeficientes cuja compreensão e avaliação têm muito de subjetivo. A expressão 2.1 traduz a concepção básica de que a máxima vazão, provocada por uma chuva de intensidade uniforme, ocorre quando todas as partes da bacia passam pela secção de drenagem. O tempo necessário para que isto ocorra, medido a partir do início da chuva, é o que se denomina de tempo de concentração da bacia. Neste raciocínio ignora-se a complexidade real do processamento do deflúvio, não se considerando, em especial, o armazenamento de águas na bacia e as 40 variações de intensidade e do coeficiente de deflúvio durante o transcorrer do período de precipitação. A imprecisão no emprego do método será tanto mais significativa quanto maior for a área da bacia. A rigor não deveria ser usado para áreas acima de 5km2. Entretanto a simplicidade de sua aplicação e a facilidade do conhecimento e controle dos fatores a serem considerados, torna-se de uso bastante difundido no estudo das cheias em pequenas bacias hidrográficas. (OLIVEIRA, 2002). 2.9.1 Intensidade de Precipitação (im) É a medida da quantidade de chuva que cai numa área num determinado tempo. Como a área é fixada convencionalmente em m2, a medida volumétrica se transforma em medida de altura que normalmente se classifica em (OLIVEIRA, 2002): • Região de baixa precipitação: < 800mm/ ano; • Região de média precipitação: (800 a 1.600) mm/ano; • Região de alta precipitação: > 1.600 mm/ano. A intensidade (im) considerada no método racional é um valor médio no tempo e no espaço. A intensidade instantânea de uma precipitação sobre um determinado pluviógrafo, definida como a relação entre acréscimo de precipitação e o lapso de tempo em que ocorre, é extremamente variável no decorrer do tempo. A intensidade a ser considerada para a aplicação de método é a máxima média observada num certo intervalo de tempo para o período de recorrência fixado. O intervalo que corresponde à situação crítica, ou seja, a duração da chuva a considerar, será igual ao tempo de concentração de bacia (OLIVEIRA, 2002). Como exemplo de intensidade de chuva tem-se: 10 mm/ hora. Isso quer dizer que em uma hora precipita 10mm de água, em uma área de 1m2, ou seja, 0,01m por m2 por hora, isto é, se toda essa água fosse recolhida e não evaporasse nem infiltrasse, haveria em uma hora um volume de precipitação de 0,01m3 em 1m2. Conforme sejam as necessidades, a chuva é medida por minuto de ocorrência, em horas de ocorrência, em dias de ocorrência, ou até em anos. Segundo Botelho (1998) a fórmula geral do cálculo de intensidade da precipitação é: 41 im = K.Tr m (2.2) (t + to)n onde: im = intensidade de precipitação máxima média (mm/h) t = tempo de duração da chuva (min) Tr = tempo de recorrência (anos) K, to, m, n = parâmetros a determinar para o local (superfície). 2.9.2 Coeficiente do Deflúvio C É a relação entre a quantidade total de água escoada pela seção e a quantidade total de água precipitada na bacia hidrográfica; pode referir-se a uma dada precipitação ou a todas as que ocorrem em um determinado intervalo de tempo (PINTO et al, 1973). A tabela 1 mostra o coeficiente de escoamento superficial (C) utilizado no calculo da vazão. Tabela 1 – Coeficiente de escoamento superficial (C) Natureza da Superfície Valores de C Telhados perfeitos sem fuga 0,70 a 0,95 Superfícies asfaltadas em bom estado 0,85 a 0,90 Pavimentação de paralelepípedos, ladrilhos ou blocos de madeira com juntas bem tomadas 0,75 a 0,85 Para as superfícies anteriores sem as juntas tomadas 0,50 a 0,70 Pavimentação de blocos inferiores sem as juntas tomadas 0,40 a 0,50 Estradas macadamizadas 0,25 a 0,60 Estradas e passeios de pedregulho 0,15 a 0,30 Superfície não revestidas, pátios de estradas de ferro e terrenos descampados 0,10 a 0,30 Parques, jardins, gramados e Campinas, dependendo da declividade do solo e da natureza do subsolo 0,01 a 0,20 FONTE: Oliveira, 2002. 2.9.3 Aspectos Qualitativos A tabela 2 apresenta algumas análises obtidas da qualidade de água em diversas cidades. 42 Tabela 2 – Valores mínimos e máximos (mg / l) de concentrações iônicas em águas da chuva P Local (mm) pH Na++ Ca++ K+ Mg++ Cl SO4 NH4+ NO3 Salvador 1.900 5,8 0,52 0,75 0,17 0,15 1,67 — 0,02 — Ubatuba 2.124 <4,5> 0,37 <0,01 0,0 0,04 0,44 0,48 — — S. J. dos 1.100 4,0 0,01 0,02 0,01 0,005 <0,05 1,84 — — 1.692 4,40 <0,02 0,01 <0,02 <0,005 0,03 1,27 — — 2.414 3,70 0,2 0,84 0,20 0,31 0,8 2,0 0,24 0,03 2.414 5,80 0,4 4,15 1,64 0,65 2,9 16 0,97 0,03 112 <4,92> 0,25 0,0 0,007 0,035 0,45 0,3 0,005 0,02 Alasca 28,5 <4,96> 0,0 0,0 0,0 0,0 0,02 0,0 0,005 0,074 Austrália 91,6 <4,78> 0,0 0,0 0,0 0,0 0,06 0,0 0,005 0,025 Venezuela 152,5 <4,81< 0,002 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,002 0,02 Campos Campos do Jordão Cubatão Centro Cubatão Vila Parisi Oceano Índico Delhi — 70 0,3 0,5 0,8 0,25 1,26 4,5 — — Minnesota — 3,68 0,02 0,08 0,01 0,06 — 0,16 0,010 0,054 Bermudas 391,4 <4,79> 0,43 0,0 0,0 0,05 0,70 0,240 0,0 0,0 FONTE: Gomes, 1989. 2.10 Escoamento de Águas Pluviais em uma Instalação Predial Normalmente as precipitações, sob forma de chuvas, ocorrem quando a condensação de vapor atmosférico forma gotas de águas de tamanho suficiente para se precipitarem sobre a superfície terrestre. As chuvas que caem tomam os seguintes destinos: • Parte evapora das superfícies logo nos instantes iniciais retornando à atmosfera; • Parte infiltra, indo alojar nas camadas do subsolo formando os lençóis subterrâneos e que pode voltar à superfície por capilaridade ou através de transpiração pelas plantas; e • Parte escoa pela superfície do terreno até os rios, lagos, etc. A instalação predial pluvial compreenderá os serviços e dispositivos a serem empregados para captação e escoamento rápido e seguro das águas de chuva e divide-se em três partes básicas: calhas, tubos de queda e rede coletora. 43 2.10.1 Calhas São dispositivos que captam as águas da chuva diretamente dos telhados impedindo que estas caiam livremente causando danos nas áreas circunvizinhas, principalmente quando a edificação é bastante alta. Para residências de apenas um, ou no máximo dois pavimentos, muitas vezes, o projetista dispensa o uso de calhas, deixando que as águas escoem, de forma bem dispersa pelas bordas das telhas, caindo sobre a superfície do terreno. As seções das calhas possuem as mais variadas formas, dependendo das condições impostas pela arquitetura, bem como dos materiais empregados na confecção das mesmas. 2.10.2 Seção Retangular É a seção mais comumente usada por ser de fácil fabricação e os materiais mais usados para a fabricação são concreto e chapa galvanizada, conforme mostrada na figura 5. Figura 5 – Calha: Seção Retangular FONTE: Melo, 1988. 44 2.10.3 Seção Trapezoidal Neste tipo de seção o concreto já é menos recomendado por causa da maior dificuldade na confecção das formas, sendo a chapa galvanizada o material preferido, como mostrado na figura 6. Figura 6 - Calha – Seção Trapezoidal FONTE: Melo, 1988. 2.10.4 Seção Semi-circular É um tipo de seção menos usado que os dois anteriores. Os materiais mais próprios são concreto, cimento amianto e PVC. Raramente as calhas possuem esta seção a não ser quando localizadas nas bordas externas dos telhados, onde o PVC tem grande aplicação, como mostrado na figura 7. Figura 7 – Calha – Seção Semi-Circular FONTE: Melo, 1988. 2.10.5 Dimensionamento das Calhas As calhas não são destinadas a conduzir águas de um ponto a outro, mas sim receptáculos das águas da superfície dos telhados e conduzindo-os imediatamente aos tubos de queda. É indispensável a aplicação de fórmulas de hidráulica para o seu dimensionamento, dando a elas o mesmo tratamento de escoamento em canais. A declividade das calhas deve ser a mínima possível e no sentido dos tubos de queda a fim de evitar o empoçamento de águas quando cessada a chuva. 45 O cuidado que se deve ter com as dimensões é devido apenas ao comprimento do telhado, pois quanto maior, mais água terá juntado na calha para um mesmo intervalo de tempo. Assim sendo, a largura deverá ser aquela suficiente para evitar que a água não caia fora quando é despejada pela telha e a altura deve ser a metade da altura. A projeção horizontal da borda da telha, na calha deve situar a um terço da altura, conforme a figura 8. Figura 8 – Dimensionamento das Calhas FONTE: Melo, 1988. Para dimensionar calhas em edificações é utilizada uma tabela padronizada, conforme mostrado na tabela 3. Tabela 3 - Dimensões da Calha em função do comprimento do telhado Comprimento do Telhado (m) Largura da Calha (m) Até 5,0 0,15 5,0 à 10,0 0,20 10,0à 15,0 0,30 15,0 à 20,0 0,40 20,0 à 25,0 0,50 25,0 à 30,0 0,60 FONTE: Melo, 1988. 46 2.10.6 Tubos de Queda São tubos verticais que conduzem as águas das calhas às redes coletoras que poderão estar situadas no terreno ou presas ao teto do sub-solo no caso dos edifícios e/ ou pavimentos, ou despejar livremente na superfície do terreno. 2.10.7 Dimensionamento dos Tubos de Queda Para melhor segurança quanto ao escoamento, os tubos de queda deverão ser dimensionados levando em consideração o valor da chuva crítica, ou seja, de pequena duração mas de grande intensidade. No caso dos tubos de queda ao invés de se calcular o diâmetro do condutor, fixa-se este e determina-se o número de condutores em função da área máxima de telhado que cada diâmetro pode escoar, conforme tabela 4. Tabela 4 – Área máxima de Cobertura para Condutores Verticais de Seção Circula Diâmetro (mm) Área Máxima de Telhado (m²) 50 13,6 75 42,0 100 91,0 150 275,0 FONTE: Melo, 1988. 2.10.8 Detalhe de Ligação da Calha ao Tubo de Queda A figura 9 apresenta os detalhes da ligação entre a calha coletora e o tubo vertical. 47 Figura 9 - Ligação da Calha ao Tubo de Queda FONTE: Melo, 1988. 2.10.9 Rede Coletora É a rede horizontal situada no terreno ou presa ao teto do sub-solo e que recebe as águas de chuvas diretamente dos tubos de queda ou da superfície do terreno. Normalmente quando a rede coletora está situada em terreno firme, a tubulação mais usada é a de PVC, porém, quando presa ao teto do subsolo, o mais usado é o ferro fundido devido maior rigidez e maior resistência ao impacto. As águas pluviais são conduzidas a uma cisterna. 2.11 Normas para Aproveitamento de Água de Chuva Existe um projeto de norma da ABNT para aproveitamento de água de chuva no Brasil. Há Associações Internacionais para Aproveitamento de Águas de Chuvas, com congresso a cada dois anos desde junho de 1982 (International Rainwater Systems Association – IRCSA). Em 1984, a conferência foi feita na Ilhas Virgens no Caribe. Em 1987, na Tailândia; em 1989, nas Filipinas; em 1991 em Taiwan; no Quênia foi feita em 1993; China 1995; Irã 1997; Brasil 1999, e a última foi na Alemanha em setembro de 2001. 48 O Código Sanitário do Estado de São Paulo (Decreto 12.342, de 27/9/78) diz o seguinte: Artigo 12 – Não será permitida: III – a interconexão com tubulações ligadas diretamente a sistemas públicos com tubulações que contenham água proveniente de outras fontes de abastecimento. Artigo 19 – É expressamente proibida a introdução direta ou indireta de águas pluviais ou resultantes de drenagem nos ramais prediais de esgotos. O artigo 12, item III, ressalta que o sistema não-potável resultante das águas pluviais não deve ser misturado ao sistema de água potável, o que é óbvio. O artigo 19 diz, somente, que não se pode introduzir águas pluviais nas redes de esgotos. O aproveitamento de parte das águas pluviais em água não-potável, não impede o lançamento nos esgotos sanitários, e a concessionária dos serviços de água e esgoto passará a cobrar a estimativa do novo volume de esgoto que é lançado no coletor. É importante salientar, também, que o uso de águas pluviais para água nãopotável evita que seja desperdiçada uma água pura e tratada na limpeza de jardins, gramados, descargas de banheiros e outras aplicações industriais, que não necessitam de água potável. Quando a água pluvial é usada em substituição à água potável, os esgotos resultantes são classificados como esgotos sanitários podendo, portanto, ser lançados nas redes de esgotos públicas. . No Brasil, em áreas urbanas de modo geral, os primeiros 10m3 de água fornecido pelo serviço público é subsidiado, ficando o custo muito barato para o consumidor e deixando de lado a alternativa do uso da água de chuva. Em lugares onde não existe rede pública, é viável o uso da água de chuva. Até o presente momento, o uso de água de chuva em áreas urbanas é viável para consumo comercial e industrial ou em grandes prédios de apartamentos. 2.11.1 Decreto nº 24.643/1934 Segundo o código das águas, decreto 24.643/1934, no que se refere as águas pluviais: Artigo 102 – consideram-se águas pluviais as que procedem imediatamente das chuvas. 49 Artigo 103 – As águas pluviais pertencem ao dono do prédio onde caírem diretamente, podendo o mesmo dispor delas à vontade, salvo existindo direito em contrário. Parágrafo único: ao dono do prédio, porém, é permitido: I – desperdiçar essas águas em prejuízo dos outros prédios que delas se possam aproveitar, sob pena de indenização aos proprietários dos mesmos; II – desviar essas águas do seu curso natural para lhes dar outro, sem consentimento expresso dos donos dos prédios que irão recebe-las. Artigo 104 – Transpondo o limite do prédio em que caírem, abandonadas pelo proprietário do mesmo, as águas pluviais, no que lhes for aplicável, ficam sujeitas as regras ditadas para as águas comuns e para as águas públicas. Artigo 106 – É imprescritível o direito de uso das águas. Artigo 107 – São de domínio público de uso comum as águas pluviais que caírem em lugares ou terrenos públicos de uso comum. Artigo 108 – A todos é lícito apanhar estas águas. Parágrafo único: não se poderão, porém, construir nesses lugares ou terrenos, reservatórios para o aproveitamento das mesmas águas sem licença da administração competente. 2.12 Os usos da água Após análise das condições da água na natureza, sua distribuição no planeta – em especial no Brasil – e as ameaças que pairam sobre este bem precioso, é necessário verificar como ela é tratada para o consumo humano (uso doméstico e esgoto sanitário) e em outras situações nas quais os seres humanos necessitam dela para viver e produzir (uso industrial, uso agrícola, geração de energia, navegação, pesca e lazer) e encontrar soluções para preservar sua qualidade e quantidade, combatendo a contaminação por esgoto, agrotóxicos, lixo e outras formas de poluição. Segundo o Ministério da Saúde, para que a água seja potável e adequada ao consumo humano, deve apresentar características microbiológicas, físicas, químicas e radioativas que atendam a um padrão de potabilidade estabelecido. Por isso, antes de chegar às torneiras das casas, a água passa por estações de tratamento, onde são realizados processos de desinfecção para garantir seu consumo sem 50 riscos à saúde. Após chegar à estação de tratamento, a água passa basicamente pelas seguintes etapas: 1. Adição de coagulantes: consiste em misturar à água substâncias químicas (sulfato de alumínio, sulfato ferroso etc.) e auxiliares de coagulação que permitem a aglutinação das partículas em suspensão. 2. Coágulo-sedimentação: a água, já com coagulantes, é conduzida aos misturadores (rápidos e lentos) que promovem a formação de flocos entre o íon alumínio ou ferro trivalente e as partículas presentes na água. Dos misturadores, a água passa para os tanques de decantação, chamados de decantadores, onde permanece por um período médio de três horas. No fundo dos tanques, depositam-se flocos que arrastam grande parte das impurezas. 3. Filtração: após a decantação, a água segue para os filtros, unidades de areia de granulometria variada que retêm as impurezas restantes. O filtro tem dispositivos capazes de promover a lavagem de areia, para que o processo de filtragem não seja prejudicado pela obstrução do leito filtrante. 4. Desinfecção: a água, após filtrada e aparentemente limpa, ainda pode conter bactérias e outros organismos patogênicos (não visíveis a olho nu) que podem provocar doenças como a febre tifóide, disenteria bacilar e cólera. Torna-se necessário, então, a aplicação de um elemento que os destrua. Esse elemento é o cloro, aplicado em forma de gás ou em soluções de hipoclorito, numa proporção que varia de acordo com a qualidade da água. 5. Fluoretação: para prevenir a cárie dentária; o flúor e seus sais têm se revelado notáveis como fortalecedores da dentina. A aplicação do flúor na água, por meio de produtos como fluossilicato de sódio ou ácido fluossilícico, é a etapa final do tratamento. Estas substâncias químicas, no entanto, podem causar problemas à saúde se não utilizadas criteriosamente. Após o tratamento, a água passa por análises laboratoriais, a fim de garantir a distribuição de um produto de qualidade. O tratamento da água é fundamental para a saúde pública. Nos países da América Latina, apesar dos sistemas de abastecimento terem, pouco a pouco, se estendido até os lugares mais afastados, ainda existe muito a ser feito. Segundo a Organização Mundial de Saúde, na América Latina e Caribe, em 2000, 78 milhões de pessoas não tinham acesso a água encanada e 117 milhões de pessoas não eram atendidas por esgotamento sanitário, respectivamente 15% e 22% da população total desta região. 51 2.13 Qualidade da Água de Abastecimento A qualidade da água de abastecimento no Brasil é normalizada pelo Ministério da Saúde. A tabela 5 a seguir apresenta os parâmetros físico-químico e microbiológico, de acordo com a Portaria 36 do Ministério da Saúde. Tabela 5 – Portaria 36 do Ministério da Saúde: Parâmetros físico-químico e microbiológico. Parâmetro Portaria 36 – Ministério da Saúde Sabor / Odor Ph Não objetável 6,5 a 8,5 Cor aparente (mg Pt / l e UH) 5 Oxigênio Dissolvido (mg de O2 / l) — Tubidez (UT) 1 DBO5 (mg de O2 / l) — Cloretos ( mg Cl / l) 250 Nitratos (mg N / l) 10 Nitritos (mg N /l ) — Ferro Solúvel (mg Fe / l) 0,3 Manganês (mg Mn / l) 0,1 Sólidos Dissolvidos (mg / l) 1000 Dureza (mg CACO3 / l) 500 Sulfatos (mg SO4 2- / l) 400 Cloro Residual (mg Cl2 / l) > 0,2 Coliformes Totais (UFC / 100 ml) Ausência Coliformes Fecais (UFC / 100ml) Ausência FONTE: Macedo , 2003. 2.14 Conceito de Cidadania e Meio Ambiente O movimento social contra a degradação do meio ambiente vem se articulando crescentemente com as lutas democráticas pela implantação de um novo modelo de cidadania. A defesa dos direitos ambientais das populações unifica lutas sociais com distintos objetivos específicos: o acesso a bens coletivos como a água e o ar, em níveis e qualidade compatíveis com condições adequadas de existência; o 52 acesso a recursos naturais de uso comum necessário à existência de grupos sócioculturais específicos como seringueiros, apanhadores de castanha e comunidade indígenas; a garantia de uso público do patrimônio natural constituído por áreas verdes, cursos d’água e nascentes, freqüentemente degradados pelos uso privado incompatível com os interesses coletivos da sociedade. 2.14.1 O Meio Ambiente é um Bem para a Comunidade Meio ambiente é a base natural sobre a qual se estruturam as sociedades humanas. O ar, a água, o solo, a flora e a fauna dão os suportes físico, químico e biótico para a permanência das civilizações humanas sobre o planeta. Ao longo dos diferentes estágios de sua evolução histórica, estas civilizações modificaram o meio natural: alimentaram-se de outras espécies, domesticaram plantas e animais, artificializaram a natureza para assegurar a existência biológica dos indivíduos e a reprodução de sua organização social. 2.14.2 Os "Problemas Ambientais" são a Manifestação de Conflitos Sociais que têm a Natureza por Suporte Os elementos da natureza influenciam as condições de existência de todos os indivíduos e as condições de trabalho de grupos sociais específicos. Toda comunidade que respira o oxigênio da atmosfera é obrigada a aspirar também o material particulado emitido por uma usina siderúrgica situada em suas proximidades. Neste caso, as condições de saúde de todos são afetadas, particularmente as daqueles que trabalham na usina ou moram perto dela. Por outro lado, alguns grupos sociais dependem da existência equilibrada de determinados ecossistemas, nos quais trabalham e dos quais extraem os meios de sua subsistência. Este é o caso de pescadores artesanais, seringueiros, apanhadores de castanha e comunidades indígenas, por exemplo, cuja reprodução social depende da fertilidade dos rios e lagos, da integridade dos seringais e dos castanhais. No caso da contaminação do ar por partículas e efluentes gasosos de origem industrial, um conflito se estabelece entre os interesses das empresas, desejosas de se livrarem, sem custos, da parcela invendável de sua produção, precavendo-se de uma redução em sua margem de lucratividade, e a comunidade de trabalhadores e moradores que sofre as doenças respiratórias e vive em condições sanitárias 53 precárias. O conflito social se explica quando a comunidade percebe que a lucratividade da empresa está sendo alimentada pela precariedade das condições de existência da população. 2.14.3 Toda Ação que Compromete as Condições Ambientais de Existência e Trabalho das Populações, atenta contra Direitos Ambientais de Indivíduos e Coletividades Os movimentos sociais viabilizaram e expandiram, ao longo da história, o espaço dos direitos na sociedade. A liberdade religiosa adveio das guerras de religião; as liberdades civis, da luta dos parlamentos contra os soberanos absolutos; a liberdade política e as conquistas sociais, do amadurecimento do movimento operário; e assim por diante. No Estado de Bem-Estar constituído nos países capitalistas centrais, tais direitos estenderam-se à proteção contra o desemprego, ao direito à educação básica gratuita e de qualidade, à assistência à invalidez e à velhice. Na sociedade brasileira, os direitos civis e políticos que foram tragados na turbulência dos regimes autoritários, têm vigorado nos períodos de normalidade nas instituições democráticas. As condições de exercício de tais direitos permanecem, porém, precárias para a grande maioria da população, desprovida dos meios de existência necessários à sua constituição como sujeito político autônomo. Os direitos à educação, à saúde, à velhice são, por seu turno, apenas formais, permanentemente submersos pela crise fiscal do Estado e pela avidez das elites. A este quadro precário da cidadania no Brasil somam-se as limitações que as condições ambientais de existência colocam para o exercício pleno dos direitos adquiridos por grande parte das populações. Os moradores da Vila Socó, por exemplo, desprovidos de condições apropriadas de moradia, e compelidos a viver entre os oleodutos de Cubatão (SP), não puderam usufruir de seus direitos civis básicos, submetendo-se aos riscos do terrível acidente que vitimou, em 1984, dezenas de membros daquela comunidade. Naquela ocasião, centenas de famílias de trabalhadores foram surpreendidas à noite por explosões e incêndios nas tubulações em torno das quais viviam, por falta de moradia adequada. A mesma cidadania precária decorre das condições ambientais de existência em que estão inseridos os moradores de encostas perigosas, as comunidades compulsoriamente deslocadas de seu ambiente sócio-cultural para a construção de hidrelétricas, os moradores de áreas onde houve o lançamento incontrolado de lixo químico e outros 54 resíduos tóxicos, os trabalhadores vitimados pelo benzeno na indústria petroquímica, pela silicose na construção naval, etc. Vivendo e trabalhando em condições ambientais adversas, arriscadas e danosas à saúde, estas populações são constrangidas a exercer, de forma restrita os seus direitos de cidadania. 2.14.4 Como Conscientizar a Sociedade A sociedade do futuro pode ser designada por duas categorias: “sustentabilidade” e “virtualidade” para chamar a atenção para uma sociedade sustentável e uma sociedade que democratiza o acesso à informação. Costuma-se designar por “sociedade sustentável” aquela que é capaz de satisfazer suas necessidades sem comprometer as chances de sobrevivência das gerações futuras. Mas não é só isso. A sociedade sustentável requer uma mudança de nosso estilo de vida, para que seja: a) ambientalmente sustentável no acesso e uso dos recursos naturais e na preservação da biodiversidade; b) socialmente sustentável na redução da pobreza e das desigualdades na promoção da justiça social; c) culturalmente sustentável na conservação do sistema de valores, práticas e símbolos de identidade que determinam integração nacional ao longo do tempo e d) politicamente sustentável aprofundando a democracia e garantindo o acesso e participação de todos os setores da sociedade nas decisões públicas. Três décadas de debates sobre “nosso futuro comum” deixaram algumas pegadas ecológicas, tanto no campo da economia, quanto no campo da ética, da política e da educação, que podem nos indicar um caminho diante dos desafios da educação de adultos do Século XXI. A sustentabilidade tornou-se um tema gerador preponderante neste início de milênio para pensar não só o planeta, um tema portador de um projeto social global e capaz de reeducar nosso olhar e todos os nossos sentidos, capaz de reacender a esperança num futuro possível, com dignidade, para todos. O cenário não é otimista: toda a vida do planeta pode ser destruída neste milênio que se inicia. A humanidade vive numa sociedade em risco. Uma ação conjunta global é necessária, um movimento como grande obra civilizatória de todos é indispensável para que se realize essa outra globalização. 55 3. MATERIAL E MÉTODOS Os dados de precipitação foram coletados no posto meteorológico do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade de Taubaté (UNITAU), localizado na Fazenda Piloto, situada na estrada municipal Dr. José Luiz Cembranelli, 5000 na zona rural do município, aproximadamente 5 km do centro comercial da cidade. Os dados de precipitação estão sendo coletados desde julho de 1982, quando foi instalado o posto meteorológico na UNITAU. As coordenadas geográficas do posto são 23o 02' S, 45o 30' W e 577 m. O posto de Taubaté usa o pluviômetro “Ville de Paris” para coleta da precipitação, com área de captação de 400 cm2. A Tabela 6 apresenta a normal climatológica da precipitação do Vale do Paraíba-SP. TABELA 6 - Normal climatológica de Taubaté (1946-1976). Valores da precipitação em mm. J F M A M J J A S O N D ANO 210,6 210,5 177,2 74,8 46,1 30,3 28,4 41,7 59,0 128,6 137,8 207,2 1352,2 FONTE: 7º DISME/INMET – Distrito de Meteorologia, 1976. A Tabela 7 representa a ocorrência de chuva na região do Vale do Paraíba no período de 1983 a 2002 dos valores mensais da precipitação de chuva de Taubaté. 56 Tabela 7 – Distribuição mensal da precipitação em Taubaté (período de 1982-2000). Valores da precipitação em mm/mês. ANO J F M A M J 1982 J A S O N D TOTAL % 52,8 94,5 15,0 161,0 141,5 229,5 — — 1983 258,0 193,0 136,5 111,5 127,5 151,0 53,0 11,5 266,0 51,5 109,3 157,5 1.626,3 +19,1 1984 103,5 63,0 67,0 109,0 90,5 0,0 3,5 48,5 84,5 24,5 98,5 161,0 853,5 -37,5 1985 275,0 200,0 189,5 44,0 57,0 10,5 2,5 9,0 75,5 117,0 109,5 237,0 1.326,5 -2,9 1986 142,5 134,0 268,0 83,5 58,0 7,0 26,5 81,5 39,5 42,5 115,5 249,5 1.248,0 -8,6 1987 293,5 215,0 111,0 221,0 181,0 129,0 11,5 1,5 50,0 103,5 85,5 70,5 1.473,0 +7,9 1988 196,0 293,0 213,0 97,0 152,5 31,0 0,0 0,0 34,0 153,5 71,5 178,0 1.419,5 +3,9 1989 231,5 340,3 247,3 113,3 72,9 85,5 84,2 79,4 83,7 19,2 135,8 193,8 1.686,9 +23,5 1990 161,7 123,2 132,8 74,5 21,3 5,0 67,8 76,2 117,6 83,3 107,5 95,3 1.066,2 -21,9 1991 301,9 162,4 356,8 84,8 20,0 32,9 9,8 14,1 118,0 141,3 96,8 178,1 1.516,4 +11,0 1992 166,5 129,8 59,8 80,0 53,7 0,0 75,2 23,7 125,6 114,5 210,5 130,2 1.269,5 -7,0 1993 245,6 250,6 300,2 131,7 49,0 31,9 12,3 14,7 145,5 84,5 79,9 86,1 1.432,0 +4,9 1994 216,7 72,4 151,3 100,1 89,2 40,5 21,7 0,0 1,14 96,7 132,4 298,2 1.2203 -10,6 1995 151,0 353,5 197,8 31,0 67,5 8,1 63,9 11,9 38,2 266,5 120,3 183,1 1.492,8 -9,3 1996 215,8 229,3 364,8 48,1 31,9 22,9 5,1 26,1 149,2 124,1 189,5 201,3 1.608,1 +17,8 1997 223,5 49,2 70,4 25,8 57,4 69,3 9,0 18,4 112,6 63,8 243,8 142,4 1.085,6 -20,5 1998 120,7 254,3 158,4 45,6 89,1 12,4 12,3 10,6 141,1 211,1 66,4 130,5 1.252,5 -8,3 1999 377,6 401,4 80,5 40,6 19,0 68,6 11,0 4,8 65,0 26,5 71,4 1500 1.316,4 -3,6 2000 342,0 169,1 260,1 8,3 9,4 0,4 60,5 92,4 90,4 56,0 227,8 235,9 1.552,3 +13,7 MÉDIA 233,5 201,9 192,5 80,5 63,3 39,2 30,7 32,6 92,2 102,2 127,0 174,1 1.365, — FONTE: Banco de Dados da NASA - GCPC (National Aeronautics and Space Administration – Global Continental Precipitation Climatology) 11 3.1 Dados do Local da Implantação O estudo foi realizado na Escola Municipal de 1º e 2º Graus “Vereador Mario Monteiro dos Santos”, localizada no Município de Taubaté, no Vale do Paraíba, na latitude 23º, longitude 45º, com índice pluviométrico de 1.300 mm/ano e clima do tipo subtropical quente. A figura 10 mostra o local do estudo. Figura 10 – Foto do local em estudo, EMIEF “Vereador Mario Monteiro dos Santos”. 12 A figura 11 mostra o croqui, dando ênfase à disposição das salas de aula e demais dependências. BLOCO 1 BLOCO 2 50,50m TELHADO PÁTIO COBERTO COZINHA QUAD RA ESPORTIVA COBERTA BLOCO 3 WC TELHADO 30m WC 60m Figura 11 – Croqui da atual Escola BLOCO 4 BLOCO 5 BLOCO 6 BLOCO 7 13 3.2 Configuração Geral do Sistema O sistema em estudo é composto de construção de um pavimento em blocos de concreto com laje e cobertura de calhetões de fibra de cimento, além de uma quadra poliesportiva impermeável em concreto. A veiculação de água no interior dessa infra-estrutura é ilustrada pela figura 12. Figura 12 – O local de alojamento da cisterna está indicado na figura. A proposta visa o aproveitamento das águas pluviais como é ilustrado na Figura 13 pelo fluxograma, com a nova veiculação proposta das águas pluviais no prédio e pela Figura 14 pelo croqui da escola. 14 Cavalete padrão SABESP de fornecimento de água Água coletada do telhado Reservatório de água da Escola Sistema de Remoção de Sólidos grosseiros Sistema de Cisternas para armazenamento de águas pluviais Bacia sanitárias com válvula Lavagem de pátios Mictórios Sistema de tratamento Anaeróbio de efluentes Legenda: 13 – Fluxograma da aproveitamento das águas pluviais. veiculação das Cozinha Caixa de Gordura Descarte na rede de águas pluviais Descarte de efluente tratado na rede de coleta urbana Figura Bebedouros Descarte de água pluviais Rede de Coleta Urbano águas no sistema proposto com 15 Figura 14 – Croqui da Escola com o sistema de aproveitamento de águas pluviais proposto. 16 3.3 Cálculo da Demanda Mensal de Água Pluvial Necessária para a Descarga Sanitária. A Escola Municipal Integral de Ensino Fundamental “Vereador Mario Monteiro dos Santos”, que funciona por um período de 12 horas, totaliza a freqüência diária de cerca de 1500 (mil e quinhentos) alunos nos dois períodos. O cálculo da demanda mensal de água pluvial necessária para os vasos sanitários é expresso pela equação 1: Dad = Np x Nd x [Vd + Vvaz] x D (3.1) onde: Dad = demanda mensal de água para descarga Np = número de pessoas Nd = número de descargas por habitante ao dia Vd = volume de descarga [L ou m³] Vvaz = 10% Vd [L ou m³] D = número de dias utilizado durante o mês 3.4 Dimensionamento de uma Cisterna a partir do Método Rippl. O dimensionamento da cisterna do sistema de aproveitamento de águas pluviais proposto foi realizado segundo o método Rippl, conforme Tomaz (2003). Um dos métodos mais utilizados para se dimensionar uma cisterna é o método Rippl, que consiste na análise da curva gerada a partir de dados coletados em campo e em pesquisas, tais como índice pluviométrico da região onde se deseja instalar o sistema, demanda de água utilizada, dentre outros. Após a coleta destes dados elaborou-se a tabela 8, que fornecerá os valores para confecção da curva de resposta de dimensionamento de cisternas pelo método Rippl. A figura 15, mostra o índice pluviométrico (em m³/mês) da região de Taubaté, considerando o período entre janeiro de 1.946 a dezembro de 2005. 17 400 350 300 250 200 150 100 50 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Figura 15 – Índice pluviométrico da região de Taubaté Fonte: Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE), 2005. COLUNA 4 COLUNA 6 COLUNA 7 COLUNA 8 COLUNA 9 COLUNA 10 311 236 160 1 750 187 187 160 27 Fevereiro 258 195 160 1 750 155 342 320 22 Março 249 485 160 1 750 149 491 480 11 Abril 121 450 160 1 750 73 564 640 0 COLUNA 5 COLUNA 3 Janeiro COLUNA 1 COLUNA 2 Tabela 8 – Dimensionamento da cisterna pelo método Rippl Maio 74 434 160 1 750 44 608 800 0 Junho 53 337 320 2 750 31 639 1120 0 Julho 39 438 160 1 750 23 662 1280 0 Agosto 47 405 320 2 750 28 690 1600 0 Setembro 75 358 160 1 750 45 735 1760 0 Outubro 155 396 160 1 750 93 828 1920 0 Novembro 182 349 160 1 750 109 937 2080 0 Dezembro 447 447 160 1 750 268 1205 2240 0 FONTE: Tomaz, 2003. 18 onde: Coluna 1 – São os meses de janeiro a dezembro Coluna 2 – Índice pluviométrico mensal em Taubaté em mm Coluna 3 – Consumo médio mensal da unidade escolar em metros cúbicos Coluna 4 – Consumo médio mensal nos vasos sanitários da unidade escolar em metros cúbicos Coluna 5 – Número de descargas acionadas por dia, por pessoa Coluna 6 - Área disponível para captação em metros quadrados Coluna 7- Volume mensal disponível de água de chuva em metros cúbicos. É obtido através da multiplicação da coluna 2 pela coluna 4 e pelo coeficiente de Runoff 0,80 e dividido por 1000 para se obter os resultados em metros cúbicos. Coluna 8 - Demanda de água de chuva acumulado. Em dezembro tem-se o volume máximo que é de 1.205 metros cúbicos. Coluna 9 - Demanda mensal acumulada nos vasos sanitários em metros cúbicos, sendo que em dezembro tem-se o máximo de demanda anual, que é de 2.240 metros cúbicos ao ano e que deverá ser menor ou igual ao máximo de chuva anual que é de 1.205 metros cúbicos. Coluna 10 - Chuva acumulada, menos demanda, em metros cúbicos. É obtida pela diferença entre a coluna 8, referente a volume de água de chuva acumulado e a coluna 9, referente a demanda de água acumulada. Coloca-se então, os dados da coluna 9 em um gráfico, usando Microsoft Excel obtendo a figura 16. Na figura, as paralelas são traçadas em relação a abscissa, tangenciando o ponto mais alto e o ponto mais baixo. Obtém-se 27m³, que para o caso é a diferença entre 27 e 0 da coluna 9, da tabela 8. 19 Para a elaboração da tabela 8, foi adotada uma média de 02 descargas por aluno no inverno, e de 01 descarga por aluno no verão, primavera e outono. 30 25 20 15 27 m3 10 5 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Figura 16 – Gráfico para dimensionamento da cisterna pelo método Rippl. O volume da cisterna (Vc) é dado pela diferença entre os extremos do gráfico, ou seja, conforme a equação 2: Vc = Vi – Vf (3.2) 3.5 Dimensionamento do Sistema de Coleta de Água de Chuva Para o dimensionamento do sistema de coleta de água de chuva, foi utilizada a norma NBR 10844 de dezembro de 1989, que recomenda adotar a intensidade de chuva como 150 mm/h, e a duração da precipitação deve ser fixada em 5 minutos. Para o cálculo da vazão utiliza-se a equação 3: Q=IxA 60 (3.3) 20 onde: Q = vazão do projeto [L/min] I = intensidade pluviométrica [mm/h] A = área de contribuição [m²] Para o prédio onde está localizado a quadra coberta da Escola, tem-se uma vazão igual a 318,75 L/min. Considerando condutores horizontais tubulares de diâmetro igual a 125 mm, para uma declividade de 4%, a vazão do total do condutor será de 900 L/min. O material a ser utilizado é mostrado na tabela 9. TABELA 9 – Descrição da quantidade e custo do material utilizado para a implementação do aproveitamento das águas pluviais. Material Quantidade Custo por peça (R$) Custo total (R$) 27 300,00 8.100,00 Tubo 3" 12m 3" x 12 8 30,00 240,00 Cotovelo 3" 90° 3 6,00 18,00 T 3" 1 6,00 6,00 Tampão 4" 4 2,00 8,00 Redução 3" p/ ¾ 1 5,00 5,00 Tubo 3/4" 12 m 3 20,00 60,00 Bóia 27 20,00 540,00 Flange ¾" 27 8,00 216,00 Flange 50mm 27 8,00 216,00 Cotovelo 50 mm 27 3,00 81,00 Cisterna 1 m 3 TOTAL 9.490,00 FONTE: média de mercado na região do Vale do Paraíba, 2005. O custo total da implantação do projeto é de R$ 9.490,00 na Escola “Vereador Mario Monteiro dos Santos” especificamente. Entretanto, cada prédio escolar da rede municipal possui uma planta própria e diferenciada, devendo o projeto ser adaptado em cada caso. Porém, mesmo prescindindo de adaptação específica, estima-se que o custo de cada implantação não ultrapassará a quantia de R$ 10.000,00 (dez mil reais) por unidade instalada. 21 4 RESULTADOS 4.1 Custo da Água potável pela Concessionária Sabesp O custo da água fornecida pelo sistema tradicional pode ser definido como sendo um custo cíclico, ou seja, o consumo varia com o passar dos meses, como pode-se observar na tabela 10, mas este se repete ao começar um novo ano. Tabela 10 – Custo da água potável pela Concessionária Sabesp Período de análise Consumo Custo (R$) Agosto/2005 405 R$ 1.999,09 Julho/2005 438 R$ 2.169,37 Junho/2005 337 R$ 1.648,21 Maio/2005 434 R$ 2.148,73 Abril/2005 450 R$ 2.231,29 Março/2005 485 R$ 2.411,89 Fevereiro/2005 195 R$ 915,00 Janeiro/2005 236 R$ 1.127,05 Dezembro/2004 447 R$ 2.215,81 Novembro/2004 349 R$ 1.710,13 Outubro/2004 396 R$ 1.917,58 Setembro/2004 358 R$ 1.644,32 TOTAL FONTE – SABESP, 2005 R$ 22.138,16 22 4.2 Economia de Água Pluvial A economia de água da chuva pode ser observada na tabela 11. Tabela 11 – Economia de água pluvial Período de análise Consumo Economia (R$) 187 561 155 465 149 447 73 219 44 132 31 93 23 69 28 84 45 135 93 279 109 327 268 804 R$ 3.615 Janeiro/2005 Fevereiro/2005 Março/2005 Abril/2005 Maio/2005 Junho/2005 Julho/2005 Agosto/2005 Setembro/2005 Outubro/2005 Novembro/2005 Dezembro/2005 TOTAL 4.3 Investimentos realizados Os investimentos realizados na escola podem ser observados na tabela 12. Tabela 12 – Investimentos realizados Período de análise Janeiro/2005 Fevereiro/2005 Março/2005 Abril/2005 Maio/2005 Junho/2005 Julho/2005 Agosto/2005 Setembro/2005 Outubro/2005 Novembro/2005 Dezembro/2005 Saida -9.490 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 -200 23 4.4 Análise Econômica pelo método do Payback descontado A análise econômica pelo método do Payback descontado à taxa de 12% ao ano pode ser observada na figura 17. Verifica-se que após o trigésimo quinto mês, o retorno do investimento é alcançado. A tabela apresentada no apêndice A mostra os retornos do investimento de forma numérica. R$ 2.000 R$ 1.000 R$ 0 0 4 8 12 16 20 24 (R$ 1.000) (R$ 2.000) (R$ 3.000) (R$ 4.000) (R$ 5.000) (R$ 6.000) (R$ 7.000) (R$ 8.000) (R$ 9.000) (R$ 10.000) (R$ 11.000) Figura 17 – Análise do Payback para a escola 28 32 36 24 5 CONCLUSÕES Pode-se concluir que através da implantação deste projeto, a Escola Municipal “Vereador Mario Monteiro dos Santos”, tenderá ser auto-suficiente em termos de uso de água para fins de uso sanitário, lavagem de pátios e irrigação de áreas verdes, retornando o investimento realizado num período de aproximadamente 3 anos. Além disso, haverá uma considerável redução nos gastos com a água fornecida pela distribuidora, pois parte da demanda será suprida pelo projeto que com grande êxito também transformará o comportamento de toda a comunidade, a começar pelos alunos que terão aulas expositivas observando na prática o aproveitamento de águas pluviais, passando a ser agente multiplicador do racionamento de água e preservação do meio ambiente. A análise do Payback mostra que com um investimento relativamente baixo, é possível compensar o valor desembolsado para a implantação do projeto no já no segundo mês de funcionamento. É válido citar, que o projeto será inicialmente implantado utilizando metade da área disponível do telhado da quadra coberta, podendo ser posteriormente ampliado, utilizando-se o telhado inteiro, para um maior acúmulo de águas pluviais. 25 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACSELRAD, H. Cidadania e Meio Ambiente. Direitos Humanos e Cidadania – Sociedade Catarinense de Direitos Humanos. Disponível na Word Web:‹http://www.dhnet.org.br/direitos/sos/ecologia/cidadaniamambiente/htm, consultado em 24/05/2006. AMY VICKERS, AMHERST, MA USA ELETRONIC GREEN JOURNAL. Disponível na Word Web:‹http://www.egjr.lib.uidaho.edu/egjr17/vickers1/htm, consultado em 20/05/2006. A DISTRIBUIÇÃO E O CONSUMO DE ÁGUA DOCE NO MUNDO E NO BRASIL. Anuário Estatístico 2000. Disponível na W ord Web:‹http://www.idec.org.br/biblioteca/mcs_água, consultado 03/05/2006. AWW – American Water Works Association. Water meters-selection, installation an maintenece manual of water supply. Pratice M6, awwa3rd, ed. 2005. AZEVEDO NETTO, J. M. Manual de Hidráulica, editora Edgard Blucher Ltda, São Paulo, 1998. BOLETIM TÉCNICO DA ESCOLA POLITECNICA DA USP – BT/PCC/405 – Formulação de diretrizes para implantação de programas de conservação de água em edificação, São Paulo, 2005. BOTELHO, Manuel Henrique Campos. Águas de Chuva – Engenharia das Águas Pluviais nas Cidades, 2ª ed, editora Edigar Brucher, São Paulo, 1998. BRASIL, SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE – Política Nacional do Meio Ambiente. Lei n.º 6.938 de 31 de agosto de 1981 – texto atualizado em 07/02/2000. Disponível na Word Web:‹http://www.mma.gov.br, consultado em 07/06/2006. 26 CENSO DEMOGRÁFICO, 2000. Disponível na Word Web:‹http://www.ibge.com.br, consultado em 14/07/2006. GADOTTI, M. – Centro de formazione “Paulo Freire” – Debate: Qual adulto? Qual comunidade? Uma perspectiva freiriana. Milano, 24 setember 2004. 2004. Disponível na Word Web:‹http://www.mma.gov.br, consultado em 12/06/2006. GOMES, J FENDRICH ROBERTO – Qualidade da Água no Campus PUCPR, Curitiba , ISAM, 1989. KITAMURA, MC – Aproveitamento de águas pluviais para uso não potável – T.C.C. Enge. Ambiental – Pontifícia Universidade Católica do Paraná, junho 2004. LIMA, A.C.M. –Transporte hidráulico de misturas sólido-líquido, Ed. Edger Brucher Ltda., São Paulo, 1999. Disponível na Word Web:‹http://www.buscatextual.cnpq.br, consultado em 23/05/2006. MACEDO, ANTONIO CARLOS – Águas pluviais –São Carlos, S.P., Editora Lima, 2003. MANCUSO, P.C.S. - Reuso de Água – 1ª ed., São Paulo, Editora Manole, 2003. MELO, VANDERLEY – Instalações prediais hidráulicas Sanitárias, Editora Edgar Blucher Ltda, 1988.. NETTO, J.; MARTINS, J.; PUPPI, I.; NETTO, F.; FRANCO, P. - Planejamento de Sistemas de Abastecimento de Água - Publicação da Universidade Federal do Paraná e da Organização Pan-Americana de Saúde, 1963 pp. 1-203 – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), 2000. OLIVEIRA JUNIOR , OB – Avaliação do desempenho funcional de bacias sanitárias de volume de descarga reduzido com relação à remoção de sólidos – Dissertação 27 (mestrado), Faculdade de Engenharia Civil, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, S.P., 2002. SABESP – Saneamento Básico do Estado de São Paulo, São Paulo, 2005. SAUTCHÚ’K, C.A.; MARRACCINI. O. - Formulação de diretrizes para implantação de programas de conservação de água em edificações - Boletim Técnico da Escola Politécnica da USP – Departamento de Eng Civil, São Paulo, 2005. SECRETARIA DE RECURSOS HÍDRICOS DO MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Disponível na Word Web:‹http://www.mma.gov.br, consultado em 06/07/2006. TOMAZ, P. - Aproveitamento de Água da Chuva –Editora Navegar, São Paulo 2003. TORRES, O. F. F. - Fundamentos da Engenharia Econômica – Editora Thompson, São Paulo, 2006. 28 APÊNDICE A Análise do Payback descontado (taxa de 12% ao ano) 29 Período de análise Inicial Janeiro/2005 Fevereiro/2005 Março/2005 Abril/2005 Maio/2005 Junho/2005 Julho/2005 Agosto/2005 Setembro/2005 Outubro/2005 Novembro/2005 Dezembro/2005 Janeiro/2006 Fevereiro/2006 Março/2006 Abril/2006 Maio/2006 Junho/2006 Julho/2006 Agosto/2006 Setembro/2006 Outubro/2006 Novembro/2006 Dezembro/2006 Janeiro/2007 Fevereiro/2007 Março/2007 Abril/2007 Maio/2007 Junho/2007 Julho/2007 Agosto/2007 Setembro/2007 Outubro/2007 Novembro/2007 Dezembro/2007 F.C. F.C. Desc. F.C. Desc. Ac. -9.490 (R$ 9.490,00) (R$ 9.490,00) 561 R$ 560,55 (R$ 8.929,45) 465 R$ 464,26 (R$ 8.465,19) 447 R$ 445,93 (R$ 8.019,26) 219 R$ 218,30 (R$ 7.800,96) 132 R$ 131,47 (R$ 7.669,49) 93 R$ 92,55 (R$ 7.576,93) 69 R$ 68,61 (R$ 7.508,32) 84 R$ 83,46 (R$ 7.424,85) 135 R$ 134,03 (R$ 7.290,82) 279 R$ 276,78 (R$ 7.014,05) 327 R$ 324,14 (R$ 6.689,91) -200 + 804 R$ 598,23 (R$ 6.091,68) 561 R$ 555,20 (R$ 5.536,48) 465 R$ 459,82 (R$ 5.076,66) 447 R$ 441,67 (R$ 4.634,99) 219 R$ 216,22 (R$ 4.418,77) 132 R$ 130,22 (R$ 4.288,55) 93 R$ 91,67 (R$ 4.196,88) 69 R$ 67,96 (R$ 4.128,92) 84 R$ 82,67 (R$ 4.046,25) 135 R$ 132,75 (R$ 3.913,50) 279 R$ 274,13 (R$ 3.639,37) 327 R$ 321,04 (R$ 3.318,33) -200 + 804 R$ 592,52 (R$ 2.725,81) 561 R$ 549,90 (R$ 2.175,91) 465 R$ 455,43 (R$ 1.720,48) 447 R$ 437,45 (R$ 1.283,03) 219 R$ 214,15 (R$ 1.068,88) 132 R$ 128,97 (R$ 939,90) 93 R$ 90,80 (R$ 849,11) 69 R$ 67,26 (R$ 781,85) 84 R$ 81,88 (R$ 699,98) 135 R$ 131,48 (R$ 568,49) 279 R$ 271,52 (R$ 296,97) 327 R$ 317,97 R$ 21,00 -200 + 804 R$ 586,86 R$ 607,86 Livros Grátis ( http://www.livrosgratis.com.br ) Milhares de Livros para Download: Baixar livros de Administração Baixar livros de Agronomia Baixar livros de Arquitetura Baixar livros de Artes Baixar livros de Astronomia Baixar livros de Biologia Geral Baixar livros de Ciência da Computação Baixar livros de Ciência da Informação Baixar livros de Ciência Política Baixar livros de Ciências da Saúde Baixar livros de Comunicação Baixar livros do Conselho Nacional de Educação - CNE Baixar livros de Defesa civil Baixar livros de Direito Baixar livros de Direitos humanos Baixar livros de Economia Baixar livros de Economia Doméstica Baixar livros de Educação Baixar livros de Educação - Trânsito Baixar livros de Educação Física Baixar livros de Engenharia Aeroespacial Baixar livros de Farmácia Baixar livros de Filosofia Baixar livros de Física Baixar livros de Geociências Baixar livros de Geografia Baixar livros de História Baixar livros de Línguas Baixar livros de Literatura Baixar livros de Literatura de Cordel Baixar livros de Literatura Infantil Baixar livros de Matemática Baixar livros de Medicina Baixar livros de Medicina Veterinária Baixar livros de Meio Ambiente Baixar livros de Meteorologia Baixar Monografias e TCC Baixar livros Multidisciplinar Baixar livros de Música Baixar livros de Psicologia Baixar livros de Química Baixar livros de Saúde Coletiva Baixar livros de Serviço Social Baixar livros de Sociologia Baixar livros de Teologia Baixar livros de Trabalho Baixar livros de Turismo